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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Resistência cultural, qual a melhor opção (Como escapar ao protestantismo e ao islã - Ao Brasil e a Europa.) II - ContinuaçãoGuardar

Seja-me permitido dizer com absoluta fraqueza. E por sinal como Historiador que folga estudar antiguidades clássicas e orientais a cabo de três décadas - Face aos assédios protestante e islâmico ideologia naturalista alguma nos poderá valer ou salvar.

Pois nem mesmo as Ideologias mais fortes e belas da antiguidade puderam salva-la da dissolução.

Refiro-me a obra daquele que Rousseau, contrapondo a Jesus Cristo, apontou como o maior ser humano de todos os tempos: Sócrates. Bem como a obra daquele outro grego que segundo afirmam os sábios era capaz de pensar por no mínimo cem homens: Aristóteles.

Em vão procuraríamos por melhores doutrinas ou por ensinamentos mais excelentes. E no entanto... Foram, um e outro, socratismo e aristotelismo, incapazes de salvar três ou quatro milênios de civilização.

Foi o aristotelismo, após uma magnífica floração e contra todas as expectativas, suplantado pelo platonismo, o qual acabou por ceder passo ao neo platonismo e enfim a teurgia ou feitiçaria... De fato foi aquele sóbrio realismo aristotélico engolido pelas toscas conjecturas de Platão e estas consumidas pelo irracionalismo e pelo ceticismo até chegarmos a Jâmblico e a magia, encantamentos e coisas do tipo. De modo que quando o herético Justiniano determinou o fechamento da quase milenar academia não passava ela duma tenda espírita...

Já a figura de Sócrates não tardou, nos primeiros séculos desta nossa Era a ser substituída pelas patéticas figuras de Apolônio de Tiana e Alexandre de Abonútica, o segundo ao menos - Segundo Luciano de Samosata - um mistagogo charlatão.

Enfim nem mesmo os ensinamentos humanos mais puros e elevados foram capaz de manter aquela ordem de coisas e de regenerar aquela cultura pluri milenar. De modo que tudo veio fragosamente abaixo e sucumbiu.

Porém não sucumbiu por inteiro.

Pois ao tempo de Octaviano César, o 'Augusto', apareceu neste nosso báratro sublunar um homem virtuoso e exemplar, o qual não hesitou apresentar-se como o Ente Supremo, Legislador, organizador e mantenedor dos Universos. 

Viveu de modo digno e irrepreensível no meio da gente mortal e emulando com o ateniense, com Buda e Confúcio, enunciou o padrão de Ética mais elevado que até hoje possuímos, fundamentado na empatia, alteridade ou solidariedade. tolerância a respeito dos que creem de modo


Por meio da palavra e do exemplo sancionou a diverso (Ao recusar fulminar com raios a aldeia dos samaritanos.), um amor heroico que se estende até os contrários, um ideal crítico de paz, um escrupuloso zelo pela justiça, o culto piedoso da verdade, a disponibilidade ao perdão irrestrito, a lei divina da liberdade, a fraternidade universal, etc

Tão elevada a puridade de seus ensinamentos que não poucos objetores decidiram, arbitrariamente, lança-lo no mundo dos mitos, bani-lo da História e negar sua existência real (Dupuis, Strauss, E Bossi, Bernacchi, Antonio Miranda...) Enquanto outros, agindo como doidos (O dr Binet Sanglé) chegaram a questionar sua sanidade mental, pelo simples fato de se ter apresentado como Deus Nosso Senhor, mantenedor do Universo. Pois de fato esse grande homem foi, ainda é e sempre será uma pedra de escândalo, especialmente para seus falsos seguidores, adversários do Evangelho redentor.

Mesmo para o islã é ele uma pedra porquanto o livro deles o reconhece como 'Palavra de Deus', nascido miraculosamente de Virgem, enquanto que Maomé, nasceu de modo humano e natural de Abdullah e Aminah. 

Ademais enquanto este Jesus foi fiel aquela Lei que declara: Não assassinarás, Maomé tornou-se conhecido por ter mandado amarrar Umm Quirfa de Banu Faraza (A qual era uma mulher idosa!) a dois camelos e partida viva em dois pedaços, após o que foi esquartejada, decapitada e sua cabeça oferecida como 'mimo' ao 'santo' homem, o qual teria declarado na ocasião: "Um povo liderado por uma mulher jamais obterá sucesso.". Por mais caras de pau que tenham os maometanos não podem negar tais fatos, uma vez que constam na "Sirat rasul Allah" de Ibn Isahq (Sessão 980) e no Hadith de At Tabari (VIII,96).

E no entanto os ideólogos que costumam colocar em dúvida a existência de Jesus, Buda ou Sócrates (kkkk) nem de longe questionam a existência do líder desses bandoleiros saídos dos desertos com suas cimitarras...

Para a crítica imparcial dos ateístas, apenas aquele que decretou explicitamente a destruição dos ateus, materialistas e irreligiosos e que condenou a liberdade, tanto política quanto religiosa, tem direito a existência. 

Agora, tornando a Jesus, sejamos francos - sua existência, similar a de Çakia Muni, Confúcio ou Sócrates e digna de grandes civilizações, como a Índia, a China ou a Grécia, não faz sentido algum nos confins da Palestina ou nos desertos da Judéia. A de Maomé ou a de 'Moisés' ali se enquadram perfeitamente... A de Jesus melhor estaria em Mileto, Atenas, Antioquia e sobretudo Alexandria. Pois supõem a convergência de tradições culturais que só poderiam ser encontradas juntas naquela soberba Biblioteca, o centro do saber antigo. E no entanto, tais doutrinas e ensinamentos (Que lhes são atribuídos pelo Evangelho ou pela Igreja antiga.), a serem humanamente extraídos, suporiam décadas de pesquisa, e demandariam a atividade frenética de um Eratóstenes ou de um Calímaco e não de um bando de pescadores semi analfabetos de Cafarnaum... cf "Jesus, o mestre de Nazaré" Aleksandr Mien

E que resulta disto...

Resulta disto que o Cristianismo - Opondo-se tanto a guerra injusta quanto ao escravismo. - faz deitar o machado a raiz da árvore podre, como assevera E Gibbon no "Declínio e queda do império romano"

E no entanto, ao contrário do islã iconoclástico cf Robert Reilly "O fechamento da mente muçulmana" - o estro do Catolicismo Ortodoxo, ao mesmo tempo que conduz aquele mundo a seu fim, dissolve-o e destrói-o, igualmente preserva o que nele havia de mais precioso, para recompor e, sobre outras bases (Éticas), criar uma nova civilização. Cf Th Cahill "Como os irlandeses salvaram a civilização" (1995) 

De fato, o Catolicismo Ortodoxo (Em seguida, no ocidente, a igreja apostólica romana.) tudo recompõem, em torno dos mistérios de Jesus Cristo:


 A Ética: Politicamente liberal, religiosamente tolerante, anti escravista ou abolicionista, justicionista face ao poder do dinheiro ou ainda trabalhista, feminista ou a favor da igualdade de gênero, pacifista crítica ou não agressiva, ecologista, disponível, sensível, fraternal, solidária e assim voltada para as condições específicas da criança, do deficiente, do idoso, etc buscando suavizar as dores do mundo e converte-lo num lugar mais digno e melhor. 

A estética: Estimulando os ofícios da música, da arquitetura, da pintura, da escultura, do drama, da poesia, etc representados por Palestrina, Bach, Bruckner, Gnoud, J B Neumann, P A Vignon, J F Millet, F V E Delacroix, Gericault, B Thorvaldsen, J R de Hita, Gil Vicente, Petrarca,
 Shakespeare, Corneille, Racine, Dante, Camões, Cervantes, La Fontaine, T de Tasso, L Ariosto. cf Chateaubriand "O gênio do Cristianismo" 

E sobretudo na área do conhecimento, sustentando até o Vaticano II, o legado de Anaxágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Antíoco de Ascalon e outros sobre a demonstração da verdade e seu critério. E sem embargo produzindo novas e dignas contribuições, com R Descartes ou Rosmini, dentre outros. Cf Fulton J Shenn "Filosofia da religião"

E ainda na área do que chamamos ciência - Sobre a qual escreveremos um artigo a parte.

Ora, tudo isto foi feito e pronto já estava, graças a ação profícua do Catolicismo Ortodoxo ou da igreja romana, antes que o protestantismo aparecesse no horizonte, como verdadeira Revolução, destinada a interromper bruscamente o rumo das coisas e imprimir-lhes uma outra direção: Cética, naturalista, materialista, economicista, relativista, ateística, modernista, nacionalista, etc numa só palavra: Perversa... e precipitar a infeliz Europa nos braços do islã.

O que o Cristianismo, com tanto esforço e trabalho fez, a rebelião protestante desfez... lançando os fundamentos de um mundo caótico e incapaz de manter-se face a barbárie muçulmana. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Resistência cultural, qual a melhor opção (Como escapar ao protestantismo e ao islã - Ao Brasil e a Europa.)

Diante da pressão exercida pelo protestantismo, cá no Brasil e pelo islamismo, lá na Europa a primeira ideia que se nos vem a mente é a de resistência cultural. A exemplo do Paraguai e do México temos de valorizar nossas coisas... Sem estereotipar ou converter-se num Policarpo Quaresma temos de questionar esse negócio de rock and Roll e Holywood com coca cola e faste food no Mc Donalds. 

Não estou dizendo, de modo algum, que devamos repudiar a pseudo cultura Norte yankee em bloco, como se por lá nada houvesse de bom. Certamente que em nossas vidas pode haver espaço para o Jazz, para o 'Cidadão Kane' de Welles, para sandubas de geleia com pasta de amendoim, etc 

No entanto como brasileiros que somos parece-me absurdo que conheçamos apenas aquele Rock melody do 'Air supply' (Que eu adoro) ou o repertório completo de um Nat, de um Sinatra ou de uma Houston e ignoremos por completo a produção musical brasileira e assim as obras de um Sivuca, de um Hermeto Pascoal, de um Moacyr Franco, de uma Roberta Miranda, de um Nhô Pai, de um Zé Fortuna, etc 

Um cuscuz paulista e uma 'Guaraná' também vão bem. Um pãozinho com manteiga, um Bauru, um bolinho de chuva... não fazem mal a ninguém. Claro que de vez em quando um Hamburguer pode ser tão bem vindo quanto uma pizza e um coockie tão saboroso quanto um biscoito de polvilho... Quero dizer que também possuímos uma cultura alimentar e que, sem abrir mão de uma variedade ocasional, devemos ser mais críticos face ao mercado ou a propaganda. Por que ao menos não experimentar o que é nosso...

Temos linho, algodão, casimira, etc, etc - Alias tecidos de diversa procedência e varia cultura. Por que essa fixação no jeans... 

Tanto pior quanto as tais marcas - Com esse fervor místico em torno de nomes. A bem da verdade deveríamos nos vestir apenas para cuidar do corpo. Todavia como até os animais, ao menos as aves, buscam melhorar a aparência, é compreensível que o traje possua também uma dimensão estética. No entanto o que um palavra acrescenta ao conforto ou a beleza de uma roupa... Em que a torna melhor ou pior... Que é que a sigla NIKE adiciona a um sapato em termos de uso ou comodidade... Nada...

De fato o consumismo parece mestre quanto a arte de distorcer aquela tendência natural que temos para nos destacar dos demais (Emulação), a qual para ser digna e justa deve estar associada a alguma competência ou a algum mérito e não a ostentação de um nome que reporta a riqueza. Pessoa alguma é melhor do que outra por ser rica ou ter posses - E alias o mais provável, inclusive, é que seja pior. O que nos torna melhores encontra-se dentro de nós ou no nosso interior e são nossas qualidades: O senso de justiça, a solidariedade, a lealdade, a honestidade, etc Não um pedaço de pano com um nome qualquer...

Supor que um corte de tecido com uma palavra qualquer gravada nos torne melhor do que os outros ou que nos confira alguma superioridade só pode ser a marca de imbecilidade... Coisa de gente idiota e vazia. De pessoas sem qualidade...

Não é todavia sobre qualquer tipo de contra cultura que quero discorrer neste artigo. Contra cultura superficial até mesmo lá, nos EUA, foi produzida. E chegou a tornar-se um negócio rentável.

O quanto quero abordar aqui é a contra cultura ideológica ou abstrata. Em termos de conceitos básicos ou matrizes de valores. Pois nossa resistência precisa no mínimo estar a altura da 'American way of life'. 

Não julgo que o modernismo ou o pós modernismo, ou ainda a pós verdade estejam acima do americanismo. Grosso modo os seres humanos, satisfeitas as exigências básicas postas pela existência, demandam pela Verdade ou ao menos por algumas verdades - Pois é a verdade o pão do espírito e não apenas de pão vive o homem...

O ceticismo, quando não reflete um estado mental mórbido, é reflexo de um projeto social frustrado. Assim a sociedade grega imediatamente posterior a morte de Alexandre, assim a Sociedade europeia posterior as duas grandes guerras... 

Em tempos de normalidade, estabilidade ou desenvolvimento tal patologia não floresce e, se e quando floresce, nada produz de relevante. 

Digo o mesmo a respeito do relativismo crasso e do subjetivismo absoluto ou solipsismo. Sobre tais areias são poucos aqueles que ousam edificar palácios ou castelos... 

As migalhas ou farelos do ceticismo, do subjetivismo, do relativismo, das narrativas, do discurso, etc os humanos preferem a posse segura de verdades aparentes, como as que lhe são oferecidas pelo protestantismo, pelo capitalismo, etc Pois como disse Bacon de Verulan, ao ateísmo preferem as fábulas sinistras do Corão ou dos Vedas... Assim a negação da verdade, preferirá esse mesmo homem a mitologia dos antigos hebreus e o fetichismo continuísta oferecido pelo protestantismo.

É o pós modernismo similar a concha, que justamente faz barulho ou ruído porque esta vazia... Ao nada ou ao nihilismo insonso o ser humano prefere mitologias e fábulas...

Damos em seguida com o africanismo - Dos batuques ou atabaques, orissás, comidas de santo, etc ou o indigenismo do cachimbo e do espírito da mandioca - Enfim as construções ideológicas de retorno a cultura ancestral. E o problema aqui é que a cultura ancestral é portadora de um fetichismo, porém de um fetichismo ágrafo ou iletrado, i é, pautado em tradições orais, costumes, etc enquanto que o protestantismo oferece a humanidade um fetichismo associado a um livro. 

Embora tais relações sejam bastante complexas não estou me referindo a pessoas ágrafas ou analfabetas porém a pessoas letradas que aderiram a uma religião não letrada. Se a um lado os iletrados tendem a encarar o livro como divino, os alfabetizados demandam pela segurança do registro escrito... Ao menos no ambiente urbano e ocidental parece claro que as formas de religião centradas no livros levam vantagem face as demais.

Ademais se, por questão de necessidade, a religião ágrafa ou tradicional está quase sempre na dependência da autoridade, a religião do livro sempre poderá acenar com a leitura\interpretação individual e delegar autoridade ao próprio indivíduo, a exemplo do protestantismo. Aqui a técnica exegética ou sua aparência, suplanta o sacerdócio, e, acenando com a liberdade, massageia o ego. 

Sendo assim as possibilidades de domínio por parte do protestantismo, com seu livre exame individual, acabam sendo maiores do que aquelas que foram reivindicadas pelo sacerdócio. Se o livro portador das palavras divinas pode ser interpretado por qualquer indivíduo, o indivíduo, em posse do conhecimento divino, bem pode invocar para si mesmo a autoridade divina. E de fato os fanáticos já não se apresentam como leitores do livro, mas como o próprio livro, reivindicando para si mesmos uma autoridade absoluta. 

Por isso não vejo como a religião primitiva possa rivalizar já com o protestantismo, já com a 'sifilização' moderna. E tenho tais arroubos primitivistas mais como uma moda. Aqui qualquer mínima dose de racionalidade ou empirismo é quase sempre letal. Pois não há, por exemplo, uma válvula de escape como o livre exame, a qual possibilite a criação de uma interpretação diversa.

Outro defeito bastante grave a ser considerado por parte de tais construtos religiosos é a ausência de um aparato ético consistente. Isto a ponto de alguns deles afirmarem-se como 'amorais' - Ora a grande demanda ou a principal demanda do tempo presente é a Ética. Claro que sempre se pode construir uma ética natural razoável... Sem embargo disto o elemento médio ainda edifica sua vida ética sobre fundamentos de caráter religioso, a falta dos quais essa vida ética apenas se esboça.

Sem embargo o supremo defeito de tais crenças - E o espaço onde se encontram com o protestantismo. - é a irracionalidade. De fato além do conteúdo fetichista que leva ambos os sistemas a predicarem sobre a imanência (Violando os limites da demarcação e invadindo os domínios que por direito pertencem a Ciência.) ambos os sistemas pecam pela total ausência de um arranjo racional semelhante a Alta Teologia Católica (Ou Ortodoxa).

Pois embora os conteúdos da fé ou da Revelação divina permaneçam sempre inverificáveis, a fé Ortodoxa e o papismo (A parte do agostinianismo irracionalista.) oferecem uma visão total ou cosmovisão capaz de relacionar organicamente os diversos mistérios e de apresenta-los de maneira sistemática, enfim como um conjunto harmonioso. Formam assim uma espécie de Puzzle, na medida em que cada verdade se vai encaixando até plasmar essa visão unitária. 

Quando observo o africanismo brasileiro (Sobretudo a Umbanda e, em menor medida o candomblé daqui.) o quanto encontro são criações tão sincréticas e irracionalistas quanto esoterismo, a rosa cruz, o ocultismo, etc As quais mostram-se sempre incapazes para satisfazer os intelectos mais exigentes, os quais anseiam por uma conexão orgânica e unidade de conjunto quanto os ensinamentos oferecidos. 

Neste terreno, o padrão apostólico, herdeiro da tradição racional e ética greco romana parece levar decisiva vantagem não apenas sobre os padrões religiosos tradicionais ou primitivos mas também sobre o protestantismo fixado na cultura judaica.

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domingo, 11 de fevereiro de 2018

A condição humana, a kalolagatia e o biologismo


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Não somos negacionistas.

Longe de nós negar o papel e a importância da Ciência no tempo presente.

Não somos pós modernistas e tampouco Humeanos ou Kantianos...

Não colocamos em dúvida a capacidade de aparelho cognitivo humano para conhecer.

Não negamos peremptoriamente as informações que nos são fornecidas pelos sentidos e processadas pela razão.

Não questionamos a 'empiria', os fatos verificados ou as leis formuladas.

........................................................................

Em nossa visão de mundo há espaço para a ciência.

Não somos reducionistas, ideólogos, arbitrários e fanáticos.

Como aqueles que tentam transplantar suas concepções metafísicas, desonestamente, para o campo da ciência, ocultando-as sob o nome de teorias.

Grande é a confusão existente entre os termos ciência, hipótese, fato/dado, lei e teoria; e resulta de um cabal desconhecimento por parte dos maravilhosos cientistas contemporâneos a respeito do que seja gnoseologia. De modo geral podemos dizer que raro é o cientista renomado que, a exemplo de Sagan, tenha lido Platão, Aristóteles, Homero, Seneca, Cícero, Virgílio ou Ovídeo; e isto já diz muita coisa a respeito deles i é dos cientistas contemporâneos e de sua concepção de homem e mundo.

Há um conflito subjacente entre toda esta tradição positivista e anti metafísica, cujas raízes chegam a Kant e Hume, os quais de modo algum eram cientistas, ou a D Holbach, Helvetius, La Metrie e outros, os quais tampouco eram cientistas, e nossas fontes culturais chantadas na Grécia Antiga, i é na tradição humanista de Sócrates, Platão e Aristóteles; o choque é evidente e sequer precisamos falar em Jesus Cristo ou Catolicismo. Nietzsche e Ayn Rand com razão e lucidez já traçaram brilhante paralelo entre o homem de Jerusalém e o homem de Atenas, classificando a ambos como charlataẽs ou mistificadores.

Há séculos atrevidos tem se lançado contra o Cristo, aquele que disse: Aquilo que desejais que vos seja feito, fazei aos outros. Aqui os fundamentos da alteridade, da empatia e do altruísmo, valores sobre os quais temos tentado construir ou arquitetar uma civilização humana ou humanista. Sócrates não pensava doutro modo e menos ainda Platão... Aqui a linguagem é una.

Jesus no entanto, verdade seja dita, estava inserido numa cultura bárbara e mitológica que bem pouco tem a ver com nossas raízes, e destarte manifestava-se precariamente, segundo o aparelho linguístico conceitual de que dispunha. Teve que dialogar com religiosos fanáticos e que assimilar parte daquela cultura primitiva. Fácil pinta-lo com um bárbaro ingênuo ou rabino prosaico.

Arremeter contra Sócrates e sua escola, é mais problemático, em todos os sentidos. Afinal ele e seus continuadores estavam inseridos numa cultura exuberante, além de serem pioneiros quanto a construção de um aparato conceitual adequado não apenas a Filosofia, mas a Teologia antiga e a própria ciência. Ciência que os gregos também produziram com Estraton de Saloniki, Dikaiarkos de Messina, Eratóstenes, Aristarco de Samos, Pitagoras, Tales, Anaximandro, Arquimedes e outros tantos gênios...

Poucos tem a ousadia de um Nietzsche... Ou melhor sua honestidade e coerência.

E por isso mantém um culto falso a aparente aos gênios que lançaram os fundamentos da civilização Ocidental, os quais na verdade encaram como patetas, ingênuos, estúpidos, idiotas, toscos, rudes, primitivos, grosseiros, etc Aqui colocamos em prática a curiosa Filosofia do 'Como se'', um artificio do engano bem a gosto dos darwinistas. Nos comportamos 'como se' respeitássemos a Sócrates e seus sucessores, enquanto nutrimos um imenso desprezo por eles. Não, nos não levamos os antigos pensadores a sérios e desdenhamos dialogar com eles, julgando ser pioneiros nos domínios do ṕensamento e ter começado a pensar a partir de Hume, kant, Comte ou Darwin, os magos da modernidade.

Antes era tudo trevas, e depois se fez a luz...

Claro que essa ambivalência - remonto a outro mago, este dos bons > Freud - toda só poderia gerar mal estar e crise. E desde 1800 estamos em crise... Enquanto o islã nos ronda com seu corão, sharia e shahada... E por que estamos em crise? Uma casa uma se mantém de pé sem seus alicerces ou fundamentos... removidos estes toda construção vem abaixo. Com a sociedade ou a cultura não  sucede de outra forma - determinada forma de civilização tem seus determinados fundamentos dos quais parte sob os quais se assenta, aqui não há dissonância entre Weber, Spengler, Huizinga, Toynbee, Dawson ou Butterfield.

Mas que os físicos, químicos, biólogos... sabem ou querem saber sobre cultura??? A cultura se lhes parece irrelevante. Desdenham dela e de seus estudiosos... Conhecem átomos, partículas, células, genes... E acham que conhecem ou sabem tudo, todos os segredos do universo ou ao menos tudo quanto seja possível saber. Mas eles não tem sabido lidar com esta crise ou salvar nossa civilização...

De fato em meados do séculos XIX os demolidores da Religião e Filosofia, i é os estados teológicos e metafísico do sr Comte - não menos do que o desmoralizado Marx - acenaram com um paraíso sobre a terra e com uma nova civilização arrojada e vanguardista cuja porta ou via de acesso seria a ciência. Ciência que diversos homens cultivaram com um fervor místico, quase religioso. E se Mircea Eliade e Arendt puderam ver acento de religiosidade no comunismo, no nazismo, no fascismo, etc como não ve-lo no cientificismo positivista, essa escatologia cristã secularizada no dizer de Greyling...

Tal e qual Dawkins, seus ancestrais ideológicos: Mill e sobretudo Herbert Spencer - O filósofo portátil de Darwin que ignorava supinamente o papel das mutações no processo evolutivo - acenaram com uma nova ética, muito superior a cristão e mesmo a socrática... E tudo que resultou deste dicruso falacioso e vão foi, pasmem - INDIVIDUALISMO/EGOÍSMO e UTILITARISMO (apesar dos ingentes esforços de Mill ou qual pretendeu cristianizar o utilitarismo, concedendo-lhe um caráter social ou coletivo). Aqui H Spencer, em nome de Darwin deu as mãos da Nietzsche e a Ayn Rand, de um lado  - a arqueologia das ideias o demonstra claramente - surgiu a Hidra nazista e do outro o monstro ancap.

Pois se trata duma 'ética' absolutamente relativista e portanto subserviente já ao estado, já ao capital...

Alias a 'ciência' que se diz positiva ou materialista, atendo-se apenas a fatos dados, menospreza aquilo que chamamos de ideal e que corresponde a medula da ética essencialista e objetiva. Como não há sentido não pode haver ideal propriamente dito. A tendência do cientificista, como a do velho Pirro de Elis, é conformar-se com a realidade seja ela como for... E conformar-se com certas realidades sejam políticas, religiosas ou econômicas é trair o que há de melhor em nós mesmos...

Materialismo, positivismo, utilitarismo e individualismo jamais produziram crítica ou consciência social. Daí terem construído laços orgânicos ou afinidades eletivas com capitalismo, nazismo, fascismo e outras culturas de morte a que prestaram serviço. O fim de tudo isto não é uma simples crise, é o fim inglório da civilização.

Afinal eliminada a ética DA PESSOA ou a ética HUMANISTA, restou-nos apenas a técnica, filha da ciência. A ciência, que é um valor em si mesmo, deu-nos a técnica, cujo fim é definido pelo homem. Assim o fruto da ciência recebe sua determinação a partir do homem, de um homem que bem pode furtar-se a ética... Afinal a ética não é e jamais poderá vir a ser fruto da ciência. A ciência jamais nos deu Ética. Uma bananeira também não nos dá laranjas...

Não é novidade. Sócrates já o havia predito e vaticinado que o conhecimento do universo desvinculado do conhecimento de si e do auto domínio poderia constituir uma calamidade para os seres humanos. Afinal, ciência não produz consciência. Mas o uso da técnica pelo homem demanda produção de consciência ética. O homem partiu o átomo e conheceu a potência da força. Poderia, caso tivesse ética ou consciência, ter empregado essa força, desde logo como fonte de energia ou combustível, mas... a primeira coisa que fez foi coloca-la uma ogiva, fabricar uma bomba e lança-la sobre duas cidades e aniquilar, a uma só vez, dezenas de milhares de cívis inocentes. Aqui os cientistas não só obedeceram passivamente como praticamente não fizeram qualquer crítica ao uso feito com aquilo que inventaram. Conformaram-se prosaicamente com a 'realidade dada'... demonstrando cabalmente como entre produção científica e consciência vai um abismo.

Claro que os cientistas não levam nada disto a sério, porque suas esposas, mães e filhos estão bem protegidos do lado de cá - Seria diferente caso tais bombas de destruição maciça estourassem sobre suas cabeças do lado de cá... Ai principiariam a pensar e colocar-se no lugar do outro. Enquanto estão bem nutridos e seguros...

Digo mais - raramente tem os cientistas contestado o desfrute da técnica que produzem pelo poder econômico ou pelo capital. Limitam-se a receber estipêndios as vezes bastante módicos enquanto suas descobertas, ao menos a princípio, são vendidas aos milionários que podem pagar por elas a peso de ouro. Enquanto ao cabo de gerações multidões de seres humanos miseráveis e humildes simplesmente tem o acesso a tais bens pura e simplesmente negado por uma realidade para a qual o nosso heroico cientista esta pouco se lichando. Quiça porque concentrando-se em células e genes perdeu toda noção do que seja humano...

Satisfaço-me com o afirmar que centenas de intelectuais - Psicólogos, Sociólogos, Antropólogos, Filósofos, Biólogos (Lewontin e Jay Gould) e até mesmo matemáticos como A N Whitehead - relacionaram a crise civilizacional porque passamos com o controle de uma técnica refinada por homens vulgares, oportunistas, interesseiros e sem consciência. A técnica é neutra, depende sempre do técnico... Técnicos maus ou alheios a uma ética humanista utilizar-se-ão dela para produzir um inferno de sofrimento e dor sobre a terra. E de fato o fruto da ciência que nos conduziria ao sétimo céu tem sido, ainda e cada vez mais, usado com o objetivo de alimentar guerras, extinguir animais e vegetais, poluir a terra nossa mãe, e por fim, encaminhar-nos a extinção.

Sim, o homem sem consciência na posse de uma técnica arrojada posta em suas mãos por uma ciência acrítica e sem ideais pode dar fim a si mesmo, pode perpetrar suicídio coletivo, pode riscar-se do mapa. De modo que o fruto bendito da ciência, sem consciência ética, converte-se em maldição da mesma maneira que tudo ao ser tocado por Midas convertia-se em ouro.

Ciência sem consciência não é solução de coisa alguma, é problema seríssimo, é flagelo da civilização e do gênero humano. Se o exato, o material, ou somático, o biológico perde noção do humano...

Os físicos, químicos e biologistas; presos de um simplismo que beira o ridículo, é que mutilam da realidade e reduzem o fenômeno humano a condição de felinos, moluscos, répteis, elementos, átomos ou partículas; eliminando o fenômeno da consciência, da racionalidade, da livre vontade e da cultura e é claro que isto é uma profanação efetivada por considerações de ordem ideológica. Evidente que o homem seja tudo isto e que transcenda ao mesmo tempo tudo isto tendo em vista as singulares habilidades de que é objeto.

No homem associam-se fenômenos de ordem diversa - Físico/químicos, biológicos, psíquicos, sociais, culturais, políticos, religiosos, etc numa escala de complexidade ascendente os quais de modo algum permanecem presos aos substratos que lhes serviram de suporte. De modo que não é a mente prisioneira ou escrava do cérebro, como não é a cultura prisioneira da mente, e assim sucessivamente. São áreas ou domínios da existência conectados a um todo demasiado complexo para ser definido, já o digo, não em termos de evolução das espécies, mas em termos de seleção natural, de substâncias ou átomos julgando que isto tudo explica e que nada resta a ser compreendido.

Os antigos gregos tinham uma ideia unitária ou orgânica de nossa condição. Não sabiam nem podiam conceber que facas haviam sido enfeitadas com desenhos a quarenta mil anos atrás ou que os textos das pirâmides propunham diversas questões éticas em torno do bem e do mal. E no entanto conceberam a Kalokagatia, que é uma visão não apenas da verdade fria e teórica tão a gosto de nossos ocidentais, mas de uma verdade sempre em eterna comunhão com o bem e a beleza. Foram os primeiros a refletir detidamente sobre as estâncias ética e estética da existência, e isto foi um marco em termos de civilização.

Os gregos conheceram o homem como um todo, examinando os recônditos de sua natureza ou condição, como apenas S Freud ousaria fazer após eles.

Desde Hume e Kant, crias de uma antropologia protestante e magos da modernidade, temos marginalizado a religião - mesmo após os estudos de Weber, Dawson e Butterfield - descartado a estética, e com Litreé, sucessor de Comte, repudiado a Ética. A bem da verdade, Comte, bastante influenciado (a exemplo de seu mestre ou Visconde de Rouvray) pelo Catolicismo, aspirava incoerentemente, por uma vida ética. Litreé no entanto sacando escolasticamente as conclusões, julgou que a ciência seria capaz de substitui-la. Claro que viveu antes das duas grandes guerras mundiais, as quais serviram-se abundantemente da maravilhosa técnica produzida pela ciência positiva, para juncar o velho continente de cadáveres e ruínas...

Apesar disto os homens de ciência como todos os paladinos das culturas de morte continuaram apresentando supostas verdades separadas do Bem e da Beleza, assim magníficas verdades Más e Feiosas... Claro que o incoerente, o leviano, o superficial... jamais chega ao fundo de tudo isto. Pois se acaso removesse o purpurino véu que vela a divindade, não é com uma áspide que depararia a exemplo de Luciano, mas com a total perda de sentido ou com o nihilismo. Talvez disto resultasse uma onda de suicídios e uma purificação. Afinal quem não vive para servir...

Tal a gênese dos reducionismos físico químicos, dos biologismos, dos sociologismos, dos economicismos e porque não dizer dos psicologismos com seu idealismo tosco... Todas sem exceção visões sectárias, mutiladas, fragmentárias, sectárias e toscas do fenômenos humano. E conflitam esses radicalismos uns com os outros enquanto o islamismo e o pentecostalismo fazem progressos!

Os negadores aqui são os biologistas porta vozes - quero crer inconscientes - da ideologia materialista. Eles é que pretendem sair de seus campos, criar metafísicas ou teorias fantasiosas e converter, eis a pretensão, as áreas autônomas da Psicologia e da Sociologia em domínios seus. Raro o psicologo - idealista - a ponto de negar a influência significativa dos genes, células ou organismo sobre a mente ou a consciência. A Psicologia realista não desconsidera o corpo ou o cérebro. A seita behaviorista, ponta de lança da ideologia materialista ou kantiana, é que pretende negar a mente ou coloca-la fora do acesso da pesquisa. Diga-se o mesmo sobre a Sociologia realista, como a weberiana, que considerando o homem e sua ação não pode deixar de considerar sua dimensão corporal.

Psicólogos e Sociólogos não negam a existência de agregados persistentes em termos de Corpo humano nas dimensões mental e social, O QUE TODOS ELES NEGAM é que tais agregados sejam determinantes no sentido de que nada haja de propriamente psicológico/mental ou de social no homem. Ficando tudo reduzido a Biologia passando a Psicologia e a Sociologia e constituir províncias ou ramos seus, o que é absurdo. Psicologia e Sociologia são ciências distintas com objeto próprio distintos da Psicologia e irredutíveis a uma esquema de darwinismo mutilado. Afinal se os genes determinam o comportamento humano e por ext o convívio social nada temos além de Biologia... Fácil é compreender porque a defecção materialista do behaviorismo foi de pronto dominada pelo neo darwinismo com sua metafísica tomada ao Dr Dawkins... e devemos compreende-lo em termos de uma colonização ideológica.

Respeita-mos a contribuição de Darwin, completada mais tarde por Weismann, De Vries e Batenson, quanto a evolução dos seres vivos. Não negamos seu valor no âmbito da TEORIA SINTÉTICA. Mas temos nossos próprios referenciais teóricos em Fechner, Wundt e Freud ou - quanto a Sociologia - em Weber e não precisamos fazer quaisquer petições a escolástica biologias, mecanicista e determinista do sr Dawkins o qual em Psicologia e Sociologia nada é. Darwinismo social foi, é e continuará sendo sempre construção puramente ideológica que nada tem de objetiva ou científica, e não importam as tintas com que Hamilton, Wilson ou Dawkins venham caia-la.

As insopitáveis pretensões que reduzem e empobrecem o fenômeno humano partem da Biologia, cujos flâmines ou sacerdotes, recusam-se a reconhecer que haja no homem alguma coisa a mais do que o propriamente biológico ou de caracteristicamente humano; enfim que este homo seja sapiens no pleno sentido do termo ou que este animal seja racional como foi proposto por um insigne pensador, ainda grego, há vinte e quatro século passados...

Sim nós aspiramos pela verdade. Mas por uma verdade que nos ofereça explicações estéticas sobre a dimensão da arte, critérios essencial e objetivos em termos de ética, explicações sobre a espiritualidade humana, compreensão sobre a natureza da cultura... Uma verdade que atinja as dimensões da ética, da estética, da religiosidade, da cultura, etc Uma verdade que abarque todos os setores da realidade humana ao invés de mutila-la arbitrariamente apresentando-a como uma sopa ou coquetel de genes. O homem conhece a si mesmo pela introspecção, como já dizia Descartes e sabe por experiência imediata e incontestável ser livre e não controlado por qualquer força ou poder superior a sua consciência.

Ps - Quando aos métodos científicos não nos importamos nem um pouco com as críticas arbitrárias formuladas pelos adeptos da ideologia positivista, já nem direi Fayerabend, mas Dilthey, autor do modelo da compreensibilidade, morreu faz tempo. Assim as ciências psicológicas, sociais, históricas e humanas de modo geral possuem método próprio conforme a especificidade de seus objetos. Não são obrigadas a professar os métodos físico, químico ou biológico, com balanças, réguas, provetas, tubos de ensaio, bisturi, etc uma vez que os fenômenos que analisam não são necessariamente materiais. Tampouco precisam prever qualquer evento futuro com absoluta exatidão em domínios exercidos pela pluricausalidade, inclusive pelo libre arbítrio ou a consciência. E não nutrimos qualquer complexo de inferioridade quanto a isto.




terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O ateísmo, o agnosticismo, a Kalokagathia e a morte da Estética I


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 "Só é realmente belo o que não serve para nada. Tudo quanto é útil contém certa de fealdade." Theóphile Gautier


É a palavra Aesthetica/estética, que remete ao grego aesthesis (sensação), de origem germânica tendo sido concebida por A G Baumgarten em meados do século XVIII. Querendo designar a sensação relacionada com a contemplação/fruição da beleza.

Já a palavra Kalokagathia, era empregada pelos antigos gregos com o objetivo de expressar seu amor pelo quanto fosse Bom e Belo, naturalmente que o Bom e o Belo deviam ser Verdadeiros. Assim por extensão este vocábulo servia para designar um ideal de Bondade, Beleza e Verdade cultivados pela cultura helênica. Tal o tripé sob o qual repousavam todas as demais virtudes encomiadas pelo divino Sócrates e seu Pupilo Platão. Para nossos nobres e excelentes ancestrais o Bom, o Belo e o Verdadeiro eram como expressões da mesma perfeição divina. Compunham uma unidade que não podia ser fragmentada e que era expressa pela Ética, a Lógica e Estética.

Segundo Platão o ideal mais puro de beleza estaria relacionado com os tipos ideais ou isentos de acidentes, presentes na dimensão das ideias e não com os seres reais a que chamava de cópias. Toda cópia é imperfeita e imperfeita devido aos acidentes que produzem as variações. Neste nosso mundo há diversos tipos, no mundo ideal um tipo apenas. Temos então de remover os acidentes do ser concreto para atingir o ser ideal, e mesmo assim a tarefa não era muito fácil. Seja como for os gregos perseguiram-na...

Não se contentavam com a posse de verdades ou com o verdadeiro apenas e nem podiam conceber uma verdade que fosse feia ou isenta de beleza. Examinaram a si mesmo, olharam para dentro de suas almas e nelas descobriram uma sede perene de beleza. O Resultado disto foi o templo de Diana Efesina, o Partenon, o Fórum romano, o Maiseon Carré... A Vitória de Samotrakia, a Vênus de Melos, a Amazona ferida, o discóbulo, o Apolo Apoximenos e todo um novo mundo de bronze e mármore que revestiu a Hélade.

A música de Tirtaeus e Terpandrous, o estro de Homero, as Odes de Píndaro, as peças de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes; o dealbar de uma nova era!

Aristóteles sempre mais realista e prosaico que seu mestre, determinou estabelecer algumas normas ou regras concretas com relação a realidade da Beleza neste mundo, buscando objetiva-la.  E estabeleceu os critérios da Simetria, da Composição, Ordenação, Proposição e enfim do Equilíbrio. Logrando expressar aquilo que se achava não apenas no interior dos antigos gregos mas de todo ser humano, de toda criatura racional. Pois tudo isto está cheio de racionalidade.

Lamentavelmente após o declínio de Roma assomaram os bárbaros, primeiro ao Ocidente e em seguida aos Oriente, estes capitaneados por Mafoma.

Os belos templos em que a beleza era glorificada tornaram-se pastos das chamas. O Fórum juncou-se de ruínas. As telas e painéis converteram-se em cinzas. A glória de Zeuxis e Polignoto foi aniquilada, os bronzes derretidos e as delicadas estátuas de mármore partidas em pedaços com exceção de algumas poucas. Pois como diz Keneth Clark o homem primitivo, bárbaro e grosseiro em sua rudilidade não podendo dar com o sentido do Belo ou sentindo-se frustrado por não poder produzi-lo sente-se inquieto e incomodado diante dele. A beleza exaspera-o, porque reflete um ideal que como disse Platão, está além deste mundo das concretudes, o único mundo conhecido e amado pelo homem simples. Daí ele atirar-se sobre a obra de arte com um furor iconoclástico e com o objetivo de destruí-la.

Dominado por uma ideia elevada a respeito do bem e por certa noção vigorosa de verdade teve o homem Cristão que aproximar-se da beleza ideal ou da estética as apalpeladas, pois estava a princípio dominado pelos preconceitos da cultura judaica ou sêmita com seu eterno desprezo pela Imanência e consequentemente pelas artes plásticas, as quais jamais soube produzir em larga escala e com competência.

Judaísmo e islamismo, enquanto epifenômenos da cultura semítica mutilaram criminosamente a natureza divina, oferecendo a humanidade supostas verdades dissociadas da Beleza. Temeram que a beleza do mundo pudesse ser representada e por fim reverenciada pelos homens ignorando que a Beleza presente no universo e transplantada as obras de arte é atributo do ser divino. Nem podiam tais crenças insistir a respeito da Beleza presente numa Transcendência absoluta, incorpórea e separada do mundo que produziu. A própria divindade acabou sendo despojada da Beleza. É algo que jao ou ala não contém...

Tristemente o Cristianismo herdou tal vezo do judaísmo... Felizmente, devido ao dogma da Encarnação, que é um sinal da Imanência, não tardou a supera-lo e em 787 desta Era, o Concílio Geral, reunido mais uma vez em Nikaia, sancionou a tradição multi secular (A igreja com afrescos de Dura Europos - 240 desta Era é testemunha preciosa quanto a esta tradição bem como as Catacumbas romanas) do culto as imagens, especialmente das pinturas. Desde então as perspectivas da arte Cristã, em termos de pintura e de alguma escultura, tornaram-se ainda mais sólidas, amplas e profundas e a arte desenvolveu-se mais uma vez. Se bem que a puridade dos princípios estéticos greco romanos se houvesse perdido durante a grande calamidade.

O Renascimento artístico ocidental foi uma tentativa mais ou menos feliz de retomar esse ideal. Formalmente foi bastante feliz pois as obras produzidas por seus mestres são formalmente impecáveis e perfeitas, deliciando os olhos de toda gente sensível. No entanto, separado da tradição bizantina, perdeu seus fundamentos históricos ou concretos, mergulhando num mundo de imaginação e fantasia e laborando em monstruosos anacronismos com seus apóstolos e profetas, e soldados romanos trajados segundo a moda do tempo, i é das Idades média e/ou moderna.

Grosso modo a estética em sua puridade formal e a História só vieram a encontrar-se ao tempo do romantismo (chega a ser paradoxal) pelos fins do décimo oitavo século e ao cabo de praticamente todo século décimo nono, embora ao fim deste século já se prenunciasse o 'modernismo'. Foi um interregno bastante curto o do neo classicismo, perdurando por um século apenas, mas um século deslumbrante. Pois trata-se do século de 'La madaleine' de Paris... Quadra em que a Ortodoxia, o anglicanismo e o papismo recobriram mais uma vez a velha Europa com escrínios de mármore e estátuas de bronze agora dedicados a figuras de carne e osso, como Jesus Cristo, sua piedosa mãe, seus apóstolos, os mártires dos primeiros séculos, etc e tudo isto em meio a todo um simbolismo recuperado i é tomado ao paganismo antigo. Isto sem mencionarmos os painéis ou quadros, como os de Ary Scheffer, além é claro de Delacroix, Millet, tão entusiasticamente elogiado por Van Gogh em suas Cartas a Théo, Blake e Kramskoi. No entanto foi apenas um segundo renascimento, e nem neste nem no primeiro foram os fundamentos metafísicos desta produção recuperados. O espírito grego jamais foi completamente reassumido pelos Cristãos, e por um motivo bastante claro - Ali estava Agostinho com sua doutrina de degradação total da natureza, ali está a doutrina da existência pessoal de um Diabo, ali está a doutrina das penas eternas do inferno com seus tormentos tão sádicos quanto mitológicos. Há ali feiura e feiura eternizada. Então eles não podiam aplicar os canones clássicos a essa arte com fidelidade absoluta!

continua

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sobre o caráter e missão dos povos germânicos no contesto Ocidental I

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Para muitos dos homens e mulheres nascidos em meados do século IV, especialmente para os mais cultos e instruídos, aos quais não faltava pão e carne, o ano de 410 assinalou um evento dramático.

A ponto, diz Aurélius Augustinus Bispo de Hipona de por a prova a fé de muitos Cristãos. Já para o monge Jerônimo de Stridon, que era um poliglota e erudito, tratava-se de um evento cósmico que assinalava o curso dos tempos...

Parece ser verdade que as massas famintas e desesperadas, que já não obtinham pão e circo dos governantes, não sentiram muito e até aplaudiram a queda de um Império decadente, que se limitava a extorquir impostos aos poucos elementos úteis que ainda produziam. Ao invés de refletir sobre os problemas que punham em jogo a existência do secular Império, o degenerado Honório, filho de Teodósio preferia passar o tempo todo em seu palácio de verão em Ravena, acreditem! Brincando com uma galinha!

E um homem vulgar como estes ousou zombar face ao gênio Militar de um Alarico. Levando-o a fazer o que Hanibal não ousara ou seja, a invadir a cidade e eterna e pilha-la.

A população, as grande famílias senatoriais, os generais, os grandes proprietários de terra, o que ainda restava da pequena burguesia, os pequenos comerciantes, a grande massa de povo sustentada - até bem pouco tempo pela rações públicas - soldados, servos, mendigos, religiosos, etc achavam-se todos acotovelados dentro das muralha da grande metrópole do Ocidente.

Compunham, talvez, cerca de 100.000 pessoas.

Alarico referiu-se a elas como erva grossa e boa para ser cortada, embora tenha concordado em proclamar a Basílicas de S Pedro e S Paulo como refúgios invioláveis e pedido a seus soldados para que respeitassem a vida dos homens e a honra das mulheres. Apesar disto parte daqueles que não haviam conseguido chegar as Basílicas acabaram sendo massacrados pelo invasor. Proliferando do mesmo modo os estupros, inclusive de religiosas, as quais Agostinho dirige algumas de suas reflexões.

Os pagãos alegaram que a adoção da fé Cristã havia sido responsável pela queda da cidade, mas numa perspectiva magico fetichista, relacionada com a ira dos deuses antigos e não com a oposição dos Cristãos a guerra e ao escravismo, como seria ventilado por Ed Gibbons. Respondeu-lhe Paulo Orósio na História contra os pagãos alegando, numa perspectiva socrática, que os costumes da velha cidade haviam sido corrompido pelas riquezas e pelo luxo, sem no entanto referi-se explicitamente ao 'pão e circo'.

Tal o marco inicial da nova Idade.

Pois a partir de então os 'Imperadores' até Romulo Augustolo (476) não passarão de fantoches. Mantendo-se um Império de aparências, devido a força das tradições.

A partir do século V, na esteira dos vencedores Godos, diversos outros povos teutônicos fazem-se em marcha instando-se em alguma região ou província do Império romano, do que resultará a formação dos reinos bárbaros num primeiro momento, e, posteriormente a afirmação de uma ordem feudal, característica da Idade média.

Faz-se forçoso reconhecer que nem todos os povos germânicos eram iguais ou achavam-se no mesmo nível em termos de cultura. De fato alguns eram bastante civilizados ou afeitos aos costumes romanos. Assim os que se achavam mais próximos da fronteira, acompanhando o curso do Danúbio, como os Godos. Já outros eram bastante rudes e aguerridos, a exemplo dos Suevos, Saxões, Alanos, Hunos (estes mistos), Vândalos, etc 

Em alguns casos e em alguns momentos os teutônicos, a semelhança dos celtas, parecem ter se instalado pacificamente junto as antigas populações ou simplesmente ocupado o espaço existente sem maiores agravos. Tal o caso dos Godos e Francos em algumas regiões da Gália. Noutras circunstância parecem ter lavado tudo a ferro e fogo. Ao fim de diversas e sucessivas ondas humanas, a parte ocidental do Império romano achava-se quase que totalmente arruinada. E não deixa de ser esclarecedor a inexistência de estátuas clássicas que tenham chegado intactas até nós.

Cumpre reconhecer que todo povo tem suas qualidades, capacidades ou virtudes.

O baixo Império romano havia feito refluir a vida urbana e massacrados os municípios, fazendo a vida refluir para os campos e assumir novamente como dissemos no artg anterior, a forma rural. Melhor agricultor não havia que o germano, apegado ao trato da terra.

Não é que a vida rural seja essencialmente má.

O problema aqui é que perdeu-se o espírito. A cultura mais refinada caracterizada pela existência de diversas agremiações educativas como escolas, museus, bibliotecas, pinacotecas, etc desaparece por completo. Mesmo o simples letramento entra em colapso. Até as termas, hospitais, aquedutos, estradas e portos são por assim dizer arruinados. Que diremos então do espírito científico ou da pesquisa e das conquistas tecnológicas? Enfim do progresso humano e civilizacional?

É toda uma civilização que reverte ou recua; em que pese a habilidade agrícola dos germanos, ou, como decantam alguns, seu espírito disciplinado e honesto no que tange aos costumes pessoais e até comunitários (intra feudal).

Longe de nós classificar os povos germânicos recém instalados e organizados nos antigos territórios do Império como ladrões ou assassinos vulgares.

Sucede no entanto, e não há como disfarça-lo, que aquilo que tornara-se proibido pela religião Católica e pelo influxo da lei romana no seio familiar ou comunitário (feudal) jamais se tornara proibido 'extra' feudo ou 'intra' feudoS. Assim em caso de conflito ou guerra, a população do feudo vizinho poderia - e de fato era - ser assaltada e morta sem que tal fosse considerado ilegal. (Não é o que vemos hoje: assassinato proibido e guerra - ou AssassinatoS - permitida?)

Mesmo quando tal não se sucede por intervenção da igreja, congregam-se os homens, nobres ou guerreiros em miliciais e atacam a milícia do feudo vizinho. Dando largas as carnificina.

E como os feudos associam-se uns aos outros por meio de pactos juramentados, tanto de suserania quando de vassalagem, já se alastram tais conflitos por inúmeros feudos (Não foi exatamente assim que a Europa mergulho nas guerras de 1914 e 1939?) e o estado de violência se torna generalizado, dando lugar ao desordem ou ao caos.

Não bastasse tal situação, os mais ferozes dentre todos os povos germânicos, os Normandos, infernizaram as vidas de seus companheiros cristianizados e sedentarizados, por séculos a fio, entrando pelos rios e massacrando as populações a golpes de machado. O que travou o progresso do Continente ou sua recuperação, por séculos...

Esta condição relacional prevalecente entre os milhares de feudos europeus - Situados principalmente na França, na Alemanha e na Inglaterra -  existentes por exemplo nos séculos XI e XII, resultou numa orgia de duendes não menos pavorosa do que aquela que os germanófilos atribuem ao bérberes habitantes nas montanhas do Norte da África (Em especial Marrocos - século XIX) com seus razzu ou razzias. Tanto um quadro quanto outro faz vertigem, tanto o pintado pelos arabizantes quanto o pintado pelos germanófilos. O pior é que ambos são verdadeiros!

Diante disto não podemos deixar de encarar o invasor germânico do século V como um destruidor em termos de cultura greco romana e mais do que isto como um fator de discórdia, instabilidade social e atraso para a Europa medieval. Foi ele, não o Cristianismo, não a Igreja Católica e depois a romana, que tentaram civiliza-lo, que trouxe as sombras para esta sociedade.

A Igreja, em que pesem seus defeitos, que os teve - me refiro especialmente a romana emancipada no século XI - não nego, demandou não é menos verdade, ingentes esforços com o objetivo, muitas vezes estéril, de educar tais povos e de apaziguar esta sociedade por meio dos decretos baixados pelos sínodos desde o século V e mais especialmente ainda por meio da Trégua de Deus, instituição das mais louváveis que se tem notícia no Ocidente.

Por fim, quando semelhante espírito estava já reduzido ao tolerável, o papado - Já existente desde o século XI - com tato, cálculo e sabedoria invulgares, soube lançar tais hostes, de guerreiros intrépidos, contra os agressores muçulmanos, os quais jamais haviam abdicado de sua jihad iniciada cinco séculos antes. Do que resultou um imenso poder e incrível força, movidos na direção certa. Tal a organização a que chamamos 'Cruzadas' que a seu tempo contiveram a expansão muçulmana e salvaram a sociedade Ocidental e a Civilização, permitindo que assumisse formas ulteriores. As quais jamais teria chegado caso tivesse sido envolvida pelos tentáculos da teocracia corânica.

Sobre esta missão reservada aos povos germânicos, nos estenderemos no próximo artigo.