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domingo, 26 de novembro de 2023

Religião, credulidade e incredulidade





                                                          OS MILAGRES


Acho mesmo muita canalhice alguém afirmar que Deus é bom e maravilhoso só porque está tudo bem com ela. Quer dizer que quando der ruim Deus ficará sendo feio e mau...

A meu ver essas pessoas que acreditam que a divindade atua exclusivamente em favor delas ou de seu grupo são pessoas sem caráter, egoístas e centradas em si mesmas.

Não tenho motivo algum para julgar que atue Deus em favor delas enquanto nada faz pelas criancinhas famintas da África ou da Ásia - Mesmo porque as criancinhas são inocentes enquanto que elas...

Por outro lado leio na pura palavra de Deus, que ele - Deus, não faz acepção de pessoas; mas que faz chover sobre justos e injustos, sendo imparcial...

Enquanto o ego carnal se apresenta como especial ou como algo da predileção divina, declara Deus que todos são iguais e portanto que não atua em favor de A, B ou C.

Imagina só o caboclo se matando de estudar para passar no vestibular ou no concurso público e Deus ajudando e promovendo sujeito que não estudou, i é, um vagabundo parasita.

Tampouco me parece digno que altere Deus a ordem de um mundo que ele mesmo criou... Afinal porque consertaria Deus algo que poderia ter feito melhor desde o princípio...

Enfim julgo que pessoa alguma daria o melhor de si para evitar algum erro caso contasse com o bom Deus para consertar suas 'cagadas'. Nesse ponto um sadio deísmo ou naturalismo, que exclui o fetichismo, oferece-nos melhores garantias em termos de prevenção de acidentes... E de fato penso que qualquer profissional que qualquer profissional que acredite em milagres ou intervenção divina, tenda a ser mais displicente que um cesssacionista.

Por fim a busca por milagres e eventos sobrenaturais corresponda a uma alteração da ordem divina na medida em que apresenta a divindade como estando a serviço das criaturas ou como executora da vontade delas.


EXTREMA SIT TAGUNT

São nossos neo ateus notáveis por confundir a totalidade das pessoas religiosas com radicais protestantes ou muçulmanos i é com pentecostais/calvinistas e sunitas... O que me parece uma deturpação da realidade ou pura e simples desonestidade.
Também me parecem equivocados quando associam a existência de Deus ao discurso religioso ou quando atribuem a questão da existência de Deus a autoridade, livros, fé, religião, etc e, ainda aqui, se mostram herdeiros de Kant, um pensador luterano alemão que buscava justificar o fideísmo ou exaltar a fé cega.
De fato, seguindo a mesma linha do agostiniano pessimista Lutero Kant tinha por lema abater a a percepção, a racionalidade e a metafísica naturalista ou a capacidade especulativa dos seres humanos para glorificar a fé ou a Revelação divina. Acho incrível mesmo que os céticos, agnósticos e ateus elevem aos céus um autor cujo pensamento deriva justamente do universo religioso e de um universo religioso deplorável. Os protestantes, bíblicos e fundamentalistas agradecem, - Pois situando a divindade no plano da fé cega o debate se torna impossível, e consequentemente qualquer tentativa de impugnação. Segundo o critério de Kant o deus dos fanáticos é sempre intangível.
De fato se a existência da religião revelada depende da existência de Deus, Deus sempre poderia existir sem se ter comunicado com os seres humanos, como predicam os deistas. De modo que a relação não é natural ou necessária e da falsidade das religiões em seu conjunto nada se poderia aduzir de concreto sobre a existência Deus, exceto que seus supostos ou pretensos porta vozes são falsos. A questão em si, da existência de Deus, continuaria sendo tema da metafísica ou da teodiceia, exatamente como foi colocado pelos grandes pensadores gregos: Xenófanes de Colofon, Diógenes de Apolônia, Anaxágoras, Parmênides, Sócrates, Platão, Aristóteles, Crísipo de Solis, Cleanto de Assos, etc
Acho curioso que os modernos passem da fé cega numa religião qualquer diretamente ao ateísmo ou a negação de Deus, sem sequer examinar o agnosticismo ou o deísmo, ao contrário de nossos nobres e prudentes ancestrais. Coisas da bíblia é claro, digo eu, pois apenas a leitura despreparada e irrefletida desse livro poderia causar um tão estranho prodígio.
'Tocam-se os extremos" como diria o 'estagirita' - E de um extremo a outro vão as massas.


PROTESTANTISMO E INCREDULIDADE.


Coisa notável é o protestantismo por produzir, nas massas idiotizadas, um topor estúpido e nos humanos mais inteligentes, materialismo e ateísmo, i é, apostasia. Disto talvez resulte, no futuro, um grande conflito social entre os dois extremos.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Amigos ex protestantes, até que ponto continuamos protestantes??? - A meus amigos ateus, materialistas, irreligiosos, gnósticos, etc que odeiam as religiões em especial os Catolicismos

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Espero que nenhum de vocês me compreenda mal. Ontem mesmo, ainda ontem, fui acusado de ateísmo e nem por isso me senti ultrajado - Melhor nada dizer a respeito da divindade ou mesmo, quem sabe, negar sua existência do que atribuir-lhe ações indignas e vergonhosas. Tal o ponto de vista de Plutarco, tal meu ponto de vista.

Aos fanáticos, teocráticos, supersticiosos, fundamentalistas, etc prefiro sem sombra de dúvida os irreligiosos, incrédulos e ateus, desde que sejam sinceros e virtuosos. Tenho mais amigos irreligiosos, agnósticos e indiferentes do que amigos religiosos e certamente não tenho amigos fanáticos.

Óleo e água jamais se misturam.

Meu imenso desprezo por toda gente obscurantista e fanática, que costuma crer apenas porque esta escrito e em tudo quanto esteja escrito, é demasiado conhecido por todos dentro e fora dos meios virtuais.

Hoje no entanto ousarei exprimir meu ponto de vista pessoa a respeito de um determinado assunto, por sinal bastante delicado, e já o disse; sem o objetivo de atacar, agredir, converter e menos ainda de salvar pessoas. Sou feliz por ter perdido este vício já há muito tempo e não me considero para remir a quem quer que seja. No entanto, o quanto julgo ser bom, veraz e consistente, com a devida vênia, respeito e prudência aspiro partilhar com toda gente de boa vontade ou problematizar. Em certo sentido quero incomodar a quem que que seja, até mesmo incrédulos e ateus em sua incredulidade.
Sempre podemos sair do comodismo ou do repouso e abrir mais e mais nossas mentes. Por crer estar em posse de algo consistente e veraz questiono esta posse, sem receio, a cada dia. Busco por a prova as certezas que tenho pois caso não venham a desabar tornem-se cada vez mais sólidas.

Como ex protestante, dirijo-me a meus amigos ex protestantes que são muitos, mas particularmente os que tornaram-se ateus ou infensos a toda e qualquer forma religiosa... e mais particularmente ainda aos que tem algo contra Jesus, aqueles que o detestam, odeiam, combatem, etc A maior parte dos Cristãos e quase todos os protestantes sentem-se enfurecidos face a qualquer palavra mais áspera dirigida aquele que adoram. Chegam ao paroxismo do ódio e esquecem-se de que o próprio Jesus exortou-os a amar e a perdoar. No entanto eles ficam exasperados, ensandecidos, encolerizados e respirando vingança, como se nos fosse lícito odiar os críticos de nossa fé ou aqueles que expressam uma opinião irreverente sobre o humilde carpinteiro de Nazaré. O fato é que muitos católicos mal orientados, a quase totalidade dos protestantes, os muçulmanos e mesmo os judeus mais moderados acreditam que tais críticas, insultos, ofensas, etc possam atingir a própria divindade, irritando-a ou encolerizando-a, e esta é uma visão bastante perigosa ou equivocada. Afinal de contas por que a divindade concederia existência a seres capazes de importuna-la apesar de sua pequenez? Como poderia ela ser afetada pelas simples palavras ou comentários de criaturas tão diminutas como nós? Assim a ideia segundo a qual a divindade é afetada por nossas palavras, e apenas ela é verdadeiramente sacrílega e blasfema na medida em que opõem-se a perfeição e sabedoria divinas. Naturalmente que tendo previsto e planejado todas as coisas encaminhando-as para o bem, é d divindade inatingível, intocável e impassível sob todos os aspectos e nada do quanto pudéssemos nós fazer esgotaria sua paciência infinita. Logo não nos precisamos exasperar face as críticas ou as palavras amargas que nossos irmãos dirigem ao Senhor Cristo. Tal meu ponto de vista. Eu mesmo fico triste ao ler ou ouvir tais comentários pelo simples fato de muito amar a figura de Jesus de Nazaré e julgar tais acusações improcedentes. Tenho-o em conta de inocente e por isso sinto-me melancólico, sem todavia deixar de compreender tais críticas, ao menos até certo ponto. Lamentavelmente a ideia que os ex protestante fazem de Jesus ou a imagem que ele teem é aquela mesma que receberam do protestantismo e que levou-os a ruptura. O Jesus reformado ou protestante. E ignoram outras possibilidades ou versões, quiçá mais consistentes. Outros optam pela negação do Jesus Histórico, já debati com estes em diversas ocasiões e ainda agora recomendo a leitura de Vermes ou Crosan pelo simples fato de não serem Cristãos ou gente de igreja, sem deixarem de ser excelentes pesquisadores ou historiadores com H maiúsculo, por conhecerem as fontes. Não é este o foco deste artigo. Jamais cogitei negar a existência do Jesus histórico, mas vima odia-lo tanto quanto meus ex correligionários e ainda hoje odeio este Jesus ou esta falsa imagem de Jesus, o Jesus protestante. Caso o Jesus histórico ou real fosse de fato o Jesus de João Calvino ou o Jesus dos judaizantes, esse rabino beócio e bem comportado, mero reprodutor de preconceitos farisaicos, repetidor da Torá, servidor de Moisés, trivial, comum, pajé, curandeiro... Caso nosso Jesus não passasse dum Moisés, Salomão ou Davi disfarçado. Caso ensinasse doutrinas como a predestinação, as penas eternas e fetichismo diabolista, etc Caso não se mostrasse em nada contestatório e superior as massas que o cercavam. Caso nada tivesse em comum com Buda, Confúcio ou Sócrates. Caso nada trouxesse de distinto ou de revolucionário; digo do fundo do meu coração; eu também o odiaria. Como odeio o falso Jesus protestante, rabino convencional, machista, homofóbio, adultista, odinista, etc E no entanto é justamente este Jesus 'bíblico', protestante, calvinista, judaizante, pentecostal, convencional e conservador - esse anti Jesus - que não existe. Será que parte de vocês não limitasse a negar uma imagem passivamente aceita e mantida a respeito de Jesus? Uma imagem convencional e odiosa fabricada pelo protestantismo ao cabo destes últimos séculos??? Será que na verdade o que odeiam não é Calvino, Pharan, Falwell, etc Os fabricantes deste ídolo ou espantalho? Os criadores desse boneco a ser malhado em sábado de aleluia? Tal o autor - tal a obra, e temos autores muito maus: assassinos, ladrões, mentirosos, etc Até que medida nos limitamos a negar ou a odiar uma imagem que não ousamos questionar e desconstruir? Digo isto porque seguindo por um caminho distinto, encontrei nas fontes do Cristianismo antigo, ou nos antigos padres da igreja, um Jesus totalmente diverso deste Jesus convencional dos sectários e reformadores. E indo eu mesmo ao Evangelho, sem a mediação de comentaristas modernos e judaizados, dei com um Jesus totalmente diverso, com um Jesus revolucionário e contestatório, noutras palavras com uma clone de Sócrates perdido nos ínvios sertões da Judeia. Só então pude entender o sentido da palavra escândalo para os judeus... Ou seja o sentido da Cruz e a oposição existente entre os escribas e fariseus - firmados nos mitos e tradições mortas do antigo testamento ou no que chamam de Bíblia - e este pregador, o qual 'falava como quem tinha autoridade' ou seja ousando tecer críticas a Bíblia, ou seja, a Moisés e sua suposta lei. Fosse Jesus mero repetidor de tradições e lambe botas de Moisés, como costuma ser apresentando pelos pastores e judaizantes, por que raios teria sido suspenso na trave sob a alegação de ter seduzido e desencaminhado a cada de Israel? Como poderia ter desencaminhado a casa de Israel repetindo Moisés e ficando nos limites acanhado da Torá ou da Tanak??? Em que chocaria dos judeus caso concordasse em tudo com eles? Ele mesmo disse que o vinho novo não podia ser posto em odres velhos. Nem Jesus nem seu Evangelho cabem nisto a que chamam Torá ou Tanak i é na Bíblia e nós não apreciamos este Jesus conformado ou conformista e o detestamos com razão, porque não é o Jesus histórico, real ou verdadeiro mas mero produto da teologia 'bíblica' protestante cujo objetivo primacial é faze-lo concordar a qualquer custo com a Torá ou a Tanak, amaciando suas críticas e deturpando seus ensinamentos. Toda teologia protestante com sua ideia fixa de Bíblia é um eterno lançar água fria na fervura do Evangelho por meio da acomodação. Diante disto tudo quando resta é o velho Moisés ou o velho Davi com uma máscara ou aparência de Jesus. Um Jesus judaizante e judaizado. Um Jesus mistificado. Aqueles que nos apresentaram Jesus, apresentaram-nos repito um Jesus machista, homofóbio, adultista, odinista, capitalista, etc E no entanto a simplicidade do Evangelho mostra-nos este homem acolhendo a samaritana a beira do poço, discutindo com Marta e Maria, acompanhado pelas mulheres, propício ao centurião e a seu amante enfermo, acolhendo as crianças, mandando Pedro recolher a espada, promovendo a paz, dirigindo-se aos pescadores pobres e alimentando-os, etc Temos um Jesus no Evangelho a ser medido por suas ações e outro Jesus que nos foi apresentando pelos pastores na escola dominical e o qual odiamos por ser tão prosaico. Digo o mesmo a respeito das demais religiões. O protestantismo apresenta-se insistente e arrogantemente como sendo o último biscoito do pacote ou a última palavra em termos de religião ou de Cristianismo, acho que ao menos inconscientemente parte de nós aceitou e mantêm isto apesar da ruptura. Para um ex protestante a ruptura é quase sempre um fim de linha quanto a religiosidade e especialmente em termos de Cristianismo e muitos de nós continuanos reproduzindo as mesmas críticas e o mesmo ódio que o protestantismo sempre votou aos Catolicismos, sequer cogitando pesquisar melhor, conhece-los, etc Isto quando sabemos que o protestantismo mentiu para nós e enganou-nos num grau infinitesimal. Mesmo assim conservamos e reproduzimos a visão que essa fé desonesta passou-nos a respeito dos catolicismos, do espiritismo, do budismo, etc nos fechamos numa incredulidade feroz e não ousamos reexaminar isto ou lidar com isto. Será que no fundo no fundo nossa atitude para com as demais religiões, que conhecemos tão pouco e através do protestantismo, não merece ser revista? Muitas vezes o que escuto dos ex protestantes, mesmo quanto ateus, materialistas e incrédulos, a respeito do Catolicismo e das demais religiões, parece-me um eco do quanto era dito pelos pastores charlatães? Será que não estamos reproduzindo tradições e preconceitos formados por uma fé que sabemos ser absolutamente falsa? Merecerá crédito a crítica feita pelo protestantismo as demais fés? Digo isto porque eu mesmo investiguei os Catolicismos, especialmente o antigo ou Ortodoxo, suas tradições, ensinamentos, etc e verifiquei ou constatei ser algo totalmente distinto do quanto diziam os pastores - pintando-o como politeista, diolátrico, diabólico, etc - o que em certo sentido cativou-me. Mais tarde examinando o espiritismo a pedido dos padres romanos cheguei a mesma constatação. E por fim examinando o budismo, fé a qual não pertenço mas que certamente admiro, bem como ao zoroastrismo, ao Bawaismo, etc Mesmo os mórmons e jeovista, de cuja fé não comungo e a qual me oponho, não me pareceram tão maléficos como pintados pelo protestantismo bíblico, calvinista ou pentecostal com sua peculiar acrimônia. Certamente que todas estas comunidades religiosas possuem seus defeitos ou problemas como possuem os partidos políticos, as instituições econômicas, clubes e até mesmo agremiações esportivas, etc Quero dizer que as mazelas que observações nas religiões não são peculiares a elas. Existem em todos os demais setores necessários a vida e a civilização. Por isso torno a indagar sobre até que ponto, buscando beneficiar-se ou favorecer-se o protestantismo com suas críticas parciais e destemperadas não carregou suas tintas nas demais religiões, até sataniza-las. Mais, gostaria de saber até que ponto cada um de nós, antes de libertar-se da farsa bíblica, não interiorizou tais críticas fechando-se a outras possibilidades religiosas e fazendo do protestantismo a derradeira opção em termos de fé. Quando sabemos ou viemos a saber que sua qualidade é bastante baixa. Desencantados com o protestantismo, sería prudente conservar o mesmo amargor ou ranço que ele incutiu em nós face aos catolicismos ou as demais religiões? Caso conheçamos os Catolicismos ou as demais religiões apenas através da crítica protestante ou da literatura apologética protestante, ou mesmo da crítica estabelecida por ateus e irreligiosos procedentes do protestantismo, podemos dizer que nosso conhecimento é real ou objetivo??? Digo isto porque constato rotineiramente o uso de material protestante pelos ex protestantes quando se trata de atacar o Catolicismo ou as demais fés, o que certamente preocupa-me. Afinal de contas como confiar na Apologética de um sistema que sabemos ser absolutamente falso e desonesto? Pelo qual os próprios ateus, incrédulos e 'desviados' são impiedosamente atacados e caluniados quase que diariamente! Logo como confiar em qualquer aspecto de uma crítica protestante??? Engendrada pelo fanatismo! Por que não averiguar e abordar o tema por si mesmo? Gostaria que meus amigos ex protestantes procedessem assim, afastando-se dessa apologética artificiosa e desonesta, e verificando as coisas por si mesmos. Critiquem sim, mas busquem da mesma maneira ler as obras dos antigos padres da igreja ou as obras doutrinárias do espiritismo, ou as sutras do budismo. Para que suas apreciações sejam válidas e justas. Por fim quero dizer que não levo nem um pouco a mal que tenhais desertado do Cristianismo ou que abomineis a figura de Jesus Cristo partindo do suposto segundo o qual o Cristianismo de vocês, segundo a experiência que tiveram, é o protestantismo com suas seitas, dua bibliolatria, seu livre exame, seus mitos, seu rancor infernista, sua predestinação monstruosa e tantos outros absurdos clamorosos. Até acho normal e compreensível vossa revolta, a qual debito na conta dos 'deformadores'... Tampouco levo a mal que tenhais tomado horror ao nosso Jesus, porque o Jesus a que detestais é o falso Jesus protestante, judaizante, judaizado, conformista, mítico e irreal. Não é de modo algum o revolucionário audaz que ousou tecer críticas as tradições rabínicas, a Torá e a Tanak demolindo todos os seus preconceitos multiseculares; mas apenas um Moisés ou Salomão disfarçado. Certamente esta manobra do protestantismo, este Jesus hipócrita, cruel e arrogante merece mesmo ser denunciado e odiado. Ele não é digno de nossa fé ou de fé alguma. No entanto com respeito e carinho vos concito a indagar se não há outra versão mais consistente de Jesus? Será a odiada versão do protestantismo a mais confiável? Então antes de odiar e insultar consideremos a possibilidade da imagem de Jesus, divulgada pelo protestantismo, ser falsa.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

É Jesus um coquetel de deuses antigos? Uma resposta ao panfleto 'RELIGIÕES: TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DE MORRER' - Oiced Mocam





A serenidade nos faz ler muitas bobagens e silenciar ou calar.

Em determinadas circunstâncias tentar refutar uma tolice pode acabar sendo demonstração de tolice ainda maior.

E também, como dizia o velho Orígenes, há quase mil oitocentos e cinquenta anos, a vontade humana continua irrefutável.

Se a pessoa quer ou deseja acreditar em algo nada do que escrevamos ou digamos mudará isso...

As vezes é sinal de sabedoria poupar argumentação, tinta e saliva!

Por outro lado, quando algum amigo querido ou aprendiz solicita uma refutação, então temos algo sobre o que pensar.

E neste caso só resta fazer algo muito bem feito.

Por isso pensei, pensei e pensei...

No entanto o que me fez tomar decisão, foi um desses inúmeros textos imbecis que desfrutam da boa graça dos esclarecidos internautas e faceboqueanos mas que seriam varridos incontinenti e como lixo dos meios acadêmicos.

Plagiando Julio César até posso dizer que: LI, RELI E NÃO CRI!

Pois até mesmo a estupidez há de ter seus limites. Ou não?

E como o fragmento da porqueira estivesse truncado e sem indicações lá fui eu pesquisar qual fosse a fonte, e céus eternos, para minha maior surpresa pude encontra-la!

Trata-se da obra intitulada - 'Religiões tudo que você precisa saber antes de morrer.' Busquei o nome do autor e ao invés de dar com ele, tudo quanto pude encontrar foi um anagrama (nome falso ou codinome FAKE) Oiced Mocam (Decio alguma coisa, Macom??? Não sei, mas até gostaria de sabe-lo para desafia-lo a um debate publico!). Trata-se portanto de obra tão chula que o autor até tem receios de vincular seu nome, preferindo recorrer as estrategias das Tjs, assim ao anonimato...

Ademais o titulo é absolutamente falacioso e enganador.

Pois não se trata de expor imparcialmente os credos religiosos, ou de descreve-los como faz a verdadeira ciência acadêmica representada por um G Vermes ou por um J D Crossan, mas de um ataque as religiões em geral, especialmente é claro ao Cristianismo, religião a que o autor vota profundo ódio. E busca apresentar tão rasteiro sentimento como cientifico!!!

No entanto já antes de darmos com o prato principal, começa o pregador ateístico a clamar contra o culto da Cruz, alias Católico, posto que os protestantes a exemplo dos ateus, também odeiam a cruz. E a partir de sua Bíblia passaram a apresenta-la como pagã e diabólica, bem antes dos ateus, os quais limitaram-se a copiar ou reproduzir a parlenga dos reformadores, seus mestres...

E de chofre já declara que o símbolo da Cruz passou a ser empregado pelos Cristãos muito após a morte de Jesus... Claro que ele se contenta com um 'muito apos' genérico, pois precisa-lo em termos de tempo não dá né... e sempre se pode dar uma 'saída para a esquerda...'

Seja como for numa de suas Epístolas - Tida como autêntica pela própria crítica racionalista e indiferente (cf E Renan 'Historia do Cristianismo') - o apóstolo Paulo já se refere a cruz como símbolo do poder e da glória de Deus e vinte anos após a morte de Jesus. Para além disto altares com cruzes foram escavados numa capela Cristã existente na cidade de Pompeia, soterrada pelo Vesúvio no ano 80 desta era (meio século apos a morte de Cristo) e fragmentos de vidros com cruzes gravadas foram encontrados nas ruínas de uma das primeiras igrejas cristãs de Damasco capital da Síria, construção que data do seculo I.

De modo que em meados do século II o polemista Ortodoxo Tertuliano de Cartago, aconselhava os Cristãos a traçarem o sinal da cruz a proposito de qualquer coisa... Antes de comer, beber, dormir, ler, etc.

Portanto a alegação do panfletário cristianofóbico carece de todo e qualquer embasamento.

Alegar que a Cruz ou qualquer outro símbolo assumido e empregado pelos cristãos é anterior ao Cristianismo nada significa caso consideremos a doutrina dos arquétipos ou símbolos universais presentes já na mente, já na cultura. O fato de existirem antes do Cristianismo comunica lhes veneranda antiguidade enquanto o fato de terem sido assumidos pela igreja indica que o Cristianismo converteu este universo mental de veneranda antiguidade em realidade concreta, inserindo-o nos domínios da História. O que precisa ser explicado não é a existência do símbolo 'a priori', mas sua presença 'a posteriori' na História do Cristo, assim a Cruz, assim a crucificação dele... Ela é que pede a explicação e a explicação é que os símbolos e arquétipos onipresentes no imaginário humano encontraram correspondência na vida deste ser humano singular.

Pois os cristãos só assumiram os símbolos antigos na medida em que tinham relação com a Historia de sua fé. Tomando o Cristo como referência fizeram uma seleção e tudo quanto não trazia este sentido foi descartado...

Genial a resposta dada a essa gente pelo nosso Joaquim Nabuco: Toda vez que vocês demonstram que algo no Catolicismo é mais antigo do que ele, mais venerando, mais remoto e tomado a religião ancestral do paganismo, tanto mais me apego a esta religião que corresponde aos anseios mais remotos da humanidade.

Em seguida o catequista ateu lança esta maravilhosa pérola de grande quilate: Sem o antigo testamento de que o Cristianismo se apoderou o Cristianismo jamais teria existido.

Diante desta pérola gigantesca não temos como nos controlar e só nos resta exclamar: E há redundância brava aqui! Pois se nosso gênio já havia mencionado o Cristianismo na primeira parte do período a norma culta da nossa lingua determina o emprego de pronome pessoal 'Ele' quando se refere ao Cristianismo pela segunda vez. No entanto a alma bárbara que compôs esse enorme acervo de afirmações gratuitas e estapafúrdicas porfia em martirizar a 'flor do lácio inculta e bela' enquanto vai destilando seu veneno puramente ideológico.

Pois ao contrário do que propala o apóstolo San Harris ateísmo não sendo material, imediatamente acessível aos sentidos, perceptível e empírico é meramente ideológico e por isso mesmo lançado pelos verdadeiros céticos ou agnósticos no mesmo balaio que o teísmo e tido em conta de fé ou especulação. Não, não são os cristãos que dizem isto e nem mesmo os religiosos mas pensadores do quilate dum Huxley. E se como alega o sr Pirula 'Darwin chegou perto do ateísmo' é justamente porque não chegou ao ateísmo, como por estar perto da Catedral da Sé não estou nela, pois se estivesse nela não estaria perto...

Quanto ao Antigo Testamento a afirmação é veraz quanto as profecias alusivas a vinda ou manifestação futura de Jesus Cristo, tais como: Uma Virgem dará luz a um filho... ou Um menino nos nasceu, filho nos foi dado... ou ainda Cresceu diante de nos como pobre rebento... varão das dores, moído pelos sofrimentos, etc Evidentemente que os ateístas odeiam tais oráculos pelo simples fato de que apesar de terem gasto toneladas de tinta e papel, jamais conseguiram refuta-los sob qualquer perspectiva. Pelo que continuam convencendo muitos homens de valor.

Agora para além das ditas profecias a relação existente entre Evangelho ou Cristianismo e Antigo Testamento ou Tanak, ao contrario do que declaram Calvino e os reformadores protestantes, foi marcada pela criticidade e pela rejeição. Moisés vos ensinou... disse o Mestre amado, eu porem vos ensino... O que atraiu a cólera dos rabinos opressores e reacionários com sua gama de preconceitos, e determinou o assassinato do subversivo ou revolucionário galileu (cf  'Cristo, o maior dos anarquistas', por Anibal Vaz de Mello).

Pouco mais adiante, pois a obra prima sequer é paginada e o autor parece ignorar que sejam números, damos com a afirmação arbitraria de que Jesus não passara de um tipo ideal, noutras palavras de um mito sem direito a existência histórica concreta. Assim entre o nazareno e o Mikey Mouse ou o Peter Pan não haveria qualquer diferença significativa. Incrível como os ateístas se mostram tão acríticos e apegados a suas tradições podres quanto qualquer judeu ou protestante. Haja visto sua petição ao arcaico e ultrapassado E Bossi cuja filípica remonta a século e meio tendo sido refutada brilhantemente pelo Pe Senna Freitas dentre outros tantos... Mas nosso crente, confiando docilmente nos dogmas estabelecidos pelo sr Bossi, sequer folheou a obra de Senna Freitas ou mesmo - o que é infinitamente mais grave - as dos já citados pesquisadores e cientistas Vermes e Crosan duas 'bestas' que jamais se atreveram a postular seriamente a inexistência de Jesus.

A justiça no entanto obriga-nos a reconhecer que apesar da sujidade acumulada sobre esse monturo, há ali uma flor e flor odorífera.

Pois ao menos o autor, descrevendo Jesus como mero 'avatar da Filosofia grega' reconhece a decantada relação existente entre o Evangelho e a Filosofia helênica ou entre Cristianismo e Socratismo, reconhecida pelo insuspeito Nietzsche e enfatizada pelo eruditissimo Wener Jaeger na "Paideia Cristã e Paideia grega". 

Eis porque - segundo já citado Nietzsche - Jesus e Sócrates devem ser abatidos juntos, ademais o pensador de Silz Marie jamais acalentou duvidas sobre Cristianismo e Humanismo sobreviverem ou morrerem juntos. Paradoxalmente é este 'humanismo' florescente apenas naquele cristianismo 'paganizado' a que chamamos catolicismos, não no cristianismo judaizado e sectário i é no protestantismo, sempre infenso a nossa herança greco romana incorporada pelo primeiro.

Justamente por ter percebido esta correspondência entre a Filosofia grega, no que tinha de mais excelente - o socratismo e o aristotelismo - e o Catolicismo é que aderi a este e o tenho professado até hoje após ter descrido dos mitos do antigo testamento e rompido com o protestantismo.

A percepção de que a organização Cristã primitiva logrou realizar, ainda que precariamente - e nos referimos ao aparelho de serviço social criado pelo Império Bizantino no século IV ( com a Magnaura, jardins da infância, hospícios, escolas, hospitais, asilos, orfanatos, recolhimentos, leprosários, dispensários, etc ) o ideal de sociedade fraterna esboçado por Sócrates e Platão foi terminante para mim. Nenhuma ideologia - em termos puramente humanos - mais vigorosa do que a socrático/platônica/aristotélica, quiçá mais vigorosa entre os antigos no final da Era pré Cristã, do que o positivismo na segunda metade do século décimo nono, o marxismo na primeira metade do século vinte ou o pós modernismo em nossos dias.

E no entanto essa ideologia colossal não conseguiu preservar o mundo antigo da destruição.

Sossobraram os ideais pagãos de Sociedade humanista com a Sociedade que os gestou apesar de sua imensa popularidade.

Roma - então repositório de tudo quando havia sido acumulado pelo Ocidente desde os egípcios e sumérios - caiu fragosamente e com ela todo um projeto de Sociedade e ideário de vida elaborados pelas mentes mais brilhantes que o mundo conhecera.

A queda o Império romano, a crise e colapso da civilização antiga implicam reconhecer que Sócrates, Platão e Aristóteles não haviam sido capazes de reforma-la ou de sanea-la eticamente. Implica reconhecer que seus heroicos esforços falharam.

Agora se estamos bem informados e levamos em conta quais foram as culturas que substituíram aquele império e que fizeram com ele temos de nos perguntar por que raios ainda sabemos tanta coisa a respeito daquele mundo destruído, seu ideário de vida e projeto de sociedade???

Quem não souber que eram os bárbaros germânicos e que faziam as cidades romanas com suas pontes, aquedutos, templos, estátuas, bibliotecas, teatros, escolas, pinacotecas, estádios, etc o conteste; assim como quem ignorar ou não souber o que a primitiva jihad islâmica fez com os principais centros helenísticos do Oriente próximo... Dar-me-ei satisfeito com rememorar a destruição da Biblioteca de Skandaria, por Amru al ass valido do quarto califa Omma ibn Katib.

Ruínas fumegantes, destroços e cadáveres era tudo quando restava daqueles então florescentes espaços de cultura.

No entanto os nomes de milhares ( O Florilégio de Ihoannes Stobaeus apenas contem centenas deles) de personagens relacionados com a cultura clássica nos são conhecidos e digo mais, até detalhes de seus vidas e opiniões. Agora a quem se deve isto se os germânicos e muçulmanos nutriam total ojeriza para com aquele padrão cultural???

Teriam os guerreiros islâmicos e/ou teutônicos compilado e transmitido a posteridade a Eneida de Vírgilio, As vidas e doutrinas dos filosofos ilustres de Laertius, a Antigona de Sófocles, as Memoráveis de Xenofonte ou dos Diálogos de Platão???

É verdade que chegaram aos muçulmanos 'liberais' ou mutazilas que floresceram do século IX a XI desta Era, como no entanto haviam chegado a eles?

Será que Ésquilo, Aristóteles ou Sexto caíram dos céus nas mãos dos esclarecidos mutazilas???

Até onde esclarece-nos a crítica mais sólida tais escritos haviam sido tomados ao siríaco ou arameu. E vertidos a esta lingua - a partir da lingua original, o grego - por teólogos, clérigos e Bispos Ortodoxos, tanto malkaya ou bizantinos quanto assírios e siríacos. Já no Ocidente as memórias dos latinos como Cícero, Sêneca, Tácito, Lívio, Suetônio, Catulo, Estácio, Propércio, etc haviam sido compiladas primeiramente pelos monges escribas congregados por Cassiodoro em Vivarium, posteriormente, sob Columbano em Bobbio e por fim em Lidsfarne e outras abadias da distante Irlanda ao tempo de Scottus Eurigen. cf "Como a Irlanda salvou a cultura" Th Cahill

Como se vê quem salvou e preservou os fragmentos, vestígios ou elementos de Filosofia grega ou de civilização clássica que chegaram até nós foram os odiados monges Católicos. Foram eles que compilaram e transmitiram tais tesouros a posteridade. Agora se havia marcada oposição entre o conteúdo de tais obras e a fé Cristã por que raios o teriam feito???

O simples fato dos monges terem compilado e preservado tantos e tantos monumentos da Filosofia grega remete-nos mais uma vez a questão da afinidade.

Era Jesus de fato um 'avatar da Filosofia grega' mas vivo e real perdido nos confins obscuros e arenosos da judeia ou da Galileia. Podem os ateus explicar naturalmente este 'fato'? Não. Então já sabemos o que os leva a negar a existência de Jesus. Porque se trata dum homem póstumo ou extraordinário, subversivo ou revolucionário, emblemático e misterioso... Este eco de Sócrates e/ou Platão a expandir-se pelos ínvios desertos da Palestina é um desafio a crítica anti Cristã porque esta figura terá de ser no mínimo grandiosa ou não vulgar.

De fato um Jesus vulgar em termos de rabino acrítico, crédulo, topo e bem comportado é o que jamais existiu.

CONTINUA - 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Visita à favela e considerações sociológicas




No último domingo fui à favela visitar um parente idoso, mas não é sobre isso que vou discorrer, mas sobre os problemas do lugar.

A favela é produto humano, para ser mais preciso é um produto das relações econômicas, das injustas relações econômicas, é um lugar mas não é um lugar natural assim como a área nobre de uma cidade também não é, ambos os lugares foram transformados pelo ser humano através das relações de produção, trata-se então de uma segunda natureza.

Mas como as relações de produção capitalista podem criar lugares assim? Simples, através da exploração econômica, quando o homem se torna o lobo de outro homem, homo homini lupus. Os operários, os trabalhadores em geral recebem salários baixos por causa da mais-valia. Os trabalhadores trabalham mais tempo ou produzem mais sem que haja aumento no salário. Com salários baixos eles podem apenas sobreviver com o básico para continuarem trabalhando para seus patrões. É evidente que os salários dos trabalhadores pouco qualificados são baixos porque existe muita mão de obra para poucos empregos e aí surge a lei da oferta e da procura, excesso de mão de obra, muita gente querendo trabalhar e não há empregos para todos, claro que isso agrada aos patrões que podem ditar o valor do salário a ser recebido por seus escravos empregados e quando existe um excedente de mão de obra que fica desempregada chamamos esse excedente de exército industrial de reserva. Essa gente que recebe salários indignos pode apenas sobreviver, os desempregados tem que arrumar subempregos, os famosos "bicos", sobreviver dos benefícios como o bolsa família ou entrar para o serviço do Estado paralelo, isto é, o tráfico de entorpecentes.

Se as pessoas mal remuneradas e desempregadas mal podem se alimentar, mal podem se vestir como poderão ter casas? Como poderão pagar aluguéis? Por não conseguir pagar aluguéis acabam por invadir os mangues, terrenos abandonados, etc... Não porque gostem disso, mas porque precisam sobreviver. Esse grupo de trabalhadores, desempregados e marginalizados vão para esses lugares e aí começam as favelas: barracos amontoados uns em cima de outros, palafitas e toda sorte de construções precárias sem quaisquer mínimas infra-estruturas, com os famosos gatos e a total desasistência do Estado que muitas vezes não garante sequer o saneamento básico.

Esses lugares são verdadeiros infernos, onde faltam muitas coisas. Não há privacidade, não há segurança, pode ocorrer um incêndio, uma ripa apodrece e a ponte fica instável com o risco de quebrar. Triste não? Esses lugares produzem seres humanos brutalizados, fracos, doentes físicos e mentais, revoltados, analfabetos ou gente de baixa instrução, daí Marx dizer com certa razão que "não é a consciência dos homens que determina sua existência, mas é a sua existência social que determina sua consciência". (Teses sobre Feuerbach) Evidente que não podemos ser deterministas, por isso, acredito que seja um condicionamento e não necessariamente um determinismo econômico, mas é o que ocorre de fato. 

Quem mora na favela tem que ter muita esperança ou muito desespero, quem tem muita esperança se apega à fé cega e ingressa numa igreja milagreira que satisfaça suas aspirações, que entorpeça essa gente pobre e a faça esquecer por um momento sua realidade. Daí que nas favelas abundam seitas pentecostais para todos os gostos, uma em frente da outra, uma ao lado da outra, em cada esquina e por toda a favela. No meio da favela não há centros espíritas, pois essa religião não é milagreira e só pessoas com certo nível intelectual são capazes ade assimilar sua doutrina. Também não se encontram capelas católicas romanas, até porque não temos mais padres operários e a igreja romana (com poucas exceções) não conta  com padres e leigos interessados em ajudar os favelados. Então os favelados se apegam à fé cega na esperança de que servindo Jeová dos exércitos, este lhes faça mercês:  dando empregos, oportunidades, melhores salários, pois como diz um versículo bíblico, (infelizmente muito mal interpretado) Deus é fiel! Sim, esta parcela de moradores das favelas tem que se apegar a Deus e aos milagres, pois é só com isso que podem contar, pois eles não tem acesso à saúde, à educação e nem à segurança, então sua fé nas  seitas neopentecostais faz às vezes do Estado. Por outro lado, quem não tem esperança, tem desespero e o desespero faz com que essa outra parcela dos moradores das favelas entrem para o mundo do crime, porque no fundo, eles sabem que sem estudo e no lugar onde moram nunca serão ninguém, então porque se iludir se a realidade não vai mudar? É aí que passam a ser revoltar com suas condições, ter ódio e considerar as pessoas como objetos descartáveis, daí, não custa muito pegar um revólver e matar alguém por uns míseros reais. Consideram as pessoas como lixo, porque a sociedade lhes ensinou isso, pois sempre foram tratados como lixo e o que eles fazem outra coisa não é do que reproduzir a ideologia da sociedade capitalista: o importante não é ser mas ter. 
Não é fácil encarar a realidade num lugar que cheira mal, as ruas não são asfaltadas, os barracos caem aos pedaços e você tem ao redor pessoas feias, feias sim, porque maltratadas e maltratadas porque não tem dinheiro para se vestir bem e cuidar da aparência. Talvez seja por isso, que muitos jovens usem drogas nas favelas para tentar fugir de suas tristes realidades. 

Os comunistas costumam dizer que essas pessoas são imediatistas e não tem uma visão para o futuro, isso quando não dizem que os favelados desempregados, traficantes, bandidos, prostitutas são  o lupemproletariado. Mas ajudar que é bom, nada. São ótimos críticos e talvez ótimos leitores de Marx e nada mais. 

Os padres e fiéis romanos reacionários dizem que eles tem que se conformar com a vida porque essa é a "vontade de Deus" que ele assim estabeleceu "em sua sabedoria", que nós "não podemos entender seus desígnios" e que "a revolta é contra Deus e se continuar nessa revolta depois da morte ainda vai queimar no inferno, mas caso se resigne Deus lhe dará um prêmio imorredouro". 

Os ateus liberais e "humanistas" que são a favor do aborto em nome da humanidade, pouco ou nada se preocupam com os favelados, se acham muito confortáveis em seu ateísmo de classe média b, e geralmente criticam essa religiosidade doentia dos favelados, criticam o efeito mas não abordam à causa. Queria ver se esses ateus conseguiriam viver em seu racionalismo dentro de uma favela sem ter uma perspectiva de vida, sem um amanhã melhor... ou se cometeriam suicídio, pois se Deus não existe e a situação não vai melhorar para que prolongar a dor da existência? Ora, o problema dessa fé cega é um só: a ausência do Estado. Então ao invés de ensinar pessoas como essas que Deus não existe, deveriam ajudar a erradicar as favelas, lutando por uma justa distribuição de renda.

Os políticos se aproveitam dos favelados para darem cestas básicas, materiais de construção, camisas de futebol para times de várzeas e outras quinquilharias, sempre nos anos eleitoreiros, e claro esse povo vota neles, porque ao menos eles "fizeram alguma coisa". 

Uma última questão, uma vez que me estendi mais do que devia neste texto, por que as favelas geralmente são longe dos centros urbanos? Para que eles (os favelados) "não contaminem" a "boa sociedade", para que sua realidade não seja conhecida, e para que não tenham como reivindicar seus direitos nas câmaras e prefeituras. 

A favela é fruto do capitalismo, do egoísmo e das desigualdades, se alguém diz o contrário que prove ao invés de mergulhar em delírios idealistas que não explicam a realidade.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

As consequências do ateísmo



Julien Offray de la Mettrie é um exemplo clássico de como o postulado de Dostoiévsky é verdadeiro: "Se Deus não existe tudo é permitido". Por coerência os ateus deveriam deduzir a sequência lógica da negação da existência de deus. Onde não há deus, há liberdade; Onde há deus, há lei; Onde não há deus eu sou a lei. Aqui no blog já falamos (Domingos e eu) das implicações morais do ateísmo e citamos a moral soviética bolchevique, citamos os anarco terroristas e dentre eles: Ravachol e Émily Henry, mas para que certos ateus não venham falar: "ah, mas Stálin era comunista" e/ou "Ravachol era anarquista de esquerda, etc...". Resolvi mostrar que os ateus liberais são tão iguais ou piores que os seus colegas da esquerda. Com isso, não nego que hajam ateus bons, mas esses ateus bons, carregam princípios que não vieram do ateísmo, são princípios que aprenderam na infância com pais religiosos não fanáticos, deístas ou mesmo agnósticos. Pois, Jean Paul Sartre mesmo afirmou que o ateísmo não pode ser humanista e que as noções absolutas de bem e mal advém do teísmo, mas isso é aasunto para outra postagem. Detenhamo-nos por ora em La Metrie.

La Metrie partia do princípio que o bom ou mau funcionamento do corpo condicionava de modo absoluto a felicidade ou infelicidade dos homens, de acordo com ele:

"Os maus podem ser felizes...
Parricida, incestuoso, ladrão, celerado, infame e justo objeto da execração dos homens de bem, serás feliz apesar de tudo. Bebe, come, dorme, ronca, sonha; e se, pensas, às vezes, que seja entre dois vinhos... Refocila como os porcos e serás feliz à maneira deles". [¹]

Segundo Sérgio Paulo Rouanet "diante de trechos assim é compreensível o desejo dos filósofos de se distanciarem de La Metrie. Foi o caso de Diderot, também ateu e que por isso mesmo fez questão de se dissociar das consequências morais (ou imorais) que La Metrie tirava de seu materialismo. Para Diderot, La Metrie era um autor sem julgamento, de quem se reconhecia a frivolidade de espírito no que ele dizia e a corrupção do coração no que não ousava dizer, cujos princípios derrubariam as leis, dispenariam os pais de educar seus filhos, internariam no hospício o homem que luta contra suas inclinações desregradas, em suma, era um homem dissoluto, impudente, bufão, adulador, feito para a vida das cortes e para o favor dos grandes". [²]

Notas: Do homem-máquina ao homem-genoma de Sérgio Paulo Rouanet - jornal Folha de São Paulo, caderno Mais! 06 de maio de 2001, página 14.