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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Comunismo > Uma metafísica paralítica

Já nos expressamos inúmeras vezes a propósito do Comunismo.

Primeiro enquanto ideologia reprodutora, a qual além de assumir um tipo ideal posto pelo Cristianismo antigo ou pelo socratismo\platonismo,  reproduziu igualmente diversos vícios do capitalismo, do liberalismo político primitivo e do positivismo, como o materialismo economicista, o 'método' revolucionário e o relativismo ético - Isto a ponto de formar uma construção sincrética.

De fato não se pode negar que apesar de todos os seus erros possuí o Comunismo algo em comum com o socratismo e o Cristianismo antigo, que é a sensibilidade face a injustiça e a aspiração de reformar a ordem natural das coisas, eliminando a injustiça. 

Enquanto que a suprema miséria do capitalismo, do positivismo e do darwinismo social, bem como do ceticismo é conformar-se com o mundo tal qual é, aceitando suas mazelas e avaliando-as como algo comum ou mesmo invencível. 

Em que pese o materialismo tomado ao capitalismo, os comunistas não acompanharam seus companheiros 'coerentes'. Mantendo o ideário Cristão segundo o qual deve a realidade do mundo conformar-se com um ideal Ético ou com uma Lei natural e suprema. 

Por parte do Cristianismo antigo, conformar-se com o mundo e seus pecados, seus vícios ou suas maldades é blasfemo, devendo a ordem do mundo ser corrigida e reformada segundo a lei natural e suprema.

Portanto o Cristianismo leal ao Evangelho e o Comunismo partilham do mesmo sentimento de revolta. 

Sendo em parte o Comunismo, um Cristianismo apostólico secularizado. Tal e qual o capitalismo e o destino manifesto são secularizações do protestantismo. Em certo sentido o conflito "Catolicismos" ou "Ortodoxia" e protestantismo, prolonga-se no conflito "Socialismos" X Capitalismo. Apenas a luta secularizou-se, mas mantém o sentido. 

Naturalmente que o materialismo, sendo necessariamente mecanicista, não se encaixa com esse sentimento de inconformidade ou mesmo com o método revolucionário.

Justiça seja feita a Marx, porquanto era ele etapista - Reconhecendo que caberia ao processo histórico ou a evolução interna do próprio capitalismo que produziria as condições necessárias para que a Revolução fosse bem sucedida. Cabendo ao comunista estar atento para reconhecer o sinal dos tempos, e atuar em comunhão com a História.

Foi Lênin que, partindo de Sorel, objetor e adversário de Marx, eliminou o etapismo ou o determinismo materialista e propôs que a Revolução poderia ser feita noutros contextos. Talvez por isso as revoluções Comunistas tenham revertido e falhado. Por outro lado Marx não foi capaz de perceber a habilidade do capitalismo para adaptar-se as condições externas, inclusive restringindo-se, contendo-se ou limitando-se quando sob pressão ou ameaçado pelas sociedades tradicionais.

Sorel sendo irracionalista, meio idealista e próximo ao anarquismo com o paradigma do espontaneísmo ou da imprevisibilidade, o qual de modo algum se encaixa com o materialismo e seu decorrente determinismo\etapismo.

Bom lembrar que esse ideal revolucionário jacobinista surge não num contexto materialista dialético porém num contexto materialista mecanista ou formal e de uma total incompreensibilidade em termos de cultura. A ideia, bastante ingênua por sinal, é que o poder, a violência, a força ou o terror pudessem mudar a cultura ou dos padrões de comportamento pessoal e social.

Basta dizer que serenado o terror os padrões culturais anteriores são restabelecidos. E as tais revoluções, após tantas calamidades, revertem. E tal se dá porque a cultura tem dinâmica própria, a qual não é necessariamente material.

Outro aspecto é o relativismo ético, comum aos pós modernistas e derivado do positivismo. O qual dificilmente concilia-se com um ideal de justiça que leva a reforma. 

No entanto o que mais choca o observador atento quanto o comunismo é sua fixação no século XIX. A qual chega a ser escrupulosa, uma vez que atribuem aos escritos de Marx, Engels e Lênin o status religiosos da infalibilidade e da irreformabilidade - Como se tivessem esgotado todas as possibilidades do passado, do presente e do futuro. 

Não poucos entre eles continuam reproduzindo a milonga positivista e anti racionalista, derivada de Kant e Condorcet sobre a ciência ser a única forma digna de conhecimento, etc Quando é, o materialismo querido, uma elaboração metafísica, por violar a demarcação kantiana. 

Outro aspecto simplório do comunismo é a imagem do proletariado urbano e industrial como agente redentor. E consequentemente o menosprezo pelo homem do campo, as prevenções contra aquele funcionariado público que representa a odiada classe média, o horror ao lupem proletariado... 

Continuam eles, os comunistas, encarando a História como um combate épico, binário e maniqueísta entre dois grupos ou facções: Burguesia e proletariado... Enquanto a partir de 1870\80 tornou-se a sociedade capitalista muito mais complexa e variada, com inúmeras sociais intermediárias... (E aqui temos Sorokin, Parsons e Timacheff, dentre outros). Eles porém não abrem mão de seu reducionismo simplista e de sua narrativa ingênua e romântica - Na qual tudo gira em torno de um choque entre dois grupos.

Para eles o mundo jamais mudou e continuamos situados no século XIX...

Outro rudimento metafísico é a concepção do conflito como motor da História. Pois eles mesmos admitem que o conflito parte da propriedade privada (Não necessariamente da propriedade privada dos meios de produção - Pois aqui, com Marx - há certa plausibilidade.), a qual é posterior a Idade primitiva, o que implica situar a Idade primitiva fora da História, justamente devido a sua 'imobilidade' ou ritmo lento, não marcado pelo conflito em torno da posse da propriedade, uma vez que era comunal.

Bem, o que questionamos aqui não é o movimento ou o progresso porém seu ritmo acelerado face a limitação dos recursos materiais de que dispomos. 

Outro o caso do futuro - Pois se a cosmovisão marxista (Que gira em torno de uma Dialética que parte do conflito e da propriedade.) assumir que a derradeira fase - Inaugurada pelo advento do Comunismo - implica a cessação do conflito, teremos de admitir o fim do movimento dialético e por consequencia o fim da História. E aqui é a História como uma espécie de túnel porque passa a humanidade... Pois ao fim tornaríamos ao repouso ou a imobilidade do começo i é da Idade primitiva.

De minha parte encaro esse túnel ou sanduíche como algo muito menos aberrante que o progresso ilimitado ou infinito dos positivistas - Pois tudo quanto começa deve ter um fim. Sem embargo disto, os comunas, ao serem questionados pelos positivistas, anarquistas e outros, alegam que o fim do conflito ou da dialética e o advento do comunismo não marcará o fim de todo conflito porém apenas do conflito economico, que incide sobre as classes. Obviamente que existem ou surgirão outros conflitos (De natureza diversa) que darão continuidade a outro ciclo de movimentação dialética. Mas quem não percebe que essa resposta vai pelos caminhos da imaginação e da fantasia. Pois teria havido outro ciclo de movimento dialético, de outra natureza, na Idade primitiva...

Agora - Existe de fato um motor da História... Ou é ela movimentada por diversos motores...

Já disse que Marx focalizou a propriedade dos meios de produção, relacionada com o modelo capitalista. E aqui parece haver certa verdade, vislumbrada ante dele por um Sismondi, dentre outros... Outro problema do Marxismo é a visibilidade limitada da História de que dispunha Marx em seu tempo - Tempo em que a egiptologia de Champollion e Lepsius e a sumeriologia de Grotefend e Rawllinson estavam a dar os primeiros passos e a idade primitiva de Pertez e Lartet engatinhava... 

Foi as apalpeladas ou tateando que Marx tentou elaborar um esquema tanto mais amplo e metafísico - No pior sentido do termo. Assim a questão do conflito como motor de todas as fases da História, de grupos lutando uns contra os outros, de reformulações sintéticas, etc Através das quais o esquema Burguesia X Proletariado se antecipa e perpetua sob outros termos, como senhor e servo ou dono e escravizado... 

Todos estes esquemas genéricos, como o de Vico, o de Adam Smith, o de Lord Kames, o de A Fergunson, o de St Simon, o de Comte e enfim o de Marx representam uma fase bastante rudimentar da sociologia. 

Quanto a proposta de Marx ou sua tentativa metafísica de classificar as fases ou períodos da evolução social de nossa espécie é importante dizer que teve continuidade sob a escola de Lukács e seus seguidores. Os quais fazem incidir suas críticas não apenas sob a atual forma de posse da propriedade privada i é quanto aos meios de produção, mas sobre todas a propriedade privada como um todo. Por isso registrei acima que os lukacscianos identificaram o ponto de partida do conflito a partir do fim da propriedade comunitária e o surgimento da propriedade privada> A partir daí só mudam os nomes e podemos definir a História humana como uma luta por propriedade ou poder. (E chegamos a Adler, transfuga de Freud)

Naturalmente que nenhuma dessas especulações pode ser rigorosamente demonstrada. E tanto pior para elas enquanto atreladas ao falso paradigma positivista da monocausalidade. Se é certo que o regime de propriedade influencia a produção da cultura, nada nos indica que ele apenas determine a totalidade dos elementos de uma cultura.

E Ratzel teria mais razão em apontar a terra e o regime alimentar como criador de técnicas agrícolas e de técnicas alimentares plasmadoras de cultura. De modo que teríamos antes uma cultura do arroz, uma cultura do trigo, uma cultura do sorgo, uma cultura do milho, uma cultura da batata, uma cultura da mandioca, etc que uma cultura de patrícios e clientes ou de pillis e maceuallis... 

Não quero lançar fora deste processo formativo o dono e o escravizado ou o senhor e o servo, quero porém inserir o ambiente: Gélido, montanhoso, paludoso, florestal, etc as matrizes alimentares... A Escrita, o Bronze, a Ceramica, as Crenças religiosas, etc Numa perspectiva pluri causal, tendo em vista a complexidade da cultura e o processo de sua afirmação.

Certamente o regime de propriedade teve lá seu papel e importancia, mas, não atuou sozinho.

Outro equívoco que atribuo ao marxismo\comunismo e que deriva da ideologia materialista diz respeito diz respeito a compreensão deles a respeito do que seja Capitalismo. O qual definem como uma modo de produção. Do qual deriva um modo de remuneração> O salário. E enfim certas relações estruturais. 

E toda uma definição formal, mecanica e material do liberalismo economico.

Eu no entanto considero tanto mais exata e profunda a definição posta por Sombart, em termos de 'Geist' ou espírito - Quero dizer enquanto conjunto de princípios e valores que derivam da consciencia ou como uma emanação psicológica ou mental que se faz social e cria estruturas.

De fato suponho e creio ter razões para tanto, que o éthos capitalista é um tipo de mentalidade que deriva da pessoa, uma tendencia do caráter... etc e relaciono esse espírito com o que os antigos chamavam de avareza ou acúmulo.

Foi a partir dessa distinção que o padre Meinvielle - Servindo-se da linguagem aristotélica (Em torno das causalidades) - tentou explicar porque a igreja papa, ao condenar o comunismo não condenou o capitalismo ou ao menos sua totalidade. O quanto o Cristianismo pode e deve condenar sem remissão é a fonte do Capitalismo i é seu espírito 'geist', a avareza, o acúmulo desmedido, a ambição ilimitada, o materialismo, etc não a estrutura por ele produzida, a qual sendo neutra, bem poderia ser reutilizada caso tal espírito fosse contido. Não é o caso de que não possa ser destruída (Como querem os comunistas - Pois a proposta meramente econômica dos comunas não se opõem a fé!) e sim de que essa destruição não é imposta pela fé porém assunto por assim dizer puramente humano.

Agora limitando-se a condenar o espírito 'geist' do capitalismo, não fornece o Cristianismo qualquer tipo de chancela divina ou religiosa a estrutura do regime capitalista, como querem os oportunistas infiltrados na Igreja. Ao menos o Cristianismo Ortodoxo, fiel a tradição da Igreja, jamais poderá santificar a propriedade privada dos meios de produção. 

Outro o caso da propriedade privada pessoal derivada do trabalho. Esta o Cristianismo assume como religiosa e intocável enquanto expressão de um direito natural estabelecido pelo poder Supremo. O quanto a pessoa obteve por meio de seu esforço pessoal e de que faz uso para manter-se pertence-lhe legitimamente e não lhe pode ser tomando sem que tal constitua-se em roubo, logo pecado. Neste caso toda e qualquer apropriação, tendo em vista o Bem comum, exige uma indenização por parte do poder público ou do Estado.

Quanto ao espírito materialista, excessivamente ambicioso ou avaro do capitalismo, já no berço, avaliou-o a igreja como maligno.

Até aqui nossas críticas ao Comunismo ou melhor dizendo, apenas algumas delas.

Obviamente que não pode o Cristão aderir ao sistema comunista em sua totalidade - Pelo simples fato de dogmatizar em torno da ideologia ateísta e afirmar-se como materialista. 
 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Conservadorismo
  • Anarquismo
  • Positivismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A bíblia ou o biblismo como obstáculo histórico a construção do conhecimento científico.

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Absolutamente comum ouvir alguém declarar que aqueles que admitem qualquer tipo de principio superior ao mundo material não são aptos para cultivar um espírito científico ou fazer ciência.

Os positivistas ou cientificistas amargurados adoram emitir semelhantes tipos de juízo, em que pese um Planck, um Albert Einstein ou um Fermi... Os quais fizeram verdadeira ciência sem necessidade de metafísica materialista ou o que é pior, ateística.

Outra coisa, bem distinta, é dizer que muito dificilmente se poderia conciliar o espírito fetichista presente nas páginas do Antigo Testamento, bem como seu aparato mitológico, com a prática da ciência. Aqui a afirmação parece ser mais consistente e merecer uma análise detalhada. O verdadeiro adversário da ciência não é uma Energia cósmica ou um Ente de razão mas um livro ou a leitura de um livro - A bíblia, o antigo testamento, o biblismo, o fundamentalismo, um tipo de leitura da bíblia...

Absolutamente inútil os sectários protestantes ou bíblicos apresentarem, como alias folgam apresentar, estampas ou figurinhas com os semblantes de Galileu, Kepler, Descartes, Newton, Faraday, Maxwell e outros grandes cientistas do passado, com o objetivo de demonstrar que é perfeitamente possível ser protestante, bíblico, fanático e, cientista. Isto pelo simples fato de que todos estes honoráveis senhores - Honestamente religiosos! - floresceram antes de Ch Darwin, não depois dele ou de Einstein... Marque isto - A lista de cientistas religiosos, em tese partidários da bíblia, como da astrologia, não vai além da segunda metade do século XX.

De minha parte não vejo problema algum em tais homens terem endossado a narrativa bíblica ou a criação mágica das espécies em separado, pelo simples fato de terem vivido do antes do século XIX e da afirmação cabal de um padrão naturalista. Aqui foram homens de seu tempo, uma vez que o homem moderno abstrato jamais existiu. Linné pode ser genial, e biólogo, e etc porque viveu antes deste divisor de águas que é o paradigma da evolução biológica, o qual continua sendo paradigma, mesmo que Darwin não seja infalível ou tenha cometido imprecisões. O que não anula o conjunto de seu trabalho, imperecível. No entanto vivesse após Darwin, Linné, mas do que ninguém, em vista de seu conhecimento, teria aderido ao evolucionismo. Não aderiu a ele Agassiz, pelo simples fato de viver nos E U A, e isto já diz tudo!

Após Darwin e Einstein quantos cientistas podem eles, os bíblicos, apontar, que tenham apoiado a bíblia, criacionismo ou a inspiração plenária, com todo seu aparato mitológico? Pode ser que um ou dois, dentre centenas ou milhares de cientistas, se afirmem como protestantes como filhos da cultura ou amantes do Evangelho. O que não significa muita coisa... Uma vez que bem podem ter sido liberais face a doutrina da inspiração plenária ou da judaização, e assim naturalistas quanto ao mundo natural e evolucionistas, a exemplo dos que adicionam a direção divina ao processo. Certamente tais homens criam em Deus, e em Cristo, e no Batismo, e na Eucaristia, etc... Criam no entanto na letra do Gênesis ou na mitologia judaica? Era fetichistas??? Aqui fica a pergunta e eu pago para ver. Não não creio que alguns possíveis cientistas protestantes sejam geo centristas, terraplanistas ou criacionistas...

Em termos de século XX ou XXI o protestantismo ortodoxo, bíblico ou criacionista é absolutamente estéril e incompatível com qualquer forma de conhecimento científico relevante. E temos aqui um conflito se resolução - Posto que a ciência é já naturalista e uniformitária enquanto que o Gênesis, fruto de seu tempo, é mitológico ou fetichista, supondo sucessivas intervenções da parte do Sagrado. Os bíblicos cá venham e citem os nomes dos grandes cientistas criacionistas ou bíblicos posteriores a Darwin ou a Einstein e compendiem suas descobertas! Os pensadores, sejam ou não cientistas bem podem colocar o Numinoso antes do início do processo, como elemento desencadeador ou como mantenedor de todo processo, não como interventor... Intervenções no decorrer do processo é justamente o que a ciência descarta.

Não nos iludamos, o cerne ou âmago do problema é o padrão mágico fetichista cristalizado no Criacionismo... Não diz respeito se Deus existe ou não mas a respeito de como atuou ele, se sicut experiência ou ciência, fixando e gerenciando uma Lei natural ou sicut 'escritura' ou seja interferindo caprichosamente e seguindo uma ordem totalmente absurda.

O protestantismo bíblico ou Ortodoxo chafurda justamente no pântano do Criacionismo, adotando este padrão mágico fetichista. Em termos de ciência esta solução pode até ter sido possível até Darwin. Não após Darwin, Wallace, De Vries, Weismann, Dobzhansky, Mayr, etc

A questão não é Deus, uma direção inteligente, um sentido, uma fé esclarecida, religiosidade, espiritualidade... Wallace jamais questionou tudo isto, enquanto Dobzhansky era religioso ou crente. Nem criacionistas, nem fetichistas um e outro. Para eles a ação divina era descrita não pelo gênesis em seus termos ultrapassados e toscos mas pela pesquisa cientifica i é pela experiencialidade e o raciocínio, padrões certamente fixados por Deus. E nem é preciso ser um Aquino para concluir que este padrão não pode ser desmentido por qualquer ele, e que a fé e a revelação com ele devem concordar. Supor discordância natural entre o conhecimento natural e a Revelação é monstruoso. Se há clamor em torno da contradição é justamente porque a cristandade, desviada pelo antigo testamento ou pelo judaismo, invadiu a esfera da imanência ou do mundo natural. Todo este mal entendido procede do antigo testamento e do conceito equivocado de inspiração plenária, não do Evangelho ou da Revelação autenticamente Cristã, absolutamente alheia ao mundo natural.

Nada disto, e nada disto esta em jogo. Digo a existência de Deus ou de um Ser ou de uma Consciência supra terrena.

Para o protestante a questão continua a girar apenas em torno de seu deus ou ídolo retangular, a bíblia... Com a mesma bíblia que combateu o Catolicismo ou a tradição Cristã e a Igreja antiga, o protestantismo hoje faz guerra a ciência e condena-a aos infernos.
Específico melhor - Toda questão gira em torno do antigo testamento ou do dogma, essencialmente protestante, da inspiração plenária...

Convém repetir a exaustão: O Evangelho não predica sobre a imanência... Os protestantes no entanto pensam sua bíblia como um Corão, e creem-na enciclopedicamente infalível. Daí suas pretensões totalitárias, que conflitam com a ciência, com todos os seus ramos... Após terem 'reformado' o cristianismo antigo ou o papismo ora aspiram reformar tudo - Biologia, História, Sociologia, Psicologia... O furor bíblico não tem limites e por isso, como o Islã ameaça a civilização. Temos dois perigos semelhantes (Vide o que Guilherme Postel escreveu a quase meio milênio sobre protestantismo e islamismo!) - Um no Ocidente ou nos EUA, o sectarismo bíblico; e outro no Oriente, o islamismo sunita, e é um espírito bastante semelhante, já por livresco já por fetichista.

Daí a total incompatibilidade dessa fé obscura e tosca com o pensamento científico. Newton, homem do seu tempo, como Galileu e Copérnico, ainda pode talvez dar crédito ao Gênesis. Após o estudo comparado dos fósseis, a embriologia, a cladística, a geologia, etc é impossível levar a cosmologia judaica a sério; e essa Era passou, definitivamente, sem que se possa alegar Newton - Homem genial, mas pertencente a seu tempo, o século XVIII - Ocasião em que Buffon havia já descartado o fetichismo bíblico...

Lamarck, St Hilaire e outros já não podiam levar tais coisas a sério numa Europa civilizada. Agassiz foi o último cientista sério a tentar emenda-la ou remenda-la... apelando a exegese alegórica, e admitindo as tais intervenções caprichosas e sucessivas ou os sucessivos 'milagres', com que ainda ousava repudiar o uniformitarismo. O intervencionismo tosco morre com Agassiz e com ele é enterrado. Impondo-se o uniformitarismo em Biologia, como já havia se imposto na Geologia, com Hutton e Lyell. Os protestantes no entanto querem que Deus tenha multiplicado ações miraculosas ou interferências, apenas porque o Gênesis o quer... Eles querem que deus tenha agido de determinada forma porque agrada a sua fé... Repudiam o naturalismo e o uniformitarismo apenas porque é supinamente ignorado por seu livro. E o padrão deles é a ignorância ou o desconhecimento por parte de um livro ultrapassado. Outra coisa a Tanak, com toda sua mitologia não é...

Não é por mero acaso que o maior pais protestante do mundo é hoje o centro mundial da superstição criacionista, patrocinada entusiasticamente por seitas como a jeovista e a adventista, bem como por parte considerável dos calvinistas e pelas hostes do pentecostalismo. O armazém das trevas ali esta: Num dos países mais ricos e desenvolvidos do Planeta, e isto só serve para patentear o espírito tenebroso do biblismo e sua periculosidade. Parte dos N Americanos continua a pensar que a ciência deve estar errada não porque hajam evidências contundentes neste sentido (Não hà!) mas apenas porque esta na bíblia ou a bíblia o diz... Basta o pastor gritar que esta escrito para Marx, Darwin, Freud, Einstein, Hutton, Newton, Kepler, Galileu e Copérnico serem descartados com uma fornada só!

O que você leitor deve compreender bem é a virulência deste princípio.

E o quanto tem colaborado para travar a ciência durante o último meio milênio ou seja desde que tem sido santificado pelo protestantismo.

Pois não houve ramo do conhecimento humano que o biblismo não tenha prejudicado, imensamente mais do que o papismo ou qualquer outra fé, a exceção talvez do islamismo sunita após a fixação da Ortodoxia pelos imames Achari e Gazalli no século XI desta Era.

Tenha em mira por exemplo a geografia de Ptolomeu, promovida pelos sectários religiosos e fanáticos até o século XIX pelo simples fato de ser, em parte, compatível com o mito bíblico. A terra tinha de ser o centro do universo ou de ser quadrada! Por força da bíblia... Observe os mapas dos séculos XVI e XVII com a obscura nomenclatura bíblica povoando as Américas!!! Quanto tempo precioso perdido e quanta energia dispendida com o objetivo de conciliar a existência de indianos, japoneses e chineses, os quais para o antigo testamento inexistem... A tanak ou os judeus ignoravam a existência de chineses, japoneses e indianos, logo, eles não podiam existir!!!  E para explicar a existência da América e dos ameríndios, os quais também são supinamente ignorados pela magnífica Tanak... Quanta hipótese ociosa ou treva. De que resultou por fim o mormonismo, com o dito livro de mórmon e as peregrinações de Jesus entre os maias e aztecas. Como tudo isso é aberrante... Não podem existir pólo Sul ou mesmo pólo Norte porque a bíblia nada sabe sobre eles, e tampouco a Austrália...

Caso passemos a Geologia o espetáculo continua - Os fósseis devem concordar com o dilúvio, e só se investiga as rochas, por séculos a fio, com o objetivo de encontrar sinais seus, os quais jamais foram encontrados, devido a impossibilidade geológica de um dilúvio universal, capaz de cobrir o Everest. Mas a bíblia... A bíblia postula a horrenda catástrofe com que jave afogar quis seus obras tão mal feitas... além de postular sucessivas catastrofezinhas com que punir a tribo dos hapiru, logo a Geologia não pode ser uniforme. E quando aparece Hutton, em pleno século XVIII, para dizer o óbvio - Que não há desconformidades ou sinais de qualquer evento bíblico no processo, sucede o grito de: Heresia...

Após ter empatado a Geografia e a Geologia a treva bíblia não empata menos a astronomia. Afinal as estrelas haviam sido postas no 'firmamento' com o objetivo de 'iluminar a terra'... Imagine só o descalabro que é o Sol aparecendo depois da terra ou da cúpula superior (Equivalente a metade de nosso planeta) contendo todo universo i é multilhões de galáxias e estrelas...

Pense agora na História e em todas as cronologias equivocadas atribuídas aos Sumérios, Egipcios e mesmo aos gregos, inda que diante de tantas inscrições, monumentos ou testemunhos arqueológicos. Qual a razão deste cipoal tenebroso? Querer fazer concordar todas estas cronologias com a narrativa vétero testamentária ou com os escritos dos hebreus... Tudo quanto se queria em termos de egiptologia era encontrar algum testemunho a respeito da presença dos antigos hebreus naquele pais exuberante. Não se ligava maior importância ao Egito monumental exceto pela possível presença das tribos dos hapirus a sombra das pirâmides... Quanta miséria e quanto transtorno. Passe agora a Babilônia descrita por Heródoto! A cujas ruínas acorriam os escavadores e arqueólogos, movidos pela fúria de lá encontrar sinais dos antigos judeus... Oh miséria. Hebreus era tudo quanto os fanáticos procuravam de Tebas a Nínive... E tinham olhos apenas para eles.

Ai você pensa Palestina e as ricas culturas do Bronze I ou do Bronze II. Enquanto os arqueólogos concentram-se apenas em Davi e Salomão ou em demonstrar que a biblia tinha razão. Mesmo um arqueólogo insuspeito como W F Albright foi obrigado a reconhecer que este tipo de abordagem não podia deixar de produzir ao menos alguns transtornos...