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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Resistência cultural, qual a melhor opção (Como escapar ao protestantismo e ao islã - Ao Brasil e a Europa.)

Diante da pressão exercida pelo protestantismo, cá no Brasil e pelo islamismo, lá na Europa a primeira ideia que se nos vem a mente é a de resistência cultural. A exemplo do Paraguai e do México temos de valorizar nossas coisas... Sem estereotipar ou converter-se num Policarpo Quaresma temos de questionar esse negócio de rock and Roll e Holywood com coca cola e faste food no Mc Donalds. 

Não estou dizendo, de modo algum, que devamos repudiar a pseudo cultura Norte yankee em bloco, como se por lá nada houvesse de bom. Certamente que em nossas vidas pode haver espaço para o Jazz, para o 'Cidadão Kane' de Welles, para sandubas de geleia com pasta de amendoim, etc 

No entanto como brasileiros que somos parece-me absurdo que conheçamos apenas aquele Rock melody do 'Air supply' (Que eu adoro) ou o repertório completo de um Nat, de um Sinatra ou de uma Houston e ignoremos por completo a produção musical brasileira e assim as obras de um Sivuca, de um Hermeto Pascoal, de um Moacyr Franco, de uma Roberta Miranda, de um Nhô Pai, de um Zé Fortuna, etc 

Um cuscuz paulista e uma 'Guaraná' também vão bem. Um pãozinho com manteiga, um Bauru, um bolinho de chuva... não fazem mal a ninguém. Claro que de vez em quando um Hamburguer pode ser tão bem vindo quanto uma pizza e um coockie tão saboroso quanto um biscoito de polvilho... Quero dizer que também possuímos uma cultura alimentar e que, sem abrir mão de uma variedade ocasional, devemos ser mais críticos face ao mercado ou a propaganda. Por que ao menos não experimentar o que é nosso...

Temos linho, algodão, casimira, etc, etc - Alias tecidos de diversa procedência e varia cultura. Por que essa fixação no jeans... 

Tanto pior quanto as tais marcas - Com esse fervor místico em torno de nomes. A bem da verdade deveríamos nos vestir apenas para cuidar do corpo. Todavia como até os animais, ao menos as aves, buscam melhorar a aparência, é compreensível que o traje possua também uma dimensão estética. No entanto o que um palavra acrescenta ao conforto ou a beleza de uma roupa... Em que a torna melhor ou pior... Que é que a sigla NIKE adiciona a um sapato em termos de uso ou comodidade... Nada...

De fato o consumismo parece mestre quanto a arte de distorcer aquela tendência natural que temos para nos destacar dos demais (Emulação), a qual para ser digna e justa deve estar associada a alguma competência ou a algum mérito e não a ostentação de um nome que reporta a riqueza. Pessoa alguma é melhor do que outra por ser rica ou ter posses - E alias o mais provável, inclusive, é que seja pior. O que nos torna melhores encontra-se dentro de nós ou no nosso interior e são nossas qualidades: O senso de justiça, a solidariedade, a lealdade, a honestidade, etc Não um pedaço de pano com um nome qualquer...

Supor que um corte de tecido com uma palavra qualquer gravada nos torne melhor do que os outros ou que nos confira alguma superioridade só pode ser a marca de imbecilidade... Coisa de gente idiota e vazia. De pessoas sem qualidade...

Não é todavia sobre qualquer tipo de contra cultura que quero discorrer neste artigo. Contra cultura superficial até mesmo lá, nos EUA, foi produzida. E chegou a tornar-se um negócio rentável.

O quanto quero abordar aqui é a contra cultura ideológica ou abstrata. Em termos de conceitos básicos ou matrizes de valores. Pois nossa resistência precisa no mínimo estar a altura da 'American way of life'. 

Não julgo que o modernismo ou o pós modernismo, ou ainda a pós verdade estejam acima do americanismo. Grosso modo os seres humanos, satisfeitas as exigências básicas postas pela existência, demandam pela Verdade ou ao menos por algumas verdades - Pois é a verdade o pão do espírito e não apenas de pão vive o homem...

O ceticismo, quando não reflete um estado mental mórbido, é reflexo de um projeto social frustrado. Assim a sociedade grega imediatamente posterior a morte de Alexandre, assim a Sociedade europeia posterior as duas grandes guerras... 

Em tempos de normalidade, estabilidade ou desenvolvimento tal patologia não floresce e, se e quando floresce, nada produz de relevante. 

Digo o mesmo a respeito do relativismo crasso e do subjetivismo absoluto ou solipsismo. Sobre tais areias são poucos aqueles que ousam edificar palácios ou castelos... 

As migalhas ou farelos do ceticismo, do subjetivismo, do relativismo, das narrativas, do discurso, etc os humanos preferem a posse segura de verdades aparentes, como as que lhe são oferecidas pelo protestantismo, pelo capitalismo, etc Pois como disse Bacon de Verulan, ao ateísmo preferem as fábulas sinistras do Corão ou dos Vedas... Assim a negação da verdade, preferirá esse mesmo homem a mitologia dos antigos hebreus e o fetichismo continuísta oferecido pelo protestantismo.

É o pós modernismo similar a concha, que justamente faz barulho ou ruído porque esta vazia... Ao nada ou ao nihilismo insonso o ser humano prefere mitologias e fábulas...

Damos em seguida com o africanismo - Dos batuques ou atabaques, orissás, comidas de santo, etc ou o indigenismo do cachimbo e do espírito da mandioca - Enfim as construções ideológicas de retorno a cultura ancestral. E o problema aqui é que a cultura ancestral é portadora de um fetichismo, porém de um fetichismo ágrafo ou iletrado, i é, pautado em tradições orais, costumes, etc enquanto que o protestantismo oferece a humanidade um fetichismo associado a um livro. 

Embora tais relações sejam bastante complexas não estou me referindo a pessoas ágrafas ou analfabetas porém a pessoas letradas que aderiram a uma religião não letrada. Se a um lado os iletrados tendem a encarar o livro como divino, os alfabetizados demandam pela segurança do registro escrito... Ao menos no ambiente urbano e ocidental parece claro que as formas de religião centradas no livros levam vantagem face as demais.

Ademais se, por questão de necessidade, a religião ágrafa ou tradicional está quase sempre na dependência da autoridade, a religião do livro sempre poderá acenar com a leitura\interpretação individual e delegar autoridade ao próprio indivíduo, a exemplo do protestantismo. Aqui a técnica exegética ou sua aparência, suplanta o sacerdócio, e, acenando com a liberdade, massageia o ego. 

Sendo assim as possibilidades de domínio por parte do protestantismo, com seu livre exame individual, acabam sendo maiores do que aquelas que foram reivindicadas pelo sacerdócio. Se o livro portador das palavras divinas pode ser interpretado por qualquer indivíduo, o indivíduo, em posse do conhecimento divino, bem pode invocar para si mesmo a autoridade divina. E de fato os fanáticos já não se apresentam como leitores do livro, mas como o próprio livro, reivindicando para si mesmos uma autoridade absoluta. 

Por isso não vejo como a religião primitiva possa rivalizar já com o protestantismo, já com a 'sifilização' moderna. E tenho tais arroubos primitivistas mais como uma moda. Aqui qualquer mínima dose de racionalidade ou empirismo é quase sempre letal. Pois não há, por exemplo, uma válvula de escape como o livre exame, a qual possibilite a criação de uma interpretação diversa.

Outro defeito bastante grave a ser considerado por parte de tais construtos religiosos é a ausência de um aparato ético consistente. Isto a ponto de alguns deles afirmarem-se como 'amorais' - Ora a grande demanda ou a principal demanda do tempo presente é a Ética. Claro que sempre se pode construir uma ética natural razoável... Sem embargo disto o elemento médio ainda edifica sua vida ética sobre fundamentos de caráter religioso, a falta dos quais essa vida ética apenas se esboça.

Sem embargo o supremo defeito de tais crenças - E o espaço onde se encontram com o protestantismo. - é a irracionalidade. De fato além do conteúdo fetichista que leva ambos os sistemas a predicarem sobre a imanência (Violando os limites da demarcação e invadindo os domínios que por direito pertencem a Ciência.) ambos os sistemas pecam pela total ausência de um arranjo racional semelhante a Alta Teologia Católica (Ou Ortodoxa).

Pois embora os conteúdos da fé ou da Revelação divina permaneçam sempre inverificáveis, a fé Ortodoxa e o papismo (A parte do agostinianismo irracionalista.) oferecem uma visão total ou cosmovisão capaz de relacionar organicamente os diversos mistérios e de apresenta-los de maneira sistemática, enfim como um conjunto harmonioso. Formam assim uma espécie de Puzzle, na medida em que cada verdade se vai encaixando até plasmar essa visão unitária. 

Quando observo o africanismo brasileiro (Sobretudo a Umbanda e, em menor medida o candomblé daqui.) o quanto encontro são criações tão sincréticas e irracionalistas quanto esoterismo, a rosa cruz, o ocultismo, etc As quais mostram-se sempre incapazes para satisfazer os intelectos mais exigentes, os quais anseiam por uma conexão orgânica e unidade de conjunto quanto os ensinamentos oferecidos. 

Neste terreno, o padrão apostólico, herdeiro da tradição racional e ética greco romana parece levar decisiva vantagem não apenas sobre os padrões religiosos tradicionais ou primitivos mas também sobre o protestantismo fixado na cultura judaica.

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Conservadorismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc


quinta-feira, 15 de julho de 2021

A metafisicalização das verdades e a deturpação da realidade.

Nobre é a busca pela verdade e preciosa sua aquisição.

Há mais de milênio e meio disse alguém que toda e qualquer verdade procede, ao menos remotamente, do Espírito divino.

De fato qualquer verdade, por ínfima e humilde que possa parecer é como que uma cor ou tom no caleidoscópio do infinito.

Da combinação química presente no molho béarnaise e da formula da água as complexas fórmulas matemáticas que exprimem a realidade da física, assim a Teoria da Relatividade.

Agora por belas e majestosas que sejam certas verdades matemáticas expressas por gênios como Tales ou Pitágoras, Euclides ou Arquimedes, Euler ou Gauss, tem elas seu próprio lugar ou espaço no plano da realidade. 

E mal fica que um Pareto as queira transplantar a fina força para o plano da economia com a esfarrapada desculpada de que é a economia uma ciência exata e assim tão matemática como a física.

Como mal fica a matematicização total iniciada por Descartes e completada por aqueles (Dentre todos por Comte.) que, a modos de novos Pitágoras, aspiraram levar as fórmulas newtoneanas a Filosofia, a Biologia, a Geografia, e assim por diante. E daí surgiram sistemas ideológicos aberrantes.

Não que deseje increpar as matemáticas apenas. Que os matemáticos, face os religiosos, os biólogos, o sociólogos e outros foram humildes. 

Comecei pelos matemáticos e ideólogos matematicizantes, geralmente de inspiração positivista, apenas para obter exemplos.

A partir dos quais a escamoteação da realidade ficasse suficientemente clara, e se pudesse perceber o processo de metafisicalização urdido pelos ideólogos inconsequentes.

O qual consiste em detectar uma verdade qualquer situada em determinado campo da realidade e estende-la a todos os outros campos, qual fosse, um princípio universal capaz de tudo explicar quando na verdade mística e obscurece a contemplação da realidade.

E é esta manobra tão aberrante a ponto de que, quando certo fato nela não se encaixa, destoando do esquema, bastar para que o dito fato - E outros mais - seja negado. E negam-se fatos que são verdades em nome da teoria ou do esquema querido. 

Partindo da fé religiosa por exemplo, que é, do ponto de vista Cristão Ortodoxo e Católico, imutável e autoritativa, concluiu certo grupo, representado de modo geral pelos integralistas, que também a organização política e social deva ser imutável e autoritativa ou autoritária, isto a ponto de apresentarem seu monarquismo ou despotismo e seu conservadorismo tosco como espécie de dogmas de fé (O que de fato converte-os em heréticos.). Quanto ao papismo já disse que o insuspeito Joaquim Pecci ou Leão XIII, desferiu rude golpe sobre tais homens desorientados ao declarar, como era esperado e justo, que a organização democrática é perfeitamente compatível com a fé, o que é igualmente válido quanto a fé Ortodoxa ou qualquer Igreja apostólica. 

Já quanto o conservadorismo tosco, que é um pensamento rasteiro e falsa apreensão da dinâmica social escusado seria que um papa romano, patriarca, Bispo, presbítero ou clérigo qualquer o refutasse.

Afinal quem autorizou tais pessoas a ultrapassarem os limites do sagrado e aplicar as notas que pertencem exclusivamente a revelação divina, a realidade sublunar e as instituições humanas. Agora porque a Revelação divina é autoritativa e divina desde quanto as instituições políticas e sociais devem ser autoritativas e divinas? Nada mais ímpio do que divinizar o humano, pois é aproximar-se da idolatria. 

É o quanto basta sobre nossos irmãos desorientados. 

Passo agora os agostianianos e heréticos da mesma cepa, representados por Calvino e por diversas seitas protestantes, os quais estendem sua crença ímpia sobre a corrupção total da natureza humana e a inexistência do livre arbítrio ou o determinismo sagrado a realidade vivida como um todo. 

E tocando a questão da epistemologia advogam que o homem nada pode saber fora da Revelação, posto que os sentidos e a razão enganam-no. Pronto temos o ceticismo...

Agora como é o homem um ser sempre depravado, apesar da graça e do batismo, é necessário que seja objeto de uma educação repressora. Pronto temos o moralismo ou puritanismo.

E como mesmo essa educação não basta para redimi-lo precisamos de uma estrutura eclesial ou secular com que fiscaliza-lo e disciplina-lo, mantendo-o sob controle. Pronto temos o autoritarismo.

E como todo esse ordenamento procede da fé imutável temos o conservadorismo.

E como a experiência e a reflexão nada são, a ciência - Especialmente se oposta aos mitos judaicos do antigo testamento. -  tampouco vale alguma coisa - Pronto temos o negacionismo, do qual procedem criacionismo, geocentrismo, terraplanismo, etc 

Agora veja como temos aqui um perfil ideológico bem definido procedente do agostianismo/calvinismo com sua antropologia e psicologia estendidas a diversas outras áreas da existência.

E não é para admirar que a mesma criatura que se recusa a reformar a Sociedade ou a moralidade, após ter reformado muito mal o Cristianismo ora pretenda reformar a História, a Geografia, a Física, a Química, a Biologia, a Psicologia e todos os conhecimentos sólidos e seguros aduzidos pelo gênero humano.

É toda uma escolástica de matriz religioso parte parte de um dado equivocado.

Pois aqui não se trata de verdade alguma. No entanto mencionamos a tragédia, por ser correlata ao fenômeno que relatamos quanto a profanação da verdade.

Ainda no plano religioso dos erros temos o princípio individualismo canonizado pelo protestantismo já em seus primórdios, o qual foi sendo sucessivamente secularizado e aplicado a outros campos da realidade pelos protestantes. De que resultou uma economia individualista a que chamamos liberalismo econômico ou capitalismo. Uma negação da política, a que chamamos anarquismo, especialmente a partir de Stirner. E uma proposta 'ética' que conservou o termo individualismo com Ayn Rand, havendo quem por força de coerência sejam protestante, capitalista, a anarquista e individualista - Assim um ANCAP. E temos pessoas com esse perfil nas Igrejas Ortodoxa e romana nas quais as normas e regras são totalmente opostas a esta visão, por partirem de um princípio diametralmente oposto ao individualismo, como o solidarismo ou fraternalismo.

No entanto essa infecção ideológica saiu de controle, deixou seu campo - que era o protestantismo, um campo religioso - e contaminou diversos outros, produzindo alias um sistema de cultura, tanto mais firma nos EUA e tanto mais preciso sob a forma ANCAP, que é produto final de tudo isso.

A partir do anarquismo, surgiu esse negacionismo iconoclástico radical, adversário de todas as instituições e não apenas da política, o qual estendeu-se ou alastrou-se a quase todas as áreas da realidade como uma espécie de rival do conservadorismo. E se o conservadorismo, sem fazer mínima distinção entre bem e mal ou entre o que merece e não merece ser conservado segue seu caminho, o anarquismo, assumindo um progressivismo virulento de origem metafísica, vai pelo extremo oposto. 

No plano institucional esse anarquismo (A que Sorel credita o mérito de o te-lo em conta de incoerente. Rappoport) negou-se a inserir-se onde quer que fosse: Parlamento, sindicato (Sorel, Kropotkin e os seus o fizeram por conta e risco e enfrentaram o repuxo da 'Ortodoxia'.), escola, igreja, etc apregoando a deserção do mundo e a destruição completa do mundo burguês por meio de uma Revolução não poucas vezes sangrenta. Pouco mais tarde completou o anarquismo seu trajeto e coroou sua visão totalizante com a negação da cultura teórica: Da Filosofia, assim da gnoseologia; da ciência, assim da epistemologia e enfim da estética, negando o passado em sua totalidade. Aqui encontrou-se ele com o ceticismo, em parte já secularizado e com o relativismo/subjetivismo kantiano tributário de Lutero e assim de Agostinho. Sem averiguar as possíveis fontes de suas crenças carregou e trouxe consigo o anarquismo, um travo pessimista quanto o passado do homem, no qual viu apenas opressão.

De modo que o partindo da negação do parlamento ou do politico e passando pela negação das instituições atuais, chegou o anarquismo a manifestar-se e impor-se como modelo ideológico completo, aqui sustentando posições céticas e relativistas, ali posições anarquistas (Vide a posição de Feyerabend quanto a pesquisa científica.), e por fim quanto as artes, posições psicologistas que ajudaram a criar essa arte sinistra que é a arte moderna, alias com grande dose que pragmatismo burguês advindo da cultura capitalista. 

Podemos dizer assim que o espírito anarquista alastrou-se pelo universo e consolidou-se em diversas áreas que sequer faziam parte da proposta primitiva. E produziu-se como dissemos uma visão anarquista totalizante, um óculos ou uma lente a partir da qual se busca ver o mundo através da mesma perspectiva e manter certa dose de coerência.

O que queremos dizer ao fim deste artigo é que elementos das matemáticas cartesiana e newtoneana, da Revelação Cristã ou da heresia agostiniana e enfim da postura anarquista - E são apenas alguns exemplos - foram recortados ou descolados e inseridos artificialmente noutras tantas áreas da existência ou do conhecimento de modo a tudo explicarem ou darem origem a visões de mundo que obscurecem a própria realidade. Daí resultaram diversas ideologias ora reinantes como o positivismo, integralismo, o puritanismo, o conservadorismo, o autoritarismo, o determinismo, o negacionismo científico, o irracionalismo, o ceticismo, o negacionismo social, o psicologismo, o modernismo estético, etc todo esse cipoal que não poucas vezes se enlaça e encontra, complicando ainda mais a compreensão e consequentemente a exposição das ideias.






sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

A miséria da arte moderna.

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Baumgarten, Baumgarten... raramente escrevo sobre Estética.

Aqui, mais do que em qualquer outro campo, escrever é polemizar.

Acusado de ser demasiado progressista (rsrsrsrsrs Nem tanto pois meu progressivismo não vem da 'caixola' mas, creia leitor, do passado - E por isso apresento-me como reacionário ou anacrônico. Jamais como conservador pois não creio que muito do que temos HOJE mereça ser conservado!) em moral, política, economia, etc devo ser classificado como 'conservador' ao menos nesta área, alias nesta única área. Conservador face a realidade estético acadêmica do século XIX, assim anti pós modernista ou mesmo modernista neste campo. Ou, como e caso queiram reacionário, ultra reacionário, caso admitamos que o modernismo está mesmo na berlinda. Odeio o pós modernismo e o modernismo com todas as forças da alma, inclusive na gnoseologia, mas, sobretudo na estética.

Então vamos logo ao 'prato' e que temos ai???

Temos arte dirão nossos amiguinhos pós modernistas e modernistas, eu direi que temos expressões meramente subjetivas preciosas para a Psicologia, mas não arte propriamente dita.

E por que não temos arte???

Não temos arte porque este festival de psicologismo é irredutível a qualquer avaliação objetiva ou exata em termos de técnica ou mesmo de ponderação estética. O que temos aqui é apenas emoção ou emocionalismo irredutível a qualquer padrão ou critério avaliativo exato, seguro ou objetivo. É algo que não se pode valorar com segurança ou a respeito de cujo mérito se chegue a qualquer acordo. Decretar que a arte moderna deva ser reconhecida como meritória por todos ou por toda crítica é rematado absurdo, filho de incoerência. Nada pode obrigar-me a mim ou qualquer outra pessoa a reconhecer valor estético nessa 'arte' reducionista e mutilada.

Ok, dirá você. Acaso a arte não deve contemplar a esfera do sentimento e satisfazer esta demanda?

Tolo seria, de minha parte, discordar de você. Claro que um dos aspectos distintivos da arte ou da estética é mexer com os sentimentos humanos. Claro que a contemplação da arte tem por fim despertar o sentimento ou a emoção estética. A fruição dos sentimentos e emoções faz parte efetiva da produção artística, por meio da qual o mundo externo não é apenas representado, mas, aperfeiçoado, na medida em que encontra seu ideal.

Então qual o problema?

O problema é que a parte não é o todo.

Fixar-se apenas e tão somente no sentimental/emocional, no subjetivo apenas ou no psicológico será sempre reduzir ou mutilar a condição humana. Afinal não é este homem apenas sentimento ou emoção e há nele um elemento de razão e outro de experiencialidade, os quais devem estar em comunhão e ser representados numa arte integral.

Certo, o sentimento deve ser posto na obra de arte. Assim a emoção. E deve ela causar impacto emocional. No entanto essa emoção deve ser expressa em comunhão com o racional e dentro de determinadas normas técnicas de execução que possam ser objetivamente mesuradas. Do contrário jamais poderemos avaliar esta arte.

Após o sentimento ou a emoção deve ser considerada pela crítica o elemento objetivo, racional ou técnico. A harmonia entre as tonalidades de cores, como salientou Van Gogh a respeito das magníficas telas de Millet; a forma do desenho, a perspectiva, etc Como deixar de considerar estes aspectos presentes na natureza???

Dirá você que o inconsciente não conhece normas e que a arte atual é expressão de um mundo onírico isento de regras. Então é apenas uma expressão psicológica de uma vida interior ou emanação das profundezas da mente. Algo que se reduz a psicologia ou fenômeno psicológico... Neste caso para que manter a farsa ou a encenação aparatosa dos concursos e prêmios??? Como distinguir expressões meramente psicológicas ou mentais umas das outras. Se por princípio todas as manifestações do inconsciente tem o mesmo valor (que é meramente subjetivo!) como premiar uma e não outra??? Em que uma simples manifestação da atividade mental ou da imaginação é, em si mesma, superior a todas as outras. Apenas a forma, vazada na técnica, pode comunicar superioridade ou inferioridade... E para a arte moderna e irredutível a qualquer controle externo e objetivo, a forma não é nada. E já não existe norma ou regra que nos permita julgar esta produção, declarando que uma seja melhor ou pior do que todas as outras. O que você tem ai são expressões livres do inconsciente... Como levar tais expressões a um concurso e premia-las como se melhores fossem???

Elaborações meramente subjetivas e fora de qualquer controle objetivo por ausência de normas não podem ser julgadas.

É exatamente por isto que X ou N podem enlatar as próprias fezes ou grudar catarro em folhas de papel e proclamar que é arte, arte moderna...

Mas que há de estético ou de verdadeiramente belo em cocô enlatado ou em escarro espalhado sobre o papel???

Bem se vê que a arte psicologista ou do inconsciente perdeu por completo seu sentido. A ponto de ignorar a contemplação estética de um ideal harmonioso ou a dimensão do belo.

Esta arte se contenta em impactar emocionalmente. Como se a outra, a formal ou acadêmica não contemplasse este aspecto há muito tempo ou a milênios. Como de a contemplação de um Polikleitos ou de um Parrasio não suscitasse absolutamente nada nos homens... Como se alguém pudesse permanecer indiferente face a obra de um Praxísteles ou de um Apeles!!! No entanto, além disto, havia norma e regra, uma técnica de execução a ser objetivamente avaliada ali. E bem se poderia justificar a excelência de um Fídias face a seus rivais sem maiores problemas...

Uma arte que se esgota na emoção ou no sentimento e que se proclama livre ou acima de todas as regras, além de trivial e fácil não pode ser avaliada.

É trivial porque qualquer criança pequenina, a qual seja dada papel e tinta, pode executa-la perfeitamente. Basta espalhar as cores com os dedos sobre o papel, tudo misturando... ou ensaiar algumas formas obscuras ditadas pelo senhor inconsciente. E alí estão as obras primas da arte moderna!!! Executadas por qualquer nascituro... Diante disto como premiar o pintor X ou o escultor N??? Se qualquer moleque recém nascido é capaz de exprimir a mesma coisa???

Mas a ser trivial é esta nova arte fácil e este é seu problema central ou basilar. Posto que não precisa ser estudada ou aprendida. É arte que não demanda esforço algum. Arte que não precisamos beber junto a um mestre consumado.

Admitida a arte sem compromisso da facilidade, a verdadeira arte, que demanda esforço ou aprendizado torna-se vulnerável ou posta a morte e ao desaparecimento e por isso mesmo, a concepção psicologista ou modernista da arte não deve ser encarada como algo inofensivo pelo filósofo mas como algo monstruoso. Afinal de contas por que qualquer artista iniciante haveria de tomar a senda estreita de um Delacroix ou de um Canova, ou de um Thorwaldsen se para obter a glória basta-lhe rabiscar ou bater com o martelo num bloco qualquer?

Dizer que todos são artistas criadores de obras primas é dizer que não há artista algum ou obra prima alguma. Mas... você sempre poderá aprender e criar pautando-se ao menos em algumas regras, o que de fato abre espaço ao talento.

Como sempre a esquerda desorientada adorou a demolição da arte acadêmica ou 'burguesa' - e assim relativa... Pelo simples fato de que todos os homens, especialmente os miseráveis, que não teem acesso ao estudo, a aprendizagem ou a formação, poderem apresentar-se como artistas, dentro de um padrão de igualdade absoluta.

Concedo que o monopólio estético da arte caiu nas mãos desta burguesia sem consciência, e que a arte acadêmica, em sua esfera, foi amiúde acrítica e servil. Que os donos do poder se tenham apropriado da beleza em proveito próprio é fato que deploramos. Aos simples e restou apenas o trabalho bruto e insano, e a criação do que chamam arte popular ou mesmo de massas, a qual nem sempre é alheia a cânones e regras... E nem sempre é feia ou isenta de méritos. Alias é sempre significativa quando a falta de técnica ou preparo aspira por um ideal de beleza a que não tem acesso.
Tal o contesto a partir do qual os comunistas e anarquistas (Sobretudo estes porquanto a URSS conheceu uma arte Realista, em que pese seu engajamento!) passaram a encarar a supressão das normas no domínio da arte como uma espécie de pré revolução ou peristilo da revolução... E tornaram-se eles iguais por essa nova arte antes de se tornarem verdadeiramente iguais quanto a vida social. Foi uma igualdade funesta. Por ter privado parte dessas massas da contemplação da beleza a que por vezes tinham acesso. A qual a um lado serenava e a outro educava... Contemplar a Notre Dame ou o Partenon jamais deixou de ser catártico para quem quer que fosse.

Mas essa ideia pós modernista, que implica encarar todas as manifestações livres do inconsciente como artísticas equivale, no plano da economia, em transformar todos os cidadãos em milionários pelo simples fatos de acrescentarmos alguns zeros a direita dos centavos, convertendo-os em milhões... Seria como nivelar todos pela mesma miséria após ter destruído todas as riquezas. Belo nivelamento, em que todos se tornem iguais pela falta ou pela carência! Quanto valia o título de cidadão romano quando a todos foi oferecido por Caracalla??? Devia valer muito pouco, se é que valia algo! Tornaram-se todos cidadãos por decreto porque a cidadania nada mais significava. Hoje a modernidade reconhece que todos os homens são artistas em estado de natureza justamente porque... Tire suas conclusões enquanto nas tais exposições de arte moderna oferecem fezes enlatadas ou catarro espalhado sobre o papel... Por que não engarrafam peidos???

A arte moderna não vulgarizou ou popularizou a arte. O que demandaria educação, escolaridade, alteração das estruturas, clamor, revindicação, etc A arte moderna demoliu a arte enquanto auto suicídio da arte e só podemos compreende-la a luz da imensa miséria produzida pelo capitalismo, tal e qual o fanatismo religioso, o pragmatismo, o ceticismo... Tudo miséria oferecida pela miséria. É forma de alienação por apartar o homem de um ideal de beleza que o acompanha desde Lascaux e Altamira, e que o fez erguer soberbas pirâmides e catedrais preciosas. A malignidade da avareza apropriou-se deste universo de beleza, a imbecilidade dos modernos negou-o.

Mas se enfim o que este homem moderno deseja é apenas chocar-se ou experimentar sensações análogas aos que experimentam aqueles que se atiram do Bungee Jump... Se objetivo é apenas fruir de sensações cegas e incontroláveis, inconscientes e irredutíveis a razão. Não há o que discutir. O homem se joga em seu próprio vazio, este homem mutilado e sem sentido. O problema aqui seria descobrir que sobre este ou aquele aspecto estas idolatradas forças do inconsciente não são seguras, ou que são destrutivas... Abismos há, ou fossas, cujas tampas só deveriam ser alevantadas num bom consultório de psicologia. Já disse, tais expressões, como exposições de arte moderna, são imensamente ricas (E eu mesmo a elas vou, como estudioso da psicologia humana - Alias sob seu aspecto patológico - ) do ponto de vista psicológico ou da anormalidade mental. Como expressões de arte são apenas o 'nada absoluto' ou a negação.

Sei que meu posicionamento chocará há muitos. Mas sei que serão apenas os psicologistas que satanizam o controle racional e que super valorizam a afirmação de um inconsciente irredutível a normas em todas as dimensões da atividade humana. Como disse não sou nada otimista face a estas forças cegas que se acham do outro lado da porta!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O ateísmo, o agnosticismo, a Kalokagatia e a morte da estética III - O sentido e as aspirações frustradas

"A existência sem a música seria um equívoco." Nietzsche 



Ao tecer suas considerações sobre o 'ateísmo' militante ou proselitista o sensato John Gray - e não o bispo Fulton Scheen (mas bem poderia ter sido ele) - publicou um fragmento bastante curto mas nem por isso pouco extenso e profundo, pelo contrário seu significado é vasto, então 'Verbi gratia':

"A crença no progresso é uma relíquia da concepção Cristã da Historia... Um ateísmo intelectualmente vigoroso começaria por questiona-la." 2011 p 332

E por ser completo ou mostrar fundamento, remete-nos a leitura de uma obra tão clássica quanto insuspeita ( Seu autor é um irreligioso confesso. ), a "Towards the ligth..." de Grayling.

Por coerência meus amigos ateus deveriam principiar abraçando a única opção que parece estar de acordo com sua ideologia - O nihilismo. Por via de escolástica ou de coerência lógica o ateísmo conduz necessariamente ao nihilismo, ou a abdicação de qualquer sentido ou direção quanto a existência humana. Claro que nossos antagonistas sempre poderão dizer, com os anarquistas, que a lógica, a coerência, a racionalidade... são formas de controle ou de dominação rsrsrsrsrsrsrs de autoritarismo enfim. Começaram tentando demonstrar racionalmente que Deus inexiste, e agora refugiam-se na palhoça do irracionalismo...

No entanto se usam de argumentação racional com o objetivo de demonstrar que não existe deus algum - e é evidente que me refiro ao Deus dos filósofos e não ao Deus da fé ou da Revelação.  - por que raios não levam essa argumentação adiante? Por que abandonam-na no meio do caminho? Por que não fazem o trajeto em sua completude?

Simples - Porque sem uma mente ordenadora, um ente organizador, um legislador supremo, uma consciência transcendente em comunhão com a Imanência, não podemos falar em qualquer sentido, direção ou tendência histórica. Toda direção supõem necessariamente um objetivo a ser alcançado e este um plano. Mas como pode haver plano sem que haja Planejador, mente ou consciência???

Concordamos com os cientificistas, ateus, materialistas, etc Não se pode discutir e menos ainda impor o 'Design inteligente' em aulas de Biologia. Teoricamente as aulas de Biologia deveriam contentar-se com os 'fatos' em sua simplicidade. No entanto, se assim o é, por que raios o Biólogo Dawkins e tantos outros teem o direito de negar o sentido e portanto de fazer metafísica ateística em nome da Biologia e da ciência??? Eis a contradição... Pois há centos de Professores de Biologia vendendo metafísica ateística em nome da ciência em nossas salas de aula. Não deveriam interpretar ou especular em torno do fado evolutivo, mas o fazem e sem maiores cerimônias! Raramente nos deparamos com aulas verdadeiramente científicas, factuais e portanto agnósticas.... No entanto apenas a metafísica teísta tem levado a carga, não a de Mr Dawkins e seus companheiros, apóstolos do ateísmo.

Tudo bem removamos o design inteligente do campo da Metafísica e substitua-mo-lo pela nova moda, do Caos. Diante disto poderemos falar em tendência, direção ou sentido??? Certamente que não. Mas é díficil encarar a Evolução das espécies e a manifestação da auto consciência, da razão, da liberdade e da Ética sem dar com a tendência. Basta pensar, refletir, ponderar... por alguns instantes. Daí - Fuga pelo irracionalismo. Pera lá, mas não somos nós que até agora argumentávamos racionalmente contra a existência de Deus??? No entanto quando chegamos a contemplação do fenômeno humano em sua especificidade e o trajeto porque chegamos até aqui, fica difícil ignorar a questão do sentido.

A maior parte dos neo ateus no entanto teimam, obstinadamente, em apresentar a velha fé redentora assumida pelo positivismo e portanto transplantada da religião, alias Cristã, aos domínios da natura... E atribuem essa redenção, sob o nome de progresso, a ciência. O credo de Dawkins, Dennet, Hitchens, Amis, Pulmann e outros tantos apóstolos do neo ateísmo continua sendo o Progresso técnico oferecido pela divina ciência. Progresso diante do qual tecem as mais absurdas, desmioladas e idealistas conjecturas... a ponto de imaginarem-se compondo poemas Épicos, sinfonias e mesmo santuários a nova divindade Redentora que conduzirá a humanidade num paraíso, ou melhor que converterá nossa terra num paraíso de esplendor... O 'Hino' é cristão, mas a ideologia comum, ao Cristianismo e ao neo ateísmo com seu legado positivista totalmente ultrapassado...

De nossa parte o quanto fazemos é perguntar-nos sobre o pôrque dos ateístas não terem lançado as favas esse resíduo secularizado da fé e de uma fé redentora? Temos que questiona-los e de perguntar-lher sobre o pôrque de não terem canonizado o nihilismo e negado o sentido da existência. Possível é duvidar, questionar, silenciar... embora seja já doloroso. Agora concluir pela total falta de sentido ou pelo absurdo da existência, e, enfim, pela malignidade essencial da razão até aborrecer a auto consciência de si mesmo parece ser para poucos, muito poucos. Demandando alias a elaboração de um discurso eficaz destinado a impedir que homens convertam-se em lemingues. Camus teve de elaborar tal discurso para que o suicídio não se converter-se em epidemia. E no entanto os países agnósticos ou materialistas - que contam com o maior número de ateus, embora eles jamais constituam a maioria! - nos quais a sociedade atingiu os melhores índices em termos de condição humana, são os que apresentam os maiores índices de suicídio e isto a ponto de preocupar as autoridades.

Dir-se-a que em tais países as pessoas dão cabo da própria vida porque enfrentam uma condição de miserabilidade extrema. Em se tratando da Suécia, da Dinamarca, da Finlândia, da Noruega, da Holanda, etc a pressuposição acima é absurda, pois o estado de bem estar social cuida de todos. Então por que se matam? Afetando sabença, os apóstolos do ateísmo, apelarão certamente ao clima - Falta de luz solar, sombras, nuvens, frio... A explicação até parece boa, mas temos que considerar que a epidemia de suicídios é recente, tendo acompanhado a ascensão da irreligiosidade. Já o clima, como qualquer um sabe, é elemento constante, cujo 'tom' remonta há milênios...Diante disto qualquer um de nós pode perceber o tamanho da falácia. O clima não explica absolutamente nada... pois não sofreu qualquer alteração sensível no tempo presente.

Claro que a questão não sendo social - Já parou para pensar que nas favelas do Brasil ou nas 'Vilas' da América latina a taxa de suicídios é bem menos do que nos países acima citados? - conduz-nos a uma questão muito pouco agradável a nossos amigos ateus que é a questão existencial, i é, a questão já alardeada em torno do sentido da existência. Essa questão foi proposta inúmeras vezes sob diversas formas e temos as versões de - Marco Aurélio, Agostinho, Pascal e Kierkegaard, dentre outros...

Claro que há ateus valorosos. Os quais apresentando o fenômeno humano como um golpe de sorte ou um acidente provocado pelos átomos que giram eternamente (Hume), declaram não haver sentido ou finalidade alguma. E não podem fugir a conclusão segundo a qual a consciência de si, que pela negação do sentido implica frustração, equivale a uma aberração, enquanto que a razão chega a ser comparada a um verme que nos corrói por dentro e nos incomoda, e nos martiriza com essa busca utópica pelo sentido. Sentido, objetivo, direção, finalidade, tendência que nos remete sempre a um Deus.

Assim o tributo pago ao ateísmo, jamais poderia ter sido barato, e foi o nihilismo.

O que questiono aqui é a leviandade dos neo ateus que não estão dispostos a pagar o preço estipulado e que continuam a enganar a pobre humanidade a partir de uma fé seculariza e a anunciar, não menos que Karl Marx, que a ciência e a técnica nos abrirão as portas do paraíso na terra. Sendo assim comecem a pinta-lo e a publicar revistinhas como as testemunhas de jeová! De fato, sua ciência tecnicista até poderia (o fato é que não pode), eliminar todos os sofrimentos que o homem impoẽm ao outro homem (isto é tarefa precípua da Ética. Ética que o positivismo sempre negou). No entanto como declara Tasso da Silveira, jamais poderia eliminar a consciência de nossa finitude face a vastidão imensa do universo. Jamais poderia eliminar o drama existencial que nos persegue onde quer que estejamos.

Fato é que os ateus não são capazes de eliminar este drama cósmico e tampouco a busca do homem pelo sentido da existência em que foi lançado. Remetemos mais uma vez o amigo leitor a John Gray - "A religião não foi embora. Reprimi-la é como reprimir o sexo. Tentativa fadada ao fracasso." p 335. A bem da verdade, mesmo aqueles que não creem, continua o mesmo Gray - inspirado por um senso de realidade muito superior ao de S Freud - o que deveríamos tentar fazer é investigar quais sejam as formas menos evasivas e mais evoluídas em termos de religião, para tentar educar e moldar este impulso da melhor maneira possível. Comunicar-lhe formas mais amenas e humanas, deveria a ser a meta de todos nós, inclusive dos ateus mais inteligentes, que dispensam a existência de um Nous ou de uma revelação. Deixar tal impulso entregue a si mesmo ou descurado, implica uma total falta de responsabilidade pela qual pagaremos muito caro. Mas os ateus continuam adotando padrões irracionalistas - Combatem como Dawkins, as fés mais evoluídas - Que tendo assimilado algum elemento racional aspiram compor-se com a ciência e promover o homem - e apoiam, ao menos indiretamente as religiões atrasadas e rudimentares, declarando que as religiões devem ser necessariamente fundamentalistas e fanáticas. Em certo sentido odeiam mais ao espiritismo, aos catolicismos e ao budismo do que ao islã e ao pentecostalismo, os quais de modo algum temem.

Por que teci tantas conjecturas de o tema deste artigo é a estética ou a beleza?

Um amigo a quem muito prezo, alegou que há algumas almas fortes que apegam-se a religião tradicional devido a questão da estética, da beleza, da arte, etc Mas me parece que ele não consegue penetrar o porque desta petição estética ou deslinda-la, talvez porque creia, não o sei, que a beleza, ou seja relativa nos termos de um Kant e dos modernistas, ou seja supérflua.

É a questão que tentei responder neste três artigos, chegando a conclusão.

Na hipótese da escolástica ateística do nihilismo ou na total falta de sentido quanto a existência não nos deveríamos preocupar nem com a Beleza, nem com a Bondade... Bastar-nos-iam a verdade isolada. Feia ou isenta de beleza. Existiria apenas uma verdade dura e uma dura verdade, beleza e bondade seriam utopias ou ideias relativos construídos pelo homem em sua prisão ou cubículo universal. Temos uma ideal e uma fome de beleza, mas ela não existe fora de nós ou sequer existem em si mesma. Diga-se o mesmo da bondade...

Há muito que os ateus sacrificaram á estética, ignoro sérias reflexões em termos de estética feitas por ateus. No mais do mais contentam-se com as opiniões já expostas de Kant... A Ética foi oficialmente abandonada pelos próprios positivistas e todas as tentativas de produzir-se uma Ética - E ME REFIRO É CLARO A UMA ÉTICA HUMANISTA QUE PROTEJA E PROMOVA O SER HUMANO - em termos de biologismo evolucionista (Spencer - Darwinismo social e Kropotkin) ou de pragmatismo tem sido desastrosas, jamais atingido o fim a que se propuseram. Ateísmo e materialismo não tem sido bem sucedidos no sentido de produzir uma ética eficaz... Gray com absoluta razão refere-se a essas falhas terríveis, sobre as quais ateu algum gosta de refletir, em termos de Nazismo e Comunismo, e bem poderia adicionar o formalismo jurídico de Kelsen. Além disto tem o ateísmo em sua quase que totalidade tem pactuado com o liberalismo econômico ou Capitalismo que é outra cultura de morte e matriz das demais culturas de morte.

Já quanto a produção estética ainda não chegou o dia em que gênios ou ateus inspirados haverão de compor os magníficos dramas, loas, sinfonias, poemas épicos, catedrais, conjuntos esculturais, etc em homenagem a ciência. O ateísmo tem sido estéril em termos de produção artística, exceto quando ateus fazem petição a fontes de inspiração religiosas ou mesmo cristãs... Pior, quando produzem alguma arte é sempre a prostituída arte de Kant, psicologista, subjetivista, anárquica e sem regras... Fruto se sonhos caóticos e pesadelos tenebrosos. Coisa que qualquer moleque de dois anos bem podia fazer rabiscando sobre uma folha ou mesmo, acreditem, cagando! No setor do modernismo talvez encontremos os gênios do ateísmo, ineptos para traçar a perspectiva de um desenho, para misturar as cores com delicadeza, para fazer arranjos, para obter rimas preciosas, etc, etc, etc Claro que se não há regras ou normas objetivamente fixadas para a confecção da obra de arte, a avaliação de que é objeto só poder arbitrária, em termos de um 'gosto' sem qualquer justificativa plausível.

Bem o que eu quis e quero dizer que a busca pelo sentido, tal como fora compreendida pelos antigos gregos, compreende não apenas a verdade... pois a verdade sempre poderia ser 'Não ha verdade alguma' rsrsrsrsrs ou 'Não há sentido'. A verdade para esgotar plenamente o sentido da existência deve estar necessariamente acompanhada pela bondade e pela beleza. A bondade e a verdade devem ser belas. A beleza e a bondade devem ser verdadeiras e a verdade e a beleza devem ser boas. Assim se manifesta plenamente o sentido da vida que todos buscamos. O Bom, o belo e o verdadeiro foram uma Unidade inseparável ou uma Trindade ideal no dizer de Flaubert. Até podemos substituir a religiosidade pela contemplação estética a maneira de Gautier, o que não podemos fazer é substituir a contemplação estética por qualquer outra coisa sem mutilar-nos a nós mesmos. A dimensão estética da vida faz parte de nossa integralidade e, se a religião busca satisfaze-la e o ateísmo não - mostrando-se insensível - a questão esta revolvida - O ateísmo é bisonho por reduzir a dimensão da existência a uma verdade gélida e fria...

"Deus não existe." declara o ateu. Ótimo em que isto nos tornará melhores e como produzirá beleza??? Ah não estamos em posse de padrões essencialistas que nos tornem melhores em sentido unívoco pois a Bondade é relativa e o homem seu supremo critério (Excelente, então deixemos o torturados torturar e o estuprador estuprar e cessemos hipocritamente de condenar Hitler, Stalin ou Bush fundamentados em nossas opiniões individuais! ). Já quanto e beleza, podemos bem passar sem ela???

Mas eu sinto uma necessidade intrínseca pela beleza ou uma demanda pela estética e pela arte que o ateísmo jamais satisfez ou satisfaz e por isso julgo-o inadequado e suas dissertações em torno de uma verdade estéril, irrelevantes. Minha sensibilidade estética opõem-se ao ateísmo por ser improdutivo... Essa busca por um a beleza ideal é que conduz-me a um Fídias, a um Praxisteles, e um Polignoto, a um Parrásio, a um Tirtaeus, a um Terpandro, a um Homero, a um Sófocles, a um Ésquilo, a um Eurípedes, a um Vírgilio, a um Estácio, a um Dante, a um Camões, a um Cervantes, a um Tasso, a um Milton, a um La Fontaine, a um Shakespeare, a um Moliére, a um Bach, a um Mozart, a um Bethoveen, a um Dellacroix, a um Millet, a um Schaeffer, a um G Doré, a um Calixto, a um Pedro Américo, a um Meirelles, a um Bilac, a um Raimundo de Menezes, a um Martins Pena, a uma Anna Pavlovna, a um Nijinsky, a um Ray Conniff, etc Nenhum dos quais era ateu ou inspirou-se no ateísmo. Muito pela contrário a maior parte destes homens que buscaram saciar a sede estética de seus companheiros e que se esforçaram para tornar este recanto um pouco mais belo eram em sua quase que totalidade Cristãos e mais Católicos! Recomendo a leitura de 'O gênio do Cristianismo' de Chateaubriand. As almas insensíveis, superficiais e vulgares não compreenderão esta obra magnífica - Teve gente da igreja que não pode compreende-la (Os agostinianos é claro) - Sócrates, Platão, Aristóteles, Parmenides, Anaxágoras, Xenofanes, etc compreende-la-iam...

E as arrevezadinhas demonstrações ateísticas de Onfray ouso opor apenas as Catedrais francesas, alemãs, italianas e inglesas... ou o Partenon, mas falar no Partenon seria pura covardia. Esperemos enfim que os apóstolos do neo ateísmo possam o quanto antes brindar-nos com um Partenon ou com um Taj Mahal...

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O ateísmo, o agnosticismo, a Kalokagatia e a morte da estética II

Continuação


"A beleza salvará o mundo" Dostoeffsky




Após Baumgarten ter retomado o tema da estética, foi Kant que pela primeira vez propôs sua revisão ou releitura à la 'Germânica' quero dizer, a moda alemã.

Não foi sem razão que I kant foi descrito por alguém como sendo o 'Copérnico' da Filosofia.

E já veremos que se trata de um Copérnico as avessas ou invertido. Afinal Copérnico avançou da terra ao Sol, desbancando o geocentrismo, o qual em última análise era apenas disfarce com que se ocultava o nosso insopitável antropocentrismo. Queríamos ser o centro das atenções. Queríamos que nossa terra constitui-se o centro do universo. O diácono polonês deslocou o centro do sistema para o astro rei, merecendo inclusive  os insultos de Martinho Lutero.

Non Kant...

Kant fez o percurso oposto no campo da Filosofia, ou melhor da epistemologia, colocando o homem ou sua vontade no lugar do Objeto ou da coisa, enquanto centro do processo cognitivo. O qual fica sendo precipuamente psicológico, subjetivo ou voluntarista, não sensorial, não racional e tampouco conceitual como supunham os helênicos em sua maior parte.

É verdade que parte dos críticos Católicos tendem a espinafrar com o francês Descartes e com o inglês F Bacon, buscando responsabilizados pela balburdia subsequente e futuro descrédito da Filosofia. Assim o Pe Leonel Franca, em seu curso de Filosofia editado pela Agir, assim Tasso da Silveira em diversas de suas obras de crítica literária.

Tampouco os Católicos, assim Jacques Maritain, no Humanismo integral e um Ortodoxo, Berdiaeff na Nova Idade Média abstiveram-se de assestar suas baterias contra o Renascimento. Afinal como poderia um agostiniano ou alguém influenciado pelo agostinianismo ou por qualquer tipo de antropologia negativa ou pessimista compreender o Renascimento, o dealbar do espírito científico ou mesmo a doutrina social da Igreja???

A respeito de Bacon e Descartes, tudo quanto tentaram dizer a seus contemporâneos é que a ciência empírica não podia sair da Metafísica. Não se tratou aqui de negar radicalmente a Filosofia, a especulação ou a razão e a formulação de conceitos; mas de criar-se um nicho específico para a ciência e de fornecer-lhe um aparato metodológico próprio assim a dúvida metódica, Descartes e Bacon jamais postularam a dúvida  metafísica ou invencível de Pirro, Timon, Carneádes, Enesidemo, Montaigne ou Hume. Mas dúvida construtiva e provisória no campo da ciência.

Grosso modo Descartes limita-se a tomar Agostinho quando elabora uma metafísica imanente a partir do eu e portanto psicologista, sem no entanto negar o valor da antiga. O 'Penso logo existo' e portanto a consciência de si como ponto de partida para a demonstração do mundo externo e de Deus já se encontra presente na obra de Agostinho e temos de admitir que é uma abordagem válida. Ademais Descartes desenvolve-a sempre segundo os princípios da razão - assim suas Meditações sobre a existência de Deus - jamais contestando os princípios da lógica formal (como o de contradição) ou pondo em dúvida as conclusões sacadas as premissas.Toda esta argumentação é escolástica ou metafísica e tradicional.

E Hume? Hume é uma reedição inglesa e tanto mais sofisticada de Pirro ou melhor de Enesidemo. Por Victor Brochard somos informados que quase tudo dele já estava lá, presente em Arcesilau, Carneádes, Enesidemo...

E Kant?

Kant não.

Kant faz uma metafísica cerrada em torno do irracionalismo e tenta demonstrar racionalmente a incapacidade da razão, ao menos para metafisicar.

É verdade que ele reconhece que nossa ciência é válida quando descreve fenômenos, sabendo que os fenômenos não passam de aparência. A ciência não toca a realidade íntima das coisas. Nada toca.... Ficamos conhecendo aquilo que ao menos em parte elaboramos uma vez que a realidade externa do ser é em parte ao menos elaborada por nossos sentidos ou por categorias impressas por nós. Fabricamos, ao menos em parte, a realidade externa do mundo. Nossos sentidos não nos informam sobre a coisa ou o objeto, alteram-nos, transtornam-no e portanto enganam-nos... O quanto podemos dizer sobre a ciência é que por vezes funciona e não que nos informa fielmente sobre o ser, o ser fica sempre oculto, misterioso e intangível.

Julgamos ter diante de nós um objeto externo que é o universo, mas temos apenas uma ideia ou uma elaboração da nossa vontade. Eis o sr voluntarismo ou idealismo, filho do psicologismo crasso ou da epistemologia subjetiva e antropocêntrica responsável pelo deslocamento do processo cognitivo do objeto ou da coisa conhecida para o elemento cognoscente. Foi de fato uma Revolução, uma Revolução germânica, uma Revolução individualista, filha legítima da Reforma protestante. Uma contra Revolução caso tomemos por parâmetros a escolástica ou a Filosofia clássica. As raízes de tudo isto remontam é claro a Agostinho, passam pelo sunitas Achari e Gazalli, confluem para Ockan e os franciscanos e chegam a Lutero, o qual toma Aristóteles por seu supremo inimigo após o papa romano e a racionalidade por uma prostituta louca. Afinal não fora este homem transtornado pelo pecado original? A ponto de assemelhar-se a um pedaço de pedra ou de madeira...

No entanto como se sustentarão a ética e a estética sem uma epistemologia objetiva ou realista que lhes sirva de suporte? Não se sustentarão. Pois o kantismo ou criticismo e o positivismo lançarão dúvidas cada vez mais sérias sobre tudo quanto não seja absolutamente empírico.

É sempre a aplicação dos mesmos princípios e reedição da mesma teoria irracionalista. A fonte da sensação estética nada tem a ver com a contemplação racional de formas definidas conforme determinado cânone estético. É subjetiva, irracional e portanto arbitrária. A fruição da beleza estética é puramente subjetiva ou melhor solipsista. Sou eu que julga algo belo ou feio com critérios psicológicos válidos apenas para mim. Resta nos perguntar por que a rebelião modernista demorou tanto tempo para ocorrer? Se as portas já estão abertas para o dionisíaco de Nietzsche i é para as emoções, os impulsos, os instintos, os desejos... enfim para tudo quanto seja psicológico ou oposto a razão, até que a uniformidade racional seja comparada a uma tentativa de controle ou a uma espécie de autoritarismo. Pois esta arte puramente psicologista não conhece quaisquer regras.

O mundo a ser reproduzido aqui não é mais o mundo externo reduzido a hipotéticas formas puras, mas o mundo interno da mente, do inconsciente, da fantasia, da imaginação desbragada, do sonho ou mesmo do pesadelo, onde cada um reformula a realidade externa e é regra absoluta para si mesma. Este mundo interno que a razão pretende controlar é emancipado por Kant, ao menos no terreno da arte e da estética. E nada mais existe de absoluto neste terreno, o feio e o belo são eternos relativos.

A pouco nos perguntamos sobre que evento teria impedido ou evitado um desabrochar do modernismo logo após Kant? Por que tivemos de esperar até Nietzsche? Por que a perspectiva, a rima e os arranjos não tombaram de imediato e saíram logo de cena ao cabo do século décimo nono?

Aqui, paradoxalmente, o positivismo recusou-se a seguir Kant ou a acata-lo. Mas como se deu isto? Aqui a estética foi mais feliz do que a Ética, pois esta carecia mais do que aquela de um fundamento superior ou invisível. E esses mesmos sequazes de Comte, que liderados por Litreé repudiam a ética essencialista e toda ética, apresentando-a como absolutamente relativa ou cultural, recusam-se a privar-se da beleza em sua expressão clássica definida, e sentem necessidade dela. Eles simplesmente tomam os cânones estéticos da civilização clássica e afirmam sua objetividade em termos universais, sem no entanto levar em consideração os fundamentos metafísicos desta elaboração clássica levada a cabo por Platão e Aristóteles. É como uma cabeça separada de um corpo ou um castelo desprovido de seus fundamentos, a estética  neo clássica dos positivistas tem sua base no ar ou no nada, e por isso tomba miseravelmente ao primeiro sopro da rebelião modernista com seu ideário psicologista.

E pensar que esses positivistas, cientificistas, ateus, agnósticos, materialistas... ergueram magníficos templos a 'religião da humanidade' nos mesmos moldes que os antigos templos pagãos e que as igrejas Católicas. E que elaboraram um ritual secularizado com que substituir as cerimônias pagãs ou a missa... Eles assumiram um aparato estético e não o fizeram a toa... Sabiam o que estavam fazendo. Embora o positivismo fosse um programa quase que completo - pelo simples fato de negar a dimensão ética da existência - tinha sérios defeitos estruturais e por isso veio a tombar após um efêmero esplendor.

Fora das velhas igrejas, ora convertidas em baluartes do quanto havia de clássico sobre a face da terra, o modernismo campeou triunfante. Em poucas gerações nosso homem fatigou-se da feiura oferecida e chegou a crer, e ainda cre, que a estética ou a contemplação da beleza é algo supérfluo ou dispensável. Cem ou quarenta mil anos após a elaboração das primeiras obras de arte no recôndito das florestas ou das cavernas, homens há que tem feito o caminho oposto. E eles até se vangloriam de estar em posse de altas Verdades, desvinculadas da ética e da estética, perdendo de vista o ideal da kalokagatia.

No próximo capítulo diremos o que pensamentos a respeito de tais ideologias, porque nos frustram e que esperávamos delas.

Continua -