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sábado, 20 de maio de 2017

A realidade política do tempo presente: PSDB, PT, Temer, Aécio, Lula, Corrupção, Eleições, Globo... II





01 . Apesar da Globo não prestar ou ser canalha isto não torna Temer nem inocente nem
desejável. Meu ódio a Globo não me torna estúpido ou cego.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/gloria-aos-pastores-que-usaram-seu-pulpito-para-demonizar-dilma-e-divinizar-temer-e-seus-ladroes/



02. A Globo pode muito bem estar temendo a construção de mais um poder paralelo a

sinistra bancada evanjéguica - fundamento pétreo do governo golpista. Se receia desta

bancada - Em que Temer tem se escorado repetidamente - ao menos aqui mostra ter

juízo - A merda tem de ser limpada antes que feda mais


Recordemos que a bucha estourou horas antes do Temer ter ligado para o papa

Malafão pedindo arrego ou melhor bençãos para seu pacote de maldades.



03. Temos duas soluções possíveis: A solução justa e a mais excelente > O retorno de Dilma

Russef ao poder, é esta minha opção preferencial.


Afinal um processo iniciado pelo mafioso Ed Cunha e arquitetado pelos bandidos Aécio e

Temer a testa de um Congresso pestilencioso é nulo de todo valor. Contaminado,

viciado, ilegal, ilegítimo, arbitrário. A melhor saída para o golpe é sua anulação e a

retomada do estado democrático de direito


Todavia caso esta opção se torne impossível, o mal menor corresponderia a convocação

de ELEIÇÕES DIRETAS numa perspectiva pragmática seria a melhor das saídas

possíveis. Alias a luz da doutrina de John Locke, o parlamento brasileiro como um todo -

O qual mais parece a caverna do Ali Babá com dez vezes mais ladrões - deveria ser

dissolvido, sucedendo eleições gerais.


Nenhuma submissão a este parlamento corrupto e venal, em termos de eleição indireta,

sob qualquer alegação, deve ser aceita pelos cidadãos livres. Caso seja necessário o

Congresso deve ser ocupado pelo povo e colocado nos trilhos, exatamente como se faz

em certos rincões do pais. Não podemos deixar, em hipótese alguma esta decisão ao

encargo dessa latrina chamada Congresso.


O retorno de Dilma ou eleições livres NÃO HÁ TERCEIRA OPÇÃO!






04. Claro que devo mencionar sim eleições livres por simples petição a realidade.

Digo isto porque vi os jovens valentões berrando por vinte centavos ou gritando contra a

Dilma, MAS DE MODO ALGUM DE FORMA TÃO MARCADA CONTRA O TEMER E SEU

PACOTE DE MALDADES. Não posso deixa de achar curioso essas pessoas politizadas

fomentarem uma autêntica sedição por causa de vinte centavos e pouco ou nada

fazerem pela previdência do povo contra um governo ilegítimo e golpista. De fato não

constato um clamor generalizado por parte dessas pessoas. Enfrentar a Dilma e até mesmo centrais sindicais é fácil, quero ver ir lá enfrentar o

MEXEU TREME EM BRASÍLIA. Não não vejo os Black Blocks atuando em Brasília

contra o Congresso... Cade eles? onde estão agora que precisamos deles?


05. Aos monarquistas, fascistas, integristas, comunistas e anarquistas respondo que

democracia se faz por acerto e erro, exercitando-se. Claro que PRECISAMOS

URGENTEMENTE DE UMA REFORMA POLÍTICA QUE PROBLEMATIZE QUESTÕES

COMO O VOTO OBRIGATÓRIO, O VOTO DE ANALFABETOS E A CANDIDATURA DE

LIDERES RELIGIOSOS, dentre outras coisas, e no entanto apenas uma bancada de

esquerda democraticamente eleita levará este ideal a cabo.

JAMAIS ESSE LIXO NEO LIBERAL QUE TEMOS.


E menos ainda a mítica sedição ou 'revolução' armada, apregoada por todos vocês,

pelo simples fato de que jamais produz consciência e que por isso mesmo reverteu: Na

comuna de Paris, na Rússia, no México, etc após ter feito verter rios de sangue a troco

de nada, pois após cada uma delas impos-se novamente o estado capitalista ou liberal

e por que? Porque não trabalhou as mentes por meio da educação e da cultura e não

produziu consciência. Não se faz revolução alguma com massas, antes de tudo é

necessário converter as massas em povo e isto só se faz por meio da tomada de

consciência ou do processo educativo. Se vocês querem soluções imediatistas e de

desespero continuarão dando com a moleira na parede.



06. Conheço muito bem os defeitos da democracia meramente representativa, formal,

estrutural ou burguesa. Mas é a realidade que temos, a que temos de trabalhar e da

qual temos que partir, transformando-a, desconstruindo-a e reelaborando-a por

dentro.


Como Marx, Engels, Kautsky, Bernstein, Gramsci, Poulatzas, etc tenho esta

democracia burguesa e precária não como fim da história ou como algo definitivo,

mas como ponto de partida para algo melhor a ser construído coletivamente pelas

gerações, por meio da educação e da militância, institucional e não institucional.


Conheço as críticas de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre a democracia pura, a qual

centra-se na necessidade de preparar as condições para ela, de formar espíritos

democráticos, de produzir consciência, de formar, de educar, de franquear acesso a

todos os que queiram ser dignos de participar e de exercer a cidadania e sei que é

desafio colossal e que só será solucionado pela educação.


Para além dos aspectos econômico e político, este em termos de estrutura ou formal,

temos um terceiro aspecto a ser considerado que é o formativo, de produção de

consciência. A ideia blanquista da sedição tomou seu lugar mas como

disse na prática não mostrou quaisquer resultados satisfatórios, exceto em,

sociedades que passavam por situações tão dramáticas - Equivalentes as de guerra

justa - como Cuba e Coréia do Norte


07. Bakunim mesmo havia dito que a liberdade e por ext a democracia, não pode ser

dada ao povo por uma elite de quadros revolucionários. Esta ideia legada pelos

positivistas e que remonta a Platão e ao ideal de ditador 'educador' quase nunca

funciona.

O povo nada dever esperar de indivíduos, salvadores, messias, etc Bem como de

elites redentoras. Redimirá a si mesmo pela tomada de consciência ou permanecerá

escravo. Liberdade é algo que não pode ser dado e democracia algo que não se

mantem nem ampliar sem espírito.


Portanto o povo deve contar apenas com o trabalho dos educadores humanistas,

enfim com o processo educativo, esclarecimento e tomada de consciência, mais do

que de armas e bombas, rifles e fuzis, formas e estruturas.


Estou sinceramente persuadido de que nosso ideal de democracia pura ou direta

será construído lentamente, por meio de um processo e não cedo a tentação da

revolta ou do adiantamento; INSTITUCIONAL e não institucionalmente, por diversas

vias. Cada qual acrescentará seu tijolinho.


08. Menos utópico falar em eleições e reforma política do que em auto gestão, apoio

mútuo, boicote geral ou mesmo no excelente recurso da desobediência civil (O qual

certamente precisa ser mais valorizado, problematizado, praticado) etc Uma vez

que nossa gente não se mostra a altura de tais recursos devido a sua falta quase

que absoluta de educação e preparo... No Brasil o que temos ainda são massas a

serem trabalhadas. No momento presente, caso consigamos impedir que sejam manipuladas por

pastores ou ludibriadas pela mídia, já conseguimos bastante, mas ainda não

conseguimos...


09. Assim quando falamos em eleições diretas temos de por o dedo bem no fundo da

ferida e avaliar o papel negativo do 'Voto obrigatório' (i é sem consciência

democrática) neste processo.

Nem podemos dizer que tudo esta bem, permanecer conformados e fugir a este

questionamento fundamental,


Afinal como aquele que não consegue enxergar qualquer sentido no voto deixará de

vende-lo ao primeiro demagogo?

Se para ele voto não tem valor certamente terá preço.

Conclusão: Acreditando ser esperto a ponto de ludibriar um político como Paulo Maluf,

venderá seu voto por cem reais enquanto o eleito obterá lucro na medida de cem por

um, carreando milhões dos cofres públicos, recobrando seu investimento e

prejudicando o corpo social como um todo. Pois a relação entre o voto obrigatório ou

mecânico e a corrupção é essencial.


Como debelar a corrupção e manter o voto mecânico?

E no entanto sem este voto fácil, os demagogos perdem seus currais... 90% dos

nossos políticos não conseguiria eleger-se por meio do voto cidadão.

A política liberal e neo liberal com suas mazelas não se mantém sem a chaga do voto

compulsório.


É por meio dessa chaga que conseguem 'diluir' ou filtrar os votos conscientes e a

custa de propina obter cargos e funções públicas.


Compreendem por que os conservadores se apegam tanto e com tanta avidez e

guarra a lei do voto obrigatório. Porque é a Matriz da corrupção e da venalidade e

porque sem ela, a bancada liberal ou anti popular não se sustenta. PSC e DEM por

exemplo são máfias que se alimentam quase que exclusivamente disto, de voto

comprado!


10. A esquerda equivocou-se redondamente quando em 1988, defendendo o voto analfabeto irrestrito, considerando - romanticamente - que a experiencialidade prática

do trabalhador humilde, comunicada pela vida vivida, seria suficiente para converte-lo

em cidadão consciente ou eleitor militante.


Foi equivoco trágico porque pagamos e ainda vamos pagar.


A consciência social e a plataforma trabalhista continuam recebendo apoio das pequenas ou baixas classes médias ou do que chamam - Nordau - pequena burguesia rancorosa e 'revoltada'.


O que nossas massas analfabéticas e manipuladas por lideres religiosos oportunistas fizeram foi abrir uma brecha ao que temos hoje de mais sinistro na política parlamentar brasileira, a 'bancada evanjéguica', principal responsável pela intifada conservadora a que hora testemunhamos.

Os fanáticos religiosos e charlatães souberam introjetar com maestria, na mente de grande parte dessas pessoas um ideário ou uma ideologia acentuadamente liberal, produzindo o fenômeno do pobre capitalista. Ora esses pobre capitalistas ou como se diz 'de direita', bem mais do que a satanizada classe média, constituem - sob a égide dos pastores - a alma do conservadorismo até o ANACAP e o Nazismo!

Passam fome, vivem em palafitas, são assalariados e oprimidos e mesmo assim contemplam o patrão ou o empresário como uma espécie de deus desde mundo, votando como carneiros naqueles que são indicados pelo pastor em troca de benção, alias de prosperidade prometida. Voto de analfabeto ou semi analfabeto converteu-se em moeda, matéria de troca ou sinônimo de poder nas mãos sujas dos pastores pentecostais, os quais a partir dai criaram seus currais e bancadas.

De modo geral este voto serviu para empoderar esses canalhas da fé e alimentar uma teocracia fortemente capitalista.

Foi projeto romântico, utópico e muito mal calculado - O qual torna vivas as críticas do velho Sócrates! - que saiu pela culatra e tem servido de pasto já ao capitalismo já ao conservadorismo moralista e social. FOI UMA TRAGÉDIA.





A PIOR FORMA DE OCLOCRACIA -A RELIGIOSA!

E a esquerda cega nem cogita repensar tudo isto e fazer 'mea culpa'. ESTAMOS NO REINO DA OCLOCRACIA MAIS TORPE! OCLOCRACIA É O QUE VIVEMOS!

O QUE SÓ SERVE PARA DAR SUPORTE AS VELHAS E JUSTAS CRÍTICAS ELABORADAS PELOS MONARQUISTAS, INTEGRISTAS E FASCISTAS DESDE O SÉCULO XIX.


Esta oclocracia teocrática ou democracia sem qualidade, esta desmerecendo os


ideais democráticos e promovendo toda uma série de críticas totalitárias. NADA MAIS PERIGOSO DO QUE DESACREDITAR A DEMOCRACIA.





12. Certamente que o voto deveria ser condicional e livre, nem mais nem menos.


As pessoas deveriam ter um mínimo de instrução para poder exercer este direito e


acima de tudo aspirar por ele ou deseja-lo enquanto ação significativa. Só assim


seria cidadão de fato cessando de alimentar a oclocracia.







13. Quaisquer líderes religiosos deveriam ser impedidos de participar das eleições,


exceto se, tal e qual os políticos, se afastassem alguns anos antes de virem a


registrar suas candidaturas. A propaganda religiosa por meio de organizações


religiosas devería ser policiada rigorosamente e a imposição de qualquer candidato


associada a sansões se ordem espiritual proibida e punida por lei. PARTIDOS DE NATUREZA RELIGIOSA DEVERIAM SER RIGOROSAMENTE


PROIBIDOS E A PROIBIÇÃO DE BANCADAS RELIGIOSAS AO MENOS


SERIAMENTE CONSIDERADA E DEMOCRATICAMENTE DISCUTIDA.



14. Nem preciso dizer que todas as agremiações religiosas que não contribuem por


meio de projetos sociais (Desvinculados de quaisquer ações proselitistas!),


limitando-se a auferir lucros em nome do sagrado deveriam ser taxadas na forma


da lei. Nada mais humilhante para o cidadão empreendedor, a respeito do qual


tanto se fala, do que essa calamidade que consiste em observar tantas pessoas


que se apresentam como religiosas auferindo lucro fácil sem terem de trabalhar


honestamente. Certamente se trata de um grande desestímulo para qualquer


cidadão virtuoso.


15. Por fim já me referi a necessidade e conveniência de que todas as questões


relevantes para a sociedade sejam cada vez mais discutidas e decididas pela


comunidade, através de plebiscitos e referendos pelo simples fato de nada ser tão


democrático e desejável quanto a participação direta do povo, exceto se houver


alguma impossibilidade absoluta. Mas sairá caro? Se comporta aumento de qualidade democrática jamais será demasiado caro,


exceto pata os capitalistas perversos. Qualidade democrática é algo porque


devamos pagar com gosto. Preferiremos acaso uma oclocracia, uma demagogia,


uma teocracia, uma plutocracia ou uma ditadura barata??? É coisa com que não se pode nem deve regatear.

Ademais, se necessário for, para custea-la, taxem-se a parcela mais afortunada


da população (Os mais ricos, nababos ou milionários) e como já dissemos todas


as agremiações religiosas que não trazem qualquer retorno social ou que não


sustentam ao menos uma ONG de caráter não proselitista. Nem se diga que somos contra a religião, somos absolutamente a favor dela.


Contra a religião são aqueles que dela abusam convertendo-a em mercado, nada


mais abominavelmente sacrílego do que fazer da fé um meio de vida.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Problemas de democracia pura ou direta - Era Políbio um sabotador?





Quando penso no impacto ou melhor no incomodo ou no pavor produzido pela ideia de democracia direta em certas mentes o único equivalente que me ocorre é a afirmação do Jesus Revolucionário em oposição ao rabino embiocado da tradição conformista...

Em certas rodas emancipadas discorrer sobre a democracia direta é ofício tão amargo quanto discorrer sobre o Jesus 'Evangélico' i é feminista, socialista, não homofóbico, etc num ambiente sectário...

Isto porque vivemos numa civilização oficial ou aparentemente democrática!

No entanto para muitos nosso enfoque ainda corresponde a um tabu ou a uma utopia e não poucos desmiolados ensaiam relaciona-lo com Marx, Engels ou o odiado espantalho do Comunismo. Quando estamos falando em Clístenes... outra lingua, outro departamento.

E no entanto a evolução atinente aos meios de comunicação e transporte bem como criação da Internet torna essa realidade tão perseguida não apenas possível mas perfeitamente viável e o Demoex constitui apenas um exemplo neste sentido.

O mundo virtual é que haverá de franquear acesso ao universo da democracia direta tornando possível sua construção.

Não é que antes sua construção fosse impossível.

A construção da democracia direta jamais foi impossível.

Ser indesejável ou inviável a qualquer título não comporta impossibilidade.

A construção era possível porém em termos bastante restritos ou diminutos, resolvendo-se desde o tempo dos gregos na cidade/estado, e até podemos dizer que a cidade/estado era a 'cruz' da democracia direta.

Pois a afirmação da cidade estado dependia - e sempre dependerá - da demolição do macro estado ou do estado nação.

Aparentemente nada mal até aqui.

Destruamos o macro estado ou o estado nação.

Acontece 'coisa meiga' que não existe apenas um estado nação ou macro estado abstrato, mas praticamente duas centenas de países ou de estados nações espalhados pelo mundo.

Qual deles você espera destruir primeiro?

A indagação é pertinente porque quando você destruir o primeiro macro estado ou estado nação e decompo-lo em dezenas ou centenas de comunidades regidas segundo o princípio da democracia direta, deve estar pronto para aguentar o repuxo dos países vizinhos, os quais de imediato tentarão submeter as pequenas cidades/estado buscando aumentar seu próprio território e poder.

Assim ao aniquilar um estado nação sempre podemos estar alimentando um estado nação ainda maior ou um Império. Trotsky bem sabia que um estado cuja economia seja diferenciada e bem sucedido tende a produzir alterações no Mercado global. Daí a necessidade de por meio da força desmontar qualquer pais ou sociedade socialista ou de economia alternativa e não integrada. A implantação de um novo modelo econômico não capitalista deverá acontecer em esfera global pelo simples fato de que o capitalismo é global. Do contrário os países dominados por esta ideologia não hesitarão atacar aqueles que se desviarem... Em certo sentido é a mesma dinâmica que toca as cidades/estado ou as pequenas comunidades auto geridas.

Ou o modelo das cidades/estado será universalmente adotado ou malogrará sucumbindo a ambição dos demais estados, dos estados imperialistas. Em certo sentido os países ou macro estados anulam a força ou o poder um dos outros e intimidam-se mutuamente pela relativa proximidade do tamanho. No entanto entre os macro estados e as cidades/estado a disparidade chega a ser assombrosa e a ameaça de dominação real.

Triste mas real, criem uma reserva indígena autônoma em qualquer lugar do mundo, reconheça e afirmem sua independência e não dou um ano para que não venha a converter-se em base e província dos EUA. O mesmo argumento vale igualmente para a criação de comunidades auto geridas ou das cidades/estado segundo o modelo grego.

O que nos leva ao historiador Políbio, o qual bem poderia ser classificado como sabotador da democracia pura ou absoluta, sujos méritos não reconhece, propondo uma solução mista (vide artigo anterior). Não Polibio mesmo sendo grego não apreciava a democracia direta. Pois conhecia melhor do que ninguém a experiência grega.

Certamente não fora a democracia que produzira a cidade/estado. A cidade/estado certamente precede a democracia e lhe serve de cenário. E ela nem fora um problema até o momento em que as ondas do Imperialismo oriental, no caso persa, chegaram as praias do mar Egeu.

Até o século VI a C viviam os europeus, inclusive os gregos, isolados dos mundo 'civilizado' em seus rincões paradisíacos. O mundo oriental no entanto 'girava' já há vinte e cinco séculos, desde os tempos dos Sumérios e Egípcios e desde os tempos de Sharukin senhor de Agadê ou do grande Faraó Tutmósis III buscavam tais povos dominar uns aos outros e unificar o governo sob o 'Imperium'. Pouco antes dos Persas os ferozes assírios - comandados pelo fabuloso Sardanapalo (Assurnabipal) haviam consagrado todas as energias de seu pais a este ideal e depois deles, por algum tempo, os babilônicos de Nabu kuduri Usur. 

No entanto se qualquer algum deles teve conhecimento sobre a existência da Península balcânica e seus habitantes, certamente que jamais pretendeu conquista-la. Sobretudo tendo um Egito ou uma Caldeia assim tão perto... Aquilo sim compensava pelo substrato de riquezas ou mesmo de cultua acumulada. Não a Grécia com suas montanhas e terras infecundas, alias igualmente pobre em termos de cultura.

Dia veio no entanto em que o Império posterior ao Babilônico acabou estendendo suas fronteiras orientais até o Indo e as Ocidentais até a Lídia (na Ásia menor), pátria de Creso, e em fim a um grupo de cidades jônias situadas a borda do Mar Ocidental. Apesar de terem esboçado alguma resistência tais cidades foram logo adicionadas pelo Império, o qual havia por assim dizer chegado a seus termos. No entanto Império algum atinge seus termos enquanto haja terra para ocupar ou reino para conquistar. E para a infelicidade dos gregos peninsulares a China achava-se bem mais distante de Susa ou de Persepolis. De modo que a opção mais viável era a Grécia peninsular, isto no dealbar do quinto século a C.

Quando o poderoso Império Persa lançou suas cobiçosas vistas sobre a pequenina Península balcânica, ela já se achava coalhada de pequenas cidades rivais umas das outras. Em Atenas, uma das maiores e mais promissoras a democracia fora estabelecida por Clístenes há quase vinte anos, assim em outras tantas cidades embora algumas ainda correspondessem a monarquias e outras fossem comandadas por algum tipo de aristocracia. No entanto a democracia era a ideologia do momento e propagava-se como uma epidemia através dos apóstolos enviados por Atenas o que não deixava de produzir sedições e certo tumulto...

No entanto os atenienses obtiveram a vitória em Maratona. Quando a Dário foi repousar com seus pais pouco tempo depois.

Todavia, desde aquele momento Xerxes, mais prevenido e menos entusiástico, não pode mais retirar suas vistas da Grécia. No entanto, ainda mais uma vez, Atenas e seus parceiros obtiveram arrasadora vitória em Platéia e Salamina. Desde então o Império dos Persas recolheu-se e limitou-se a observar o campo rival.

De fato os belicosos atenienses haviam contido o gingante persa, mas de modo algum abatido-o e não podiam os gregos separados em pequenas cidades estado cogitar em conquista o Império Persa. Diante disto sucedeu a boa parte dos cidadãos gregos, inclusive a parte dos atenienses, a ideia de unificar politicamente o pais.

Somente unificada poderia a Grécia conquistar o Império Persa e livrar-se duma vez para sempre daquela ameaça que jamais cessará de espreita-la.

Além das divergências em torno do regime e da forma políticas, a ideia da unificação converteu-se num elemento a mais de desarmonia entre os gregos e assim as arbitrariedades e ambições imperialistas de Atenas e disto resultou o que havia de pior para os gregos: A oposição e a guerra (e portanto a vulnerabilidade e o desguarnecimento) ao invés da acalentada unidade, cada vez mais distante.

De fato a Guerra do Peloponeso foi um evento desastroso que não deixou de repercutir em muitas consciências. Os gregos já sabiam e a muito tempo que a prática da democracia num contesto politicamente unificado seria impossível, todavia, foi o conflito entre as cidades que tornou este tema por assim dizer muito mais agudo, convertendo-o numa espécie de dilema.

E o dilema foi posto nos seguintes termos: Unidade Política ou Democracia?

Seguiu-se um debate que prolongou-se por quase setenta anos.

Entrementes as lutas fratricidas entre as cidades prosseguiam e dentro de diversas cidades as turbações causadas pela sucessiva troca das formas de governo. Era um pandemônio e muitos cidadãos achavam-se extenuados. Outros tantos cidadãos temiam por um ataque iminente dos persas. Apenas a sorte ou seja as condições igualmente precárias do Império impediram que a Grécia fosse conquistada durante o século IV a C.

Foi quando apareceu Alexandre.
Alexandre era bárbaro pelo nascimento posto que macedônio i é não grego. No entanto fora educado por Aristóteles e por isso culturalmente grego e em certo sentido herdeiro das tradições helênicas. Tal e qual seu pai, homem de visão, Alexandre percebeu que assim que o Império se recuperasse, logo na primeira oportunidade conquistaria a Grécia e daria cabo da cultura grega. Era um risco potencial e só poderia ser evitado caso a Grécia somando forças atacasse e conquistasse o Império.

No entanto, devido as cidades/estado e ao regime democrático a unificação de dentro para fora era impossível. Separados pela democracia e pelos limites de suas cidades os gregos jamais chegariam a qualquer acordo. Foi quando o príncipe Alexandre, filho de Filipe, um macedônio, um bárbaro, um profano, decidiu conquista a Grécia e unifica-la de fora para dentro, a revelia de seus cidadãos.

Que Alexandre tenha deliberado conquistar a Grécia e unifica-la não nos deve surpreender. Alias se ele não o fizesse os persas o fariam.

O que nos deve surpreender e pede explicação é a pouco e quase nula resistência esboçada pelos gregos, inclusive pelos atenienses, zelosos defensores das tradições democráticas. Para Alexandre conquistar a península foi quase como colher um fruto maduro. Entrou pacificamente na maioria das cidades quando não foi aclamado por seus habitantes. Em Atenas não foi demasiado diferente apenas Demóstenes disparava seu verbo solene em favor do liberalismo político e da democracia! E que verbo! Em situações bastante raras o verbo revestiu-se de formas tão belas até a sublimidade. Todavia como não é dado a palavra e mesmo a beleza disputar com a realidade das coisas, venceu o partido de Ésquines. E o bárbaro Alexandre foi aclamado como libertador e herói no santuário da democracia.

Para alguns foi a suprema profanação, para outros no entanto a conquista de Alexandre e unificação política constituiu de fato um progresso. Parafraseando o apóstolo Paulo diriam alguns que a democracia antiga ou grega das cidades/estado precisava morrer, a semelhança do grão de trigo, para germinar, brotar e renascer com maior vigor nas sociedades futuras.

Então o significado dos gregos em geral e dos atenienses em particular terem acolhido tão benevolamente ao príncipe macedônico coloca-se nos seguintes termos: Ou mantinham a democracia, as cidades/estado, a divisão e o conflito, e ficavam vulneráveis face ao colossal império persa, pondo em risco a totalidade de sua cultura e visão de mundo (admitindo-se que os persas submetessem a península) ou sacrificavam parte desta cultura, a saber a democracia e a existência das cidades/estado, deixavam-se conquista e unificar por um príncipe helenizado (ou culturalmente grego) e davam cabo do odioso Império Persa.

Claro que a maior parte dos homens ponderados optou pela segunda alternativa: Sacrificar a democracia para salvar o restante da cultura. Poucos dentre eles mostraram-se dispostos a manter autonomia das cidades, mesmo sabendo que era condição 'sine qua nom' a democracia não podia subsistir. Como num avião que perde altitude alguma coisa tinha de ser lançada fora para aliviar o peso e naquela conjuntura a melhor coisa a ser lançada fora era a rivalidade existente entre as pequenas cidades e juntamente com elas a democracia. Viabilizar uma democracia direta em larga escala é o que os antigos gregos não podiam com os rudimentares meios de transporte e comunicação que possuíam. Se ao menos contassem com rádio, TV, Internet... Mas não contavam. Uma democracia de proporções maiores do que uma cidade era inviável, utópica e até prejudicial por jamais poder estender-se para além da cidade e fazer frente aos grandes reinos e Impérios bárbaros.

Desde então ficou o conceito de democracia sob sua forma pura, legítima ou direta associado ao espantalho da 'cidade/estado' e como tal sujeito as mais severas críticas por parte dos pré cientistas políticos, dentre os quais Políbio, para quem a forma romana, impura e mitigada de democracia, existente dentro de um sistema misto era bem mais atraente pelo simples fato de poder ser posta em prática numa escala mais ampla. Pois o Senado romano é aristocrático e representativo, apresentando-se já a solução inglesa da representatividade proposta por J Locke. Antes da Internet um ideal de macro democracia relacionado com um estado nação ou macro estado, devia ser necessariamente representativo. Ainda hoje imitamos mais aos romanos do que aos gregos, embora já possamos imitar os gregos e retomar seu ideal de democracia direta ou pura.

Portanto mais do que vil sabotador, Polibio foi um critico realista, salientando os obstáculos naturais a democracia direta, segundo as circunstâncias daquele tempo e a História da antiga Grécia, que conheceu como poucos. Assim se aspiramos pela implantação da democracia pura e direta no macro estado convém analisar e ponderar sobre a crítica estabelecida pelos antigos.