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sábado, 25 de novembro de 2023

Religião e Moralidade - Cristianismo e moralidade > Reflexão oportuna

 

O FALIBILISMO MORAL DA IGREJA.


Aspecto que já tornei público em diversas ocasiões: Apesar de me ser atribuído um eclesiasticismo radical, no sentido de que afirmo e reconheço ser a Igreja Católica Ortodoxa (E em menor proporção seus galhos rotos i é as igrejas romana e anglicana.) mãe, senhora, guardiã e mantenedora infalível dos mistérios de Cristo, sabem muitos que não reconheço a infalibilidade da igreja em matéria de ética ou moralidade, setor com relação ao qual afirmo resolutamente sua falibilidade.

Quem quiser ousar ou demonstrar o oposto, prepare-se e venha... Aceitamos contraponto.
Quanto a monges bobões, clérigos ou mesmo Bispos devotos, que em seu zelo cego e irrefletido queiram aumentar ao máximo a autoridade da igreja, devo dizer que nada se deve acrescentar ou adicionar as coisas divinas. Nem disse eu que o sábio não deva ouvir, considerar e ponderar sobre os ensinamentos da igreja nesse campo. O que disse e repetirei a exaustão é que tais ensinamentos não não infalíveis. Podem bem ser úteis e proveitosos
mas não são infalíveis.
E por que não são infalíveis?
Há séculos o protestante Barbeirac demonstrou quão pouco acordo há entre nossos homens base )Os Santos Padres.) sobre questões de moralidade. De fato a variedade é imensa e nada do quanto varia pode ser considerado divino ou dogmático. (Nossa norma e regra é a uniformidade.)
Temos porém acesso a fonte mais pura da Ética e da moralidade, que são as palavras de Jesus Cristo Nosso Senhor, fontes do nosso Evangelho escrito. Dirá você, caro amigo, que se tal recurso, não tem valor quanto aos mistérios de Cristo, tampouco servirá como guia em matéria de moralidade, haja visto os estragos provocados pelo livre exame.
Digo e respondo que o problema não está no exame em si - Acalentado por uma boa e piedosa intenção. - mas no livre. E que mesmo para nossos Ortodoxos, quanto os mistérios de Cristo, há imenso proveito estudar ou examinar o Santo Evangelho na perspectiva da tradição ou em comunhão com a Igreja. Tanto mais proveito trará um tal estudo no campo das moralidades e para a vida pessoal, caso o estudioso não tenha pretensão de criar doutrinas ou fundar seitas para os outros. Pois o veneno está justamente aqui.
Quem estuda moralidades estude discretamente para si mesmo ou sem alarde, indo diretamente a prístina fonte Evangelho. Não ao novo testamento, nem a Paulo e jamais ao antigo testamento, mas as palavras sagradas de Jesus - E não ficará desorientado. (Sobre a técnica ou uso do texto grego inspirado já escrevemos em demasia.)
No entanto as doutrinas metafísicas ou os mistérios de Jesus Cristo, foram entregues a Igreja viva e visível dos apóstolos, mestra incorruptível da verdade e a respeito da qual está escrito: 'As portas do inferno não prevalecerão contra ela... '    Pois será perpetuamente guarda fiel da Integralidade da Revelação divina.



A RELIGIÃO, O CRISTIANISMO E O CONTROLE DA SEXUALIDADE HUMANA.

Não foi ou é a troco de nada que a igreja politiqueira e as seitas politiqueiras, tem ultrapassado a Lei de Jesus Cristo e buscado controlar a sexualidade humana.
Controlada a sexualidade humana por terceiros, fica o ser humano sendo miserável escravo ou algo tão manipulável quanto a cera de uma vela.
Eis porque o sistema de controle chamado islamismo levou esse policiamento ao máximo grau.
Felizmente os Cristãos estudiosos do Evangelho ou das tradições apostólicas sabem que Jesus Cristo não estabeleceu qualquer polícia sexual. De fato não é nosso Evangelho qualquer coisa semelhante a um Kama Sutra invertido ou uma coleção de tabus sexuais como a Torá. E Jesus Cristo amiúde passa a largo desses tabus sexuais, alimentares ou pertencentes ao traje, que faziam o banquete daqueles fariseus hipócritas que o crucificaram. E mesmo quando Nosso Senhor toca em tais assuntos, é quase sempre perceptível alguma questão de Ética por trás deles. Logo não é questão de pura e simples sexualidade porém algo mais e bem podemos dizer que Jesus Cristo não se importa com a sexualidade humana ou que não está fixado nela promulgando tabus. Portanto é um campo ou domínio que fica sempre pertencente a liberdade pessoal. O que as pessoas fazem dentro de quatro paredes diz respeito somente a elas e a mais ninguém. Nada mais miserável do que uma moral religiosa ou espiritual focada doentiamente na sexualidade humana.


RELIGIÃO E MORALISMO.


Devem as crenças religiosas conter alguma moralidade sumária e sobretudo uma orientação Ética. 

Pois uma fé que não tornasse a humanidade melhor ou que não colaborasse poderosamente para a criação de um mundo melhor, i é, mais justo, solidário, fraterno, etc seria totalmente inútil e dispensável. 

Felizmente é o Evangelho antes de tudo e sobretudo uma Ética ou uma coleção de princípios e valores gerais a serem aplicados pelos fiéis as mais diversas circunstâncias, o que por sinal honorifica a racionalidade dos mesmos. 

E no entanto esse precípuo fim não fundamenta a religião ou comunica-lhe vida, pois a vida das religiões é sempre metafísica ou derivada de certos mistérios, dogmas ou artigos de fé.

Portanto se o objeto da fé é Ético a vida da fé procede de elementos como a Trindade, a Encarnação, a Graça divina, os Sacramentos, a Eucaristia, a Comunhão dos Santos, etc e são estes, por assim dizer, o tutano ou o filé da religião. 

Torna-se o Cristianismo moralista, quanto nega ou minimiza tais mistérios, substituindo-os pela moralidade ou colocando a moralidade acima deles. E, via de regra, uma moralidade rasa, externa, mecânica e formal; bem a gosto dos escribas e fariseus que assassinaram nosso Bom Jesus. 

E um tal quadro só pode ser descrito como inversão, subversão e perversão no campo da Revelação divina - Cuja hierarquia deve ser mantida imaculadamente.  

Que fazem os fanáticos moralistas... 

Destroem a Revelação divina ou a religião, como se estivessem plantando um árvore enterrando seus galhos e regando suas raízes...

E ao plantar a árvore ao contrário, matam-na. De fato corresponde o moralismo ou a fixação em regras formais, no plano espiritual, ao declínio e a morte das religiões.


PROTESTANTISMO E MORALISMO.


Procede a infecção moralista ou moralizante, do Protestantismo - Com seus ideais puritanos! - por via da Igreja romana, infectada desde o século XVI e totalmente tomada (Pelo puritanismo.) desde o século XIX ou a Era vitoriana. E daí passa a Ortodoxia ou ao Catolicismo Ortodoxo e até ao espiritismo... e vai essa lepra maligna cobrindo toda Igreja de Cristo.

Mas como veio a afirmar-se no seio do protestantismo...

Eis uma pergunta interessante e digna de investigação.

Observe, amigo leitor, o islamismo e o judaísmo. Por certo não contam tais religiões com um vasto acervo de mistérios, dogmas e artigos de fé como os Cristianismos apostólicos... Sendo muito mais pobres metafisicamente falando, a ponto de até passarem por monoteísmos naturais... A não ser - No caso do judaísmo antigo e do Islã. - pelos dogmas horrendos do destino, do inferno, dos diabos, etc 

Para compensar a imensa pobreza metafísica de que padecem, judaísmo e islamismo, afirmaram-se no campo da moralidade como sistemas jurídicos ou legais.

Outro o caso do Catolicismo Ortodoxo ou das Igrejas apostólicas, romana e anglicana, que concentraram-se nos mistérios da fé ou numa vida metafísica expressa por dogmas como: Trindade, Encarnação, União hipostática, Eucaristia, Maternidade divina, etc - O que por sinal engendrou outro tipo de vida e de cultura, ora em declínio > Lamentavelmente.

Esse tipo de reflexão exigia uma Educação de alto nível ou vastos conhecimentos em matéria de Filosofia e a Sociedade falhou miseravelmente em tais campos.

O protestantismo é produto dessa falência - Provocada remotamente pelo agostinianismo no Ocidente. - e começou, como é sabido, eliminando paulatinamente esse conteúdo metafísico (Distintivo do Cristianismo) até chegar a Encarnação e a Trindade. O que restou foi algo semelhante ao islamismo ou ao judaísmo antigo: Uma imensa miséria ou um vácuo colossal. E os protestantes, voltados para o antigo testamento, não tardaram a preencher esse vácuo ou essa lacuna com preceitos formais, normas e regras tomados a Paulo ou mesmo a Torá de Moisés. - Assim a observância do Sábado ou de um Domingo sabático, diversos tabus sexuais, alimentares, etc E condenaram em nome de Cristo a tatuagem, o cigarro, o consumo de alcool, etc TAIS AS ORIGENS DO PURITANISMO e provém do espírito da própria reforma...

Que a Ortodoxia, o papismo ou o anglicanismo tomem o mesmo rumo é uma perigosa tragédia.

Ps.: No Oriente, é o puritanismo instilado nos Cristãos pela abominação islâmica com sua sharia, ou seja, procede da cultura. Outra tragédia. (Pois nossos Cristãos sequer são capazes de atinar que os professores de moralidade islâmica apresentam nosso Bom Deus Jesus Cristo como pura e simples criatura ordinária.)

E por ai vai. 

As fontes e veículos do moralismo hipócrita, indicam que ele não é uma direção saudável para o povo de Cristo. 


quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Os erros e acertos do Sardinha (Antonio in 'Glossário dos tempos' 1942) II


Agora damos que esse Sardinha, que tanto censura os demais por terem assumido ideais estrangeiros ou galicanos (Franceses), não pode deixar de citar seu guru francês que é o excomungado Charles Maurras, criador da Ação francesa e pai do integralismo.

Crítica os ancestrais lusos reprodutores de Rousseau, Barras, Robespierre, etc - E copia outro francês...

E assim caminha a pobre e infeliz humanidade, de abismo em abismo - Abyssus...

Trágico é que o pobre Sardinha copia muito mau o seu guru francês.

O qual vivendo nas Gálias bem podia observar muito de perto o que sucedia nos cantões da majestade luterana i é do Kaiser Guilherme...

Justiça seja feita ao velho Maurras, como proto fascista tinha ele certa compreensão realista da cultura (Não era um Weber é claro mas não lhe faltava gênio!) e perfeito entendimento - Tal e qual o insuspeito Comte e muitos outros - quanto ao significado do protestantismo e a cultura produzida por ele. Da qual absolutamente nada esperava.

De fato esses franceses, geniais mesmo quanto equivocados, como Comte, Maurras, Gaxotte, etc muito teriam a dissertar sobre os EUA, o norte americanismo, o protestantismo e o tempo presente, quiçá superando o velho Tocqueville. Já o pai de Montaigne e sobretudo Guilherme Postel haviam percebido diversos aspectos do éthos protestante quando este ainda dava seus primeiros passos.

E todavia a pobre humanidade e os franceses de hoje, e os latinos, parecem se ter esquecido de tudo, de tudo...

Sendo velho o mal...

Como podemos detectar no Sardinha, patriarca dos integristas lusitanos - Muito mal orientados... Pois com que incredulidade não lemos, á página 74 do citado Ensaio, seus votos pela vitória do imperialismo alemão. Para ele a humilhação de uma França politicamente liberal e laicista pelo império luterano alemão representaria a regeneração da Europa... Não era simples questão de reprochar os excessos anti clericais de uma França desorientada por Clemenceau, mas questão de admirar o éthos Alemão pautado na submissão passiva do cidadão a qualquer lei ou mesmo decisão do líder - Submissão cega e irracional de que resultaram mais tarde os nefandos crimes do nazismo.

Éthos inseparável do luteranismo ou de um calvinismo reinante, ou ainda de um jansenismo que jamais se impôs a França - Tudo derivado da antropologia podre de Agostinho, do irracionalismo e da negação da liberdade, negação em nome da qual os senhores luteranos, desde 1525, impuseram - Aos camponeses ou servos! - um regime mais rigoroso e estreito do que o vigente na odiada Idade Média romano papal. Desde então foi a vontade tomada ao povo alemão, e converte-se este num boneco ou naco de cera sempre submisso ao poder.

E Sardinha, sem investigar fontes e causas, admira a disciplina dos cidadãos ou soldados alemães. Morre de amores, esse luso tão confuso, pelos pais daqueles que mecanicamente sujeitos a uma ordem ou palavra exterminaram sem inibição aldeias inteiras na Grécia, Itália, França, Rússia, etc metralhando milhares de mulheres, crianças, idosos ou mesmo animais, todos inocentes... Exatamente como no adorado velho testamento. Tudo em nome desse culto supersticioso e horrendo a obediência cega e a ordem, o qual foi e é um verdadeiro flagelo.

Sem jamais ter lido uma palavrinha do quanto escreveram os insuspeitos pastores protestantes Monod, Wagner, Viénot e Monnier sobre as atrocidades cometidas pelos soldados do Império Germânico em conexão com o éthos protestante, a sardinha lusitana vê em tudo isso Redenção!!! Como os europeus latinos e sulistas de hoje, Sardinha é angelical, e nada desconfia do protestantismo alemão... Ele que ufanava ser bom católico - Tal e qual os 'bons' católicos (Ou Ortodoxos) de hoje, alinhados com os EUA ou o americanismo. De século a século o engano é o mesmo...

Ora aliados dos Alemães ou dos Norte americanos vão os romanos sacrificando suas tradições e cultura a interesses políticos ou econômicos, pelo que se tornam súditos desses países protestantes, apaniguados de sua cultura e por fim conquistados...

Outro aspecto curioso deste ensaio integralista foi ter carregado fortemente contra o liberalismo político francês sem ter tocado mesmo de leve nos problemas muito mais sérios e graves do liberalismo econômico inglês ou mesmo Norte americano ou ventilado que aquele poderia corresponder apenas a simples passagem de qualquer modelo tradicional para este último. Noutras palavras - Que as transformações políticas bem podiam ter por objetivo e fim a criação de uma sociedade econômica ou economicista em que os bens e serviços violentamente tomados a igreja de Roma em nome do laicismo bem poderiam vir a ser, em qualquer momento, adjudicados a indivíduos ambiciosos, como sucede hoje por meio das assim chamadas privatizações ou da tal desestatização.

Bem se percebe que Sardinha não fez qualquer contribuição relevante neste terreno, sendo incapaz de superar o tosco padre Murillo, o qual tendo olhos apenas para o liberalismo político não quis ou pode ver senão a pontinha do iceberg. 

Hoje, quando apregoam a passagem do político ou estatal para o privado ou individual podemos contemplar, ao menos na imaginação, o corpo do iceberg.

Querem que no futuro, absolutamente tudo seja pago $$$... Ao menos o quanto os padres, monges e freiras faziam era oferecido a todos, inclusive aos mais humildes e não apenas aos ricos ou a quem podia pagar. Havia vícios e defeitos... Aos montes... E por isso o poder político, alegou tomar posse de tais instituições e oferecer tais serviços sempre com a ideia de torna-los mais e mais universais por meio da gratuidade. 

Eis que agora, os descendentes daqueles que, em nome da acessibilidade e da igualdade, tomaram tais bens e serviços a velha igreja romana, pretendem vende-los a particulares de modo a autoriza-los a converter tais bens e serviços em fontes de lucro, com exclusão dos que mais necessitam. Que lógica há nisso...

Já vimos o mesmo embuste e falso enleio, no berço da reforma protestante. Quando o povo, acreditando nas promessas dos reformadores, apoiou o confisco dos bens eclesiásticos, por acreditar que obteria parte deles...  O que aconteceu depois disso já foi descrito por Janssen e Cobbett. Os príncipes e nobres amealharam tudo e os pobres ficaram ainda mais desassistidos, não tendo a quem recorrer.

Parece que a passagem do religioso para o político e sobretudo a atual tentativa de passagem - Exigida pelo Mercado todo poderoso - do político para o econômico (Por meio das tais privatizações) reflete um tipo de movimento análogo, se bem que mais sútil.

Apenas consumada a afirmação dessa sociedade econômica por meio do esvaziamento do político e da, consequente, dominação absoluta do poder econômico, poderíamos dar razão aos tradicionalistas e avaliar a passagem do religioso ao político, por passageira, como danosa. 

Naturalmente não nos foge a memória que nos reinos ibéricos, ao tempo em que a América foi ocupada, admitiu-se a participação da iniciativa privada em certos setores da atividade humana. Mas não na Educação e tampouco na Saúde... Setores essenciais eram retidos pela coroa e permaneciam em suas mãos, uma vez que a religião, a ela unida, era espécie de repartição de Estado. 

Posteriormente, tiveram os Estados de assumir a exploração das riquezas naturais, comunicações e transporte - Ao menos em grande parte. - por considerar que eram setores vitais ou estratégicos. E de fato a questão premente é se a totalidade de tais serviços ou mesmo parte deles deva passar a mãos de particulares e ser geridos objetivando apenas e tão somente a aquisição do lucro.

Quanto ao transporte e comunicações não nos opomos a participação da iniciativa privada sob a fiscalização efetiva e rigorosa de um Estado popular ou democrática, agora quanto a extração das riquezas naturais e sobretudo quanto a Educação e a Saúde, temos que devam permanecer nas mãos do poder público e oferecidas por ele observando rigorosos critérios de qualidade. Postulamos uma gestão pública ou democrática sob a égide de determinados postulados éticos. 

Pois quando se tem em vista o lucro acima de tudo é absolutamente normal que se proponha sempre a contenção de gastos ou a economia sem seu sentido estrito e chão, o que nos domínios da Educação e da Saúde são sempre funestos, pelo simples fato de que determinado aluno ou paciente, cuja condição implique excesso de gastos, vir a ser encarado como causa de prejuízo. Estamos acompanhando esse tipo de problemática - Mais comum do que se imagina - no Seriado Norte Americano 'The good doctor', transmitido alias pela Rede Globo. Não é produção de Michael Moore financiada pelos comunistas porém relato insuspeito sobre o gerenciamento privado da saúde nos EUA.

Tivemos aqui em Santos um caso acontecido nos anos 90 em que o Hospital Beneficência portuguesa, por questões de ordem financeira, não achou conveniente trocar uma peça do aparelho destinado a Radioterapia - Conclusão, por anos a fio, os pacientes cancerosos foram submetidos a um tratamento inócuo ou assassinados porquanto o câncer não foi debelado.

Posteriormente tivemos o caso da Prevent Senior em que, tendo em vista minimização de gastos, tais e tais tratamentos custosos eram recusados a pacientes idosos cuja condição fosse demasiado grave. Eu mesmo testemunhei cenas chocantes nas assim chamadas retaguardas de certos Hospitais privados desta região, as quais não hesitaria qualificar como criminosas. 

Quando um diretor de Hospital ou sua equipe consideram como prioridade o lucro e não a recuperação do paciente, ainda que onerosa, tais instituições convertem-se em autênticos açougues. 

Outra não é a situação das Escolas. Há escolas privadas que a preço de ouro oferecem educação esmerada, como ferramenta de poder, as elites. Tais o Dante Aligheri ou o Bandeirante... Como há diversas Instituições de Ensino superior que vendem diplomas... Situação que se vai tornando cada dia pior. 

Mesmo porque as pessoas, em geral, atribuem maior valor a vida do corpo físico do que a vida do espírito, que é a Educação. Do que resulta ser, o espaço da saúde, fiscalizado com mais intensidade e atenção. O Hospital é certamente muito mais cobrado que a Escola... E nele não toleraríamos jamais o que toleramos nela... Resulta tal menosprezo numa cultura de mortos vivos ou zumbis a que chamamos massas, associada a abominável oclocracia.

Mesmo quando refere as Danaídes, Sardinha, não percebe que ajustar os modelos sociais, políticos, morais, etc ao novo modelo econômico criado pelo protestantismo, i é, ao capitalismo, equivalia a uma utopia como outra qualquer. Pois como verificou o insuspeito Le Play as relações de convívio familiar que suportam aquele tipo de moralidade são as primeiras a serem destruídas no contexto urbano implementado pelo capitalismo.

A tão acalentada moralidade é moralidade de pequenas comunidades camponesas, agrícolas ou interioranas, e como tal infensa a um ambiente urbano em que o ritmo do trabalho, sendo alucinante, absorve a totalidade das energias e ocupações humanas.

No ambiente urbano, sob a égide das relações de mercado, política, comunidade e família cedem passo a produção de bens de consumo e são trituradas pelas engrenagens do capitalismo. Pai e mãe desertam do lar, abandonam a prole e a partir daí a cultura antiga desaba ruinosamente. O afeto se perde, o calor humano se acaba, o convívio desparece, os corpos se alienam, o educação se obscurece e o espírito entorpece... As pessoas se despersonalizam e os humanos se desumaniza. 

Não foi qualquer ideologia posterior que destruiu a família tradicional com seu modelo de moralidade, foi o liberalismo econômico!!! 

Não se pode conservar tudo e liberalizar apenas a economia como querem os tradicionalistas do Plínio C de Oliveira... O conservadorismo só seria viável em bloco, conservando o modelo econômico medieval. Os neo romanos no entanto, e por mero oportunismo, estabelecem compromissos levianos com o liberalismo econômico, ponta de lança do americanismo, que é um modelo de cultura protestante.

Scruton percebeu-o claramente no fim de sua vida, assim como nosso Jorge Boaventura... E ai temos o mitológico tonel.

Não acredito num conservadorismo total - Que ultrapasse o domínio da fé. - como D Lefebvre, mas admiro lealmente a honestidade de seus defensores. Quanto as soluções de compromisso são todas grotescas... Admitido o liberalismo econômico os modelos sociais legados pela antiguidade ou pela I Média estão condenados - Impossível salva-los.

Impossível evitar a mudança - Viver é transformar-se.

É no entanto, perfeitamente possível, orientar a mudança imprimindo-lhe direção. 

A direção imposta pelo capitalismo está errada, pelo simples fato de que após ter destruído diversas formas de convívio dignas de terem sido conservadas, ameaça a natureza, o planeta e a sobrevivência da própria espécie.

O fim do paraíso bucólico ou do idílio campestre era algo que talvez pudesse ter sido suspeitado por Sardinha como o foi por T S Elliot, Bernanos, Valéry, Hesse, Wolf, etc mas não o foi... 

O lusitano bisonho desconfia tanto dos tentáculos do capitalismo quanto do luteranismo germânico, o qual saúda como aurora dedirósea da civilização...

Abominável inversão tão comum em nossos dias - Concede-se máxima e irrestrita liberdade ao Mercado enquanto se lança pedras a liberdade política ou a democracia, bem como ao liberalismo moral (Por parte da hipocrisia moralista.)... Diante disso como não dar total razão ao verso do Evangelho: A luz manifestou-se aos homens e eles preferiram as trevas! Ainda preferem...

E o Antonio Sardinha foi um deles, como são seus leitores e os do pobre Corção, e os do Olavo... Como Marta, eles escolheram a pior parte... a parte mais infectada ou podre da modernidade.











sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Religiões: Sintomas de vida e morte... A agonia do Cristianismo e o fim da civilização humanista I

Definições necessárias:

  1. Maniqueísmo: Ideologia que encara negativamente a matéria, o corpo, a nudez e a sexualidade.
  2. Moralismo: Ideologia que coloca a moral, ou os costumes individuais, acima de tudo.
  3. Puritanismo: Moralismo exacerbado.

Moralmente falando o Catolicismo jamais foi uniforme. Destarte podemos dizer que ao menos em parte não era um sistema moralista ou de moralidade estreita. Embora nele houvessem moralistas e um setor moralista. No entanto até e dealbar da Reforma protestante este setor moralista enquistado no Catolicismo não foi hegemônico.

A crítica posta pela reforma protestante no entanto foi em grande parte moralista e moralizadora.

Paradoxalmente nem Lutero nem Zwinglio eram moralistas. Lutero por sinal como 'solifideista' era anti nomiasta e contrário a própria lei moral, bem como a vida ética. Ao menos não salientava a existência de quaisquer vínculos essenciais entre religião e virtude e afirmava um salvação no pecado, jamais do pecado.

A maior parte da reforma no entanto segui a opinião, tanto mais saudável, de João Calvino o qual não só era moralista ou melhor puritano, como buscava a fontes de sua moralidade na cultura judaica ou seja na Tanak ou na Torá, do que resultou uma moralidade sectária e judaizante até o legalismo. E todo conteúdo dessa reformação lança raízes no terreno do maniqueísmo.

Nesta perspectiva eram os Católicos de modo geral, e em especial aqueles cujos costumes eram ainda medievais, encarados como mundanos e permissivistas pelo simples fato de beberem sobriamente, de ouvir música, de dançar, de praticar algum esporte, de vestir roupas consideradas demasiado 'curtas' ou coloridas, etc

E ai no calvinismo damos com as fontes do farisaísmo pentecostal e desta religiosidade externa cujo foco é a comida, a bebida, a sexualidade, o traje, etc

Agora se contemplamos atentamente a situação da igreja romana percebemos que desde os séculos XVIII e XIX, e mais ainda hoje, a balança vem pendendo para o lado do moralismo.

Pelo que temos de nos perguntar: Será isto bom???

Em termos de História e Sociologia a resposta já esta formulada: O florescimento ou assunção de uma religião qualquer da-se em termos teológicos ou especulativos e seu declínio e morte em termos de moralismo.

A igreja romana foi teológica no primeiro milênio desta era enquanto parcela do Catolicismo Ortodoxo e ainda após o cisma, durante quase toda Idade Média e mesmo alguns séculos após o advento da reforma justamente devido a polêmica travada com os protestantes. No entanto após o Concílio do Vaticano II optou por mergulhar ainda mais no pântano do moralismo... Desde então sua teologia entrou em crise ou eclipse e o moralismo assomou em todos os setores em que pese a resistência e a atuação de um setor marcadamente liberal.

E com que guarra os Católicos afetando lemingues cerram as fileiras do moralismo insípido de par com os ministros protestantes!

De fato eles não são capazes de perceber que esse reducionismo moralista implica o empobrecimento da religiosidade e sua destruição. E concentrando-se apenas na vontade, bem ao sabor do agostinianismo, vemos que o papismo abandonou por completo os setores do intelecto e da estética... bem como o da ética ou da doutrina social. Deixou de ser espírito e vida para converter-se em receita de bolo comportamental...

Falaciosa é a interpretação tradicional que apresenta a 'contra reforma' como um movimento de oposição ao espírito protestante, quando foi no mínimo um movimento de conciliação. A maior parte dos Católicos confrontados com a metralhadora bíblica do protestantismo (mosaica e paulinista) não tardaram por entrar em crise e fazer um dramático 'mea culpa'. Sob um dilúvio de citações imbecis tomadas a Torá chegaram a ponto de reconhecer que seus ancestrais não passavam de uns vis depravados.

E assumiram uma 'reformação moral' na perspectiva dos maniqueus e puritanos. Tal a perspectiva de Trento, da qual o papismo jamais viria a afastar-se nos quatro séculos subsequentes. Foi um acolhimento receptivo da crítica protestante e uma incorporação atenuada de princípios protestantes. Tal o motor da moralização que se seguiu. E a orientação foi o abandono das alegrias mais inocentes relacionadas com os sentidos, a ocultação do corpo e a adoção de um código sexual cada vez mais exato e estreito.

Desde então o papismo passou a insistir obstinada e desastrosamente em temos como: a perenidade do matrimônio, o patriarcado masculino, a monogamia, a heteronormatividade, a vinculação prazer sexual - procriação, a separação dos sexos na sociedade, a adoção de figurinos ou trajes 'sóbrios', a condenação sistemática da gula e da embriagues, a 'satanização' da música profana bem como das danças... O que de algum modo remete-nos a 'santa Genebra' do assassino e ditador Calvino com as centenas de leis, normas, regras e dispositivos de controle postos para a uniformização do comportamento externo, e consequentemente para a criação ou reprodução de cópias humanas.

Surpreende-nos que o papismo tenha engolido esta isca feita com confeitos tomados ao judaismo antigo e lançada pelo reformador francês. A bem da verdade os católicos não apenas engoliram como degustaram o confeito calvinista até o deleite...

Por volta do século XIX a igreja romana era uma instituição marcadamente puritana e os liberais em matéria de moralidade um seleto grupo de rebelados mantidos sob vigilância. No entanto ainda havia alguma vida teológica. Porque ao menos no setor doutrinal e ritual havia oposição face ao protestantismo. O puritanismo no entanto é sempre conciliador, de modo que sem perceber a igreja romana foi engolindo mais e mais linha até aproximar-se mais e mais do protestantismo e assimilar outros tantos princípios e valores seus. E aqui esta a fonte do relativismo ecumênico, da RCC e de todas as sucessivas desgraças que abateram a infeliz igreja romana.

A porta de entrada de todas as bruxas foi a absorção do moralismo puritano. Não foi em vão que a igreja romana converteu-se em baluarte da causa no século XIX e numa Colônia do protestantismo cem anos depois (1960). A maior parte dos Católicos assumiu um sentimento de culpa que não era seu e desde então, ao menos inconscientemente, passou a admitir que de certo modo ou de certa forma - por ter provocado a contra reforma e a reformação moral - que a Reforma protestante havia salvo a Igreja romana (!!!). Surpreendente conclusão!

Agora se é mesmo assim por que vossos papas não canonizaram os reformadores ou melhor os salvadores da Igreja ao invés de terem-nos excomungado e anatematizado???

Aqui os Papa infalíveis não tiveram gota ou pingo de bom senso ao excomungar homens providenciais, digo os heroicos reformadores...

Então eles vieram prestar bons serviços a igreja demolindo toda sua vida sacramental e o culto mariano???

Mas quem é que ensinou os neo Católicos que uma mesma fonte pode deitar água doce e salobra ou que uma mesma árvore pode dar figos e espinhos???

Perceba-se a que situação vexatória o moralismo conduziu a antiga igreja romana???

E ela não pode sair deste abismo hiante porque mesmo os decantados tradicionalistas assumiram no mais alto grau este ideário protestante, post reformado, moralista e puritano...

E como a igreja assume padrão de autoridade, veio o moralismo a tornar-se legal ou a institucionalizar-se. Desde então a resistência liberal adquiriu 'status' de marginalidade.

Curiosamente tal não se deu no seio da corrente rival, o protestantismo. Ja por ser um sistema subjetivista e individualista. O que possibilitou a sobrevivência da tradição luterana ou antinomiasta em alguns setores e diversas tentativas de conciliação entre a fé e a moralidade natural contemporânea, ao menos na Europa e EUA. No protestantismo, devido ao livre examinismo, tais setores não ficaram marginalizados.

Na igreja romana, desastrosamente, a emenda saiu pior do que o soneto pelo simples fato de não oferecer outras opções de 'moralidade' como o protestantismo. Desde o século XIX, logo ela que possuia um lastro de moralidade liberal ou como dizem hoje de 'imoralidade' e contra cultura fundamentado nas idades Média e Antiga, passou a ser identificada como o que havia de mais reacionário e atrasado na Sociedade européia.

Continua