Poucos sabem que é na verdade este Blog. O qual não passa de um Diário íntimo, bloco de anotações ou resenha de leituras. O qual escrevo antes de tudo para mim mesmo, tal e qual as madames D Stael e Swetchine.
Como um culinarista, perfumista ou decorador tudo vou misturando de modo a produzir novos pratos, coquetéis ou ambientes. Por isso vou combinando o que leio com o que já li e busco salientar os elementos comuns que existem nos diversos autores. De fato associar e comparar os componentes de toda esta bagagem é meu passa tempo predileto.
E cá vou misturando Tasso, Afrânio Peixoto, Humberto de Campos, Brito Broca, Rodó, S Hipólito, Orígenes, Diógenes Laércio, Dielz, Mondolfo, Sciacca, Bloy, Mounier, Maritain, Berdiaeff, Belloc, Laski, V G Childe, Woodlock, Gray, Kirk, Dawson, Van Paasen, R B Downs, Nisbet, Q Skinner, Papini, A Piccarollo, Munford, Ashley Montagu, Calmon, Crane Brinton, De Rugiero, etc Platão, Aristóteles, Agostinho, Erigena, Aquino, Marsiglio, Vitória, Las Casas, Erasmo, Descartes, Bodin, Cervantes, Shakespeare, Hobbes, Spinosa, Defoe, Swift, Beccaria, Moliere, Verri, Voltaire, Browson, Herbart, Mill, Spencer, Marx, Wundt, Droysen, Wellhausen, Darwin, De Vries, Freud, Jung, Otto, etc E vejam que sopa ou salada...
Hoje o prato do dia é o merecidamente celebre genebrino J J Rousseau, a respeito de cujas opiniões políticas escrevemos já inúmeras vezes.
Recordo ter lido o primeiro ensaio sobre Rousseau logo após minha conversão a Igreja de Roma e portanto pelos idos de 1992 ou 93, quando tinha dezessete ou dezoito anos, curiosamente dizia respeito a Educação e ao psicologismo, assim as correntes pedagógicas contemporâneas, traçando paralelo com o freudianismo. Focava ainda no tema dos castigos e punições, assim dos castigos físicos, havendo um nítido ranço agostiniano que já me causará mal estar. A insistência no falso conceito de pecado original, em seu sentido ontológico ou metafísico era marcante e sabia aquela pedagogia jansenista descrita por Hubert na História da Educação...
Em seguida i é alguns anos depois, li um artigo sobre o mesmo tema composto por um autor espírita, este bem mais equilibrado. Seja como for não retenho mais os nomes de tais críticos ou expositores. Os demais artigos - De Nisbet, Piccarollo, Mosca, etc eram antes de tudo políticos e consagrados ao Contrato social e conceito de vontade geral, pouco havendo ali de propriamente pedagógico.
Li menos Rousseau do que Voltaire. Afinal li "Deus e os homens" em sua totalidade. De Rousseau havia lido apenas o primeiro capítulo do Contrato, o Ensaio sobre as artes as ciências e o progresso da humanidade e alguns capítulos do Emílio, isto porém em meus tempos de universitário. Desconhecendo quase que por completo as obras de Pestalozzi, Claparede, Ferriere, Piaget e outros, assim o significado do escolonovismo, como poderia avaliar tão importante obra?
E no entanto faz-se mister ler o Emílio em sua inteireza. Embora antes talvez seja bom ler um manual de História da Educação como os de Luzuriaga ou F Mayer. Isto para fazer as devidas conexões - Não é por acaso que J. Piaget e P. Viver eram suíços e Claparede e A. Ferriere eram genebrinos. O que remete a tradição pestalozziana, de Yverdon, a mesma Yverdon por onde passará Rousseau então perseguido.
Da simples leitura do Emilio ressaltam os fundamentos mais remotos do escolonovismo com sua insistência na empiria ou no modelo científico experimental.
Assim a ideia tão cara aos piagetianos de que errar faz parte do processo e que a forma ou hábito do conhecimento se da sempre por acerto e erro. Ideia está atrelada aquela segundo o qual o verdadeiro educador não deve despejar o conhecimento teórico no aluno a faze-lo decorar fórmulas ocas mas gerenciar ou produzir situações problemas, que estimulem a curiosidade do educando e o façam refletir. Aqui o papel é mais orientar do que fornecer ou discursar.
É bastante provável inclusive que este tipo de postura reflita a postura do grande Sócrates, o qual duvidava bastante da formação teórico discursiva oferecida pelos sofistas e propunha um método dialético que considerasse a bagagem do educando e sua capacidade racional para compreender. Alias Rousseau destacou se justamente por, a exemplo de Sócrates e Platão, ter compreendido o papel fundamental do processo educativo para qualquer tomada de consciência. E é claro que estamos falando duma educação ativa e não bancária (Freire).
Da mesma maneira pode Rousseau perceber que a cognitividade humana conhece determinadas fases naturais, posteriormente classificadas por Decrolly, Wallon, Piaget e Vigotsky.
Continua.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Paulo Freire, o positivismo, o catolicismo e a neutralidade do ensino
Como tenho acompanhado de perto a recente polêmica suscitada pelos liberais e conservadores em torno dos pressupostos pedagógicos enunciados por Paulo Freire a respeito do dogma positivista da neutralidade do ensino e, simultaneamente repassado algumas leituras como o 'Manual de Pedagogia Moderna' de Everardo Backheuser (Globo 1941), o "Tratado de Pedagogia" de Mons Pedro Anísio (Civilização Brasileira 1935) e os compêndio do 'Tio Baldo' e de Amaral Fontoura dentre outros; aproveitei a oportunidade para escrevinhar algumas coisinhas.
Segue um fragmento de nossa reflexão:
De tudo quanto expusemos até aqui a respeito da objetividade material e da instrução formal, extraem os positivistas seu derradeiro dogma, o do ensino neutro, imparcial ou não ideológico e expurgado de todo conteúdo subjetivo ou individual.
Segundo declaram a Instrução técnico científica ministrada por eles tem por único fim e objetivo levar o educando a conhecer a realidade externa a si sendo por isso mesmo comum e isento. Afinal, não se trata aqui de julgar a realidade externa a partir que qualquer conteúdo interno de consciência ou de determinar arbitrariamente o que ela deveria vir a ser, mas apenas de perceber, registrar, descrever e compreender.
Por isso que o ensino positivista, sendo descritivo nada tem ou pode ter de crítico. Trata-se dum ensino comodista, cuja tônica não é questionar. Ao aluno resta a solução de inserir-se na realidade externa, de adaptar-se, acomodar-se e não de altera-la, isto sequer vem ao caso...
Assim o positivismo abdica de formar o homem todo ou de falar a sua vontade e da-se por satisfeito com o informar ou encher o intelecto.
Como já dissemos sua tônica é instruir e não educar.
E como em tese todos deverão receber as mesmas informações ou conteúdos determinados pelo currículo temos um ensino sem contaminação ideológico/subjetiva ou como dizem neutro.
Aqui como sempre contempla-nos o positivismo com um aluvião de palavras bonitas e propostas atraentes e, no entanto tudo isto não passa de pura falácia.
E para demonstra-lo basta-nos tomar o caminho do velho Sócrates (com seu 'Só sei que nada sei') e considerar que o tempo que gastarmos em qualquer estabelecimento de Ensino jamais será suficiente para informar-nos a respeito de tudo quanto se pode e deve aprender sobre o mundo. Mesmo que permanecessemos matriculados por um século numa escola de período integral não conseguiríamos obter a soma de informações necessárias a vida e ainda ficaria faltando muita, mas muita coisa.
O leitor certamente esta já a xingar-me por estar discursando sobre o obvio.
No entanto faço questão de assentar a existência de mais informações face ao tempo de que dispomos para adquiri-las para determinar que, diante disto, uma das tarefas do ensino formal ou informal, diz respeito a selecionar as informações ou fatos que serão ensinados aos educandos. Uma vez que não se pode nem cogita ensinar tudo faz-se mister escolher e é justamente aqui que a suposta neutralidade do ensino vai pelo ralo abaixo.
Consideremos no entanto, antes de tudo, as instâncias de escolha ou seleção de conteúdos: O currículo elaborado a nível nacional, o PPP elaborado em nossas UEs e o Plano de Ensino confeccionado por cada docente no início do ano letivo. Imaginemos assim um conteúdo que passa por no mínimo três peneiras sucessivas e uma mais fina do que a outra. E no fim temos apenas alguns resíduos, recortes ou fragmentos da realidade...
Agora cuidará você leitor inteligente que cada uma destas múltiplas seleções realizadas por homens e mulheres de carne e osso e vinculados a esta ou aquela instituição carece de intencionalidade ou de conotações ideológicas???
Seria o caso de tais pessoas ou organizações alienarem-se de seus próprios princípios e valores???
O que desejo salientar é que o aluno terá de aprender o que foi selecionado por outros com base em suas próprias crenças, opiniões, gostos, princípios e valores, consciente ou inconscientemente afirmados. É como já dissemos conteúdo parcial, fragmentado, recortado e este recorte não pode deixar de corresponder a determinada intencionalidade.
Não há como fugir a este dilema: Para instruir faz-se mistes escolher e para escolher partirá de seus princípios e valores, de um ideal de educação e de homem implantado em si. Diante de uma multidão de fatos o 'educador' haverá de selecionar alguns apenas e estes serão aqueles que melhor corresponderem a lição que pretenda inculcar segundo o critério da relevância. Os demais conteúdos ou lições permanecerão na penumbra ou receberão menos atenção pelo simples fato do professor encara-las como menos importantes. Ora este juízo sobre a importância dos fatos é sempre subjetivo e ideológico.
Quando você julga os conteúdos e decide o que haverá de ensinar a alguém e consequentemente o que este alguém irá aprender e saber apela ao critério da relevância e jamais poderá demonstrar que aquilo que é relevante para si é objetivamente relevante para todos.
É objetivamente relevante para o Mercado, mas não para a literatura, a estética, a religião, etc
Supor que nossos interesses correspondem ao interesse geral parece ser um erro fatal.
Eis porque o ato de decidir sobre o que haverá de ser aprendido pelos outros, enquanto ato eminentemente subjetivo e até arbitrário contamina a tão decantada neutralidade positivista. Mesmo quando tais conteúdos são amplamente discutidos por uma sociedade numa perspectiva democrática (o que ainda é raro) não podemos dizer que contemplam todas as necessidades e interesses ou que possuem um valor mais extenso que o daquela sociedade. Tanto pior quando realizada por um poder político arbitrário que aspira produzir determinado tipo de homem segundo suas necessidades e dispondo-se a oprimir a pessoa humana.
É evidente que todas estas iniciativas tenderão a afetar objetividade e neutralidade. No entanto elas supõem direção, ideal, projeto, tipo, etc Intencionalidade, princípios, valores e subjetividade.
Passemos agora da doutrina ao exemplo.
Para tanto tome-se um exemplar qualquer desses compêndios e publicações escolares inspiradas pelo ideário positivista e vejamos com que nos deparamos nelas.
Nada além de sucessivos sermões ou catequeses a respeito do papel exponencial e remidor da ciência, da fé no progresso da civilização moderna e enfim no amor abstrato a humanidade, a pátria e ao trabalho ou Mercado. A isto é que chamam neutralidade ou isenção... Uma reprodução ou decalque perfeito do ideal de sociedade positivista vigente na última quadra do século XIX.
Reforça-se aqui, mais uma vez, o que já havíamos dito: A obstinação em narrar ou descrever apenas e a marcada recusa em criticar, opor ou questionar não passa ela mesma de ideologia destinada a contemplar as exigências de um poder que aspira perpetuar-se ou a cimentar as pretensões conservadoras de certos setores da Sociedade. Por favor contemple apenas mas não toque em nada! Tais as exortações do positivismo.
Nada mais refinadamente ideológico do que esta afetação de neutralidade por um sistema que folga permanecer impassível face a miséria, a dor e aos sofrimentos humanos. Como no caso do antigo estoicismo acha-mo-nos diante duma imparcialidade criminosa ou duma omissão deplorável.
O positivismo, sejamos francos, com sua ciência abstrata e fria jamais se posta em favor do homem concreto e esta quase sempre pelo Mercado.
Passemos agora ao segundo exemplo não menos eloquente.
Temos um certo professor de História positivista, cientificista, liberal... e esta conta com cerca de sessenta horas aulas para gastar com a Idade Média. Diante disto ele toma o currículo ou o PPP e começa a dividir aquele mínimo saldo de aulas entre tão vasto conteúdo.
E como nosso mesmo Mestre que morre de amores pelo liberalismo econômico vive de ódio a Igreja romana opta por gastar no mínimo doze aulas (senão mais) dissertando minuciosamente sobre os horrores da Inquisição espanhola. Feito isto escolherá alguns outros temas do gênero: Cruzadas, bruxaria, peste negra, etc todos destinados a confirmar a velha ideia segundo a qual a Idade Média não passou duma Idade de trevas! Agora sobre a Civilização Cristã Bizantina, a teologia Escolástica, os feriados e dias santos em que o povo costumava descansar nada dirá, silenciando por completo.
Posteriormente, por falta de informação, nenhum daqueles alunos estará apto para questionar o jargão liberal segundo o qual o fim de semana ou repouso dominical teria sido gentilmente concedido aos trabalhadores modernos pelos bondosos patrões no decorres do século XIX. Tampouco quando interpelados pelos comunistas serão capazes de estabelecer que o primeiro modelo efetivo de serviço social em escala verdadeiramente ampla foi implementado pelo Império Cristão bizantino.
Pois nosso Mestre selecionador de fatos não considerou importante a abordagem de tais temas.
Diante disto com que propriedade se afirma ser a seleção de conteúdos neutra ou imparcial???
Se eu julgo e determino o que você deve perceber, saber, ver ou aprender os critérios são certamente meus e não seus e portanto ditados por meus gostos, inclinações, disposições, princípios e valores, o que basta para lançar fora a tal neutralidade. Consciente ou inconscientemente todos temos um ideal bem definido de homem (h positivista, h liberal, h individualista, h fascista, h nazista, h anarquista, h teocrático, etc) e de sociedade.
Então é bom que assumamos sem termos nosso ideal humanista de homem e justicionista de sociedade em oposição a todos os outros e implante-mo-lo no terreno da ética ou da lei natural
EDUCAR SEM MEDO!
Tecidas as considerações acima resta-nos admitir sem maiores rodeios o caráter normativo da Ciência pedagógica posto para um ideal bem definido de homem, o homem Ético, o homem humanizado, humanitário e humano.
Assumamos intrepidamente o ônus de educar ou de conduzir o menino ou o jovem a virtude, de moldar-lhe o caráter e de corrigir-lhe a vontade encaminhando-a para o bem, para o dever, para a identificação e a alteridade.
Educar é dirigir para um determinado fim, é guiar, é orientar. Educação supõem sempre uma diretividade. É plano, é projeto, é meta intencionalmente elaborada.
Meta sublime que visa a passagem da potência para o ato, o desenvolvimento das capacidades, a aquisição de habilidades, o exercitamento das qualidades, a realização das aspirações, a percepção de um sentido para a vida e enfim a conquista da felicidade. Pois é impossível que o homem em posse da virtude ou do bem seja infeliz.
Trata-se dum projeto de homem total e de educação integral que considera o corpo físico enquanto objeto de uma educação física e cuidados especiais, o intelecto ou a mente a ser treinada por meio da lógica e enfim da vontade a ser direcionada para o bem na mais larga escala possível. Assim teremos as idealidades da Beleza, da Verdade e do Bem incorporadas pelo menino, o jovem, o adulto e desenvolvidas até o fim da existência.
Segundo este projeto conteúdo algum é posto de lado. Pois todas as partes são nobres e todas as áreas precisam ser preenchidas e cultivadas, e estimuladas sob pena de mutilarmos o ser. Procedimental, Teórico/conceitual e Atitudinal associam-se num conjunto equilibrado para formar um todo perfeito e constituir uma personalidade completa e fascinante. Fugimos assim ao vício do intelectualismo artificioso que toca apenas a memória e a verbalização. E ao ensino mecânico ou adestramento.
Lutemos por resgatar a dignidade tantas vezes negada (pelo maniqueismo e puritanismo) do corpo humano e por integra-la a educação sem no entanto cairmos no extremo oposto abandonando a formação da vontade e relegando-a a ação individual extra escolar. Pelo contrário façamos da escola um santuário vivo da Ética e das aula de Filosofia um nicho para a discussão de tais problemas.
Por fim implica este projeto de homem um projeto de Sociedade, pois estão interligados. Do ponto de vista da ética humanista não podemos compreender a Sociedade senão como um organismo colaborativo regido pelos imperativos da alteridade, da solidariedade, da fraternidade, da igualdade, da liberdade, da justiça, da tolerância e da paz; o que nos remete no mínimo a um estado de bem esta social ou de social democracia. Eu não temeria falar em socialismo, trabalhismo, solidarismo, personalismo, desde que as pessoas mal intencionadas não compreendessem comunismo ou 'socialismo' totalitário.
O ideal no entanto é de justiça, bem comum, integração social, apoio mútuo; como já preconizavam Sócrates, Platão e Aristóteles. Não de rivalidade, concorrência, mercado; voltado para necessidades humanas e não financeiras. Claro que a Sociedade que preconizamos tende a restaurar o primado do SER sobre o TER e a fugir desta nêmesis materialista economicista.
Nem podería haver ideal verdadeiramente humanista de homem artificialmente justaposto a uma estrutura social capitalista. Isto sequer se discute. Portanto nosso ideal de homem e sociedade é a um tempo antigo e a outro novo e de nosso baú tiramos coisas novas e velhos para tudo corrigir e consertar.
Por fim gostaria de me dirigir aos professores e mestres que me acompanharam até aqui e dizer que aprendam cada vez mais a educar com a vida, por meio do exemplo, pois são os exemplos que arrebatam a juventude. Palavras comovem mas somente os exemplos arrebatam e promovem a imitação e a assimilação efetivas. Tornem-se assim modelos para seus alunos.
Só seremos educadores eficientes na medida em que soubermos que nosso trato pessoal é tão importante quanto os conteúdos curriculares e pedagógicos. Nossa ação só será fecunda e permanente na medida em que criarmos laços de afeto e carinho, em que amarmos e respeitarmos os nossos alunos. A partir daí o aluno transferirá a carga afetiva para os conteúdos e será levado a esforçar-se mais para assimila-lo. Foi Wallon quem fez esta constatação.
Não, não nos acomodemos nem deixemos de os conteúdos específicos de nossas disciplinas, não. Os alunos como ressalta Saviani precisam desses conteúdos para seguir em frente e conquistar um espaço. Conteúdos são instrumentos de emancipação, pois no mundo atual saber é poder e estar bem informado faz toda diferença. No entanto antes de tudo e acima de tudo ensinemos nossos meninos e meninas a bem viver, porque bem viver é o segredo da felicidade e mais vale um pedreiro infeliz do que um empresário amargurado (Domênico de Massi).
Educar é dirigir para um determinado fim, é guiar, é orientar. Educação supõem sempre uma diretividade. É plano, é projeto, é meta intencionalmente elaborada.
Meta sublime que visa a passagem da potência para o ato, o desenvolvimento das capacidades, a aquisição de habilidades, o exercitamento das qualidades, a realização das aspirações, a percepção de um sentido para a vida e enfim a conquista da felicidade. Pois é impossível que o homem em posse da virtude ou do bem seja infeliz.
Trata-se dum projeto de homem total e de educação integral que considera o corpo físico enquanto objeto de uma educação física e cuidados especiais, o intelecto ou a mente a ser treinada por meio da lógica e enfim da vontade a ser direcionada para o bem na mais larga escala possível. Assim teremos as idealidades da Beleza, da Verdade e do Bem incorporadas pelo menino, o jovem, o adulto e desenvolvidas até o fim da existência.
Segundo este projeto conteúdo algum é posto de lado. Pois todas as partes são nobres e todas as áreas precisam ser preenchidas e cultivadas, e estimuladas sob pena de mutilarmos o ser. Procedimental, Teórico/conceitual e Atitudinal associam-se num conjunto equilibrado para formar um todo perfeito e constituir uma personalidade completa e fascinante. Fugimos assim ao vício do intelectualismo artificioso que toca apenas a memória e a verbalização. E ao ensino mecânico ou adestramento.
Lutemos por resgatar a dignidade tantas vezes negada (pelo maniqueismo e puritanismo) do corpo humano e por integra-la a educação sem no entanto cairmos no extremo oposto abandonando a formação da vontade e relegando-a a ação individual extra escolar. Pelo contrário façamos da escola um santuário vivo da Ética e das aula de Filosofia um nicho para a discussão de tais problemas.
Por fim implica este projeto de homem um projeto de Sociedade, pois estão interligados. Do ponto de vista da ética humanista não podemos compreender a Sociedade senão como um organismo colaborativo regido pelos imperativos da alteridade, da solidariedade, da fraternidade, da igualdade, da liberdade, da justiça, da tolerância e da paz; o que nos remete no mínimo a um estado de bem esta social ou de social democracia. Eu não temeria falar em socialismo, trabalhismo, solidarismo, personalismo, desde que as pessoas mal intencionadas não compreendessem comunismo ou 'socialismo' totalitário.
O ideal no entanto é de justiça, bem comum, integração social, apoio mútuo; como já preconizavam Sócrates, Platão e Aristóteles. Não de rivalidade, concorrência, mercado; voltado para necessidades humanas e não financeiras. Claro que a Sociedade que preconizamos tende a restaurar o primado do SER sobre o TER e a fugir desta nêmesis materialista economicista.
Nem podería haver ideal verdadeiramente humanista de homem artificialmente justaposto a uma estrutura social capitalista. Isto sequer se discute. Portanto nosso ideal de homem e sociedade é a um tempo antigo e a outro novo e de nosso baú tiramos coisas novas e velhos para tudo corrigir e consertar.
Por fim gostaria de me dirigir aos professores e mestres que me acompanharam até aqui e dizer que aprendam cada vez mais a educar com a vida, por meio do exemplo, pois são os exemplos que arrebatam a juventude. Palavras comovem mas somente os exemplos arrebatam e promovem a imitação e a assimilação efetivas. Tornem-se assim modelos para seus alunos.
Só seremos educadores eficientes na medida em que soubermos que nosso trato pessoal é tão importante quanto os conteúdos curriculares e pedagógicos. Nossa ação só será fecunda e permanente na medida em que criarmos laços de afeto e carinho, em que amarmos e respeitarmos os nossos alunos. A partir daí o aluno transferirá a carga afetiva para os conteúdos e será levado a esforçar-se mais para assimila-lo. Foi Wallon quem fez esta constatação.
Não, não nos acomodemos nem deixemos de os conteúdos específicos de nossas disciplinas, não. Os alunos como ressalta Saviani precisam desses conteúdos para seguir em frente e conquistar um espaço. Conteúdos são instrumentos de emancipação, pois no mundo atual saber é poder e estar bem informado faz toda diferença. No entanto antes de tudo e acima de tudo ensinemos nossos meninos e meninas a bem viver, porque bem viver é o segredo da felicidade e mais vale um pedreiro infeliz do que um empresário amargurado (Domênico de Massi).
Com este ensaio dou razão a Paulo Freire e registro que muito antes dele o Pe Pedro Anísio (opus cit) em suas polêmicas contra liberais e positivistas já assentava o caráter intencional, diretivo e não neutro da educação. Desmontando com sucesso o espantalho da neutralidade que agora as nulidades do tempo querem ressuscitar.
Boa tarde queridos e queridas porque a proposta utópica de uma escola sem ideologia já é ela mesmo ideológica!!!
Boa tarde queridos e queridas porque a proposta utópica de uma escola sem ideologia já é ela mesmo ideológica!!!
Profo Domingos Pardal Braz, de São Vicente SP
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terça-feira, 29 de novembro de 2016
A falácia da reforma do Ensino
Qualquer sociedade que pretenda implementar dois tipos de 'ensino' diferentes, um 'intelectualizado', para a elite dirigente e outro para os técnicos, assume o encargo de decidir e determinar o futuro de seus membros.
Dirigir pessoas para funções de execução, alegando que estão escolhendo qualquer coisa, quando não verdade estão sendo sutilmente orientadas por uma realidade hostil e excludente é a mais refinada maneira oprimi-las.
É atitude destinada a alimentar o conformismo em torno de determinadas estruturas sociais que as elites dirigentes não desejam ver questionadas, quanto menos reformuladas. É modo porque cada um é posto em seu devido lugar e as diferenças históricas reproduzidas.
É modo porque o filho do médico continua sendo médico e o filho do funcionário continua sendo funcionário.
Penso que este tipo capcioso de política educacional esteja vinculado a polícia de cortes financeiros sempre voltados para o setor da educação.
Antes de tudo o governo golpista cortará os subsídios destinados a incluir os jovens de periferia nos cursos universitários. Em seguida criará ou ampliará ainda mais os cursos técnicos destinados a execução...
O trabalho da natureza será bastante simples: Por verem suas oportunidades educativas - no sentido de frequentar algum curso superior - drasticamente reduzidas tais jovens serão levados a abraçar o que lhes é oferecido i é as migalhas ou esmolas representadas pelo ensino técnico.
Sem maiores perspectivas, desesperançados e angustiados parte destes jovens aceitarão de bom grado a 'oportunidade' que lhes é oferecido por um ensino de segunda categoria destinado a formação de funções subalternas e não mais cobiçarão as vagas destinadas aos filhos da elite.
A simples diminuição da oferta de vagas disponibilizadas pelas universidades privadas conveniadas com o poder público determinará uma escolha que de modo algum será livre.
Por falta de investimentos educacionais não poderão escolher algo melhor.
Tampouco os pais acreditarão que seus filhos sendo pobres e estando inseridos em escolas públicas serão capazes de concorrer com os filhos dos ricos e de suplanta-los... Pelo que pressionarão seus rebentos a tomar a via mais 'realista' do ensino técnico.
A tendência dos mais humildes será oriental seus filhos desde pequenos para o ensino técnico e tirar de suas cabecinhas qualquer ambição em torno de um curso clássico destinado a inseri-los na faculdade Pública.
Os pais de origem mais simples encaminharão seus filhos instintivamente para o que esta mais próximo da realidade vivida por eles em termos de curso técnico e funções subalternas.
Eles mesmos, admitidas as exceções, não acreditam no potencial sócio transformador da educação, ao menos da educação pública.
Inserir dois tipos de cursos diferentes no Ensino público brasileiro: Um voltado para a escola técnica e outro para o ensino superior será como lançar água fria na fervura as famílias mais pobres.
As quais, caso coloquemos de lado os programas de inclusão universitária mantidos pelo Estado, em geral nutrem bem poucas esperanças, alias as mais rasteiras.
Satisfazendo-se com que os filhos sobrevivam como sobrevivem e que não morram de fome.
É modo porque o filho do médico continua sendo médico e o filho do funcionário continua sendo funcionário.
Penso que este tipo capcioso de política educacional esteja vinculado a polícia de cortes financeiros sempre voltados para o setor da educação.
Antes de tudo o governo golpista cortará os subsídios destinados a incluir os jovens de periferia nos cursos universitários. Em seguida criará ou ampliará ainda mais os cursos técnicos destinados a execução...
O trabalho da natureza será bastante simples: Por verem suas oportunidades educativas - no sentido de frequentar algum curso superior - drasticamente reduzidas tais jovens serão levados a abraçar o que lhes é oferecido i é as migalhas ou esmolas representadas pelo ensino técnico.
Sem maiores perspectivas, desesperançados e angustiados parte destes jovens aceitarão de bom grado a 'oportunidade' que lhes é oferecido por um ensino de segunda categoria destinado a formação de funções subalternas e não mais cobiçarão as vagas destinadas aos filhos da elite.
A simples diminuição da oferta de vagas disponibilizadas pelas universidades privadas conveniadas com o poder público determinará uma escolha que de modo algum será livre.
Por falta de investimentos educacionais não poderão escolher algo melhor.
Tampouco os pais acreditarão que seus filhos sendo pobres e estando inseridos em escolas públicas serão capazes de concorrer com os filhos dos ricos e de suplanta-los... Pelo que pressionarão seus rebentos a tomar a via mais 'realista' do ensino técnico.
A tendência dos mais humildes será oriental seus filhos desde pequenos para o ensino técnico e tirar de suas cabecinhas qualquer ambição em torno de um curso clássico destinado a inseri-los na faculdade Pública.
Os pais de origem mais simples encaminharão seus filhos instintivamente para o que esta mais próximo da realidade vivida por eles em termos de curso técnico e funções subalternas.
Eles mesmos, admitidas as exceções, não acreditam no potencial sócio transformador da educação, ao menos da educação pública.
Inserir dois tipos de cursos diferentes no Ensino público brasileiro: Um voltado para a escola técnica e outro para o ensino superior será como lançar água fria na fervura as famílias mais pobres.
As quais, caso coloquemos de lado os programas de inclusão universitária mantidos pelo Estado, em geral nutrem bem poucas esperanças, alias as mais rasteiras.
Satisfazendo-se com que os filhos sobrevivam como sobrevivem e que não morram de fome.
***
No entanto cada pessoa faz jus não a uma educação parcial voltada para o trabalho ou a função apenas mas a uma educação plena, ampla, profunda, integral e humana.
No entanto cada pessoa faz jus não a uma educação parcial voltada para o trabalho ou a função apenas mas a uma educação plena, ampla, profunda, integral e humana.
EDUCAÇÃO QUE A FORME E INFORME A RESPEITO DE SUA CONDIÇÃO, DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL, DA PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE BENS, DA ÉTICA, DA JUSTIÇA, DA LIBERDADE, DA CIDADANIA, DA CIÊNCIA, DO MUNDO EM QUE VIVE, ETC
É por uma educação que transcenda a pura e simples sobrevivência, as necessidades econômicas, a esfera mesquinha do trabalho, aos preconceitos familiares e sociais que pugnamos. Educação que personalize, que produza pessoas, que forme cidadãos críticos e reflexivos, que estimule o pensamento livre e a criatividade; eis nossa meta.
Afinal se o sujeito não lê o mundo em que vive, não o compreende, não se posiciona face a ele, não dialoga com ele e resigna-se a aceita-lo ou a inserir-se nele. Se o sujeito não tem esperança... Se é incapaz de antever outras possibilidades é o maior analfabeto. Inda que saiba ler e calcular muito bem.
Esta compreensão humana, global e totalizante é que o educador humanista aspira partilhar com seus alunos. De modo a que possam partir e contestar, criticar e dialogar com o mundo. Visando sua transformação.
Educação deve ser compreendida como algo dinâmico, destinada a alimentar esperanças em quem jamais teve e não em formar subalternos, súditos, empregados, funcionários, servidores, etc
A todos queremos dar ao menos a oportunidade de serem iguais, partindo da liberdade como condição comum a ser ampliada.
A todos queremos dar ao menos a oportunidade de serem iguais, partindo da liberdade como condição comum a ser ampliada.
***
Subtrair tal tipo de educação - integral e formativa - a pessoa, é certamente a melhor maneira de mutila-la, de diminui-la e de comanda-la. É arranca-la de suas condições e aliena-la. É negar-lhe sua identidade comum. É restringir suas potencialidades. É frustrar sua plena realização...
O mínimo que uma Sociedade inepta para incluir a maior parte de seus membros numa esfera superior do ensino pode fazer é propiciar-lhe uma educação humanista - de cujo currículo façam parte efetiva a Sociologia, a Psicologia, a Filosofia e a Arte (musical inclusive) além é claro da História (Que é a mestra da vida) e da geografia - já nos ensinos Fundamental e Médio!!!
Um Ensino técnico só é viável e aceitável quando seu currículo contém uma dose mínima de conteúdos humanos, destinados a alimentar a vida ética, a tolerância, a cidadania, o espírito científico, a dimensão da arte...
Eliminar por completo as disciplinas humanas de qualquer esfera do ensino público ou curso implica alienar e desumanizar esse homem com premeditado intuito de comanda-lo!
Em que pese a importância - reconhecida - das ciências exatas e da técnica para a vida, é apanágio exclusivo das ciências humanas ampliar e aprofundar a reflexão sobre o sentido das coisas bem como a direção da vida e dos atos humanos
Ignorar isto é ignorar Sócrates e todo legado clássico ou helênico que nos precede.
Xenofonte, lá no comecinho da 'Memorabilia' apresenta-nos Mestre Sócrates questionando a respeito de quem comanda e direciona a técnica e considerando que o conhecimento primordial é o conhecimento de si mesmo e da virtude, dos direitos, dos deveres, do bem e da justiça.
Pois a técnica será direcionada segundo tais valores.
Técnica é bom mas segundo Mestre Sócrates não produz consciência Ética que toque ao que seja bom ou mau, virtuoso ou viciado, certo ou errado...
A consciência Ética brota por assim dizer da consideração de determinadas situações humanas.
Jamais contempladas pela matemática, a física, a química ou mesmo a alta biologia.
Portanto se assumimos um discurso ÉTICO sejamos coerentes e admitamos a proeminência das ciências humanas e a necessidade de uma educação integral i é ao menos em parte humanista.
Do contrário resignemos a não viver este padrão ético de vida.
Sejamos enfim honestos e coerentes porque a dimensão ética da vida não brotará de declinações verbais, equações, inequações, tabelas periódicas, etc...
Ah deixaremos a ética, numa perspectiva relativista e subjetivista, ao encargo de cada indivíduo (o qual poderá inclusive não ser ético rsrsrsrs). MAS ISTO JÉ É UM OPÇÃO IDEOLÓGICA BASTANTE DEFINIDA E ANTI SOCRÁTICA E ANTI HUMANISTA. Na medida em que deixa antever não ter a ética muito valor ou a impossibilidade de estabelecermos uma ética comum... ORA TUDO ISTO É IDEOLÓGICO ANTI SOCRÁTICO E ANTI HUMANISTA...
A consciência Ética brota por assim dizer da consideração de determinadas situações humanas.
Jamais contempladas pela matemática, a física, a química ou mesmo a alta biologia.
Portanto se assumimos um discurso ÉTICO sejamos coerentes e admitamos a proeminência das ciências humanas e a necessidade de uma educação integral i é ao menos em parte humanista.
Do contrário resignemos a não viver este padrão ético de vida.
Sejamos enfim honestos e coerentes porque a dimensão ética da vida não brotará de declinações verbais, equações, inequações, tabelas periódicas, etc...
Ah deixaremos a ética, numa perspectiva relativista e subjetivista, ao encargo de cada indivíduo (o qual poderá inclusive não ser ético rsrsrsrs). MAS ISTO JÉ É UM OPÇÃO IDEOLÓGICA BASTANTE DEFINIDA E ANTI SOCRÁTICA E ANTI HUMANISTA. Na medida em que deixa antever não ter a ética muito valor ou a impossibilidade de estabelecermos uma ética comum... ORA TUDO ISTO É IDEOLÓGICO ANTI SOCRÁTICO E ANTI HUMANISTA...
Enfim uma educação de seja apenas e tão somente técnica e tecnicista sempre será mutiladora e miserável.
Implementar um tipo de Educação como este é semear com os nazistas, fascistas, comunistas, teocráticos e COM TODOS OS TOTALITÁRIOS ADEPTOS DA CULTURA DA MORTE.
Caso estejamos decididos a semear ventos não reclamemos quanto as tempestades e tormentas que sobrevirão em seguida!
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Instruir ou educar?
Não sou radical.
As vezes radicalismo é necessário.
Devemos ser radicalmente justos...
Na maioria das vezes porém os radicalismos são maléficos.
Em educação há dois extremos bem distintos. Alias em educação há diversos extremos.
Um deles no entanto diz respeito ao instruir e ao educar.
Reflexo da velha e decantada 'oposição' entre teoria e prática.
Há vertente que opõem-se a instrução. Há até vertente que se opõem a existência da Escola e do professor...
Não sou contra a instrução, a escola, o professor...
Penso no entanto que tais realidades devam ser repensadas.
Aprofundadas, ampliadas, redimensionadas...
Classificar o ato de instruir como mau parece-me aberrante.
Mesmo no 'mundo da informação' instruir continua sendo necessário.
A carga de informação é tanta e tão grande que o homem moderno precisa aprender a lidar criticamente com ela.
O que exige a assimilação de certo elemento teórico.
A própria formação do hábito exige pressupostos teóricos.
Ser crítico é hábito que alimenta-se de teoria, que lida com teorias, que exerce juízo sobre teorias.
De fato quando o preceptor limita-se a instruir executa um trabalho incompleto e quiçá superficial.
Importa plasmar comportamentos e criar hábitos. Educar.
Toda instrução deve ser superada, completada ou ultrapassada pela educação.
Não se trata aqui de comunicar ou transmitir conteúdos; mas de fazer-se imitar, de contagiar com o exemplo, de revelar a possibilidade da auto educação enquanto processo que se perpetua durante toda vida.
Para além de ensinar a ler, escrever, contar, calcular, etc o educador de verdade deve fazer com que seus alunos gostem de aprender. Professor realizado é aquele que conseguiu despertar nos educandos o amor pelo saber!
Ser professor é aspirar por ser desnecessário e ficar contente por ter se tornado desnecessário. Que o filho aprenda a caminhar sozinho é o supremo desejo dos pais... que o educando aprenda a instruir-se, a obter as informações, a refletir, a julga-las, a posicionar-se criticamente, a exercer sua autonomia deve ser a meta do educador humanista...
"Que ele cresça e eu desapareça." deve ser nosso leme.
Educar é educar para a autonomia, para a independência, para igualdade.
Instruir ou informar é ato que por si só poderia prolongar-se por séculos sem jamais esgotar-se. Produzindo assim um laço de dependência. Educar é estimular a aquisição de posturas, de princípios, valores, habilidades, competências, etc que nortearão o processo educativo pelo resto da vida...
Instruir por si só não liberta a quem quer que seja. Educar é ato essencialmente libertador.
Instruir é comunicar conceitos ou teorias via de regras por meio da palavra oral ou escrita. Implica despejar em maior ou menor medida. Implica orientar, guiar, corrigir, etc o que não deixa de ser necessário, especialmente nas séries iniciais.
Educar é coisa que se faz antes de tudo pelo exemplo.
Caso esperemos que nossos alunos amem a justiça, não basta declamar poesias ou fazer belos discursos a respeito dela. Mas praticar a justiça e ser inflexivelmente justo em sala de aula; jamais compactuando com a injustiça.
Caso desejemos que amem a leitura, temos de ler em sala de aula com eles e diante deles, temos de leva-los a Biblioteca, temos de estimular e favorecer de todas as formas possíveis a leitura dos livros distribuídos na Escola, temos de tentar produzir gibis e livros com a turma... e não de sermoar.
Esperamos que nosso aluno apresente-se asseado na escola; antecipe-mo-nos e apresente-mo-nos sempre muito bem asseados em nossas classes.
Esperemos que nossos pupilos sejam corteses. Comecemos praticando a cortesia com eles e esbanjando fórmulas como: Bom dia! Com licença! Por favor! Muito obrigado! Nem posso crer que um educador de verdade sinta-se humilhado por ser amável e cortes com seus alunos! Antes julgo que se não é fácil ao menos tentar sorrir para eles, a causa esta perdida...
Problemático é educar com a cara feia...
Ninguém sabe disto melhor do que o governo.
Para o qual é sempre bom negócio transformar escolas em Val de lágrimas ou calvários estudantis... em espaços opressores, em que os alunos se sentem mal, e em que encontram dificuldades para aprender.
Se há alegria, felicidade ou prazer o educador esta a meio passo de consumar sua tarefa...
Educar é tarefa a que muito facilita o contentamento e a que muito atrapalha o desconforto.
Assim se o aluno encara a escola como um espaço triste, desagradável ou chato nossa tarefa fica seriamente dificultada.
Sabem-no como registramos a pouco governos como o de São Paulo (estado) e Paraná. Daí buscarem dificultar ao máximo as vidas de seus educadores, restringir seus direitos, tornar suas jornadas penosas, humilha-los em sessões de HTPCs, esbordoa-los publicamente; em suma desvaloriza-los e desmotiva-los ao máximo até torna-los bárbaros, cruéis e insensíveis.
É o estado liberal responsável pela falência do processo educativo na mesma medida em que tira do professor a satisfação de ensinar, que mata nele o gosto pela educação, que priva-o das condições necessárias para amar e encarar seu aluno com carinho, que sobrecarrega-o com preocupações inúteis, que onera-o com tarefas desnecessárias, que transforma sua carreira num 'inferno' profissional...
Desampara o docente, permite que a estrutura material se desmantele, recusa-se a produzir as alterações espaciais necessárias... IMPLEMENTA - POR MEIO DUMA GESTÃO DESASTROSA - A FALÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO, para em seguida propor sua privatização!
Para além disto, como já dissemos, o aluno aprende muito menos neste tipo de Escola... Não consegue sair da caverna, permanece preso as velhas e ultrapassadas formas de pensamento, e... impossibilitado de ultrapassar os preconceitos, fecha-se em seu mundinho para sempre.
É um tipo de educação que raramente produz qualquer sentido social, político, econômico... mais profundo, qualquer tipo de consciência mais refinada... qualquer tipo de questionamento mais sério. É educação falsa, que não produz ruptura, reflexão, posicionamento crítico, compreensão de mundo.
Num ambiente seletivo como este que pode fazer o bom professor, o educador consciente, o preceptor honesto???
Não quero ser pessimista e declarar que ele nada possa fazer.
Jamais desesperei do amor, do carinho, da justiça, da justiça, do bem, da virtude... mesmo que as condições materiais sejam dramáticas e as estruturas opressoras.
Mas também não posso crer que tais esforços possam alterar sensivelmente a dimensão social desta triste realidade.
Não possuímos um exército de mártires ou monges a serviço de uma educação humana.
Por outro lado não é desprezível o número de educadores que premidos pelas forças do currículo e da equipe gestora limitam-se a reproduzir mecânica e acriticamente o que é decretado, havendo também certo número de individualistas e carreiristas, os quais buscam manter seus cargos sem maiores preocupações.
Nem vejo como alguém possa 'educar' numa perspectiva ética sem sentir-se incomodado pela seletividade arbitrária do sistema.
Diante disto, que fazer?
Abandona-lo???
A educador algum que acalente o bom idealismo de inserir-se para fazer oposição ao sistema, direi que não o faça o que não valha a pena. Direi que será um grande desafio, que se aborrecerá, que sofrerá, que padecerá... mas de modo algum direi que não o faça ou que não vá.
"O coração tem lá suas razões que a razão desconhece."
Apesar de ter chegado a meus limites e de - ao cabo de quase dez anos - ter desistido posso dizer que tenho bons motivos para alegrar-me pelo pouco que pude fazer no contexto do Ensino público do Estado de S Paulo. E até posso crer que o pouco que fiz foi muito. Valeu pelas almas que da caverna retirei. Não sei e talvez jamais venha a saber quantas foram... mas valeu por elas.
Importa ter comunicado algum amor pelo saber, algum sentido de alteridade, alguma consciência de justiça, alguma estima pela cultura científica...
Sempre que necessário informei, corrigi, orientei mas, acima de tudo busquei educar por meio do exemplo.
Busquei levar a meus queridos alunos atitudes que perdurem no decorrer de suas vidas.
'Aprender a aprender', 'Aprender a ser' e acima de tudo 'aprender a conviver' foi o quanto busquei despertar neles. Enfatizando sempre a importância da prática, sem ignorar o valor da teoria. Busquei fazer ponte entre os extremos e indicar um meio termo.
Pensei sobretudo em formar pessoas solidárias.
Não intelectuais que fabriquem bombas e venenos...
Prefiro a ignorância dos que amam e buscam beneficiar seus semelhantes.
Prefiro uma lavadeira compadecida, que saiba compadecer-se de um animalzinho qualquer, a um doutor diplomado que chute um cão ou um gato.
Apesar dos diplomas, títulos, condecorações, medalhas, etc não confio em pessoas que torturam e matam animais, que maltratam os mais humildes, que tem preço por alto que custe.
Precisamos de homens ou mulheres que tenham valor, não preço.
De seres verdadeiramente humanos que não se vendam, não se prostituam e não negociem.
Que saibam se opor ao que esta errado e resistir.
Do contrário repetiremos os velhos erros do nazismo e do comunismo.
Nem me refiro ao outro sistema: que sobrepõem o TER ao SER!
Não podemos permanecer atrelados a estas culturas de morte.
Temos de educar para a justiça, o amor, o ser, a liberdade, a vida, o bem, a paz, etc E de educar por meio da linguagem mais poderosa que há: o exemplo.
Professor, professora: fale menos, viva mais. Sua melhor e maior lição é sua vida, não se iluda, não se equivoque, não se engane! Confie mais em suas ações do que em suas palavras!
Menos sermões e discursos fastidiosos; mais carinhos, sorrisos, abraços, beijos, afeto, cortesia, respeito!
Não tenha medo de construir vínculos afetivos respeitosos e saudáveis, pois como alerta Wallon, são eles que tornarão o ensino significativo para nossas crianças.
Se o aluno gostar de você não terá dificuldade em interessar-se pelos conteúdos ministrados. Se ele desgostar de você as chances de transferir tal desgosto para os conteúdos são enormes...
Então faça-se gostar, seja amável, jovial, entusiasmado! Apesar do Estado, dos problemas, do salário, etc se é a profissão que escolheu busque desempenha-la da melhor maneira possível. Pense sempre no professor que queria que seus filhos e netos tivesse e torne-se digno desta meta.
Não desista, não se acomode, não desanime; lute, lute como um leão.
As vezes radicalismo é necessário.
Devemos ser radicalmente justos...
Na maioria das vezes porém os radicalismos são maléficos.
Em educação há dois extremos bem distintos. Alias em educação há diversos extremos.
Um deles no entanto diz respeito ao instruir e ao educar.
Reflexo da velha e decantada 'oposição' entre teoria e prática.
Há vertente que opõem-se a instrução. Há até vertente que se opõem a existência da Escola e do professor...
Não sou contra a instrução, a escola, o professor...
Penso no entanto que tais realidades devam ser repensadas.
Aprofundadas, ampliadas, redimensionadas...
Classificar o ato de instruir como mau parece-me aberrante.
Mesmo no 'mundo da informação' instruir continua sendo necessário.
A carga de informação é tanta e tão grande que o homem moderno precisa aprender a lidar criticamente com ela.
O que exige a assimilação de certo elemento teórico.
A própria formação do hábito exige pressupostos teóricos.
Ser crítico é hábito que alimenta-se de teoria, que lida com teorias, que exerce juízo sobre teorias.
De fato quando o preceptor limita-se a instruir executa um trabalho incompleto e quiçá superficial.
Importa plasmar comportamentos e criar hábitos. Educar.
Toda instrução deve ser superada, completada ou ultrapassada pela educação.
Não se trata aqui de comunicar ou transmitir conteúdos; mas de fazer-se imitar, de contagiar com o exemplo, de revelar a possibilidade da auto educação enquanto processo que se perpetua durante toda vida.
Para além de ensinar a ler, escrever, contar, calcular, etc o educador de verdade deve fazer com que seus alunos gostem de aprender. Professor realizado é aquele que conseguiu despertar nos educandos o amor pelo saber!
Ser professor é aspirar por ser desnecessário e ficar contente por ter se tornado desnecessário. Que o filho aprenda a caminhar sozinho é o supremo desejo dos pais... que o educando aprenda a instruir-se, a obter as informações, a refletir, a julga-las, a posicionar-se criticamente, a exercer sua autonomia deve ser a meta do educador humanista...
"Que ele cresça e eu desapareça." deve ser nosso leme.
Educar é educar para a autonomia, para a independência, para igualdade.
Instruir ou informar é ato que por si só poderia prolongar-se por séculos sem jamais esgotar-se. Produzindo assim um laço de dependência. Educar é estimular a aquisição de posturas, de princípios, valores, habilidades, competências, etc que nortearão o processo educativo pelo resto da vida...
Instruir por si só não liberta a quem quer que seja. Educar é ato essencialmente libertador.
Instruir é comunicar conceitos ou teorias via de regras por meio da palavra oral ou escrita. Implica despejar em maior ou menor medida. Implica orientar, guiar, corrigir, etc o que não deixa de ser necessário, especialmente nas séries iniciais.
Educar é coisa que se faz antes de tudo pelo exemplo.
Caso esperemos que nossos alunos amem a justiça, não basta declamar poesias ou fazer belos discursos a respeito dela. Mas praticar a justiça e ser inflexivelmente justo em sala de aula; jamais compactuando com a injustiça.
Caso desejemos que amem a leitura, temos de ler em sala de aula com eles e diante deles, temos de leva-los a Biblioteca, temos de estimular e favorecer de todas as formas possíveis a leitura dos livros distribuídos na Escola, temos de tentar produzir gibis e livros com a turma... e não de sermoar.
Esperamos que nosso aluno apresente-se asseado na escola; antecipe-mo-nos e apresente-mo-nos sempre muito bem asseados em nossas classes.
Esperemos que nossos pupilos sejam corteses. Comecemos praticando a cortesia com eles e esbanjando fórmulas como: Bom dia! Com licença! Por favor! Muito obrigado! Nem posso crer que um educador de verdade sinta-se humilhado por ser amável e cortes com seus alunos! Antes julgo que se não é fácil ao menos tentar sorrir para eles, a causa esta perdida...
Problemático é educar com a cara feia...
Ninguém sabe disto melhor do que o governo.
Para o qual é sempre bom negócio transformar escolas em Val de lágrimas ou calvários estudantis... em espaços opressores, em que os alunos se sentem mal, e em que encontram dificuldades para aprender.
Se há alegria, felicidade ou prazer o educador esta a meio passo de consumar sua tarefa...
Educar é tarefa a que muito facilita o contentamento e a que muito atrapalha o desconforto.
Assim se o aluno encara a escola como um espaço triste, desagradável ou chato nossa tarefa fica seriamente dificultada.
Sabem-no como registramos a pouco governos como o de São Paulo (estado) e Paraná. Daí buscarem dificultar ao máximo as vidas de seus educadores, restringir seus direitos, tornar suas jornadas penosas, humilha-los em sessões de HTPCs, esbordoa-los publicamente; em suma desvaloriza-los e desmotiva-los ao máximo até torna-los bárbaros, cruéis e insensíveis.
É o estado liberal responsável pela falência do processo educativo na mesma medida em que tira do professor a satisfação de ensinar, que mata nele o gosto pela educação, que priva-o das condições necessárias para amar e encarar seu aluno com carinho, que sobrecarrega-o com preocupações inúteis, que onera-o com tarefas desnecessárias, que transforma sua carreira num 'inferno' profissional...
Desampara o docente, permite que a estrutura material se desmantele, recusa-se a produzir as alterações espaciais necessárias... IMPLEMENTA - POR MEIO DUMA GESTÃO DESASTROSA - A FALÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO, para em seguida propor sua privatização!
Para além disto, como já dissemos, o aluno aprende muito menos neste tipo de Escola... Não consegue sair da caverna, permanece preso as velhas e ultrapassadas formas de pensamento, e... impossibilitado de ultrapassar os preconceitos, fecha-se em seu mundinho para sempre.
É um tipo de educação que raramente produz qualquer sentido social, político, econômico... mais profundo, qualquer tipo de consciência mais refinada... qualquer tipo de questionamento mais sério. É educação falsa, que não produz ruptura, reflexão, posicionamento crítico, compreensão de mundo.
Num ambiente seletivo como este que pode fazer o bom professor, o educador consciente, o preceptor honesto???
Não quero ser pessimista e declarar que ele nada possa fazer.
Jamais desesperei do amor, do carinho, da justiça, da justiça, do bem, da virtude... mesmo que as condições materiais sejam dramáticas e as estruturas opressoras.
Mas também não posso crer que tais esforços possam alterar sensivelmente a dimensão social desta triste realidade.
Não possuímos um exército de mártires ou monges a serviço de uma educação humana.
Por outro lado não é desprezível o número de educadores que premidos pelas forças do currículo e da equipe gestora limitam-se a reproduzir mecânica e acriticamente o que é decretado, havendo também certo número de individualistas e carreiristas, os quais buscam manter seus cargos sem maiores preocupações.
Nem vejo como alguém possa 'educar' numa perspectiva ética sem sentir-se incomodado pela seletividade arbitrária do sistema.
Diante disto, que fazer?
Abandona-lo???
A educador algum que acalente o bom idealismo de inserir-se para fazer oposição ao sistema, direi que não o faça o que não valha a pena. Direi que será um grande desafio, que se aborrecerá, que sofrerá, que padecerá... mas de modo algum direi que não o faça ou que não vá.
"O coração tem lá suas razões que a razão desconhece."
Apesar de ter chegado a meus limites e de - ao cabo de quase dez anos - ter desistido posso dizer que tenho bons motivos para alegrar-me pelo pouco que pude fazer no contexto do Ensino público do Estado de S Paulo. E até posso crer que o pouco que fiz foi muito. Valeu pelas almas que da caverna retirei. Não sei e talvez jamais venha a saber quantas foram... mas valeu por elas.
Importa ter comunicado algum amor pelo saber, algum sentido de alteridade, alguma consciência de justiça, alguma estima pela cultura científica...
Sempre que necessário informei, corrigi, orientei mas, acima de tudo busquei educar por meio do exemplo.
Busquei levar a meus queridos alunos atitudes que perdurem no decorrer de suas vidas.
'Aprender a aprender', 'Aprender a ser' e acima de tudo 'aprender a conviver' foi o quanto busquei despertar neles. Enfatizando sempre a importância da prática, sem ignorar o valor da teoria. Busquei fazer ponte entre os extremos e indicar um meio termo.
Pensei sobretudo em formar pessoas solidárias.
Não intelectuais que fabriquem bombas e venenos...
Prefiro a ignorância dos que amam e buscam beneficiar seus semelhantes.
Prefiro uma lavadeira compadecida, que saiba compadecer-se de um animalzinho qualquer, a um doutor diplomado que chute um cão ou um gato.
Apesar dos diplomas, títulos, condecorações, medalhas, etc não confio em pessoas que torturam e matam animais, que maltratam os mais humildes, que tem preço por alto que custe.
Precisamos de homens ou mulheres que tenham valor, não preço.
De seres verdadeiramente humanos que não se vendam, não se prostituam e não negociem.
Que saibam se opor ao que esta errado e resistir.
Do contrário repetiremos os velhos erros do nazismo e do comunismo.
Nem me refiro ao outro sistema: que sobrepõem o TER ao SER!
Não podemos permanecer atrelados a estas culturas de morte.
Temos de educar para a justiça, o amor, o ser, a liberdade, a vida, o bem, a paz, etc E de educar por meio da linguagem mais poderosa que há: o exemplo.
Professor, professora: fale menos, viva mais. Sua melhor e maior lição é sua vida, não se iluda, não se equivoque, não se engane! Confie mais em suas ações do que em suas palavras!
Menos sermões e discursos fastidiosos; mais carinhos, sorrisos, abraços, beijos, afeto, cortesia, respeito!
Não tenha medo de construir vínculos afetivos respeitosos e saudáveis, pois como alerta Wallon, são eles que tornarão o ensino significativo para nossas crianças.
Se o aluno gostar de você não terá dificuldade em interessar-se pelos conteúdos ministrados. Se ele desgostar de você as chances de transferir tal desgosto para os conteúdos são enormes...
Então faça-se gostar, seja amável, jovial, entusiasmado! Apesar do Estado, dos problemas, do salário, etc se é a profissão que escolheu busque desempenha-la da melhor maneira possível. Pense sempre no professor que queria que seus filhos e netos tivesse e torne-se digno desta meta.
Não desista, não se acomode, não desanime; lute, lute como um leão.
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terça-feira, 13 de outubro de 2015
Reflexões em torno do ensino tecnicista ou positivista
Teleologicamente (e não teologicamente) temos apenas duas correntes pedagógicas.
A que pretende inserir o ser humano na realidade existente, fazendo com que a ela se adapte sem questionar ou cogitar sua transformação - tal o ideário conservador! - e a que acena com a possibilidade da transformação ou da mudança; tal o ideário progressista.
A que pretende inserir o ser humano na realidade existente, fazendo com que a ela se adapte sem questionar ou cogitar sua transformação - tal o ideário conservador! - e a que acena com a possibilidade da transformação ou da mudança; tal o ideário progressista.
Importa saber que as duas correntes são determinantes de matrizes curriculares bastante distintas.
Buscando inserir dentro de determinados limites o ideário conservador esta voltado antes de tudo para o saber cumprir determinadas tarefas relacionadas com determinada função; assim saber ler, escrever, contar, calcular e operar esta ou aquela máquina.
Fornecendo ao sujeito uma visão bastante limitada do mundo ou da realidade em que viva. Trata-se de um tipo de educação que sendo restrita, restringe as possibilidades do sujeito, determinando seu futuro...
Este tipo de educação conformista insiste que o sujeito deve trabalhar para ganhar dinheiro e ganhar dinheiro para viver. Quase nunca passa disto. Recusa-se e a indagar sobre a relação trabalho valor, sobre preço justo, salário família, fortuna e miséria, luxo e abastança, desigualdade social, justiça, etc É como se o 'ideal' inexistisse para ela... Existe apenas o real e ele é o que é.
Buscando inserir dentro de determinados limites o ideário conservador esta voltado antes de tudo para o saber cumprir determinadas tarefas relacionadas com determinada função; assim saber ler, escrever, contar, calcular e operar esta ou aquela máquina.
Fornecendo ao sujeito uma visão bastante limitada do mundo ou da realidade em que viva. Trata-se de um tipo de educação que sendo restrita, restringe as possibilidades do sujeito, determinando seu futuro...
Este tipo de educação conformista insiste que o sujeito deve trabalhar para ganhar dinheiro e ganhar dinheiro para viver. Quase nunca passa disto. Recusa-se e a indagar sobre a relação trabalho valor, sobre preço justo, salário família, fortuna e miséria, luxo e abastança, desigualdade social, justiça, etc É como se o 'ideal' inexistisse para ela... Existe apenas o real e ele é o que é.
Nem se supõem que façamos parte do real ou que possamos denuncia-lo, repudia-lo, critica-lo, redefini-lo, altera-lo... Apenas conserva-lo como é pela inserção ou adaptação.
Trata-se dum padrão educativo técnico ou tecnicista construído em torno de um saber fazer na maior parte das vezes desvinculado do todo.
Importa que saiba digitar os preços dos produtos no teclado e cobrar os fregueses.
Nada sobre a fabricação dos produtos, o trabalho empenhado, as matérias primas, a destruição do meio ambiente, os agrotóxicos, o latifúndio, o produtor assalariado, o consumidor, o atravessador, a inflação, o valor, etc CAIXA DE MERCADO NADA PRECISA SABER NESTE SENTIDO!!!
Basta que cumpra sua função, que se adapte, que aceite as coisas como são... sem questionar porque ganha apenas um salário enquanto o gerente ganha dez salários e o proprietário mais de cem ou duzentos salários.
É toda uma educação que não passa da superfície e que gira em torno de aparências.
Trata-se dum padrão educativo técnico ou tecnicista construído em torno de um saber fazer na maior parte das vezes desvinculado do todo.
Importa que saiba digitar os preços dos produtos no teclado e cobrar os fregueses.
Nada sobre a fabricação dos produtos, o trabalho empenhado, as matérias primas, a destruição do meio ambiente, os agrotóxicos, o latifúndio, o produtor assalariado, o consumidor, o atravessador, a inflação, o valor, etc CAIXA DE MERCADO NADA PRECISA SABER NESTE SENTIDO!!!
Basta que cumpra sua função, que se adapte, que aceite as coisas como são... sem questionar porque ganha apenas um salário enquanto o gerente ganha dez salários e o proprietário mais de cem ou duzentos salários.
É toda uma educação que não passa da superfície e que gira em torno de aparências.
Uma educação discriminatória e criminosa que determina funções e formas de vida, dispondo de pessoas como de peças num tabuleiro de xadrez.
Sua função é viver de salário e obedecer, enquanto a daquele jovem filhinho de papai, que nasceu em berço de ouro e cursa faculdade de engenharia é viver de renda e comandar.
Por isso ele haverá de cursar um tipo de ensino superior ao seu e ter acesso a saberes mais amplos... a que o vulgo profano não tem acesso.
É um tipo de ensino desigual pois reserva a alguns privilegiados apenas o 'segredo do reino'.
Comandam e comandam bem porque conhecem relativamente bem uma realidade que de modo algum desejam mudar.
Sua função é viver de salário e obedecer, enquanto a daquele jovem filhinho de papai, que nasceu em berço de ouro e cursa faculdade de engenharia é viver de renda e comandar.
Por isso ele haverá de cursar um tipo de ensino superior ao seu e ter acesso a saberes mais amplos... a que o vulgo profano não tem acesso.
É um tipo de ensino desigual pois reserva a alguns privilegiados apenas o 'segredo do reino'.
Comandam e comandam bem porque conhecem relativamente bem uma realidade que de modo algum desejam mudar.
É um tipo de educação anti ético na medida em que jamais questiona o que é ou a realidade existente em termos de princípios e valores como o bem e a justiça, assumindo os pressupostos materialistas do positivismo ortodoxo e concentrando-se apenas no que é dado.
E por ser anti ético é oportunista; uma vez que o estado de coisas a ser conservado não pode deixar de beneficiar a este ou aquele.
Conservar não é algo neutro mas ditado por uma intencionalidade consciente.
Não se conserva porque não se deve ou pode mudar mas porque não se quer e se não se quer é por que a situação beneficia a alguém.
Materialismo, positivismo ou tecnicismo tem dificuldade em trabalhar com o que deve ser, com o ideal, com a ética...
Já a educação humanista, progressiva ou integral preceitua que o educando, seja qual for sua condição social ou a profissão que venha a escolher tem o direito de conhecer a realidade como um todo, de multiplicar seus porques, de exigir explicações, de fazer perguntas, de questionar de criticar, de ampliar e aprofundar seus conhecimento, de tirar suas conclusões e de se for o caso, rebelar-se contra sua situação vivida, e opor-se a realidade que lhe é dada, e buscar altera-la segundo os princípios e valores que julga serem verdadeiros.
Para tanto não basta conhecer português, matemática e mais alguma técnica; mas estudar biologia, História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Psicologia, etc explorando cada setor do conhecimento humano e adquirindo uma compreensão mais abrangente em termos de realidade.
Implica saber o que é tempo, espaço, evolução, sociedade, razão, percepção, etc Conceitos sem os quais jamais poderá realizar-se plenamente como pessoa.
Não se trata de ocupar uma função remunerada ou um viver de salário mínimo; mas de formar a própria consciência integralmente buscando desenvolver todas as potencialidades; as habilidades e as competências.
Trata-se de ultrapassar os limites estreitos em que somos enclausurados pela sociedade econômica, e conhecer de fato o mundo que nos cerca e a realidade que nos condiciona. Trata-se de superar-se enquanto ser racional, livre e criativo.
Trata-se de possibilidade de recusar-se a ser determinado ou de ter seu local, seu espaço, sua vida, definidos por outros!
Trata-se de assumir-se como agente do processo histórico.
E por ser anti ético é oportunista; uma vez que o estado de coisas a ser conservado não pode deixar de beneficiar a este ou aquele.
Conservar não é algo neutro mas ditado por uma intencionalidade consciente.
Não se conserva porque não se deve ou pode mudar mas porque não se quer e se não se quer é por que a situação beneficia a alguém.
Materialismo, positivismo ou tecnicismo tem dificuldade em trabalhar com o que deve ser, com o ideal, com a ética...
Já a educação humanista, progressiva ou integral preceitua que o educando, seja qual for sua condição social ou a profissão que venha a escolher tem o direito de conhecer a realidade como um todo, de multiplicar seus porques, de exigir explicações, de fazer perguntas, de questionar de criticar, de ampliar e aprofundar seus conhecimento, de tirar suas conclusões e de se for o caso, rebelar-se contra sua situação vivida, e opor-se a realidade que lhe é dada, e buscar altera-la segundo os princípios e valores que julga serem verdadeiros.
Para tanto não basta conhecer português, matemática e mais alguma técnica; mas estudar biologia, História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Psicologia, etc explorando cada setor do conhecimento humano e adquirindo uma compreensão mais abrangente em termos de realidade.
Implica saber o que é tempo, espaço, evolução, sociedade, razão, percepção, etc Conceitos sem os quais jamais poderá realizar-se plenamente como pessoa.
Não se trata de ocupar uma função remunerada ou um viver de salário mínimo; mas de formar a própria consciência integralmente buscando desenvolver todas as potencialidades; as habilidades e as competências.
Trata-se de ultrapassar os limites estreitos em que somos enclausurados pela sociedade econômica, e conhecer de fato o mundo que nos cerca e a realidade que nos condiciona. Trata-se de superar-se enquanto ser racional, livre e criativo.
Trata-se de possibilidade de recusar-se a ser determinado ou de ter seu local, seu espaço, sua vida, definidos por outros!
Trata-se de assumir-se como agente do processo histórico.
É progressista a educação que recusa-se a restringir a existência humana as necessidades de um mercado econômico.
É humana e humanista a educação que fraqueia a todos os cidadãos livre acesso ao Ensino Superior.
É integral a educação cujos agentes buscam uma qualidade máxima, em que pese a falta de recursos materiais e a estrutura deficitária.
É humana e humanista a educação que fraqueia a todos os cidadãos livre acesso ao Ensino Superior.
É integral a educação cujos agentes buscam uma qualidade máxima, em que pese a falta de recursos materiais e a estrutura deficitária.
Por todas as razões e motivos acima elencada não se pode alterar a matriz curricular de um sistema de ensino sem imprimir-lhe determinada direção.
Não é possível restringir o espaço das humanidades sem deixar de produzir tecnocratas sem consciência.
Não é possível falar em ética sem reconhecer o papel educativo da História, da Sociologia, da Filosofia, da Sociologia...
Não é possível restringir o espaço das humanidades sem deixar de produzir tecnocratas sem consciência.
Não é possível falar em ética sem reconhecer o papel educativo da História, da Sociologia, da Filosofia, da Sociologia...
Não é possível ou conveniente reproduzir os mesmos erros funestos perpetrados pelos militares a quase meio século.
Tornando ao vomito da educação positiva e incompleta, responsável pela mutilação do ser humano.
Do contrário não poderemos fazer frente a afirmação das culturas de morte.
Antes assistiremos com as mãos atadas o triunfo dos fundamentalismos, do nazismo, do fascismo, do anarco individualismo, do comunismo... e a morte da civilização.
Tornando ao vomito da educação positiva e incompleta, responsável pela mutilação do ser humano.
Do contrário não poderemos fazer frente a afirmação das culturas de morte.
Antes assistiremos com as mãos atadas o triunfo dos fundamentalismos, do nazismo, do fascismo, do anarco individualismo, do comunismo... e a morte da civilização.
Eis porque devemos dizer Não ao ensino puramente tecnicista pautado apenas e tão somente no ensino do vernáculo e das ciências exatas em detrimento das humanidades.
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domingo, 11 de outubro de 2015
Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! III
Conclusão geral -
O que se espera de um educador consciente é uma atitude sóbria e equilibrada.
Que argumente honestamente buscando convencer seus alunos sobre a excelência do modelo evolucionista.
Não se trata aqui de exigir que o educando abandone sua tradição ou fé religiosa.
Mas que admita o critério da demarcação.
Reservando para a ciência um espaço em sua visão de mundo.
E admitindo que a imanência (natureza) esteja no acesso dos sentidos e da razão.
Ao contrário da fé cega a ciência não pode pretender absorver a vida do ser humano como um tudo.
Cumpre distinguir perfeitamente entre visão científica e mística cientificista.
Esta pretende impor o ateísmo e o materialismo a clientela nos mesmos termos que visão fundamentalista.
Pelo que ambas violam os direitos da pessoa humana.
O educador humanista reconhece a seus alunos o duplo direito de cultivar uma espiritualidade e de receber uma educação científica, conciliando as duas áreas ou partes por meio do critério da demarcação.
Não se discute aqui se tem ou não direito de apresentar-se como ateu o materialista caso seja instado por seus alunos; mas sim o direito de impor seu modo de pensar ou de exigir que seus alunos rompam com a fé.
Importa que as partes em conflito abstenham-se de invadir o terreno alheio.
O ideal aqui seria que as religiões se abstivessem de estabelecer dogmas como o criacionismo - em torno da origem do universo material e que os cientistas se abstivesse de apresentar suas constatações metafísicas em torno do ateísmo e do materialismo como científicas.
No entanto o que podemos observar no plano da concretude é que ambas as ideologias: criacionista e ateística, contam com defensores fanáticos.
Daí a praxis impositiva...
E criminosa!
Pois não é dado a qualquer professor seja fundamentalista ou ateu, impor sua visão de mundo ou orientação ideológica a turma.
A questão aqui diz respeito apenas ao Criacionismo enquanto padrão mágico fetichista de pensamento e ao critério da demarcação; em torno dos quais o professor consciente deve argumentar com habilidade.
Diz respeito a como este mundo foi constituído por Deus ou sem ele e não se Deus existe ou não existe. Uma vez que a questão da imaterialidade ou do que esta para além dos sentidos não pertencem aos domínios da ciência.
Agora se esta ou aquela organização religiosa obstinasse em ignorar a demarcação e em invadir o terreno da ciência; a responsabilidade não é nem da ciência, nem do cientista, nem do professor...
Nem se pode exigir que em pleno século XXI a ciência ou o magistério professoral curvem-se docilmente as exigências de líderes religiosos imbecis que jamais examinaram a fundo a questão, cedendo a pressão exercida pelo padrão mágico fetichista de pensamento.
Tal era viável no israel do século IV ou III a C... não no contexto da civilização moderna, em cuja base esta o padrão greco romano ou científico de pensamento. Padrão a que não podemos sacrificar sem que de tal sacrifício resulte um recuo civilizacional de amplas dimensões. Uma vez que o criacionismo, correspondendo a uma crença apriorística, destrói pela base a solidez do pensamento científico.
Quanto a este problema ou impasse não se trata de negar por completo a fé ou de romper radicalmente com o paradigma religioso mas apenas e tão somente de substituir a fé cega por uma fé mais madura e esclarecida, que reconheça o critério da demarcação e o espaço - a imanência - que cabe por direito ao modelo científico.
Neste sentido não há como fugir a questão. Mais cedo ou mais tarde o fundamentalista, após ter investigado honestamente todos os lados, terá de decidir se pretende de fato encarcerar a própria mente dentro das páginas de um livro ou se pretende ficar com o testemunho fornecido por seus sentidos e sua racionalidade. Ou sacrificara o fundamentalismo e aceitará o desafio de - para além da fé (que sempre poderá manter) nas coisas invisíveis - sentir e pensar o mundo em que vive; ou sacrificará a si mesmo, sua percepção, sua racionalidade, sua natureza...
Conciliar as exigências totais e descabidas do fundamentalismo ou da fé cega com a realidade do mundo externo não poderá. Ou será forçado a negar uma ou outra...
A tarefa do educador consciente outra não é que orientar o educando, buscando mostrar os pontos fracos do 'pensamento' mágico fetichista e argumentar habilmente sobre a excelência do padrão científico, sem no entanto exigir o sacrifício integral da espiritualidade ou da ideia de Deus. Importa como esse Deus e a espiritualidade são encarados e se concedem espaço a ciência... neste caso serão elementos irrelevantes.
Importa que o educador científico jamais reproduza os erros ou crimes perpetrados pelo educador fundamentalista. Que jamais recorra a imposição, que jamais argumente desonestamente, que jamais impeça o outro de contra argumentar, que jamais perca o bom humor a jovialidade, que jamais recorra a qualquer tipo de violência, etc
Deverá ser firme sim, mas dentro de sua área que é a imanência.
Abstendo-se de pontificar sobre as demais áreas da existência.
Deverá concentrar sua atividade em termos de processo evolutivo, buscando expor as evidência e problematizar.
Sem jamais abordar assuntos propriamente religiosos ou metafísicos, exceto se a iniciativa partir dos educandos.
Neste caso convém esclarecer sempre que se tratam de opiniões pessoais e permitir que os alunos contraponham suas próprias opiniões e crenças, num clima de mútua compreensão e tolerância.
Importar lutar para por cada coisa em seu lugar: a fé na transcendência e a experiência na imanência.
Abstendo-nos de exercer um fundamentalismo invertido e termos de irreligiosidade, materialismo e ateísmo.
E de tornar as verdades científicas amargas e desagradáveis para as massas.
Evitemos associações artificiais e arbitrárias. Abstendo-nos de metafisicar em torno de ideologias.
Fixemos a atenção apenas e tão somente nos fatos e teorias verdadeiramente científicos.
Tomando por guias as palavras do Filósofo: "Os extremos quase sempre de tocam e a verdade esta quase sempre no meio."
Sejamos cautelosos sem ser medrosos e firmes sem ser intolerantes, exercitando a paciência com os mais jovens!
O que se espera de um educador consciente é uma atitude sóbria e equilibrada.
Que argumente honestamente buscando convencer seus alunos sobre a excelência do modelo evolucionista.
Não se trata aqui de exigir que o educando abandone sua tradição ou fé religiosa.
Mas que admita o critério da demarcação.
Reservando para a ciência um espaço em sua visão de mundo.
E admitindo que a imanência (natureza) esteja no acesso dos sentidos e da razão.
Ao contrário da fé cega a ciência não pode pretender absorver a vida do ser humano como um tudo.
Cumpre distinguir perfeitamente entre visão científica e mística cientificista.
Esta pretende impor o ateísmo e o materialismo a clientela nos mesmos termos que visão fundamentalista.
Pelo que ambas violam os direitos da pessoa humana.
O educador humanista reconhece a seus alunos o duplo direito de cultivar uma espiritualidade e de receber uma educação científica, conciliando as duas áreas ou partes por meio do critério da demarcação.
Não se discute aqui se tem ou não direito de apresentar-se como ateu o materialista caso seja instado por seus alunos; mas sim o direito de impor seu modo de pensar ou de exigir que seus alunos rompam com a fé.
Importa que as partes em conflito abstenham-se de invadir o terreno alheio.
O ideal aqui seria que as religiões se abstivessem de estabelecer dogmas como o criacionismo - em torno da origem do universo material e que os cientistas se abstivesse de apresentar suas constatações metafísicas em torno do ateísmo e do materialismo como científicas.
No entanto o que podemos observar no plano da concretude é que ambas as ideologias: criacionista e ateística, contam com defensores fanáticos.
Daí a praxis impositiva...
E criminosa!
Pois não é dado a qualquer professor seja fundamentalista ou ateu, impor sua visão de mundo ou orientação ideológica a turma.
A questão aqui diz respeito apenas ao Criacionismo enquanto padrão mágico fetichista de pensamento e ao critério da demarcação; em torno dos quais o professor consciente deve argumentar com habilidade.
Diz respeito a como este mundo foi constituído por Deus ou sem ele e não se Deus existe ou não existe. Uma vez que a questão da imaterialidade ou do que esta para além dos sentidos não pertencem aos domínios da ciência.
Agora se esta ou aquela organização religiosa obstinasse em ignorar a demarcação e em invadir o terreno da ciência; a responsabilidade não é nem da ciência, nem do cientista, nem do professor...
Nem se pode exigir que em pleno século XXI a ciência ou o magistério professoral curvem-se docilmente as exigências de líderes religiosos imbecis que jamais examinaram a fundo a questão, cedendo a pressão exercida pelo padrão mágico fetichista de pensamento.
Tal era viável no israel do século IV ou III a C... não no contexto da civilização moderna, em cuja base esta o padrão greco romano ou científico de pensamento. Padrão a que não podemos sacrificar sem que de tal sacrifício resulte um recuo civilizacional de amplas dimensões. Uma vez que o criacionismo, correspondendo a uma crença apriorística, destrói pela base a solidez do pensamento científico.
Quanto a este problema ou impasse não se trata de negar por completo a fé ou de romper radicalmente com o paradigma religioso mas apenas e tão somente de substituir a fé cega por uma fé mais madura e esclarecida, que reconheça o critério da demarcação e o espaço - a imanência - que cabe por direito ao modelo científico.
Neste sentido não há como fugir a questão. Mais cedo ou mais tarde o fundamentalista, após ter investigado honestamente todos os lados, terá de decidir se pretende de fato encarcerar a própria mente dentro das páginas de um livro ou se pretende ficar com o testemunho fornecido por seus sentidos e sua racionalidade. Ou sacrificara o fundamentalismo e aceitará o desafio de - para além da fé (que sempre poderá manter) nas coisas invisíveis - sentir e pensar o mundo em que vive; ou sacrificará a si mesmo, sua percepção, sua racionalidade, sua natureza...
Conciliar as exigências totais e descabidas do fundamentalismo ou da fé cega com a realidade do mundo externo não poderá. Ou será forçado a negar uma ou outra...
A tarefa do educador consciente outra não é que orientar o educando, buscando mostrar os pontos fracos do 'pensamento' mágico fetichista e argumentar habilmente sobre a excelência do padrão científico, sem no entanto exigir o sacrifício integral da espiritualidade ou da ideia de Deus. Importa como esse Deus e a espiritualidade são encarados e se concedem espaço a ciência... neste caso serão elementos irrelevantes.
Importa que o educador científico jamais reproduza os erros ou crimes perpetrados pelo educador fundamentalista. Que jamais recorra a imposição, que jamais argumente desonestamente, que jamais impeça o outro de contra argumentar, que jamais perca o bom humor a jovialidade, que jamais recorra a qualquer tipo de violência, etc
Deverá ser firme sim, mas dentro de sua área que é a imanência.
Abstendo-se de pontificar sobre as demais áreas da existência.
Deverá concentrar sua atividade em termos de processo evolutivo, buscando expor as evidência e problematizar.
Sem jamais abordar assuntos propriamente religiosos ou metafísicos, exceto se a iniciativa partir dos educandos.
Neste caso convém esclarecer sempre que se tratam de opiniões pessoais e permitir que os alunos contraponham suas próprias opiniões e crenças, num clima de mútua compreensão e tolerância.
Importar lutar para por cada coisa em seu lugar: a fé na transcendência e a experiência na imanência.
Abstendo-nos de exercer um fundamentalismo invertido e termos de irreligiosidade, materialismo e ateísmo.
E de tornar as verdades científicas amargas e desagradáveis para as massas.
Evitemos associações artificiais e arbitrárias. Abstendo-nos de metafisicar em torno de ideologias.
Fixemos a atenção apenas e tão somente nos fatos e teorias verdadeiramente científicos.
Tomando por guias as palavras do Filósofo: "Os extremos quase sempre de tocam e a verdade esta quase sempre no meio."
Sejamos cautelosos sem ser medrosos e firmes sem ser intolerantes, exercitando a paciência com os mais jovens!
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sábado, 10 de outubro de 2015
Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! II
Continuação
3 - Caso seu aluno diga: Acaso o senhor já observou a evolução acontecer?
Poderá responder-lhe da seguinte maneira:
Sabe quanto tempo é necessário para a formação de uma Ilha no Delta de um rio (como o Nilo, o Tigre, o Eufrates, o Prata ou o Amazonas)?
Quatro, cinco, seis mil anos ou até mais tempo.
De fato não podemos acompanhar o desenvolvimento da vida de uma Baleia ou de um Elefante, animais que via de regra vivem mais tempo do que nós.
Nem por isso deixamos de saber quanto tempo vivem tais seres. Porque aquilo que observamos é completado pelas observações das gerações seguintes.
É verdade que geração alguma de seres humanos dedicou-se a observar e relatar o crescimento das sequoias gigantes, abetos, pinheiros, carvalhos, oliveiras... sujo desenvolvimento dura séculos ou mesmo milênios.
Basta no entanto que contemos os anéis de seus troncos para que obtenhamos a resposta...
Humano algum poderia ter assistido a deposição salina no fundo dos Oceanos ao cabo de centenas de milhões de anos... No entanto como o sal continua sendo depositado até hoje em um ritmo mais ou menos regular a cada ano, podemos mensurar o total da deposição e dividir esse total pelo tamanho de uma faixa anual...obtendo um resultado matematicamente exato.
Percebe como os processos que envolvem a natureza ultrapassam o limite da vida humana?
Mas que apesar disto podemos quase sempre mensurar tais transformações em termos anuais e, consequentemente calcular a duração do processo 'in totum'?
Não podemos ver o que acontece em centenas de milhões de anos. Mas podemos ver o que acontece em um, dois, dez ou mesmo cem anos. A partir dai podemos pesar, medir, contar e conhecer com relativa exatidão a extensão do fenômeno.
É natural que nós, os seres humanos, tenhamos dificuldade em lidar com tais cifras numéricas, especialmente quando dizem respeito ao tempo.
O fato de não ter podido observar o curso do processo evolutivo não me impede de perceber que o processo evolutivo interliga e relaciona centenas de fatos que por si só permaneceriam isolados, imprimindo-lhes um sentido. Este sentido posso percebe-lo perfeitamente.
E você por acaso viu sua Bíblia - ou livro religioso - ser escrito ou seu deus produzir o mundo em seis dias?
4 - Caso o aluno seja sincero e responda que não viu mas que alguém lhe disse ou que esta escrito, poderá responder-lhe:
Neste caso estamos empatados pois também me disseram - e pessoas muito conceituadas (poderá citar Dobikhaszy, Mayr, Jay Gould, etc) que os seres vivos evoluem, o que também esta registrado em nossos livros de ciência e biologia.
5 - Se o aluno rebater:
Acontece que a Bíblia é sagrada.
Poderá replicar: Sagrada para você mas não para os outros, para todos ou para mim.
Alias o fato de ser sagrada não a transforma em livro de Física, Química, Biologia, História, Geografia ou Sociologia.
6 - Se o aluno disser:
Sua evolução não foi testada!
Poderá responder:
Tampouco sua criação.
7 - Caso o aluno pergunte:
O senhor já viu um macaco se transformar em homem?
Talvez seja conveniente replicar:
E você já viu a divindade modelar um bonequinho de barro e soprar-lhe nas ventas?
(Perceba o professor que em termos de ver ou testemunhar poderá reverter a Bíblia e a Criação todo e qualquer argumento emitido contra a evolução!)
De minha parte não julgo o macaco menos honroso do que o barro ou o lodo; isto pelo simples fato do macaco além de ser vivo, ser animal e mamífero estando consequentemente muito mais próximo de nós do que um pedaço de barro.
Nem vejo como possa ser vergonhoso (para o homem, que é um animal) este laço de parentesco absolutamente natural.
8 - Se o aluno atalhar:
Não consigo perceber qualquer semelhança entre o homem e o macaco.
Poderá replicar:
Neste caso como consegue perceber qualquer semelhança entre o ser humano e um torrão de barro?
Uma coisa é certa> há mais chances de relação entre as coisas próximas e semelhantes do que entre as distantes e diferentes...
Por outro lado nem poderia eu ter observado qualquer macaco transformar-se em humano pelo simples fato de que o macaco não é ancestral mas colateral (primo) do ser humano. Queremos dizer com isto que descendem ambos de um mesmo ancestral comum, no caso um primata.
Este ancestral como da classe dos primatas não era nem macaco nem homem mas alguma outra coisa.
9 - Caso seu aluno dispare:
Ouvi dizer que a Evolução não passa de uma teoria como a Criação.
Convém responder-lhe:
Seu equivoco consiste a acepção vulgar ou profana da palavra, segundo a qual teoria seria o mesmo que hipótese, opinião ou suspeita. Cientificamente no entanto 'teoria' nada tem a ver com hipótese ou opinião, muito pelo contrário, cientificamente 'teoria' refere-se a um explicação geral que liga ou unifica certo número de fatos isolados comunicando-lhes um 'sentido'.
Órgãos vestigiais, fósseis, especiação regional são alguns dos elementos ou fatos solidamente unidos pela teoria evolucionista.
Já a criação sequer pode ser encarada como hipótese científica e isto por uma razão bem simples: a formulação de qualquer hipótese científica é sempre posterior a investigação da natureza. A narrativa da criação mágica no entanto precede em milênios a codificação do método científica; merecendo ser classificada como uma crença 'a priori' ou seja anterior a qualquer tipo de observação. Propriamente falando a narrativa do Gênesis não passa de um mito ou duma explicação em torno da origem das coisas, tomado de empréstimo - pelos sacerdotes israelitas - a cultura dos antigos Sumérios.
A Criação não pode a título algum ser classificada como 'teoria' hipótese rival da Evolução mas como um mito aprioristicamente construído. Resumindo: A evolução se sustenta porque parte dos fatos ou do material examinado para a explicação, a criação é totalmente furada porque parte do livro ou da narrativa para a realidade, cabendo a esta adaptar-se a narrativa contida no livro... Apesar disto a natureza não se adapta.
10 - Aqui é possível que algum aluno questione:
Não é melhor acreditar no testemunho de Deus no que no testemunho dos homens?
Neste caso poderá seguir este roteiro:
O problema aqui não é Deus.
Jamais o vi dar entrevista na TV dizendo que criou o mundo em seis ou dez dias!
O problema aqui é o livro ou melhor os livros. Pois diversos livros tem a pretensão de corresponder as palavras de um deus, assim os Vedas, os Gatas, a Torá e o Corão, dentre outros.
Conclusão: Os adeptos do criacionismo estão divididos e cada qual apresenta uma narrativa diferente a respeito da tal criação.
Neste caso por que preferir, sem mais, a narrativa escrita pelos antigos israelitas e não qualquer outra?
Quanto ao testemunho de Deus e ao dos homens, penso que cada qual deva ter seu lugar.
11 - Como assim professor?
Uma vez que Deus mesmo concedeu ao homem capacidade suficiente para perceber - através de seus sentidos - e compreender - através da razão - o universo em que vive não vejo porque deveria 'revelar-lhe' qualquer coisa neste sentido.
Parece-me que o ato de revelar esteja posto para as coisas ocultas ou seja inacessíveis aos sentidos e a razão humana.
Neste sentido até posso compreender que o Deus invisível revelasse algo sobre seu Ser ou sua vontade; conhecimentos aos quais nós seres humanos não temos qualquer acesso.
Quanto as questões em torno da origem do universo, da vida e das sociedade humana julgo ter concedido aos mortais a incumbência de investiga-las a partir de suas próprias capacidades, do contrário te-lo-ia constituído inepto para tanto... Apesar disto este homem sente, percebe, reflete e julga.
Concluindo: Que Deus revele-se a si mesmo parece-me possível, agora que aspire passar por professor de cursinho universitário é perfeitamente escuso ou desnecessário.
3 - Caso seu aluno diga: Acaso o senhor já observou a evolução acontecer?
Poderá responder-lhe da seguinte maneira:
Sabe quanto tempo é necessário para a formação de uma Ilha no Delta de um rio (como o Nilo, o Tigre, o Eufrates, o Prata ou o Amazonas)?
Quatro, cinco, seis mil anos ou até mais tempo.
De fato não podemos acompanhar o desenvolvimento da vida de uma Baleia ou de um Elefante, animais que via de regra vivem mais tempo do que nós.
Nem por isso deixamos de saber quanto tempo vivem tais seres. Porque aquilo que observamos é completado pelas observações das gerações seguintes.
É verdade que geração alguma de seres humanos dedicou-se a observar e relatar o crescimento das sequoias gigantes, abetos, pinheiros, carvalhos, oliveiras... sujo desenvolvimento dura séculos ou mesmo milênios.
Basta no entanto que contemos os anéis de seus troncos para que obtenhamos a resposta...
Humano algum poderia ter assistido a deposição salina no fundo dos Oceanos ao cabo de centenas de milhões de anos... No entanto como o sal continua sendo depositado até hoje em um ritmo mais ou menos regular a cada ano, podemos mensurar o total da deposição e dividir esse total pelo tamanho de uma faixa anual...obtendo um resultado matematicamente exato.
Percebe como os processos que envolvem a natureza ultrapassam o limite da vida humana?
Mas que apesar disto podemos quase sempre mensurar tais transformações em termos anuais e, consequentemente calcular a duração do processo 'in totum'?
Não podemos ver o que acontece em centenas de milhões de anos. Mas podemos ver o que acontece em um, dois, dez ou mesmo cem anos. A partir dai podemos pesar, medir, contar e conhecer com relativa exatidão a extensão do fenômeno.
É natural que nós, os seres humanos, tenhamos dificuldade em lidar com tais cifras numéricas, especialmente quando dizem respeito ao tempo.
O fato de não ter podido observar o curso do processo evolutivo não me impede de perceber que o processo evolutivo interliga e relaciona centenas de fatos que por si só permaneceriam isolados, imprimindo-lhes um sentido. Este sentido posso percebe-lo perfeitamente.
E você por acaso viu sua Bíblia - ou livro religioso - ser escrito ou seu deus produzir o mundo em seis dias?
4 - Caso o aluno seja sincero e responda que não viu mas que alguém lhe disse ou que esta escrito, poderá responder-lhe:
Neste caso estamos empatados pois também me disseram - e pessoas muito conceituadas (poderá citar Dobikhaszy, Mayr, Jay Gould, etc) que os seres vivos evoluem, o que também esta registrado em nossos livros de ciência e biologia.
5 - Se o aluno rebater:
Acontece que a Bíblia é sagrada.
Poderá replicar: Sagrada para você mas não para os outros, para todos ou para mim.
Alias o fato de ser sagrada não a transforma em livro de Física, Química, Biologia, História, Geografia ou Sociologia.
6 - Se o aluno disser:
Sua evolução não foi testada!
Poderá responder:
Tampouco sua criação.
7 - Caso o aluno pergunte:
O senhor já viu um macaco se transformar em homem?
Talvez seja conveniente replicar:
E você já viu a divindade modelar um bonequinho de barro e soprar-lhe nas ventas?
(Perceba o professor que em termos de ver ou testemunhar poderá reverter a Bíblia e a Criação todo e qualquer argumento emitido contra a evolução!)
De minha parte não julgo o macaco menos honroso do que o barro ou o lodo; isto pelo simples fato do macaco além de ser vivo, ser animal e mamífero estando consequentemente muito mais próximo de nós do que um pedaço de barro.
Nem vejo como possa ser vergonhoso (para o homem, que é um animal) este laço de parentesco absolutamente natural.
8 - Se o aluno atalhar:
Não consigo perceber qualquer semelhança entre o homem e o macaco.
Poderá replicar:
Neste caso como consegue perceber qualquer semelhança entre o ser humano e um torrão de barro?
Uma coisa é certa> há mais chances de relação entre as coisas próximas e semelhantes do que entre as distantes e diferentes...
Por outro lado nem poderia eu ter observado qualquer macaco transformar-se em humano pelo simples fato de que o macaco não é ancestral mas colateral (primo) do ser humano. Queremos dizer com isto que descendem ambos de um mesmo ancestral comum, no caso um primata.
Este ancestral como da classe dos primatas não era nem macaco nem homem mas alguma outra coisa.
9 - Caso seu aluno dispare:
Ouvi dizer que a Evolução não passa de uma teoria como a Criação.
Convém responder-lhe:
Seu equivoco consiste a acepção vulgar ou profana da palavra, segundo a qual teoria seria o mesmo que hipótese, opinião ou suspeita. Cientificamente no entanto 'teoria' nada tem a ver com hipótese ou opinião, muito pelo contrário, cientificamente 'teoria' refere-se a um explicação geral que liga ou unifica certo número de fatos isolados comunicando-lhes um 'sentido'.
Órgãos vestigiais, fósseis, especiação regional são alguns dos elementos ou fatos solidamente unidos pela teoria evolucionista.
Já a criação sequer pode ser encarada como hipótese científica e isto por uma razão bem simples: a formulação de qualquer hipótese científica é sempre posterior a investigação da natureza. A narrativa da criação mágica no entanto precede em milênios a codificação do método científica; merecendo ser classificada como uma crença 'a priori' ou seja anterior a qualquer tipo de observação. Propriamente falando a narrativa do Gênesis não passa de um mito ou duma explicação em torno da origem das coisas, tomado de empréstimo - pelos sacerdotes israelitas - a cultura dos antigos Sumérios.
A Criação não pode a título algum ser classificada como 'teoria' hipótese rival da Evolução mas como um mito aprioristicamente construído. Resumindo: A evolução se sustenta porque parte dos fatos ou do material examinado para a explicação, a criação é totalmente furada porque parte do livro ou da narrativa para a realidade, cabendo a esta adaptar-se a narrativa contida no livro... Apesar disto a natureza não se adapta.
10 - Aqui é possível que algum aluno questione:
Não é melhor acreditar no testemunho de Deus no que no testemunho dos homens?
Neste caso poderá seguir este roteiro:
O problema aqui não é Deus.
Jamais o vi dar entrevista na TV dizendo que criou o mundo em seis ou dez dias!
O problema aqui é o livro ou melhor os livros. Pois diversos livros tem a pretensão de corresponder as palavras de um deus, assim os Vedas, os Gatas, a Torá e o Corão, dentre outros.
Conclusão: Os adeptos do criacionismo estão divididos e cada qual apresenta uma narrativa diferente a respeito da tal criação.
Neste caso por que preferir, sem mais, a narrativa escrita pelos antigos israelitas e não qualquer outra?
Quanto ao testemunho de Deus e ao dos homens, penso que cada qual deva ter seu lugar.
11 - Como assim professor?
Uma vez que Deus mesmo concedeu ao homem capacidade suficiente para perceber - através de seus sentidos - e compreender - através da razão - o universo em que vive não vejo porque deveria 'revelar-lhe' qualquer coisa neste sentido.
Parece-me que o ato de revelar esteja posto para as coisas ocultas ou seja inacessíveis aos sentidos e a razão humana.
Neste sentido até posso compreender que o Deus invisível revelasse algo sobre seu Ser ou sua vontade; conhecimentos aos quais nós seres humanos não temos qualquer acesso.
Quanto as questões em torno da origem do universo, da vida e das sociedade humana julgo ter concedido aos mortais a incumbência de investiga-las a partir de suas próprias capacidades, do contrário te-lo-ia constituído inepto para tanto... Apesar disto este homem sente, percebe, reflete e julga.
Concluindo: Que Deus revele-se a si mesmo parece-me possível, agora que aspire passar por professor de cursinho universitário é perfeitamente escuso ou desnecessário.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! I
Nada mais desagradável do que um ambiente hostil. Nada mais desagradável do que ter de dizer verdades duras a uma platéia que não deseja ouvi-las. Nada mais desagradável do que ter de dialogar com fanáticos e sectários.
São coisas que ninguém gosta de fazer.
Mas que no entanto precisam ser feitas, devem ser feitas.
Poucos de nós gostam de passar suas próprias roupas ou de lava-las ou ainda de preparar a própria refeição. No entanto caso não possuamos os recursos necessários teremos de faze-lo e pronto. É algo necessário, que se deve fazer...
No curso da vida sempre nos depararemos com coisas que não gostamos de fazer.
Mas que precisarão ser feitas.
No curso da vida não desejaremos fazer muitas coisas.
Mas deveremos faze-las.
Afinal não são nossos gostos que definem a realidade ou fixam as leis.
Quantas vezes somos incapazes de satisfazer nossos gostos e desejos...
Menos mal...
Coisas há no entanto as quais não nos podemos furtar.
É imperativo categórico, dever, necessidade.
Assim construir um mundo melhor, assim lançar os fundamentos duma sociedade mais tolerante, assim redirecionar o que esteja mal direcionado, assim auxiliar as pessoas a redefinir seus valores, e por ai vai.
Nem sempre poderemos passar a mão da cabeça das pessoas e declarar que estão agindo corretamente.
Nem sempre poderás concordar, aprovar e aplaudir.
Nem sempre poderás ignorar e desculpar.
As vezes terás de ter coragem suficiente para afrontar, denunciar, corrigir, resistir, discordar...
Terás de ter ousadia. A ousadia de contrariar ou ser do contra.
Especialmente no ambiente escolar.
Onde temos mentes e carácteres sendo formados.
Onde temos de educar em termos de reorientar, redirecionar e corrigir.
Onde temos de afirmar certos princípios.
Mas o que tem tudo isto a ver com o ensino do evolucionismo.
No momento presente, em que mais e mais um certo ideário religioso importado dos EUA, consolida-se entre nós, tudo. No momento em que as religiões de caráter mágico fetichista tornam a expandir-se em níveis nacionais e globais, tudo. No momento em que o criacionismo passa da defensiva ao ataque em nossas escolas públicas, tudo!
Raro o professor - de ciências, biologia ou mesmo de história, geografia ou filosofia - que já não foi rudemente questionado ou mesmo atacado por algum aluno em nome da tal inerrância bíblica e do criacionismo??? Quem de nós já não ouviu frases como esta:
"Nossa professor, o senhor acha mesmo que o homem veio do macaco?"
ou
"Quer dizer que o senhor prefere acreditar nesse tal de Darwin a acreditar na Bíblia?"
ou ainda:
"Esse negócio de evolução é uma teoria de origem humana."
Etc, etc, etc
Não poucas vezes a abordagem dos pequeninos chega a ser insidiosa.
Diante disto não poucos professores optam por silenciar.
Tendo em vista uma falsa compreensão da liberdade religiosa.
Outros até chegam a concordar, o que é pior ainda.
Já ouvi professor acuado declamar: Cada um tem sua verdade, para mim é a ciência ou a evolução, para você a fé ou a Bíblia; e cada um fica com a sua!!!
Nada mais especioso, nada mais venenoso...
Diante de tantos desfalques decidimos fornecer ao educador crítico, reflexivo; que não pretende nem se omitir nem concordar, uma série de estratégias pedagógicas destinadas a ensinar a teoria da evolução em sala de aula dirimindo todas as possíveis objeções levantadas pelo fundamentalismo.
1 - Se seu aluno perguntar: E se desejar crer na Bíblia e rejeitar a doutrina da evolução?
De fato você pode escolher acreditar no que quiser: numa vaca voadora, no coelhinho da páscoa, no drácula, etc e nem por isso muda a realidade.
Pode negar a existência do Sol e ele não deixará de brilhar. Sua opinião ou sua crença não incomoda o universo nem o comove.
Milhões de pessoas creem na existência de Ganesha, mesmo assim você nega a existência desta entidade e percebe que não existe. Pois as crenças não alteram a realidade do mundo.
Claro que você pode crer que existe um conteúdo científico na sua Bíblia, isto no entanto não torna sua crença verdadeira. E posso sempre insistir que sua fé esta equivocada!
Clado que pode crer no mito judaico da criação, o que lhe dará um visão de mundo cientificamente inexata.
O que você precisa fazer é investigar as coisas detidamente e sem preconceitos.
Investigar primeiro e julgar depois.
Assim se estudar detidamente a teoria da evolução e depois chegar a conclusão de que esta errada, merecerá ao menos o título de homem honesto!
2 - Meu pastor disse que a evolução não é verdadeira.
Resposta: Será que seu pastor já leu algum livro sobre evolucionismo?
Se leu será que compreendeu?
Ou será que limita-se a ensinar o que ouviu de outros pastores?
Será que ele investigou o assunto?
Do contrário a opinião dele valeria tanto quanto a de um boato.
Fulano disse, que disse, que disse e ninguém investiga nada... vai ver e o boato é falso. Oh coisa feia.
Para dizer que uma coisa é verdadeira ou falsa deve-se antes de tudo conhece-la.
Se quiser poderá acrescentar: eu li diversas partes do antigo testamento e cheguei a conclusão de que aquilo não poderia ter sido real. Pode citar o exemplo dos anjos tendo relacionamento com as filhas dos homens, o dilúvio, a morte de Golias por três personagens diferentes, a fábula da burra de Balaão, a narrativa de Jonas no ventre de um peixe, etc
CONTÍNUA
São coisas que ninguém gosta de fazer.
Mas que no entanto precisam ser feitas, devem ser feitas.
Poucos de nós gostam de passar suas próprias roupas ou de lava-las ou ainda de preparar a própria refeição. No entanto caso não possuamos os recursos necessários teremos de faze-lo e pronto. É algo necessário, que se deve fazer...
No curso da vida sempre nos depararemos com coisas que não gostamos de fazer.
Mas que precisarão ser feitas.
No curso da vida não desejaremos fazer muitas coisas.
Mas deveremos faze-las.
Afinal não são nossos gostos que definem a realidade ou fixam as leis.
Quantas vezes somos incapazes de satisfazer nossos gostos e desejos...
Menos mal...
Coisas há no entanto as quais não nos podemos furtar.
É imperativo categórico, dever, necessidade.
Assim construir um mundo melhor, assim lançar os fundamentos duma sociedade mais tolerante, assim redirecionar o que esteja mal direcionado, assim auxiliar as pessoas a redefinir seus valores, e por ai vai.
Nem sempre poderemos passar a mão da cabeça das pessoas e declarar que estão agindo corretamente.
Nem sempre poderás concordar, aprovar e aplaudir.
Nem sempre poderás ignorar e desculpar.
As vezes terás de ter coragem suficiente para afrontar, denunciar, corrigir, resistir, discordar...
Terás de ter ousadia. A ousadia de contrariar ou ser do contra.
Especialmente no ambiente escolar.
Onde temos mentes e carácteres sendo formados.
Onde temos de educar em termos de reorientar, redirecionar e corrigir.
Onde temos de afirmar certos princípios.
Mas o que tem tudo isto a ver com o ensino do evolucionismo.
No momento presente, em que mais e mais um certo ideário religioso importado dos EUA, consolida-se entre nós, tudo. No momento em que as religiões de caráter mágico fetichista tornam a expandir-se em níveis nacionais e globais, tudo. No momento em que o criacionismo passa da defensiva ao ataque em nossas escolas públicas, tudo!
Raro o professor - de ciências, biologia ou mesmo de história, geografia ou filosofia - que já não foi rudemente questionado ou mesmo atacado por algum aluno em nome da tal inerrância bíblica e do criacionismo??? Quem de nós já não ouviu frases como esta:
"Nossa professor, o senhor acha mesmo que o homem veio do macaco?"
ou
"Quer dizer que o senhor prefere acreditar nesse tal de Darwin a acreditar na Bíblia?"
ou ainda:
"Esse negócio de evolução é uma teoria de origem humana."
Etc, etc, etc
Não poucas vezes a abordagem dos pequeninos chega a ser insidiosa.
Diante disto não poucos professores optam por silenciar.
Tendo em vista uma falsa compreensão da liberdade religiosa.
Outros até chegam a concordar, o que é pior ainda.
Já ouvi professor acuado declamar: Cada um tem sua verdade, para mim é a ciência ou a evolução, para você a fé ou a Bíblia; e cada um fica com a sua!!!
Nada mais especioso, nada mais venenoso...
Diante de tantos desfalques decidimos fornecer ao educador crítico, reflexivo; que não pretende nem se omitir nem concordar, uma série de estratégias pedagógicas destinadas a ensinar a teoria da evolução em sala de aula dirimindo todas as possíveis objeções levantadas pelo fundamentalismo.
1 - Se seu aluno perguntar: E se desejar crer na Bíblia e rejeitar a doutrina da evolução?
De fato você pode escolher acreditar no que quiser: numa vaca voadora, no coelhinho da páscoa, no drácula, etc e nem por isso muda a realidade.
Pode negar a existência do Sol e ele não deixará de brilhar. Sua opinião ou sua crença não incomoda o universo nem o comove.
Milhões de pessoas creem na existência de Ganesha, mesmo assim você nega a existência desta entidade e percebe que não existe. Pois as crenças não alteram a realidade do mundo.
Claro que você pode crer que existe um conteúdo científico na sua Bíblia, isto no entanto não torna sua crença verdadeira. E posso sempre insistir que sua fé esta equivocada!
Clado que pode crer no mito judaico da criação, o que lhe dará um visão de mundo cientificamente inexata.
O que você precisa fazer é investigar as coisas detidamente e sem preconceitos.
Investigar primeiro e julgar depois.
Assim se estudar detidamente a teoria da evolução e depois chegar a conclusão de que esta errada, merecerá ao menos o título de homem honesto!
2 - Meu pastor disse que a evolução não é verdadeira.
Resposta: Será que seu pastor já leu algum livro sobre evolucionismo?
Se leu será que compreendeu?
Ou será que limita-se a ensinar o que ouviu de outros pastores?
Será que ele investigou o assunto?
Do contrário a opinião dele valeria tanto quanto a de um boato.
Fulano disse, que disse, que disse e ninguém investiga nada... vai ver e o boato é falso. Oh coisa feia.
Para dizer que uma coisa é verdadeira ou falsa deve-se antes de tudo conhece-la.
Se quiser poderá acrescentar: eu li diversas partes do antigo testamento e cheguei a conclusão de que aquilo não poderia ter sido real. Pode citar o exemplo dos anjos tendo relacionamento com as filhas dos homens, o dilúvio, a morte de Golias por três personagens diferentes, a fábula da burra de Balaão, a narrativa de Jonas no ventre de um peixe, etc
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terça-feira, 6 de outubro de 2015
Como abordar a questão religiosa em sala de aula - Subsídios aos professores laicistas
É de todo inutil ignorar a questão religiosa.
Alias é danoso ignora-la.
Por mais que os propagandistas do ateísmo esforcem-se - através de manchetes estrondosas e mirabolantes - por demonstrar que o mundo esta mais ateu, isto não passa de pura falácia. O ateísmo jamais conseguiu atrair mais do que oito porcento de adeptos mesmo em países como a Holanda ou regiões do a Escandinávia.
Mesmo quando as pesquisas por pura inabilidade associam ateus com agnósticos, a cifra raramente atinge mais de 20% (exceções França, Inglaterra e Uruguai). Como o número de agnósticos é sempre bem maior não se sai dos 8%. A média pelo mundo é de míseros 2,4% e em poucos países apresentados como ateus chega a 5%...
Na verdade quando os ateus alegam que um pais é majoritariamente ateu estão incluindo por conta e risco: os agnósticos (cuja cifra indubitavelmente cresce e cresce) e até mesmo os indiferentes a religiosidade institucional (cuja cifra cresce ainda mais) mesmo sabendo que são quase todos deístas, panenteístas, panteístas, etc e que afirmam a existência de uma energia, alma ou espírito universal, o que os ateus, obviamente negam.
O que estamos assistindo hoje não é de maneira alguma a 'arrancada do ateísmo' e sim a afirmação de uma espiritualidade pessoal ou marginal, i é, fora dos moldes tradicionais e alheia as instituições formais. Religiosidade desvinculada de qualquer instituição religiosa definida.
É O QUE CHAMAM INDEVIDAMENTE DE ATEÍSMO. Trata-se no entanto de uma ruptura com a religião (i é de indiferentismo ou deísmo) e não de uma negação absolutamente segura a respeito da inexistência de um deus.
Por via alguma a irreligiosidade (indiferença religiosa) e da dúvida sobre a existência de Deus (suspensão de juízo ou agnosticisno cf Th Husley 'Ciência e Religião' 1893) , devem ser confundidas com a metafisica ateística, pois comportam visões de mundo específicas e pontos de vista contraditórios.
Juntar tudo no mesmo saco e rotular como ateísmo só pode satisfazer mesmo aos pastores fanáticos e ateus fanáticos i é os extremistas. Mas continua sendo uma abordagem cientificamente desonesta e superficial.
Quanto aos agnósticos e deístas, seu número parece ser considerável em alguns países como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Holanda, Suécia, Suíça, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Uruguai, etc
No entanto apesar disto, apenas nuns poucos países civilizados chegam a constituir maioria absoluta (50 + 1%). Em todas as demais sociedades humanas - mesmo civilizadas e inseridas no contesto europeu - o número de crentes ou religiosos ainda é majoritário. Importa que a religião dominou tais sociedade até bem pouco tempo e que a cultura por ela plasmada permanece em parte vida e influente.
Vai-se a fé, mas as relações entre os signos, o imaginário coletivo, os elementos da cultura, as ações, intencionalidades e comportamentos permanecem sendo ditados pelo costume, a tradição ou o hábito. E pouquíssimos espaços, como EUA, Inglaterra, Alemanha e França, ocorreu a produção de uma outra cultura ditada pelo materialismo ou pela irreligiosidade. Mesmo sem que os elementos da cultura antiga fossem totalmente eliminados (embora alguns tenha passado por um processo de resignificação).
O que Édouard Laboulaye registrou há quase século e meio nas páginas da 'Liberdade religiosa' (charpentier - Paris, 1875 p 77) permanece mais ou menos válido até hoje:
"... Assim continuamos a guiar-nos por esta fé recebida na infância mesmo após te-la perdido. Nossa lingua, nossas ciências, nossas artes, nossos costumes... estão impregnados de Cristianismo. Nós nos dizemos assim incrédulos mas ainda que remotamente inspiramos nossas ações no Evangelho..."
Substitua-se Cristianismo ou Evangelho por religião ou espiritualidade e não fará muita diferença.
No sentido de que as diversas crenças continuam plasmando personalidades e influenciando a dinâmica social tal e qual na idade primitiva quando habitávamos em cavernas ou palafitas. Isto porque a fé tem o condão de introjetar e extrojetar ideias produzindo tipos de comportamentos e praxis sociais específicas.
Nem podemos compreender bem qualquer sociedade, como enfatizaram Fustel de Coulanges, Max Weber, e outros, sem examinar e compreender as crenças dominantes.
No entanto é forçoso compreender o que desejamos transformar e aprimorar. Daí a necessidade de estudar seriamente os credos religiosos, seus dogmas e sua História. É dever a que não devem se furtar aqueles que não creem. Não preciso crer em algo para reconhecer sua influência sobre os demais. Aos crentes e devotos, a fé ao sociólogo como Marcel Mauss o estudo das formas religiosas.
Especialmente a criança - por ser acrítica - e o jovem - por ser idealista e ingênuo - tendem a ser religiosos, embora posteriormente; quando amadureçam possam perder a fé. Cogitou-se já inclusive que a adolescência seja uma fase religiosa, em que a fé torna-se um ponto de apoio importante para a personalidade em conflito ou crise. Mesmo descrendo o educador precisa ter sensibilidade suficiente para perceber que a dimensão da fé pode ter significado vital para nossos alunos, enquanto suporte de sua vida mental.
Neste caso não se trata já da questão da verdade, i é do verdadeiro e do falso, e sim da conveniência. É prudente privar aquela criança ou jovem de sua fé neste momento? Que consequências poderiam decorrer disto? Como ficaria a mente daquela pessoa??? Tenhamos sempre Camus e o jovem Wether diante de nós! Sempre poderemos sugerir sutilmente e influenciar delicadamente... no entanto é necessário que cada qual faça seu caminho por si mesmo, tire suas constatações e amadureça.
Neste sentido a imposição do ateísmo, ou mesmo da simples indiferença religiosa por um professor autoritário pode ser tão devastadora para um jovem quanto a adesão a um credo fundamentalista. Nestes casos, em se tratando duma religião qualquer, i é não fundamentalista como o islã e/ou o pentecostalismo é sempre melhor: 'Deixar estar, deixar passar'...
Agora em se tratando de uma fé fundamentalista... que traga em seu bojo germes de intolerância, arrogância, violência, etc é melhor intervir sabiamente, sempre que as oportunidades surjam e problematizar. Toda e qualquer tentativa de proselitismo executada por alunos em classe ou no recinto escolar deve ser imediatamente problematizada pelo educador.
Há dois tipos de alunos que apreciam fazer perguntas sobre religião ou fé: os duvidosos ou indiferentes e os demasiadamente religiosos ou fanáticos.
Ao receber de chofre uma pergunta como esta: Qual sua religião professor?
Existem diversas possibilidades de intervenção, as quais devem ser tomadas levando em consideração as necessidades da turma.
Caso se sinta pressionado ou coagido o educador sempre poderá declarar:
"Como a fé é assunto de natureza pessoal, preferiria não responder a esta pergunta. Alias o espaço escolar existe para tratarmos apenas do que nos une ou do que é comum."
E concluir:
"Há tantas coisas interessantes nos seres humanos. Julgar as pessoas em termos de fé religiosa é quase sempre posicionar-se contra elas. É uma questão que só diz respeito a própria pessoa, então vamos respeitar e deixar de se preocupar com isto."
Neste momento podem aparecer outras duas perguntas (quase sempre aparecem!):
O senhor é ateu?
Neste caso o educador por aproveitar a oportunidade para problematizar e fixar o sentido de ateísmo e indiferença religiosa a que aludimos acima.
Mas o que é ateu?
......................
E daí mostrar a diferença (numa turma de E médio) entre quem dúvida ou suspende o juízo - agnóstico - o que afirma a existência de Deus mas não tem religião ou fé - deísta - o que segue determinado credo religioso - teísta ou crente - e o que afirma a inexistência de Deus (ateu). E arrematar a discussão dizendo que cada qual tem direito de fazer e de expressar a sua opção, merecendo todo respeito pelo simples fato de ser livre.
Caso algum aluno insista em perguntar se é ateu, o educador poderá responder:
Sim sou, e acrescentar; no entanto encaro com profundo respeito os que pensam de modo diverso ou é fruto de minhas reflexões e tenho direito de expressa-las.
ou
Não, no entanto, nem por isso posso deixar de respeitar o posicionamento dos ateus, agnósticos, deístas, etc
Um caminho possível é assumir discretamente sua posição e afirmar o respeito pelo posicionamento do outro, na perspectiva da liberdade.
A segunda pergunta, muito mais especiosa e comum é:
O senhor acredita na Bíblia?
Aqui o professor pode mais uma vez recorrer ao esquema da problematização, respondendo com uma outra pergunta:
Mas o que é a Bíblia?
Mostrando a partir daí que o conceito de Bíblia unitária é construção histórica e cultural e salientando a diferença cabal entre antigo e Novo Testamentos ou no plano do Novo Testamento entre as cartas de Paulo e os Evangelhos.
Caso tenha amplo conhecimento sobre a matéria (infelizmente lacunoso entre os não crentes) explorar a diversidade de tempo, locais, linguas e culturas em que foram produzidos os diversos textos bíblicos, insinuar contradições, etc
É algo que leva tempo, exige habilidade, mas é sempre compensador.
Importante é procurar, com bastante cuidado, remover da mente do aluno a ideia de inerrância absoluta ou infalibilidade plenária característica do modelo fundamentalista e anti científico, sempre por meio de uma crítica cerrada e questionamento contínuo.
Isto é claro sem tirar a liberdade do educando e permitindo que contra argumente a vontade.
Sem demonstrar impaciência, hostilidade, irritação, etc
Conservando ares de sã jovialidade.
Poderá se quiser responder como respondo: Tenho imenso amor e respeito pelas palavras de Jesus contidas no Evangelho, que é uma parte do Novo Testamento e até penso que constituam uma excelente orientação para a vida, agora com relação aos escritos de Paulo ou o antigo testamento (ou seja as demais partes do que voce chama de Bíblia) não posso encarar como palavra de Deus ou como fontes inquestionáveis.
Se o aluno perguntar porque não acredita em Paulo ou no antigo testamento poderá apontar para os preconceitos afirmados por aquela apóstolo: machismo, escravismo, estatolatria, homofobia, etc apresentar os mitos, lendas e fábulas do antigo testamento como correspondendo a cópias de material anterior de origem pagã (Sumeriana, Assíria, Babilônica, Egipcia, Fenícia, Persa, Grega, etc) ou explorar as inumeras contradições internas deste registro, além de seus erros em matéria científica é claro.
O importante aqui é:
1 - Jamais tomar a iniciativa de abordar qualquer tema religioso ou abster-se.
A atitude dos professores fanáticos e proselitistas que consiste em tomar a iniciativa de abordar qualquer tenha religioso, de impedir dos dissidentes de se manifestarem e de impor autoritariamente seus pontos de vista, caracteriza exercício de proselitismo O QUAL SENDO LEVADO A CABO EM ESCOLA PÚBLICA OU SALA DE AULA CONSTITUI CRIME.
Professores que atuam como pastores ou mullás ousando pregar em sala de aula devem ser denunciados as autoridades policiais e administrativas como criminosos!
É atitude que não deve nem pode ser tolerada sob quaisquer pretextos!
2 - Esperar que o assunto surja espontaneamente e, neste caso apreciar se deve ou não explora-lo naquele momento.
3 - Intervir positivamente diante de qualquer tipo de atitude proselitista apresentada no contesto escolar pelos alunos e problematizar.
4 - Sempre que possível responder com perguntas visando problematizar o assunto ou desconstruir os argumentos que considerar inadequados.
5 - Manter sempre um clima de liberdade permitindo que o aluno contra argumente e que todos participem expondo seus pontos de vista e ideias.
6 - Exigir atitude de respeito e tolerância.
7 - Manter o bom humor e a jovialidade. Jamais perder a paciência, mostrar irritação ou agredir os educandos.
8 - Procurar desde logo apresentar aos alunos o conceito de 'demarcação' e buscar familiariza-los com ele.
Estamos aqui diante de um conceito chave, de um padrão ou de um critério que deve nortear a atuação do professor crítico reflexivo, face a abordagem religiosa.
Grosso modo não deve o professor cogitar no que creem seus alunos em termos de transcendência.
Quanto mais a fé ou religiosidade dos alunos concentrar-se no além, no céu, no paraíso, no imaterial ou no invisível, menos problemática será para nós.
Posso não crer em Ganesha, Jupiter, Iemanjá, Jesus, etc no entanto se tais entidades não atuam magica ou miraculosamente no mundo material, posso dizer a meu aluno:
Não, não creio em Ganesha mas se você cre nele não me importa nem um pouco, desde que saiba que ele não faz chover, não cura cancerosos e não produziu o mundo em sete dias literais... Sendo assim estamos em paz.
Perceba aqui que o deus ou os deuses e entidades não são o problema da educação científica. Trata-se cientificamente de assunto neutro ou escuso; bom para a Filosofia, mas ocioso em termos de ciência.
O problema aqui da-se em termos de COMO qualquer dessas entidade (e não importa nome ou número) relaciona-se com o mundo em termos de fetichismo ou naturalismo. Se o aluno ou a pessoa crer que seu deus ira salva-lo no além ou ressuscita-lo podemos dar de ombros... agora se o aluno cre que seu deus faz chover mijando ou lançando baldes dágua ou ainda que ele mexe nas placas tectônicas provocando terremotos, então temos um sério problema.
Se este deus o entidade atua por meio de leis naturais de causa e efeito (caso dos espíritas e de parte dos Católicos)... se podemos situa-lo antes da grande explosão ou como causador (produtor) dela; enfim se ele atua DE ACORDO COM O RITMO DA CIÊNCIA, não temos o que discutir. O problema é sempre a ideia de um deus interventor, miraculoso ou taumatúrgico, que a todo instante 'aperfeiçoa' de improviso o universo, provocando diretamente o surgimento da vida, um dilúvio, sucessivos terremotos, fomes, guerras, etc, etc, etc
Até que essas intervenções multiplicam-se ao infinito, ocorrendo diversas vezes ao dia.
Aqui temos um problemão e devemos explora-lo ao máximo no sentido negativo, afirmando em alto e bom som o primado ou primazia das explicações científicas em termos de imanência e o direito exclusivo de serem ministradas em sala de aula.
Caso o aluno questione sobre o porque deste monopólio científico não devemos exitar em responder-lhe que os religiosos estão divididos em termos de modelo criacionista, mesmo porque cada grupo tem seu livro sagrado com narrativas e concepções diferentes. Eis porque nenhum destes livros pode servir para ministrar explicações gerais a todos os alunos... pois um cre no Antigo Testamento, outro nos Vedas, outro no Corão e assim por diante...
Na escola de todos temos de apelar a elementos comuns como a experiência e a razão, as quais encontram-se na base de nosso modelo científico.
Resumindo cumpre inculcar por diversos modos e maneiras, na mente dos nossos alunos, que a imanência é terreno que pertence a explicação científica e não a fé ou a religião, cujo campo restringe-se ao espiritual, imaterial ou invisível. Bom explicitar que não tem prevenção alguma contra a religião desde que ela se mantenha em seu terreno ou campo: o celestial ou divino, abstendo-se de invadir o terreno da ciência que é o mundo natural.
É necessário aproveitar todas as oportunidades para justificar este esquema até a exaustão. Aqui repetir é o melhor veículo!
Papai do céu ou deus cuida de deus anjos ou dos falecidos lá no além... A terra em que vivemos no entanto Deus quis regula-la por meio das leis naturais adrede fixadas desde o princípio.
Se o aluno indagar:
O sr crê na grande explosão ou na evolução das espécies, responda resolutamente:
Os religiosos creem no que não veem. Eu abraço as teorias da grande explosão e da evolução porque fazem sentido, porque me ajudam a compreender o mundo, porque estão fundamentadas no raciocínio e da experiência e sobretudo porque apoiam-se sobre um imenso número de fatos.
Não creio, constato aquilo que percebo ou melhor percebo com os pesquisadores.
Aqui não se trata de fé mas de bom senso.
9 - Jamais perder a consciência a respeito de sua liberdade de cátedra.
10 - Tenha esperança! Parte de seus alunos assimilarão os ensinamentos por si ministrados e com certeza ao menos alguns haverão de sair da caverna do fetichismo!
Procuramos aqui assumir uma posição intermediária entre ateísmo e fundamentalismo, exercendo critica face a fé apenas quando suas pretensões conflitam com as da ciência em seu terreno, o da imanência. E deixando as questões puramente metafísicas ou espirituais que não conflitam com o modelo científico ao alvedrio dos educandos.
Pois pensamos que a demanda da sociedade presente deva concentrar suas críticas face aos fundamentalismos ou a ideia de que livros integralmente infalíveis possuam uma autoridade ilimitada ou universal.
Esperamos que estas reflexões possam servir como embasamento para uma praxis mais segura e livre, e é claro eficiente.
Neste momento crucial não é o ateísmo, o agnosticismo ou o deísmo que precisam de bons advogados mas o modelo científico naturalista, a liberdade, a tolerância, o pluralismo, etc
No próximo artigo publicaremos uma série de estratégias pedagógicas evolucionistas para professores de ciência ou bilogia.
Mestres hajam com consciência, dignidade e desenvoltura; sem medos ou receios!
Alias é danoso ignora-la.
Por mais que os propagandistas do ateísmo esforcem-se - através de manchetes estrondosas e mirabolantes - por demonstrar que o mundo esta mais ateu, isto não passa de pura falácia. O ateísmo jamais conseguiu atrair mais do que oito porcento de adeptos mesmo em países como a Holanda ou regiões do a Escandinávia.
Mesmo quando as pesquisas por pura inabilidade associam ateus com agnósticos, a cifra raramente atinge mais de 20% (exceções França, Inglaterra e Uruguai). Como o número de agnósticos é sempre bem maior não se sai dos 8%. A média pelo mundo é de míseros 2,4% e em poucos países apresentados como ateus chega a 5%...
Na verdade quando os ateus alegam que um pais é majoritariamente ateu estão incluindo por conta e risco: os agnósticos (cuja cifra indubitavelmente cresce e cresce) e até mesmo os indiferentes a religiosidade institucional (cuja cifra cresce ainda mais) mesmo sabendo que são quase todos deístas, panenteístas, panteístas, etc e que afirmam a existência de uma energia, alma ou espírito universal, o que os ateus, obviamente negam.
O que estamos assistindo hoje não é de maneira alguma a 'arrancada do ateísmo' e sim a afirmação de uma espiritualidade pessoal ou marginal, i é, fora dos moldes tradicionais e alheia as instituições formais. Religiosidade desvinculada de qualquer instituição religiosa definida.
É O QUE CHAMAM INDEVIDAMENTE DE ATEÍSMO. Trata-se no entanto de uma ruptura com a religião (i é de indiferentismo ou deísmo) e não de uma negação absolutamente segura a respeito da inexistência de um deus.
Por via alguma a irreligiosidade (indiferença religiosa) e da dúvida sobre a existência de Deus (suspensão de juízo ou agnosticisno cf Th Husley 'Ciência e Religião' 1893) , devem ser confundidas com a metafisica ateística, pois comportam visões de mundo específicas e pontos de vista contraditórios.
Juntar tudo no mesmo saco e rotular como ateísmo só pode satisfazer mesmo aos pastores fanáticos e ateus fanáticos i é os extremistas. Mas continua sendo uma abordagem cientificamente desonesta e superficial.
Quanto aos agnósticos e deístas, seu número parece ser considerável em alguns países como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Holanda, Suécia, Suíça, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Uruguai, etc
No entanto apesar disto, apenas nuns poucos países civilizados chegam a constituir maioria absoluta (50 + 1%). Em todas as demais sociedades humanas - mesmo civilizadas e inseridas no contesto europeu - o número de crentes ou religiosos ainda é majoritário. Importa que a religião dominou tais sociedade até bem pouco tempo e que a cultura por ela plasmada permanece em parte vida e influente.
Vai-se a fé, mas as relações entre os signos, o imaginário coletivo, os elementos da cultura, as ações, intencionalidades e comportamentos permanecem sendo ditados pelo costume, a tradição ou o hábito. E pouquíssimos espaços, como EUA, Inglaterra, Alemanha e França, ocorreu a produção de uma outra cultura ditada pelo materialismo ou pela irreligiosidade. Mesmo sem que os elementos da cultura antiga fossem totalmente eliminados (embora alguns tenha passado por um processo de resignificação).
O que Édouard Laboulaye registrou há quase século e meio nas páginas da 'Liberdade religiosa' (charpentier - Paris, 1875 p 77) permanece mais ou menos válido até hoje:
"... Assim continuamos a guiar-nos por esta fé recebida na infância mesmo após te-la perdido. Nossa lingua, nossas ciências, nossas artes, nossos costumes... estão impregnados de Cristianismo. Nós nos dizemos assim incrédulos mas ainda que remotamente inspiramos nossas ações no Evangelho..."
Substitua-se Cristianismo ou Evangelho por religião ou espiritualidade e não fará muita diferença.
No sentido de que as diversas crenças continuam plasmando personalidades e influenciando a dinâmica social tal e qual na idade primitiva quando habitávamos em cavernas ou palafitas. Isto porque a fé tem o condão de introjetar e extrojetar ideias produzindo tipos de comportamentos e praxis sociais específicas.
Nem podemos compreender bem qualquer sociedade, como enfatizaram Fustel de Coulanges, Max Weber, e outros, sem examinar e compreender as crenças dominantes.
No entanto é forçoso compreender o que desejamos transformar e aprimorar. Daí a necessidade de estudar seriamente os credos religiosos, seus dogmas e sua História. É dever a que não devem se furtar aqueles que não creem. Não preciso crer em algo para reconhecer sua influência sobre os demais. Aos crentes e devotos, a fé ao sociólogo como Marcel Mauss o estudo das formas religiosas.
Especialmente a criança - por ser acrítica - e o jovem - por ser idealista e ingênuo - tendem a ser religiosos, embora posteriormente; quando amadureçam possam perder a fé. Cogitou-se já inclusive que a adolescência seja uma fase religiosa, em que a fé torna-se um ponto de apoio importante para a personalidade em conflito ou crise. Mesmo descrendo o educador precisa ter sensibilidade suficiente para perceber que a dimensão da fé pode ter significado vital para nossos alunos, enquanto suporte de sua vida mental.
Neste caso não se trata já da questão da verdade, i é do verdadeiro e do falso, e sim da conveniência. É prudente privar aquela criança ou jovem de sua fé neste momento? Que consequências poderiam decorrer disto? Como ficaria a mente daquela pessoa??? Tenhamos sempre Camus e o jovem Wether diante de nós! Sempre poderemos sugerir sutilmente e influenciar delicadamente... no entanto é necessário que cada qual faça seu caminho por si mesmo, tire suas constatações e amadureça.
Neste sentido a imposição do ateísmo, ou mesmo da simples indiferença religiosa por um professor autoritário pode ser tão devastadora para um jovem quanto a adesão a um credo fundamentalista. Nestes casos, em se tratando duma religião qualquer, i é não fundamentalista como o islã e/ou o pentecostalismo é sempre melhor: 'Deixar estar, deixar passar'...
Agora em se tratando de uma fé fundamentalista... que traga em seu bojo germes de intolerância, arrogância, violência, etc é melhor intervir sabiamente, sempre que as oportunidades surjam e problematizar. Toda e qualquer tentativa de proselitismo executada por alunos em classe ou no recinto escolar deve ser imediatamente problematizada pelo educador.
Há dois tipos de alunos que apreciam fazer perguntas sobre religião ou fé: os duvidosos ou indiferentes e os demasiadamente religiosos ou fanáticos.
Ao receber de chofre uma pergunta como esta: Qual sua religião professor?
Existem diversas possibilidades de intervenção, as quais devem ser tomadas levando em consideração as necessidades da turma.
Caso se sinta pressionado ou coagido o educador sempre poderá declarar:
"Como a fé é assunto de natureza pessoal, preferiria não responder a esta pergunta. Alias o espaço escolar existe para tratarmos apenas do que nos une ou do que é comum."
E concluir:
"Há tantas coisas interessantes nos seres humanos. Julgar as pessoas em termos de fé religiosa é quase sempre posicionar-se contra elas. É uma questão que só diz respeito a própria pessoa, então vamos respeitar e deixar de se preocupar com isto."
Neste momento podem aparecer outras duas perguntas (quase sempre aparecem!):
O senhor é ateu?
Neste caso o educador por aproveitar a oportunidade para problematizar e fixar o sentido de ateísmo e indiferença religiosa a que aludimos acima.
Mas o que é ateu?
......................
E daí mostrar a diferença (numa turma de E médio) entre quem dúvida ou suspende o juízo - agnóstico - o que afirma a existência de Deus mas não tem religião ou fé - deísta - o que segue determinado credo religioso - teísta ou crente - e o que afirma a inexistência de Deus (ateu). E arrematar a discussão dizendo que cada qual tem direito de fazer e de expressar a sua opção, merecendo todo respeito pelo simples fato de ser livre.
Caso algum aluno insista em perguntar se é ateu, o educador poderá responder:
Sim sou, e acrescentar; no entanto encaro com profundo respeito os que pensam de modo diverso ou é fruto de minhas reflexões e tenho direito de expressa-las.
ou
Não, no entanto, nem por isso posso deixar de respeitar o posicionamento dos ateus, agnósticos, deístas, etc
Um caminho possível é assumir discretamente sua posição e afirmar o respeito pelo posicionamento do outro, na perspectiva da liberdade.
A segunda pergunta, muito mais especiosa e comum é:
O senhor acredita na Bíblia?
Aqui o professor pode mais uma vez recorrer ao esquema da problematização, respondendo com uma outra pergunta:
Mas o que é a Bíblia?
Mostrando a partir daí que o conceito de Bíblia unitária é construção histórica e cultural e salientando a diferença cabal entre antigo e Novo Testamentos ou no plano do Novo Testamento entre as cartas de Paulo e os Evangelhos.
Caso tenha amplo conhecimento sobre a matéria (infelizmente lacunoso entre os não crentes) explorar a diversidade de tempo, locais, linguas e culturas em que foram produzidos os diversos textos bíblicos, insinuar contradições, etc
É algo que leva tempo, exige habilidade, mas é sempre compensador.
Importante é procurar, com bastante cuidado, remover da mente do aluno a ideia de inerrância absoluta ou infalibilidade plenária característica do modelo fundamentalista e anti científico, sempre por meio de uma crítica cerrada e questionamento contínuo.
Isto é claro sem tirar a liberdade do educando e permitindo que contra argumente a vontade.
Sem demonstrar impaciência, hostilidade, irritação, etc
Conservando ares de sã jovialidade.
Poderá se quiser responder como respondo: Tenho imenso amor e respeito pelas palavras de Jesus contidas no Evangelho, que é uma parte do Novo Testamento e até penso que constituam uma excelente orientação para a vida, agora com relação aos escritos de Paulo ou o antigo testamento (ou seja as demais partes do que voce chama de Bíblia) não posso encarar como palavra de Deus ou como fontes inquestionáveis.
Se o aluno perguntar porque não acredita em Paulo ou no antigo testamento poderá apontar para os preconceitos afirmados por aquela apóstolo: machismo, escravismo, estatolatria, homofobia, etc apresentar os mitos, lendas e fábulas do antigo testamento como correspondendo a cópias de material anterior de origem pagã (Sumeriana, Assíria, Babilônica, Egipcia, Fenícia, Persa, Grega, etc) ou explorar as inumeras contradições internas deste registro, além de seus erros em matéria científica é claro.
O importante aqui é:
1 - Jamais tomar a iniciativa de abordar qualquer tema religioso ou abster-se.
A atitude dos professores fanáticos e proselitistas que consiste em tomar a iniciativa de abordar qualquer tenha religioso, de impedir dos dissidentes de se manifestarem e de impor autoritariamente seus pontos de vista, caracteriza exercício de proselitismo O QUAL SENDO LEVADO A CABO EM ESCOLA PÚBLICA OU SALA DE AULA CONSTITUI CRIME.
Professores que atuam como pastores ou mullás ousando pregar em sala de aula devem ser denunciados as autoridades policiais e administrativas como criminosos!
É atitude que não deve nem pode ser tolerada sob quaisquer pretextos!
2 - Esperar que o assunto surja espontaneamente e, neste caso apreciar se deve ou não explora-lo naquele momento.
3 - Intervir positivamente diante de qualquer tipo de atitude proselitista apresentada no contesto escolar pelos alunos e problematizar.
4 - Sempre que possível responder com perguntas visando problematizar o assunto ou desconstruir os argumentos que considerar inadequados.
5 - Manter sempre um clima de liberdade permitindo que o aluno contra argumente e que todos participem expondo seus pontos de vista e ideias.
6 - Exigir atitude de respeito e tolerância.
7 - Manter o bom humor e a jovialidade. Jamais perder a paciência, mostrar irritação ou agredir os educandos.
8 - Procurar desde logo apresentar aos alunos o conceito de 'demarcação' e buscar familiariza-los com ele.
Estamos aqui diante de um conceito chave, de um padrão ou de um critério que deve nortear a atuação do professor crítico reflexivo, face a abordagem religiosa.
Grosso modo não deve o professor cogitar no que creem seus alunos em termos de transcendência.
Quanto mais a fé ou religiosidade dos alunos concentrar-se no além, no céu, no paraíso, no imaterial ou no invisível, menos problemática será para nós.
Posso não crer em Ganesha, Jupiter, Iemanjá, Jesus, etc no entanto se tais entidades não atuam magica ou miraculosamente no mundo material, posso dizer a meu aluno:
Não, não creio em Ganesha mas se você cre nele não me importa nem um pouco, desde que saiba que ele não faz chover, não cura cancerosos e não produziu o mundo em sete dias literais... Sendo assim estamos em paz.
Perceba aqui que o deus ou os deuses e entidades não são o problema da educação científica. Trata-se cientificamente de assunto neutro ou escuso; bom para a Filosofia, mas ocioso em termos de ciência.
O problema aqui da-se em termos de COMO qualquer dessas entidade (e não importa nome ou número) relaciona-se com o mundo em termos de fetichismo ou naturalismo. Se o aluno ou a pessoa crer que seu deus ira salva-lo no além ou ressuscita-lo podemos dar de ombros... agora se o aluno cre que seu deus faz chover mijando ou lançando baldes dágua ou ainda que ele mexe nas placas tectônicas provocando terremotos, então temos um sério problema.
Se este deus o entidade atua por meio de leis naturais de causa e efeito (caso dos espíritas e de parte dos Católicos)... se podemos situa-lo antes da grande explosão ou como causador (produtor) dela; enfim se ele atua DE ACORDO COM O RITMO DA CIÊNCIA, não temos o que discutir. O problema é sempre a ideia de um deus interventor, miraculoso ou taumatúrgico, que a todo instante 'aperfeiçoa' de improviso o universo, provocando diretamente o surgimento da vida, um dilúvio, sucessivos terremotos, fomes, guerras, etc, etc, etc
Até que essas intervenções multiplicam-se ao infinito, ocorrendo diversas vezes ao dia.
Aqui temos um problemão e devemos explora-lo ao máximo no sentido negativo, afirmando em alto e bom som o primado ou primazia das explicações científicas em termos de imanência e o direito exclusivo de serem ministradas em sala de aula.
Caso o aluno questione sobre o porque deste monopólio científico não devemos exitar em responder-lhe que os religiosos estão divididos em termos de modelo criacionista, mesmo porque cada grupo tem seu livro sagrado com narrativas e concepções diferentes. Eis porque nenhum destes livros pode servir para ministrar explicações gerais a todos os alunos... pois um cre no Antigo Testamento, outro nos Vedas, outro no Corão e assim por diante...
Na escola de todos temos de apelar a elementos comuns como a experiência e a razão, as quais encontram-se na base de nosso modelo científico.
Resumindo cumpre inculcar por diversos modos e maneiras, na mente dos nossos alunos, que a imanência é terreno que pertence a explicação científica e não a fé ou a religião, cujo campo restringe-se ao espiritual, imaterial ou invisível. Bom explicitar que não tem prevenção alguma contra a religião desde que ela se mantenha em seu terreno ou campo: o celestial ou divino, abstendo-se de invadir o terreno da ciência que é o mundo natural.
É necessário aproveitar todas as oportunidades para justificar este esquema até a exaustão. Aqui repetir é o melhor veículo!
Papai do céu ou deus cuida de deus anjos ou dos falecidos lá no além... A terra em que vivemos no entanto Deus quis regula-la por meio das leis naturais adrede fixadas desde o princípio.
Se o aluno indagar:
O sr crê na grande explosão ou na evolução das espécies, responda resolutamente:
Os religiosos creem no que não veem. Eu abraço as teorias da grande explosão e da evolução porque fazem sentido, porque me ajudam a compreender o mundo, porque estão fundamentadas no raciocínio e da experiência e sobretudo porque apoiam-se sobre um imenso número de fatos.
Não creio, constato aquilo que percebo ou melhor percebo com os pesquisadores.
Aqui não se trata de fé mas de bom senso.
9 - Jamais perder a consciência a respeito de sua liberdade de cátedra.
10 - Tenha esperança! Parte de seus alunos assimilarão os ensinamentos por si ministrados e com certeza ao menos alguns haverão de sair da caverna do fetichismo!
Procuramos aqui assumir uma posição intermediária entre ateísmo e fundamentalismo, exercendo critica face a fé apenas quando suas pretensões conflitam com as da ciência em seu terreno, o da imanência. E deixando as questões puramente metafísicas ou espirituais que não conflitam com o modelo científico ao alvedrio dos educandos.
Pois pensamos que a demanda da sociedade presente deva concentrar suas críticas face aos fundamentalismos ou a ideia de que livros integralmente infalíveis possuam uma autoridade ilimitada ou universal.
Esperamos que estas reflexões possam servir como embasamento para uma praxis mais segura e livre, e é claro eficiente.
Neste momento crucial não é o ateísmo, o agnosticismo ou o deísmo que precisam de bons advogados mas o modelo científico naturalista, a liberdade, a tolerância, o pluralismo, etc
No próximo artigo publicaremos uma série de estratégias pedagógicas evolucionistas para professores de ciência ou bilogia.
Mestres hajam com consciência, dignidade e desenvoltura; sem medos ou receios!
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segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Anarquismo roteiro da libertação social
Hoje à tarde acabei de ler o livro de Edgard Leuenroth, Anarquismo roteiro da libertação social que é uma antologia de textos libertários que versam sobre a história do anarquismo, história da imprensa anarquista, dos congressos anarquistas, que explicam o que é o anarquismo e como agem os anarquistas e também versa sobre a educação libertária. A maior parte dos textos é do próprio Leuenroth, mas também há textos de Gigi Damiani, Malatesta, José Oiticica entre outros.
O livro tem uma linguagem de fácil assimilação mas nem por isso deixa de ser profundo, de todos os livros sobre o anarquismo que li este foi o melhor, o autor e organizador da obra refutou o marxismo e suas pretensões historicistas, explicou exaustivamente que todos os problemas derivam do Estado e da propriedade privada, e que são esses entes que sustentam o capitalismo.
Edgar Leuenroth insiste por todo o livro que os anarquistas se associam livremente e praticam o apoio mútuo, sem coação, sem leis, apenas baseados na camaradagem e, o melhor o autor não faz discurso sobre o funcionamento da sociedade anárquica mas demonstra cabalmente através de fatos históricos vários episódios de anarquistas e de pessoas comum que se associaram livremente e aboliram o dinheiro e entre eles reinava a harmonia, esses fatos vieram a desmontar a tese marxista-leninista de que precisa haver uma ditadura do proletariado, a tomada do governo para se chegar ao comunismo. Leuenroth desmonta essa falácia apenas demonstrando fatos e nada mais.
Este livro é simples e não tem grandes pretensões, é a melhor iniciação ao anarquismo e é obra de brasileiro, é uma aula de filosofia, de história e de sociologia para se entender o que é de fato o anarquismo, este livro não deixa nenhuma dúvida sobre o assunto e sua linguagem além de didática é uma linguagem serena e acolhedora. Se você se interessou pelo livro pode comprá-lo mas se não puder e/ou quiser comprá-lo pode baixá-lo gratuitamente aqui. Se este texto excitou sua curiosidade a ponto de levá-lo(a) a baixar a ler o livro dou-me por satisfeito. Quanto a mim, posso dizer que este livro me esclareceu muito.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
A Mulher e a educação
Emancipar o homem não é
emancipar a humanidade.
Emancipai a mulher e tereis
emancipado a humanidade.
Sempre se nos diz que a inferioridade mental é um fato, que a nossa debilidade é manifesta. E, baseados neste sofismático argumento, pesa sobre nós a tirania masculina, mais pesada ainda que o jugo da escravidão, arrastada pelas servas da Idade Média.
Embora seja um fato consumado a nossa debilidade, não é menos verdade que a nossa educação e instrução sempre se tem descuidado, causa essa que justifica a inferioridade intelectual da mulher no presente momento.
Eis a razão dessa debilidade trivial no sexo feminino.
Mais isso não demonstra que a nossa massa encefálica seja mais reduzida que a do homem, pois demasiadamente sabemos que as opiniões mais autorizadas de célebres fisiólogos e antropólogos, são contrárias a estas ranças teorias dos inimigos da emancipação da mulher.
Se a ciência, a literatura, as artes contam nas suas fileiras com pequeno número de mulheres, é porque só ao homem se lhe tem facilitado um meio superior ao da mulher. Essa diferença de meio determina a inferioridade.
De nenhum modo equivale afirmar que o cérebro feminino tenha menos aptidão para abarcar os domínios da ciência. Fazendo a antítese do que até hoje se tem feito, pondo em idênticas condições de meio ambos os sexos, essa inferioridade injustamente atribuída à mulher desparecerá e, conjuntamente a hegemonia e o jugo masculino que nos faz escravas.
Enquanto mais se ponham obstáculos à instrução e à educação da mulher, mais demorará, e fará com isso a impossibilidade de implantar a Sociedade Livre que tanto anelamos, objeto de nossos amores e sacrifícios.
Tratemos, pois, de realizar o que tão acertadamente indicou Gondorci:
Quando se instrui um menino, se prepara um homem instruído; mas quando se instrui uma menina, se elabora a instrução de uma família, e nada há mais lógico que isto, sendo a mulher a que cultiva a educação dos seus filhos.
Se quisermos, em verdade, que a felicidade seja uma realidade a tirania termine, o baluarte dos zangões caia aniquilado.
Emancipai a mulher, arrancando essa venda primitivista que perverte os seus sentimentos morais. Rasgai o véu fatídico do fanatismo religioso que a idiotiza, e tereis quebrado os pontos que equilibra esta sociedade de crime.
Artigo de Isolina Borques em A Voz da União Ano 01 - Nº10 - São Paulo-SP 01.01.1923
O texto se encontra:
NASCIMENTO, Rogério(Org.) Educação anarquista, saberes, ideias, concepções. Imprensa Marginal, SP, 2012.
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