Mostrando postagens com marcador Homem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homem. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Viagem a Marte - Para além da simplicidade Julesverniana...

Muito antes que o sr Jeff Bezos fosse chamado a luz da existência e cogitasse passear pela órbita espacial, um francês de nome Júlio Verne cogitava uma viagem até a lua. 

Enquanto alguns questionam a ida do homem a luz em 2021 Verne era capaz de imagina-la no século XIX??? - A um lado a mente idiota e a outro a mente genial...

Desde que foram os homens a lua, no final dos anos 60 ou em qualquer momento dos anos 70, muita água rolou por debaixo da ponte.

E se antes o objeto era a lua não tardou a converter-se em Vênus ou em Marte.

Vênus no entanto é demasiado quente...

Já o frio, ainda que excessivo, conseguimos burlar.

Por outro lado sempre que pensa em Marte pensa o homem em água.

Quiçá possamos criar naquele planeta uma atmosfera artificial. A água no entanto seria de grande valia caso por lá existisse em estado líquido ou ao menos em estado sólido i é congelada.

De fato há ali água sob três de seus estados, preponderando no entanto como gelo. E se é a Antártida um continente gelado é Marte um planeta gelado.

Agora por que tanto interesse no distante planeta gelado e tão pouco interesse no Planeta azul em que vivemos.

Por que buscar partículas de microscópica vida lá enquanto extinguimos onças, antas, tigres, leões, girafas, elefantes, zebras, etc  por aqui?

Serão tais formas banais apenas por estarem perto de nós ou por existirem?

E as de lá maravilhosas por existirem apenas em nossas cabeças ou estarem tão distantes?

Talvez seja o caso. 

Afinal é vezo nosso e vezo sinistro valorizar o quanto perdemos...

Ademais ainda estamos acostumados a ver leões, zebras, girafas e gorilas em quantidade, o que nos leva a conceber a existência deles como vulgar...

Poderíamos gastar bilhões com o propósito de limpar nosso planeta, assim para descontaminar as águas, o ar ou a terra... No entanto preferimos investir em Marte ou na Lua. 

De fato enquanto alguns multi milionários parasitas colhem ovações e aplausos pelo fato de poderem excursionar em torno do planeta,vai nosso pobre planeta passando do azul translúcido ao cinza ou marrom...

Obra nossa ou melhor dos nossos excelentes industriais e empresários impulsionados pela ideia absurda de um progresso econômico e técnico ilimitado.

Por mais resistente que seja, a mãe natureza não poderá resistir indefinidamente a nossos ataques e agressões. 

E nós ou alguns de nós intensamente preocupados com Marte ou com a Lua.

Não, não é problema de sistema, embora o sistema seja abominável. É antes de tudo problema humano, antropológico, ético ou moral, o qual gira em torno da virtude. Foi o homem que concebeu, alimentou e ainda insisti em manter esse sistema abominável, julgando ser o melhor possível...

Sócrates já o havia previsto e antevisto - Divino ateniense! 

Pois ao denunciar o formalismo estrutural da democracia ateniense e postular a formação de homens leais, honestos, capazes e democráticos, teve de antepor o auto conhecimento ou o conhecimento de si próprio a todas as outras formas de saber, inclusive ao conhecimento do mundo externo e da técnica.

Do ponto de vista socrático o que aqui temos, há vinte cinco séculos é uma inversão. 

Pois iniciamos a construção do saber pelos elementos do mundo externo e não por nosso universo interior que tudo maneja. Tal nosso drama.

Aprendemos a controlar o mundo externo ou o universo, porém jamais cuidamos em controlar a nós mesmos ou nossos impulsos com seriedade.

Em seguida, já na modernidade, cuidamos planejar as mais belas instituições e estruturas, antes de cogitarmos na fruição de direitos, na justiça ou na virtude.

O fruto de tudo isto é uma sifilização formalista até o mecanicismo estrutural. Um formalismo democrático de teor fetichista, um agregado de leis formalistas, a ideia imbecil de um mercado que se regula por si mesmo, o socialismo bizarro - Mecanicista e etapista - de K Marx, o cientificismo/tecnicismo positivista... Abismo após abismo, miséria após miséria... Afora de Sócrates, Platão, Cícero, Quintiliano... de Jesus Cristo e dos Padres da Igreja, preocupação alguma com o elemento humano.

Até que a magnífica ciência levou-nos a lua e brindou-nos com bombas de destruição maciça - a uns seres pretensiosos que a bem da verdade são pouco melhores ou quem sabe até piores do que seus primos macacos... 

Podia este homem, a ser educado, civilizado e virtuoso - Segundo o propósito de um Confúcio, de um Sócrates ou de um Jesus. - ajudado pelas máquinas e por todo este excesso de tecnologia, ter convertido este nosso mundo num Paraíso. Nós no entanto continuamos engatados naquela resoluta marcha rumo ao único inferno, este que ora construímos por meio da extinção, a poluição e da sujeira...

Para que tanta tecnologia se os olhos da maior parte dos seres humanos continuam focados em Marte ou na Lua? Ignorando ou fingindo ignorar as necessidades reais deste planeta, nossa casa e nosso lar?

Por pouco uns homens loucos, escolhidos a dedo ou eleitos pelas massas, não reduziram este planeta a pó com o apertar alguns botões ou com o estralar dos dedos...

Criamos brinquedos mortais com que dar cabo não apenas de nossa espécie mas também de todas as outras e aniquilar o trabalho evolutivo de dois bilhões de anos.

Sim, brinquedos. Pois não passamos de crianças nos termos rasgados de um Freud. Crianças porque ainda não fomos curados do egoísmo, nosso pecado original.

Divinas e núncias das realidades celestiais por saberem confiar. Mas também egoístas até a crueldade. O que no entanto facilmente se cura por meio da pesquisa e da instrução.

Pesquisando sobre nós mesmos por meio da introspecção e conhecendo o defeito congênito aplicando as medicinas dos grandes Mestres citados: Buda, Confúcio, Sócrates e sobretudo Jesus de Nazaré... 

Mas é como disse: Só podemos lidar perfeitamente com aquilo que conhecemos e na medida em que melhor conhecemos.

E negligenciamos o conhecimento de nós mesmos, desse imenso universo que em parte permanece indevassado. Dispersa-mo-nos pela Via Láctea, guiados por quiméricos sonhos, porém jamais ousamos examinar a fundo nosso universo interior. Construímos bombas e foguetes, computadores e TVs, trens elétricos e automóveis capazes de guiarem a si mesmos; mas continuamos a fugir da 'Longue chaise'... Exatamente por onde deveríamos ter principiado - O Metronomo e a Longue chaise...

Triste a sorte de um mundo ou de universo controlado por um ser descontrolado, incapaz de impor limites éticos a si mesmo ou de controlar-se. 

Como pode controlar algo aquilo que não se controla?

Desde Fechner, Wundt, Freud, Jung, Frankl, Winnicott, Blowby e outros tornamos a levantar a tampa do alçapão tenebroso. Os fantasmas porém há muito que haviam escapado... sem que nos déssemos conta ou nos importássemos. 

Nós que não nos identificamos uns com os outros e que tampouco nos compadecemos dos animais ousamos produzir maquinários e parafernália capaz de aumentar milhares de vezes nosso raio de ação não poucas vezes destrutivos. 

Antes de criar todo esse mundo artificial ou cibernético por que não nos desprendemos do consumo de carne vermelha?

Aqui certamente teríamos feito algo de relevante ou uma espécie de Revolução. E nos preparado para grandes conquistas. Porém guiados pela injustiça matamos pelo prazer do sabor sem ousar refletir ou raciocinar.

Por isso nos convertemos em vermes nauseabundos que em louco festim devoram a carcaça deste pobre Planeta enquanto olham embevecidos para Marte ou para a Lua.

Sabe Deus nossas intenções perversas?

Não apenas ele porquanto a ficção científica - Acurada desde os tempos de Verne, Salgari, Reid, etc - já deslindou o segredou e colocou-o diante de nossas vistas > O cúmulo da profanação!

Não romantizemos as coisas nem nos enganemos por um instante sequer a respeito deste falso encanto falso encanto diante do universo externo. Amamos nesse universo imenso o que ele nos pode dar, o que desejamos e esperamos que haja nele.

Não foi o Cristianismo antigo ou apostólico que impulsionou a pilhagem da América. Triste - Tentou inutilmente conte-la e até conteve-a em certa medida. Coisa que não faria este neo cristianismo protestantizado e canalha, incapaz de produzir um Francisco Vitória, um Banez, um Soto, um Cano, um Las Casas, um Suarez, um Benci, um Pedro Claver, um Martinho de Porres, etc

O futuro porque aspiramos é o pior do quanto nos legou o passado, assim a explotação do Oeste pelos colonos Norte Americanos, esta não somente incontida como estimulada pelos pastores com suas bíblias ou velhos testamentos - Do que resultou o pior genocídio da História. Tal o modelo de futuro que temos...

Pois como predadores aguardam esses homens ímpios por uma nova América ou por um Novo mundo quiçá repleto de humanos, de animais ou de minerais a que pilhar, torturar e matar. Rogo aos céus que tais mundos estejam bem distantes de nós e assim a salvo. Rogo a Providência celestial que não estejam na periferia desta Via Láctea... 

Encontrado este outro Planeta com ar, água e riquezas minerais sucederá a passagem, a migração das larvas insaciáveis ou a colonização e degradação do novo espaço. 

Como disse acima, caso hajam lá outras formas de vida, racionais ou não, seguirá a catástrofe. Principiaremos a matar e a escravizar uns e outros, quiçá em nome desse novo Evangelho parceiro do darwinismo social e do mamonismo. 

A grande diferença em termos de processo histórico é que enquanto após o descobrimento da América foram as massas empobrecidas e miseráveis que para cá migraram ora teremos algo quiçá mais diabólico, posto que aqui não há mais para onde correr. Destarte premidos pela geografia ou pela imutabilidade do espaço quem se deslocará serão os multi milionários como o sr Bezos e serão eles os únicos e próprios 'deuses astronautas' a migrar para outras plagas em que não hajam pobres. Os demais vermes cá ficarão para disputar os ínfimos restos de uma carcaça nauseabunda. Num contexto em parte já sabido com falta de água, de espaço, de ar limpo... e é claro com superabundância de sujeira. 

O quadro de nosso possível futuro foi descrito qual profecia ou vaticínio no Filme Elysium (2013). Outro propósito não tem os multi milionários, ricos, empresários, industriais, banqueiros e seus títeres políticos quando ao invés de descontaminarem este nosso lar investem imensa fortuna em máquinas, foguetes e viagens inter planetárias, etc O quanto querem é encontrar um refúgio para em seguida deixar este Planeta quase irrecuperável, e multidão de miseráveis nele a formigarem como vermina. 

Tal o panorama e o significado de tais investimentos e excursões; havendo quem apoie abertamente tais desígnios. 

Movidos por insaciável ambição que jamais se contém ou reforma tais homens dão já nossa casa por  irrecuperável e perdida. E não se sensibilizam - pretendendo antes começar tudo de novo num outro local. Dando sequência a essa saga de sangue, suor e lágrimas... a esse rosário de sofrimentos e dores, previsto já pelos homens póstumos, pelos supremos representantes da espécie. O quanto posso imaginar face a esse quadro é uma chusma de ratos (Os ratos que não me levem a mal.) prestes a abandonar o navio prestes a sossobrar... 

Para piorar ainda mais o cenário já aterrador surge pergunta que não quer calar:

Terá você amigo leitor, ou algum de seus descendentes, possibilidade de morar nesse modelo de paraíso chamado "Elysium"??? 

Ou ficará abandonado com os céus numa terra convertida no pior dos pesadelos imagináveis?

Para, pense, reflita, revise suas concepções e considere não apenas cuidar do Planeta mas pressionar as autoridades para que dele cuidem.

Informe-se sobretudo a respeito da proposta realista em torno de uma 'economia estacionária'. 



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Buscando responder algumas objeções levantadas II



Nos domínios do absurdo



Isto parece aterrador, não ter mais sentido... Diz meu amigo.



Não parece aterrador, bom amigo. É... Simplesmente é.

E já lhe digo que caso este sentido necessário, dependa de algo transcendente, também este algo transcendente fica sendo absolutamente necessário. Não somos responsáveis pela questão do materialismo e o tema do ateísmo tocarem ao sentido da existência ou melhor por essas ideologias destruírem o sentido, encaminhando o homem ao nihilismo, ao absurdo e ao desespero total. Até destruírem o homem, fazendo com que abandone decididamente uma farsa que jamais devería ter sido iniciada. Julgo alias que uma doutrina cujo o fim último seja a decepção, a frustração, o tédio, a auto alienação e a neurose, deva ser revista com todo cuidado.

É o caso do ceticismo crasso, é pura teoria, não serve para a vida, não tem sentido vital, não pode ser vivido ou praticado. Assim o nihilismo...

Aqui chegamos a Camus, com sua teoria do absurdo.

Pois o caos, o acidental ou o absurdo é que se opoem ao sentido.Caso abdiquemos do sentido temos de chegar a loucura. Afinal por que qualquer outro aspecto da existência teria direção ou sentido num quadro geral de absurdidade? Michel Foucault, Gatarri, Derrida e outros não brincaram quando tentaram quebrar as barreiras entre normalidade e loucura... Se tudo é absurdo como estigmatizar a loucura. Afinal condenamos a loucura em nome de um certo sentido a que chamamos normalidade. Os pós modernistas foram coerentes ao avançarem do absurdo a anormalidade generalizada ou a loucura. 


Não fica mal ao pós modernismo e o irracionalismo negarem o sentido, como negam a própria empiria e a própria ciência segundo suas respectivas cosmovisões.

O problema aqui é o cientificista, que - apesar de Kant - afeta objetivismo enquanto acesso a certa dimensão da realidade, encontrar-se com o irracionalista e pós modernista apenas para negar o sentido e canonizar o absurdo.

Levando o absurdo a sério


Aqui outra arbitrariedade uma vez que o pós modernista nega absolutamente tudo, mergulhando no subjetivismo crasso, enquanto que o positivista faz um recorte arbitrário e nega apenas o sentido geral da existência reservando o absurdo para o fim. Sem perceber que afirmando o absurdo metafísico torna sua própria ciência absurda. E pouco se nos dá que esse mesmo homem dê com os ombros e declare: Eis tudo que temos! Afinal a ciência no tempo presente é privilégio de uns poucos enquanto as multidões que se arrastam pela terra caminham para a dissolução e o nada. Se as migalhas de felicidade de que dispomos dependem do conhecimento científico a condição humana é bastante deplorável.

Ah, mas minha ciência não é absurda! Querido caso o princípio seja acidental ou fortuíto e o fim igualmente sem sentido algum, como crer que o meio. Mas compreendo como é difícil para vocês abandonar a única consolação ilusória de que dispõem, i é a objetividade cientifica face a crença no absurdo total corajosamente proclamada pelos pós modernista.
E no entanto este homem auto consciente e racional demanda pelo sentido, busca por um sentido, persegue o sentido... como uma mariposa lança-se as chamas da lamparina dirá certo pensador ateísta.

Psicologicamente, seja para Jung, Frankl, Allers e tantos outros teóricos o encontro do sentido corresponde a própria sanidade mental e sua negação a uma fonte de neuroses.

Para um grupo seleto de seres humanos


Compreendo que pessoas saudáveis, bonitas, jovens, limpas e bem nutridas desdenhem do sentido, que afirmem ser tal busca ociosa, a razão um verme e absurdo tudo quanto nos envolva.

Desde que haja casa, comida, roupa lavada e certa felicidade a negação do sentido pode ser viável ou mesmo tentadora. No entanto a maior parte dos seres humanos vive sob condições distintas e ouso duvidar que um tal tipo de ensinamento - apto para satisfazer pessoas realizadas e felizes - pudesse ser seriamente enunciado num Hospital, num Asilo, num Orfanato ou mesmo numa Favela... A absurdidade da vida é doutrina bastante restrita e parece não contemplar as necessidades existenciais ou psíquicas da maior parte dos seres humanos.

Os termos finais da 'bela' doutrina...


Foi apenas após a trigésima cirurgia que Freud pode abdicar por completo da esperança e descreve-la como um verme, pouco antes de recorrer ao clorofórmio e deixar o palco ou picadeiro da vida.. Raras são as esperanças de que um jovem que nega categoricamente o sentido da existência chegue a extrema velhice após uma série de vicissitudes e calamidades.

Werther de Goethe sequer precisou envelhecer ou passar por problemas de ordem material para sucumbir ao peso de uma existência sem qualquer sentido, e o simples ceticismo, bem como o agnosticismo - para não falarmos em materialismo e ateísmo - tem sido suficientes para levar ao suicídio um número cada vez maior de cidadãos escandinavos. Onde um aluvião de suicídios tem acompanhado os passos da ideologia nihilista, o que por si só basta para excluir qualquer análise superficial e forçada em termos de clima, afinal o clima tem sido estável há centenas de anos e o aumento dos suicídios um fenômeno relativamente recente que tem acompanhado a cultura. Tampouco passam eles por qualquer problema mais sério a nivel de organização econômica ou social. As condições de vida são as melhores do planeta, e a taxa de suicídios também, bem como as afirmações em torno do nihilismo, do absurdo e da total falta de sentido.

No entanto para que precisariamos ir a Escandinávia quanto temos Elvis Presley, Jacqueline Onassis, Bob Marley, Janis Joplin, Michael Jackson, Amy Winehouse e outras centenas de multi milionários precipitando-se como mariposas nas chamas de uma lamparina, após terem declarado explicitamente em diversas entrevistas que a vida não possuía qualquer sentido e que a  existência era absurda, Ah mas eles se drogavam ou embriagavam... Tente peguntar-se por alguns instantes sobre o pôrque deles desejarem fugir a existência. Antes de declarar que se drogavam ou embriagavam forçados pelos genes. Psicologicamente falando a falta de sentido e a conclusão pelo absurdo tem sido uma porta a berta para o consumo de bebidas ou de entorpecentes, mas a farsa dura pouco, afinal como diz Vintila Horia, pela droga o homem encontra a si mesmo e seu imenso vazio, vazio existência, vazio de ser... E põem fim a farsa.



Mais contradições - O Homem e a ideologia inumana


O curioso aqui é que o homem olhe para dentro de si mesmo e 
demande por sentido. Olhe para fora de si e encontre teorias muito mal feitas, prontas para dizer-lhe - Não pergunte por isso! Não peça isso? Não pense nisso!

Mas, este homem não se conforma com a negação do sentido a que persegue.

Tece questionamentos. Apenas para ouvir que são imponderáveis e que deve se contentar com o fardo da própria ignorância.

Aspira por uma dimensão ética da existência. Dizem que ela não existe...

E este homem comum não pode viver absurdamente ou fazer o que bem quer. Do contrário vai preso com base em critérios éticos e morais sem 'sentido', e é morto como Ravachol...

Tudo porque alguns indivíduos ricos e bem nutridos, e felizes tem a posse das armas e do poder, uma vez que não existe bem e mal fora dos indivíduos e que somos regidos por instintos ou genes egoístas... E ainda sim punidos ou castigados quando os obedecemos irresistivelmente. Assim a legislação fala em delitos e crimes, embora uma determinação genética ou um impulso sendo natural, não possa ser criminoso.

"Te devoro obrigado por minha natureza." Eis o que diz o monstro do filme, vermes rastejantes, a uma de suas vítimas a ser devorada.

Pobre homo sapiens... pobre animal racional!

A negação da Estética e o desprezo pela beleza.


Aspira por uma dimensão estética da vida, mas; as verdades 'puras' que abraça estão desvinculadas por completo do Bem e da Beleza, são frias e feias e por isso não lhe oferecem poemas, óperas, peças de teatro, pinacotecas, partenons e catedrais; declarando tudo isto artificial, ocioso, supérfluo e absurdo. A esfinge, o Alhambra e o Tja Mahal são frutos de uma fé... As universidades europeias, como Nápoles, Salamanca, Paris, Cambridge, Oxford, Lovaina... de uma fé e de uma Filosofia, tal e qual os Dialogos de Platão. Igualmente frutos da fé são Ilíada, a Odisséia, a Divina Comédia, o Paraíso perdido, os Lusíadas, a Jerusalém libertada, a Messiada e o Orlando furioso. A paixão de S Mateus e os Oratórios de Haendel. O Duomo de Florença, a Piazza de S Marcos e o campanário de Ulm, bem como a catedral de Colônia. Para não falarmos na Hagia Sophia ou em La Madeleine. A fé inspirou as encantadoras obras de um Ary Scheffer, a mitologia a pena de um Virgílio, de um Ovídeo, de um Estácio, de um Terêncio ou de um Propércio. Foram homens de fé ou de reflexão Sóflocles, Ésquilo, Eurípedes, Plauto, Gil Vicente, Shakespeare, Corneille, Racine e Molière. Assim a sensibilidade ímpar de um Fédro, de um Esôpo ou de um La Fontaine tampouco procedeu da vossa ciência positiva ou melhor da ideologia materialista ou da metafísica dawkiniana. O cientificismo tem sido esteticamente estéril, e parece não preocupar-se nem um pouco com isto...

A negação da Ética ou o desprezo pelo bem

Escusado seria falar nos orfanatos, asilos, escolas, hospícios, hospitais, albergues, dispensários, etc que o cientificismo nem erigiu no passado nem cuida ou porfia erigir no tempo presente. É verdade de a legítima ciência empírica, produz técnica. Mas não é menos verdade que esta técnica entregue ao mercado é negociada ou vendida como qualquer outra coisa, convertendo-se a magnífica ciência que endeusa em fonte de lucro ou renda para ele. Consequentemente imensas vastidões do planeta, como certas paragens da África e da Ásia, jamais são tocadas por essa técnica arrojada. Mesmo os pobres das Américas dificilmente tem acesso a elas. Tendo de recorrer ao pastor ou ao xamã (curandeiro). Exceto quando algum grupo de religiosos ou de humanistas compram os aparelhos (a técnica) e movidos por sentimentos 'duvidosos' transportam-na a tais remotas paragens. Consciência, empatia, alteridade, identificação, solidariedade, é coisa que o cientificismo parece não produzir.

Os medievos e nós - A nossa crise


Os medievos a que costumamos lançar paus e pedras costumavam preocupar-se mais do que nós com o homem. Multidões de monges e freiras, sem asseio ou técnica buscavam servir aos enfermos e a minorar-lhes os sofrimentos. Por falta de ciência - e por isso dizemos que a ciência é muito importante - e técnica não havia recursos em abundância, mas havia boa vontade e sincero desejo de ser útil. Os recursos humanos no entanto sobejavam e a crise era meramente material. No tempo presente temos a ciência que produz uma técnica refinada e doentes morrendo as baldas sem assistência nas periferias, ruas, praças ou a fila do SUS. Temos recursos suficientes para curar muito mais gente bem como para erradicar a fome do planeta, e mesmo assim - milhões morrem de fome e outros tantos de doenças 'curáveis'. Agora qual a razão disto? Simples. Hoje sobeja m recursos técnicos e materiais e faltam recursos humanos ou boa vontade. A nossa crise é muito pior do que a medieval porque humana, produto de um egoísmo, de uma insensibilidade, de uma desumanidade e de uma falta de ética que nossa ciência é impotente para solucionar.

"A ignorância é uma benção."


Temos supostas verdades positivas ou metafísicas cientificistas mas elas estão definitivamente apartadas da Beleza e do Bem, e este homem emancipado do século XXI é um ser fragmentado.

Tudo por quanto este ser racional aspira é avaliado ficção, ilusão ou engano pelos gurus da modernidade.

Mas não chegamos ao fundo do poço. E segue o drama supremo!
Pois este homem é consciente... auto consciente. A respeito do que sonha, aspira, quer...

E do quanto lhe negam ou dizem ser utópico, pretensioso, impossível...

Imagine por um instante uma borboleta ou uma águia, que possua asas perfeitas e não possa erguer-se do solo e cortar as nuvens... Para que ter asas? Para que servem as asas???

E no entanto estes anima
is tem, muito provavelmente, o benefício da ignorância ou da inconsciência.


Acaso não será melhor ser um 'frustrado' ou um fracasso natural sem ter consciência disto?

Mas, oh azar, na evolução sofreu uma hipertrofia e brindou-nos com esse cérebro que não só sabe afetar os modos de uma mente como fazer perguntas irrespondíveis.

Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e outros dramaturgos clássicos diriam que tudo isto é pateticamente trágico, mas nossos positivistas a tudo assistem sorrindo qual o desenrolar de umas das comédias de Aristófanes!

Uma bananeira que não produz bananas jamais conhecerá a infelicidade deste homem tolhido em suas legítimas aspirações, pois não foi amaldiçoada com o apanágio da auto consciência


Consciente este homem se sentirá frustrado e frustrado se tornará neurótico.

Equívoco consciente produzido pela sorte, pelo acaso ou pelo giro dos átomos eis tudo quanto é ele. Um acidente... Um aborto??? Não o sabemos! Ignorabimus!

Comunicar o absurdo...


 

Uma coisa porém julgo saber.
 

Dificilmente alguém que estivesse de fato convencido sobre o absurdo da existência ou o nihilismo, ousaria reproduzir-se, procriar ou por filhos no mundo a menos é claro que declare ser escravizado pelos genes. Do contrário seria cruel...

Afinal para que comunicar uma existência absurda a outrem, já diziam os sensatos Sartre e Simone. Para que prolongar a farsa???

Como dizer honestamente a uma criança que todos somos fruto de um acidente de percurso e que a vida é um absurdo? Como declara-lo a um jovem que passa por uma crise existencial.

Grosso modo os filhos desta geração esperam ser fruto de um planejamento  ou de algo previsto, desejado, acalentado e previamente amado, não duma camisinha furada ou de uma pílula que não funcionou. No entanto, como produtos da sorte ou do acaso, somos todos nós, seres humanos, resultados duma camisinha furada! E você ousará comunicar essa existência absurda a outrem???

E tudo termina pela mentira!




É ai que entra em cena ou darwinismo com sua nova ética ou o Dr Wilson, para ensina-lo que a mentira é um fator evolutivo e incita-lo a enganar seu filho, exatamente como os católicos desencontrados ensinam aos seus o mito grosseiro do gênesis ou como os demais cidadãos que ensinam seus filhos a esperar pelo Papai Noel ou pelo Coelho da Páscoa a cada ano...

Importante é que nossos filhos absurdizados continuem a mentir e mantenham a tradição da mentira, do contrário Werther encarnar-se-a outras tantas vezes sobre a terra.





quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

R Dawkins - Cientista ou metafísico??? Considerações sobre a 'filosofia' biológica do sr Dawkins

Resultado de imagem para o gene egoista alegoria








Passamos por tempos difíceis e sombrios.



Tempos em que as pessoas, mesmo as supostamente cultas e emancipadas, limitam-se a repetir e reproduzir o que leem.

Tempos em que a criticidade corre sérios riscos.

Tempos em que obras supostamente científicas angariam tantos admiradores passionais quanto o Corão ou a Torá...

Jamais o 'argumento da autoridade' foi tão criticado e ao mesmo tempo posto em prática sem maiores cerimônias.

E se a um lado os toscos costumam gritar - Moisés, Davi, Salomão, Jeremias, Paulo, Maomé... a outro há quem grite com não menos entusiasmo - Darwin, Wilson, Dawkins...

Antes que pare de ler este ensaio insisto que minha comparação é absolutamente justa e válida. Pois se a um lado temos uma série de escritores mitológicos, atrelados a um padrão de pensamento fetichista a outro temos um grupo de homens oferecendo ilações metafísicas como se fossem constatações científicas, e isto é assombroso, é alarmante, é devastador.

A cerca de duzentos anos o Alemão I Kant veio a baila - alias, seguindo os rastros de D Hume - contra a metafísica teísta do monge dominicano Tomás de Aquino, argumentando que toda metafísica otimista com relação aos sentidos e a mente, era especiosa, frívola e vã. Desde então a metafísica passou a ser encarada como algo fantasioso ou como fruto de nossa imaginação.

Curioso que até então metafísica e filosofia fossem sinônimos, não só entre os teutônicos, mas até mesmo entre nos franceses. O mundo kantiano é que buscou distinguir ambos os conceitos, 'criar' determinadas áreas da Filosofia - Ética, Estética e Epistemologia - circunscrever a metafísica e identifica-la com a assim chamada Teodicéia. Foi todo um processo capcioso de ressignificação levado a cabo por criticistas e positivistas, se bem que Litreé e alguns outros jamais disfarçassem seu desprezo pela Filosofia como um todo. Afinal toda Filosofia é metafisica, especulativa e não empírica.

Isto vale sobremodo para a Epistemologia, alias campo bastante explorado por I Kant. O problema do conhecimento é e sempre será teórico, imaterial e especulativo; jamais empírico. Tudo questão de evidências e de argumentos. Como posso saber empiricamente que posso saber, que estou certo e tenho acesso a Verdade? A crítica aqui transcende aos fato e ultrapassa os domínios da materialidade pura.

Pela sensação temos acesso a fatos. Os fatos no entanto ai estão mudos e calados e nada dizem a respeito de si mesmos ou de sua realidade mais íntima. Para tanto devemos especular ou raciocinar. Assim a Ética e a Estética tratam de princípios e valores que igualmente fogem a materialidade pura, embora nela se realizem ou encontrem sua expressão. Mas os princípios e valores não são fatos.

Houve no entanto um projeto pós kantiano ou positivista, abortado, cujo objetivo era aniquilar a Filosofia como um todo, e descartar a reflexão ética, estética e mesmo epistemológica como fútil. Felizmente nossa herança grega, ao menos em parte prevaleceu, a Teodicéia - elaborada pelo brilhante Estagirita e não pelo monge Cristão Aquino - foi remetida ao tártaro (para a alegria dos agnósticos e mesmo dos ateus que aspiravam afirmar-se ) e as demais partes conservadas.

Acontece que a mesma metafísica ou vício racionalista da especulação, expulsa pomposamente pela porta, tornou a penetrar em nosso mundinho pela janela.

Explico -

Perceba amigo leitor que o primeira questão em termos de epistemologia e que diz respeito a realidade do mundo externo ou a ciência se dá em termos de percepção, isto é, de nossos sentidos, de cuja validade I Kant duvida. Como diz Heisenberg não podemos conhecer a realidade em si mesma, e nossa querida ciência não passa duma casca, de algo superficial enfim. Ao cerne ou tutano não temos acesso... Pois todo fenômeno percebido, segundo o mesmo físico, contém a própria imagem do homem. Antropomorfizamos a realidade externa a nós ou distorce-mo-la ao invés de capta-la. Eis a ciência que eles, kantianos e pós modernos nos oferecem! E é como dissemos um problema empírico, relativo a credibilidade da experiência e valor dos sentidos.

Outro é o enfoque posto a metafisica ou a especulação racional pelos kantianos. Aqui a razão converte-se em imaginação ou fantasia, e é claro que imaginamos o que mais nos agada. Triste sina do homem - para qualquer direção que se volte encontra apenas a si mesmo e nada mais... A realidade externa do mundo ou sua origem e seu fim sempre lhe escapam...

E no entanto nossos biólogos e cientistas dão largas a razão compondo as mais sofisticadas teorias, tão distante dos fatos e leis quanto a terra do sol.

Claro que o positivismo - que fez dos fatos e das leis seu carro chefe - apercebeu-se disto há muito tempo. Popper não hesitou em classificar o evolucionismo como metafísico - assim a psicanalise - e não como científico. Caso tenha se expressado mal e visado certas correntes darwinistas não errou o tiro, acertou em cheio. Temos que conceder que os pretensos sucessores de Darwin tem ultrapassado bastante os limites não apenas da simples empírica mas da própria racionalidade, elaborando uma autêntica escolástica genética, cuja 'Summa' é o 'Gene egoísta'...

Tal o 'opus magnum' do Dr Dawkins, o qual a mídia desmiolada tem apresentado a opinião pública como mais valioso do que 'A origem das espécies' de Darwin, os 'Principia..' de Newton, as 'Revolutionibus' de Copérnico, e as obras de Galileu e Kepler!!! Isso mesmo caríssimo leitor, numa só talagada o Dr Dawkins envia Darwin, Newton, Copérnico, Galileu e Kepler ao purgatório do intelecto, e ascende triunfante ao empíreo. E no entanto Copérnico e Darwin tinha os pés bem mais próximos do chão... Estes deixaram-se induzir pelos fenômenos. Dawkins salta de dedução em dedução, como perfeito escolástico ou metafísico. A única diferença aqui é que Aristóteles e Tomás não batizaram suas especulações, tanto mais eruditas e profundas com o pomposo termo de 'teoria'...

Aristóteles, Tomás e todos os outros, especulam e são classificados como metafísicos desprezíveis e delirantes... Dawkins não especula com menos fervor, e o dizem 'cientista' ou papa do cientificismo. E ele vende os exercícios de sua 'razão pura' como ciência... Lá do fundo de suas frias tumbas os manes dos positivistas gritam - Fatos! Leis e até mesmo a ralé criacionista com eles... Tal o atrevimento dos novos metafísicos que pretendem monopolizar o uso da razão em nome da ciência e produzir 'teorias'.

Mas como é que as pessoas, a gente emancipada, os cientistas, etc não percebem nada disto???

Porque são burros amigo, leitor, porque são burros...

Porque no tempo presente pouquíssimas pessoas conhecem a Filosofia a fundo.

Porque raros são aqueles que estudam Gnoseologia.

E que tem deduzido o Dr Dawkins?

Um é o traço comum entre todas as culturas de morte - Comunismo, Nazismo, Positivismo, Behaviorismo, Biologismo... a saber, a negação do Livre arbítrio ou da liberdade humana, pressuposto indispensável em termos de responsabilidade e moralidade. É o homem responsável por seus atos apenas porque livre... Isto para nós humanistas, que consideramos o homem integralmente, i é como um todo, sem mutila-lo ou repudiar qualquer aspecto de seu ser.

Para o Comunismo é este homem produto das relações econômicas de produção. Para o nazista produto de uma raça ou etnia. Para o positivista produto da interação social ou da cultura, assim para Sniker e os behavioristas, traidores da Psicologia. Assim para E O Wilson e assim para outro 'neo darwinista' S Pinker. Uma coisa é absolutamente certa, o homem julga ser livre, porém de modo algum o é.

Então qual a novidade de Dawkins?

(E há uma novidade...)

A Novidade de Dawkins consiste em declarar que somos máquinas vivas programadas pelos genes com o objetivo de perpetua-los. Isso mesmo bestificado leitor... Tanto eu quanto você imaginamos ser livres quando na verdade somos controlados por nossos genes com o objetivo de nos reproduzirmos, e velar por nossa descendência. Não menos que a esponja, somos um agregado de células, uma colônia ambulante dirigida por elas. E tal caráter é o que explica todos os atos de abnegação ou altruísmo por meio dos quais os pais e avós expõem-se a diversos tipos de sofrimentos ou mesmo a morte com o objetivo de garantir a sobrevivência dos filhos e netos... Ainda aqui nada mais que a natureza assegurando a continuidade dos genes.

Claro que Dawkins não explica nem pode explicar os inúmeros exemplos de altruísmo elencados por Kropotkin no 'Auxílio mútuo' e que dizem respeito a indivíduos sem qualquer ligação genética direta com os beneficiados pelo 'ato' ou de espécies diferentes senão rivais. Os quais Dawkins e seus pares dão por duvidosos. Negam assim aprioristicamente quaisquer fatos que não se enquadrem em sua teoria ou que pareçam contraria-la, falseando a realidade. Como sói fazer qualquer outra ideologia.

Nem preciso dizer que um tal tipo de visão essencialmente biologista, darwinista, genética e egoísta de mundo tem especial repugnância pela forma religiosa segundo a qual um celibatário teria dado sua própria vida com o objetivo de beneficiar todos os seres humanos, morrendo em nome de seus ensinamentos Éticos. Claro que a ideia segundo a qual alguém possa morrer para demonstrar seu amor pela humanidade só poderia exasperar os teóricos do egoísmo genético... Há mais de século os cientificistas ou biologistas, concluíram a luz do darwinismo - a nova panacéia ou teriaga universal - não apenas que o altruísmo é 'impossível' mas que, e E O Wilson e Pinker não cessam de dize-lo - Que a mentira, a falsidade, o erro ou o auto engano são fatores demasiado importantes do ponto de vista evolutivo....

E o Dr Dawkins ainda pretende construir um novo padrão de ética, descente, correto, honesto, etc a partir de seu ateísmo biologista ou melhor neo darwinista! O qual converte ou transforma a mentira numa vantagem evolutiva!!! Que elimina o fator do livre arbítrio... fundamento insubstituível de nossa vida ética ou da responsabilidade. Que menospreza a racionalidade humana. Que na contramão de Popper, Eccles e Penfield ignora por completo o papel da mente e que, ignorando a advertência de Asheley Montagu, desconsidera o fator crucial da cultura no desenvolvimento deste animal racional que é o homeo sapiens.

Para o reducionista Dawkins tudo quanto existe são células, cromossomos e sobretudo genes onipotentes, controladores e egoístas. Os genes nos controlam como marionetes ou como bonequinhos enquanto nós, idiotas, imaginamos decidir nossos destinos e acreditamos ser livres. Mas que... tudo quanto existe é uma farsa muito bem encenada por nosso próprio material genético, do qual somos servidores ou escravos. Basta substituir as estrelas pelos genes... O mecanismo é o mesmo - Nosso destino esta traçado pela mínima parte de nossa parte, e essa mínima parte é egoísta, 'pensando' apenas em reproduzir-se!

Nada de cultural, nada de racional, nada de psicológico, nada de livre... És leitor uma máquina conduzida ou movida por teus genes e nada mais... E teu sentido, objetivo ou propósito é servir ao egoísmo de teus genes. Tal o ensinamento do sr Dawkins... E ele o ensina bastante seriamente.

Agora como pode o teu gene dispor de ti ou do corpo para um determinado fim, que é a replicação de si sem ter intencionalidade??? Se teu gene é egoísta é porque deseja replicar-se ou manter-se a fina força em sua descendência... Portanto que não percebe que por meio desta bela teoria o sr Dawkins transfere o poder decisório, a liberdade, o sentido, a intencionalidade, a definição de uma direção ou sentido ao gene??? Que transfere o que é mais caracteristicamente humano ao celular ou genético??? Não decidimos nada. Porque o 'gene egoísta' decidiu replicar-se ou reproduzir-se... Agora como poderia uma célula ou um gene, irracional e isento de vontade livre, ter qualquer tipi de intenção??? Como poderia um gene traçar uma meta, a si e ao corpo ou conceber uma determinado plano???

Dawkins como qualquer biologista tosco, declarara arbitrariamente que tais questões não se colocam, mas não se colocam apenas porque ele, Dawkins, não quer, e sobretudo porque não pode responde-las e tampouco admitir que haja 'intencionalidade' nos genes. Afinal de contas intencionalidade supõem conhecimento de causa e fim, i é racionalidade, e por fim impulso decisório tendo em vista uma direção uniforme - No caso a replicação ou continuidade e tudo quanto seja necessário para garanti-la! Se não pensamentos o gene pensa por nós e nossas ações são reflexos dos 'genes'... E quem não percebe que toda esta escolástica biológica e cientificista é absolutamente monstruosa???

E invadiu a Psicologia essa monstruosidade 'ideológica'!!! Claro que por meio do behaviorismo, esse apêndice do positivismo e do materialismo, enquistado na ciência destinada a conhecer, analisar e estudar o fenômeno da mente ou da consciência. O qual sob os auspício dos 'magos' E O Wilson e especialmente de Pinker, converteu-se em Psicologia evolutiva ou em psicologia, pasme, neo darwinista.

Mas que tem Ch Darwin que a princípio, ao menos, na Origem das espécies pretendeu explicar a origem dos animais superiores ou das entidades corpóreas mais complexas, como o homo sapiens, a partir de uma primeira célula, descrevendo todo este caminho??? Lamentavelmente adiantou-se Darwin, no livro 'A origem do homem...' a explicar a evolução de nossa espécie - o que é algo bem diverso do que explicar o mecanismo evolutivo, até o surgimento do homem ou a aparição da cultura no cenário natural - a partir daquilo que acreditava ser o único fator responsável pela evolução das espécies, a saber, por meio da seleção natural (Alias, ainda um tanto presa ao conceito mais que duvidoso de Malthus.) O que nos levaria a seu 'querido' filósofo Herbert Spencer com sua mística ou metafísica social centrada na seleção das espécies, compreendida como competição, conflito, luta ou guerra entre as espécies a ser resolvida em termos de força bruta apenas...

Toda esta construção parte de um princípio errôneo e conduz ao absurdo, até a aberração. Antes de tudo porque no caso do homem - vou restringir - entra em cena um novo fator, peculiar, que é a cultura, epifenômeno de um aparato intelectual ou racional capaz de alterar toda dinâmica desse fluxo. E como dissemos a Biologia ou melhor dizendo o culto biologista, não esta disposto a conceder absolutamente nada a mente. É indiferente a cultura, a suas fontes, causa ou gênese. É um estudo do homem sem Psicologia verdadeira... E portanto uma mutilação, redução e falsificação da realidade.

O segundo aspecto não menos aberrante é que todas as formas de mística darwinistas ou de darwinismos sociais ou psicológicos fingem ignorar que Charles Darwin não deslindou por completo a verdadeira causa, alias o fator positivo ou chave da Evolução dos seres vivos. Para os charlatães e mistagogos neo darwinistas a 'seleção natural' equivale a uma força mágica que atua sozinha e explica absolutamente tudo... E eles procedem assim justamente porque o grande público ignora supinamente a gênese da teoria científica evolutiva, sintética ou apenas em parte darwinista, não completamente ou inteiramente darwiniana querido leitor... Dawkins e todo seu grupo, atua e reflete como se vivêssemos antes de Weismann, Batenson e De Vries, os quais demonstraram - contra Lamarck, Darwin e sucessores - que a seleção natural nada produz por si mesma. Sim, é a seleção natural um processo estéril, o qual nada produz em absoluto, limitando-se a testar o que é produzido pelas MUTAÇÕES. Aqui o fator positivo do que chamamos evolução dos seres vivos.

A mutação produz e a seleção natural, testa. Isto no caso dos seres vivos não humanos. Porque no caso dos seres humanos, o processo de seleção natural deve contar, necessariamente com os outros fatores que aparecem e entram em jogo, assim a cultura e consequentemente a inteligência, a razão, a vontade livre, a associação, etc Não se podendo mais encarar tal processo apenas a nível de força bruta ou de embate físico tendo em visto a obtenção de alimento em determinadas circunstâncias. Quem não percebe que em nossa evolução entram outros elementos ou forças propriamente humanos???

Apesar de tanta riqueza, com quanta miśeria encontramos no esquema, pobrezinho, dos neo darwinistas com sua luta física por alimentos travada entre máquinas comandadas por genes egoístas... Aqui nada de cultura, nada de razão, de inteligência, de associação e menos ainda de vontade livre... Somos veículos de genes em situação de famélica, os quais lançam-se uns contra os outros aos tabefes ou golpes de clava...

E há gente que leva isto muito a sério e diz ser isto ciência.

Pinker por exemplo, seguindo ao behaviorista Skinner e ampliando seus erros nada quer saber de vontade livre. Para ele o refinado conceito judaico ou greco romano de liberdade é tão absurdo quanto o mito do bom selvagem, a teoria aristotélica da Tábua rasa (empirismo) e a crença estúpida da imortalidade pessoal. Skinner, desertando da Psicologia e fazendo petição a sociologia determinista dos positivistas forneceu o roteiro a Pinker. Este no entanto inclinou-se mais a Biologia. Mestre Dawkins declarou que somos máquinas ou veículos ou estruturas somáticas comandadas por genes egoístas, os quais imprimem-lhe a direção nos termos de Darwin ou Spencer... Pinker acha o máximo e declara sem mais cerimônias que nossos genes individuais trazem em si não só conhecimentos mas determinação. Nossos genes tem certo conteúdo intelectual ou ideológico ao qual não dos podemos furtar. Nossos genes trazem determinações que não podemos mudar e as quais não podemos fugir... Temos aqui uma espécie de inatismo genético, e evidentemente mais uma forma de determinismo, irmã do marxismo, do nazismo e de outros abortos do gênero...

Pinker, segundo a tradição incoerente de Watson e Skinner, insere no domínio da Psicologia, destinado a investigar a mente e a consciência, a teoria neo darwinista do Dr Dawkins. E leva-a a frente, exprime-a e desenvolve-a de modo categórico, chegando as vias de um inatismo platônico de viés materialista... Mas a hipótese ou opinião segundo a qual nossos genes portam qualquer conteúdo intelectual ou que nascemos com qualquer conteúdo intelectual jamais foi demonstrada empiricamente! O máximo até onde podemos avançar, com Chomsky, é que A ESTRUTURA DO CÉREBRO HUMANO, e não os genes, comporta um esquema ou modelo destinado a processar informações (como um programa de computador) assim como a ESTRUTURA GENÉRICA DA LINGUAGEM (A qual é em última análise lógica) sem que no entanto comporte qualquer conteúdo específico ou formal. Temos aqui uma orientação ou conteúdo biológico/somático que reflete com que deve conformar-se o intelecto, e nos o identificaríamos de modo geral com a lógica de Aristóteles ou com o que chamamos raciocínio. Teríamos assim uma estrutura inata, mas isenta de qualquer conteúdo ou vazia em termos de informações.

Já a afirmação oposta, segundo a qual o cérebro ou melhor os genes trazem conteúdo formal ou informação, deve ser demonstrada nos termos científicos. Coisa que Pinker ou qualquer outro ainda não fizeram.

No entanto os genes egoístas do Biólogo inglês e papa dos neo ateístas demandam intencionalidade. Diante disto por que admirar-se quando o amigo Pinker atribui-lhes conteúdo intelectual, como se fossem, céus eternos, genes pensadores... E vão os genes se humanizando ou antropomorfizando enquanto nós, privados de livre arbítrio e de racionalidade efetiva nos valos desumanizando e nos convertendo em joguete de forças cegas como a luta ou a mentira... E evoluindo graças a essas potências sinistras com que fomos brindados pelo acaso, pela sorte ou pelo eterno giro dos átomos... E a partir daí, quer o Dr Dawkins produzir uma ética tão digna e elevada quanto a dos teístas ou deístas! Quer aproximar-se de Sócrates??? Mais! Quer produzir uma nova Ética, tão elevada e nobre quanto a de Buda ou a do Nazareno, que ensinaram o ideal da abnegação... Falta-lhe ler a Ayn Rand!!! E evoluímos graças ao egoísmo e a mentira... E disto saíra uma Ética elevada!!!???

Alguém acredita???

Milhões, e milhões...

Os quais acreditam e repetem.

No entanto o Dr Dawkins e seus pretensiosos parceiros, que agora querem enriquecer a ética com seu biologismo ou darwinismo toscos, verdade seja dita, jamais lograrão ultrapassar os geniais J S Mill, H Spencer, Ayn Rand e Wilson... Isto é aquela coisa maravilhosa chamada darwinismo social, delícias de Adolph Hitler e outros... Jamais ultrapassaram o limiar do que chamamos utilitarismo, e em sua versão individualista ou, permitam-me ser claro e exato, egoísta. Afinal, se os genes são egoístas, como construir ou elaborar uma ética universalmente altruísta fundamentada na abnegação??? Darwin, baseado apenas e tão somente na sua querida 'seleção natural' já proclamou este ideal como utópico...

Se quisermos obter uma ética condizente com o gene egoísta é isto que teremos, sem maiores floreios... E quem desejar ou sonhar com algo maior, mais elevado e digno, oh miséria, terá de recorrer ao velho Sócrates, a Çakia Muni ou ao esfarrapado profeta Galileu, cuja existência buscam impugnar, uma vez que não se coaduna com a nova religião ou mistica ateísta do egoísmo.

Por fim se é cientificista e partidário do sr Dawkins e mesmo assim teve estomago para ler nossas críticas até aqui, ponha seu cérebro para funcionar ou responda para si mesmo que é este tipo de Ética ou de padrão, rasteiro, que deseja para si para seus filhos e netos, mas lembre-se, caso responda afirmativamente fique já sabendo que pessoa alguma - que inspire-se em tais padrões - irá colocar-se em seu lugar ou arriscar-se por você e pelos seus caso venham a precisar...  E sinceramente espero que jamais venha a precisar. Do contrário, tenho absoluta certeza, que um deísta, um socrático, um budista, um católico, um espírita ou um humanista será quem lhe estenderá a mão.

No próximo artigo avançaremos ainda mais e atingiremos um aspecto ainda mais ridículo da ciência ou da teoria de Dawkins, a ideia ou conceito forçado de meme, e muito teremos que refletir. CONTINUA.





domingo, 24 de setembro de 2017

Uma entrevista polêmica sobre Ética, ciência, vegetarianismo e cobaias.

Resultado de imagem para cobaias em laboratorio




Após termos espicaçado os mistagogos comunistas e os sectários cristãos daremos a público um Diálogo que tivemos há algum tempo com os cientificistas e os carnívoros -

Interlocutor - Boa tarde professor.
Eu - Boa tarde jovens, sejam bem vindos.
Interlocutor - A primeira pergunta diz respeito a ciência ou melhor dizendo ao conhecimento não aplicado, corresponderá ele a algo neutro ou a um bem?
Eu - Na medida em que tanto a busca pelo conhecimento quanto sua aquisição correspondem a uma demanda da própria condição humana ou do intelecto não podemos deixar de encarar tais atividades como boas em si mesmas.
Interlocutor - Mesmo que não haja aplicação para este tipo de conhecimento em questão?
Eu - Grosso modo todo conhecimento teórico tende a converter-se, com o passar do tempo, em conhecimento aplicado i é em técnica. Independentemente disto a primeira aplicação de qualquer conhecimento obtido e enquanto conhecimento teórico, é satisfazer a curiosidade humana ou saciar nossa sede de saber. Sabemos para que? Sabemos para saber, porque somos antes de tudo curiosos. Um homem qualquer cujas necessidades básicas estejam satisfeitas não tardará a elaborar diversas perguntas a respeito da realidade que o cerca e elas surgirão naturalmente. A ciência tem sua origem nessa condição de inquietude peculiar aos seres humanos.
É justamente a ciência aplicada e apenas ela capaz de poluir o conhecimento.
Interlocutor - Poluir o conhecimento? Que vem a ser isto?
Eu - Poluímos o conhecimento de diversas maneiras, mormente quando tornamos este conhecimento aplicável e aplica-mo-lo indignamente. É o uso que o homem faz deste ou daquele objeto que o torna bom ou mau. Todo e qualquer objeto produzido pelo homem, seja ele uma faca, um rifle ou uma bomba, é bom em si mesmo enquanto produto do engenho humano. Seu uso ou emprego pelo homem numa determinada conjuntura é que poderá ser bom ou mal. Assim fará bom uso da faca para cortar legumes ou descascar frutas e um mau uso caso venha a agredir outro homem. Fará bom uso do rifle caçando ou protegendo-se dos animais selvagens e um mau uso na guerra fuzilando inocentes. Fará bom uso da bomba detonando montanhas com o objetivo de construir estradas e um mau uso lançando-as sobre cidades e estraçalhando civis inocentes. Todo e qualquer objeto pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal.
Interlocutor - De maneira que a técnica sempre estará sujeita ao abuso?
Eu - Efetivamente, toda técnica esta sujeita a abusos pelo simples fato de seu uso corresponder a determinado fim. Caso o fim seja bom o uso será bom, caso o fim não seja bom teremos o abuso.
Interlocutor - E como poderíamos distinguir o uso do abuso. O uso da técnica, para ser bom, deve estar a serviço da condição humana e respeitar a dignidade do ser humano. Deverá promover o homem jamais avilta-lo ou abate-lo. Caso o efeito do uso desta ou daquela invenção acarrete dor, mal estar ou prejuízo aos seres humanos, estamos diante do abuso. O uso implica em beneficiar o ser humano ou em minorar seus sofrimentos. Assim o emprego deste ou daquele objeto numa guerra injusta ou agressiva deve ser encarado como mau.
Interlocutor - Apenas isto?
Eu - Não. Há diversas outras situações em termos de produção de conhecimento que suscitam nossa reflexão em termos de ética, de princípios e de valores, de bem e mal.
Interlocutor - Podería fornecer alguns exemplos?
Eu - Certamente. Julgo que antes de tudo devemos indagar se os meios investigativos empregados pela própria ciência - enquanto instância relaciona diretamente como a produção do conhecimento - são bons ou maus.
Interlocutor - Julgo não ter captado o sentido desta última pergunta.
Eu - A pergunta levantada reporta ao método científico em si mesmo e indaga se acarreta prejuízo, dor ou sofrimento a qualquer forma de vida.
Interlocutor - Ah compreendo, refere-se a testes e pesquisas feitos com doentes ou condenados, especialmente quando não autorizadas?
Eu - Naturalmente que é um dos aspectos da questão, mas não o único. Propositalmente não me referi a seres humanos, mas a formas de vida e a quaisquer formar de vida.
Interlocutor - Captei. O professor esta se referindo aos animais ou melhor dizendo aos animais que são empregados como cobaias nos laboratórios.
Eu - Exatamente.
Interlocutor - Há quem diga que o emprego de animais como cobaias é indispensável ao progresso científico.
Eu - Houve e há quem diga que as guerras são necessárias ou indispensáveis ao equilíbrio social de uma determinada sociedade como há quem diga que o regime de livre mercado seja indispensável. Uma coisa é ser indispensável e outra, totalmente distinta é ser apresentado como indispensável. Oxigênio e água são elementos indispensáveis a vida humana mas há quem afirme o cigarro, o alcool ou mesmo o chocolate como indispensáveis...
Ademais em termos de ética não se pergunta de algo é necessário - tanta coisa má é descrita como necessária - mas se é justo, certo ou correto.
Interlocutor - Desenvolva.
Eu - Obrigado. Será mesmo que não podemos continuar produzindo ciência sem cobaias ainda que num ritmo menos acelerado?
Interlocutor - Eis um questionamento a ser feito.
Eu - Mormente quando a redução deste ritmo corresponde a uma exigência ética.
Interlocutor - Parece-me convincente.
Eu - Acompanhe-me. Via de regra, a maior parte de nós, é ensinada a considerar o consumo de carne vermelha como necessário ou mesmo indispensável a conservação da vida e da saúde. Parece-me no entanto que a existência de vegetarianos ou de pessoas que limitam-se a consumir carnes brancas neste planeta aponta-nos para uma solução contrária. Seja como for somos ensinados a crer que devemos ser carnívoros para sobreviver. E como nossa cultura é carnívora não costumamos a questionar seriamente este ensinamentos. E como a carne é apetitosa.
No fundo o que queremos é saborear um bife suculento. Por isso não questionamos a cultura carnívora.
Seja como for aqui bem cabem algumas perguntas: Será mesmo impossível que a humanidade como um todo ou ao menos parte dela sobreviva sem devorar mamíferos ou bovinos? Quem sairia perdendo caso boa parte da humanidade cessa-se de consumir carne vermelha? Acaso parte do discurso vigente não teria sindo elaborado tendo em vista as exigências econômicas do mercado? Há gente querendo lucrar com a venda de carne não? E nesse sentido o consumo faz-se necessário, devendo ser estimulado.
Interlocutor - Jamais me haviam ocorrido tais perguntas?
Eu - Geralmente não costumamos a elaborar perguntas capazes de incomodar-nos. O ser humano não costuma ser bom nisto.
Interlocutor - Supondo que o consumo da carne vermelha não seja necessário a manutenção da vida?
Eu - Neste caso somos obrigados a nos perguntar sobre o pôrque de saborearmos a tal carne vermelha e julgo que a resposta oferecida seria mais ou menos assim: Consumo carne vermelha porque gosto ou porque me agrada e porque não prejudica a quem quer que seja.
O engano aqui é manifesto pelo simples fato do Boi ou do Porco não poder falar.
Afinal não vejo como possa qualquer um deles sentir-se beneficiado ao levar um baita golpe na testa e ter a vida suprimida pelo homo sapiens.
Não nego que em estado de natureza tanto o boi quanto o porco ou qualquer outro animal tivesse de conseguir sua própria comida e de escapar de seus predadores, é fato. No criadouro ou na fazenda por outro lado são alimentados e cuidados pelo homem. Sim, mas para terminarem no abatedouro e sem aquela mínima chance que lhes é oferecida pelo meio ou pela mãe natureza.
Interlocutor - Quem sabe se a média de vida de um animal criado em cativeiro não seja até maior do que em estado de natureza? Estado em que poderá morrer de câncer inclusive, caso atinjam uma idade mais avançada.
Eu - Claro que há variáveis e algumas até consoladoras para os consumidores de carne vermelha... Quanto ao câncer a alegação talvez seja plausível com relação a um seleto número de indivíduos idosos, já quanto a média de vida de um animal criado num cativeiro integrado aos moldes capitalistas de produção e ao lucro máximo, acho no mínimo discutível. Seja como for devemos admitir que a criação - em comparação com a caça - sendo controlada evite a extinção da espécie. Que os animais criados pelo homem sejam os mais prolíficos na face da terra me parece fora de dúvida.
E no entanto aquele que considera normal devorar um animal em tais circunstância raramente ou quase nunca o abate com suas próprias mãos, considerando este tipo de ação 'infamante'. A quase totalidade dos que consomem carne vermelha não realiza o trabalho sujo. Hoje certamente bem menos sujo devido ao abate humanitário, o qual corresponde certamente a uma das mais belas aspirações humanas. Apesar disto para muitos dar uma marretada nos miolos de um boi ainda seria tabu. Neste caso, se você não tem coragem suficiente para abater por que consome???
Interlocutor - Boa pergunta.
Eu - A bem da verdade consumimos carne vermelha de grandes mamíferos porque gostamos ou porque nos agrada, mas justificamos alegando uma hipotética superioridade. Tal o caso das cobaias. Criamos cobaias e usamos cobaias em laboratórios porque julgamos ter este direito e julgamos ter este direito por sermos superiores. Bem, no caso do consumo há um atenuante, o abate humanitário. No caso da cobaia a produção de dor e sofrimento é intencional.
Interlocutor - Tal distinção jamais me havia ocorrido, agora quanto a tomar o que é agradável como critério em matéria de juízos éticos sempre me pareceu problemático.
Eu - Me parece bem mais do que problemático. Afinal a quem sinta prazer em matar, torturar, estuprar, humilhar, oprimir, etc
Interlocutor - De modo que o agradabilidade não produz direito.
Eu - Nem poderia e por isso editamos outra justificativa, segundo a qual somos superiores aos animais.
Trata-se dum discurso - caso estabeleçamos sua arqueologia - antes deslocado do que discutível e que foi produzido antes mesmo de que a ciência viesse a ocupar o espaço que ocupa na sociedade contemporânea. Discurso segundo o qual o homem não seria um animal mas uma criatura a parte ou diferenciada de todas as outras. O que reporta necessariamente ao mito do gênesis ou a criação fetichista do mítico Adão, apresentando como dono ou proprietário de todos os animais.
Interlocutor - No entanto desde Darwin...
Eu - Sim, sim, desde Darwin foi o homem integrado a natureza e apresentando como um animal, inda que racional por apresentar cercas capacidades em termos de abstração. É no entanto um mamífero e primata, aparentado com os demais mamíferos, cujos genes trás em si.
Grosso modo nossa única superioridade face aos demais mamíferos nossos parentes é a de elaborar pensamentos tanto mais complexos ou raciocínios o que paradoxalmente conduz-nos a questionamentos éticos em termos de princípios e valores e a uma vida ética. Somos consumidores de carne e matadores de mamíferos capazes de questionar o consumo de carne, pelo simples fato de sermos capazes de nos identificar com nossos parentes mais próximos. Temos consciência de que as formas mais complexas do reino animal, em especial os mamíferos são bastante sensíveis a dor, e mais ainda, somos perfeitamente capazes de nos colocar no lugar deles e de nos compadecer. Portanto nossa única e decantada superioridade equivale justamente a um padrão de consciência tão refinado a ponto permitir que problematizamos nossos alimentares...
Somos superiores porque capazes de submeter nossos hábitos alimentares a um escrutínio ético, coisa que certamente mamífero algum, enquanto espécie é capaz de fazer.
Interlocutor - Já sei porque as vezes me sinto canibal...
Eu - O fato é que poucos de nós estão dispostos a levar adiante ou as últimas consequências este tipo de reflexão. Por isso batemos o pé e declaramos ter o direito de torturar uma pequena cobaia, um macaco, um gato ou mesmo um cão ou um cavalo. Mas de que decorre este suposto direito? Temos de beneficiar nossa espécie!!! Sim, mas parasitando outras? É lógica de lombriga ou ancilóstomo não de um ser racional. Somos superiores... Só se for em sadismo...
Sei que a reflexão sobre o uso de cobaias é desconfortável.
Injeção também é, mas também é necessária.
Em que somos superiores as pequenas cobaias ou aos animais que acometemos em nossos laboratórios infringindo toda sorte de sofrimentos?
Interlocutor - Em poder ou força?
Eu - Acertou em cheio. Não torturamos as cobaias porque exista qualquer direito natural que nos autorize a faze-lo mas apenas porque queremos e podemos. A lógica dos experimentos científicos com o objetivo de beneficiar nossa querida espécie, é o direito do mais forte. Nada mais venenoso... Direito do mais forte é tese que reporta ao darwinismo social, a Nietzsche e enfim a Hitler e ao nazismo. Não fazemos isto ou aquilo porque é justo ou direito mas apenas e tão somente porque podemos e queremos. Tal a origem de todas as agressões, conflitos e guerras de conquista e dominação. Como as cobaias são mais fracas do que nós, como os animais são indefesos...
Certamente não temos diante de nós um bom caminho.
Por outro lado, caso levássemos a ética a sério, proibiríamos o uso de cobaias sob quaisquer pretextos, mesmo que disto decorresse uma diminuição no ritmo da pesquisa e produção científica e isto pelo simples motivo de que o supremo valor de uma Sociedade humana não pode ser a produção científica ou a aquisição do conhecimento, mas o respeito por todas as forças de vida. Implica admitir uma escala de valores e o primado da ética, coisa de os cientificistas não podem admitir.
Eis uma via porque a ciência é contaminada na fonte convertendo-se ela mesma em abuso.
Felizmente há diversas áreas da pesquisa científica que não fazem uso de cobaias. Neste caso a investigação em si mesma é, como já dissemos, sempre um bem.


FIM

domingo, 3 de setembro de 2017

O problema da neutralidade em Ciências humanas II

Resultado de imagem para Ayer Philosopher


Chegados aos domínios da História tornasse o tema da neutralidade ou da isenção ainda mais polêmico na medida em que os teóricos do positivismo, levando adiante seu ideal meramente descritivo, proíbem a introdução de todo e qualquer juízo de valor em relatórios, monografias e até mesmo artigos e livros.

E no entanto além das enfermidades Psicológicas, e das condições sociais, o Historiador ainda depara com certo resíduo ou com certa quantidade de atitudes ou comportamentos irregulares quais sejam, roubos, assassinatos, estupros, etc os quais não poucas vezes envolvem elementos humanamente frágeis e desprotegidos quais sejam animais, crianças, idosos, deficientes, etc e degeneram em pura e simples crueldade ou sadismo. Mesmo diante de cenas e situações como estas o positivismo não se abala e pede que elaboremos uma simples crônica em forma de narrativa, fugindo aos juízos de valores como o diabo foge da cruz.

Agora qual o pôrque de tudo isto???

Quais os pressupostos do positivismo???

Grosso modo os positivistas ingênuos costumam declarar que a tarefa do Historiador esgotasse ao reconstituir os fatos Históricos. Logo o que ultrapassa a simples reconstituição espraia-se pelos domínios do subjetivismo puro ou do relativismo, representando mero ponto de vista individual, a que não devemos atribuir maior valor.

Num segundo momento dirá nosso positivista que semelhante avaliação cabe a Ética e não a História, o que muitas vezes equivale a dizer que não cabe a ninguém e que devemos mesmo enquanto homens, nos conformar com aquilo que é ou com a realidade, uma vez que toda e qualquer crítica ou discordância supõem metafísica. A qual só se foge tornando-se acrítico ou conformista.

Não levo a mal que nas obra do gênero, especialmente no prefácio, a distinção seja não só marcada mas salientada i é a distinção entre o Pesquisador que reconstrói objetivamente a História resgatando os fatos, e entre o homem que avalia. Não levo a mal o Filósofo da História, pensador ou Historiador mais comedido, que opte pela crônica ou simples narrativa deixando ao leitor a apreciação crítica ou valorativa dos fatos. Não levo a mal que no próprio livro o trabalho do Historiador e a apreciação do homem, sejam rigorosamente estabelecida.

No entanto a exigência de que o Historiador abdique de todo e qualquer juízo ético ou valorativo mesmo enquanto homem ou ser racional só pode partir de teóricos que repudiam formalmente a hipótese de uma Ética objetiva ou essencial enquanto forma de conhecimento válido ou verdadeiro, abraçando o dogma - também presente na Sociologia - do relativismo cultural. Aqui de fato é Ética encarada como pura e simples produção cultural - relativa apenas a determinada sociedade - ou mesmo subjetiva perde todo seu valor. Tal não é no entanto a perspectiva do humanismo socrático, cujo entendimento é bem outro.

Claro que nós esperamos e desejamos que cada leitor e que cada leitor faça sua opção em termos de ética, identificando-se com determinados princípios e valores, a partir dos quais julgue a realidade. Tal esperança no entanto esta longe de impedir-nos de opinar ou de manifestar nossos pontos de vista, buscando orientar o homem para uma direção ética que julgamos ser a mais acertada ou correta; não como Historiador, mas como ser humano que reflete criticamente sobre as ações e exemplos humanos oferecidos pela História.

Significa isto que não podemos ser neutros em termos de princípios e valores ou mesmo de ideologia?

Se em termos de ciências exatas uma neutralidade absoluta, do começo ao fim, é bastante questionável, em termos de ciências humanas é certamente impossível, senão indesejável.

Ser neutro diante das inquisições papista e protestante, da Jihad islâmica, das situações de miséria produzidas pelo capitalismo, das atrocidades cometidas pelos nazistas, das guerras, da tortura, etc equivaleria a ser sádico, desumano e cruel.

Enquanto historiador tudo quanto o homem visa é compreender determinada situação Histórica e podemos compreender perfeitamente bem o pôrque de cada um dos eventos acima citados, sem no entanto buscar justifica-los ou absolver as pessoas envolvidas. Não cabe ao Historiador enquanto tal justificar, apenas compreender. Enquanto homem e cidadão no entanto lhe é permitido julgar partindo de seus princípios e valores.

Neste caso que lhe é proibido e a que ponto chegamos?

Nada impede ou deve impedir um homem de avaliar determinado fato Histórico segundo suas crenças e ideias. Como nada impede ou deve impedir alguém de identificar-se com determinada visão de mundo ou ideologia.

Tanto o Sociólogo quanto o Historiador é defeso ter sua opinião, seu ponto de vista ou sua ideologia. O que ele não pode permitir é que esta ideologia interfira em seu trabalho de pesquisa social ou de reconstituição histórica, fazendo com que altere ou manipule os dados da pesquisa ou as informações tomadas as fontes históricas selecionando-as arbitrariamente seja inventando umas ou ocultando outras. Tocamos aqui ao nervo da questão ou a Honestidade cientifica.

Não pode o homem ser neutro no sentido de que seja isento de princípios e valores ou mesmo de ideologias, como uma tábua rasa. No sentido de que não traga consigo uma visão de mundo ou como diz Brinton um esquema mental preparado. No sentido de que enquanto homem não possa opinar sobre suas próprias descobertas ou que isto lhe seja vedado...

Mas deve ser disciplinado e honesto a ponto de evitar que seus pontos de vista interfiram na pesquisa científica a ponto de selecionar ou manipular os fatos.

Portanto o que esta em seu acesso e garante a objetividade de seu trabalho enquanto pesquisador não é uma suposta e absurda neutralidade valorativa ou ideológica, e sim o que chamamos de honestidade intelectual e que podemos definir como a capacidade para administrar suas opiniões preconcebidas, atendo-se antes de tudo aos fatos sejam eles biológicos, geográficos, psicológicos, sociológicos, históricos, etc Honestidade intelectual é o esforço exequível para ouvir os fatos e permitir que falem sem deixar-se cegar pelas próprias opiniões e crenças.

Tendo chegado ao término da questão devemos considerar que a neutralidade ou imparcialidade deva ser encarada como um ideal possível APENAS SE ENTENDIDAS NO SENTIDO DE NÃO INTERFERÊNCIA COM RELAÇÃO A PESQUISA HISTÓRICA, SOCIAL... e mesmo assim - ao menos na Sociologia, que lida com causas gerais - na esfera reduzida dos fatos ou leis; porquanto a dinâmica da formação de uma teoria é bem mais complexa. 

No entanto caso compreenda-mo-las no sentido corrente de isenção, no sentido do pesquisador não trazer consigo determinados princípios, valores, crenças e ideias; qual fosse uma tabua rasa, é absurda, ingênua, grosseira e tosca. Como ser humano o cientista não só trás ideias capaz de influencia-lo como é normalmente sugestionado por elas caso não passe por um treinamento bastante sério na acadêmia. Resulta disto que a imparcialidade ou neutralidade relativa - DEFINIDA EM TERMOS DE HONESTIDADE CIENTÍFICA - não seja algo fácil de ser conquistado demandando resolução, esforço e sobretudo certos pressupostos derivados da Ética.

Sobretudo não devemos compreender Neutralidade no sentido positivista de abster-se de avaliar criticamente os fatos na perspectivas da Ética da pessoa. Julgar as ações e situações sociais é natural, humano e absolutamente normal. Neutralidade relativa ou HONESTIDADE CIENTÍFICA resume-se em não fabricar ou manipular fatos ou leis tendo em vista o favorecimento de qualquer teoria que nos agrade. A desonestidade não consiste em julgar ou avaliar eticamente mas em falsear a realidade.

Conclusão: Nas ciências do homem a neutralidade absoluta ou isenção compreendida já como a pura e simples inexistência de um aparelho conceitual anterior a pesquisa, já como a necessidade de se evitar a qualquer custo juízos de natureza valorativa é pura e simples utopia.

Já uma neutralidade relativa (Imparcialidade formal) ou HONESTIDADE INTELECTUAL compreendida como a possibilidade de controlar a investigação e impedir que seja influenciada pela ideologia tal até a seleção e manipulação dos dados e distorção da realidade, julgamos ser perfeitamente exequível embora demande como já dissemos um firme ideal de ética associado a um treinamento acadêmico e a uma prática constante. Segundo julgamos esta Honestidade Intelectual é o fundamento da objetividade no terreno das ciências humanas.

Afinal as ciências humanas, fugindo tanto ao prever - seus fenômenos são mais e mais imprevisíveis na medida em que entra em jogo a qualidade humana da vontade livre - quanto aos justificar, tem por objetivo recompor e compreender um determinado aspecto da realidade, o qual, uma vez recomposto e compreendido sempre poderá ser apreciado valorativamente por qualquer homem, inclusive pelo Psicólogo, pelo Sociólogo e pelo Historiador, os quais certamente são homens. Importa distinguir bem uma coisa da outra, colocando os pingos nos is.

Por fim se a Sociologia será meramente descritiva para o Sociólogo enquanto Sociólogo, será certamente normativa para o mesmo Sociólogo enquanto pessoa ou ser humano i é numa perspectiva mais ampla. E ele, o sociólogo, sempre poderá expressar-se já quanto cientista social que investiga e descobre, já como ser humano que avalia sua descoberta e pensa a sociedade. Bastando para tanto que estabeleça a distinção.

Sobre a elaboração das teorias em ciências humanas, reservaremos um artigo a parte.