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quinta-feira, 5 de março de 2020

Nem a extrema esquerda nem o Brasil paralelo - Quando os extremos fogem a realidade e criam ideologias.

Não é segredo para ninguém que essa extrema esquerda que adora posar de 'crítica' - Assim Comunistas e Anarquistas de modo geral... tem posto guela abaixo, sorvido e até se deliciado com diversos equívocos históricos, mitos, fábulas e preconceitos toscos que os liberais ou iluministas tomaram a reforma protestante. Os reformadores por pura malícia ou ignorância inventaram, os liberais ou ilumistas absorveram e nossa esquerda radical transformou em dogmas indiscutíveis.

A questão aqui é que nem os reformadores nem os iluministas negavam ser dogmáticos... enquanto que os contemporâneos posam de críticos ou de emancipados, enquanto continuam repetindo as mesmas tolices inventadas a cinco séculos atrás.

Momento de crise devido a desagregação do Império romano e as incursões tanto nórdicas quanto islâmicas, foi a Idade Média, para o contesto da Europa ou do Ocidente, um momento de crise ou uma fase negativa, ao menos em parte - Assim a alta Idade Média. A baixa Idade Média foi já um momento de recuperação, alias culturalmente tão rico quanto complexo. De modo que não existe UMA Idade média - Como jamais existiu UM Renascimento, UMA Reforma, UMA Revolução francesa, etc - mas no mínimo duas. Uma bastante caótica, outra tanto mais organizada e consolidada.

Quando o protestantismo fez sua aparição, por obra e graça do sr Lutero lá mas Alemanhas os mesmos reformadores que classificaram o papismo ou a igreja de Roma como uma corrupção ou apostasia e seu próprio movimento como um feliz retorno só podiam avaliar socialmente o período anterior a sua querida reforma, associado quer ao catolicismo antigo ou ao papismo, como algo negativo, corrupto, maléfico, atrasado, etc Acontece que totalmente ignorantes em matéria de História e Sociologia, os reformadores e seus discípulos foram adiante, e partindo de uma monocausalidade ingênua, atribuíram todos os males da Alta Idade Média a Igreja romana ou ao papado. Que o papado tenha causado sérios distúrbios na Itália e alguns outros na Europa é indiscutível... Que tenha sido responsável por todos os problemas do tempo é proposição tão estúpida que faria tanto Marx quanto Weber emitirem sonoras gargalhadas!

É ignorar o significado já do colapso do Império romano já o aspecto das culturas - Germânica e islâmica - que circundavam aquele espaço, assediando-o e ameaçando-o.

Os que avançaram no sentido protestante, a exemplo do grande Gibbon - culpabilizaram o Cristianismo como um todo, a começar pelos apóstolos, mártires e pelo Catolicismo antigo, arrestando inclusive Jesus. Já escrevemos muito sobre o Cristianismo antigo em relação a queda do Império romano... Não é este o foco agora. O foco agora é a cultura antiga i é greco romano, e sua destinação futura. Que espaçou a aniquilação, que restou e porque restou... No Ocidente foram os monges irlandeses que preservaram grande parte do que temos. No Egito foram os monges Coptas que conservaram os restos da magnífica Biblioteca que o muçulmano Amru Al Ass mandou incinerar. No Oriente médio foram os monges e clérigos assírios e siríacos que puseram a cultura greco romana nas mãos dos Mutazilas! Em todos os lugares do mundo antigo foi a elite Cristã ou Católica, os Bispos, clérigos e monges que dedicaram suas vidas a copiar antigos manuscritos gregos e a salva-los da grande conflagração. Não, não puderam salvar tudo, e temos até muito pouco. No entanto o imenso tesouro que temos transmitido foi por eles. Não por Lutero e seus amiguinhos... Falo como admirador confesso da cultura clássica e demonstro minha gratidão para com esses elementos da Igreja antiga, ou da Grande Igreja, como costumava dizer Ernesto Renan. Sempre que leio Tácito ou Suetônio, Ésquilo ou Eurípedes, Fedro ou Êsopo, Epicteto ou Sêneca, recordo-me deles e de seus 'scriptoriuns' (sic).

Isso que sobrou foi vital para a recomposição e superação da Alta Idade Média. O que a antiguidade Cristã copiou lá ficou guardado nesses imensos armazéns de cultura antiga chamados mosteiros até os Renascimentos literário e Filosófico... Esperando pelos herdeiros ou sucessores, como Petrarca, Valla ou Angelo Mai.

Mas chega de eruditismo medieval. Há que se ler Ganchoff, Marc Bloch e após eles Le Goff, Dubois, Bede Jarreth, etc A bibliografia é imensa. E demonstra quanto a alcunha 'Idade das trevas' além de maniqueísta é forçada, enquanto produto da mente protestante fanatizada. Vá a Escócia e contemple - quem convida é Kenneth Clark - os restos desmantelados das janelas das grandes catedrais, com seus 'bordados' em pedra, destruídos ou vandalizados pelos emancipados reformadores. Claro que os vitrais você jamais poderá contemplar... Adivinhe por que???

Afinal os liberais e modernos digeriram também a 'Lenda negra' a respeito da colonização da América Latina, especialmente da hispânica. A versão corre até hoje lá nos EUA terra do Faroeste e do escalpo, após ter feito imenso sucesso na Inglaterra. Não estamos dizendo nem querendo dizer que não houveram conflitos entre colonizadores e povos indígenas ou que estes não tenham sido eliminados em diversas situações - Não sempre ou em todas!. Sabido é que os primeiro grupo de colonos estabelecido por Colombo em Ganahany era composto por indivíduos bastante brutais, a ponto de cometerem estupros e assassinatos; e é claro de terem sido eliminados e degustados pelos naturais...  Por outro lado, não menos inconsistente é o mito do bom indígena... Claro que os indígenas estavam defendo sua posição, assim a que era justa. Nem por isso o canibalismo havia sido inventado pelos conquistadores! Sua existência está já suficientemente demonstrada, inclusive quanto as Antilhas... E se os Maias ficam horrorizados sempre que seus ancestrais são apresentados como comedores de gente, agradeçam a padralhada... Pois lá estão os painéis de Bonampak...

O problema aqui é apresentar os europeus, sejam espanhóis ou portugueses, em sua totalidade ou mesmo significativa maioria, como movidos pelo lucro sórdido e sede de sangue. E Isto é o cerne da lenda negra, o qual desfigura todo um grupo humano... Apresentar todo colonizador como um assassino ou rapinante é desfigurar a História. Apesar das tintas com que Las Casas pinta ou descreve a situação a seu tempo não havia um único Las Casa no Novo Mundo... Mas alguns outros, todos movidos por sentimentos religiosos de grande nobreza ou pelo que hoje chamamos de Ética. E mesmo na Espanha havia deles, como o grande Vitória, patrono dos 'Direitos humanos', e Soto, Banez, Cano... os quais afirmaram em alto e bom som o direito dos naturais a vida, a justiça e mesmo a liberdade. Graças a influência deles a condição descrita por Las Casas foi bastante aliviada pela própria coroa. Disto resultando a preservação de um número considerável de vidas e a consequente mistura ou miscigenação, corrente do México ao Paraguai. Em todo este território as concentrações urbanas são majoritariamente formadas por mestiços, havendo grandes bolsões de povos indígenas no Interland, seja o da Guatemala, o do Equador ou o do Brasil. A única exceção diz respeito ao extremo Sul da América Latina, jamais densamente povoado por povos de culturas bem mais primitivas, estes aniquilados a partir dos 800... Num contesto ideológico bem distinto em que entram oligarcas, políticos 'liberais', caçadores Yankees, ingleses e alemães, etc

O que a esquerda radical aprecia afirmar a respeito da colonização do Brasil é exatamente isto, que português é sinônimo de bandido, criminoso, rapinante, assassino, estuprador; enfim de homem sem coração, alma ou consciência. O que aconteceu por aqui foi uma invasão seguida por uma guerra aberta e continua contra os naturais, até que fossem completamente aniquilados - Apesar dos traços característicos da maior parte da população brasileira, os quais apontam para a mistura ou miscigenação. Não entra aqui o caso da cultura, a qual tem dinâmica própria. Aqui falamos em vidas e pessoas. Insisto, houveram conflitos e mortos numa proporção que não podemos verificar e em que é demasiado difícil oferecer dados com precisão matemática. Não porém uma aniquilação de pessoas como nos EUA, sociedade em que não há traços de miscigenação ou sinais de presença indígena significativa após o genocídio realizado no século XIX!!! I é em plena Era da Civilização e dos direitos humanos...

Apesar disto para a extrema esquerda é bem isso: Todos os colonizadores eram invasores movidos pelo lucro sórdido, tal e qual os nossos capitalistas e empresários de hoje. Pessoas degeneradas, más, sem escrúpulos e dispostas a praticamente tudo. Tal e reedição da lenda negra criada pelos protestantes Ingleses, endossada é claro pelos Norte Americanos e divulgada pelos anglo saxões liberais ou iluministas... Observem o roteiro ideológico da 'coisa' e avaliem... Mas fica sendo certo porque se quer...

Aqui um extremo. Vamos agora ao outro...

Camões, o insigne Épico e poeta maior de nossa lingua amiúde descreve os portugueses em demanda do Oriente como heróis da fé e paladinos da Civilização, posto que lá iam para deslocar os infiéis, que há muito ameaçavam a Civilização com sua Jihad... É o poeta, todo poeta, homem idealista, que por vezes perde o sentido da realidade. Ademais o poeta fixa sua atenção sobre o belo e o heroico e não sobre o vil e corriqueiro. Camões todavia mostra ter pés no chão sempre que vincula parte dos marinheiros, ou melhor, comandantes e coroa, ao desejo de mercadejar com os indianos e de, adquirindo especiarias, multiplicar os maravedis. Não era apenas uma cruzada composta por santos ou homens de fé, mas também uma empresa comercial, destinada a obter lucros ou benefícios financeiros.

A versão ingênua e ufanista - Por isso Ideológica - do 'Brasil paralelo' ignora ou parece ignorar este aspecto ou a complexidade das intencionalidades envolvida nas grandes navegações - E assim na colonização do Brasil - supondo que todos ou ao menos que a imensa maioria fosse formada por intrépidos marujos, movidos apenas pela fé na Cruz, no Abençoado Redentor e na Virgem. Tudo quanto movia tais heróis seria a fé Cristã ou 'católica' (Leia-se romana). E tudo não passou duma epopéia de fé... Temos esta visão como igualmente forçada e fora da realidade.

Sim, certamente houve, durante todo este processo e especialmente em seus primeiros passos - No século XV - a aspiração religiosa de atingir a Meca ou a Arábia pela volta da África e bombarde-la, deslocando a atenção do Império Turco, que então assolava o Leste Sudeste europeu e avançava para o Norte. Não poucos nobres portugueses, presos a época e mentalidade das Cruzadas ocidentais - A empresa sem fim! - cuidavam atacar o islã em seu coração e desestabiliza-lo. Todavia o contato com os navegadores e negociantes italianos, fossem de Genova, Pizza ou Veneza, bastou para desviar a vontade de boa parte destes homens para o setor do lucro ou das finanças, apontando para o comércio dos temperos... A princípio os portugueses ou melhor a coroa, buscou associar os dois interesses, com o passar do tempo porém diversas mentes foram dominadas pelas necessidades e aspirações meramente econômicas, isto ao tempo em que foi descoberto o Brasil.

Desde então as necessidades e aspirações econômicas não cessaram de colidir com as aspirações religiosas ou éticas, colidindo com elas e eliminando-as inclusive. De modo que mais e mais, na medida em que o liberalismo econômico afirmava-se pela Europa pós reformista, a intencionalidade de nossos ancestrais foi assumindo um aspecto cada vez mais material ou financeiro responsável pela maior parte das tragédias ou desgraças que acometeram este nascente país - Roubos, sequestros, servidões, assassinatos, massacres, estupros, traições, etc de que temos exemplo no massacre dos tupis lá na Bahia e enfim o Capão da Traição, a destruição de Guaíra e de inúmeras missões Jesuíticas, etc Até que no século XVIII não era mais o grosso dos homens (Até então matriculados nas fileiras da companhia ou do seráfico padre.) atraído pela 'redenção das almas' ou pela catequese, mas pelo ouro e pelas pedrarias das Minas. Sim e lá nas Minas também se ergueram inúmeras igrejas, enquanto os negros e índios era forçados, a toque de chibata, a escavar as entranhas da mãe terra e enriquecer os outros. E tudo ali era já roubo e sangue... De modo que aquele heroísmo do infante D Henrique corrompeu-se e perdeu-se para sempre, e nada pode recupera-lo.

Quando o Brasil foi descoberto e colonizado já achavam-se em conflito ambos os sentidos, o religioso, legado por D Henrique e o financeiro, que predominou e chegou a ser materialismo. Nos séculos XVII apenas os Jesuítas, certo número de religiosos regulares e alguns leigos piedosos, incorporavam as virtudes do Cristianismo. Em meio a considerável número de degredados, desertores e piratas, de cuja cepa, em S Paulo, surgiu o mameluco, preador e escravizador de índios, logo chamado bandeirante. Ora este bandeirante, em seu furor assassino, não tardou a atacar aqueles que haviam fundado a Vila de S Paulo i é os Jesuítas, e a expulsa-los... E é o quanto basta para revelar a dinâmica desta História abreviada, resumida ou distorcida pelo tal Brasil paralelo.

Nada mais absurdo do que buscar uma monocausalidade intencional em eventos tão complexos como as grandes navegações ou o processo civilizatório do Brasil. Aqui e ali em diferentes tempos havia diferentes níveis seja de inspiração ou fé religiosa seja de motivação econômica, os quais frequentemente chegaram a entrelaçar-se, claro que em detrimento da fé e da Ética... Aqui o velho refrão 'Nem oito nem oitenta' deve refletir com exatidão esta realidade.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

A doutrina social e os equívocos da Igreja Romana - A grandeza e a miséria do Social Catolicismo.

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Há coisa de dois ou três anos, tendo visitado um grande amigo meu, Comunista, não apenas de boca, mas conhecedor profundo daquela Ideologia e homem de imenso saber  - Poliglota, polímata, etc a conversa tocou na D S I, i é, na doutrina social da Igreja romana ou no Social Catolicismo. Principiou meu amigo e oponente dizendo que se tratava duma bela construção teórica ou uma bela proposta, porém, letra morta desprovida de um maior significado, uma vez que a própria organização que a concebera ou idealizara, na prática, parecia não leva-la a serio, pelo simples fato de pouco ou nada fazer no sentido de ve-la realizada ou concretizada. A impressão, segundo ele, era que a própria igreja romana não dava o devido valor a essa doutrina, ostentando-a como uma espécie de enfeite.

Ao calor da discussão tomei semelhante acusação por injusta...

Agora, passados tantos anos, ouso fazer 'Mea culpa' e reconhecer sua legitimidade.

Afinal, dispostos os meios, a mesma Sociedade que enfrentou heroicamente a máquina do Império Romano e que por tanto tempo enfrentou e conteve a jihad islâmica, ao menos por uma vez salvando o mundo Ocidental (Com seu tesouro de cultura Greco Romana) - pelo que merece nossa gratidão - bem poderia ter conjurado o espectro nefando do Capitalismo ou do liberalismo econômico enquanto expressão economicista subsidiária do materialismo e classificada pela Ética Cristã tradicional como sórdida avareza... Se bem que estivesse já essa Sociedade enfraquecida pelo advento do Protestantismo (Aqui o atenuante ignorado por meu bom amigo comunista).

No entanto é patente que a igreja romana cometeu dois colossais equívocos, um no Concílio de Trento, por aproximar-se doutrinalmente do protestantismo através  do agostinianismo (Jamais existiu qualquer contra Reforma exceto enquanto tentativa feita na França pelo Duque de Guise, mas assimilação de elementos protestantes como a teologia agostiniano da graça). 0 que por nós foi exposto em inúmeras dissertações teológicas.

O outro equívoco diz respeito ao Liberalismo Econômico ou Capitalismo e demais liberalismos emergentes... Vamos, arqueologicamente, tentar traçar esta História tão confusa.

O primeiro erro da igreja papa foi misturar ou confundir os Liberalismos criando um rótulo - vazio e absurdo: Liberalismo (No singular). Jamais existiu algo como um liberalismo exceto do ponto de vista da cultura protestante a qual batizou o liberalismo econômico tentando Cristianizar suas pretensões essencialmente anti Cristãs... Existiram sim diversos liberalismos (Uma pluralidade), de vária cepa e muito mal relacionados entre si, isto a ponto de podermos falar não apenas em tensão, mas em verdadeiro conflito, a que foge somente a cultura protestante americanista, na qual o elemento humano é esmagado e a dimensão Ética da vida negada ou minimizada. O anti humanismo de mercado é filho primogênito do anti humanismo protestante ou bíblico (Vetero testamentário).

Um é o L moral, outro o religioso, outro o Político, outro o econômico... Basta dizer que a mancebia entre o capitalismo e as ditaduras é bastante conhecida. Quando o L econômico é ameaçado por qualquer reforma democrática ou popular (ainda que rara) o L Político sai pela porta dos fundos ou é sacrificado.

Em que pese a tristeza, a justiça obriga-nos conceder que a igreja romana, exaurida pela luta contra as seitas protestantes não soube compreende (Como ainda hoje os Catolicismos não querem compreender - E por isto perecem!) a dinâmica da Cultura e o significado do Capitalismo emergente. E o resultado disto, o último resultado será já o Concílio do Vaticano II, já este tradicionalismo espúrio permeado pela cultura alienígena... E quando deu por si o inimigo oculto já havia ultrapassado as fronteiras, atravessado as muralhas e transformado em escombros esta cidade de Cristo, que ora tentamos reconstruir, ao menos teoricamente - De modo a iluminar e a inspirar as gerações futuras. Nós somos semeadores de novos mundos, em parte espelhados no passado... A Igreja de modo geral negociou. Imolou sua cultura, seu éthos, seu espírito imortal e assimilou uma cultura que jamais foi sua. O desastre da assimilação da adoração protestante e do sistema econômico capitalista pela Igreja romana, começou bem lá atrás, em Trento, com a falsa contra reforma, a qual não passou de assimilação. Primeiro a igreja Latina assimilou a fé protestante ou agostiniana a respeito da graça e em seguida a cultura e o padrão econômico produzidos pela HERESIA SOLIFIDEISTA. Tudo quanto ora vemos é um abandono do mundo e a derrocada (Aparente) da ENCARNAÇÃO. Não temos sido ENCARNACIONISTAS coerentes...

Concentrou-se a Igreja romana ainda nisto, imitando (Como uma macaca.) o protestantismo, e assimilando modos moralistas e puritanos (Sinais de decadência em termos de instituições religiosas.) - Pasme leitor, a Idade Média foi muito mais liberal (Nos termos da moralidade) do que os neo catolicismos, subservientes a crítica protestante/puritana que incorporaram - e atendo-se a uma forma política histórica i é espacial temporal, relativa e ultrapassada... Divisou um Estado forte quanto a moralidade dos súditos ou a vida privada mas, fraco quanto a Educação e assim quanto a vida política por estar diretamente subordinado a ela. E por instigação de reis e políticos incrédulos e ambiciosos perdeu seu fervor educativo, embora jamais abdicasse dele. Crendo fixo semelhante estado de coisas - o qual não era senão provisório - permitiu que parte dos seus profitentes permanecesse sob o jugo da ignorância, fabricando massas ao invés de povo (Do que tirou e tira proveito o protestantismo com suas seitas!). Assentiu que houvessem analfabetos nesta cidade cujos fundamentos mais sólidos deveriam ser a fé pura e esclarecida bem como um conhecimento elementar ao menos da Teologia e uma certa educação filosófica. E foi um erro fatal... (Nina Rodrigues já dissera, e com razão, que os Catolicismos não são assimiláveis pelas massas incultas.) Quanto a economia, setor em que as transformações aconteciam a galope nada discerniu ou fez além de impostos e alguns tratadinhos sobre comércio e moeda... Ignorou por completo este setor e receando um Estado Forte (quanto mais democrático!) apostou no Estado omisso, fraco ou mínimo...

Desde que o protestantismo serviu-se do Estado e da estatolatria com o objetivo de afirmar-se e que o Estado moderno, já absolutista, já democrático ou politicamente liberal, mas consolidado no poder, ameaçou, romper com o velho pacto, assumir a educação e desamparar o moralismo insosso, aspirou ela, a Igreja Romana, por um Estado frágil, inerme ou mínimo, sem cogitar que o economicismo disto pudesse tirar máximo proveito, introduzindo um novo padrão de cultura. Como jamais imaginou que as seitas protestantes tirariam mais e mais vantagem da ignorância em que jazem até hoje as massas sumariamente alfabetizadas ou apenas letradas, vitimadas por uma condição miserável. Miséria e ignorância alienaram as massas da Igreja assim que ela perdeu o controle da Educação ou das escolas...

Da associação entre o Estado frágil e a massificação dos grupos sociais resultou a inserção muito bem sucedida do liberalismo econômico e do protestantismo que são elementos solidários e formativos do agregado cultural americanista. Esta afinidade eletiva foi devidamente exposta pela corrente weberiana, a luz da qual compreendemos a dramática transformação porque passa o Brasil é a agonia do Ocidente. O Capital precisava e precisa de uma exército de reserva angustiado e as seitas de iletrados, semi letrados e imbecis para escravizar mentalmente por meio da superstição. As massas mal alimentadas e fatigadas constituem o pasto predileto das seitas todas... fornecendo-lhes inclusive válvulas emocionais de espace, por meio de um culto emocionalista copiado pelos carismáticos. Nada no sentido de TRANSFORMAR a realidade, apenas de deixar como estar, fornecer explicações falaciosas e tirar proveito. O fetichismo 'Cristão' é isto, e as estruturas perversas do mundo atual agradecem - É colaboração...

Enquanto tal se sucedia o gracismo e o solifideismo iam mais e mais contaminando a igreja romana. Até que chegamos a este aparente renascer chamado romantismo. O romantismo é fenômeno alemão, que antes de convergir para aparências de Catolicismo, surge numa Alemanha luterana. Por isso trás em seu bojo o ideal de uma comunicação direta com Deus ou de uma comunhão espiritual que parte do coração, sem precipitar-se necessariamente em obras... Por isso o romantismo produz uma praxis Católica venenosa e desligada por completa da tradição medieval que é a própria vida social. Disto resultou a crença horrenda (Quando parte dos protestantes, por falta de beleza, já não ia ao culto!) de que ser Católico é ir a Missa dominical e assimilar certos tipos de moralidade puritana, individualistas e oriundos quase todos do antigo testamento ou do judaísmo. A Idade Média, com suas associações que permeavam a vida, tinha sentido de Ética Cristã ou Evangélica, bem mais acurado. O neo romano do século XIX isolou-se de seus irmãos batizados, encastelou-se no recinto privado do lar, perdeu todo e qualquer vínculo social e criou para si uma falsa torre de marfim, o avesso da Cidade do Deus encarnado Jesus Cristo... Isto não é vida, é culto somente, fé somente, espiritualidade somente; protestantismo. Catolicismo é consciência, sentido, espírito, vida e prática. Algo que se vive e prática vinte e quatro horas por dia e trezentos e sessenta e cinco dias por ano. O Católico do século XIX não tem mais este perfil total, é obra em parte, corrompida, pela apostasia luterana com seu abandono do mundo, com sua desistência, com sua inanidade...

O Cristianismo foi perigoso. Face ao Império Romano, face ao Império Bizantino e face a Jihad islâmica e arabizante. O neo cristianismo luteranizado e avesso as obras não é perigoso. Pois desesperou de transformar o mundo e suas estruturas. Já não é sal - É água de flor de laranjeira ou rosas, calmante. Cristianismo não pode jamais ser calmante, tem exigências Éticas inegociáveis. Críticos de imensa cultura temem que retorne a suas autênticas tradições, tornando-se mais perigoso do que o anarquismo, o comunismo e o fascismo; embora seus métodos e fontes sejam bem outros. O capitalista estudado esforça-se por satanizar a Idade Média - Ainda aqui adotando os métodos da falsa reforma - e até os antigos padres e a tradição Cristã, social e humanista. Ele teme o episcopalismo ou os Catolicismos, mas não se importa com as seitas protestantes, mesmo quando assumem um viez teocrático. Sabe que elas jamais desampararão o economicismo, contentando-se com dominar o comportamento privado, inda que por meio do poder político.

Isolando-se uns dos outros os Católicos não perceberam nada disto. Nada, nada... Seus líderes - como Pio IX, continuaram a meter os pés pelas mãos... a disputar com o Estado em sua esfera, a combater pelo 'vitorianismo', a proclamar moralidades, a vindicar uma propriedade que mudará de significado por completo (A noção de propriedade MEDIEVAL não é a contemporânea), a condenar o Liberalismo qual fosse uma coisa só, etc Foi uma Cruzada inglória. Marx combatia a forma apenas do Capitalismo... E a Igreja não lhe atingia o espírito, o éthos, o coração ou a alma, que era necessário aniquilar e substituir por outra. De modo que não atingiu ela seu escopo...

E no entanto o primeiro meio capaz de - A partir de um controle indireto ou de simples orientação - implantar a doutrina social da igreja e de reformar as estruturas sociais no sentido da Tradição e do Evangelho, seria justamente um Estado forte. Democrático, popular e limitado a sua esfera, mas forte nessa esfera - Das coisas comuns, da convivência ou da Ética. Forte quanto a Ética humanista ou a promoção do ser humano e a afirmação da justiça (Aqui a República de Platão) em todas as áreas da atividade humana. Lamentavelmente a Igreja sempre suspeitou deste Estado (Mesmo quando Democrático ou Policrático!) até anatematiza-lo. Desamparados pela própria igreja os elementos populares, os demagogos liberais economicistas após terem assumido o protagonismo do movimento democrático, tomaram a direção das Escolas e fechou os mosteiros, beneficiando ainda mais a cultura protestante e capitalista... Ao invés de identificar os inimigos e a cultura de morte que os inspirava a igreja, cega, anatematizou ainda as formas democráticas, e postulou um retorno utópico ao velho Estado dirigido. CONCLUSÃO - Os maus liberais (Capitalistas) apresentaram-se como heróis e paladinos da liberdade, fazendo avançar a cultura americanista... A igreja - aqui muito falível, terrivelmente falível - fez o jogo deles, mesmo quando se lhes opôs...

Sim, os espertos americanizantes e economicistas jamais deixaram de tirar proveito dos equívocos cometidos pela igreja e assim de apresentar e promover o Liberalismo com um todo homogêneo, em que entrasse o capitalismo. De fato eles associaram o Liberalismo político - que é a alma da democracia - ao liberalismo econômico, isto com o premeditado objetivo de justificar este por aquele.

A loucura integrista ou integralista (Aberração no terreno da política, da ciência e dos costumes), reforçou este erro, pois quando honesta condenava ambos os liberalismos e sancionava a tirania, senão o velho ideal teocrático. Destarte os inimigos do despotismo - inclusive dos setores dominados! - passaram a encarar o capitalismo com franca simpatia e como elemento necessário de um pacote cultural superior ou mais civilizado. O próprio americanismo, que é antípoda da nossa cultura, foi assumido por não poucos... Enquanto isto dos simplórios Donoso Cortês, Salvany, Murilo, etc e mesmo um De Maistre ou um De Bonald continuavam a apresentar a modernidade empacotada... O que desaguou na Ação Francesa, com Ch Maurras, embora este tivesse já certa noção da cultura e das conexões ideológicas com o protestantismo. No entanto jamais situou o problema onde devia, na economia de mercado ou no economicismo, insistindo na tecla do político. Se Marx, foi prisioneiro daquele materialismo comum ao sistema que criticava Maurras foi prisioneiro de formas políticas que nada explicavam ou cuja dimensão era limitada face a cultura. Apenas Weber começou a decifrar esta esfinge...

Fácil é compreender que entre nós os frustrados do integrismo passaram ao americanismo - Como comunistas e fascistas tem migrado para o capitalismo e como ora passam ao islamismo, juntamente com alguns fundamentalistas protestantes e romanistas moralizantes (perceba o leitor a ilação!). E que do conflito entre o Estado democrático e a Igreja tirou partido o Mercado, assim como o Imperialismo Norte americano e toda essa cultura de morte, da qual, como elemento basilar faz parte o protestantismo, com seu abandono do mundo, seja pela fé somente ou pelo apocalipticismo. Aliás o economicismo apenas reivindicou um setor da vida abandonado pelo protestantismo... Bom insistir nisto, pois trata-se da fonte da crise porque passa nossa civilização.

Havia no entanto, para a Igreja ( Como ainda há, embora pareça por demais utópica) uma outra possibilidade - A do afrontamento ou da auto reconstrução a partir da Tradição ou do passado, no qual não haviam faltado meios com que enfrentar e vencer a Cultura de morte. Os próprios liberais economicistas, como os falsos cristãos mamonolatras ou avarentos, sabem melhor do que ninguém que o Cristianismo vivo é a suprema ameaça a este sistema. Por isso tentam a todo custo conter a expansão da consciência Cristã, sabendo que sua ética é mil vezes mais devastadora e temível que o Comunismo e o Anarquismo, posto que suas fontes são divinas! O materialismo, a avareza, a ambição excessiva, o economicismo capitalista tem a Deus por adversário e tal é o segredo do rei...

Cumpre apenas dar consciência a este corpo decadente, que como o Verbo Jesus pode ressuscitar e dar vida ao mundo. Ao Comunismo materialista e totalitário, não podia a mãe igreja estender fraternal e ingenuamente a mão. As atuais e legítimas aspirações ECOLÓGICAS não só pode como deve. Que aproveite o kairós para fecundar e encher de luz esta corrente do bem. Que saiba à luz da memória (TRADIÇÃO) recriar-se e recuperar os mecanismos espirituais com que no passado movia seus filhos, ora movendo-os a uma vida Ética coerente, intensa e avassaladora.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Por que 'Ela só pensa naquilo...' - O propósito de Damares Alves e da Continência...

Não me julgo fanático, exceto pela liberdade.

Compreendo assim que livremente assumida a continência sexual ou o celibato, representem valores dignos de respeito. Assim se alguém gerencia ou controla sua sexualidade sem tornar-se neurótico ou por ter um propósito/sentido mais elevado, quem sou eu para critica-lo? Nem posso deixar de encarar o que chamam de sexismo i é a super valorização da dimensão sexual como algo negativo. Quando afirmamos que a sexualidade não deve ser satanizada/negativizada mas encarada com naturalidade não queremos dizer com isto apresentar o sexo como supremo valor da vida humana ou a sexualidade como seu aspecto mais importante. Para nós a sexualidade, mesmo quando encarada com naturalidade, sempre será parte da vida, não a vida. Nós não assumimos a posição de um Marquês de Sade, deplora-mo-la, tanto quanto deploramos o maniqueísmo. Uma coisa é o corpo ser aceito, outra negado e outra idolatrado... fugimos aos extremos.

No entanto, enquanto parte, defendemos uma sexualidade livre e isenta de pre conceitos.

E quanto a continência ou ao gerenciamento da vida sexualidade, encara-mo-lo como possível valor apenas quando livremente assumido pelo sujeito a partir de suas conclusões, i é, apenas quando é significativo para ele e jamais como algo imposto por alguém ou mesmo pela sociedade.

Como fator formativo da personalidade humana a dimensão sexual da vida deve ser considerada com todo cuidado e certamente ser gerenciada pelo sujeito. Claro que no setor familiar da Sociedade serão oferecidos ou mesmo impostos certos tipos de conduta como desejáveis, isto a guiza de educação. Desde que não haja excessos, como a agressão, temos um fenômeno normal. Certamente que a partir daí podem resultar seríssimos problemas. Tal no entanto é o curso da vida, ao menos em seus primeiros passos. Agradeça a natureza ou a Providência aquele que teve a sorte de obter pais ou educadores amorosos, liberais e pacientes. Os demais só tem a chorar...

No entanto para além da infância e da adolescência, é normal e justo que o homem adulto, na posse de sua liberdade, reconsidere os princípios e valores recebidos, mormente quando lhe parecem já sufocantes, já tacanhos; e quando produziram em si determinados problemas ou patologias psíquicas, assim traumas, bloqueios, fobias... Pois tudo isto e muito mais pode produzir uma sexualidade artificial, reprimida ou excessivamente limitada. Então é justo que, apesar das ameaças dos padres arrogantes ou dos pastores imbecis, a pessoa se reavalie e reconstrua a si próprio, questionando a educação sexual que recebeu.

Normal que os pais controlem - até certo ponto e apenas com determinados meios - a sexualidade dos filhos e não trataremos mais disto. Parece um direito ou uma necessidade natural, mesmo quando sofra os mais terríveis abusos por parte de pais neuróticos.

Agora por que raios aspiram os padres e pastores (No tempo presente estes antes de todos)- Por vezes os reis, presidentes, generais e patrões... gerenciar a sexualidade alheia?

Já disse que sexo é poder e que o exercício da sexualidade implica relações de poder, mais talvez que de afeto... Controlar a dimensão sexual do outro é controlar o outro, é domina-lo, é dispor dele. Quando alguém dispõem do poder de uma Nefer Nefer de 'O egipcio' (Mika Waltari), de uma Dalila, de uma Lais, de uma Gruchenca... estebelece-se a relação senhor/servo, uma escravidão. A dependência afetivo/sexual pode ter a força de correntes e cadeias, advertem o padre e o pastor, partindo da fina psicologia do antigo testamento, cujo fundo talvez reconheça a grande força ou o grande poder da líbido sobre o sexo masculino. Não vou entrar aqui nos termos da relação Homem, Mulher e Líbido ou dependência -

Sucede porém que a mesma relação por assim dizer 'se reproduz' sempre que outrem, seja padre ou pastor, passa a direcionar a sexualidade alheia. Também aqui, por meio de uma continência ou de uma abstinência imposta (Na qual muitas vezes não se vê o mínimo sentido.) por uma autoridade externa, estabelece-se uma relação de dominação e poder, mesmo porque, quem admite ser guiado externamente quanto a própria sexualidade dificilmente estabelecerá limites ou fronteiras quanto a qualquer tipo de controle externo, concedendo em ser dirigido por completo i é quanto a todos os setores da vida. Uma pessoa dominada por outra quanto a todos os setores da vida, tendo abdicado de sua liberdade, converteu-se num boneco ou numa marionete.

Voluntariamente assumido por uma pessoa adulta a Continência ou o Celibato podem ser libertadores  e contribuir no sentido de constuir-se uma personalidade heroica, no pleno sentido da palavra. Já dissemos: Controlar, dominar ou gerenciar a concupiscência ou pulsão (Impulso) sexual, transferindo esta energia para outro setor qualquer da vida e escapando a neurose, é quase uma obra divina.

Abdicar artificialmente da sexualidade por imposição externa, além de ser a porta de entrada da neurose e da insanidade, pode estabelecer uma relação desigual de poder e assim dar vezo a um controle moral, econômico, social e político. Generais, técnicos de futebol, demagogos politiqueiros, patrões ambiciosos, etc sucedem cada vez mais ao charlatão ou déspota religioso, buscando impor a transferência de energia, e obter um time ou exército vitorioso ou uma maior produção de bens...

Felizmente patrões, técnicos, ideólogos, etc não dispõem do mesmo poder que os padres e pastores ou dos meios de um General. E o atleta, o proletário, o afiliado e mesmo o soldado (Fora da caserna) sempre poderão farrear e burlar ou mentir. Os líderes religiosos apenas podem possuir a alma e o coração do homem, mesmo quando o ameaçam com os míticos fogos do inferno... e é aqui que o controle obtém sucesso e se torna absoluto. Caso o lider decrete: Vocês, meus fiéis, transarão ou farão sexo assim e assado (Estabelecendo um roteiro ou receita em nome de Cristo), a situação esta decidida e aqueles que concordam sinceramente convertem-se em matéria plástica... como cera quente.

Nem se trata de chegar ao celibato ou a abstinência provisória absoluta. Basta que as formas sexuais sejam dadas ou definidas por outrem no sentido de permitido e não permitido. Admitido este tipo de moralidade temos o controle. Talvez por isto o Verbo Jesus praticamente não revindicou autoridade sobre a sexualidade humana ou apresentou seu Evangelho como um Kama Sutra, dum Deuteronômio ou de um Sahi (Hadith), recusando-se a fazer o jogo dos oportunistas e ambiciosos e confiando no poder da verdade. Quando leio o Evangelho, buscando mostras de controle sexual e falhando em encontra-lo, não poucas vezes consolida-se minha fé na Divindade deste Jesus que tem tão pouco em comum com os manipuladores de homens e demagogos.

Tornando ao tema em questão, depreende-se do quanto foi escrito e do fato segundo o qual, não possui a sociedade política sólidos e profundos conhecimentos psicológicos a respeito da personalidade humana, a ponto de, tal e como os pais e responsáveis, gerenciar a sexualidade alheia ou mesmo educa-la, impondo qualquer tipo de padrão comum ou coletivo. Os pais exercem tal gerenciamento por necessidade absoluta, dentro dos limites de seus lares. E cada lar assume um tipo de olhar, lei ou padrão distinto, não cabendo a sociedade ou ao poder político selecionar ou padrão ou julgar o tema. Mormente quando devem estes jovens obter a autonomia, fugindo inclusive a autoridade paternal. De modo algum poderia o Estado assumir este caráter paternal ou paternalista - a menos que o velho Filmer estivesse correto rsrsrsrsrs - apresentando-se como cuidador de um rebanho de adultos, aos quais pelo contrário convém dirigir todos os assuntos do Estado, desde que principiem por obter a autonomia que os caracteriza como pessoas humanas e não como vil rebanho de alimárias!

Alias a simples ideia implícita no projeto do Estado anti liberal brasileiro educar sexualmente os jovens, sugerindo-lhe modelos de conduta, já pressupõem a intenção de gerenciar e uniformizar e assim de dominar o futuro cidadão, convertendo-o em simples tutelado, impedindo-o de atingir a autonomia e consequentemente frustrando os ideais liberais e democráticos. É uma refinada e oculta forma de controle e opressão imposta por um governo híbrido ou amorfo, parte militarista e parte economicista liberal, inspirado nos modelos irracionais e sectários importados dos EUA.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Modelos estanques de Ética e teoria política resultante

John Gray - na Anatomia - em suas reflexões, insiste repetidamente na incompatibilidade irredutível de certos conceitos ético/valorativos como ponto de partida para a elaboração de sentidos políticos conflitantes. Há por trás disto a pressuposição instrumental segundo a qual as pessoas adotam uma determinada forma política com o objetivo de legitimar os valores que norteiam suas vidas. E não podemos duvidar de que a maior parte das pessoas assim procedam e julguem as teorias ou seus resultados concretos a partir de valores estanques e unívocos.

Diante disto a saída apontada por Gray, se bem o compreendemos, gira em torno de um ceticismo ou relativismo ético a que chama pluralismo. Pois ele julga que as pessoas prendem-se metafisicamente a um determinado valor e a visão política que dele decorre, julgando-as verdadeiras e passando a combater ferozmente as demais. O máximo que ele pode dizer é que essas pessoas devem tolerar as visões contrários ou opostas que procedem de valores divergentes.

Por isso ele condena veementemente não apenas o espírito jacobinista, que busca expandir belicosamente a ordem democrática, mas o simples espírito democrático que encara a ordem democrática como a única aceitável face a aristocracia ou a monarquia. Claro que ele sabe desvincular, com maestria a pura forma ou estrutura democrática dos Liberalismos Político e Pessoal, apontando para a boca do abismo - que é o formalismo vazio, e enfim para o fenômeno monstruoso do totalitarismo democrático, alias já presente em Rousseau, o 'Hobbes' da democracia...

Evidentemente que sua análise recorda, de longe, a análise estrutural, realista e funcional a que Aristóteles submeteu as formas políticas todas, buscando legitima-las teleologicamente através da meta do 'Bem comum'. Todavia não é menos verdadeiro, que o mesmo Aristóteles - aberto a aceitação de qualquer forma política - antecipando Platão, nas leis, e a própria organização da República romana, aponta o sistema misto ou republicanista como sendo o mais adequado a vida social.

Maquiavel no entanto, apelando a experiência faz duas declarações bastante interessantes. A primeira delas diz respeito ao reduzido número de exemplos históricos alusivos a bons monarcas. E se recorrêssemos a Voltaire, ele nos diria que até mesmo as páginas da suposta História sagrada ou da monarquia controlada por deus (de Judá e Israel) não faz exceção a regra... Para cada Pedro II há centos de Hitleres, Timures, Stalines, Ivans, etc O que nos ela a tese do poder absolutamente corruptor...

A outra alegação é até mais filosófica. O povo ou a multidão, correspondendo a diversos cérebros, via de regra, decida melhor e governa melhor, desde que educada é claro. Devemos convir com Aristóteles, Ortega y Gasset, Patrizi e outros em que a Oclocracia ou governo das massas incultas e bárbaras seria pior do que o governo aristocrático ou nobiliárquico. Assim, caso tenhamos de escolher entre "O domínio só da nobreza e o domínio somente da plebe, que o governo fique nas mãos da nobreza e não da plebe.". 

A bem da verdade não há mesmo receita de bolo ou bula de remédio para o problema das formas políticas. No entanto a prudência e a razão parecem recomendar ou a policracia de Atenas ou o regime misto - republicanista - da Roma anterior a César.

Sou até levado a concordar com Gray e antes dele com Guicciardini no sentido de que outras culturas e sociedades conservem as antigas formas monárquica ou aristocrática até que a consciência democrática surja a partir delas mesmas. O problema aqui é mostrar-se tolerante com a instalação de regimes tirânicos ou despóticos em sociedades que conheceram ou conhecem as formas democráticas. Claro que as formas democráticas por si só não são perfeitas. Há o problema latente do economicismo, por exemplo. De modo que nossas formas democráticas carecem de uma orientação ética, a qual lhes apure e depure. No entanto a precariedade das mesmas não justifica sua substituição por formas totalitárias ou ditatoriais. A solução deve dar-se no sentido oposto - por mais democracia e menos pressão por parte do poder econômico.

Seria pedir demais aos cidadãos conscientes, herdeiros do pensamento de um Cícero, de um Mussato, de um Latini, de um Marsiglio... que tolerassem o desabrochar e o florescer de principados autoritários no berço das democracias antiga e moderna. Olhar o agonia, a crise e o colapso das formas democráticas ocidentais com indiferença constituiria para muitos de nós uma traição, senão um sacrilégio e é aqui que não podemos acompanhar Gray em seu comodo relativismo, já ético, já político. Mesmo admitindo o papel da consciência social ou pessoal nós encaramos o exercício da liberdade como um valor ôntico ou essencial, mesmo quando assumimos a doutrina da liberdade negativa ou instrumental i é para a verdade. Pois como disse Valera a democracia é justamente isto - Um terreno livre de todas as peias, a partir do qual podemos exercer uma atividade livre, embora toda atividade tenha um fim e o fim da atividade intelectual seja a Verdade e o fim da atividade ética o Bem.

A parte construtiva de Gray - Mesmo admitindo que ele não percebe no bem, na verdade e na beleza, nada mais que convenções - (E ela é atual) diz respeito a nossa visão estanque, compartimentada ou desarticulada de virtude. Erro cabal mas comum a Humanistas e a Cristãos... com a decorrente cristalização do sentido político. O analista conservador, de modo geral, seleciona, argutamente três valores perfeitamente distintos. Assim a Liberdade, a Paz e a Justiça, declarando que nossa civilização não cessa de contrapo-los uns aos outros, construindo sentidos políticos contraditórios que vivem a se chocar...

Deve, creio eu, ter lido a análise penetrante do florentino. Maquiavel - com a sagacidade que lhe é peculiar - já havia relacionado a opção radical ou prioritária pela Paz com o modelo conservador e assim com derivativos em torno da estabilidade, da tranquilidade, da imobilidade social, etc em torno dos quais constroem seu ideário. Do outro lado situa os partidários da Liberdade - Liberais Políticos ou Pessoais - os quais em nome da própria dignidade estão sempre postos a sacrificar os derivativos acima, não recuando mesmo face ao conflito, a violência, a força, ao tumulto, a instabilidade, sempre que necessário for. Não prezam como dizem uma paz de escravos ou a porção do cão acorrentado a parede.

Gray - e nós com ele - acrescentaria, a visão de Maquiavel, um terceiro grupo, os partidários da justiça ou progressistas ou ainda - caso levemos em conta que Platão era justicionista - reacionários/progressistas (parece paradoxal mas não é). Estes concordam com os Liberais no sentido de sacrificar a paz as exigências da justiça, admitindo pagar tributo a insegurança, a instabilidade, a confusão, etc caso seja necessário. Mais, alguns deles - os totalitários e despóticos - admitem inclusive sacrificar a própria liberdade as exigências da justiça. Assim os radicais.

Ambos os grupos em questão concordam que a paz não pode ser encarada como valor supremo. A ponto de abraçarmos com fervor uma paz indigna ou injusta. Claro que a paz deve ser estimada ou prezada, mas apenas até certo ponto. É a paz um valor derivativo ou relativo, que deve sempre estar conectado com a liberdade e com a justiça, os quais estão bem mais próximos do absoluto.

Será este o sentido do Evangelho ou de Jesus Cristo. Muitas vezes apresentado como pacifista radical, a semelhança de Tolstoi, Gandhi ou Thoreau. É indubitável que Jesus amasse a paz e a tivesse em conta de importante valor. A ponto de inclui-la nas bem aventuranças. E quanto a esfera da vida pessoal ou provada de sancionar a não violência ou a não agressão, além de condenar terminantemente a vingança. A questão é se ensinou-nos já na vida pessoal já na vida social a suportar uma paz indigna ou injusta em nome da religião.

Aqui parte das pessoas costumam sair-se com o texto clássico do 'dar a outra face...' e o exagero oposto é toma-lo por metáfora. Dar a outra face é de fato uma ênfase, no sentido de jamais dar vasão a cólera e exercer a vingança. Não esta contra V Ihering, quando declara que buscar a justiça face a uma agressão qualquer faça parte de nossa própria dignidade. O Cristão agredido ou prejudicado na esfera da vida pessoal sempre poderá ou deverá recorrer aos magistrados ou ao tribunal, pois não é isto vingança e sim demanda pela justiça.

Agora em que me baseio para dizer tais coisas? Acaso não estarei fugindo a tradição, livre examinando como Lutero e transtornando, criminosamente, o sentido da palavra de Cristo? Não, não fugimos ao Evangelho, mas recorrendo as ações ou ao exemplo de Nosso Senhor podemos compreender melhor o sentido de suas palavras.

Assim quando é esbofeteado pelo oficial do sumo sacerdote, Jesus não fica calado, mas replica: Se mal falei, demonstra; mas se bem falei porque me bates? Como quem demanda por justiça, mesmo sem saber que não seria atendido. Mas se sabia que não seria atendido porque demandou? Para dar-nos exemplo. Para dar exemplo aos que haveriam de crer e estimula-los a perseguir a justiça!

É como dissesse: Se eu falei algo errado tens razão em bater-me, mas se eu falei a verdade com que direito me bates?

Esta embutido nesta pequenina frase a própria definição de justiça: Dar a cada um o que lhe convém. Assim punir o que mente e premiar o que declara a verdade!

Podemos declarar que a justiça faz parte do Evangelho, e a demanda, e o clamor pela justiça, tal e qual o apreço pela paz. E nem pode ser Jesus a favor de uma paz social que seja injusta. Justiça e paz devem abraçar-se e caminhar juntas.

Assim a liberdade. Posto que Jesus reconhece o direito dos hierosolimitanos que se recusavam a crer nele, além de declarar ter se manifestado para tornar o homem verdadeiramente livre. Não falsamente livre ou livre pela metade apenas. Claro que a liberdade parte antes de tudo do interior do homem e por isso diz Jesus que o ímpio pode tirar-nos a vida mas de modo algum atingir a alma e contamina-la. Fica de algum modo assente que também o ambiente externo, o mais condizente com a condição livre do homem, deve facilitar ou promover esta liberdade externa e por isso o Império romano procedia com dolo ao martirizar os primeiros Cristãos.

Disto se segue que a liberdade também é valor precipuamente evangélico, que acompanha o espírito, e onde há espírito há liberdade e não há espirito sem liberdade.

Temos assim que a proposta do Evangelho não se cristaliza em torno de um destes valores apenas, qual fosse estanque ou unitário, com a exclusão dos demais, mas conecta-os organicamente uns aos outros ou articula-os hierarquicamente. É uma visão harmoniosa, não sectária ou radical.

É a paz qualidade preciosa, mas relativa ou seja sempre que associada a realização da liberdade e da justiça com a exclusão das quais perde seu sentido e se torna indigna. Por isso os Cristãos buscam sempre e antes de tudo resolver os problemas da liberdade e da justiça pela via democrática, legal ou institucional, não deixando inclusive de exercer a desobediência cívil de Thoreau caso necessário seja e em seguida de rebelar-se e de exercer a violência - nos mesmos termos de G Sorel - caso seja necessário. O que deve ser feito sem mínimo constrangimento. Tal a clássica doutrina da guerra justa e a doutrina consequente da justa rebelião e do tiranicídio. Tudo isto é doutrina Católica, Ortodoxa e clássica, assente na nossa tradição e na alta teologia.

Partimos de Marsiglio, Mussato, Latini, Salutati, etc passamos por Tolstoi e Thoreau, mas, se preciso chegamos a Sorel. Pois não admitimos paz de escravos, servil ou indigna.

Após a paz segue a liberdade. Não como fim em si mesmo - a própria atividade não é fim em si mesma - mas como via de acesso a Kalokagathia. Embora não constitua a Liberdade um fim em si mesmo, constitui um precioso valor pelo simples fato de corresponder ao curso natural em que nós, seres humanos, devemos nos desenvolver. A liberdade é nosso caminho e não podemos prescindir dela o negocia-la. Por isso os que costumam isola-la e opo-la a justiça com o objetivo de nega-la cometem um erro terrível. Optar entre liberdade e justiça será sempre um falso dilema. É necessário conserva-las ambas, e onde falta a justiça, combater por ela, sem jamais suprimir a liberdade.

É assim a liberdade necessária. É valor necessário mas não suficiente e não nos podemos satisfazer com ela caso falte a virtude mais excelente em termos qualitativos e propriamente divina, que é a justiça. Deus não é livre. E não pode deixar de ser justo.

Assim a mesma relação da paz com a liberdade se reproduz na relação da paz com a justiça, devendo a paz ceder. E o Cristão amando e cultivando a paz; e repudiando a agressão, não se torna pacifista ou ao menos pacifista crasso. E sendo assim jamais será conservador. Exceto se a sociedade a ser conservada for livre e justa e se os valores da liberdade e da justiça realizarem-se nela, do contrário...

Será o Cristão ou o humanista racional, Liberal e sempre Liberal, especialmente quanto a politica e a ética (religiosidade). Como seja justicionista, solidarista, comunitarista, socialista pelo simples fato de jamais perder a noção do outro e alienar-se dele. Será solidário, jamais egoísta. Assim os termos liberal e social ou socialista, se bem compreendidos não se excluem, se articulam e completam.

Portanto não há este homem de escolher ou de optar entre qualquer dos três valores mas de cultiva-los justos, organicamente. E de construir um sentido misto - Liberal, Social e quanto possível em conexão com a paz ou pacífico. Pacífico sem ser pacifista, social sem ser totalitário ou comunista e liberal sem ser economicista ou capitalista. Situará a comunhão no plano da economia, o liberal no plano da política e a paz como objetivo prático.

Destarte não precisaremos relativizar, com grave risco, tais valores, pelo simples fato de podermos coordena-los.

Relativizar a justiça ou a ética como costumam fazer or teóricos do direito puro, como Kelsen e Ross, equivaleria a negar a lei natural e a solapar os fundamentos do liberalismo pessoal e político, dando-o por meramente convencional. Relativizar a liberdade reforçaria ao máximo a negação acima. E o resultado disto tudo seria fortalecer o Estado, alias e inclusive, totalitário e despótico, até chegar ao absolutismo, ao direito divino, a servidão, ao escravismo, ao nazismo e a outras tantas culturas de morte, venenosíssimas, sempre.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Conhecendo o outro lado de Juan Valera - O Pe Francisco Vitória OP


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Há muito que se falar sobre a Espanha e sua literatura ou da Espanha enquanto produtora de conhecimento.

Lamentavelmente a reputação da Espanha tem sido amplamente obscurecida em função da Leyenda negra.

Nada mais falacioso do que a produção historiográfica protestante, fonte de inúmeros mal entendidos ou mesmo de inverdades. Mesmo quando assumida por positivistas apressados não se torna ela neutra. Continua sendo anti romana ou Católica, anti medieval, anti latina, anti hispânica... e por ai vai.

Construíram os ingleses e seus sucessores N americanos suas historiografias em ambientes ideológicos bem definidos em termos de centralização de poder, afirmação do capitalismo, construção do nacionalismo e para eles tudo quanto cheira a descentralização do poder, comunitarismo/solidarismo/socialismo, cosmopolitanismo ou sentido católico lhes é pura e simplesmente incompreensível senão diabólico.

Estão encarcerados na prisão da cultura embora apreciem julgar com tanta afoiteza a Antiguidade, a I Média, o romanismo, o Catolicismo, o latinismo, a hispanidad, etc

Isto é até certo ponto natural.

Exótico é que os latinos, os hispânicos, os Católicos, os humanistas, etc assumam tais vícios, fazendo 'mea culpa'... Estranho é que nós incorporemos tais críticas infundadas, preconceitos, tabus, etc após te-los recoberto com uma camada de verniz positivista - Isto para sermos ainda mais ridículos.

Negamos que o homem seja imparcial em seus juízos de valor. E aplaudimos os juízos de valores protestantes como imparciais...

Os protestantes, para bem ou para mal, construíram outra Sociedade ou Cultura, que é pós medieval. Não podem portanto apreciar a I Média com a dita isenção de juízo acalentada por Ranke... Porque o padrão a que recorrem são seus próprios princípios e valores. O homem antigo ou medieval tinha outros. Julgamos estes homens por seus próprios princípios e valores ou abste-mo-nos de julga-los - fazendo mera crônica... Nem mais nem menos.

No entanto já o véu vem sendo despedaçado - muitas vezes pelos protestantes mais honestos e esclarecidos outras por autores insuspeitos ou descomprometidos com o papismo ou com o Catolicismo a exatos dois séculos ou duzentos anos, desde que Henry Hallan, publicou seu monumental "The view of the state of Europe during the midle ages", obra que ainda hoje merece ser lida com atenção. Após ele tivemos Schrenurer, Denifle, Newman, Ganchoff, Bloch, Duby, Romilly, Le Goff, etc Paulatinamente a querida imagem maniqueísta construída em torno de uma 'Idade de trevas' produzida (quiçá intencionalmente rsrsrsrs) pelo papado (Tese de Maytland por exemplo) se vai mostrando cada vez mais forçada, inconsistente, ideológica ou mesmo panfletária...

O que se é para deplorar é a lentidão com que tais luzes atingem, mesmo o público seleto da Hispanidad e da Lusitanidade; particularmente na América latina e especialmente no Brasil, onde a tradição das trevas medievais e rigorosamente mantida não apenas pelos protestantes que a inventaram mas por Comunistas, Anarquistas e Liberais 'emancipados' ou seja por grupos teoricamente descomprometido. É fato sabido no entanto, que ao menos até o Vaticano II, tais grupos temiam muito mais a Unidade da Igreja Romana, do que a multiplicidade das seitas protestantes...  De algum modo eles optaram por atacar a igreja papa - e os Catolicismos de modo gral - com as armas embotadas produzidas pela reforma na medida em que a substituição da antiga pela nova fé tornava o Cristianismo tanto mais vulnerável. O Pastor com sua Bíblia ou melhor com sua Torá ou antigo testamento jamais foi temido seriamente pelos intelectuais naturalistas... Outro é o caso dos sacerdotes ou mesmo leigos esclarecidos, representantes da alta teologia Católica moderadamente liberal. Mesmo Dawkins é perfeitamente a cônscio quanto o problema, na medida em que classifica os representantes desta alta teologia como incoerentes e em que se recusa a debater publicamente com eles, voltando seus elogios - em torno da coerência - aos fundamentalistas, os quais costuma ridicularizar e esmagar sem misericórdia...

Compreenda-se que a crítica ideológica protestante produtora de historiografia tem sido assumida por diversos grupos 'interessados'.

Julgo no entanto que tais grupos deveriam pautar-se pela honestidade ou pela Ética. Ao invés de repetirem boatos e calúnias contra a igreja papa ou contra os Catolicismos de modo geral. Não é por ser Católico Ortodoxo que vou inventar mentiras e caluniar o papado. Tenho-o, evidentemente, em contra de construção humana ou natural e religiosamente como algo desprovido de significado ou como uma corrupção. No entanto como já dizia o Pe Vieira 'Justiça seja feita até ao Demônio'... Devo julgar o papado e todo fenômeno Histórico, assim a reforma protestante - de modo justo e equânime. Talvez seja impossível ser imparcial em termos de juízos valorativos ou mesmo quanto a escolha do material histórico a ser registrado. Sei apenas que ser ou tentar ser honesto é absolutamente necessário. Digo, não caluniar, não inventar e não repetir boatos acriticamente...

Já vimos que a historiografia medieval tem passado por uma necessária avaliação. Posto que até mesmo seu prosaico nome construído por Keller ou Cellarius - enquanto simples barreira ou espaço vazio entre a brilhante Antiguidade clássica e a formidável Renascença já indicava uma avaliação negativa, quiçá injusta. Não estou querendo negar com isto a patente superioridade da Atenas do século V a C, de Clístenes a Péricles, mesmo da Roma augusteana ou a ainda da Bizâncio do século IV, face a tudo quanto possamos sonhar em termos de I Média Ocidental.

Parte da I Média foi de fato um momento de 'franca' crise. De uma crise sócio, político e econômica que após o fim do Império romano chegou a ser cultural. Devido a inserção do elemento germânico. De fato não podemos exigir um continuidade cultural por parte da Europa Latina a partir do momento em que ocorrem as grandes migrações germânicas. As coisas não podem nem poderiam ficar como eram antes... Nem podemos julgar com equidade a Sociedade do século XIII sem apreciar que eram estes povos germânicos recém chegados ao Império no dealbar do século V. A comparação é absolutamente necessária pois somente a partir dela podemos aquilatar a obra formativa e educativa, da Igreja Católica - pelo menos até o século XI ou XII - e enfim da Igreja romana...

Sem a inserção desse sangue ou dessa força germânica não teríamos resistido a jihad islâmica do século VIII, e Carlos Martel é prova viva do quanto falo. Tampouco sem a incorporação destas culturas, desta força ou deste sangue pela Igreja Católica teria esta operação de resistência a um tempo e salvadora a outra, chamada Cruzadas, existido. E os minaretes se estenderiam de Palos a Berlim ou mesmo Oslo... Podemos devemos criticar os abusos e crueldades que envolvem as Cruzadas, sabendo que somos todos filhos seus e que foram absolutamente necessárias a seu tempo. A antiga Cristandade greco romana teria escrúpulos... Os recém chegados germânicos estavam melhor dispostos e sabiam que a Sociedade enquanto tal precisava defender-se e ser defendida.

Tenho de falar sobre Valera e a Espanha, mas veja por onde vamos em rodeios... Por isso minha falecida Mestra Izamar Alcover Loureiro do Amaral costumava a tratar-me por Domingos, o prolixo e também a profa Eliana...

Quero dizer que nós latinos, ibéricos, hispânicos, lusitanos... Introjetamos a quimera da lenda negra e construímos falsos complexos de culpa e inferioridade face a nossa cultura, que é, e digo-o conscientemente - Soberba. Já o veremos...

Após criticar os mitos e tabus forjados pela crítica protestante e partidarista, levo ao tribunal os místicos da Igreja romana... Sim, a Espanha, produziu e alimentou este tipo de espiritualidade que não hesito classificar como patológica. A ponto dos pobres Cristãos espanhóis se ufanarem duma riqueza aparente, assim de Tereza de Ávila (ademais uma mulher bastante sensata, mas não um gênio), esta nulidade chamada Juan de La cruz, e, a cambada esses Padres - Murillo, Salvany, Fuente de La Peña, Boneta, Sor Patrocínio, Donoso Cortês, etc bando de aleijões teológicos e de anões espirituais que tem deliciado as boas almas dos espanhóis... No entanto, dia após dia, o mal alimento regurgita e sai... E vai o Cristianismo, o romanismo ou mesmo o Catolicismo, sendo vomitado ou expelido por este bom povo... Com grave dano de sua cultura, construída sobre este fundamento Cristão Católico.

A situação se torna dramática pois ou tais pessoas se contentam com o que há de pior no romanismo ou no Catolicismo, assumindo essa mística deplorável ou desamparam sua própria cultura ao lançar fora a fé religiosa. Que na Espanha, já o veremos, produziu gênios de imenso calado...

É uma cruz. Pois mesmo quando os espanhóis - e agora reproduzo juízo de D Menéndez Pidal (cf El Pe Las Casas y Vitória, con otros temas... Austral, Madrid 1958 p 09 sgs) - reconhecem seus gênios nem por isso vão a fundo... Equivoco-me. Pidal é espanhol e tem discernimento. Espero que seus conterrâneos e todo Cristão, e todo Humanista, e todo homem interessado pela cultura, leia o volume de ensaios acima citado.

Longe de mim negar a grandeza do defensor dos Índios americanos, B de Las Casas. Foi homem necessário a seu tempo. E creio eu fiel e honesto, numa época em que não haviam estatísticas... Com razão, no posto em que se achava, tinha de fazer grande bulha ou berreiro. Pois almas vivas estavam sendo destruídas pela febre do ouro ou mesmo pelo fanatismo. E havia quem tomasse os pobres índios por Mouros ou maometanos bravos... B de Las Casas precisa gritar, berrar, apelar a figuras de linguagem poderosas, etc Foi ele como uma tempestade e cumpriu seu propósito.

No entanto aquele mesmo tempo, do outro lado do Oceano, retirado a soledade de seu mosteiro ou convento estava o cérebro ou a mente trabalhando. Seu nome Francisco de Vitória, nome que merece ser colocado ao lado dos grandes nomes que imprimiram certo curso a cultura na medida em que buscaram responder aos problemas de seu tempo.

E com absoluta e plena razão Ballesteros - Gaibrois define o descobrimento da América por Colombo como fenômeno singularíssimo ou melhor único (cf Séjourné; América pré-colombiana - Meridiano ante pag de rosto). Desde de que os gregos, com olhar diverso dos fenícios, exploraram o entorno do Mediterrâneo e mais além, jamais havia se dado tal encontro ou choque de culturas. Las Casas assumiu a defesa da parte fraca ou conquistada... Vitória foi o que primeiramente pensou naquele conflito, construindo uma análise que partia de Aquino, logo de Aristóteles e, consequentemente do conceito de Natureza. No entanto Vitória - como Aquino - tem plena consciência ou sentido de não ser um grego ou um romano mas de ser um Cristão, o que comporta outra escala de valores...

Este sentido ético Cristão corresponde a fé. Vitória aspira encontra-lo quiçá na natureza e, para tanto, por meio do próprio Digesto ou das Institutas, dá com as formulações postas pelos antigos estoicos. Os quais tinha estudado a variedade das culturas após as conquistas empreendidas por Alexandre na Ásia. Os estoicos mesmo sendo gregos, admiraram-se amplamente face a variedade das culturas. Mas, como herdeiros de Aristóteles e mais remotamente de Sócrates, encararam o desafio de encontrar algo de essencial ou comum e é exatamente aqui, que antes de ser descoberto o homem ou o liberalismo político/social é descoberta a HUMANIDADE...

E esta descoberta se vai afirmando no transcorrer do processo Histórico, agora sob o comando dos romanos e seu império. Pois os principais jurista do tempo, como Gaio, eram bastante afinados com o estoicismo. Sendo assim, a par do jus civile ou jus romano (post Caracala) - que era o direito da cidade, atribuído apenas ao cidadão romano - surge, a partir do citado Gaio o 'jux gentium', algo tão importante quando a roda, o arado, a moeda, o automóvel, o avião ou o computador... O jux gentium é encarado como natural e portanto como comum a todos os homens e racional ou dedutível a partir do elemento comum da razão. Pelo que chegamos ao direito natural ou a noção de Lei natural...


Foi deste manancial que Vitória abasteceu-se com o objetivo de refutar aqueles que assumindo um aristotelismo puro ou ortodoxo - como Ginés de Sepulveda, Juan Quevedo, Bernardo Mesa e Palacios Rubios, dentre outros - defendiam a inferioridade natural dos indígenas americanos ou mesmo sua irracionalidade, daí deduzindo a necessidade de escraviza-los e de fazer guerras 'justas' aos que buscassem defender-se... Salta a vista como esta doutrina vinha ao encontro de ambições econômicas, que os marxistas costumam apresentar como infalíveis... E no entanto não foi ela que prevaleceu no seio da Igreja romana ou mesmo entre os intelectuais cristãos espanhóis após o colóquio de Valladolid (1550).

Foi aqui que pela primeira vez se estabeleceu de modo inequívoco os direitos essenciais de toda pessoa humana. Ali que se forjou a alma do liberalismo político pessoal... Não em 1776 na Constituição N Americana... Não em 1789 na Declaração universal de direitos... Nem mesmo pela pena do grande Hugo Grotius simples repetidor dos jus naturalistas hispânicos. Toda esta tradição foi firmada na Espanha - na Espanha da Inquisição, é paradoxal - a partir do Dominicano Francisco de Vitória. É o Renascimento do Humanismo natural timidamente esboçado pelos antigos estoicos, agora levado as últimas consequências, escolasticamente, pois Vitória é um escolástico, e pai, e patrono dos direitos humanos. Mas ele não é e jamais será festejado - como Darwin, Freud, Weber ou mesmo K Marx - pelos cientificistas ou positivistas, pelo simples fato de ser um mestre de Ética, laborando em torno daquilo que eles, classificam irredutivelmente como subjetivismo. Para eles o gênio é Kelsen, teórico do direito puro... Daqueles que como Alf Ross principiam dizendo solenemente que Antígona não diz coisa com coisa, e que Creonte, legítima fonte do poder, esta com a razão... Razão que só pode ser absoluta por ser suprema. E a democracia formal não pode remediar as coisas enquanto mera estrutura a serviço de uma 'vontade geral' (aqui Rousseau) que pode ser tão totalitária e despótica quanto o Leviatã. De fato todos - Maquiavel, Hobbes, Rousseau, Kelsen, Ross e todos os teóricos do direito positivo ou puro encontram-se na negação de uma Lei natural no acesso da consciência pessoal, enfim na negação de uma justiça que não seja política ou estatal... E sabemos onde esta negação da justiça e da consciência chegará...

Por isso Vitória OP não será universalmente homenageado, embora sua doutrina - em que pesem possíveis abusos ou inversões - seja revolucionária (no quadro social em que veio a luz) e mais ainda profundamente humana e ética. Por incrível que possa parecer Vitória conheceu ou raro privilégio de ter tido colaboradores e continuadores tão dignos e competentes. Citarei alguns: Domingo Bañez, Domingo Soto, Gregório Lopez, Melchior Cano, Las Casas, José de Acosta, Juan de Mariana, Roberto Bellarmino e sobretudo Francisco Suarez ao qual Grotius copia sistematicamente. Verdade seja dito - foi Hugo Grotius (homem virtuoso e bom) um erudito vulgarizador, não um gênio criador, e nada disse que os espanhóis não tenham dito antes, desde Vitória.

Suarez,
autor do De legibus foi quem coroou os esforços do grupo, e enquanto Le Bret, Silhon e tristemente J B Bossuet reproduzem as frioleiras de Maquiavel, Lutero, Erastus, Tiago I - ainda mais amplamente divulgadas por Hobbes e Filmer - deduzia, a lei natural, o direito divino dos povos ou do povo. Havendo alias certa aproximação das formas democráticas inclusive... sem é claro os descalabros totalitários de Rousseau. Houve ensaios, discretos mas fecundos, de naturalismo político - sempre associado a uma inspiração ética Católica... Chegando Suarez a separar muito bem a política da fé e mesmo da moral pessoal, identificando-a com a administração do poder ou com o governo da sociedade tendo em vista o 'Bem comum'. Embora as esferas ainda estivessem ligadas ou articuladas havia um sincero esforço para dar ao político um conteúdo próprio ou seu, e assim uma Ética própria em termos de felicidade geral dos súditos. Maquiavel pode ter querido repudiar a certo moralismo tosco, e com razão... Fato é que ele, destruindo o falso moralismo, nada constrói em termos de ética, permitindo que um poder absoluto ou ilimitado concentre-se nas mãos do governante. Suarez busca por uma ética específica ligada a um conteúdo específico... é um construtor genial.

Lamentavelmente nossos latinos, ibéricos, espanhóis, etc não tiram proveito de nada disto... Ignoram supinamente o contributo de seus ancestrais a uma ordem social, política e ética que pode ser afirmada como universalmente relevante, na mesma perspectiva que a socrática e ainda mais vigorosa que o aristotelismo ortodoxo. Os espanhóis não apenas deram origem a uma Renascença humanista como partindo do jusnaturalismo lançaram os fundamentos do liberalismo político/pessoal e da teoria do poder popular, mais tarde assumida por Rousseau e obscurecida por seu totalitarismo e despotismo jacobinistas.

Que tudo isto tem a ver com Juan Valera?
Na segunda parte deste artigo veremos que ele é o outro homem ou espanhol genial, como - para muitos paradoxalmente - paladino de um Catolicismo tão belo, digno e esclarecido quanto o de seus predecessores Vitória e Suarez. Assim se você - apesar de Lutero, Zwinglio e Calvino terem sido bons assassinos - enche sua boa para dizer Torquemada... encheremos as nossas para dizer Las Casa, Vitória, Suarez... E se disser que a igreja papa produziu apelas entidades desequilibradas como Salvany e Murillo direi que também produziu um Juan Valera...


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Brasil - Paraíso das bundas inferno dos Museus...

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Greve geral do dia 28 de Abril, aderir ou não?



O folheto acima me foi enviado por uma ex aluna acompanhado por um pedido de esclarecimento.

Passo ao esclarecimento solicitado.

O qual dou a público tendo em vista o benefício geral de todos.

O primeiro aspecto interessante a ser assinalado é o anonimato. Faz-se uma acusação a qual no entanto não se assume... Agora sendo verdadeira por que não se assume?

Geralmente quem publica coisas desse teor é a FIESP, o MBL e outras organizações insidiosas, terroristas, criminosas, mafiosas, etc

As quais nada fazem além de tecer calúnias com o objetivo de enganar e dividir o povo, tendo em vista seus próprios interesses sórdidos.

Prossigo:

"É greve sindical"

Aqui é coisa assume ares de supina e clamorosa idiotice.

Em português diríamos ser redundância.

A exemplo da famosa frase: "Chover no molhado."

Afinal que greve é individual? Eclesiástica? Empresarial?????

Há mais de século toda greve é sindical... Pois são os sindicatos mesmos que organizam os trabalhadores e mobilizam-nos quando há situações de risco, em que seus direitos são ameaçados.

Pois caso os trabalhadores continuassem a trabalhar como ovelhas, recusando a paralisar suas funções, não tardariam a ter seus braços e pernas envolvidos por grossos grilhões e a ter de trabalhar de sol a sol debaixo de chibata!

Tem ou não tem coisa melhor para o patrão?

Não são escravos porque tem direitos e tem direitos porque lutaram por eles.

No mínimo fazendo boicotes, paralisações e greves com o objetivo de legaliza-los e garanti-los, e isto quando fazer greve era quase proibido e criminalizado.

Sabia que aqui mesmo no Brasil não poucos trabalhadores foram assassinados por fazer greve?

No entanto eles sabiam muito bem que patrão só sente mesmo é no bolso, quando a produção e consequentemente o lucro são ameaçados. É a única arma de que dispõem o trabalhador com que defender seus direitos e por sinal, uma das melhores.

Quanto aos sindicatos são organizações ou coletivos sociais como quaisquer outros, assim como entidades políticas, empresas, igrejas, etc E como tais sujeitos a abusos. Afinal qual organização de origem humana que não sofra abuso?

Temos um Congresso formado por biltres que ja mereciam ter sido não apenas depostos, mas processados, punidos e encadeados a muito tempo por seus crimes de peculato, corrupção, venalidade, etc

Quer algo pior do que o Parlamento Nacional brasileiro com centenas de deputados e senadores 'respeitáveis' denunciados por certo empreiteiro???

O que nos leva por sinal ao setor empresarial... Tido por muitos em conta de Santo. Mas que representa o outro lado da moeda. Pois se há quem corrompa, há quem se deixe corromper, e se há quem se deixe corromper...

Nada mais podre do que este Congresso cuja maior parte dos membros foi eleita com recursos oferecidos pelos 'honestíssimos' empresários em troca de favores, como leis destinadas a converter os trabalhadores em escravos...

Assim se os Sindicatos defendem os direitos dos trabalhadores temos no congresso um Sindicato Maior e pior destinado a defender os interesses dos patrões e empresários em detrimentos dos interesses da população e dos trabalhadores...

Que é esse Parlamento senão um sindicado ao contrário ou sindicado as avessas composto por biltres, canalhas, salafrários, argentários, corruptos... prestes a assaltar uma população indefesa e retirar-lhes os direitos e da dignidade até converte-la numa malta de pedintes e mendigos?

Para não falarmos nessas igrejas corruptas, presididas por charlatães, os quais além de viver de dízimos e ofertas ainda se mancomunam com esses empresários e políticos com o objetivo de abater o povo trabalhador. E cometem esses crimes em nome de Cristo!!!

Certamente que os sindicatos tem lá seus defeitos, que não são perfeitos, etc NO ENTANTO TENHO CERTEZA ABSOLUTA DE QUE, em que pesem os tais defeitos e abusos, NÃO CHEGAM NEM AOS PÉS - em matéria de patifaria - DE NOSSAS CÂMARAS municipais, estaduais e federais; com seus ladrões engravatados, DESSAS EMPRESAS QUE FINANCIAM A CORRUPÇÃO E O CRIME, E MESMO DESSES 'EMPRESAS' RELIGIOSAS, A QUE CHAMAM IGREJAS.

Do contrário Serra, Alckmin, Nunes, Caiado, Maia, Malta, Fortes, FHC, Maluf, Collor, Marcelo Oldebrechet, Everaldo, Feliciano, Campos, Malafaia e outros tantos batedores de carteira, mafiosos, canalhas, ladrões, traficantes, terroristas, criminosos, larápios, argentários seriam SINDICALISTAS e não demagogos, empresários ou pastores. Prova de que o que os sindicalistas tiram por fora - Se é que tiram e quando tiram - é como se diz, simples migalha, perto do que os outros marotos tiram quando escolhem milhão e tanto na cueca!

Caso sindicalismo fosse o babado, ou vaca em que se mamar na teta grande, todos os marotos que estão a mamar nas tetas do estado, das empresas e das igrejas, já teriam migrado a muito tempo para o Sindicalismo.

Portanto como, diante de um parlamento tão imundo e sujo, alguém se atreve a levantar o dedo mindinho contra os sindicatos e os sindicalistas?

'É farsa'

Só será farsa de o povo, enganado por seus opressores, não parar e sair as ruas.

Ai será farsa pior do que a de Inês de Castro.

Tomando o Congresso mais o TEMERário golpista, o povo por andadura... Bem a gosto da FIESP, entidade sinistra responsável por ter patrocinado o golpe.

Liderada pela CUT.

Evidente, ela é a Central Unica dos Trabalhadores... Entendem ou preciso soletrar?

Central Única...

Cabendo-lhe portanto convocar uma greve de tais dimensões.

E não sou eu quem há de questionar os atos da CUT partindo de sua idoneidade. AFINAL QUEM NO BRASIL TEM QUESTIONADO OS DECRETOS E LEIS PROMULGADOS POR UM CONGRESSO LADRÃO??????????

Preocupados com a idoneidade da CUT??????

E a idoneidade de um Congresso composto por mensaleiros da Oldebrecht - Alias um enxame de PSDbestas, PMBbestas, Democratas, etc, etc ,etc Uma chusma - quem questiona???

E quem se preocupou com a idoneidade do mafioso Eduardo Cunha, promotor do golpe destinado a derrubar a presidente legitimamente eleita?

Tinha a Dilma alguma culpa??? Não o sei... Não direi que sim nem que não.

No entanto fosse culpada que direito tinha esse Congresso composto igualmente por ladrões de atirar-lhe a primeira pedra?

Que direito tem essa malta de ladrões, corruptos, venais e celerados de julgar ou condenar a quem quer que seja?

Que idoneidade tem essa malta de pilantras?

Idoneidade alguma.

Portanto se alguém ousar perguntar sobre a idoneidade da CUT, temos de aconselha-lo: VAI PROCURAR A IDONEIDADE DO CONGRESSO!

E volta só no dia de S Nunca ou no 31 de Fevereiro quando encontra-la!

Temos ai não um Parlamento, mas o coração do crime nacionalmente organizado, e ainda tem que ouse espalhar panfletos contra a CUT???

"Suas coligações são militontos do Lula."

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Mais uma vez o aspecto ou fantasma do Lula assombrando o cérebro degenerado desses homens abjetos que sequer tem um pingo de virilidade para vir a público declarar que são contra os interesses do trabalhador brasileiro.

Destarte, para que o trabalhador, fique em casa enquanto seus direitos, bem como de seus filhos e netos são espinafrados por um presidente postiço e um Congresso composto por ladrões, saem-se mais uma vez com essa do Luladrão.

E a propósito a que vem o Luladrão sem o Aécioladrão, o Serradrão, o Nunesladrão, o Alckminladrão, o Cardosoladrão e outros tantos ladrões da oposição que ainda circulam livremente não só pelo Brasil mas no Congresso Nacional???

Serão santos os outros ladrões???

Chicaneiros e chicaneiras de plantão, é tão injusto manter um criminoso solto, quanto face a uma malta de criminosos clamar pela punição de um só, deixando os mais livres ou fingindo que não existem. Quando não cogitam em por um deles na presidência ou nele votar!!!! Sim porque votaram no ladrão Serra, votaram no ladrão Alckmin - Alias ladrão de merenda!!! - votaram no Ladrão Nunes... E ainda acobertam esses canalhas, lembrando-se apenas do Lula...

Se é mesmo para prende o Lula, não me oponham desde que prendam e encadeiem todos os ladrões do PSDB...

Nem vou eu mesmo rebater esses delírios obsessivos em torno do Lula.

Ladrão ou não, inocente ou culpado, corrupto ou virtuoso o Lula é odiado - Inclua-se a Dilma e o resto todo do PT - apenas por se opor aos interesses da FIESP e dos empresários, isto é a reforma da previdência, as privatizações, a reforma do Ensino Médio, a Terceirização, ao financiamento da propaganda política por empresas, etc. Eis o único motivo porque odeiam o PT.

Tem nada, nada a ver com corrupção.

Quem mais corrupto que FHC com seus 45 escândalos engavetados por um engavetador profissional e mega famoso por ter comprado a própria reeleição? Quem mais corrupto que o ladrão de merenda engravatado? Quem mais corrupto que o idealizador do rouboanel? Quem mais corrupto que o pentadelatado das Minas Gerais????

Corrupção é que não falta na 'oposição'...

Corrupção sobeja e sempre sobejou neste pais para lá de quase Trinta anos!

Não toca a corrupção... Apenas palavras vãs ou discurso pra 'inglês ver'.

Do contrário não conseguiriamos dormir ouvindo panelas batendo. Mas quem ouve?

A questão aqui, desde o começo, foi econômica. O golpe foi deflagrado por considerações de ordem trabalhista ou financeira: Satisfazer as aspirações acalentadas pela FIESP, a saber, a demolição da CLT e o restabelecimento da privataria... Nem mais nem menos!

Eis porque após a derrubada da presidente, elaboraram de imediado uma pauta neoliberal em tudo oposta aos interesses populares e destinada a exterminar os direitos dos trabalhadores, sabotar a educação, restringir as liberdades e garantias dos cidadãos, pilhar nossas riquezas, sujeitar o pais a dominação estrangeira, etc Nada de novo debaixo do sol... Tudo muito trivial e vulgar conforme a velha e embolorada cartilha do FHC...

A palavra de ordem aqui é fazer a República retroceder a Idade das Trevas i é aos anos 90 do século passado. E por a rés de chão tudo quanto Getúlio, Goulart, Brizola e outros heróis, legaram a esta nobre povo após tantas e tantas lutas.

Corrupção aqui foi e ainda é, como sempre, mera desculpa.

Não estão interessados nela, apenas em denegrir ou punir, como dizem o Lula.

Por isso seguem votando no PSDB, no PSDB, no DEM, no PSC e isto evidencia a falta de honestidade da parte deles.

Pois quem critica o roubo não deve roubar em ladrões.

A menos que o roubo se defina por senha: Apenas os trabalhistas roubam no Brasil, PSDB recebe doações e o Malafaia ofertas rsrsrsrsrsrs É muito cinismo! Cinismo demais!

É roubo porque PT. Quando PSDB rouba e FHC ou Aécio prevaricam, então não é nada... Nem se comenta, é como se ninguém soubesse, total indiferença. Aqui o roubo converte-se em virtude e as máscaras caem... Findou o espetáculo e começou o terror: A retirada dos direitos trabalhistas.

Passo então os verdadeiros objetivos da Greve geral de sexta feira, para que todos compreendam bem e cumpram com o dever ao invés de chorar e lamentar amanhã a desgraça dos filhos:





Ai está explicita e clara e pauta da greve.

Não Lula, mas OPOSIÇÃO CERRADA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E PRIVATIZAÇÕES!

Tal o objetivo, propósito, escopo desta greve. Nada mais necessário.


"CHEGA DE SUSTENTAR SINDICALISTA VAGABUNDO!"

Para que?

Pra sustentar empresário, patrão, chefe, industrial e banqueiro VAGABUNDO, PARASITA, CRUEL E SEM CONSCIÊNCIA???

Ai pode? Ai é bom...

E sustentar um Congresso vagabundo, cujos membros foram EXCLUÍDOS da reforma da previdência??? Para que continuem a se aposentar com trinta ou quarenta anos??? Em que pesem os privilégios, vantagens e benefícios de uma vida de parasitagem??? Sem falar nos roubos e venalidades???

Então eles ficam lá no bem bom, os marotos, locupletando-se as custas da sociedade trabalhadora, recebendo pensões e prebendas pagas pelos empresários, prevaricando... Enquanto o povo humilde paga a conta???

TROUXA DE QUEM ACEITAR PAGA-LA! TOLO AQUELE QUE NÃO CRUZAR OS BRAÇOS, SAIR AS RUAS E GRITAR A PLENOS PULMÕES CONTRA ESTE GOVERNO GOLPISTA, ILEGÍTIMO, ARBITRÁRIO E DESPÓTICO cujo único objetivo é satisfazer docilmente os interesses da FIESP e seus associados!

Infeliz de quem não sair as ruas para protestar contra esse ato criminoso e terrorista!

Vagabundos e parasitas estão ai ocupando as tribunas dos parlamentos, as mesas dos escritórios e os púlpitos das 'igrejas'. Eis onde se acham os vagabundos, canalhas, ladrões, argentários, safados, trambiqueiros, prevaricadores e corruptos!

O objetivo desta greve é o mais nobre, excelente, salutar, virtuoso e justo!

Impedir que nossos filhos sejam escravizados, nossas riquezas pilhadas, nossas instituições profanadas... Como foi nossa legalidade e nosso estado de direito por esse malsinado golpe, fonte de todas as desgraças subsequentes que se abateram sobre esta pobre nação!

O objetivo desta greve é opor-se a malévola reforma da previdência. Reforma por meio da qual você trabalhador e trabalhadora pagarão as contas desses demagogos enquanto degustam caviar mergulhados em leite ou champanhe... Reforma que agravando a miséria, aumentará a violência e atingirá a todos nós! Abriremos os olhos e contemplaremos aterrorizados o 'faroeste' do FHC - Porque aqueles foram tempos de faroeste ou coisa pior - ressurgindo do abismo!

Por isso urgem fazer greve, apoiar a greve, aplaudir a greve!