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sexta-feira, 16 de julho de 2021

As conquistas sociais do Bolsonarismo.


Enganam-se redondamente os que julgam que o Bolsonarismo nada fez crescer em nosso país.

Pois fez crescer:

# O índice do desmatamento e da degradação ambiental.

# O avanço da poluição e dos transtornos climáticos.

# O número de animais ameaçados de extinção.

# O grau de pobreza ou miserabilidade.

# As taxas de água e luz.

# O nível do desemprego.

# A inflação ou subida de preços, inclusive dos gêneros de primeira necessidade.

# O número de mendigos e sem teto.

# O grau de inabilidade quanto ao aparelho público de saúde - Demonstrado inclusive pelo manejo da epidemia do coronavírus. 

# O número de mortos por Covid.

# O índice da repressão a imprensa.

# A produção de fake news.

# O índice de violência policial.

# O índice dos crimes passionais.

# O índice de violência contra a criança.

# O índice de violência contra a mulher.

# O índice de violência contra os homossexuais. 

# O índice de violência e intolerância religiosa contra as minorias.

# O grau do negacionismo científico.

# O conteúdo ideológico da administração pública brasileira.

# A ignorância, já crônica entre as massas.

# O nível da corrupção que hipocritamente costuma denunciar e atribuir aos outros.

# A má reputação de nosso país em todo mundo civilizado.

# O número de militares na administração pública brasileira.

# Os lucros e consequentemente a fortuna dos pastores parasitas. 

# O número de ministros crentelhos.

# Os privilégios dos grandes empresários e multimilionários.

# Conjurações  e marchas anti democráticas.

# Crises institucionais.

# Ataques ao STF.

# Os insultos e baixarias advindos do Palácio do Planalto.

# Passeios de motocicleta.


"Contra fatos não há argumentos."



quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

O espectro do maniqueísmo estatólatra - Satanizando a dimensão sexual da vida...



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É necessário fechar as portas do totalitarismo... Tranca-las, trava-las com ferrolhos de aço, com os ferrolhos do liberalismo, não do econômico e dúbio é claro, mas, com os ferrolhos dos liberalismos saudáveis, do Liberalismo moral, do Liberalismo social e do Liberalismo Político, guardiões de nossa civilização, ou do que ainda resta dela.

Neste sentido toda e qualquer brecha ou fissura deve ser imediatamente denunciada e execrada, por mais inocente que pareça ser. Toda grade inundação ou avalanche começa com uma pequena rachadura ou com uma pequena pedrinha... a qual se vai abrindo, ou rolando, e tudo arrastando em seu percalço e semeando morte e destruição. Tudo no entanto começou com uma gotícula quase invisível ou com um pedacinho de cristal.

Como o menino da fábula há que se por o dedo no furo e ali ficar. Para salvar o dique ou a represa. Não podemos deixar de perceber o desprendimento da pedrinha, e de gritar - Alerta, alerta!!!

É sintomático e doentio que todas as atuais e indevidas intromissões do poder público ou do Estado nas vidas dos cidadãos e em nichos que devem ser regulados pela Liberdade pessoal (Como a moralidade) partam sempre daqueles que condenam as mesmas intromissões no campo divino ou sagrado da economia (Economicistas)... Aspiram estes senhores - demagogos ou fariseus - emancipar as atividades econômicas (Inclusive face a certas exigências ÉTICAS) as custas de outros setores da atividade humana, como a política, a moralidade, etc Até podemos avançar e declarar que boa parte dos liberais economicistas são, concomitantemente autoritários em política (E favoráveis a sistemas ditatoriais ou despóticos desde que canonizem suas opiniões econômicas), puritanos ou moralistas e não poucas vezes fanáticos e intolerantes em matéria de religião.

Engana-se redondamente aquele que faz dos liberalismos um embrulho ou pacote só. Pois as aspirações do Liberalismo econômico são totalitárias e absorventes. Já declaramos um bilhão de vezes - Há um terrível conflito entre os Liberalismos e o pivô é o liberalismo econômico - Prática falaciosa que aspira afirmar-se as custas dos demais liberalismos (essenciais) sacrificando-os.

Este conflito, facilmente negado - Pelos oportunistas do pacote - faz-se cada vez mais patente em todo nosso mundo ocidental, dos EUA ao Brasil, onde vemos os capitalistas unidos e associados não apenas a ditadores, déspotas, tiranos, militarizantes, autoritários e golpistas, mas também a massas e líderes religiosos fundamentalistas, cuja suprema aspiração é criar ou recriar estruturas repressoras e moralizantes nos moldes da Torá ou da Sharia e a partir delas dominar, oprimir e escravizar mentalmente os homens livres, privando-os de sua autonomia. Compreende-se que a religião, através da vida Ética, seja INDIRETAMENTE totalizante - nos princípios e valores éticos que afirma e propõem para seus seguidores. E nisto vemos um bem. Outra coisa é ser totalitária e aspirar servir-se do Estado com o sórdido objetivo de impor uma uniformidade moral, pautada em preconceitos absurdos. Monstruoso é o Estado, por meio dos falsos liberais (economicistas), que dele se apossaram por meio de uma estrutura democrática meramente formal, aproximarem-se deste setor obscurantista.

No passado acreditava-se que os liberalismos essenciais cairiam sob os golpes do Comunismo, do Fascismo ou do Nazismo... Ora percebemos que vacila sob os golpes do fundamentalismo religioso ou sectário (Sempre resistente ao éthos ou a orientação LIBERAL, essencial a vida democrática e fundamento seu), cada vez mais alimentado e apoiado pelos economicistas traidores do liberalismo, os quais querem um Estado mínimo ou policial apenas em termos econômicos ou de propriedade. Desde que possam 'Comprar e vender' - O termo pejorativo é de Confúcio - pouco se lhes dá que as massas ou o povo como um todo seja entregue como rebanho ou gado nas garras dos líderes religiosos sem consciência... Pouco se lhes dá que a Torá ou o Corão prevaleçam política e socialmente desde que se mantenham ricos ou em posse do poder.

A suprema ameaça enfrentada pelos liberalismos essenciais e por toda civilização ou seu projeto é esta sútil aliança entre o banqueiro, o deputado/presidente e o pastor, i é entre o poder econômico (Em posse do político ou no controle) e esta fermentação sectária que demanda por uma estrutura teocrática e, consequentemente, por uma sharia ou inquisição destinada a eliminar os dissidentes e a extinguir as diferenças, até uniformizar moralmente o homem, convertido já em escravo...

O objetivo agora - Pasme cidadão!!! - é queimar dinheiro público favorecendo um determinado ideal - Particular, jamais público! - de éthos sexual: A abstinência ou melhor a continência. Nada de novo debaixo do sol... Parte considerável da igreja romana sempre foi favorável a tal tipo de solução, mas, apenas uma parte ainda menor ou mínima, arvorou-se em dirigir os governos anteriores, tendo em vista esta finalidade. Em geral a igreja romana - fazendo uso de um direito que é seu - limitava-se a orientar seus fiéis quanto a esfera da vida pessoal. O que ora assistimos, trinta ou vinte anos depois, é a atitude concreta de apossar-se do poder público e de volta-lo para uma finalidade que a própria igreja romana, há mais de trinta ou quarenta anos, reconheceu como pessoal. É algo voltado para os partidários de tal e tal agremiação religiosa, não para os cidadãos como um todo. Uma vez que as concepções e valores sexuais são distintos e todos merecem - do ponto de vista social - a mesma tolerância.

Se não cabe a esfera da religião impor tais valores e tais práticas no contesto de uma Sociedade pluralista, menos ainda ao Estado pode caber tais aspirações!!! Não cabe a uma dada seita ou grupo religioso julgar uma sociedade política pluralista. Como não cabe ao poder político faze-lo, arvorando-se em juiz de moralidades distintas. Foi o governo constituído para velar pelo bem comum ou pela dimensão do comum, assim pelos imperativos da ÉTICA, pela interação e conduta social, etc não para interferir na dimensão privada das vidas de seus cidadãos. Sem que disto deixe de resultar a mesma confusão entre o público e o privado que alimentou - A não muito tempo - a prática anti liberal e anti democrática da censura e pouco antes dela as inquisições e autos de fé.

Penso e julgo que os cidadãos livres deveriam fazer algo de concreto face a tal abuso. Pleiteando junto aos meios jurídicos, últimos guardiães dos princípios e valores liberais... O que a cidadã Damares esta planejando nada é além de mais uma investida - A última foi contra a agremiação artística Porta dos fundos - urdida pelos fundamentalistas e fanáticos religiosos (Em geral bíblicos, calvinistas e pentecostais - Sempre com o apoio e imbecis úteis pertencentes as igrejas Ortodoxa e romana.). São eles os principais promotores desta nova Cruzada puritana ou moralizante bem a gosto dos E U A.

Aprovado esse tido de campanha não tardarão os moralizantes (Exportados pelo Sul dos E U A) a
avançar e ditar 'regras' a fala, ao vestuário, ao cardápio, etc até chegarmos ao modelo da Genebra de Calvino, o qual sempre pretenderam impor a sua pátria de origem - Sem que jamais obtivessem completo sucesso. Admitida uma intervenção esses urubus jamais recuarão, pararão ou se darão por satisfeitos. Até lançarem toda Torá pela guela desta infeliz república, convertendo-a em Califado bíblico protestante. Começarão, a princípio, idealizando outras tantas campanhas com o dinheiro público - Isto com o objetivo de criar entre nós (Ou de consolidar) uma consciência puritana ou moralista tanto mais agressiva. Serão campanha contra o Palavrão, a Masturbação, a Homo afetividade, as roupas curtas ou imorais, determinadas músicas ou danças até chegarem a abstinência de álcool, exatamente como nos E U A...  Em seguida eles tentarão impor tais costumes ou pontos de vista e opiniões por meio da lei.

Consiste isto em utilizar do erário com o objetivo de construir ou alimentar determinada consciência IDEOLÓGICA. Levado a cabo, hipocritamente, por um governo que se diz descomprometido ou não ideológico, apenas por não ser comunista rsrsrsrsrs Como se fosse o Comunismo a única Ideologia da face da terra... Enquanto o governo fiscaliza ou finge fiscalizar, arbitrariamente, uma única janela, entram ideologias muito piores (Inspiradas no Sagrado!!!) pela porta escancarada de um Estado muito pouco liberal.

Foi um ministro do STF que recentemente proferiu esta alocução imortal (Se bem que constante num autor como John Gray - Apud Anatomia): Estamos assistindo a uma manobra maligna, a construção de um Estado democrático não liberal ou anti liberal. Noutras palavras: Ao invés de avançar e construir uma democracia cada vez mais real e proativa como na Antiga Grécia, estamos implementando aquele modelo defeituoso de Rousseau (apud Nisbet), apenas uma casca ou carcaça de democracia, uma mera estrutura externa (Sem vida) ou formalismo. Um tipo de democracia como este, destinado a impor a vontade de algum grupo majoritário e a extinguir a liberdade não é democracia, apenas tirania exercida pela maioria, e em detrimento de direitos fundamentais.

Num momento crucial como este só me pode ocorrer e vir a mente uma figura.

A figura exponencial de um J S Mill. Espectro hoje - Para quem tem a felicidade de conhecer - mais ameaçador do que o de um Marx ou o de um Proudhon, quando penso Mill, penso Freud, Malthus, Peter Singer, Marcuse, Nearing... E alguns outros rebeldes seletos. Imaginem só, face a mística irresponsável e destrutiva de um capitalismo - C ujas aspirações parecem ser infinitas o valor de um conceito tão racional quanto "Economia estacionária". Foi cunhado por J S Mill há século e meio. No entanto Mill soube ir além e levar seus princípios as derradeiras consequências. Por isso Gray (Opus cit.) ousou declarar que ele aceitaria com absoluta naturalidade tanto a prática da Eutanásia quanto a da Homoafetividade como decorrências lógicas e necessárias de sua doutrina sobre a liberdade, alias, a que tem dado suporte a nossa cultura democrática e vivificado nossas instituições marcadas por guerras fratricidas, pogrons, golpes, censuras e inquisições.

A figura soturna e patética da Sra Damares oponho este colosso do pensamento humano chamado J S Mill. Isto numa Era preocupante, em que as massas tupiniquins principiam confundir Mill ou Ellul com Marx, liberalismo político ou policracia com Comunismo (rsrsrsrs). Alias para eles tudo é comunismo é os pastores ineptos só avançam graças ao espantalho do Comunismo, o qual falseiam e distorcem, apenas para apresentarem-se como nossos defensores...



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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Impeachment da Dilma



Certa parcela da população brasileira que é manipulada pelos meios de comunicação e pela falta de estudos, deseja ardentemente o impeachment da presidente Dilma Roussef. A Dilma pode sofrer um impeachment? Pode, desde que seja assaz comprovado que ela é corrupta, que tenha provas contra ela. Um mau governo não pode ser deposto porque não agrada a gregos e troianos.

Evidentemente que nenhum governo presta, porque governar é dirigir é mandar, é preciso lembrar que todo político é financiado por empresários que depois pedem o retorno daquilo que eles investiram.

O presidente da câmara autorizou as mulheres dos deputados podem viajar gratuitamente nas aeronaves do governo. Ninguém se revolta pedindo a cassação do mandato do Eduardo Cunha, ele que é evangélico e fanático e contra os direitos das mulheres, contra o aborto e tudo isso em nome de sua fé.

Qual é o perfil dos que querem a deposição da presidente da república? São fanáticos religiosos, com pouca instrução, são moralistas e ignoram a história e todo processo político. Apenas reproduzem o que veem por aí, até reproduzem notícias falsas de uma página reacionária.

A quem interessa o impeachment? Interessa à mídia venal que manipula certa parte da população, que deseja um governo mais dócil aos seus projetos. Interessa também aos demagogos que podem criar pretexto para depor a presidente e introjetar nas mentes das pessoas que elas foram atendidas, que a democracia existe e que o povo é soberano e isso deixará o povo anestesiado e feliz, além de que isso deixaria o povo com uma sensação de que a democracia funciona.

O problema da corrupção não é de um partido, o problema da corrupção é que esta é inerente ao sistema, e isso já foi analisado exaustivamente desde o século XIX e por todo o século XX e em várias partes do mundo por Bakunin, Kropotkin, Jean Grave, Tolstói, Sébastien Faure, Malatesta, Octave Mirbeau, Jaime Cubero entre outros. Sendo assim de nada adianta pedir o impeachment da Dilma, pois essa farsa da democracia representativa vai ficar mais forte, mais reacionária, mais nacionalista e mais corrupta porém as redes de televisão não mostrarão a verdade. De nada adianta trocar de partido ou de presidente uma vez que a corrupção é inerente ao sistema.




quarta-feira, 9 de julho de 2014

A copa das copas




Enquanto os governistas diziam que essa seria a copa das copas eu bem sabia que essa seleção não venceria, não chegaria ao final e olha que não entendo porra nenhuma nada de futebol. Eu desde o início fui contra essa copa porque o Brasil não perdeu hoje, o Brasil perdeu desde quando inúmeras famílias perderam suas casas para as construções de estádios de futebol e quando oito operários morreram em acidentes.

Fora essas tragédias promovidas pelo governo que lições a copa das copas nos trouxe?

1ª lição: Vaia à Dilma. Não, eu não sou governista como alguns idiotas e mal-intencionados me acusam. Mas a vaia à Dilma é tão somente porque esta pertence a um partido que posa de esquerda mas que na verdade é um partido reformista, cujo reformismo fica muito aquém do reformismo europeu com seu welfare state. Esses "politizados" que vaiaram à Dilma faz parte da classe média alta que considera o governo do PT como um partido comunista e ladrão. Sim, o PT é um partido corrupto, mas essa gente só acusa o PT de corrupção por pura cegueira ideológica.

2ª lição: Vaia ao hino do Chile. A vaia ao hino do Chile mostra como essa classe média anencéfala vê o mundo. Esse patriotismo de copa do mundo que surge a cada 4 anos e dura cerca de um mês, só produz esse tipo de gente degenerada que acha que está numa espécie de guerra e aí se acha no direito de vaiar o hino de outro país.E, tem gente que acredita que a Copa promove a solidariedade entre os povos... Isso só mostra como essa gente que sofre de nacionalite aguda é demente.

3ª lição: Xingamentos e ofensas ao jogador da Colômbia, o Zuñiga pelo Twitter: No jogo entre o Brasil e a Colômbia o jogador Zuñiga intencionalmente ou não fez com que o Neymar fraturasse uma costela e o tirou da copa. Por isso o jogador colombiano teve que sofrer insultos racistas por parte de brasileiros idiotas. Uma coisa é o jogador lesionar outro jogador e ser xingado pelo ato em si outra coisa é relacionar o ato de agressão pelo fato dele ser negro pois o racismo não atinge apenas o zagueiro colombiano mas todos os negros. Pois quando dizem que "só podia ser preto" essa gente diz que negro é mau, negro não presta e outras coisas do gênero. Mas em parte isso foi bom, porque mostra para todos os hipócritas que o mito da democracia racial no Brasil não existe e que os negros ainda são olhados como seres inferiores por uma grande parcela da população brasileira.

4ª e última lição: O patriotismo depende de ganhar ou perder a copa:  Eu não sou patriota e não gosto do patriotismo. Mesmo assim tenho que considerar que há patriotismos e patriotismos, há aqueles que são de momento, como o patriotismo brasileiro e há patriotismo como o dos estadunidenses que realmente levam à sério o seu país. Mas o patriotismo brasileiro é apenas uma caricatura do que seja de fato o patriotismo. Quando amar ou odiar um país depende de uma semi-final  de copa do mundo por aí se vê qual é o grau de imbecilização dessa parcela da sociedade brasileira e não há muito o que esperar desse povo.

De fato, essa foi a copa das copas porque acabou com o mito de que o Brasil é o país do futebol, é a copa das copas porque mostrou que o Brasil não é o país da democracia racial, porque a mentalidade da classe média é aquela mesma formada por seus pais e avós de que o reformismo é a mesmíssima coisa que um golpe comunista, etc..., mostrando assim uma classe média boçal que não sabe a diferença entre direita, esquerda, centro-direita e centro-esquerda entre outras posições. E essa é a copa das copas porque eu sou brasileiro com muito orgulho e muito amor até que o Brasil perca um jogo decisivo. É isso, nós brasileiros somos uma nação de comediantes.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Uma entrevista com Noam Chomsky







No texto a seguir limito-me apenas a reproduzir a introdução e a entrevista feita a Noam Chomsky.

Os anarco-sindicalistas e o Estado: proteger-se das feras ou do domador?

Linguista de renome internacional e militante libertário midiático, Noam Chomsky interessou-se pelas relações entre o movimento sindical revolucionário e o Estado. Propomos aqui a tradução de um fragmento de entrevista que ele concedeu aos nossos camaradas da Anarcho-Syndicalist Review.
Nossa iniciativa não se inscreve na atual "apologia" de Chomsky, mas na preocupação de propor uma análise contraditória e esclarecedora dos debates que atravessam nosso movimento. Conquanto situando sua análise em nível da intervenção estatista em geral, esse ponto de vista merece um amplo espaço, bem como as reações que essa entrevista suscitou e das quais publicamos um exemplo em complemento.

N'autre école, nº 2, inverno de 2003

Anacho-Syndicalist Review: Várias vezes no passado você se posicionou a favor de um apoio limitado e tático aos governos e ao Estado, em certas situações. Esse apoio temporário teria por objetivo assegurar a proteção dos cidadãos perante os predadores ainda mais temíveis: as multinacionais. É a teoria da "expansão da jaula". Temos várias questões concernentes a essa posição. Primeiramente, é possível apoiar, de um lado, as "boas" funções do Estado (por exemplo, a proteção social e o Estado providência), sem reforçar ao mesmo tempo sua função negativa (repressiva). O estado é a mais segura das proteções frente ao poder do patronato? A maioria dos Estados "modernos" não é controlada, domesticada pelo mesmo patronato que você gostaria que fosse vigiado (controlado) pelos Estados? Você se preocupa com a ruptura entre o fim e os meios que o apoio aos governos implica? Enfim, em relação à teoria anarco-sindicalista, quais são as implicações de sua análise? Por exemplo, você pensa que a oposição tradicional ao Estado, princípio fundamental do pensamento anarquista, considerado como imutável, deveria ser revisto? Ou então, trata-se apenas de uma contorção temporária e estratégica, a exemplo de uma anomalia na teoria do desenvolvimento científico que, no final das contas, deixa intactos os princípios essenciais da análise anarquista do poder?

Noam Chomsky: Antes de mais nada quero precisar a origem exata dessa teoria da "expansão da jaula". Não sou seu inventor. Ela foi criada pelo movimento operário brasileiro. Os operários brasileiros tinham várias escolhas. A primeira era a de submeter-se completamente a um poder particularmente brutal. A outra solução que eles poderiam considerar era tentar ampliar o âmbito no qual podiam agir e transformá-lo em algo diferente: embora permanecendo conscientes de que estavam encerrados numa jaula, que era e permanecia uma golilha opressiva. Agora, digam-me, qual anarquista sincero veria um problema em tal escolha? O que quero dizer é: vocês permaneceriam num sistema em que a opressão é cada vez mais acentuada em vez de obter direitos, e utilizar suas vitórias como as raízes de novas conquistas? Vocês não prefeririam descobrir os meios que conduzem às vitórias e escapar desse sistema? É impensável para mim que se possa defender o contrário; não penso nem mesmo que isso seja levado em consideração. Tomemos um exemplo concreto: o governo americano. Ele pôs em prática, enfim, ele foi obrigado a pôr em prática e aceitar as condições das leis do OSHA(Administração da saúde e da segurança no trabalho), não se tratava de um presente ofertado pelo Estado. Ele aplica muito pouco essas leis, mas às vezes é obrigado a isso. E quando é obrigado a aplicar essa legislação, isso geralmente salva vidas. Sob o governo Reagan, as leis cessaram de ser aplicadas e o número de acidentes aumentou enormemente, quase triplicou. Vocês se lembram da greve dos trabalhadores de Aluminíos Ravenswood, há alguns anos? Eles lutavam, entre outros motivos, contra essa deterioração, o que lhes concernia em grande medida. A direção intervira para que os operários trabalhassem em equipes de dois nos altos fornos, onde se encontram os materiais em fusão a quase 2.000 graus Fareinheit. Condições tão pavorosas que alguns deles morreram. Tudo isso os levou a exigir a aplicação das leis relativas à saúde e à segurança no trabalho. Lock-out movimento de luta e, no final, vitória para os grevistas, ajudados por um apoio internacional impressionante. Mas o essencial foi a aplicação da legislação sobre a segurança e a saúde na empresa, para impor um sistema de multas insignificantes, que iriam se tornar, em seguida, muito elevadas:por exemplo, 250.000 dólares por ter violado essas leis. Sem entrar em detalhes, esse tipo de combate parece-nos condenável?
É a esse tipo de questão que somos confrontados todos os dias. Vivemos neste mundo, não em outro. É possível que desejássemos outro mundo, mas é neste que vivemos e se quisermos estar em fase com nossos semelhantes, se quisermos ser capazes de resolver seus problemas e que eles nos ajudem a resolver os nossos, devemos aprender juntos a ultrapassar nossa condição. Se vocês quiserem ser parte concernente deste mundo, devem aceitá-lo tal como ele é. Se o problema dos operários é que eles morrem por falta de respeito às leis, acontece que neste mundo só há uma instituição capaz de fazer com que elas sejam respeitadas: é o governo; ele pode agir assim, pois, precisamente, ele não é totalmente controlado pelas empresas. Evidentemente, ele é amplamente submetido a seu controle. Mas em nossa sociedade, o governo é, contudo, distinto da General Eletric. GE, na teoria e na prática, é uma tirania, e ponto final.Você não tem, enquanto indivíduo, nenhum comentário a fazer sobre sua organização e suas decisões. O governo, em contrapartida, ao menos no papel,e às vezes também na prática, está submetido à pressão popular e também pode ser obrigado a introduzir medidas como as leis sobre a saúde e a segurança no trabalho, que podem salvar vidas, e que, neste caso,conduzem a uma vitória significativa para o movimento operário. além do fato de que essas leis permitem salvar vidas, elas também permitem a chegada dos sindicatos no seio da fábrica etc...
Estamos em condições de recusar mecanismos suscetíveis de salvar vidas, melhorar as condições de trabalho, ajudar a compreender que ainda há muitos outros combates a travar?
Ao virem me visitar, por exemplo, ao tomarem avião, vocês legitimam não apenas o Estado, mas igualmente o Pentágono. Isso porque um avião comercial nada mais é que um bombardeiro levemente modificado. é impossível sobreviver em nossa sociedade sem colaborar com as instituições que a constituem. Poderíamos declarar que as preocupações cotidianas das pessoas não nos interessam, que um metalúrgico se faça matar ou que uma mãe pobre morra de fome por falta de tickets de alimentação. Não nos interessaríamos por elas porque ter uma reação significaria que utilizamos os mecanismos em vigor bem como a única instituição em ação, sujeita aos controles e à influência popular? É verdade, podemos adotar essa postura, mas então devemos parar de fingir ser parte envolvida nas lutas pela emancipação e pela liberdade, porquanto não contribuímos para isso. Talvez seja uma brilhante teoria para exibir num colóquio universitário ou durante uma conversação anarquista. Mas é simplesmente indefensável no âmbito da luta pela defesa dos direitos, da liberdade, e do ataque das bases da autoridade. Se vocês lutam por isso, não creio que haja outras escolhas além dessa.

Anarcho-syndicalist Review: Isso seria a prova de que você considera a teoria anarquista sem validade? 

Noam Chomsky: Não, creio apenas que nenhuma teoria anarquista poderia negar isso. Não posso imaginar Kropotkin, Bakunin ou Rocker declarando: "Não, recusamos que seja posta em prática uma legislação sobre a saúde e a segurança que permita salvar a vida de trabalhadores porque isso reforçaria o poder do Estado".

Fonte: Libertários - revista de expressão anarquista - São Paulo nº 2.  2º semestre de 2003, páginas 26 e 27

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Eu exonerei do meu cargo de professor de geografia




Algumas pessoas ficaram surpresas com a minha declaração de exoneração do meu cargo de professor de geografia do estado de São Paulo. Eu exonerei por vários motivos: baixa remuneração, muita cobrança, pouco ou nenhum reconhecimento, alunos que não querem aprender, isto é, em sua maioria, alunos mal-educados e uma categoria totalmente desunida que é a categoria dos professores.

Passei no último concurso para professores do estado de São Paulo, fui  convocado fiz o curso da EFAP e uma segunda prova, assumi meu cargo como professor, trabalhando por 4 meses, numa carga de 24 aulas, fora as aulas que eu tinha que preparar em casa, preparar provas e correção das provas. Uma verdadeira escravidão, só quem está em sala de aula sabe. São salas superlotadas, os professores tem que fazer chamada quase berrando porque os alunos conversam ao mesmo tempo em que os professores, tem que chamar a atenção dos alunos, enfim se aborrece muito e se aborrece de tal forma que chega em sua residência esgotado.

Como o senhor desgovernador do estado de São Paulo não deu aumento e nem melhorou as condições de trabalho, e, como eu não quero destruir minha saúde física, nem minha sanidade mental, achei por bem me exonerar, até porque na escola não estou fazendo um papel de professor mas de palhaço, de babá, de carcereiro, de psicólogo dentre outras funções que não fazem parte dos deveres da docência.

Não sou professor para aturar má educação de alunos ou para aturar comportamentos inadequados, não. Sou professor para ensinar o que aprendi, sim, transmitir conhecimentos, e, desculpem-me os pedabobos que não gostam desse discurso, mas é muito fácil falar quando se é um teórico, quando se faz palestras, se escreve livros sem nunca ter pisado numa sala de aula. Deixo claro que aqui não estou falando dos grandes teóricos como Piaget, Vigotsky, Wallon, Freinet entre outros, estou falando dessa gente que ganha dinheiro às custas da educação, ensinando os professores serem professores sem que estes escritores tenham sido professores ou se o foram não mais o são.

Minha saída do estado tem vários motivos e o principal deles é dizer um NÃO contra os desmandos do Geraldo Alckimin e de seu partido demagogo, fascista e mentiroso, sim mentiroso pois nas propagandas diz que o PSDB investe na educação, é isso.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

19 de abril dia do índio




Hoje no Brasil é dia do índio, mas os indígenas não tem o que comemorar, tem sim  o que lamentar. Nossos índios também são vítimas do capitalismo e não há quem os defenda, na verdade há, mas os que os defendem muitas vezes não tem acesso ao poder o que dificulta sua defesa.

Os grandes latifundiários expulsam os índios de suas terras com as mais esfarrapadas desculpas e não são punidos, esses senhores que ajuntam terra á terra, são os verdadeiros criminosos, não respeitando as nações indígenas, e roubando-lhes tudo. Tudo isso em nome do progresso, do empreendedorismo e da"sadia competição do mercado". São desflorestamentos na Amazônia, rotas do tráfico de entorpecentes, são queimadas para transformar o lugar em pastagem e a expulsão dos nativos.

O homem branco "civilizado" pratica as piores barbaridades e ainda chama os índios de selvagens. De que adianta o progresso tecnológico sem ética? Melhor seria viver como os índios em sua simplicidade, respeitando a natureza. A tecnologia é boa, as conquistas que a civilização tem feito nos últimos 4 séculos são notáveis, mas isso de nada adianta se a ética via ralo abaixo.

A  FUNAI  (fundação nacional do índio) que deveria proteger os indígenas se mostra ineficiente em seu dever, é mais uma instituição para inglês ver do que para proteger nossos índios. Onde está o governo quando se precisa dele? Onde estão as forças armadas para combater aqueles que fazem de tudo para explorar e exterminar os indígenas?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Professor de matemática dá aula de criminalidade

Saiu hoje no jornal A Tribuna que um professor de matemática da Escola Estadual João Octávio dos Santos, no Morro do São Bento em Santos lecionou matemática usando como exemplo o tráfico de drogas, prostituição e porte ilegal de armas.

Fico me perguntando o que leva um professor que é funcionário público, pago pelo estado (tudo bem que o salário não é lá grandes coisas) com o dinheiro dos impostos do povo a incitar a criminalidade em filhos de trabalhadores. Por que fez isso? Por se tratar de uma área carente? Por ser uma escola estadual? Por não acreditar no potencial de seus alunos? Será que lecionaria do mesmo modo numa escola particular de elite?

Esse caso só vem mostrar como está baixa a qualidade do ensino público em São Paulo e por conseguinte em todo o Brasil. Mas isso é culpa tão somente desse mau caráter que foi colocado em sala de aula? Evidente que não. Com baixos salários, com violência por parte de certos alunos, com burocracia, sem plano de carreira, sem cursos de reciclagem e massacrados por seus superiores, os melhores professores tendem a sair da rede pública e migrar para as escolas particulares ou procuram fazer mestrado e doutorado para que possam lecionar em faculdades ou prestam concursos públicos para outras áreas que ganham mais e se estressam menos.

Se o governador desse aumento de salário digno para os professores, se proporcionasse cursos de capacitação reciclagem os bons professores não precisariam migrar para redes privadas ou para outros empregos do funcionalismo público. Os maiores prejudicados são os pais dos alunos que não podem pagar por um ensino de qualidade.

Pergunta que fica no ar: Esse é um caso isolado ou é apenas a ponta do iceberg? Jamais saberíamos desse caso se uma das alunas desse educador professor não mostrasse o caderno aos pais denunciando esse péssimo profissional.

Não menos culpados por essa situação são os pais que não sabem votar, pois caso soubessem votar não deixariam o estado de São Paulo na mesmice do PSDB que já está há dezesseis anos no poder sem dar a merecida valorização ao profissional da educação.

Com a valorização do educador, os maus profissionais não terão chances de exercer tão nobre profissão que é o ato de lecionar. Todas as desgraças que ocorrem no ensino público são apenas o efeito da política desastrosa do governo e da assembleia legislativa. Enquanto o povo não se conscientizar que educação é um ato político, o ensino continuará a ser o que é: lixo! Não quero dizer que não haja bons professores nas redes públicas de ensino, sim há, mas são poucos e cada vez menos por causa das condições humilhantes a que são submetidos.

Se os professores fossem valorizados teríamos um sujeito desses pervertendo nossos jovens?

Em tempo:
Assista a reportagem clicando aqui.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Professores ou babás elitizadas?




Faz um tempinho que não escrevo, mas isso acontece por eu ser um filho de Cronos e como tal devorado inteiro pelo mesmo, e não há Zeus para salvar-me desse impiedoso deus. Sei que algumas pessoas não gostam do que escrevo, não é para elas que escrevo. Eu escrevo para aquelas pessoas que se identificam de algum modo com o que eu penso, bem sei que elas partilham de meus pensamentos, porque os meus pensamentos também são os seus.

Feita esta breve introducão, quero hoje abordar o tema da educação. Não se preocupe caro leitor, eu não sou o Gilberto Dimenstein nem o Rubem Alves.
Uma ex-professora minha da faculdade e hoje minha amiga a professora Vera Lúcia Avim, mulher bonita , inteligente, elegante, etc... Sempre me alertou a respeito da educação e contava-me casos escabrosos ocorridos nas escolas públicas da baixada santista.

Entrei para a educação e vi e ouvi com meus olhos e ouvidos coisas inadimissíveis numa escola. Acontece que eu gosto de lecionar, gosto de ver os adolescentes aprenderem, gosto de ver seus olhos brilhando por uma nova descoberta feita por eles mesmos, apesar do salário ridículo que recebo, apesar da burrocracia burocracia escolar e das exigências com que os professores são sobrecarregados.

A Vera Lúcia, minha ex-professora mas não minha ex-amiga, sempre me diz que os professores são babás elitizadas e nesse ponto tenho que concordar com ela. Os pais não se preocupam com seus filhos, apenas os depositam no mundo e a escola que se foda vire com a responsabilidade de educá-los. Mas o professor não fez um curso universitário para ser babá, mas para lecionar: filosofia, história, geografia, matemática, ciências, biologia, física, química, etc... Caso haja alguém cursando alguma licenciatura não se iluda pensando que vai lecionar sua disciplina tranquilamente, porque não vai! Falo isso de cátedra.

Uma professora colega minha de trabalho contou-me essa história:

"Uma professora no fim do ano letivo foi cobrada pela secretaria municipal da cidade na qual trabalhava por não ter cumprido com o plano de ensino, seus superiores lhe disseram que ela não fez nada.
- Como eu não fiz nada? Eu fiz muita coisa por meus alunos. Eu os ensinei a falar como gente civilizada, os ensinei a pedir licença ao entrar e ao sair da sala de aula. Eu os ensinei a mastigar de boca fechada, a fazer uma fila certa. Ensinei-os a não resolver seus problemas por meio da violência. Ensinei-os a falar direito e a escrever com letra legível. Eu não fiz meu dever de professora, é fato, fiz mais, assumi a responsabilidade que competia a seus pais. Pois não se pode ensiná-los se nem sequer trouxeram o mínimo de educação de casa para a escola. Por isso, eu não devia ser castigada, mas premiada por meus esforços homéricos".

Não sei se a história é verdadeira ou não, o que sei é que tem um fundo moral e retrata bem a realidade vivenciada pelos professores. Eu não sou um professor, sou uma babá elitizada! Chic né? Talvez para os prefeitos e governantes, para mim isso é trágico e uma falta de respeito com quem tem o dever de formar homens de verdade para o futuro. Com esse sistema de ensino só formamos marionetes. As vezes conseguimos salvar uma ou outra alma, mas não é graças ao governo que não nos apóia em nada, mas graças aos nossos esforços sobre-humanos!