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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

EXTRA, EXTRA, EXTRA EVENTO IMPERDÍVEL E AULA DE HISTÓRIA INESQUECÍVEL TOTALMENTE GRATUÍTA SOBRE A ESCRAVIDÃO PROTESTANTE - NÃO PERCA!

 Vamos falar sobre Nathan Bedford, F Malan, Jerry Falwell e outros canalhas...


AS 20 HORAS!

Extra, Extra - A todos os interessados sobre História, História das Religiões, Sociologia, etc estaremos promovendo, como resposta a Live descarada do Lucas Banzoli sobre a escravidão papista, nossa Live sobre a escravidão protestante, com uma farta documentação... Aguardem para conhecer os arcanos vergonhosos de uma escravidão ainda pior do que as escravidões papista, judaica e islâmica, e o cúmulo da crueldade humana praticada em nome da 'bíblia' ou do antigo testamento, i é, a consequente, sacrílega e blasfema negação do Evangelho redentor.


Convidamos a todos - Protestantes de boa vontade, enganados por Banzoli e outros panfletários, Ortodoxos, apostólicos romanos, espíritas, budistas, judeus, deístas, agnósticos, ateus, etc de modo a que possam conhecer melhor ou com detalhes a verdadeira face dos 'eleitos'.

"ANTES DE SOPRAR O CISCO NO OLHO DO TEU IRMÃO, TIRA PRIMEIRO A TRAVE DE TEU OLHO." Jesus de Nazaré, no Evangelho.

"QUEM TEM TELHADO DE VIDRO NÃO LANÇA PEDRA NO TELHADO DO VIZINHO." Rifão popular.

Divulgue, espalhe, convide - Vamos salvar nosso querido Brasil do fundamentalismo protestante e juntos impedir que se converta num califado bíblico.

https://www.youtube.com/watch?v=0USV1aeEhu0

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Relativismo cultural: Histórico e confrontação

Posto o problema em seus devidos termos, urge identificar os principais responsáveis ou culpados.

Assim a ideologia que ora se converte em dogma, o relativismo cultural.

Refiro-me ao ponto de vista segundo o qual não se pode falar em culturas superiores ou inferiores. Devendo todas ser avaliadas como iguais.

Segundo essa opinião inexiste notação cultural, posto que tudo quanto é produzido pelos humanos é cultura.

Aqui o 'confusionismo' é evidente. Pois do fato de que tudo quanto seja produzido pelos humanos seja cultura não se segue que todas as produções culturais da humanidade tenham o mesmo valor...

Que toda a cultura produzida pelo ser humano tenha igual valor é algo que se afirma, mas que jamais se demonstra. É portanto um juízo de valor, demasiado subjetivo e arbitrário que a pós modernidade irracionalista aspira converter em dogma inquestionável, a ponto inclusive que criminalizar os oponentes.

É, repito, opinião indemonstrável e caprichosa, emitida por antropólogos como Franz Boas, R Benedict, M Mead, J Herscovitz e outros desde os primórdios do século XX e convertida, nas últimas décadas, em arma política, por parte de minorias ambiciosas, inspiradas por modelos religiosos totalitários.

Inútil argumentar que a Helade clássica produziu o esporte, o teatro, a Filosofia, os cânones da arte, a Democracia, etc enquanto que as antigas tribos israelitas nada produziram de equivalente. Ocioso alegar que a civilização cristã bizantina produziu um modelo de serviço social e assistência, enquanto que a Europa ocidental nada produziu de similar. 

Outros contrastes?

O reino de Angkor e os povos das estepes.  A Itália Renascentista e a França feudal do século XIV. A Bélgica romanista, guiada pelos sábios da Louvain e a Inglaterra do século XIX. Os países escandinavos do bem estar social e os EUA nas últimas décadas do século XX...

Para os irracionalistas, funcionalistas e pós modernos é absolutamente tudo igual. Assim o projeto islâmico para a Europa e o projeto calvínico/pentecostal para o Brasil e a vigência das instituições liberais do tempo presentes. Afinal, se tudo quanto existe são narrativas, e se toda verdade objetiva nos foge, como postular diferentes projetos sociais e políticos, estabelecendo uma escala de valores???

Em última análise é o relativismo social ou cultural fruto da epistemologia kantiana ou do ceticismo metafísico. Seja como for o temos de analisar atenta e profundamente, de modo a fazer-lhe oposição.

A primeira assertiva, alias, até certo ponto justa, é que não podemos comparar grupos ou sociedades que floresceram em diferentes espaços e eras. Quanto ao espaço, há certa lógica. Pois sem chegarmos a F Ratzel e ao determinismo geográfico, temos que admitir que o fato da Revolução Inglesa se ter dado na Inglaterra, cujo solo é, por assim dizer, um  pedaço de carvão, é bem mais do que uma coincidência. Tampouco podemos negar que os habitantes dos desertos, estepes e montanhas sejam mais agressivos que os agricultores das grandes planícies aluvionais - Ou que as primeiras cidades se tenham formado junto as margens dos grandes rios (cf Metchenicoff). 

A questão aqui é se a condição geográfica determina ou apenas possibilita, ficando os resultados na dependência do éthos específico de um dado grupo humano. O que nos leva a questão central i é se qualquer povo, num dado espaço e num dado tempo, procederia da mesma e exata forma que outro... Ratzel foi pelo determinismo espacial... Porém V de La Blache e J Brunhes foram na direção da síntese a que chamamos Possibilismo... Indicando que a ação dos grupos humanos não é homogênea, havendo diferenciação, mesmo quando o tempo e o espaço sejam similares.

Para rematar a questão devo admitir que entre povos que habitam espaços bastante diferenciados as comparações devam ser, quando feitas, cuidadosas e sumárias. Outra questão a ser analisada é que dada a peculiaridade das culturas não devamos considerar a transferência da cultura nos diversos espaços... Faço as mesmas reflexões sobre o tempo - Admitindo o absurdo de compararmos as culturas da Idade da Pedra com as culturas da antiguidade. Outro o caso de compararmos as culturas ágrafas subsistentes com as culturas contemporâneas propriamente ditas.

E é por aqui que chegamos a teoria relativista e pragmática da pós modernidade, chamada FUNCIONALISMO. De fato, nas mentes dos antropólogos cientificistas, que abraçaram o ideário positivista, deve a 'ciência' numa perspectiva empirista e materialista (Não meramente material) todo e qualquer conteúdo que fuja a materialidade e admita qualquer coisa de ideal, deve ser repudiado. Pelo simples fato de que o ideal implica suspeita de imaterialidade ou de metafísica - A qual Kant classificou como impossível... Então eles estabelecem os limites e as fronteiras do saber pela materialidade > O que também produzirá problemas, alias ainda mais grave, no campo da Psicologia.

Antecipando tudo isso E J Litreé, pelos idos de 1860, esboçou a direção do positivismo> A Negação da Ética, enquanto modelo materialmente inexistente posto para a realidade dada nas áreas da Ética e da Estética. Segundo Litreé, não poderia o conhecimento verdadeiro ou científico estabelecer uma meta para o que não existe ou não possuí materialidade - Noutras palavras, nada se pode predicar de Objetivo quanto ao que vá ser feito, estipulando como deve ser feito. O que implica a negação da Ética e da Estética enquanto ''supostas" orientações valorativas sobre o que não tem existência real. O positivismo, a ser coerente, foi meticuloso e chegou a negação da Ética e da metafísica. Poincaré foi mais ou menos do mesmo ponto de vista. 

Não há Filosofia, não há metafísica, não há idealidade não há objetividade fora da materialidade, não há qualquer padrão para juízos de valor, e portanto, não há Ética e tampouco Estética como entendiam nossos ancestrais gregos. Devemos, quanto ao bem e ao mal, quanto ao belo e o feio, e também, quanto a verdade e o erro (E todas as questões que se distanciam em demasia da percepção ou da sensação.) nos conformar com aquilo que é dado ou com aquilo que os gregos chamavam 'doxa' i é opinião. Pois em última análise seria problemas insolúveis, ociosos e, consequentemente, sem importância.

O tiro de Litreé todavia saiu pela culatra. E após as negativas dos positivistas, em favor daquilo que é, existe ou é dado (Ciência descritiva); enfim da inércia conservadora que apenas analisa, estuda ou conhece sem jamais preceituar ou interferir, estouraram as bombas dos anarquistas e comunas da propaganda pelo fato... Ravachol e turma... Os quais eram a um tempo idealistas e a outro materialistas - Vai entender... Abolida a Ética, engendrado o Darwinismo social, proclamado o conformismo, etc chegamos rapidamente a primeira grande guerra mundial. As vésperas da qual tornaram os intelectuais a falar sobre Ética... 

Naturalmente que a reabilitação da Ética ou da moralidade, no contesto do pós guerra foi encarada pelos anarcos, comunas e mesmo por parte das pessoas comuns como mera estratégia oportunista. Admitida a lógica de Trasímaco e lançada ao lixo a de Sócrates, por primeira vez na História o lado 'fraco', representando pelos dominados, ameaçou romper as cadeias da sujeição... Diante disto o desmantelar do positivismo ortodoxo ou do cientificismo crasso foi encarado por muitos como um dourar a pílula - Era Trasímaco amaciando ou buscando ocultar seu discurso e para tanto apelando a conceitos como paz, respeito, amor, bondade, etc tornando a atribuir-lhes sentido meio século depois. E se um Ayer continuará negando ferozmente o sentido de tais palavras sempre encontrará resistência.

Quanto aos pensadores modernistas nada posso dizer sobre a honestidade dessas idas e vindas - Posto que se lhes trouxer alguma vantagem ou benefício são capazes de resgatar a existência de Deus. Os papistas - Assim Emile Boutroux em 1895 cf "Questões sobre moral e educação" ou mesmo em 1883 em "Sócrates, fundador da ciência moral" - no entanto já levantavam a questão da objetividade da Ética ou do Socratismo, e consequentemente da Metafísica, da idealidade, da validade dos saberes, etc cerca de dez ou mesmo vinte anos antes da calamidade de 14.  

E foi exatamente nesse período que toda essa questão passou aos domínios da antropologia. Quando em 1903, L Levy Bruhl na "Moral e ciência dos costumes" - Ocasião em que o autor, dando moral por Ética (Como tantos outros) afirmou que a Ética inexiste como objeto próprio, objetivo e universa, não passando de uma construção social relativa a cada grupo. Cada grupo social teria sua Ética ou moral específica - Daí diversos sistemas de Ética contraditórios ou sem qualquer conexão. 

Isto quanto a Ética, em oposição ao universalismo objetivo de Sócrates.

Quase que simultaneamente, Boas e seus colaboradores elaboraram sua teoria relativista da cultura, com base no funcionalismo, algo, como veremos perfeitamente pragmático. Postulando que é absurdo avaliar uma dada cultura partindo tanto de um universalismo Ético objetivo quanto dos princípios e valores externos a ela ou procedentes de uma outra cultura. E que o único modo de avaliar uma dada cultura é através de sua função, noutras palavras, se aquela cultura foi ou é útil tendo em vista a sobrevivência ou o bem estar do grupo. Portanto se um dado elemento promove a sobrevivência ou a manutenção de certo grupo social deve ser classificado como útil, benéfico ou vantajoso pelo grupo, uma vez que a conservação do grupo é o bem supremo ou o único critério a ser considerado.

Tal o modelo funcionalista, como se vê, derivado do utilitarismo, uma vez que tudo quanto se considera é a utilidade para o grupo em termos de continuidade e bem estar. Não cabendo qualquer juízo valorativo por parte a uma cultura mais evoluída ou a uma instância Ética universal. 

A conclusão aqui é bastante simples: Caso a mentira, a traição, a pedofilia, a castração de mulheres, a tortura, o assassinato, etc traga alguma vantagem para determinado grupo social, mantendo-o coeso e equilibrado, deve ser avaliada como algo bom naquele grupo e para aquele grupo... E o mais é puro preconceito...

Imaginemos porém nossa própria cultura ou algum agregado social próximo a guerra, a tortura, a tirania, etc se tornassem úteis tendo em vista o equilíbrio ou a conservação social... Entendem porque tantos e tantos teóricos tem buscado demonstrar a utilidade da mentira, da traição, da guerra, dos vícios (Bernardo de Mandeville), etc... Pois do ponto de vista do funcionalismo ou do relativismo ético, aquilo que é útil é necessariamente bom... Podemos portanto, demonstrando que qualquer coisa seja útil, transforma-la em algo bom ou desejável, mesmo quando de fato seja anti ética e essencialmente má.

E como parte dos cidadãos é individualista ou ignorante - No sentido de não ser capaz de compreender a teoria. - fica fácil argumentar que tudo quanto seja bom para o outro grupo, assim a castração de mulheres ou a burka para as sociedades islâmicas, também pode ser bom para o nosso grupo... E é exatamente aqui que as coisas se complicam. Pois embora esteja eu pouco me lixando para as tribos do deserto que lavam o c... com areia, acharia preocupante caso viessem eles morar na capital de S Paulo e propagar entre nós as prodigiosas vantagens de sua higiene 'peculiar'...

E decerto, caso avaliemos as coisas pelo critério deles ou do funcionalismo, o problema é a burka, a castração de mulheres, a sharia e as instituições do deserto transplantadas para nossa cultura em lugar de seus elementos e instituições... Então nem seria o caso de buscar demonstrar que são superiores ou melhores porém que são as mais adequadas a nossa realidade. E é o quanto bastaria para combatermos a islamização ou a protestantização.

Nossa maneira de proceder, enquanto Cristãos ou Católicos, ou ainda enquanto herdeiros da civilização greco romana, é a mais adequada tendo em vista nossa estrutura social. E parece não haver indício ou evidência alguma que ao menos neste local ou nesta época as culturas protestante, judaica ou islâmica seriam melhor sucedidas. Como pura e simples conjectura a respeito de um futuro que ainda não existe, tal opção equivaleria sempre a uma aposta, pela qual poderíamos vir a pagar um preço demasiado caro.

Além disto possui a funcionalidade um outro viés, que é do igualitarismo social. Dando por suposto que em dado lugar e tempo todo e qualquer grupo humano agirá da mesma forma, estruturando o convívio do mesmo modo, fica demonstrada a 'igualdade' da espécie enquanto ser social. Por outro lado, se, dadas as mesmas condições, os diversos grupos procedem de modo diverso, com maior ou menor habilidade, temos que não há igualdade social entre os grupos que compõe a espécie.

Então o receio aqui, alias um receio justo até, é que a partir do fato da desigualdade cultural ou social, se possa aduzir um desigualdade em termos de pessoa ou ser humano. Pois as massas tendem a confundir as coisas muito facilmente. Ora, o quanto podemos dizer sobre isto é que a igualdade humana (Universal) em termos de capacidades (Da espécie) não é ativa porém potencial - Todos os humanos tem um potencial racional para a abstração, para a metafísica, para a construção da linguagem, para a predição ou o juízo, para a lógica, para a pesquisa, etc No entanto, como ser humano algum nasce a parte de um determinado construto social, acabamos sendo condicionados pela Sociedade em que nascemos e vivemos na medida em que ela limita ou não a expressão ativa da racionalidade. 

Importante saber que num dada formação social ou cultura há uma condição de relativa igualdade ou de igualdade média, exceto quando as oportunidades são negadas intencionalmente com o sórdido objetivo de produzir alienação ou massificar. Tomo por modelo uma sociedade ideal de informação e reflexão, inda que marcada por desigualdades sociais possíveis de serem superadas. Num dado grupo social ou cultural podemos supor certa margem de igualdade posta para a reflexão e para a liberdade. Então a questão da igualdade humana absoluta não se coloca em função da cultura - O quanto podemos postular é uma igualdade relativa no interior de uma dada cultura. Face, as desigualdades reais impostas pela cultura, o quando podemos afirmar em termos de universalidade é a potencialidade.

Devemos salientar ainda que os indivíduos que migraram de seu universo cultural para outro estarão em vantagem ou desvantagem conforme migrem de um cultura mais elaborada para um cultura mais simples ou de uma cultura mais simples para uma cultura mais elaborada. Resta-nos inferir que o problema da limitação não está na natureza humana ou na potencialidade comum e sim no construto cultural mais ou menos completo, o qual impulsiona mais ou menos o potencial humano, ampliando-o ou restringindo-o. Portanto, na hipótese de que exista uma cultura superior, tanto mais complexa e melhor tendo em vista o estímulo integral de nossas potencialidades é importante ter plena consciência dessa superioridade.

Diante disto, dentro dos limites do tempo e do espaço, não posso deixar de encarar as culturas: Suméria, Egípcia, Grega, Chinesa ou Inca como superiores as demais ou como mais desenvolvidas. Do mesmo modo como a Evolução biológica nos dá a entender que certas linhagens se vão tornando mais complexas na medida em que se adaptam a um meio estável ou instável e logram sobreviver, assim algumas entidades culturais mostram sua superioridade na medida em que estimulam com maior eficácia as capacidades do Homo Sapiens. E estimulam produzindo determinados construtos sociais - Assim entre os antigos Sumérios a escrita, o bronze, o arado, a roda... Entre os egípcios a escrita, o papiro, a mitologia, a medicina... Entre os gregos a Democracia, a Filosofia, o Teatro, o Esporte, a Mitologia, etc Entre os modernos a justiça social, a Democracia, a Imprensa, o Rádio, a TV, a Internet, o avião, a Ciência, etc É a criação de tais meios, suportes ou entidades que estimulam nossas habilidades potenciais.

Por outro lado podemos e devemos classificar como culturas inferiores não as que permanecem estacionadas noutro nível, porém equilibradas, mas sobretudo aquelas cujos membros, tendo conhecimento das conquistas acima citadas, buscam elimina-las. Assim os que buscam eliminar a arte, a ciência, a justiça social, a democracia, a ciência, o esporte, a tecnologia, etc com o objetivo de nos fazer retroagir - Pois uma coisa é corrigir para melhorar e outra destruir por completo.

Então o que queremos dizer em alto e bom som é que não podemos encarar o iconoclasmo, o negativismo científico, a eliminação da técnica, a supressão da democracia, a negação dos direitos naturais, etc como um padrão de cultura igual ao nosso e sim como uma ameaça, ao menos a um projeto (Inda que desviado ou mal esboçado.) de civilização. Longe de nós encarar a sharia, a teocracia, as inquisições, o fetichismo, o criacionismo, o geocentrismo, o terraplanismo, o maniqueismo, etc como algo neutro ou inocente que se deva tolerar. Suprema loucura conceber o islamismo, o protestantismo pós calvinista ou a judaização como propostas alternativas de sociedade quando na verdade representam a barbárie. Barbárie contra a qual devemos reagir forte, poderosa e conscientemente - Inda que para tanto devamos nos opor aos novos dogmas da pós modernidade como o funcionalismo ou o relativismo cultural.

Pois na base do despejo dos jihadistas em solo europeu e enquanto fundamento de tão irresponsável iniciativa estão tais ideologias ou resíduos de um pós modernismo que nega a verdade substituindo-as pela narrativa. Narrativa por narrativa não é a narrativa islâmica que querem os europeus... Tampouco a maior parte dos latino americanos de hoje desejam aderir a versão protestante ou americanista de sociedade. Logo, o ponto de partida de nossa luta pela cultura será a valorização de nossa identidade, de nossas tradições e de nossas vivências. 

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  • Americanismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Conservadorismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc







quinta-feira, 9 de outubro de 2025

A ferramenta do relativismo Cultural: Islamização, protestantismo e judaização....

Vivemos em tempos de impérios em conflito. Pois embora tenhamos diversos blocos políticos: Índia, China, Rússia, 'Europa', 'América latina'... apenas dois exercem um proselitismo cultural em larga escala, buscando, obviamente, criar um padrão universal.

Assim o americanismo, com o protestantismo; assim os islamismo. Um despejando-se pela América latina e, consequentemente, pelo Brasil, com suas seitas, bíblias e pastores. Outro despejando-se pela Europa e África. Com grande risco para as demais culturas, tradições e identidades.

Surpreendentemente - Por via do antigo testamento, Mikra ou Tanak - apesar da oposição credal, existe uma certa afinidade de espírito em termos de protestantismo e islamismo. E é algo mais profundo que o iconoclasmo, por tocar o anti cientificismo e o totalitarismo... Percebeu-o o grande humanista francês Gilherme Postel e compôs uma obra pioneira a respeito.

Assim se o islã predica uma transcendência absoluta e anti encarnacionista, o protestantismo judaizante - Devido a sua ênfase no antigo testamento. - (Em oposição a Fé Ortodoxa) recusa-se a levar o Encarnacionismo as últimas consequências: Daí sua objeção as imagens ou representações, a 'Mãe de Deus', a presença real do Senhor no Sacramento, ao Domingo, a comunhão dos Santos, etc 

De fato a proximidade existente entre as Igrejas apostólicas e a Imanência - Uma decorrência necessária da Encarnação de Deus! - choca de tal maneira os protestantes a ponto de assumirem o discurso muçulmano segundo o qual, foi o Cristianismo antigo ou Histórico, poluído e esmagado pelo paganismo! Importante salientar que muito antes de Calvino ou Blaurock se manifestarem neste mundo, os rabinos e ulemás já apresentavam a igreja de Cristo como quintal do politeísmo e da idolatria.

O próprio Jesus, quando mencionado nos registros do povo é classificado como sedutor, feiticeiro, politeísta e idólatra. Ele disse: Se eles falaram mau de mim, que sou o Senhor, como não haverão de falar mau de vós que sois os servidores... Já os infiéis das Arábias inculpam ora Paulo, ora João, ora Orígenes, ora Tertuliano, ora Atanásio, pelas 'blasfemias' politeístas da Cristandade apostólica. (Os protestantes só tem coragem de ir a Clemente de Roma, Inácio, Pápias ou Policarpo - Ouvintes dos apóstolos!). 

Mas estão de pleno acordo quanto ao juízo lançado contra a Igreja Histórica. E como o protestantismo é recente e muito mais jovem que o judaísmo ou o islã, podemos dizer que judaiza e islamiza. Novidade alguma - Pois já no séculos VIII e IX parte dos nossos, pretendeu aproximar-se do islã, embarcando na canoa furada do iconoclasmo. O mesmo se observa no papismo, o qual buscando reconquistar os protestantes foi mergulhando mais e mais no lodo agostiniano, até - Com o Vaticano II - mergulhar no protestantismo, e (Pasme!) no pentecostalismo fetichista (Com a tal RCC)... 

No entanto foram os iconoclastas, os papistas e os neo papistas que se perverteram, guiados por mestres tão cegos quanto os agarenos e os protestantes... Tal a ilusão das aproximações.

O protestantismo, aproximando-se do judaísmo e do islamismo (Por via do antigo testamento) foi perdendo mais e mais seu caráter 'Cristão' e encarnacionista, até nada mais ver ou poder ver no Cristianismo Histórico que o odiado paganismo, o qual anseia destruir até os fundamentos.

E não pode haver mínima dúvida quanto a tais desígnios, digo quanto a proposta tanto do islamismo quanto dos protestantismos pós calvinistas. Os quais encaram o paganismo antigo ou ante Cristão como absolutamente maligno ou diabólico, porfiando destruir seus últimos vestígios, assumidos pela Cristandade apostólica, assim as artes a que chamamos de sacra e a tudo quanto se destaca pela simples beleza.

Outro o programa da igreja, outra sua atitude, outra sua obra...

Todavia, tornando ao islamismo, o que ele pretende destruir são os fundamentos mais remotos de nossa civilização Greco romana, pelos quais respira ódio mortal. O judaísmo é tanto mais civilizado, embora conte também ele com certo número de fanáticos.
Sobre o protestantismo pós calvinista, todos nós o conhecemos muito bem. 

Tal o significado nu e cru da destruição das ruínas de Palmira e Nínive pelos fanáticos do ISIS. Caso você compreenda que cada um daqueles 'Aladlammús' esmigalhados representa as raízes de nossa cultura e as fontes da nossa identidade, terá compreendido tudo e qual seja o objetivo final do islamismo. 

Não nos deixemos ludibriar ou enganar: O Museu do Cairo ali está apenas enquanto significativa fonte de riquezas ou enquanto algo 'vigiado' pelas grandes potências do mundo civilizado. Eis porque, apesar dos esforços empreendidos pelos egípcios esclarecidos e de boa vontade, ele escapou por um tris da destruição... Outro o caso do Museu de Cartum, no Sudão - Onde os tesouros das Cândaces fora pilhados e quiçá derretidos pelos fanáticos...

Pois para a imensa maioria dos xeques e dos muçulmanos devotos, os tesouros contidos em nossos Museus nada mais são do que imundice pagã cujo fim é a destruição... Imaginar algo diverso é pura ingenuidade de quem ignora o verdadeiro caráter do islã.

Aqueles que no passado destruíram as bibliotecas de Cesareia marítima e de Skandaryia bem poderão, uma vez no poder, acabar com os Museus de Londres, Paris (Louvre), Berlim, Prado e Vaticano, assim como as principais Bibliotecas do velho mundo, destruindo por completo o quanto nos resta de um Ésquilo ou de um Aristóteles... E não podemos assistir de braços cruzados uma catástrofe semelhante. 

Pôde a Europa nos séculos passados exumar e resgatar as fontes na nossa cultura. Pois nas pessoas de um Champollion, um Lepsius, um Montet, um Layard,  um Gsell... pode passar a Ásia e reconstituir nosso vetusto passado. Agora ameaçada a Europa como haveremos nós de transpor o mar oceano para salvar as relíquias da nossa cultura...

Caso permaneçamos de braços cruzados, em poucas décadas, assistiremos a destruição da nossa cultura, das nossas raízes, de nossas tradições e de nossa identidade. Caso permaneçamos indiferentes a Europa se converterá em quintal do islã...

Tolos aqueles que esperam proteção e defesa por parte dos EUA. Pois os Yankees são, ao menos em parte, descendentes daqueles mesmos puritanos que deixaram a Inglaterra por não terem podido destruir as torres, cruzes e sinos das catedrais. Para o yankee é a Europa, inclusive a Inglaterra, um território indômito e contaminados pelas relíquias da Ortodoxia ou do Papado: Catedrais, calvários, torres, sinos, etc E tanto se lhe dá que o maometano de cabo do poder o Papa romano... ou dos Bispos...

O próprio papado encarou as coisas desse jeito, no século XV, com relação a Ortodoxia. A atual visão dos EUA outra não é em nossos dias com relação ao papado... Pois existe certa unidade de mente, como assinalamos entre o protestantismo e o islamismo. Destarte o que não pôde o protestantismo fazer ou completar na Europa, é esperado que seja feito pelo islã, quero dizer a destruição do símbolo.

Digo mais - A introdução do islã nos territórios Ortodoxos e romanistas é uma plataforma comum aos EUA, ao sionismo, aos comunas e aos anarcos e quiçá a única plataforma comum que teem eles, por ódio a Cristandade histórica... Os protestantes ressentem por não terem eliminado a igreja romana do mapa ou convertido os Ortodoxos, os sionistas esperam algum alívio caso os jihadistas avancem na direção da Europa, os comunas e anarcos esperam apoio político por parte dos muçulmanos - A ONU e a maçonaria executam e os governantes safados se deixam comprar...

Quem perde é o povo europeu, sejam romanistas, Ortodoxos ou liberais honestos, envolvidos pelos apóstolos da sharia. Quem perde são os cidadãos livres. Quem perde são aqueles que estão em posse de algum direito outorgado por lei. Assim as mulheres, os homossexuais, as minorias religiosas... E os amigos das artes, da ciência e da democracia; da civilização enfim ou do que lhe resta.

Portanto precisamos defender a América latina, quanto ao imperialismo protestante e a Europa, quanto ao imperialismo árabe, enfim quanto a ambas teocracias ou totalitarismos. Ambos fantasmas ou abutres, que ameaçam a civilização, precisam ser ousadamente combatidos.

No entanto antes de entrar nesse assunto - Da resistência ao protestantismo e ao islã, devo aborda de passagem as relações entre o Cristianismo nascente ou a Igreja primitiva e o paganismo ou nossa ancestralidade. Ressaltando que, apesar do 'fantasma' do judaísmo ou da cultura semita, não foi ela totalmente negativa\negacionista, mas em parte assimilacionista.

Já porque a ideia de um Deus encarnado - Fundamento e centro da fé Cristã. - sendo procedente dos céus, não tem afinidade alguma com o judaísmo antigo (Cuja mentalidade estava voltada para a transcendência absoluta ou para uma divindade apartada do mundo material.) e sim com o paganismo. Portanto se algum protestante ou judaizante tem algo contra o paganismo que se faça ariano, unitário ou muçulmano uma vez que a ideia de que deuses se façam mortais ou gerem filhos humanos é pagã e de modo algum semita. 

Não é a doutrina da mãe de Deus que é pagã como afirmam os protestantes mais ingênuos - Pagã é a ideia de que Deus se faça ser humano, repito. E no entanto tal é o fundamento pétreo de nossa fé uma vez que, segundo o Evangelho escrito, o fundador do Cristianismo reivindicou para si a natureza divina (Disse que julgaria os mortais no último dia, que perdoava pecados, que não tinha pecado, etc), merecendo por isso ser classificado como pagão e idólatra pelos judeus...

Eis porque não foi o Cristianismo antigo absolutamente iconoclástico ou negativo quanto ao paganismo antigo. Radical e intransigente face ao politeísmo e suas representações - Enquanto foram elas objeto de adoração. - não anatematizou a arte ou seja a pintura, a escultura, a arquitetura, a poesia, a música e o canto, apropriando-se de cada uma dessas expressões com o objetivo de abrilhantar a adoração verdadeiro. De modo que a adoração ao Deus encarnado Jesus Cristo foi provida de uma expressão estética ausente tanto no judaísmo e no islamismo, e assim nas seitas protestantes filhas da reforma.

É algo que se justifica facilmente nos padrões opostos a Encarnação. Outro o caso da religião em que a divindade tornou-se visível, audível e palpável no complemento de sua natureza humana. Ao encarnar-se o Deus Cristão entra no acesso dos sentidos e se torna perceptível. E como todos os aspectos de nossa condição foram os sentidos santificados pelo mistério da Encarnação, e assim a percepção humana.

Adoramos em espírito decerto ou guiados pela razão, pela mente, pela consciência, mas adoramos no corpo santificado pela Encarnação e pelo Batismo, e adoramos pelo corpo ou através dele, não fora dele ou como espíritos puros. É o espírito princípio e fonte do culto verdadeiro que prestamos no corpo. Por isso expressamos esse ato interno do espírito por meio de um aparato simbólico externo.

Adoramos em espírito e verdade e o fundamento de toda verdade é a Encarnação que santifica nossos corpos e que nos autoriza a empregar uma linguagem simbólica e gestual. Quanto a isto estamos de acordo com os odiados pagãos e não com os judeus ou com os muçulmanos, pois ao contrário deles adoramos um Deus encarnado e não um ente descarnado ou puramente espiritual.

É Deus Espírito e por isso o princípio da adoração é interno, derivado do sentimento, do afeto, do amor... E no entanto esse mesmo Deus que é Espírito puro, ao assumir e santificar um corpo material, sanciona o emprego do corpo na adoração. 

Daí a presença de arte no padrão apostólico, no catolicismo, na Ortodoxia. É nosso Deus Bom, verdadeiro e belo. Deve, nossa adoração, ser boa (Impedindo aqueles que estão fixos no mal ou no pecado de exerce-la.), verdadeira (Pela afirmação dos Mistérios da fé.) e bela, em seu aparato material e simbólico: Ícones, círios, incenso, gestos, ordenação de palavras, poesia, canto, etc

Eis porque, nossos excelentes ancestrais, conduzidos pelos apóstolos, tomaram aos pagãos, seus ancestrais, todos esses ofícios e capacidades e colocaram-nos ao serviço do Deus verdadeiro, de sua parentela, de seus apóstolos, de seus membros... Do que resultou um Calendário eclesiástico ordenado, uma liturgia simbólica e soberbas catedrais com cúpulas e torres encimadas por cruzes e adornadas com sinos. E esses ofícios solenes, executados através dos séculos em cada catedral constituem um hino de glória ao mistério da Encarnação.

Por isso, na medida em que as estátuas e pinturas dos deuses foram cessando de ser cultuadas não tivemos problema algum em conserva-las, de reconhecer o belo que há nelas e de mante-las, não como algo religioso ou sagrado, porém enquanto obras de arte. Ao contrário dos muçulmanos os cristãos não precisam destruir os vestígios dos deuses antigos pelo simples fato de não serem mais adorados. 

E o resultado disto é que não apenas podemos como devemos conservar esse legado artístico nos espaços a que chamamos Museus com o objetivo de apreciar sua beleza. Pois ainda que tais obras não tenham sido postas a serviço da verdade, ao menos neste mundo sublunar, são aptas para exprimir o belo e exprimindo o belo beneficiar nossas almas. Pois nos alimentamos tanto do belo e da verdade quanto do bem, os quais só se encontram unidos na pessoa de Jesus Cristo.

Enfim essa noção de Bondade, verdade e beleza - Kallocagathia tem uma História, que faz parte de uma dada cultura. É o quanto buscaremos explorar na segunda parte deste ensaio, confrontando com os demais modelos de cultura e sobretudo com a ideologia do relativismo cultural. 


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terça-feira, 24 de junho de 2025

Sionismo, americanismo\capitalismo, protestantismo, maçonaria, ecumenismo, ONU, etc Análise cultural ou culturalista sobre a conjuntura atual ou sobre a possibilidade de uma terceira guerra mundial II.



As vezes, para assustar os mais jovens, cheguei a dizer que a totalidade das Bombas atômicas e nucleares, tinha a capacidade de destruir o sol -

'Mea culpa, mea culpa' 

Seria como alguém urinar no Oceano ou destruir a terra com um pum...

Outro o caso do nosso planeta... O qual poderia ser pulverizado por elas.

Agora, leitor atento, peço-lhe permissão para fazer-lhe uma perguntinha: Você acha mesmo que a intifada dos EUA e Ucrânia contra a cultura eslava ou contra a Rússia, o despejo de milhares de radicais islâmicos no Sul da Europa por decreto da ONU, o genocídio perpetrado contra a população palestina da Gaza, a ostentação de bandeiras de Israel nas seitas protestantes espalhadas pelo mundo, a adoção de elementos da cultura judaica pelos carismáticos e modernistas da igreja romana; enfim, que tudo isso não passa de pura e simples coincidência... 

O quanto direi sobre tudo isto e muito mais é que estamos diante da manipulação da cultura como jamais foi feito na História do planeta...

E o primeiro elemento que temos a considerar aqui é o esvaziamento da consciência Cristã em termos de identidade própria a partir do surgimento do protestantismo, com os princípios do biblismo e do livre exame.

E aqui precisamos nos deter um pouco para compreender.

Pois o que aqui temos são os princípios mais remotos da judaização do Cristianismo contemporâneo, o qual se expandirá até a igreja apostólica romana, conquistará quase que por completo o ocidente até - Hipostasiado com o americanismo ou imperialismo norte americano. - conflitar com a Ortodoxia, representado pelo mundo eslavo ou pela Rússia, último bastião do Encarnacionismo ou da fé nicena\atanasiana com suas decorrências.

Ainda me recordo de quando tive a ocasião de ler, na 'História da Inglaterra' de Maurois, que o calvinismo trocou o Evangelho pelo antigo testamento, fixando-se nele. 

E eu era e eu sou - Com orgulho - EX protestante. De modo que não pude deixar de concordar com o doutro escritor francês e de refletir, até hoje, sobre isto.

Mesmo antes do advento do dispensacionalismo já estava tal manobra em movimento.

Surpreendentemente era Lutero - Apesar de paulinista. - muito mais refinado, cristão e próximo da tradição Católica\Ortodoxa do que seus sucessores ou colaboradores, pois ensinava algo bastante próximo da inspiração funcional. Foi Calvino que decididamente canonizou a opinião (Perigosa) da inspiração Linear (E plenária) ou de uma bíblia unitária - Na qual o antigo testamento é afirmado como absolutamente igual ao Evangelho de Cristo.

Naturalmente que a partir daí toda ênfase do protestantismo foi incidindo, gradativamente, sobre a leitura, as formas de ser, os modos de convivência e a cultura judaicas. Pelo simples fato do Antigo Testamento ser mais extenso do que o Novo e de que a cultura do tempo fosse bastante rudimentar... O que foi dando origem a um número cada vez maior de seitas fundamentadas em crenças e costumes judaicos, assim: Sabatistas, iconoclastas, mortalistas, unitários, etc 

De modo geral o que se pode assistir no seio do protestantismo foi uma gradativa diluição do elemento propriamente Cristão - Legado pela Igreja antiga. - enquanto decorrências da Encarnação, nas crenças e costumes do antigo testamento. Na prática os artigos de fé propriamente Cristãos: Como a Trindade, a Encarnação, a imortalidade, o livre arbítrio, a presença real do Senhor na Eucaristia, a unipersonalidade e duas naturezas do Cristo, as operações teândricas, as duas vontades, a Virgindade Perpétua de Maria Santíssima, a comunhão dos santos, as preces pelos mortos, etc foram sendo classificadas como pagãs e substituídas por narrativas mitológicas, projeções futuristas e moralidades propriamente judaicas derivadas do antigo testamento.

E foi tal processo cultural bastante significativo sob diversas óticas que se queira adotar.

Os próprios personagens do Evangelho inclusive, foram sendo, paulatinamente, substituídos por personagens do antigo testamento > Assim Josué, Calebe, Finéias, Davi, etc tomaram o lugar de João, Tiago, Pedro, Paulo, João Batista, Gabriel, Maria Santíssima, etc até Moisés igualar-se a Jesus Cristo... E não preciso dizer mais nada...

Qual o fim último de tudo isso...

A falsa percepção de que é o Cristianismo um mero ou simples monoteísmo abraâmico ou uma religião abraâmica, exatamente igual o judaísmo e o islã, quando é na verdade um monoteísmo 'sui generis' ou atípico, isto é, um monoteísmo Encarnado e Encarnacionista no qual Deus assume nossa condição humana ou se faz carne. E a conclusão, sacada pelos protestantes - Bibliolatras e fundamentalistas - de que é o Cristianismo uma seita ou ramo do judaísmo. E de fato líderes e pastores protestantes afirmam muito claramente isso, e por ai se chega a politicagem sionista... 

Nada mais avesso ao pensamento autenticamente Cristão, representado atualmente pelas igrejas apostólicas do Oriente, ou seja, pela fé Ortodoxa, leal ao padrão atanasiano ou niceno. Nada mais estranho ao sentir do papismo ou da igreja romana anterior ao Vaticano II e ao ecumenismo. Nada mais alheio ao espírito da Cristandade histórica, ciosa de sua identidade e consciente de sua peculiaridade espiritual.

Fixada no antigo testamento, a quase totalidade do protestantismo pós calvinista, assumiu um caráter sectário, radical e feroz em torno da transcendência absoluta, até dar combate aos elementos autenticamente Cristãos oriundos da imanência ou derivados da Encarnação. E o resultado prático disto foi buscar eliminar todos os vestígios da entrada e da presença do Deus Cristão no mundo dos homens; assim campanários, torres, cruzes, sinos, órgãos, festas, bispos, etc Eram, diz Maurois, sinais que exasperavam os leitores fanáticos do A Testamento.

Cada vez mais e com maior intensidade parte considerável do protestantismo se foi embrenhando por este caminho, alheio, por assim dizer, a essência do Cristianismo. 

Resta dizer que consumou-se este estranho processo, antes de tudo na maior república protestante do planeta, os Estados Unidos da América do Norte. Foi lá, no século dezenove ainda, que por primeira vez, manifestou-se a aberração dispensacionalista que atualmente colabora em máximo gráu com o projeto sionista. 

Pois nada pode Israel sem o apoio dos EUA - Como uma criança agressiva nada poderia sem a conivência do pai ou de algum adulto. Como nada podem os sionistas sem o decidido apoio e solidariedade das massas protestantes judaizantes. 

Até o Concílio do Vaticano II e a protestantização da igreja apostólica romana estavam as coisas nesse pé na medida em que mantinha-se esta comunhão imune aos falsos princípios arvorados pelo protestantismo e por extensão aos laços da judaização e tentáculos do sionismo. 

Compreenda-se que deviam as coisas avançar, especialmente após a criação do Estado de Israel, carecendo-se essa política de um apoio ainda maior. 

A bem da verdade já havia certo entendimento ou tendência na direção do ecumenismo, isto porque romanismo e protestantismo tem como elemento comum o moralismo (Alias derivado grande parte do AT) e como fundamento o agostinianismo. 

E era importante conquistar esse apoio.

Basta dizer que, com esse propósito, entraram na liça, a sinistra política norte americana e a maçonaria.

Foram os bastidores da politicagem Yankee e a atividade maçônica na cúria romana que articularam e levaram a cabo as nefandas reformas levadas a cabo pelo Vaticano II, quase todas de inspiração protestante. Assim a significativa diminuição do aparato simbólico litúrgico, o acolhimento de opiniões irreverentes sobre a pessoa do Cristo, de sua mãe, etc e sobretudo o ecumenismo, definido como negação da unidade eclesiástica e expressão de relativismo doutrinal.

Os próprios apostólicos romanos mais dedicados e leais questionaram a filiação de seus hierarcas - Daqueles que dirigiram o Vaticano II - a maçonaria e o envolvimento dos embaixadores Norte americanos. Naturalmente que todos, uns e outros, se empenharam pelo estado de Israel ou pelo sionismo. Claro que empenharam-se também pelo capitalismo (Aliás algumas dessas conexões já se faziam presentes nos escritos de Th Herzl) e até o ponto de, passados alguns anos, criarem essa coisa chamada RCC, com o objetivo de enfraquecer a Teologia da libertação. 

Devo ressaltar por sinal, que a RCC representa um avanço ainda mais grave na direção do protestantismo na medida em que nela introduz o que havia de mais primitivo e radical no seio do protestantismo: O pentecostalismo, com seu ethos mágico fetichista. Ocioso dizer que foi a RCC produzida nos EUA. Coincidência...

A partir daí a infecção judaizante avançou, conquistando (Por meio do Vaticano II e da RCC - Ecumenismo) a Igreja romana. E de fato uma igreja romana protestantizada foi afastando-se de uma sóbria e prudente neutralidade e alinhando-se cada vez mais com o americanismo, com o capitalismo e por tabela com o sionismo. A princípio foi luta, tanto política, contra a TL e contra a URSS, na conjuntura da guerra fria, sendo elaborado todo um discurso em torno de uma causa comum que aliciou grande número de romanistas e certo número de ortodoxos inclusive.

Tanto os Europeus romanistas que lograram escapar ao Nazismo quanto os emigrados russos saídos da URSS colaboraram amplamente para estabelecer essas relações ecumênicas com o mundo protestante devido ao modo como passaram a encarar os yankees, isto é, como libertadores ou protetores. E aqui a atmosfera política influenciou poderosamente o universo religioso. 

Importa saber que a partir do Vaticano II podemos conjecturar, com certo grau de plausibilidade, o sionismo e o americanismo influenciando o papado ou a igreja romana, por meio do protestantismo e da maçonaria. Podemos imaginar a igreja romana ou o papado como um objeto, a maçonaria e o protestantismo como braços e o sionismo ou o americanismo como o cérebro ou primeiro motor na atual conjuntura política. O objeto aqui só pode ser o interesse dos EUA ou de seu protegido Israel.

Teoricamente a ONU estaria no controle, e fica sendo tudo muito bonito.

Pois como no passado tentou a ONU intimidar a URSS, Cuba, etc tenta ainda hoje intimidar China, Índia, Países árabes, Rússia, Venezuela, etc 

Mas a Israel não intimida de modo algum. 

Colocando-se esse país acima de todas as leis divinas e humanas, procedendo caprichosamente, e fazendo tudo quanto lhe apraz. Nada mais arbitrário neste nosso mundo do que a política de Israel, pois tudo quanto é denunciado como 'Crimes de guerra' ou violação de direito noutros lugares é ali permitido... E sanção alguma é promulgada contra aquela república, o que opõem-se descaradamente ao conceito natural de isonomia. 

Portanto, na atual conjuntura ou no seio da Cristandade presente, a única parcela não alinhada com o protestantismo e politicamente alheia ao sionismo é o Catolicismo Ortodoxo, politicamente representado pela Rússia. O que nos ajuda a compreender os esforços de uma Europa instrumentalizada pelos EUA para cooptar a Ucrânia (Cujo presidente 'por acaso' é judeu.) opor-se a Rússia e sabotar a cultura eslava. O ideal aqui é usar o uniatismo ou a igreja romana para chegar Ortodoxia e aproxima-la do protestantismo e corrompe-la. Por meio do ecumenismo abre-se caminho para a afirmação de princípios e valores protestantes no plano da cultura e enfim para uma identificação com Israel até a manipulação. Aproximar-se do neo romanismo e do protestantismo implica aderir a esse processo de judaização acionado há meio milênio e servir aos interesses políticos do Estado de Israel, os quais nada teem de Cristãos ou mesmo de justos. Portanto aqui, tanto a Ortodoxia quanto a Rússia devem ser encaradas como modelos de resistência cultural dentro do Cristianismo. 

Podemos aliás conjecturar que o próximo alvo dessa politicagem global ou ocidental, americanista, sionista, capitalista, etc é a Ortodoxia, alheia por completo ao sionismo ou a judaização devido a sua fidelidade ao padrão niceno\atanasiano, decorrente do princípio da Tradição - Aliás típico de construções sociais tanto mais antigas ou menos urbanizadas. Tenham por absolutamente certo que os EUA tudo fará, por meio da maçonaria ou das seitas protestantes, para transformar a igreja russa (A exemplo da romana.) em província cultural sua, com o objetivo de destruir a cultura eslava e colonizar a Rússia. E a chave para isso será o ecumenismo ou o capitalismo... 

Os outros modelos de resistência tanto ao imperialismo norte americano quanto aos interesses políticos sionistas, situados fora do contexto Cristão são Índia, China e países árabes, embora estes sejam muçulmanos, o que planteia outros tantos problemas não menos sérios. Naturalmente que os EUA estão muito pouco satisfeitos face a um mundo cindido em diversos blocos ou centros de poder. 


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sábado, 25 de novembro de 2023

Reflexões sobre a perspectiva alegórica da inspiração linear. (Carta)

 Ao nobre e excelente W. R.

Graça, paz e bem no amoroso Redentor nosso Jesus Cristo.

Li com a devida atenção e o devido carinho as reflexões que tu publicaste na Comunidade X. Porém como minha resposta respeitosa foi truculentamente apaga por a reproduzi-la-ei aqui.
A meu ver o ponto de vista é equivocado.

Embora a tua perspectiva pessoal - Sobre o alegorismo. - esteja dentro da perspectiva Ortodoxa ou patrística, como uma theologumena ou opinião, é bem verdade que desde o século XIX tem sido ela, utilizada pelos companheiros e sucessores de Droysen, como uma explicação puramente naturalista sobre as origens do nosso Cristianismo, beneficiando portanto um erro fatal.
De fato muitos Historiadores helenistas alemães afirmaram que nosso Cristianismo, ao invés de ser revelado, nada tem de sobrenatural, correspondendo a uma evolução ou progresso apresentado pelo Cristianismo alexandrino. E o quanto teríamos aqui seria um judaismo helenizado ou helenizante, forjado por Aristobulos, Filon e outros.
Noutras palavras, nosso Cristianismo não passaria de uma releitura, de uma reformulação, de uma reconstrução, de uma reelaboração do judaísmo ora alegorizado. Seria um judaísmo mais refinado ou aprofundado. Mas sempre um judaísmo ou uma facção ou corrente judaica. E não há como fugir a semelhante conclusão.
E de fato caso concedamos que todos os mistérios do nosso Cristianismo se encontram simbolicamente presentes na mikra, temos de nos perguntar se não é o Cristianismo a kabalah original e se, por acaso, contém o Cristianismo histórico algo de próprio ou de original...
E temos de nos perguntar igualmente sobre que fica sendo de Jesus Cristo, e de sua condição, de seu sentido e de seu papel.. Qual a missão atribuída a nosso Jesus...
Quanto a isto devo dizer-lhe que meu pensamento Teológico é visceralmente niceno ou atanasiano, noutras palavras: Rigorosamente encarnacionista. Um sistema articulado e orgânico em que cada artigo de fé parte desse mistério central e que pretende ser uma espécie de mergulho numa Cristologia profunda.
Alias julgo cumprir um desígnio: Recuperar ou resgatar a consciência cristã não apenas face aos recuos do papismo e do Anglicanismo, a vulnerabilidade da Ortodoxia oriental e a alienação protestante, mas sobretudo face ao islamismo.
Diante disto, a mim me parece, sumamente duvidosa, a existência de uma Revelação parcial ou de elementos da Revelação Cristã anteriores à Encarnação do Verbo e que dela não procedam. Já a simples sugestão de uma Revelação integral do nosso Cristianismo, literal ou simbólica, anterior a esse mistério me parece impensável e não posso crer nela.
Nom possumus.

Nom credidimus.

Pois que ficaria sendo nosso Jesus, o Verbo encarnado?
Como poderíamos supor nosso Jesus mero porta voz de Abraão, Moisés, Caleb, Finéias, Salomão, etc... Me parece repugnante apresentar o Instrutor de todos como mero intérprete de quem quer quer seja ou como comentarista de quaisquer textos...

Não, não posso conceber o Mestre como alguém que se limita a fixar sentidos sem dizer nada de propriamente seu.

Não, não consigo nem posso ver Jesus assim, como o tipo de um exegeta que parte de textos ou livros. Tampouco posso encarar nosso abençoado Redentor como repetidor ou transmissor.
De minha parte acredito que o Cristianismo, ao contrário do judaísmo e do islamismo, parte de uma pessoa viva ou de um homem Deus. Julgo honestamente que a instituição Cristã corresponda a auto comunicação de Deus. Creio e confesso que este caminho equivale a uma intervenção direta de Deus na História dos homens. Que corresponda a manifestação do Deus vivo e portanto que corresponda não a algo antigo, velho ou trivial e sim a algo novo, único, singular ou distinto de tudo quanto existira antes. DO CONTRÁRIO NÃO SERIA VINHO NOVO OU CABERIA NOS ODRES VELHOS, porém ele nos advertiu que esse vinho não cabia naqueles odres. Não desejo salvar os odres, a Torá, a Tanak, a Mikra, etc por amor a uma opinião exótica - Da inspiração linear... E se para salvar o livro de papel devo abater ou rebaixar o homem Deus > Pereça o livro! Basta a bibliolatria! Chega de fetichismo!
Creio portanto que Nosso Senhor Jesus Cristo não se tenha manifestado para repetir lições velhas a e sabidas, mas que se tenha manifestado como Mestre e Instrutor supremo, o qual fala com autoridade própria, tudo quanto teria ouvido 'In sinu patris' i é o que trouxe dos céus.
Alias me parece bastante estranho que aqueles rudes personagens tenham enunciado os elevados mistérios do nosso Cristianismo numa linguagem alegórica tanto mais sofisticada. Parece que nesse caso seriam mestres melhores do que aquele que repetiu, em tempo futuro, as mesmas doutrinas, com expressões literais e palavras chãs. Seria o judaísmo um Cristianismo mais refinado... Não posso admiti-lo.
Creio que o Cristianismo proceda do Cristo e que nosso Cristo imutável jamais tenha orientado a moralidade baixa e vulgar da mikra. Entre a moralidade ou ética evangélica e a moralidade da Tanak vai abismo colossal e imenso.
Nem posso crer que deixaria o Verbo Jesus de corrigir, advertir e instruir os que supostamente acompanhava, e isto sob pena de omissão.
Quanto ao sentido das Sagradas Escrituras: 'Não me manifestei para cumprir a Lei.' já foi dado e fixado pelos legítimos intérpretes, os padres da igreja, e diz respeito a Lei divina e celestial do Decálogo ou dos dez mandamentos, que gravados nas tábuas de pedras foram colocados dentro da arca do pacto. Não a taurat. Não ao Pentateuco. Não a mikra. Não a Tanak como um todo. Não a totalidade do antigo testamento, como julgam as massas de protestantes iletrados, fundamentalistas e fanáticos mas apenas e tão somente ao Decálogo divino.
Por isso todas as outras partes da mikra ou tanak não é que tenham sido propriamente abolidas. Foram declaradas inválidas ou puramente humanas pelo Verbo encarnado Jesus Cristo fonte da vida.
Tanto que na parte mais nobre ou no coração mesmo do Evangelho disse nosso Jesus: 'Ouviste o que dito (Porque os judeus atribuíam a Torá uma origem oral vinculada ais anjos.) aos ancestrais... EU PORÉM VOS DIGO.'
E simplesmente negava o que era puramente natural ou resíduo da cultura.
Jamais apresentou como tal o que nunca fora sagrado ou divino.
Só os protestantes cegos são capazes de supor que Jesus Cristo revogara ou alterara instituições divinas pelo simples fato de ser Deus, posto que Deus é imutável e sem sombra de variação - Pelo simples fato de ter sua vontade perpetuamente fixada no bem ou naquilo que é perfeito. Quer dizer isto que caso uma lei seja de fato divina jamais poderá ser alterada, consertada, reformada, etc Se é Lei divina é Lei perpétua e inalteravelmente fixa pelos séculos dos séculos - TAL A LEI DO EVANGELHO!
Dedico a ti estas minhas reflexões, as quais espero que te sejam úteis. Abraço fraternal.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

É o Evangelho produto do judaísmo antigo?

A Claudio Machado



Cristãos, mas antes de tudo homens e homens dotados de sentidos e racionalidade, admitimos, sem maiores problemas, que o 'ritmo' deste universo é progressivo ou que ele se desenvolve de fase em fase, de período em período, de era em era... aumentando em complexidade ou evoluindo. Esta Evolução, incontestável, é a um tempo física, química, biológica, psicológica e social. Sem ser 'simples' ou linear, mas complexa e sujeita já a recuos, já a variações, nem por isso deixa esta dinâmica de ser perceptível ou constatável.

Para nós a teoria sintética ou o que chamam de darwinismo mitigado é 'teoria' destinada a explicar um 'fato', este fato a Evolução. A Evolução não é apenas um esquema conceitual ou teórico elaborado pelo intelecto, foi e é algo real, algo que aconteceu e que acontece, em termos chãos - Um fato... Reconheço que a expressão é defeituosa, mas didaticamente aceitável.

A História do homem em Sociedade - porque jamais damos com o homem de Rousseau isolado dos demais como uma 'ilha' - segue a mesma trajetória, a qual não sendo linear - mas sujeita a crises e recuos em sua assunção cultural - nem por isso tornasse brusca no sentido de que os acontecimentos sucedem-se sem qualquer conexão ou relação, ou dependência face aos precedentes i é como algo totalmente insólito.

Há quem a partir de marcianos e atlantes ou mesmo 'magos' sustente o insólito. Deveriam no entanto começar pela demonstração da existência dos magos ou dos atlantes; ou da vinda dos marcianos a este mundo para carregar pedras... Dão por certo que as grandes construções legadas por Incas e Egípcios foram erguidas pelos extra terrestres, quando por meio da pesquisa séria e sóbria sabemos como, por que e para que nossos ancestrais edificaram tais monumentos - De modo que a navalha de Ockham acaba cortando os Ets ou tornando sua presenta absolutamente inútil... Afirma-los obstinadamente entra pelos domínios da antropologia filosófica, pois implica presumir muito pouco dos homens, digo, de nossos ancestrais. Puro pessimismo infundado.

Claro que a História humana conhece enigmas a serem melhor decifrados, e não são poucos. A escrita de Harappa é um deles, a escrita etrusca ou toscana é outro, o eclipse da civilização Maia, o povoamento das Américas, a trajetória de nossos primeiros ancestrais pela Europa e Ásia, etc São alguns destes enigmas a serem decifrados ou melhor resolvidos. Enigma humano ou ser humano por assim dizer 'deslocado' de seu sítio ou nicho há um só Jesus de Nazaré...

Apesar daqueles que aspiram por fazer de Jesus, numa perspectiva natural ou evolutiva, uma rabino convencional ou um bom judeu em perfeita sintonia com o judaísmo, ele continua deslocado e incompreendido, diria, empregando suas palavras, que ele converteu-se no escândalo da História, justamente por ir na contracorrente do universo natural em que nos movemos, e representar algo insólito.

Grosso modo o insólito não é aceitável do ponto de vista natural ou científico, como não são aceitáveis Ets, atlantes e magos... Mas Jesus ainda ai esta sendo cultuado, de um modo ou de outro, por bilhões de pessoas e quiçá levado mais ou menos a sério por algumas centenas de milhões, o que vem a ser impressionante se o tomamos por Mito. Quero dizer que para alguns cientificistas a única solução possível é negar sua existência afirma-lo como uma construção social feita 'a posteriori' - Compreenda-se um grupo de homens ou de seres humanos de uma época futura (mais evoluída) e certamente muito bem preparados em termos de cultura foram os responsáveis por construir sua 'estória' ou sua farsa...

O 'mito' de Jesus parece não ter sido um mito comum ou ordinário, de elaboração espontânea ou natural com seus defeitos, mas um mito muito bem construído, e por isso, segundo muitos - produto de uma ficção intencional. Jesus só pode ter sido uma falsificação elaborada por um grupo fora do tempo e ambiente natural em que esta situado. Em Jesus parece haver algo do extremo Oriente, associado a algo do pensamento greco romano mais refinado... Mas este Jesus viveu numa das regiões mais remotas e atrasadas do planeta e dentro de uma das culturas mais fechadas do tempo - Na Galileia, entre hostes de fariseus e essênios profundamente ciosos de sua cultura (até a arrogância) e respirando ódio face a tudo quanto fosse politeísta, idólatra ou pagão...

Jesus ficaria um pouco menos enigmático entre os sofisticados judeus de Alexandria, onde floresceu Fílon. Apresentando como poliglota, frequentante diário da Biblioteca de Alexandria e leitor compulsivo. Mas nada indica que tenha frequentado tal estabelecimento ao menos por uma ou duas décadas...

As grande rotas internacionais de cultura passam bem ao Norte, pelo Norte da Síria, outras, menos importantes, descem pelo litoral da Palestina, habitado pelos descendentes dos antigos pagãos fossem filisteus ou fenícios, até chegarem ao Egito. A cultura internacional não flui pelo meio da Palestina por ser pagã ou politeísta e portanto repudiada como má pelos senhores de Jerusalém. Suponhamos Jesus no Khumran, que encontraria ele em termos de literatura grega? Apenas a República ou algum outro livro de Platão... Será que todos os 'monges' essênios tinham acesso franqueado a este tipo de literatura gentílica parcamente representado? Podemos supor seu conteúdo restrito inclusive.

Por ser muito difícil conceber a figura de um Galileu do século I lendo a Darmapada em aramaico ou folheando as obras de Anaxágoras em grego clássico, a figura de Jesus foi lançada aos domínios do mito e sua existência negada desde os tempos de Emílio Bossi. Afinal tudo quanto não podemos compreender perfeitamente em termos de natureza causa espanto e assusta. A negação arbitrária só faz destacar ainda mais as dimensões deste vulto.

Ademais julgo que por mais genial que este homem tenha sido, caso se tivesse limitado a tecer eruditos comentários sobre a Tanak, a compor uns diálogos filosóficos em torno do Ser, a deduzir novas fórmulas que convulsionassem as matemáticas ou a inventar algum instrumento socialmente impactante... não teria sua existência negada. Creio que tentariam compreende-lo ou situa-lo, mas... Jesus foi Mestre de Ética. E que Mestre! Aquele que ensinou-nos a amar o próximo como a nós mesmos, a abster-nos de julgar e condenar, a cultivar a paz, a sobriedade e a misericórdia, a colocar-se no lugar do outro, a ajudar concretamente nossos semelhantes... Diante de tudo isto fica até fácil saber porque sua existência deveria e deve ser negada. Além de ser 'insólito' Jesus nos incomoda a partir de seus ensinamentos Éticos. Ainda hoje não estamos preparados para aceitar o outro, nos incomodamos dele e nos fazemos de vítimas... Se uma mulher se veste como homem ficamos indignados e enfurecidos - se mente, fofoca, agride fisicamente, tortura, mata, etc não nos indignamos!!! Se um homem coloca um vestido ou uma peruca nos mostramos melindrados - caso deixe de pagar pensão ao filho pequenino, nos limitamos a sorrir... O ano 2018, e como ainda estamos próximos do pensamento daqueles 'homens de bem' que mandaram crucificar Jesus após terem-no apontado como imoral, como ainda carregamos alegremente o jugo dos fariseus hipócritas! E mesmo assim, parte de nós paga seu tributo ao fingimento declarando-se Cristão. Poucos estão dispostos, como o Dr Binet Sangleé, a declarar que Jesus era louco ou a classifica-lo como canalha ou positivamente mau.

Claro que aqui a negação apresenta-se como a atitude mais oportuna ou conveniente. Admitir sua existência ou leva-lo a sério e refletir escolasticamente sobre o tema até a derradeira conclusão seria assaz perigoso. Caso admitamos que este homem existiu de fato e consideremos racionalmente sua existência como deixar de concluir com o já citado Rousseau que se a morte de Sócrates foi a morte do maior de todos os mortais, a morte do Nazareno foi como a morte de Deus??? O perigo esta posto e a negação é a melhor saída...

No entanto este Jesus não é um marciano vindo de Órion ou das Plêiades numa nave espacial... Nem cobre seu túmulo uma lápide como a de Pakal, rei de Palenque... Tampouco é este Jesus uma espécie de missionário Atlante como Quetzalquoatl ou Kon tiki Viracocha, ou Tonapa, ou Sumé... o qual evapora-se na direção do mar oceano. Nem é uma espécie de Merlin a mover as pedras de Stonehange com sua varinha de condão... Tampouco apresenta maiores semelhanças com os deuses 'tarados' do paganismo antigo... Afortunadamente ele não se identifica com Hórus, com Tamnouz ou com Mitras como asseveram todos esses panfletários que pouco ou nada sabem sobre mitologia antiga, ignorando seriamente o caráter de tais deidades... Mas eles vão garimpando por ai e a gente simples lhes dá ouvidos.

Evidências Históricas a respeito da existência de Jesus há diversas - O original de Josefo, reconstituído pela soviética e ateia Dra Irina Sventsitskaia, o Talmude dos hebreus, Paulo, Tácito, Plínio, Suetônio... No mínimo.

Assim a negação da existência de Jesus até pode ser um recurso prático e fácil, o que de modo algum supõem é honestidade. Se Jesus não existiu personagem alguma do nosso passado existiu, afinal o que dele se exige, num contesto peculiar inclusive, não é exigido por mais ninguém e pouquíssimos dos grande homens de Roma ou Atenas passariam pela 'prova' arbitrária dos positivistas...

Agora, admitido que este Jesus tenha existido, como teria pensado sua relação com o judaísmo???

Pensou-a ele???

Exprimiu-a???

E com que palavras, luminosas e claras -

"O vinho novo não cabe nos odres velhos - Se você tentar colocar o vinho novo dentro dos odres velhos, os odres se rompem."

Ao que parece Jesus tinha plena consciência de que sua mensagem transcendia os limites estreitos da fé judaica ou da lei de Moisés ou da Tanak. Sabia que estava ultrapassando e superando a religião de seus ancestrais. Estava perfeitamente cônscio quanto a Revolução que suas palavras acalentavam. Sabia muito bem que não era um rabino beócio ou conformado com o judaísmo rabínico. Jesus não apenas contestava, questionava e criticava o que os demais consideravam sagrado ou tabu - sabia que contestava e compreendia o valor da contestação.

Leiam o Sermão do Monte e depois me digam se face uma religião REVELADA como judaísmo ou islã, não temos ai uma declaração de guerra???

Vocês sabem o que foi ensinado aos ancestrais declara Jesus, e adiciona ou acrescenta 'sacrilegamente' (sic): Eu porém vos digo! Ele opõem seu próprio EU, sua autoridade (sic) as tradições religiosas do povo, a Tanak, a Torá, a Moisés, aos Sacerdotes...

É exatamente aqui que manifesta-se a desonestidade, surpreendentemente arquitetada não pelos ateus ou materialistas de nossos tempos, mas por clérigos 'cristãos', pastores protestantes de modo geral, mas também alguns padres (como a besta do Pe Murillo), todos judaizantes. Pois bem que dizem estes senhores? Dizem que Jesus não esta, de modo algum, a criticar ou a contestar Moisés, a Torá, a Tanak ou ao que chamam de Velho testamento, mas as tradições orais dos fariseus que posteriormente vieram a formar o que chamamos Mixná e Guemara... As quais, acrescentam maliciosamente tais homens, haviam corrompido o judaísmo ou a lei de Moisés. De modo que Jesus esta pura e simplesmente removendo a impureza talmúdica e combatendo para restaurar a pureza da lei de Moisés ou para reformar o judaísmo; não para demoli-lo.

Estarão certos?

Basta analisarmos tanto mais de perto cada parcela do Sermão do Monte para constatar indubitavelmente que não. Que Jesus não esta a contestar o rabinismo, o farisaismo, o talmudismo, mas as próprias leis de Moisés, a fonte mais remota do judaísmo antigo e tida em conta de sagrada ou divina. É a ela, a lei de Moisés, que Jesus golpeia sem misericórdia, declarando que estava errada! Por isso contesta a medula por assim dizer daquela lei, que era a doutrina de Talião ou 'Olho por olho - dente por dente'... Mas semelhante expressão não se encontra na lei mosaica, declaram os desonestos. De fato tal expressão não se encontra literalmente presente na Tanak, sem que por isso deixe de ser seu princípio operatório e presente em diversos de seus preceitos, assim 'Aquele que matar será morto'... Poderás odiar tem adversário i é o princípio da vingança ou da justiça com as próprias mãos, de que resultou a instituição dos locais de refúgio... Jesus diz que tudo isto é grosseiro, bárbaro, inaceitável... Não se pode odiar ao inimigo, exercer vingança, perseguir, matar como autorizava expressamente o judaísmo antigo em nome de Deus! É mister amar, estar sempre disposto a perdoar, confiar na justiça divina, abster-se de matar, cultivar a paz, etc Como negar que estamos diante de uma outra lei, a lei do Evangelho, verdadeira lei dos céus, autenticada pelo que há de melhor em nós???

A lei dos judeus autorizava a vingança e a matança. Jesus nos proíbe até mesmo de ultrajar os contrários (dizendo louco) e nos manda dar a outra face quando atacados! Decreta que estejamos perpetuamente abertos ao perdão (perdoai setenta vezes sete). Declara que devemos amar os inimigos, sim amar os inimigos! Você pode buscar por esse amor universal no judaísmo antigo e não o encontrará e menos ainda pelo amor aos inimigos, o qual, como observa S Freud, não existe no judaísmo e nem poderia existir por ser, declara Freud - absurdo.

Quanto ao amor ao próximo ou a todos os homens poderá aventar, com certa plausibilidade, que Jesus tenha plagiado o chinês Mo Tse, que viveu cinco séculos antes dele e a mais de dez mil kilometros - Ah, e cuja doutrina já estava esquecida há muito entre os antigos chineses ao tempo de Jesus. Saberia Jesus ler ideogramas chineses? Teria ido a Chine e voltado? Haviam os escritos de Mo Tse sido traduzidos ao aramaico ou ao grego??? Busquem pelas evidências... Agora uma coisa é absolutamente certa: No contesto do judaísmo estamos diante de uma novidade que não é nem um pouco lisonjeira face a antiga religião - Favorável ao etno centrismo e a vingança.

Mas, dirá algum afoito - Jesus mesmo declarou que traço ou pingo algum da Lei passaria e que não havia se manifestado para demolir a Lei e as profecias.

Claro que não podia demolir as profecias, cujo objetivo era anuncia-lo previamente, mas concretiza-las. E também não podia demolir a essência da verdadeira Lei positiva, expressão da mesma Lei natural, manifestação da vontade de Deus e portanto de sua vontade. O cerne da questão implica em saber qual seja esta Lei divina e é exatamente aqui que Cristãos e judaizantes separam-se definitivamente. Pois os judaizantes como os judeus imaginam que Jesus esta a falar na permanência ou divindade de toda Torá ou mesmo da Tanak, que ora chamam Bíblia. Enquanto nós Cristãos compreendemos que esta Lei divina ou Revelada restringe-se ao DECÁLOGO ou aos assim chamados dez mandamentos, que eram a versão da lei natural corrente entre os antigos judeus. Para nós esta é a Lei divina e inviolável e não a totalidade da Torá ou da Tanak, elemento puramente natural e não revelado que identificamos com a cultura judaica. Essa cultura judaica para nós é puramente humana, nada tendo de sagrada. Assim o restante do código judaico ou as normas e regras que estão para além do Decálogo, as quais puderam ser livremente criticadas e contestadas por Jesus.

Isto é tão certo que atualmente os próprios judeus, em sua maioria, abriram mão de tais leis, reconhecendo-as como puramente humanas, porquanto também entre eles a lei evoluiu e já não podem viver como seus bárbaros ancestrais. Alias os judeus não costumam lançar objeções demasiado sérias a respeito e sentem-se muito pouco apegados a seus mitos, fábulas e leis; a exceção de algumas poucas que são exequíveis. Aqui os judaizantes mostram-se sempre muito mais obstinados... E no entanto, tal e qual os judeus modernos, nem mesmo eles podem viver a Torá em sua totalidade como os antigos judeus; enfim eles defendem uma solução que não colocam em prática porque de modo geral vestem-se e alimentam-se como os demais... Apenas um grupo de protestante peruanos ousou restaurar, em pleno século XX, o modo de vida dos judeus ao tempo de Cristo substituindo calças e camisas por túnicas e automóveis por cavalos e camelos... Nem preciso dizer que habitam em tendas e usam madeira e fogueiras para cozinhar, enquanto suas mulheres manuseiam o tear e o moedor de grãos. Felizmente, esta espécie de menonismo ultra ancestral, é fenômeno isolado. Os demais judaizantes não são tão sérios e contentam-se apenas com discursos pomposos em torno da tal lei de Moisés concentrando seus fogos nos Catolicismos, a que chamam de idolatria e no espiritismo, a que chamam de magia...

Os judaizantes não se mostram menos profanadores do que nós na medida em que, após terem afirmado a integralidade da Lei dos judeus ou da Torá como revelada ou divina, põem-se a selecionar o que vale e o que não vale como se Deus e as coisas divinas pudessem variar, mudar ou sofrer alteração. Por isso estão divididos em tantas e tantas seitas conforme aceitam ou repudiam este ou aquele regulamento da lei dos judeus. Assim há entre eles que retorne a dieta dos antigos judeus como os adventistas do sétimo dia, há quem repudie a transfusão de sangue como as jeovistas, há quem condene o uso de tatuagens como certas seitas pentecostais, há quem condene a moda unisex, há quem condene o corte da barba por parte do homem, etc, etc, etc Cada seita faz seu talho e escolhe seu corte ou pedaço da lei dos judeus, o qual canoniza... Desprezando todos os outros rsrsrsrsrsrs Tal a cegueira deles, porquanto esta escrito: Quem pecar contra um regulamento da lei pecou contra a lei toda! Assim selecionando profanam a totalidade da Lei que teimam em declarar como sagrada; mas que de modo algum vivem ou põem em prática.

Por isso Jesus procedeu liberalmente com relação as demais partes da Lei dos judeus tornando-se Herético para eles - O grande herético do judaísmo. Porque declarou sua dietas e distinções alimentares absolutamente vãs. Porque avaliou suas abluções como inúteis. Porque opôs-se a guarda supersticiosa do Sábado. Porque violou todos os seus preconceitos de natureza moral estabelecendo contado com - Prostitutas, publicanos, homossexuais, pagãos, crianças, leprosos, pescadores, etc tudo quanto era desprezado ou odiado pelo farisaísmo azedo. Deixou-se tocar por leprosos... E conversou a sós com uma mulher - samaritana e pecadora - junto ao poço!!! Para nós, aquele que nós fez o bem, foi santo e impecável, mas para os judeus foi um grande pecador. Pois violou conscientemente a lei que teem por divina.

Jesus foi tão contestatório para os judeus de seu tempo quanto os anarquistas e comunistas de hoje para os conservadores. Não que ele tenha sido anarco individualista ou comunista, as perspectivas de Jesus eram outras e ele não dos parece nem individualista, sob qualquer aspecto, nem autoritário ou totalitário. Postulou a autoridade, no caso divina, sem - a modos de jave - eliminar por completo a esfera da liberdade humana. Postulou a justiça e uma igualdade relativa sem endeusar a autoridade humana ou recomendar métodos violentos como uma bula de remédio. De modo geral exerceu a paz e foi pacífico; mas quando teve de erguer o chicote não hesitou, parece ter sido moderado ou equilibrado em todas as circunstâncias, quando por via de regra são os homens exaltados e amigos do extremismo.

Não me parece que se opusesse as solução democrática ou policrática ou a uma igualdade relativa em termos sócio econômicos - O Evangelho diz que ele pura e simplesmente não levava em consideração as distinções sociais de que tanto fazemos caso, e que tratava a todos, grandes e pequenos, da mesma maneira - Sem fazer acepção de pessoas... Não posso deixar de classifica-lo como socialista. Não é claro como um socialista naturalista, materialista ou economicista do século XIX - sobre o qual pesa a condenação da Igreja - mas como um Socialista Religioso dos tempos pretéritos a maneira de Urukagina de Lagash ou dos antigos profetas (Como aquele que disse: Amaldiçoado seja o que adiciona casa a casa, campo a campo...). Tornou-se vanguardista até nossos dias por ter condenado categoricamente o acumulo ilimitado de riquezas ou bens materiais: 'Não acumuleis bens neste mundo em que a traça e a ferrugem destroem, juntai bens no mundo celestial' foi ordem sua a que muitos ainda hoje se fazem moucos, fingem ignorar ou o que é pior falseiam descaradamente. E para que não pudesse haver escapatória ou alternativa aos desonestos, adicionou: Não podeis servir a Deus e as riquezas. Ai daquele que cogitar 'ganhar o mundo inteiro' - expõem-se a apartar-se de seu destino espiritual... "Mais fácil é uma corda passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus."... Em Mateus cap vigésimo quinto, determina que sejamos solidários e atentos as necessidades de nossos semelhantes - Tive fome e me destes de comer... tive sede... - com os quais identifica-se. Retira a caridade da esfera da livre vontade e converte-a em lei > Amai-vos uns aos outros e sereis meus alunos... Como resultado disto temos que os primeiros Cristãos vendiam seus bens e adotavam vida regular e comum, de modo a não existir necessitados entre eles. Pobres certamente existiram durante todo tempo em que viveram os santos apóstolos, fabricados pelo judaismo e paganismo antigo, não pelo Cristianismo, cuja regra de vidas era a partilha. Paradoxalmente os Cristãos acreditavam que quanto mais partiam seus bens materiais com os irmãos, mais ricos se tornavam porquanto investiam nos céus ou no mundo espiritual.

A bem da verdade a Lei dos judeus era muito interessante neste sentido, e como o amigo Carlos Seino, não posso deixar de admirar as instituições da reforma agrária, dos jubileus, da colheita, cobrança de jurus, etc Sabendo que ao tempo do Senhor tais leis já não eram postas em prática há séculos e que, curiosamente, judaizante ou sectário algum tentou restabelece-las (também nenhum deles cogitou cortar a pele do pênis ou restabelecer a circuncisão)... O que quero dizer é que tais reflexões, semelhantes aos do velho Sócrates, em torno da vida sóbria, moderada, regular ou temperante, deve ter chocado bastante os nababos fariseus... Como atualmente choca os neo fariseus 'cristãos'...

Aos que aspiravam pela perfeição recomendou que vendessem todos os seus bens e dessem aos pobres... Se queres ser perfeito... E da perfeição fez uma exigência para os seus: Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito...

Alias mesmo sendo de origem divina - Não podemos deixar de chegar a esta conclusão - Jesus reconheceu a livre iniciativa humana, daí ter deplorado a opção dos habitantes de Jerusalém, os quais recusaram-se a tomar seu jugo... E dizem ter chorado a triste sina da cidade.

Não apenas chocou os antigos judeus. Continua a chocar, perpetuamente os judaizantes de toda casta... Os autoritários, os capitalistas/materialistas, os maniqueus, os puritanos... Enfim a toda essa gente...



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A cruz do Cristianismo - Pensando e repensando o Antigo Testamento



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"Então Jesus teria abolido todo antigo testamento?"

Eis uma das perguntas que mais tenho ouvido nestes últimos vinte anos.

Protestantes, em sua maioria, mas também Ortodoxos, romanistas e até mesmo espíritas me tem endereçado esta pergunta, alguns por pura maldade, a maioria porém com a mais plácida boa fé. Afinal foram formados na falsa doutrina do 'Corão cristão' de Gênesis a Apocalipse e qualquer questionamento neste sentido se lhe parece inoportuno, ousado senão herético...

A própria pergunta no entanto peca por sua estrutura formal ou pelos conceitos mal empregados.

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Explico - Refiro-me aos conceitos ABOLIDO - TODO e BÍBLIA, pois é evidente que qualquer questionamento em torno da Unidade do Antigo Testamento atinge em cheio o conceito de Bíblia ou de Bíblia unitária, o qual é absolutamente precário em que pesem os esforços da Bibliolatria. É o deus de Calvino um ídolo com pés de barro.

Mas então o que é isso, então você é Cristão e questiona a Bíblia?

Justamente por ser Cristão...

O que não posso nem poderia questionar sem deixar de se-lo seria a Divindade de Cristo, a Encarnação e as palavras do Verbo Jesus assentes e consignadas no Evangelho. E eu, ao contrário de meus bons amigos espíritas, mórmons, gnósticos, etc não questiono o Evangelho. Fiel ao padrão niceno ou atanasiano, a que abraço reverentemente, encaro o Evangelho como pura e imaculada palavra de Deus... Se temos de fato um 'Corão Cristão' ele certamente vai de Mateus a João... Começando e terminando no Evangelho.

Assim o mesmíssimo fundamento que me obriga a aceitar o Evangelho como pura e imaculada palavra de Deus e do Deus encarnado Jesus Cristo, leva-me a questionar a simples sugestão de que exista qualquer outra escritura ou livro perfeitamente igual a este registro, i é ao Evangelho. E mais adiante retomaremos este raciocínio.

Por ora quero examinar os três termos da questão proposta: Abolido, todo e Bíblia ou antigo testamento.

Por abolido temos o sinônimo de revogado i é de algo cuja validade fora suspensa, mas que até então fora válido. O conceito de abolição implica a ideia de pré legalidade.

Ponto pacífico que Jesus veio ao mundo com um ideário Católico ou universal, em termos abrangentes de espécie humana, não de povo, raça, nação ou cultura. O Evangelho ou a verdade eterna transcende a questão da cultura.

Quando lemos em João que ele veio para aqueles que eram seus e que eles não o receberam devemos compreender que veio na carne dos judeus e que foi repudiado por eles e não que veio para anunciar a verdade apenas a eles... Grosso modo ele já sabia desde toda eternidade que os judeus haveriam de suspende-lo no alto da cruz e consequentemente que teria de anunciar a verdade aos pagãos i é a totalidade do gênero humano, assim se aceitou que as coisas ocorressem em tais termos foi certamente porque o desejou e quis ou porque correspondiam a sua vontade eterna que era a redenção do gênero humano e não a glorificação exclusiva de um povo, no caso os judeus.

Por isso estendeu gradativamente a sua missão aos de Shamaraim e depois aos gregos i é aos pagãos e a todos os homens, arrematando o abençoado Evangelho com a seguinte exortação: Ide em meu nome e ensinai as nações e fazendo discípulos em meu nome...

Já a parábola dos convidados da festa nupcial indicava claramente esta solução universalista, alias a única justa, perfeita e digna da excelsa divindade.

De modo que se amou o mundo a ponto de manifestar-se nele de modo a que todos fossem salvos da ignorância e da maldade pelo pleno conhecimento da verdade, devia instruí-lo antes de tudo em termos de ética promulgando uma lei universal fundamentada na própria consciência, e não uma lei étnica ou cultural.

Pois a cultura foi produzida naturalmente por cada povo no curso da História.

Assim a cultura dos judeus e suas leis, fazendo exceção ao Decálogo. Tal a lei eterna a respeito da qual o Senhor disse não ter vindo revoga-la, mas restabelece-la em sua puridade. De fato nem traço, nem pingo, nem ponto desta lei moral, natural e divina poderiam ser revogados...

Tal a origem do Sermão do monte ou das bem aventuranças, cuja natureza pode ser descrita em termo de ampliação e aprofundamento do Decálogo ou como fixação definitiva da lei moral em sua absoluta puridade e clareza.

É o Evangelho uma lei eterna, universal e irrevogável fundamentada a um tempo na própria natureza e a outro no Deus Legislador. De modo que suas exigências podem ser cumpridas por todos os homens de todos os tempos e lugares.

Temos aqui coisa totalmente diversa da lei dos judeus.

A qual jamais poderia ser imposta a todos os seres humanos sem que houvesse patente violação da dignidade deles. Afinal a que título poderiam ser obrigados a reconhecer uma dada cultura como divina ou superior a todas as outras?

Toda lei dos judeus ressente o ambiente e a época em que foi elaborada. É fenômeno imanente em termos de tempo e espaço, não universal ou transcendente como a lei natural.

Diante disto que Cristão civilizado poderá admitir que o propósito de Jesus foi impor a Torá ou a Tanak a toda igreja e a todos os seres humanos???

Podemos nós em sã consciência apresentar Jesus como apóstolo da judaização???

Com o Evangelho em nossas mãos temos o direito de responde com o solene e sonoro não. Não, não veio Jesus canonizar, santificar ou impor a lei dos hebreus a todos os crentes.

Por isso no já citado Sermão do monte ousa dizer: Isto ou aquilo foi dito aos antigos, eu porém vos digo... Jesus tinha plena consciência a respeito de sua origem, do que era e do que viera fazer aqui; por isso ao invés de repetir mecanicamente as lições da Tanak e da Torá e de concordar servilmente com ela a maneira de qualquer rabino boçal, Jesus 'Falava como quem tinha autoridade...' Mas autoridade para que? Para contestar as leis civis, penais, militares e culturais dos antigos hebreus.

Por isso toca aos leprosos com o objetivo de purifica-los, o que era proibido pela lei.
Por isso fica a conversar sozinho com a mulher do poço, o que era vedado pela lei.
Por isso permite que seus seguidores comam sem lavar as mãos, o que era contra a lei.
Por isso questiona a diferença entre os alimentos puros e impuros, o que era condenado pela lei.
Por isso Jesus confronta e lei que os judeus encaravam como santa, pura e celestial e o faz sem maiores cerimônias.

Diante disto os escribas e fariseus concluíram com maior lucidez que os judaizantes: Ele aspira revogar a Lei de Moisés. Não a lei moral ou o Decálogo, cuja perenidade reconheceu. Mas todos os demais dispositivos, normas, regulamentos, etc os quais certamente nada tinham de divinos, cristãos ou obrigatórios para nós.

Até que em determinado dia Jesus teve de reconhecer este propósito, ainda que de maneira prudente e cautelosa. Seja como for ele disse em alto e bom som que: "O VINHO NOVO não cabe nos ODRES VELHOS."

Digam que o Evangelho não cabe na Torá ou na Tanak e terão dito a mesmíssima coisa que Jesus.

Cristianismo não cabe no Judaísmo.

Cristianismo é princípio, superior, divino e vindo dos céus. Judaísmo elaboração puramente humana.

Agora que prova ou demonstração tiramos disto?

Que os Cristãos jamais levaram a sério o antigo testamento, neste sentido de que fosse um Corão Cristão em tudo igual nosso Novo Testamento ou nosso Santo e abençoado Evangelho.

Podemos tirar a prova?

Eu deixei de ser protestante porque via os protestantes apresentando diariamente o Antigo Testamento como divino e vivendo como 'pagãos ' - ao menos em parte - sem jamais colocarem em prática as tais instituições divinas.

Agora como podemos declarar que algo é divino sem coloca-lo em prática?

Como dizer que algo é divino e que foi abolido?

Afinal não é Deus imutável e sem sombra de variação como declara o apóstolo S Tiago na sua bendita Epístola.

Como declarar que Deus formula e estabelece leis imperfeitas, indignas e brutais?

Como admitir, e a malignidade do pensamento protestante concentra-se toda aqui, que algo possa ser divino e ao mesmo tempo precise ser reformado ou consertado?

Acaso procede o Deus perfeito como os mortais i é por acerto e erro?

Como declarar que algo foi primeiramente disposto por Deus e depois, logo em seguida, revogado pelo próprio Deus?

Jamais vi os Cristãos de qualquer seita conseguirem dar total cumprimento as leis de Moisés.

E no entanto declara o apóstolo - Se violas um inciso (isto vale para qualquer código legal, inclusive para a lei natural é Ética do Evangelho) violas toda lei...

Os próprios judeus já desistiram de cumprir sua Torá a muito tempo e não acalentam mais este ideal.

Apenas os sectários protestantes e judaizantes, por pura e simples leviandade.

Afinal teriam de não só admitir a existência de bruxas como de queimar todas as cartomantes e wicanistas em praça pública sob pena de estarem pecando gravemente, uma vez que a Torá decreta: Não podeis deixar viver uma feiticeira, mas deveis lança-la ao fogo ou seja, reascender todas as piras e fogueiras da Inquisição bíblica apagadas há quase trezentos anos.

E no entanto a simples sugestão de que hajam verdadeiras bruxas que vendem suas almas a diabos em rituais satânicos ou pior que transam com eles enquanto flutuam em torno de fogueiras durante o Sabatt é simplesmente aberrante senão vergonhosa.

Que dizer então das imagens ou representações tão caras a todos os filhos da grande e antiga igreja ou seja a todos os Cristãos episcopais ou Católicos???

Embora seja exato e certo que os primitivos israelitas possuíssem verdadeiras representações e até esculturas em grande número seja de javé, de ashera, dos terafins, dos efodes, de espíritos ou baalins, etc não é menos certo que após o advento de Elias, o vidente e principalmente do rei Joshishe dos deuteronomistas, a simples confecção das representações foi proibida sob pena de heresia. Ficando a lei dos judeus iconoclasticamente fixada nos seguintes termos: Não farás tu imagem de escultura...

Claro que este princípio foi válido até o tempo em que Deus Encarnou-se nascendo de mulher, assumindo corpo mortal, sendo crucificado, morto, sepultado, escolhendo discípulos e fundando uma igreja visível e que por isso mesmo os Cristãos, servidores do Deus encarnado não o observam confeccionando representações do Deus vivo e encarnado Jesus Cristo, de sua santa Mãe, de seus abençoados apóstolos, etc

Os judeus no entanto como repudiam a doutrina da encarnação de Deus...

Seja como for os protestantes, afetando judaísmo, não levando o mistério da Encarnação a sério e repudiando a distinção feita pelos ortodoxos recitam sem cessar a letra deste mandamento com o intuito de atacar a igreja de Cristo e de apresenta-la como idólatra.

A Igreja no entanto, fiel ao padrão da Encarnação, inaugurado por nosso Deus Jesus Cristo, não faz, por assim dizer, qualquer caso da objeção escrita contida na Torá ou pior no Decálogo, julgando-a temporal ou relativa e e vivendo como se não existisse.

E isto tipifica perfeitamente a atitude da verdadeira igreja de Cristo face a todas as outras partes do antigo testamento dos judeus - A Cristandade passa muito bem como se não existissem, comendo carne de porto, camarão, etc

Temos de reconhecer por fim que o principal motivo da controvérsia sucedida entre a Cristandade antiga e a moderna após o surgimento do protestantismo, deriva justamente do protestantismo ter levado aquele testamento mais sério do que devia, e isto a ponto de - com Calvino - iguala-lo em autoridade a nosso Santo Evangelho, sacramentando a perigosa ideia de Bíblia Una, a partir da qual o Evangelho converte-se em parte indignificante ou minoritária até perder seu sentido precipuamente Cristão i é seu sentido de excelência, superioridade ou soberania; o qual é supinamente ignorado pela maior parte dos sectários protestantes. Haja visto que realizada qualquer demonstração no plano do Evangelho não tardam a perguntar: Mas e Deuteronômio? Mas e Salmos? Mas e Provérbios?... Sugerindo que o conteúdo de tais registros seja capaz de rivalizar ou mesmo de alterar o ensinamento do Evangelho ou que Jesus Cristo deva sempre ensinar de acordo com eles...

A ideia de Bíblia uma ou de Corão Cristão transtornou por completo a consciência Cristã, desde o começo posta sobre as palavras de Cristo i é sobre o Evangelho.

Diante disto alguns, mais realistas, puseram-se a declarar que algumas partes do AT eram válidas e outras não ou que algumas haviam sido revogadas e outras não.

Foi uma solução que por falta de padrão ou critério saiu pior que o soneto.

Afinal quem deveria revogar ou fixar as tais partes do AT???

Caso atribuamos esta autoridade ao individuo estaremos perdidos, pois haverão tantas opiniões quanto cabeças. Assim no protestantismo onde há quinhentos anos cada qual escolhe o que quer do antigo testamento declarando o que lhe agrada válido e o que não lhe agrada abolido... Por as coisas nestes termos seria admitir o reinado da confusão.

Atribuir tal iniciativa a este ou aquele clérigo ou autoridade da igreja não altera significativamente este quadro. Apelar a sínodos ou concílios é igualmente inutil pois jamais examinaram a questão.

A dar esta solução por válida, Jesus é que deveria ter determinado, no Evangelho, quais parte do antigo testamento continuariam valendo e quais partes dele deveriam ser desconsideradas e não abolidas por seu povo.

O que nos cumpre então é perguntar: Fez Jesus Cristo tal distinção entre as partes válidas e irrelevantes do A T?

De nossa parte só podemos responder a esta pergunta com um enfático SIM.

Jesus já resolveu esta questão com sua autoridade divina no exato momento em que afirmou a perenidade exclusiva daquela parte da Torá gravada sobre as tábuas e posta dentro da arca i é do Decálogo. Em termos de Ética ou de Lei apenas e tão somente o Decálogo tem validade para a igreja de Cristo. Devendo ser as demais leis, normas e regulamentos dos antigos judeus encarados como elaboração de origem humana e desconsiderados.

Em termos de ética ou lei todas as demais partes do AT foram abatidas quando o Redentor fez esta distinção, a nosso ver capital.

As leis étnicas dos antigos hebreus sequer foram abolidas porque sequer tiveram uma origem divina.

A única outra possibilidade aqui seria admitir que Jesus referiu-se a toda Torá e então levada a sério e viver a moda judaica, cobrindo-se com túnicas, tendo escravos, queimando bruxas, massacrando infiéis, praticando levirato, etc Coisa que os advogados desta tese não fazem...

Nada mais fácil para os sectários do que afirmar que por Lei irrevogável Jesus teria designado toda Tanak ou no mínimo toda Torá, estamos aqui esperando para ve-los viver segundo as normas e regras da Torá, pois aqui como sempre, os protestantes ficam apenas com o que é mais fácil e conveniente, a doutrina ou a teoria, esquecendo-se da prática tão importante para os antigos judeus.

Ah mas Jesus revogou isto ou aquilo...

É verdade que fez crítica há algumas partes da Torá, mas não a todas as partes. Assim jamais disse que era permitido tatuar-se, raspar a barba, semear dois grãos diferentes no mesmo campo, misturar dois tecido nas roupas, etc Se a crítica feita por ele tinha de ser parte por parte, nos parece bastante limitada, muito restando do AT para nossos sectários protestantes cumprirem, como matar bruxas por exemplo... Mas eles não cumprem nada, embora afetem endeusar o AT. Aqui, no terreno judaizante, seriedade alguma...

Na hora de condenar o espiritismo vamos ao Deuteronômio... Agora na hora de esconder rigorosamente a nudez, quanta leviandade e frustração... Adeus Deuteronômio... O qual como se vê só serve mesmo para condenar os pobres espíritas e esotéricos. No mais é o Dt e toda Torá papel velho... Nem mesmo os menonitas e amishes tem coragem suficiente para queimar as bruxas e apedrejar os Católicos...

Diante de tanta incoerência tem a verdadeira igreja histórica de Jesus Cristo uma resposta simples e singela quanto ao problema do antigo testamento - A única parte do AT canonizada pelo Verbo Jesus Cristo no Evangelho é o Decálogo, além é claro das profecias ou vaticínios destinados a anunciar previamente sua manifestações entre os mortais.

Então sabemos que o antigo testamento não é desconsiderado como um todo ou em sua TOTALIDADE, mas analisado enquanto parcelas ou partes. Destarte podemos responder dizendo que ele não é de modo algum um 'Corão Cristão' ou um outro Evangelho i é, pura palavra de Deus, mas que sem embargo disto contém palavras divinas.

Chegamos assim ao problema do Canon do antigo testamento, por dizer respeito a sua totalidade ou ao que chamamos Bíblia.

E para tanto temos de analisar brevemente a questão do Antigo Testamento face a Igreja ou a fé Ortodoxa, o que será bastante elucidativo.

Quero antes de tudo fazer uma observação curiosa e que tem deixado muito ocidental - romanista e protestante - perplexo. Refiro-me ao fato da Igreja Ortodoxa jamais ter definido ou assumido um Canon do Antigo Testamento. Grosso modo podemos dizer que inexiste um Antigo Testamento Ortodoxo ou que o Canon do AT não faz parte dos dogmas da igreja Católica Ortodoxa.

Mesmo para a Igreja romana - que era, ao menos até o Vaticano II, menos judaizante do que o protestantismo - a questão do Canon do AT é bastante importante, especialmente no bojo da controvérsia com os protestantes, cujo espírito, ela assumiu ingênua e acriticamente. Não apenas no sentido de dissertar sobre os mistérios e dogmas do CRISTIANISMO, partindo dos registro JUDAICOS ANTE CRISTÃOS, como polemizando dramaticamente em torno do antigo testamento uma vez que os protestantes adotam o canon palestiniano e ela um canon alexandrino bastante limitado.

A igreja romana jamais teve audácia suficiente para contestar a ideia de uma Bíblia unitária ou de um Corão Cristão e de dizer aos protestantes que se limitassem a discutir no terreno do NT ou do Evangelho e esta foi sua suprema desventura. Pois deixou uma porta escancarada a heresia e penetrou num terreno judaizante em que não podia sustentar-se doutrinariamente. Venceria todas as vezes - os protestantes sabem muito bem disto - caso tivesse restringido a polêmica doutrinal ao NT ou ao Evangelho, avançando pelo terreno do AT, contaminou-se de judaização e forneceu contingentes de fiéis ao protestantismo mais sectário.

Por isso lemos com toda seriedade nos manuais de controvérsia papista que a primeira da controvérsia girava certamente em torno do Canon, do AT é claro, pelo simples motivo de que para demonstrar-se a doutrina Cristã, era necessário ir as fontes... Mas a que fontes??? Do NT ou do Evangelho??? Aqui a igreja romana foi categoricamente desastrosa, ao responder com os protestantes: A Bíblia e portanto também as partes do antigo testamento. Esta resposta implicava admitir que o antigo testamento era também ele uma fonte autorizada da doutrina Cristã.

Mas como se a instituição Cristã é fruto da Encarnação do Verbo Jesus?

Em certo sentido os protestantes, como parte dos papistas e em especial os agostinianos, jamais conseguiram afastar de suas mentes a ideia de que a Revelação começara com Adão, Noé, Abraão, Moisés, sei mais la eu quem e que Jesus Cristo limitou-se a completa-la, no sentido de ser apenas mais um - homem entre homens. Neste sentido o Cristianismo foi encarado como uma espécie de continuação do judaísmo ou como uma seita judaica, jamais como uma religião ou seita autônoma em estado de oposição/rebelião. Inversamente parte dos romanos e quase todos os protestantes passaram a encarar o judaismo antigo como uma espécie de igreja pré Cristã ou Igreja do antigo testamento, ou Igreja mosaica... Até certo ponto esta visão deturpada serviu para justificar a própria reforma protestante, pois os reformadores acreditaram seriamente que se a 'igreja antiga' ou dos judeus apostatara, também a Igreja Cristã e Católica, fundada pelo Deus encarnado Jesus Cristo poderia apostatar... Pois a ideia de extensão ou de continuidade judaica estava fixada em suas mentes...

Diante disto foram lavados a avançar cada vez mais e a sustentar que também o AT continha não só elementos da Lei, mas mesmo da verdade Cristã...  No que foram auxiliados poderosamente pelo inconsequente sistema exegético alegórico, sistematizado por S Orígenes de Alexandria. Grosso modo nem os judeus europeus ou alexandrinos podiam suportar a literalidade dos mitos do AT. Diante disto os rabinos mais espertos, a partir de Aristóbulo, passaram a recorrer mais e mais ao alegorismo grego com o sentido de tornar seus mitos a fábulas mais aceitáveis a clientela mais refinada. Este sistema foi estabelecido como padrão por Filon durante a própria geração de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A princípio os Cristãos judeus procedentes da Palestina não levantaram muitos problemas em torno de tais questões. No entanto na medida em que os judeus europeus ou alexandrinos e depois os pagãos medianamente instruídos foram aderindo a nova fé, tal questão foi se tornando mais e mais premente, até estourar com Marcion de Sinope no ano 130. Marcion tendo lá seus motivos, adotou uma posição rigorista, condenando o AT em bloco e portanto as profecias alusivas ao advento do Instrutor supremo e o Decálogo, o que suscitou uma reação extremista entre parte dos Cristãos, e a primeira sugestão nos termos de um Corão Cristão que englobasse um determinado Canon do AT. Isto numa época em que os próprios judeus não haviam elaborado seu canon.

Teve a igreja uma chance ou oportunidade para elaborar um Canon fixo e definido do AT e no entanto não o fez e cada padre ou elder exarou uma lista, alguns aderindo ao canon palestiniano ou menor, outros ao alexandrino e outros a soluções intermediárias, havendo mesmo quem oferecesse modelos mais amplos... Em termos positivos apenas o Canon do NT, a exceção do Apocalipse, foi esboçado.

Pouco tempo depois, cerca do ano 210, veio em socorro do AT, o já citado Orígenes, canonizando o sistema exegético de Fílon e aliviando, quanto fosse possível a consciência dos Cristãos, inclusive dos semi judaizantes e judaizantes moderados. Desde então puderam os Cristãos, com a maior boa fé, procurar, subjetiva e artificiosamente, pelas doutrinas Cristãs no antigo testamento, fugindo ao padrão histórico gramatical ou objetivo. E como o homem costuma e encontrar o que quer onde quer, apesar dos comentários rabínicos suficientemente claros, nossos ancestrais lá encontraram não só a Trindade e a Encarnação de Deus (!!!) mas até mesmo a Eucaristia, a Ordem, a Evkelaion, etc... Diante disto como deixar de crer que o AT equivalia a um manual de doutrina Cristã nos mesmos termos expostos nos manuais de controvérsia papista.

Até Calvino - o qual apesar de seus erros monstruosos teve o mérito de denunciar a futilidade do alegorismo - nossos episcopais, rivalizando com os cabalistas, deitaram e rolaram no AT dando com a doutrina ortodoxa em todas as partes. No entanto na medida em que o alegorismo foi sendo desacreditado e a exegese litero gramatical restabelecida, quem colheu os louros foi o protestantismo judaizante, pelo simples fato de não dar com a Trindade, a Encarnação, as imagens, a imortalidade da alma, o Domingo, etc lá na igreja da antiga lei ou no antigo testamento. Tal a origem das principais seitas bíblico judaizantes: Unitária, iconoclasta, anabatista, mortalista, sabatista, etc E para tanto bastou-lhes forçar ou sentido de alguns textos do NT que é um corpo menos extenso. A simples ideia de que os elementos da Ortodoxia ou do Catolicismo não se achavam literalmente no AT sugeriu a toda aquela gente que eram corrupções de origem pagã.

Disto resultou a definição do Canon do AT pela igreja romana em Trento, a qual tornou-se dogmática. Todas as seitas protestantes, desde Karlstadt, já haviam canonizado e santificado o canon judaico palestiniano. Ambas as confissões tiveram de faze-lo pelos motivos acima citados ou por questão de necessidade. Não podiam deixar de levar a sério aquele registro enquanto fonte doutrinária.

Pois se um determinado registro é encarado como fonte de doutrina Cristã, delimita-lo torna-se necessidade premente e não delimita-lo implicaria leviandade.

Tal no entanto reflete a postura da Igreja Católica Ortodoxa a respeito do antigo testamento. Ela jamais delimitou ou definiu seu Canon a exemplo das facções rivais. Isto é absolutamente certo, sendo comum que Ortodoxos e não Ortodoxos se lhe refiram como a um problema.

Assim os sínodos de Jerusalém - cujos canones lemos, traduzidos e publicamos em nossa defesa do Canon alexandrino contra os judaizantes - (presidido por Jeremias II) e de Jassy (Presidido por Dociteus, o grande) subscreveram o Canon papista dos 72 livros. Já a Igreja dos russos em seus Catecismos tem subscrito o pequeno Canon palestianiano... enquanto as igreja periféricas dos países arabes - etíope, copta, siríaca, assíria, etc - tem adotado modelos ainda maiores. Ficando a questão indefinida.

E nem por isso nossos Ortodoxos acham-se em estado de choque no sentido de que não seja possível fixar com exatidão da doutrina Cristã...

E por que?

Porque para a igreja Ortodoxa a fonte da doutrina Cristã encontra-se no Novo Testamento e sobretudo no Santo Evangelho que é a palavra de Cristo. A Igreja ortodoxa jamais perdeu este sentido ou esta consciência, exceto quanto a certas parcelas fixadas nos países árabes, onde a Bíblia local passou a ser encarada como um Corão... Aqui no entanto nada temos além duma infecção muçulmana, bastante compreensível em termos de cultura.

Justificasse nosso ponto de vista.

Caso levemos a sério o adágio 'Lex orandi lex credendi', plenamente.

Pois nossa hierurgia compreende dois aspecto: O aspecto estético da adoração e o aspecto não menos importante do ensino.

Como estou escrevendo a uma pessoa eclesiástica, direi apenas que em nossa Liturgia não empregamos uma Bíblia como os protestante e neo papistas, mas segundo mandamento apostólico um EVANGELIÁRIO i é um volume que contém apenas os Santos e divinos Evangelhos, i é as palavras do Deus encarnando Jesus Cristo. Claro que temos muitos outros livros litúrgicos importantes como menológio, horológio, etc Nenhum deles no entanto sequer aproxima-se do Evangeliário, nem mesmo de longe, pois encerrados os ofícios apenas ele deve permanecer sobre o abençoado altar com a cruz vivicante e o ícone da Mãe de Cristo.

Além disto é o Evangeliário e não a Bíblia - a qual como ente unitário INEXISTE NA VIDA LITÚRGICA ORTODOXA - é que é empregado nas cerimônias de ordenação e nos demais sacramentos como Matrimônio, Evkelaion, Enterro, etc É ele a única leitura que ouvimos de pé, significando prontidão para cumprir, que é solenemente levado em procissão, cantado, rodeado por luzes, incensado, beijado, entronizado, etc Ele, apenas ele, e não a Bíblia, é o centro de nossa vida litúrgica e espiritualidade ortodoxa e não menos que S Francisco de Assis, e com mais propriedade até nós Ortodoxos podemos bradar: Evangelho, Evangelho, Evangelho, tal a lei dos Cristãos e o instrutor suficiente e que nossas almas encontram plena satisfação.

Não menos que D Guetté, Jules Overbeck, Migne e Thurmel posso vangloriar-me de ter lido os antigos padres - tive de tornar-me poliglota para tanto - em quase sua totalidade, especialmente os ante nicenos (anteriores a Constantino César) e os de lingua grega; mas também os principais padres do século IV, em especial os capadócios e mesmo algo mais específico como literatura sacra, assíria e siríaca dos séculos V a XIV, assim o que chamamos patrologia aramaica e árabe - Mar Babawai, Thimoteos, Aretas de Cesaréia, Dionisio Bar Salibai, Mar Odeisho de Nissevan, Mar Suleiman de Bashara, Mikhail, Ishodad Marwan, Gregorios Bar Hebraeus, Elnataieb, o grande Ebed Yeshua, etc
Destarte posso dizer sem temor de errar, que padre - não me refiro aos latinos pós nicenos - algum de Clemente de Roma e Inácio Teoforo a Psellos, Ebed Yeshua, Jeremias II, Dociteus... jamais apresentou ou confundiu a Torá de Moisés com a LEI DE JESUS CRISTO, que são os Evangelhos. Os padres antigos em sua totalidade sempre apresentaram o Evangelho como lei suficiente de Jesus Cristo ou no máximo como algo completado pelo NT ou pela tradição apostólica, jamais pela Torá, ela Tanak ou pelo antigo testamento e leis judaicas, portanto se este erro prevaleceu foi por obra da Reforma protestante (João Calvino - Lutero era doutra opinião, liberal) ou talvez de Agostinho, pai de outros tantos erros anti Católicos.

É verdade que a maior parte dos padres posteriores a Orígenes, antecipando nossos esotéricos e gnósticos, laborou no sentido de encontrar 'doutrinas cristãs' ocultas no AT, servindo-se do péssimo esquema - subjetivo, caprichoso e artificial - da alegoria. Eles sabiam no entanto que deviam partir do Evangelho enquanto fonte de doutrina, para em seguida busca-la lá no AT. Hoje os sectários partem do AT enquanto fonte autonoma e suficiente, com o objetivo de alterar ou mesmo questionar o que lemos com toda simplicidade no Evangelho, julgando que o AT seja tão boa fonte de doutrina Cristã ou Católica quanto as palavras de Cristo. Quem poderá deixar de concluir que se trata de uma perversão? Afinal onde dar com o ensinamento Cristão senão em registros Cristãos? Alegar que tudo já lá estava em linguagem cifrada no AT e que os antigos hebreus - saídos das areias do deserto - podiam compreende-los é da-los por mais sábios e inteligentes que os Cristãos! Afirmar que tudo lá estava claramente exposto e acessível a todos é fazer de Cristo um turista ou repetidor que nos tenha trazido de especial...

Ouso perguntar que lógica há em afirmar e crer que Jesus Cristo seja superior, especial, divino; como ensinaram os padres nicenos e que suas palavras são iguais as de muitos outros homens???

Que sentido há em proclamar a origem divina de Jesus e nivelar seus ensinamentos com os de Moisés, Aarão, Josué, Davi, Salomão e todos esses bárbaros de origem mortal?

Quanta coerência há em adora-lo como Deus eterno e em apresentar revelação como a de um profeta, emissário ou representante?

Acaso a admissão de sua superioridade essencial não nos obrigaria, por coerência, lógica a admitir e postular a superioridade, a soberania e a diferença de suas palavras e ensinamentos, face as palavras de seus supostos representantes, os profetas, os quais eram antes de tudo humanos e portanto seres limitados em posse de órgãos imperfeitos???

Como imaginar a simples possibilidade de que qualquer homem, inda que iluminado ou inspirado, tenha podido expressar-se da mesma maneira, com a mesma exatidão, acuidade, habilidade e perícia do que a fonte eterna e infinita da luz? Como imaginar que qualquer profeta tenha sabido e podido comunicar-se do mesmo modo ou com a mesma perfeição que DEUS feito carne?

Que sentido faz em elevar Jesus a esfera da divindade e permitir que sua palavra e seus ensinamentos permaneçam perdidos em meio aquele cipoal chamado Bíblia??? Se suas palavras nada teem de diferente, de especial ou de superior como admitir que seja melhor do que todos estes homens? Como podem falar igual ou da mesma maneira, os homens finitos e Deus Perfeito???

Não a doutrina da inspiração plenária e linear, corrente entre os protestantes, não esta de acordo com nossa fé nicena na medida em que não honorifica sumamente a pessoa do Verbo Jesus, pondo-se no caminho do unitarismo. A partir da falsa noção de Biblia una ou de corão Cristão Jesus é apenas mais um, um dentre muitos ou vários e não o Único, Emanuel, Deus nosso feito carne.

Nós certamente repudiamos o erro extremo de Marcion e com toda a Santa Igreja Católica e Ortodoxa reconhecemos as profecias entregues aos judeus com relação a futura manifestação do Instrutor divino Jesus Cristo, como verdadeiras palavras de Deus, sagradas e inspiradas e as reverenciamos e bendizemos como deve todo o Cristão, sabendo no entanto que por meio de profecias os demais povos e culturas também foram informados sobre sua manifestação, assim os gregos e romanos por meio das Síbilas citadas pelos abençoados Tertuliano, Orígenes, Lactâncio, etc
Sem que no entanto desconsideremos por completo e de todo o teor de suas críticas até onde são justas e aceitáveis. No sentido de que não podendo fazer concordar diversos elementos da cultura hebraica contidos no Antigo Testamento com os Ensinamentos do Evangelho, a honestidade nos obriga a reconhecer sua origem puramente humana e a negar que constituam palavra de Deus, assim os mitos da criação mágica ou do dilúvio tomados aos antigos sumérios, assirios, babilônicos, etc suas leis bárbaras e carniceiras, seus genocídios e os diversos preconceitos como em especial o machismo.  Impossível fazer concordar o extermínio de idosos, mulheres e crianças ou a escravidão com os ensinamentos de Jesus Cristo. Impossível imputar a mentira ou o adultério a divindade e reportar-se ao Evangelho. Impossível considerar seriamente que o tamanho do pênis dos egícios ou sua ejaculação tenha um sentido espiritual. Impossível admitir que o Deus de Amor tenha permitido que Jéfte sacrificasse sua filha ou aplaudido os guerreiros babilônicos quebrando as cabeças dos recém nascidos nos penhascos... Buscar qualquer acomodação aqui é trair sordidamente a ética do Evangelho, é ser imoral e criar uma teologia desonesta!

É dever dos Cristãos tudo medir, avaliar e julgar segundo o padrão do S Evangelho e jamais transigir. Não posso admitir que Jesus seja o autor de todos os crimes e pecados acima citados e condenados por sua pura palavra. Implica violar o dogma da santidade divina. Deus é por definição imutável e sem sombra de variação. O mesmo hoje, ontem e sempre, logo unicamente o Deus do Evangelho, Pai do Filho Pródigo, o qual perdoa setenta vezes sete...

Portanto nem aceitamos o AT em sua totalidade como pura palavra de Deus tal e qual os fanáticos, fundamentalistas, sectários, obscurantistas e judaizantes; nem, como os marcionistas ousamos repudia-lo em bloco, ignorando ou fazendo pouco caso das profecias. O antigo testamento possui verdadeiras palavras de Deus, assim as profecias e o Decálogo. De par com um aluvião de palavras humanas que constituem seu entorno cultural.

Por fim quanto ao valor das profecias.

As profecias tem por fim encaminhar as pessoas ao Verbo Jesus por meio de um testemunho irrecusável, sobrenatural e divino. Neste sentido para aqueles que ainda não chegaram ao fim do caminho ou atingiram a meta a ser alcançada elas são como uma espécie de roteiro ou de mapa. Podemos ainda comparar os anúncios sobre a manifestação futura do Verbo com as placas dispostas numa estrada. Assim para aqueles que buscam ou procuram oferecem auxílio precioso...

Agora que proveito tem as placas, mapas e roteiros para aqueles que já atingiram a meta do Evangelho e estão postos diante do mestre Jesus? Daquele a respeito de quem disse a voz celestial: Eis meu Filho, escutai-o! Estando diante de Jesus devemos voltar os olhos para trás ou para as profecias???  Postos diante do Verbo Eterno devemos ainda buscar indicações??? Devemos viver de profecias como os que precederam no tempo a manifestação de Emanuel? Na posse da realidade plena que tantos olhos aspiraram ver e tantos ouvidos aspiraram ouvir devemos tornar as sombras e símbolos??? Por que continuar com os olhos presos em velhas profecias se elas dão testemunho e para ele apontam??? Que utilidade teem óculos para quem enxerga perfeitamente ou muletas para quem pode correr???

Coisa excelente são as profecias para os que se aproximam. No entanto infinitamente mais excelente é ter conhecimento do Evangelho que é a pura palavra de Cristo, e deleitar-se nele e abraça-lo como Instrutor suficiente, o qual tudo ouviu 'No seio do Pai' e que tudo no-lo revelou. Portanto é absolutamente natural e desejável que aqueles que encontraram o Verbo Jesus, receberam a iluminação e alistaram-se nas fileiras da igreja concentrem todos os seus esforços em estudar seriamente e em bem compreender o Evangelho auxiliados pela tradição. Afinal que fez o homem que encontrou a pérola de grande valor? Acaso não se desfez de tudo mais para poder adquiri-la? E o que é a pérola de grande valor, segundo nossos abençoados padres teóforos, senão o Evangelho, a palavra de Cristo??? Face a qual até mesmo as profecias perdem a utilidade e o valor.

Assim o valor das profecias é restrito e limitado. Mas o valor do Evangelho, que é a pura e imaculada palavra de Nosso Deus verdadeiro Jesus Cristo, intrínseco e imperecível pelos séculos.

Tendo chegado ao fim desta resposta, rogamos a vossa graça que seja indulgente perdoando nossa loquacidade e sabendo que em tais questões deve o homem ser exato, claro, franco, objetivo, etc de modo a exprimir bem as razões de sua esperança e não ser mal interpretado pelos lobos que se cobrem com pele de ovelhas. Desde já nos colocamos a disposição de vossa abençoada graça para maiores esclarecimentos.

E se algo aqui não esteja de pleno acordo com a Idjima ou consenso dos antigos padres, nossos senhores e mestres, e assim demonstrado for, abandonamos nosso ponto de vista. Que a excelsa e eterna Trindade nos guarde em sua paz!