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domingo, 19 de fevereiro de 2023

Carnavalidades... ou por um Carnaval 'diet' ou 'ligth'.



Nascido em família protestante, bíblica, sectária, moralista ou puritana não conhecia ou sabia muito bem o que era Carnaval.


E a mentira começava pelo sentido dado a palavra - Habitualmente desonestos e mentirosos os crentelhos diziam que Carnaval significava: Carne vai kkkk, ou seja, vai corpo, vai sexo... quando na verdade significa exatamente o oposto: Carne levare i é afastamento ou abstinência da carne vermelha, aludindo prática quaresmal das igrejas apostólicas.

Tampouco sabíamos qualquer coisa sobre o carnaval dos blocos de rua ou sobre o carnaval de salão.

O objeto dos ataques, alias sempre bem sucedidos, era esse carnaval das escolas e do sambódromo, e da globosta, com seus abusos e excessos até a bizarrice.

Passados mais de trinta e cinco anos a coisa não mudou... Pois vivemos num tempo de extremos.

Temos assim a um lado os fanáticos, fundamentalistas e tarados religiosos que condenam irremissivelmente os festejos carnavalescos... e a outros os foliões 'debochados'. 

Nós assumimos, como sempre, uma postura crítica, equilibrada e de meio termo.

Quanto aos fanáticos bíblicos a manobra consiste em condenar qualquer irrupção espontânea de alegria popular, assim o carnaval. E há um premeditado designío ou intuito nisso, uma intencionalidade mórbida que consiste em tornar a presente vida amarga, chata e desagradável... Azeda, intragável.

Monstruoso esse método que consiste em tornar o céu ou o paraíso apetecível a força de apresentar tudo quanto haja de bom na face da terra como pecaminoso. E no entanto o protestantismo yankee, com seu ranço calvinista é isso...

Carnaval tem abusos ou excessos, alias localizados, mas não é ele mesmo o excesso ou abuso. Daí a necessidade de formar uma opinião equilibrada.

Quanto aos debochados e seus abusos temos - E temos... - crianças de seis ou sete anos rebolando semi nuas sobre o gargalo de uma garrafa - Embriaguez, hiper erotização, adultério, gravidez precoce, agressão, estupro, etc o que não é coisa de pouca monta e deve ser problematizado, para o bem do próprio Carnaval.

Diante disso farei uma série de reflexões sobre uma porção de temas relacionados com o Carnaval, assim: Diversão, nudez, sexo, adultério, mídia, lucro, alienação, emancipação, embriaguez, agressão, estupro, escolas de samba, blocos, salão, etc

De fato em tempos de liberdade não precisamos mais de um período dedicado a permissividade absoluta, durante o qual quase todas as convenções sociais caiam por terra, equivalendo a uma válvula de escape. 

Apesar disso um momento consagrado a diversão, a alegria, ao contentamento, ao festejar, etc é sempre muito bem vindo e o feriado dele resultante mais ainda...

Mormente quando não passamos por turbulências políticas demasiado sérias, e não estejam nossos parlamentares reunidos em conluio um bailezinho vem a calhar.

Agora quanto a nudez.

Tenho a nudez como algo absolutamente natural. 

Não a hiper sexualização ou erotização.

Entre as quais, por sinal, não há qualquer nexo ontológico - Como imaginam os ignorantes.

Nossos índios circulavam nus por ai 'Com suas vergonhas limpinhas e saradas.' e não eram hiper sexualizados... Mor das vezes agiam com absoluta naturalidade ou se ostentação.

O que lamentavelmente não se dá em nosso contexto - 

Problema aqui é justamente essa conexão ou relação entre nudez e hiper sexualização e, ainda hoje - Se bem que menos! - entre a hiper sexualização e a procriação e o crescimento populacional, este último uma tragédia.

Porém - Desde que tais pessoas façam uso de métodos contraceptivos, não temos nada a ver com isso...

E aqui tocamos a questão do sexo - Que é subjetiva.

Pois não somos juízes autorizados para mensurar e julgar a sexualidade alheia.

Então que é hiper sexualização...

Dá-se a hiper sexualização, na dimensão pessoal, quando a busca pelo prazer ou o exercício da sexualidade afirma-se como valor máximo ou absoluto para a pessoa em detrimento de outros setores da existência como a Ética, o trabalho, a estética\arte, o estudo, etc 

Na medida em que o exercício da sexualidade ou a busca pelo prazer limita e mutila a formação da personalidade torna-se sem dúvida pernicioso.

Dificilmente numa pessoa equilibrada e sã, a audição de músicas como o pagode, o funk, o sertanojo e alguns tipos de samba, produziria alterações mais sérias. Outro o caso de crianças e jovens, com a personalidade a formar, ouvindo esse tipo de música que focaliza apenas o sexo.

Por mais liberais que sejamos em matéria de sexualidade humana adulta e responsável, não há como deixar de questionar a presença de pequeninos nas proximidades de desfiles em que mulheres aparecem totalmente nuas com marmanjões em torno quase passando as mãos em suas bundas!

Questionar o fato de meninos e meninas semi nus se esfregarem uns nos outros não é puritanismo ou moralismo, é puro e simples bom senso - Pois são mentes e personalidades em formação e que precisam ser integralmente formadas.

Aqui a concentração da mentalidade no sexo apenas torna-se sinônimo de alienação e ingrediente intencionalmente usado com o objetivo de produzir massas...

Usada como fonte de lucro ou forma de alienação é a sexualidade removida de seu contexto e desviada de sua função, podendo, como já dissemos, despersonalizar, desumanizar, brutalizar e barbarizar.

O poder político, a força econômica e a estrutura midiática são especialistas em manipular tudo isto.

Ora o modelo de carnaval canonizado pela imprensa, em particular pela globosta é esse - Representando pelo sambódromo e pelas famigeradas escolas de Samba.

Impossível desvincular esse modelo dos interesses do mercado, do lucro ou do capitalismo, mormente da indústria da cerveja ou das bebidas alcóolicas e aqui a apelação é manifesta na propaganda... Vendida a peso de ouro.

Como C S Lewis nada tenho contra o consumo sóbrio, moderado e racional da cerveja ou dos aperitivos alcoólicos, sendo que eu mesmo consumo habitualmente uma dose de conhaque ou licor após as refeições. Condenar o puro e simples consumo de álcool é por sinal maniqueismo e mais outro aspecto da manobra puritana acima descrita...

Outro o caso da embriaguez, considerava particularmente em seu aspecto social.

Pois já Platão, na República, aludia aos gastos do Estado quanto as enfermidades produzidas por excessos alimentares...

Para além disso há a questão da agressão, que pode chegar ao estupro e ao assassinato. 

Faz parte do coquetel - Nudez, hiper sexualização, embriaguez, músicas apelativas de teor acentuadamente erótico, etc com tais ingredientes como estranhar ou reclamar do que se segue depois: Agressões, estupros e mesmo mortes...

Como desassociar tais fatores das consequências desastrosas que se seguem...

Como desejar um carnaval cheio de paz, amor e respeito - Como fez o ingênuo do Marcos Mion. - se o ambiente não está disposto para a afirmação de tais valores. 

Ora pois - Imagine só o macho alfa ou machistóide encharcado de pinga - Ou dois, o que é pior, dois dará briga na certa! - diante de uma mulher semi nua... Os vendedores de cerveja ou de pinga farão votos para que eles se comportem respeitosamente... 

Nada contra quem está disposto a aceitar o repuxo sem fazer mi mi mi ou chorar depois... Agora não me venham criticar os que questionam, como se fossem obrigados a aderir ou a participar.

Se querem evitar agressões, estupros e mortes evitem os fatores predisponentes e criem um ambiente sadio.

Veremos então se a Globosta dará audiência o levará até lá seus holofotes, uma vez que não haja venda de Antártica, Bhrama ou Amstel.

Lamento, mas devo dizer, esse carnaval urbano, de sambódromo e escola de Samba foi totalmente colonizado pelo Mercado, pela economia, pelo capitalismo... Pelo simples fato de ser transmitido pela Globo ou pela grande mídia. E não se deve esperar redenção alguma dele, pois converteu-se em fonte de lucro para empresários, e de excessos e abusos para a sociedade.

Seguiu este modelo carnavalesco o mesmo destino dos grandes clubes futebolísticos (Em oposição ao futebol de várzea!), do nosso Natal, da nossa Páscoa, do dia das mães, etc Tudo isso foi esvaziado de seu conteúdo de modo a restar apenas uma casca convertida em rótulo e destinada a vender!

Para mim não há qualquer diferença significativa entre grandes clubes futebolísticos, empreJas da TP e as colossais escolas de sambas - Seguem todos o modelo empresarial, cujo principal objetivo é obter lucro!!! Nada de social ou popular, no máximo algum resíduo para enganar como dizia Aristófanes sobre a demagogia ateniense ou a democracia decadente e infestada.

Em tais condições, é esse modelo de carnaval, como esses cultos religiosos e o futebolismo, mais um ingrediente destinado a alienar e a massificar... Pois o ofício do poder político e da mídia - Cooptadas pelo Mercado. - outro não é.

Dirão meus críticos pós modernistas que tais escolas e desfiles promovem a população negra ou dão destaque a ela.

Dão destaque a cerveja ou a melhor, a venda de cerveja...

Bem, dizem o mesmo do BBB...

O que já diz absolutamente tudo.

Quanto a tudo isso estou de acordo com os socialistas mais esclarecidos: A afirmação e promoção das pessoas negras se fará por meio da cidadania, da ação política, da mobilização, das ações afirmativas, do acesso aos cursos superiores, da melhoria da educação de base, etc - E vejam o que o Estado de S Paulo esta fazendo com o Ensino Médio neste exato momento!!!

Nada se pode ou deve esperar da grande mídia ou da Globosta. Tudo quanto querem é alienar e massificar, aprofundando o vazio produzido pela educação pública...

Recordemos que esse povo foi lançado na Avenida despojado de tudo ou sem praticamente qualquer coisa... Para que se contentar-se em desfilar uma vez ao ano, não poucas vezes diante dos olhos dos gringos endinheirados. 

Tudo isso foi intencionalmente arquitetado para criar a imagem de um país do futebol e do carnaval, no qual os afro descendentes poderiam sempre avançar como passistas ou jogadores, não como sociólogos, psicólogos, médicos, arquitetos, etc Foi todo um imaginário artificiosos forjado pelos que detinham o poder. E o objetivo sempre foi manipular, jamais emancipar.

Tal o caso dos pouquíssimos pobres colocados pela Globo na vitrine por terem enriquecido honestamente i é trabalhando duro.

Aqui recomendo a leitura da obra de Varela "Soluções psicológicas para problemas sociais." - Não adianta, é ilusório ou aparente.

Problemas sociais, como a miséria que aflige parte considerável de nossa população negra, exigem soluções sociais em sua dimensão política, não desfiles carnavalescos ou BBB...

Desta cartola não saíra coelho algum.

De minha parte já acho inócuo qualquer proposta em torno de uma Revolução (Emprego da força em certas situações sim, Revolução não - No sentido de que qualquer emprego de forças não alterará significativamente a cultura ou produzirá uma nova sociedade.). Agora ver ou querer ver conteúdo revolucionário no Futebolismo, no Carnaval de sambódromo ou nas EmpreJas pentecas é o cúmulo do absurdo... Espantalho do pensamento...

Outro o caso do Carnaval de Rua ou dos Blocos, que como o Futebol de várzea não tem acesso a grande mídia, certamente porque não foram totalmente cooptados. 

Aqui uma possível via em torno de uma diversão sóbria, equilibrada, menos invasiva e portanto menos vulnerável aos abusos e excessos já descritos. Uma alternativa para as crianças, Uma opção para as diversas constelações familiares que não se querem expor.

E quiçá uma possível via, acessível, a uma crítica social mais consistente.

Até minha adolescência conheci apenas o carnaval convencional, dos flashes da Globo e sujeito a severa crítica dos fariseus religiosos. 

No final dos anos oitenta fui com uns amigos a um Carnaval de salão e aquilo me marcou. 

Pois não correspondia a imagem ainda hoje propagada pela Globosta.

Para meus ouvidos certamente havia excesso de barulho.

Reconheço no entanto que o clima era bastante seguro e saudável - Marchinhas inocentes, confete, fantasias, crianças e famílias inteiras reunidas... Um clima perfeitamente familiar, sem nudez, sem músicas apelativas, sem bebidas, etc apenas pessoas comemorando ou festejando juntas.

Vez por outra tocavam um samba enredo escolhido a dedo...

Entre a abolição ou oposição e os abusos diria que temos aqui uma Terceira via... 

Até hoje tenho sido partidário dessas matinês para adultos, com as crianças fantasiadas de princesas, vampiros, homens aranhas, pierrotes, colombinas, etc catando marchinhas inocentes. Assim dos blocos, nos quais os adultos fantasiados cantam as mesmas marchinhas pelas ruas num clima de cordialidade e respeito. 

Anualmente os amigos solicitam as razões porque não simpatizo com o Carnaval institucionalizado e canonizado pela imprensa - E que são as mesmas porque não simpatizo com o Futebol institucionalizado das grandes corporações. O motivo principal é a conexão existente com a imprensa, os aparelhos midiáticos, etc a produção de massas e enfim a atmosfera ética ou bem pouco ética resultante disso tudo. 

Longe de mim condenar quem gosta e adere - Cada um cada um.

Aqui dou a público os motivos de minha reserva.

Sou portanto favorável é um carnaval 'diet' ou 'ligth'.





sábado, 31 de julho de 2021

Porque não sou um estorvo ao sistema ou porque sobrevivo.






Viver em semelhante conjuntura é deprimente ou até comprometedor por ser, em certa medida e até certo ponto, sinal de criminosa cumplicidade ou ao menos de impotência. 

Se vivo ou sobrevivo em meio a um sistema tão podre é porque até certo ponto devo ser conivente ou ao menos inócuo. Se sou conivente não sei, tenho no entanto a consciência de ser inócuo.

Nem em sonho vivemos num sistema respeitoso face aqueles que o ameaçam. Certamente não vivemos mais os tempos das inquisições papais ou bíblicas (Esta última mais virulenta que a primeira!), romana ou protestante... E tampouco nos achamos no período vitoriano em que os 'dissidentes' culturais eram diagnosticados como loucos e internados em sanatórios ou hospícios. 

Em tempos de direitos humanos e democracia, quando por hora não se pode mais torturar ou matar abertamente só resta mesmo recorrer ao assassinato, e portanto a eliminação categórica dos inimigos. Do que temos inúmeros exemplos: Garcia Moreno, Delmiro Gouveia, Oscar Romero, Chico Mendes, Dorothy Stang, etc A mensagem é de prístina simplicidade: Caso você ameace algum grupo hegemônico prepare-se para morrer. Pois se representa uma ameaça real ao sistema não sobreviverá.

Se passar do discurso as obras e ao exemplo, postando-se intransigentemente ao lado da justiça e denunciado corajosamente as injustiças - Na medida em que representar uma ameaça real ao sistema econômico vigente você terá poucas chances de sobreviver. 

Claro está que um sistema que deseja ser considerado manso ou liberal recorrerá a todos os modos e maneiras possíveis com que neutralizar seus críticos sem derramar sangue. Tal será quase sempre possível, porém nem sempre...

Aos teóricos ou que apreciam sobretudo palavras e discursos vazios bastará ao sistema opor denunciantes contratados. Ficando desmoralizada assim a imensa maioria dos revolucionários - Sejam comunistas ou anarquistas - que pouco se preocupam com a virtude e que tão rapidamente assimilam os métodos maquiavélicos de seus oponentes.

Logo em seguida vem os Cristãos que tem algum conhecimento do Evangelho e que sem ser perfeitos buscam opor-se a iniquidade. Quanto a estes é suficiente que a imprensa ameace denunciar alguns de seus pecados episódicos ou ocasionais, revelando algum caso, algum amante ou ex amante, etc o que equivale a desmoralização... Com isso se cala 99% do clero apostólico, seja romano ou ortodoxo, o qual fica amordaçado, mudo, silencioso e calado, limitando-se a tartamudear indiretas...

Já quanto aos leigos Cristãos de diversas orientações, anglicanos, espíritas, etc, judeus, budistas, teístas humanistas, etc de modo geral é suficiente lançar contra eles a 'mão invisível' i é fechar-lhes todas as portas ou possibilidades honestas, retirar-lhes o emprego e sobretudo ameaçar-lhes a estabilidade econômica, convertendo-os em párias ou mendigos. Isto sem que - Ao menos antes da Internet - pudessem vir a público espernear. O que a esquerda cirandeira reproduz sob o termo 'Cancelamento' ou boicote, já é feito há muito pelo poder econômico estabelecido contra seus críticos ou dissidentes de vária lavra. 

Que a mídia sendo privada ou paga negue a palavra aos Cristãos apostólicos e aos socráticos e mesmo aos socialistas mais intrépidos é fato. Não temos uma imprensa democrática a serviço do bem comum - Já pensou nisso? Temos uma imprensa paga ou privada a serviço de valores econômicos ou do lucro. Como pode haver liberdade de fato ou democracia sem real liberdade de expressão? No entanto a liberdade de expressão continua sendo atribuída apenas aos 'economistas' científicos de Chicago, a certas Xuxas da filosofia e no máximo a padres bailarinos... Quando foi que a Globo ou o SBT deram espaço a qualquer sacerdote papista para divulgar a doutrina social da igreja romana? Quando foi que os grandes canais de Televisão promoveram simpósios ou cursos sobre Sócrates, Aristóteles, Platão, Confúcio, etc??? Jamais...

Os próprios partidos políticos não deixam de funcionar como filtros políticos, como dizia M Nordau, e assim os sindicatos... Bastando para o sistema subornar os dirigentes políticos e sindicais sem Ética ou humanismo. 

Suponhamos no entanto que alguém consiga furar filtro após filtro... Empenhando-se em favor da virtude como um Teori Zavascki. Haverá defeito na turbina e o avião cairá. Para que se evite derramamento de sangue... O sistema está perfeitamente a par do tertulianesco dístico: Sangue de mártir é semente de Cristãos... Sangue de mártir é semente ideológico. Pois não poucos são os que despertam por darem crédito aos que se deixam morrer por suas crenças. Sendo melhor não criar mártires em demasia. 

Todavia se preciso for...

Antes o mártir que o sistema.

Mas professor, por que faz o senhor declarações tão amargas?

Sinto-me impelido após ter lido e relido as vidas de um Buda, de um Confúcio, de um Jesus e sobretudo de um Sócrates, os principais críticos ou reformadores sociais sobre os quais muito sabemos.

Antes de tudo eram tais personagens rigorosamente atidos ao princípio da justiça e refratários a toda sorte de injustiças, partissem elas donde partissem.

Dos dois últimos temos que foram mártires, embora o primeiro tenha morrido com certa de quarenta anos e o segundo com certa de setenta. Quanto aos outros dois, posto que tendo vivido em sociedades não tão corruptas, não chegaram a ser imolados, o que não quer dizer que tiveram uma existência agradável. De fato tanto Confúcio quanto Buda, em certos períodos de suas vidas foram atrozmente perseguidos.

Quanto ao divino Jesus não possuímos reflexões suas sobre o assunto. Temos porém algumas declarações enfáticas:

Se me odiaram odiarão a vós.

Haverão vocês de ser perseguidos.

Bem aventurados quando forem vocês perseguidos por conta da justiça.

...

Há porém no tempo presente milhões ou bilhões de Cristãos formais espalhados pelo mundo que não sofrem qualquer tipo de perseguição, vivendo até muito bem...

De fato, afinal por que perseguiria este mundo do dinheiro os calvinistas que lhe deram a vida ou as emprejas que lhe tomaram o método?

De fato não creio que os poderes deste mundo haveria de perseguir aqueles cristãos nominais que servem ao dinheiro ou ao Estado mas sim aqueles que se recusam servir a Mamon i é ao dinheiro, ao lucro, ao capital... Conforme está escrito: A Deus e ao dinheiro não podeis servir.

De fato não me parece que o Redentor esteja se referindo a essa Cristandade de Liturgia, Missa ou Culto, que se satisfaz com a adoração e sim aos que ultrapassando a adoração (Sem jamais repudia-la.) buscam imitar o Cristo, assimilando seu comportando e regulando a vida pelo Evangelho. A estes que acumulam bens no Reino dos céus e não neste mundo e que odeiam a injustiça, e que não toleram qualquer forma de maldade, e somente a estes persegue o mundo e extermina o sistema sem piedade.

Por isso os mártires foram levados ao suplicio antes de tudo por terem repudiado - Em grande parte ao menos e em que pese Paulo. - a abominação escravista e ao ataque a outros povos. 

Outro o caso de Sócrates porquanto este refletindo sobre sua morte, deu-se conta da situação que envolveu sua existência. Perguntando a si mesmo por que não havia sido morto ha muito tempo atras i e quando mais moco... 

Tenho tal reflexão por atual e crucial.

Sem postular o que hora chamam de revolução, furtou-se Sócrates inclusive ao insercionismo ou seja a participar ativamente da vida politica (Como politico profissional.) no auge da democracia grega. Justificando tal opção e priorizando uma ação politica indireta ou não estrutural por meio de uma formação. Claro está que Sócrates exerceu uma ação politica indireta pelo simples fato de ser educador, não sendo alias pela abstenção dogmática e sectária mas pelo preparo. De fato Sócrates acreditava ser mais importante preparar cidadãos para a democracia do que exerce-la ele mesmo.

E contemplando aquele despreparo categórico, atribuía-o ao fato dos cidadãos dirigentes priorizarem o lucro, dos negócios ou do dinheiro que o auto conhecimento, da formação ética ou a virtude, descuidando inclusive (cf Laquetes) a educação dos filhos... Parece que era já aquela Atenas no seculo V a C proto economicista, como que adiantando-se a seu tempo e antecipando o nosso.

Agora que resultava disto?

Infiltrada a sórdida avareza ou a paixão pelo lucro na estrutura do poder ou na politica uma apenas pode ser a consequência> O florescimento da Injustiça no mais alto grau! Portanto era a monarquia, e era a ditadura, e era a oligarquia, e era a democracia, e era a oclocracia - enfim, cada uma delas - usada com o proposito de cometer crimes e exações... Perdido o conceito de bem comum, modelo politico algum podia salva aquela sociedade, pois o problema não era politico estrutural mas ético. Aquelas pessoas amavam o ouro e odiavam a justiça. Diante disto milagre algum podia ser feito...

A uma maquina diabólica sucedida outra.

E nosso Sócrates ficava sempre alheio, a parte, de fora... E por que?

Vos responderei exatamente como ele -

Por que seu Daimon, seu inconsciente, sua intuição, sua mente, seu guia, seu tutor providencial ou seja la o que fosse advertia-o para que jamais se dedicasse a atividade politica, pois caso contrario, assumindo com intransigência o paradigma da justiça e afrontando os poderosos, os avarentos e os injustos seria logo morto, sequer chegando aos quarenta ou cinquenta anos. Entrando pela senda politica e opondo-se as ilegalidades, crimes, arbitrariedades e injustiças não tardaria a tombar o filho de Fenarete! Todavia era necessário que vivesse ou ao menos que prolongasse sua nobre existência ate os setenta anos de idade, de modo a educar uma multidão de homens, formar uma constelação de cidadãos e garantir uma hoste inumerável de discípulos. Tal sua missão ou vocação atribuída pela Providencia celestial.

Destarte o socratismo prepararia o elemento humano e daria vida a democracia ainda em nossos dias i e vinte e cindo seculos depois. Porquanto a vida esta no ideal e não na estrutura.

Decorre do discurso de Sócrates que aquele tempo o sistema, cooptado por gente vil, ja matava, assassinava e suprimia a vida dos reformadores movidos pelo ideal.

E não havia espaço para críticos capazes de ameaçar a normalidade. 

Sócrates, amigo leitor, e quem pinta este cenário aterrador.

Observem agora como em nossos dias as coisas não fogem a esse padrão. Tendo um bom numero de vereadores, deputados e políticos virtuosos tombado sob cortante aço ou atingidos pela bala por se terem postado contra essa maquina de injustiça, denunciado seus pares e devassado seus crimes. Pois não e hoje este sistema menos feroz do que aquele.

Importa saber que a simples atividade educativa quando bem executada jamais se torna improfícua. Assim se nosso homem, evitando exercer cargos públicos, ultrapassou os sessenta não pode ultrapassar os setenta anos de idade. Pois enfim sua atividade tornou-se ameaçadora e tal foi sua gloria. Foi Sócrates bem sucedido como educador ético porque enfim incomodou o Estado ou a estrutura e tudo quanto ela representa, sendo enfim supliciado. Foi justamente a morte que coroou sua atividade educadora. Pois caso a não representar qualquer risco para o sistema não teria suscitado qualquer forma de repressão.

Por isso para o educador ético, humanista e consciente e dos mais luminosos.

Devendo saber ele que enquanto estiver vivo e seguro não cumpriu com seu dever e nada fez de duradouro. Devendo saber que enquanto não for ameaçado ou sentir-se incomodado não representa perigo algum - Por isso pode o homem falar ou discursas livremente. Pode no entanto ameaçar ou representar qualquer medida de risco livremente? Julgue e responda você mesmo amigo leitor. Pois estamos numa época em que muitos vangloriam-se quanto a audácia de seus discursos ou palavras enquanto comodamente vivem... sem serem molestados pelo poder estabelecido. Por isso me pergunto> Que fazem eles para não serem molestados? Pois vejo que Sócrates e Jesus não morreram confortavelmente em seus leitos.

De modo geral acredito que a vivencia, a vida e o exemplo de algumas pessoas rigorosas e intransigentes face as injustiças e mais ameaçador - Para o poder do dinheiro! - do que certos discursos revolucionários iconoclásticos dos quais muito desconfio. Confio mais no testemunho dado por certos homens e mulheres quando confrontados pelo sistema, assim como quando alguém que exerce autoridade toma coragem e se posta ousadamente em favor da fauna, da flora ou de alguma pessoa injustiçada ou ainda de qualquer grupo humano oprimido, pois estes, sabem que correm risco de morrer.

E uma situação concreta da vida que nos poem em risco quando fazemos a opção correta. 

Sempre podemos fugir e estar durante certo tempo a margem do sistema. Todavia quando estando nele - Em maior ou menor medida - oferecer-mos qualquer risco seremos exterminados ou ameaçados por algum matador profissional, capanga ou justiceiro - Sempre formalmente desvinculado, mas, moralmente vinculado... 

Ha quase trinta anos fui convidado para ser politico profissional ou para exercer ativamente a vida politica, e como sou policrata e não abstenceísta sempre tenho sido inquirido por meus alunos (Ao cabo de quinze anos.) sobre o porque de ainda não me ter candidatado ou disputado eleições quando tenho imensa possibilidade de vir a ganha-las tornando-me vereador e implementando uma pauta verdade ou social... Hoje, por meio desta reflexão dou publica resposta e fundada razão ao interrogantes.

Meio constrangidamente confesso que mesmo não temendo a própria morte temo pela segurança de meus entes queridos, de minha mãe idosa, irmão, animais de estimação... Tal a minha covardia e fonte da restrição. Por isso mesmo quando me excedo, grito, denuncio, etc e sempre como articulista ou escritor, jamais como politico atrelado ao poder. Pois não sei por quanto tempo seria tolerado ou viveria. E certamente encontraria um trágico fim.

Por isso me sinto envergonhado quando me dizem que faco parte dessa coisa chamada opinião publica ou que influencio pessoas. Talvez por meio dessas páginas influencie um ou outro, todavia não um número suficiente de pessoas com que ameaçar a 'desordem estabelecida' ou este sistema iníquo de coisas a que chamam estrutura. Pois caso ameaçasse de fato não seria minha sorte melhor que a de Jesus ou que a de Sócrates. Tendo eles recebido a cruz e a cicuta, escaparia eu - Aluno de ambos! - a bala ou a ponta do gládio? Certamente que não - Pois não pode o aluno estar acima de seus instrutores.

Portanto se vivo estou e porque sou inofensivo, inerte e inútil - E sofro por ter plena consciência disso...

Espero que chegando aos setenta ou oitenta tenha já incomodado suficiente o sistema a ponto de obter o que chamam de martírio - Prêmio com que se coroa uma vida honesta! E que a Providência divina e celestial me predisponha a tanto.





 

terça-feira, 29 de junho de 2021

Naturismo Luxo ou o alto custo de uma vida natural no contexto do mundo Capitalista ou o preço da ruptura - Será a ruptura naturista uma reação da consciência burguesa?




Por mais que admiremos S Bento ou S Scott Nearing temos de ceder as críticas bem fundamentadas dos críticos, em especial dos marxistas. 

Naturalizar a exemplo de S Bento ou de Nearing é utópico ou impossível no mais alto grau.

Sete, dez, três ou um bilhão de pessoas não poderiam viver separadas em seus sítios, feudos ou fazendinhas cultivando a terra.

Bento, Francisco e Nearing são o que chamamos de figuras hiperbólicas, fundamentais e preciosas por chamarem nossas atenção, mas impossíveis de serem imitadas pela totalidade dos seres humanos, justamente porque tais seres são muitos e a terra 'pequena'.

Não há na terra espaço suficiente para meio bilhão de Franciscos, Bentos ou Nearings.

Para além disto, há, e fixado está, o sacrílego sistema que especula com a terra, inclusive com a terra não usada, encarecendo seu preço. De modo que apenas uns poucos bem remediados seriam capazes de adquirir um pedaço de terra com que viver a maneira de um Nearing, ao menos aqui no Brasil a aquisição desse pedaço da terra, com que viver a parte do sistema sairia bastante caro.

Mesmo após as advertências de Henri George sobre a relação da posse com o trabalho continua a terra a ser sacrilegamente retalhada e roubada pelos poderosos. 

O máximo que muitos de nós poderiam fazer é abdicar do consumismo crasso, diariamente instilado em nossas almas pelos meios de comunicação, com o objetivo de que tomemos por absolutamente necessário aquilo que não é. E lancemos mais lenha a este tremendo incêndio que consome o mundo.
Melhor o excesso de desapego de um Buda que este consumismo insensato que nos devora as entranhar e põem a nu a miséria da alma... Se é que tais vermes, gafanhotos ou cupins tem alma.

O máximo que muitos de nós poderiam e podem fazer é assumir um naturismo limitado dentro do próprio sistema, adquirindo apenas produtos veganos, adotando a 'lei' vegetariana, consumindo preferencialmente produtos orgânicos, etc sucede no entanto que a especulação da terra faz com que tais produtos sejam sempre mais caros e que estejam sempre acima das possibilidades das pessoas comuns ou do povo. Daí os marxistas tecerem uma crítica que deve ser considerada: A maioria dos naturistas são burgueses. Aos marxistas incomoda o fato de que parte considerável dos veganos, vegetarianos, organicistas, etc sejam o que chamam de burgueses e que nós chamamos de classe média.

Claro que a maior parte dos não marxistas pouco se preocupa com tais críticas. Não é o meu caso. Pois nossas práticas, sendo saudáveis e até redentoras deveriam ser assumidas pelo bom povo. Tenho aqui que os não marxistas mais esclarecidos atribuam muito pouco esclarecimento ao povo. Falta instrução e consciência a eles e são, em sua maior parte massas e não povo... Certo, certo, muitos dentre eles pertencem de fato a essa coisa amorfa que chamamos de massas. 

Apesar de tudo a isto folgo perguntar a mim mesmo: Se acaso um desses assalariados tomasse consciência e optasse por viver a nossa moda, poderia ele arcar com os custos?

Acaso estão nossos produtos orgânicos ou veganos, assim os moluscos e crustáceos, no acesso da gente mais humilde?

Mas é claro que não.

Os produtos orgânicos por serem mais custosos que o comum dos vegetais, o que decorre do espaço ou da terra e enfim da especulação.

Os produtos veganos porque suas massas - Doces ou salgadas - de fino sabor são feitas com agar agar, algas, cogumelos, compostos de soja, amêndoas, nozes, etc os quais dentre os vegetais são os produtos mais caros. 

O bom povo a ser vegano teria de viver de papas de batata, polvilho, amido de milho, arroz e trigo; levando uma dieta assaz monótona em termos de paladar.

Caso adotassem uma dieta a que chamo de Ética (Que é a minha) excluindo apenas o consumo de aves, mamíferos e demais seres dotados de auto consciência e sensibilidade, ainda assim seria demasiado onerosa para eles - O que sei eu por experiência. Mesmo no litoral do Brasil não podem os mais pobres e a gente simples viver de crustáceos, moluscos ou pescado, pois é caro.

Lamentavelmente temos de considerar a crítica dos marxistas e saber que querendo nós ou não o mercado dita regras, impondo não apenas o consumismo mas também o consumo de certos alimentos já nutritivos, já saborosos, a maior parte da população pelo simples fato da oferta ser maior e a amplitude da oferta determinar o preço, alias um preço mais baixo e acessível.

Triste sabe-lo mas em parte é o consumo de carne facilitado já pelo mercado já pela própria dinâmica populacional. No momento presente sete bilhões de seres humanos não se poderiam manter consumindo apenas vegetais ou frutos do mar. 

Mas e a Índia?

Como tudo faz supor nem todos os indianos são vegetarianos.

E os hindus?

De fato são eles bilhão e pouco de pessoas, cerca de um bilhão e setenta milhões aproximadamente. Um número impressionante de seres humanos.

Todavia, ao contrário do que comumente se pensa ou imagina nem todos os hindus são vegetarianos. 

Entre a fé ou a teoria e a prática vai larga diferença.

De modo que atualmente o numero de hindus vegetarianos oscila entre 23 e 37% tocando provavelmente a pouco menos de 1/3 de bilhão - Quiçá uns 350 milhões de cidadãos. 

O número ainda é impressionante.

Mais revelador ainda porém é saber que também por lá o vegetarianismo ou o veganismo saem mais caros, de modo que predominam nas castas mais elevadas. Também lá são os mais pobres párias ou harijans e sudras que consomem a carne, inclusive carne bovina, por ser sempre mais barata e acessível. O problema da alimentação é também globalizado ou global, tocando ao planejamento nacional ou internacional, assim as dinâmicas do senhor mercado, face ao qual mesmo os devotos hindus se tem curvado. Se a carne é o produto alimentício mais barato que o mercado nos oferece em oposição aos produtos veganos, aos produtos orgânicos e aos frutos do mar, é óbvio que as pessoas mais humildes serão carnívoras não vegetarianas ou adeptas a uma dieta Ética, a qual será dieta de luxo! 

Os pobre não poderão ser veganos ou vegetarianos ou adeptos de uma dieta ética mesmo que queiram em tais condições, ditadas pelo mercado ou pela economia.

E seria utópico ou desumano já força-los, já condena-los... Exigindo que façam abstenções e sacrifícios. 

Portanto se queremos pugnar por uma alimentação majoritariamente vegeta ou por um cardápio ético teremos de pensar antes de tudo na densidade populacional.

Veja a maravilhosa Índia de agora com seus trezentos bilhões de vegetarianos. Trezentos e cinquenta bilhões de seres humanos, mesmo quando veganos ou vegetarianos, continuam sendo uma praga - Como uma nuvem de gafanhotos - a qual se não mata diretamente, mata e assassina indiretamente. Pois aqui preservar milhões de vacas implica sacrificar todos os tigres, rinocerontes, elefantes, etc pelo simples fato de ser necessário acabar (Literalmente) com as florestas para criar campos de arroz. Se o consumo de carne vermelha promove ativamente a destruição da natureza por demandar pastos um vegetarianismo assumido em alta escala por bilhões e bilhões não mataria menos por demandar campos de cultivo. 

Bilhões e bilhões de seres humanos será potencialmente destrutivo sejam estes bilhões carnívoros ou veganos, por uma questão de espaço. 

Tornamos assim, mais uma vez e sempre, âmago da questão, isto é ao número de seres humanos ou ao crescimento da população humana.

O Veganismo não pode proteger ou salvar a terra da destruição ou assegurar o bem estar dos animais caso ignore a questão do crescimento populacional a menos que passe a advogar um decidido retorno ao que chamamos coleta. Agora imagine o leitor sete bilhões de seres humanos abalando-se para coletar vegetais nas poucas florestas remanescentes. Só os brasileiros todos em menos de semana dariam cabo da floresta amazônica sem que sobresse um único animal ou uma única folha comestível!

Não há como tornar a coleta. Tampouco há como substituir pastos por campos de cultivos obtendo qualquer melhora significativa. O vegetarianismo ou a dieta ética só faz sentido num contexto de controle de natalidade e redução populacional. Por si só, como algo isolado, não nos beneficiará como espécie. 

Também a questão econômica precisa ser considerada, assim as liberdades do mercado, as quais nada significam além de controle. Se desejamos diminuir os preços dos vegetais teremos de considerar o preço da terra e questionar a especulação... como deveremos planejar o cultivo. Tudo isto, tornar os vegetais acessíveis ao grosso de uma população reduzida, implica decisões políticas e econômicas as quais não se pode fugir, e implica no mínimo 'questionar' o modelo liberal economicista que temos como o 'menos ruim' ou melhor. Terá isto de ser revisto, necessariamente.

Caso não cheguemos ao populacional, ao econômico e ao político; com o objetivo de tornar o vegetarianismo ou a dieta ética acessível ao povo, formaremos de fato uma seita burguesa, um grupo ou clubinho e meio a multidão de vermes rastejantes... os quais jamais nos será dado censurar com ares de superioridade.

Belo é o ideal da dieta ética ou mesmo o veganismo. Veganos, vegetarianos e adeptos de uma dieta ética devem compreender no entanto que práticas individuais ou sectárias são sempre irrelevantes em termos sociais, e compreender ainda que o sistema econômico estende seus tentáculos sobre todos os espaços, nichos, iniciativas, práticas, etc tudo contaminando e poluindo, e comprometendo. Veja por exemplo a noção de falaciosa de 'capitalismo sustentável' se é capitalismo jamais poderá ser sustentável mas sempre predatório. Em que uma liberdade absoluta em termos econômicos associada a maximização dos lucros pode estar de acordo com o respeito que se deve a fauna e a flora ou ainda com uma extração moderada, a qual por si só impõem limitação?

Lamento mas a nossa dieta, o nosso veganismo ou o nosso vegetarianismo não darão certo enquanto forem tão caros. E os produtos naturais continuarão sendo o que desgraçadamente são: Um veio de lucros dentro do mercado, mais um setor do mercado e não poucas vezes um outro móvel para o consumismo. 

A reflexão que fica - Será que estamos sendo de fato contestadores ou seremos nós colaboracionistas? 

sexta-feira, 6 de março de 2020

Em tempo de coronavirus - Opção pelo homem ou pelo Mercado?

Vezo nosso criticar os medievais e os antigos... e endeusar, em tudo, o nosso tempo i é a 'Civilização', sob diversos aspectos, já o dissemos 'sifilização' em vias de colapso.

De fato os medievos e os antigos não tinham nem conhecimentos nem tecnologia médica capaz de fazer frente a vírus, bactérias e demais agentes patógenos como temos nós.

Mas é bastante provável que tivessem mais caráter, prudência ou mesmo respeito pela vida humana. Podiam achar belos os combates entre homenzarrões portando achas, machados, espadas e lanças. mas não achavam tão belo assistir idosos, crianças, mulheres e mesmo animais tombando vitimados pela peste... Tinham uma salutar medo da peste. Ao menos isto...

O homem de homem possui conhecimento e tecnologia capazes de elaborar uma vacina em menos de seis meses.

No entanto temos de considerar esses seis meses. Durante os quais o coronavírus bem pode espalhar-se e ceifar número considerável de vidas, especialmente entre idosos e vulneráveis i é pessoas cuja imunidade esteja baixa.

Temos sobretudo de ponderar que nos EUA estão faltando kits para testes. E que na Itália - país que conta com um bom serviço público de saúde - faltam aparelhos respiratórios... Temos de ponderar isto e de questionar se o SUS do Brasil esta preparado pra enfrentar uma pandemia... ou mesmo se a estrutura da saúde nacional - Incluindo orgs privadas - esta a altura deste desafio.

Alias estamos falando de mundo.

E então temos de pensar que há países e grupos bem mais vulneráveis do que o Brasil. Que dizer de Guatemala, Belize, Equador, Bolívia, Guianas, Gabão, Nigéria, Sudão, Myamar, etc, etc, etc de culturas e tribos africanas, asiáticas e ameríndias???

Não sou nem um pouco inclinado a conspiracionismos.  Porém o fato de tantos países terem notificado os primeiros casos da doença no dia seguinte ao Carnaval me parece muito mas muito estranho... Será que não esta havendo má vontade quanto as vidas humanas?

Tudo quanto quero dizer é que com todos os infinitos defeitos que a modernidade folga atribuir-lhes, aqueles receosos medievos muito provavelmente fechariam as fronteiras das cidades e feudos ao primeiro sinal da doença. Não eu não penso que eles hesitariam ou demorariam muito caso soubessem como se dá o contágio.

Nós sabemos. Nossos políticos... Nossos líderes. Eles sabem muito bem como o vírus se propaga em 'proporção geométrica' e como é 'distribuído' por pessoas que não sentem quaisquer sintomas... Ele gira assintomaticamente...

E mesmo assim a maravilhosa ONU, dois meses depois... Não decreta estado de pandemia. Do que resultaria um controle mais rígido em torno das fronteiras ou viagens internacionais e dos eventos que, a exemplo do Carnaval, envolvem aglomerações... Excursões distrativas por exemplo seriam desestimuladas ou mesmo proibidas, assim quaisquer eventos capazes de congregar multidões. Se tal já não é capaz de tratar a disseminação do vírus por incúria, ao menos, será capaz de diminuir o ritmo do contágio e de poupar muitas vidas, até que a vacina seja produzida.

Tenho certeza de que qualquer povo antigo ou primitivo em posse do conhecimento que temos já teria tomado todas as providências práticas e cabíveis no sentido de evitar a propagação deste flagelo.

Nossos governos porém, e a ONU, estão agindo levianamente i é a passo de lesma ou tartaruga. Com o desperdício de vidas humanas, quiçá pensando que sejam apenas velhos ou mesmo que a pandemia possa remediar o excesso de população mundial. Dando cabo dela pura e simplesmente... Sim há quem veja nas guerras e epidemias uma forma da 'natureza' controlar a superpopulação... ou mesmo de beneficiar os mais 'aptos'. Sim, há psicopatas chamamos darwinistas sociais.

Assim a pergunta que não quer calar é simples: Por que estão dizendo para as pessoas não se alarmarem se a letalidade da doença chega a 15% entre os idosos e vulneráveis??? Acaso eles não são pessoas ou cidadãos com os quais a sociedade deva preocupar-se??? Será que os 3% de cidadãos 'mortos' nada conta ou significa??? Enfim por que a ONU e os diversos governos ainda não tomaram as medidas necessárias para evitar eficazmente esta praga??? Por que estão a omitir-se quando qualquer sumeriano ou medievo agiria, tomando as medidas corretas, alias bastante simples - Impedir aglomerações e restringir a circulação de pessoas pelo mundo??? Sim, falo em restringir o turismo!

Talvez os noticiários de TV possam auxiliar-nos a compreender o que esta acontecendo conosco e quais sejam os fundamentos arenosos da nossa 'silifização', uma 'sifilização' que sacrifica o homem, simplesmente por não prioriza-lo.

Já perceberam que os articulistas e jornalistas falam vinte minutos sobre o coronavírus e outros tantos vinte minutos ou mais sobre o Mercado, a Economia, as Finanças, a Bolsa, Investimentos, Crise, etc??? Já notaram a insistência mórbida a respeito??? Isto é a crise humana e já a vivenciamos... Eis a profunda crise porque passamos justamente por igualar ou sobrepor o econômico ao humano. Chama-se materialismo ou economicismo, e estamos mergulhados até os pescoços nesse lodo ou nessa lama.

Por que não paramos de emitir gazes poluentes e de acentuar o aquecimento global???
Por que não cessamos de desmatar ou de massacrar a vida animal???
Por que sujamos o Planeta???
Por que ainda não controlamos a densidade populacional duzentos anos após Malthus???
Por que brincamos com a natureza e seus recursos???
Por que ainda nos recusamos a ouvir J S Mill e seu discurso sobre a economia estacionária???
Por que ainda acreditamos num progresso infinito e ilimitado num sistema finito???
Por que ainda adormecemos embalados pela cantilena de Condorcet???

POR QUE NÃO BRECAMOS OU DIMINUÍMOS O RITMO DE PROPAGAÇÃO DO CORONAVÍRUS???

POR QUE A ONU AINDA NÃO DECRETOU PANDEMIA???

POR QUE NÃO ADMITEM O FECHAMENTO DAS FRONTEIRAS E IMPEDEM A REUNIÃO DE MULTIDÕES???

Qual o verdadeiro e real motivo da nova peste não estar sendo levada a sério???

Quem serão os prejudicados?

Sinto muito pelos liberais economicistas sabichões mas tenho de registrar mais esta na conta do capitalismo!

Pois a questão dos eventos e das viagens é apenas questão de consumo e turismo, assim de lucro, de capital, de dinheiro, de economia ou de finanças - Apenas isto.

Não se restringe a circulação ou a reunião de pessoas porque diminui os lucros e ameaça a economia - Somente isto.

Não se tomam as providências cabíveis porque as necessidades do Mercado foram colocadas - Já há uns quatrocentos anos! - acima das vidas humanas e do bem estar humano.

É para preservar o ritmo da economia e salva-la de uma possível crise que nada ou pouco se faz! É pelas bolsas de valores...

Mesmo porque, caso a epidemia se alastre ou propague os milionários sempre poderão embarcar em seus jatinhos rumo a países mais 'limpos' ou seguros ou pagar por um tratamento de ponta. Poderão pagar internação no Albert Einstein ou no Samaritano quando não puderem migrar para a Suíça ou para a Bélgica... Terão acesso aos melhores médicos e terapias e certamente serão os primeiros a obterem as vacinas. Por isso não estão receosos pela própria saúde e muito menos pela sua ou pela minha. Por isso eles só se importam com a Bolsa, com o Mercado ou com seus lucros astronômicos.

O mais patético é que comprando os políticos ou 'representantes do povo' eles ditam a política em diversos países (Como EUA e Brasil) ou mesmo na ONU... Tal a força política do poder econômico!

E com isto vão anestesiando o povo - Dizendo: Não se preocupem, enquanto os avós vão morrendo! - e deixando de fazer o que deveria ser feito... E assim se arrasta a pobre humanidade: Brincando com pandemias que podem fugir a todo controle e aniquilar grande parte da humanidade!

Cessem portanto de falar em trevas medievais quando a verdadeira treva esta bem aqui, diante de nossos narizes!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A paródia da Porta dos fundos e a Paródia de Jesus...

Caso esteja você a ler estas linhas saiba antes de tudo que foram escritas por um Cristão consciente e convicto. Por um Cristão atanasiano ou niceno, alias um dos poucos Cristãos atanasianos pertencentes aos altos meios acadêmicos. Por alguém que acredita piamente não apenas na divindade de Jesus mas também na Virgindade perpétua de sua mãe. Por alguém que lê o Evangelho todos os dias, que estuda a Tradição patrística, que julga ser estritamente Ortodoxo, que exerce um apostolado e estima a doutrina. Por alguém que recita as horas, faz a Páscoa e tem a seu encargo a instrução dos fiéis... Seja portanto mais rápido no ler do que no julgar. Pois certamente ficará bastante surpreendido com o que tenho a lhe dizer.

Afinal tenho quase 110% de certeza de que 99% dos cristãos que iniciarem esta leitura deste artigo julgarão que acusarei o citado grupo de comediantes ameaçando-o não apenas com os fogos eternos do inferno mas também com a violência do poder temporal... Por isso digo que vocês ficarão surpreendidos ou mesmo exasperados. Alguns ficarão indignados com o que estão por ler e da mesma forma como desejaram o câncer para os atores da porta, deseja-lo-ão para mim. E praguejarão... amaldiçoarão, etc

Sei que será assim porque nasci e fui educado como protestante. Porque tendo passado pela igreja romana conheço o que há de melhor e de pior nela. Enfim porque me tornei Católico Ortodoxo... Estando habituado a ouvir ameaças e escutar pragas por parte daqueles que deveriam antes de tudo ouvir, abster-se de julgar e abençoar; sim abençoar, pois Ele disse: "Abençoai os que vos maldizem!". Como disse: "Sereis perseguidos.", jamais: "Sereis perseguidores ou algozes." - Logo há algo de muito estranho neste novo cristianismo feroz, dos perseguidores e dos que amaldiçoam.

Partindo do princípio de que o programa humorístico em questão levou a paródia e assim ridicularizou a adorada figura de Jesus.

Não é a primeira vez que ouvimos semelhantes rumores - Caio Fábio fez-nos o favor de trazer-nos a memória 'Jesus Cristo super star'. Recordei algumas tiradas de Monty Phyton, outras tiradas bem mais agressivas do Charlie, o polêmico filme 'A última tentação de Cristo'... outras tantas personagens passaram-me pelos miolos: O Dr Binet Sanglé, Leon Tolstoi, Kazantzakis, M Mastroianni, etc De modo que bem poderia eu citar: "Nada há de novo debaixo dos céus." ou ainda "A História se repete primeiro como tragédia e em seguida como comédia."

Tudo quanto vemos e pensamos porém, em termos de distorção, blasfêmia, sacrilégio, irreverência, etc nada tem de original. Tudo 'palha' em comparação com o que tem feito os cristãos nominais no decurso dos últimos séculos. De fato a Porta nada fez ou faz além de devolver o presente confeccionado pelos cristãos nominais nas oficinas a que chamam igrejas. E já vou dizendo que não há maior nem melhor fábrica de blasfêmias e sacrilégios do que elas, e que todos os dias a humanidade tem sido levada a maldizer a pessoa de Jesus Cristo graças a tais organizações sectárias.

Nenhum Jesus mais falso do que este apresentado pelos neo Cristãos, no decurso do último século, por esta Escola de ateísmo chamada 'Teologia da prosperidade'.

Que pensar, com efeito, daqueles que pintam o Deus que aniquilou a si mesmo, despojando-se de sua glória, a semelhança de um nababo ou milionário?

Leem que seu Senhor nasceu numa manjedoura ou gruta e imaginam ter nascido ele num palácio ou berço de ouro...

Ouvem a exortação sagrada: Não junteis tesouros neste mundo... e utilizam-se de sua palavra com o objetivo de amealhar tesouros.

Escutam dia após dia: Não podeis servir a Deus e as riquezas. E acumulam riquezas em nome de Deus!

Recitam a todo instante: O que de graça recebestes, de graça dai. E cobram, e vendem, e traficam... em nome Dele.

Ouvem que Lázaro, o rico egoísta, foi lançado as chamas, e imitam-no.

Fingem acreditar ser mais fácil uma corda ou um elefante passar pelo fundo de uma agulha do que o rico entrar no paraíso celestial e tomam posse de imensa fortuna.

Sabem que ele deseja misericórdia, não sacrifício e declaram que ele deseja dinheiro! Cônscios de que ele demanda pelos corações dos homens ocupam-se apenas das bolsas e cofres...

Testemunham o Redentor conflitante com os escribas e fariseus, e cobram dízimos...

Observam o Justo ser suspenso nu, no alto de um madeiro, como espetáculo as nações; e declaram ter sido ele bem sucedido....

Percebem-no expulsando os vendedores do santuário e apresentam-no como empreendedor.

Ouvem-no proclamar Felizes os desapegados e proclamam que a verdadeira bênção é a prosperidade.

Duvidam de que Deus derrubara os poderosos de seus tronos e exaltara os pequeninos. Buscam as grandezas da terra...

Embora ele não tivesse uma pedra sobre a qual depor sua fronte cansada eles habitam em castelos.

E não tendo nascido num castelo é sepultado num túmulo emprestado.

Em sua maldade tem ousado comparar a jumenta com que entrou em Jerusalém a uma Ferrari, ignorando que seja um puro sangue árabe...

É até se esforçam por demonstrar que este nosso Jesus foi um milionário ou avarento.

Todas as bem aventuranças exaltadas pelo Senhor eles substituem pela posse de bens materiais e para eles o Mestre até Poderia ter sido um banqueiro ou Senhor de escravos.

Avançado pela senda da iniquidade autorizam a venda de toda sorte de amuletos e bugigangas, estabelecem taxas e proclamam feliz ou bendito o comprador.

Por fim, completando todas as medidas, afirmam que Deus ama e recompensa aquele que paga ou oferece dinheiro com sinais e prodígios; assim que o Santo comercializa seus dons e vende suas graças; embora ele diga e repita - NÃO FAÇO EU ACEPÇÃO DE PESSOAS.

Mas eles assegura que este Jesus favorece o rico e prefere o milionário.

Oferecem a pobre humanidade um Jesus que se vende, um Jesus corrupto, um Jesus venal, um Jesus avarento e prostituido!!! Eis o ídolo podre que tem eles oferecido aos tolos nestes últimos cem anos! Eis a paródia... Substituíram Jesus por Tetzel, o traficante de indulgências desmoralizado por Lutero, e este que seu mestre apresentou como ímpio e vil transformaram em Deus.

Que tem de concreto, histórico e real este novo Jesus 'empreendedor' e financeiramente bem sucedido, concebido a imagem e semelhança dos pastores avarentos? Nada.... Absolutamente nada.

Tendo recebido a oferta desse Jesus estranho, como uma espécie de tapa ou bofetada, a humanidade - insultada pelo pentecostalismo - revida por meio da Porta dos fundos...

Recebemos por paga uma paródia da paródia que fizemos. A nossa no entanto foi feita por supostos homens de fé...

Julgo que a paródia do Gregório seja depurada ou menos maliciosa e grosseira.

Esperneia agora esse mesmo 'bom cristão' ou cidadão exemplar que há mais de século assiste Jesus ser apresentado como vendilhao sem jamais ter pensado em protestar...

Pelo menos dos Católicos o protesto chega com atraso.

Acaso não tem eles engolido essa teologia podre da prosperidade... Sem soltar um suspiro ou dar um grito....

Verdadeira blasfêmia não é a porta dos fundos apresentar o Redentor como um homossexual, que isto não muda coisa alguma nem o atinge....

Verdadeiro sacrilégio é você Ortodoxo ou romano 'devoto' sem obras - é portanto de alma protestantizada - sair da liturgia ou da Igreja e passar pelo pobre ou pelo mendigo, batizado, membro de Cristo e irmão seu, sem sequer olhar para ele ou dar-lhe a esmola de uma palavra... Julgando ser ele um parasita ou vagabundo.

Se isso não é capaz de choca-lo ou de sensibiliza-lo julgo que Nosso Senhor poderia apontar para si e dizer aos atores - Maior pecado tem quem finge ou afeta crer em mim e NÃO crê ou NÃO vive...

Vivemos assim num tempo em que fariseus batizados continuam a coar elefantes e no qual os vendilhões, expulsos pelo Senhor do templo, parecem ter se refugiado na Igreja ou no corpo da cristandade nominal...







sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O fetiche das marcas

Dizem alguns que as palavras teem poder.

Creio que tenham mesmo sobretudo quando belas.

Multidões deixam-se arrebatar facilmente pela beleza dos discursos.

Hitler discursava muito bem, abusando dos gestos e da teatralidade.

O Pe Antonio Vieira encantava multidões de homens e mulheres tal e qual o flautista de Hamelin encantava ratazanas...

Sobretudo quando associada a uma argumentação racional e as ações a palavra torna-se poderosa.

Outro no entanto é o sentir do vulgo.

O qual ainda teima a encarar certas palavras como mágicas.

A semelhança do abracadabra ou do põem-te mesa!

Cuidam que uma ou algumas palavras sejam capazes de alterar a realidade.

Que pensamento excepcionalmente tenha a capacidade para atuar além dos sentidos e de alterar alguns elementos isolados da realidade, não ouso nega-lo.

Agora que uma simples frase ou palavra tenha o condão de acrescentar algo a um objeto, discordo e nego.

Não é repetindo Glória, amém ou aleluia que transformaremos papel em pedra ou madeira em ferro...

Longe de mim negar a finalidade ética da prece enquanto modo ou maneira de entrar em contato com o sagrado e alimentar o bem e a virtude.

Creio piamente que a fé imaculada é capaz de remover as montanhas do ódio, da maldade, dos preconceitos que entulham os corações da maior parte dos homens, levando-os a amar, compreender, perdoar, etc

Para quebrar as montanhas 'reais' ou abrir tuneis não usamos a fé, do contrário a invenção da pólvora teria sido inutil.

Para restabelecer a saúde das pessoas recorremos a médicos, tratamentos, aparelhos, medicamentos, dietas, etc e não a orações. Do contrário o governo, deixando de contratar padres, pastores, rezadores, taumaturgos, etc no lugar de médicos estaria malbaratando nosso dinheiro!

Para que manter um hospital das clínicas de existe de fato um Davi Miranda???

Para que gastar tanto dinheiro com laboratórios, experiências, pesquisas, etc se há um  ministério de cura???

Na verdade, por mais que seja dolorido a certos ouvidos ouvi-lo, o que temos é auto sugestão, hipnose, transe... e consequentemente a supressão provisória dos sintomas ou a cura das enfermidades de fundo PSICO somáticas, i é causadas por algum trauma ou bloqueio emocional.

Davi Miranda no seu santuário possuía milhares de cadeiras de rodas ou óculos; isto só prova uma coisa: que conseguiu impactar emocionalmente aquelas pessoas e curar-lhes a mente por meio de seus rituais, coisa que qualquer psicólogo poderia fazer sem apelar a Deus ou a Jesus obtendo os mesmos resultados.

Doenças reais ou físicas diagnosticadas e atestadas por laudos foi que não curou.

Habitualmente alguns sintomas são eliminados, dando ao enfermo a impressão (falsa) de que esta curado. Diante disto ele deixa de tomar os medicamentos ou tratar-se. Passadas algumas semanas cessa o efeito da sugestão, o estado de saúde do enfermo agrava-se e ele vem a óbito.... os idiotas no entanto continuam declarando que aquela pessoa, já morta, fora curada!

No entanto as pessoas querem crer que são magicamente curadas, pois querem ter esperança.

Não conseguem aceitar que passam mesmo a luz das palavras de Cristo!

Falta-lhes fé no mundo vindouro e por isso desejam perpetuar a existência neste plano físico.

E apegam-se de tal modo a ilusão dos milagres e das falsas curas que nada é capaz de demove-las.

Assim como Daisy Osborn morrem esvaindo em sangue jurando que estão curadas!

Abandonam a vida como qualquer ateu ou materialista... juram no entanto que foram agraciadas e que sobreviverão aquela 'crise'...

Tal o apego que nutrem pela vida mortal.

Não, elas não compreenderam a mensagem central do Evangelho e via de regra de todas as religiões e crenças: que esta nossa existência no plano material não passa duma peregrinação ou dum estádio provisório do ser.

Não somos daqui... não pertencemos a este lugar.

Apenas estamos a caminho... passamos por uma fase.

Como a pupa que se converte em mariposa.

A luz desta mensagem a morte, mesmo sendo feia, adquiri um significado positivo.

Para os que partem fiéis a lei do amor a morte não passa duma ascensão.

Passam para o outro lado da ponte.

Onde como declara Sócrates haverão de reencontrar seus queridos e de viver em paz.

Logo não a necessidade alguma de prolongar definitivamente a existência por meio de recursos extravagantes que fujam a natureza.

É absolutamente normal desejar ficar com os queridos que aqui estão, se para tanto contarmos com o adjutório da natureza, digo da medicina.

No entanto por que Deus conhecendo muito bem os limites desta fase, haveria de prolonga-la burlando as leis naturais que ele mesmo estabeleceu?

Seria absurdo.

Por isso mesmo que o Evangelho bem compreendido não acena com tais promessas, dignas apenas dos materialistas.

Assim quando esgotarem-se os recursos naturais o bom Católico deve estar preparado para ir ao encontro de seu Senhor animando-se de viva esperança.

Que os carnais paguem aos pastores por falsas esperanças e falsas curas alimentando o charlatanismo e aumentando seus débitos espirituais.

Temos a esperança de que até o corpo que adormece provisoriamente com o Cristo será um dia restaurado. Quanto ao espírito vivo que de Deus emanam, este jamais pode perecer...

As massas no entanto tombam na superstição do fetichismo e atribuem as palavras dos pastores poderes mágicos.

Por afinidade eletiva no entanto mesmo os irreligiosos costumam tombar miseravelmente no mesmo erro.

Passando o fetichismo por um processo de secularização e sendo transferido para os objetos ou coisas materiais.

Perde-se a fé, progride-se de alguma maneira, no entanto permanece-se atrelado a uma fetichismo naturalista, em que o objeto da cura sai de cena, mas a atmosfera de misticismo sobrevive.

Neste momento a religião dos milagres converte-se no misticismo da palavra ou melhor da marca.

Imaginemos dois copos de água, um abençoado pelo pastor e outro não, ambos os copos são bebidos, um pelo fanático outro pelo homem comum, qual o resultado disto???

Caso ambos sofram de câncer e tomem os mesmos medicamentos a doença, salvo a peculiaridade de cada organismo, seguira o mesmo curso. Demonstrando que entre a água benta e a não benta não ha diferença alguma, pois a fórmula e os componentes da água permanecem sendo os mesmos e, com ou sem benção ela limita-se a matar a sede daquele que a ingere.

Assim as palavras vãs e supersticiosas do pastor de fato nada acrescentam aquela água, e menos ainda a um medicamento que atua por si mesmo.

O enfermo todavia pensa e crê que aquelas palavras ditas pelo pastor acrescentam algo aquele copo dágua tornando-o especial!

Segundo o padrão mágico fetichista ele julga que as palavras são perfeitamente capazes de alterar a natureza das coisas!

Tomemos agora o homem irreligioso, indiferente, deísta, agnóstico, materialista ou ateu, mas enfeitiçado pelo mercado ou melhor pela propaganda.

Ouve dizer que a Coca Cola seja melhor do que Pepsi porque é Coca, ainda que a fórmula seja a mesma!

E recusa-se até mesmo a provar a Pepsi porque lhe disseram que não é Coca!

Uma questão de palavras!

Capaz de bloquear a verificação.

Não muda a realidade da bebida.

Atua no entanto na mente do consumidor, predispondo-a a considerar a dita bebida superior a todas as outras apenas porque porta determinado nome.

Consideremos agora uma camisa.

Temos o mesmo tecido e o mesmo corte.

Aqui feita por uma mãe prendada, que sabe costurar... Ali oferecida pela fábrica Tods, e com o emblema ali gravado.

Ambas a peças são absolutamente iguais! No entanto a maior parte dos jovens recusar-se-ia terminantemente a usar a peça de roupa feita com carinho pela própria mãe; optando por aquela que tem um emblema com o nome fixado, e jurando de pés juntos que aquela peça é superior ou melhor!

E por que?

Porque trás um nome!

Mas o um nome acrescenta algo a coisas ou objetos exatamente iguais?

Nada, absolutamente nada.

De fato uma marca determinada pode até ser melhor do que as demais. Isto no entanto não depende da marca mas da qualidade do produto, o qual alias permanece sendo o mesmo caso a marca ou o emblema seja removido. Então para sabermos qual peça de roupa é mais confortável ou resistente existe apenas um critério: prova-las todas!

Pois pode ser e sempre pode ser, que a marca alardeada seja inferior a uma outra que não goza de tanto prestígio e portanto enganosa.

Sempre poderemos ser enganados por palavras escritas ou faladas.

A única possibilidade de aquilatarmos a verdade é por meio da experiência ou do uso.

O fetiche da marca no entanto é capaz de tornar as pessoas resistentes a experiência.

Elas sempre poderão alegar que confiam na marca X, mesmo que as demais peças ou produtos sejam similares.

Ficam condicionadas a comprar apenas Maizena e não qualquer outro tipo de amido de milho... a adquirir Bom bril e não qualquer outro tipo de palha de aço. Como se o nome daquele produto adquiri-se poder ou força por si mesmo...

Poderia até adquirir idoneidade moral, numa sociedade em que a propaganda fosse feita de boca e boca e não negociada. Nós no entanto fazemos parte de uma sociedade em que a propaganda é paga ou comprada, e, logo; numa sociedade em que o anunciante declara o que quer, jurando por todos os deuses que seu produto é superior a todos os outros.

Fica evidente que numa sociedade cuja propaganda seja paga as pessoas deveriam exercer sua criticidade testando os produtos ou melhor dizendo experimentando.

Elas no entanto transferem sua fé do livro ou do pastor para o mercado ou a propaganda paga, permanecendo crédulas e pagando por nomes que nada adicionam aos objetos.

Antes compravam milagres, agora compram cigarros, latas de cerveja ou automoveis; mas continuam acreditando que a marca ou o nome acrescenta algo ao produto. Ou crendo numa propaganda que limita-se a palavras...

Antes o nome era Jesus e as palavras glória ou aleluia, agora Tods, Quick silver, adidas, etc o princípio é exatamente o mesmo.

A ideia de que as palavras adicionam algo a coisa em si.

Quando nada adicionam.

Claro que outras tantas pessoas adquirem as tais roupas ou coisas de marca como sinal de posição, superioridade ou prestígio. Para destacarem-se das demais, que não podem arcar com o custo da tal marca ou compra-la.

Aqui a roupa ou o calçado deixou de cumprir com sua função natural apontada por Sócrates (nas Memorabilia de Xenofonte) que é a de proteger do frio, do calor, da chuva ou das asperezas e insalubridade do terreno, para assumir uma função artificial que é separar os elementos da sociedade segundo o critério externo da aparência.

É esta dinâmica que leva-nos a priorizar a aparência a realidade, o traje a pessoa, o ter ao ser; corrompendo nossa visão de mundo.

Não quero dizer que devamos descuidar da aparência ou do asseio e do conforto, não é isto. O que quero dizer é que acima de tudo isto devemos considerar a razão e a livre vontade como apanágio supremo e específico dos seres humanos. Traje é importante mas vem em segundo plano, devendo como já foi dito corresponder a uma função natural do que a critérios de exceção.

Neste sentido podemos classificar como anti humano etiquetar as pessoas, rotula-las, julga-las tomando por base suas roupas 'sem marca'. Aqui seria julgar a casca pelo miolo...

A roupa de fato precisa estar - salvo compreensíveis exceções determinadas pelas circunstâncias - limpa e bem cuidada. Mas nem por isso precisa ser cara, luxuosa e de marca como Sócrates fez reparar ao sofista Antifonte.

Priorizar o traje ou o que é pior uma marca ou palavra ao invés do ser ou da coisa em si é corresponder aos interesses financeiros do mercado sacrificando parte de nossa natureza como o espírito investigativo.

Tomada em si mesma a cultura da marca deve ser encarada como um fetiche que só trás proveito aquele que a vende ou anuncia. Uma vez que poderíamos pagar um preço bem menor por um produto melhor de marca não famosa... ou mesmo sem marca (Uma vez que a qualidade se sustenta por si só, sem a marca!). Pagamos assim por um nome ou por uma palavra, a qual como vimos nada acrescenta ao ser.

E nossa mente ainda que irreligiosa permanece presa a um tipo de misticismo irracional.

Salva-mo-nos do pastor para cair nas mãos do empresário ou do marketeiro...

Então ainda temos de percorrer um longo e penoso caminho!