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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Marx, Darwin e Freud, três intelectuais face ao Sagrado.


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Caso houvesse concurso de mentiras ou lorotas não sei quem ganharia. Se os neo ateus cientificistas ou seus desafetos fundamentalistas. Basta dizer que uns e outros amam classificar o grande Ch Darwin como ateu em suas publicações ineptas... E por ai vai - Os sectários fanáticos classificam como ateus e materialistas, irreligiosos, etc a tantos quantos repudiam seu deus retangular, a bíblia e os neo ateus, aplaudem e declaram: É exatamente assim, encampando um bom número de irreligiosos e agnósticos que jamais negaram a existência de um Supremo Ser ou de uma Consciência universal...

Fenômeno curioso este de dois grupos extremistas e fanáticos explorando os mesmos boatos, fábulas e mentiras. Sem pingo de dor na consciência... Uns quiçá por crerem que o rubro sangue do Nazareno tudo lave, e outros por repudiarem um padrão universal de bem ou virtude.

Por isso resolvi escrever algumas linhas sobre os grande ateus ou sobre os grandes ateus inventados. E começarei por Karl Marx. O qual era ateu de fato, mas de modo algum fanático como seus pretendidos seguidores ou sucessores, que parecem ter chegado a fobia...

Materialista convicto não podia Marx admitir a existência de um princípio espiritual ou imaterial paralelo, por inferência era ateu num sentido muito próximo do de Sartre: A existência dum tal Ser não lhe interessava, além de é claro parecer-lhe sem sentido. Alias, como um materialista poderia encontrar sentido numa entidade Imaterial e Invisível. No entanto Marx não perdia seu tempo precioso buscando convencer os religiosos e teístas ou visando converte-los ou salva-los. De fato ele não entrava em discussões metafísicas como o teófobo Seb. Faure... Não se empenhava em demonstrar ou provar, através de argumentos, a inexistência de Deus.

Mais ainda. O odiado Marx parece até ter tido respeito e sabido lidar muito bem com os sentimentos religiosos alheios, não lhe faltando até certa delicadeza. Ocorre-me ter lido, quando moço, trechos da correspondência que trocará com uma garota ou menina, na qual a mesma aludia ao costume de ir a Missa com a família todos os Domingos. Em certo momento Marx assim se expressa: 'Como de costume sei que iras a Missa...' e 'Porém depois que chegares da Missa...' sem revelar a jovem qualquer sentimento amargo ou negativo. Enquanto qualquer pentecostal fanático diria a queima roupa: A Missa é uma cerimônia demoníaca... em nome de seu belo deus e de seu teísmo azedo e supersticioso. O ateu e 'diabólico' Marx no entanto não procede assim. Parece até saber compreender, tolerar e colocar-se no lugar do outro... Parece que aprendeu muitas coisas boas com o capeta ou com o não deus...

Freud é outro departamento. Ao contrário de Marx e Sartre era ateu forte... tendo o costume de destilar seu ateísmo a todo instante. E juntamente com ele, por admirável força de coerência, toda sua falta de esperança. Um ateu não deveria abrigar o veneno metafísico da esperança em seu coração dizia ele. Evolucionismo, progressivismo e outros vestígios de misticismo Cristãos haviam sido lançados ao limbo por ele bem antes da crítica ácida de Grayling e outros. Para este grande representante do ateísmo, mais do que para o fanático Agostinho de Hipona, os bebês nada mais eram que malvados polimorfos e o homem algo semelhante a um verme ou parasita.

Apesar disto Freud, como todos os neo ateus sentia imenso mal estar em dialogar ou discutir sobre a teísmo natural dos antigos gregos. Em "O futuro de uma ilusão" não hesita sair pela tangente e declarar que esse Deus, o da metafisica racional, de Platão, de Aristóteles ou dos Filósofos, não o interessava. O deus que interessava a Freud, como a Dawkins e a tantos outros, era apenas o espantalho fetichista dos fanáticos religiosos e fundamentalistas i é à la Genesis... Assim, lançando-se contra esse espantalho, fica mesmo fácil...

Agora onde procurar as fontes do ateísmo freudiano? Há uns poucos anos lí uma análise psicanalítica segundo a qual Freud transplantou o ódio que sentia pelo pai e rival para Deus... Achei delicioso, no entanto minha opinião é bem outra. Quiçá a dor e a indignidade física tenham consolidado o grande psicólogo em sua posição. Afinal desde 1920 até a ocasião de sua morte passou ele por cerca de vinte intervenções cirúrgicas, devido a um câncer bucal extremamente invasivo. A cabo do processo esta terrível enfermidade lhe havia destruído a mandíbula e arrancado a lingua. As dores eram lancinantes e a morfina já não conseguia alivia-las... Por fim houve uma rejeição da prótese e necrose, o cheiro tornou-se tão repugnante que afugentou-lhe os queridos cães. Diante disto ele suplicou por uma dose maior de anestésicos e... Pense então numa pessoa que padece de dores atrozes e que por fim se vê apodrecer viva. Coloquem-se no lugar dela. Tentem identificar-se... Difícil estar no lugar de Freud sem pensar como ele ou até revoltar-se. Fácil falar sentado sobre as poltronas do sofá... Julgo melhor tentar compreender mais e julgar menos. Quero dizer apenas que Freud, a partir de sua experiência diária ou de sua vivência, não tinha lá motivos muito fortes para mudar de posição face ao problema de Deus.

Tanto pior se me disser que o deus 'sábio' serviu-se da moléstia que o consumia para castiga-lo. Ora todo castigo vindo de um Ser Bom, Generoso e Filantropo só pode ser a recuperação do homem e não para sua exasperação. No entanto supostas punições, dolorosas e desumanas como estas, só serviram mesmo para exasperar e produzir revolta nos corações dos mortais. Concluo que o deus dos fanáticos nada sabe sobre atrair e reconciliar os seres que criou. Sua pedagogia é um completo fracasso ou um reforço do ateísmo. Já a simples hipótese de estar ele exercendo vingança não passa de sadismo, i é o reforço do sacrilégio e da blasfêmia. Melhor aceitar o fato de que semelhantes desgraças são meros acidentes com que nos brinda a natureza ou a sorte, sem que a excelsa divindade tenha qualquer coisa a ver com elas...

Chegamos assim a Darwin. O qual jamais professou qualquer forma de ateísmo. Haja visto sua reflexão a respeito da sabedoria divina e do processo evolutivo em termos naturais contida na própria Origem das espécies. Religioso durante a primeira quadra da vida e destinado ao ministério eclesiástico confrontou-se aquela mente, antes de tudo, com a grosseria do Gênesis e da mitologia hebraica, porque se batem até hoje os fanáticos bíblicos, não com Deus.

Os advogados da mitologia no entanto, como Sedwigck, não pouparam esforços para fazerem-no avançar em sua posição. O que tal e qual no caso Freud foi reforçado pela própria vivência ou pela experiência pessoal. Pois Darwin teve de assistir a morte de dois de seus rebentos amados, o pequeno Charles, levado pela escarlatina e sua filha predileta e companheira Anne, após lenta agonia, aos dez anos de idade. Desde então parece ter perdido a fé e se tornado deísta. A partir daí podemos observar sucessivas crises existenciais oriundas duma existência tocada pelo sentido trágico da vida, por delicadeza, lirismo e recaídas religiosas... Foram sucessivas crises, idas e voltas, revisões, jamais privadas de uma grave consciência espiritual.

Sua trajetória no entanto, sequer parou por aqui, pois Darwin apenas encontrou escolhos metafísicos jamais vislumbrados antes e assim dignos de nota. Com efeito em suas ulteriores pesquisas pode observar o que compreendeu como um certo índice de malignidade presente na própria natureza ou no mundo natural. Observou o excesso de vida e a carência de alimentos, assim a fome. Observou em certos animais costumes bastante bizarros, que chegam a crueldade. Observou que ao menos em parte o processo evolutivo é estimulado pelo incomodo ou pela dor, enfim por situações de sofrimento, catástrofes, etc Passou então a ter dificuldades para relacionar tais fatos como conceito de um Deus bom e misericordioso... Tanto mais pesquisava e mais parecia divisar uma face maléfica na natureza, representada alias por sua seleção natural. Diante disto, nos últimos anos de vida, parece ter passado do deísmo ao agnosticismo e chegado a duvidar da existência de Deus, sem no entanto jamais obter qualquer certeza a respeito.

Em seus últimos dias Ch. Darwin a todos recebia em seu convívio fossem clérigos, religiosos ou teóricos ateístas... Com uns rezava, em companhia de Emma, com outros ouvia, não poucas vezes ferozes preleções contra a fé religiosa ou mesmo favoráveis ao ateísmo, sem todavia jamais endossa-las formalmente e até exigir certo decoro ou respeito. A atitude muito parecia-se com a de um agnóstico, ao qual fugiam todas as certezas e ambas as metafísicas: A teísta e a ateística... Darwin jamais declarou estar convencido sobre a inexistência de Deus ou tentou demonstra-lo. Tampouco desejava polemizar fosse com os ateus ou com os religiosos... Sua atitude sabe a neutralidade ou isenção, bem a gosto da divisa: Ignorabimus et ignorabimus. Tal parece ter sido seu ponto de vista definitivo, no momento em que abandonou esta existência, portanto apresenta-lo como ateu ou ateu forte sabe a mentira grossa e cabeluda.

Religiosos e ateus sejam antes de tudo honestos, evitando atribuir suas opiniões aos outros ou o que é ainda pior atribuir-lhes uma concepção que julgam ser indigna, porque em ambos os casos vocês, falseando a realidade histórica - Em nome de seus queridos sistemas! -  é que se tornam indignos.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

A miséria da arte moderna.

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Baumgarten, Baumgarten... raramente escrevo sobre Estética.

Aqui, mais do que em qualquer outro campo, escrever é polemizar.

Acusado de ser demasiado progressista (rsrsrsrsrs Nem tanto pois meu progressivismo não vem da 'caixola' mas, creia leitor, do passado - E por isso apresento-me como reacionário ou anacrônico. Jamais como conservador pois não creio que muito do que temos HOJE mereça ser conservado!) em moral, política, economia, etc devo ser classificado como 'conservador' ao menos nesta área, alias nesta única área. Conservador face a realidade estético acadêmica do século XIX, assim anti pós modernista ou mesmo modernista neste campo. Ou, como e caso queiram reacionário, ultra reacionário, caso admitamos que o modernismo está mesmo na berlinda. Odeio o pós modernismo e o modernismo com todas as forças da alma, inclusive na gnoseologia, mas, sobretudo na estética.

Então vamos logo ao 'prato' e que temos ai???

Temos arte dirão nossos amiguinhos pós modernistas e modernistas, eu direi que temos expressões meramente subjetivas preciosas para a Psicologia, mas não arte propriamente dita.

E por que não temos arte???

Não temos arte porque este festival de psicologismo é irredutível a qualquer avaliação objetiva ou exata em termos de técnica ou mesmo de ponderação estética. O que temos aqui é apenas emoção ou emocionalismo irredutível a qualquer padrão ou critério avaliativo exato, seguro ou objetivo. É algo que não se pode valorar com segurança ou a respeito de cujo mérito se chegue a qualquer acordo. Decretar que a arte moderna deva ser reconhecida como meritória por todos ou por toda crítica é rematado absurdo, filho de incoerência. Nada pode obrigar-me a mim ou qualquer outra pessoa a reconhecer valor estético nessa 'arte' reducionista e mutilada.

Ok, dirá você. Acaso a arte não deve contemplar a esfera do sentimento e satisfazer esta demanda?

Tolo seria, de minha parte, discordar de você. Claro que um dos aspectos distintivos da arte ou da estética é mexer com os sentimentos humanos. Claro que a contemplação da arte tem por fim despertar o sentimento ou a emoção estética. A fruição dos sentimentos e emoções faz parte efetiva da produção artística, por meio da qual o mundo externo não é apenas representado, mas, aperfeiçoado, na medida em que encontra seu ideal.

Então qual o problema?

O problema é que a parte não é o todo.

Fixar-se apenas e tão somente no sentimental/emocional, no subjetivo apenas ou no psicológico será sempre reduzir ou mutilar a condição humana. Afinal não é este homem apenas sentimento ou emoção e há nele um elemento de razão e outro de experiencialidade, os quais devem estar em comunhão e ser representados numa arte integral.

Certo, o sentimento deve ser posto na obra de arte. Assim a emoção. E deve ela causar impacto emocional. No entanto essa emoção deve ser expressa em comunhão com o racional e dentro de determinadas normas técnicas de execução que possam ser objetivamente mesuradas. Do contrário jamais poderemos avaliar esta arte.

Após o sentimento ou a emoção deve ser considerada pela crítica o elemento objetivo, racional ou técnico. A harmonia entre as tonalidades de cores, como salientou Van Gogh a respeito das magníficas telas de Millet; a forma do desenho, a perspectiva, etc Como deixar de considerar estes aspectos presentes na natureza???

Dirá você que o inconsciente não conhece normas e que a arte atual é expressão de um mundo onírico isento de regras. Então é apenas uma expressão psicológica de uma vida interior ou emanação das profundezas da mente. Algo que se reduz a psicologia ou fenômeno psicológico... Neste caso para que manter a farsa ou a encenação aparatosa dos concursos e prêmios??? Como distinguir expressões meramente psicológicas ou mentais umas das outras. Se por princípio todas as manifestações do inconsciente tem o mesmo valor (que é meramente subjetivo!) como premiar uma e não outra??? Em que uma simples manifestação da atividade mental ou da imaginação é, em si mesma, superior a todas as outras. Apenas a forma, vazada na técnica, pode comunicar superioridade ou inferioridade... E para a arte moderna e irredutível a qualquer controle externo e objetivo, a forma não é nada. E já não existe norma ou regra que nos permita julgar esta produção, declarando que uma seja melhor ou pior do que todas as outras. O que você tem ai são expressões livres do inconsciente... Como levar tais expressões a um concurso e premia-las como se melhores fossem???

Elaborações meramente subjetivas e fora de qualquer controle objetivo por ausência de normas não podem ser julgadas.

É exatamente por isto que X ou N podem enlatar as próprias fezes ou grudar catarro em folhas de papel e proclamar que é arte, arte moderna...

Mas que há de estético ou de verdadeiramente belo em cocô enlatado ou em escarro espalhado sobre o papel???

Bem se vê que a arte psicologista ou do inconsciente perdeu por completo seu sentido. A ponto de ignorar a contemplação estética de um ideal harmonioso ou a dimensão do belo.

Esta arte se contenta em impactar emocionalmente. Como se a outra, a formal ou acadêmica não contemplasse este aspecto há muito tempo ou a milênios. Como de a contemplação de um Polikleitos ou de um Parrasio não suscitasse absolutamente nada nos homens... Como se alguém pudesse permanecer indiferente face a obra de um Praxísteles ou de um Apeles!!! No entanto, além disto, havia norma e regra, uma técnica de execução a ser objetivamente avaliada ali. E bem se poderia justificar a excelência de um Fídias face a seus rivais sem maiores problemas...

Uma arte que se esgota na emoção ou no sentimento e que se proclama livre ou acima de todas as regras, além de trivial e fácil não pode ser avaliada.

É trivial porque qualquer criança pequenina, a qual seja dada papel e tinta, pode executa-la perfeitamente. Basta espalhar as cores com os dedos sobre o papel, tudo misturando... ou ensaiar algumas formas obscuras ditadas pelo senhor inconsciente. E alí estão as obras primas da arte moderna!!! Executadas por qualquer nascituro... Diante disto como premiar o pintor X ou o escultor N??? Se qualquer moleque recém nascido é capaz de exprimir a mesma coisa???

Mas a ser trivial é esta nova arte fácil e este é seu problema central ou basilar. Posto que não precisa ser estudada ou aprendida. É arte que não demanda esforço algum. Arte que não precisamos beber junto a um mestre consumado.

Admitida a arte sem compromisso da facilidade, a verdadeira arte, que demanda esforço ou aprendizado torna-se vulnerável ou posta a morte e ao desaparecimento e por isso mesmo, a concepção psicologista ou modernista da arte não deve ser encarada como algo inofensivo pelo filósofo mas como algo monstruoso. Afinal de contas por que qualquer artista iniciante haveria de tomar a senda estreita de um Delacroix ou de um Canova, ou de um Thorwaldsen se para obter a glória basta-lhe rabiscar ou bater com o martelo num bloco qualquer?

Dizer que todos são artistas criadores de obras primas é dizer que não há artista algum ou obra prima alguma. Mas... você sempre poderá aprender e criar pautando-se ao menos em algumas regras, o que de fato abre espaço ao talento.

Como sempre a esquerda desorientada adorou a demolição da arte acadêmica ou 'burguesa' - e assim relativa... Pelo simples fato de que todos os homens, especialmente os miseráveis, que não teem acesso ao estudo, a aprendizagem ou a formação, poderem apresentar-se como artistas, dentro de um padrão de igualdade absoluta.

Concedo que o monopólio estético da arte caiu nas mãos desta burguesia sem consciência, e que a arte acadêmica, em sua esfera, foi amiúde acrítica e servil. Que os donos do poder se tenham apropriado da beleza em proveito próprio é fato que deploramos. Aos simples e restou apenas o trabalho bruto e insano, e a criação do que chamam arte popular ou mesmo de massas, a qual nem sempre é alheia a cânones e regras... E nem sempre é feia ou isenta de méritos. Alias é sempre significativa quando a falta de técnica ou preparo aspira por um ideal de beleza a que não tem acesso.
Tal o contesto a partir do qual os comunistas e anarquistas (Sobretudo estes porquanto a URSS conheceu uma arte Realista, em que pese seu engajamento!) passaram a encarar a supressão das normas no domínio da arte como uma espécie de pré revolução ou peristilo da revolução... E tornaram-se eles iguais por essa nova arte antes de se tornarem verdadeiramente iguais quanto a vida social. Foi uma igualdade funesta. Por ter privado parte dessas massas da contemplação da beleza a que por vezes tinham acesso. A qual a um lado serenava e a outro educava... Contemplar a Notre Dame ou o Partenon jamais deixou de ser catártico para quem quer que fosse.

Mas essa ideia pós modernista, que implica encarar todas as manifestações livres do inconsciente como artísticas equivale, no plano da economia, em transformar todos os cidadãos em milionários pelo simples fatos de acrescentarmos alguns zeros a direita dos centavos, convertendo-os em milhões... Seria como nivelar todos pela mesma miséria após ter destruído todas as riquezas. Belo nivelamento, em que todos se tornem iguais pela falta ou pela carência! Quanto valia o título de cidadão romano quando a todos foi oferecido por Caracalla??? Devia valer muito pouco, se é que valia algo! Tornaram-se todos cidadãos por decreto porque a cidadania nada mais significava. Hoje a modernidade reconhece que todos os homens são artistas em estado de natureza justamente porque... Tire suas conclusões enquanto nas tais exposições de arte moderna oferecem fezes enlatadas ou catarro espalhado sobre o papel... Por que não engarrafam peidos???

A arte moderna não vulgarizou ou popularizou a arte. O que demandaria educação, escolaridade, alteração das estruturas, clamor, revindicação, etc A arte moderna demoliu a arte enquanto auto suicídio da arte e só podemos compreende-la a luz da imensa miséria produzida pelo capitalismo, tal e qual o fanatismo religioso, o pragmatismo, o ceticismo... Tudo miséria oferecida pela miséria. É forma de alienação por apartar o homem de um ideal de beleza que o acompanha desde Lascaux e Altamira, e que o fez erguer soberbas pirâmides e catedrais preciosas. A malignidade da avareza apropriou-se deste universo de beleza, a imbecilidade dos modernos negou-o.

Mas se enfim o que este homem moderno deseja é apenas chocar-se ou experimentar sensações análogas aos que experimentam aqueles que se atiram do Bungee Jump... Se objetivo é apenas fruir de sensações cegas e incontroláveis, inconscientes e irredutíveis a razão. Não há o que discutir. O homem se joga em seu próprio vazio, este homem mutilado e sem sentido. O problema aqui seria descobrir que sobre este ou aquele aspecto estas idolatradas forças do inconsciente não são seguras, ou que são destrutivas... Abismos há, ou fossas, cujas tampas só deveriam ser alevantadas num bom consultório de psicologia. Já disse, tais expressões, como exposições de arte moderna, são imensamente ricas (E eu mesmo a elas vou, como estudioso da psicologia humana - Alias sob seu aspecto patológico - ) do ponto de vista psicológico ou da anormalidade mental. Como expressões de arte são apenas o 'nada absoluto' ou a negação.

Sei que meu posicionamento chocará há muitos. Mas sei que serão apenas os psicologistas que satanizam o controle racional e que super valorizam a afirmação de um inconsciente irredutível a normas em todas as dimensões da atividade humana. Como disse não sou nada otimista face a estas forças cegas que se acham do outro lado da porta!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Consultório pedagógico - Como explicar a evolução das espécies a nossos alunos?

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Um, sendo humilde observa a realidade, o outro sendo cego confia em mitos indefensáveis.


Uma das tarefas mais difíceis e ao mesmo tempo mais importantes para um bom professor de Biologia ou de Ciências consiste em fazer com que seus alunos compreendam o processo evolutivo porque passaram todas as formas de vida ora existentes, ou seja, a Evolução das espécies.

Especialmente se levarmos em consideração que os fundamentalistas religiosos são habilmente treinados em suas seitas com o objetivo de fazer perguntas capciosas e desmoralizar seus professores. O que é suficiente para intimidar os educadores mais inseguros. Todo um clima de polêmica é artificialmente produzido pelos alunos fanáticos com o premeditado intuito de desestabilizar estes profissionais, o que é bastante grave.

Afinal professor algum costuma dirigir-se a qualquer conventículo religioso com o objetivo de questionar e desmoralizar o pastor. E menos ainda de treinar alunos e envia-los as reuniões religiosas com o objetivo de sabota-las. Afinal professores tem ética. Pastores não - Claro que há raras e por isso mesmo nobres exceções - e por isso estão dispostos a 'assaltar' a escola pública e laica com o objetivo de nela introduzir o querido Gênesis e o dogma criacionista. Tal a gravidade da situação!

Daí a necessidade premente de se estar muito bem preparado para enfrentar a crítica obscurantista e supersticiosa que invade nossas escolas e esmaga-la. Mesmo porque, hoje infiltram-se nos domínios da Biologia, amanhã nos da geografia, da História... De modo a instilar; 'catastrofismo geológico', História 'sagrada' (???), etc E o fim de tudo isto é substituir todas as disciplinas do currículo e o conhecimento científico como um tudo pela Bíblia ou melhor dizendo pelos mitos, fábulas e lendas do antigo testamento.

Há quem sonhe com o dia em que todos os compêndios escolares - de Química, Física, Bilogia, História, Geografia, Sociologia, etc - serão substituídos pela Torá ou pela Tanak segundo a versão JFA.

Em termos de Biologia - Que é a porta de entrada! - urge, mais do que nunca, partir para o afrontamento, afirmar em alto e bom som a veracidade do processo evolutivo e, acima de tudo, expô-lo com máxima exatidão e clareza, dirimindo todas as dúvidas.

Antes de tudo é necessário deixar bem claro que as discussões a respeito de como o processo evolutivo teria se dado, de modo algum atingem ou invalidam o processo enquanto tal.

Cientificamente não há nem existe a mínima dúvida a respeito do processo evolutivo, cuja demonstração já foi realizada por Haldane, Dobzhansky e Mair, os pais de teoria sintética a praticamente oitenta anos. As discussões dizem respeito apenas a detalhes ou quanto a certos aspectos do processo.

Do ponto de vista da ciência a evolução das espécies é um fenômeno dado ou um aspecto da realidade natural que não se discute e algo não menos verdadeiro do que o heliocentrismo ou a lei da gravidade, mesmo em se considerando que não seja um fato ou uma lei.

Comecemos portanto definindo com objetividade e precisão, os conceitos principais conceitos, os conceitos mais elementares, em termos de ciência:

  • Fato - Define-se o fato Biológico como correspondendo a menor unidade perceptível ou observável em termos de natureza. Assim o fato é percebido ou captado pelos sentidos, sem que haja, necessidade de demonstra-lo. Fatos são axiomáticos e impõem-se por si mesmos. Não preciso fazer declaração alguma com o intuito de demonstrar que o gelo seja água em estado sólido.

    Exemplos - O aspecto quadrupede do cão, o aspecto mamífero do gato, o aspecto ovíparo da galinha, os espinhos do cacto, a flor da roseira, etc

  • LEI - lei é uma relação constante de causa e efeito existente entre dois fatos (Relação constante de causa e efeito que parte da própria natureza das coisas). A relação e a constância podem ser observadas evidenciando que a Lei existe objetivamente no plano da natureza e não apenas como construção mental de caráter puramente subjetivo. No entanto sua formulação ou expressão em termos de linguagem humana, dispende certo esforço racional, o qual foge a experiencialidade pura. Não podemos pesar, contar ou medir uma Lei embora os resultados da relação possam ser quantificáveis. E sequer podemos negar que uma lei qualquer pudesse ter sido formulada ou expressa de maneira mais exata ou mais claro Exemplo - O Fototropismo > Fato um: A luz do sol. Fato dois: O crescimento dos vegetais. Relação constante ou Lei: Os vegetais crescem sempre voltados para a direção da luz.

  • TEORIA - De modo geral os leigos (E Até mesmo um bom número de professores e articulistas> O que é assustador) ignoram qual seja o conceito científico de TEORIA, julgando que corresponda a ideia vulgar de sugestão, opinião ou HIPÓTESE (A hipótese é algo duvidoso e provisório) e imaginando que a Evolução das Espécies ainda não tenha sido cabalmente demonstrada!

    Aproveitando-se disto os religiosos desonestos com o propósito de alegar que o relato mitológico e fetichista do gênesis (Criacionista) corresponda a uma outra teoria ou opinião tão digna quanto. O que além de desonesto é absurdo.

    Afinal não temos na Teoria evolucionista mera hipótese ou suposição questionável imaginada pelos cientistas e tampouco no criacionismo uma informação que parta da observação dos fenômenos naturais uma vez que nem os sacerdotes do antigo israel e tampouco seus professores sumerianos deram-se ao trabalho de examinar a natureza 'in situ' buscando uma resposta plausível. Limitando-se assim a imaginar ou a fantasiar a respeito de como as coisas teriam se passado, exatamente como os poetas e artistas ou como o criador do Mikey mouse ou do pato Donald.
          Neste caso que vem a ser TEORIA segundo o vocabulário científico?



Da mesma maneria como uma determinada lei busca expressar uma relação constante existente entre um determinado número de fatos, tirando-os de seu isolamento, a TEORIA busca encontrar uma explicação unitária para todas as leis ou relaciona-las todas a partir de um determinado aspecto.

Resulta disto que a formulação de uma teoria deve ser precedida por análise minuciosa de uma imensa gama de fatos para poder explica-los todos sem exceção. O que exige um grau bem maior de observação e, quanto a sua formulação - A formulação da teoria - uma dose bem maior de raciocínio lógico. Teoria é algo que não se pode formular partindo de um único fato ou le, mas que se deve inferir a partir do conjunto.

Daí os positivistas - com quem os fanáticos religiosos costumam pegar carona - e neo positivistas, apegados a um sensorialismo chão e sempre desconfiados quanto a qualquer formulação especulativa de caráter mais geral - a exemplo de K Popper - impugnarem o caráter objetivo e científico do Evolucionismo para apresentarem-no como construção filosófica ou metafísica.

Compreendem por que até o Malafaia pode sair-se bem com um manual positivista entre as mãos?Afinal para eles ciência nada mais seria do que a coleção (Descritiva) interminável de fatos imediatamente perceptíveis a qual nos autoriza a formular, com bastante cuidado, algumas Leis. Nada mais...

Felizmente encontra-se o positivismo completamente ultrapassado, especialmente após das formulações propostas por W Dilthey, Kuhn, etc Ademais, o citado Popper sequer mostrou- se fiel a mentalidade positivista, caminhando sempre na direção do Ceticismo e do Relativismo de Hume e da negação da objetividade do conhecimento científico. Os fanáticos religiosos agradecem a demolição da verdade no plano da natureza para substituírem-na por seus delírios e baboseiras!

Uma coisa no entanto é certa: Conceito de teoria não é mesmo brincadeira mas coisa séria. Do mesmo modo a teoria de Evolução das espécies enquanto produto social resultante do esforço comum empreendido por diversas gerações de cientistas a exemplo de Ch Darwin, Wallace, Mendel, Batenson, De Vries, Weissman, dentre outros, muitos outros.


         Exemplos de teorias:

         A T da gravidade geral de Newton
         A T atômica de Bohr
         A T da relatividade de Einstein
         A T uniformitária de Hutton
         A T das placas tectônicas de Wegener
         A T dinâmica da mente de Freud
         As teorias sociais de Le Play, Marx, Durkheim e Weber

         Todas sem exceção absolutamente relevantes.


Vejamos agora porque consideramos a teoria da Evolução como algo real, suficientemente demonstrado e acima de quaisquer dúvidas. Consideremos pois o rol das evidências -


  1. Evidência embriológica da Recapitulação.
    Diz respeito a existência de estádios homólogos na ontogenia dos seres vivos, ou ao desenvolvimento de um ovo até sua fase adulta. Assim o cérebro de um embrião humano com cinco semanas de vida é idêntico ao de um peixe. Já entre o cérebro de um feto com sete meses e meio de idade e o de um macaco não há diferença alguma. Não apenas nossos cérebros mas cada um de nossos órgãos refaz durante a gestação toda a história evolutiva dos seres vivos, de modo que poderiam exclamar unanimemente: Fui peixe, fui réptil, fui macaco...
    Será ociosa esta recapitulação ou pretenderá dizer-nos alguma coisa a respeito de nossa própria História?
  2. Evidência das estruturas homólogas
    "Quando estudamos um grupo de animais como, por exemplo, os vertebrados, verificamos que a estrutura dos representantes de duas espécies distintas - homem e cão ou gato - suponhamos, encarada sob um aspecto geral, apresenta relações muito estreitas entre si. Os braços de um homem e os membros anteriores de um cão ou de um gato apresentam as mesmas peças esqueléticas gerais: um osso no braço e dois ossos no ante braço, vários ossos no punho e cinco fileiras de ossos nas mãos. Semelhanças correspondentes encontram-se do mesmo modo nos músculos, nos nervos e nos vasos sanguíneos."

    De modo que até mesmo a asa de um pássaro assemelha-se bastante a uma espécie de braço.
  3. Evidência dos órgãos vestigiais.
    Órgãos vestigiais são remanescentes de órgãos que no decorrer do processo evolutivo perderam suas funções, sem que no entanto fossem suprimidos ou deixassem de existir. Com efeito, inseridos no interior do ventre da Baleia, encontram-se os ossos de suas patas traseiras, evidenciando claramente a origem terrestre - Alias mamífera, como é indicada por outros aspectos de sua morfologia - deste animal, ora marinho. Externamente desapareceram, sequer convertendo-se em nadadeiras, mas internamente... Encontram-se lá, bastando tais ossos para esmagar o criacionista. 
  4. Evidência do registro fóssil numa perspectiva comparativa.
    Para tanto basta recolher os fósseis de determinada espécie animal, como o cavalo ou urso, data-los e comparar os mais antigos com os mais recentes. O movimento será sempre o mesmo em qualquer um dos casos: Estruturas bastante simples dando lugar a estruturas cada vez mais complexas. O que por si só basta para apontar a direção tomada pelo processo, do mais simples para o mais elaborado. Os fósseis mais antigos sendo sempre mais simples e os mais evoluídos cava vez mais sofisticados.

A menos que nossos corpos almejem enganar-nos ou pregar-nos uma tremenda peça tais evidências devem ser seriamente consideradas. A natureza não conhece outra linguagem que a da evolução. Digo mais; sem a evolução no plano da biologia nada faz sentido. Destarte negar a Evolução equivale sempre a negar a própria percepção, a experiência e o raciocínio enquanto dádivas que nos foram comunicadas pelo próprio Deus. Implica negar a realidade fixada pela divindade.