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terça-feira, 10 de outubro de 2023

Por que alguns pais não educam ou põe limites aos filhos





Entre as diversas crises porque passamos uma das mais sérias é a crise da Educação. E desta vez não me refiro a educação escolar, a qual, segundo nossa LDBN, é oferecida em instituições próprias e sim a Educação elementar que deveria ser ministrada pelos pais e responsáveis no espaço familiar.

Parece que esse tipo de Educação não está acontecendo, pelo simples fato de que os agentes não tem sabido maneja-lo.

Exatamente - Parece que no tempo presente os pais tem medo ou receio de educar.

Sim - Devem ter medo e receio de agredir fisicamente, de bater, de surrar, de agredir, etc porque isso não serve de nada e educar ou limitar é absolutamente necessário.

Não nos enganemos > Sem educação ou noção de limites intransponíveis produziremos apenas monstros ou aberrações; tarados, maníacos e sociopatas.

Todo ser humano tem necessidade de limites ou de limitação tanto quanto tem necessidade de comer, beber ou respirar.

Estabelecer limites não é constranger, não é dominar, não é humilhar, não é agredir, não é violar, etc mas humanizar. 

Trata-se repito de uma necessidade moral ou humana das mais básicas.

Supõe valores a serem dados ou determinados, e assimilados, como supõe orientação, regras, direção e portanto autoridade e punições ou castigos; coisa que ainda assusta muita gente.

E no entanto você não pode conceber a educação sem tais elementos: Princípios e valores a serem comunicados a consciência e introjetados, direção, autoridade e punições.

Agora temos de entender que a educação deve ter por fim não um controle insuperável e sim a autonomia do sujeito > De modo que em posse da sã razão ou de uma capacidade reflexiva consumada possa rever os princípios, valores, crenças e costumes recebidos, rejeitando-os inclusive caso pareçam absurdos ou inconsistente. Ao adulto normal, consciente, pensante, etc cabe o pleno exercício da liberdade. No entanto a criança precisa ser conduzida ou educada, ainda que com amor, carinho, bondade, paciência, etc

Tampouco deveria ser tal autoridade arbitrária ou caprichosa, e aqui tocamos a questão do abuso de autoridade ou do autoritarismo. O adulto, o pai, o responsável deveria exercer a liberdade buscando sempre o interesse da criança e seu bem estar, não sua própria vantagem ou satisfação, porque aqui já é o oprimir ou dominar.

Assim usar a criança ou o filho como um servo, um empregado ou um executor de serviços jamais equivalerá a educa-lo.

E se muitos hoje tem receio de contrariar, exasperar ou desagradar o filho outros pelo contrário tem o sádico prazer de contraria-lo sempre ou de tornar sua existência insuportável. Uns convertem a educação em tirania, escravidão, opressão e nesse sentido numa fonte de traumas, complexos, desajustes e bloqueios muitas vezes insolúveis; enquanto outros abdicam por completo dela, e, guiados pelos gurus neo freudianos, dão a entender que não existem quaisquer limites > E a criança, pobre dela, aprende que pode tudo ou que é dona do mundo... 

Deve o pai corrigir seu filho com firmeza e carinho sempre que ele cause dano ou prejuízo concreto a qualquer ser vivo ou ao menos a qualquer animal - No mínimo a todo e qualquer ser humano, e aqui toda e qualquer resistência ou obstinação faz jus a algum castigo ou restrição.

Não se trata obrigar a criança a gostar determinada cor ou a consumir determinado alimento, pois aqui nos aproximamos demasiadamente da opressão. Mas de respeitar todas as formas de vida, de não causar dano ou prejuízo aos outros animais que conosco convivem, de tolerar os demais seres humanos que exercem a tolerância, etc

Neste sentido ético, vital e humano devem haver metas concretas a serem atingidas, padrões de comportamento a serem evitados e, consequentemente, castigos e punições.

Castigos e punições são palavras que causam receio e suspeita a muita gente boa, pelo simples fato de que no passado sofreram abuso e foram equivocadamente empregadas - Servindo ao despotismo, a tirania, ao poder arbitrário, etc e acarretando um torvelinho de dores. Sejam corrigidos os excessos e erradicados os abusos, não a punição justa e sábia, sem a qual a educação se torna improfícua.

A norma é simples: Quanto mais você ensinar pelo exemplo (Comenius) menos precisará impor quaisquer hábitos. No entanto, quando, apesar dos exemplos, houver infração, haja castigo.

Não físico, não físico, mas quando possível reparativo ou restritivo.

Toda vez que a criança causar qualquer dano ou prejuízo deve o adulto, sempre que possível for, fazer cessar aquele dano. Se ve-la chutar ou pisar numa flor ou erva, faça com que replante as mudas, galhos, sementes, etc Caso machuque um animal qualquer obrigue-a a cuidar dele ou a tratar de sua saúde. Se ofender alguém obrigue-a a pedir desculpas. Se furtar faça restituir. Se agredir mande dar algo seu ou algo de que goste em compensação, etc 

Mas a criança sempre pode resistir. 

Sim, sempre pode.

Nesse caso que fazer...

Surrar ou bater...

Jamais.

Nesse caso o adulto > Pai, responsável, professor... Repare o dano causado diante dela e em seguida castigue-a com um restrição.

E para tanto haja com sabedoria, prevalecendo sempre do que a criança ama ou mais gosta, para que sinta algum impacto.

Exemplo: Se aprecia muito ir com o adulto a um determinado local, num determinado dia - Tipo: Ir pescar com o pai todos os Domingos, diga em alto e bom som que não haverá pescaria nos próximos três Domingos PORQUE, pisou no rabo do gato do vizinho - E repita isso a cada Sábado e Domingo, recordando o motivo porque não terá aquele prazer. 

Retire um mimo, presente, benefício qualquer, sempre relacionando com o dano causado por ela. 

Para que o castigo não venha a perder seu sentido e sua força jamais o empregue com propósitos banais, assim arbitrariamente. Importa que desde pequenina tenha a criança uma certa esfera de liberdade - Quero dizer com isso que tenha o direito de escolher uma determinada cor de roupa, certos pratos ou alimentos que lhe pareçam saborosos, determinados brinquedos, determinados amiguinhos, determinados locais ou mesmo preferências musicais e artísticas, etc Tudo quanto for eticamente neutro ou que não cause dano ao outro ou a própria criança lhe seja permitido. Haja portanto um controle rigoroso mas não absoluto ou total, pois a criança tem o direito de ter preferências ou gostos que sejam seus.

Imaginar que seu filho seja um outro você ou uma cópia sua pronta e acabada, permita-me dizer é uma doença ou defeito de caráter que não deixará de suscitar conflitos e turbações. Eduque eticamente seu filho, comunicando-lhe princípios e valores saudáveis mas não exija que ele ou ela seja uma cópia sua. 

Também é necessário que o castigo tenha prazo de validade ou que não seja demasiado longo. Importa que a criança sinta pelo que fez... Não que sinta sempre ou eternamente, pois o objetivo é que altere seu comportamento e se torne melhor. Deve o pai ou responsável compreender perfeitamente que educar ou punir não é vingar-se - Pois se vingar-se de qualquer um outro é muito pouco nobre, vingar-se de u filho ou de um aluno é doentio e deseducativo.

Caso vá aplicar determinada punição ou restrição a seu filho com espírito de arrogância, ódio, crueldade ou vingança melhor abster-se de aplica-la, pois aqui a emenda sairá pior do que o soneto. Considere portanto seu inconsciente sempre que for punir algum pupilo e busque sempre purificar suas intenções, ter em mente o benefício dele e estar certo de que esta a castiga-lo por amor ou para que venha introjetar princípios e valores saudáveis. Sim certifique-se que ao educar ou punir esta buscando em seu pupilo o bem da espécie ou da família humana e não a satisfação do ego, e assim não correrá o risco de exceder-se.

De qualquer forma, e esse é o temor de todo pai educador ou mãe educadora, meu filho ou minha filha poderá vir a odiar-me e a acalentar ressentimentos contra mim, inclusive desejando vingar-se quando for adulto.

Sim, até pode ser que seu pequeno, apenas por não ser capaz de compreender perfeitamente o que esta acontecendo, passe, ao menos num primeiro momento, a nutrir certos sentimentos negativos por aquele que o corrige ou orienta.

Pode ser inclusive que deseje ser mais velho apenas para dar-lhe um bom soco na cara ou chute na bunda... Todavia, fora os casos de agressão física, as crianças tendem a esquecer muito rapidamente tais tipos de evento.

Via de regra, quando a criança cresce, amadurece e tem seus próprios filhos a tendência dominante é compreender os esforços educativos de seus pais e professores admirando-os e respeitando-os ainda mais. Invertidos os papéis, o homem ou a mulher, educados com sucesso tendem a encarar aqueles que os educaram como modelos de heroísmo.

Já no caso dos que não receberam qualquer noção de limites, esses sim, tendem a ser uma eterna fonte de problemas para seus pais e mestres.

Pois educar é em ultima analise comunicar consciência sobre nossa condição restrita e limitada onde os direitos pessoais começam onde terminam os direitos alheios...

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Problemas naturais em torno do emprego social da violência.

Admitir o emprego circunstancial da violência no âmbito social não pode equivaler a repousar em berço esplêndido. 

Pois para o intelectual como para o Cristão autêntico neste mundo não há nem pode haver repouso. É mundo de fenômenos e transformações o mundo em que vivemos e assim fonte de incômodos.

O milionário cuida ser imune a essa loteria sinistra. Desenvolve ELA ou Kreutzfeld Jacob, recorre ao suicídio... Que se há de fazer? Não há quem seja imune aos tentáculos do azar e por isso já foi a vida comparada e um jogo ou a uma roleta.

Evoluímos ou nos adaptamos impulsionados pela dor, daí o rifão: Quem não se emenda pelo amor se emendará pela dor.

Temos uma psicologia sinistra, a ponto de só valorizar o que perdemos. E com grande dificuldade alteramos as estruturas sociais.

Ilusão imaginar como fácil ou trivial o manejo social e circunstancial da violência. Ao sujeito crítico e reflexivo planteia ele problemas que devem ser analisados com toda atenção.

Para começo de conversa devemos acentuar o quanto nossa apreciação sobre a violência defere da apreciação feita pelos revolucionários, os quais por meio do entusiasmo chegam a construir uma mística em torno da violência. O voluntarismo e o irracionalismo conduzem ao odinismo ou melhor são suas fontes. Nós no entanto não aprovamos recurso a violência cega, mas aspiramos a um emprego planejado, calculado, sóbrio, limitado e racional da violência. 

Por isso noutros ensaios comparamos o emprego da violência a manipulação dos venenos ou das drogas assim da radioatividade. 

É algo cujas doses devem ser medidas e muito bem medidas.

Algo que se faz, devo dizer, a contragosto. Pois comporta sérios riscos.

De fato o primeiro problema que se coloca aqui é de ordem psicológica. 

Materialistas e contaminados em maior ou menor grau pela baboseira positivista é de presumir o quanto nossos revolucionários sejam ignorantes em termos de psicologia. Outro bordão nosso: Nos domínios da psicologia é o positivismo uma aberração.

Aqui ou ignorasse ou mistificasse.

Importa saber que devido a fatores de ordem psicológica, alias elementares, o uso da violência corre o risco de sofrer os mais terríveis abusos ou de degenerar.

Advirto que o próprio Sorel reconheceu como nada recomendável o uso da violência na esfera das relações pessoais. Deve a violência permanecer restrita a esfera do social para ser lícita ou digna. 

É a advertência soreliana preciosa.

Afinal o quanto podemos observar quanto as Revoluções no curso da História são abusos. 

Nem é preciso ser gênio ou intelectual de grande calado para deduzir e constatar que equivalendo as Revoluções, sedições, guerras, conflitos e batalhas socialmente a situações de anomia, propiciam facilmente a passagem da violência do âmbito social para o âmbito pessoal, abrindo um leque de possibilidades criminosas, assim assassinatos, tortura, estupro, etc impulsionados pelo rancor, pelo ódio ou pelo desejo de vingança, as quais dificilmente seriam exequíveis numa situação de normalidade.

Vou além por declarar ainda que o emprego indiscriminado, descontrolado e irracional da força ou da violência podem inclusive favorecer a ação de neuróticos e psicopatas afetados pela própria atmosfera de violência. Possibilitando que calculem e cometam seus crimes com mais facilidade do que em condições habituais. 

Ocorre-me uma narrativa clássica ou ao menos bastante conhecida registrada nos escritos religiosos dos antigos judeus. Quase todos haverão de recordar a estória de Urias, oficial do rei Davi, o qual vindo a cobiçar sua esposa determinou que, durante uma situação de violência ou guerra, fosse ele colocado na linha de frente de modo a morrer e... Podendo então o 'querido' rei fornicar com Betseba, sua viúva. Não digo ser isto factual, mas bem poderia ter sido.

Do mesmo modo e maneira os escritos clássicos estão repletos de narrativas sobre vinganças pessoais ou desforras entre inimigos sucedidas nas guerras - É quase como um lugar comum.

Por isso dizemos e repetimos: Manejo racional da violência e não explosões irracionalistas de violência. Pois o subconsciente apresenta-se sinistro mesmo através da arte moderna, irracional e psicologista. 

Ocioso mencionar os abusos a que ficaram sujeitas as populações antigas por ocasião das guerras.

Refiro-me aos ataques a população civil presentes na narrativa da Guerra de Tróia com os habituais estupros, assassinatos, torturas, etc 

A bem da verdade se considerar-mos que a coisa começou com os assírios é fato que persas, gregos e romanos, foram depurando a prática. Embora durante a antiguidade tudo dependesse do carater dos reis ou generais, e se houve um Ciro entre os Persas houve igualmente um L Mumio entre os romanos e, sabido é o que fez a Corinto e sua população. Já o 'afável' Alexandre fez o mesmo a Tebas e a Tiro, e quanto a primeira salvou-se apenas a casa do Poeta Píndaro.

Com a chegada dos povos teutônicos houve, na Europa ocidental, como que um retorno ao padrão assírio e um reforço a violência. O título de 'flagelo de Deus' conferido a Átila já nos revela algo sobre ele e seus Hunos. As coisas só principiaram a melhorar devido a Trégua de Deus estatuída pelo monge Gerardo a luz do Santo Evangelho e desde então, embora muito lentamente, a situação foi melhorando. Até que em algum momento da Idade moderna, foram os civis colocados fora da guerra, a qual converteu-se em ofício de soldados a ser resolvido num campo de batalha. De fato chegamos aqui a um progresso imenso. No entanto desde o século XIX devido aos novos armamentos, assim bombas e metralhadoras, cunhou-se o conceito de Guerra total, tornando a ser a população civil ameaçada. E tivemos aqui um retrocesso.

Por isso aqueles que se referem aos excessos como coisa do passado, do tempo dos reis ou do antigo regime estão totalmente equivocados. Pois temos aqui uma questão humana que toca a nossa condição psicológica que toca as fontes mais obscuras da personalidade humana e ao que chamamos de atavismo. Enfim de algo que sendo feito sob pressão e com grande risco afeta drasticamente o comportamento.

Fato é que sendo o conflito ou a sedição apoiado pela maior parte dos cidadãos de uma dada república, a guerra civil, diferira essencialmente da guerra propriamente dita. Pois o inimigo pertencerá não a outra cidade mas a outra facção, partido ou classe, quando não de outra cepa em termos de Ética. E para fazer petição a violência devemos ter certeza de que tal elemento é sempre minoritário. 

Todavia nem por isso a retaliação afetiva, ligada a ideologias e rancores pessoais, deve ser excluída. Podendo sempre atingir familiares e apoiantes dos que controlam o poder. 

Sorel, embora não esteja totalmente equivocado, tento racionalizar (Ele que era irracionalista) o fenômeno. Atribuindo os excessos cometidos pelos revolucionários a um otimismo idealista e romântico em torno da condição humana. Todavia os marxistas e fascistas, que passam por realistas ou pessimistas nesse plano não foram mais comedidos do que os jacobinos. Por isso digo e repito que o problema da violência, de seu manejo e excessos ou abusos é mais complexo do que se supõem sendo suas raízes psicológicas e afetivas.

Importante para aqueles que aspiram manejar a violência pensarem em mecanismos de controle tendo em vista tais abusos, impedindo assim que a violência se generalize no sentido de ultrapassar as fronteiras do social. 

Mesmo quanto armados e preparados para lutar pela melhoria da República devem os cidadãos ser exortados, no sentido de não cometerem tais abusos, sabendo que serão punidos com o máximo rigor da Lei, bem cabendo a tais excessos, a pena capital. Não se pode usar a guerra ou manejar a violência, destinada a promover a justiça, contra civis indefesos ou mesmo prisioneiros imobilizados. Pois seria desnaturar o emprego da violência além de torna-lo sempre questionável por parte dos pacifistas radicais.

Outra questão importante diz respeito a como recorrer a violência social em caso de necessidade se a legislação, limitando o porte de arma, dificulta que a população como um todo possa armar-se ou estar armada?

É tema ou problema que comumente se coloca. Especialmente quando somos governados por um odinista teocrático como Bolsonaro. O qual aspira armar até os dentes sua milícia de crentes fanáticos e lança-los contra as instituições democráticas. No entanto, do outro lado, nazistas, fascistas, comunistas e mesmo alguns grupos anarquistas esperam armar-se também, valendo-se da mesma 'lei' que facultaria aos civis livre acesso a armas e munições. Destarte poderiam eles formar suas milicias ou organizações paramilitares e deflagrar a tão sonhada revolução ou contra revolução. Posto está, e de modo bem claro, que esses diversos 'exércitos' armados levariam a república ao caos, criando mais um inferno sobre a terra, e desta vez sobre a terra de Santa Cruz. De fato seria uma tragédia ou calamidade assistir fundamentalistas, capitalistas, comunistas, fascistas e anarquistas enfrentando-se uns aos outros a bala em cada praça ou esquina, e denunciando os cidadãos como comparsas de um ou outro dos grupos rivais com o objetivo de justiça-los.

Mas é o que digo, do outro lado há ideólogos radicais ou expoentes revolucionários que concordam em gênero, número e grau com a política odinista do Bolsonaro.

Partidários da violência social, racional e circunstancial junta-mo-nos aqui aos pacifistas de toda casta para dizer um categórico não ao armamento dos civis. 

E por que?

Simples - Porque enquanto não se eclode a tal da Revolução e as armas permanecem nos lares tendem a ser usadas na esfera pessoal sempre que  estoura algum conflito, seja no recôndito da família ou entre vizinhos, facilitando a execução de crimes ou potencializando a gravidade dos mesmos. Ocorre-me ter discorrido largamente sobre a menor letalidade das armas brancas e maior chances de escape e defesa quanto aqueles que por elas são atacados em comparação com as armas de fogo e de fato não se compara nem de longe o potencial mortífero de um rifle ou de uma metralhadora com o de uma faca. Já pensou atacar alguém que maneja uma metralhadora com um porrete ou taco de beisebol? Outro o caso de alguém empunhando uma tesoura ou facão. 

Além disso da existência de armas em casa tem resultado alguns acidentes muito tristes envolvendo crianças, quando não tem resultado em autênticas carnificinas. Vira e mexe lá nos EUA um cinema, uma escola ou mesmo um edifício religioso é invadido por um psicopata que acaba metralhando algumas dúzias de inocentes. O que da mesma maneira tem ocorrido por ocasião as guerras e conflitos, ou mesmo após seu término, por parte de ex combatentes afetados.

Neste caso, quanto o emprego social da violência, devemos concordar com certo grupo de comunistas que preconizam a 'conversão' ou formação ética, diria eu, dos militares e policiais, no sentido de alinharem-se com as aspirações populares. Aqui uma postura maniqueísta como a que demoniza os militares e policiais não ajuda em nada. Pois nas situações de crise caberia a eles treinar os civis, entregar-lhes as armas e combater com eles. 

Quanto aqueles que me classificarem como utópico enquanto postulam a tal abolição do "Estado" ou das "Classes" só lhes posso rogar para que tirem as traves de seus olhos antes de virem soprar meu cisco. 

Pois embora pertençam as organizações problemáticas militares e policiais também são seres humanos, com habilidades e competências humanas, ao menos em potência.

Outro seria o caso de facilitar a posse de armas para todos: Psicopatas, pentecostais, sunitas, nazistas, fascistas, comunistas, anarquistas, capitalistas, nazistas, etc e nossa sociedade está já tão fragmentada e cristalizada em torno de grupos ou setores beligerantes, que admitida esta solução só poderíamos esperar não um manejo racional da força e sim um estado de guerra generalizado, bem no estilo ou nos termos de um Hobbes. Um tipo de conflito como esse, generalizado, não desejo.

Exaradas tais considerações devo por fim a este artigo, pois já me estendi em demasia e consegui registrar minhas razões, sempre na perspectiva equilibrada do realismo. 

Enfim uma coisa é admitir o manejo ocasional da violência na esfera social. Outra coisa, e bem, distinta é vibrar com as explosões da violência cega e descontrolada. Quanto a esta mística da violência não comungamos dela. A violência pela violência ou a simples percepção de que a violência é a chave ou gatilho com que acionar as mudanças porque aspiramos em termos estruturais equivale ao mais venenoso dos enganos. 

Quando manejada por pessoas éticas poderá a violência conseguir algo, retardar o avanço do mal ou mesmo servir como paliativo. Já manejada por espíritos turbulentos e inescrupulosos converter-se-a na pior das maldições ou na nêmesis da civilização.