Continuação
3 - Caso seu aluno diga: Acaso o senhor já observou a evolução acontecer?
Poderá responder-lhe da seguinte maneira:
Sabe quanto tempo é necessário para a formação de uma Ilha no Delta de um rio (como o Nilo, o Tigre, o Eufrates, o Prata ou o Amazonas)?
Quatro, cinco, seis mil anos ou até mais tempo.
De fato não podemos acompanhar o desenvolvimento da vida de uma Baleia ou de um Elefante, animais que via de regra vivem mais tempo do que nós.
Nem por isso deixamos de saber quanto tempo vivem tais seres. Porque aquilo que observamos é completado pelas observações das gerações seguintes.
É verdade que geração alguma de seres humanos dedicou-se a observar e relatar o crescimento das sequoias gigantes, abetos, pinheiros, carvalhos, oliveiras... sujo desenvolvimento dura séculos ou mesmo milênios.
Basta no entanto que contemos os anéis de seus troncos para que obtenhamos a resposta...
Humano algum poderia ter assistido a deposição salina no fundo dos Oceanos ao cabo de centenas de milhões de anos... No entanto como o sal continua sendo depositado até hoje em um ritmo mais ou menos regular a cada ano, podemos mensurar o total da deposição e dividir esse total pelo tamanho de uma faixa anual...obtendo um resultado matematicamente exato.
Percebe como os processos que envolvem a natureza ultrapassam o limite da vida humana?
Mas que apesar disto podemos quase sempre mensurar tais transformações em termos anuais e, consequentemente calcular a duração do processo 'in totum'?
Não podemos ver o que acontece em centenas de milhões de anos. Mas podemos ver o que acontece em um, dois, dez ou mesmo cem anos. A partir dai podemos pesar, medir, contar e conhecer com relativa exatidão a extensão do fenômeno.
É natural que nós, os seres humanos, tenhamos dificuldade em lidar com tais cifras numéricas, especialmente quando dizem respeito ao tempo.
O fato de não ter podido observar o curso do processo evolutivo não me impede de perceber que o processo evolutivo interliga e relaciona centenas de fatos que por si só permaneceriam isolados, imprimindo-lhes um sentido. Este sentido posso percebe-lo perfeitamente.
E você por acaso viu sua Bíblia - ou livro religioso - ser escrito ou seu deus produzir o mundo em seis dias?
4 - Caso o aluno seja sincero e responda que não viu mas que alguém lhe disse ou que esta escrito, poderá responder-lhe:
Neste caso estamos empatados pois também me disseram - e pessoas muito conceituadas (poderá citar Dobikhaszy, Mayr, Jay Gould, etc) que os seres vivos evoluem, o que também esta registrado em nossos livros de ciência e biologia.
5 - Se o aluno rebater:
Acontece que a Bíblia é sagrada.
Poderá replicar: Sagrada para você mas não para os outros, para todos ou para mim.
Alias o fato de ser sagrada não a transforma em livro de Física, Química, Biologia, História, Geografia ou Sociologia.
6 - Se o aluno disser:
Sua evolução não foi testada!
Poderá responder:
Tampouco sua criação.
7 - Caso o aluno pergunte:
O senhor já viu um macaco se transformar em homem?
Talvez seja conveniente replicar:
E você já viu a divindade modelar um bonequinho de barro e soprar-lhe nas ventas?
(Perceba o professor que em termos de ver ou testemunhar poderá reverter a Bíblia e a Criação todo e qualquer argumento emitido contra a evolução!)
De minha parte não julgo o macaco menos honroso do que o barro ou o lodo; isto pelo simples fato do macaco além de ser vivo, ser animal e mamífero estando consequentemente muito mais próximo de nós do que um pedaço de barro.
Nem vejo como possa ser vergonhoso (para o homem, que é um animal) este laço de parentesco absolutamente natural.
8 - Se o aluno atalhar:
Não consigo perceber qualquer semelhança entre o homem e o macaco.
Poderá replicar:
Neste caso como consegue perceber qualquer semelhança entre o ser humano e um torrão de barro?
Uma coisa é certa> há mais chances de relação entre as coisas próximas e semelhantes do que entre as distantes e diferentes...
Por outro lado nem poderia eu ter observado qualquer macaco transformar-se em humano pelo simples fato de que o macaco não é ancestral mas colateral (primo) do ser humano. Queremos dizer com isto que descendem ambos de um mesmo ancestral comum, no caso um primata.
Este ancestral como da classe dos primatas não era nem macaco nem homem mas alguma outra coisa.
9 - Caso seu aluno dispare:
Ouvi dizer que a Evolução não passa de uma teoria como a Criação.
Convém responder-lhe:
Seu equivoco consiste a acepção vulgar ou profana da palavra, segundo a qual teoria seria o mesmo que hipótese, opinião ou suspeita. Cientificamente no entanto 'teoria' nada tem a ver com hipótese ou opinião, muito pelo contrário, cientificamente 'teoria' refere-se a um explicação geral que liga ou unifica certo número de fatos isolados comunicando-lhes um 'sentido'.
Órgãos vestigiais, fósseis, especiação regional são alguns dos elementos ou fatos solidamente unidos pela teoria evolucionista.
Já a criação sequer pode ser encarada como hipótese científica e isto por uma razão bem simples: a formulação de qualquer hipótese científica é sempre posterior a investigação da natureza. A narrativa da criação mágica no entanto precede em milênios a codificação do método científica; merecendo ser classificada como uma crença 'a priori' ou seja anterior a qualquer tipo de observação. Propriamente falando a narrativa do Gênesis não passa de um mito ou duma explicação em torno da origem das coisas, tomado de empréstimo - pelos sacerdotes israelitas - a cultura dos antigos Sumérios.
A Criação não pode a título algum ser classificada como 'teoria' hipótese rival da Evolução mas como um mito aprioristicamente construído. Resumindo: A evolução se sustenta porque parte dos fatos ou do material examinado para a explicação, a criação é totalmente furada porque parte do livro ou da narrativa para a realidade, cabendo a esta adaptar-se a narrativa contida no livro... Apesar disto a natureza não se adapta.
10 - Aqui é possível que algum aluno questione:
Não é melhor acreditar no testemunho de Deus no que no testemunho dos homens?
Neste caso poderá seguir este roteiro:
O problema aqui não é Deus.
Jamais o vi dar entrevista na TV dizendo que criou o mundo em seis ou dez dias!
O problema aqui é o livro ou melhor os livros. Pois diversos livros tem a pretensão de corresponder as palavras de um deus, assim os Vedas, os Gatas, a Torá e o Corão, dentre outros.
Conclusão: Os adeptos do criacionismo estão divididos e cada qual apresenta uma narrativa diferente a respeito da tal criação.
Neste caso por que preferir, sem mais, a narrativa escrita pelos antigos israelitas e não qualquer outra?
Quanto ao testemunho de Deus e ao dos homens, penso que cada qual deva ter seu lugar.
11 - Como assim professor?
Uma vez que Deus mesmo concedeu ao homem capacidade suficiente para perceber - através de seus sentidos - e compreender - através da razão - o universo em que vive não vejo porque deveria 'revelar-lhe' qualquer coisa neste sentido.
Parece-me que o ato de revelar esteja posto para as coisas ocultas ou seja inacessíveis aos sentidos e a razão humana.
Neste sentido até posso compreender que o Deus invisível revelasse algo sobre seu Ser ou sua vontade; conhecimentos aos quais nós seres humanos não temos qualquer acesso.
Quanto as questões em torno da origem do universo, da vida e das sociedade humana julgo ter concedido aos mortais a incumbência de investiga-las a partir de suas próprias capacidades, do contrário te-lo-ia constituído inepto para tanto... Apesar disto este homem sente, percebe, reflete e julga.
Concluindo: Que Deus revele-se a si mesmo parece-me possível, agora que aspire passar por professor de cursinho universitário é perfeitamente escuso ou desnecessário.
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sábado, 10 de outubro de 2015
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Como abordar a questão religiosa em sala de aula - Subsídios aos professores laicistas
É de todo inutil ignorar a questão religiosa.
Alias é danoso ignora-la.
Por mais que os propagandistas do ateísmo esforcem-se - através de manchetes estrondosas e mirabolantes - por demonstrar que o mundo esta mais ateu, isto não passa de pura falácia. O ateísmo jamais conseguiu atrair mais do que oito porcento de adeptos mesmo em países como a Holanda ou regiões do a Escandinávia.
Mesmo quando as pesquisas por pura inabilidade associam ateus com agnósticos, a cifra raramente atinge mais de 20% (exceções França, Inglaterra e Uruguai). Como o número de agnósticos é sempre bem maior não se sai dos 8%. A média pelo mundo é de míseros 2,4% e em poucos países apresentados como ateus chega a 5%...
Na verdade quando os ateus alegam que um pais é majoritariamente ateu estão incluindo por conta e risco: os agnósticos (cuja cifra indubitavelmente cresce e cresce) e até mesmo os indiferentes a religiosidade institucional (cuja cifra cresce ainda mais) mesmo sabendo que são quase todos deístas, panenteístas, panteístas, etc e que afirmam a existência de uma energia, alma ou espírito universal, o que os ateus, obviamente negam.
O que estamos assistindo hoje não é de maneira alguma a 'arrancada do ateísmo' e sim a afirmação de uma espiritualidade pessoal ou marginal, i é, fora dos moldes tradicionais e alheia as instituições formais. Religiosidade desvinculada de qualquer instituição religiosa definida.
É O QUE CHAMAM INDEVIDAMENTE DE ATEÍSMO. Trata-se no entanto de uma ruptura com a religião (i é de indiferentismo ou deísmo) e não de uma negação absolutamente segura a respeito da inexistência de um deus.
Por via alguma a irreligiosidade (indiferença religiosa) e da dúvida sobre a existência de Deus (suspensão de juízo ou agnosticisno cf Th Husley 'Ciência e Religião' 1893) , devem ser confundidas com a metafisica ateística, pois comportam visões de mundo específicas e pontos de vista contraditórios.
Juntar tudo no mesmo saco e rotular como ateísmo só pode satisfazer mesmo aos pastores fanáticos e ateus fanáticos i é os extremistas. Mas continua sendo uma abordagem cientificamente desonesta e superficial.
Quanto aos agnósticos e deístas, seu número parece ser considerável em alguns países como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Holanda, Suécia, Suíça, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Uruguai, etc
No entanto apesar disto, apenas nuns poucos países civilizados chegam a constituir maioria absoluta (50 + 1%). Em todas as demais sociedades humanas - mesmo civilizadas e inseridas no contesto europeu - o número de crentes ou religiosos ainda é majoritário. Importa que a religião dominou tais sociedade até bem pouco tempo e que a cultura por ela plasmada permanece em parte vida e influente.
Vai-se a fé, mas as relações entre os signos, o imaginário coletivo, os elementos da cultura, as ações, intencionalidades e comportamentos permanecem sendo ditados pelo costume, a tradição ou o hábito. E pouquíssimos espaços, como EUA, Inglaterra, Alemanha e França, ocorreu a produção de uma outra cultura ditada pelo materialismo ou pela irreligiosidade. Mesmo sem que os elementos da cultura antiga fossem totalmente eliminados (embora alguns tenha passado por um processo de resignificação).
O que Édouard Laboulaye registrou há quase século e meio nas páginas da 'Liberdade religiosa' (charpentier - Paris, 1875 p 77) permanece mais ou menos válido até hoje:
"... Assim continuamos a guiar-nos por esta fé recebida na infância mesmo após te-la perdido. Nossa lingua, nossas ciências, nossas artes, nossos costumes... estão impregnados de Cristianismo. Nós nos dizemos assim incrédulos mas ainda que remotamente inspiramos nossas ações no Evangelho..."
Substitua-se Cristianismo ou Evangelho por religião ou espiritualidade e não fará muita diferença.
No sentido de que as diversas crenças continuam plasmando personalidades e influenciando a dinâmica social tal e qual na idade primitiva quando habitávamos em cavernas ou palafitas. Isto porque a fé tem o condão de introjetar e extrojetar ideias produzindo tipos de comportamentos e praxis sociais específicas.
Nem podemos compreender bem qualquer sociedade, como enfatizaram Fustel de Coulanges, Max Weber, e outros, sem examinar e compreender as crenças dominantes.
No entanto é forçoso compreender o que desejamos transformar e aprimorar. Daí a necessidade de estudar seriamente os credos religiosos, seus dogmas e sua História. É dever a que não devem se furtar aqueles que não creem. Não preciso crer em algo para reconhecer sua influência sobre os demais. Aos crentes e devotos, a fé ao sociólogo como Marcel Mauss o estudo das formas religiosas.
Especialmente a criança - por ser acrítica - e o jovem - por ser idealista e ingênuo - tendem a ser religiosos, embora posteriormente; quando amadureçam possam perder a fé. Cogitou-se já inclusive que a adolescência seja uma fase religiosa, em que a fé torna-se um ponto de apoio importante para a personalidade em conflito ou crise. Mesmo descrendo o educador precisa ter sensibilidade suficiente para perceber que a dimensão da fé pode ter significado vital para nossos alunos, enquanto suporte de sua vida mental.
Neste caso não se trata já da questão da verdade, i é do verdadeiro e do falso, e sim da conveniência. É prudente privar aquela criança ou jovem de sua fé neste momento? Que consequências poderiam decorrer disto? Como ficaria a mente daquela pessoa??? Tenhamos sempre Camus e o jovem Wether diante de nós! Sempre poderemos sugerir sutilmente e influenciar delicadamente... no entanto é necessário que cada qual faça seu caminho por si mesmo, tire suas constatações e amadureça.
Neste sentido a imposição do ateísmo, ou mesmo da simples indiferença religiosa por um professor autoritário pode ser tão devastadora para um jovem quanto a adesão a um credo fundamentalista. Nestes casos, em se tratando duma religião qualquer, i é não fundamentalista como o islã e/ou o pentecostalismo é sempre melhor: 'Deixar estar, deixar passar'...
Agora em se tratando de uma fé fundamentalista... que traga em seu bojo germes de intolerância, arrogância, violência, etc é melhor intervir sabiamente, sempre que as oportunidades surjam e problematizar. Toda e qualquer tentativa de proselitismo executada por alunos em classe ou no recinto escolar deve ser imediatamente problematizada pelo educador.
Há dois tipos de alunos que apreciam fazer perguntas sobre religião ou fé: os duvidosos ou indiferentes e os demasiadamente religiosos ou fanáticos.
Ao receber de chofre uma pergunta como esta: Qual sua religião professor?
Existem diversas possibilidades de intervenção, as quais devem ser tomadas levando em consideração as necessidades da turma.
Caso se sinta pressionado ou coagido o educador sempre poderá declarar:
"Como a fé é assunto de natureza pessoal, preferiria não responder a esta pergunta. Alias o espaço escolar existe para tratarmos apenas do que nos une ou do que é comum."
E concluir:
"Há tantas coisas interessantes nos seres humanos. Julgar as pessoas em termos de fé religiosa é quase sempre posicionar-se contra elas. É uma questão que só diz respeito a própria pessoa, então vamos respeitar e deixar de se preocupar com isto."
Neste momento podem aparecer outras duas perguntas (quase sempre aparecem!):
O senhor é ateu?
Neste caso o educador por aproveitar a oportunidade para problematizar e fixar o sentido de ateísmo e indiferença religiosa a que aludimos acima.
Mas o que é ateu?
......................
E daí mostrar a diferença (numa turma de E médio) entre quem dúvida ou suspende o juízo - agnóstico - o que afirma a existência de Deus mas não tem religião ou fé - deísta - o que segue determinado credo religioso - teísta ou crente - e o que afirma a inexistência de Deus (ateu). E arrematar a discussão dizendo que cada qual tem direito de fazer e de expressar a sua opção, merecendo todo respeito pelo simples fato de ser livre.
Caso algum aluno insista em perguntar se é ateu, o educador poderá responder:
Sim sou, e acrescentar; no entanto encaro com profundo respeito os que pensam de modo diverso ou é fruto de minhas reflexões e tenho direito de expressa-las.
ou
Não, no entanto, nem por isso posso deixar de respeitar o posicionamento dos ateus, agnósticos, deístas, etc
Um caminho possível é assumir discretamente sua posição e afirmar o respeito pelo posicionamento do outro, na perspectiva da liberdade.
A segunda pergunta, muito mais especiosa e comum é:
O senhor acredita na Bíblia?
Aqui o professor pode mais uma vez recorrer ao esquema da problematização, respondendo com uma outra pergunta:
Mas o que é a Bíblia?
Mostrando a partir daí que o conceito de Bíblia unitária é construção histórica e cultural e salientando a diferença cabal entre antigo e Novo Testamentos ou no plano do Novo Testamento entre as cartas de Paulo e os Evangelhos.
Caso tenha amplo conhecimento sobre a matéria (infelizmente lacunoso entre os não crentes) explorar a diversidade de tempo, locais, linguas e culturas em que foram produzidos os diversos textos bíblicos, insinuar contradições, etc
É algo que leva tempo, exige habilidade, mas é sempre compensador.
Importante é procurar, com bastante cuidado, remover da mente do aluno a ideia de inerrância absoluta ou infalibilidade plenária característica do modelo fundamentalista e anti científico, sempre por meio de uma crítica cerrada e questionamento contínuo.
Isto é claro sem tirar a liberdade do educando e permitindo que contra argumente a vontade.
Sem demonstrar impaciência, hostilidade, irritação, etc
Conservando ares de sã jovialidade.
Poderá se quiser responder como respondo: Tenho imenso amor e respeito pelas palavras de Jesus contidas no Evangelho, que é uma parte do Novo Testamento e até penso que constituam uma excelente orientação para a vida, agora com relação aos escritos de Paulo ou o antigo testamento (ou seja as demais partes do que voce chama de Bíblia) não posso encarar como palavra de Deus ou como fontes inquestionáveis.
Se o aluno perguntar porque não acredita em Paulo ou no antigo testamento poderá apontar para os preconceitos afirmados por aquela apóstolo: machismo, escravismo, estatolatria, homofobia, etc apresentar os mitos, lendas e fábulas do antigo testamento como correspondendo a cópias de material anterior de origem pagã (Sumeriana, Assíria, Babilônica, Egipcia, Fenícia, Persa, Grega, etc) ou explorar as inumeras contradições internas deste registro, além de seus erros em matéria científica é claro.
O importante aqui é:
1 - Jamais tomar a iniciativa de abordar qualquer tema religioso ou abster-se.
A atitude dos professores fanáticos e proselitistas que consiste em tomar a iniciativa de abordar qualquer tenha religioso, de impedir dos dissidentes de se manifestarem e de impor autoritariamente seus pontos de vista, caracteriza exercício de proselitismo O QUAL SENDO LEVADO A CABO EM ESCOLA PÚBLICA OU SALA DE AULA CONSTITUI CRIME.
Professores que atuam como pastores ou mullás ousando pregar em sala de aula devem ser denunciados as autoridades policiais e administrativas como criminosos!
É atitude que não deve nem pode ser tolerada sob quaisquer pretextos!
2 - Esperar que o assunto surja espontaneamente e, neste caso apreciar se deve ou não explora-lo naquele momento.
3 - Intervir positivamente diante de qualquer tipo de atitude proselitista apresentada no contesto escolar pelos alunos e problematizar.
4 - Sempre que possível responder com perguntas visando problematizar o assunto ou desconstruir os argumentos que considerar inadequados.
5 - Manter sempre um clima de liberdade permitindo que o aluno contra argumente e que todos participem expondo seus pontos de vista e ideias.
6 - Exigir atitude de respeito e tolerância.
7 - Manter o bom humor e a jovialidade. Jamais perder a paciência, mostrar irritação ou agredir os educandos.
8 - Procurar desde logo apresentar aos alunos o conceito de 'demarcação' e buscar familiariza-los com ele.
Estamos aqui diante de um conceito chave, de um padrão ou de um critério que deve nortear a atuação do professor crítico reflexivo, face a abordagem religiosa.
Grosso modo não deve o professor cogitar no que creem seus alunos em termos de transcendência.
Quanto mais a fé ou religiosidade dos alunos concentrar-se no além, no céu, no paraíso, no imaterial ou no invisível, menos problemática será para nós.
Posso não crer em Ganesha, Jupiter, Iemanjá, Jesus, etc no entanto se tais entidades não atuam magica ou miraculosamente no mundo material, posso dizer a meu aluno:
Não, não creio em Ganesha mas se você cre nele não me importa nem um pouco, desde que saiba que ele não faz chover, não cura cancerosos e não produziu o mundo em sete dias literais... Sendo assim estamos em paz.
Perceba aqui que o deus ou os deuses e entidades não são o problema da educação científica. Trata-se cientificamente de assunto neutro ou escuso; bom para a Filosofia, mas ocioso em termos de ciência.
O problema aqui da-se em termos de COMO qualquer dessas entidade (e não importa nome ou número) relaciona-se com o mundo em termos de fetichismo ou naturalismo. Se o aluno ou a pessoa crer que seu deus ira salva-lo no além ou ressuscita-lo podemos dar de ombros... agora se o aluno cre que seu deus faz chover mijando ou lançando baldes dágua ou ainda que ele mexe nas placas tectônicas provocando terremotos, então temos um sério problema.
Se este deus o entidade atua por meio de leis naturais de causa e efeito (caso dos espíritas e de parte dos Católicos)... se podemos situa-lo antes da grande explosão ou como causador (produtor) dela; enfim se ele atua DE ACORDO COM O RITMO DA CIÊNCIA, não temos o que discutir. O problema é sempre a ideia de um deus interventor, miraculoso ou taumatúrgico, que a todo instante 'aperfeiçoa' de improviso o universo, provocando diretamente o surgimento da vida, um dilúvio, sucessivos terremotos, fomes, guerras, etc, etc, etc
Até que essas intervenções multiplicam-se ao infinito, ocorrendo diversas vezes ao dia.
Aqui temos um problemão e devemos explora-lo ao máximo no sentido negativo, afirmando em alto e bom som o primado ou primazia das explicações científicas em termos de imanência e o direito exclusivo de serem ministradas em sala de aula.
Caso o aluno questione sobre o porque deste monopólio científico não devemos exitar em responder-lhe que os religiosos estão divididos em termos de modelo criacionista, mesmo porque cada grupo tem seu livro sagrado com narrativas e concepções diferentes. Eis porque nenhum destes livros pode servir para ministrar explicações gerais a todos os alunos... pois um cre no Antigo Testamento, outro nos Vedas, outro no Corão e assim por diante...
Na escola de todos temos de apelar a elementos comuns como a experiência e a razão, as quais encontram-se na base de nosso modelo científico.
Resumindo cumpre inculcar por diversos modos e maneiras, na mente dos nossos alunos, que a imanência é terreno que pertence a explicação científica e não a fé ou a religião, cujo campo restringe-se ao espiritual, imaterial ou invisível. Bom explicitar que não tem prevenção alguma contra a religião desde que ela se mantenha em seu terreno ou campo: o celestial ou divino, abstendo-se de invadir o terreno da ciência que é o mundo natural.
É necessário aproveitar todas as oportunidades para justificar este esquema até a exaustão. Aqui repetir é o melhor veículo!
Papai do céu ou deus cuida de deus anjos ou dos falecidos lá no além... A terra em que vivemos no entanto Deus quis regula-la por meio das leis naturais adrede fixadas desde o princípio.
Se o aluno indagar:
O sr crê na grande explosão ou na evolução das espécies, responda resolutamente:
Os religiosos creem no que não veem. Eu abraço as teorias da grande explosão e da evolução porque fazem sentido, porque me ajudam a compreender o mundo, porque estão fundamentadas no raciocínio e da experiência e sobretudo porque apoiam-se sobre um imenso número de fatos.
Não creio, constato aquilo que percebo ou melhor percebo com os pesquisadores.
Aqui não se trata de fé mas de bom senso.
9 - Jamais perder a consciência a respeito de sua liberdade de cátedra.
10 - Tenha esperança! Parte de seus alunos assimilarão os ensinamentos por si ministrados e com certeza ao menos alguns haverão de sair da caverna do fetichismo!
Procuramos aqui assumir uma posição intermediária entre ateísmo e fundamentalismo, exercendo critica face a fé apenas quando suas pretensões conflitam com as da ciência em seu terreno, o da imanência. E deixando as questões puramente metafísicas ou espirituais que não conflitam com o modelo científico ao alvedrio dos educandos.
Pois pensamos que a demanda da sociedade presente deva concentrar suas críticas face aos fundamentalismos ou a ideia de que livros integralmente infalíveis possuam uma autoridade ilimitada ou universal.
Esperamos que estas reflexões possam servir como embasamento para uma praxis mais segura e livre, e é claro eficiente.
Neste momento crucial não é o ateísmo, o agnosticismo ou o deísmo que precisam de bons advogados mas o modelo científico naturalista, a liberdade, a tolerância, o pluralismo, etc
No próximo artigo publicaremos uma série de estratégias pedagógicas evolucionistas para professores de ciência ou bilogia.
Mestres hajam com consciência, dignidade e desenvoltura; sem medos ou receios!
Alias é danoso ignora-la.
Por mais que os propagandistas do ateísmo esforcem-se - através de manchetes estrondosas e mirabolantes - por demonstrar que o mundo esta mais ateu, isto não passa de pura falácia. O ateísmo jamais conseguiu atrair mais do que oito porcento de adeptos mesmo em países como a Holanda ou regiões do a Escandinávia.
Mesmo quando as pesquisas por pura inabilidade associam ateus com agnósticos, a cifra raramente atinge mais de 20% (exceções França, Inglaterra e Uruguai). Como o número de agnósticos é sempre bem maior não se sai dos 8%. A média pelo mundo é de míseros 2,4% e em poucos países apresentados como ateus chega a 5%...
Na verdade quando os ateus alegam que um pais é majoritariamente ateu estão incluindo por conta e risco: os agnósticos (cuja cifra indubitavelmente cresce e cresce) e até mesmo os indiferentes a religiosidade institucional (cuja cifra cresce ainda mais) mesmo sabendo que são quase todos deístas, panenteístas, panteístas, etc e que afirmam a existência de uma energia, alma ou espírito universal, o que os ateus, obviamente negam.
O que estamos assistindo hoje não é de maneira alguma a 'arrancada do ateísmo' e sim a afirmação de uma espiritualidade pessoal ou marginal, i é, fora dos moldes tradicionais e alheia as instituições formais. Religiosidade desvinculada de qualquer instituição religiosa definida.
É O QUE CHAMAM INDEVIDAMENTE DE ATEÍSMO. Trata-se no entanto de uma ruptura com a religião (i é de indiferentismo ou deísmo) e não de uma negação absolutamente segura a respeito da inexistência de um deus.
Por via alguma a irreligiosidade (indiferença religiosa) e da dúvida sobre a existência de Deus (suspensão de juízo ou agnosticisno cf Th Husley 'Ciência e Religião' 1893) , devem ser confundidas com a metafisica ateística, pois comportam visões de mundo específicas e pontos de vista contraditórios.
Juntar tudo no mesmo saco e rotular como ateísmo só pode satisfazer mesmo aos pastores fanáticos e ateus fanáticos i é os extremistas. Mas continua sendo uma abordagem cientificamente desonesta e superficial.
Quanto aos agnósticos e deístas, seu número parece ser considerável em alguns países como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Holanda, Suécia, Suíça, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Uruguai, etc
No entanto apesar disto, apenas nuns poucos países civilizados chegam a constituir maioria absoluta (50 + 1%). Em todas as demais sociedades humanas - mesmo civilizadas e inseridas no contesto europeu - o número de crentes ou religiosos ainda é majoritário. Importa que a religião dominou tais sociedade até bem pouco tempo e que a cultura por ela plasmada permanece em parte vida e influente.
Vai-se a fé, mas as relações entre os signos, o imaginário coletivo, os elementos da cultura, as ações, intencionalidades e comportamentos permanecem sendo ditados pelo costume, a tradição ou o hábito. E pouquíssimos espaços, como EUA, Inglaterra, Alemanha e França, ocorreu a produção de uma outra cultura ditada pelo materialismo ou pela irreligiosidade. Mesmo sem que os elementos da cultura antiga fossem totalmente eliminados (embora alguns tenha passado por um processo de resignificação).
O que Édouard Laboulaye registrou há quase século e meio nas páginas da 'Liberdade religiosa' (charpentier - Paris, 1875 p 77) permanece mais ou menos válido até hoje:
"... Assim continuamos a guiar-nos por esta fé recebida na infância mesmo após te-la perdido. Nossa lingua, nossas ciências, nossas artes, nossos costumes... estão impregnados de Cristianismo. Nós nos dizemos assim incrédulos mas ainda que remotamente inspiramos nossas ações no Evangelho..."
Substitua-se Cristianismo ou Evangelho por religião ou espiritualidade e não fará muita diferença.
No sentido de que as diversas crenças continuam plasmando personalidades e influenciando a dinâmica social tal e qual na idade primitiva quando habitávamos em cavernas ou palafitas. Isto porque a fé tem o condão de introjetar e extrojetar ideias produzindo tipos de comportamentos e praxis sociais específicas.
Nem podemos compreender bem qualquer sociedade, como enfatizaram Fustel de Coulanges, Max Weber, e outros, sem examinar e compreender as crenças dominantes.
No entanto é forçoso compreender o que desejamos transformar e aprimorar. Daí a necessidade de estudar seriamente os credos religiosos, seus dogmas e sua História. É dever a que não devem se furtar aqueles que não creem. Não preciso crer em algo para reconhecer sua influência sobre os demais. Aos crentes e devotos, a fé ao sociólogo como Marcel Mauss o estudo das formas religiosas.
Especialmente a criança - por ser acrítica - e o jovem - por ser idealista e ingênuo - tendem a ser religiosos, embora posteriormente; quando amadureçam possam perder a fé. Cogitou-se já inclusive que a adolescência seja uma fase religiosa, em que a fé torna-se um ponto de apoio importante para a personalidade em conflito ou crise. Mesmo descrendo o educador precisa ter sensibilidade suficiente para perceber que a dimensão da fé pode ter significado vital para nossos alunos, enquanto suporte de sua vida mental.
Neste caso não se trata já da questão da verdade, i é do verdadeiro e do falso, e sim da conveniência. É prudente privar aquela criança ou jovem de sua fé neste momento? Que consequências poderiam decorrer disto? Como ficaria a mente daquela pessoa??? Tenhamos sempre Camus e o jovem Wether diante de nós! Sempre poderemos sugerir sutilmente e influenciar delicadamente... no entanto é necessário que cada qual faça seu caminho por si mesmo, tire suas constatações e amadureça.
Neste sentido a imposição do ateísmo, ou mesmo da simples indiferença religiosa por um professor autoritário pode ser tão devastadora para um jovem quanto a adesão a um credo fundamentalista. Nestes casos, em se tratando duma religião qualquer, i é não fundamentalista como o islã e/ou o pentecostalismo é sempre melhor: 'Deixar estar, deixar passar'...
Agora em se tratando de uma fé fundamentalista... que traga em seu bojo germes de intolerância, arrogância, violência, etc é melhor intervir sabiamente, sempre que as oportunidades surjam e problematizar. Toda e qualquer tentativa de proselitismo executada por alunos em classe ou no recinto escolar deve ser imediatamente problematizada pelo educador.
Há dois tipos de alunos que apreciam fazer perguntas sobre religião ou fé: os duvidosos ou indiferentes e os demasiadamente religiosos ou fanáticos.
Ao receber de chofre uma pergunta como esta: Qual sua religião professor?
Existem diversas possibilidades de intervenção, as quais devem ser tomadas levando em consideração as necessidades da turma.
Caso se sinta pressionado ou coagido o educador sempre poderá declarar:
"Como a fé é assunto de natureza pessoal, preferiria não responder a esta pergunta. Alias o espaço escolar existe para tratarmos apenas do que nos une ou do que é comum."
E concluir:
"Há tantas coisas interessantes nos seres humanos. Julgar as pessoas em termos de fé religiosa é quase sempre posicionar-se contra elas. É uma questão que só diz respeito a própria pessoa, então vamos respeitar e deixar de se preocupar com isto."
Neste momento podem aparecer outras duas perguntas (quase sempre aparecem!):
O senhor é ateu?
Neste caso o educador por aproveitar a oportunidade para problematizar e fixar o sentido de ateísmo e indiferença religiosa a que aludimos acima.
Mas o que é ateu?
......................
E daí mostrar a diferença (numa turma de E médio) entre quem dúvida ou suspende o juízo - agnóstico - o que afirma a existência de Deus mas não tem religião ou fé - deísta - o que segue determinado credo religioso - teísta ou crente - e o que afirma a inexistência de Deus (ateu). E arrematar a discussão dizendo que cada qual tem direito de fazer e de expressar a sua opção, merecendo todo respeito pelo simples fato de ser livre.
Caso algum aluno insista em perguntar se é ateu, o educador poderá responder:
Sim sou, e acrescentar; no entanto encaro com profundo respeito os que pensam de modo diverso ou é fruto de minhas reflexões e tenho direito de expressa-las.
ou
Não, no entanto, nem por isso posso deixar de respeitar o posicionamento dos ateus, agnósticos, deístas, etc
Um caminho possível é assumir discretamente sua posição e afirmar o respeito pelo posicionamento do outro, na perspectiva da liberdade.
A segunda pergunta, muito mais especiosa e comum é:
O senhor acredita na Bíblia?
Aqui o professor pode mais uma vez recorrer ao esquema da problematização, respondendo com uma outra pergunta:
Mas o que é a Bíblia?
Mostrando a partir daí que o conceito de Bíblia unitária é construção histórica e cultural e salientando a diferença cabal entre antigo e Novo Testamentos ou no plano do Novo Testamento entre as cartas de Paulo e os Evangelhos.
Caso tenha amplo conhecimento sobre a matéria (infelizmente lacunoso entre os não crentes) explorar a diversidade de tempo, locais, linguas e culturas em que foram produzidos os diversos textos bíblicos, insinuar contradições, etc
É algo que leva tempo, exige habilidade, mas é sempre compensador.
Importante é procurar, com bastante cuidado, remover da mente do aluno a ideia de inerrância absoluta ou infalibilidade plenária característica do modelo fundamentalista e anti científico, sempre por meio de uma crítica cerrada e questionamento contínuo.
Isto é claro sem tirar a liberdade do educando e permitindo que contra argumente a vontade.
Sem demonstrar impaciência, hostilidade, irritação, etc
Conservando ares de sã jovialidade.
Poderá se quiser responder como respondo: Tenho imenso amor e respeito pelas palavras de Jesus contidas no Evangelho, que é uma parte do Novo Testamento e até penso que constituam uma excelente orientação para a vida, agora com relação aos escritos de Paulo ou o antigo testamento (ou seja as demais partes do que voce chama de Bíblia) não posso encarar como palavra de Deus ou como fontes inquestionáveis.
Se o aluno perguntar porque não acredita em Paulo ou no antigo testamento poderá apontar para os preconceitos afirmados por aquela apóstolo: machismo, escravismo, estatolatria, homofobia, etc apresentar os mitos, lendas e fábulas do antigo testamento como correspondendo a cópias de material anterior de origem pagã (Sumeriana, Assíria, Babilônica, Egipcia, Fenícia, Persa, Grega, etc) ou explorar as inumeras contradições internas deste registro, além de seus erros em matéria científica é claro.
O importante aqui é:
1 - Jamais tomar a iniciativa de abordar qualquer tema religioso ou abster-se.
A atitude dos professores fanáticos e proselitistas que consiste em tomar a iniciativa de abordar qualquer tenha religioso, de impedir dos dissidentes de se manifestarem e de impor autoritariamente seus pontos de vista, caracteriza exercício de proselitismo O QUAL SENDO LEVADO A CABO EM ESCOLA PÚBLICA OU SALA DE AULA CONSTITUI CRIME.
Professores que atuam como pastores ou mullás ousando pregar em sala de aula devem ser denunciados as autoridades policiais e administrativas como criminosos!
É atitude que não deve nem pode ser tolerada sob quaisquer pretextos!
2 - Esperar que o assunto surja espontaneamente e, neste caso apreciar se deve ou não explora-lo naquele momento.
3 - Intervir positivamente diante de qualquer tipo de atitude proselitista apresentada no contesto escolar pelos alunos e problematizar.
4 - Sempre que possível responder com perguntas visando problematizar o assunto ou desconstruir os argumentos que considerar inadequados.
5 - Manter sempre um clima de liberdade permitindo que o aluno contra argumente e que todos participem expondo seus pontos de vista e ideias.
6 - Exigir atitude de respeito e tolerância.
7 - Manter o bom humor e a jovialidade. Jamais perder a paciência, mostrar irritação ou agredir os educandos.
8 - Procurar desde logo apresentar aos alunos o conceito de 'demarcação' e buscar familiariza-los com ele.
Estamos aqui diante de um conceito chave, de um padrão ou de um critério que deve nortear a atuação do professor crítico reflexivo, face a abordagem religiosa.
Grosso modo não deve o professor cogitar no que creem seus alunos em termos de transcendência.
Quanto mais a fé ou religiosidade dos alunos concentrar-se no além, no céu, no paraíso, no imaterial ou no invisível, menos problemática será para nós.
Posso não crer em Ganesha, Jupiter, Iemanjá, Jesus, etc no entanto se tais entidades não atuam magica ou miraculosamente no mundo material, posso dizer a meu aluno:
Não, não creio em Ganesha mas se você cre nele não me importa nem um pouco, desde que saiba que ele não faz chover, não cura cancerosos e não produziu o mundo em sete dias literais... Sendo assim estamos em paz.
Perceba aqui que o deus ou os deuses e entidades não são o problema da educação científica. Trata-se cientificamente de assunto neutro ou escuso; bom para a Filosofia, mas ocioso em termos de ciência.
O problema aqui da-se em termos de COMO qualquer dessas entidade (e não importa nome ou número) relaciona-se com o mundo em termos de fetichismo ou naturalismo. Se o aluno ou a pessoa crer que seu deus ira salva-lo no além ou ressuscita-lo podemos dar de ombros... agora se o aluno cre que seu deus faz chover mijando ou lançando baldes dágua ou ainda que ele mexe nas placas tectônicas provocando terremotos, então temos um sério problema.
Se este deus o entidade atua por meio de leis naturais de causa e efeito (caso dos espíritas e de parte dos Católicos)... se podemos situa-lo antes da grande explosão ou como causador (produtor) dela; enfim se ele atua DE ACORDO COM O RITMO DA CIÊNCIA, não temos o que discutir. O problema é sempre a ideia de um deus interventor, miraculoso ou taumatúrgico, que a todo instante 'aperfeiçoa' de improviso o universo, provocando diretamente o surgimento da vida, um dilúvio, sucessivos terremotos, fomes, guerras, etc, etc, etc
Até que essas intervenções multiplicam-se ao infinito, ocorrendo diversas vezes ao dia.
Aqui temos um problemão e devemos explora-lo ao máximo no sentido negativo, afirmando em alto e bom som o primado ou primazia das explicações científicas em termos de imanência e o direito exclusivo de serem ministradas em sala de aula.
Caso o aluno questione sobre o porque deste monopólio científico não devemos exitar em responder-lhe que os religiosos estão divididos em termos de modelo criacionista, mesmo porque cada grupo tem seu livro sagrado com narrativas e concepções diferentes. Eis porque nenhum destes livros pode servir para ministrar explicações gerais a todos os alunos... pois um cre no Antigo Testamento, outro nos Vedas, outro no Corão e assim por diante...
Na escola de todos temos de apelar a elementos comuns como a experiência e a razão, as quais encontram-se na base de nosso modelo científico.
Resumindo cumpre inculcar por diversos modos e maneiras, na mente dos nossos alunos, que a imanência é terreno que pertence a explicação científica e não a fé ou a religião, cujo campo restringe-se ao espiritual, imaterial ou invisível. Bom explicitar que não tem prevenção alguma contra a religião desde que ela se mantenha em seu terreno ou campo: o celestial ou divino, abstendo-se de invadir o terreno da ciência que é o mundo natural.
É necessário aproveitar todas as oportunidades para justificar este esquema até a exaustão. Aqui repetir é o melhor veículo!
Papai do céu ou deus cuida de deus anjos ou dos falecidos lá no além... A terra em que vivemos no entanto Deus quis regula-la por meio das leis naturais adrede fixadas desde o princípio.
Se o aluno indagar:
O sr crê na grande explosão ou na evolução das espécies, responda resolutamente:
Os religiosos creem no que não veem. Eu abraço as teorias da grande explosão e da evolução porque fazem sentido, porque me ajudam a compreender o mundo, porque estão fundamentadas no raciocínio e da experiência e sobretudo porque apoiam-se sobre um imenso número de fatos.
Não creio, constato aquilo que percebo ou melhor percebo com os pesquisadores.
Aqui não se trata de fé mas de bom senso.
9 - Jamais perder a consciência a respeito de sua liberdade de cátedra.
10 - Tenha esperança! Parte de seus alunos assimilarão os ensinamentos por si ministrados e com certeza ao menos alguns haverão de sair da caverna do fetichismo!
Procuramos aqui assumir uma posição intermediária entre ateísmo e fundamentalismo, exercendo critica face a fé apenas quando suas pretensões conflitam com as da ciência em seu terreno, o da imanência. E deixando as questões puramente metafísicas ou espirituais que não conflitam com o modelo científico ao alvedrio dos educandos.
Pois pensamos que a demanda da sociedade presente deva concentrar suas críticas face aos fundamentalismos ou a ideia de que livros integralmente infalíveis possuam uma autoridade ilimitada ou universal.
Esperamos que estas reflexões possam servir como embasamento para uma praxis mais segura e livre, e é claro eficiente.
Neste momento crucial não é o ateísmo, o agnosticismo ou o deísmo que precisam de bons advogados mas o modelo científico naturalista, a liberdade, a tolerância, o pluralismo, etc
No próximo artigo publicaremos uma série de estratégias pedagógicas evolucionistas para professores de ciência ou bilogia.
Mestres hajam com consciência, dignidade e desenvoltura; sem medos ou receios!
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quarta-feira, 27 de março de 2013
A escola desinteressante
Ultimamente tenho ouvido e lido muitas críticas à escola e aos professores e uma delas é esta: "A evasão escolar ocorre porque a escola já não é interessante" se preferir tem essa versão: "Os alunos não querem mais estudar porque a escola é desinteressante". Essas frases são típicas de pessoas que não estão em sala de aulas, de pedagogos de gabinete que ganham a vida escrevendo livros sobre como ser professor e como deve ser a escola sem nunca terem entrado numa ou se entraram já não entram mais.
A mídia, o governo e os pedabobos querem uma escola que seja interessante para os alunos, mas esses "gênios" se esquecem que a rotina faz parte da vida escolar, que estudar demanda esforço intelectual e todo esse discurso cai por terra, pois nossa vida é pura rotina: casamento, relacionamentos, trabalho, estudo, etc... Mesmo que fizéssemos uma escola "interessante" isso também se tornaria rotina com o passar do tempo, até a diversão se torna rotina quando é feita todos os dias. Não adianta querer enganar os alunos oferecendo soluções fáceis, fórmulas mágicas que não os levarão a lugar algum, o bom professor tem que ser sincero e falar que a obtenção do conhecimento demanda esforço, não é algo que se obtém por meio de iluminação ou de osmose, a propósito Aristóteles disse: "A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces".
A mídia, o governo e os pedabobos querem uma escola que seja interessante para os alunos, mas esses "gênios" se esquecem que a rotina faz parte da vida escolar, que estudar demanda esforço intelectual e todo esse discurso cai por terra, pois nossa vida é pura rotina: casamento, relacionamentos, trabalho, estudo, etc... Mesmo que fizéssemos uma escola "interessante" isso também se tornaria rotina com o passar do tempo, até a diversão se torna rotina quando é feita todos os dias. Não adianta querer enganar os alunos oferecendo soluções fáceis, fórmulas mágicas que não os levarão a lugar algum, o bom professor tem que ser sincero e falar que a obtenção do conhecimento demanda esforço, não é algo que se obtém por meio de iluminação ou de osmose, a propósito Aristóteles disse: "A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces".
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Quem não cola não sai da escola
Quem não cola não sai da escola, acredito nisso! O(a) leitor(a) deve estar espantado(a) e se perguntando: Meu Deus como um professor pode dizer isso? Será que ele pirou? Não, não pirei, estou em plena posse de minhas faculdades mentais. E vou dizer mais: eu incentivo meus alunos a colarem em algumas de minhas provas. Daqui deste lado já ouço protestos, deixe-me explicar. A cola nas provas é um ótimo método pedagógico para trabalhar. Como assim? - você me pergunta. Veja só, se o aluno prepara a cola dele em casa, ele tem que ler e não só ler, mas tem que escrever também e muitas vezes tem que se esforçar em fazer tirinhas. Ora, tudo isso demanda um grande esforço que sem perceber o aluno acaba gravando na memória a matéria a ser estudada. Você nunca parou para pensar nisso?
É evidente que meus alunos estranham meus métodos, (a cola pedagógica não fui eu que inventei, mas um outro professor que deu uma palestra para os professores da rede municipal de São Vicente) pois a cola é vista sempre como algo feio, desaprovada por todos os professores e se um professor se distancia desse discurso é porque deve estar maluco.
Quando marco uma prova com cola, aviso com uma semana de antecedência, peço para os alunos fazerem suas colinhas (individuais) porque no dia da prova não permito que se usem livros e cadernos, apenas a cola que foi preparada em casa ou mesmo em sala de aula. Sem que os alunos percebam acabam estudando e memorizando e não como uma obrigação, mas com prazer. Esta semana um de meus alunos perguntou: professor, para que serve a cola, se eu nem usei a cola na prova, se eu já sabia de tudo? Justamente - respondi - a cola serve para você estudar e sem perceber você memoriza, grava e aprende. É para isso que serve a cola.
sexta-feira, 2 de março de 2012
A educação em Praia Grande
Após quase um mês trabalhando como professor na escola municipal Professora Maria Clotilde Lopes Comitre Rigo, avisei hoje a diretora que eu estava deixando as aulas, depois me despedi dos ex-colegas de trabalho e me dirigi à SEDUC de Praia Grande e fiz minha recisão de contrato como vocês podem ver logo acima.
Mas ninguém exonera nem pede recisão de contrato sem um motivo (princípio da razão suficiente: todo efeito tem uma causa). O meu motivo foi, ou melhor meus motivos foram a impunidade, a negligência e a má educação da clientela praiagrandense. Um aluno, se é que pode ser chamado de aluno, de um nono ano já vinha atrapalhando minha abordagem pedagógica desde os primeiros dias de aula. Como existem regras de convivência da unidade escolar que é a mesma em toda a rede de ensino municipal, é proibido usar boné em sala de aula, proibido usar celular ou quaisquer aparelhos eletrônicos e os professores são obrigados a fiscalizar isso. Desde o primeiro dia eu proibia o uso de quaisquer aparelhos eletrônicos dentro da sala de aula assim como o uso de boné. Mas um desses "alunos" além de ser mal-educado é também um desajustado às boas normas de convivência na sociedade, uma espécie de "bad boy". Uma vez pedi que desligasse o celular, então essa criatura disse: "peraí, tô ligando".
- Me dá o celular.
- Não vou dar ( e escondia o aparelho).
Então comecei a ler as regras de convivência da escola e ele disse
- Já sei, não precisa ficar falando.
- Me entrega o aparelho que eu te devolvo no fim da aula.
- Não vou entregar.
- Se eu chamar a inspetora ela vai tomar o seu aparelho e levá-lo para a diretora.
O sujeitinho deu de ombros, pedi a um aluno que chamasse a inspetora, quando ela chegou narrei-lhe o ocorrido e ela pediu que o desrespeitador das normas de convívio lhe entregasse o aparelho, ele não entregou nem para a inspetora, uma senhorinha de idade, muito simpática. Então a inspetora me instruiu sobre o que deveria ser feito, disse que eu deveria fazer a ocorrência dos atos desrespeitosos e da insubordinação do sujeito, foi o que fiz, mas ele disse que não tinha medo daquelas folhas pois já tinha levado várias ocorrências e nunca aconteceu nada e disse que não tinha medo da diretora.
Outros dias que eu dei aulas as mesmas falas (as dele e as minhas) se repetiram como se fosse uma espécie de eterno retorno. Cada vez que eu aparecia na sala de aula que ele estava não para estudar é claro, mas para "causar", ele se tornava mais arrogante e mais petulante na mesma medida em que é ignorante, pois os professoras me disseram que ele não sabe nada nem de matemática nem de língua portuguesa.
Esta semana ainda eu estava em outra sala, sala em que a namoradinha dele estuda, não é que o tal invadiu a sala sem pedir licença, agiu como se estivesse dentro da casa dele. Eu nem quis advertí-lo porque já tinha percebido que se trata de potencial psicopata. E por falar em psicopatia, minhas ex-alunas praiagrandenses disseram-me no dia seguinte após esse incidente que ele havia batido em sua própria namorada dentro da escola, fora o que a diretora, e os professores me contaram a respeito desse exú.
Ontem quando eu tive aula com esse frango de macumba ele me mandou calar a boca na sala de aula, sua lógica foi a seguinte a aula dura uma hora, já era 16:02 e eu continuava a explicar um texto quando o espírito de porco começou a gritar: "cala a boca, vai embora, sai, sai, sai, vaza, sai sai". Eu falei pra ele que a aula termina quando o professor sai da sala de aula e não quando ele quer. O sujeito me aborreceu tanto que senti vontade de esmurrá-lo e tive que me afastar o mais distante que eu pude para não chegar as vias de fato com um sujeito que não vale a pena se sujar. Comuniquei a senhora diretora que apenas conversou com ele, mas não tomou nenhuma providência, então tomei eu as providências cabíveis, eu pedi minha recisão de contrato. Porque se vocês não sabem Praia Grande está com falta de professores de geografia, são mais de 60 aulas na rede para serem preenchidas (segundo a rádio peão, isto é, segundo os professores que tem contatos com outros colegas) e não tem professores de geografia nem mesmo os ruins. E os bons que eles conseguem não tratam bem, não dão o devido apoio...
Mas exoneração e recisão de contrato é uma coisa muito comum em Praia Grande e mais fácil recindir contrato e exonerar do que ser contratado e/ou efetivado.
Praia Grande é um município que paga bem aos professores todavia os professores tem que se sujeitar a todo tipo de humilhação e pressão. Eu recindi meu contrato como uma forma de protesto, porque não admito ser pisado por um ser boçal; recindi meu contrato porque eu sei o meu valor e o dinheiro não é o mais importante na minha vida; recendi meu contrato porque não tive o respaldo da direção para punir o infrator, e não punindo esse infrator, ele continuará a fazer as mesmas coisas e os professores estarão de mãos amarradas. Infelizmente grande parte da rede age assim com os professores, razão pela qual muitos professores fogem de Praia Grande assim como o diabo foge da cruz, e eu também fugi.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A escola dá tudo exceto educação
A escola pública hoje dá material escolar, mochilas e algumas até uniforme! Muito pais acham isso maravilhoso, mas eu não quero escola que dê material escolar, quero escola que dê educação de qualidade e isso a escola não dá, por isso a escola pública mascara isso dando quinquilharias e os alunos e seus pais ficam boquiabertos com a "generosidade" do sr. governador e/ou do sr. prefeito, tal como outrora os portugueses davam miçangas e espelhos aos índios que ficavam estupefatos com esses objetos comuns, e trocavam essas porcarias por pau-brasil.
O que adianta dar livros, cadernos, canetas, estojos, mochilas, uniformes se não se dá uma educação de qualidade? Os alunos sabem gramática? Sabem escrever de acordo com a norma culta da língua? Sabem ao menos as quatro operações? Sabem ler um mapa? Não, não sabem nada dessas coisas e os pais tampouco se importam. O que importa é que eles não precisam gastar mais com material escolar, e isso é bom.
Há escolas que há classes com 40 alunos ou mais, há escolas que o aluno pode infernizar a vida do professor e este não pode ser posto para fora da sala de aula, porque isso é um constrangimento e a ECA ( é a eca mesmo e não o eca) defende o direito do aluno bagunceiro ficar dentro da sala de aula, infernizando o professor e os colegas que querem aprender. O aluno não pode ser suspenso, não pode ser transferido, nada. A única coisa que a diretora de tais sistemas de ensino podem fazer é tentar convencer as mães com que mudem seus filhos de escola, mas se elas não quiserem, então nada feito!
Pois é, os pais ficam embasbacados com o material escolar gratuito tal como os tupiniquins diante de miçangas. Os pais dos alunos não veem que com esses sistemas degenerados seus filhos nada aprenderão, pois a escola lhes dá não liberdade, mas a licenciosidade para fazerem ou não fazerem o que bem entenderem. E o professor, como fica? Se o aluno vai mal nos estudos, é culpa do professor!!!
Mas é isso que o governo burguês quer, enquanto a burguesia põe seus filhos nas melhores escolas, escolas essas onde há disciplina, a escola para os menos abastados e carentes é uma escola onde reina a indisciplina para que assim a burguesia possa ter no futuro mão de obra barata. Mas poucos enxergam essa triste realidade. Hoje liberdade sem limites, amanhã a pior das escravidões!
O que adianta dar livros, cadernos, canetas, estojos, mochilas, uniformes se não se dá uma educação de qualidade? Os alunos sabem gramática? Sabem escrever de acordo com a norma culta da língua? Sabem ao menos as quatro operações? Sabem ler um mapa? Não, não sabem nada dessas coisas e os pais tampouco se importam. O que importa é que eles não precisam gastar mais com material escolar, e isso é bom.
Há escolas que há classes com 40 alunos ou mais, há escolas que o aluno pode infernizar a vida do professor e este não pode ser posto para fora da sala de aula, porque isso é um constrangimento e a ECA ( é a eca mesmo e não o eca) defende o direito do aluno bagunceiro ficar dentro da sala de aula, infernizando o professor e os colegas que querem aprender. O aluno não pode ser suspenso, não pode ser transferido, nada. A única coisa que a diretora de tais sistemas de ensino podem fazer é tentar convencer as mães com que mudem seus filhos de escola, mas se elas não quiserem, então nada feito!
Pois é, os pais ficam embasbacados com o material escolar gratuito tal como os tupiniquins diante de miçangas. Os pais dos alunos não veem que com esses sistemas degenerados seus filhos nada aprenderão, pois a escola lhes dá não liberdade, mas a licenciosidade para fazerem ou não fazerem o que bem entenderem. E o professor, como fica? Se o aluno vai mal nos estudos, é culpa do professor!!!
Mas é isso que o governo burguês quer, enquanto a burguesia põe seus filhos nas melhores escolas, escolas essas onde há disciplina, a escola para os menos abastados e carentes é uma escola onde reina a indisciplina para que assim a burguesia possa ter no futuro mão de obra barata. Mas poucos enxergam essa triste realidade. Hoje liberdade sem limites, amanhã a pior das escravidões!
quinta-feira, 13 de maio de 2010
A Mãe

Pode ser que o leitor pense que vou falar sobre a obra de Máximo Gorki: A Mãe. Não caro leitor que me lê, não é dessa obra nem dessa mãe que eu quero falar, é de outra mãe, ou melhor, é de outras mães que vou falar.
Na escola onde trabalho às vezes somos obrigados a chamar os responsáveis dos alunos indisciplinados e quando conhecemos suas mães acabamos por conhecer a causa da indisciplina. Para o meu desprazer tive a infelicidade de atender duas mães que defenderam seus filhos pelo único fato de serem seus filhos. Infelizmente a maioria das mães, estraga os filhos e chego a conclusão que a guarda de muitos filhos deveria ser tirada de certas mães e pais também.
Mas voltando ao assunto para não perder o fio da meada. Uma das mães, tem um filho que éo cão chupando manga superindisciplinado. Pois bem, o inspetor trouxe a mãe até a sala de aula. E aí a mãe acusou os professores de estarem perseguindo "o santo", o "mártir" de seu filhinho, e que por causa dos professores ele levou uma surra do pai, etc... Disse ainda que os outros alunos bagunçam e que ninguém vê isso, e que o seu filho não é mau, antes é mal-entendido pelos professores que são verdadeiros carrascos de Dachau e Auschwitz (ela não disse isso, estou a usar um recurso literário para que o tom fique mais dramático).
Agora passo a falar da outra mãe que tive a imensa insatisfação de conhecer nesta semana. É uma criatura arrogante, petulante, egoísta que se julga a dona da verdade. Ela é aquela criatura que não educa os filhos, a única coisa que sabe fazer é estragar os filhos.
A mãe ficou toda cheia de melindres ao ser convocada e já chegou a escola numa postura agressiva, defendendo o filho antes que eu pudesse mostrar a ocorrência de seu "anjinho". Tentei falar mas a mãe com toda a deseducação que lhe é peculiar me cortava o tempo todo, e uma coisa que poderia ser resolvida em menos de 5 minutos, levou 20 minutos, tempo esse precioso para mim, tempo no qual poderia estar lecionando, ao invés de ouvir a biografia do "santo" em questão.
A mãe disse que não admite ameaças ao filho como se eu tivesse ameaçado o seu filho, e ainda questionou o meu trabalho, disse que eu sou todo "nervosinho e já entro na aula estressado gritando com os alunos" (sic). Foi isso que o seu filho lhe contou. A minha sorte é que na sala dos professores estava o inspetor de alunos que me defendeu dizendo que o "professor Fernando é tranquilo até demais e um dos melhores professores da escola" (sic). Uma outra professora que estava lá, também me defendeu, senão a mãe descontrolada, terminaria o seu julgamento, me condenaria e me executaria caso pudesse fazê-lo.
Aí perdi minha compostura e disse-lhe: "Mãe o problema é esse, esse e aqueloutro, estou pedindo sua colaboração para resolvermos esse problema porque quem vai perder não sou eu, uma vez que se o seu filho aprende ou deixa de aprender, vou continuar recebendo o meu salário. Outra coisa eu não saio de minha casa para vir à escola para fazer "futricas" de alunos, o meu interesse é ensiná-los e para isso preciso de uma classe disciplinada. Caso a senhora não esteja satisfeita com o meu trabalho, vá até a SEDUC e me denuncie por escrito.
Após isso a mãe, disse que não queria dizer isso, mas não admite injustiças e que os outros alunos são bagunceiros, etc... Apresentei o caderno de ocorrências e a fiz assinar, arrependido de a ter chamado à escola.
Moral da história: Fazer filhos é fácil, difícil é educá-los!
Na escola onde trabalho às vezes somos obrigados a chamar os responsáveis dos alunos indisciplinados e quando conhecemos suas mães acabamos por conhecer a causa da indisciplina. Para o meu desprazer tive a infelicidade de atender duas mães que defenderam seus filhos pelo único fato de serem seus filhos. Infelizmente a maioria das mães, estraga os filhos e chego a conclusão que a guarda de muitos filhos deveria ser tirada de certas mães e pais também.
Mas voltando ao assunto para não perder o fio da meada. Uma das mães, tem um filho que é
Agora passo a falar da outra mãe que tive a imensa insatisfação de conhecer nesta semana. É uma criatura arrogante, petulante, egoísta que se julga a dona da verdade. Ela é aquela criatura que não educa os filhos, a única coisa que sabe fazer é estragar os filhos.
A mãe ficou toda cheia de melindres ao ser convocada e já chegou a escola numa postura agressiva, defendendo o filho antes que eu pudesse mostrar a ocorrência de seu "anjinho". Tentei falar mas a mãe com toda a deseducação que lhe é peculiar me cortava o tempo todo, e uma coisa que poderia ser resolvida em menos de 5 minutos, levou 20 minutos, tempo esse precioso para mim, tempo no qual poderia estar lecionando, ao invés de ouvir a biografia do "santo" em questão.
A mãe disse que não admite ameaças ao filho como se eu tivesse ameaçado o seu filho, e ainda questionou o meu trabalho, disse que eu sou todo "nervosinho e já entro na aula estressado gritando com os alunos" (sic). Foi isso que o seu filho lhe contou. A minha sorte é que na sala dos professores estava o inspetor de alunos que me defendeu dizendo que o "professor Fernando é tranquilo até demais e um dos melhores professores da escola" (sic). Uma outra professora que estava lá, também me defendeu, senão a mãe descontrolada, terminaria o seu julgamento, me condenaria e me executaria caso pudesse fazê-lo.
Aí perdi minha compostura e disse-lhe: "Mãe o problema é esse, esse e aqueloutro, estou pedindo sua colaboração para resolvermos esse problema porque quem vai perder não sou eu, uma vez que se o seu filho aprende ou deixa de aprender, vou continuar recebendo o meu salário. Outra coisa eu não saio de minha casa para vir à escola para fazer "futricas" de alunos, o meu interesse é ensiná-los e para isso preciso de uma classe disciplinada. Caso a senhora não esteja satisfeita com o meu trabalho, vá até a SEDUC e me denuncie por escrito.
Após isso a mãe, disse que não queria dizer isso, mas não admite injustiças e que os outros alunos são bagunceiros, etc... Apresentei o caderno de ocorrências e a fiz assinar, arrependido de a ter chamado à escola.
Moral da história: Fazer filhos é fácil, difícil é educá-los!
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Campanha do Diário de um Bobo da Corte: Não seja professor
O Blog Diário de um Bobo da Corte está lançando a campanha: "Não seja professor!" É isso mesmo que você acabou de ler.
O MEC lançou não faz muito tempo, a campanha "seja Professor", cuja propaganda muito bonita e atrativa mas que não condiz com a verdade. O vídeo pode ser visto logo abaixo.
Para o MEC lançar essa campanha risível é porque está desesperado. Sabem que muitos professores estão abandonando a profissão devido ao baixo salário, devido as inúmeras cobranças, devido aos péssimos alunos (que não são a maioria, mas acabam por estragar uma boa classe), devido à falta de boa infra-estrutura: materiais pedagógicos, salas de informática, data-show, etc...
Por mais boa vontade que tenha o professor, ele não pode "transformar" o mundo como quer o MEC, e são vários os fatores:
a) Classe com mais de 40 alunos. Quem é professor sabe que é impossível dar uma boa aula com 4o alunos ou mais. A aula não rende porque com uma classe cheia, a tendência é a dispersão e a falta de controle da mesma; Para dar uma boa aula, o professor precisa que a escola tenha no máximo 25 alunos por sala;
b)Com salários baixos, o professor não pode dar uma boa aula. Por quê? Porque ele precisará dar aulas em outras escolas sejam privadas e/ou municipais/estaduais. Ou seja, ele passa o dia todo lecionando e por falta de tempo não pode preparar suas aulas, porque precisa complementar sua renda em outra(s) escola(s). Se tivesse um salário decente, não precisaria se preocupar em complementar a renda e nesse caso poderia preparar suas aulas porque teria tempo disponível;
c) Os alunos por serem menores de idade, praticamente só tem direitos e poucos deveres, se é que tem algum dever. Como sabem disso, alguns se aproveitam para ofender professores, xingá-los e até agredi-los fisicamente;
d) Os bons alunos não conseguem estudar por causa dos colegas bagunceiros e porque a classe está cheia, o bom professor assim como os bons alunos sentem-se desestimulados;
e) O professor vive estressado pelas cobranças de pais, alunos, direção etc...
f) A classe dos professores é uma das mais desunidas que existem, por isso conseguem pouco ou nada em suas reivindicações, e por isso mesmo, o governo tripudia sobre os professores.
Com isso não quero dizer que todos os professores são maus profissionais e não gostam do que fazem. Há muitos bons professores nas escolas públicas desse imenso Brasil. Na escola onde trabalho há ótimos profissionais, mas não vou declinar os nomes para não cometer a injustiça de não citar um nome ou outro por esquecimento.
Há muito mais coisas a dizer sobre o assunto, mas não vou fazer tal para não cansar o leitor. Certamente que teremos novas oportunidades para abordar tão espinhosa questão.
O MEC lançou não faz muito tempo, a campanha "seja Professor", cuja propaganda muito bonita e atrativa mas que não condiz com a verdade. O vídeo pode ser visto logo abaixo.
Para o MEC lançar essa campanha risível é porque está desesperado. Sabem que muitos professores estão abandonando a profissão devido ao baixo salário, devido as inúmeras cobranças, devido aos péssimos alunos (que não são a maioria, mas acabam por estragar uma boa classe), devido à falta de boa infra-estrutura: materiais pedagógicos, salas de informática, data-show, etc...
Por mais boa vontade que tenha o professor, ele não pode "transformar" o mundo como quer o MEC, e são vários os fatores:
a) Classe com mais de 40 alunos. Quem é professor sabe que é impossível dar uma boa aula com 4o alunos ou mais. A aula não rende porque com uma classe cheia, a tendência é a dispersão e a falta de controle da mesma; Para dar uma boa aula, o professor precisa que a escola tenha no máximo 25 alunos por sala;
b)Com salários baixos, o professor não pode dar uma boa aula. Por quê? Porque ele precisará dar aulas em outras escolas sejam privadas e/ou municipais/estaduais. Ou seja, ele passa o dia todo lecionando e por falta de tempo não pode preparar suas aulas, porque precisa complementar sua renda em outra(s) escola(s). Se tivesse um salário decente, não precisaria se preocupar em complementar a renda e nesse caso poderia preparar suas aulas porque teria tempo disponível;
c) Os alunos por serem menores de idade, praticamente só tem direitos e poucos deveres, se é que tem algum dever. Como sabem disso, alguns se aproveitam para ofender professores, xingá-los e até agredi-los fisicamente;
d) Os bons alunos não conseguem estudar por causa dos colegas bagunceiros e porque a classe está cheia, o bom professor assim como os bons alunos sentem-se desestimulados;
e) O professor vive estressado pelas cobranças de pais, alunos, direção etc...
f) A classe dos professores é uma das mais desunidas que existem, por isso conseguem pouco ou nada em suas reivindicações, e por isso mesmo, o governo tripudia sobre os professores.
Com isso não quero dizer que todos os professores são maus profissionais e não gostam do que fazem. Há muitos bons professores nas escolas públicas desse imenso Brasil. Na escola onde trabalho há ótimos profissionais, mas não vou declinar os nomes para não cometer a injustiça de não citar um nome ou outro por esquecimento.
Há muito mais coisas a dizer sobre o assunto, mas não vou fazer tal para não cansar o leitor. Certamente que teremos novas oportunidades para abordar tão espinhosa questão.
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