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domingo, 19 de fevereiro de 2023

Carnavalidades... ou por um Carnaval 'diet' ou 'ligth'.



Nascido em família protestante, bíblica, sectária, moralista ou puritana não conhecia ou sabia muito bem o que era Carnaval.


E a mentira começava pelo sentido dado a palavra - Habitualmente desonestos e mentirosos os crentelhos diziam que Carnaval significava: Carne vai kkkk, ou seja, vai corpo, vai sexo... quando na verdade significa exatamente o oposto: Carne levare i é afastamento ou abstinência da carne vermelha, aludindo prática quaresmal das igrejas apostólicas.

Tampouco sabíamos qualquer coisa sobre o carnaval dos blocos de rua ou sobre o carnaval de salão.

O objeto dos ataques, alias sempre bem sucedidos, era esse carnaval das escolas e do sambódromo, e da globosta, com seus abusos e excessos até a bizarrice.

Passados mais de trinta e cinco anos a coisa não mudou... Pois vivemos num tempo de extremos.

Temos assim a um lado os fanáticos, fundamentalistas e tarados religiosos que condenam irremissivelmente os festejos carnavalescos... e a outros os foliões 'debochados'. 

Nós assumimos, como sempre, uma postura crítica, equilibrada e de meio termo.

Quanto aos fanáticos bíblicos a manobra consiste em condenar qualquer irrupção espontânea de alegria popular, assim o carnaval. E há um premeditado designío ou intuito nisso, uma intencionalidade mórbida que consiste em tornar a presente vida amarga, chata e desagradável... Azeda, intragável.

Monstruoso esse método que consiste em tornar o céu ou o paraíso apetecível a força de apresentar tudo quanto haja de bom na face da terra como pecaminoso. E no entanto o protestantismo yankee, com seu ranço calvinista é isso...

Carnaval tem abusos ou excessos, alias localizados, mas não é ele mesmo o excesso ou abuso. Daí a necessidade de formar uma opinião equilibrada.

Quanto aos debochados e seus abusos temos - E temos... - crianças de seis ou sete anos rebolando semi nuas sobre o gargalo de uma garrafa - Embriaguez, hiper erotização, adultério, gravidez precoce, agressão, estupro, etc o que não é coisa de pouca monta e deve ser problematizado, para o bem do próprio Carnaval.

Diante disso farei uma série de reflexões sobre uma porção de temas relacionados com o Carnaval, assim: Diversão, nudez, sexo, adultério, mídia, lucro, alienação, emancipação, embriaguez, agressão, estupro, escolas de samba, blocos, salão, etc

De fato em tempos de liberdade não precisamos mais de um período dedicado a permissividade absoluta, durante o qual quase todas as convenções sociais caiam por terra, equivalendo a uma válvula de escape. 

Apesar disso um momento consagrado a diversão, a alegria, ao contentamento, ao festejar, etc é sempre muito bem vindo e o feriado dele resultante mais ainda...

Mormente quando não passamos por turbulências políticas demasiado sérias, e não estejam nossos parlamentares reunidos em conluio um bailezinho vem a calhar.

Agora quanto a nudez.

Tenho a nudez como algo absolutamente natural. 

Não a hiper sexualização ou erotização.

Entre as quais, por sinal, não há qualquer nexo ontológico - Como imaginam os ignorantes.

Nossos índios circulavam nus por ai 'Com suas vergonhas limpinhas e saradas.' e não eram hiper sexualizados... Mor das vezes agiam com absoluta naturalidade ou se ostentação.

O que lamentavelmente não se dá em nosso contexto - 

Problema aqui é justamente essa conexão ou relação entre nudez e hiper sexualização e, ainda hoje - Se bem que menos! - entre a hiper sexualização e a procriação e o crescimento populacional, este último uma tragédia.

Porém - Desde que tais pessoas façam uso de métodos contraceptivos, não temos nada a ver com isso...

E aqui tocamos a questão do sexo - Que é subjetiva.

Pois não somos juízes autorizados para mensurar e julgar a sexualidade alheia.

Então que é hiper sexualização...

Dá-se a hiper sexualização, na dimensão pessoal, quando a busca pelo prazer ou o exercício da sexualidade afirma-se como valor máximo ou absoluto para a pessoa em detrimento de outros setores da existência como a Ética, o trabalho, a estética\arte, o estudo, etc 

Na medida em que o exercício da sexualidade ou a busca pelo prazer limita e mutila a formação da personalidade torna-se sem dúvida pernicioso.

Dificilmente numa pessoa equilibrada e sã, a audição de músicas como o pagode, o funk, o sertanojo e alguns tipos de samba, produziria alterações mais sérias. Outro o caso de crianças e jovens, com a personalidade a formar, ouvindo esse tipo de música que focaliza apenas o sexo.

Por mais liberais que sejamos em matéria de sexualidade humana adulta e responsável, não há como deixar de questionar a presença de pequeninos nas proximidades de desfiles em que mulheres aparecem totalmente nuas com marmanjões em torno quase passando as mãos em suas bundas!

Questionar o fato de meninos e meninas semi nus se esfregarem uns nos outros não é puritanismo ou moralismo, é puro e simples bom senso - Pois são mentes e personalidades em formação e que precisam ser integralmente formadas.

Aqui a concentração da mentalidade no sexo apenas torna-se sinônimo de alienação e ingrediente intencionalmente usado com o objetivo de produzir massas...

Usada como fonte de lucro ou forma de alienação é a sexualidade removida de seu contexto e desviada de sua função, podendo, como já dissemos, despersonalizar, desumanizar, brutalizar e barbarizar.

O poder político, a força econômica e a estrutura midiática são especialistas em manipular tudo isto.

Ora o modelo de carnaval canonizado pela imprensa, em particular pela globosta é esse - Representando pelo sambódromo e pelas famigeradas escolas de Samba.

Impossível desvincular esse modelo dos interesses do mercado, do lucro ou do capitalismo, mormente da indústria da cerveja ou das bebidas alcóolicas e aqui a apelação é manifesta na propaganda... Vendida a peso de ouro.

Como C S Lewis nada tenho contra o consumo sóbrio, moderado e racional da cerveja ou dos aperitivos alcoólicos, sendo que eu mesmo consumo habitualmente uma dose de conhaque ou licor após as refeições. Condenar o puro e simples consumo de álcool é por sinal maniqueismo e mais outro aspecto da manobra puritana acima descrita...

Outro o caso da embriaguez, considerava particularmente em seu aspecto social.

Pois já Platão, na República, aludia aos gastos do Estado quanto as enfermidades produzidas por excessos alimentares...

Para além disso há a questão da agressão, que pode chegar ao estupro e ao assassinato. 

Faz parte do coquetel - Nudez, hiper sexualização, embriaguez, músicas apelativas de teor acentuadamente erótico, etc com tais ingredientes como estranhar ou reclamar do que se segue depois: Agressões, estupros e mesmo mortes...

Como desassociar tais fatores das consequências desastrosas que se seguem...

Como desejar um carnaval cheio de paz, amor e respeito - Como fez o ingênuo do Marcos Mion. - se o ambiente não está disposto para a afirmação de tais valores. 

Ora pois - Imagine só o macho alfa ou machistóide encharcado de pinga - Ou dois, o que é pior, dois dará briga na certa! - diante de uma mulher semi nua... Os vendedores de cerveja ou de pinga farão votos para que eles se comportem respeitosamente... 

Nada contra quem está disposto a aceitar o repuxo sem fazer mi mi mi ou chorar depois... Agora não me venham criticar os que questionam, como se fossem obrigados a aderir ou a participar.

Se querem evitar agressões, estupros e mortes evitem os fatores predisponentes e criem um ambiente sadio.

Veremos então se a Globosta dará audiência o levará até lá seus holofotes, uma vez que não haja venda de Antártica, Bhrama ou Amstel.

Lamento, mas devo dizer, esse carnaval urbano, de sambódromo e escola de Samba foi totalmente colonizado pelo Mercado, pela economia, pelo capitalismo... Pelo simples fato de ser transmitido pela Globo ou pela grande mídia. E não se deve esperar redenção alguma dele, pois converteu-se em fonte de lucro para empresários, e de excessos e abusos para a sociedade.

Seguiu este modelo carnavalesco o mesmo destino dos grandes clubes futebolísticos (Em oposição ao futebol de várzea!), do nosso Natal, da nossa Páscoa, do dia das mães, etc Tudo isso foi esvaziado de seu conteúdo de modo a restar apenas uma casca convertida em rótulo e destinada a vender!

Para mim não há qualquer diferença significativa entre grandes clubes futebolísticos, empreJas da TP e as colossais escolas de sambas - Seguem todos o modelo empresarial, cujo principal objetivo é obter lucro!!! Nada de social ou popular, no máximo algum resíduo para enganar como dizia Aristófanes sobre a demagogia ateniense ou a democracia decadente e infestada.

Em tais condições, é esse modelo de carnaval, como esses cultos religiosos e o futebolismo, mais um ingrediente destinado a alienar e a massificar... Pois o ofício do poder político e da mídia - Cooptadas pelo Mercado. - outro não é.

Dirão meus críticos pós modernistas que tais escolas e desfiles promovem a população negra ou dão destaque a ela.

Dão destaque a cerveja ou a melhor, a venda de cerveja...

Bem, dizem o mesmo do BBB...

O que já diz absolutamente tudo.

Quanto a tudo isso estou de acordo com os socialistas mais esclarecidos: A afirmação e promoção das pessoas negras se fará por meio da cidadania, da ação política, da mobilização, das ações afirmativas, do acesso aos cursos superiores, da melhoria da educação de base, etc - E vejam o que o Estado de S Paulo esta fazendo com o Ensino Médio neste exato momento!!!

Nada se pode ou deve esperar da grande mídia ou da Globosta. Tudo quanto querem é alienar e massificar, aprofundando o vazio produzido pela educação pública...

Recordemos que esse povo foi lançado na Avenida despojado de tudo ou sem praticamente qualquer coisa... Para que se contentar-se em desfilar uma vez ao ano, não poucas vezes diante dos olhos dos gringos endinheirados. 

Tudo isso foi intencionalmente arquitetado para criar a imagem de um país do futebol e do carnaval, no qual os afro descendentes poderiam sempre avançar como passistas ou jogadores, não como sociólogos, psicólogos, médicos, arquitetos, etc Foi todo um imaginário artificiosos forjado pelos que detinham o poder. E o objetivo sempre foi manipular, jamais emancipar.

Tal o caso dos pouquíssimos pobres colocados pela Globo na vitrine por terem enriquecido honestamente i é trabalhando duro.

Aqui recomendo a leitura da obra de Varela "Soluções psicológicas para problemas sociais." - Não adianta, é ilusório ou aparente.

Problemas sociais, como a miséria que aflige parte considerável de nossa população negra, exigem soluções sociais em sua dimensão política, não desfiles carnavalescos ou BBB...

Desta cartola não saíra coelho algum.

De minha parte já acho inócuo qualquer proposta em torno de uma Revolução (Emprego da força em certas situações sim, Revolução não - No sentido de que qualquer emprego de forças não alterará significativamente a cultura ou produzirá uma nova sociedade.). Agora ver ou querer ver conteúdo revolucionário no Futebolismo, no Carnaval de sambódromo ou nas EmpreJas pentecas é o cúmulo do absurdo... Espantalho do pensamento...

Outro o caso do Carnaval de Rua ou dos Blocos, que como o Futebol de várzea não tem acesso a grande mídia, certamente porque não foram totalmente cooptados. 

Aqui uma possível via em torno de uma diversão sóbria, equilibrada, menos invasiva e portanto menos vulnerável aos abusos e excessos já descritos. Uma alternativa para as crianças, Uma opção para as diversas constelações familiares que não se querem expor.

E quiçá uma possível via, acessível, a uma crítica social mais consistente.

Até minha adolescência conheci apenas o carnaval convencional, dos flashes da Globo e sujeito a severa crítica dos fariseus religiosos. 

No final dos anos oitenta fui com uns amigos a um Carnaval de salão e aquilo me marcou. 

Pois não correspondia a imagem ainda hoje propagada pela Globosta.

Para meus ouvidos certamente havia excesso de barulho.

Reconheço no entanto que o clima era bastante seguro e saudável - Marchinhas inocentes, confete, fantasias, crianças e famílias inteiras reunidas... Um clima perfeitamente familiar, sem nudez, sem músicas apelativas, sem bebidas, etc apenas pessoas comemorando ou festejando juntas.

Vez por outra tocavam um samba enredo escolhido a dedo...

Entre a abolição ou oposição e os abusos diria que temos aqui uma Terceira via... 

Até hoje tenho sido partidário dessas matinês para adultos, com as crianças fantasiadas de princesas, vampiros, homens aranhas, pierrotes, colombinas, etc catando marchinhas inocentes. Assim dos blocos, nos quais os adultos fantasiados cantam as mesmas marchinhas pelas ruas num clima de cordialidade e respeito. 

Anualmente os amigos solicitam as razões porque não simpatizo com o Carnaval institucionalizado e canonizado pela imprensa - E que são as mesmas porque não simpatizo com o Futebol institucionalizado das grandes corporações. O motivo principal é a conexão existente com a imprensa, os aparelhos midiáticos, etc a produção de massas e enfim a atmosfera ética ou bem pouco ética resultante disso tudo. 

Longe de mim condenar quem gosta e adere - Cada um cada um.

Aqui dou a público os motivos de minha reserva.

Sou portanto favorável é um carnaval 'diet' ou 'ligth'.





terça-feira, 3 de outubro de 2017

No 'inferno' do 'Amar é'




Resultado de imagem para figurinhas amar é



Levante a mão quem ainda se lembra do álbum de figurinhas 'Amar é'.

Caso você seja dos anos setenta ou mesmo oitenta certamente ainda lembrará do simpático casalzinho castrado...

Época da Sarah Kay, da menina moranguinho, dos animais fofinhos, etc tudo muito bonitinho e encantador. E é claro que os namoradinhos do 'Amar é' não podiam fugir a regra...

Exatamente por isso eram desenhados muito moralmente ou seja sem os 'asquerosos' órgãos sexuais. Nem o menino tinha pênis nem a menina tinha vagina, eram ambos completamente lisos ou tapados, i é, sem buraco algum.

Orifício por onde fizessem o número um ou o número dois não havia e ficamos lá pensando se comiam ou bebiam qualquer coisa, e por onde saiam os refugos - Pela boca? Pelo nariz, ou pelas orelhas? A pergunta bem pode ter ocorrido a qualquer criança do nosso tempo (anos 80) e premiada lá com algumas palmadas por parte desses pais educadores que já não usavam a 'vara de marmelo'.

Eu como menino 'bíblico' ou crente só pude conhecer a 'Amar é' através de meus amiguinhos pagãos, que costumavam cola-las em seus cadernos e - pasmem, pasmem sim - havia sido orientado a não fixar os olhos em tais figurinhas, pelo simples fato de ostentarem corpos nus!

E como disse não havia ali sequer vestígios de órgãos sexuais ou qualquer coisa que insinuasse um pênis ou uma vagina! Era ambos castradíssimo e sem embargo disto, 'imorais'. Ao menos para parte da boa Sociedade.

Jamais pude esquecer o comentário feito por uma velha senhora diante de uma banca de jornais em cuja parte externa o proprietário havia colado um cartaz promocional das figurinhas:

-- Viu Minguinho (tal meu apelido de menino) a que ponto chegou esta sociedade (nem sabia o que era sociedade)? No meu tempo não se ostentavam corpos nus desse jeito, vou falar com o seo Morgado para não colar esse tipo de coisa na Banca.

Tá certo que a senhora em questão era de outro tempo... Tão certo quanto o menino e a menina serem lisos e castrados, e não haver qualquer sinal de, digamos, 'malícia' nas figurinhas. Exasperou no entanto muita gene mais nova e não estou convencido de que ainda hoje não exaspere algumas pessoas, especialmente os fanáticos religiosos... Sempre em guarda contra o corpo, a nudez e a sexualidade humanas.

Nem estou suficientemente convencido de que parte da Sociedade atual seja ainda mais fechada do que aquela dos anos 80...

Reeditado o álbum 'Amar é' em nossos dias, será que venderia mais??? Será que não fariam autos de fé pelas esquinas. Alegando que o casalzinho de castrados é decididamente imoral ou pecaminoso...

Uma coisa é certa meu senhor. Há quem se sinta incomodado com as simples linhas ou com o esboço pictórico de um corpo nu. No passado dizia-se nu artístico e não me parece que fizessem tanta bulha em torno dele quanto hoje...

Problema aqui é que não se tratam de casos isolados ou de pessoas psicologicamente desajustadas. Aparentemente essas pessoas melindradas são normais. O que temos aqui é a produção intencional de uma certa cultural maniqueísta ou puritana...

Dirá você que estou fazendo tempestade em copo dágua uma vez que a produção desse tipo de cultura anti corporal ou assexuada é produção que remonta há séculos.

Indubitavelmente meu querido, indubitavelmente. Consideremos no entanto que vivemos num mundo pós freudiano direcionado cada vez mais para a aceitação do corpo, do sexo e da nudez, não em termos de valores supremos (como querem muitos), mas certamente como algo natural.

Consideremos que o passado século, em que pesem exageros e abusos, foi um tempo de avanço. A tendência a que me referi acima era um agregado persistente, mas condenado, ao menos a longo prazo, a desaparição. As tendências mostravam isto...

Portanto o que me assusta ou incomoda é a retomada feroz desse tipo de discurso ou dessa produção cultural na mais larga escola. O que estamos assistindo, ao menos aparentemente, é a retomada de ideais e modelos maniqueus e puritanos que não só confinam com islã como preparam seu advento em nossas sociedades ocidentais. Há todo um discurso negativo ou pecaminoso em torno da nudez ou da sexualidade e cujo objetivo é produzir um generalizado sentimento de culpa entre as pessoas, especialmente entre as mulheres... o fim desse discurso é que após o corpo experimentar certa degradação ou a beleza declinar sucede o arrependimento, a conversão e por fim túnicas, icabs, burkas, shadores, etc como forma de penitência.

Que tais pessoas optem por ocultar seus corpos decrépitos deveria ser assunto de ordem privada. Lamentavelmente no entanto, assistimos a toda uma reação contrária ao direito dos demais membros da sociedade exporem seus corpos ao menos por parte de algumas dessas pessoas 'convertidas' a alguma religião qualquer... De fato elas não estão nem um pouco convencidas de que a tais pessoas assista o mesmo direito que assistiu a elas durante a juventude. Não é simples questão de arrependimento mas também de egoísmo inconsciente expresso pela forma clássica: Se não ouso mais mostrar meu corpo ninguém mais deveria poder faze-lo. Em tais situações as pessoas que ousam mostrar seus corpos passam a ser odiadas e quando não insultadas ou agredidas.

A parte da sociedade que se esconde o corpo e a sexualidade parece não se dar bem com a outra parte, seja a sexista ou a que busca viver com naturalidade, tornando-se ativamente hostil. Assim entre os que não vão a praia devido a questão da nudez costumam sentir-se molestados porque os demais vão e isto pelo simples fato de serem influenciáveis, covardes e não terem coragem para fazer o que querem. A pessoa que assume um princípio moral ou crença sinceramente e que busca vivencia-lo em máximo grau, via de regra não se preocupa com o comportamento alheio, apenas com o seu. A preocupação com o comportamento alheio em termos de Psicologia, denota sempre um insatisfação subjacente, desconformidade, insegurança e, é claro rancor. Rancor por achar-se obrigada a viver uma vida que não gostaria de viver.

Em termos de cultura no entanto o ponto de partida desta postura intolerante é a produção de um sentimento de culpa, relacionado com a retomada de um discurso maniqueísta ou puritano cujo objetivo é satanizar o corpo físico, a nudez e sobretudo a sexualidade humana. O que me suscita minha reflexões não é a sobrevivência circunstancial desde discurso enquanto mero agregado persistente mas sua decidida retomada em alguns contextos da sociedade brasileira, do que resultou toda esta polêmica assustadora em torno do homem nu lá no Masp.

Lamento por Fernando Sabino, autor impagável da Crônica 'O homem nu' já não estar mais entre os vivos para escrever um segundo conto ambientado lá no Masp...

Afinal, desta vez ao menos, é o mesmo povinho que leva os filhos no colo, durante os carnavais, para assistirem 'mulatas' (a expressão aqui é mesmo para despertar choque) semi nuas ou nuas em pelo, rebolando e se arreganhando na passarela... E quem se choca???

Tudo bem que pela primeira vez cobriram a globeleza com um vestido...

Homem branco rebolando nu em pelo foi o que a Globo jamais cogitou por.

A simples imagem da mulher negra nua, pobre, favelada, sem oportunidade na vida... estar ali se arreganhando diante de um montão de machos caucasianos com seus filhinhos impecáveis nos colos, é tão perversa que me faz lembrar as velhas vitrines de zoológico em que colocavam tipos humanos primitivos.

Se é mulher, negra ou morena, pobre, etc rebolando em cima de uma garrafa pode, é bonito... Agora basta expor a nudez de um homem branco, simplesmente sentado num lugar fechado para produzir exasperação... Meu Deus onde estamos???

Ah mais haviam crianças lá....

Ok, mas foi a exposição realizada para esse tipo de público?

Quem levou? Quem são os responsáveis? Que pretendiam eles? São seus filhos???

E se os pais quiseram levar as crianças ao evento para familiariza-las com a nudez, segundo a opinião deles, o que você tem a ver com isto??? São seus filhos??? Então você quer total liberdade para educar e criar seus filhos, surrando-os com a vara ou espancando-os por qualquer motivo e para os outros pais liberdade alguma???

Digo isso porque criança alguma foi posta ali pelo produtor do evento ou raptada!

Estavam ali porque foram conscientemente conduzidas até aquele lugar pelo poder paterno que vocês tanto endeusam em causa própria.

Alias quando o menino Bernardo foi assassinado pelos pais após ter procurado ajuda, qual a exasperação de vocês??? NENHUMA???

Vejam a disparidade!!!

Claro que a lei bem poderia, e é alvedrio seu, fixar uma idade mínima para a assistência do evento. Agora proibi-lo pelo simples fato de contar com a exposição de um Nu, de modo algum, de forma alguma. Não existe nada, absolutamente nada no nu que cause dano ao outro e se alguém adota o ponto de vista contrário não vá a exposição, não compre 'Amar é', não manuseie material pornográfico as ocultas, etc Uma vez que aqueles que encaram a nudez com naturalidade ou como parte da vida assiste o direito de contempla-la livremente.

Mas a contemplação da nudez é um pecado ou uma imoralidade.

OPINIÃO SUA.

Não minha, nem de outros tantos milhões de cidadãos honestos e trabalhadores que não teem problema algum de aceitação com relação a seus corpos.

Agora se pensa assim conduza-se de modo coerente, ao invés de pretender comandar os outros porque ainda há cidadãos livres nesta porra dispostos a não se deixar comandar por gente autoritária e controladora como você.

Se a questão é as crianças, que a justiça estabeleça um limite de idade quanto ao acesso a tais eventos. Claro que todos os cidadãos e todos os pais deverão obedece-los, como você deve obedecer a lei menino Bernardo e cessar de espancar seu filho ou apodrecer na cadeia. Se a questão é a lei, comece cessando de educar seu filho com a vara de marmelo ou de tortura-lo.

Agora quanto a exposição e acesso a nudez, cidadãos adultos e maduros não precisam ser tutelados por zelosos moralistas de fancaria. Vão viver seu azedume e sua amargura sem importunar os outros!

Não pensem que estou defendendo, como os esquerdopatas sem causa, a dimensão artística deste nu ou deste exposição de arte moderna, a qual deploro como psicologista, relativista, subjetivista, estúpida, etc Não sou nem pretendo ser partidário dessa arte degenerada a que chamam de moderna, sou pelo clássico, decididamente. E em questão de nu prefiro uma Vênus de Milos.

A questão a ser ponderada não é repito, a dimensão artística da produção, a qual bem pode ser negada ou questionada. Não sou dos que iriam a uns exposição de arte moderna, mesmo para ver o Gianecchini em pelo, palavra não iria. O foco da questão é a nudez e a aceitação do próprio corpo, pressuposto absolutamente necessário para a construção de um personalidade normal, sadia e equilibrada. A negação do corpo, da nudez e da sexualidade é o ponto de partida para o desenvolvimento de uma série de neuroses e distúrbios psicológicos, e francamente este mundo já esta cheio de anormais e de seres sem consciência explorando a anormalidade alheia com propósitos financeiros...

Comecei lembrando das coleção 'Amar é' com o simples traçado de corpos nus lisos e tapados. E termino formulando a seguinte pergunta: Será que no Brasil de 2030 alguém terá coragem de criar algo semelhante ou de reeditar o velho 'Amar é'??? Eis uma pergunta aparentemente tola que demanda nossa reflexão urgente! Que rumo estamos tomando e como será o Brasil do futuro?