Os perus andam em bando enquanto as águias voam solitárias.
O que ora observo são dois bandos de extremistas buscando polarizar a opinião pública.
Não rasteja com bandos de peru seja pela direita ou pela esquerda, mesmo admitindo ter alguma afinidade com esta.
Seja como for não pertenço nem a esquerda radical nem a esquerda cirandeira ou pós moderna, a qual apartou-se da ética essencial com seus valores imutáveis.
Concedo que tendo a Suzy cometido um crime deva ser punida com todo rigor da lei, após ter sido psicologicamente avaliada e considerando-se possíveis atenuantes. Por isso chamasse justiça e não vingança.
Aliás, certificada a normalidade do criminoso e consequentemente sua racionalidade e livre vontade, é aplicada uma determinada pena não com o objetivo de vingar -se, mas, com o objetivo de recupera-lo. Desde os tempos de César Beccaria são as punições medicinais, destinadas a recuperar não a aviltar.
Não queremos dizer com isto que a prisão deva corresponder a uma colônia de férias. Resguardada a dignidade essencial do preso deveria ele custear sua estadia na prisão trabalhando. E é claro levar vida sóbria e simples, sem comodidades e luxos... Poderiam assim trabalhar em obras públicas, consertando pontes, estradas e edifícios.
No mínimo o isolamento produzirá neles um sofrimento interior, o qual poderá conduzi-los a reflexão, a virtude, a emenda e a mudança de vida.
Será um sofrimento benéfico porquanto derivado da própria culpa. Caso o reconheça como justo e o aceite, e o cumpra, o criminoso poderá mudar de mentalidade e retornar ao convívio social, recuperando sua dignidade. Outro não pode ser o escopo da punição - Ou ainda estaríamos variando ou cortando gente em praça pública, apenas para satisfazer um instinto tão baixo quanto a vingança.
Ao mesmo tempo que compreendemos a dor de quem teve um parente assassinado ou torturado cremos que cumprida a tarefa da humana justiça sejam tais casos entregues nas mãos daquele Espírito Supremo e infalível que ainda os corações e tudo conhece, não nas mãos de carrascos e carniceiro a mando de juízes falíveis.
Acabamos o veredito da justiça humana apenas para um castigo que regenere. E aqueles que não possam ser regenerador vivam perpetuamente isolados nos manicômios judiciais.
Quanto aos que foram condenados por crimes que não possuem atenuantes, como a tortura, que cumpram seu fadario até o fim e sofram as cominações da pena. Mesmo condiderando-se que a justiça não se estende a todos como deveria e que conhece privilégios não os podemos converter em santos ou vítimas. Uma vez que o requinte da crueldade jamais é necessário.
Devemos deplorar as possíveis exceções, sem contudo inocentar os condenados.
Exploramos assim a atitude tosca da esquerda cirandeira, a qual deseja relativizar a crueldade humana apelando à critérios de raça, posse ou gênero. Concedo que tais critérios possam - dentro de um quadro psico/social - servir como atenuantes em situações como tráfico, roubo ou mesmo assassinato. Não porém quanto a crueldade e a tortura.
Em casos de estupro, tortura e crueldade as penalidades devem ser irredutíveis e rigorosas, sem que se possa relativizar ou atenuar o mal produzido.
Apesar disto o objetivo deverá ser a recuperação do criminoso. Portanto há tal pena de ter fim e tal pessoa de ser reintegrada ao convívio humano. E aqui chegamos ao extremo oposto ou a essa ralé, não menos grosseira, baixa é vulgar, que sonha com a pena de morte i é com poças de sangue e vísceras quentes...
Dirão eles que estou deturpando suas propostas. Pois bem se pode matar civilizadamente, por meio da injeção letal. De fato vivemos numa época avançada e admirável pela higiene... Assim nada de sangue ou vísceras cujo aspecto e odores tanto impressionam os mais frágeis. Adoramos portanto a injeção... Triste o tempo em que o sangue e os odores incomodam mais do que a supressão da vida. DESDE que Sócrates beba cicuta ou seja enforcado não nos importamos... Desde que não seja queimado vivo ou esfolado.
Queremos assim um Estado que mate com graça ou delicadamente.... Tal nossa leviandade.
Claro que não vou discutir ou trocar palavras com os que defendem a tortura, tipo que os estupradores sejam empalados , etc Pois são objeto da psiquiatria...
Dirijo me apenas aqueles que acham belo nivelar se com um criminoso. Alegando que devemos violar os direitos deles criminosos, pelo simples fato de que não souberam respeitar o direito alheio. MAS santo Deus não é exatamente isto, a violação do direito, que os converte no que são i é em criminosos??? Como portanto imita-los e nivelar se com eles sem tornar -se criminoso???
Tanto o Estado quanto os homens virtuosos que o compõe devem estar acima dos criminosos e portanto empregar outros meios com que puni-los. Não pode o Estado matar ou assassinar um criminoso sem tornar-se ele mesmo um criminoso ou assassino, quando deve atuar como um médico e recuperar. Não é este Estado ou esta Sociedade 'Legibus solutus' como não o é Deus e jamais foram os soberanos humanos. A ninguém é dado matar a criatura racional e livre sem fazer se criminoso. Ora nós não podemos criar um Estado carniceiro ou assassino!
Ateus, materialistas, positivistas e cientificistas, partindo de seus princípios, bem podem discordar de mim... Afinal sou daqueles que admitem a 'fábula' do livre arbítrio, da qual retiro o 'veneno' (Freud) da esperança. Sim eu concedo que os homens sejam livres e não mecanicamente determinados por qualquer poder externo que os coaja. Não creio que qualquer força externa tenha a capacidade de suprimir a vontade livre do homem. Por isso penso neste homem como mutável, educavel e recuperável.
Daí com Beccaria pensar numa JUSTIÇA medicinal e numa estrutura presidiaria rigorosa a um tempo e a outro capaz de resocializar o criminoso. A morte é atitude de quem, desesperado, nega a possibilidade do criminoso mudar de mentalidade e não vejo em que tal espírito, determinista e sem esperança, possa estar de acordo com o espírito de Cristo ou do Evangelho, ou mesmo com o espírito de um Sócrates ou de um Platão.
Que ateus, materialistas, cientificistas, positivistas e alguns neo pagãos o defendam, posso bem compreende-lo. Que um simples teísta qualquer o abrace, deploro; que um Cristão qualquer ou pior Católico, ouse faze-lo, eis a suprema miséria. Isto porém será tema do próximo artigo.
Quanto a Suzy acho tão errado apresenta-la como pobre vítima ou como coitadinha quanto apresenta-la como um monstro a parte da humanidade e irrecuperável. Já um sábio do passado dizia: Que não faria eu com o histórico dos outros no lugar dos outros? Mas nós nos consideramos super homens mesmo quando queremos tratar os criminosos tal qual eles trataram suas vítimas...
Ainda aqui os extremos se tocam.
No fim das contas é a Suzy uma mulher ou um homem mau que cometeu um grave crime e por ele deve pagar, expiando suas penas. Talvez ao fim deste processo, purificada pelo sofrimento e pela reflexão, surja uma nova criatura ou uma pessoa boa, arrependida, contrata e recuperada. Por ter esta esperança, para muitos utópica, oponho-me a pena de morte ou ao assassinato cometido pelo Estado. E é claro acima de tudo ao pecado inexpiavel da tortura...
Devo acrescentar por fim que minha reflexão de modo algum justifica o trato especial que essa pessoa recebe pelo simples fato de ser ou apresentar-se como trans, o que não basta para inocenta-la mas parece aumentar sua culpabilização. É percepção subjetiva que se tem ou intuição: Que alguns ao menos estejam a sataniza-la por ser trans (Enquanto outros querem não apenas aliviá-lo mas absolve-la de seu crime ou mesmo endeusa-la). Ora o crime desta pessoa é aquele porque foi julgada, não o fato de ser trans ou qualquer outra conotação sexual... A malignidade aqui consiste em dar uma direção sexual para o assunto, como se todo trans fosse estuprador ou coisa assim... Então o que não se justifica são os preconceitos de natureza sexual de que essa pessoa possa estar sendo vítima, o qual é tão nefasto e abjeto dentro do presídio quanto fora dele... Então caso você esteja a solicitar punições draconianas para o criminoso apenas por ser ele trans, também perdeu a noção de justiça.
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terça-feira, 10 de março de 2020
Em torno do caso Suzy - Reflexões
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
Jung, Freud e freudismo.
Todo e qualquer leitor deste Blog ou de qualquer outro Blog de nossa propriedade, sabe muito bem o quanto admiramos e acatamos o vulto de Freud.
Juntamente com Atrino e Ellis foi ele um dos primeiros pesquisadores a estudar a sexualidade humana sem apriorismos ou preconceitos tolos tomados a moralidade judaica ou farisaica. O quanto basta para imortaliza-los.
Afinal era mister tratar naturalmente a dimensão sexual do ser humano, conferindo-lhe um status científico.
Ao cabo do décimo nono século não dava mais para marginalizar ou satanizar o corpo ou a sexualidade, conforme a tradição maniqueísta que nos fora legada pelos antigos semitas e, desastrosamente assumida pela 'igreja' Cristã.
Jesus jamais discursara sobre sexualidade ou fixara-se em tal tema. Não o abordou nem valorizou, ocioso que era a comunicação divina.
A Cristandade nominal todavia, tomando caminho distinto do traçado pelo mestre, fixou-se doentiamente no tema... canonizando toda uma série de tabus absurdos, e convertendo-se em fonte de neuroses sem fim...
Freud foi um dos heróis que, afrontando a opinião pública maniqueísta - consagrada pela Era Vitoriana! - forçou a ruptura das barreiras, rumo a uma sexualidade normal e encarada como parte efetiva da vida humana.
Foi o quanto bastou para alista-lo merecidamente com Darwin, Marx e Einstein.
Há no entanto quem, como Newton e, De Vries, Mayr, Kautsky, Herr, Jaurés, Blum, Bernstein, Keynes, etc tenham avançado ainda mais, por terem seus pés postos sobre os ombros dos gigantes...
Como Newton só pode avançar a partir de Copérnico, Galileu e Kepler, de Vries, Mayr e Dobzhansky avançaram a partir de Darwin; Kautsky, Bernstein, Herr e outros a partir de Marx... Einstein a partir de Maxwell, Morley, etc C G Jung, Horney, Blowlby, Winnicott, Frankl, a partir de Freud.
Natural que o gigante tenha sido ultrapassado. Todos os demais gigantes o foram, ampliando e aprofundando cada nova descoberta ou teoria.
Mead e Malinowski demonstraram, abrindo o caminho para Horney, que as constatações assumidas pro Freud tinham um carácter cultural relativo ao tempo e ao espaço ou a sociedade europeia do tempo sua organização, princípios e valores. Não se tratava portanto de algo abstrato (com relação ao tempo e ao espaço), metafísico.. Mas de uma relação da psique humana a um determinado contesto sócio cultural... O complexo de Édipo era uma construção da sociedade monogâmica e patriarcal... Inexistente em culturas matriarcais ou poligâmicas, como as das Ilhas Tobriand ou de certas paragens da África... Assim as diversas neuroses analisadas pelo psicólogo austríaco só podiam ter sua gênese num tipo de sociedade maniqueísta e repressora, e não teriam qualquer razão de ser no antigo Egito, na Antiga Suméria ou na Antiga Grécia... Os problemas analisados e elencados por Freud eram circunstancias e não universais...
Outro o questão da líbido, definida por Freud como uma energia sexual, embora suscetível de transformação/sublimação. Trata-se aqui de uma força ou energia sexual, voltada para outros setores da vida... A matriz de toda energia ou ação humanas era de origem sexual. Assim pensava Freud e isto de modo algum me choca.
Julgo todavia que a análise de C G Jung seja mais significativa ou consistente.
Jung foi caracterizado como um puritano ou moralista apenas por ter contestado a afirmação peremptória e dogmática de seu mestre, quando a natureza sexual da líbido. Formulou Jung uma outra hipótese, conceituando a líbido como uma energia neutra ou informe, a qual vai assumindo sucessivas formas determinadas pelo sujeito.
Claro que tais formas só poderiam ser dadas ou determinadas por uma vontade consciente ou pela intencionalidade.
Como os bebês ou recém nascidos não possuem racionalidade, inteligência ou vontade livre é perfeitamente compreensível que esta energia informe ou amorfa assuma uma forma sensorial prazerosa. Basta com o saber que o princípio da vida humana seja sensorial e não racional ou volitivo para compreender que a energia psíquica, em seus primórdios, identifique-se com o princípio do prazer. É questão de limites, impostos pela natureza ou pena condição...
Importa saber que esta energia é maleável ou sujeita, em determinado momento posterior, a ação consciente ou determinação do sujeito... E é esta maleabilidade que possibilita o movimento que Freud classifica como sublimação. Nem haveria sublimação ou mudança de sentido caso a libido fosse essencialmente sexual. Pois sendo essencialmente sexual como poderia receber outra forma. Se pode receber diversas e distintas formas é evidente que é amorfa ou informe por definição.
Eis porque damos razão a Jung.
Ademais freudismo é uma coisa e psicanalise outra. No freudismo há uma precipitação metafísica, alias mal elaborada, como acabamos de apontar. A psicanálise é um método a mais, que nos permite conhecer e analisar e mente humana. Podemos e devemos encarar o freudismo com cautela. Descartar a psicanalise é pura e simples burrice.
Juntamente com Atrino e Ellis foi ele um dos primeiros pesquisadores a estudar a sexualidade humana sem apriorismos ou preconceitos tolos tomados a moralidade judaica ou farisaica. O quanto basta para imortaliza-los.
Afinal era mister tratar naturalmente a dimensão sexual do ser humano, conferindo-lhe um status científico.
Ao cabo do décimo nono século não dava mais para marginalizar ou satanizar o corpo ou a sexualidade, conforme a tradição maniqueísta que nos fora legada pelos antigos semitas e, desastrosamente assumida pela 'igreja' Cristã.
Jesus jamais discursara sobre sexualidade ou fixara-se em tal tema. Não o abordou nem valorizou, ocioso que era a comunicação divina.
A Cristandade nominal todavia, tomando caminho distinto do traçado pelo mestre, fixou-se doentiamente no tema... canonizando toda uma série de tabus absurdos, e convertendo-se em fonte de neuroses sem fim...
Freud foi um dos heróis que, afrontando a opinião pública maniqueísta - consagrada pela Era Vitoriana! - forçou a ruptura das barreiras, rumo a uma sexualidade normal e encarada como parte efetiva da vida humana.
Foi o quanto bastou para alista-lo merecidamente com Darwin, Marx e Einstein.
Há no entanto quem, como Newton e, De Vries, Mayr, Kautsky, Herr, Jaurés, Blum, Bernstein, Keynes, etc tenham avançado ainda mais, por terem seus pés postos sobre os ombros dos gigantes...
Como Newton só pode avançar a partir de Copérnico, Galileu e Kepler, de Vries, Mayr e Dobzhansky avançaram a partir de Darwin; Kautsky, Bernstein, Herr e outros a partir de Marx... Einstein a partir de Maxwell, Morley, etc C G Jung, Horney, Blowlby, Winnicott, Frankl, a partir de Freud.
Natural que o gigante tenha sido ultrapassado. Todos os demais gigantes o foram, ampliando e aprofundando cada nova descoberta ou teoria.
Mead e Malinowski demonstraram, abrindo o caminho para Horney, que as constatações assumidas pro Freud tinham um carácter cultural relativo ao tempo e ao espaço ou a sociedade europeia do tempo sua organização, princípios e valores. Não se tratava portanto de algo abstrato (com relação ao tempo e ao espaço), metafísico.. Mas de uma relação da psique humana a um determinado contesto sócio cultural... O complexo de Édipo era uma construção da sociedade monogâmica e patriarcal... Inexistente em culturas matriarcais ou poligâmicas, como as das Ilhas Tobriand ou de certas paragens da África... Assim as diversas neuroses analisadas pelo psicólogo austríaco só podiam ter sua gênese num tipo de sociedade maniqueísta e repressora, e não teriam qualquer razão de ser no antigo Egito, na Antiga Suméria ou na Antiga Grécia... Os problemas analisados e elencados por Freud eram circunstancias e não universais...
Outro o questão da líbido, definida por Freud como uma energia sexual, embora suscetível de transformação/sublimação. Trata-se aqui de uma força ou energia sexual, voltada para outros setores da vida... A matriz de toda energia ou ação humanas era de origem sexual. Assim pensava Freud e isto de modo algum me choca.
Julgo todavia que a análise de C G Jung seja mais significativa ou consistente.
Jung foi caracterizado como um puritano ou moralista apenas por ter contestado a afirmação peremptória e dogmática de seu mestre, quando a natureza sexual da líbido. Formulou Jung uma outra hipótese, conceituando a líbido como uma energia neutra ou informe, a qual vai assumindo sucessivas formas determinadas pelo sujeito.
Claro que tais formas só poderiam ser dadas ou determinadas por uma vontade consciente ou pela intencionalidade.
Como os bebês ou recém nascidos não possuem racionalidade, inteligência ou vontade livre é perfeitamente compreensível que esta energia informe ou amorfa assuma uma forma sensorial prazerosa. Basta com o saber que o princípio da vida humana seja sensorial e não racional ou volitivo para compreender que a energia psíquica, em seus primórdios, identifique-se com o princípio do prazer. É questão de limites, impostos pela natureza ou pena condição...
Importa saber que esta energia é maleável ou sujeita, em determinado momento posterior, a ação consciente ou determinação do sujeito... E é esta maleabilidade que possibilita o movimento que Freud classifica como sublimação. Nem haveria sublimação ou mudança de sentido caso a libido fosse essencialmente sexual. Pois sendo essencialmente sexual como poderia receber outra forma. Se pode receber diversas e distintas formas é evidente que é amorfa ou informe por definição.
Eis porque damos razão a Jung.
Ademais freudismo é uma coisa e psicanalise outra. No freudismo há uma precipitação metafísica, alias mal elaborada, como acabamos de apontar. A psicanálise é um método a mais, que nos permite conhecer e analisar e mente humana. Podemos e devemos encarar o freudismo com cautela. Descartar a psicanalise é pura e simples burrice.
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Por que 'Ela só pensa naquilo...' - O propósito de Damares Alves e da Continência...
Não me julgo fanático, exceto pela liberdade.
Compreendo assim que livremente assumida a continência sexual ou o celibato, representem valores dignos de respeito. Assim se alguém gerencia ou controla sua sexualidade sem tornar-se neurótico ou por ter um propósito/sentido mais elevado, quem sou eu para critica-lo? Nem posso deixar de encarar o que chamam de sexismo i é a super valorização da dimensão sexual como algo negativo. Quando afirmamos que a sexualidade não deve ser satanizada/negativizada mas encarada com naturalidade não queremos dizer com isto apresentar o sexo como supremo valor da vida humana ou a sexualidade como seu aspecto mais importante. Para nós a sexualidade, mesmo quando encarada com naturalidade, sempre será parte da vida, não a vida. Nós não assumimos a posição de um Marquês de Sade, deplora-mo-la, tanto quanto deploramos o maniqueísmo. Uma coisa é o corpo ser aceito, outra negado e outra idolatrado... fugimos aos extremos.
No entanto, enquanto parte, defendemos uma sexualidade livre e isenta de pre conceitos.
E quanto a continência ou ao gerenciamento da vida sexualidade, encara-mo-lo como possível valor apenas quando livremente assumido pelo sujeito a partir de suas conclusões, i é, apenas quando é significativo para ele e jamais como algo imposto por alguém ou mesmo pela sociedade.
Como fator formativo da personalidade humana a dimensão sexual da vida deve ser considerada com todo cuidado e certamente ser gerenciada pelo sujeito. Claro que no setor familiar da Sociedade serão oferecidos ou mesmo impostos certos tipos de conduta como desejáveis, isto a guiza de educação. Desde que não haja excessos, como a agressão, temos um fenômeno normal. Certamente que a partir daí podem resultar seríssimos problemas. Tal no entanto é o curso da vida, ao menos em seus primeiros passos. Agradeça a natureza ou a Providência aquele que teve a sorte de obter pais ou educadores amorosos, liberais e pacientes. Os demais só tem a chorar...
No entanto para além da infância e da adolescência, é normal e justo que o homem adulto, na posse de sua liberdade, reconsidere os princípios e valores recebidos, mormente quando lhe parecem já sufocantes, já tacanhos; e quando produziram em si determinados problemas ou patologias psíquicas, assim traumas, bloqueios, fobias... Pois tudo isto e muito mais pode produzir uma sexualidade artificial, reprimida ou excessivamente limitada. Então é justo que, apesar das ameaças dos padres arrogantes ou dos pastores imbecis, a pessoa se reavalie e reconstrua a si próprio, questionando a educação sexual que recebeu.
Normal que os pais controlem - até certo ponto e apenas com determinados meios - a sexualidade dos filhos e não trataremos mais disto. Parece um direito ou uma necessidade natural, mesmo quando sofra os mais terríveis abusos por parte de pais neuróticos.
Agora por que raios aspiram os padres e pastores (No tempo presente estes antes de todos)- Por vezes os reis, presidentes, generais e patrões... gerenciar a sexualidade alheia?
Já disse que sexo é poder e que o exercício da sexualidade implica relações de poder, mais talvez que de afeto... Controlar a dimensão sexual do outro é controlar o outro, é domina-lo, é dispor dele. Quando alguém dispõem do poder de uma Nefer Nefer de 'O egipcio' (Mika Waltari), de uma Dalila, de uma Lais, de uma Gruchenca... estebelece-se a relação senhor/servo, uma escravidão. A dependência afetivo/sexual pode ter a força de correntes e cadeias, advertem o padre e o pastor, partindo da fina psicologia do antigo testamento, cujo fundo talvez reconheça a grande força ou o grande poder da líbido sobre o sexo masculino. Não vou entrar aqui nos termos da relação Homem, Mulher e Líbido ou dependência -
Sucede porém que a mesma relação por assim dizer 'se reproduz' sempre que outrem, seja padre ou pastor, passa a direcionar a sexualidade alheia. Também aqui, por meio de uma continência ou de uma abstinência imposta (Na qual muitas vezes não se vê o mínimo sentido.) por uma autoridade externa, estabelece-se uma relação de dominação e poder, mesmo porque, quem admite ser guiado externamente quanto a própria sexualidade dificilmente estabelecerá limites ou fronteiras quanto a qualquer tipo de controle externo, concedendo em ser dirigido por completo i é quanto a todos os setores da vida. Uma pessoa dominada por outra quanto a todos os setores da vida, tendo abdicado de sua liberdade, converteu-se num boneco ou numa marionete.
Voluntariamente assumido por uma pessoa adulta a Continência ou o Celibato podem ser libertadores e contribuir no sentido de constuir-se uma personalidade heroica, no pleno sentido da palavra. Já dissemos: Controlar, dominar ou gerenciar a concupiscência ou pulsão (Impulso) sexual, transferindo esta energia para outro setor qualquer da vida e escapando a neurose, é quase uma obra divina.
Abdicar artificialmente da sexualidade por imposição externa, além de ser a porta de entrada da neurose e da insanidade, pode estabelecer uma relação desigual de poder e assim dar vezo a um controle moral, econômico, social e político. Generais, técnicos de futebol, demagogos politiqueiros, patrões ambiciosos, etc sucedem cada vez mais ao charlatão ou déspota religioso, buscando impor a transferência de energia, e obter um time ou exército vitorioso ou uma maior produção de bens...
Felizmente patrões, técnicos, ideólogos, etc não dispõem do mesmo poder que os padres e pastores ou dos meios de um General. E o atleta, o proletário, o afiliado e mesmo o soldado (Fora da caserna) sempre poderão farrear e burlar ou mentir. Os líderes religiosos apenas podem possuir a alma e o coração do homem, mesmo quando o ameaçam com os míticos fogos do inferno... e é aqui que o controle obtém sucesso e se torna absoluto. Caso o lider decrete: Vocês, meus fiéis, transarão ou farão sexo assim e assado (Estabelecendo um roteiro ou receita em nome de Cristo), a situação esta decidida e aqueles que concordam sinceramente convertem-se em matéria plástica... como cera quente.
Nem se trata de chegar ao celibato ou a abstinência provisória absoluta. Basta que as formas sexuais sejam dadas ou definidas por outrem no sentido de permitido e não permitido. Admitido este tipo de moralidade temos o controle. Talvez por isto o Verbo Jesus praticamente não revindicou autoridade sobre a sexualidade humana ou apresentou seu Evangelho como um Kama Sutra, dum Deuteronômio ou de um Sahi (Hadith), recusando-se a fazer o jogo dos oportunistas e ambiciosos e confiando no poder da verdade. Quando leio o Evangelho, buscando mostras de controle sexual e falhando em encontra-lo, não poucas vezes consolida-se minha fé na Divindade deste Jesus que tem tão pouco em comum com os manipuladores de homens e demagogos.
Tornando ao tema em questão, depreende-se do quanto foi escrito e do fato segundo o qual, não possui a sociedade política sólidos e profundos conhecimentos psicológicos a respeito da personalidade humana, a ponto de, tal e como os pais e responsáveis, gerenciar a sexualidade alheia ou mesmo educa-la, impondo qualquer tipo de padrão comum ou coletivo. Os pais exercem tal gerenciamento por necessidade absoluta, dentro dos limites de seus lares. E cada lar assume um tipo de olhar, lei ou padrão distinto, não cabendo a sociedade ou ao poder político selecionar ou padrão ou julgar o tema. Mormente quando devem estes jovens obter a autonomia, fugindo inclusive a autoridade paternal. De modo algum poderia o Estado assumir este caráter paternal ou paternalista - a menos que o velho Filmer estivesse correto rsrsrsrsrs - apresentando-se como cuidador de um rebanho de adultos, aos quais pelo contrário convém dirigir todos os assuntos do Estado, desde que principiem por obter a autonomia que os caracteriza como pessoas humanas e não como vil rebanho de alimárias!
Alias a simples ideia implícita no projeto do Estado anti liberal brasileiro educar sexualmente os jovens, sugerindo-lhe modelos de conduta, já pressupõem a intenção de gerenciar e uniformizar e assim de dominar o futuro cidadão, convertendo-o em simples tutelado, impedindo-o de atingir a autonomia e consequentemente frustrando os ideais liberais e democráticos. É uma refinada e oculta forma de controle e opressão imposta por um governo híbrido ou amorfo, parte militarista e parte economicista liberal, inspirado nos modelos irracionais e sectários importados dos EUA.
Compreendo assim que livremente assumida a continência sexual ou o celibato, representem valores dignos de respeito. Assim se alguém gerencia ou controla sua sexualidade sem tornar-se neurótico ou por ter um propósito/sentido mais elevado, quem sou eu para critica-lo? Nem posso deixar de encarar o que chamam de sexismo i é a super valorização da dimensão sexual como algo negativo. Quando afirmamos que a sexualidade não deve ser satanizada/negativizada mas encarada com naturalidade não queremos dizer com isto apresentar o sexo como supremo valor da vida humana ou a sexualidade como seu aspecto mais importante. Para nós a sexualidade, mesmo quando encarada com naturalidade, sempre será parte da vida, não a vida. Nós não assumimos a posição de um Marquês de Sade, deplora-mo-la, tanto quanto deploramos o maniqueísmo. Uma coisa é o corpo ser aceito, outra negado e outra idolatrado... fugimos aos extremos.
No entanto, enquanto parte, defendemos uma sexualidade livre e isenta de pre conceitos.
E quanto a continência ou ao gerenciamento da vida sexualidade, encara-mo-lo como possível valor apenas quando livremente assumido pelo sujeito a partir de suas conclusões, i é, apenas quando é significativo para ele e jamais como algo imposto por alguém ou mesmo pela sociedade.
Como fator formativo da personalidade humana a dimensão sexual da vida deve ser considerada com todo cuidado e certamente ser gerenciada pelo sujeito. Claro que no setor familiar da Sociedade serão oferecidos ou mesmo impostos certos tipos de conduta como desejáveis, isto a guiza de educação. Desde que não haja excessos, como a agressão, temos um fenômeno normal. Certamente que a partir daí podem resultar seríssimos problemas. Tal no entanto é o curso da vida, ao menos em seus primeiros passos. Agradeça a natureza ou a Providência aquele que teve a sorte de obter pais ou educadores amorosos, liberais e pacientes. Os demais só tem a chorar...
No entanto para além da infância e da adolescência, é normal e justo que o homem adulto, na posse de sua liberdade, reconsidere os princípios e valores recebidos, mormente quando lhe parecem já sufocantes, já tacanhos; e quando produziram em si determinados problemas ou patologias psíquicas, assim traumas, bloqueios, fobias... Pois tudo isto e muito mais pode produzir uma sexualidade artificial, reprimida ou excessivamente limitada. Então é justo que, apesar das ameaças dos padres arrogantes ou dos pastores imbecis, a pessoa se reavalie e reconstrua a si próprio, questionando a educação sexual que recebeu.
Normal que os pais controlem - até certo ponto e apenas com determinados meios - a sexualidade dos filhos e não trataremos mais disto. Parece um direito ou uma necessidade natural, mesmo quando sofra os mais terríveis abusos por parte de pais neuróticos.
Agora por que raios aspiram os padres e pastores (No tempo presente estes antes de todos)- Por vezes os reis, presidentes, generais e patrões... gerenciar a sexualidade alheia?
Já disse que sexo é poder e que o exercício da sexualidade implica relações de poder, mais talvez que de afeto... Controlar a dimensão sexual do outro é controlar o outro, é domina-lo, é dispor dele. Quando alguém dispõem do poder de uma Nefer Nefer de 'O egipcio' (Mika Waltari), de uma Dalila, de uma Lais, de uma Gruchenca... estebelece-se a relação senhor/servo, uma escravidão. A dependência afetivo/sexual pode ter a força de correntes e cadeias, advertem o padre e o pastor, partindo da fina psicologia do antigo testamento, cujo fundo talvez reconheça a grande força ou o grande poder da líbido sobre o sexo masculino. Não vou entrar aqui nos termos da relação Homem, Mulher e Líbido ou dependência -
Sucede porém que a mesma relação por assim dizer 'se reproduz' sempre que outrem, seja padre ou pastor, passa a direcionar a sexualidade alheia. Também aqui, por meio de uma continência ou de uma abstinência imposta (Na qual muitas vezes não se vê o mínimo sentido.) por uma autoridade externa, estabelece-se uma relação de dominação e poder, mesmo porque, quem admite ser guiado externamente quanto a própria sexualidade dificilmente estabelecerá limites ou fronteiras quanto a qualquer tipo de controle externo, concedendo em ser dirigido por completo i é quanto a todos os setores da vida. Uma pessoa dominada por outra quanto a todos os setores da vida, tendo abdicado de sua liberdade, converteu-se num boneco ou numa marionete.
Voluntariamente assumido por uma pessoa adulta a Continência ou o Celibato podem ser libertadores e contribuir no sentido de constuir-se uma personalidade heroica, no pleno sentido da palavra. Já dissemos: Controlar, dominar ou gerenciar a concupiscência ou pulsão (Impulso) sexual, transferindo esta energia para outro setor qualquer da vida e escapando a neurose, é quase uma obra divina.
Abdicar artificialmente da sexualidade por imposição externa, além de ser a porta de entrada da neurose e da insanidade, pode estabelecer uma relação desigual de poder e assim dar vezo a um controle moral, econômico, social e político. Generais, técnicos de futebol, demagogos politiqueiros, patrões ambiciosos, etc sucedem cada vez mais ao charlatão ou déspota religioso, buscando impor a transferência de energia, e obter um time ou exército vitorioso ou uma maior produção de bens...
Felizmente patrões, técnicos, ideólogos, etc não dispõem do mesmo poder que os padres e pastores ou dos meios de um General. E o atleta, o proletário, o afiliado e mesmo o soldado (Fora da caserna) sempre poderão farrear e burlar ou mentir. Os líderes religiosos apenas podem possuir a alma e o coração do homem, mesmo quando o ameaçam com os míticos fogos do inferno... e é aqui que o controle obtém sucesso e se torna absoluto. Caso o lider decrete: Vocês, meus fiéis, transarão ou farão sexo assim e assado (Estabelecendo um roteiro ou receita em nome de Cristo), a situação esta decidida e aqueles que concordam sinceramente convertem-se em matéria plástica... como cera quente.
Nem se trata de chegar ao celibato ou a abstinência provisória absoluta. Basta que as formas sexuais sejam dadas ou definidas por outrem no sentido de permitido e não permitido. Admitido este tipo de moralidade temos o controle. Talvez por isto o Verbo Jesus praticamente não revindicou autoridade sobre a sexualidade humana ou apresentou seu Evangelho como um Kama Sutra, dum Deuteronômio ou de um Sahi (Hadith), recusando-se a fazer o jogo dos oportunistas e ambiciosos e confiando no poder da verdade. Quando leio o Evangelho, buscando mostras de controle sexual e falhando em encontra-lo, não poucas vezes consolida-se minha fé na Divindade deste Jesus que tem tão pouco em comum com os manipuladores de homens e demagogos.
Tornando ao tema em questão, depreende-se do quanto foi escrito e do fato segundo o qual, não possui a sociedade política sólidos e profundos conhecimentos psicológicos a respeito da personalidade humana, a ponto de, tal e como os pais e responsáveis, gerenciar a sexualidade alheia ou mesmo educa-la, impondo qualquer tipo de padrão comum ou coletivo. Os pais exercem tal gerenciamento por necessidade absoluta, dentro dos limites de seus lares. E cada lar assume um tipo de olhar, lei ou padrão distinto, não cabendo a sociedade ou ao poder político selecionar ou padrão ou julgar o tema. Mormente quando devem estes jovens obter a autonomia, fugindo inclusive a autoridade paternal. De modo algum poderia o Estado assumir este caráter paternal ou paternalista - a menos que o velho Filmer estivesse correto rsrsrsrsrs - apresentando-se como cuidador de um rebanho de adultos, aos quais pelo contrário convém dirigir todos os assuntos do Estado, desde que principiem por obter a autonomia que os caracteriza como pessoas humanas e não como vil rebanho de alimárias!
Alias a simples ideia implícita no projeto do Estado anti liberal brasileiro educar sexualmente os jovens, sugerindo-lhe modelos de conduta, já pressupõem a intenção de gerenciar e uniformizar e assim de dominar o futuro cidadão, convertendo-o em simples tutelado, impedindo-o de atingir a autonomia e consequentemente frustrando os ideais liberais e democráticos. É uma refinada e oculta forma de controle e opressão imposta por um governo híbrido ou amorfo, parte militarista e parte economicista liberal, inspirado nos modelos irracionais e sectários importados dos EUA.
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O espectro do maniqueísmo estatólatra - Satanizando a dimensão sexual da vida...
É necessário fechar as portas do totalitarismo... Tranca-las, trava-las com ferrolhos de aço, com os ferrolhos do liberalismo, não do econômico e dúbio é claro, mas, com os ferrolhos dos liberalismos saudáveis, do Liberalismo moral, do Liberalismo social e do Liberalismo Político, guardiões de nossa civilização, ou do que ainda resta dela.
Neste sentido toda e qualquer brecha ou fissura deve ser imediatamente denunciada e execrada, por mais inocente que pareça ser. Toda grade inundação ou avalanche começa com uma pequena rachadura ou com uma pequena pedrinha... a qual se vai abrindo, ou rolando, e tudo arrastando em seu percalço e semeando morte e destruição. Tudo no entanto começou com uma gotícula quase invisível ou com um pedacinho de cristal.
Como o menino da fábula há que se por o dedo no furo e ali ficar. Para salvar o dique ou a represa. Não podemos deixar de perceber o desprendimento da pedrinha, e de gritar - Alerta, alerta!!!
É sintomático e doentio que todas as atuais e indevidas intromissões do poder público ou do Estado nas vidas dos cidadãos e em nichos que devem ser regulados pela Liberdade pessoal (Como a moralidade) partam sempre daqueles que condenam as mesmas intromissões no campo divino ou sagrado da economia (Economicistas)... Aspiram estes senhores - demagogos ou fariseus - emancipar as atividades econômicas (Inclusive face a certas exigências ÉTICAS) as custas de outros setores da atividade humana, como a política, a moralidade, etc Até podemos avançar e declarar que boa parte dos liberais economicistas são, concomitantemente autoritários em política (E favoráveis a sistemas ditatoriais ou despóticos desde que canonizem suas opiniões econômicas), puritanos ou moralistas e não poucas vezes fanáticos e intolerantes em matéria de religião.
Engana-se redondamente aquele que faz dos liberalismos um embrulho ou pacote só. Pois as aspirações do Liberalismo econômico são totalitárias e absorventes. Já declaramos um bilhão de vezes - Há um terrível conflito entre os Liberalismos e o pivô é o liberalismo econômico - Prática falaciosa que aspira afirmar-se as custas dos demais liberalismos (essenciais) sacrificando-os.
Este conflito, facilmente negado - Pelos oportunistas do pacote - faz-se cada vez mais patente em todo nosso mundo ocidental, dos EUA ao Brasil, onde vemos os capitalistas unidos e associados não apenas a ditadores, déspotas, tiranos, militarizantes, autoritários e golpistas, mas também a massas e líderes religiosos fundamentalistas, cuja suprema aspiração é criar ou recriar estruturas repressoras e moralizantes nos moldes da Torá ou da Sharia e a partir delas dominar, oprimir e escravizar mentalmente os homens livres, privando-os de sua autonomia. Compreende-se que a religião, através da vida Ética, seja INDIRETAMENTE totalizante - nos princípios e valores éticos que afirma e propõem para seus seguidores. E nisto vemos um bem. Outra coisa é ser totalitária e aspirar servir-se do Estado com o sórdido objetivo de impor uma uniformidade moral, pautada em preconceitos absurdos. Monstruoso é o Estado, por meio dos falsos liberais (economicistas), que dele se apossaram por meio de uma estrutura democrática meramente formal, aproximarem-se deste setor obscurantista.
No passado acreditava-se que os liberalismos essenciais cairiam sob os golpes do Comunismo, do Fascismo ou do Nazismo... Ora percebemos que vacila sob os golpes do fundamentalismo religioso ou sectário (Sempre resistente ao éthos ou a orientação LIBERAL, essencial a vida democrática e fundamento seu), cada vez mais alimentado e apoiado pelos economicistas traidores do liberalismo, os quais querem um Estado mínimo ou policial apenas em termos econômicos ou de propriedade. Desde que possam 'Comprar e vender' - O termo pejorativo é de Confúcio - pouco se lhes dá que as massas ou o povo como um todo seja entregue como rebanho ou gado nas garras dos líderes religiosos sem consciência... Pouco se lhes dá que a Torá ou o Corão prevaleçam política e socialmente desde que se mantenham ricos ou em posse do poder.
A suprema ameaça enfrentada pelos liberalismos essenciais e por toda civilização ou seu projeto é esta sútil aliança entre o banqueiro, o deputado/presidente e o pastor, i é entre o poder econômico (Em posse do político ou no controle) e esta fermentação sectária que demanda por uma estrutura teocrática e, consequentemente, por uma sharia ou inquisição destinada a eliminar os dissidentes e a extinguir as diferenças, até uniformizar moralmente o homem, convertido já em escravo...
O objetivo agora - Pasme cidadão!!! - é queimar dinheiro público favorecendo um determinado ideal - Particular, jamais público! - de éthos sexual: A abstinência ou melhor a continência. Nada de novo debaixo do sol... Parte considerável da igreja romana sempre foi favorável a tal tipo de solução, mas, apenas uma parte ainda menor ou mínima, arvorou-se em dirigir os governos anteriores, tendo em vista esta finalidade. Em geral a igreja romana - fazendo uso de um direito que é seu - limitava-se a orientar seus fiéis quanto a esfera da vida pessoal. O que ora assistimos, trinta ou vinte anos depois, é a atitude concreta de apossar-se do poder público e de volta-lo para uma finalidade que a própria igreja romana, há mais de trinta ou quarenta anos, reconheceu como pessoal. É algo voltado para os partidários de tal e tal agremiação religiosa, não para os cidadãos como um todo. Uma vez que as concepções e valores sexuais são distintos e todos merecem - do ponto de vista social - a mesma tolerância.
Se não cabe a esfera da religião impor tais valores e tais práticas no contesto de uma Sociedade pluralista, menos ainda ao Estado pode caber tais aspirações!!! Não cabe a uma dada seita ou grupo religioso julgar uma sociedade política pluralista. Como não cabe ao poder político faze-lo, arvorando-se em juiz de moralidades distintas. Foi o governo constituído para velar pelo bem comum ou pela dimensão do comum, assim pelos imperativos da ÉTICA, pela interação e conduta social, etc não para interferir na dimensão privada das vidas de seus cidadãos. Sem que disto deixe de resultar a mesma confusão entre o público e o privado que alimentou - A não muito tempo - a prática anti liberal e anti democrática da censura e pouco antes dela as inquisições e autos de fé.
Penso e julgo que os cidadãos livres deveriam fazer algo de concreto face a tal abuso. Pleiteando junto aos meios jurídicos, últimos guardiães dos princípios e valores liberais... O que a cidadã Damares esta planejando nada é além de mais uma investida - A última foi contra a agremiação artística Porta dos fundos - urdida pelos fundamentalistas e fanáticos religiosos (Em geral bíblicos, calvinistas e pentecostais - Sempre com o apoio e imbecis úteis pertencentes as igrejas Ortodoxa e romana.). São eles os principais promotores desta nova Cruzada puritana ou moralizante bem a gosto dos E U A.
Aprovado esse tido de campanha não tardarão os moralizantes (Exportados pelo Sul dos E U A) a
avançar e ditar 'regras' a fala, ao vestuário, ao cardápio, etc até chegarmos ao modelo da Genebra de Calvino, o qual sempre pretenderam impor a sua pátria de origem - Sem que jamais obtivessem completo sucesso. Admitida uma intervenção esses urubus jamais recuarão, pararão ou se darão por satisfeitos. Até lançarem toda Torá pela guela desta infeliz república, convertendo-a em Califado bíblico protestante. Começarão, a princípio, idealizando outras tantas campanhas com o dinheiro público - Isto com o objetivo de criar entre nós (Ou de consolidar) uma consciência puritana ou moralista tanto mais agressiva. Serão campanha contra o Palavrão, a Masturbação, a Homo afetividade, as roupas curtas ou imorais, determinadas músicas ou danças até chegarem a abstinência de álcool, exatamente como nos E U A... Em seguida eles tentarão impor tais costumes ou pontos de vista e opiniões por meio da lei.
Consiste isto em utilizar do erário com o objetivo de construir ou alimentar determinada consciência IDEOLÓGICA. Levado a cabo, hipocritamente, por um governo que se diz descomprometido ou não ideológico, apenas por não ser comunista rsrsrsrsrs Como se fosse o Comunismo a única Ideologia da face da terra... Enquanto o governo fiscaliza ou finge fiscalizar, arbitrariamente, uma única janela, entram ideologias muito piores (Inspiradas no Sagrado!!!) pela porta escancarada de um Estado muito pouco liberal.
Foi um ministro do STF que recentemente proferiu esta alocução imortal (Se bem que constante num autor como John Gray - Apud Anatomia): Estamos assistindo a uma manobra maligna, a construção de um Estado democrático não liberal ou anti liberal. Noutras palavras: Ao invés de avançar e construir uma democracia cada vez mais real e proativa como na Antiga Grécia, estamos implementando aquele modelo defeituoso de Rousseau (apud Nisbet), apenas uma casca ou carcaça de democracia, uma mera estrutura externa (Sem vida) ou formalismo. Um tipo de democracia como este, destinado a impor a vontade de algum grupo majoritário e a extinguir a liberdade não é democracia, apenas tirania exercida pela maioria, e em detrimento de direitos fundamentais.
Num momento crucial como este só me pode ocorrer e vir a mente uma figura.
A figura exponencial de um J S Mill. Espectro hoje - Para quem tem a felicidade de conhecer - mais ameaçador do que o de um Marx ou o de um Proudhon, quando penso Mill, penso Freud, Malthus, Peter Singer, Marcuse, Nearing... E alguns outros rebeldes seletos. Imaginem só, face a mística irresponsável e destrutiva de um capitalismo - C ujas aspirações parecem ser infinitas o valor de um conceito tão racional quanto "Economia estacionária". Foi cunhado por J S Mill há século e meio. No entanto Mill soube ir além e levar seus princípios as derradeiras consequências. Por isso Gray (Opus cit.) ousou declarar que ele aceitaria com absoluta naturalidade tanto a prática da Eutanásia quanto a da Homoafetividade como decorrências lógicas e necessárias de sua doutrina sobre a liberdade, alias, a que tem dado suporte a nossa cultura democrática e vivificado nossas instituições marcadas por guerras fratricidas, pogrons, golpes, censuras e inquisições.
A figura soturna e patética da Sra Damares oponho este colosso do pensamento humano chamado J S Mill. Isto numa Era preocupante, em que as massas tupiniquins principiam confundir Mill ou Ellul com Marx, liberalismo político ou policracia com Comunismo (rsrsrsrs). Alias para eles tudo é comunismo é os pastores ineptos só avançam graças ao espantalho do Comunismo, o qual falseiam e distorcem, apenas para apresentarem-se como nossos defensores...

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sábado, 17 de novembro de 2018
Domenico theotokopuli; El greco... Era homossexual? Art coletado, original Espanhol
Créditos: Mariano Serrano Pintado
"El Greco, por su abundante obra y peculiar naturaleza, es el pintor que mayor bibliografía ha producido, y del cual se han escrito más hipótesis y teorías, tanto sobre su pintura como de su vida y personalidad. Sin duda una de las más peregrinas y excepcionalmente recurrente es la que especula sobre su masculinidad. Es decir, se pregunta si el Greco era homosexual.
Sabemos que nació en el año 1541 en Candía, capital de Creta, la mayor isla del archipiélago griego. En Creta aprendería a pintar y, cuando se le considera maestro, a los 25 años, se trasladada a Venecia donde, probablemente, trabajó en el taller de Tiziano. Luego, tras su hipotético paso por algunas ciudades italianas, se establece en Roma con 30 años, inscribiéndose en la Academia de San Lucas como «maestro del arte de la pintura de imaginería», para poder ejercer y contratar. En 1577 llega a España atraído por la decoración del Escorial de Felipe II, para quien trabajaban artistas italianos. Cuando viene a Toledo con el encargo de trazar y pintar el retablo de la iglesia de Santo Domingo el Antiguo, tiene 36 años. Está soltero, pues no se conoce documento alguno que acredite el haberse casado, y le acompaña un joven llamado Francisco Preboste, apellido italiano, nacido según Camón Aznar en 1555, por tanto de 22 años. En el pleito del Greco con el Hospital de Illescas en 1606, sobre el cuadro de la Caridad, éste, nombra a un procurador y a Francisco Preboste «de nación italiano» como su representante. Por tanto, Preboste se uniría al Greco en Venecia o Roma, como aprendiz, criado o amigo, y se mantuvo a su lado hasta su muerte que debió producirse alrededor de año 1607, pues a partir de dicha fecha deja de figurar en los documentos del pintor. Preboste, a su muerte, tendría 52 años y El Greco 66. Este inseparable compañero habría estado junto al Greco más de 30 años compartiendo su vida y trabajos como criado, ayudante, representante, colaborador íntimo, hombre de confianza y, sobre todo, amigo. A lo largo de todo este tiempo, no deja de figurar en los distintos documentos de la época. Ente otros: como testigo en 1585 para el contrato de arrendamiento de las casas del Marqués de Villena; en 1597 otorgando un poder, junto con el Greco, para el cobro en Sevilla de «todas las imágenes de pintura y lienzos que ha dicha ciudad habían enviado»; en 1599, de nuevo como testigo, en el contrato del retablo de la Capilla de San José; en 1600, con poderes para cobrar el retablo Dª María de Aragón en Madrid.
Jesús Sánchez Luengo en su libro «Los enigmas de Dominico Theotocopoulos El Greco», nos narra como el Greco, recién llegado a España, presencia en el Escorial la ejecución de la sentencia a un joven de 24 años, hijo de un panadero, acusado de sodomización a dos niños de diez años. Seguramente no habría tal sodomización, sino juegos homosexuales del muchacho con los niños.
Sabiéndolo el Rey, mandó prenderlo y juzgarlo. Confeso y reo, a pesar de pedir clemencia, fue sentenciado a morir en la hoguera. Este veredicto y su ejecución pudieron condicionar al Greco a su llegada a España y hacerle adoptar el resto de su vida cierta discreción en sus exteriorizaciones, como exigía el puritanismo de Toledo, ciudad famosa por los autos de fe celebrados por el Santo Tribunal de la Inquisición a judíos, moros y sodomitas.
Cumpliendo un año de su estancia en Toledo, tiene un hijo con Dª Gerónima de las Cuevas,mujer misteriosa de la que se han escrito infinidad de teorías sobre su muerte y condición. En un estudio que publica Julio Porres, basado en el censo por Parroquias en el Toledo de 1561, descubre entre los habitantes de la calle de Azacanes a una «Jirónima cuebas», único vecino llamado así entre los once mil y pico que censaron. Aventurando este autor la siguiente e interesante relación: «El barrio de la Antequeruela no tenía muy buena fama entonces, pues muy cerca de la calle Empedrada, próxima esta a la de Azacanes, registra el censo a «Polonia cortesana» y a «dos vecinas cortesanas», y en el mismo barrio estableció la mancebía pública, junto a la muralla, el corregidor Gutiérrez Tello, antes de 1576, quienes sus razones tendría para ello». Cuando nace su hijo, el Greco tiene 37 años y permanece soltero, no conociéndosele otra relación amorosa que la mantenida con una mujer de origen incierto (ya hemos visto como el barrio donde residía no tenía muy buena reputación). Su familia, los Cuevas, eran de origen moriscos, afirma José Gómez Menor, o judíos conversos según otros autores y, en cualquier caso, con la cual, de no haber fallecido, posiblemente nunca se hubiera casado. Diversos estudiosos del personaje, justifican su muerte tras el parto o en fechas muy cercanas a él. Muy bien pudo este hijo conciliar al Greco con la estricta e intransigente sociedad católica de aquella época.
Gregorio Marañón en su obra «El Greco y Toledo», resalta el aspecto intersexual de los desnudos pintados por el Greco. Desnudos oníricos en los que es difícil diferenciar si son de mujer o de hombre, casi siempre masculinos, de no caracterizarles el gesto más que la forma. «…y que subsisten a lo largo de su obra, con sospechosa obsesión». Se detiene a considerar, este autor, el «sentido intersexual» de los diferentes desnudos y continúa: «Hay que consignar que estos desnudos intersexuales, que aparecen en los sueños de muchos hombres jóvenes o maduros, corresponden a una persistencia de vivencias prepuberales en las que el sexo está aún indeterminado». Con una llamada fuera de texto, explica Marañón: «Me apresuro a aclarar que estos desnudos intersexuales nada presuponen respecto a la normalidad sexual de El Greco; y lo digo porque Somerset Maugham, un tanto ligeramente, sugiere que el gran pintor fuera lo que en su tiempo llamaba el mujeriego Lope de Vega «un traidor a la Naturaleza», es decir, un sodomita.» Efectivamente, los ángeles del Greco, según su definición, son bellos jóvenes a los que se les puede asignar ambos sexos.
Somerset Maugham en su libro Don Fernando, dedica un extenso capítulo al Greco y su época, en el que dice: «No hace mucho tiempo leí la sugestión, hecha con espíritu mezquino, de que el Greco era homosexual. He considerado que valía la pena meditar este punto. Por lo que respecta a la obra de un artista, carece en absoluto de importancia enterarse de su vida sexual.» Para continuar más adelante: «Ahora bien, no puedo dejar de preguntarme si lo que veo de fantasía torturada y de siniestra extravagancia en la obra del Greco, no puede ser debido a una anormalidad sexual como ésta.»
Hemingway, en una personal apreciación de que el Greco pintaba figuras con rasgos y formas andróginas, en su libro «Death in de aftenoon», con su acostumbrada insolencia le tacha, groseramente, de homosexual.
Jean Cocteau, desde su manifiesta condición de invertido, habla de las implicaciones homoeróticas de los retablos del Greco, resaltando lo que hoy entenderíamos de tipo homosexual.
Decía Freud: «Una posible dualidad de sexo enriquece a los artistas capacitándoles, en mayor medida, de sensibilidad para captar y expresar la belleza». Nadie como el Greco ha sabido utilizar las manos de sus figuras, haciéndolas protagonistas de la elocuencia, unas veces, o convirtiéndolas en motivos ornamentales, otras, como poéticas metáforas.
Y para terminar, lo que es incuestionable y todos los autores coinciden, es en el gran cariño que el Greco profesó a su hijo Jorge Manuel, de quien no se separó durante toda su vida, cuidándole y protegiéndole con la mayor ternura y cuidados, para suplir a la madre que nunca tuvo. Casado Jorge Manuel, siguió viviendo en la casa de su padre. Le dieron un nieto, Gabriel, que proporcionó al Greco una gran felicidad y consuelo en su vejez, y al final de su vida murió en los brazos de su hijo. Solamente un espíritu tan singular, único y sublime, pudo pintar esa obra maravillosa e imperecedera que Dominico Teotocópuli Greco, nos dejó."
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Sexualidade, afetividade e família.
Tenho sido acusado de arrenegar ou combater a instituição da família enquanto vínculo afetivo estável entre determinado número de pessoas com o objetivo de educar os jovens e as crianças.
A bem da verdade, mesmo após ter lido a República, a Utopia e a Cidade do sol não me dei por convencido de fosse possível substituir a instituição familiar por qualquer tipo de organização educativa de caráter coletivo.
Não quero dizer com isto que a educação familiar não deva ser necessariamente completada por uma educação ética, cívica e social oferecida em escolas públicas, cuja frequência deva ser obrigatória e o regime absolutamente laico.
Ponto pacífico quando a educação pública, gratuita, compulsória e laica destinada a criar vínculos de solidariedade entre os diversos membros da sociedade.
A simples existência de instituições privadas de ensino fere na base mesma aquela igualdade de oportunidades que deveria ser oferecida a todos os cidadãos da República.
Tornando a instituição familiar sabemos muito bem que o próprio Platão foi obrigado a rever seus pontos de vista nas Leis, a obra mais importante de sua maturidade. Temos aqui um Platão realista e não haveria eu de ser mais idealista do que ele...
Após as Monografias de Le Play fica difícil conceber a erradicação da instituição familiar cujos laços de afeto devem corresponder a aspirações mais ou menos constantes da própria natureza humana.
Ao que tudo indica tem o ser humano necessidade de construir relações afetivas duradouras ou vínculos afetivos relativamente estáveis.
Embora alguns por receio, medo ou insegurança possam fugir a regra geral, ao menos aparentemente a instituição familiar parece corresponder a uma situação de normalidade entre praticamente todas as sociedades humanas, das mais primitivas as mais civilizadas.
Ao que parece a primeira Sociedade que tentou aluir até certo ponto a instituição familiar foi a URSS, ao menos em seus primórdios, i é nas décadas de 20 e 30 do século passado. Em que pese os esforços do regime Comunista soviético a instituição familiar, mesmo entre eles, atravessou triunfalmente o século XX até o final dos anos 80 quando o regime desmoronou.
Não é portanto a família, enquanto vínculo afetivo estável existente entre certo número de pessoas, que dirigimos nossas críticas, mas sim a uma determinada forma de família ou a uma estrutura familiar relacionada com um determinado tipo de cultura, a saber a cultura judaico/rabínica.
Não bíblica ou vetero testamentária, uma vez que para o azar dos fundamentalistas, o primeiro padrão familiar em termos bíblicos é poligâmico, não monogâmico. Haja visto que não apenas os ditos reis da casa de Israel como Dawid e Suleiman, mas os próprios patriarcas dos hebreus como Abraão e Jacó possuíam, cada qual seu serralho. Ora, não pode o Deus santo e imutável aprovar o pecado, como não pode fazer acepção de pessoas...
Nem afrontariam aqueles homens as leis de seus deuses...
Donde se infere necessariamente que a poligamia era situação comum entre os antigos hebreus, tal e qual é hoje entre os árabes maometanos.
Assim o surgimento da monogamia entre os antigos judeus nada tem a ver com qualquer Revelação divina, mas com o desenrolar de um processo histórico em termos naturais.
Para os escribas, fariseus e rabinos do século I desta Era no entanto, era já uma instituição dada como sacratíssima. O Cristianismo surge neste contesto e incorpora naturalmente este ponto de vista, em que pese não ser legitimamente Cristão no sentido de que tivesse sido fixado por Deus.
É verdade que Jesus Cristo apela ao mito de Adão e Eva com o objetivo de dificultar a concessão do divórcio, o que naquelas circunstâncias significava proteger a mulher. Mesmo porque devia assumir a cultura judaica para poder dialogar com os judeus, o que de modo algum deve levar-nos a imaginar aquela cultura ou seus mitos como sagrados. Para argumentar com os antigos judeus somente recorrendo a seus mitos, tal o propósito de Jesus, convencer os judeus e não pronunciar-se a respeito da validade intrínseca de seus mitos.
Portanto o que contestamos antes de tudo é o caráter monogâmico, hétero normativo, patriarcal e indissolúvel do matrimônio, i é a receitinha judaica assumida pelo Cristianismo. Asseverando que nenhum destes carácteres foi Revelado sobrenaturalmente pela divindade. A única regra fixada pela divindade quanto as relações matrimoniais é que, sendo fechadas, devem ser honestas. Portanto a única regra vinculada ao matrimônio, em condições de contrato exclusivo entre duas pessoas, é a fidelidade mútua, expressa pela condenação do adultério.
Parece-nos óbvio e evidente que a traição ou o adultério só fazem sentido, como por sinal lemos em Crime e Castigo, quando há um contrato fechado ou exclusivo, conforme a vontade dos nubentes. Caso não haja sentido de posse ou de posse exclusiva, mas um contrato aberto, em que ambas as partes permitam-se o fruição de uma vida sexual livre, a simples hipótese de traição ou adultério torna-se absurda. Não há traição onde há permissão ou necessidade de engado onde há autorização mútua. Porém no contesto de um contrato fechado, o compromisso de fidelidade assumido por ambas as partes deve ser honrado.
Nossa crítica principia por aqui. Pois embora a lei celestial discipline um contrato fechado pela condenação do adultério, em parte alguma do Evangelho ou mesmo do Decálogo topamos com a exigência de que a forma do contrato fosse fechada. Assim a lei trata com uma situação dada pela cultura e não com uma situação determinada pelo sagrado e isto pelo simples fato de que aos homens cabe o justo direito de determinarem suas relações afetivas.
Assim se o dolo de uma traição toca essencialmente as coisas divinas pelo simples fato da esperteza e do engano; a forma mesma do matrimônio ou sua estrutura é indiferente. Desde que haja um vínculo afetivo ou amor. Eu mesmo compreendo, e ouso confessa-lo, que o amor entre duas pessoas apenas me pareça superior ou mais elevado. No entanto quem sou eu - enquanto ser humano inserido numa determinada cultura - para julgar os outros? Não, não posso ser árbitro daqueles que consideram possível partilhar o amor com duas, três, quatro, ou mais pessoas. Não vejo absolutamente dada de divino contra a poliandria ou a poligamia, e penso que devêssemos encarar tal assunto como pessoal ou livre. O contrário disto seria opressão.
Claro que podemos optar pela monogamia ou preferi-la. Agora querer impo-la a todos os outros e em nome de Deus me parece o supremo absurdo. Deus certamente observa em primeiro lugar o sentimento do amor do que o número. E quem sabe até sem numa família do tipo poligâmico ou poliândrico não pode haver mais amor, carinho e afeição do que em algumas famílias monogâmicas que vivem de aparências?
Cessemos portanto de apontar, de julgar e de condenar o outro porque isto certamente não é nem um pouco Cristão.
Afinal tantos daqueles que batem no peito declarando-se monogâmicos possuem mais amantes ou casos fora do casamento do que os próprios poligamistas???
Aquele que tem fé viva a simplicidade da sua fé sem observar como vivem os outros.
Devemos portanto estar abertos para aceitar diversos tipos de organizações familiares. E não permanecer inutilmente apegados a abstrações metafísicas ou a agregados culturais persistentes.
Tampouco cabe a nós Cristãos impugnar o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Se você não concorda, é muito simples - Não pratique. Certamente ninguém haverá de obriga-lo a casar-se com outro homem ou com outra mulher. Não precisa nem mesmo ir a cerimônia de casamento ou levar presente, mas certamente precisa respeitar duas pessoas que se amam ou que se gostam, porque se elas se amam o Deus de amor se faz presente entre elas e santifica esta relação.
Tais pessoas não são safadas ou imorais, ou promíscuas porque pensam o sexo distintamente de você. Como não são monstruosas as que aderiram a uma dieta distinta da sua... Quando vamos a um restaurante há quem prefira salada e há que prefira churrasco, além é claro do que preferem frutos do mar... O que não há nem poderia haver é policiamento... Não podemos sair na mão por conta de hábitos alimentares distintos... Como não podemos agredir o outro por causa de suas preferências sexuais. O cardápio, o figurino, as sensações sexuais pertencem ao outro não a nós e o outro deve ser reconhecido como livre e senhor de si. O contrário disto é opressão.
Nem me diga que é a homossexualidade um pecado terrível porque serão os homens arremessados no mítico inferno. Remeto meus críticos a descrição, sucinta porém necessariamente completa oferecida por Nosso Senhor Jesus Cristo no vigésimo quinto capítulo do Evangelho de Mateus - Tive fome e me destes de comer, tive sede... é o que encontramos ali e não Destes teu rabo ou esfregaste tua vagina noutra vagina... Não isto não lemos. Deste juízo sexual, homofóbico, moralista e puritano não há vestígio no santo Evangelho. Destarte somos autorizados a declarar em alto e bom som que o Deus dos Cristãos não é vigia do ânus, do pênis ou da vagina de quem quer que seja... Não temos um Deus no controle de órgãos sexuais, o Evangelho não nos apresenta um Deus que nos julga por nossas preferências sexuais mas por nossos corações, indagando-nos apenas sobre que fizemos de nosso semelhante ou se a semelhança dele amamos o próximo como a nós mesmos.
Lamento mas a homofobia não esta fundamentada no terreno do Sagrado Evangelho. Lamento mais a titulo algum é Cristão. Portanto se duas pessoas do mesmo sexo desejam estabelecer vínculos estáveis ou um compromisso afetivo e adotar, e educar crianças ou jovens, rejeitados por heterossexuais despudorados e sem consciência nada há de anti natural nisto. Anti natural é uma pai ou uma mãe repudiarem seus próprios filhos, os quais geraram tendo em vista a conservação da espécie. Isto sim, o repúdio é aberrante. Não o acolhimento ou a adoção, parta de quem parta.
Tanto pior do ponto de vista natural ou civil, segundo o qual assiste a tais pessoas, enquanto contribuintes o direito líquido e certo de registrar suas relações afetivas obtendo amparo por parte do estado.
Por patriarcal temos o matrimônio machista, em que uma das partes é tida em conta de essencialmente inferior ou de prestadora de serviços (serviçal). É patriarcal o tipo de relação não igualitária em que é defeso ao marido comandar a mulher e os filhos exercendo caprichosamente a tirania sob ambas as partes segundo o modelo tradicional do 'pater familias' romano. Aqui a mulher é tida em conta de serva sexual ou de empregada e os filhos de tutelados sem vontade própria. Já o macho dominador converte-se em deus na terra... Claro que a suposta superioridade do homem é, como não podia deixar de ser, coisa de livros religiosos e não da natureza.
Os povos semitas, vivendo nas areias do deserto e tomando por padrão social a força física não apenas deram a mulher por inferior ao homem como atribuíram esta distinção a divindade. No entanto todas as situações em que a mulher aparece fruindo duma condição inferior ao homem são dadas pela cultura, não pela natureza. Intelectualmente é a mulher tão capaz quanto o homem desde que se lhe dê as mesmas oportunidades. Além disto tem o poder de levar a cabo a geração, coisa que o homem não pode fazer por si só... Klein por sinal, lanço a tese segundo a qual o homem se sente incomodado por essa capacidade da mulher levar a cabo a geração, sem necessidade dele ou de converter-se em 'pai' e mãe...
Cada vez mais se impõem a necessidade de que a Igreja (do ponto de vista administrativo não doutrinal), a escola, o clube e o próprio matrimônio assumam cada vez mais pressupostos democráticos com o propósito de produzirmos uma cultura ou um espírito democrático. Relações hierárquicas e autoritárias na base da cultura certamente fragilizam a produção de uma consciência democrática. Esposas (ou maridos, porque também existem) e filhos submissos jamais serão bons cidadãos em estado de liberdade. Por isso todas as decisões de uma família devem ser tomadas em comum, partindo de um conselho familiar. Assim discutidas e votadas, jamais impostas verticalmente.
Tampouco vemos que seja ou deva ser o matrimônio indissolúvel por qualquer razão, mas solúvel como todas as coisas que porventura não deem certo. Por isso o Salvador do mundo autoriza subsequentes matrimônios em caso de adultério para a parte inocente. Afinal nem poderia o inocente, sob qualquer título ser penalizado da mesma forma que o culpado ou suportar um jugo mais pesado; seria injusto. Isto disse ele para evitar que as mulheres judias fossem repudiadas por qualquer motivo leviado e lançadas no olho da rua para que morressem de fome. Restringiu o divórcio entre os judeus e os primeiros cristãos procedentes da judiaria com o objetivo de proteger a mulher.
Num regime de liberdade no entanto para que deveriam as partes esperar serem traídas uma pela outra? Haveria conselho mais insensato??? Claro que numa situação diversa da que vigorava entre os primitivos judeus seria defeso ao casal desfazer o matrimônio por mútuo acordo, antes que chegassem a situações de adultério ou violência, sendo defeso tanto a um quanto a outro contratar novo matrimônio.
De tudo quanto dissemos acima ressalta a tese segundo a qual as relações matrimoniais foram dadas ao homem para que ele mesmo as gerencie racionalmente da melhor maneira possível.
Resulta deste gerenciamento mútuo que possam, na medida em que se mostrem maduros e capazes, de administrar a sexualidade do matrimônio, sem confundi-la com a afetividade ou o vínculo. Defendemos assim o amor livre ou o sexo livre dentro do casamento ou do matrimônio. Noutras palavras defendemos a existência de um matrimônio sexualmente aberto ou de vínculos afetivos estáveis que não pressuponham controle ou monopólio sexual.
Já esta mais do que na hora da sociedade aprender a separar amor de sexo e sexo de amor. O que produz um vínculo entre duas ou mais pessoas é o sentimento, o carinho, o amor, o afeto, a confiança, etc não o sexo. Em que pese a existência dos vínculos e da união, a sexualidade de ambas as partes podem continuar sendo livre se ambos o quiserem e assim decidirem.
Se amar é querer ver o outro feliz não me parece condizente com a vontade de reprimir os impulsos ou desejos sexuais alheios. A que título você pensa poder cobrar que a pessoa a que ama faça sexo apenas com você ao invés de autorizar que tenha uma vida sexual livre com outras pessoas? A única explicação possível aqui é que a maioria de nós sente-se inseguro com relação ao próprio desempenho sexual temendo ser superado por alguém e eventualmente posto de lado. No entanto se o que conta de fato numa relação estável é de fato o amor, o carinho, etc não é de se esperar que esta relação permaneça firme, forte e inabalável para além de qualquer outra possível experiência sexual???
Por outro lado não é até melhor que a pessoa a que amamos tenha uma, quem sabe, uma experiência sexual mais intensa com uma outra pessoa, desde que consentida por nós? Será que um tal tipo de liberdade não reforçaria ainda mais os laços de admiração, gratidão, carinho e amor? Isto pelo simples fato de que o amor nos faz aspirar ver o outro feliz e realizado em todos os sentidos... No fim das contas por que odiar a alguém por dar prazer a quem dizemos amar? Acaso dar prazer a alguém não é um bem e fazer alguém feliz não é igualmente um bem?
Então por que queremos monopolizar sexualmente o outro e restringir sua liberdade e experiencialidade sexual se sabemos que será uma fonte de angústias e neuroses para ele?
Mas quem ama deve controlar-se?
Controlar-se porque o exigimos? Controlar-se por que é objeto ou propriedade nossa? Controlar-se por que é monopólio nosso? Que temos aqui nesse sentido de posse, amor ou egoísmo?
Que queremos de fato que o outro nos faça feliz submetendo-se a nosso controle ou que o outro seja feliz???
Mas quem ama deve fazer sacrifício?
Neste caso olhe para dentro de si mesmo e responda se esta sinceramente disposto a fazer grandes sacrifícios pelo outro.
Se responder sim, estamos conversados...
Agora se hesitar por um instante, permita que lhe pergunte:
Desde quando exigir sacrifício por parte do outro é amar?
Afinal sacrifício é dor ou desconforto não?
Permita-me insistir teimosamente e dizer que amar é querer fazer o outro feliz?
Como posso fazer o outro feliz submetendo-o a situações limites, cobrando-o, vigiando-o, policiando-o, tratando-o como um objeto ou uma propriedade?
Perdoem-me a ignorância mas não posso ver como tantas e tantas exigências possam corresponder ao amor, ou por que deva o amor imiscuir-se nos domínios da sexualidade.
Por que motivos não podemos construir laços familiares duradouros com base no amor e ao mesmo tempo conservar a liberdade sexual evitando tantas situações de neurose e conflito que chegam até a violência?
A instituição família penso eu continuará a existir por séculos ou milênios.
Assumirá no entanto novas formas passando por múltiplas transformações.
Assim o que repudiamos não é a instituição em si mas determinada forma 'fixa' ou imutável enquanto produto natural da cultura e não uma emanação do Sagrado. Nós aceitamos todos os tipos ou modelos de família desde que santificadas pelo vínculo do amor. E acreditamos acima de tudo numa adoção, cada vez maior, dos casamentos sexualmente abertos, o que por sinal é bem mais conforme a dignidade da criatura racional.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
O Svidrigailoff de crime e castigo

Torquemada e João Calvino, ambos os dois, correspondem ao tipo ascético, que desconfia dos prazeres, alegrias e divertimentos comuns a esta nossa vida. Vida que para eles sabe a morte...
Da existência enxergam apenas a cruz. Sem perceber que uma boa dose de vinho com mirra é necessário para suporta-lhe o peso...
Coisa curiosa de ser ver. Como o asceta e capaz de tornar-se desumano e cruel, e consequentemente de cometer a maiores vilanias, como matar, torturar e oprimir em nome de Cristo, de Deus e da fé...
Na mesma medida em que torturam a si mesmo tornam-se insensíveis a sofrimento alheio e perfeitamente capazes de torturar os demais em nome de Jesus ou da religião...
Talvez por puro e simples amargor seja levado a assassinar e fazer sofrer.
Talvez porque a alegria experimentada pelo outro incomode-o ainda mais do que a auto privação. Quem sabe?
Só sei que o mesmo homem que prostrado ao chão vive mais de jejum do que de qualquer outra coisa, é bem capaz de esfolar o adversário até a morte ou de abrir-lhe o ventre e queimar-lhe as tripas sem soltar um suspiro ou derramar uma única lágrima.
O asceta é capaz de matar e de torturar em nome de Deus acreditando exercer uma ação sagrada. Acredita ser uma espécie de soldado ou miliciano a divindade. Talvez acredite, em sua ingenuidade, ser capaz de defender aquele que adora...
Tendo eliminado seus sentimentos e substituído o coração por um pedaço de pedra será um psicopata?
Quem saberá ou poderá dize-lo?
Intolerante consigo mesmo segundo as exigências da virtude, torna-se muito facilmente intolerante face aos outros desvirtuando a fé que o anima.
O mesmo mistério que o faz verter as mais sinceras e doridas lágrimas aos pés do divino crucificado, impede-o de chorar por uma criança acusada de 'blasfemar' contra seus pais, ou contra um idoso suspeito de heresia...
As feridas e chagas de um pecador ou herético conduzem-no ao paroxismo do ódio.
Que é a fome, a nudez, a miséria ou a enfermidade para ele em comparação com o pecado ou a heresia?
O que voluntariamente assume até o heroísmo não pode atinar que imposto pela natureza constitua peso para os demais...
E seu sadismo chega a ponto de não compreender que o sofrimento cause sofrimento aos outros, ao invés de delicia-los.
O asceta não pode encarar todos os demais homens ou todos os cristãos senão como ascetas e amantes do sofrimento. Não pode compreender como alguém possa fugir a determinadas situações de sofrimentos, mesmo quando lhe é dado ler no livro santo: Assim fugi de cidade em cidade...
Para ele furtar-se ao sofrimento já é, em si mesmo, um gravíssimo pecado.
O sofrimento deve ser amado e buscado com sofreguidão...
E este homem jamais busca ou buscará remover os sofrimentos do mundo ou transformar este mundo num lugar melhor.
A simples ideia ou pensamento de que o ato gerativo comporte certa medida de deleite ou prazer a que chamamos orgasmo transtorna a mente deste homem devoto.
E ele não pode encarar a sexualidade humana como algo natural ou decente.
Tanto os sentidos quanto o corpo físico se lhe apresentam como obstáculos reais a salvação. Sendo mais aconselhável e seguro nega-los. Pelo que chegamos ao maniqueismo ou ao puritanismo... Ideologias segundo as quais a dimensão sexual do ser humano é sempre suspeita ou menosprezada.
O asceta rebela-se contra tudo quanto seja humano e vital; assim contra a alimentação, a comida, a bebida; mas sobretudo quanto o orgasmo. Aquelas devem ser limitadas ao mínimo possível e este negado... O que só é exequível caso o corpo seja torturado ou sofra.
É necessário torturar o próprio corpo por meio de exercícios ascéticos tendo em vista mante-lo submisso e até onde é possível alheio as necessidades mais básicas, como comida, bebida e orgasmo.
Evidentemente que todo este esforço colossal fazem deste homem um neurótico e infeliz. Triunfa de suas necessidades básicas mas a que preço? A que custo? Ficando sua mente destroçada e sua personalidade destruída.
Eis porque a simples visão da felicidade alheia basta para exaspera-lo.
Este homem morigerado cuja carne de aço e o coração de pedra sente-se vivamente incomodado pela contemplação daqueles que vivem segundo a natureza, demandando alegria e contentamento.
Este homem heroico e atilado não pode suportar a simples ideia de que hajam pessoas de bem com esta vida...
Quer que todos sofram, voluntariamente, ou...
E tem disposição, céus eternos, não a torna-las felizes, mas a faze-las sofrer como ele mesmo sofre. Sem compreender - Ele jamais compreenderá isto - que o sofrimento só possuí algum valor quando livremente assumido, jamais quando imposto pela natureza ou por qualquer outra situação.
Coisa monstruosa e tremenda; o asceta fazendo a volta do parafuso, chega a acalentar um sentido ou sentimento visceralmente anti cristão e anti humano.
O ascetismo desvinculado do amor não poucas vezes assume caráter de puro sadismo. Perde o foco e degenera...
Daí os Torquemadas e Calvinos sempre dispostos a queimar pessoas (!!!) tendo em vista seus pecadilhos sexuais.
Perceba o leitor que eles acreditam ser lícito torturar e cometer assassinato com o objetivo de penalizar os pecados da carne...
E no entanto, a própria lei divina, classifica o assassinato como constituindo o pecado mais grave. Então como é possível punir um pecado mais leve por meio de um pecado mais grave???
Apelando a devassidão alheia eles justificam o supremo pecado, do morticínio. E violam sem maiores cerimônias a lei que julgam honrar...
Evidentemente que eles consideram os pecados sexuais mais graves do que o pecado contra a vida ou o assassinato...
E no entanto, quanta miséria, até mesmo a lei carnal dos antigos judeus condena em primeiro lugar o assassinato.
Curiosa a mentalidade da profanação. Homem algum jamais pretendeu honrar a Deus por meio de seus 'pecadilhos' sexuais, os ascetas e juízes no entanto, acreditam ser possível honrar aquele que decretou: 'Não mataras' matando em seu nome...
É a propósito de tudo isto que vem Svidrigailoff.
Raskolnikoff e Dounia dedicam-lhe o mais vivo horror pelo simples fato de ser femeeiro ou promíscuo; buscando enredar as mocinhas indefesas em seu laço e desgraça-las.
Acusaram-no de ter assassinado Marfa Petrovna. Sem que no entanto haja qualquer prova neste sentido.
Alias tendo-se endividado e ameaçado pelo credor, foi, por assim dizer 'comprado' por Marfa Petrovna. A qual certamente jamais viera a amar.
Alias a própria Marfa sabendo-se mais velha e conhecendo os ardores do moço, autorizara-o a andar com as camponesas. As quais certamente não podia encarar como ameaçadoras... e a cuja honra ligava muito pouca dignidade.
O homem é isto, devasso, luxurioso, promiscuo, mas... de modo algum hipócrita. Alias é o primeiro a denunciar-se. Não tem a si mesmo em conta demasiado elevada. Sabe que leva vida escandalosa e assume esta vida ao invés de oculta-la, Viciado e vicioso o homem não tenta justificar-se.
Por fim este homem vem a travar conhecimento com a 'virtude', representada por Dounia. A qual além de chama-lo a correção mostra-se intransigente face a suas insinuações e propostas.
Tal a virtude é bela e sedutora. Vindo este homem devasso e promíscuo a amar a irmã de Raskolnikoff. Dirá o leitor que é amor de interesse ou paixão, fogo de palha ou qualquer coisa parecida. Já o veremos...
O fato é que a professorinha provinciana não sai de sua cabeça.
E viúvo parte em seu encalço com destino a S Petersburgo.
Agora que pretende este homem devasso?
Uma aventura, uma noite de amor, um caso, mais um orgasmo ou qualquer outra coisa?
Haverá um sentido de vida nisto aqui? Sim, pois este homem encarado com horror por Dounia e Raskolnikoff é devasso declarado.
Pode portanto haver ou surgir algo de bom em seu coração?
A pergunta é pertinente porque segundo o tribunal dos maniqueus e puritanos este homem é réu do pecado mais abominável e sujo que se pode conceber, a ponto de nada existir de bom ou digno nele.
Veja o caso já citado de Sonia. Basta que tenha vendido seu corpo ou se prostituído para ficar sendo uma perdida, imunda, suja e indigna... A ponto de pessoa alguma, além do 'afetado' Raskolnikoff enxergar algo de bom nela.
Os demais oprimem seus empregados, praticam agiotagem, mentem, convivem lado a lado com a mais extrema miséria, seviciam animais... Sem que apesar disto inspirem repugnância aos bons Cristãos... Como inda hoje a miséria, a fome, a guerra, a injustiça e outros pecados são encarados com suma complacência ou seja como coisa trivial ou comum.
Apenas os 'pecados' sexuais despertam indignação nas pessoas...
É todo um sentido maniqueista ou puritano socialmente compartilhado.
Tudo é permitido exceto os pecados do sexo.
Pelo que Svidrigaliloff fica sendo um pária ou um verme isento de qualquer qualidade ou virtude. Aos olhos do tempo converte-se em alguém essencialmente mau...
E no entanto podendo ter estuprado Dunia este execrável homem permite que a moça se vá embora e escape a suas mãos.
É, como dizem, um devasso, homem desprezível, vil, torpe e hediondo. E no entanto, ao tornar-se consciente de que não era correspondido por aquela que viera a amar e não ousando viola-la, ao invés de ir buscar consolo noutros braços ou num copo de vodka, este homem, esmagado pela desilusão amorosa, põem fim a vida estourando os miolos!
Eis o drama! Este homem, considerado torpe e pervertido, após abster-se de estuprar e bem podendo afogar as magoas num copo de vinho ou nos braços de uma prostituta opta por sair da vida pela porta dos fundos.
É o quanto nos basta para divisar algo de bom nas entranhas de sua alma.
Afinal quantos homens honestos, virtuosos, controlados, morigerados, etc não teriam violado a pobre moça ou qualquer outra por simples crueldade ou vaidade após um saque feito a cidade após uma guerra? Acaso todo os estupradores que se aproveitaram dos saques e guerras no passado eram promíscuos ou devassos??? Temo que não... Há muita maldade oculta por trás da boa aparência, como também há bondade oculta por trás da maldade atribuída pelas homens!
Direi mais e irei ainda mais além.
Quantos homens virtuosos, morigerados e ascéticos tem se mostrado insensíveis face aos clamores dos órfãos, do estrangeiro e da viúva? Mostrando-se incapazes para exercer mínimo ato de caridade, como oferecer um copo d água ou uma códea de pão a quem tenha sede ou fome???
Quantos desses 'santos' segundo as aparências ou desses heróis aplaudidos pelo mundo tem se mostrado insensíveis face aos apelos do Mestre: Tive fome e me destes de comer, tive sede...????
Quantos destes respeitáveis varões não tem sabido ou tem se recusado a servir e amar?
O odiado Svidrigailoff no entanto - Homem corrupto, asqueroso, devasso e pervertido devido a sua incontinência sexual - lega milhares de rublos a três miseráveis órfãos (Os quais do contrário estariam condenados a vegetar pelas ruas da grande cidade), a sua irmã e tutora - Prostituta - e mesmo a seu desafeto Raskolnikoff. Até a um quase inimigo ou inimigo, soube este homem, dissoluto fazer bem.
Dirá o leitor benevolente que não foi por amor as crianças que o homem realizou a citada dotação, e que esperava obter alguma vantagem ou benefício em troca. Mas que vantagem ou benefício poderia obter 'a posteriori' se tinha em mira por fim a própria vida??? Direis que Svidrigailoff teve em mira obter uma boa reputação para sua memória! E no entanto não me parece que tenha feito alarde em torno da dotação concedida...
Muito há que se pensar sobre a referida personagem.
A primeira imagem que me vem a cabeça é a desses beberrões, comilões e devassos sempre disponíveis a identificar-se com o outro e a favorece-lo. A do 'pecador', como dizem, sensível... Em oposição ao 'santo' ou virtuoso insensível, indisponível e que não aprendeu a amar e servir; quando não chega mesmo a ser desumano e cruel, odiando e cometendo crimes em nome de Cristo.
Pensei naqueles que afetam ortodoxia e ascetismo ou heroísmo; sem no entanto chegar a imitação de Cristo... e convivendo, muito folgadamente com a fome, a sede, a nudez, a miséria, a ignorância, a injustiça, etc E naqueles que mostrando certa fraqueza pessoal, assimilaram, a luz do Evangelho a sensibilidade do espírito de Cristo, sabendo-se obrigados a socorrer os desamparados pela sorte e a mitigar seus sofrimentos.
Assim o doutor da lei e levita que passam a largo do homem ferido a beira do caminho e o samaritano - Odiado, proscrito, vicioso... - bondoso, que soube identificar-se com o outro...
Buscando dito ou citação com que arrematar esta reflexão, topei com este:
"Porque a caridade apaga a multidão dos pecados."
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terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Religiões: Sintomas de vida e morte... A agonia do Cristianismo e o fim da civilização humanista - Conclusão
Há mais de século tem o liberalismo moral Católico pugnado heroicamente contra o moralismo puritano assumido pela igreja. Juntamente com o liberalismo moral protestante tem suportado o repuxo das seitas bíblico puritanas. Tem assistido inclusive a formação de um moralismo difuso de origem naturalista ou secular. Em termos de convergência o liberalismo moral Cristã tem enfrentando uma reação sem precedentes.
É todo um esforço consciente ou inconsciente no sentido de identificar o Cristianismo com o moralismo e apresenta-lo como um sistema repressor destinado a policiar a sociedade e manter a 'ordem' estabelecida em termos de costumes.
A todo instante o moralismo lança seus ataques contra aqueles que tiveram a audácia ou a coragem de rebelar-se buscando desacredita-los e apresenta-los como não cristãos. Neste sentido contam igualmente com a solidariedade dos neo ateus, materialistas e incrédulos, os quais não esforçam-se menos para apresentar os cristãos anti maniqueus ou anti puritanos como ingênuos e incoerentes.
O resultado desta campanha é um esvaziamento progressivo em termos de número por parte do liberalismo moral.
Especialmente em seus principais centros que são a Europa e o Norte dos Estados Unidos. Isto porque o liberalismo moral encontra-se na dependência de uma cultura teológica elevada e esta na dependência do grau de instrução vigente numa determinada sociedade, noutras palavras do refinamento cultural.
Em certo sentido o liberalismo moral tem sido reforçado por uma posse tradicional da cultura cristã e por uma reflexão levada a cabo por sucessivas gerações. Tira suas forças dum processo histórico e experiencial que demanda tempo. Não é algo que surge do nada ou de improviso.
Dai sua ocorrência e predominância em centros tradicionalmente nimbados pela cultura Cristã há séculos ou milênios.
No entanto como após o abandono das formas litúrgicas e a deterioração da teologia a passagem dessas populações - pressionadas pelo moralismo 'Cristão' - para a incredulidade e para o materialismo tem sido cada vez mair rápida podemos observar uma defasagem cada vez maior do liberalismo Católico face as aspirações puritanas.
O que estamos assistindo no dealbar do século XXI é justamente a afirmação de um 'romanismo' ou papismo cada vez mais conservador, maniqueísta, moralista, puritano e intragável; ao menos para as populações esclarecidas do Norte.
De minha parte não desespero quanto a reconquista das populações do hemisfério Norte pela cultura Católica, desde que sejam satisfeitos os seguintes requisitos:
É todo um esforço consciente ou inconsciente no sentido de identificar o Cristianismo com o moralismo e apresenta-lo como um sistema repressor destinado a policiar a sociedade e manter a 'ordem' estabelecida em termos de costumes.
A todo instante o moralismo lança seus ataques contra aqueles que tiveram a audácia ou a coragem de rebelar-se buscando desacredita-los e apresenta-los como não cristãos. Neste sentido contam igualmente com a solidariedade dos neo ateus, materialistas e incrédulos, os quais não esforçam-se menos para apresentar os cristãos anti maniqueus ou anti puritanos como ingênuos e incoerentes.
O resultado desta campanha é um esvaziamento progressivo em termos de número por parte do liberalismo moral.
Especialmente em seus principais centros que são a Europa e o Norte dos Estados Unidos. Isto porque o liberalismo moral encontra-se na dependência de uma cultura teológica elevada e esta na dependência do grau de instrução vigente numa determinada sociedade, noutras palavras do refinamento cultural.
Em certo sentido o liberalismo moral tem sido reforçado por uma posse tradicional da cultura cristã e por uma reflexão levada a cabo por sucessivas gerações. Tira suas forças dum processo histórico e experiencial que demanda tempo. Não é algo que surge do nada ou de improviso.
Dai sua ocorrência e predominância em centros tradicionalmente nimbados pela cultura Cristã há séculos ou milênios.
No entanto como após o abandono das formas litúrgicas e a deterioração da teologia a passagem dessas populações - pressionadas pelo moralismo 'Cristão' - para a incredulidade e para o materialismo tem sido cada vez mair rápida podemos observar uma defasagem cada vez maior do liberalismo Católico face as aspirações puritanas.
O que estamos assistindo no dealbar do século XXI é justamente a afirmação de um 'romanismo' ou papismo cada vez mais conservador, maniqueísta, moralista, puritano e intragável; ao menos para as populações esclarecidas do Norte.
De minha parte não desespero quanto a reconquista das populações do hemisfério Norte pela cultura Católica, desde que sejam satisfeitos os seguintes requisitos:
- A restauração das antigas formas de culto (como expressão de contra cultura anti americanista) pré tridentinas, tridentinas, etc
- A adoção de uma teologia objetiva, sóbria, refinada, etc sob o influxo direto dos padres da igreja, especialmente dos padres gregos, e a consequente revisão de certos pontos quais sejam:
- O infernismo ou a doutrina das penas eternas
- O agostinianismo ou doutrina do pecado original e depravação total com todas as suas decorrências
- A monarquia papal ou infalibilismo
- A superação do padrão maniqueista/puritano
Este último item é de importância capital tendo em vista suas ilações práticas.
Os ocidentais mais instruídos sempre serão capazes de assumir a ética do Evangelho e sua moral sumária em torno do Decálogo ou do Sermão do Monte.
No entanto jamais virão a abraçar, ao menos enquanto Sociedade, os modos de vida de um Moisés ou de um Calvino mesmo quando apresentados e impostos em nome do Cristo. O Cristo será sucessivamente repudiado e combatido porquanto estes fardos esmagadores não pertencem a ele.
Foi a imposição deste padrão estreito e irracional que tornou o nome de Cristo odiado por parte da população Ocidental determinando o esvaziamento paulatino da religião Cristã.
Assim o ponto de partida para a recristianização da Europa contemporânea deverá ser a revisão daquilo que chamamos moral Cristã.
Diria que é chegada a hora. Pois enquanto há vida (espiritual inclusive) há esperança, de abandonarmos os fundamentos primitivos e ultrapassados da moral judaica - enquanto puro e simples resíduo cultural - e elaborar uma moral 100% Cristã fundamentada no Evangelho ou seja nas palavras e ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o único caminho viável para a Cristandade futura mas implicará romper com o padrão maniqueísta ou puritano pelo simples fato de não esta fundamentado no Evangelho.
Quanto mais os líderes Cristãos insistirem em afirmar e impor os elementos da cultura proto israelítica e das tradições rabínicas ao povo de Jesus Cristo mais fortalecida saíra a incredulidade na medida em que a instrução avançar.
No entanto o cenário que estende-se diante dos papistas não é nada bom.
Uma vez que suas hostes avançam cada vez mais na África e na Ásia, além de conservarem-se ainda na América. Culturalmente falando a África é um celeiro de conservadorismo moral pelo simples fato de que a maior parte de suas sociedades, em maior ou menor grau, sofreu certa influência por parte do islã. Os africanos que aderem já crescidos ou adultos a fé Católica trazem para dentro da igreja sua moralidade e esta moralidade é quase sempre uma moralidade maniqueísta e puritana que ao menos em parte toca ao islã. Quando o Cristianismo atinge as tribos mais afastadas a moralidade livre e natural dos ancestrais extinguiu-se já devido a pressão social externamente exercida pelos povos arabizados.
Os ocidentais mais instruídos sempre serão capazes de assumir a ética do Evangelho e sua moral sumária em torno do Decálogo ou do Sermão do Monte.
No entanto jamais virão a abraçar, ao menos enquanto Sociedade, os modos de vida de um Moisés ou de um Calvino mesmo quando apresentados e impostos em nome do Cristo. O Cristo será sucessivamente repudiado e combatido porquanto estes fardos esmagadores não pertencem a ele.
Foi a imposição deste padrão estreito e irracional que tornou o nome de Cristo odiado por parte da população Ocidental determinando o esvaziamento paulatino da religião Cristã.
Assim o ponto de partida para a recristianização da Europa contemporânea deverá ser a revisão daquilo que chamamos moral Cristã.
Diria que é chegada a hora. Pois enquanto há vida (espiritual inclusive) há esperança, de abandonarmos os fundamentos primitivos e ultrapassados da moral judaica - enquanto puro e simples resíduo cultural - e elaborar uma moral 100% Cristã fundamentada no Evangelho ou seja nas palavras e ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o único caminho viável para a Cristandade futura mas implicará romper com o padrão maniqueísta ou puritano pelo simples fato de não esta fundamentado no Evangelho.
Quanto mais os líderes Cristãos insistirem em afirmar e impor os elementos da cultura proto israelítica e das tradições rabínicas ao povo de Jesus Cristo mais fortalecida saíra a incredulidade na medida em que a instrução avançar.
No entanto o cenário que estende-se diante dos papistas não é nada bom.
Uma vez que suas hostes avançam cada vez mais na África e na Ásia, além de conservarem-se ainda na América. Culturalmente falando a África é um celeiro de conservadorismo moral pelo simples fato de que a maior parte de suas sociedades, em maior ou menor grau, sofreu certa influência por parte do islã. Os africanos que aderem já crescidos ou adultos a fé Católica trazem para dentro da igreja sua moralidade e esta moralidade é quase sempre uma moralidade maniqueísta e puritana que ao menos em parte toca ao islã. Quando o Cristianismo atinge as tribos mais afastadas a moralidade livre e natural dos ancestrais extinguiu-se já devido a pressão social externamente exercida pelos povos arabizados.
A vida do islã e seus ideais de estrita moralidade alastram-se com mais rapidez do que a fé muçulmana e ao cabo deste roteiro vem desaguar na Igreja romana, islamizando-a a partir das igrejas locais existentes na África. Disto resulta a posição ultra conservadora assumida pelos cleros africanos (alto e baixo) em torno dos temas familiares e sexuais. Em tais tradições particulares de origem recente machismo, adultismo e homofobia são como que palavras de ordem.
Esta visão é completada entre eles pela teologia calvinista do Corão Cristão. Para as Cristandades do terceiro mundo a abordagem da cultura parece não fazer qualquer sentido... E seus Bispos e Padres continuam citando Paulo ou o que é pior a Torá como se fossem palavras de Jesus. Para eles a moralidade protestante ou muçulmana equivale a palavra de Deus! Não, eles não estão a altura do centralismo evangélico ou da soberania Evangélica, por simples questão de educação. A cultura em que estão inseridos não lhes permite compreender a realidade cultural da 'Escritura' em termos de variedade e complexidade. Ali tudo se resolve em termos de inspiração plenária ou linear e duma moralidade puritana, de que os africanos fazem-se campeões.
Outra não é a realidade de certas Sociedades asiáticas tradicionais como a chinesa e a nipônica com suas tradições igualmente patriarcais, machistas, adultistas, etc Que eles folgam ver reproduzidas na Tanak dos judeus e buscam reforçar quando aderem aos padrões católicos reforçando a reação moralista. Tal a perspectiva dos Cristãos indianos, que por rancor ou ódio, criaram uma moral de oposição marcada ao hinduísmo e portanto fortemente maniqueista, puritana e repressora.
Tal a situação alarmante em que se acham as freguesias 'Católicas' orientais, que a partir de tais posicionamentos, não podem deixar de encarar os diversos graus de liberalismo moral presentes nos Catolicismos ocidentais como uma 'heresia' formulada por homens brancos contaminados ao menos em parte pelo materialismo e o ateísmo. Entre as Cristandades niponizadas e islamizadas o liberalismo moral parece ser sempre índice de incredulidade.
Na medida em que o romanismo cresce em tais regiões sou levado a temer que se torne mais e mais conservador em termos de moral, interrompendo sua evolução e vindo a somar forças com o fundamentalismo protestante e o islamismo tendo em vista a afirmação de uma moral maniqueísta e autoritária. Ele tem diante dos olhos o luminoso exemplo do anglicanismo, do espiritismo, do budismo, etc No sentido de reconciliar-se com o corpo, a sexualidade, a vida, a ciência, etc E o triste exemplo das massas cooptadas e escravizadas pelo pentecostalismo e o islamismo...
Esta visão é completada entre eles pela teologia calvinista do Corão Cristão. Para as Cristandades do terceiro mundo a abordagem da cultura parece não fazer qualquer sentido... E seus Bispos e Padres continuam citando Paulo ou o que é pior a Torá como se fossem palavras de Jesus. Para eles a moralidade protestante ou muçulmana equivale a palavra de Deus! Não, eles não estão a altura do centralismo evangélico ou da soberania Evangélica, por simples questão de educação. A cultura em que estão inseridos não lhes permite compreender a realidade cultural da 'Escritura' em termos de variedade e complexidade. Ali tudo se resolve em termos de inspiração plenária ou linear e duma moralidade puritana, de que os africanos fazem-se campeões.
Outra não é a realidade de certas Sociedades asiáticas tradicionais como a chinesa e a nipônica com suas tradições igualmente patriarcais, machistas, adultistas, etc Que eles folgam ver reproduzidas na Tanak dos judeus e buscam reforçar quando aderem aos padrões católicos reforçando a reação moralista. Tal a perspectiva dos Cristãos indianos, que por rancor ou ódio, criaram uma moral de oposição marcada ao hinduísmo e portanto fortemente maniqueista, puritana e repressora.
Tal a situação alarmante em que se acham as freguesias 'Católicas' orientais, que a partir de tais posicionamentos, não podem deixar de encarar os diversos graus de liberalismo moral presentes nos Catolicismos ocidentais como uma 'heresia' formulada por homens brancos contaminados ao menos em parte pelo materialismo e o ateísmo. Entre as Cristandades niponizadas e islamizadas o liberalismo moral parece ser sempre índice de incredulidade.
Na medida em que o romanismo cresce em tais regiões sou levado a temer que se torne mais e mais conservador em termos de moral, interrompendo sua evolução e vindo a somar forças com o fundamentalismo protestante e o islamismo tendo em vista a afirmação de uma moral maniqueísta e autoritária. Ele tem diante dos olhos o luminoso exemplo do anglicanismo, do espiritismo, do budismo, etc No sentido de reconciliar-se com o corpo, a sexualidade, a vida, a ciência, etc E o triste exemplo das massas cooptadas e escravizadas pelo pentecostalismo e o islamismo...
Qual direção haverá de tomar???
Fica difícil calcular...
No entanto seja qual for ela não poderá deixar de influir poderosamente sobre diversas Sociedades.
Por isso esperamos que a igreja romana afaste-se cada vez mais do moralismo e do puritanismo, assumindo posicionamentos cada vez mais humanos, ditados pelo Evangelho de Cristo e pela rica experiencialidade presente em sua consciência histórica.
Expulsar o moralismo farisaico do corpo físico e visível da igreja histórica, tal o exorcismo que precisamos!
Que vá de retro o espírito essencialmente maligno do maniqueismo, pelo simples fato de apresentar como mau aquilo que esta em Deus porque Deus quis chamar a existência.
Fica difícil calcular...
No entanto seja qual for ela não poderá deixar de influir poderosamente sobre diversas Sociedades.
Por isso esperamos que a igreja romana afaste-se cada vez mais do moralismo e do puritanismo, assumindo posicionamentos cada vez mais humanos, ditados pelo Evangelho de Cristo e pela rica experiencialidade presente em sua consciência histórica.
Expulsar o moralismo farisaico do corpo físico e visível da igreja histórica, tal o exorcismo que precisamos!
Que vá de retro o espírito essencialmente maligno do maniqueismo, pelo simples fato de apresentar como mau aquilo que esta em Deus porque Deus quis chamar a existência.
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sábado, 31 de dezembro de 2016
Religiões: Sintomas de vida e morte... A agonia do Cristianismo e o fim da civilização humanista II
No entanto como disséramos, nem sempre fora assim.
A respeito da moralidade conjugal por exemplo, indicamos a título de leitura as obras de Charboneau (Pe) e do consagrado literato Morris West.
Apenas para resumir direi que a igreja antiga tolerou o concubinato, concedeu carta de divórcio sem maiores dificuldades, considerou o abandono no lar como equivalente a dissolução do vínculo... Já o ocidente medieval foi conivente com a masturbação (Pedro Damião foi o primeiro a condena-la no século XI), tolerou quando não incentivou - em algumas sociedades - o sexo antes do casamento, admitiu que o sexo oral enquanto preparativo para o coito não era pecaminoso, etc cf John Boswell "Cristianismo, tolerância social e homossexualidade" 1980)
Tovadia na medida em que um número cada vez maior de homens era forçado a abraçar o monacato contra a própria vontade, multiplicavam-se tanto os atos de masturbação, quanto os de homossexualismo e pederastia, o que naquele contexto implicava pecado de infidelidade. Na medida em que o Império romano esboroava-se e que bárbaros teutônicos e jihadistas muçulmanos massacravam os soldados e destruiam as cidades, certo número de homens espertos era levado a buscar paz e segurança nas comunidades monásticas. Nas quais havia relativa imunidade, comida, sossego... mas não mulheres. O que levava os não vocacionados e oportunistas a 'pecar' contra a castidade. Não porque a sexualidade fosse encarada como má, mas porque tais pessoas havia feito voto a Deus.
Tendo em vista o saneamento de tais males a igreja optou por recrudescer sua posição levando tais condenações, sobre matéria sexual, até os leigos. Pois se conseguisse disciplinar os leigos e afasta-los de certas práticas sexuais até então autorizadas ficaria mais fácil obter candidatos sóbrios e disciplinados para o monacato. Esta decisão implicava, ao menos até certo ponto, em 'monacalizar' a sociedade profana. Inaugurando um novo ethos sexual, um ethos repressor.
Portanto a adoção de normas sexuais mais rígidas por parte da Igreja decorreu não de ilações teológicas mas duma realidade social externa a si. Da dissolução das estruturas sociais, inclusive da própria família e duma situação de agitação e angústia que estavam empurrando as massas sem perspectiva para as organizações monacais, do que resultará o declínio do ideal e sucessivas crises de identidade. Pois parte daqueles homens e mulheres estava adotando um tipo de vida para o qual não tinham a mínima aptidão, um tipo de vida superficial e aparente, enfim um tipo de vida assumido não por amor mas por cálculo.
Em seus estertores finais parte da Sociedade antiga internou-se nos mosteiros pondo em perigo a velha e consagrada disciplina. Diante disto a igreja optou pelo contra ataque e de fato revidou tornando bem mais rígido o código sexual vigente e assumindo uma perspectiva cada vez mais puritana.
Parte dos leigos no entanto, jamais se deixou colonizar e resistiu ao cabo dos séculos.
Tal o caso do Ocidente ou da igreja latina.
Parte daquela sociedade, herdeira da cultura greco romana, mostrou-se infensa e irredutível face as condenações da igreja.
E por conta das profissões religiosas meramente formais ou forçadas a 'imoralidade' por assim dizer, apossou-se cada vez mais das 'casas de Deus'. Em que pesem as ameaças e maldições do alto clero parte da sociedade medieval continuou a encarar a sexualidade sob uma perspectiva puramente natural e a transar tal e qual seus ancestrais.
Pelo século XV desta Era não era apenas a maior parte da sociedade ocidental, mas parte considerável do clero ocidental que se entregava sem maiores escrúpulos as delícias da carne e dir-se-ia que a igreja romana fora cooptada e vencida pelo orgasmo. No entanto aquela mesma sociedade achava-se fragmentada e havia - enquistado nela - um setor poderosamente influenciado pelo judaísmo antigo e pelo maniqueísmo representados pelo Bispo Agostinho. Este setor encarava a outra parte da sociedade como pervertida e a igreja como corrupta, mas estava determinado a redimi-las, restaurando (???) a boa e velha disciplina e retomando o ideal de monacalizar a sociedade.
Foi este setor que alimentou e apoiou a revolução protestante e como já dissemos, esta tendência corporificou-se na pessoa do teólogo francês João Calvino.
Ocioso seria discorrer aqui sobre a disciplina imposta por Calvino aos infelizes genebrinos. Ali tudo era definido em termos de sobriedade: música, dança, comida, bebida, traje, vocabulário, sexualidade, etc Ao invés do Catolicismo ter se encarnado neste mundo pela implantação do amor, da bondade, da justiça, da solidariedade, a tolerância, da paz, etc o que se encarnou em nome do Cristo, na Genebra do século XVI, foi o espírito do farisaismo nos mesmos termos em que a sharia dos muçulmanos. Cf Zweig 'Uma consciência contra a violência' e Pierre van Paasen 'Nestes tristes dias'
Nem precisamos dizer que a igreja romana, muito mal avisada, foi no reboque.
Afinal Calvino não cessava por um instante seque - exatamente como nossos sectários - de apelas aos escritos dos antigos judeus ou ao que chamava de 'Bíblia'. O que conferia certo prestígio a sua cruzada moralista, mesmo entre os Católicos...
Ao fim deste tenebroso caminho a igreja romana apresentou mais uma vez ainda o maniqueismo e o puritanismo em termos metafísicos e essencialistas e revestiu-os com um aparato dogmático que chegou a causar inveja nos setores mais obscuros do protestantismo, uma vez que este sistema, marcado pelo livre exame, não se revelava suficientemente impermeável e eficaz entre os europeus. Possibilitando sempre uma outra interpretação tanto mais suave ou mesmo liberal. A igreja romana por instinto refugiou-se mais e mais na cova do moralismo a ponto de apresentar-se como sua campeã e redentora da sociedade européia, sem imaginar que estava a tragar veneno e a suicidar-se espiritualmente.
A igreja romana assumiu uma causa que não era sua e tornou-se odiada, enquanto parte do protestantismo conseguiu manter seus 'créditos'.
No entanto desde as primeiras décadas do século passado assomaram lá na Europa católica certas vozes discordantes, as quais jamais puderam ser caladas e tornaram-se cada vez mais fortes, até formarem, mais uma vez, um setor, o setor do liberalismo moral. Em maior ou menor medida parte dos católicos mais esclarecidos acabaram assimilando as opiniões de S Freud e numa perspectiva teológica semi liberal e ao mesmo tempo sociológica puseram-se a denunciar a judaização da fé e o agostinianismo como equívocos.
Tanto na Europa quanto nos EUA este setor tornou-se emblemático justamente por trazer em seu bojo o pressuposto a ideia de que a cultura judaica - ao menos em seu todo - não é sagrada e por colocar em cheque a querida teoria da inspiração plenária ou linear com sua imagem artificial de um 'Corão Cristão'. Em certo sentido os Críticos da moralismo tendem a questionar mais e mais os posicionamentos dos profetas, de Paulo, de Agostinho, etc e a fixar seu ideal de moralidade no Evangelho ou seja nas palavras de Jesus Cristo autor da fé e fundador da Igreja. Implica isto uma compreensão correta ou exata de cultura...
No entanto semelhante tipo de compreensão não é nem poderia ser comum a toda Igreja e a uma igreja gigantesca somo a igreja romana (podemos dizer o mesmo das igrejas Ortodoxa e anglicana). Pois esta sempre na dependência da instrução e do esclarecimento.
Eis porque a afirmação dos romanismos (e mesmo dos Catolicismos!) latino americano, africano e asiático e o declínio dos romanismos europeu e norte americano colocam em situação de risco o setor do liberalismo moral e a própria tradição legítima da igreja, ora ignorada por seus próprios filhos e substituída por um ethos de origem protestante ou calvinista.
Agora para compreender-mos o que tem acontecido e poderá acontecer com a igreja romana de amanhã, devemos considerar historicamente a Igreja Católica Ortodoxa e sua relação com o mundo islâmico. Em termos de dinamismo cultural essa análise é não apenas esclarecedora mas fundamental.
Antes de abordar esta passagem cultural feita pela Ortodoxia gostaria de enfatizar, ainda mais uma vez, o caráter liberal da modalidade cristã bizantina e não encontro exemplo mais do que a Instituição da Adelphopoeisis (apud Boswell "Casamentos de semelhança ou uniões entre pessoas do mesmo sexo na Europa pré moderna" 1994 ingl). Boswell era filólogo e poliglota conhecedor de dezessete linguas e Católico praticamente de missa diária. Ademais seus argumentos a respeito da relação amorosa existente entre os soldados e mártires S Sarkis e S Bacus é perfeitamente aceitável se considerarmos que os antigos hagiógrafos descrevem-nos como Erastai o que nos remete em termos clássicos a efebia.
Da mesma maneira a instituição tradicional dos validos eunucos foi tolerada durante todos século IV e por quase cem anos após o édito de Milão. Havendo quem diga que sua condenação e a primeira condenação oficial da homossexualidade pela igreja - datada de 390 - deve-se antes de tudo ao apoio dado pelos eunucos a causa ariana. O que nada teria a ver com a malignidade essencial do homo erotismo. De fato um dos principais esteios do arianismo foi Eusébio, eunuco de Constantino e mordomo da porta do palácio imperial. cf S Atanasio, Escritos
Sem embargo disto a Adelphopoeisis chegou sem maiores problemas ao século XIX. Quiçá 'purificada' de seu aspecto sexual.
Enquanto a moralidade Ortodoxa passava por sucessivas e drásticas transformações, ficando por assim dizer 'islamizada'.
Importante compreender que religião alguma é impermeável a influência das demais. Assim como o Romanismo hodierno protestantizou-se, houve situações em que islamizou-se tal como o Catolicismo Ortodoxo. O que poderá repetir-se!
Não foi sem maiores razões que o fenômeno da Inquisição espanhola, foi atribuída tanto a judaização ou ao influxo do antigo testamento no contesto Cristão, quanto a influência do islã com sua murtad e sua jihad. Instituições assimiladas e canonizadas pelo romanismo espanhol.
O próprio espírito das Cruzadas fugindo ao aspecto defensivo - numa perspectiva social e política - que o gestará e por assim fizer degenerando também deve ter contribuído a sua parte. No entanto todas essas relações culturais em torno da violência e a agressão remetem necessariamente ao islã. Embora tenham sido alimentadas ou endossadas pela leitura dos escritos judaico 'cristãos'.
No entanto esclareçamos previamente que seja islamizar.
Islamizar é o mesmo que judaizar, i é, manter a fé cristã ou mesmo Católica e assumir costumes ou modos de vida judaicos ou muçulmanos.
O que até certo ponto é perfeitamente possível ou lícito. Exceto quanto a alguns aspectos da Ética a fé Católica não proíbe ou sequer condena a adoção da cultura judaica ou da cultura árabe muçulmana bem como de qualquer outra cultura no plano da natureza. Herética seria a afirmação de que tal gênero de vida seja superior aos modos de vida dos demais fiéis. Não havendo tal pressuposição sempre seria lícito ao Católico adaptar-se socialmente, especialmente quando pressionado.
Tal o caminho trilhado primeiramente pela Ortodoxia.
Por isso que diversas de nossas igrejas ortodoxas> Siríaca, Assíria, Copta ou mesmo Bizantinas islamizaram-se ou arabizaram-se em maior ou menor grau. Tais Cristandades mantiveram a fé imaculada e o rigor teológico, assumiram no entanto uma moralidade muçulmana e consequentemente maniqueísta, puritana, machista e homofóbica...
No entanto tais valores não são legitimamente Cristãos ou autênticos.
É a vida vivida por esses grupos Cristãos muçulmana, e a custa de adaptarem-se vivem já sob uma meia sharia, que é uma introdução a sharia.
Mantiveram a fé apenas mas não o sentido completo ou espírito da vida Cristã e incorporaram diversos preconceitos pertencentes aos padrões semitas de cultura.
Assim como já vivem parte do islã, fica fácil para eles trocar uma teoria por outra e assumir 'in totum' a crença maometana
Passam aqueles Cristãos em maior ou menor número ao islã e apostatam justamente porque suas vidas são já em parte reguladas por aquela crença e envenenadas pelo espírito da transcendência absoluta e do moralismo.
E não há como negar que sejam meio muçulmanos, apesar da fé.
Como há no Ocidente os sectários judaizantes por causa da Bíblia.
Grosso modo podemos dizer que quando a fé não da sentido da vida e não é vivida morre.
Morre entre os papistas protestantizados e entre os Ortodoxos islamizados!
Até extinguir-se por completo.
Por outro lado a vivência do Cristianismo integral, com sua Ética revolucionária, seria utopia e absolutamente impossível numa Sociedade islâmica.
Na medida em que suscitaria o ódio dos muçulmanos e determinaria sua aniquilação.
Alias norma e regra é não chocar os agarenos, e portanto...
A assimilação torna-se absolutamente necessária.
E de tal modo se concretiza que a existência de minorias cristãs nos países muçulmanos passa desapercebida aos olhos dos próprios cristãos que porventura la estejam.
A sombra do islã converteu-se a fé Ortodoxa noutro sistema de moral estreita, arbitrária, conservadora ou moralista, e até hoje tem sérios problemas para lidar com isto e não consegue superar este modelo acanhado e mesquinho mesmo quando inserida em alguma sociedade Ocidental. Dir-se-ia que o ethos islâmico criou raízes na Ortodoxia e que isto e simplesmente monstruoso.
Tal o dilema> O romanismo no Ocidente protestantiza (e consequentemente judaíza) enquanto no Oriente a fé Ortodoxa islamiza... predispondo-se a morte.
Continua
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