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domingo, 29 de julho de 2018

O veredito de Henri Mann - E A C Grayling, Pinker, etc II

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Aqui chegamos a De Mann, e o deixamos para o fim apenas por ter concentrado sua crítica numa destas culturas de morte, o comunismo ou marxismo ortodoxo. Grosso modo De Man não nega o Marxismo, aprofunda-o. Parte dele e ultrapassa-o dialeticamente. Não toma Marx e Engels como escrituras canônicas e inspiradas, dialoga com eles, buscando isolar-lhes dos defeitos, para consolidar-lhes os méritos.

Os marxistas não levam isto a bem. Pois animados por uma mística secular ou por uma religiosidade inconfessável não podem admitir que Marx ou Engels, como seres humanos que eram, se tenham equivocado. Para eles criticas Marx ou Engels equivaleria a criticar o Evangelho para um Cristão, a criticar a Torá para um judeu ou a criticar o Corão para um muçulmano, equivaleria enfim a uma heresia... Do contrário os marxistas dialogariam com Marx tal e quam dialogamos com Platão, Cícero ou Agostinho... Entre eles no entanto Marx é citado como autoridade, em termos de 'Magister dixit' tendo inclusive sucessão apostólica, ao menos para os leninistas... Lembrem-se das carinhas e do culto a personalidade tão característico entre eles como a devoção aos santos entre os Cristãos. É todo um Vaticano em miniatura, digo o partido comunista russo, com seu CC, politburo, etc i é Rota romana, santo ofício, papa, cardeais... No entanto, como os 'católicos' integralistas estão acostumados a saber rsrsrsrsrs tomar soluções políticas a modelos religiosos não é nem um pouco recomendável...

A primeira dentre as conclusões sacadas por Man é que o marxismo só é válido enquanto teoria econômica, o que sabe a Herr, Jaurés, Andler, Bauer e toda escola de Franckfurt...

Outra constatação sua, que sabe a Grayling e que chega a ser obvia é que o Marxismo corresponde a ética ou ao ideal Católico secularizado. Tornou-se - o socialismo antes do comunismo - vingador de um ideal Cristão que a igreja, em determinado momento havia abandonado. Como fora também, em certos casos, herdeiro de um ideal tanto mais apurado de democracia (popular, direta, semi direta) sacrificado pela burguesia vitoriosa. Dito isto De Man recorrer ao argumento clássico e irretorquível segundo qual o socialismo realizou-se apenas nas velhas sociedades cuja cultura era Cristã, e digo mais Católica. Pois como salienta Sombart pais protestante algum - até a Escandinávia já descristianizada dos anos 30 - assumiu esta pauta, especialmente os EUA, que a ela se mostraram refratários, passando a comandar a resistência anti socialista (cf Sombart 'Por que o socialismo não floresce nos Estados Unidos'?)

De Man responde com simplicidade declarando que: É do Cristianismo que procede este sentimento de igualdade acalentado pelas massas; da época feudal, com o equilíbrio entre direitos e deveres... De fato fora este Cristianismo e não o arreio dos cavalos, como quer o Dr Noel, que havia convertido o escravo ja em homem livre ou em servo, mesmo quanto limitara-se em afirmar a plena igualdade religiosa entre os homens, verdade jamais admitida pelo paganismo antigo, para o qual os escravos eram escravos ou seres inferiores mesmo face aos deuses e em tudo quando concernia a vida religiosa. Pois este homem não pode ser igual face aos deuses sem que se torne igual a todos os homens! Ademais os escravos sempre se poderia atribuir outras funções aos escravos, e nada implicava a necessidade absolutas de liberta-los!

"Os móveis da convicção socialista não são criação do tempo presente, tem seu ponto do partido num passado remoto."Tão remoto quando chega a um Urukagina de Lasgash ou, numa perspectiva Cristã, a Orígenes, Cipriano, Justino... ou ao tempo em que os Cristãos tendo vida em comum tudo partilhavam uns com os outros; ideal assumido perpetuamente pela instituição modelar dos mosteiros. Em que os heróis da fé vivem vida sóbria ou regular, servindo de exemplo a toda comunidade, com o objetivo de lembra-la de que estamos de passagem neste mundo, e de que acumular corresponde a um objetivo sórdido e egoísta, a avareza.


O socialismo já existia antes de qualquer movimento operário e antes mesmo do surgimento da classe operária. E mesmo Henry Beer, autor insuspeito, teve de dedicar uma sessão em sua 'História do socialismo' ao Catolicismo antigo, chegando a citar Jerônimo de Stridon e Ambrósio cuja condenação a acúmulo é mais severa do que a condenação lavrada pelo comunismo. Assim Benoit Malôn no 'Socialismo integral' (1891) vol I, decida um capítulo inteiro ao Catolicismo antigo e seu conteúdo social. E mais recentemente o erudito Luiz Francisco F. de Souza em sua obra monumental "Socialismo uma utopia Cristã". Assim o florilégio patrístico intitulado 'Por que a igreja condena os ricos' editado pela casa Paulinas...


Já Tasso da Silveira, o crítico literário Católico ventilará a hipótese de que os russos haviam abraçado equivocadamente o comunismo devido a um marcado sentimento de justiça, introduzido pelo Cristianismo tradicional ou Católico Ortodoxo. E salienta que tal fora a fonte do jovem Maxim Gorki cuja pregação socialista, tão benéfica ao comunismo, jamais deixou de ter acentos Cristãos e profundamente humanos. Lembremos ainda que esse mesmo Gorki não hesitará em reprochar a Lênin seus métodos desumanos e maquiavélicos...


"Não foi por mero acaso, que os primeiros militantes do movimento NÃO HAVIAM SIDO OS OPERÁRIOS DAS FÁBRICAS, mas os obreiros semi artesãos da pequena indústria tradicional ameaçada: tipógrafos, gravadores, marceneiros, chapeleiros, relojoeiros, etc" continua o Dr De Man acrescentando o apoio dado pelos intelectuais ou funcionários públicos. Marx e Engels, como Bakunin e Kropotkin, Caffiero e Kautsky, Ruskin e Owen, etc, etc, etc Noventa por cento dos ideólogos socialistas pertenciam a classe alta, a nobreza ou a média burguesia e não a classe predestinada do proletariado. Daí ser já no princípio e se ter tornado um socialismo cada vez mais reformista ou pequeno burguês, como dizia Marx e cujo ideal era sempre parar a História ou faze-la recuar, o que Marx, progressista entusiasta, de modo algum admitia. O choque foi inevitável e para Marx o socialismo pequeno burguês converteu-se no mais odioso inimigo, por não compreender que o capitalismo devia seguir em sua marcha proletarizadora... No entanto aqueles homens queiram defender suas posições, e nem eram eles que oprimiam os proletários. Curiosamente Marx, postou-se ao lado daqueles que oprimiam os proletários e ameaçam os ofícios tradicionais, sendo, a seu tempo, encarado como traidor por eles.


O que a ideologia Marxista jamais logrou explicar foi como a consciência social dos proletários, apareceu primeiramente no setor médio ou pequeno burguês, e por que este setor não reproduziu a ideologia capitalista imposta pela ordem dominante??? Talvez como hoje, tenha havido mais adeptos da ideologia capitalista entre operários idiotas do que entre os odiosos pequeno burgueses, dos quais partiu a primeira reação ou esclarecimento.


Max Nordau, nas mentiras convencionais já aludia a esta maior sensibilidade do homem instruído e culto face as condições de injustiça, opressão e miséria. Constatando ser mais fácil o homem iletrado e ignorante suportar uma carga maior de exploração e que o funcionário publico ou o intelectual exasperava-se facilmente ao testemunhar a prosperidade do homem vulgar ou medíocre. Assim a indignação que levou a tona o velho ideal socialista não parte de proletários narcotizados mas da angústia interna ou moral de que é vítima o trabalhador intelectual, via de regra pequeno funcionário público mal remunerado. Nietzsche inclusive não pode deixar de perceber a inveja que corroía este homem desde que observava o capitalista emborcar uma garrafa de vinho do porto. O que Nietzsche não aquilatou foi que aquela inveja era justa, justa pelo simples fato de no mais da vezes aquele capitalista não passar de um charlatão fraudulento ou de um vil bajulador, enquanto que aquele, intelectual era honesto, virtuoso e capaz; enfim superior. O que nos leva a duvidar de que a atividade econômica guiada pelos movimentos do mercado favoreça a excelência e não a vulgaridade ou a mediocridade. Pareto também parece não ter levado em conta este problema e verificado se suas elites superiores eram verdadeiramente competentes em máximo grau ou as mais merecedoras.


Não adiante tentar fugir a esta verdade intuida por Platão e considerada por Gramsci:

"Os intelectuais estão na gênese da civilização. No mundo atual desempenham um papel bastante importante já que teem posse de parte do estado ao menos. Não são nem proletários nem capitalistas e me parece até que sejam mais hostis a burguesia do que os proletários, já que estão menos dominados por necessidades aquisitivas imediatistas." Lefranc 349


"Assim se para criar uma nova cultura, apenas os operários poderiam obter sucesso, apenas os intelectuais poderiam concebe-la." id ibd
O que nos leva ao dia posterior a revolução i é a tomada de poder, e a resolução dos problemas administrativos. Tão presentes no pensamento de um Bauer, de um Herr, de um Andler ou de um Blum... quanto relegados ao acaso por nossos anarcotiticas ou anarcotontos espontaneístas e irracionalistas. De fato suas conjurações ou revoluções mais celebradas foram pro vinagre como a de Paris e a Espanhola, uma e outra devido a defeitos de coordenação interna; e caso saíssem vitoriosas não podemos ter certeza de que disto não adviessem ainda piores males para a população, devido a falta de planejamento i é a leviandade.

A obra de Man segue elencando os vícios, que não são poucos, do Comunismo e como Sorel ele não pode deixar de apontar para o dogma materialista mecanicista. Que conduziu o grosso dos epígonos e diadocos de Marx a social democracia.

Ainda aqui a abordagem de De Man é significativa.

Quanto aos trabalhadores rebelados identifica ele um complexo de inferioridade face a realidade econômica e não um ódio essencial. Tudo quanto parte dos trabalhadores aspira ou deseja são compensações afirmativas por meio de leis. Identificam-se com o reformismo ou com um capitalismo limitado pelo poder político (Social democracia), com um socialismo de mercado ou estado de bem estar, que segundo creem permitirá que cada qual ascenda segundo o mérito. Sentem-se desfavorecidos pelo regime de herança, pela educação desigual, pela democracia representativa, etc e por isso aspiram por uma igualdade de oportunidade ou ponto de partida, a partir da qual a desigualdade relativa se torne justa. O que nos lembra a doutrina de Bakunin.

Ao que parece o grosso do proletariado não aspira por uma igualdade absoluta que nivele a todos ou pelo paraíso marxista sem classes. Contenta-se com o assim chamado socialismo pequeno burguês satanizado por Marx, aspira que do lado de cá a proletarização seja revertida e que tudo desemboque numa ampla classe média, não mais média é claro. Sonham com o oposto a proletarização e a expressão concreta deste sonho seriam as leis trabalhistas, a educação pública para todos, uma democracia mais participativa. Querem condições iguais para seguirem adiante, algo que não seja nem comunismo nem capitalismo ao menos o capitalismo do Laissez faire.

Destarte quanto mais reformas são implementadas e quanto mais o capitalismo é limitado ou contido, tanto mais os trabalhadores contentam-se com a situação. Tanto mais o bolo é levado a partilha por força da lei e os trabalhadores inserem-se no sistema tanto mais conformam-se com sua condição. Tanto mais é o capitalismo freado e sua marcha contida, a reação trabalhista vai perdendo sua força. E fica sendo o socialismo reformista ou trabalhista o principal 'obex' no sentido de se atingir o paraíso comunista por meio do inferno capitalista, os trabalhadores e o povo de modo geral, se não querem ver o Capitalismo desenvolver-se - exceto nos EUA e nas sociedade infectadas pelo americanismo - tampouco aspiram destrui-lo por completo. Inclinam-se como já foi dito a uma terceira via entre Comunismo e Capitalismo ou a algum tipo de socialismo ameno.

Aos marxistas restou apenas a atitude especiosa de fazer causa comum com os Capitalistas, lutando sempre pelo 'quanto pior melhor'. Devem destruir todas as situações de equilíbrio e produzir situações de conflito com o objetivo de chegar ao paraíso prometido. Caso declarem abertamente que é necessário deixar livre o curso do Capitalismo para que se desenvolva ao máximo e produza as condições históricas necessárias a revolução, se converterão em chacota. Caso assumam sua 'simpatia' pelo capitalismo selvagem chegarão ao ridículo... Tudo quanto nos resta fazer é escolher entre as duas tradições: A social democrata, que nos levará ao reformismo e a uma estabilidade que os marxistas no fundo execram ou o Leninismo, cujo idealismo implica adiantar o impossível i é a revolução, desconsiderando, do mesmo modo, o ulterior desenvolvimento do Capitalismo. Poucos são os que desejam assumir o ritmo de Marx ou caminhar com ele, e uns apostam na contenção do capitalismo enquanto outros apostam no adiantamento da revolução; e tratam-se ambas as partes por heréticas, como os protestantes que discutem sobre o que sucederá antes, durante e após a segunda vinda de Jesus... A situação é parecida.

terça-feira, 24 de julho de 2018

O renegado, revisionista e traidor W Lênin

Já foi dito que o que Paulo fez pelo Cristianismo, separando, por assim dizer, essa pequena seita ou ramo do judaísmo e inserindo-o entre as sociedades pagãs, Lênin teria feito pelo marxismo, extraindo-o dos escritos herméticos de K Marx e conferindo-lhes vida própria.

Até certo ponto uma e outra afirmação correspondem a verdade, e paulinismo esta para Cristianismo como leninismo ou bolchevismo esta para Marxismo ou Comunismo. Avanço ainda mais, da mesma maneira como Paulo - pupilo de Gamaliel - falseou a Ética Cristã, Lênin falsificou certos conceitos marxistas como 'Ditadura do proletariado' (cf nosso artigo precedente sobre Rosa Luxemburgo) e 'Revolução'. Sob estes dois aspectos ao menos foi renegado, apóstata, traidor, revisionista... e hipócrita por ter atribuído tais defeitos da Kaustky.

Não é preciso ser um R Nisbet da vida para constatar que Marx vincula a ação individual a oportunidade oferecida pelo processo histórico, concebido em termos materialistas e economicistas. Deve o proletariado consciente acompanhar de perto o desenrolar da História para atuar apenas quando for possível i é no tempo certo. É dever da vanguarda socialista atuar em comunhão com a História para que a revolução seja bem sucedida.

O que implica acompanhar a implantação, o desenvolvimento e o declínio do sistema capitalista numa dada sociedade. Tendo em vista certos defeitos inerentes a sua estrutura o capitalismo devastará as classes médias e proletarizará a sociedade. O proletariado a seu tempo, tirando proveito deste processo e sabendo-se maioria, tomará o poder para si. Disto resultando a ditadura do proletariado. O proletariado servindo-se do poder político alterará radicalmente o regime de propriedade, socializado os meios de produção. Alterada esta relação desparecerá o que chamamos de sociedade classista e com ela o conflito. E como o conflito é o motor da História, chegamos ao fim do estado e do período socialista, para atingir ao que chamam de fase Comunista...

Tal o fim último da Revolução, da qual a ditadura do proletariado de faz meio.

Uma coisa porém é absolutamente certa. Antes da sonhada revolução o capitalismo deve gastar todas as suas forças e desenvolver-se plenamente, pelo simples fato de que a Revolução será - ao menos em parte - o produto final deste desenvolvimento. Ao desenvolver-se o Capitalismo produzirá a expansão da classe operária e da expansão desta classe advirá seu triunfo.

Antes que este ciclo se cumpra a Revolução fica sendo sempre impossível.

Por isso ela deveria acontecer ou ter acontecido, forçosamente, na Inglaterra ou na Alemanha, na medida em que o capitalismo daqueles países havia percorrido o roteiro traçado por Marx enquanto ele ainda vivia e isto a ponto de chamar-lhe a atenção as vésperas da morte. De alguma maneira Marx deve ter intuído o que foi constatado já por Lênin, já por Henri de Man, no século seguinte - Que a atividade político/parlamentar e o sindicalismo tinham o condão, de por meio de reformas, conter o máximo desenvolvimento do capitalismo e portanto de protelar a sonhada Revolução.

De fato os marxistas ortodoxos estão convencidos de que todas as sociedades humanas devam passar pelo mesmo processo. Assim as que se encontram sob qualquer forma primitiva ou pré capitalista, devem forçosamente adotar o modelo capitalista para, ao fim do processo de desagregação do capitalismo chegar a Revolução socialista e, após a ditadura do proletariado, atingir o paraíso comunista. Foi por uma questão de coerência que Marx aplaudiu de pé a conquista da Índia pelo Império Britânico, pois considerava um bem que a tradicional sociedade indiana fosse suplantada pelo modelo capitalista trazido do Ocidente, de modo a ulteriormente atingir o Comunismo... Os nayrodniya no entanto ousaram perguntar a seus apóstolos do porque seria necessário passar pelo inferno capitalista para chegar ao paraíso comunista?

Os comunistas limitaram-se a classifica-los como retrógrados ou reacionários. Enquanto eles redarguiam dizendo que já estavam em posse do socialismo...

Quanto ao Ocidente no entanto a questão era bem outra. Pois o capitalismo já se havia manifestado e desenvolvido. Diante disto, o que parte dos socialistas queria era paralisa-lo, conte-lo, enjaula-lo, limita-lo... ao invés de permitir que continuasse a desenvolver-se livremente no sentido previamente descrito por Marx. Conceberam portanto uma série de reformas politicas com o objetivo de travar a marcha do capitalismo e de manter a sociedade no nível em que se achava. Outros cogitavam em faze-lo retroceder, igualmente por meio de reformas políticas... Uma e outra solução receberam o nome de reformismo ou de socialismo reformista, em oposição ao socialismo revolucionário ou comunista. Os reformistas, chamados também - pelos marxistas - de socialistas pequeno burgueses despertaram a fúria dos marxistas ortodoxos, que encaravam o máximo desenvolvimento do capitalismo como uma necessidade. Afinal, sem ele, não haveria proletarização, revolução e paraíso comunista.

Cumpre dizer ainda que a social democracia jamais pode furtar-se a este 'desígnio ímpio' de regular o trabalho - até então livre ou ditado pelo 'laissez faire' - por meio de leis e de consequentemente melhorar a condição dos proletários, a qual tornou-se de fato suportável, quando não - ao menos por algum tempo - confortável, o que não podia deixar de atuar sob a marcha do capitalismo, retardando-a ou imprimindo-lhe outro sentido. Afinal ao invés minguar, em certas situações, a classe média - sempre identificada com a pequena burguesia - acabou expandindo-se, ficando o número de descontentes minoritário. Na medida em que o capitalismo foi sendo contido ou limitado - o que nos faz duvidar quanto a continuar sendo capitalismo! - mais e mais trabalhadores foram sendo absorvidos por ele, num movimento contrário ao que fora descrito por Marx. Mesmo o capitalismo não pode furtar-se a pressão feita pelas massas e a ação política dos reformistas tendo de adaptar-se a novas realidades para sobreviver...

Os marxistas ortodoxos perceberam-no de imediato e concluíram que o reformismo, limitando o Capitalismo, conferia-lhe vida e resistência. O reformismo foi que impediu o capitalismo de desagregar-se e perecer, frustrando os vaticínios de Marx. A social democracia, mesmo quando protestava não ser reformista, foi que tornou a Revolução inviável ou desnecessária, ao menos por algum tempo. Pois segundo Engels após suportar limitação após limitação, a burguesia ameaçada acabaria por violar as regras do jogo recorrendo ao que chamamos de golpe. Neste momento os socialistas, recorrendo a 'violência defensiva' passariam do exercício (Leon Blum) a posse do poder. No entanto, ao menos na América latina, os golpes de estado promovidos pela burguesia ameaçada, nem sempre suscitaram a merecida reação...

Lênin, por uma questão de lógica, não via diferenças muito significativas entre o reformismo e a social democracia. Tendo chegado a inferências bastante parecidas com as que acabamos de expor. Todavia, ao contrário dos mencheviques fiéis, como Martov, Plekanov e Axelrod, ele não estava nem um pouco disposto a aguardar pelo máximo desenvolvimento do capitalismo russo. Haja visto que os servos haviam sido emancipados em 1861 e que em 1905 ou 1914 o capitalismo russo ainda se achava num estado incipiente. Era a Rússia de Lênin uma sociedade majoritariamente agrária ou rural e Lênin, como Marx sabia que não era possível esperar qualquer Revolução de uma sociedade agrária e por definição tradicional.

Sendo assim Lênin teve de fazer algumas acomodações, repudiando o materialismo economicista do Mestre e opinando que não era necessário esperar pelo máximo desenvolvimento do capitalismo russo - processo que demandaria mais de um século. Era perfeitamente possível fazer a Revolução na Rússia agrária de então... Perceba o amigo leitor que o esquema ou roteiro de Marx não foi respeitado. Lênin de fato, acreditava ou fingia crer, na possibilidade de furtar-se ao processo Histórico e de alguns homens adiantarem os tempos ou a hora da Revolução. Passando as vistas por alto parece uma aposta inocente... Mas implica admitir uma solução idealista e mesmo romântica em termos de História. Na medida em que se admite que o homem prescinda da oportunidade oferecida pelo processo para ser bem sucedido. O homem pode furtar-se ao processo ou atuar por si só, nada menos materialista ou mesmo realista.

Os 'odiosos' mencheviques expuseram detidamente os erros de Lênin, limitando-se ele a declarar que seus críticos não passavam de fariseus, escravizados pela letra ou pelas palavras de Marx, das quais se serviam contra a Revolução... Foi tudo quanto ele pode dizer na 'Doença infantil do Comunismo', onde acusava os radicais i é os que de fato mantinham-se fiéis ao pensamento Marxista. Efetivamente estes estavam dispostos a permitir que o capitalismo russo se desenvolve-se sob a égide de uma democracia formal, e mesmo dispostos a colaborar com semelhante padrão de Sociedade, por estarem convencidos de que ao cabo de sua evolução ela viria a baixo ou desmoronaria, criando as condições necessárias a Revolução. Para eles esperar a ação das forças econômicas era absolutamente necessário, pois tal e qual Marx eram etapistas ou gradualistas. Lênin aspirava pelo poder e por isso não queria esperar, por crer que o poder era a Revolução ou que poderia substituir a ação das forças econômicas. Posteriormente, após o colapso da URSS, em 1990, os comunistas ortodoxos declararam que a Revolução não dera certo justamente porque furtara-se ao esquema estabelecido por Marx... tornando necessárias uma série de emendas ou adaptações, sem que qualquer uma delas pudesse salvar a obra de Lênin.

Para sermos justos temos que concordar com aqueles que viram na Revolução russa um aborto da natureza em termos de teoria marxista ou como um uma saída tão revisionista quanto o reformismo.


terça-feira, 17 de julho de 2018

A indecisão da Igreja face ao Nazismo e a pregação anti comunista

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QUEM COMEÇOU A FAZER ISTO E AINDA FAZ PELO BRASIL AFORA É O PROTESTANTISMO!!!





Algumas pessoas, decerto, acusam-nos de ser coniventes ou mansos face a igreja romana. Jamais o fomos, e quem nos conhece pessoalmente sabe muito bem disto. Não somos romanos ou papistas - Como Georges Sorel, A Comte, Ch Maurras e outros tantos, não temos temos fé na igreja romana ou papólica e tampouco morremos de amor - de modo geral - pelo papado ou pelo alto clero desta igreja. Censuramos a igreja romana por - Durante o concílio de Trento - ter acalentado o veneno agostiniano, nos opomos a assimilação da crítica puritana iniciada pela falsa reforma, abominamos os 'affaires' políticos do Vaticano ou o poder temporal dos papas, criticamos a judaização ou adesão aos mitos e fábulas do antigo testamento, reprochamos as reformas litúrgicas do Vaticano II e acima de tudo vemos com maus olhos a solução ecumênica, de que resulta a protestantização e a queda dos ideais desta comunhão, ora miserável ou desprezível.

Os neo Católicos que nos perdoem, não desejamos ofende-los. Mas temos de dizer sempre a verdade, quer agrade ou desagrade; não importa.

Então que significam nossos sucessivos e repetidos elogios a igreja romana ou ao Catolicismo de modo geral, ou ainda ao Cristianismo Católico que tanto desconsertam nossos amigos ateus e materialistas, agnósticos e deístas que conhecem nossos trabalhos e admiram nossa atividade???

Antes de tudo devo dizer que tais elogios tem uma conotação História, estão dirigidos ou voltados ao passado, ao Catolicismo antigo, anterior ao Vaticano II ou mesmo ao Vaticano I, ainda a Trento. Nosso Catolicismo é o Catolicismo anterior a 1570, o Catolicismo 'imoral' ou moralmente liberal da Idade Média, ou o Catolicismo resistente, da contra reforma irredutível, da Liga Francesa...

Admiramos diversos elementos que o Catolicismo originalmente possuía, alguns dos quais foram conservados e mantidos até o Vaticano II. Assim a doutrina social da Igreja. Assim o esplendor litúrgico. Assim o espírito franciscano. Assim a resistência sócio/cultural ao Islã. Assim o sentido de totalidade ou de lei Cristã, etc, etc, etc Como admiramos o que há de espírito Católico nos neo Católicos em especial na gente simples, e que leva-a a resistir a contaminação protestante em nome da tradição ancestral. Admiro certos elementos estéticos presentes no tradicionalismo, assim a luta pela Missa antiga, eu a aplaudo... Como admiro certos elementos presentes na Teologia da libertação, como o sentido da justiça... Lamento que todos estes elementos se tenham desagregado e se convertido em posse de correntes e seitas extremistas após o Vaticano II, como deploro e lamento essa infiltração protestante, pentecostal e fundamentalista, chamada RCC, a qual me levou a ruptura com a igreja romana...

Eu sou simpático a cultura Católica, no Ocidente identificada com o papismo e com o alto anglicanismo, por encara-la como uma espécie de continuidade, em termos de cultura clássica ou greco romana. Em termos de espírito socrático/humanista. Em termos de ética platônica. Em termos de epistemologia Aristotélica... Admiro a igreja romana por ter promovido a teologia escolástica, da qual resultou o Renascimento filosófico. Admiro a igreja romana por ter, de modo geral, sustentado a causa da razão face aos delírios do agostinianismo. Tenho motivos de sobra para admirar a velha e decadente igreja romana pelo que realizou no passado.

Quando comparo as colonizações Norte e Latino Americana, e constato, com Toynbee, o que aconteceu com nossos índios - devido aos esforços de Francisco Vitória e do Colóquio de Valadollid - e o que aconteceu com os peles vermelhas (Onde estão os peles vermelhas???). Quando comparo o rigor da escravidão Norte americana e calvinista, com a escrvidão de cá, promovida pelos países latinos e Católicos. Não posso deixar de sentir certa simpatia pela igreja romana, a qual mesmo quando comete seus erros e crimes é bem mais amena do que a igreja rival. Há sem dúvida um conteúdo de humanidade ou humanismo nos filhos da igreja romana, sempre que, com justiça, compara-mo-los com os filhos da reforma protestante, e quase sempre é esta minha perspectiva, pelo simples fato de ter nascido protestante e de ser um ex protestante.

Por onde se ve que não aprendi 'mentiras com os padres' e que tampouco fui 'envenenado pelos torpes jesuítas'. De modo algum. Nasci calvinista, inserido numa tradição que até hoje respira ódio a igreja 'paganizada' de Roma, aspirando destrui-la. E lá estaria até hoje caso não principiasse a questionar as críticas hipócritas que os pastores dirigiam a igreja mais velha. Pois como vim a saber - após aprender espanhol, italiano, francês e inglês - também o protestantismo teve sua inquisição - a qual matou muita, mas muita gente - seus autos de fé, como o de Salém; suas explosões de violência face aos descobrimentos científicos, etc Bem eu tive de ler diversos autores antigos e recentes - muitos dos quais eram judeus, ateus, materialistas, ex protestantes, etc - para descobrir tudo isto e persuadir-me de que com todos os seus vícios e defeitos a igreja romana havia sido muito menos nefasta que sua jovem cria, a reforma protestante.

E quanto mais tenho estudado mais tenho corroborado o que por mim mesmo, com ingente esforço, descobri.

Basta dizer que a igreja romana foi muito mais heroica e resistente face a culturas de morte como o liberalismo econômico ou capitalismo, o anarco individualismo e o nazismo. O protestantismo, enquanto sistema individualista que é, colaborou com o capitalismo desde o princípio, impulsionando, inclusive o acúmulo primitivo de capital. Afinal as riquezas tomadas a igreja antiga, jamais foram repartidas com o 'Bom povo' tornando-se posse dos governantes, nobres, bem nascidos e ricaços!!! Que fez a bela reforma, tendo em vista conquistar apoio político contra o Vaticano? Entregou os bens da igreja antiga - inclusive os que serviam para aliviar a miséria dos campônios mais humildes - aos poderosos... Como se chama isto??? Compra! Oportunista até nisto a reforma protestante nasceu comprando apoio aos ricos e poderosos... E por isso Lutero, que havia apregoado reformas apenas quanto a fé, é o primeiro a reprimir, em nome de seu deus, a aspiração dos camponeses por uma reforma mais cristã e mais concreta. E como a autoridade é dada por deus, os camponeses oprimidos pelos senhores convertem-se em demônios e diabos, são postos a caça e perecem em número de 25.000. Lutero assume a culpa por todas estas mortes, e solifideista que era, clama pelo sangue de Cristo, declarando-se puro, remido e lavado no dia seguinte...

A direção ou movimento futuro, nos domínios de um calvinismo cada vez mais sabotado pela incredulidade, é descrita por Weber como uma paulatina substituição das preocupações religiosas ou teológicas por preocupações financeiras. Além disso a redução da dimensão da vida religiosa pelo protestantismo só podia resultar na absorção, de parte desta vida, por objetivos ou atividades econômicas. E todo aquele capital acumulado ao invés de ser investido em boas obras, destinadas a promover a criatura viva, é investido em técnicas e depois em capitais ociosos... A marmelada esta pronta e o protestantismo foi o mestre cuca.

Quanto a colaboração com o Nazismo, recomendo ao leitor a leitura dos artigos precedentes.

A igreja romana - Se foi substituída por uma outra, mais 'aberta' ou colaboracionista - é porque foi mais heroica e resistente... Se foi mais combatida pelo nazismo... Se foi mais odiada pelos anarco individualistas... O protestantismo é no mínimo frágil face as culturas de morte que assolam nossa civilização, muitas das quais tiveram nele seu ponto de partida. Há afinidades eletivas aqui...

E no entanto, eis o puxão de orelha, reconhecemos que a igreja romana não resistiu ao máximo ou não resistiu o quanto deveria face a abominação nazista. E por que??? Temos de saber o pôrque!!!

Que foi que iludiu a igreja e impediu-a de cumprir seu papel sufocando o Hitlerismo no berço como enfrentara Bismarck em 1874???

Aqui a História se faz interessante como a trama de um pano ou de um tecido.

Por questões que não nos vem ao caso, em 1870, Bismarck estabeleceu, na recém unificada Alemanha, o sufrágio universal. Bismarck era uma raposa e tinha planos que não nos vem ao caso. Para tanto devia eliminar um adversário poderoso e secular. Refiro-me a igreja romana, chefiada pelo autocrático Pio IX. Contava esta comunhão, pelos idos de 1875, com cerca de 28% de fiéis na Alemanha e no Sul, na Bavária e nas margens do Reno, o percentual de papistas chegava a 60 ou mesmo a 85%. Sim, aquilo era um problema, pois os papistas, como sempre, viviam fazendo restrições de consciência a propósito de cada coisa - Havia dentre eles quem condenasse o aborto, o divórcio, a pena capital, a maçonaria, a agressão a outras nações (odinismo), etc, etc, etc Bismarck queria um povo obediente ou adestrado, como os camponeses protestantes, resultado de um dos sistemas feudais mais opressivos. Aqueles luteranos é que eram disciplinados e mesmo quando passavam ao ambiente urbano convertiam-se em operários disciplinados e dóceis soldados. Os malditos Católicos, como os antigos socráticos e filósofos eram dados da festejos, bebiam, dançavam e não apreciavam obedecer, ao menos tanto quanto os 'verdadeiros alemães', orgulhosos quando a sua própria servidão face a um estado quase divino (Hegel).

É 1874 e o chanceler de aço esta decidido a quebrar a espinha dos ultramontanos ou Católicos. Para ele, Bismarck, com suas escolas, jornais, cooperativas, etc os papistas formavam um estado dentro do estado e eram animados por outro espírito ou outra cultura (Bons tempos aqueles?). É necessário lutar por esta cultura alemã e protestante, construída em termos de obediência mecânica ou cega, militarismo, odinismo e expansionismo. Mais além esta a Áustria, uma nação de lingua e sangue alemães, que permanece atrelada ao papado e precisa ser 'libertada'... Por enquanto a Baviera católica servira de laboratório a Kulturkampf ou luta pela cultura. Destarte o Bundstag emite uma séria de medidas restritivas destinadas a humilhar e abater os Católicos. Mas ali esta de atalaia um pastor exemplar - Von Keteller, quiçá o mais ilustre Bispo alemão do século XIX. Von Keteller havia presidido o sínodo de Magúncia em 1848 e posto a questão trabalhista ou operária em termos de Justiça, criando um marco nos domínios do Catolicismo. Opos-se ainda a canonização da doutrina da Infalibilidade papal em 1870. Foi procurado pelo grande F Lassalle, pouco antes deste ter sido assassinado...

Von Keteller dirigiu a resistência dos Católicos alemães a ponto do velho chanceler luterano não conseguir dobra-lo como esperava. Os dias iam se passando e os Católicos ameaçavam não pagar os impostos... enquanto sua bancada mobilizava-se no Parlamento. Bismarck havia jurado não ir a Canossa sob qualquer pretexto i é não negociar com os súditos Católicos... Entrementes realiza-se a eleição de 1875, e no auge da crise os socialistas não só formam partido como elegem Bebel e enviam-no ao Parlamento. Mau prenúncio, Bismarck volta sua atenção ao novo partido, e como não pode suster duas frentes de luta, vai a Canossa ou seja, suspende as leis anti Católicas e pede perdão. Fora sua única derrota. E ele havia vencido austríacos e franceses!

Bismarck era, como dissemos, uma raposa; e como tal tinha vistas largas. Sabia o que esperar do 'maldito' partido operário e precisava revidar de algum modo, atalhando-o. É 1878, Bismarck convoca o Bunstag a votar diversas leis contra a social democracia, restringindo sua liberdade de ação. Precisa do apoio da bancada Católica e parte dela, esquecida do que acontecera alguns anos antes, colabora... E abraça o discurso anti comunista elaborado por um luterano obstinado, que até 1875, fora perseguidor da igreja! E o erro começou aqui!

Escusado dizer que cerca de 1890 as leis bismarckianas foram suspensas, podendo a social democracia alemã organizar-se e reorganizar-se livremente, o que corresponderá a uma fase de incessante expansão até a Guerra de 1914. Quando o socialismo germânico, por ter, majoritariamente, aderido ao odinismo e aderido a guerra, caíra em descrédito. Outro nuance histórico interessantíssimo - Embrulhados, os líderes alemaẽs forjam uma estratégia definitivamente absurda: Enviam o líder comunista radical, W Lênin, - num trem - a Rússia, com o objetivo de assumir a direção insurrecionista, e quiçá assumir o controle daquele pais. O objetivo era simples. Eles sabiam que Lênin, como grande parte dos comunistas era contrário a guerra e que, chegando ao poder, desmobilizaria as tropas Russas, aliviando significativamente a situação da Alemanha. E foi o sucessor deste Lênin, saído da estação Finlândia com o apoio dos Alemães, que esmagou o Fuherer Alemão em 1945!!! Assumindo o controle de parte do território alemão por quase meio século. Vejam pois como a História gira!

Por outro lado não é menos verdade que após o apoio a guerra e o assassinato de Rosa Luxemburgo e Liebknecht a demagógica Social democracia alemã entre em crise, cedendo espaço ao extremismo leninista ou comunista. Desde então é o Comunismo que principia a crescer rivalizando com uma nova ideologia tanto mais alemã, o Nazismo. Comunismo e nazismo são rivais, mas na Alemanha luterana o Nazismo leva franca vantagem, apenas nas regiões Católicas o Comunismo empata com o Nazismo quando não o supera. Assim para os Bispos Católicos da Alemanha o supremo adversário não é o nazismo, sempre incipiente, ao menos no princípio, mas o temível bolchevismo. E o clero se borra de medo pensando já em 1875 - na Kulturkampf - já na ação dos comunistas na Rússia, a qual faria a velha kulturkampf parecer doce.

Há no entanto uma nova raposa no galinheiro. É Adolph Hitler, um austríaco, de origem Católica, que como tantos nazistas e comunistas havia perdido a fé durante a juventude. Esse Hitler conhece muito bem o imaginário Católico construído desde 1917, sabe que o bolchevique ou comunista é uma espécie de bicho papão e que a atual URSS correspondia ao Reino apocalíptico de Magog... E precisa de um espantalho. Homem sagaz ele restringe parte de seu discurso oficial e dedica parte dele a atacar o 'Comunismo' além de, como Bismarck, editar leis restritivas destinadas a conter os comunistas. Parte do clero alemão, mais uma vez, deixa-se seduzir pelo canto da sereia, e abençoa o autor de 'Mein Kampf' aquela bíblia da insanidade e evangelho maligno... Hitler se esforça um tiquinho mais - deve conseguir uma concordata para assim poder induzir os filhos da igreja ao erro - e acena com uma ataque a Moscou, invadirá a Rússia e vencerá Stalin. Assim em 1933, os Católicos, com uma candura ilimitada, assinam o pacto com o 'anti Cristo'.

Feito isto Hitler destrava a lingua e dá a seus discursos o tom anti semita, violento e insano que tanto conhecemos. De imediato os Católicos mais esclarecidos principiam, por instinto, a debandada, depois o baixo clero e enfim até mesmo parte do alto clero. Mas ele não quebra a flauta, e conhecendo muito bem a debilidade dos maus Católicos, vai intercalando seus discursos anti semitas e odinistas, e mesmo neo pagãos com o mantra anti comunista. A Rússia será invadida, farei uma cruzada contra Stalin... O que - pasme - lhe assegura o apoio de uma minoria 'Católica' até o fim!!! Embora desde 1937 o Papa Pio XI tenha publicado uma encíclica contra ele e o nazismo. O que eu quero salientar aqui é que este discurso anti comunista, destinado a seduzir os Católicos, já havia sido editado pelo Bismarck 'derrotado' em 1877/78, por essa raposa luterana que em seu coração odiava a Igreja...

Agora veja, amigo leitor, que lástima - Esse mesmo discurso é empregado com relativo sucesso pelo apóstata e neo pagão Hitler meio século depois. Havendo quem caísse no alçapão...

Temos algo de diferente em nossos dias quando pastores enviados pelos EUA forjam o mesmíssimo discurso no Brasil - visando não comunistas ou bolchevistas mas, pasme, os próprios Católicos sociais, os progressistas, os sociais democratas, os trabalhistas, etc até certo ponto mais próximos de nossa tradição e da doutrina social da igreja do que os liberais???

Que sinceridade devem esperar os Católicos ao darem com esse velho discurso, cheio de lábia, na boca de liberais ou melhor de protestantes liberais???

Quando esses mesmos protestantes, com o apoio dos liberais vendidos, criam uma bancada religiosa em nosso Parlamento com o objetivo de solapar as instituições democráticas e de instaurar uma teocracia nos moldes do antigo testamento???

Acaso os neo católicos tontos, seduzidos pela cantilena ecumênica, esperam ser poupados quando são chamados pelos pastores de politeístas e idólatras???

Leiam na Torá de Moisés, que os protestantes tanto estimam, qual deve ser o fim dos politeístas e idólatras.

Como ex protestantes temos razões de sobra para temer é uma nova Kulturkampf luterana ou protestante, desta vez nos moldes do antigo testamento, destinada a oprimir não só os Católicos mas os umbandistas, espíritas, budistas, hindus, irreligiosos, e especialmente é claro, os 'fantasmagóricos' bolchevistas...

Portanto, nas eleições que se aproximam, tomemos por critério não a qualquer postulado moral nos termos dos puritanos, mas nossa fé e sobretudo nossa Ética, a tradição e a doutrina social da igreja, votando em candidatos que se proponham a respeitar os direitos do trabalhador brasileiro e a pugnar pela qualidade de vida, mesmo que não tenham fé ou religião. Melhor votar em cidadãos irreligiosos que se postem em favor do semelhante do que em fanáticos obscurantistas que sonham com o poder. Não de seu voto a fanático algum, a fundamentalista algum, especialmente se for pastor e não vote em candidatos protestantes!!! Busque candidatos Católicos coerentes - que não sejam liberais economicistas ou capitalistas (Jamais vote DEM, PSC, PSDB ou PMDB porque os programas destes partidos então em oposição a Doutrina Social da Igreja Católica. Leiam em Rerum Novarum sobre a necessidade da intervenção social nos domínios da economia e sobre a condenação dos princípios liberais) - ou candidatos que mesmo sendo irreligiosos estejam preocupados com as condições materiais da sociedade, porque esta é a finalidade da política e não outra qualquer.

A moral é algo que se vivencia em casa e não algo que se impõem aos outros.

Reflitam sobre tudo isto para que não venham a ser agentes ou 'imbecis' uteis da propaganda protestante (americanizante).

PERMANEÇAMOS FIÉIS A NOSSA CULTURA!

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O SUPREMO PECADO DO ECUMENISMO!
OLHA SÓ QUEM ESTÁ POR TRÁS DE TUDO MANIPULANDO OS CATÓLICOS TONTOS!!!




A dupla tradição do comunismo - Sua gênese e desenvolvimento

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Conforme dissemos num artigo anterior, o Comunismo se nos apresenta, face ao anarquismo - particularmente face ao anarquismo proudhoniano, mas também face ao bakuninismo (Kropotkin foi quem pela primeira vez tento sistematiza-lo racionalmente polindo as 'arestas') - como um sistema bem mais simples, orgânico e coeso. Conhecendo certa coerência mesmo quando pelo cisma divide-se em correntes rivais. Cada uma delas parte de um princípio oposto presente na gênese da ideologia e desenvolvido até o fim. No anarquismo percebemos inúmeras ideias opostas e contraditórias sobrepostas como que flutuando. Além de esta cindido em duas tradições básicas: Ocidental e Oriental ou russa, o anarquismo encontra-se cindido em torno de inúmeras questões, inclusive práticas e suas correntes assemelham-se as seitas protestantes.

O marxismo, grosso modo, conhecerá apenas duas variedades: A um lado a Social democracia, seja a crítica ou prudente, de Engels, Bebel e Rosa; a moderada de Kautsky, Adler, Bauer, Gramsci, etc ou a radical de Bernstein e por ext dos fabianistas ingleses... O nível a que tais críticos aderem ao insercionismo pode variar quanto o grau, mas não quando a essência do conceito. A outro teremos apenas o jacobinismo radical, demolidor e iconoclástico de Lênin, Trotsky e turma. Os mencheviques de Martov e Axelrod inclusive, tendiam a solução social democrata...

Ainda hoje o marxismo achasse cindido entre comunistas ou leninista a um lado e sociais democratas, 'revisionistas', gradualistas, 'heterodoxos' ou reformistas a outro. E aqueles que arrogantemente revindicam para si o título de 'Ortodoxos' ou fiéis, apegando-se a um aspecto do pensamento de Marx como pronto, acabado e imutável - quando jamais deixou de ser repensado ou revisto pelo próprio Marx - não tem deixado de fazer suas mãos pesarem sobre aqueles que encaram como heréticos, mesmo quando hipocritamente criticam a Igreja Católica.

Importa saber que esta situação característica do marxismo é insuperável ou insolúvel.

Mas por que?

Porque uma e outra corrente partem de dois princípios antitéticos presentes na gênese do pensamento marxista. Quiçá o jovem Marx até tenha pensado em concilia-los, mas só podia falhar, como de fato falhou.

Agora que elementos ou princípios contraditórios Marx buscou unir e qual a gênese de cada um deles?

A um lado temos um ideal de Revolução jacobinista expresso pelo conceito de conjuração levado a cabo por uma elite minoritária. Este ideal foi tomado por Blanqui ao babovismo e transmitido ao jovem Marx, que incorporou-o ao primitivo conceito de Revolução, anterior a 1848. É a ele que se refere Engels no prefácio de 1895 e Bernstein em seu estudo a respeito das fontes ideológicas do marxismo.

Este ideal de Revolução implica admitir que um grupo de heróis ou de homens superiores; um 'quadro' enfim, pode mudar por si só o curso da História, o que nos faz lembrar a noção de herói em Carlyle ou mesmo em Sorel. Implica saber que nem Carlyle, nem Sorel e finalmente nem mesmo Babeuf eram ateus ou mesmo materialistas. Daí terem enfatizado ou salientado o potencial da ação humana, mesmo na esfera individual. Eles certamente acreditavam que a História podia ser adiantada e ignoravam a noção de processo histórico e condicionamento material. Blanqui, que a ser ateu e materialista assimilou o pensamento insurrecionista de Babeuf, era, tal e qual Bakunin, um homem simples ou intelectualmente vulgar. Não podia perceber a contradição entre o método recomendado por Babeuf e as decorrências de seu próprio modelo de pensamento; tampouco o jovem Marx foi capaz de percebe-lo porquanto guiado pelo entusiasmo.

Marx no entanto fora bem mais atilado que Blanqui, no sentido de deixar-se conquistar por um materialismo consciente, que chegou a ser chamado materialismo dialético, por conformar-se com a dinâmica estrutural do pensamento hegeliano. Esse materialismo levou-o a formular o conceito de infraestrutura e de superestrutura e a consagrar o pensamento economicista.

Curiosamente os etapistas, gradualistas e sociais democratas todos apegaram-se a este conceito de materialismo economicista, ulteriormente desenvolvido pelo próprio Marx. Segundo este modelo de pensamento ou esquema o capitalismo carregaria em si o germe das contradições que plenamente desenvolvidas - em sua maturidade - levariam-no inevitavelmente ao colapso. O pensamento clássico de K Marx só poderia ser, como foi, radicalmente determinista. O Capitalismo transporta em seu seio germes de morte... Quando chegar a seu ápice declinará e entrará numa crise da qual jamais poderá sair. O partido deve treinar o proletariado para que seja capaz de detectar o momento em que este processo atingir seu 'clímax' - Só então o proletariado poderá exercer ou cumprir seu papel que é aproveitar-se da oportunidade oferecida pelo processo histórico e assumir a liderança do corpo social. Implica isto caminhar com a História e esperar pela oportunidade dada, que depende do curso do capitalismo... Este desenvolvimento do capitalismo só pode ser apressado pela dinâmica interno do próprio capitalismo, no sentido de atingir sua maturidade e tornar-se vulnerável. TODA E QUALQUER AÇÃO HUMANA QUE PRECEDA ESTA EVOLUÇÃO ECONÔMICA OU MATERIAL É INCONCEBÍVEL OU ABSURDA.

Neste caso como se dará a Revolução babovista ou blanquista?

O velho Marx julgou sabe-lo e poder dize-lo.

Acreditava que no correr da carruagem a proletarização do trabalho eliminaria já os elementos da antiga ordem, já o mundo rural, já as classes médias ou intermediárias. Ao fim do processo todo este universo intermediário cessaria de existir, sendo absorvido, é claro pelo mundo do trabalho. Ao fim do processo, uma capitalismo maduro poderia ser socialmente descrito como uma multidão colossal de proletários face a um diminuto grupo de burgueses monopolistas, estes, naturalmente, a testa da sociedade. Claro que sempre poderia restar um grupo mais ou menos largo que sempre poderia vender-se a burguesia e combater por ela - tal o lupem proletariado. Seja como for Marx chegou a acreditar que apesar dessa possível traição por parte da massa amorfa, alienada e manipulada, o poder cairia como uma maçã madura nas mãos dos trabalhadores. Ele jamais pensou nos termos apocalípticos, catastróficos ou sangrentos da velha Revolução francesa e chegou a crer numa transição/revolução que a não ser pacífica tampouco corresponderia ao 'terror' robespierriano... Tão execrado pela nova elite dominante francesa ou mesmo pela elite dominante inglesa.

Claro que esta visão, por diversos títulos, não se encaixa com a visão anteriormente descrita, em termos de blaquismo/babovismo, legado pela Revolução francesa. Aqui, a ação humana ou individual embrenha-se pelos caminhos do idealismo, podendo por si só mudar os caminhos da História sem contar com agentes condicionantes ou limitantes, ou mesmo exigir uma visão acurada dos tempos, na qual uma elite intelectual busca por sinais. Grosso modo a sanha dos guerreiros e revolucionários não conhece tais elementos condicionantes - como o processo histórico ou a dinâmica interna do capitalismo - presentes no pensamento de Marx e é exatamente esta ignorância a respeito das limitações externas ou dos límites que a torna combativa e invencível no dizer de Sorel.

Assim a corrente marxista mais sofisticada ou determinista, torna-se hermética ou astrológica no dizer de Sorel, na medida em que depende de cálculos externos sobre a realidade feito por um corpo de especialistas. Especialistas que por exigências de caráter racional seriam levados do jacobinismo a social democracia. Por chegarem a crer que ao contrário da conjuração babovista/blanquista esta revolução deveria ser previamente calculada ou preparada nos mínimos detalhes, o que certamente demandaria algum tempo. Por outro lado tempo é que não lhes faltaria, sendo oferecido pela evolução interna do capitalismo, a qual deveriam acompanhar. No entanto o resultado daquela evolução era absolutamente previsível: O colapso do sistema e a oportunidade revolucionária. No campo externo a sociedade capitalista nada poderia ser feito no sentido de 'abreviar os tempos', destarte urgia esperar e enquanto se esperava a política institucional ou melhor a social democracia bem podia fazer as vezes de tática, tendo em vista a futura revolução. Temos aqui um pensamento muito próximo ao de Engels e a respeito do qual nos referimos já em diversas ocasiões. Ainda conta com a Revolução e é crítico, mas por exigência do materialismo - que já se transforma em realismo - faz a revolução recuar ou posterga-a...

Antecipar a Revolução, dirá Engels, é como por o carro a frente dos bois, fazer o jogo da burguesia, ser esmagado e expor-se a ver  a causa do socialismo aniquilada. A revolução ou a ação humana, só poderá ser bem sucedida em seu tempo, quando as condições materiais, oferecidas pelo sistema, mostrarem-se propícias. É a maturação do capitalismo quem nos oferecerá a grande chance - Marx o disse!!!

Diante disto Bebel, Adler e outros, com as bençãos de Engels e antes, com as do velho Marx, podem lançar-se sem temor ao seio da disputa eleitoral e levar os ideais comunistas ao parlamento, beneficiando-se da máquina chamada propaganda. Afinal elemento algum, fosse de ordem política ou não, seria capaz de atalhar a dinâmica do capitalismo e, consequentemente de impedir o estouro da Revolução. A revolução estava determinada pelo processo histórico - em termos de produção econômica - e nada seria capaz de alterar esta realidade. De modo que a ação parlamentar era muito bem vinda.

Perceba amigo leitor que o rígido materialismo mecanicista de Marx conduziu seus seguidores a via eleitoral ou a inserção.

Por outro lado, quando Bernstein, no final do século XIX, avançou até praticamente negar o colapso deduzido ao materialismo crasso e a necessidade de uma revolução, afirmando a ação parlamentar como algo definitivo e quando até mesmo os centristas chegaram a identificar a 'tomada' do parlamento pelos socialistas com a ditadura do proletariado, a ala jacobina - que sempre se mantivera calada por respeito a Marx e a Engels - não pode deixar de retomar o ideal revolucionário, inda que não pudesse repudiar ao materialismo gradualista ou denunciar Engels como revisionista. Diante disto levantaram as mãos contra Kautsky, o testamenteiro de Engels, e contra diversos outros pioneiros, fazendo alarde em torno das mutilações de Liebknecht, agora apresentadas como falsificações e ignorando ou fingindo ignorar a existência de muitas outras fontes e documentos quais sejam as cartas de Engels e de Eleanor Marx. De modo geral o conjunto de tais documentos revelam-nos um Engels que apesar de seus precauções e criticidade abraçou não apenas a via parlamentar mas a violência defensiva, repudiando o golpismo peculiar as correntes blanquista e bakuninista. Claro que os comunistas jacobinos não podiam admitir nada disto, pelo simples fato de não acreditar na via institucional ou parlamentar. Assim, desviando os olhos de Engels e de seus últimos escritos, eles passaram a classificar todos os sociais democratas como renegados e a arvorar o revolucionismo como única solução não apenas viável mas possível. Ao menos da Rússia a coisa tomou este caminho, tomando o jacobinismo o nome de leninismo e hipostasiando-se ao comunismo soviético ou marxismo ortodoxo.

Claro que e Lênin sempre pôde apelas ao jovem Marx blanquista/babovista com o objetivo de santificar seus ideais. O que ele não poderia ter feito é ignorar o conjunto do pensamento marxista e seu desenvolvimento ulterior. O que sobretudo não poderia ter feito é ignorar os ulteriores pronunciamentos de Engels, atribuindo a Kaustky uma ruptura que jamais havia acontecido. Ao apresentar os sociais democratas como inovadores e apóstatas Lênin mostrou-se absolutamente desonesto. O único renegado ou traidor aqui foi Lênin, embora a bem da verdade, devamos admitir que ele apegou-se a um princípio individualista, idealista e rival, que num determinado momento Marx e Engels tiveram de sacrificar ou ignorar - A possibilidade de indivíduos ou grupos, por meio de golpes ou conjurações, antecipassem as condições dadas pela História - Fazendo com que esta avançasse. Para tanto teve Lênin de fazer certos empréstimos ao teórico anarquista G Sorel - outro implacável adversário do determinismo economicista - pensador que mais tarde veio a descrever, hipocritamente, como embaralhado ou confuso.

Paradoxalmente Engels não desejou destruir por completo a esperança na futura Revolução, mas apenas posterga-la. Grosso modo podemos dizer que ele assumiu uma posição social democrática 'crítica', ficando como que no meio do caminho, entre Lênin e Bernstein. Por isso Bernstein como Kautsky, pode revindicar para si o título de sucessor, caso admitamos que Marx e Engels possam ser superados ou revistos; como se supõem de seres humanos e falíveis, inda que geniais e bem intencionados. Na medida em que o pensamento de Marx conheceu uma evolução e do Engels mais ainda, por que supor que este padrão de pensamento não pudesse continuar a evoluir após a morte deles convertendo-se numa Bíblia ou num Corão?

Importa saber que para mater viva a esperança de uma revolução final, Engels teve de reler, reinterpretar ou revisar o materialismo mecanicista e economicista de Marx, renunciando ao que chamamos determinismo, e postulando o que chamamos de condicionamento ou possibilismo. Vale a pena reproduzir suas belas palavras:

"Devemos provar a nossos adversários o princípio essencial - o lado econômico - que eles repudiavam; e então nem sempre tinhamos tempo, facilidade ou ocasião PARA POR EM RELEVO OS OUTROS FATORES QUE EXERCEM AÇÃO RECIPROCA... A evolução política, jurídica, filosófica, religiosa, literária, artística... dependem certamente da evolução econômica. NO ENTANTO TODAS SE INFLUEM MUTUAMENTE E ATUAM, A SEU TEMPO, SOBRE A BASE ECONÔMICA." Carta de 1890 publicada no Sozialisticher akademiker em Outubro de 1895Admitido o simples condicionamento material, Engels, tornava mais aceitável e reforçava ainda mais a doutrina revolucionária da interação, partir da qual os futuros comunistas puderam deduzir que caso a oportunidade oferecida pelo processo histórico não fosse 'trabalhada' ou aproveitada pelo elemento humano, a chance de implementar com sucesso a Revolução ficaria abortada - Daí a insistência cada vez maior no sentido do partido ou da propaganda preparar uma elite de homens no sentido de aproveitarem a oportnunidade histórica.


Daí Rosa Luxemburgo, cogitar que a oportunidade revolucionária não aproveitada poderia descambar em algo totalmente distinto do capitalismo ou do comunismo, o que ela define como barbarismo. Prenúncio do Nazismo??? Quem sabe... Foi o quanto bastou para Lênin e seus sequazes assinalarem-na como heterodoxa, tal e qual Kautsky, Bernstein, Plekhanov, Axelrod, Martov, Gramsci, etc, etc, etc Curiosamente, o citado G Sorel, que nutria séria dúvidas quando ao materialismo mecanicista, também nutria certo temor face a um futuro sombrio e barbaresco...


Importa saber, e esta é nossa conclusão, que o marxismo nascente comportava dois princípios antitéticos, contraditórios ou opostos - Um consciente e outro não. E que no decorrer do tempo Marx e Engels foram apegando-se cada vez mais ao princípio consciente, que conduziria fatalmente a social democracia, até que este foi ligeiramente corrigido por Engels, tendo em vista a elaboração de uma ideologia mais equilibrada, do que resultou uma espécie de social democracia crítica, em que o ideal da Revolução foi protelado para um futuro incerto, como após a revolução russa o fim da ditadura do proletariado seria sucessivamente protelado para um futuro incerto, até atingir setenta anos, e por a luz do dia a farsa ou o equívoco da transição. Claro que, em tais condições, exceto em caso de golpe de estado (Situação em que seria exercida a violência defensiva - Otto Bauer, 1926) os socialistas poderiam conformar-se indefinidamente com a política parlamentar.


Lênin teve de reassumir o ideal do jacobinismo - sem todavia identifica-lo com o idealismo - e de negar toda evolução ulterior, rompendo com ela, e negando, ao menos o pensamento mais elaborado e desenvolvido de Engels. Claro que tudo isto supõem uma traição, inda de inconsciente. Os princípios opostos no entanto, já ali estavam, envenenando o pensamento de Marx. Tudo quando podemos dizer aqui é que Marx era jovem e que o pensamento de cada personagem intelectual deve ser analisado numa perspectiva cronológica e evolutiva.





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segunda-feira, 16 de julho de 2018

O recuo da Revolução nas teorias sociais de vanguarda

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Segundo certa 'Escola' Jesus teria anunciado a manifestação imediata ou premente do 'Reino' de deus a seus seguidores. Estes, a seu tempo, teriam efetuado uma releitura, no sentido de aplica-la a 'segunda vinda' de seu líder, mas mantido a premência... da qual Paulo seria um típico representante.

No entanto a medida em que as gerações envelheciam ou morriam e o 'Senhor' não voltava, a igreja elaborou um novo tipo de padrão escatológico dedicado a prolongar o período intermediário entre sua fundação e a parousia. A interpretação, julgo eu, é bastante discutível senão artificiosa, serve no entanto como exemplo para mostrar o que aconteceu com a teoria revolucionária no interior do marxismo e do anarquismo.

Pois se Marx sempre se distinguiu por certo sentido de realidade, e por uma tendência a concepção etapista - a que chegou por fim - seus correligionários nem sempre se mostraram tão cautelosos, a ponto de crerem, na esteira da tradição jacobinista/individualista (de Voltaire?) que fosse possível adiantar o processo histórico. Sabe, aquela coisa de 'História feita por grandes homens ou por gênios' típica de Carlyle??? Bem isso...

Naturalmente que em alguns momentos Marx também entusiasmou-se ante a possibilidade de que a aquele fosse o momento decisivo. Assim em 1848, assim em 1870. No entanto, após o estrondoso fracasso da Comuna, tornou-se bem mais cauteloso.

De fato o desenvolvimento de sua teoria de Revolução parece conter o germe do quanto será elaborado por Engels, Kautsky e mesmo Gramsci e Bernstein após sua morte, numa linha de raciocínio coerente e lógico que apenas os sectários mais intransigentes são capazes de negar. O pensamento de Marx surge num contexto claramente jacobinista, insuflado pelo blaquismo, com sua ideia de insurreição, e é claro que o marxismo teve de ultrapassar o blanquismo como expressara Engels no prefácio de 1895.

A partir da superação do Blanquismo, em 1895 surgirão duas correntes rivais. A social democracia e o leninismo. Este no entanto esta mais próximo daquele Sorel, porque Lênin afeta arrogante desprezo, mas de cujas obras se nutriu. A autêntica tradição marxista ou a 'sucessão apostólica' parece estar mais próxima da social democracia, a qual se apresenta em Engels sob uma forma bastante equilibrada ou crítica, mas que virá a conhecer outras formas, tanto mais ingênuas é certo.

Importa saber que a solução insercionista ou social democrática, é Engels que no-lo diz (e isto é prenhe de significados), já se apresenta de forma antecipada no famoso Manifesto, onde deparamos com um estímulo a luta pelo sufrágio universal. O mesmo Engels, a continuação, declara - Lassalle tomou o princípio e levou adiante. Apropriou-se de um princípio afirmado historicamente por Marx e Engels em 1848. Engels pode registra-lo sem problemas em 1895 porque Marx já estava morto e, devemos ser claros, Marx nutria por Lassalle uma espécie de inveja que o levava a perder a razão, chegando ao insulto...

Em 1870 Bismarck, tendo em vista certos objetivos, estabelece o sufrágio universal na Alemanha recém unificada e os socialistas de modo geral, inclusive os marxistas, encaram esta alteração política como uma chance ou oportunidade para aproximarem-se do poder. Formam partido e elegem August Bebel, um marxista ortodoxo. No mesmo ano congregam-se em Gotha e subscrevem um programa. Antes que o ano termine Marx subteme o programa de Gotha a uma crítica até hoje bastante citada nos meios marxistas.

Marx arrelia contra a inserção ou contra a social democracia. Buscamos o sentido de sua crítica... E, ao que tudo indica, parece ser sua antipatia insuperável face a Lassalle, falecido já a dez anos. No entanto, em que pese a Crítica tão aplaudida, após algumas emendas destinadas a dissipar certos ares de nacionalismo, Marx dá seu placet  - compreenda-se que Marx não é um São Francisco de Assis corrido por Fr Elias e que nada se faria sem ele em termos de comunismo ou socialismo alemão! - e o partido socialista alemão se torna uma realidade. Dez anos depois e dois anos após sua morte, a filha Eleanor, admitirá que Marx publicou aquela crítica por ódio ao rival falecido e que nos últimos anos de sua vida inclinara-se a social democracia.

Engels o sabia e por isso, com a devida cautela, toma o mesmo caminho.

Importa saber como Marx veio a encarar a Revolução na última década de sua vida. Formulou-se a teoria de Revolução em termos inequivocadamente etapistas ou realistas. O Capitalismo desenvolvendo-se produzindo contradições internas criaria as condições necessárias para a Revolução e sem as quais a Revolução não aconteceria. A História ou melhor a produção econômica é responsável pelas condições dadas, a partir das quais haverão os homens de atuar. Sem as condições dadas conjuração alguma provocada por um ou alguns indivíduos produzirá qualquer coisa... De modo que a Revolução Marxista, embora não seja institucional ou legal, tampouco será violenta ou hecatômbica como a Revolução francesa. Não será nem pacífica mas também não será sangrenta... Neste caso como se dará?

Marx acreditava que do máximo desenvolvimento do capitalismo resultaria um tipo de composição social jamais visto - A um lado um pequeno grupo de grandes capitalistas e a outro uma multidão imensa de proletários. Neste caso a revolução seria pacífica, pois o exército colossal de trabalhadores, cooptados e formados pelo partido comunista, simplesmente removeria esta diminuta elite de parasitas e assumiria o controle. E os mortos não passariam de algumas centenas ou no máximo de alguns milhares de resistentes. Marx no entanto sabia muito bem que essa diminuta minoria de senhores ou nababos haveria de comprar ou de manipular outro significativo contingente de seres humanos, os lupem proletários - ou as massas alienadas - e que estes lutariam por eles.

A questão dessas massas manipuladas pelos milionários e políticos é ainda hoje atual, mas parece não ter preocupado demasiadamente Marx. Teria sido ela a principal responsável por concilia-lo com o insercionismo? Eis o que não sabemos. Digo que a questão das massas manipuladas, numa conjuntura revolucionária, é bastante atual, pelo simples fato dos revolucionários entusiastas ou patológicos, encararem tais massas como carne de canhão... Renunciando a qualquer esforço mais sério no sentido de educa-las, apenas porque semelhante projeto significaria protelar a querida revolução, e há aqui um certo menosprezo pelo elemento humano que não percebo ser compatível com a nobreza da tarefa assumida.

Seja como fora é certo que Engels acabou pronunciando por uma solução não totalmente desprovida de certo sentido humano, a 'violência defensiva', aproximando-se do conceito tradicionalmente Cristão de guerra justa. Claro que para os humanistas os conceitos de Revolução necessária e guerra justa devem hipostasiar-se face as exigências da justiça. O que torna a Revolução em tais casos, tão desejável quanto uma cirurgia. Outro é o caso de entusiasmar-se por uma cirurgia, em termos quase místicos. Quando imaginamos ou concebemos a solução revolucionária, como única e final, como um medicamento amargo, uma cauterização ou uma cirurgia, a que não se pode fugir, penso que estamos no plano da realidade. Quando vibramos com ela ou com seus excessos, chegamos a psicopatia. Talvez, para muitos, esta linha parece tênue. Nós acreditamos que seja real.

Percebam que com Marx a Revolução recua até o máximo desenvolvimento do sistema capitalista e portanto da urbanização, quando as condições necessárias são dadas pelo processo histórico, independentemente das ações humanas ou individuais. O que, ao tempo de Marx, supunha um prazo de tempo mais ou menos longo para diversas sociedades como as mediterrânicas ou a russa. De fato Marx acreditava que Inglaterra e Alemanha eram as sociedades mais propícias a Revolução num prazo mais curto. Portanto a Revolução não era para já como imaginava Bakunin...

A propósito de Bakunin e dos anarquistas temos de compreender que o sentido de Revolução em Proudhon tampouco parece ser jacobinista, blanquista ou draconiano. E ele se refere amiúde a Alexandre, Júlio César e outros conquistadores como tipos de revolucionários por terem produzido, um e outro, a partir de suas conquistas, condições favoráveis a circulação ou difusão de ideias, que a longo prazo haveriam de alterar a realidade social. Assim S luis fica sendo revolucionário porque organizou as Guildas medievais como observa Nisbet 'Os filósofos sociais' 1982 p 367 "É impossivel não concluir que Revolução no pensamento de Proudhon, não passa de uma palavra destinada a designar qualquer mudança social importante, decisiva e irresistível." ib ibd


Tal e qual costumamos dizer Revolução Cristã, Revolução socrática, Revolução sexual, etc

Assim se Bakunin, influenciado pelo psicopata e demagogo Nechayev, por quem alias era apaixonado, passa a apresentar a 'propaganda pelo fato' nos termos terroristas de um Thomaz Muntzer e a apregoar o veneno, a corda, o estrangulamento, etc Temos que o tema tão querido aos atuais anarcóides, aparece apenas esporadicamente no Kropotkin maduro, o qual na velhice aproximasse definitivamente de L Tolstoi e de uma solução ética em que percebemos um eco do Evangelho. Longe de embarcar na canoa furada de Maquiavel, pouco antes de passar a eternidade, o patriarca dos anarquistas eslavos, ousa erguer sua voz contra o todo poderoso Lênin e condenar o recurso ao fuzilamento, a tortura e outros meios anti humanos porque se queria levar a Revolução a cabo, manchando a nobre doutrina do socialismo (A expressão é de Kropotkin).

O emprego sistemático da violência numa perspectiva individualista - condenado pelos mesmo pelos blanquistas e sorelianos - por parte de J Most, O Henry, Ravachol e outros não passou duma fase na vida do próprio Bakunin, e a respeito do qual não achamos consonância quer em Proudhon, quer em Kropotkin. Neste caso por que os anarquistas ou parte deles teriam adotado semelhante método a não ser por questões de ordem patológica que nos remetem a psicopatia. Que haverá de ideológico em explodir ou fuzilar civis inocentes numa praça qualquer??? O anarquismo teve de pagar o justo preço por isto e seus paladinos - apos terem ceifado a vida de mulheres, idosos e crianças - de serem levados ao cadafalso, além de terem fornecido a burguesia amplo repertório de fantasmas com que povoar o imaginário das massas alienadas, precavendo-as contra quaisquer mostras de justa indignação face ao sistema. Foi um método contraproducente, embora aplaudido e louvado por alguns 'bostinhas' de nosso tempo...

A corrente rival - face a social democracia - que desenvolveu-se no marxismo recebeu o nome de leninismo, por ter sido elaborada por W Lênin na Rússia. Lênin, a princípio fora pupilo de Plekhanov, o qual na juventude, confabulará com Engels e assimilara o etapismo. Foi Plekanov que os Nayrodnyia objetaram dizendo: "Por que para chegar no paraíso comunista temos nós de passar pelo inferno capitalista?" questionando o sistema evolucionista linear. Pois bem, Lênin acabou afastando-se de seu mestre por chegar a crer - contra Marx - que a Revolução podia acontecer sem que o capitalismo se desenvolve-se ao máximo na Rússia. A Revolução devia acontecer agora ou já, o que supunha uma tática distinta tanto da propaganda pelo fato de Bakunin quanto as conjurações Blanquistas. Engels já havia indicado o árduo caminho no prefácio de 1895, mas Engels, como Marx, dava tempo ao tempo. Lênin não... Daí ter tomado o conceito de elite guerrilheira as obras do anarquista francês Sorel. Foi esta tática vanguardista que lhe permitiu, contra as advertências de Marx, 'adiantar a História' e implantar sua querida Revolução (em termos jacobinistas) num país predominantemente rural recém saído da feudalidade.


A custa de indizíveis sofrimentos e crueldades, prolongou-se esta estado, anômalo, de coisas, até 1989, quando caiu. Possibilitando a canalha liberal economicista, declarar que a solução socialista, de modo geral, estava morta e sepultada. A parte honesta dos próprios marxistas no entanto teve de concluir pelo erro cabal de Lênin, i é, de pretender fugir as condições dadas e apressar o processo histórico. Claro que semelhante advertência só faz sentido dentro da ótica marxista em que eles, que se dizem marxistas, se situam. Eu fico com os Nayrodnyias e com certas correntes anarquistas que encaram a passagem das antigas formas para o capitalismo ou para o tecnicismo como absolutamente desnecessárias e indesejáveis.


Resta-nos dizer que após Marx e Engels terem preparado o caminho Kautsky, Adler, Rosa, Gramsci e outros, ao menos em algum momento de suas trajetórias chegaram a cogitar se o domínio do Parlamento pelos socialistas através das eleições não corresponderia a 'Ditadura do proletariado' ou não seria seu ponto de partida? Para os leninistas cada um deles - e muitos outros - mereceu ser classificado como revisionista, o que para nós significaria traidor, renegado ou herético... Bernstein no entanto foi que, rompendo com todas as convenções, estabeleceu o babovismo/blanquismo como ponto de partida do jovem Marx, sendo capaz de traçar toda a ulterior evolução de seu pensamento até a morte de Engels, concluindo por uma política parlamentar que, em que pese as advertências de Engels e os exemplos de Bebel e Guesde não deixou de ser contraproducente e degradante, devido as alianças ou pactos imorais e as lutas pelo poder. E alguns disseram que o homem há que entrar no cenário da política institucional para sujar os pés...


Claro que a opção/ação social democrata precisa de uma alta doze de criticidade, tal e qual fora sugerida por Engels. E que de modo algum elimina a possibilidade ou mesmo a necessidade de uma Revolução ou de uma guerra justa tendo em vista satisfazer a demanda da justiça. O que não nos leva a, esgotados todos os recursos possíveis (como a desobediência cívil, a greve geral, etc ) ao delírio místico em torno da violência desbragada ou a ignorar os riscos implicados em tal opção. Pois como temos dito e repetido em diversas ocasiões, a revolução é como um remédio amargo, uma cauterização ou uma cirurgia, e quem a olha com encantamento só pode ter sérios problemas de ordem psicológica. Nós não excluímos a Revolução, mas tampouco encara-mo-la como receita de bolo ou bula de remédio, a exemplo dos jacobinistas. Nem será ela capaz de eliminar todos os nossos problemas. Mesmo uma Revolução, para ser bem sucedida, exige que as massas sejam transformadas em povo consciente e levadas a cabo por ele, devendo vir de baixo para cima. Assim a Revolução, também ela, deverá ser preparada com décadas de antecedência e não realizada a esmo. Mesmo Lênin sabia que um mínimo de organização e de coordenação era absolutamente necessário. Então já sabemos porque todas as conjurações anarquistas, mesmo a conjuração espanhola, falharam estrondosamente.


No próximo artigo tentaremos examinar a teoria revolucionária sob a perspectiva da ética e da própria liberdade.




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August Bebel

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Problemas de marxismo - Engels, a revolução e a democracia ou 'Os caminhos da social democracia'.

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Muito se tem discutido a respeito do posicionamento de K Marx e F Engels face as instituições democráticas, o que torna a questão no mínimo controversa. Há um grupo em especial que exasperasse face ao tema: O dos jacobinistas irredutíveis ou dos que admitem como única forma possível de luta o confronto violento entre proletários e burgueses e consequente tomada de poder pelos últimos, fazendo uso da força bruta é claro. Este grupo repudia como falacioso todo e qualquer discurso em termos de inserção na 'política burguesa' ou democrática, que vá na direção da social democracia, a qual amiúde classificam como uma traição ou apostasia face ao ideal revolucionário legado pelos panfletários alemães.




Claro que o número de compreensões a respeito deste tema é bastante variado.

De nossa parte, sem assumir compromisso com qualquer das partes, pretendemos acompanhar a cronologicamente a trajetória ideológica de Marx e Engels numa perspectiva evolutiva, salientando as derradeiras conclusões a que chegaram um e outro; e antes disto apontar as fontes em que beberam os principais conceitos afirmados em suas obras e em que medida tais conceitos foram sendo sucessivamente reformulado. Embora o pensamento de Marx e Engels não nos pareça contraditório como ou de um Proudhon, não é menos claro que conheceu um desenvolvimento orgânico e no mínimo algumas reformulações.

Antes de tudo, partindo de um princípio realista - designação cara ao 'jovem' Marx - temos de levar em conta o momento histórico em que Marx e Engels estavam situados e conecta-los com diversas outras correntes ideológicas quais sejam a Revolução francesa, o babovismo, o blanquismo, o st simonismo, o positivismo, etc Do contrário não chegaremos a lugar algum. Consideremos aqui uma época de instabilidade e transformação, em que os velhos clubes da Revolução - estruturados por Benjamin Constant - transformam-se em ligas e as ligas em partidos... Marx e Engels vivem esta e outras tantas transformações.

Quanto a Marx  - Surpreendam-se - foi antes de tudo um homem de vasta leitura ou um erudito e faz saber ao velho Aristóteles. Exilado em Londres foi frequentante assíduo da Biblioteca municipal. Onde pode ler os principais teóricos do liberalismo clássico - uma de suas três fontes - em sua totalidade. Como havia lido os 'utópicos' (st Simon, Fourier, Owen, Cabet, etc) e como lerá Comte... E aqui e ali vai coletando os elementos presentes em sua no mínimo 'grandiosa' síntese (nem mesmo o profo Olavo de Carvalho destoará de nós - apenas os liberaizinhos de merda!) em Babeuf, Blanqui, St Simon, Fourier, Stein, Sismondi, etc, etc, etc

A Lorenz Von Stein (As correntes socialistas na Revolução Francesa - 1842) tomou a ideia do conflito como motor da História, de Babeuf a ditadura do proletariado, de Blanqui o método insurrecional, de Sismondi o valor do trabalho, etc

Comecemos observando o drama da Revolução francesa e quiçá o de todas as Revoluções. O povo como um todo não esta preparado para a nova ordem das coisas. Há massas alienadas em quantidade e assim, o ambicioso projeto democrático fundamentado na antiga república romana, no paradigma de Bruto e Cássio, sai forçosamente de cena, dado lugar - pasme leitor querido! - ao espectro de Júlio César, o ditador odiado... Assoma Robespierre, e após ele Napoleão, e em seguida Lênin, Stalin... e jamais se sai disto. Os positivistas delineiam uma aristocracia de sábios, cientistas, juristas, etc a testa da qual esta o 'tirano educador'. Babeuf e Blanqui concebem algo pouco diferente, a ditadura do proletariado, enquanto minoria educadora, sempre representada por um líder ou déspota, um déspota esclarecido.

É 1852, Marx e Engels adotam a solução comum da ditadura do proletariado; apenas formalmente, pois haviam já adotado o conceito alguns anos antes.

Agora por que adotaram esta solução?

Adotaram-na por que antes adotaram a solução jacobinista ou revolucionária legada por aquele evento histórico e transmitida conforme a tradição de Babeuf Buonarroti e Blanqui, o insurrecionismo. Com o qual Marx e Engels rapidamente romperão, após terem refletido sobre os sucessos de 1848 e 1870. É Engels que sem sacrificar completamente o ideal da Revolução, substitui o método arcaico da insurreição e suas barricadas pelo modelo da conspiração ou da formação a longo prazo. Ademais Marx e Engels, como o próprio Kaustky e muitos outros, sabiam que as condições para a Revolução não podiam ser criadas, devendo ser dadas, conforma o Capitalismo fosse substituindo as estruturas precedentes e se desenvolvendo, conforme o ideário etapista. Blaqui, sendo bem mais, ingênuo - assim como os anarquistas - não levava em conta tais condições, perdendo-se nos meandros do espontaneísmo, se bem que condenasse veementemente - como Marx e Engels - a prática dos atentados isolados posta em prática por parte dos anarquistas.

Aqui uma pausa importante. Marx, Engels e tampouco Blanqui, recomendaram a adoção de métodos terroristas postos em prática por indivíduos ou a explosão de bombas em praças ou prédios públicos por onde circulavam populares inocentes. Sempre tiveram em mente alguma forma de organização e ação social ou comum, assim como guerrilhas... Os anarquistas desde o início foram contaminados pela ideologia individualista e chegaram a crer que indivíduos isolados fossem capazes de alterar o curso da história; assim Ravachol, assim Takchev... Os marxistas e blanquistas jamais.

No entanto os blanquistas, como foi dito, não levavam em conta as condições materiais e mesmo o desenvolvimento técnico do estado burguês, como declara Engels na 'Introdução' a obra de Marx sobre a luta de classes da França (1891). De modo que o método deles ficou desatualizado, tornando o proletariado vulnerável. Diante disto os marxistas tiveram de reformular a tática, no sentido de levar em conta o apoio da maioria - já estava embutido na teoria deles - o armamento, o treino, a posse das armas e munições, etc Produzindo uma doutrina revolucionária bem mais prudente e comedida, associada a prática parlamentar ou a inserção.

Chegando a este ponto impõem-se o questionamento - Qual a derradeira opinião de Marx e Engels sobre a inserção parlamentar???

Vamos tentar traçar o panorama ideológico com que nos deparamos ainda hoje:

- Num extremo temos um grupo de sociais democratas que, guiados por Bernstein, assumiram um pacifismo absoluto, abdicando por completo de quaisquer soluções violentas. Para eles a inserção parlamentar é suficiente ou basta. É inegável que eles mutilaram o prefácio elaborado por Engels em 1891 e por isso nós empregaremos exclusivamente - neste artigo - a Ed soviética integral publicada por Riazanov em 1930.

- No extremo oposto temos os que negam, por parte de Engels e Marx qualquer aproximação com a social democracia ou com a ideia de inserção parlamentar, sustentado que a única forma viável de ação seja o confronto direto ou a revolução violenta. Este grupo converge com os anarquistas para o abstenceísmo.

- Num meio termo damos com Engels, e Kautsky, e Rosa Luxemburgo, e Gramsci e uma infinidade de outros teóricos e podemos definir esta opção em torno da definição fornecida por Otto Bauer (Linz 1926)- A aplicação da violência ou da resistência armada apenas como recurso de defesa (Violência defensiva) ou quando o jogo democrático for violado pelos liberais ameaçados ou seja apenas em caso de golpe, o que faz lembrar a velha doutrina da Guerra justa formulada pelos Católicos a partir de Agostinho.

Repassemos as três.

Contra os sociais democratas que excluem por completo e aprioristicamente o recurso a força ou a violência, temos que Liebknecht mutilou o referido prefácio elaborado por Engels com o intuito de favorecer as opiniões de Bernstein, do que se queixa amargamente numa carta a Lafargue, datada de 03 de Abril de 1895. A honestidade nos obriga a declarar que Engels jamais aderiu a um pacifismo ingênuo ou absoluto, depositando todas as suas confianças na política parlamentar, na direção da qual caminhou no entanto...

Quanto aos jacobinistas irredutíveis - que continuam apresentando a política parlamentar como o anti Cristo, a inserção como uma heresia e a revolução violenta como uma receita de bolo em moldes metafísicos, as objeções são muito mais graves e fortes.

A princípio concentram suas baterias nas mutilações feitas por Liebknecht e chegam a falar em falsificação. Ao mesmo tempo de dizem ter sido Engels pressionado pela Richard Fisher no sentido de atenuar seu discurso. Esta última alegação é fútil, faz supor que Engels trairia seus princípios... é injuriosa para com ele, pois atenuar é uma coisa e alterar, mentir, falsear, sacrificar, são coisas bem distintas.

Então eles afirmam que jamais houve esta aproximação, inda que nímia, face a democracia. E centram suas baterias no prefácio de 1895, como se se tratasse do único documento ou dum testemunho isolado.

No entanto além do prefácio integral - prenhe de significados - temos o testemunho de Eleanor, filha de Marx e mais, as últimas cartas enviadas por Engels a Bebel, Victor Adler e Kautsky. Podem dizer que Eleanor mentiu, traiu ou caluniou seu afamado pai, mas sobre as cartas acima citadas não pesa suspeita alguma quanto a autenticidade; PELO QUE NÃO TEM SIDO PUBLICADAS PELOS COMUNISTAS 'ORTODOXOS' embora constem em MEW, donde todos podemos extrair cópias ou simplesmente le-las!

Ora eu mesmo lí uma destas cartas, endereçadas por Engels a Kautsky numa publicação marxista heterodoxa onde deparei com praticamente a mesma fórmula empregada por Bauer em Linz 1926 i é em torno da violência defensiva. Engels dizia a seu interlocutor que o jogo democrático deveria ser mantido até os burgueses violarem-no, quando só então os comunistas deveriam tomar as armas e contra atacar os 'golpistas'. Foi o que li com estes olhos que a terra há de devorar um dia, e o dito livro esta tombado em minha Biblioteca.

Noutra publicação deparei com este não menos elucidativo fragmento tomado a uma carta endereçada ao mesmo Kautsky a 29 de Junho de 1891 - "Se uma coisa é certa é que nosso partido e a classe operária, só podem chegar ao poder sob a forma de uma República democrática. Esta é inclusive A FORMA ESPECÍFICA DA DITADURA DO PROLETARIADO." in Bottomore; Zahar 2012 p 499Esta solução é endossada pelos austríacos, por Kautsky e por Rosa, de modo que o primeiro é apresentado como renegado e a segunda como revisionista pelo russo Lênin, um dos paladinos do jacobinismo. Kautsky alias, fiel ao pensamento de Marx e Engels, declarava insistentemente que inserção ou reforma alguma impediriam o colapso do Capitalismo, determinado por sua própria evolução ou desenvolvimento, e que a Revolução aconteceria de qualquer modo. Já veremos que o próprio Engels teve de lançar água fria a fervura dos mais afoitos, declarando que não haveria revolução alguma sem que o processo histórico produzisse uma nova oportunidade, similar a de 1848. Entrementes, continua Engels, os comunistas, inda que estimulados por seus adversários, não deveriam fomentar qualquer tipo de sedição.

Passemos agora a terceira versão ou ponto de vista, a que chamaremos de social democracia realista ou crítica, em oposição a ingênua ou pacifista.

Para tanto passaremos a resumir o texto integral do prefácio de 1895.

Qual a ideia central desse texto?

Dando provas de supina honestidade Engels, nas primeiras linhas do prefácio faz lembrar que o Manifesto de 1848, aludia a uma luta pela democracia nos termos do assim chamado 'sufrágio universal'.

Concentre-mo-nos primeiramente neste ponto. Do sufrágio universal.

De fato quando nós, cidadãos do século XXI, ouvimos falar em democracia ou na democracia do século XIX, imaginamos que era idêntica, e que todos votavam ou participavam, inclusive os pobres e trabalhadores. Nada mais equivocado. Pois se a democracia principia na França revolucionária com o sufrágio universal, este só será implantado na Alemanha em 1870, nos EUA em 1856, na Dinamarca em 1849 e por ai em diante.

Até os idos de 1850 apenas os burgueses escolhiam representantes tomados a seu grupo com o objetivo de governar a nação, de modo que a democracia estava nas mãos da burguesia, não passando de uma plutocracia. Os pobres, os trabalhadores e os campesinos não tinham voz. Continuavam a ser comandados como antes. Não mais pelos nobres, mas pelo ricos.

A adoção do sufrágio universal no entanto, por franquear as eleições e candidaturas aos pobres e trabalhadores, oferecia novas perspectivas. E Engels avalia-as como promissoras, ao contrário dos anarquistas, presentes a algum tempo nos países 'latinos' i é Espanha e Itália. O próprio Engels afirma que eles não acreditavam de modo algum no sufrágio universal, definindo-o como mais um 'doce' com que a burguesia pretendia entreter o proletariado, enfim como uma ilusão.

Partilhará Engels de semelhante preconceito?

Vejamos.

"O primeiro grande benefício que os trabalhadores alemães prestaram a sua causa consistiu no simples fato de sua existência como partido socialista... sub ministraram a seus camaradas de todos os países uma arma nova, uma das mais afiadas, ao fazer-lhes ver como se utiliza o sufrágio universal.


Nos países latinos eles encaravam o sufrágio universal como mais um engano empregado pelo governo. Na Alemanha não foi assim. JÁ O MANIFESTO COMUNISTA HAVIA PROCLAMADO A LUTA PELO 'SUFRÁGIO UNIVERSAL' E PELA DEMOCRACIA COMO UMA DAS PRIMEIRAS E MAIS IMPORTANTES TAREFAS DO PROLETARIADO MILITANTE E LASSALLE HAVIA ENFATIZADO ESTA DIREÇÃO. E quando Bismarck se viu forçado a introduzir o sufrágio universal... nossos trabalhadores tomaram a coisa a sério e enviaram Bebel ao Reichstag constituinte e desde aquele dia em diante TEM USADO O DIREITO AO SUFRÁGIO DE TAL MODO, QUE TEM TRAZIDO PARA ELES INCONTÁVEIS BENEFÍCIOS E SERVIDO DE MODELO AOS OPERÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES." 
Prefácio completo

A partir daí desenvolve Engels o seguinte raciocínio - Na medida em que os trabalhadores forem tomando consciência de classe e inserindo-se no Parlamento acabariam por interferir cada vez mais na política econômica até faze-la reverter contra a burguesia e esmaga-la. Ele mesmo apresenta alguns exemplos neste sentido por parte de ilustres representantes da burguesia e podemos dizer que com isto Engels se dá conta não só da importância do político - já assinalada por Blanqui - mas sobre a tensão existente entre o liberalismo político e o liberalismo econômico; e chega a conclusão de que o governo pode ser tomado pelo proletariado. Os anarquistas, por questões de metafísica em torno da autoridade - que concebem como um mal em si mesmo e sempre como algo pessoal - é que negam-no, peremptoriamente. Mas Engels vai na direção oposta...

E saca uma conclusão vital no sentido de compreendermos o papel da violência e da Revolução classicamente definida em seu esquema de pensamento. Uma vez que a democracia tende a passar ao controle do proletariado segue-se que este ditando a política, será capaz de despojar institucional ou legalmente a burguesia. Como esta no entanto não estará disposta a ser deixar despojar, impõem-se uma conclusão necessária: Em algum momento subsequente a burguesia terá de violar as regras do jogo democrático ou de apelar a um golpe, assumindo formas totalitárias e repressoras. Neste momento os proletários deverão estar preparados para resistir, revidar e tomar o poder.

Em algum momento Engels, mostrando sua genialidade, constata que o melhor caminho para a Revolução, o mais efetivo, é a inserção parlamentar, por meio da qual, ao menos durante algum tempo, o proletariado poderia despojar a burguesia, até o instante em que a burguesia, arrancando sua máscara, apelasse ao golpe, a força e a coerção, atacando os socialistas. A esta altura, como já dissemos, entra a doutrina da violência defensiva e com ela ou atrelada a ela, uma Revolução adrede planejada nos mínimos detalhes. Temos aqui uma síntese equilibrada e magistral, que não se contenta com o pacifismo ingênuo dos sociais democratas à la Bernstein e tampouco com o velho jacobinismo legado por Babeuf.

Dir-se-ia que o velho Engels, sem jamais abdicar do ideal de Revolução, postergou-o tendo em vista não apenas as oportunidades oferecidas pelo processo histórico, mas as ulteriores mudanças políticas e técnicas. Ele deduziu que a Revolução exige um lento preparo, treino e organização. Foi um passo importantíssimo que os jacobinistas não aceitam.

Diante disto que dizem eles, os jacobinistas?

Antes de tudo apelam a um fragmento em que Engels declara que aquela solução era a solução apenas para a Alemanha daquele tempo e não para os demais países, Itália, França, Espanha, Inglaterra, etc É tudo quando podem opor ao óbvio... E como compreende-lo?

É possível e provável que Engels, na perspectiva da cultura, encarasse seus alemães como um povo especial, superior ou mais evoluído. E aqui teríamos o germanismo superestimado... Seja como for ele faz, no mínimo, uma exceção a regra geral, e sabemos que exceções levam a exceções. Pelo simples fato de que, se a situação futura da Alemanha podia mudar, também a das outras nações podia mudar e tornar-se semelhante as daquela Alemanha, i é da Alemanha favorável a social democracia... Em questão de princípios não se faz exceção. Mas é normal que um alemão faça exceção a sua Alemanha. Anormal é que não alemães acompanhem-no. Ademais se os estádios do processo estavam atrelados a produção econômica, na mesmo medida em que a produção dos demais países atingi-se o mesmo estádio que a produção da Alemanha aquele tempo, produzir-se iam as mesmas transformações sociais e condições políticas, no caso favoráveis a social democracia.

Em todo caso estava Engels negando que a Revolução violenta correspondesse a uma receita de bolo ou bula de medicamento aplicável a todas as épocas e lugares. É dedução que salta a vista.

Ademais costumam nossos adversários citar certas alusões depreciativas ao termo 'Social democracia' tomadas aos primeiros escritos de Marx e Engels. Esta claro, diz Bottomore, com razão absoluta, que não poderiam estar se referindo a social democracia alemã pós 1870, mas a outro tipo de tentativa, totalmente diversa, levada a cabo pelos franceses, e com temperos de proudhonismo. Quando a social democracia alemã dos anos 70, Engels reconhece - Volkstaat 1894 - que era perfeitamente aceitável.

Aluídas tais críticas nada resta de muito sério ou relevante.

Temos aqui um quadro perfeitamente discernível: Sem chegar a compactuar com Bernstein e os pacifistas ingênuos dispostos a acordos comprometedores, Engels, que sobreviveu a Marx quase quinze anos, vai gradativamente afastando-se do jacobinismo extremo legado pela revolução francesa, do insurrecionismo de Blaqui e mesmo de qualquer tipo de revolucionarismo apressado que não levasse em conta as circunstâncias externas para, a partir da afirmação do sufrágio universal, entusiasmar-se - esta é a palavra certa - pela teoria da inserção, sem no entanto abdicar do uso da força numa Revolução futura e conscientemente planejada que julgava a um tempo distante e a outro inevitável.

A partir de sua posição outros tantos teóricos partidários da inserção na política parlamentar foram capazes de apresentar-se como continuadores seus, mesmo quando se afastavam dele, pelo simples fato de ter sido ele um continuador de Marx em que pese ter se afastado dele - Se é certo que Marx morreu apegado ao quando escrevera na Crítica ao programa de Gotha (Eleanor Marx e Engels negam-no explicitamente) ou irredutível - na mesma medida em que afastou-se da receita de bolo ou mapa da Revolução violenta ou da insurreição.