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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Curso de Política I - Voto: Entre a abstenção e o pensamento mágico.

Nada mais icônico do que a propaganda dos T. E.s sobre a importância do voto no rádio e na TV. Tem certo ar de misticismo ou melhor de fetichismo que chega a repugnância. É sem dúvida algo que baralha a realidade e mistifica.

Querem passar a impressão, leviana; de que ser cidadão resume-se em votar i é em ir, obrigatoriamente, de quatro em quatro anos participar do ritual de transferência de poder que sanciona o 'status quo'. Querem passar a impressão de que votar tudo é e tudo resolve e esta impressão é perigosíssima.

Não nos enganemos, votar é um detalhe, quiçá ínfimo. É algo que faz parte da política ou melhor da cidadania, mas que não pode esgota-la.

Votar nem nos converterá em cidadãos nem solucionará todos os nossos problemas. Faz parte, não é tudo.

Alias devemos aproveitar a oportunidade para salientar a monstruosidade do voto obrigatório num contesto democrático.

O que por sinal corresponde a uma intencionalidade, e a uma intencionalidade política - Impedir ou travar a consolidação de uma política consciente e cidadã.

Afinal aquele que vota por força da lei, obrigado, revoltado...Votará de qualquer jeito ou em qualquer um, quando não venderá seu voto aquele que pague mais. Consolidado nosso coronelismo enrustido e alimentando ainda mais a venalidade e a corrupção.

Da obrigatoriedade do voto é que resulta este mercado ou melhor a oferta de eleitores que se vendem e podem ser facilmente comprados. A massa se vende porque não vê motivo algum para votar... porque não vê sentido nesta ação... E não vendo sentido esculacha, votando no tiririca ou mesmo num bode.

No outro extremo temos os abstenceístas, muitos dos quais anarquistas.

Nós, eles e os autoritários conscientes ou fascistas temos algo em comum: Reconhecemos as deficiências, mazelas, vícios e defeitos do sistema representativo elaborado por John Locke no século XVII. Democrata que não reconheça a fragilidade intrínseca da democracia representativa ou burguesa fantasia e não pode ser bom democrata. Nós, com os contrários, reconhecemos o problema.

Os anarquistas no caso acreditam que o sistema entrará em colapso por meio do abstenceísmo i é do voto nulo ou da não participação nas eleições. No entanto, o que vemos e percebemos é que, apesar das abstenções o sistema continua firme e forte, sem dar sinais de que esteja demasiadamente abalado ou prestes a cair. Os nulos hoje ainda não passam de 20%. Será que um dia chegarão a 80%??? Tenho motivos para duvidar...

No caso deles a abstenção ou seu sucesso levaria ao colapso do que chamamos macro estado. Mas quando Brasil ou Argentina dissolverem-se política e administrativamente que haverá de substitui-las? Pequenas agremiações regionais ou mesmo municipais a semelhança das antigas cidade estados gregas? O que inclusive facilitaria, sem dúvida, o exercício da policracia ou da democracia direta. É um ideal nobre - o da policracia - e do qual partilhamos, sem no entanto nos deixar enganar pela solução das cidades estado.

As cidades estado gregas, num determinado momento assumiram, em sua maior parte, a forma democrática. Foi algo belo e esplendoroso, mas nem tudo foram rosas. Pois havia, lá fora, um colossal Império persa a espreita. O trágico aqui foi que as cidades gregas não se conseguiram entender e formar uma Unidade contra o inimigo comum, o que gerou um impasse. Durante mais de século viveu a Grécia sob pressão daquele inimigo externo unificado. Até que Alexandre conquistou-o. Não sem antes unificar a força as cidades estado e, consequentemente erradicar a democracia, exterminando-as em seu próprio berço. Não poucos teóricos alegam que teve de imolar a democracia as necessidades da cultura. Pois fragilizada pela divisão e conquistada pelos persas a Grécia viria a compor o Império e a perder dua identidade cultural.

Foi uma opção dramática, e que até hoje não podemos avaliar serenamente.

Não se diga porém que inexiste um Império semelhante ao persa disposto a ocupar qualquer nicho ou espaço criado no planeta. Seria pura ingenuidade acreditar que as cidades estado do 'aquífero' não seriam assediadas por um inimigo externo poderoso e muito bem organizado nos tempos em que a água vai adquirindo tanto valor. Seria igualmente ingênuo asseverar que nossas cidades estado brasileiras ou bolivianas manteriam a concórdia ou conservariam algum tipo de unidade militar. Francamente falando, olhando para o Norte deste continente, não creio que a adoção do modelo grego convenha a América latina. Aqui temos de ser realista.

Por isso sou favorável, quiçá seguindo o exemplo de Bolivar e de José Bonifácio, a construção de uma democracia cada vez mais direta no contexto do macro estado. Quiçá através dos meios de comunicação digitais e a exemplo do Demoex da Suécia.

Abrir mão do macro estado no atual contexto bem poderia beneficiar a construção de um imperialismo colossal.

Outros tantos anarquistas, cientes de todos estes problemas, tornam a Bakhunin com seu evasivo - Não sabemos nem queremos saber que venha ser o futuro mas apenas destruir... No entanto é próprio do homem pensar o futuro ou melhor planeja-lo. Seja como for esta evasiva me parece fútil. Pois quem sabe se destruindo o que existe sem pensar o futuro não estamos preparando um futuro pior???Refletir e buscar soluções sóbrias sempre foi o caminho mais seguro para chegar ao melhor e o ser humano merece esta seguridade. Temos assim de oferecer algo ou alguma perspectiva com relação ao futuro e não me parece que o anarquismo esteja sendo bem sucedido neste sentido.

Já dissemos quando oferece alguma resposta sobre o futuro na melhor das hipóteses recorre a experiência grega em torno das cidades estado. Experiência que como vimos não deixou de ser problemática, como não deixa de se-lo no tempo presente. Dizemos melhor das hipóteses ou mais realista pelo simples fato de que parte dos anarquistas jamais furtou-se a quimera Stirneriana em torno de uma Não sociedade ou de agremiações de indivíduos, chegando aos confins do ANCAP...  Claro que isto não corresponde aos ideais de um Kropotkin ou mesmo de um Bakhunin, e no entanto ao menos parte deles tem cogitado na eliminação do que concebemos por Sociedade. Como se vê, a confusão entre as noções de Estado e Sociedade torna o problema ainda mais sério e abre as portas para o espectro do individualismo...

Já os autoritários, militaristas, absolutistas, fascistas, etc são pela eliminação da democracia e pela adoção de uma ordem hierárquica, autoritária e despótica. A solução não podia ser pior... embora seus teóricos conheçam, talvez até melhor que os anarquistas, os vícios e defeitos da democracia burguesa.

Não poucos dentre eles - digo parte dos fascistas -  tem exposto de deplorado a existência do que chamam plutocracia ou seja, de uma regime político ou de uma democracia a serviço de interesses puramente econômicos, do mercado ou do capital. A crítica não parte apenas dos Comunistas, mas de alguns fascistas, alias classificados como socialistas. Seja como forma eles acreditam que uma autoridade 'neutra' seja capaz de julgar a questão, de fazer justiça aos injustiçados, de conter as aspirações do Mercado e de cimentar a conciliação entre as partes instaurando uma 'paz perpétua'.

O problema aqui não diz respeito a suposta neutralidade classista ou econômica da autoridade em questão. Nem poderíamos negar a priori a existência de uma autoridade ética e voltada para o bem comum. O problema aqui é de ordem histórica, matemática e psicológica. Será prudente apostar que o titular de tão grande autoridade não se deixará corromper pelo exercício da mesma? Parece-me que para cada monarca virtuoso a História nos oferece o exemplo de mil psicopatas e degenerados como Heliogabalo, Tamerlão, Hitler, Stalin ou Bush. Não eu não acho prudente apostar no poder e na autoridade de um só e julgo que o poder absoluto corrompe absolutamente produzindo apenas monstros. Aqui os nobres e virtuosos correspondem a ínfima exceção, sendo coisa rara.

Para mim a solução pelo autoritarismo seria emenda pior que o soneto. E vemos já quem em nome da autoridade, da lei e da ordem queira sancionar a praga da tortura, que é um crime contra a humanidade.

Melhor que os homens partilhem a administração das coisa pública e se contenham uns aos outros.

Tornamos assim a solução democrática, em torno da participação, do gerenciamento comum do poder e da cidadania. Sem deixar de reconhecer que nossa forma ou estrutura é viciada e que deva ser alterada de modo a tornar-se mais eficiente e assim mais democrática.

Não é nem pelo individualismo e pela destruição, necessária, do macro estado e menos ainda pelo retorno ao despotismo que devemos sair da democracia burguesa, formal, parlamentar ou representativa mas por meio da democracia direta ou da policracia.

Nosso objetivo deve ser construir, na dimensão do macro estado, novos mecanismos capazes de ampliar a participação popular ou a cidadania, além é claro de empregar os mecanismos consagrados do plebiscito e do referendo com uma assiduidade cada vez maior. Devemos além disto priorizar a política de base resgatando o velho ideal do municipalismo, pois é na esfera do município que se torna possível um nível maior e mais profundo de participação.

Dentro desta perspectiva é claro que o voto acabará perdendo seu brilho artificial. Terá cada vez mais um peso relativo.

De certo modo o próprio abstenceísmo não deixa de presumir demasiadamente do voto e de emprestar-lhe muito importância. Pois aposta que o aumento dos votos nulos levará o sistema ao colapso.

O quanto podemos dizer sobre a realidade do tempo presente chega a ser simples - A propaganda posta em circulação nos meios de comunicação e que identifica a cidadania ou a política com o ato de votar é tendenciosa. Votar não solucionará todos os nossos problemas e isto pelo simples fato de que outros também votam, de que ignorantes e canalhas votam, de que as massas sem consciência votam... Assim, a cidadania pressupõem certo 'proselitismo' ou cerra dose de conscientização. Temos de discutir, de dialogar, de debater sobre política, temos de argumentar e de ganhar o outro, temos de persuadir o outro sobre a importância do voto cidadão, temos de nos engajar na política antes de dizer que a política não presta.

Platão já dizia que não se fará uma boa política sem a participação dos bons cidadãos. E é aqui que a abstenção, fuga ou omissão dos virtuosos enojados dará espaço e poder aos maus... Caso nos retiremos o preço a ser pago será sermos dominados pelos maus ou pelos inferiores, pelos ignorantes, pelas massas...

O Brasil é exemplo vivo disto.

Bolsonaro e seus apoiantes, assim como a sinistra bancada 'evanjéguica' correspondem a minorias ou a elementos minoritários muito bem articulados que auferem imenso benefício da abstenção por parte dos que não concordam com seus respectivos ideários. Pois bem, estas pessoas virtuosas e conscientes poderiam ajudar-nos a conter estas duas ameaças, mas preferem lavar as mãos como Pilatos e não participar, não interferir.

Digo mais. Com o apoio de tanta gente boa mas desiludida seria muito mais fácil transferir o poder para pessoas que não fossem apenas honestas mas que fossem aptas, digo bem informadas, inteligentes, capacitadas, hábeis, engajadas, etc Querendo ou não as nossas vidas são reguladas e atingidas penas decisões tomadas pelo poder político; e abstenção alguma muda isto. Querendo ou não as pessoas humildes, os trabalhadores, os assalariados, os jovens, as crianças, as mulheres e até os animais e o meio ambiente tem suas existências alteradas ou influenciadas, para melhor ou para pior, pela esfera da política institucional. Querendo ou não o que eles, os políticos profissionais, fazem repercute em nossas vidas sob a forma de qualidade ou de indignidade.

Diante desta realidade inegável fico perguntando-me se não seria melhor partir de princípios e valores saudáveis para escolher representantes leais, dedicados a justiça social, a promoção humana e ao bem comum??? Talvez eleger alguém com tais características seja fazer o mínimo ou alguma coisa. Digo eleger alguém que além de honesto, probo e impoluto seja também conhecedor da realidade social e aspire transforma-la, a partir de uma demanda ética. Agora na falta de semelhante pessoa porque ao invés de criticar e maldizer também não entramos nós na arena da política levando esta ética, estes princípios, estes valores???

Votar com consciência pode ser parte mínima e cada vez mais mínima, no entanto, mesmo assim, faz parte. Não alterará radicalmente as coisas, mas talvez ajude a impedir que elas piorem radical e aceleradamente. Talvez não possamos fazer todo bem que desejamos, mas sempre será possível conter algum mal.

Assim entre a abstenção e o idealismo romântico tomemos por critério um sóbrio realismo. Quem sabe fazendo pouco ou o mínimo seja melhor do que nada fazer ou que sonhar com futuros incertos e imaginários. Talvez abandonar esta forma precária e fragilizada de democracia e permitir que se degenere ao máximo venha a ser o caminho da mais abjeta servidão. Talvez sirva não a propósitos libertários mas a propósitos ainda mais totalitários, opressores, despóticos e tirânicos dos quantos se achem em operação no tempo presente. Afinal, ao fim da linha, que poderá saber quem ou o que substituíra o sistema que temos??? Quem poderá garantir-nos de que não sobrevirá algo ainda pior, mais sórdido e mais destrutivo???


sábado, 20 de maio de 2017

A realidade política do tempo presente: PSDB, PT, Temer, Aécio, Lula, Corrupção, Eleições, Globo... II





01 . Apesar da Globo não prestar ou ser canalha isto não torna Temer nem inocente nem
desejável. Meu ódio a Globo não me torna estúpido ou cego.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/gloria-aos-pastores-que-usaram-seu-pulpito-para-demonizar-dilma-e-divinizar-temer-e-seus-ladroes/



02. A Globo pode muito bem estar temendo a construção de mais um poder paralelo a

sinistra bancada evanjéguica - fundamento pétreo do governo golpista. Se receia desta

bancada - Em que Temer tem se escorado repetidamente - ao menos aqui mostra ter

juízo - A merda tem de ser limpada antes que feda mais


Recordemos que a bucha estourou horas antes do Temer ter ligado para o papa

Malafão pedindo arrego ou melhor bençãos para seu pacote de maldades.



03. Temos duas soluções possíveis: A solução justa e a mais excelente > O retorno de Dilma

Russef ao poder, é esta minha opção preferencial.


Afinal um processo iniciado pelo mafioso Ed Cunha e arquitetado pelos bandidos Aécio e

Temer a testa de um Congresso pestilencioso é nulo de todo valor. Contaminado,

viciado, ilegal, ilegítimo, arbitrário. A melhor saída para o golpe é sua anulação e a

retomada do estado democrático de direito


Todavia caso esta opção se torne impossível, o mal menor corresponderia a convocação

de ELEIÇÕES DIRETAS numa perspectiva pragmática seria a melhor das saídas

possíveis. Alias a luz da doutrina de John Locke, o parlamento brasileiro como um todo -

O qual mais parece a caverna do Ali Babá com dez vezes mais ladrões - deveria ser

dissolvido, sucedendo eleições gerais.


Nenhuma submissão a este parlamento corrupto e venal, em termos de eleição indireta,

sob qualquer alegação, deve ser aceita pelos cidadãos livres. Caso seja necessário o

Congresso deve ser ocupado pelo povo e colocado nos trilhos, exatamente como se faz

em certos rincões do pais. Não podemos deixar, em hipótese alguma esta decisão ao

encargo dessa latrina chamada Congresso.


O retorno de Dilma ou eleições livres NÃO HÁ TERCEIRA OPÇÃO!






04. Claro que devo mencionar sim eleições livres por simples petição a realidade.

Digo isto porque vi os jovens valentões berrando por vinte centavos ou gritando contra a

Dilma, MAS DE MODO ALGUM DE FORMA TÃO MARCADA CONTRA O TEMER E SEU

PACOTE DE MALDADES. Não posso deixa de achar curioso essas pessoas politizadas

fomentarem uma autêntica sedição por causa de vinte centavos e pouco ou nada

fazerem pela previdência do povo contra um governo ilegítimo e golpista. De fato não

constato um clamor generalizado por parte dessas pessoas. Enfrentar a Dilma e até mesmo centrais sindicais é fácil, quero ver ir lá enfrentar o

MEXEU TREME EM BRASÍLIA. Não não vejo os Black Blocks atuando em Brasília

contra o Congresso... Cade eles? onde estão agora que precisamos deles?


05. Aos monarquistas, fascistas, integristas, comunistas e anarquistas respondo que

democracia se faz por acerto e erro, exercitando-se. Claro que PRECISAMOS

URGENTEMENTE DE UMA REFORMA POLÍTICA QUE PROBLEMATIZE QUESTÕES

COMO O VOTO OBRIGATÓRIO, O VOTO DE ANALFABETOS E A CANDIDATURA DE

LIDERES RELIGIOSOS, dentre outras coisas, e no entanto apenas uma bancada de

esquerda democraticamente eleita levará este ideal a cabo.

JAMAIS ESSE LIXO NEO LIBERAL QUE TEMOS.


E menos ainda a mítica sedição ou 'revolução' armada, apregoada por todos vocês,

pelo simples fato de que jamais produz consciência e que por isso mesmo reverteu: Na

comuna de Paris, na Rússia, no México, etc após ter feito verter rios de sangue a troco

de nada, pois após cada uma delas impos-se novamente o estado capitalista ou liberal

e por que? Porque não trabalhou as mentes por meio da educação e da cultura e não

produziu consciência. Não se faz revolução alguma com massas, antes de tudo é

necessário converter as massas em povo e isto só se faz por meio da tomada de

consciência ou do processo educativo. Se vocês querem soluções imediatistas e de

desespero continuarão dando com a moleira na parede.



06. Conheço muito bem os defeitos da democracia meramente representativa, formal,

estrutural ou burguesa. Mas é a realidade que temos, a que temos de trabalhar e da

qual temos que partir, transformando-a, desconstruindo-a e reelaborando-a por

dentro.


Como Marx, Engels, Kautsky, Bernstein, Gramsci, Poulatzas, etc tenho esta

democracia burguesa e precária não como fim da história ou como algo definitivo,

mas como ponto de partida para algo melhor a ser construído coletivamente pelas

gerações, por meio da educação e da militância, institucional e não institucional.


Conheço as críticas de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre a democracia pura, a qual

centra-se na necessidade de preparar as condições para ela, de formar espíritos

democráticos, de produzir consciência, de formar, de educar, de franquear acesso a

todos os que queiram ser dignos de participar e de exercer a cidadania e sei que é

desafio colossal e que só será solucionado pela educação.


Para além dos aspectos econômico e político, este em termos de estrutura ou formal,

temos um terceiro aspecto a ser considerado que é o formativo, de produção de

consciência. A ideia blanquista da sedição tomou seu lugar mas como

disse na prática não mostrou quaisquer resultados satisfatórios, exceto em,

sociedades que passavam por situações tão dramáticas - Equivalentes as de guerra

justa - como Cuba e Coréia do Norte


07. Bakunim mesmo havia dito que a liberdade e por ext a democracia, não pode ser

dada ao povo por uma elite de quadros revolucionários. Esta ideia legada pelos

positivistas e que remonta a Platão e ao ideal de ditador 'educador' quase nunca

funciona.

O povo nada dever esperar de indivíduos, salvadores, messias, etc Bem como de

elites redentoras. Redimirá a si mesmo pela tomada de consciência ou permanecerá

escravo. Liberdade é algo que não pode ser dado e democracia algo que não se

mantem nem ampliar sem espírito.


Portanto o povo deve contar apenas com o trabalho dos educadores humanistas,

enfim com o processo educativo, esclarecimento e tomada de consciência, mais do

que de armas e bombas, rifles e fuzis, formas e estruturas.


Estou sinceramente persuadido de que nosso ideal de democracia pura ou direta

será construído lentamente, por meio de um processo e não cedo a tentação da

revolta ou do adiantamento; INSTITUCIONAL e não institucionalmente, por diversas

vias. Cada qual acrescentará seu tijolinho.


08. Menos utópico falar em eleições e reforma política do que em auto gestão, apoio

mútuo, boicote geral ou mesmo no excelente recurso da desobediência civil (O qual

certamente precisa ser mais valorizado, problematizado, praticado) etc Uma vez

que nossa gente não se mostra a altura de tais recursos devido a sua falta quase

que absoluta de educação e preparo... No Brasil o que temos ainda são massas a

serem trabalhadas. No momento presente, caso consigamos impedir que sejam manipuladas por

pastores ou ludibriadas pela mídia, já conseguimos bastante, mas ainda não

conseguimos...


09. Assim quando falamos em eleições diretas temos de por o dedo bem no fundo da

ferida e avaliar o papel negativo do 'Voto obrigatório' (i é sem consciência

democrática) neste processo.

Nem podemos dizer que tudo esta bem, permanecer conformados e fugir a este

questionamento fundamental,


Afinal como aquele que não consegue enxergar qualquer sentido no voto deixará de

vende-lo ao primeiro demagogo?

Se para ele voto não tem valor certamente terá preço.

Conclusão: Acreditando ser esperto a ponto de ludibriar um político como Paulo Maluf,

venderá seu voto por cem reais enquanto o eleito obterá lucro na medida de cem por

um, carreando milhões dos cofres públicos, recobrando seu investimento e

prejudicando o corpo social como um todo. Pois a relação entre o voto obrigatório ou

mecânico e a corrupção é essencial.


Como debelar a corrupção e manter o voto mecânico?

E no entanto sem este voto fácil, os demagogos perdem seus currais... 90% dos

nossos políticos não conseguiria eleger-se por meio do voto cidadão.

A política liberal e neo liberal com suas mazelas não se mantém sem a chaga do voto

compulsório.


É por meio dessa chaga que conseguem 'diluir' ou filtrar os votos conscientes e a

custa de propina obter cargos e funções públicas.


Compreendem por que os conservadores se apegam tanto e com tanta avidez e

guarra a lei do voto obrigatório. Porque é a Matriz da corrupção e da venalidade e

porque sem ela, a bancada liberal ou anti popular não se sustenta. PSC e DEM por

exemplo são máfias que se alimentam quase que exclusivamente disto, de voto

comprado!


10. A esquerda equivocou-se redondamente quando em 1988, defendendo o voto analfabeto irrestrito, considerando - romanticamente - que a experiencialidade prática

do trabalhador humilde, comunicada pela vida vivida, seria suficiente para converte-lo

em cidadão consciente ou eleitor militante.


Foi equivoco trágico porque pagamos e ainda vamos pagar.


A consciência social e a plataforma trabalhista continuam recebendo apoio das pequenas ou baixas classes médias ou do que chamam - Nordau - pequena burguesia rancorosa e 'revoltada'.


O que nossas massas analfabéticas e manipuladas por lideres religiosos oportunistas fizeram foi abrir uma brecha ao que temos hoje de mais sinistro na política parlamentar brasileira, a 'bancada evanjéguica', principal responsável pela intifada conservadora a que hora testemunhamos.

Os fanáticos religiosos e charlatães souberam introjetar com maestria, na mente de grande parte dessas pessoas um ideário ou uma ideologia acentuadamente liberal, produzindo o fenômeno do pobre capitalista. Ora esses pobre capitalistas ou como se diz 'de direita', bem mais do que a satanizada classe média, constituem - sob a égide dos pastores - a alma do conservadorismo até o ANACAP e o Nazismo!

Passam fome, vivem em palafitas, são assalariados e oprimidos e mesmo assim contemplam o patrão ou o empresário como uma espécie de deus desde mundo, votando como carneiros naqueles que são indicados pelo pastor em troca de benção, alias de prosperidade prometida. Voto de analfabeto ou semi analfabeto converteu-se em moeda, matéria de troca ou sinônimo de poder nas mãos sujas dos pastores pentecostais, os quais a partir dai criaram seus currais e bancadas.

De modo geral este voto serviu para empoderar esses canalhas da fé e alimentar uma teocracia fortemente capitalista.

Foi projeto romântico, utópico e muito mal calculado - O qual torna vivas as críticas do velho Sócrates! - que saiu pela culatra e tem servido de pasto já ao capitalismo já ao conservadorismo moralista e social. FOI UMA TRAGÉDIA.





A PIOR FORMA DE OCLOCRACIA -A RELIGIOSA!

E a esquerda cega nem cogita repensar tudo isto e fazer 'mea culpa'. ESTAMOS NO REINO DA OCLOCRACIA MAIS TORPE! OCLOCRACIA É O QUE VIVEMOS!

O QUE SÓ SERVE PARA DAR SUPORTE AS VELHAS E JUSTAS CRÍTICAS ELABORADAS PELOS MONARQUISTAS, INTEGRISTAS E FASCISTAS DESDE O SÉCULO XIX.


Esta oclocracia teocrática ou democracia sem qualidade, esta desmerecendo os


ideais democráticos e promovendo toda uma série de críticas totalitárias. NADA MAIS PERIGOSO DO QUE DESACREDITAR A DEMOCRACIA.





12. Certamente que o voto deveria ser condicional e livre, nem mais nem menos.


As pessoas deveriam ter um mínimo de instrução para poder exercer este direito e


acima de tudo aspirar por ele ou deseja-lo enquanto ação significativa. Só assim


seria cidadão de fato cessando de alimentar a oclocracia.







13. Quaisquer líderes religiosos deveriam ser impedidos de participar das eleições,


exceto se, tal e qual os políticos, se afastassem alguns anos antes de virem a


registrar suas candidaturas. A propaganda religiosa por meio de organizações


religiosas devería ser policiada rigorosamente e a imposição de qualquer candidato


associada a sansões se ordem espiritual proibida e punida por lei. PARTIDOS DE NATUREZA RELIGIOSA DEVERIAM SER RIGOROSAMENTE


PROIBIDOS E A PROIBIÇÃO DE BANCADAS RELIGIOSAS AO MENOS


SERIAMENTE CONSIDERADA E DEMOCRATICAMENTE DISCUTIDA.



14. Nem preciso dizer que todas as agremiações religiosas que não contribuem por


meio de projetos sociais (Desvinculados de quaisquer ações proselitistas!),


limitando-se a auferir lucros em nome do sagrado deveriam ser taxadas na forma


da lei. Nada mais humilhante para o cidadão empreendedor, a respeito do qual


tanto se fala, do que essa calamidade que consiste em observar tantas pessoas


que se apresentam como religiosas auferindo lucro fácil sem terem de trabalhar


honestamente. Certamente se trata de um grande desestímulo para qualquer


cidadão virtuoso.


15. Por fim já me referi a necessidade e conveniência de que todas as questões


relevantes para a sociedade sejam cada vez mais discutidas e decididas pela


comunidade, através de plebiscitos e referendos pelo simples fato de nada ser tão


democrático e desejável quanto a participação direta do povo, exceto se houver


alguma impossibilidade absoluta. Mas sairá caro? Se comporta aumento de qualidade democrática jamais será demasiado caro,


exceto pata os capitalistas perversos. Qualidade democrática é algo porque


devamos pagar com gosto. Preferiremos acaso uma oclocracia, uma demagogia,


uma teocracia, uma plutocracia ou uma ditadura barata??? É coisa com que não se pode nem deve regatear.

Ademais, se necessário for, para custea-la, taxem-se a parcela mais afortunada


da população (Os mais ricos, nababos ou milionários) e como já dissemos todas


as agremiações religiosas que não trazem qualquer retorno social ou que não


sustentam ao menos uma ONG de caráter não proselitista. Nem se diga que somos contra a religião, somos absolutamente a favor dela.


Contra a religião são aqueles que dela abusam convertendo-a em mercado, nada


mais abominavelmente sacrílego do que fazer da fé um meio de vida.