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domingo, 19 de outubro de 2025

Europa a sombra dos minaretes - Que fazer... II

Uma vez exposta a situação temos de considerar o que fazer.

Pois assistir passivamente esta calamidade, que é o avanço do islã (Organizado pela própria ONU) pela Europa é algo que não podemos cogitar.

Pois no momento em que o crescente arvorar sobre a acrópole de Atenas, no fórum romano ou sobre os Túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo as bases da autêntica cultura ocidental estará morta.

Pois terá deslocado a Filosofia clássica, o Direito romano e a Ética do Evangelho e destruído nossa identidade, nossas raízes e nossa tradição.

No momento que as noções de racionalidade, livre arbítrio e amor ao próximo forem deslocadas e substituídas pelo irracionalismo, o determinismo e a agressividade tornaremos a barbárie e o islã será a porta.

Antes de tudo devemos estar aptos e treinados para contestar a ideologia pós modernista, por estar ela na base dessa conjuração.

Apesar do capitalismo e de outras misérias (Que nos conduziram a beira do abismo.) temos democracia, temos direitos inerentes e portanto igualdade jurídica, temos a noção de bem como ou justiça social, etc e portanto temos sim um padrão cultural superior em comparação ao autoritarismo totalitário, a teocracia, a uma hierarquia social arbitrária, etc - Ainda que limitássemos essa superioridade ao espaço de nossa própria cultura.

A menos que considerássemos o casamento de garotas com velhos, a castração de mulheres, o enforcamento de gays, a agressão aos pequeninos, a opressão dos dissidentes religiosos, o emprego generalizado da força, etc como práticas desejáveis temos de afirmar a superioridade da cultura europeia atual e de reconhece-la como propulsora no mínimo da forma de convívio menos ruim que existe. 

Alias desconfio que certas pessoas justificam o islã justamente porque aspiram viver a sua moda e devo avaliar qualquer cidadão ocidental ou europeu que deseje tratar sua esposa ou seu vizinho cristão segundo a lei islâmica como um canalha. 

Mais, a mim me parece que tanto entre os filo protestantes fundamentalistas no Brasil quanto entre os simpatizantes do islã na Europa sobressai um perfil sinistro: O desses homens maduros, machistas, homofóbicos, tarados, etc que aspiram enforcar gays e estuprar menininhas...  

Antes de tudo devo dizer que sou a favor de que os refugiados sejam recebidos ou acolhidos de braços abertos em qualquer parte do mundo desde que não sejam eles fundamentalistas religiosos, islâmicos ou cristãos, capazes de colocar as vidas dos demais cidadãos em risco. E não posso admitir por meio algum que a segurança dos cidadãos que vivem num determinado espaço sejam privadas de paz e segurança pela introdução de qualquer outro grupo social.

Os cidadãos ou contribuintes que pagam impostos fazem jus a segurança, a proteção e a paz; sendo dever do Estado garantir essas condições sob pena de quebrar o pacto vigente, tornar-se inútil, ocioso e ser confrontado pelos cidadãos.

Portanto receber em suas fronteiras qualquer grupo composto por fanáticos, teocráticos ou fundamentalistas, os quais venham a colocar em risco as vidas e bens dos cidadãos implica traição inaceitável. 

Devem portanto os árabes e outros que aspiram instalar-se na Europa adotar a cultura local e tal preceito deve ser indiscutível. Implica essa atitude abandonar os hábitos arraigados e assumir os hábitos comuns ao grupo em que se pretende viver. Implica abdicar de qualquer atitude no sentido de introduzir hábitos ou costumes árabes. Implica sobretudo em comprometer-se a não introduzir a Sharia e implica por fim aceitar que não serão construídas novas mesquitas. 

Seria ridículo ter eu de dizer que de modo algum devem os refugiados confrontar as práticas, costumes ou tradições das populações locais, profanando seus santuários, invadindo seus locais de culto, destruindo seus símbolos ou colocando em risco suas pessoas sob pena de serem rigorosamente punidas ou castigadas na forma da Lei. 

E segundo penso todas as violações acima por parte dos hóspedes deveriam ser punidas com deportação ou expulsão da comunidade em questão - Pois tratam-se de crimes contra os direitos inerentes das pessoas os quais não podem, sob quaisquer alegações, ser tolerados numa sociedade civilizada.

Vou além e opinarei que apenas as mulheres, os idosos, as crianças e os deficientes provenientes de sociedades islâmicas sejam acolhidas na Europa, e mesmo assim com a devida cautela. Quanto aos homens adultos, julgo haver precedentes graves para que deles se exija o abandono do islã ou um compromisso fundamental no sentido não tentarem impor a sharia ou construir mesquitas.

O mais recomendável no entanto é que os homens adultos do islã não sejam recebidos nos países europeus e sobretudo que clérigo ou imame sunita algum seja recebido. Naturalmente que a poligamia deve ser rigorosamente proibida nos territórios não islâmicos pois costumam ele dar o 'golpe' da barriga ou crescer pelo ventre até suplantar a população local. Também seria aconselhável a exigência de que limitem o número de filhos por casal sob pena de não serem aceitos - No caso dos homens adultos serem recebidos.

Necessário que seus filhos sejam obrigados a frequentar a escola local, de preferência pública e laica de modo a serem introduzidos na cultura vigente. Devem além disto aprender a falar a lingua local e valoriza-la. 

Outra medida de suma importância é proibi-los de formarem bairros, guetos ou pequenas comunidades fechadas e obriga-los a dispersarem entre a população 'comum', convivendo ou comunicando-se com ela, de modo a favorecer as trocas culturais.

Tais algumas sugestões concretas que já deveriam ter sido implementadas quanto esse tipo específico de população. Afinal hóspedes só podem ser acolhidos sob nossos tetos sob determinadas condições estipuladas pelos proprietários... 

Importante que tais leis sejam fixadas e que toda e qualquer violação implique na deportação ou no retorno compulsório ao local de origem. Quanto a isto não deve haver relaxação ou contemplação alguma, especialmente em se tratando de delitos inspirados pela fé e contra a fé alheia e seus símbolos. 

Deve haver todo um programa destinado a fazer com que os hóspedes assimilem os princípios, os valores, os costumes e a cultura local ou que no mínimo exerçam rigorosa tolerância face a ela, abandonando toda e qualquer hostilidade.

Super importante que a decisão de acolher essas pessoas passe pela comunidade local e que a nível nacional seja objeto de referendo ou de aprovação direta pela população e jamais uma imposição feita por órgãos internacional como a ONU ou a OTAN uma vez que são controlados por outros países e poderes. 

Importante que seja uma atitude política democrática i é sancionada pela população nacional e local e gerenciada por elas através de leis específicas destinadas a manter a cultura e promover a paz. 









sábado, 11 de outubro de 2025

A oportunização das capacidades

Um aspecto aparentemente irrelevante para a ampliação do conhecimento é a ampliação de direitos e oportunidades.

Como foi salientado por Poincaré, em seus estudos sobre Ética, é a ciência (E assim a Filosofia) uma construção cumulativa e coletiva, não um trabalho individual. Impossível tornar atrás com o objetivo de tudo comprovar novamente... 

Geralmente cada peça de um aparelho representa o trabalho de um cientista.

Por sinal, aqueles que desejam criar algo novo, começam quase sempre elencando o quanto já foi criado em sua área e buscando saber como tais criações foram produzidas. 

Conectar pessoas é como estabelecer sinapses entre neurônios e transformar a humanidade num cérebro.

Isto no entanto depende dos meios, dos meios de comunicação - Cujo papel é favorecer a troca de ideias, a associação e a síntese.

Todavia seria inútil por as pessoas em contato caso não fossemos capazes de garantir a liberdade e os direitos de cada uma.

Pois o exercício da liberdade e a fruição dos direitos é que conferem a cada um de nós as condições ideais para bem pensar. 
É demanda imposta pela gratidão aspirar engrandecer um sociedade ou grupo social que garante nossos direitos essenciais - Assim a Sociedade democrática.

Ao atribuir a todos, sem distinção, a fruição da liberdade e a todos encarar como objetos de determinados direitos a Sociedade democrática cria condições para que cada qual possa dar o máximo de si tanto na atividade da pesquisa, quanto na capacidade reflexiva ou na produção artística.

Cria ela enfim as condições necessárias para que todos se respeitem, convivam, entrem em contato, dialoguem, troquem ideias, pesquisem e reflitam juntos - Criando como que uma teia ou um tecido do saber.

Ao integrar a mulher, o homossexual, o deficiente, o idoso, o trabalhador humilde, a criança, etc a sociedade dos direitos possibilita que o conhecimento circule mais rapidamente. Criando pontes entre indivíduos 'diferentes' na igualdade da pessoa, a sociedade democrática estimula a associação entre as unidades do saber e a produção de novos implementos.

Quanto maior a integração em termos de unidades do saber tanto maior a chance de produzirmos coisas novas e de avançarmos no entendimento geral.

Outro o caso das sociedades elitistas fechadas, que separam e reprimem os indivíduos. Na medida em que discriminam e oprimem. Pois quebrar pontes é impedir a troca de ideias, obstruir o diálogo e dificultar a expansão do saber, fruto - Como já dissemos, de um trabalho comum ou colaborativo. 

Nem por isso me acuse, o leitor de boa vontade, de incoerência ou de pós modernismo. Não nego e jamais poderia negar a existência da Verdade e da Verdade ética objetiva - Súdito de Cristo, porém da mesma forma súdito de Sócrates. Afirmo a existência do bom, do belo e do verdadeiro. 

O quanto devo questionar é a posse de uma verdade imutável, por parte dos que se dizem cristãos, no campo da moralidade. 

Mormente quando por questão de cultura foi o Cristianismo colonizado pela moralidade ou por um moralismo judaico nada divino, nada revelado, nada sagrado e nada Cristão (Do qual não há mínimo vestígio no EVANGELHO) em termos de especismo, machismo, homofobia, escravismo, etc

Se contra os protestantes afirmo a infalibilidade, inerrância e incorruptibilidade da Igreja Ortodoxa, Apostólica e Católica quanto a metafísica, os mistérios de Cristo, os dogmas, os artigos de fé ou a manutenção da Revelação divina, recuso-me terminantemente a afirmar um infalibilidade mecânico\formal da igreja no plano das moralidades ou da Ética, embora reconheça uma ação genérica da providência em parte da igreja ou das consciências que dela fazem parte. 

E compreendo essa ação - No campo da Teologia para tanto mais depurar e esclarecer. - nos campos da moralidade e da Ética como uma distinção cada vez mais radical entre o conteúdo cultural ou natural das moralidades judaicas e o conteúdo sagrado, divino e transcendente do Evangelho ou das palavras e lições de Nosso Senhor Jesus Cristo. Do judaísmo detemos apenas o quanto nosso Instrutor divino apontou e avaliou como Sagrado: O Decálogo, e nada mais. E negamos a sacralidade ou a sobrenaturalidade da moral hebraica.

Portanto não acreditamos que esse conteúdo semita - Que cria uma ponte com o islamismo. - (Machismo, homofobia, escravismo, estatismo, etc) tão caro ao apóstolo Paulo (Fariseu, filho de fariseu e aluno de Gamaliel.) pertença de fato ao Cristianismo ou seja Cristão.

Para além disso encaramos como um marco, quanto a afirmação de direitos civis inerentes a pessoa humana, a atuação do religioso espanhol Francisco no correr do século XVI, enquanto decorrência dos grandes descobrimentos. 

E quero estender-me quanto a isso. 

Partindo do fato segundo o qual o que chamamos de velho mundo ou mundo bíblico constava apenas de algumas partes da Ásia, da África (Então chamada Líbia ou Mizrain) e Europa. Nós mesmos, noutro artigo, já estabelecemos que os antigos israelitas nada sabiam, em absoluto sobre os chineses e indianos, para não falarmos nos povos americanos. Por sinal politeístas e pagãos em sua quase totalidade. E mesmo assim em posse de uma diversidade religiosa bastante significativa.

Para não falarmos nos povos americanos...

Ora a relação entre os povos conhecidos já havia sido marcada - Não pelo Cristianismo, porém a partir da cultura judaica. Agostinho, a partir dela, afirmou que os africanos ou pretos seriam descendentes de Caim ou de Cã, etc portanto amaldiçoados e destinados a dominação ou ao escravismo. Argumento fartamente explorado pelos batistas norte americanos, defensores da escravidão africana, ao cabo do século XIX... Quanto aos pagãos da antiga Europa houve um maior tato, prudência e composição...

Por outro lado o islã estabeleceu a relação em termos bastante simples - Os quais fazem lembrar o padrão israelita com relação aos antigos cananeus (Reproduzido do mesmo modo pelos calvinistas ou 'novos israelitas' nos EUA) - aos povos do livro > Judeus e Cristãos, a Djzya; aos politeístas e pagãos a conversão ou o extermínio. 

A descoberta ou se quiserem integração cultural da América ao 'velho' mundo planteia tal situação para os Cristãos romanos do século XVI e é fecunda quanto a consolidação dos direitos que hora chamamos inerentes e universais (Os direitos essenciais a pessoa humana). É necessário traçar esse esboço histórico apenas para demonstrar que a atribuição de direitos universais e incondicionais não é, de modo algum, obra do pós modernismo, porém do Cristianismo apostólico, da tradição Cristã, da reflexão teológica, etc 

Pois é, como disse, fenômeno que remonta ao contato dos cristãos ocidentais europeus com os povos pagãos ou não Cristãos das diversas sociedades americanas. Mais - Tal reflexão não foi conduzida por incrédulos, materialistas ou ateus porém por clérigos ou religiosos, particularmente pelos Dominicanos, herdeiros do pensamento tomista e, tanto mais remotamente, de nossa herança grega, clássica ou aristotélica.

Problematizemos: Ao tempo em que a América fora descoberta ou integrada ao universo das relações globais, havia a Europa feito um percurso posterior a Aquino e a escolástica, chegando a Renascentismo, e portanto a uma valorização ainda maior da figura e das lições de Aristóteles por um determinados grupos intelectuais, particularmente paduanos e veronenses. Diante deste recrudescimento do aristotelismo podemos dizer que a postura de  Aquino foi tanto mais crítica e temperada pelo Evangelho - Quando havia atrito entre os ensinamentos Éticos de Jesus e os do Filósofo, Aquino optava sempre por seguir o Evangelho.

Diante disto, certo número de Cristãos espanhóis - Como Juan Ginés de Sepúlveda e Fernandez de Oviedo - firmados em Aristóteles e no antigo testamento, alegaram que os indígenas americanos deveriam ser tratados no máximo como os infiéis maometanos, que eram bárbaros, inferiores ou sub humanos, que não podiam ser objetos de direitos, etc Se lhes opôs a Escola de Salamanca sob o comando de Francisco de Vitória. Era representando ele, neste nosso Novo mundo, pelo profícuo e operoso Bartolomeu de Las Casas, pelo Bispo Vasco de Quiroga, etc Da colaboração destes e doutros grandes homens Cristãos: Soto, Bañes, Cano, etc aflorou o Colóquio de Valladolid (1551), ocasião em que, pela primeira vez na História humana foram considerados os direitos inerentes a pessoa humana, posteriormente estendidos a todos os seres humanos.

Aquele foi o ponto de partida. Pois a lógica é a mesma seja aplicada a mulheres, crianças, idosos, deficientes, gays, membros de outras etnias, etc Pois argumentava Las Casas que eram os indígenas livres na ordem da natureza i é independentemente de suas crenças, exceto quando estas produzissem agressões ou violência. E o que está por trás disto é a tradição autenticamente Cristã, apostólica, católica e ortodoxa segundo a qual a fruição dos direitos naturais por parte dos seres humanos independem de suas crenças religiosas ou de qualquer status espiritual.

É proposição tradicional (Implícita nos padres da Igreja e no Evangelho.) e ao mesmo tempo revolucionária - Pois se a fruição de direitos essenciais e naturais por parte dos humanos neste mundo independe da fé ou do estado da pessoa, independe da mesma maneira e com maior razão ainda de quaisquer outras condições externas, tais como: Origem, situação econômica, gênero, opção sexual, idade, saúde, etc Conclusão: A ação externa da pessoa ou sua avaliação moral não deve ser considerada quanto a atribuição de direitos e, alias, mesmo os criminosos não cessam de ser objetos de direitos essenciais, inda quando imobilizados e privados do direito de ir e vir. 

Independentemente de quaisquer atitudes, ser humano algum jamais cessa de ser objeto de direitos inerentes pelo simples fato de ser humano i é um ser racional e livre. 

Portanto mesmo que você, a luz de sua fé, encare os gays ou as feministas, os pagãos ou os dissidentes, os ateus ou blasfemos como condenados ao fogo eterno ou simplesmente como sujeitos a penalidades espirituais, eles continuam sendo sujeitos ou objetos de direitos essenciais - E portanto (Enquanto pessoas!)) credores de respeito e tolerância, em qualquer sociedade deste mundo.

Nem se pode questionar seriamente a distinção estabelecida do ponto de vista da fé ou da crença. Pois caso confundíssemos a esfera natural e imanente da política com o mundo sobrenatural e invisível seríamos levados a questionar o exercício do poder por parte de qualquer pecador. Nada mais pueril do que vincular a fruição do poder político ao estado de graça, uma vez que é, o estado de graça, conhecido apenas de Cristo, inacessível ao conhecimento humano, inverificável, etc Do que resultariam apenas especulações sacrílegas, discussões inúteis, tumultos e revoluções no campo da política. 


Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Resistência cultural, qual a melhor opção (Como escapar ao protestantismo e ao islã - Ao Brasil e a Europa.)

Diante da pressão exercida pelo protestantismo, cá no Brasil e pelo islamismo, lá na Europa a primeira ideia que se nos vem a mente é a de resistência cultural. A exemplo do Paraguai e do México temos de valorizar nossas coisas... Sem estereotipar ou converter-se num Policarpo Quaresma temos de questionar esse negócio de rock and Roll e Holywood com coca cola e faste food no Mc Donalds. 

Não estou dizendo, de modo algum, que devamos repudiar a pseudo cultura Norte yankee em bloco, como se por lá nada houvesse de bom. Certamente que em nossas vidas pode haver espaço para o Jazz, para o 'Cidadão Kane' de Welles, para sandubas de geleia com pasta de amendoim, etc 

No entanto como brasileiros que somos parece-me absurdo que conheçamos apenas aquele Rock melody do 'Air supply' (Que eu adoro) ou o repertório completo de um Nat, de um Sinatra ou de uma Houston e ignoremos por completo a produção musical brasileira e assim as obras de um Sivuca, de um Hermeto Pascoal, de um Moacyr Franco, de uma Roberta Miranda, de um Nhô Pai, de um Zé Fortuna, etc 

Um cuscuz paulista e uma 'Guaraná' também vão bem. Um pãozinho com manteiga, um Bauru, um bolinho de chuva... não fazem mal a ninguém. Claro que de vez em quando um Hamburguer pode ser tão bem vindo quanto uma pizza e um coockie tão saboroso quanto um biscoito de polvilho... Quero dizer que também possuímos uma cultura alimentar e que, sem abrir mão de uma variedade ocasional, devemos ser mais críticos face ao mercado ou a propaganda. Por que ao menos não experimentar o que é nosso...

Temos linho, algodão, casimira, etc, etc - Alias tecidos de diversa procedência e varia cultura. Por que essa fixação no jeans... 

Tanto pior quanto as tais marcas - Com esse fervor místico em torno de nomes. A bem da verdade deveríamos nos vestir apenas para cuidar do corpo. Todavia como até os animais, ao menos as aves, buscam melhorar a aparência, é compreensível que o traje possua também uma dimensão estética. No entanto o que um palavra acrescenta ao conforto ou a beleza de uma roupa... Em que a torna melhor ou pior... Que é que a sigla NIKE adiciona a um sapato em termos de uso ou comodidade... Nada...

De fato o consumismo parece mestre quanto a arte de distorcer aquela tendência natural que temos para nos destacar dos demais (Emulação), a qual para ser digna e justa deve estar associada a alguma competência ou a algum mérito e não a ostentação de um nome que reporta a riqueza. Pessoa alguma é melhor do que outra por ser rica ou ter posses - E alias o mais provável, inclusive, é que seja pior. O que nos torna melhores encontra-se dentro de nós ou no nosso interior e são nossas qualidades: O senso de justiça, a solidariedade, a lealdade, a honestidade, etc Não um pedaço de pano com um nome qualquer...

Supor que um corte de tecido com uma palavra qualquer gravada nos torne melhor do que os outros ou que nos confira alguma superioridade só pode ser a marca de imbecilidade... Coisa de gente idiota e vazia. De pessoas sem qualidade...

Não é todavia sobre qualquer tipo de contra cultura que quero discorrer neste artigo. Contra cultura superficial até mesmo lá, nos EUA, foi produzida. E chegou a tornar-se um negócio rentável.

O quanto quero abordar aqui é a contra cultura ideológica ou abstrata. Em termos de conceitos básicos ou matrizes de valores. Pois nossa resistência precisa no mínimo estar a altura da 'American way of life'. 

Não julgo que o modernismo ou o pós modernismo, ou ainda a pós verdade estejam acima do americanismo. Grosso modo os seres humanos, satisfeitas as exigências básicas postas pela existência, demandam pela Verdade ou ao menos por algumas verdades - Pois é a verdade o pão do espírito e não apenas de pão vive o homem...

O ceticismo, quando não reflete um estado mental mórbido, é reflexo de um projeto social frustrado. Assim a sociedade grega imediatamente posterior a morte de Alexandre, assim a Sociedade europeia posterior as duas grandes guerras... 

Em tempos de normalidade, estabilidade ou desenvolvimento tal patologia não floresce e, se e quando floresce, nada produz de relevante. 

Digo o mesmo a respeito do relativismo crasso e do subjetivismo absoluto ou solipsismo. Sobre tais areias são poucos aqueles que ousam edificar palácios ou castelos... 

As migalhas ou farelos do ceticismo, do subjetivismo, do relativismo, das narrativas, do discurso, etc os humanos preferem a posse segura de verdades aparentes, como as que lhe são oferecidas pelo protestantismo, pelo capitalismo, etc Pois como disse Bacon de Verulan, ao ateísmo preferem as fábulas sinistras do Corão ou dos Vedas... Assim a negação da verdade, preferirá esse mesmo homem a mitologia dos antigos hebreus e o fetichismo continuísta oferecido pelo protestantismo.

É o pós modernismo similar a concha, que justamente faz barulho ou ruído porque esta vazia... Ao nada ou ao nihilismo insonso o ser humano prefere mitologias e fábulas...

Damos em seguida com o africanismo - Dos batuques ou atabaques, orissás, comidas de santo, etc ou o indigenismo do cachimbo e do espírito da mandioca - Enfim as construções ideológicas de retorno a cultura ancestral. E o problema aqui é que a cultura ancestral é portadora de um fetichismo, porém de um fetichismo ágrafo ou iletrado, i é, pautado em tradições orais, costumes, etc enquanto que o protestantismo oferece a humanidade um fetichismo associado a um livro. 

Embora tais relações sejam bastante complexas não estou me referindo a pessoas ágrafas ou analfabetas porém a pessoas letradas que aderiram a uma religião não letrada. Se a um lado os iletrados tendem a encarar o livro como divino, os alfabetizados demandam pela segurança do registro escrito... Ao menos no ambiente urbano e ocidental parece claro que as formas de religião centradas no livros levam vantagem face as demais.

Ademais se, por questão de necessidade, a religião ágrafa ou tradicional está quase sempre na dependência da autoridade, a religião do livro sempre poderá acenar com a leitura\interpretação individual e delegar autoridade ao próprio indivíduo, a exemplo do protestantismo. Aqui a técnica exegética ou sua aparência, suplanta o sacerdócio, e, acenando com a liberdade, massageia o ego. 

Sendo assim as possibilidades de domínio por parte do protestantismo, com seu livre exame individual, acabam sendo maiores do que aquelas que foram reivindicadas pelo sacerdócio. Se o livro portador das palavras divinas pode ser interpretado por qualquer indivíduo, o indivíduo, em posse do conhecimento divino, bem pode invocar para si mesmo a autoridade divina. E de fato os fanáticos já não se apresentam como leitores do livro, mas como o próprio livro, reivindicando para si mesmos uma autoridade absoluta. 

Por isso não vejo como a religião primitiva possa rivalizar já com o protestantismo, já com a 'sifilização' moderna. E tenho tais arroubos primitivistas mais como uma moda. Aqui qualquer mínima dose de racionalidade ou empirismo é quase sempre letal. Pois não há, por exemplo, uma válvula de escape como o livre exame, a qual possibilite a criação de uma interpretação diversa.

Outro defeito bastante grave a ser considerado por parte de tais construtos religiosos é a ausência de um aparato ético consistente. Isto a ponto de alguns deles afirmarem-se como 'amorais' - Ora a grande demanda ou a principal demanda do tempo presente é a Ética. Claro que sempre se pode construir uma ética natural razoável... Sem embargo disto o elemento médio ainda edifica sua vida ética sobre fundamentos de caráter religioso, a falta dos quais essa vida ética apenas se esboça.

Sem embargo o supremo defeito de tais crenças - E o espaço onde se encontram com o protestantismo. - é a irracionalidade. De fato além do conteúdo fetichista que leva ambos os sistemas a predicarem sobre a imanência (Violando os limites da demarcação e invadindo os domínios que por direito pertencem a Ciência.) ambos os sistemas pecam pela total ausência de um arranjo racional semelhante a Alta Teologia Católica (Ou Ortodoxa).

Pois embora os conteúdos da fé ou da Revelação divina permaneçam sempre inverificáveis, a fé Ortodoxa e o papismo (A parte do agostinianismo irracionalista.) oferecem uma visão total ou cosmovisão capaz de relacionar organicamente os diversos mistérios e de apresenta-los de maneira sistemática, enfim como um conjunto harmonioso. Formam assim uma espécie de Puzzle, na medida em que cada verdade se vai encaixando até plasmar essa visão unitária. 

Quando observo o africanismo brasileiro (Sobretudo a Umbanda e, em menor medida o candomblé daqui.) o quanto encontro são criações tão sincréticas e irracionalistas quanto esoterismo, a rosa cruz, o ocultismo, etc As quais mostram-se sempre incapazes para satisfazer os intelectos mais exigentes, os quais anseiam por uma conexão orgânica e unidade de conjunto quanto os ensinamentos oferecidos. 

Neste terreno, o padrão apostólico, herdeiro da tradição racional e ética greco romana parece levar decisiva vantagem não apenas sobre os padrões religiosos tradicionais ou primitivos mas também sobre o protestantismo fixado na cultura judaica.

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Éticas ou Ética...

Num dias destes, proseando com um amigo, atalhou-me ele para postular a existência de diversas Éticas ou de Éticas diferentes, contrárias, etc tal e qual sucede a moralidade ou aos costumes, de fato relativos ao tempo e ao espaço.

Bem sei que eu que a par de diversas revelações ou grupos religiosos, existe certo número de predicações valorativas que revindicam ser Éticas. Revindicar porém não é ser, e devemos investigar os fundamentos.

Como Socrático e humanista que sou, julgo ela existência de uma única Ética autêntica ou bem fundamentada. As demais teorias e sistemas que revindicam este título seriam tão equivocadas quanto as moedas falsificadas.

Nem poderiam ser opostas e verdadeiras ao mesmo tempo. Declarar aceitáveis diversas éticas contraditórias equivaleria renunciar a verdade, e a contentar-se com aparências ou palavras.

Remeto meus críticos ou objetores ao princípio da contradição.

E diante dele dirijo-me aqueles que compreendendo a importância vital do tema estão dispostos a investigar e a descobrir qual seja a Ética verdadeira.

Você pode demonstrar por qualquer meio (Que não o religioso é claro!) que a Ética deva contemplar a espécie ou a sociedade ao invés do indivíduo??? Nada na natureza obriga o indivíduo a ceder lugar ao grupo. Nada, em absoluto. A empiria esta a favor dos individualistas. Aqui concordamos com eles, e chegamos, pelo que é ou a observação dos fatos, ao individualismo... Com todos os problemas subsequentes.

Kropotkin demonstrou que os animais costumam a auxiliar uns aos outros. Certo, é fato. Mas o que temos de indagar aqui é em que circunstâncias ajudam-se ou se ajudam-se mesmo com prejuízo de si mesmos e de seus interesses, i é, se os animais de imolam pelo outro e se isto é habitual entre eles. Quanto a este tipo de consciência gregária, quanto a imolar-se pela espécie, não tenho qualquer notícia entre os animais. Observo-o nos homens, mormente quando instigados por alguns credos religiosos. Ademais em situações ou circunstâncias anormais ou desfavoráveis tendem os animais a 'pensar' somente em si mesmo ou em termos individuais, exceto talvez da prole (inda que com reservas!) que é a continuação deles mesmos.

As Éticas empíricas não tem podido ultrapassar o abismo do individualismo.

Podem escapar ao abismo do utilitarismo chão???

Pode você leitor demonstrar-me, partindo do que é ou da experiência, que devamos construir princípios e valores que transcendam a utilidade ou aquilo que seja útil ao individuo, cogitando sofrer prejuízo em nome da justiça, como tantas vezes foi cogitado por Sócrates?

A simples vivência irrefletida e irredutível a razão jamais ultrapassa o ponto de vista de Trasímaco, inda que este, qual Morfeu, mude de feições com o passar das gerações. Excluído o elemento comum da reflexão metafísica ou do arrazoado racional, sustentará o homem a busca pelo seu prazer sem cuidar de outra coisa. Moral ou Ética sera sempre fruição de vantagens, benefícios, prazer, etc e não se sai disto. Assim a política será apenas uma questão de poder ou força, a serviço não do bem comum, mas da fruição individual... E atrelado a fruição do prazer e do poder teremos a posse de bens materiais até o abuso, garantindo acesso ao poder a ampliando o acesso ao prazer. E tudo fica nisto: Prazer, poder e fortuna em termos individuais.

Este tipo de 'Ética' sequer nega mas simplesmente despreza ou ignora a existência de seres sofredores, enfermos, escravizados, dominados ou injustiçados; pois os outros só existem para ele enquanto meios para se obter ou consolidar o próprio bem estar. O outro aqui é sempre um objeto ou uma coisa a serviço dos interesses individuais e não uma outra pessoa ou um igual, com o qual nos devemos solidarizar. A empiria não cobra essa equalitarização porque não observa a igualdade na ordem do mundo mas a desigualdade, a qual encara como natural e irreformável. Não se questiona a realidade porque inexiste o padrão ideal posto pela razão ou pelo exercício da metafísica.

Por isso considero apenas uma Ética como autêntica ou legítima em seus fundamentos: A Ética racional, que parte de uma problematização e reflexão profundas, construindo seus princípios e valores em termos de algo tão abstrato como a humanidade, face a qual todos são iguais em termos de relação. Este elemento comum ou 'elo de ligação' universal só se apresenta a razão, não a experiência, e é com base nele que disciplinamos o convívio, dando-lhe uma conotação marcadamente social a um tempo e abstrata ou ideal a outro.

Apenas esta reflexão, que ultrapassa a mera observação dos fenômenos materiais e cogita naquilo que é abstrato e social, poderia ter criado na noção de Bem Comum. Ora a noção embrionária de bem comum, afirma-se teoricamente com o Estagirita, embora esteja já presente em Platão, Sócrates ou na mentalidade da polis grega enquanto busca. E quando dizemos busca, dizemos busca racional.

O conceito em questão não foi apenas formulado pelos grandes sistemáticos do pensamento clássico, mas também provido de fundamentos estáveis ou essenciais.

Por este motivo quanto escrevo Ética, escrevo em singular e quero dizer sempre esta Ética que remonta a Sócrates, passa por Platão e é por assim dizer 'acabada' por Aristóteles, ao menos quanto a seus elementos mais relevantes.

As demais são aparências de Ética, muito mal construídas.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Positivismo e pós modernismo, uma conjuração contra o homem.

Aparentemente é o pós modernismo uma reação ou protesto face ao credo positivista. Uma erupção subjetivista ou psicologista face ao objetivismo chão arvorado pelo positivismo. A negação do sistema concebido por A Comte.

E no entanto há um traço comum entre eles: O repúdio a razão, a reflexão ou enfim ao que definem como racionalismo e comparam a religião, e a sua atividade metafísica. É o empirismo crasso anti metafísico. Assim o ceticismo, o relativismo e o subjetivismo crasso ou psicologismo.

O empirismo crasso por negar a idealidade.

O psicologismo contemporâneo por negar a objetividade seja da percepção ou do raciocínio.

O 'Loci commune' aqui é o repúdio a metafísica enquanto capacidade ou possibilidade.

Honesto, o cientificista ou empirista do século XIX, acompanhando Littré - Comte era demasiadamente influenciado pelo 'Catolicismo' - repudiou a Ética por confundi-la com a moralidade ou com a fé religiosa.

Desde então foi o homem convidado a contentar-se com o que é e a repudiar o que deve ser i é a idealidade, equiparada a imaginação ou a fantasia, e lançada a esfera das coisas individuais ou relativas.

Hoje no entanto adoramos falar em Ética, ainda que levianamente, devido ao preconceito anti metafísico canonizado por Kant e Litree. Mas é como discursar sobre uma casa sem paredes... A Ética além de ser ela mesma um esforço metafísico, carece em última análise de um reforço gnoseologico ou metafísico. Afinal de que serviria ao homem uma Ética que não fosse verdadeira ou que fosse relativa se estamos a falar na convivência?

Fique claro que por isso não produzimos ou temos uma Ética consistente, apenas um discurso vazio, logomaquia ou verborragia... A critica católica ou humanista já havia abalado o discurso anti Ético do positivismo no final do século passado. O delírio não durará mais do que vinte ou trinta anos. Mas foi o quanto bastou para que mil Trasímacos sem consciência pensassem conflitos mundiais. Os quais eclodiram vinte anos depois.

Por falta de espírito crítico, idealidade ou Ética o cientificismo positivista colaborou imensamente para que o novo espírito materialista, economicista ou capitalista invadisse e se assenhorasse das sociedades católicas. E seu conformismo ou solidariedade disfarçada foi ainda mais danoso do que a inação Cristã.

Após terem estourado duas grandes guerras, com o saldo de milhões e milhões de mortos, a solução positivista teve de ser revista. Afinal, caso a ciência produzisse Ética seus representantes não apelaram ao pragmatismo ou ao utilitarismo com o objetivo de advogar o uso de animais em experiências, o que nada significa além de colocar se acima do bem e do mal, e, com a mesma arrogância das seitas religiosas, o que vem a expor o caráter místico do cientificismo. Tal foi e é o caso das armas de destruição maciça ou da Bomba atômica...

Estreitamente empírica, por necessidade, a ciência não pode dar Ética que por definição critique a realidade dada e proponha um padrão ideal. Pelo critério do que é não se chega ao que deverá ser... Diante disto só restará ao cientificista ou positivista do pós guerra servir-se do pragmatismo ou do utilitarismo os dois únicos sistemas de Ética ensaiados pelo ateísmo e pelo materialismo.

O problema aqui é justamente que a partir do que é dado ou do que é não nos parece convincente ou terminante que este utilitarismo deva ser social, como queria J S Mill e não individualista. E empiricamente não percebo, nem creio ser demonstrável que Ayn Rand esteja equivocada... É até me parece que ela é seus pares tenham alguma razão quando alegam que Mill tomou remendos sociais ou gregários ao Cristianismo ou a cultura...

Os cientificistas e positivistas há tempos que prometem uma Ética própria e favorável ao homem, mas... Não tem podido cumprir a palavra. É por que? Simples, porque a Ética é um exercício essencialmente racional ou metafísico destinado a romper com a realidade dada, a nega-la, a ultrapassa-la, etc tendo em vista um padrão ideal. Além disto as pretensões da Ética são atemporais, universais e absolutas i é em torno de alguns princípios e valores comuns a todos os seres humanos ou unificadores. Não John Gray não está enganado ao por o pensamento seminal dos antigos gregos em tais termos. É nossa herança!

Não é menos verdade que foi já o positivismo demolido pelo pós modernismo e por ele substituído enquanto moda ou fetiche do momento. Sem que no entanto houvesse qualquer mudança significativa em termos de Ética. Já porque o pós modernismo costuma ser ainda mais feroz que seu predecessor em sua crítica à objetividade de qualquer valor ou princípio universal. O ideal aqui, quando existe, é sempre fragmentado ou individual e nada transcende a esfera do individual.

O primeiro retirou-nos a razão é o segundo a experiência ou percepção. Até que nada restasse ao homem ocidental em termos de 'comum' e ele se converte-se numa ilha ou universo incomunicável, onde a identidade e a comunhão tornaram-se impossíveis. Perdemos a verdade Ética e em seguida a Verdade ontológica. Que nós restou? NADA... apenas o vazio, sinônimo de miséria cultural e civilizacional. Andamos para trás e podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que o pós modernismo não corrigiu mas ampliou e aprofundou o erro essencial do positivismo. De um extremo a outro da gnoseologia contemporânea nada lucramos.

sábado, 17 de novembro de 2018

Lei natural, inatismo, racionalidade, evolucionismo... Buscando decifrar o enigma da Lei Natural

Distinguiam os escolásticos quatro tipos distintos de Lei:


  • Lei eterna - A própria divindade enquanto Lei para si mesma e para o universo, o que engloba a lei natural extra humana.
  • Lei divina - A vontade Ética de Deus revelada através de sua humanidade assumida em Jesus Cristo ou do Santo Evangelho.
  • Lei natural - A instância da consciência que por via da razão informa-nos sobre os fundamentos do bem e do mal.
  • Lei positiva - As leis promulgadas pela autoridade externa ou política.


A lei eterna, no que diz respeito a ordenação do universo conhecemos através da ciência, no que diz respeito a vontade de Deus, conhece-mo-la por meio da Revelação do Evangelho, de modo que a lei divina, no que concerne a vontade de Deus para nós, corresponde a mesma lei eterna.

A respeito da Lei positiva somos informados por meio das Constituições e decretos do poder público.

Agora como conhecemos a lei natural?

A pergunta é de suma importância caso tenhamos em mira ou significado propriamente político da Lei natural.

Pela qual a esfera do político desprende-se da esfera religiosa e ganha autonomia própria além de um estatuto secular e pluralista que serve de base ao liberalismo pessoal.

Para tanto devemos considerar que por si só o judaísmo,, o islã, o xintô e outras tantas formas religiosas jamais levantaram o problema, jamais afastando-se do pensamento teocrático. É verdade que o atual Estado de Israel, assimilou até certo ponto este ideário produzido no 'Ocidente', o qual, sem embargo não foi produzido num contesto judaico ou mesmo muçulmano, mesmo se considerarmos a mutazila. Por isso acho fundamental perquirir a respeito de como tal ideário veio a formar-se e em que contexto religioso.

Onde e como pela primeira vez surgiu a noção de duas esferas distintas: Religiosa e Política? Pois mesmo na antiga Grécia a distinção fez-se problemática.

Quero ressaltar ainda um sério problema que só encontra solução em termos de uma Lei natural.

Para ela convergem a um tempo a opinião, paulinista, de Lutero e a de Maquiavel, para o qual a posse do poder político é um fim em si mesmo.

E já começo dizendo que a Sociedade Política, além de ter seu fim imediato que é o convívio harmonioso ou a solvência do conflito possui fins mediatos e conexos quais sejam a fruição da vida virtuosa neste mundo e o acesso ao Sumo Bem após esta vida.

Seja como for, que tem Lutero e a ver com Maquiavel?

Já o veremos e quando compreendermos saberemos, que as soluções 'políticas' do biblismo - protestante/calvinista/pentecostal/carismático - e do ateísmo/materialismo conduzem ao mesmíssimo lugar comum, ao qual não podemos chegar.

Temos de ser enfáticos - O protestantismo foi em todos os sentidos um retrocesso político. Pelo simples fato de atrelar a política a Bíblia e destarte, favorecer uma noção ou teocrática ou cesaropapista e assim absolutista. E se Maquiavel constrói seu modelo absolutista independente, a partir do relativismo, do subjetivismo e do ceticismo, Lutero constrói o seu a partir de Paulo ou do texto clássico de Romanos 13 ( Cf Skinner 297 e 348) o qual será retomado por todos os reformadores protestantes, a exaustão.

O retorno a uma política Bíblia cujas raízes chegam ao rabinismo e cuja consequência é a mais deletéria das servidões, deu-se e só podería ter-se dado através do protestantismo e por isto Figgis - cf História do absolutismo - poderá declarar que sem Lutero não teria existido um Luis XIV... E se tal afirmação lhe parece abusiva, continue acompanhando-nos amigo leitor.

E compreenda que embora, para qualquer pessoa inteligente e bem formada, Paulo seja Paulo e não Jesus, para a maior parte dos protestantes - (e a parte mais ignorante dos papistas) - que endossam a doutrina da inspiração plenária e linear - tudo quanto Paulo escreveu é Palavra de Deus. Assim as opiniões que ele Paulo emitiu e que tomou aos rabinos, como Gamaliel, são encaradas por eles como sagradas e inquestionáveis e assim o texto de Romanos treze, onde Paulo declara que o governante, seja ele que for, foi designado pelo próprio deus, sendo uma espécie de ministro seu.

Temos aqui não apenas ensaiada, mas claramente expressa a bizarra doutrina do direito divino dos reis. Os reis e governantes, sejam bons ou maus, são lugar tenentes do próprio deus, quiçá não menos que os Bispos sucessores dos apóstolos. Assim o mesmo deus que comissiona Pedro para impugnar as crenças e vícios de Nero, comissiona Nero para crucifica-lo de cabela para baixo. O mesmo deus que convoca os mártires a servi-lo constitui Diocleciano para massacra-los...

E se você perguntar ao querido Lutero porque o 'bom' deus constitui Neros, Domicianos, Dioclecianos e Maomés inclusive - para destruir a Cristandade... Ele te dirá - recorrendo ao 'mimoso' Agostinho é claro - que o bom deus assim procede com o objetivo de punir os pecados do povo ou de castiga-lo e que o mau governante é como uma punição ou penitência imposta por deus...

E ficamos a nos perguntar sobre que terrível pecado teriam cometido os apóstolos e a santa Igreja de Jerusalém para terem sido brindados com um Nero ou o que os piedosos Cristão de Roma, presididos pelo piedoso Clemente, teriam cometido para fazerem jus a um Domiciano... Ou o que fizeram aqueles que eram já mártires há gerações para terem merecido um Diocleciano. Enfim que fizeram os grandes Padres e os Cristãos do século IV para terem merecido a benção de um Maomé??? Nem perguntarei sobre que pecados teriam produzido um Gêngis, um Temerlão, um Hitler ou um Staline...

Uma coisa é absolutamente certa e notória (Releia Figgis) das injunções e opiniões nada evangélicas e tampouco Cristãs de Paulo, conclui Lutero, que o Cristão deve ser antes de tudo um súdito conformado ou um capacho do governante e que jamais lhe é permitido resistir ativamente a um governante, lutar contra ele ou depo-lo sem pecar e merecer o inferno. Todo homem sedicioso ao levantar-se contra o mau governante, revolta-se contra deus que o enviou como penitência ou castigo dos pecados.

O tirano, o déspota, o ditador, o monstro coroado, sempre deve ser obedecido, salvo se determine algo mau. Neste caso é lícito apenas desobedece-lo e consequentemente fugir, ou aceitar pacientemente o castigo imposto, sem jamais rebelar-se. É a doutrina da desobediência passiva mas tarde apresentada por Thoureau como desobediência civil.

Claro que apenas um povo indigno e vil acataria semelhante doutrina. Mas foi acatada, ao mesmos por algum tempo, em nome da Bíblia. E foi a partir dela que Bodin, Erasto, Tiago, Filmer, Hobbes, Maxwell, Bossuet e outros construíram suas doutrinas absolutistas.

Maquiavel chegou as mesmas conclusões por via totalmente distinta. Como não acreditava nem na Revelação nem na Lei natural ele não pode conectar a instituições política a uma finalidade ética que é a promoção da vida virtuosa. Jamais cogitando em qualquer coisa para além da vida política ele encarou a vida política como fim que se esgota por si mesma. Podendo defini-la como a arte de manter-se no poder e de conserva-lo a todo custo.

Chegou assim ao formalismo ou estruturalismo político crasso. Sancionando o comando de um sobre todos ou a tirania.

Maquiavel tomou esta via por descartar a noção de Lei natural enquanto fundamento da vida Ética, sentido destinado a comandar e a articular todos os setores da atividade humana - assim a religião, a política, a economia... Não havendo qualquer tipo de lei natural destinada a regular a vida virtuosa, Maquiavel tomou a Ética - e com mais razão as moralidadezinhas - por pura convenção, atendo-se ao quanto restava de concreto: As estruturas de poder e seus mecanismos.

Os luteranos jamais foram acessíveis a qualquer tipo de argumentação racional nos termos de uma lei natural, a qual sabiam estar - ao menos em parte - na dependência de Aristóteles e do paganismo antigo. Afinal Lutero, como agostiniano, retomou o dogma maniqueu da corrupção total da natureza humana, dando por certo que havia alterado nossas capacidades racionais ou perceptivas - o que nos levará a Kant, que era luterano... Houvesse ou não uma lei natural, seu funcionamento não estava no acesso das criaturas decaídas, as quais só podiam esperar socorro da divina Revelação e da graça.

A bem da verdade esta desconfiança face a capacidade racional ou natural do homem representa uma tradição agostiniana jamais perdida de vista no Ocidente e decididamente retomada e mantida pelos Franciscanos - em oposição aos dominicanos (Aquino fora pioneiro em incorporar o aristotelismo a teologia dando origem ao que chamamos 'via antiqua') - até desembocar na 'Via moderna' com Occan e enfim com Biel. Lutero, como agostiniano, bebeu nestas fontes irracionalistas e tornou-se inimigo implacável da escolástica dominicana.

Excluídas, a razão, a Lei natural e enfim, a tradição apostólica, tudo quanto lhe restou foram as sagradas escrituras as quais ele apelou decididamente, não nos termos calvinistas de um Corão ou com ênfase no Antigo testamento, mas, desastrosamente, com ênfase em Paulo e não no Evangelho. Por meio de Paulo ou do Paulinismo os elementos judaicos ou rabínicos opostos ao Evangelho obtiveram situação de destaque - assim a doutrina fetichista de governo exposta em Romanos treze - e o segundo passo, dado em Genebra, foi mergulhar de cabela no antigo testamento, o que por sinal representaria uma mudança significativa em termos políticos, mesmo quando não fora saudável.

O que quis dizer aqui, e seguindo Ribadaneyra e Possevinus é que Lutero e Maquiavel se bem que partam de princípios ou valores não apenas distintos mas francamente opostos tem seu ponto de encontro na negação ou no desprezo pelo que conceituamos como Lei natural enquanto critério Ético racionalmente deduzível.

Não saímos disto no momento presente. Pois temos a um lado a multidão dos biblistas irracionalistas e fanáticos com seu apelo insistente a uma política Bíblia ou a leis bíblicas ao menos em torno da moralidade senão da fé e a outro os ateus e materialistas afirmando já o conceito problemático de liberdade positiva - como se a liberdade fosse um fim em si mesma - já uma democracia meramente formal ou estrutural, infensa aos princípios e valores essenciais sobre os quais assentam-se os direitos da pessoa humana, e o corolário desta negação face a ética humanista, é um comprometimento servil face as exigências do mercado ou da ordem capitalista.

Colocando as coisas noutros termos, mas claros talvez: Pelo moralismo ou puritanismo de matiz bíblico, insuflado pelos fanáticos podemos chegar a algo pior do que o absolutismo assumido por Lutero. Pois a via calvinista - fundamentada no antigo testamento - do mesmo modo que o islã sempre pode descambar em teocracia, ideal que os calvinistas irredutíveis transportaram de Genebra, a Londres, de Londres aos EUA e enfim ao Brasil, espaço cujas deficiências em matéria de educação são bastante conhecidas... Já o oportunismo da via formalista, representativa ou sem espírito, sempre poderá resultar numa infidelidade que reverta em tirania ou numa opção preferencial pelo liberalismo econômico, sempre que este se veja ameaçado por um liberalismo político nos termos de uma democracia mais popular ou social.

Sem dúvida devemos compreender que não podemos esperar um verdadeiro compromisso com a 'sacralidade' da ordem democrática por parte de pessoas que não assumem os princípios e valores democráticos como essenciais nos termos de uma Lei natural ou de uma ordenação divina. Destarte a única forma capaz de conter já a avalanche teocrática que se avoluma e ao mesmo tempo de insuflar autêntica vida nessa cadáver que é a democracia formal é resgatar o velho porém sadio conceito de Lei natural. Todavia, para tanto, faz-se mister reformula-lo, desvinculando-o de qualquer solução inatista. É o quanto pretendemos fazer na segunda parte deste ensaio - Oferecer uma teoria de Lei Natural não inatista, ao menos em termos de conceito.








segunda-feira, 5 de março de 2018

Memética que troço é esse? II

Quando um cientista deseja fazer ciência, enfia-se em seu laboratório, mede, pesa, dilui, etc e trás fatos, enuncia leis, etc Quando quer filosofar...

Imita Werner Heisenberg, cujas palavras achamos por bem reproduzir:

"Desde muito cedo tive a oportunidade de ler Platão; já na escola o traduzíamos. A seguir li os seus diálogos; o Timeu, principalmente, exerceu grande influência sobre mim, pois foi na altura em que se me deparou a teoria do átomo. Desde então tenho indagado se se pode compreender a teoria atômica sem se fazer uso da Filosofia, e cheguei a conclusão de que o atomismo esta tão afastado do nosso mundo quotidiano que, sem uma análise pormenorizada da situação epistemológica, linguística e, em geral, dos fundamentos filosóficos, é impossível compreender a teoria do átomo... Precisamente nessa altura deparou-se-me, casualmente, o Timeu e a história do átomo, que me provocaram profunda impressão... Depois voltei a discutir frequentemente com amigos interessados em tema filosóficos sobre os problemas que se expõem no Timeu. Essa leitura desempenhou um papel bastante importante na minha vida." in Horia, Vintila 'Viagem aos centros da terra' Verbo p 283 e sg

Já nos referimos, no artigo anterior, ao conhecimento de Sagan a respeito deste ramo do conhecimento que é a Filosofia. Poderíamos citar ainda Weizsacker, o qual repassou diversos destes temas numa de suas obra. Assim "A parte e o todo" de Heisenberg, o qual se bem me lembro também é autor de 'Física e filosofia'.

O que no entanto nenhum deles fez foi vender suas especulações ou apreciações filosóficas como ciência 'empírica'...

Outro porém e bem outro é o caso do Dr Dawkins, com sua extravagante hipótese sobre 'Genes egoístas' cuja intencionalidade egoística controla os seres humanos como máquinas, privando-os de auto determinação ou livre arbítrio. Genes colonizam-nos para replicarem-se... Somos obras não de um deus, mas de uma luta épica entre genes brigões que lutam pela sobrevivência...

Não foi sem razão que diversos de seus pares, cito de passagem apenas S Jay Gould, apresentaram-no como mistificador. Mas... a obra agradou o grande público leigo, o qual nem deseja ser livre e consequentemente responsável e que deseja ver o próprio individualismo ou egoísmo justificado. O grande público adorou o que leu como adora este Velho testamento que determina a matança de cananeus e o Corão com sua jihad, murtad, Djzia e sharia enfim... A parte mais primitiva, grosseira e vulgar da humanidade aspira derramar sangue, roubar, mentir, permanecer insensível as necessidades do outro, etc E Dawkins justifica 'biologicamente' tudo isto...

Maomé, Lutero, Calvino, Spencer, Hamilton, Wilson, Desmond Morris ( o da 'Fauna humana' e do 'Macaco nu'), Hitler, Staline, Von Mises, Hayeck, Friedman, e Dawkins não podia ter deixado de fazer o imenso sucesso que tem feito uma vez que disseram as massas barbarizadas o que queriam ouvir, sancionando o comportamento delas... Outro e bem outo é o caso dos 'censores' Sócrates, Platão, Jesus, Buda, Confúcio, etc os quais buscaram corrigir a moralidade baixa da plebe e eleva-la... A humanidade finge adorar ou cultuar a estes, mas continua vivendo segundo a norma e regra daqueles...

E no entanto este mesmo Dawkins, parece até piada, não só declara que seu biologismo ateísta produzirá (tempo futuro é claro) uma boa fornada de 'Ética' - Acredita quem quer... como chegou a dizer que 'Devemos tentar ensinar a generosidade e o altruísmo...' Flew 88. Mas como Dr Dawkins? Se somos máquinas comandadas por genes egoístas? Como se segundo a equação de William Hamilton só podemos ser altruístas face a nosso próprio patrimônio genético?

No entanto a escolástica genético darwinista de Dawkins não para por aqui... pois além de genes possessivos temos memes???

HHHHHHaaaaaaannnnnnn???

O que?

Sim temos memes... Segundo Dawkins.

Mas que são memes???

Começarei declarando, pois quero começar do começo, ou melhor dizendo parafraseando Marilynn Robinson ("Além da razão" Nova Fronteira 2011 p 67) e apresentando os memes como algo puramente hipotético ou imaginário, i é, algo cuja existência não pode ser concretamente demonstrado, em contraposição aos genes, cuja existência, é real e para além que qualquer dúvida.

Genes são materiais, são moléculas e como tais foram isolados e 'verificados' pelos cientistas. Memes é coisa que ninguém, jamais viu ou isolou...

Uma bela construção fantasiosa, digo ideal, do biólogo inglês, apenas isto. Os genes estão no meu corpo, no seu corpo, nos nossos corpos... Os memes na cabecinha ou na imaginação de Richard Dawkins, donde passaram a seus 'Best sellers'...

Pior, mais grave... monstruoso. Memes são entidades ideais, imateriais, supra físicas, implantadas por um biólogo materialista no organismo humano.

Dawkins meus bons amigos é materialista professo, e, como tal, deveria enunciar apenas a existência de entidades materiais ou físicas, o que alias se espera de qualquer biólogo... Mas, enuncia, a existência de 'ideias' ou 'conceitos' que criam raízes materiais no cérebro. Não, não são uns genes que portam ideias, aqui teríamos genes pensantes - o que Dawkins explicitamente ao menos não ousa enunciar - mas umas ideias que são comunicadas externamente ou um produto da cultura que internalizando-se, implanta-se materialmente no organismo. Ideias literalmente fixas de que não pode o infectado libertar-se, permanecendo eternamente escravo delas.

Não vou entrar neste 'samba do crioulo doido' mas, ainda aqui, reproduzir as palavras da Sra Robinson:

"Por analogia com o gene, esta entidade ou fenômeno é chamada meme. O meme é um conceito, uma ideia, uma memória pessoal ou cultura EGOÍSTA que coloniza o cérebro e que sobrevive por meio da proliferação, implantando-se noutros cérebros. Dawkins diz: 'Exemplos de memes são melodias, ideias, frases feitas, modas indumentariais, formas de fazer vasos ou construir arcos. Assim como os genes se propagam no pool genético, saltando de um corpo a outro por meio de espermatozoides e óvulos, os memes se propagam no pool de memes, saltando de um cérebro a outro através de um processo que, em sentido amplo pode ser chamado de imitação.'. Ele cita seu colega N K Humphrey 'Memes deve ser considerados ESTRUTURAS VIVAS NÃO APENAS METAFÓRICA, MAS TECNICAMENTE. Ao plantar um meme fértil em minha mente, VOCÊ LITERALMENTE PARASITA MEU CÉREBRO, transformando-o em veículo para a propagação desse meme da mesma maneira como um vírus pode parasitar o mecanismo genético de uma célula hospedeira. E isso NÃO É FORÇA DE EXPRESSÃO - o meme para, digamos 'a crença na vida após a morte' é de fato construído fisicamente, milhões de vezes, COMO UMA ESTRUTURA NO SISTEMA NERVOSO DO HOMEM, individualmente, por todo mundo." Opus cit ps 65 e sg

Peço 'data vênia' para fazer uma citação deste tamanho, mas era necessário, para que depois não digam que estamos torcendo ou falsificando as doutrinas do sr Dawkins, pois é comum ver seus seguidores repetindo esta disputa esfarrapada...

Temos ideias, crenças, modas, conceitos, etc que vagam ou giram por ai, como o vírus da gripe, no mundo da cultura. E ai você nasce num ambiente infectado destes e contrai lá o meme do budismo, ou do espiritismo, ou do Catolicismo, ou do Socratismo, ou do Socialismo... e ele, mesmo sendo puramente conceitual, cria ou desenvolve raízes materiais ou celulares no seu cérebro, formando como que um quisto irremovível. Como se vê, até aqui, nada de livre arbítrio, de racionalidade, de lógica, de reflexão... Nada disto é real, apenas os conceitos 'voadores' que batem a nossa testa e infectam-nos para todo sempre???

Somos quase que levados a crer no meme pela doutrina do meme. Pois só mesmo um palerma para endossar semelhante disparate quando toda gente propriamente instruída e educada é por assim dizer 'Uma metamorfose ambulante' pelo simples fato de rever seus costumes, princípios, valores, ideias e crenças ao cabo de toda vida. Pessoas mudam de ideias, mesmo as mais simples e estupidas mudam de ideias senhor biólogo!

Outro conteúdo implícito na exótica doutrina do sr Dawkins, e pelo qual ela é um tiro no pé, é que pessoas controladas ou colonizadas por memes não pesam evidências ou argumentos, e tampouco os próprios memes... Memes são ideias introjetadas no sujeito sem que ele mesmo tome consciência disto. O que destrói pela base a distinção fundamental entre Verdade e Erro... Pois só podemos falar em verdade e erro quando o sujeito em posse de uma vida racional, pesa os argumentos buscando pela evidência... Quando é colonizado por conceitos voláteis que lhe penetram o crânio, como que por osmose não há mais verdade e erro...

Pelo que temos de nos perguntar sobre os memes do materialismo, do ateísmo, do positivismo, do cientificismo, etc Afinal se há memes como alguns privilegiados poderiam ter acesso a qualquer Verdade que ultrapasse os tais memes??? Tudo é meme, e se tudo é meme, nosso estado comum deve ser de ignorância crassa no que diz respeito a realidade... ou temos um estado de exceção...

Perguntem agora a Humphrey, a Dawkins, a Hamilton ou a Wilson, se suas queridas teorias também são memes... E ouvirão, pasme, que são produto da experiência (mentira porque memes jamais foram experimentados!) ou da ciência! Temos já um templo, igreja ou altar, como sacerdotes e pasme, uma verdade revelada que não procede dos memes... Memes existem apenas para quem não é cientista. Eis aqui uma verdade - Cientistas são imunes a memes. Embora Heisenberg, Fermi, Weizsacker, Schroeder, Einstein, Planck, Lemmaitre, Jeans, Lovell, Eddington, Maxwell, Dirac, Whitehead, Overstreet, Dobzhansky, etc terem sido infectados pelo teísmo... Oh coitados...

Na verdade apenas os cientistas ateístas - e, que pena, ao contrário do que se propaga não são a maioria e sequer muitos - como Dawkins, Wolpert, Stenger e Tryon; por exemplo, são de fato imunes aos memes... enfim privilegiados. Quanto a Freud e Marx, não são reconhecidos como cientistas por eles, e quando ao querido Darwin, apresenta-se claramente como deísta na 'Evolução das espécies' embora, já no fim da vida, influenciado pelo problema da dor ou do mal, tenha se inclinado ao agnosticismo. Sempre bom, dizer que, apesar do que contam os péssimos 'filósofos' (cientistas) ateístas, que o agnosticismo implica uma noção de epistemologia e antropologia absolutamente distintas da epistemologia e antropologia ateísticas, e que apresenta-los como 'ateus' medrosos ou covardes é pura e simples desonestidade, e arrogância é claro. Diga-se isto com mais razão ainda do Panenteísmo, e do deísmo... Nenhum destes conceitos, nenhum deles, equivale mesmo de longe ao ateísmo, mas, estão em franca oposição a ele. O ateísmo é posição tão 'solitária' quanto o agnosticismo e o teísmo (de que Panenteísmo e Deísmo são formas ou variantes).

Portanto ficar elaborando falsas listas de ateus em que constem - Galileu, Newton, Diderot, Voltaire, Darwin, etc implicará sempre, desonestidade, falta de ética e desespero, afinal de houvesse um grande número de sábios e cientistas ateus ou ateus a mancheia, como diziam nossos ancestrais, por que falsear ou fabricar falsos ateus???

Admitida a existência do meme e da paridade entre verdade e erro, tanto o teísmo, quanto o ateísmo, ficam sendo nada ou zero a esquerda... E já estamos nós nas mesmas condições que Pirro ou Hume, i é em estado de ignorância absoluta e invencível, afinal, memes não refletem, não raciocinam, não pensa, não filosofam e não tem acesso a verdade.

Assim há infectados pela crença segundo a qual a alma sobrevive a morte e infectados pela crença, não menos 'inverificável' de que a alma morre com o corpo físico... Um implante aqui, um implante acolá e nada mais...

Outro aspecto insólito a ser considerado é que uma conceito ou entidade cultural se transfigura ou converta em estrutura material, sabe-se lá como... Não se sabe nem se pode saber. Pois se se trata duma ideia como se pode transformar uma molécula ou coisa parecida? Dirá nosso mago que por meio de sinapses neuronais... e no entanto as sinapses neuronais estão na base de todo aprendizado humano, sem que deixe de ser fluídico, flexível, dinâmico e mutável... Pelo simples fato de imigrantes, mesmo já mais velhos ou maduros, mudarem de hábitos quanto instalam-se noutro pais, aderindo a outro tipo de traje, de dieta ou até mesmo de religião... O que mesmo não sendo comum, é empiricamente verificado! Supor a memética é dar o comportamento humano por fixo e imutável, uma aberração!

Torne-mos mais uma vez a sra Robinson:

"Sendo assim como supor uma base genética em qualquer comportamento humano? Se estes memes parecem se ter libertado da dependência direta para com os genes, e aparentemente podem faze-lo ainda onde não o fizeram de fato... Coisa dificil conciliar a sócio biologia, com sua dependência do neo darwinismo gradualista, com esses MEMES INCORPÓREOS QUE FLUTUAM LIVREMENTE, QUE SÃO ALTAMENTE CONTAGIOSOS E QUE, NA TEORIA, de alguma forma, conseguiram fazer com que o nosso cérebro físico se ajustasse a sua própria sobrevivência e propagação." id P 67

Compreenderam???

O cérebro ou a mente não tem qualquer meio para safarem-se a ação colonizadora dos memes... Estamos num mato sem cachorro? Cérebro ou mente não nos garantem nada, não servem para nada... Pois somos presas fáceis de uns memes incorpóreos que flutuam ao sabor da cultura, da mesma forma que a rubeóla ou o sarampo... A conclusão 'ética' é miserável - Você é tão responsável por seu fundamentalismo religioso, por seu racismo, por seu machismo, por seu adultismo, por seu capitalismo, por seu odinismo, enfim por seus preconceitos e superstições, tanto quanto é responsável por contrair crupe, difteria, tifo, rubéola, sarampo, catapora, etc Afinal ainda não foi inventada qualquer vacina contra meme... Estará o grande Richard Dawkins a fabrica-la em seu laboratório???

Resta considerar que toda esta parlenga ou lenga lenga traí, como não poderia deixar de ser o ranço do positivismo, com suma imensa pobreza (a avaliação é de Werner Heisenberg). Um grupinho de cientistas ou de sumos sacerdotes do novo culto, tributado a seleção natural, que enxergam o 'pecado' (no caso da metafísica) em todos, menos neles mesmos, i é nos privilegiados, especiais, superiores ou messias... Lembra K Marx e seu determinismo economicista, segundo o qual a consciência e a cultura eram produto de relações econômicas de produção. E no entanto esse Marx, inserido num modelo de produção capitalista, não era determinado e portanto assimilador daquele modo de pensamento, mas teórico de um novo tipo de pensamento - comunista ou marxista - não determinado por aquele modo de produção majoritário. Marx, como oponente do capitalismo e portador de uma nova consciência, era indeterminado...  Lembra E Durkheim, com seu sociologismo tosco e a respeito de cujas pesquisas e constatações deveríamos perguntar se foram determinadas pelo meio! Lembra Freud, psicologista, que metafisicou a respeito de um fenômeno social, sem quiçá, jamais ter avaliado suas próprias relações afetivas com o pai e a mãe e até que ponto fora influenciado por elas... Dificil para estas homens colocarem-se no plano de suas pŕóprias doutrinas ou situarem-se nelas...

Que dizer então de Dawkins? Teria sido também colonizado por certos memes, portadores das ideologias que tão fanaticamente defende ou seria um privilegiado posto em comunicação com uma verdade oculta a todos os mortais??? Por esta via chegaríamos a mística... E não preciso dizer mais nada! Cada um considere o que seja esta nova 'ciência' da memética e tire suas próprias conclusões!



C Q D

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Buscando responder algumas objeções levantadas II



Nos domínios do absurdo



Isto parece aterrador, não ter mais sentido... Diz meu amigo.



Não parece aterrador, bom amigo. É... Simplesmente é.

E já lhe digo que caso este sentido necessário, dependa de algo transcendente, também este algo transcendente fica sendo absolutamente necessário. Não somos responsáveis pela questão do materialismo e o tema do ateísmo tocarem ao sentido da existência ou melhor por essas ideologias destruírem o sentido, encaminhando o homem ao nihilismo, ao absurdo e ao desespero total. Até destruírem o homem, fazendo com que abandone decididamente uma farsa que jamais devería ter sido iniciada. Julgo alias que uma doutrina cujo o fim último seja a decepção, a frustração, o tédio, a auto alienação e a neurose, deva ser revista com todo cuidado.

É o caso do ceticismo crasso, é pura teoria, não serve para a vida, não tem sentido vital, não pode ser vivido ou praticado. Assim o nihilismo...

Aqui chegamos a Camus, com sua teoria do absurdo.

Pois o caos, o acidental ou o absurdo é que se opoem ao sentido.Caso abdiquemos do sentido temos de chegar a loucura. Afinal por que qualquer outro aspecto da existência teria direção ou sentido num quadro geral de absurdidade? Michel Foucault, Gatarri, Derrida e outros não brincaram quando tentaram quebrar as barreiras entre normalidade e loucura... Se tudo é absurdo como estigmatizar a loucura. Afinal condenamos a loucura em nome de um certo sentido a que chamamos normalidade. Os pós modernistas foram coerentes ao avançarem do absurdo a anormalidade generalizada ou a loucura. 


Não fica mal ao pós modernismo e o irracionalismo negarem o sentido, como negam a própria empiria e a própria ciência segundo suas respectivas cosmovisões.

O problema aqui é o cientificista, que - apesar de Kant - afeta objetivismo enquanto acesso a certa dimensão da realidade, encontrar-se com o irracionalista e pós modernista apenas para negar o sentido e canonizar o absurdo.

Levando o absurdo a sério


Aqui outra arbitrariedade uma vez que o pós modernista nega absolutamente tudo, mergulhando no subjetivismo crasso, enquanto que o positivista faz um recorte arbitrário e nega apenas o sentido geral da existência reservando o absurdo para o fim. Sem perceber que afirmando o absurdo metafísico torna sua própria ciência absurda. E pouco se nos dá que esse mesmo homem dê com os ombros e declare: Eis tudo que temos! Afinal a ciência no tempo presente é privilégio de uns poucos enquanto as multidões que se arrastam pela terra caminham para a dissolução e o nada. Se as migalhas de felicidade de que dispomos dependem do conhecimento científico a condição humana é bastante deplorável.

Ah, mas minha ciência não é absurda! Querido caso o princípio seja acidental ou fortuíto e o fim igualmente sem sentido algum, como crer que o meio. Mas compreendo como é difícil para vocês abandonar a única consolação ilusória de que dispõem, i é a objetividade cientifica face a crença no absurdo total corajosamente proclamada pelos pós modernista.
E no entanto este homem auto consciente e racional demanda pelo sentido, busca por um sentido, persegue o sentido... como uma mariposa lança-se as chamas da lamparina dirá certo pensador ateísta.

Psicologicamente, seja para Jung, Frankl, Allers e tantos outros teóricos o encontro do sentido corresponde a própria sanidade mental e sua negação a uma fonte de neuroses.

Para um grupo seleto de seres humanos


Compreendo que pessoas saudáveis, bonitas, jovens, limpas e bem nutridas desdenhem do sentido, que afirmem ser tal busca ociosa, a razão um verme e absurdo tudo quanto nos envolva.

Desde que haja casa, comida, roupa lavada e certa felicidade a negação do sentido pode ser viável ou mesmo tentadora. No entanto a maior parte dos seres humanos vive sob condições distintas e ouso duvidar que um tal tipo de ensinamento - apto para satisfazer pessoas realizadas e felizes - pudesse ser seriamente enunciado num Hospital, num Asilo, num Orfanato ou mesmo numa Favela... A absurdidade da vida é doutrina bastante restrita e parece não contemplar as necessidades existenciais ou psíquicas da maior parte dos seres humanos.

Os termos finais da 'bela' doutrina...


Foi apenas após a trigésima cirurgia que Freud pode abdicar por completo da esperança e descreve-la como um verme, pouco antes de recorrer ao clorofórmio e deixar o palco ou picadeiro da vida.. Raras são as esperanças de que um jovem que nega categoricamente o sentido da existência chegue a extrema velhice após uma série de vicissitudes e calamidades.

Werther de Goethe sequer precisou envelhecer ou passar por problemas de ordem material para sucumbir ao peso de uma existência sem qualquer sentido, e o simples ceticismo, bem como o agnosticismo - para não falarmos em materialismo e ateísmo - tem sido suficientes para levar ao suicídio um número cada vez maior de cidadãos escandinavos. Onde um aluvião de suicídios tem acompanhado os passos da ideologia nihilista, o que por si só basta para excluir qualquer análise superficial e forçada em termos de clima, afinal o clima tem sido estável há centenas de anos e o aumento dos suicídios um fenômeno relativamente recente que tem acompanhado a cultura. Tampouco passam eles por qualquer problema mais sério a nivel de organização econômica ou social. As condições de vida são as melhores do planeta, e a taxa de suicídios também, bem como as afirmações em torno do nihilismo, do absurdo e da total falta de sentido.

No entanto para que precisariamos ir a Escandinávia quanto temos Elvis Presley, Jacqueline Onassis, Bob Marley, Janis Joplin, Michael Jackson, Amy Winehouse e outras centenas de multi milionários precipitando-se como mariposas nas chamas de uma lamparina, após terem declarado explicitamente em diversas entrevistas que a vida não possuía qualquer sentido e que a  existência era absurda, Ah mas eles se drogavam ou embriagavam... Tente peguntar-se por alguns instantes sobre o pôrque deles desejarem fugir a existência. Antes de declarar que se drogavam ou embriagavam forçados pelos genes. Psicologicamente falando a falta de sentido e a conclusão pelo absurdo tem sido uma porta a berta para o consumo de bebidas ou de entorpecentes, mas a farsa dura pouco, afinal como diz Vintila Horia, pela droga o homem encontra a si mesmo e seu imenso vazio, vazio existência, vazio de ser... E põem fim a farsa.



Mais contradições - O Homem e a ideologia inumana


O curioso aqui é que o homem olhe para dentro de si mesmo e 
demande por sentido. Olhe para fora de si e encontre teorias muito mal feitas, prontas para dizer-lhe - Não pergunte por isso! Não peça isso? Não pense nisso!

Mas, este homem não se conforma com a negação do sentido a que persegue.

Tece questionamentos. Apenas para ouvir que são imponderáveis e que deve se contentar com o fardo da própria ignorância.

Aspira por uma dimensão ética da existência. Dizem que ela não existe...

E este homem comum não pode viver absurdamente ou fazer o que bem quer. Do contrário vai preso com base em critérios éticos e morais sem 'sentido', e é morto como Ravachol...

Tudo porque alguns indivíduos ricos e bem nutridos, e felizes tem a posse das armas e do poder, uma vez que não existe bem e mal fora dos indivíduos e que somos regidos por instintos ou genes egoístas... E ainda sim punidos ou castigados quando os obedecemos irresistivelmente. Assim a legislação fala em delitos e crimes, embora uma determinação genética ou um impulso sendo natural, não possa ser criminoso.

"Te devoro obrigado por minha natureza." Eis o que diz o monstro do filme, vermes rastejantes, a uma de suas vítimas a ser devorada.

Pobre homo sapiens... pobre animal racional!

A negação da Estética e o desprezo pela beleza.


Aspira por uma dimensão estética da vida, mas; as verdades 'puras' que abraça estão desvinculadas por completo do Bem e da Beleza, são frias e feias e por isso não lhe oferecem poemas, óperas, peças de teatro, pinacotecas, partenons e catedrais; declarando tudo isto artificial, ocioso, supérfluo e absurdo. A esfinge, o Alhambra e o Tja Mahal são frutos de uma fé... As universidades europeias, como Nápoles, Salamanca, Paris, Cambridge, Oxford, Lovaina... de uma fé e de uma Filosofia, tal e qual os Dialogos de Platão. Igualmente frutos da fé são Ilíada, a Odisséia, a Divina Comédia, o Paraíso perdido, os Lusíadas, a Jerusalém libertada, a Messiada e o Orlando furioso. A paixão de S Mateus e os Oratórios de Haendel. O Duomo de Florença, a Piazza de S Marcos e o campanário de Ulm, bem como a catedral de Colônia. Para não falarmos na Hagia Sophia ou em La Madeleine. A fé inspirou as encantadoras obras de um Ary Scheffer, a mitologia a pena de um Virgílio, de um Ovídeo, de um Estácio, de um Terêncio ou de um Propércio. Foram homens de fé ou de reflexão Sóflocles, Ésquilo, Eurípedes, Plauto, Gil Vicente, Shakespeare, Corneille, Racine e Molière. Assim a sensibilidade ímpar de um Fédro, de um Esôpo ou de um La Fontaine tampouco procedeu da vossa ciência positiva ou melhor da ideologia materialista ou da metafísica dawkiniana. O cientificismo tem sido esteticamente estéril, e parece não preocupar-se nem um pouco com isto...

A negação da Ética ou o desprezo pelo bem

Escusado seria falar nos orfanatos, asilos, escolas, hospícios, hospitais, albergues, dispensários, etc que o cientificismo nem erigiu no passado nem cuida ou porfia erigir no tempo presente. É verdade de a legítima ciência empírica, produz técnica. Mas não é menos verdade que esta técnica entregue ao mercado é negociada ou vendida como qualquer outra coisa, convertendo-se a magnífica ciência que endeusa em fonte de lucro ou renda para ele. Consequentemente imensas vastidões do planeta, como certas paragens da África e da Ásia, jamais são tocadas por essa técnica arrojada. Mesmo os pobres das Américas dificilmente tem acesso a elas. Tendo de recorrer ao pastor ou ao xamã (curandeiro). Exceto quando algum grupo de religiosos ou de humanistas compram os aparelhos (a técnica) e movidos por sentimentos 'duvidosos' transportam-na a tais remotas paragens. Consciência, empatia, alteridade, identificação, solidariedade, é coisa que o cientificismo parece não produzir.

Os medievos e nós - A nossa crise


Os medievos a que costumamos lançar paus e pedras costumavam preocupar-se mais do que nós com o homem. Multidões de monges e freiras, sem asseio ou técnica buscavam servir aos enfermos e a minorar-lhes os sofrimentos. Por falta de ciência - e por isso dizemos que a ciência é muito importante - e técnica não havia recursos em abundância, mas havia boa vontade e sincero desejo de ser útil. Os recursos humanos no entanto sobejavam e a crise era meramente material. No tempo presente temos a ciência que produz uma técnica refinada e doentes morrendo as baldas sem assistência nas periferias, ruas, praças ou a fila do SUS. Temos recursos suficientes para curar muito mais gente bem como para erradicar a fome do planeta, e mesmo assim - milhões morrem de fome e outros tantos de doenças 'curáveis'. Agora qual a razão disto? Simples. Hoje sobeja m recursos técnicos e materiais e faltam recursos humanos ou boa vontade. A nossa crise é muito pior do que a medieval porque humana, produto de um egoísmo, de uma insensibilidade, de uma desumanidade e de uma falta de ética que nossa ciência é impotente para solucionar.

"A ignorância é uma benção."


Temos supostas verdades positivas ou metafísicas cientificistas mas elas estão definitivamente apartadas da Beleza e do Bem, e este homem emancipado do século XXI é um ser fragmentado.

Tudo por quanto este ser racional aspira é avaliado ficção, ilusão ou engano pelos gurus da modernidade.

Mas não chegamos ao fundo do poço. E segue o drama supremo!
Pois este homem é consciente... auto consciente. A respeito do que sonha, aspira, quer...

E do quanto lhe negam ou dizem ser utópico, pretensioso, impossível...

Imagine por um instante uma borboleta ou uma águia, que possua asas perfeitas e não possa erguer-se do solo e cortar as nuvens... Para que ter asas? Para que servem as asas???

E no entanto estes anima
is tem, muito provavelmente, o benefício da ignorância ou da inconsciência.


Acaso não será melhor ser um 'frustrado' ou um fracasso natural sem ter consciência disto?

Mas, oh azar, na evolução sofreu uma hipertrofia e brindou-nos com esse cérebro que não só sabe afetar os modos de uma mente como fazer perguntas irrespondíveis.

Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e outros dramaturgos clássicos diriam que tudo isto é pateticamente trágico, mas nossos positivistas a tudo assistem sorrindo qual o desenrolar de umas das comédias de Aristófanes!

Uma bananeira que não produz bananas jamais conhecerá a infelicidade deste homem tolhido em suas legítimas aspirações, pois não foi amaldiçoada com o apanágio da auto consciência


Consciente este homem se sentirá frustrado e frustrado se tornará neurótico.

Equívoco consciente produzido pela sorte, pelo acaso ou pelo giro dos átomos eis tudo quanto é ele. Um acidente... Um aborto??? Não o sabemos! Ignorabimus!

Comunicar o absurdo...


 

Uma coisa porém julgo saber.
 

Dificilmente alguém que estivesse de fato convencido sobre o absurdo da existência ou o nihilismo, ousaria reproduzir-se, procriar ou por filhos no mundo a menos é claro que declare ser escravizado pelos genes. Do contrário seria cruel...

Afinal para que comunicar uma existência absurda a outrem, já diziam os sensatos Sartre e Simone. Para que prolongar a farsa???

Como dizer honestamente a uma criança que todos somos fruto de um acidente de percurso e que a vida é um absurdo? Como declara-lo a um jovem que passa por uma crise existencial.

Grosso modo os filhos desta geração esperam ser fruto de um planejamento  ou de algo previsto, desejado, acalentado e previamente amado, não duma camisinha furada ou de uma pílula que não funcionou. No entanto, como produtos da sorte ou do acaso, somos todos nós, seres humanos, resultados duma camisinha furada! E você ousará comunicar essa existência absurda a outrem???

E tudo termina pela mentira!




É ai que entra em cena ou darwinismo com sua nova ética ou o Dr Wilson, para ensina-lo que a mentira é um fator evolutivo e incita-lo a enganar seu filho, exatamente como os católicos desencontrados ensinam aos seus o mito grosseiro do gênesis ou como os demais cidadãos que ensinam seus filhos a esperar pelo Papai Noel ou pelo Coelho da Páscoa a cada ano...

Importante é que nossos filhos absurdizados continuem a mentir e mantenham a tradição da mentira, do contrário Werther encarnar-se-a outras tantas vezes sobre a terra.





quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

R Dawkins - Cientista ou metafísico??? Considerações sobre a 'filosofia' biológica do sr Dawkins

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Passamos por tempos difíceis e sombrios.



Tempos em que as pessoas, mesmo as supostamente cultas e emancipadas, limitam-se a repetir e reproduzir o que leem.

Tempos em que a criticidade corre sérios riscos.

Tempos em que obras supostamente científicas angariam tantos admiradores passionais quanto o Corão ou a Torá...

Jamais o 'argumento da autoridade' foi tão criticado e ao mesmo tempo posto em prática sem maiores cerimônias.

E se a um lado os toscos costumam gritar - Moisés, Davi, Salomão, Jeremias, Paulo, Maomé... a outro há quem grite com não menos entusiasmo - Darwin, Wilson, Dawkins...

Antes que pare de ler este ensaio insisto que minha comparação é absolutamente justa e válida. Pois se a um lado temos uma série de escritores mitológicos, atrelados a um padrão de pensamento fetichista a outro temos um grupo de homens oferecendo ilações metafísicas como se fossem constatações científicas, e isto é assombroso, é alarmante, é devastador.

A cerca de duzentos anos o Alemão I Kant veio a baila - alias, seguindo os rastros de D Hume - contra a metafísica teísta do monge dominicano Tomás de Aquino, argumentando que toda metafísica otimista com relação aos sentidos e a mente, era especiosa, frívola e vã. Desde então a metafísica passou a ser encarada como algo fantasioso ou como fruto de nossa imaginação.

Curioso que até então metafísica e filosofia fossem sinônimos, não só entre os teutônicos, mas até mesmo entre nos franceses. O mundo kantiano é que buscou distinguir ambos os conceitos, 'criar' determinadas áreas da Filosofia - Ética, Estética e Epistemologia - circunscrever a metafísica e identifica-la com a assim chamada Teodicéia. Foi todo um processo capcioso de ressignificação levado a cabo por criticistas e positivistas, se bem que Litreé e alguns outros jamais disfarçassem seu desprezo pela Filosofia como um todo. Afinal toda Filosofia é metafisica, especulativa e não empírica.

Isto vale sobremodo para a Epistemologia, alias campo bastante explorado por I Kant. O problema do conhecimento é e sempre será teórico, imaterial e especulativo; jamais empírico. Tudo questão de evidências e de argumentos. Como posso saber empiricamente que posso saber, que estou certo e tenho acesso a Verdade? A crítica aqui transcende aos fato e ultrapassa os domínios da materialidade pura.

Pela sensação temos acesso a fatos. Os fatos no entanto ai estão mudos e calados e nada dizem a respeito de si mesmos ou de sua realidade mais íntima. Para tanto devemos especular ou raciocinar. Assim a Ética e a Estética tratam de princípios e valores que igualmente fogem a materialidade pura, embora nela se realizem ou encontrem sua expressão. Mas os princípios e valores não são fatos.

Houve no entanto um projeto pós kantiano ou positivista, abortado, cujo objetivo era aniquilar a Filosofia como um todo, e descartar a reflexão ética, estética e mesmo epistemológica como fútil. Felizmente nossa herança grega, ao menos em parte prevaleceu, a Teodicéia - elaborada pelo brilhante Estagirita e não pelo monge Cristão Aquino - foi remetida ao tártaro (para a alegria dos agnósticos e mesmo dos ateus que aspiravam afirmar-se ) e as demais partes conservadas.

Acontece que a mesma metafísica ou vício racionalista da especulação, expulsa pomposamente pela porta, tornou a penetrar em nosso mundinho pela janela.

Explico -

Perceba amigo leitor que o primeira questão em termos de epistemologia e que diz respeito a realidade do mundo externo ou a ciência se dá em termos de percepção, isto é, de nossos sentidos, de cuja validade I Kant duvida. Como diz Heisenberg não podemos conhecer a realidade em si mesma, e nossa querida ciência não passa duma casca, de algo superficial enfim. Ao cerne ou tutano não temos acesso... Pois todo fenômeno percebido, segundo o mesmo físico, contém a própria imagem do homem. Antropomorfizamos a realidade externa a nós ou distorce-mo-la ao invés de capta-la. Eis a ciência que eles, kantianos e pós modernos nos oferecem! E é como dissemos um problema empírico, relativo a credibilidade da experiência e valor dos sentidos.

Outro é o enfoque posto a metafisica ou a especulação racional pelos kantianos. Aqui a razão converte-se em imaginação ou fantasia, e é claro que imaginamos o que mais nos agada. Triste sina do homem - para qualquer direção que se volte encontra apenas a si mesmo e nada mais... A realidade externa do mundo ou sua origem e seu fim sempre lhe escapam...

E no entanto nossos biólogos e cientistas dão largas a razão compondo as mais sofisticadas teorias, tão distante dos fatos e leis quanto a terra do sol.

Claro que o positivismo - que fez dos fatos e das leis seu carro chefe - apercebeu-se disto há muito tempo. Popper não hesitou em classificar o evolucionismo como metafísico - assim a psicanalise - e não como científico. Caso tenha se expressado mal e visado certas correntes darwinistas não errou o tiro, acertou em cheio. Temos que conceder que os pretensos sucessores de Darwin tem ultrapassado bastante os limites não apenas da simples empírica mas da própria racionalidade, elaborando uma autêntica escolástica genética, cuja 'Summa' é o 'Gene egoísta'...

Tal o 'opus magnum' do Dr Dawkins, o qual a mídia desmiolada tem apresentado a opinião pública como mais valioso do que 'A origem das espécies' de Darwin, os 'Principia..' de Newton, as 'Revolutionibus' de Copérnico, e as obras de Galileu e Kepler!!! Isso mesmo caríssimo leitor, numa só talagada o Dr Dawkins envia Darwin, Newton, Copérnico, Galileu e Kepler ao purgatório do intelecto, e ascende triunfante ao empíreo. E no entanto Copérnico e Darwin tinha os pés bem mais próximos do chão... Estes deixaram-se induzir pelos fenômenos. Dawkins salta de dedução em dedução, como perfeito escolástico ou metafísico. A única diferença aqui é que Aristóteles e Tomás não batizaram suas especulações, tanto mais eruditas e profundas com o pomposo termo de 'teoria'...

Aristóteles, Tomás e todos os outros, especulam e são classificados como metafísicos desprezíveis e delirantes... Dawkins não especula com menos fervor, e o dizem 'cientista' ou papa do cientificismo. E ele vende os exercícios de sua 'razão pura' como ciência... Lá do fundo de suas frias tumbas os manes dos positivistas gritam - Fatos! Leis e até mesmo a ralé criacionista com eles... Tal o atrevimento dos novos metafísicos que pretendem monopolizar o uso da razão em nome da ciência e produzir 'teorias'.

Mas como é que as pessoas, a gente emancipada, os cientistas, etc não percebem nada disto???

Porque são burros amigo, leitor, porque são burros...

Porque no tempo presente pouquíssimas pessoas conhecem a Filosofia a fundo.

Porque raros são aqueles que estudam Gnoseologia.

E que tem deduzido o Dr Dawkins?

Um é o traço comum entre todas as culturas de morte - Comunismo, Nazismo, Positivismo, Behaviorismo, Biologismo... a saber, a negação do Livre arbítrio ou da liberdade humana, pressuposto indispensável em termos de responsabilidade e moralidade. É o homem responsável por seus atos apenas porque livre... Isto para nós humanistas, que consideramos o homem integralmente, i é como um todo, sem mutila-lo ou repudiar qualquer aspecto de seu ser.

Para o Comunismo é este homem produto das relações econômicas de produção. Para o nazista produto de uma raça ou etnia. Para o positivista produto da interação social ou da cultura, assim para Sniker e os behavioristas, traidores da Psicologia. Assim para E O Wilson e assim para outro 'neo darwinista' S Pinker. Uma coisa é absolutamente certa, o homem julga ser livre, porém de modo algum o é.

Então qual a novidade de Dawkins?

(E há uma novidade...)

A Novidade de Dawkins consiste em declarar que somos máquinas vivas programadas pelos genes com o objetivo de perpetua-los. Isso mesmo bestificado leitor... Tanto eu quanto você imaginamos ser livres quando na verdade somos controlados por nossos genes com o objetivo de nos reproduzirmos, e velar por nossa descendência. Não menos que a esponja, somos um agregado de células, uma colônia ambulante dirigida por elas. E tal caráter é o que explica todos os atos de abnegação ou altruísmo por meio dos quais os pais e avós expõem-se a diversos tipos de sofrimentos ou mesmo a morte com o objetivo de garantir a sobrevivência dos filhos e netos... Ainda aqui nada mais que a natureza assegurando a continuidade dos genes.

Claro que Dawkins não explica nem pode explicar os inúmeros exemplos de altruísmo elencados por Kropotkin no 'Auxílio mútuo' e que dizem respeito a indivíduos sem qualquer ligação genética direta com os beneficiados pelo 'ato' ou de espécies diferentes senão rivais. Os quais Dawkins e seus pares dão por duvidosos. Negam assim aprioristicamente quaisquer fatos que não se enquadrem em sua teoria ou que pareçam contraria-la, falseando a realidade. Como sói fazer qualquer outra ideologia.

Nem preciso dizer que um tal tipo de visão essencialmente biologista, darwinista, genética e egoísta de mundo tem especial repugnância pela forma religiosa segundo a qual um celibatário teria dado sua própria vida com o objetivo de beneficiar todos os seres humanos, morrendo em nome de seus ensinamentos Éticos. Claro que a ideia segundo a qual alguém possa morrer para demonstrar seu amor pela humanidade só poderia exasperar os teóricos do egoísmo genético... Há mais de século os cientificistas ou biologistas, concluíram a luz do darwinismo - a nova panacéia ou teriaga universal - não apenas que o altruísmo é 'impossível' mas que, e E O Wilson e Pinker não cessam de dize-lo - Que a mentira, a falsidade, o erro ou o auto engano são fatores demasiado importantes do ponto de vista evolutivo....

E o Dr Dawkins ainda pretende construir um novo padrão de ética, descente, correto, honesto, etc a partir de seu ateísmo biologista ou melhor neo darwinista! O qual converte ou transforma a mentira numa vantagem evolutiva!!! Que elimina o fator do livre arbítrio... fundamento insubstituível de nossa vida ética ou da responsabilidade. Que menospreza a racionalidade humana. Que na contramão de Popper, Eccles e Penfield ignora por completo o papel da mente e que, ignorando a advertência de Asheley Montagu, desconsidera o fator crucial da cultura no desenvolvimento deste animal racional que é o homeo sapiens.

Para o reducionista Dawkins tudo quanto existe são células, cromossomos e sobretudo genes onipotentes, controladores e egoístas. Os genes nos controlam como marionetes ou como bonequinhos enquanto nós, idiotas, imaginamos decidir nossos destinos e acreditamos ser livres. Mas que... tudo quanto existe é uma farsa muito bem encenada por nosso próprio material genético, do qual somos servidores ou escravos. Basta substituir as estrelas pelos genes... O mecanismo é o mesmo - Nosso destino esta traçado pela mínima parte de nossa parte, e essa mínima parte é egoísta, 'pensando' apenas em reproduzir-se!

Nada de cultural, nada de racional, nada de psicológico, nada de livre... És leitor uma máquina conduzida ou movida por teus genes e nada mais... E teu sentido, objetivo ou propósito é servir ao egoísmo de teus genes. Tal o ensinamento do sr Dawkins... E ele o ensina bastante seriamente.

Agora como pode o teu gene dispor de ti ou do corpo para um determinado fim, que é a replicação de si sem ter intencionalidade??? Se teu gene é egoísta é porque deseja replicar-se ou manter-se a fina força em sua descendência... Portanto que não percebe que por meio desta bela teoria o sr Dawkins transfere o poder decisório, a liberdade, o sentido, a intencionalidade, a definição de uma direção ou sentido ao gene??? Que transfere o que é mais caracteristicamente humano ao celular ou genético??? Não decidimos nada. Porque o 'gene egoísta' decidiu replicar-se ou reproduzir-se... Agora como poderia uma célula ou um gene, irracional e isento de vontade livre, ter qualquer tipi de intenção??? Como poderia um gene traçar uma meta, a si e ao corpo ou conceber uma determinado plano???

Dawkins como qualquer biologista tosco, declarara arbitrariamente que tais questões não se colocam, mas não se colocam apenas porque ele, Dawkins, não quer, e sobretudo porque não pode responde-las e tampouco admitir que haja 'intencionalidade' nos genes. Afinal de contas intencionalidade supõem conhecimento de causa e fim, i é racionalidade, e por fim impulso decisório tendo em vista uma direção uniforme - No caso a replicação ou continuidade e tudo quanto seja necessário para garanti-la! Se não pensamentos o gene pensa por nós e nossas ações são reflexos dos 'genes'... E quem não percebe que toda esta escolástica biológica e cientificista é absolutamente monstruosa???

E invadiu a Psicologia essa monstruosidade 'ideológica'!!! Claro que por meio do behaviorismo, esse apêndice do positivismo e do materialismo, enquistado na ciência destinada a conhecer, analisar e estudar o fenômeno da mente ou da consciência. O qual sob os auspício dos 'magos' E O Wilson e especialmente de Pinker, converteu-se em Psicologia evolutiva ou em psicologia, pasme, neo darwinista.

Mas que tem Ch Darwin que a princípio, ao menos, na Origem das espécies pretendeu explicar a origem dos animais superiores ou das entidades corpóreas mais complexas, como o homo sapiens, a partir de uma primeira célula, descrevendo todo este caminho??? Lamentavelmente adiantou-se Darwin, no livro 'A origem do homem...' a explicar a evolução de nossa espécie - o que é algo bem diverso do que explicar o mecanismo evolutivo, até o surgimento do homem ou a aparição da cultura no cenário natural - a partir daquilo que acreditava ser o único fator responsável pela evolução das espécies, a saber, por meio da seleção natural (Alias, ainda um tanto presa ao conceito mais que duvidoso de Malthus.) O que nos levaria a seu 'querido' filósofo Herbert Spencer com sua mística ou metafísica social centrada na seleção das espécies, compreendida como competição, conflito, luta ou guerra entre as espécies a ser resolvida em termos de força bruta apenas...

Toda esta construção parte de um princípio errôneo e conduz ao absurdo, até a aberração. Antes de tudo porque no caso do homem - vou restringir - entra em cena um novo fator, peculiar, que é a cultura, epifenômeno de um aparato intelectual ou racional capaz de alterar toda dinâmica desse fluxo. E como dissemos a Biologia ou melhor dizendo o culto biologista, não esta disposto a conceder absolutamente nada a mente. É indiferente a cultura, a suas fontes, causa ou gênese. É um estudo do homem sem Psicologia verdadeira... E portanto uma mutilação, redução e falsificação da realidade.

O segundo aspecto não menos aberrante é que todas as formas de mística darwinistas ou de darwinismos sociais ou psicológicos fingem ignorar que Charles Darwin não deslindou por completo a verdadeira causa, alias o fator positivo ou chave da Evolução dos seres vivos. Para os charlatães e mistagogos neo darwinistas a 'seleção natural' equivale a uma força mágica que atua sozinha e explica absolutamente tudo... E eles procedem assim justamente porque o grande público ignora supinamente a gênese da teoria científica evolutiva, sintética ou apenas em parte darwinista, não completamente ou inteiramente darwiniana querido leitor... Dawkins e todo seu grupo, atua e reflete como se vivêssemos antes de Weismann, Batenson e De Vries, os quais demonstraram - contra Lamarck, Darwin e sucessores - que a seleção natural nada produz por si mesma. Sim, é a seleção natural um processo estéril, o qual nada produz em absoluto, limitando-se a testar o que é produzido pelas MUTAÇÕES. Aqui o fator positivo do que chamamos evolução dos seres vivos.

A mutação produz e a seleção natural, testa. Isto no caso dos seres vivos não humanos. Porque no caso dos seres humanos, o processo de seleção natural deve contar, necessariamente com os outros fatores que aparecem e entram em jogo, assim a cultura e consequentemente a inteligência, a razão, a vontade livre, a associação, etc Não se podendo mais encarar tal processo apenas a nível de força bruta ou de embate físico tendo em visto a obtenção de alimento em determinadas circunstâncias. Quem não percebe que em nossa evolução entram outros elementos ou forças propriamente humanos???

Apesar de tanta riqueza, com quanta miśeria encontramos no esquema, pobrezinho, dos neo darwinistas com sua luta física por alimentos travada entre máquinas comandadas por genes egoístas... Aqui nada de cultura, nada de razão, de inteligência, de associação e menos ainda de vontade livre... Somos veículos de genes em situação de famélica, os quais lançam-se uns contra os outros aos tabefes ou golpes de clava...

E há gente que leva isto muito a sério e diz ser isto ciência.

Pinker por exemplo, seguindo ao behaviorista Skinner e ampliando seus erros nada quer saber de vontade livre. Para ele o refinado conceito judaico ou greco romano de liberdade é tão absurdo quanto o mito do bom selvagem, a teoria aristotélica da Tábua rasa (empirismo) e a crença estúpida da imortalidade pessoal. Skinner, desertando da Psicologia e fazendo petição a sociologia determinista dos positivistas forneceu o roteiro a Pinker. Este no entanto inclinou-se mais a Biologia. Mestre Dawkins declarou que somos máquinas ou veículos ou estruturas somáticas comandadas por genes egoístas, os quais imprimem-lhe a direção nos termos de Darwin ou Spencer... Pinker acha o máximo e declara sem mais cerimônias que nossos genes individuais trazem em si não só conhecimentos mas determinação. Nossos genes tem certo conteúdo intelectual ou ideológico ao qual não dos podemos furtar. Nossos genes trazem determinações que não podemos mudar e as quais não podemos fugir... Temos aqui uma espécie de inatismo genético, e evidentemente mais uma forma de determinismo, irmã do marxismo, do nazismo e de outros abortos do gênero...

Pinker, segundo a tradição incoerente de Watson e Skinner, insere no domínio da Psicologia, destinado a investigar a mente e a consciência, a teoria neo darwinista do Dr Dawkins. E leva-a a frente, exprime-a e desenvolve-a de modo categórico, chegando as vias de um inatismo platônico de viés materialista... Mas a hipótese ou opinião segundo a qual nossos genes portam qualquer conteúdo intelectual ou que nascemos com qualquer conteúdo intelectual jamais foi demonstrada empiricamente! O máximo até onde podemos avançar, com Chomsky, é que A ESTRUTURA DO CÉREBRO HUMANO, e não os genes, comporta um esquema ou modelo destinado a processar informações (como um programa de computador) assim como a ESTRUTURA GENÉRICA DA LINGUAGEM (A qual é em última análise lógica) sem que no entanto comporte qualquer conteúdo específico ou formal. Temos aqui uma orientação ou conteúdo biológico/somático que reflete com que deve conformar-se o intelecto, e nos o identificaríamos de modo geral com a lógica de Aristóteles ou com o que chamamos raciocínio. Teríamos assim uma estrutura inata, mas isenta de qualquer conteúdo ou vazia em termos de informações.

Já a afirmação oposta, segundo a qual o cérebro ou melhor os genes trazem conteúdo formal ou informação, deve ser demonstrada nos termos científicos. Coisa que Pinker ou qualquer outro ainda não fizeram.

No entanto os genes egoístas do Biólogo inglês e papa dos neo ateístas demandam intencionalidade. Diante disto por que admirar-se quando o amigo Pinker atribui-lhes conteúdo intelectual, como se fossem, céus eternos, genes pensadores... E vão os genes se humanizando ou antropomorfizando enquanto nós, privados de livre arbítrio e de racionalidade efetiva nos valos desumanizando e nos convertendo em joguete de forças cegas como a luta ou a mentira... E evoluindo graças a essas potências sinistras com que fomos brindados pelo acaso, pela sorte ou pelo eterno giro dos átomos... E a partir daí, quer o Dr Dawkins produzir uma ética tão digna e elevada quanto a dos teístas ou deístas! Quer aproximar-se de Sócrates??? Mais! Quer produzir uma nova Ética, tão elevada e nobre quanto a de Buda ou a do Nazareno, que ensinaram o ideal da abnegação... Falta-lhe ler a Ayn Rand!!! E evoluímos graças ao egoísmo e a mentira... E disto saíra uma Ética elevada!!!???

Alguém acredita???

Milhões, e milhões...

Os quais acreditam e repetem.

No entanto o Dr Dawkins e seus pretensiosos parceiros, que agora querem enriquecer a ética com seu biologismo ou darwinismo toscos, verdade seja dita, jamais lograrão ultrapassar os geniais J S Mill, H Spencer, Ayn Rand e Wilson... Isto é aquela coisa maravilhosa chamada darwinismo social, delícias de Adolph Hitler e outros... Jamais ultrapassaram o limiar do que chamamos utilitarismo, e em sua versão individualista ou, permitam-me ser claro e exato, egoísta. Afinal, se os genes são egoístas, como construir ou elaborar uma ética universalmente altruísta fundamentada na abnegação??? Darwin, baseado apenas e tão somente na sua querida 'seleção natural' já proclamou este ideal como utópico...

Se quisermos obter uma ética condizente com o gene egoísta é isto que teremos, sem maiores floreios... E quem desejar ou sonhar com algo maior, mais elevado e digno, oh miséria, terá de recorrer ao velho Sócrates, a Çakia Muni ou ao esfarrapado profeta Galileu, cuja existência buscam impugnar, uma vez que não se coaduna com a nova religião ou mistica ateísta do egoísmo.

Por fim se é cientificista e partidário do sr Dawkins e mesmo assim teve estomago para ler nossas críticas até aqui, ponha seu cérebro para funcionar ou responda para si mesmo que é este tipo de Ética ou de padrão, rasteiro, que deseja para si para seus filhos e netos, mas lembre-se, caso responda afirmativamente fique já sabendo que pessoa alguma - que inspire-se em tais padrões - irá colocar-se em seu lugar ou arriscar-se por você e pelos seus caso venham a precisar...  E sinceramente espero que jamais venha a precisar. Do contrário, tenho absoluta certeza, que um deísta, um socrático, um budista, um católico, um espírita ou um humanista será quem lhe estenderá a mão.

No próximo artigo avançaremos ainda mais e atingiremos um aspecto ainda mais ridículo da ciência ou da teoria de Dawkins, a ideia ou conceito forçado de meme, e muito teremos que refletir. CONTINUA.