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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Algumas reflexões sumárias sobre a economia yankee e sobre a doutrina social Cristã legada pela tradição apostólica.

Tais movimentos e interações culturais são sobremodo interessantes. Enquanto papismo e comunismo se digladiavam, o protestantismo e o americanismo tiravam proveito, ampliando seus poderes e influências. Curioso: O comunismo, ao debilitar a igreja papa, até certo ponto, criou, sem perceber, as condições necessárias a sua destruição. Pois a igreja neo romana do Vaticano II, atolada no ecumenismo e posta a serviço do ideário protestante, tornou o discurso anti comunista ainda mais virulento.

De fato o fogo da polêmica romana, antes disperso, i é, voltado parte para o protestantismo, parte para o liberalismo e parte para o positivismo, sob a influência do protestantismo e do americanismo voltou-se unicamente contra o comunismo. Desde então o papismo, tornou-se aliado indispensável, servo ou agente útil na guerra ideológica que levou a URSS ao colapso. Noutras palavras, pós Vaticano II, por meio do ecumenismo a igreja modernista foi lançada pelos Yankees contra o bolchevismo. 

Dez anos depois o resultado era bastante claro, tanto pujante igreja papa quanto o quase onipotente partido comunista não passavam de duas sombras opacas cujos nichos culturais estavam destinados a serem ocupados pelo americanismo, o que não todavia não se tornou realidade na Rússia graças a Ortodoxia e a Putin. Outro o caso das sociedades papistas, sempre mais e mais 'modernizadas' na direção do protestantismo, logo do americanismo, do capitalismo, da urbanização acelerada, etc

Curioso observar como o ainda hoje aclamado papa romano João Paulo II - Amigo das seitas e pastores, inimigo da Tradição e adversário do culto divino, serviu como cera quente nas mãos dos líderes D Reagan e M Tatcher, em que pese a absoluta incompatibilidade entre a postura assumida por eles - Em favor da auto regulação do Mercado e em oposição aos direitos do trabalho. - e a doutrina Social da Igreja romana, cujos fundamentos foram lançados por Von Keteller, assumidos por Leão XIII (Na Rerum Novarum) e ampliados, e desenvolvidos pelo tomista Mercier, Bispo de Malines, da escola social Belga.

Nos anos 80 toda esta rica tradição, sujos fundamentos mais remotos tocam o Evangelho, os escritos apostólicos e a herança dos mais primitivos padres da Igreja, foi praticamente jogada no lixo, em benefício de um liberalismo econômico cada vez mais radical, o qual inclusive, veio a tomar o nome de neo liberalismo.

Curioso perceber no neo 'catolicismo' ecumênico o fortalecimento da base comum agostiniana entre os neo romanos e sobretudo das tendências puritanas ou moralistas inauguradas pela dita 'contra reforma' - Que de contra, muito pouco teve... e consolidadas na Era vitoriana. Ao empobrecimento quase que imediato da Teologia protestante e sua substituição, já por mitos judaicos, já pelo moralismo puritano, já pelo fetichismo crasso e enfim, pela incredulidade manifesta, seguiu-se a queda da teologia romana pós Vaticano II, a qual deixando de concentrar-se nos Mistérios de Cristo, na Cristologia, na Encarnação, etc mergulhou de cabeça na temática sexual e repressora - E foi de fato a troca da primogenitura por lentilhas esse abandono ou troca da Metafísica por um moralismo tosco de origem judaícas e acentos maniqueístas.

Já E Westermarck alertara o público religioso de que o ápice da vida religiosa constitui-se em torno de elaborações metafísicas enquanto que seu declínio é indicado pela concentração em moralidades ou costumes. Seguindo os passos do protestantismo, por via do ecumenismo, tombou o neo romanismo na mesma miséria, e, diante disto, como admirar-se de que tenha engolido a isca da RCC, movimento marcadamente judaizante ou fundamentalista, fetichista e portador de tantos elementos da cultura norte americana, devido a sua origem exógena ou pentecostal. 

Foi a RCC que de fato introduziu a tendência pentecostal na mente dos apostólicos romanos, até então infensos a essa reedição ainda mais virulenta do montanismo. Foi uma espécie de propedêutica ou de curso de introdução ao pior tipo de protestantismo, planejado sabe-se lá por quem e com quais intenções lá nos EUA...

Claro que a ideia ou a intenção principal era contrapor algo aquele outro desvio - Infinitamente menos danoso que a RCC. - post Vaticano II chamado Teologia da libertação. A questão aqui é que enquanto a TL parte de fundamentos Cristãos, como a redenção total e ética posta pelos antigos padres e pela doutrina social da Igreja a RCC parte do que há de mais podre e deletério no protestantismo... E sequer seria possível traçar qualquer comparação - Por meio desta lograram os 'imbecis úteis' introduzir K Hagin (!!!), enquanto aquela preconizava a adoção de um vocabulário marxista completamente desnecessário e por vezes alguns métodos duvidosos. 

Por mais que os 'conservadores' acríticos (Porque sou absolutamente conservador face aos autênticos MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO ou DOGMAS DE FÉ.) movam suas mãos contra Darwin (Outro elemento comum entre esses tontos e o protestantismo.), Malthus, Freud, Marx ou Weber... o Seymour da rua Azuza nos coloca, em absoluto, noutro plano e num plano certamente mais baixo, que é o da RCC.

De fato foi ela criada pelos professores neo romanos da Universidade de Duquesne, os quais se atreveram a receber imposição de mãos dos blasfemadores pentecostais, declarando terem recebido o 'Espírito Santo' o que implica (Da parte deles.) admitir que não estava ele em posse ou no interior da igreja papa, mas, na posse daqueles que negam a presença real do Senhor na Eucaristia e a Virgindade Perpétua da Mãe de Deus, dentre outras tantas coisas... E a mensagem é suficientemente clara> Os protestantes devolveram o Espírito Santo a igreja romana... Agora veja se, para quem tem alguma massa cinzenta dentro do crânio, não equivale isto uma declaração de que o protestantismo sempre esteve correto e de que ele, e não nossas igrejas apostólicas, corresponde a religião verdadeira.

Ao introjetar semelhante heresia ou blasfêmia no seio da igreja romana, os Yankees nela introjetaram o vírus mortal da dúvida e uma convocação sutil a debandada e ao ingresso em suas seitas. 

Contavam eles ainda com a possibilidade de, no reboque da falsa profecia de Fátima sobre a conversão da Rússia, atrair - Após a queda da URSS. - aquela nação ao uniatismo para em seguida latiniza-la, ocidentaliza-la e com o adjutório da tal RCC atrai-la a órbita da cultura Norte americana e transforma-la em quintal. Eram as esperanças acalentadas nos confusos anos 90. Por sorte os russos tiveram tino suficiente para retornar a fé de seus ancestrais i é a Ortodoxia, permanecendo alheios não somente a igreja neo romana e sua RCC mas a propaganda das seitas protestante Norte americanas e enfim ao americanismo. O que no momento presente desperta a fúria dos imperialistas...

Desde então, a equilibrada e estimada doutrina social da igreja romana, como que saiu por completo de cena, seja nos EUA ou no velho mundo. E neste cenário, tanto no interior da tal RCC como até mesmo entre tradicionais, tradicionalistas e sedevacantistas, começaram a pulular adeptos do livre mercado ou mesmo do anarco capitalismo! O que no século XIX ou mesmo nos tempos de Pio XII seria algo inconcebível num papista praticante medianamente esclarecido. 

Eu mesmo tive o infortúnio de deparar com um Ortodoxo ANCAP pertencente ao grupo pré calcedoniano. Tratava-se de um chinês converso e tive de travar dura polêmica com ele - Pois Bispo fosse o teria excomungado... Eis porque conheço bastante bem o discurso do romanista Kogos, o qual, entre nós, Cristãos apostólicos brasileiros, procura vender, digo, introduzir, esse modelo econômico protestante.

Abusando da doutrina da demarcação (M N I) - Cujos fundamentos remontam a Galileu e Campanella. - alegam eles que é, a economia, uma ciência tão autônoma quanto a Física, a Química ou a Biologia e que portanto não deve estar ela atrelada a tradição ou aos julgamentos emitidos pelos padres da Igreja. 

De fato esta palinodia faria sentido caso, como quer W Pareto, fosse a economia uma ciência exata similar a matemática ou ao menos uma ciência natural, como a Biologia, o que esta bastante longe de ser verdade, uma vez que ela, a economia, refere não apenas a produtos produzidos pelo ser humano em condições humanas, mas a produtos produzidos para os seres humanos tendo em vista, inclusive, sua sobrevivência.

E embora não possamos dizer levianamente que tal seja o objeto próprio ou foco da Revelação divina, devemos afirmar, em alto e bom som, que ao menos remotamente ou de maneira elementar e sumária incide ela sobre a moralidade e sobretudo sobre aquela Ética que deve comandar todas as ações humanas realizadas em quaisquer campos. Traduzindo para o português claro: Sendo a atividade econômica uma atividade humana e não abstrata ou puramente exata, caí, ao menos em alguns pontos, sob o juízo da Revelação divina e da fé Cristã regulada pelo ensino comum dos Padres ou pela tradição eclesiástica. E nega-lo denota um espírito anti Católico ou nada Ortodoxo!

O mais escabroso aqui é que os mesmos elementos que buscam emancipar a economia, que repito é atividade ao menos em parte humana, da Revelação divina ou da tradição eclesiástica, buscam subordinar-lhe a Biologia, sustentando o mito judaico fetichista (Porque os protestantes substituíram a unidade pessoal do Cristo ou a Presença real do Senhor na Eucaristia.) do criacionismo... Isso quando - Por ser de fato um conhecimento puramente natural. - a Biologia, de fato, goze de autonomia face a Revelação divina ou a Religião. 

Observem portanto que subversão fazem as ideologias no campo da fé...

Do mesmo modo corresponde a outra aberração lógica ser liberal ou ultra liberal em economia e conservador em moralidades. Uma vez que historicamente, as alterações no campo da moralidade (Como a decomposição da organização familiar tradicional.) são produzidas ou causadas por alterações de caráter econômico, como a urbanização ou o ritmo do trabalho. Impossível ter uma economia acelerada ou descontrolada que supostamente se auto regule e uma sociedade moralmente estável ou fixa. 

Efetivamente o convívio tradicional, marcante nas civilizações agrárias ou campesinas, difere bastante do tipo de convívio com que topamos nas grandes cidades contemporâneas e mal planejadas. E difere mais acentuadamente ainda nos conglomerados carentes situados nas periferias dessas cidades, espaços insalubres em que pessoas em situação de miséria ou vulnerabilidade vivem amontoadas. Muitas vezes é a moralidade questão de espaço e o espaço em tais locais parece ser infenso as formas de moralidade oriundas dos vilarejos.

Nos vilarejos pode até faltar alimento ou fartura em algumas situações derivadas do clima. Pode-se enfrentar escassez porém jamais a fome continua. Ademais no campo tem um espaço que é seu. Tem condições mínimas de higiene. Tem contato com a natureza. Enquanto num espaço urbano mal planejado nada disto encontra... Portanto quando buscamos os inimigos da moralidade tradicional devemos identificar os responsáveis por tais condições, pelas condições que lhe são hostis - E esses responsáveis são: A miséria, a ignorância, o esgotamento físico e mental, a falta de espaço, a falta de tempo, a falta de higiene, a enfermidade... Derivadas da especulação imobiliária e da remuneração insuficiente ou seja de um sistema econômico que não é regulado externamente pela sociedade ou pelo poder político e que permite ao patrão acumular a quase totalidade dos recursos.

Necessário, de fato, disseminar a propriedade suficiente e pessoal, fruto do trabalho. Tal o preceito do distributivismo Cristão. Sem embargo disto, fica ele, o distributivismo, sendo letra morta caso o legislador não toque a questão do trabalho, valorizando-o e protegendo-o, até erradicar a miséria ou impedir sua propagação no corpo social. O que nos leva ao salário família, repouso dominical remunerado, férias, licença gestante, décimo terceiro salário, etc

O que observamos no sistema solto ou não regulado é o oposto: O acúmulo irrestrito ou ilimitado da propriedade, que leva a concentração ou monopólio por parte de uns poucos, lesando a fruição dos demais membros do corpo social ou do que chamamos Bem comum, pois bem comum supõe proximidade ou uma relativa igualdade, na diversidade. No regime individualista e descontrolado, legado pelo protestantismo, tudo conduz a uma desigualdade social demasiado grande, que compromete não somente a paz e a concórdia da republica como a própria democracia, a qual se tornando formal passa a ser apenas questão de polícia ou poder alheia ao Bem comum.

O quanto temos nessas democracias meramente formais, associadas ao liberalismo econômico é, repito um mecanismo de controle que tende a suscitar cada vez mais críticas e questionamentos na medida em que se limita a assegurar o ''status quo" de quem já o tem, ignorando por completo as aspirações dos grupos por assim dizer, mais pobres. Pelo que sequer podemos falar em real participação popular ou cidadania, uma vez que as massas se limitam a escolher que as dominará e não quem alterará significativamente as condições em que vivem.

E sequer abordamos a questão dos desempregados. Os quais, neste padrão desorganizado, são convencionalmente chamados 'mercado de reserva' cumprindo alias uma dada função, diretamente relacionada com a Lei da oferta e da procura - O que o torna desejável, embora estejamos falando sobre pessoas que, privadas de uma fonte de renda segura, bem podem estar ou ficar privadas, igualmente, da propriedade ou mesmo de suprimentos alimentares vitais, supondo a não intervenção do poder público.

Sobre essa questão - Da miséria necessária, dos extremos ou da desigualdade já nos estendemos além do desejável -

Toca, no próximo artigo ou página, chegar a Malthus e a questão do aumento da população mundial e aos problemas dele decorrentes, os quais estão diretamente relacionados com o modelo econômico desregulado e que são seríssimos. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Garrett surrando o Sardinha ou deslindando a toxidade, não da democracia ou da liberdade, mas do Economicismo ou do ethos burguês.






Em apoio do quanto registramos no artigo precedente reproduzimos abaixo as profundas considerações do ilustre literato português sobre o velho estado religioso ou confessional, sem duvida deteriorado pelo estatismo e absolutismo, em comparação com o um Estado Político de trânsito ou passagem para a treva economicista e portanto contendo os germes que o haviam de fazer enfermar, agonizar e morrer no tempo presente. 

Atentem que a visão acurada de Garret, falecido em 1854, era bem mais acurada que a do Sardinha (Nascido em 1887 - Portanto mais de trinta anos depois.) o qual, preso de estranha paranoia, pouco ou nada presumia do capitalismo ou do mercado e do protestantismo - Exatamente como os neo romanos ou tortodoxos de fancaria, títeres da cultura de morte protestantes ou da sifilização norte americana.

Substituam a expressão 'barões' por 'burgueses' por 'capitalistas' e a atualidade do texto saltara as vistas:

"Frades... Frades... Não, não gosto deles. Como os temos visto neste século, como os conhecemos hoje, não gosto deles e não os quero para nada, moral ou socialmente falando.

No ponto de vista estético porém, o frade faz muita falta...

Nos campos o efeito era ainda maior: Eles caracterizavam aquela paisagem, poetizavam a situação mais prosaica do monte ou vale; e sem tais necessárias e obrigadas figuras aquele painel não é já o mesmo.

Além disso, o convento no povoado e o mosteiro no ermo, amenizavam e davam grandeza a tudo: ELES PROTEGIAM AS ÁRVORES, SANTIFICAVAM AS FONTES e enchiam a terra de poesia e solenidade.

O que não sabem, podem ou querem fazer OS BARÕES AGIOTAS que os substituíram.

É muito mais poético o frade que o barão.

O frade era, até certo ponto, o Dom Quixote da Sociedade antiga.

O barão é, sob quase todos os aspectos, o Sancho Pança da sociedade nova...

O barão é pois USURARIAMENTE revolucionário e revolucionariamente usurário...

Por isso brigamos muito tempo, afinal vencemos nós, e assentimos em que os barões corressem com os frades da terra. No que fizemos uma SANDICE como nunca se fez outra. O BARÃO MORDEU NO FRADE, DEVOROU-O E ESCOUCEOU-NOS A NÓS DEPOIS...

Sim, o frade não nos pode compreender a nós e por isso morreu, e nem nós pudemos compreender o frade, e por isso constituimos esses barões que nos conduzem a morte e fazem morrer.

São a moléstia deste século; são eles e não os jesuítas, a cólera morbus da sociedade atual são os barões. Nosso amigo Eugênio Sue errou feio em seu 'Judeu errante', o qual precisa ser refeito.

Decerto foi o frade que errou primeiro em não querer compreender a nós, a nosso século, a nossas inspirações e inspirações; com que falseou sua posição, isolou-se da vida social e fez de sua morte uma necessidade por assim dizer infalível e sem remédio.

Assustou-se com a liberdade, que era amiga sua, e que o havia de reformar, e associou-se ao despotismo, que de modo algum o amava, senão relaxado e vicioso, para dele servir-se e servido ser.

Nós também erramos em não entender o tolerável erro do frade e em lhe não dar outra direção social, e EVITAR ASSIM OS BARÕES, QUE É O MAIS DANINHO BICHO ROEDOR...

E eu que sou da liberdade e do progresso antes prefiro a oposição dos frades de ontem a dos barões de hoje...

O progresso e a liberdade perdeu, não ganhou.

Quando me lembra tudo isso, quando vejo os conventos em ruínas, os egressos a esmolar pelas ruas e os barões de berlinda, sinto saudade dos frades, não dos frades que foram mas dos que podiam ter vindo a ser."

Não era democracia ou liberdade em si mesma como fim mas, democracia de ocasião, de passagem ou trânsito para o mercado, para o acúmulo irrestrito de bens, para um novo ethos, para uma nova cultura, para uma cultura exógena, para o economicismo. E foi a ruína e transtorno do nosso universo seja ele grego, latino ou medievo - Nem o Rei e menos ainda o Povo ou os cidadãos mas o barão i é o burguês, o patrão ou o empresário > E Sim, este novo mundo saiu muito pior do que os antigos!

Já não há decerto o monstro infame das inquisições, colossalmente inchado ou engordado pelos 'liberais' ingênuos ou safados... Que nem todos os frades eram queimadores de gente (E a maioria não era!) como foram cruéis e insensíveis e assassinos os barões ou patrões do século XIX já na Inglaterra, já na Alemanha e quiçá na própria França...

A figura desse empreendedor santificado pela imprensa moderna. A figura desse empresário sem consciência. A figura do bancário avarento foi historicamente muito mais danosa que a do inquisidor, a do rei ou a dos Revolucionários, ao menos quanto a extensão do poder. Apenas a figura do empreendedor conta com advogados contratados que lhe emprestam as mais róseas tintas, e fica como um macaco maquiado... 

Porém foi ele que poluiu e polui a terra, que exterminou e extermina animais, que aniquilou e aniquila florestas não sem ter feito trabalhar a mulher grávida, o idoso e a criança de seus quatro anos em troca de um mísero naco de pão...

Essa História já foi muito bem escrita e registrada não por Marx, Engels ou Lênin ou ainda por seus embiocados seguidores mas pelo Cristão Charles Dickens - A tinta negra ou vermelha brota do cálamo de Dickens o qual nos revela o feito desses barões que prostituíam nossa democracia e nosso liberalismo puro tal e qual haviam prostituído a fé nos tempos da infeliz reforma protestante...

Sardinha, cego pela ideologia ou pelos amores que dedicava a anglos ou germânicos, não pode percebe-lo, mas percebeu-o o velho Garrett, que lhe dá uma aula.

O frade romano ou ortodoxo lá estava, no quadro ou contexto, do campo e da Vila em comunhão com a mãe natureza, convivendo ou comungando com animais, e árvores, e fontes - A exemplo do seráfico pai S Francisco ou de S Serafim de Sarov... E os defendiam, guardavam e protegiam... Mantendo e conservando aquele ambiente pintado pelo pincel de Millet - Em que ao por do Sol os lavradores dobravam os joelhos sobre a negra terra que os nutria e recitavam a Ave Maria a mãe de seu pobre Deus enquanto dobravam os sinos... 

Havia trabalho duro e fatigante, sim havia. Mas também havia sentido para quem era senhor de seu pequenino torrão, para aquele que em sua choupana era aguardado pela esposa devotada e pelos filhinhos saudosos... Congregados em torno de uma mesa onde havia pão cheiroso tirado do forno, azeite, queijo e vinho. E flores plantadas e torno a pequena casa. E o cão e o gato abanando suas caudas.

Parte deles não era constituída por proprietários ou donos de terra. Havia que se lhes ter dado terra e não movido a cidade. Pois já não há terra para dar... E sequer trabalho nas grandes cidades - Menos ainda trabalho digno. E menos ainda liberdade. E lhe tiraram a esposa - Que hora também trabalha como uma burra! - e os filhinhos (Postos na creche), e as flores, os animais... Tudo enfim. Até que esse homem e essa mulher, pelas mãos do barão ou do burguês, conheceram a angústia e o desespero, uma escravidão oculta ou disfarçada.

Sim, o tempo do Frade era menos ingrato.

Não nos enganemos - Não considero esse modelo ideal ou perfeito, antes muito mesquinho... Porém em comparação com o mundo urbano do assalariado é e era paraíso.

E não adianta dizer ou clamar que o capitalismo que pinto não é mais o mesmo, que transformou-se também e tornou-se mais humano e suportável, e desejável em tempos em que um governo inspirado. Tal devemos agradecer aos anarquistas, fabianistas, trabalhistas, católicos, etc que moveram céus e terras para criar uma legislação protetiva que jamais cessou de ser ameaçada pelos economicistas ou capitalistas.

Nem a concederam de bom grado, nem jamais se conformaram com ela.

Daí a atividade frenética do governo anterior, liberal economicista ou capitalista - Não fascista como quer a esquerda pós modernista desmiolada. - no sentido de destruir essa legislação e fazer o Brasil recuar ao século XIX, inglês, por sinal... Quadro social a respeito de que, diziam alguns analistas, era ainda mais cruel do que a escravidão negra em nosso país. Pois o cenário urbano na Inglaterra e na Alemanha do século XIX foi monstruoso... E o ideal economicista jamais se desprendeu dele, clamando a todo instante pela ilimitação ou pela restrição do Estado, ainda quando democrático ou popular.

Para as populações rurais de toda Europa foi o liberalismo econômico autêntica porta sobre o qual bem se poderiam fixar as memoráveis palavras: "Vós que aqui entrais perdei toda esperança de sair." 

Não, o frade jamais fora tão cruel e mesquinho quanto o patrão e os mosteiros até ofereciam escolas, enfermarias, dispensários, asilos, etc O que jamais se viu ser oferecido em larga escala pelos maravilhosos empreendedores do século XIX.

Parece-me, como a Garrett, necessária, a passagem do regime confessional ou credal ao político e laicista, de modo algum a passagem ou trânsito do Estado político ao estado Econômico, empresarial ou economicista - Como já é abertamente defendido por certos panfletários ANCAP oriundos dos EUA. No entanto se tal passagem, do puramente político ao econômico corresponde a um fenômeno inelutável, então laboramos em erro grave e devemos reconhecer que os conservadores totais ou ''católicos" atidos ao modelo medieval estariam certos. 

Pois nossa democracia, a democracia que queremos não é a dos EUA ou da Inglaterra por não ser mínima quanto a qualquer coisa mas ampla (Dentro do espaço do Bem Comum) o suficiente para proteger o trabalhador, a ecologia, a natureza, as plantas, os animais, o mar, o solo, etc Nosso projeto é tão amplo quanto ao do frade de outrora uma vez que nosso olhar político e cidadão se inspira nos mesmos valores. 





domingo, 17 de junho de 2018

De vera doctrina - Fragmentos da Encíclica "Graves de communi re" por Leão XIII > Contra os monarquistas/integralistas e CAPITALISTAS

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1 - O tecnicismo nada resolve:

"As mudanças, também, que as invenções mecânicas da época introduziram, a rapidez da comunicação entre os lugares e os dispositivos de todo tipo para diminuir o trabalho e aumentar o ganho, todos adicionam amargura ao conflito." I 


2 - O remédio é a doutrina pura do Santo Evangelho:

"
Tornamos evidente que os remédios que são mais úteis para proteger a causa da religião, e para terminar a disputa entre as diferentes classes da sociedade, deveriam ser encontrados nos preceitos do EVANGELHO." II



3 - Sugestões concretas em favor dos mais humildes:

"
Na ordem de ação, muito tem sido feito em favor do proletariado, especialmente naqueles lugares onde a pobreza era pior. Muitas novas instituições foram estabelecidas a pé, aquelas que já foram estabelecidas foram aumentadas, e todas colheram o benefício de uma maior estabilidade. Tais são, por exemplo, os escritórios populares que fornecem informações aos não instruídos; os bancos rurais que fazem empréstimos a pequenos agricultores; as sociedades para ajuda mútua ou alívio; os sindicatos de operários e outras associações ou instituições do mesmo tipo. Assim, sob os auspícios da Igreja, uma medida de ação unida entre os católicos foi assegurada..." III 

4 - Se os pobres são explorados pelos ricos?

"
bem como algum planejamento na criação de agências para a proteção das massas que, de fato, são tão freqüentemente oprimidas pela astúcia e exploração de suas necessidades como por sua própria indigência e labuta." III 

5 - O nome Socialismo Cristão foi adotado pelos Católicos embora, segundo o Papa, seja ambíguo ou dúbio:

"
O nome do socialismo cristão, com seus derivados, que foi adotado por alguns, foi muito bem permitido cair em desuso." IV 

6 - O nome 'Cristãos sociais' ou 'Católicos sociais' teve voga:

"
Nos países mais preocupados com este assunto, há alguns que são conhecidos como cristãos sociais. Em outros lugares, o movimento é descrito como a Democracia Cristã e seus partidários como Democratas Cristãos, em oposição ao que os socialistas chamam de Democracia Social. Não é dada muita exceção ao primeiro desses dois nomes, isto é, cristãos sociais, mas muitos homens excelentes consideram o termo "democracia cristã" censurável." IV 


7 - O que o Papa considera equivocado no Socialismo ou na Social Democracia são o materialismo e o naturalismo:

"
O que é a social-democracia e o que a democracia cristã deve ser, certamente ninguém pode duvidar. O primeiro, com a devida consideração pela maior ou menor intemperança de seu enunciado, é levado a tal excesso por muitos a ponto de sustentar que não há realmente nada existente acima da ordem natural das coisas, e que a aquisição e desfrute de corporalidade e externa bens constituem a felicidade do homem." V


8 - A Justiça é preceito sagrado. E o direito a propriedade pessoal:

"
Portanto, para a democracia cristã, A JUSTIÇA É SAGRADA; deve sustentar que o direito de adquirir e possuir propriedade não pode ser impugnado..." VI9 - CONDENAÇÃO DO INTEGRALISMO MONÁRQUICO OU DA MONARQUIA DIVINA:

"
Pois, as leis da natureza e do Evangelho, que por direito são superiores a todas as contingências humanas, são necessariamente independentes de todas as formas particulares de governo civil, enquanto ao mesmo tempo estão em harmonia com tudo o que não é repugnante à moralidade e justiça." VII"São, portanto, e devem permanecer absolutamente livres das paixões e das vicissitudes dos partidos, de modo que, sob qualquer constituição política, os cidadãos possam e devam respeitar as leis que os ordenam a amar a Deus acima de todas as coisas, e a seus vizinhos como eles mesmos. Esta sempre foi a política da Igreja. Os Pontífices Romanos agiam de acordo com esse princípio, sempre que lidavam com países diferentes, independentemente do que pudesse ser o caráter de seus governos. Portanto, a mente e a ação dos católicos devotados a promover o bem-estar das classes trabalhadoras nunca podem ser acionadas com o propósito de favorecer e introduzir um governo no lugar de outro." VII
10 - O TRABALHISMO não pode ser condenado sob qualquer alegação:
"
que ninguém condene aquele zelo que, de acordo com as leis naturais e divinas, visa fazer a condição daqueles que trabalham mais toleráveis; permitir-lhes obter, pouco a pouco, os meios pelos quais podem prover o futuro; ajudá-los a praticar em público e em particular os deveres que a moralidade e a religião inculcam; para ajudá-los a sentir que não são animais, mas homens, não pagãos, mas cristãos, e assim capacitá-los a se esforçar mais zelosamente e mais ansiosamente pela única coisa necessária; ou seja, aquele bem final para o qual nascemos neste mundo." X11 - A questão social não é meramente econômica (ERRO POSITIVISTA) diz respeito a Ética e a Religião (conexão com a religião):

"
Nós projetamos especificamente aqui a virtude e a religião. Pois, é opinião de alguns, e o erro já é muito comum, que a questão social é meramente econômica, enquanto na verdade ela é, acima de tudo, uma questão moral e religiosa, e por essa razão deve ser estabelecido pelos princípios da moralidade e de acordo com os ditames da religião." XI12 - O mandamento do amor fraternal abarca o que é necessário para o bem estar desta vida ou para a vida do corpo físico e não apenas o espiritual - CONDENAÇÃO DO ESPIRITUALISMO MANIQUEÍSTA:

"
estar atento ao que Cristo tão amorosamente disse aos Seus:" Eu lhes dou um novo mandamento: que vocês se amem uns aos outros, como eu os amei, que vocês amem-se uns aos outros. Por isso todos os homens saberão que são meus discípulos, se vocês se amam um pelo outro. "(7) Este zelo em vir ao resgate de nossos semelhantes deve, é claro, ser solícito, primeiro para o eterno bem das almas, mas não deve negligenciar o que é bom e útil para esta vida." XIII
"
Ele declarou que levaria em conta especialmente a caridade que os homens exercitavam um para o outro. E nesse discurso há uma coisa que excita especialmente nossa surpresa, a saber, que Cristo omite aquelas obras de misericórdia que confortam a alma e se referem apenas àquelas que consolam o corpo, Ele as considera como sendo feitas a Si mesmo: estava com fome e me deste de comer, estava com sede e me deste de beber, eu era um estranho e tu me acolheste, nu e me cobriste, doente e me visitaste , estive na prisão e viestes a mim. " XIV

13 - As antigas instituições sociais criadas pelos antigos com o objetivo de aliviar o sofrimento humano obedecem a LEI da caridade:


"
Esta lei da caridade que Ele impôs a Seus Apóstolos, eles da maneira mais sagrada e zelosa colocada em prática; e depois deles aqueles que abraçaram o cristianismo originaram aquela maravilhosa variedade de instituições para aliviar todas as misérias pelas quais a humanidade é afligida. E essas instituições continuaram e aumentaram continuamente seus poderes de alívio e foram as glórias especiais do cristianismo e da civilização de que ela era a fonte, de modo que os homens de mente certa nunca deixam de admirar essas fundações, conscientes de que são da tendência dos homens se preocupar com os seus próprios e negligenciar as necessidades dos outros." XV14 - Buscar o BEM COMUM e não apenas o pessoal:

"
Assim, a justiça e a caridade estão tão ligadas umas às outras, sob a lei suave e doce de Cristo, que formam um admirável poder coesivo na sociedade humana e levam todos os seus membros a exercer uma espécie de providência em cuidar dos seus próprios e em procurar o bem comum também. XVI"Pois ninguém vive apenas por sua vantagem pessoal em uma comunidade; ele também vive para o bem comum, de modo que, quando outros não podem contribuir com sua parte para o bem geral, aqueles que podem fazê-lo são obrigados a compensar a deficiência. A própria extensão dos benefícios que eles receberam aumenta o fardo de sua responsabilidade, e um relato mais rigoroso terá que ser prestado a Deus que concedeu essas bênçãos sobre eles. O que também deve exortar todos ao cumprimento de seu dever a esse respeito é o desastre generalizado que eventualmente cairá sobre todas as classes da sociedade se sua assistência não chegar no tempo; e, portanto, é que aquele que negligencia a causa das massas angustiadas está desconsiderando seu próprio interesse, bem como o da comunidade." XIX
15 - Instituições permanentes de auxílio:


"
No que diz respeito não apenas ao auxílio temporário concedido às classes trabalhadoras, mas ao estabelecimento de instituições permanentes em seu favor, é de louvar que a caridade as realize." XVII16 - A caridade e a solidariedade não caem na esfera da liberdade, mas da ESTRITA OBRIGAÇÃO:


"
Faríamos com que eles entendam que eles não são de todo livres para cuidar ou negligenciar aqueles que estão abaixo deles, mas que é um dever estrito que os vincula." XIX

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domingo, 15 de outubro de 2017

Entrevista com o 'inocente' útil, isto é com o pobre liberal

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Pobre liberal: A pobreza é fruto da vagabundagem. Pobre é pobre porque não quer trabalhar e viver decentemente de salário. Rico é rico porque trabalhou, porque se esforçou.
Outro: E você, é rico ou pobre?
Pobre liberal: Sou pobre...
Outro: Logo?
Pobre liberal: Quero dizer não sou rico nem pobre, ou seja, nem uma coisa nem outra.
Outro:????
Pobre liberal: Quero dizer que ainda estou trabalhando para enriquecer, afinal ainda sou jovem.
Outro: Excelente. E seu pai?
Pobre liberal: Meu pai o que?
Outro: Seu pai é rico ou pobre?
Pobre liberal: Pobre, claro.
Outro: Logo, vagabundo...
Pobre liberal: Não...
Outro: Veja, se seu pai trabalhou por vinte ou trinta anos, economizou e não enriqueceu quer que eu pense o que dele?
Pobre liberal: É que meu pai passou por certas dificuldades.
Outro: E os outros, os outros pobres vagabundos e os patrões vitoriosos acaso não passaram por dificuldades ou as dificuldades são apanágios exclusivos do seu pai?
Pobre liberal: Quando disse que todos os pobre são vagabundos não quis dizer todos os pobres.
Outro: Evidentemente que quis excluir sua família.
Pobre liberal:... Até concedo que existam alguns pobres esforçados que não chegam a lugar algum...
Outro: Pelo que vejo já chegamos a algum lugar...
Pobre liberal: A maioria no entanto é mesmo acomodada.
Outro: Acomodada?
Pobre liberal: Sim acomodada.
Outro: Acomodada como?
Pobre liberal: É sempre possível buscar um emprego melhor.
Outro: Com tanta gente desempregada formando esse enorme mercado de reserva o amigo é capaz de crer que alguém receberá ou recebe muito mais pelos mesmos serviços oferecidos?
Pobre liberal: Se você percebe que sua profissão não é rentável tem que mudar de profissão?
Outro: Como mudar de profissão se a aquisição de uma nova técnica exige aprendizado efetivo?
Pobre liberal: Sei lá, tornando a estudar ou fazendo um curso técnico.
Outro: Neste caso como poderá fazer economias tendo de pagar pelo curso em questão ou pelo material, além de ter de alimentar-se melhor para poder estudar e trabalhar ao mesmo tempo, gastar com passagem de ônibus, etc
Pobre liberal: Claro que enquanto estuda e trabalha não poderá economizar.
Outro: Neste caso economizará quando?
Pobre liberal: Quanto estiver formado e em posse de um emprego melhor.
Outro: Quando a maioria dos brasileiros e brasileiras costumam fazer algum curso já passaram os vinte.
Pobre liberal: E?
Outro: Significa que essa pessoa que terminou seu curso e conseguiu um empreguinho pouco melhor agora tem família para sustentar i é tem filhos, sem que no entanto tenha casa própria, tendo de pagar aluguel.
Pobre liberal: Se essas pessoas não tem condição de ter por que põem filho no mundo? Por que se casa? Por que abandona a casa dos pais e vai morar de aluguel?
Outro: Porque na maior parte das vezes nascem nessas condições e imitam seus pais, tal a força da cultura. Especialmente entre pessoas pouco ou mal escolarizadas. Certas situações sociais tendem a ser reproduzidas. Por isso muitas vezes essas pessoas já nascem em casas alugadas. Por outro lado, conforme a situação dos humildes em geral vai piorando de geração em geração a tendência é que em determinado contesto social apareça um número cada vez maior de conflitos. Quero dizer que os pais e responsáveis tendem a fugir cada vez mais a realidade vivida, a frustração e a falta de esperança recorrendo a bebida, a droga e a própria sexualidade. Com isto o número de filhos ou de crianças aumenta cada vez mais enquanto a condição delas vai se tornando cada vez mais precária. Um número cada vez maior de jovens e crianças tende a ficar exposto a situações de agressão. Disto decorre que o lar, ao invés de apresentar-se como ambiente acolhedor, apresente-se cada vez mais como um ambiente saturado de violência e portanto indesejável. Diante disto mal o jovem consegue um emprego surge a ideia de alugar um comodo, construir um barraco e juntar-se a alguém que esteja nas mesmas condições. Melhor do que ter de entregar todo dinheiro nas mãos de um pai ou de uma mãe violenta e ser agredido... A formação de um lar, por piores que sejam as condições, tende a insuflar alguma esperança naqueles corações, embora posteriormente tais esperanças se mostrem ilusórias, cedendo lugar a frustração, a angústia, a falta de perspectivas e a fuga por meio dos já citados vícios ou do fanatismo religioso. Renovando-se de geração em geração o mesmo ciclo. Não é questão romântica, de escolha, mas de condições dadas. Ninguém dá aquilo que não tem ou o que não recebeu.
Pobre liberal: E o papel da educação na vida dessas pessoas, acaso não existe Escola perto da casa delas?
Outro: Percebo que estudou.
Pobre liberal: Apesar de ter nascido pobre meus pais faziam questão de mandar-me a escola, de irem as reuniões, de olharem o boletim e até de fornecerem alguma explicação sobre as lições.
Outro: Percebo que não nasceu em comunidade de periferia ou na roça.
Pobre liberal: A bem da verdade nasci num bairro de classe média baixa ou quase de classe média baixa.
Outro: Tipo com água quentinha no chuveiro, cama arrumadinha...
Pobre liberal: Mas que vem isso ao caso?
Outro: Já pensou em como deve ser legal ir para a Escola de barriga vazia ou com o estomago apertado de fome?
Pobre liberal: Até onde sei a escola fornece merenda.
Outro: De fato em S Paulo temos umas bolachinhas de maizena e uns copinhos de suco de laranja...
O quanto basta para atrair um certo número de crianças pobres que lá vão merendar, raramente aprender, pelo simples fato de terem trabalhado em algum outro período do dia, de estarem desnutridas, de terem sido espancadas, de terem a afetividade inibida, etc
Pobre liberal: Melhor estarem na escola do que em casa né?
Outro: Sem dúvida, em tais condições a escola equivale a um refúgio face as mazelas da vida. O que não significa que aquelas crianças estejam em condições de aprender muita coisa, pelo simples fato de que o aprendizado depende de certas condições materiais, afetivas e psicológicas as quais já nos referimos.
Pobre liberal: Acaso os professores não estão ali para isso? Acaso não são pagos para isto?
Outro: Fossem suficientemente pagos não precisariam cumprir duas ou três jornadas para poderem sobreviver e certamente poderiam preparar e ministrar aulas muito melhores.
Pobre liberal: Se estão insatisfeitos com seus salários por que não mudam de profissão?
Outro: Não mudam porque não tem uma opção melhor, alias a bem da verdade os melhores professores não permanecem no serviço público estadual e isto já diz tudo, é um sistema retém intencionalmente os educadores menos competentes i é os que menos tempo tem para capacitar-se, sim pois os que teem menos tempo para capacitar-se e se destacam na profissão passam a outros sistemas de Ensino, nos quais inclusive contam com uma estrutura de apoio muito superior.
Caso o estado (S Paulo) quisesse manter os melhores professores e investir na qualidade do ensino remuneraria melhor os seus professores de modo a que não precisassem cumprir dupla ou tripla jornada, destarte poderiam capacitar-se como os demais e nem teríamos professores de segunda classe, mas temos, porque sendo mal remunerados precisam sobrecarregar-se.
Pobre liberal: Bobagem, quem quer ensinar ensina de qualquer jeito, independentemente das condições.
Outro: Somente uma pessoa que não compreende absolutamente nada em termos de ensino aprendizagem poderia dizer uma pérola destas. Não existe ensino feito no ar ou independentemente das condições sejam psicológicas, emocionais, intelectuais, econômicas ou materiais e isto pelo ensino aprendizagem ser um ato complexo em que entram todos estes fatores. Basta dizer que o ensino depende de determinadas técnicas, que estas técnicas dependem de determinados materiais e que estes determinados materiais, tendo custos, implicam investimento por parte daquele que gerencia a Educação. O professor faz sua parte na medida em que ama seus alunos e aspirar cumprir honestamente com sua função. Não é no entanto um taumaturgo ou seja não faz milagres, ficando sempre na dependência das condições naturais que são em parte materiais. Na falta de livros, giz, quadro de giz, retroprojetor, slide, vídeo, ônibus, etc ou na base do improviso, sua ação torna-se cada vez limitada, até tornar-se de todo improfícua. Quando ultrapassa-se o número de vinte alunos por turna e salas convertem-se em depósitos de jovens e crianças, digo que o ato de ensinar é intencionalmente obstruído. A escola privada, excepcionalmente, pode contar com profissionais de qualidade inferior, os quais no entanto sempre poderão produzir medianamente, devido ao apoio pessoal ou material oferecido a tais profissionais. A escola pública com os melhores profissionais e as melhores intenções ficará sempre atrás da escola privada caso não haja significativo investimento em termos de estrutura pessoal e técnica. É exatamente o que acontece. E tem uma razão de ser. Afinal a construção de uma Sociedade menos desigual começa com oportunidades ou chances iguais para todos. Todavia como falar em oportunidades iguais quando a qualidade do Ensino não é Igual???
Pobre liberal: Não compreendo essa Filosofia que consiste em aliviar as responsabilidades das pessoas de baixa renda, das crianças da periferia, dos professores públicos, etc e lança-la toda sobre as costas largas do Estado.
Outro: Uma vez que existe um Estado certamente não existe de enfeite, comportando determinada missão. Para tanto pagamos impostos e somos onerados por uma carga tributária que muito querem reduzir em benefício do patrão mas que sempre poderia ser mantida e revertida em benefício dos trabalhadores e da gente humilde por meio de investimentos nos setores da educação, saúde, habitação, lazer, segurança, etc a exemplo do que ocorre nos países do Norte da Europa, em especial na Escandinávia. Uma vez que lá os tributos revertem a população sob a forma de qualidade de vida por que não poderia acontecer o mesmo aqui? Certamente há pessoas, administradores inclusive, que não desejam que o estado cumpra com sua função social e de certo, e para que? Para que todos os serviços sejam assumidos pela iniciativa privada revertendo em favor do Mercado e endossando ainda mais a ordem liberal ou neo liberal.
Por outro lado não se trata aqui de aliviar a barra de quem quer que seja mas sim de considerar diversos fatores e fazer justiça. O amigo é que fundamentado num idealismo, vulgar, grosseiro e aberrante ou numa concepção romântica da existência, desconsidera tudo quando em termos de materialidade influência as ações humanas executadas no tempo e no espaço ou seja num universo material e corpóreo. Daí achar que a boa intenção tudo pode ou que a boa vontade tem poderes mágicos. São certamente fatores vitais, os quais jamais podemos excluir, mas que isoladamente pouco ou nada produzem. Precisamos certamente de muita boa vontade, mas também nos meios necessários para faze-la acontecer. Parto de uma perspectiva realista, considerando a realidade das pessoas sejam trabalhadores, alunos e professores, os quais são necessariamente influenciados pelo meio.
Liberal pobre: Quem quer fazer as coisas faz independentemente das condições.
Outro: É obrigação do Estado oferecer as condições necessárias para que o ofício de professor e a vocação de aluno concretizem-se no nível mais intenso, aproximando-se de um ideal de perfeição. Se a iniciativa privada fornece tais condições a seus docentes e alunos, o poder público não pode ficar atrás. Isto sob a pena de termos dois padrões de qualidade diferente, um para os ricos e outro para os pobres. Caso as condições sejam consideradas por um sistema de ensino deverão ser igualmente consideradas pelo outro.
Liberal pobre: Se de fato aspiram por uma educação igual para todos por que não aprovam a privatização das escolas?
Outro: Antes de responder a sua pergunta devo dizer que privatização não é nem de longe garantia de qualidade como costumam declarar os meios de comunicação patrocinados por corporações liberais. Para tanto devemos considerar que o maior desastre ambiental acontecido neste país foi consequência da falta de controle de qualidade por parte do setor privado e não do estatal. Outro exemplo não menos clamoroso diz respeito aos abusos, recorrentes alias, cometidos pelos planos de saúde. Dos quais tem resultado gravíssimos danos a seus afiliados. Via de regra afirma-se que caso o SUS funcionasse ou fosse superior não existiriam planos de saúde. Sabemos no entanto que boa parte das pessoas, pelo simples fato de custearem igualmente o SUS, na prática, acabam servindo-se de ambos os sistemas. Então a primeira pergunta a ser feita é se a qualidade dos planos seria a mesmos caso inexistisse o SUS? Já a segunda pergunta a ser feita diz respeito - adotando-se a ótica da privatização - ao que aconteceria com aquela parcela da população incapaz de pagar por um plano de saúde caso o SUS deixasse de existir? Seriam deixados a mingua na sarjeta para morrer como mostrou Michael Moore em seu documentário sobre a assistência médica nos EUNA ou teriam de hipotecar suas casas, automóveis, etc em caso de doença???
Liberal pobre: Uma vez que todos ganhassem suficientemente bem?
Outro: Todos?
Liberal pobre: Uma vez que a maior parte das pessoas pudesse pagar por tais serviços.
Outro: Poderia pagar por eles um trabalhador assalariado, mormente quando os senhores da mesma maneira a fixação de um salário mínimo por parte do Estado?
Liberal pobre: Os salários devem obedecer a lei da oferta e da procura.
Outro: Neste caso com tanta gente desempregada e procurando por serviços temo que jamais seriam suficientes para custear tais serviços.
Liberal pobre: Evidentemente que se trata de uma Sociedade em que mérito de alguns poucos seria bastante reconhecido.
Outro: Como você poder falar em mérito se a concorrência parte de planos diferenciados, de condições de vida preexistentes, de qualidades de ensino diferente, etc??? Como você espera que o pobre alcance o rico se o rico sempre parte a frente dele. Acaso já assistiu a alguma maratona em que os corredores partam de pontos diferentes? De fato até poderíamos falar em merecimento, esforço, etc desde que a concorrência partisse de oportunidades iguais para todos.
Liberal pobre: Como chegar a algum lugar sem fazer sacrifícios?
Outro: Nada mais canalha do que pedir sacrifício aos demais enquanto recebemos a fortuna de bandeja por meio da herança. A homem algum assiste o direito de exigir dos outros aquilo que ele mesmo jamais fez...
Liberal pobre: Você fala tanto em realidade e ignora que as coisas sempre tem sido assim, desde o começo do mundo.
Outro: Quem ignora supinamente as lições da História são vocês, haja visto que a primeira tentativa de reforma social foi implementada há cerca de quarenta e cinco séculos pelo rei Urukagina de Lagash. Grosso modo somos autorizados a dizer que algumas sociedades jamais cessaram de conceber, imaginar e implementar instituições cada vez mais eficientes no sentido de estabelecer ou de, se possível fosse, esgotar a demanda da justiça.
Liberal pobre: Quer dizer que nem sempre fomos capitalistas?
Outro: Basta olharmos para a Idade Média, para as civilizações antigas ou para as culturas primitivas...
Liberal pobre: Seja como for tem o homem de evoluir e tal qual o homem a Sociedade.
Outro: Sem sombra de dúvida, no entanto a opinião segundo a qual o Capitalismo constitui uma evolução face aos sistemas precedentes, inda que apoiada pelo odiado K Marx, não passa de um juízo de valor.
Liberal pobre: De fato nem mesmo Marx ousaria colocar o sistema estamental das ordens feudais acima do nosso capitalismo.
Outro: Como não sou marxista ortodoxo, direi na esteira de um heterodoxo marxista, que apesar de sua deficiência em termos de técnica a Idade Média jamais cogitou em colocar o TER acima do SER. Com efeito se nossos ancestrais medievos morriam devido a fome ou a enfermidade é certamente porque não havia comida ou medicamentos. Morriam porque não se sabia fabricar este ou aquele remédio, porque inexistia este ou aquele aparelho, por falta de técnica ou de conhecimento enfim e não pode má vontade. O medievo jamais conceberia a destruição deste ou daquele gênero alimentício como meio lícito para aumentar seu valor enquanto parte dos cidadãos estivesse morrendo de fome, lhes pareceria monstruoso! Se produzimos alimentos em quantidade suficiente para extinguir a fome em termos globais, por que cargas d água ainda há gente passando fome no mundo? Se não há problema técnico quanto a produção então o que? Onde esta o problema? O problema aqui diz respeito a distribuição dos alimentos enquanto fruto da vontade humana? Afinal esta distribuição é feita conforme os interesses do Mercado ou do Capital/lucro e não dos seres humanos... Temos técnica, o que não temos é Ética. O defeito deles dizia respeito aos meios, o nossos diz respeito ao caráter. Como se diz então que este sistema assumido por homens sem caráter era superior ao deles?
Liberal pobre: O capitalismo com todas as suas mazelas e defeitos é o que de melhor ou de menos mal temos em termos sociais. Pois ao menos possibilita, como nenhum outro sistema jamais possibilitou, a ascensão da maior parte de seus membros.
Outro: Tudo quando o sistema Capitalista tem possibilitado é de um lado o acumulo de uma quantidade cada vez maior de bens nas mãos de um número cada vez menor de pessoas e do outro a partilha de um montante cada vez menor de bens nas mãos de um número cada vez maior de pessoas. Do que decorre um nicho cada vez menor em que o mérito possa inserir-se, e não um nicho cada vez maior ou ao menos estável. Mesmo com relação aos que supostamente possuem méritos é exigido um grau cada vez maior de esforço, pois as chances restringem-se mais ao invés de ampliarem-se. Destarte se há um sistema desfavorável para as classes médias é o capitalismo.
Liberal pobre: Importa que o acesso a tal nicho seja franqueado aos melhores.
Outro: Assim fosse... No entanto a dar por melhores ou mais excelentes os cientistas ou intelectuais não podemos dizer que os pináculos do sistema estejam franqueados a eles. No frigir dos ovos podemos dizer que no sistema capitalistas o corpo é comandado pelas mãos e pés, não pelo cérebro, uma vez que os intelectuais e cientistas ocupam sempre posições subalternas já com relação ao poder econômico já com relação ao poder político. Segundo a organização capitalista os mais excelentes obedecem ou executam enquanto que os medíocres ou espertos, assim digamos, governam o mundo como deuses. É um sistema feito para espertalhões e medíocres... Os demasiado éticos ou os demasiado reflexivos jamais chegam a pertencer a cúpula do poder.
Liberal pobre: Se ao menos o pobre economizar parte de seus salário...
Outro: Dirá você que ele chegará a ser rico?
Liberal pobre: Certamente nem todos...
Outro: Como o seu pai...
Liberal pobre: Ao menos alguns...
Outro: Para com isso meu amigo. Quantos assalariados você conhece que já viraram milionários, banqueiros ou grandes empresários?
Liberal pobre: Bem... Conhecer pessoalmente não conheço, no entanto acredito ter lido na Revista Veja ou visto no Globo Repórter alguma reportagem sobre alguns pobres que se esforçaram, venceram e se tornaram milionários.
Outro: Afinal de contas quantos?
Liberal: Certamente mais de trinta ou quarenta pessoas. Afinal é mais de uma reportagem, talvez cinco..
Outro: Nada mal para duzentos e sete milhões de brasileiros. Basta dizer que os ricos compõem 10% da população brasileira ou seja vinte e sete milhões de pessoas e o amigo vem me falar em dezenas de pobre que se tornaram ricos. Ainda que fossem centenas ou mesmo milhares de pessoas, que vem elas ao caso num montante de vinte e sete milhões de seres humanos??? Que fossem quinhentos mil pobres a se tornar ricos por meio do trabalho numa geração! Seria uma ascensão social a cifra de 2% a cada dez ou quinze anos, e portanto de no máximo 20% de novos ricos a cada cem anos! Agora quantos pobre temos (estamos excluindo a classe média intencionalmente)? Admitido que haja neste pais 50% de pobres chegamos a cifra de 103 milhões de pessoas. Caso nos atenhamos a extrema pobreza temos de nos haver com 1/4 da população, ainda assim com 52 milhões de almas. Diante disto que significa a ascensão social de meio milhão de pessoas a cada quinze anos ou década? Assegurado que pessoa alguma viesse a se tornar pobre, precisaríamos de mil ou mesmo de dois mil anos para erradicar a miséria deste pais! Queremos dizer com isto que em termos sociais a tão decantada mobilidade social oferecida pelo capitalismo é pura e simplesmente inexpressiva. Afinal sequer consideramos os que baixam de posição e cujo montante não é desprezível...
Liberal pobre: Caso as pessoas não enriqueçam por meio do salário, do trabalho honesto ou da economia, de que modo enriquecem?
Outro: A bem da verdade a maior parte dos ricos já nasce rica limitando-se a aumentar o montante de riqueza recebida quando não tem a desgraça de perde-la, o que por sinal é bastante fácil num sistema que privilegia o capital financeiro. Imagine alguém que tenha ganhado na loteria. Tal aquele que por acaso nasce no seio de uma família rica e é contemplado pela herança. Caso o herdeiro seja medíocre conseguirá talvez conservar o que recebeu, situação que poderá ser revertida pela esperteza do herdeiro subsequente. A fortuna vai conservando-se de geração em geração, embora oscile.
Liberal pobre: Uma vez que a herança não pode remontar a eternidade deve ter tido um ponto de partida i é as economias frutos do trabalho.
Outro: Quisera de boa vontade que assim fosse mas...
Se até mesmo os padres da Igreja, que floresceram nos primeiros séculos desta Era, foram capazes de  perceber - e muito facilmente - através do estudo da História, que diversa era a origem da riqueza: Aqui o roubo de terras, ali a pirataria, mais além a corrupção e por fim a pura e simples exploração do trabalho alheio... Que haveremos de dizer nós, os filhos do século XXI? Que tudo mudou e entrou os eixos após a adoção do modelo capitalista? Haja ingenuidade...
Aqui as terras tomadas aos índios, ali o rapto e escravidão dos africanos, mais além a exploração insidiosa da mão de obra estrangeira na lavoura e por fim a clássica obtenção da 'mais valia' nas fábricas...
Liberal pobre: Mais valia? Afinal que vem a ser isso?
Outro: A parcela mais considerável do quanto a produzido pelo operário e que ele jamais recebe por meio do salário, digamos assim, a parte do leão.
Liberal pobre: No entanto, uma vez que o empresário adquiriu ou comprou já os meios de produção, ja a matéria prima, venhamos e convenhamos, é justo que ele retenha para si uma determinada porcentagem do quanto é produzido pelo operário.
Outro: Uma coisa seria reter certa parcela do que é produzido, parte a guiza de compensação, parte a guiza de lucro. Outra totalmente distinta é reter a quase totalidade do que é produziu pagando ao operário um salário de fome ou necessário apenas para que aquele subsista ou mantenha a vida. De fato a miserabilidade só não cresce a passos mais largos devido a instituição do salário mínimo. Fosse o salário deixado ao alvedrio do patrão onde não teríamos chegado, isto pelo simples fato de que a dinâmica do Mercado é definida em termos da obtenção de um lucro máximo e não de uma retribuição justa em termos de necessidades humanas ou familiares, segundo o ponto de vista da Ética.
Liberal pobre: O valor os salário é determinado objetivamente pela lei da oferta e da procura.
Outro: Como o operário jamais tem como controlar o fator da procura ou das vendas... a tal objetividade tresanda sempre em subjetividade, curvando-se a doutrina da maximização dos lucros. Compreende-se que a partir de semelhante prática, que consiste em despojar o trabalhador da quase totalidade daquilo que produz, fique fácil acumular uma vasta fortuna em pouco tempo... Tanto melhor para aquele que foi contemplado pela herança já ao nascer, e que jamais teve de trabalhar de fato pegando numa marreta ou numa pá. Limitando-se a administrar o que ganho de mãos beijadas tornar-se-a ainda mais rico. Enquanto que aquele que fato produz, empenhando suas energias, permanecerá sempre pobre, a menos que se torne miserável.
Tal o quado sinistro do capitalismo: Aquele que vive de renda vai se tornando cada vez mais próspero, enquanto aquele que pega no batente vive e morre pobre.
Liberal pobre: Acredito na honestidade e probidade do patrão.
Outro: Como disse Freud cada qual acredita no que bem quer, havendo quem por isso mesmo creia no saci pêrere, na cuca ou na fada do dente
No entanto como você não é patrão esperarei até ve-lo converter-se em patrão e só depois acreditarei em você.
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