sábado, 6 de maio de 2017

Da correta doutrina de Deus, a necessidade e a liberdade

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Ao nobre amigo S C 'Ab imo pectis'

"Nem os homens, nem os anjos são livre, apenas Deus é livre." tais as palavras escritas pelo 'deformador' protestante M Lutero há quase quinhentos anos. Quiçá uma das frases mais idiotas que tive a oportunidade de ler durante toda vida.

Deus não pode ser livre. Nada mais absurdo e ridículo do que a ideia de um Deus livre.

E no entanto para Agostinho, Maomé, Lutero, Calvino e muitos outros até hoje, Deus fica sendo livre. Pois sua onipotência implica a possibilidade de fazer o mal, prevaricar e pecar; embora o Prologo de S João seja absolutamente claro:

"Deus é luz e nele não há treva alguma."

Não há nem pode haver e por isso foi referido a respeito de sua natureza humana e livre:

"Em tudo semelhante a nós, menos no pecado."

Nem se compreende, nessa teologia rudo, grosseira e imbecil, que possa Deus ser princípio do mal e do pecado e sua natureza humana deva se abster de pecar. Caso Deus tenha liberdade para fazer o mal, Jesus bem poderia ter pecado.

E no entanto, como vimos, nega a Escritura canônica que o Mestre amado tenha pecado, e por que? Porque parte doutro princípio, a doutrina da santidade, segundo a qual - Em que pese a Onipotência divina - é impossível que Deus peque.

De fato a piedade nos obriga a crer que é impossível que Deus faça o mal e ao mesmo tempo que é onipotente. Algum mistério insolúvel e ocioso aqui? Alguma paralogia irracionalista ou contradição de termos?

De modo algum...

Mas como?

A questão até pode ser mais simples do que parece.

Judeus, pagãos, agostinianos, maometanos, luteranos, germânicos, calvinistas e outros tendem a encarar a divindade como um Poder ou reduzir Deus a uma força cega. Mutilam a Natureza e precipitam-se no abismo de um reducionismo irrefletido. Nós sem desconsiderar a força ou poder da divindade consideramos as qualidades ou capacidades divinas em seu conjunto e hierarquicamente. E portanto consideramos sua bondade, amabilidade, generosidade, inteligência, perfeição, etc

Não é Deus mero poder ou poder cego como creem os povos bárbaros ou primitivos. É acima de tudo e antes de tudo uma mente, uma consciência ou um Logos racional. Uma mente ou consciência que comanda e administra um poder.

Resulta disto ser a divindade um 'ser' coerente e não polimorfo, tenso, dividido, conflituoso, confuso, contraditório, mutável, sujeito a variação...

"É assim Deus imutável e sem sombra de variação." segundo a pena apostólica.

Nada arbitrário ou caprichoso...

Um deus mutável não pode existir.

Ressalta de tudo isto que é Deus regra imutável e inflexível de vontade para si mesmo. A coerência é Lei interna, eterna e divina presente na Natureza.

É bom insistir nisto porque 'cristãos' houveram que atreveram-se a poluir a divindade atribuindo-lhe dupla vontade, uma manifesta e outra oculta, como há aqueles que atribuiram vontades contraditórias as pessoas da Santa Trindade, plasmando três deuses e tornando-se politeístas ou triteístas. Assim aqueles cegos que sustenta ter deus matado deus para aplacar deus...

E no entanto a vontade da Santa e Divina Trindade é Una e comum, como coerente e imutavelmente fixa no Bem.

Não falta a divindade força e poder para fazer o mal ou para pecar.

De modo que teoricamente deus até pode fazer o mal...

O problema aqui esta situado no plano da volitividade: É Deus livre? Pode Deus querer o mal?

Aqui nossa resposta é negativa.

Deus, sendo imutável e sem sombra de variação, absolutamente perfeito e lei de si mesmo não pode oscilar e querer o mal. Não pode Deus querer ou desejar pecar. Em seu íntimo o Deus Bom e Santo ODEIA ou mal e o pecado e não pode fazer aquilo que odeia.

Então por que o mal existe?

Por que Deus permitiu o surgimento o manifestação do mal?

Por que esse Deus santo não impediu a manifestação do mal?

Por que o Deus Bom não aniquilou ou exterminou o mal?

Estas perguntas não são novas e já foram feitas pelo sábio pagão Epicuro.

Não elimina o mal do mundo porque o mal no mundo é obstáculo provisório e não definitivo ou perpétuo posto por si com determinado objetivo. Já o veremos.

Assim o que constitui a perfeição na Santa Divindade, que é não ser livre, já não constitui a perfeição nos seres criados.

A perfeição nos seres criados procede justamente da indeterminação, da oscilação, da mutabilidade, da variação ou do livre arbítrio. Ser perfeito enquanto ser criado e contingente implica ser livre.

Foi a natureza criada concebida como passagem livre e meritória da imperfeição para a perfeição. Foi criada imperfeita para tornar-se perfeita.

Agora como se torna perfeita?

Deve, pelo uso da racionalidade, o ser livre, passar voluntariamente do mal ao bem ou do vício a virtude. Deve repudiar livre e conscientemente o pecado e abraçar a lei eterna e imutável do amor.

Perceba portanto, caro leitor, que a existência PROVISÓRIA, do mal e do pecado existem em função do mérito. Só o ato ou opção livre é meritório.

Logo qual o motivo porque existe o mal no mundo?

Imaginemos uma corrida de obstáculos. Os obstáculos tendem a tornar a corrida mais difícil e aquilatar a competência dos atletas. E por isto são postos na pista enquanto dura a corrida. Encerrada a corrida e iniciada a premiação são os obstáculos removidos e não ficam postos na pista ou na rua para sempre. São elementos provisórios, pois sua função se esgota com a corrida.

Assim a presença do mal no mundo é provisória tendo em vista a educação do ser racional e a obtenção do mérito. Não se trata de evento cósmico ou eterno que a divindade deva suportar para sempre ou que não se vá extinguir. A luz da fé Cristã, Católica e Ortodoxa - na perspectiva do Evangelho e do grande Expositor alexandrino - estamos plenamente convencidos de que o mal haverá de extinguir-se por completo quando todas as criaturas racionais compuserem-se livremente com a vontade divina que é a lei, norma e regra do bem, do amor, da justiça, da verdade e da beleza. Quando todos forem atraídos a cruz e reconciliados com Cristo e pelo Cristo o mal - Enquanto puro se simples desvio da vontade ou fenômeno Ético - cessará de existir. É a está extinção ou aniquilação do mal e do pecado que parte do exemplo oferecido por Cristo Jesus, que cognominamos redenção, embora possamos chama-la de evolução ou educação.

Implica saber que na economia Cristã o mal cessará de existir pois: "Todas as coisas ficam reconciliadas por ele e sua cruz." Todas as coisas, não algumas ou parte delas. Mesmo porque a vontade de Deus consiste em que "Todos os homens sejam salvos e passem a luz da verdade." todos, não alguns, poucos ou uma parcela. Deus não lida com parcelar ou individualidades e por isso seu plano ou projeto consiste na redenção da espécie ou gênero humano, sem acepção de pessoas, pois é impossível que Deus, amando a todos aqueles que criou, faça acepção de pessoas. Sendo Pai perfeito ama igualmente todos os filhos...

Portanto não é Deus livre para fazer as coisas totalmente diferentes?

Ser livre implica decidir entre o bem e o mal.

Ora Deus é o Sumo Bem... Como pode ser livre?

Ser livre implica escolher entre o perfeito e o imperfeito (Em sentido absoluto). Como pode aquele que é perfeito amar a imperfeição e escolhe-la?

Ser livre consiste em optar entre superior e inferior. Mas como pode Deus desejar agir com inferioridade?

Bem se vê que todas as hipóteses acima sejam monstruosamente aberrantes e que só se sustentem a partir da perspectiva irracionalista. Ficando nossa esperança louca e totalmente desamparada pela razão.

A piedade nos obriga a proclamar que Deus, por sua condição ou natureza, é obrigado ou constrangido a fazer sempre o melhor e a optar sempre e NECESSARIAMENTE pelo mais perfeito. Pelo simples fato de ser absolutamente perfeito e inteligência infinita.

Pode de fato estabelecer algumas situações de imperfeição nos seres criados. Desde que estejam postas para aquisição da perfeição, numa perspectiva evolutiva, de aprimoramento paulatino. Não estabelecer situações definitivas e insuperáveis de imperfeição, sem com isso tornar-se contraditório, confuso, problemático, etc Aquilo que é perfeito, perfeitamente deve agir.

Ora esta ideia suscita algumas reflexões no mínimo interessantes que buscarei expor com máxima brevidade:

  • A produção de criaturas ou o processo Criador não é livre mas absolutamente necessário. Corresponde a uma necessidade que deriva da própria Natureza divina. Não poderia Deus ser Amor ou Bondade infinitas caso não aspirasse partilhar sua felicidade infinita com uma multidão de seres criados. Nem poderia ser benevolente, generoso, filantropo, magnânimo, etc sem faze-lo. Sendo 'amor' foi Deus levado a partir e a repartir-se por meio da criação. A conceber seres capazes de comportarem o dom da bem aventurança ou de serem sumamente afortunados. Foi eternamente constrangido por seu amor a criar. Por isso o ato criador ou processo evolutivo é continuo e eterno, e disto resulta necessariamente um enobrecimento do próprio Deus. O qual concebeu processo tão complexo e viabilizou com competência absoluta.
  • O ato de ENCARNAÇÃO é absolutamente necessário, Deus não poderia ter deixado de fazer-se homem entre os homens encarnado-se neste planeta. Admitindo a manifestação livre do mal e do pecado neste mundo, sabida desde toda eternidade por Deus; temos de admitir a necessidade da Encarnação como melhor modo ou maneira (A mais perfeita e portanto a única digna de Deus) para recuperar ou reeducar este mundo e dispo-lo a retomada de sua evolução. Nem poderia Deus existir e ser concebido - Num mundo como o nosso - sem que sua manifestação na carne fosse absolutamente necessária, pelo simples fato de manifestar sua solidariedade e enquanto tentativa (Feliz e bem sucedida) de conquistar este homem para si.
  • O momento da Encarnação não foi escolhido aleatoriamente, mas determinado e rigorosamente determinado desde todas eternidade tendo em vista uma conjuntura espacial e temporal ou geográfica e histórica singular. Deus só poderia ter se encarnado na Judeia ao tempo de Augusto César de modo que seu desígnio neste mundo fosse perfeitamente realizado. Entrando sua manifestação e sua Igreja no curso da História não de modo improvisado mas calculado. Disto resulta ter Deus escolhido o cenário da cultura judaica daquele tempo pelo simples fato de desejar ser julgado, torturado e morto como foi. Esta condição não decorreu da maldade dos antigos judeus nem implica qualquer tipo de desonra para os atuais judeus, mas da cultura. Este choque entre visões e concepções culturais distintas ou entre as massas fanáticas enfurecidas e o genial revolucionário divino era absolutamente necessário para que ele perecesse nas circunstâncias em que desejou perecer. Assim os antigos hebreus, mesmo inconscientemente realizaram um projeto divino. Pois Deus devia mesmo sofrer e morrer para manifestar sua solidariedade aos mortais e mostrar-se companheiro. Aos judeus não resta culpa alguma. Os antigos realizaram a única coisa que poderia ser feita... Os de hoje são inocentes e livres. Todavia o propósito de Deus ter se encarnado ou manifestado na judeia foi ser supliciado na Cruz e os antigos judeus foram escolhidos exatamente para isto, não porque fossem de condição superior, melhor ou mais civilizada (Como supõem os sionistas com a aberrante doutrina do 'povo eleito) mas justamente porque eram de condição mais rude, grosseira e incivilizada. Esta característica é que predispôs tal povo a seu excelente desígnio. A Cristandade irracionalista e estúpida é que tem oscilado, se Deus de fato quis ser torturado e morto e os judeus colaboraram com ele, os judeus são mesmo nossos benfeitores, benfeitores da humanidade.



    No próximo artigo, examinaremos o único modo ou maneira porque o Deus Perfeito podería ter experimentado a Liberdade e já adianto que só poderia tornar-se livre fazendo-se homem ou encarnando-se entre os homens deste mundo. Eis porque a Encarnação se torna ainda aqui necessária. Mais uma vez.

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