terça-feira, 13 de julho de 2021

Socialismos, o espelho do Cristianismo II

Já expusemos honestamente nossa vergonha.

Materialistas, mecanicistas, economicistas e positivistas há que ousam revindicar para si mesmos o título nada honroso de cristãos capitalistas ou liberais mercadistas. Fossem eles protestantes não nos admiraríamos disto - Oh Sancta Simplicitas... Pois é o protestantismo individualista, transcendentalista, livre examinista; sancionando quaisquer distorções subjetivas dos textos sagrados, etc

Incoerente, grave e escandaloso é que Cristãos apostólicos: Romanistas, Anglicanos e Católicos Ortodoxos tenham assimilado tão levianamente esse cipoal de heresias filosóficas e sociais enquanto berram como pegas no cio: Comunistas, comunistas... 

Ora, os comunistas não fazem parte da Igreja e aqueles que simpatizam com algumas de suas visões e métodos equivocados devem ser reorientados com toda paciência pela autoridade eclesiástica, ou, constatada a má fé, disciplinados. Aqueles que de fato se preocupam com os oprimidos e cuidam da justiça não terão dificuldade alguma em submeter-se. Pois é de nossa tradição mover guerra espiritual a avareza e denunciar a opressão sob todas as suas formas. É da Igreja tomar o partido dos fracos e oprimidos e vindicar-lhes a causa. No entanto são nossas fontes espirituais e nossos meios específicos.

Não somos comunistas nem nos fazemos comunistas por denunciar como devemos o pai do Comunismo, o Capitalismo esse filho terrível, afilhado ou enteado do protestantismo. 

O protestantismo, temos sempre de bater nessa tecla, foi quem lançou as sementes venenosas do individualismo ou do egoísmo. Foi ele que (Não estou atribuindo este erro fatal a Lutero! - O qual jamais negou as obras e sim que as obras salvassem!) apartou a Cristandade das obras e da imanência, ferindo de morte o ideal insercionista inaugurado pela Encarnação de nosso Deus. Foi ele que dando as mãos ao neo platonismo criou esse cristianismo descarnado, fantasmagórico ou 'espiritualizante'. Foi ele que por necessidade histórica deitou nos braços do poder estabelecido. Foi ele que tornou-se lacaio do Estado e por meio desse servo de forças econômicas. Foi ele que editou a nova versão 'frágil' do Cristianismo, esse Cristianismo fala mansa ou água com açúcar. Foi ele que converteu o Cristianismo em sedativo e tornou-o socialmente irrelevante ou inútil. Tudo isto fez o protestantismo, acalentando a víbora materialista/economicista em se seio e dando-lhe vida.

Aspiravam os poderes econômicos por semelhante oportunidade. De revindicarem autonomia e assumir a soberania. Demandavam portanto por uma Igreja submissa, sem Bispos, monges, conventos, cruzes e sinos... O protestantismo esvaziou e enfraqueceu o nosso Cristianismo, curvando-o face a outros poderes, quando lhe estava reservado o comando (Indireto ou via Ética) de tudo, assim a direção do processo histórico.

Tampouco pôde o protestantismo com sua petição grosseira a bíblia ou ao antigo testamento, assumir tal encargo ou a missão que revindicava. Impediam-no a divisão em seitas e consequentes disputas, a petição ao exame particular, o viés transcendentalista, etc E só por um tempo o monstro de Genebra, com a Torá entre as unhas, governou a ferro e fogo, fazendo verter torrentes de sangue humano e criando - Segundo Pierre Van Paassen (Com o apoio de Stefan Zweig) - o primeiro campo de concentração da História. Afinal a cegueira bíblica ou judaizante só poderia mesmo prevalecer por meio da força... 

Foi um triunfo efêmero.

O protestantismo fragmentou a igreja cismática de Roma num amontoado de seitas e proclamou altissonante seu triunfo, e sem embargo falhou miseravelmente por não ter sido capaz de substituir a igreja rival. O protestantismo de modo algum tomou a condução dos destinos do mundo mas abriu mão dela, e isto equivale a capitulação espiritual do Cristianismo histórico, esse refúgio na extremidade do 'espírito', nas nuvens ou nas alturas - Pelo simples fato do Deus do Evangelho se ter aproximado do mundo e entrado na História por meio da Encarnação. Com o triunfo do protestantismo e sua alienação ou esvaziamento neo platônico perdeu o Cristianismo sua vocação. 

Por incapacidade do protestantismo mitológico (Por via do antigo testamento) e sectário (Por via das seitas) o Cristianismo perdeu a direção das coisas e cessou de inspirar cada vez mais as ações dos homens imprimindo-lhes um cunho social. 

O protestantismo foi e é recuo, abandono e fracasso. Uma opinião firmada em Agostinho e segundo a qual mesmo em posse da graça o homem sequer pode transformar a si mesmo, devendo desesperar-se por completo do mundo e, necessariamente (Como ocorreu e ocorre) tornar-se catastrofista e apocalíptico, assimilando o derrotismo dos antigos hebreus. Toda essa carga de negatividade e pessimismo existente já na literatura judaica ou judaizante dos primeiros séculos o protestantismo absorveu, e a ponto de criar um lema: O mundo não tem solução.

Agora ao recuar de seu posto, até então ocupado, ainda que sofrivelmente pela igreja romana, mas ocupado, o protestantismo permitiu que um outro tipo de poder, o poder material ou econômico, se instala-se em seu lugar inaugurando um novo ciclo na História da Humanidade, o ciclo das ideologias naturalistas ou das culturas de morte, todas ao menos implícita ou dissimuladamente materialistas até os confins do ateísmo, e relativistas (Quando não negacionistas) quanto aos valores espirituais, e isentas de qualquer sentido metafísico profundo, que transcenda o mercado, a pátria, a raça e outras categorias inferiores senão vulgares da existência. O espírito perdeu seu primado já há muito disputado como jamais perdera nos piores momentos da História antiga...

Como de Ideologia em Ideologia, de cultura em cultura, de mística em mística não chegaríamos a borda do abismo que é a negação e a extinção do homem.

Não foi o Deus, assim o teísmo naturalista dos pensadores gregos e tampouco o Deus encarnado e presente do Evangelho que morreu, bateu botas e apodreceu, mas o homem. Nossa espécie é que ora agoniza e se vê prestes a morrer miseravelmente em meio a águas, ares e terras poluídos e a falta de comida! E isto tudo por falta de Ética, por falta de sólidos fundamentos espirituais... E o caminho disto foi a bíblia, digo e repito, o biblismo, o livre exame, o sectarismo. O protestantismo foi o começo de tudo. Precipitou-nos inclusive no vórtice das Revoluções, outra ilusão, delírio ou quimera perniciosa. Fala-nos mesmo por meio de Kant, Nietzsche, Sorel, etc e sempre para o mal ou para o pior... Por isso ele não nos poderá salvar, e tampouco conter este ciclo de culturas de morte que acionou.

E se você leitor protestante, nada percebe ou vê além do falso dilema papismo/protestantismo desespere de toda salvação e aguarde pela pior das mortes no único e verdadeiro inferno produzido pela avareza, pelo individualismo, pelo egoísmo e pelo mar de irracionalismo, e é claro pela falta daquela Ética filha do Evangelho vivo e redentor.

Agora ao estender meu olhar sobre o corpo da Igreja que vejo em termos de consciência social Cristã, de ideários, planos, propostas, métodos, etc

Contemplo antes de tudo aquela multidão de Cristãos alienados que nada sabem sobre as condições do mundo atual e que tampouco se importam com ele, caminhando como cegos ou zumbis em direção do abismo hiante. Tais os Cristãos que se reproduzem organicamente, os de tradição cultural, os reprodutores, os imitadores, os apenas batizados, etc - Nossas massas, como diria J H Newman. Aqueles que receberam o Cristianismo de seus ancestrais mas que jamais sentiram-no ou refletiram sobre eles. Esses homens sem espírito, sem alma ou consciência; nos quais não brilha o amor pelo bem, pela verdade ou pelo belo. Os Maria vai com as outras. Os que concordam com tudo. Os que aceitam tudo. Os mal formados. Os desinformados. Os incoerentes... Nossas massas, nossa cruz. Porque devemos sofrer e chorar com a mãe Igreja.

Deixados estes formalistas e confortáveis de lado devo mencionar os Cristãos que tem consciência de sua fé, digo os que sabem o que sua fé significa e o que espera deles. Estes como Peguy sabem o que devem fazer... Sabem que o Cristianismo Católico ou Apostólico não se limita a missa de Domingo, as procissões e almoços de família... Sabem que Catolicismo não é esse paraíso burguês fechado em torno do jardim... Sabem que esse mundo artificial encerrado numa cúpula - Com sua atmosfera de intangibilidade, nada tem de Cristão. Quem espera repouso não é sabe que é Cristianismo. Pois é o autêntico Cristianismo a mais heroica das religiões e a única destinada a confrontar o mal ou a afronta-lo audaciosamente. É fé de homens e mulheres audazes e corajosos, que nos primeiros séculos suportaram horrendas torturas. Cristianismo é isto, mesmo para o leigo - Incomodo, desafio, perseguição e trabalhos: Ou não seria cruz! Ao menos a consciência de cada Ortodoxo deve sentir o impacto do desafio!

Não e não. Não se pode permanecer neutro face ao reino do dinheiro, a força do lucro, o poder do capital, a sanha da avareza. São ações e fatos que exigem postura clara e decidida. De que lado está você??? 

Pode você face a tanta fome, ignorância, nudez, enfermidade, violência, etc declarar que a vontade de Cristo se realizou nesta terra pela qual pedimos todos os dias ao repetir: Seja feita a tua vontade na terra e nos céus???

Então bata no peito, faça um junto 'Mea culpa' e em seguida se pergunte sobre o que pode fazer ou sobre qual seja teu dever, o dever do Cristão!

Amai-vos uns aos outros como vos amei, diz o Mestre.

E agora examine sua consciência e indague se aquele que explora, oprime, domine e exerce a injustiça ama!

Tornemos já, do Oriente ao Ocidente ao herói Peguy!

E cessem as relações promíscuas com o Império de Mamon! Que Mamon seja definitivamente expulso dos domínios sagrados de Jesus Cristo, nos quais devem impor-se a solidariedade, a justiça e o amor.

Apresentar nosso irmão batizado e filho de Deus como um rival ou concorrente é atitude essencialmente maligna.

Ignorar o irmão que passa fome, sede, frio, etc é ser insensível e ser insensível é não ser Cristão.

Priorizar relações e investimentos econômicos é pecar e nada mais.

Caso o Evangelho que lemos sem artifícios e atenuantes sacrílegos esteja certo o mundo em que vivemos está demasiado equivocado, e se está equivocado é nossa missão corrigi-lo.

Advertir os que erram é obra de misericórdia imposta pela verdadeira religião. Por isso nossa Sociedade não deve ser acalentada com afagos ou aplaudida mas corrigida. E exorta-la é dever que nos impõem o Evangelho. 

Assim se você se diz súdito do reino celestial por que acumula ou junta tantas tranqueiras na terra?

O melhor médico não é aquele que se dirige ao doente com palavras doces. Mas aquele que determina a dieta ou a morte. E que emprega o bisturi e o cautério. O que corta e extirpa os tecidos putrefatos e saneia o corpo por meio da cirurgia, não o que distribui confeitos...

E no entanto esses meios dizem respeito a mente e a privação das coisas sagradas no seio da Igreja.

Resta-me dizer por fim que mesmo entre os Ortodoxos ou apostólicos romanos que aspiram confrontar e transformar o mundo nem todos estão de acordo quanto aos meios e também entre os nossos há muito que existem os adeptos da ruptura radical e da inserção, da revolução e da evolução, da sedição e da reforma. E já advirto que mesmo admitindo o emprego ocasional ou circunstancial da violência, o Cristão opta certamente pela via da inserção, da institucionalidade e acima de tudo da educação, da formação ou da produção da consciência como algo que não apenas promoverá a mudança estrutural como prepara-la-a. 

É um movimento concomitante de certo modo, posto que o acúmulo das sucessivas reformas terá como resultado uma transformação gradativa. Todavia se considerarmos que os responsáveis por dar impulso as reformas - Sejam meros cidadãos engajados ou políticos de carteirinha. - estão sempre na dependência de uma educação/formação ético pessoal, concluímos que o que aciona o processo social é o espírito ou a ideia. Nem poderia a estrutura material e isenta de vida resistir como muralha invencível a ação humana. Transforma-se a sociedade como transforma-se a estrutura econômica, não magicamente ou por si só, mas sempre por ação de algumas pessoas que se acham a frente de seu tempo, são elas que dentro de limites e medidas levam a sociedade adiante, pois não se move a sociedade por si só como algo a parte, sendo movida pelos atores que moveu e move. Há pois um duplo movimento: Um que parte da estrutura e dá vida a cultura, outro que partindo do homem altera a cultura, recria as estruturas e reinventa a sociedade.

Equivocou-se Marx: Não é o modo de produção que determina a consciência. Determina as consciências das massas e influencia a todos, sendo no entanto influenciado e transformado por certas consciências bem formadas. Que tenham as tais consciências, vinculadas a diversos modelos de cultura tradicionais, resistido as investidas do modelo capitalista e contido tais investidas por séculos a fio foi suficientemente demonstrado por Polanyi e Hobsbawm. Que os efeitos das transformações impostos pela toda poderosa estrutura econômica tenham de ser sancionados pela instância do ideal confessou-o Marx. Que haja interação entre ambas as forças concedeu Engels. Que a instância imaterial tenha produzido uma cultura e que essa cultura, em diversos nichos, tenha resistido as pretensões postas pela estrutura econômica ja havia sido demonstrado por Fustel de Coulanges. Que hajam diferentes formas de constelações sociais cristalizadas em torno de princípios e valores de modo algum econômicos foi demonstrado por Sorokin. 

Se bem que não se tenha equivocado tanto ou como um Lênin. Pois era Marx, o Marx autêntico, Etapista. Fosse quais fossem suas diferenças com Hegel Marx jamais concebeu o processo social ou o fluxo histórico como cera quente. Tinha a História para ele um ritmo, sendo necessário ao Revolucionário conhece-lo bem, de modo a perceber o kairós i é a oportunidade, e atuar em comunhão ou sintonia com esse ritmo. De modo que o Revolucionário, se faz avançar um pouco a História, sempre tem consciência de seus limites. Mesmo o conjunto dos homens ou parte da Sociedade atuam sempre dentro de certos limites dados pela estrutura. 

É somente por essa via que pode a Revolução obter acesso ao poder, alterar radicalmente as estrutura e então, magicamente, alterar toda marcha da sociedade. 

Assim se nem toda Revolução é ou se dá nos termos materialistas de um Marx ou de um Bakhunin e da modernidade que é materialista - Pois como veremos toda Revolução (Como a força ou a violência) é instrumental, ficando sempre na dependência de um conceito chave ou matriz geracional que pode ser ou não ser materialista. - é certo que materialismo e Revolução combinam perfeitamente e que, bem ponderado, o conceito de Revolução conduz facilmente ao materialismo.

Explico. O que Revolucionário algum pretende é transformar a sociedade pela simples mudança em termos de pessoal, ou fica abortado o conceito de revolução. O que ele busca é um elemento chave, material ou imaterial capaz de mudar a cultura e por meio dela as pessoas. O que ele julga ter obtido através de seus estudos é a compreensão de qual seja esse mecanismo responsável pela produção e manejo da cultura. Para em seguida, por meio da violência, tomar posse desse mecanismo e, através desse mecanismo mudar a sociedade.

Importa saber algo.

Que mesmo quando é este elemento imaterial como uma nova fé, o culto a liberdade, etc ele só pode ser manipulado por quem detém o controle da força, o qual depende em última instância de um embate ou confronto físico. Parece que aquele mecanismo a ser acionado está na dependência de alguma estrutura política de poder já em parte material. E que essa estrutura de poder está na dependência de um conflito físico de forças entre corpos e munições. Porquanto o princípio da Revolução ou sua matéria é a violência.

Teríamos assim o seguinte esquema: O confronto físico entre os corpos franqueia o acesso a estrutura em parte física do poder e este por fim ao mecanismo capaz de alterar a realidade social e o comportamento das pessoas. Posso conceber, como fiz acima, uma variante; apenas por trocar o lugar das duas últimas premissas, e conceder que alterando o comportamento das pessoas altero a estrutura da sociedade; e assim atenuo o materialismo, mas não o suprimo. Como não o suprimo ao identificar o mecanismo capaz de transformar a sociedade ou a vontade pessoal com qualquer elemento imaterial. 

O revolucionismo, a metafísica revolucionária, o pensamento revolucionário, deveria, por necessidade, fazer-se marxista porque já nele está contida uma premissa materialista. Uma vez que sua petição secundária é a estrutura política (Tão material quanto a econômica.) enquanto que sua petição primária é a força física. Pois o que faz diferir a Revolução da Guerra não é a matéria mas a forma, porquanto a matéria é a força e apenas se aspira alterar toda uma estrutura ou todo um universo por meio da força física de corpos, armas e bombas, e não por meio da Educação ou da tomada de consciência. Diversos sociólogos intuíram esse aspecto, i é, o antagonismo existente entre o padrão revolucionário da violência (Que descambou no materialismo.) e o padrão evolucionário da formação/educação. Percebeu-o claramente Sorel inclusive. Dando a entender todo um quadro metafísico ou ideológico por trás de ambas as opções.

Exatamente por isso o Cristão, mesmo quando admita - Como eu - a petição a força, jamais pensará a força nos termos de um revolucionário i é como algo algo ampla e profundamente transformador ou princípio de uma nova ordem. Mesmo quando a violência for admitida em sua cosmovisão, o Cristão jamais fará dela ou centro ou o motor dessa cosmovisão, tal como a alavanca de Arquimedes, e a força será apenas um aspecto isolado e circunstancial. 

E será esse Cristão evolucionário, insercionista, institucionalista, reformista, etc mesmo quando partindo da noção perfeitamente Cristã de Guerra, ou de defesa social ou de ordem justa e desejável, admitir que em algumas situações, esgotados os demais meios, cabe e é necessário recurso a violência. Pois a demanda pela justiça institucional só é tolerável até certa medida. Claro que essa situação de violência e conflito que diz respeito a pura e simples troca de pessoas no exercício do poder e que ficará sempre na dependência de relações políticas numa ordem o mais democrática possível, não pode nem deve ser confundida com Revolução. Nem toda forma de violência contra o governo, comporta as ilações metafísicas de uma revolução. 

Tal a questão das estruturas minimamente ou apenas formalmente democráticas. As quais mesmo não correspondendo a um tipo ideal (Que se identifica com a democracia direta ou a policracia.) ou a uma estrutura perfeita, prestam-se no sentido de dar acesso a Evolução ou progresso social, o qual alias se dá nessa estrutura, i é por dentro, devendo partir dela a democracia plena ou resultar ela em democracia direita, mas não por golpe e sim por pressões sociais convertidas em leis. Por isso, ao contrário dos jacobinistas, somos contrários a qualquer sedição ou golpe democrático ou policrático (No cenário de uma democracia formal ou indireta.) e em franca oposição aos primeiros lideres protestantes, que se estribaram no Antigo Testamento, somos decididamente contra qualquer tipo de golpe ou violência religiosa. Somos contra todo e qualquer golpe cujo objetivo seja acionar forças que movam estruturas ou pessoas. Nós não cremos nisto.

Portanto mesmo quando assumirmos o padrão da força lhe daremos outro sentido, assim removeremos pessoas, em beneficio de pessoas mais dignas e melhores. Não acionaremos gatilhos e não buscaremos mudar estruturas exceto por meio da produção de consciência, da educação, da formação, a qual para nós é a chave da cultura. E e claro que o objetivo de toda essa movimentação de consciência tem por fim produzir uma cultura ética e essencial da pessoa humana, valendo-se de nossa herança Cristã que é o Evangelho (Não a bíblia e menos ainda o antigo testamento e seus preconceitos tolos.) e de nossa herança Socrática. 

Eis porque não será o Cristão revolucionário, COMO JAMAIS SERÁ CONTRA REVOLUCIONÁRIO opondo-se ativamente e por meio da força a qualquer Revolução, exceto se religiosa ou credal. 

Por isso no próximo artigo, considerando Sorel, avaliaremos a questão da violência face a razão, para em seguida reforçar nossa oposição ao contra revolucionarismo hipócrita.



Há como ser carnívoro sem ser assassino? - Continuando a discutir com carnivoristas e vegetarianos 'ortodoxos' (Fazendo justiça aos vegetarianos e refletindo sobre a doença da Vaca louca!)

Mencionaram as batatas ou las papas.

Pois é manifesto que sejam bastante nutritivas.

Para quem não sabe é a batata de origem americana. Quer dizer isto que não fazia parte da dietas dos egípcios, mesopotâmicos (Sumérios, assírios, babilônicos, etc), persas, gregos, romanos, indianos, chineses, etc Não, para eles nada de batatas...

E temos diante de nós um tubérculo tão americano quanto o tomate, o milho, o cacau (Chocolate), o amendoim e a mandioca, os quais, a exceção da última tampouco são tubérculos.

Nada mais estranho terem o macarrão, da China; se unido a um molho feito com os tomates do Novo mundo, na Itália.

Geografia e cultura teem dessas...

No entanto o tomate, antes de virar molho, lá pelos idos do século XVIII, debutou como um fruto destinado apenas e tão somente a enfeitar o ambiente e não a ser consumido. O mesmo deu-se com as batatas, as quais por mais de século foram cultivadas por causa de suas flores. Isto porque tanto as folhas do tomateiro quanto as folhas da batata passam por venenosas, embora o sumo da batata, topicamente usado, sirva como anestésico. 

Todavia quando a fome apertou tiveram os europeus de se servirem do tubérculo andino. O qual além de ter salvo milhares de irlandeses no começo do século XIX, incorporou-se muito rapidamente a cultura gastronômica de diversos países como a Suécia, a Dinamarca, a Inglaterra, França, Portugal, Espanha... a ponto de aqui ser consumida com arrenque e manteiga, ali compor o delicioso molho Rouille e mais além fazer parte da tradicional bacalhoada. 

A impressão é que a batata faça parte do cardápio europeu há milênios, quando foi incorporada há apenas alguns poucos séculos, após ter atravessado o Atlântico.

Tal o roteiro da batata. 

Comedores de batata são mais os peruanos que os irlandeses, posto que na Irlanda não há 3.200  variedades de batatas além do magnífico chuño, o qual não encontramos deste lado dos andes e menos ainda no velho mundo.

Enfim vamos as batatas, ao vencedor as batatas -

De fato as batatas pouca diferença sabem quanto os demais vegetais, embora sejam de fato mais saborosas que o comum. No entanto a maior parte das pessoas costumam aprimorar ainda mais o sabor desse tubérculo servindo-o frito ou em forma de purê - E em nossa cultura batata já é sinônimo de fritura ou purê.

O problema da fritura é simples: Rende pouco, saindo cara e é, caso seja consumida frequentemente, insalubre ou prejudicial a saúde, pelo que temos dois embaraços: Um econômico e outro dietético. 

O purê de batatas, penso eu, é um dos grandes trunfos do vegetarianismo contra o veganismo. Pois essa combinação de batata, manteiga, leite e por vezes queijo ralado e cheiros, além de ser extremamente apetitosa e nutritiva, rende. Tornando-se um dos poucos pratos capazes de de fato concorrer com a carne e de substitui-la. Adicione alguns cogumelos ou pimentos refogados a um bom purê de batata, associe ao arroz e ao feijão e a refeição completa esta pronta, e sequer os frutos do mar fazem falta.

Os veganos no entanto não podem contar com ele por recusarem-se a consumir manteiga, leite e queijo, e ovos; pois o purê e eventualmente - Para quem tem condições medianas - a batata frita com uns ovos mexidos, estralados ou omeletados (sic), é outro prato completo e saboroso. 

A batata se frita ou sob a forma de purê transcende a simples batata cozida. 

Como o quilo da batata sai atualmente por uns cinco ou seis reais, fica pela metade caso comparada com os cortês de frango ou o franco processado. 

Basta portanto reduzir o número da população e melhorar a condição social dos operários para então preconizar a substituição da carne vermelha pelo purê e pela batata frita. 

Temos aqui, nas batatas, um princípio de realismo, não para o veganismo mas certamente para o vegetarianismo aberto ou suave e para a dieta ética.

Pois como disse esse tubérculo versátil sempre que combinado com ovos, queijo, natas ou leite surpreende. 

Ponho minhas esperanças nas batatas. Ponto pacífico.

Outra a questão de quem insiste em consumir carne e sente dores na consciência, solicitando uma solução, tipo: Como comer carne sem cometer assassinato ou crime.

Após ter refletido por anos a fio sobre o problema e ter ouvido sucessivamente a carga da crítica, as vezes não tão respeitosa, creio estar a altura de responder a tão grave questão.

Quem deseja consumir a carne e pagar tributo ao sabor sem violar a consciência e sentir-se culpado - Pois é, insisto questão de Ética apenas e não de dieta! - que consuma a carne dos animais após terem morrido naturalmente, seja de doença ou de velhice. 

É a única solução mas é uma solução e satisfaz rigorosamente uma demanda que procede da consciência sem jamais molestar a saúde.

Disse sem molestar a saúde porque a primeira e costumeira objeção que ouvimos ao propor aos carnívoros o consumo de animais não assassinados é que faria mal a nossa saúde.

Portanto para que se saiba que podemos ser carnívoros e éticos, o que por muitos é tido como utópico ou ilusório, vou impugnar essa objeção falaciosa.

Para facilitar o entendimento do leitor vamos dividir a matéria e abordar parte por parte.

01) Imaginemos um mundo em que criemos as galinhas apenas para produzir ovos.

02) Mesmo que não nos quiséssemos, por medo, servir-nos da carne de animais que tenham morrido por qualquer tipo de moléstia ou enfermidade, animais há que morrem naturalmente, de velhice ou por sincope cardíaca e animais que sofrem acidentes. Ora as carnes destes últimos, em tese, não oferecem risco algum ao consumidor humano.

03) Já quanto aos animais que tenham morrido vitimados por qualquer enfermidade - Ao menos quanto a maior parte delas! - também suas carnes poderiam ser consumidas bastando para tanto que não fossem comidas cruas, ou mal passadas mas muito bem cozidas.

Não, não estou contando lorota. Mesmo as carnes de animais vitimados pela ampla maioria das doenças conhecidas poderiam ser aproveitadas caso estivessem de fato mortas i é muito bem assadas ou cozidas. Porquanto, e tornamos a questão já posta pelo vegetarianismo e pelo veganismo, não é a carne absolutamente venenosa ou prejudicial mas apenas relativamente prejudicial, quando preparada erradamente. E vegetais há que não transcendem a regra: Jamais coma mandioca brava, folhas de mandioca (Maniçoba), folhas de tomate, caruru, etc sem aferventar diversas vezes ou cozer, pois crus são nefastos, mas cozidos tornam-se nutritivos. Conclusão: O problema da carne é o preparo e o consumo da carne crua ou mal passado sempre arriscado. Já o consumo da carne bem assada ou cozida é sempre seguro ou inócuo, mesmo quando os animais tenham sido vitimados por algum tipo de enfermidade.

- Devo porém, quanto a este assunto fazer uma séria advertência.

O quanto acima escrevi vale para as aves e suínos de modo geral - Caso alguém deseje adquirir para consumo o cadáver de algum desses animais com um produtor. Pois aves e suínos não desenvolvem a fatídica doença da Vaca louca ou de Creutzfeldt Jakob. Outro o caso dos ovinos e caprinos, cujo consumo da carne oriunda de um animal vitimado pela enfermidade ou pela velhice só seria seguro em condições orgânicas, uma vez que o trato intensivo em que porventura entrasse ração contaminada por prions sempre poderia contamina-los.

É por isso que não se pode consumir a carne bovina mesmo bem cozida ou bem assada, pois os príons são indissolúveis e inumes mesmo a altas temperaturas. 

O que queremos dizer é que a carne bovina apenas não deveria ser consumida de qualquer forma, seja  de animais abatidos ou vitimados por alguma doença, seja crua, mal passada, assada ou bem cozida. Pois a doença da vaca louca continua sendo sempre transmissível, sem que haja qualquer maneira de evita-la, exceto é claro a recusa em consumir esse determinado tipo de carne, tendo em conta o risco, que os grandes produtores classificam como uma espécie de loteria invertida. De fato aqueles que desenvolverão, por quaisquer vias, a doença da vaca louca em nosso pais não passaram de algumas centenas ao cabo de alguns anos. O que para muitos é reconfortante, pois podem consumir confortavelmente seu bife sem maiores problemas. No entanto tanto a loteria da sorte quanto a do azar tem seus contemplados e tenho certeza que a maior parte das pessoas, se bem informadas sobre essa terrível moléstia, prefeririam não correr o risco.

Repito e pontuo, caso a doença de Creutzfeldt Jacob fosse melhor conhecida em todos os sentidos esse grande e lucrativo setor do agro negócio, representado pela produção da carne bovina, sofreria um grande baque. 

A maior parte de nós sabe que a doença da Vaca Louca existe e que é transmitida pelo consumo de carne bovina, sem que haja qualquer meio seguro com que evita-la. É uma doença latente, que fica latente no animal por muito tempo. Bem podendo ser ele abatido e consumido antes de manifestar os sintomas - Simples assim. 

No entanto a maior parte dos que sabem algo sobre a doença priônica não sabem tudo ou não sabem o que deveriam saber, e é está uma ignorância que não apenas mata mas que faz sofre intensamente. Não é o caso do infarte que te fulmina, não, nada disto, aqui o buraco é bem mais embaixo. Portanto informem-se.

Todavia para que cheguemos ao fundo do abismo devemos dizer que mesmo os relativamente bem informados sobre a existência e características da doença da vaca louca, acreditam erroneamente (Por isso se sentem seguros e continuam consumindo a carne bovina!) no quanto disse eu ser válido para a maior parte das doenças que porventura vitimem um animal i é que basta assar ou cozinhar muito bem a carne para impedir a contaminação pelos príons. 

Afinal não é assim com a solitária e a cisticercose?

Sim, mas não com a doença da Vaca louca.

Daí repetir eu o que acima já registrei: Os príons são indissolúveis e invulneráveis as mais altas temperaturas. Portanto não há como evitar essa doença ou considerar-se seguro enquanto se consome a carne bovina. Por mais que você a cozinhe permanecerá contaminada e nefasta.

Portanto o consumo da carne bovina - E não da carne vermelha - é sempre inseguro e arriscado.

Claro que correr ou não o risco ou expor-se é sempre consideração de ordem pessoal.

São no entanto decisões que devem ser avaliadas a luz dos fatos.

Resta dizer que não há evidência alguma de que o leite e seus derivados transmitam a horrenda moléstia.

É portanto questão que circunscreve-se a carne bovina cozida ou não.

04) No caso das demais carnes ou das carnes seguras, equina, suína, ovina, caprina e aviária além do cozimento tornar seguro o consumo dos animais vitimados pela idade, por moléstia ou por possíveis acidentes, caso as pessoas sintam-se porventura amedrontadas sempre poderiam demandar dos cientistas uma solução para o problema e não é para duvidar que a Ciência lograsse desenvolver técnicas ou insumos capazes de tornar essa carne absolutamente segura. Basta que a ConsCIÊNCIA das pessoas o demanda-se de forma peremptória a CIÊNCIA. Basta que a Sociedade o exigisse, como uma espécie de meta. Nada que a Ciência não poderia fazer caso quisesse e se não o faz é apenas porque nós humanos, continuamos a assassinar os demais mamíferos e a justifica-lo miseravelmente por meio de sofismas. Nada faz a ciência porque nos conformamos em matar, porque negamos o crime. Tudo, como já tivemos ocasião de observar, porque podemos e queremos, devido a nossa insensibilidade.

Daí a ciência, que jamais nos dará pingo de consciência, continuar servindo, como lacaia, o carnivorismo assassino. 





Claro que toda essa questão em torno do consumo de animais mortos por obra da enfermidade ou da velhice, como era comumente praticado pelos pobres da Idade Média no caso das vacas leiteiras ou das galinhas poedeiras, continuam girando - Como paliativo que é - em torno de outros problemas e pautas como a contenção da natalidade e do crescimento populacional, a implementação da justiça social (Com a atribuição de uma pedaço de terra a cada pessoa ou família.) e a produção de vegetais e animais saudáveis, ou seja, orgânicos, para consumo próprio; assim a instrução e as técnicas de preparo. Por isso temos diante de nós todo um mundo a ser considerado.


Porém quanto a este problema - Que para mim pouco significa mas que para muitos é crucial. - da justiça, da compaixão, da consciência e da vontade de consumir a carne vermelha ou a carne das aves, oferecemos uma solução bastante realista: A exceção da carne bovina, cujo consumo deve ser urgentemente abandonado devido a doença da Vaca louca! - os que possuam um sitiozinho lá com seus animais criados num ambiente saudável sempre poderão consumi-los depois de terem morrido, bastando para tanto prepara-los com o devido rigor, i é cozinhando-os ou assando-os muito bem. Aos que não se sentem seguros e continuam a comer a carne bovino considerem o perigo da doença priônica, e pressionem a ciência para que seus dignos representantes empenhem-se em descontaminar tais carnes, tornando-as inócuas e seguras. Julgo que tal solução corresponda ao único caminho possível para um carnivorismo ético. Afinal não adianta ficar batendo doentiamente na tecla da Ética e sem seguida trai-la de modo tão leviano, adotando o padrão da força e minimizando nossas ações criminosas ou irrefletidas. Deve a Ética ser integral e direcionada a todos os seres de modo a contagiar a humanidade como um todo e restaura-la em seus fundamentos.


 








segunda-feira, 12 de julho de 2021

Socialismos, o espelho do Cristianismo...

Acho curiosa a reação dos Neo Cristãos ao contemplarem as duas seitas em que está cindido o Socialismo contemporâneo. Digo duas porquanto anarquistas e comunistas apresentam-se como Revolucionários, em vária medida, adeptos da violência.

Temos assim, quanto os métodos, os de Marx, Engels, Lênin, Plelanov, Bukharin, Blanqui, Sorel, etc e os de Bernstein, Herr, Jaurés, Blum, Kropotkin, etc 

Revolucionários e Evolucionários ou Sedicionistas e Reformistas.

Claro que se considerarmos o modelo de organização futuro ou pós revolucionário teremos já três seitas ou grupos clássicos muito bem consolidados: Autoritários/totalitários - Devido ao dogma marxista clássico da "Ditadura do proletariado", ácratas e democráticos, estes últimos evolucionários ou reformistas.

Alias aqui as composições se tornam tanto mais complexas por haver ácratas com tendência etapista e insitucionalizante, como Kropotkin (Me refiro apenas ao anarquismo Russo ou oriental de caráter socialista, jamais aos anarquismos ocidentais individualistas!) ou etapista e pacifista, como Tolstoi. Assim por neo comunistas Gramscianos que sem abandonarem de todo o ideial sedicionista, admitem igualmente o insersionismo, o que era já visível em Rosa Luxemburgo e foi marcante em Lukacs, Althusser, adeptos da Escola de Franckfurt, e outros tantos sempre suspeitos a Ortodoxia Bolchevique de Moscow. Mesmo Bukharin, que discordava de Preobrajenski quanto a sangra o campesinado e preconizava a formação e o esclarecimento numa perspectiva de longo prazo, não pode deixar de despertar fortes suspeitas neste sentido...

O quanto quero dizer aqui, neste artigo, é que não cabe a Cristandade rir dos ideólogos socialistas naturalistas. Como se não houvessem correntes não menos fortes, cindido com maior gravidade o nosso Cristianismo, Cristalizando-se em torno de grupos e produzindo imensa confusão, escândalo e turbulência em favor da incredulidade e da apostasia. 

Claro que tão abomináveis e monstruosas divisões dizem respeito a uma organização Política, Econômica e Social (A qual deveria, numa perspectiva Cristã.) que afirmando-se sobre os princípios Éticos da  Liberdade, da Justiça e da Solidariedade - Num claro esquema de L para P, J para E e S para S - deveria produzir apenas e tão somente um plano ou modelo, um modelo Cristão de modo geral i é tão liberal quanto socialista e assim jamais autoritário (Comunista, fascista, nazista, etc) mas tampouco individualista e economicista (Materialista). Todavia tanta treva há nestes tempos que ao expor a proposta social Cristã e suas negações no seio do Cristianismo, temo não ser bem compreendido ou ser tachado de irracionalista e contraditório ao modo de um Nietzsche, de um Proudhon ou de um Sorel, quando parto de Aristóteles e do Cristianismo.

Não convém rir levianamente dos contrários, quando comandados pela divina Providência, estamos igualmente cindidos em correntes por pura e simples malignidade. 

E digo mais, para além de toda fidelidade, unidade e estabilidade doutrinária, tal estado de cisão quanto ao projeto Cristão - Autenticamente histórico, tradicional e legítimo. - de Sociedade significa apostasia. Estão fazendo seleção quanto os ensinamentos de nosso Mestre Jesus Cristo, e o fundo de toda esta operação herética é sempre o mesmo fundo a que pertence o integralismo 'cristão' - Arianismo, incredulidade, falta de fé na Providência, negação...

Acometerei aqui, como é meu dever, os pseudo Cristãos liberais economicistas fabricados lá nos EUA, nas forjas protestantes, e que ora inspiram o governo Brasileiro. 

Já foi dito liberalismo e espera-se que toda mentalidade acrítica receba o liberalismo como um todo, nada mais falacioso. Pois querem, a fina flor da força, que seja o liberalismo economicista rebocado pelo Liberalismo Político, quando demonstra a História que o primeiro sempre pelejou com o objetivo de reduzir o espaço e a qualidade do segundo, quando não chegou a suprimi-lo e a flertar com a Hidra do autoritarismo. Xipófago do Positivismo o liberal economicismo, com seu esquema materialista mecanicista, é sempre irredutível a qualquer comando Ético exterior a si (E aqui se encontram o totalitarismo político ou tirania, o cientificismo, o economicismo, etc em oposição ao Cristianismo e a Filosofia Perene!) 

Cumpre decompor e dizer liberalismo, distinguindo bem cada um deles, de modo que as luzes sejam separadas do breu.

É erro cabal, do ponto de vista religioso, dar todos os liberalismos por anti Cristãos, já o disse e reconheceu honestamente o grande papa romano Leão XIII, autor da Rerum Novarum por sinal. Desde Leão XIII, as Encíclicas dos papas romanos já não pugnaram inútil e fatuamente contra o liberalismo político ou a ordem democrática em ascensão, como seria dever seu caso tal fosse parte efetiva ou essencial da instituição Cristã (Jamais foi e não o é!). Não cessaram todavia de denunciar, um após o outro e em maior ou menor medida, as mazelas sociais e econômicas, localizando-as em seu devido lugar: O modelo de produção e distribuição vigentes. Funcionassem eles mecanicamente segundo o esquema Liberal economicista, ociosas seriam as advertências sucessivas dos papas romanos... Como se vê, ao contrário do que alegam os neo 'romanos' (Católicos...) liberais economicistas, temos aqui um sistema muito imperfeito e precário. Impossível ler com atenção e honestidade tais documentos sem percebe-lo... Por isso a postura desse neo romanos americanizados ou protestantizados me parece bem pouco reverente.

Alias direi aos liberais economicistas de Roma o que já tive ocasião de dizer aos nossos liberais economicistas ortodoxos a propósito da doutrina muito positivista (No fundo materialista) da auto regulação (Até as demonstrações puramente matemáticas e objetivas de Pareto) face as exigências categóricas da nossa tradição multi secular. Inútil seria aos papas romanos bem como a nossos Patriarcas, Bispos e clérigos discorrer sobre o tema caso aceitassem servilmente os falsos dogmas do positivismo mecanicista, assim a auto regulação e o caráter a parte, objetivo ou fechado da economia. Em que pese os erros periféricos cometidos pelo clero ou pela Cristandade, aqui presta ela imenso serviço a toda humanidade, pelo simples fato de apresentar a econômica como atividade humana que é.

É o liberalismo econômico, por todas as suas injunções filosóficas e metafísicas tão anti Cristão quanto o Comunismo, o Nazismo, o Fascismo ou o Anarquismo, de não há como atenua-lo. Antes dos Socialismos foi e é naturalista e impenetrável a qualquer sentido espiritual ou divino que reporte a Ética. Antes dos demais foi materialista e matriz de todos os materialismos, acima de tudo foi e é cria do protestantismo com o qual forma uma unidade cultural em termos de solidariedade doutrinária.

Esse é o primeiro grupo que temos enquistado em nosso Cristianismo e que nos obriga a encarar os socialismos com a devida humildade. Desde que há Cristãos economicistas ou capitalistas no organismo Cristão temos de fato um câncer ou uma chaga putrefata. E até que expurguemos essa chaga do corpo de Cristo estamos todos mais ou menos em pecado. Enquanto fazemos vistas grossas ou toleramos essa apostasia pecamos contra o Evangelho. Pois não se pode conectar o materialismo ou o positivismo a pura palavra de Cristo sem profana-la.

Desde que acolhemos esta Hidra ou serpe venenosa entre nós tornamos nosso Cristianismo detestável a toda gente boa e verdadeiramente nobre. 

Pois Jesus jamais nos mandou amar e suportar inimigos sociais numa sociedade Cristã por serem inimigos da Sociedade Cristãs.

De fato coisa horrenda é o que temos já há tanto tempo e que tentamos ocultar falseando o mandamento de Deus.

Essa situação a que chamamos 'Luta de classes' a qual os descrentes desejam alimentar e aprofundar enquanto que os cristãos hipócritas e fingidos tentam negar ou dissimular.

Tal era a situação, por exemplo, da Sociedade grega, cindida entre oligarcas e demagogos; assim da romana. O que por sinal chocava já os filósofos mais excelentes, adeptos do humanismo.

Agora como tolerar que um tal estado de coisas se reproduza na instituição Cristã contando o apoio ou a omissão daqueles que os Atos dos Apóstolos descrevem como formando uma só família e cuidando uns dos outro?

Fica muito mais fácil e confortável negar os fatos ou distorcer a Lei de Jesus Cristo.

E distorce-se a Lei de Jesus Cristo ensinando que uma tal situação deve ser tolerada ou desejada (O que de algum modo implica na ímpia doutrina da Graça fraca de Lutero ou de Agostinho!). Que o pobre deva tolerar e respeitar o rico. Que o dominado deva estimar seu dominador. Que o oprimido deva ter afeto para com seu opressor... Mas quem teve a iniciativa de colocar uma doutrina tão ímpia e sacrílega nos lábios do divino Mestre Jesus?

Quer dizer então que deve o Cristão odiar os Ricos?

Quer dizer que não deve a Igreja tolerar os ricos. Que não deve permitir que hajam milionários egoístas em seu seio. Que não deve santificar por quaisquer vias o acúmulo exagerado de bens materiais. Que não pode fazer vista grossa as grandes fortunas.

Deve a Igreja cumprir com seu grave dever, primeiro advertindo e exortando todos os fiéis a levarem vida sóbria e equilibrada segundo o padrão da fraternidade. Não ouvidas as advertências daquela que é mãe devem os milionários, os poderosos e os ideólogos seus defensores ser denunciados nos púlpitos e em seguida excomungados. É isto que a autoridade eclesiástica, é isto que os Bispos, sucessores dos apóstolos, e guardiães da Tradição imaculada, deveriam fazer e tal é seu dever: Por fora da Igreja e desassociar todos os opressores, exploradores, avarentos, etc recusar-lhes o acesso aos divinos mistérios, negar o Batismo a sua descendência, colocar suas esposas sob vigilância ou Penitência, etc Pois isto é cumprir com o dever, acabando com essa vergonhosa divisão de classes entre os batizados

Absurdo solicitar o Cristianismo a seus filhos que se deixem tosquiar pacificamente pelos lobos, ficando alias tributários de seus tosquiadores quanto o amor. 

Amar os inimigos aqui só pode ser compreendido quanto a nossos inimigos ou desafetos pessoais - Que vivem sob a lei de Cristo ou ignoram-nos. De modo algum os falsos Cristãos que odiando e oprimindo o conjunto do povo fogem a norma e regra do Evangelho. E a Lei do Evangelho é clara: Rico algum entrará no Reino de Deus, tal e qual corda que não passa por fundo de agulha. Portanto não podem os avarentos e exploradores ter espaço e menos palavra na Igreja. Nem deve a Igreja executar os propósitos deles ou servi-los.

Cristão segundo o Evangelho, é sinônimo de obediente ou submisso. 

É portanto tarefa e missão histórica da Igreja por fim a esse estado de coisas digno apenas de gentios e materialistas, assim do conflito social. E por fim na questão aqui significa cortar o lado mais forte da corda, condenando, denunciando, excomungando e anatematizando os incrédulos, egoístas e injustos que oprimem seus irmãos ou ignoram-nos ao invés de beneficia-los acumulando tesouros espirituais no Reino Celestial de Jesus Cristo.

Não é ao pobre, ao oprimido, ao injustiçado, ao aflito, ao angustiado, ao explorado, etc que deve a Cristandade pedir amor, tolerância, compreensão, paz, etc A missão da Igreja outra não é que condenar a opressão, a avareza, a injustiça, etc Advertindo aos ricos para que se emendem e convertam, ou punindo-os com todo rigor de sua lei. Punindo, castigando e erradicando a fonte do mal. Que se corte o mal pela raiz, aniquilando o pecado da avareza, tal e qual fez a seu tempo Antonio e Pádua e antes deles Basílio, Crisóstomo, Astério, etc

Caso solicitem eles justificação, lhes seja dada esta: "Não junteis tesouros neste mundo." e "Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro?" - Percebem que Deus opõem o dinheiro a si mesmo? Dais ou não dais crédito a Deus? 

Evidentemente que os liberais, os conservadores e demais lacaios do sistema não dão mínimo credo ao Evangelho, caindo na lenga lenga protestante das interpretações ou comentários... e indo pela senda da incredulidade ou da dúvida. 

Amar devemos amar nossos inimigos pessoais, apesar de suas imperfeições, vícios e defeitos. Não alias pelo que são, mas pela esperança do que possam vir a ser. Amamos os que buscam prejudicar-nos porque acreditamos que possam vir a mudar. Amamos os maus por sabermos que podem cessar de ser maus. 

Outro o caso dos inimigos do povo - Os quais buscam fazer mal a criança, ao idoso, ao deficiente, a mulher, ao negro, ao índio, etc - enquanto grupo, assim os ímpios e avarentos; aos quais é dever dar combate. 

Nem podem eles ter voz na assembléia de Cristo que é a Igreja, nem podem governar a sociedade democrática; mas ser denunciados e contidos pelos bons. 

Devem portanto os filhos mais leais da Igreja e pupilos do Evangelho, inspirados por princípios e valores humanitários, servir-se da estrutura democrática com o objetivo instaurar uma ordem social mais humana, justa e solidária, noutra palavra: Fraterna. 

Quanto mais for a sociedade autenticamente Cristã, fiel aos princípios da Igreja e tanto mais convirá a Sociedade dos homens um regime cada vez mais democrático até a democracia direta. De fato há muito que somos, não por esta democracia meramente formal e de origem burguesa, e sim pela democracia grega i é pela policracia. Já disse que vamos pelo caminho oposto ao autoritarismo dos totalitários sejam comunistas, nazistas ou fascistas, como vamos pelo caminho oposto ao dos anarquistas, pois acreditamos no insercionismo i é em reformas institucionais capazes de ampliar nossa democracia por dentro. Nem autoritarismo totalitário ou negação das liberdades, nem iconoclasmo radical e sectário. Nós acreditamos na conquista da Escola, do Parlamento, do Laboratório, do Sindicato por um protocolo ético preparado e reforçado pela educação i é pela tomada de consciência. Acreditamos portanto num processo evolutivo que sem negar o possível emprego circunstancial da violência e duma violência controlada, é impulsionado pela formação.

Tal a questão dos liberais infiltrados na Igreja de Cristo por obra e desgraça da cultura protestante com seu veneno individualista, assim da manobra ecumênica. 

Outro o caso dos Cristãos leais, honestos e conscientes que aspiram modificar a realidade social, e alterar a estrutura das coisas segundo o modelo estabelecido pelo Evangelho de Cristo, padrão das coisas eternas e celestiais - Infelizmente, como veremos, eles não estão de acordo a respeito do método ou de como tais transformações serão efetuadas, pois já o ideal revolucionário infiltrou-se também ele no corpo da Igreja e no seio da Cristandade.

Ora, como julgamos e condenamos o liberalismo econômico e toda ganga ideológica que o acompanha em nome do Evangelho e da Tradição, assim temos de julgar o que chamam de Revolucionismo. 

Continua.









quarta-feira, 7 de julho de 2021

Pontuando a questão do veganismo/vegetarianismo e seus custos - Uma análise realista.


Após ter escrito um artigo bastante realista sobre o crescimento da população humana e suas fontes de alimentação, aspecto que apresentamos como irrelevante ou supérfluo caso o primeiro aspecto não seja devidamente considerado, deflagramos uma polêmica com aqueles que encaram a questão das fontes alimentícias como crucial, i é, com os veganos e vegetarianos. 


Por isso quero dizer antes de tudo que admiro sinceramente a postura assumida por vegetarianos e veganos, embora não seja eu vegetariano 'ortodoxo' mas, ousaria dizer, um semi vegetariano ou alguém que se recusa a comer carne vermelha, ou alimentar-se da carne de outros mamíferos, os quais não apenas sabem o que são, como pensam e amam. Posto está que minhas considerações anti carnívoras aplicam-se no máximo as aves, pois são de ordem ética e não dietética. 

De fato, por questão de consciência, como Einstein, não me sinto confortável ingerindo a carne de seres que sentem dor ou que são auto conscientes, mesmo que, por hipótese, não sejam inteligentes ou aptos para exercer a afetividade. Parece-me que a maior parte dos peixes, moluscos e crustáceos sejam insensíveis a dor e desprovidos de auto consciência, de modo que não vejo qualquer problema alimentar-se deles. A deliberação no entanto fica sendo provisória, pois a ciência segue pesquisando a respeito e, verificadas tais capacidades nos peixes, moluscos e crustáceos, julgo que nos devamos abster de consumi-los assumindo o vegetarianismo pleno ou 'ortodoxo'. 

Ao semi vegetarianismo, que excluí no máximo a totalidade das carne vermelha e da carne das aves chamo 'dieta ética'. E temos aqui nossa primeira polêmica face a vegetarianos e veganos exaltados, cuja argumentação nem sempre é honesta, por ser dietética. Já dissemos e ora repetimos, não nos abstemos do consumo de tais carnes porque prejudicam a saúde - Já o veremos, não prejudicam... mas porque não é justo que seres auto conscientes e sensíveis sejam mortos com o objetivo de satisfazer nosso paladar ou nossas exigências gustativas. É por respeito a vida sensível e auto consciente que condenamos o carnivorismo como forma de assassinato e crime. Não é questão de saúde, mas de Ética.

A questão da carne cujo consumo faz mal não diz respeito a natureza da carne e sim como a carne é por assim dizer criada ou tratada. Não diz respeito a carne em si mesma mas ao tempo, sendo problema do nosso tempo, tal e qual a dos vegetais que fazem mal por estarem contaminados ou envenenados por agrotóxicos. Quanto as carnes temos os hormônios... Consumida dentro de certos limites a carne orgânica não faz mal algum a saúde, sendo fonte abundante de proteínas.

Outro o caso dos limites. 

Claro que o excesso de carnes redundará em malefícios para o organismo, assim o ácido úrico, dentre muitos outros.

Assim o excesso de sal, de açúcar, de pimenta, de farinha, etc

E não há novidade alguma no chiste segundo o qual o excesso de água afoga e mata...

Noticias há de envenenamento por sumo de laranja, sumo de cenoura, prato de alho, etc 

Alimentação ou melhor, saúde, é resultado de uma dieta equilibrada.

Como parte de uma dieta equilibrada é absolutamente falso que o consumo de carne seja prejudicial e não há mínima evidência a respeito.

Portanto o consumo episódico da carne vermelha é no mínimo dieteticamente irrelevante, e a nobre causa do vegetarianismo, do veganismo ou da dieta a que chamamos Ética não precisa de mentiras, truques, boatos, falsas informações ou fake news. Alias o vegetarianismo ou a dieta ética só enobrecerá a humanidade na medida em que cumprir com sua função, que é ética. Não é por força da saúde física que devemos ser vegetarianos, veganos, etc mas por força da consciência, assumindo valores como a justiça, a alteridade, a compaixão, etc 

Cessemos portanto com essas baboseiras, o consumo de carne vermelha não faz mal algum ao corpo mas a alma, a mente, a consciência. 

Profanamos a nós mesmos, a nossa condição racional, ao que temos de melhor ou 'superior' quando ignoramos as exigências da justiça, pautamos nossa conduta pela força e deliberamos com base no paladar ou no sabor. Não há que tapar o sol com a peneira! Filosofar é sondar abismos, buscar pelas causas mais remotas, colocar o dedo no mais fundo da ferida.

Caso não contenhamos a população o vegetarianismo, o veganismo ou a dieta ética não nos salvarão como espécie. Seremos em nossos irmãos irracionalistas, ignorantes ou canalhas (Por convívio ou comunhão!) uns vermes predadores... No entanto, enquanto pessoas, seremos melhores, pois cercados por vermes predadores não agiremos como eles e não seremos vermes predadores - Pois nosso interior ou nossa consciência será diversa.

Não nos enganemos -

Adotar tal tipo de linguagem numa cultura carnívora como a nossa implica não ser aceito ou compreendido ou mesmo despertar rancores. Nossos carnívoros pensam e agem como os canibais de outrora, pois pensam com o ventre e matam e comem porque gostam ou porque é saboroso. Um escritor Cristão do século segundo registrou: "A vontade é irrefutável." e assim o é.

Estamos inseridos numa cultura carnívora, e não temos Jesuítas ou Franciscanos e menos ainda o empenho do Cristianismo, a exceção dos adventistas do sétimo dia, os quais nem por isso deixam de falsear a questão, apelando a argumentos falaciosos de origem dietética.

Mesmo o hinduísmo e o budismo não têm logrado obter resultados numa escala relevante ou majoritária, pois: A vontade é irrefutável...

A dieta ética ou o vegetarianismo só florescerão a sombra da racionalidade ou como disse da Filosofia racional, reflexiva e perene. 

No entanto, há, para além disto, a questão da realidade viva ou dos custos da alimentação.

E sequer é coisa de Marx mas de um Aquino, fiado em um Aristóteles.

Foi Aquino que disse ser enviável dar lições de catecismo a um faminto. Faz-se mister alimenta-lo primeiro ou encher-lhe a barriga.

Assim antes de convencer a maior parte das pessoas sobre a excelência da dieta ética teremos de colocar os alimentos vegetais ou veganos no acesso delas tornando-os mais baratos em comparação com a carne. Pois as pessoas mais humildes sempre levarão o custo dos alimentos.

Enquanto tal não for considerado apenas a classe média ou a alta burguesia se deixarão convencer. Não os operários ou os mais pobres, membros da classe C.

Acabo de receber outro recado indignado de outro vegetariano ou vegano, repetindo que o preço dos alimentos naturais são mais baratos.

Por serem saudáveis deveriam ser orgânicos.

Passe a realidade, seja honesto e observe o valor dos produtos orgânicos em comparação com os não orgânicos, por uma questão de densidade populacional, terra e economia.

No entanto não é apenas o alimento orgânico que é mais custoso, também o natural ou vegetal o é e o demonstrarei.

Fácil, mas cruel e desonesto, é dizer que para ser vegetariano ou vegano basta ir a feira na hora da chepa adquirir uns produtos cheios de agrotóxicos ou restolhos não orgânicos.

Então você pobre - Tenho de enfatizar isto - vai a feira e compra couves, alface, almeirão, chicória, etc cebolinha, salsa, alho, cebola... Batata, cenoura, pimentão, milho, couve flor, brócolis, etc

E temos ai um vegano ou vegetariano feliz!!!

Ora, tudo isto esta totalmente fora da realidade da vida vivida e mais parece coisa de Alice no país das maravilhas, pois não consideramos o acondicionamento, o preparo, o sabor ou o rendimento desses vegetais...

Por isso o vegetarianismo ortodoxo é muito mais realista que o veganismo, por incluir leite e ovos, e derivados na dieta.

Tornarei ao veganismo.

Um maço de brócolis de qualidade, que não seja rastolho, vai por cinco reais, não menos e, devidamente limpo e cozido resultará (Estou aproveitando as folhas!) cerca de três xícaras. Para uma família com ter três pessoas uma xícara ao almoço e outra ao jantar. Então terá de haver feijão, arroz, batata e salada, além dos temperos. 

Para que cada um possa comer prato de brócolis com arroz vai uma três xícaras e portanto uns três maços, os quais se encontrados por cinco reais sairão a quinze reais. A carne moída de segunda sai por dezessete reais o quilo i é sendo apenas dois reais mais cara. No entanto rende mais e demanda menos condimentos. Quero dizer que em termos de rendimentos, condimentos e custos os vegetais mais suculentos e saborosos equivale ao das carnes que estão no acesso das pessoas mais pobres.

Há no entanto muita gente carnívora que sequer consuma um kilo de carne moída se segunda mas apenas cortes de frango ou processados, os quais custam cerca de 12,00 ou até mesmo 10,00 o kilo. De modo que nossos dois maços de brócolis mais uma couve flor com algum alho ou cebola a mais, sairiam bem mais caro ou a cerca de dezesseis reais. 

Pois o povo simples, o operário ou o trabalhador já não consome cortes de carne bovina de primeira há muito tempo e não é sobre esse nicho social que estamos falando, posto que somente uma classe média bem média pode pagar trinta ou quarenta reais por quilo de carne. Pois as cifras de um tal consumo chegariam no mínimo a quinhentos reais ao mês i e a quase metade do salário mínimo. Daí a família do nosso trabalhador passar a coxa e sobrecoxa ou a linguiça, consumindo carne moída de segunda apenas no almoço de Sábado ou Domingo. 

A conclusão é simples e corrobora o que já dissemos: A substituição por alimentos naturais ou veganos com o mesmo rendimento e sabor acabaria saindo mais cara. 

A menos que aquela família passe a consumir apenas os vegetais mais baratos como almeirão, mostarda, chicória, alface i é o que chamam de folhas ou matos. Sabido é que são eles os que rendem menos. Então se tiverem de substituir a carne ou o frango teremos de cozer uns bons cinco ou seis maços de chicória e almeirão... E deitar bastante azeite, alho, cebola, pimenta, curry, paprica, etc para tornar esse mix palatável, uma vez que a maior parte desse vegetais ou não tem gosto ou é amarga. Demandando alias diversas lavagens ou águas além dos temperos. 

Achei nas tabelas de hoje o maço mais barato de almeirão por 2,50 reais. O de chicória mais em conta por 1,50. (Os orgânicos chegam a custar R 4,50 e 3,00 respectivamente, de modo que o valor do cozido abaixo chegaria a R $ 18,00). De modo que gastaríamos neste cozido vegetal cerca de 10,00. Adicionado os temperos que tornam tal ragu palatável teríamos o mesmo preço dos cortes de frango e a diferença aqui é que o frango com fio de azeite, pitada de sal e pimenta e colher de massa de tomate fica já saboroso... e rende.

Outro o caso em que se recomende o consumo de tais verduras em menor quantidade ou sem condimentos. E é aqui que o veganismo se torna sinistro...

Pois os veganos - E eu sou um deles (Consumo muitos produtos veganos.) em sua maior parte ou quase totalidade não passam a chicória, almeirão, alface, etc com água e sal.

Recomendar a população pobre ou trabalhadora que viva de caldo vegetal, sopa ou ragu me parece demasiado cruel.

Não passo por mentiroso ao declarar que em geral veganos e vegetarianos (Frequento restaurantes vegetarianos.) não são monges ou ascetas, ou gente que passa a cozido de chicória, sopa de alface ou salada de almeirão, o quais até comparecem como acompanhamentos em suas refeições. 

Grosso modo nossos veganos consomem umas proteínas de soja, as quais bem temperadas - E os adventistas e Indianos são mestres nisso! - sabem a carne... Alias se a Índia, em que pese a força da fé religiosa, conta com 1/3 de vegetarianos é mais por ser a terra das especiarias, as quais conferem forte sabor a vegetais insonsos ou amargosos - É um tal de sambal (Em geral Oelek), Hung liu, Shoyu, Umami, etc 

Não é por coincidência ou acaso que os orientais comam tudo quanto rasteje sobre a terra ou vague pelas águas do mar, mas por tempero, pois em seus assados, caldos, cozidos, etc vai cravo, noz moscada, canela, algo, cebola, cebolinha, coentro, gengibre, mostarda, açafrão, limão, pimenta, galanga, cidrão, louro, salsa, etc, etc,

É mais ou menos assim que nossos vegetarianos ou veganos tornam palatável a tal proteína de soja, a qual adicionam vinho, algas, cogumelos e nozes, por serem alimentos bastante saborosos.

Lá no Oriente é coisa que se acha no quintal de casa ou no bosque.

Aqui porém é quase tudo importado e caro, desde o tempo dos descobrimentos - Quando já eram empregados com o propósito de disfarçar o sabor da carne ou do pescado podre. 

Por isso entre nós raramente passou o povo simples do alho, da cebola, do sal e da pimenta em módica quantidade, as vezes com um fio de azeite. E é o quanto basta para tornar as carnes palatáveis, mas não os vegetais mais baratos - Como a mostarda, o almeirão, a chicória ou a alface. - e menos ainda a tal proteína de soja.

Daí a tal massa básica, quando saborosa, sair cara, e os derivados ou os produtos substitutivos veganos industrializados - Cozinha, Quibe, Pastel, Bacon, Presunto, Carne, etc - serem sempre custosos e fora do acesso das pessoas comuns que vivem de salário ou das massas. Repare o amigo leitor nas marcas, ingredientes e valores dos produtos veganos vendidos sempre em empórios tradicionais e não poderá deixar de concordar comigo. Conheço muito bem as marcas, empórios e preços porque consumo, pelo simples fato de ser reconhecidamente 'burguês' ou ao menos por levar uma vida burguesa devido a meus rendimentos.

Tais veganos - E continuo me incluindo - complementam os quitutes de soja, castanha, abóbora, jaca, etc com pratos de chia, lentilha (As vezes vermelha.), Grão de bico, favas, feijão branco, etc $$$$ igualmente muito bem condimentados. Comprei ontem o Grão de Bico por 13,00 o Kilo, Feijão de primeira por 12,00, Lentilha por 11,00 (Não a vermelha), etc adicionados os temperos sai quase o preço da carne moída de segunda e ultrapassa sempre o preço dos cortes básicos de frango e dos processados de frango. Dada a substituição preconizada por nossos veganos o pobre pagará mais, e sem aqueles quitutes de veg massa bem temperados. 

Se substituir o pão de trigo pela massa Doza, que e mais nutritiva, terá se substituir trigo por lentilha rsrsrsrsrs

Vamos enfim ao preço da tal proteína de soja: Custa em média 18,00 R $ o quilo, sem considerar é claro os temperos que a tornam palatável, o que elevaria o custo do preparo a uns 21 R $ no mínimo. Com o que se compra um kilo ou um quilo e meio de cortes de frango e uns dois quilos de processados como chiquenitos. 

Diante dos custos como esperar que nossas massas se tornem veganas ou vegetarianas?

Embora se vegetarianas possam consumir ovos e leite, uma vez que também o creme e o queijo, adicionados a inúmeros pratos vegetarianos, não sejam baratos. O ovo no entanto fará alguma diferença nesta balança, embora seu consumo contínuo possa tornar a refeição monótona.

Também há a questão do acondicionamento. Vegetais frescos deterioram muito rapidamente enquanto a carne congelada mantém seu sabor inalterado. Já os vegetais congelados... A tônica é consumir os vegetais sempre frescos, o que demanda ir a feira todos os dias, ou ter quinta ou ainda horta. Quem não percebe as dificuldades de ser vegetariano em ambiente urbano, especialmente entre as pessoas mais simples? De fato é regime alimentar que combina muito melhor com o ambiente agrícola ou campesino, na cidade além de demandar custos demanda tempo. 

Entre nós apenas os aposentados e mais idosos podem ir a feira ou ao mercado diariamente adquirir vegetais frescos. O pai e a mãe trabalhadora não se podem dar a tal luxo. Terão portanto que consumir vegetais congelados, ou de fazer um preparo intensivo durante o fim de semana... Ora este regime sempre onera de algum modo o trabalhador pobre, e nem vem ao caso a alegação segundo a qual tudo quanto é certo implique mais esforço ou trabalho... Justo é, enquanto o tal esforço seja proporcional ou ao menos igual para todos. O burguês no entanto não demanda esforço algum ao consumir s saborosos e caros pratos veganos, ficando onerando apenas uma classe, a dos mais pobre, ou uma categoria: A do trabalhador, o qual já sofre e padece tanto por diversas vias... 

Agora querem tornar sua alimentação mais complicada ou difícil - Posto que não se distribuem marmitas veganas ou cestas básicas veganas né??? Bem na perspectiva do pobre, que ganha menos, é assim que as coisas são. E eu não seria hipócrita a ponto de dizer-lhe: Substitua a carne vermelha por camarão, ameijoa, lula, caracóis, etc a menos que lhe pudesse eu mesmo fornecer-lhe tais insumos!

Absurdo dizer a tais homens e mulheres sofridos: Comei proteína de soja, sambal oelek, veg massa, grão de bico, lentilhas, favas, chia, feijão branco, shimeji, nozes, alfarrobas, etc 

Sabe a rainha Maria Antonieta e a seu '... que comam brioches.' 

E chega a ser desumano um tal idealismo. 

Tudo nesse cardápio fica sendo mais difícil para o pobre: Preço, aquisição, acondicionamento, preparo... 

A conclusão, apesar de desagradável para os idealistas e toda gente que pede sacrifício aos outros, é simples: O Veganismo, o vegetarianismo ou mesmo a dieta ética são impraticáveis em larga escala para as massas ou pessoas comuns, podendo ser sim classificadas como práticas típicas das pessoas remediadas ou burguesas na dependência dos rendimentos e portanto de relações que na maior parte das vezes dizem respeito ao mercado. Por isso não podemos esperar quaisquer soluções sociais em termos de cardápio i é de veganismo ou de vegetarianismo, tendo em vista tais relações. Trata-se no máximo de uma ascensão ou salto de consciência por parte de pessoas instruídas situadas dentro de um determinado nicho econômico. 

O vegetarianismo é certamente uma prática nobre e a dieta ética uma adoção necessária, no entanto nem nelas e menos ainda no veganismo está nossa redenção. Por isso temos de tornar sempre a questão do mercado e finalmente a do crescimento populacional que é a fonte e raiz de todos os nossos males e problemas.


Não ponho fotos e preços dos produtos vegs para não vir a ser processado.








domingo, 4 de julho de 2021

Cristãos incoerentes, afinidades eletivas e noética.

Vivemos em tempos difíceis de viver ou passamos por tempos difíceis. Nós quais a verdade objetiva, a experiência, a razão e a própria Revelação são eclipsadas por um turbilhão de ideologias e culturas de morte, a maior parte delas notável pelo conteúdo irracionalista ou melhor por aquele absurdo já apontado com seriedade por Camus. Vivemos na Era ou na Idade do absurdo e é isto deprimente. Importa ter esperança - Para Freud era veneno, para os pupilos do Evangelho é virtude.

Esperamos estar passando por tempos difíceis ou por tempos nublados, aguardando pelos raios do Sol... Cremos e esperamos que as nuvens, sombras e trevas sejam espancadas pelo Sol da razão e pela luz da experiência, enfim pelo brilho da verdade divina, para qual são os homens encaminhados pelo que chamamos Filosofia. Não qualquer Filosofia, mas a Filosofia perene de um Sócrates, de um Aristóteles e mesmo, com prevenções, de Platão.

Todavia, enquanto aguardamos este novo 'Renascimento' ou glorioso porvir, temos de ir tateando em meio a este cipoal e tentar cortar-lhes os galhos ou tentáculos.

Tudo está muito confuso e as coisas fora do lugar.

Como disse Brecht, e eu considero patético, são tempos de ensinar o óbvio.

Sim, tempos em que se deve insistir sobre as obviedades ou sobre o que é axiomático, ou seja, evidente por si mesmo. Em tempos de idiotice generalizada já o evidente por si mesmo não parece tão evidente, o que é desesperador.

Bem, quando escrevo Cristãos - Bom advertir o amigo leitor! - certamente jamais me refiro aos protestantes, por mais boa vontade que tenham eles, mas apenas e tão somente a meus confrades os Cristãos Católicos Ortodoxos, ou mesmo aos apostólicos romanos e episcopais (Pertencentes a igreja alta ou ao anglo Catolicismo.) cujas agremiações conservam certos elementos do Catolicismo ou da tradição apostólica. Por questões de ordem cultural apenas alguns deles me poderão compreender.

Os protestantes, digo alguns protestantes, podem ser honestos e acalentar os melhores e mais nobres sentimentos, o que não torna o protestantismo Cristão, na plena acepção da palavra. Devo insistir nisto. Claro que as seitas protestantes são formalmente Cristãs e assim classificadas por todos os manuais de História das religiões. O protestantismo é formalmente Cristão, ponto pacífico. Outra coisa é ser autenticamente Cristão pelo 'espírito' de Cristo... Mesmo a igreja romana, apesar de seus diversos erros e do veneno agostiniano o é, ou ao menos setores e partes suas. Há ainda algo de Cristão em alguns apostólicos romanos - Não nos integristas ou nos carismáticos, e quiçá nem mesmo nos tradicionalistas (Com seu moralismo puritano que os conecta com o que há de pior no Protestantismo i é ao Calvinismo!) mas supreendentemente nos apostólicos romanos moderados - Alguns deles remanescentes da Era Tridentina e outros adeptos da TL (A qual nem por isso deixa de ser um sistema teológico defeituoso!) - apesar da missa moderna, que é como sabemos de origem protestante. Está a Igreja romana, dos pés a cabeça, doente de protestantismo: Do tridentinos aos carismáticos ninguém é incólume naquela comunhão (Isto por dupla via: O agostinianismo e o puritanismo, duas vias de acesso do ecumenismo e da apostasia.), no entanto alguns ainda amam honestamente a Tradição. É a estas pessoas que nos dirigimos, aos que amam o sentido ou a consciência Histórica do Cristianismo, amor há muito perdido pelas seitas protestantes.

Não nos iludamos, já por via do biblismo, que é filho legítimo da invenção da imprensa, é o protestantismo um sistema totalmente novo, uma revisão do Cristianismo histórico ou antigo ou ainda uma adaptação as novas circunstâncias sociais, políticas e econômicas. Só por isso é ele questionável ou mesmo detestável, pois não pode a instituição divina curvar-se face aquilo que é humano ou ceder em qualquer coisa. A instituição do Cristianismo cabe - E com muito mais razão - a diretriz exarada por um dos líderes Jesuítas a respeito de sua Companhia: Ou continuaremos sendo o que somos ou cessaremos de ser. Melhor seria ao Cristianismo desaparecer por completo da face da terra sem deixar vestígios, do que abjurar de seus princípios e doutrinas fundamentais fazendo concessões ou negociatas. O Cristianismo não pode ou deve mudar, e no entanto o protestantismo foi e é mudança.

Mudança por seu individualismo inusitado, mudança por seu transcendentalismo avesso a imanência, por sua antropologia - Agostiniana - viciada, por sua epistemologia capenga, etc 

O protestantismo trouxe sérios problemas a Cristandade. Novidade alguma até aqui.

Aberrante que a igreja apostólica romana ou mesmo que o Catolicismo Ortodoxo tenham assumido o filho bastardo que não lhes pertence. Refiro-me ao fundamentalismo bíblico ou a judaização - Noutras palavras, a todo esse universo formado pelo criacionismo, pelo terraplanismo, pelo geocentrismo, enfim pelo negacionismo científico. 

Nada mais triste do que testemunhar um Rose ou um Corção envidando esforços contra a Evolução Biológica - Um tentando infirma-la a partir de citações do antigo testamento como qualquer protestante, e outro forjando ensaios escolásticos ou metafísicos com o objetivo de refuta-la > Jesus, quanta treva! - o que é somar esforços com os setores mais radicais e obscuros do protestantismo, e daí caminharam (Ortodoxos e romanistas), para o terraplanismo, o geocentrismo, a negação da Lei da gravidade, etc como não poderia deixar de ser, se bem conhecemos o caráter do antigo testamento! De fato este movimento não se deterá no criacionismo! 

Assumido pelos Cristãos apostólicos o postulado protestante e falso dogma de que o antigo testamento em sua totalidade é pura palavra de Deus, chegaremos aos confins do islã, nada restando em termos de Filosofia e Ciência neste mundo. Afinal as raízes da Filosofia e da Ciência encontram-se na Grécia pagã, não no judaísmo ou no antigo testamento, cujo caráter (A par do divino ou do profético voltado para o anúncio do Verbo Jesus!) é mitológico, fetichista, mágico e intragável.

Nada mais comum nestes tristes tempos do que abordar o negacionismo científico. Coloquemos o dedo no fundo da ferida e busquemos suas causas - Como ex protestante direi e alto e bom som: É o negacionismo científico (Com suas propagandas anti vacina, terraplanista, geocentrista, etc ) fruto do fundasmentalismo bíblico protestante - Exportado para as comunidades Ortodoxa e apostólica romana inclusive! - seja ele pentecostal ou calvinista. Tais suas autênticas fontes, em termos técnicos: A doutrina supersticiosa da inspiração plenária, linear e verbal. Para parte dos protestantes (Aqui no Brasil imensa maioria) é a bíblia, ou melhor, o antigo testamento, autoridade absoluta e infalível em termos de conhecimento da natureza criada, ficando a Ciência totalmente desacreditada, quando não atribuída ao Diabo, nos mesmos termos que a 'idolatria' romana.

O aspecto mais triste porém é que parte dos nossos Ortodoxos ou dos apostólicos romanos - Os quais deveriam terçar armas em torno do Novo Testamento ou pugnar pelo Evangelho, que é a pura palavra de Cristo e Lei dos Cristãos - assumem tais postulados e endossam a manobra. Nada mais triste do que ver um Cristão apostólico fazer causa comum com o sistema dentre todos mais avesso a sua fé, que é o protestantismo. Afinal para os pentecostais os apostólicos não passam de idólatras amaldiçoados por Deus enquanto que para os calvinistas não passam de predestinados a condenação eterna. Apesar disso uns e outros não cessam de beber em fontes protestantes, de assumir seus postulados e de estender-lhes as mãos fortalecendo seu poder.

E nossos ortodoxos e neo romanos sempre me fazem lembrar os ratinhos conduzidos pelo flautista de Hamelin...

Eles ignoram as ilações doutrinais ou as afinidades eletivas e por isso não cessa o Cristianismo de diluir-se no protestantismo e de servir a interesses protestantes. Sendo nossos Ortodoxos e Romanos fundamentalistas usados como marionetes ou espantalhos.

Mas e os Apóstolos (Paulo) e os Padres?

Os apóstolos e padres procederam com honestidade e pureza de consciência pelo simples fato de terem florescido antes do advento da ciência, a partir do século XVI. 

Outro o caso dos reformadores protestantes, os quais tendo já vivido nos albores da ciência, foram e são modelos de negacionismo científico. Afinal, tendo em vista a doutrina do Corão Cristão ou do biblismo, esbateram-se ferozmente contra a ciência emergente, Lutero, condenando decididamente o Diácono Romano Nicolau Copérnico e com ele o geocentrismo... Calvino opondo-se a Acquapendente (Assumido por Servet pouco antes de W. Harvey) e a circulação do sangue... Tudo porque o heliocentrismo e a doutrina da circulação do sangue 'Não se achavam na bíblia' ou melhor dizendo, no antigo testamento, sendo supinamente ignoradas pelos antigos israelitas. 

A bem da verdade essa Cruzada bíblica, calvinista, judaizante, sectária, etc jamais cessou. Pois no século XVII os amenos Luteranos da Suécia abriram processo contra Nils Celsius (1679) - Apud Bivort de la Saude, 1959 p 112 - por ter ousado professar o Heliocentrismo. Pela mesma época, aproximadamente, tendo o insigne Nicolaus Stenius verificado o quanto seus confrades luteranos eram apegados a letra do antigo testamento e ao criacionismo chão, passou a igreja romana - Onde obteve o título de Cardeal - e tornou-se um dos próceres da Paleontologia. Já no século seguinte foi Joseph Priestley que teve seu laboratório incendiado pelos bíblicos. Também Moleschoot teve de fugir da Holanda para poder cultivar seus estudos em Roma (...) Darwin enfim exitou bastante em publicar suas conclusões pelo simples fato de viver numa Inglaterra ainda parcialmente calvinista e sectária...

Apesar disso a ciência fez sua caminhada e seus progressos. Sem que pudesse o protestantismo trava-la. Pois o máximo que os fanáticos bíblicos puderam fazer quando o benemérito Jener inventou a vacina foi dizer que os vacinados criariam chifres e se transformariam em vacas. Como dizem hoje aos nossos índios que, caso sejam vacinados, virarão homossexuais ou terão marcas na cabeça (Uai serão os chifres do século XVIII???) - Tal o serviço que prestam os pastores a humanidade em nome de sua bíblia!

Mas tornando ao 'Outro o caso', a negação da ciência pelos reformadores ou por qualquer um de nós em tempos modernos ou pós científicos planteiam uns sérios problemas que jamais ocorreram a Paulo, aos demais apóstolos ou aos antigos padres, os quais honestamente criam nos mitos judaicos tomados a Suméria e ao Egito. 

Pois negar a ciência, e suas conclusões, frutos da experiência sensível, implica criar um problema epistemológico e um problema antropológico. Claro que tal raramente se colocará para um Valdomiro Santiago ou para qualquer ovelha semi analfabeta do Malafaia ou do Feliciano... permanecerão eles bem ajeitados no berço esplendido da ignorância, e nada de mais sucederá. Tal o nível deles...

Outro o caso dos apostólicos romanos ou Ortodoxos que abraçam tal modelo teológico, posto que mais livres e medianamente instruídos. 

Destarte pelo menos alguns deles plantearão a questão da 'veracidade' bíblica do AT, da inspiração plenária ou linear, da falsidade da ciência, deste falso conflito e da credibilidade do conhecimento humano assim da condição humana e aqui teremos o drama, digo o estrago, produzido pela mentalidade protestante, bíblica e fundamentalista.

Os Ortodoxos explorando certos aspectos teológicos muito discutíveis do hesicasmo e tributários do neoplatonismo, irão dar na tal da noética... Há muito assumida pelas seitas protestantes luteranas, pentecostais e mesmo calvinistas. Os romanos irão dar na mesma solução por via do Agostinianismo ortodoxo e mais além irão seguindo na direção de uma antropologia nefasta até o jansenismo, o luteranismo ou calvinismo. 

Ocidente e Oriente por via da noética, que é princípio subjetivo e indemonstrável que se ajusta a qualquer crença ou heresia, desarmarão a Mãe Igreja face as seitas e falsas religiões no exato momento em que carece fortalecer sua apologética com o objetivo de confrontar as ditas seitas, as culturas de morte e o islã - Vejam então como tudo isto é trágico e como os fundamentalistas de modo geral prestam péssimo serviço a Igreja. 

Após terem judaizado, assumido os mitos ineptos dos antigos israelitas e menosprezado os autênticos mistérios de nossa fé, e fragilizado as 'razões' da Igreja - Apresentadas pela Filosofia clássica - os fundamentalistas devem necessariamente flertar com o integralismo. Afinal desprovida de seus fundamentos ontológicos ou apologéticos - I é da demonstração racional e experimental da verdade!  não pode a mãe Igreja caminhar sobre seus pés, devendo ser, como uma palhoça capenga, sustentada pelo poder autocrático e arbitrário do Estado. 

Fundamentada na mística, na noética, na iluminação ou na relevação particular e subjetiva perde a fé seus mais sólidos fundamentos - Sejamos honestos: Qualquer apresentação da Ortodoxia neste sentido só deliciará os Ortodoxos, qualquer apresentação do papismo por esta via só deliciará os papistas, e assim por diante. É a tal noética de todo inapta para convencer os contrários, refutar seus erros e firmar um são proselitismo! E falhará ela cabalmente face as seitas protestantes, ao islã, ao ateísmo e as culturas de morte. Atrairá apenas os elementos semi analfabetos ou analfabetos pertencentes as massas, fortalecendo as seitas. Pessoas mediatamente instruídas, críticas ou geniais não conquistará e agregará a Igreja de Cristo. Do contrário, fosse boa a tal noética para nossas igrejas apostólicas, não teria ela sido assumida com unhas e dentes pelos heréticos... Por isso nada quero com ela... Porque desarma a Igreja e não se presta aos misteres que temos em vista!o, que como grego tem veleidades não apenas hesicastas mas noéticas, que me contento em assumir a fé Ortodoxa, mas não essa Teologia ou Theologumena, ficando com a velha Escolástica ou melhor com a propedêutica da Filosofia clássica assumida por Clemente, Irineu, Orígenes, Atanásio, Eusébio, Gregório de Nissa, Damasceno, etc Vereda sólida e segunda para a apresentação objetiva da fé e sua justificação. 

O que nos leva a afastar-se ao máximo da posição agostianiana com sua epistemologia já suspeita e sua antropologia maniqueísta que redundou necessariamente em calvinismo, como do calvinismo resultaram o fundamentalismo, o puritanismo, a teocracia e mesmo a afirmação do liberalismo econômico ou do capitalismo, pelo que não podem os Cristãos apostólicos assumir tais elementos culturais, os quais nem lhes pertencem ou são seus.

Tal a importância das relações entre os elementos culturais ou das afinidades eletivas, a qual nos permitem ir além da fé e da teologia, e examinar o panorama da cultura com toda sua abrangência. Ora quem diz panorama da cultura, diz projeto social, político e econômico em termos de civilização. E mais uma vez aqui, as Igrejas apostólicas e o protestantismo separam-se. Veja bem e anote isto: São dois projetos culturais não apenas distintos mas apostos; o que vale já para a Igreja romana e muito mais para o Catolicismo Ortodoxo.

Daí apontarmos a leviandade com que papistas e Ortodoxos, assumindo pautas protestantes, como o fundamentalismo, a depravação total, a noética, o integralismo, o puritanismo, o liberalismo econômico, etc protestantizam-se em certa medida. São Ortodoxos que chocam-se contra a cultura e o projeto social da Ortodoxia e romanos que ignoram ou confrontam o projeto sócio cultural de sua confissão, traindo uma mentalidade protestante. Ora um Ortodoxo ou um papista não pode ter uma mentalidade protestante, de modo que jamais será ou poderá ser capitalista ou individualista, fundamentalista (E assim criacionista, terraplanista, geocentrista ou negacionista em qualquer grau.), integralista, carismático, puritano, etc pois cada um desses elementos chocam-se com a norma e regra da tradição e com a mentalidade vigente no padrão apostólico.

É uma questão de coerência. 

Verdade é que a igreja romana tem abdicado cada vez mais - Século após século - de seu próprio projeto, tão caro a consciência medieval. É um fato demasiado triste, pois implicou ceder espaço a esse projeto sujo e porco que ai temos, o qual é de origem protestante e redundou em tais culturas de morte contra as quais nos esbatemos: Capitalismo, Comunismo, Anarquismo, Fascismo, Nazismo, etc Observe que o projeto protestante original, se é que existia (Em termos de teocracia bíblica), abortou miseravelmente. Desde então o Cristianismo foi perdendo cada vez mais o seu ascendente sobre as Sociedades ocidentais... Havendo um esvaziamento Ético em termos de princípios e valores. 

Sob pressão do Islã sucedeu o mesmo no Oriente quicá numa proporção ainda maior. E embora nossos Ortodoxos conheçam algo sobre o império Bizantino, o quanto sabem é sobre sua forma política em parte ultrapassada. Sobre sua estrutura e ações sociais quase nada sabem, sendo a ignorância quase total. Importa dizer que esse projeto jamais completado nada tem em comum com o projeto protestante ou calvinista até certo ponto materializado nos EUA. 

Repito, como houvesse um projeto protestante original: Bíblico, fundamentalista e teocrático; foi definitivamente repudiado pelo Ocidente, pois partindo de seus princípios deletérios o protestantismo produz tensões insuperáveis. Foi e é um projeto de que resultam extremos perigosos: A total descristianização da sociedade e o abandono do mundo a um lado e o ideal de república bíblica pautado no Israel do século VI a C. Até certo ponto parece que essa dicotomia horrenda renasce no Brasil de hoje. Pois se o protestantismo brasileiro teima obstinadamente em enjaular a mente humana ou de enfiar a sociedade na bíblia, o Cristianismo, a partir deste padrão tosco, passa a ser cada vez mais odiado pela outra parte da Sociedade.

Está situação exige por parte dos Ortodoxos, papistas e anglicanos um posicionamento - Especialmente face a infecção ecumênica - e tomada de consciência e eu aconselharia a cada um deles o caminho da coerência: Tornem a luz. Afastem-se de todos os princípios assumidos pelo sectarismo bíblico: Individualismo, biblismo, subjetivismo crasso, negacionismo científico, fetichismo, integralismo, liberalismo econômico, etc Rompam decididamente com esse padrão sócio cultural e retornem a suas raízes. Tornem a Ética da solidariedade, ao Evangelho, a Tradição comum, ao objetivismo, a Filosofia clássica, a ciência, a vida democrática, a justiça, a tolerância, ao amor, enfim a tudo quanto seja humano, nobre, justo e excelente. 

Não tentem usar remendo velho em roupa nova ou colocar vinho novo em odre velhos... Não dará certo. O Evangelho, a lei Cristã, a Cristandade antiga, tem uma visão total e projeto próprio. E não é o que temos... Não é comunismo e não é capitalismo, pronto. Não é objetivismo sem subjetividade e tampouco subjetivismo crasso. Não é cientificismo e tampouco negacionismo... É algo sóbrio, equilibrado, harmonioso e complexo, que foge aos extremismos e ao sectarismo bizarro. Tornemos e retornemos a este projeto humanista, pois dele depende a cura do homem e o Renascimento da civilização, ou sua preservação.

Não temos muito tempo, portanto apressem-nos.

Desculpem a prolixidade e a extensão deste artigo mas foi necessário, pois o repetir é que nos faz claros. Claridade é tudo ou ao menos muita coisa. 

sábado, 3 de julho de 2021

Católicos pela democracia e a incredulidade dos integralistas.

Começarei dizendo que os integralistas, com sua ideia fixa de união ou mancebia entre a Igreja e o Estado, enunciam uma igreja frágil e um cristianismo miserando, o que por si só equivale a uma tremenda blasfêmia.

De fato todos os unionistas, integristas, puritanos, etc tendem a admitir que a Igreja de Cristo não se sustenta por si mesma, devendo ser amparada pelo Estado secular. Agostinho, contra os demais padres, aproximou-se desta solução e disto - Paradoxalmente - resultou o que há de pior na igreja romana: O poder temporal do papa, do qual resultou imenso topor espiritual para a dita Igreja. Outro fruto podre derivado desta solução foi a Teocracia calvinista de Genebra com seu rosário de crimes. 

Aqui a ideia é predar o Estado ou tomar posse dele e dele servir-se com o objetivo de manter a Igreja viva ou a Cristandade de pé.

Já disse que a blasfêmia aqui é manifesta, pois aquilo que deve ser sustentado ou socorrido por outrem é porque não pode manter-se por si mesmo.

A conclusão é óbvia: O fundamento da fé e da graça foi substituído sacrilegamente pelo Estado, pois esse fundamento onipotente é a divindade de Jesus Cristo.

Que as instituições de Moisés ou Maomé, os quais não passam de mortais inermes, busquem apoiar-se nos poderes políticos deste mundo é perfeitamente compreensível e desculpável.

Outro o caso da Instituição divina da Igreja, fruto da divindade de Cristo.

Ocioso fornecer a Igreja de Cristo uma bengala ou muleta política da qual ela não carece. Pois está firmada sobre a Pedra angular que é a divindade do Verbo!

Não precisa a Igreja de Cristo de quaisquer servições fornecidos pelo Estado, não precisa do controle secular ou do poder político uma vez que seu domínio é o domínio ético dos espíritos, das mentes ou dos corações. O patamar da Igreja é muito mais alto ou elevado, pois procede da eternidade.

Noutras palavras: O integralismo com seus préstimos políticos toma o Cristo por débil e sua Igreja por esclerosada e incapaz de manter-se por si mesmo.

O integralismo desconfia da economia espiritual da revelação, da graça e da fé que são elementos divinos e despenca nos abismos da profanidade. 

Não pode essa Ideologia suportar que o Bem, a Verdade e a Beleza se possam sustentar por si mesmas como coisas Sagradas procedentes do céu.

Porém, toda petição externa a Igreja, a sua lei e a seus Sacramentos, implica justamente isto: Desconfiança, hesitação e incredulidade face a missão de uma Igreja que se mantém e sustenta por si mesma, núncia que é do Autor e Mantenedor do Universo.

O erro aqui é manifesto: Pois não toma a Mãe Igreja sua vida dos tronos, dos tribunais, das baionetas, das algemas, dos cárceres... como as instituições mundanas e terrenais! É do seio da divindade, da Encarnação, do Evangelho, do Amor, dos Sacramentos, da graça, da fé e dos exemplos de virtude que a Igreja tira toda sua força e vida. Fiel e impassível neste caminho divino a Igreja assistirá todos os Impérios, Reinos e Países que presidem a política deste tempo desfazerem-se, uns após outros, como pó. Firme em sua direção - Como disse Lord Macauly - passados mil ou dos mil anos, seja da África, da Índia ou dos Confins da China, contemplará a Igreja de Cristo as ruínas de nossos castelos, palácios e cidades... num mundo totalmente diverso deste.

Observem como vive ainda a Igreja Assíria nos confins do Oriente, toda cercada pelo islã! Observem como vive a Igreja Siríaca nos confins da Síria apesar da sanha maometana que não cessa de sangra-la ao cabo dos séculos. Observem a Igreja Copta, a Igreja da Cruz e vede como ainda hoje sobrevive e resiste na terra dos Faraós hora assolada pelas hostes muçulmanas. 

Tal a missão e vocação da Igreja, cujos filhos não foram gerados da carne ou do sangue para a espada, a lança ou o fuzil, mas de Deus para a redenção do espírito!

Não quero dizer com isto que o Estado democrático e a Cristandade não tenham interesses convergentes ou comuns. Devendo o Estado democrático, apoiado pela Ética da Igreja, resistir ferozmente ao islã e os filhos da Igreja apoiar ativamente o Estado democrático contra quaisquer aspirações ou manobras teocráticas sejam islâmicas ou calvinistas. Todo e qualquer projeto teocrático de dominação deve ser coibido pelo poder do Estado popular com a participação ativa do povo de Jesus Cristo. Estado e Igreja no entanto devem coexistir como duas instâncias separadas e independentes, uma vez que César e Deus, Deus e César jamais se confundem ou misturam. Pois o Estado deve comportar e tolerar diversas instituições credais numa perspectiva pluralista ou liberal, enquanto que a Igreja uma, em seu terreno, que é o do espírito, deve expandir-se livremente pelo mundo afora.

Não pode a Igreja servir-se do Estado a maneira de um braço secular ou apêndice, pois seu domínio é das consciências livres. 

Quem aspira por uma Murtad que vá a Torá ou ao Corão que o Evangelho repudia tudo isso. 

Ignora a Lei dos Cristãos o que seja Jihad, Djzia ou Murtad. A menos que se trate de uma Igreja islamizada ou judaizada até a médula dos ossos... ou duma Igreja apóstata.

Conhece o Evangelho porta de entrada e saída e não visa prender aqueles que não eram dos nossos, i é, os apóstatas, cujos corações não estavam voltados para a verdade.

Não tem a Igreja servos ou escravos como a sinagoga e a mesquita, apenas filhos, cuja liberdade reconhece.

A dignidade ímpar de Jesus Cristo consiste em ser adorado e servido por homens livres e conscientes animados por um intenso amor e gratidão.

Por isso o poder de atração do Senhor está na manjedoura e na cruz, emblemas de seu imenso amor por nós. A manjedoura e a cruz são tolices para os frívolos, porém para os que honestamente creem são força, poder, triunfo e glória de Deus. Tais os poderes e forças que movem as mentes e o mundo do espírito.

Sinal de fragilidade e miséria seria manter a força os que não mais creem, obrigando-os a farsa de uma adoração formal, a qual não parte da alma ou do coração. Pois a hipocrisia, o fingimento e a exterioridade de modo algum agradam ao Bom Deus.

Nada mais sacrílego do que oferecer ao Cristo uma adoração forçada!

Já quanto ao povo Cristão, para que viva submisso a Lei divina do Evangelho, basta-lhe a excomunhão. 

Ao invés de aspirar manter os heréticos no corpo da Igreja - Ao invés de deixar que partam na direção de suas seitas - o que a Cristandade deve fazer é expulsar para fora de si e lançar os incrédulos e hesitantes para fora de sí, impedindo que se sirvam dos Sacramentos. Destarte, caso amem a verdade e reconheçam o Cristo tais gentes se submeterão. Do contrário sejam tidos em conta de pagãos e publicanos. 

Tendo a excomunhão, que toca ao amor e a reverência, não carece a Igreja de tribunais ou cadafalsos. Sendo ínfame assassinar em nome de Cristo, a exemplo dos anti Cristos Torquemada e Calvino! Pois tal não é o caminho indicado por nosso Mestre e Redentor, o qual não mandou supliciar a quem quer que seja em seu santo nome, mas apenas ofertar a graça que por nós mereceu.

E esta graça não se anuncia com espadas, cordas, lançar ou varapaus mas com obras praticadas na verdade.

A verdade tem seu brilho e poder de atração. E um poder de atração superior a tudo quanto haja neste mundo. E um tal poder de atração capaz de confrontar calabouços, poços e fogueiras. Pois tem a verdade a glória de engendrar mártires - Aos quais parece boa coisa perder o mundo inteiro com todos os seus atrativos, tendo em vista conquistar o reino do espírito, ou seja, os domínios da liberdade, da dignidade, do amor, da justiça e da virtude... Isto apenas é a riqueza do espírito, enquanto que a conversão imposta ou a permanência forçada não passam de indigência.

É portanto saudável para a fé que não possa mais a Igreja entrar por mau caminho, buscando assustar e controlar seus filhos por meio de artifícios temporais. Pois tal restrição, digna e justa, fará com que a Igreja se volte para seus próprios poderes e meios, que são os do espírito. 

Retirada a cana quebrada, muleta ou bengala do poder político, terá a Igreja de apoiar-se sobre si mesma ou melhor sobre o Cristo. Investindo no anúncio destemido da verdade, no serviço fraterno, na promoção humana, no cultivo da virtude, na santa piedade... 

Somente quando tais suportes forem removidos é que a Igreja de Cristo tornará a caminhar sobre seus próprios pés. Quando cessar de ser repartição do Estado para converter-se no que é, ante sala do paraíso, vestíbulo dos céus e germe da cidade divina, e fermento celestial, e semente da imortalidade, e sol do eterno dia... Ora, todas estas realidades foram obscurecidas pela treva da estatolatria e pela politicagem conjuradas pelos integristas sem fé.

Nós afirmamos a liberdade, o secularismo e o pluralismo democrático por acreditarmos numa Igreja viva, triunfante e capaz de reconquistas, e de restaurar o mundo.

Não é de uma Igreja acomodada e enjaulada, comprometida com interesses políticos e seculares, que o mundo dos homens precisa mas de uma Igreja viva, livre e forte, cônscia e de seu poder moral, treinada para o combate do espírito, resoluta, purificada pelo sofrimento, intrépida... Somente uma Igreja assim, restituída a sua condição primitiva, será capaz de fazer frente as diversas culturas de morte, ao islã e antes de tudo ao dilúvio protestante...

A vida democrática corresponde justamente a essa arena capaz de exercitar a mãe Igreja na santidade e na virtude. O pluralismo a seu tempo corresponde a livre concorrência, elemento necessário para estimular a Igreja a conquista por meio de um proselitismo saudável e civilizado. 

Negando a vida democrática e a sociedade pluralista os integristas prestam um deserviço a fé, pois buscam submeter a Igreja a um controle político externo ou buscam submeter o Estado ao controle direto da Igreja - Estabelecendo relações igualmente equivocadas e perniciosas. Pois se não deve a Igreja, no campo que é seu, submissão ao Estado tampouco deve o Estado ser diretamente controlado pela Igreja, sendo tal controle típico da mesquita ou da sinagoga, não da Cristandade.

Nada mais digno do que uma Igreja livre numa Sociedade livre.

Pois formando eticamente os cidadãos poderá a Igreja alterar as estruturas da Sociedade segundo o espírito do Evangelho.

E o serviço da Igreja é este: Formar almas. Não dirigir impérios e humilhar imperadores mas educar e formar almas, plasmar mentalidades, moldar os espíritos.

Coisa que os integristas, muito provavelmente tão materialistas quanto os capitalistas, positivistas e comunistas, não podem compreender. Pois são como que toupeiras no mundo do espírito, e o quanto querem manter ou conservar é uma desordem espiritual avessa aos ensinamentos de Jesus Cristo.

De fato muitos deles não ocultam encarar a Igreja como simples meio com que manter o que chamam de ordem social, alias algo muito próximo do moralismo. São quase sempre uns conservadores toscos que aspiram servir-se da Mãe Igreja com o objetivo de conservar seu mundinho doentio - Bastante infectado pelo protestantismo! - e moribundo. Sinistra missão essa que ousam atribuir a Igreja de Cristo, pois nem tudo quanto há neste mundo demasiadamente protestantizado merece ser conservado, mas sem dúvida demolido até os fundamentos. Eles no entanto aspiram parar a roda do tempo, mumificar a sociedade e embalsamar a história com a ajuda do mesmo Cristianismo que segundo Gibbons promoveu a maior transformação de que temos notícia ao dar cabo do Império romano com sua escravidão e suas guerras.

Podem apontar-me algo mais revolucionário (Não em sentido comunista ou físico!) do que isto?

Pertencemos a uma Religião que, mais do que qualquer outra, alterou os destinos do mundo ao invés de conserva-lo.

E no entanto por demolir o antigo não logrou completar sua obra e construir algo não somente de novo mas de definitivo, por ter sido ela mesma atacada e contida por outras forças.

Ainda por mil anos travou a Cristandade imensos combates por um novo mundo, por um mundo mais nobre, melhor e diferente em comparação com o antigo. S Bento, S Fócio, S Francisco, S Antonio e outros são exemplos lapidares neste sentido...

Todavia após a Reforma protestante com seu individualismo e transcendentalismo cessou a Cristandade de combater por esse novo mundo, cedendo espaço ao liberalismo econômico e demais culturas de morte que o sucederam, perdendo a direção da História e seu significado universal. Para converter-se em repartição de Estado com finalidades moralizadoras ou puritanas. Nada mais abjeto para aquela Cristandade apostólica que confrontou e venceu o Império romano, curvar-se ante as veleidades de uma França, de uma Itália ou de uma Espanha, cessando de fomentar novas transformações Éticas e espirituais.

Diante disto cabe acusar o integrismo de se ter conformado com tal estado de coisas prosaico e indigno. 

Não missão do Cristianismo ser lacaio de reinos e nações mas plasmar a Civilização do futuro. Não é a vocação do Cristianismo antigo diluir-se no ecumenismo agostiniano/puritano, e protestantizar-se, e cindir-se numa multidão de seitas, e é escorar-se em alguma republiqueta obscura... Não, tal não Tal é o desígnio do nosso Cristianismo. Pois o desígnio do nosso Cristianismo é atravessar incólume a borrasca protestante, suplantar todas as culturas de morte e enfim esbater-se com o islã e vence-lo, impedindo-o de conquistar e dominar este nosso pobre mundo. Tal missão Redentora do nosso Cristianismo. E não é sendo lacaio de republiquetas e caudilhos que se preparará para desempenhar sua providencial missão.

Portanto que o Cristianismo dê suporte a civilização democrática, enquanto esta, por meio da Liberdade o exercite e depure. 



sexta-feira, 2 de julho de 2021

Católicos pela Democracia!


Ch. Maurras - Intelectual brilhante mas, péssimo Cristão!


Patente a existência de uma máfia anti democrática operando nesses tristes trópicos. De uma organização terrorista financiada as custas do erário. De uma conjuração totalitária.

Já o suspeitávamos e já o supúnhamos.

Investigada a 'denúncia' temos por absolutamente certo que o ilícito venha a luz, e como Cristãos, Católicos e Ortodoxos, em plena sintonia com o liberalismo político e com o espírito democrático, esperamos que os membros de tão sinistra organização sejam rigorosa e exemplarmente punidos.

Afinal é a democracia providencial custodiaria dos direitos essenciais da pessoa humana.

Nem podemos compreender como nossos Ortodoxos ou mesmo como os apostólicos romanos e os anglo 'católicos' possam pensar e crer diferentemente, flertando com o autoritarismo, com a dominação, com a tirania, com o despotismo, etc como sói um calvinista ou marxista, uma vez que Calvino e Marx, Marx e Calvino, o ateu e o herético, encontram-se na negação do livro arbítrio, fundamento basilar da vida Ética.

Por isso imaginava eu, em minha ingenuidade ou inocência, que a alma da conjuração ditatorial fosse algum membro da famigerada bancada evanjéguica, afiliado a assembléia de deus ou a qualquer outro alcoice fundamentalista... 

E eis que somos surpreendidos com a notícia de que o líder da seita é um certo Allan Santos, o qual folga pertencer a comunidade apostólica romana. No entanto o que mais nos surpreende é o fato de não ter a dita igreja excomungado tal elemento - A exemplo de Ch Maurras, ídolo de pés podres que nos tempos em que a dita Igreja era séria, mereceu ser brindado com a excomunhão.

Nos termos das comunhões históricas, seja no Catolicismo Ortodoxo ou nas igrejas romana e anglicana, quando topamos com o repúdio as instituições Democráticas - Que nos foram remotamente legadas pela veneranda antiguidade. - topamos geralmente com a Hidra integrista ou integralista, seita politiqueira que busca 'ajudar' ou vir em socorro da Igreja de Cristo, quando em verdade ataca-a não menos do que os arianos e muçulmanos. 

Temos de ir as fontes teológicas e desmascarar esse monstro de incredulidade que é o integrismo. E seus papas ou líderes seja aquele espanhol tosco chamado Donoso Cortês, Maurras ou o estúpido do Padre Murillo. Não sou em quem usurpará o encargo divino e julgará suas consciências, assim as de seus pupilos contemporâneos, alguns dos quais supõem estar ajudando a Cristandade, enquanto a atrapalham, decididamente - Pois há que ajudar da maneira correta ou da melhor maneira possível.

A bem da verdade é o integrismo um complexo de ideias ou de opiniões heterodoxas. Pois engloba em si diversos pressupostos moralistas ou puritanos, certo viés de fundamentalismo tolo e tosco, a assinalada politicagem, etc 

Importa saber que a base deste sistema ideológico não pode deixar de pagar tributo a Agostinho e a seu pessimismo antropológico. Daí imaginarem que o homem ou a comunidade dos homens são incapazes de gerirem a si mesmos, devendo ser tutelados ou contidos - Como eternas crianças - por uma estrutura ou máquina estatal superior e externa a eles. Velha a conexão entre o pessimismo antropológico de Agostinho e entre os sistemas despóticos e totalitários. O que deveria bastar, por si mesmo, para manter nossos Ortodoxos afastados de tudo isto... Mesmo os apostólicos romanos mais instruídos deveriam considerar que sua Igreja jamais assumiu integralmente o pensamento de Agostinho ou o Agostinianismo 'ortodoxo' - Como registrou o falecido João Paulo II (Aqui com propriedade) em sua carta 'apostólica' 'Augustinum Hipponensem' de 1986. 

De modo que o integrismo caberia melhor num calvinista, num luterano a 'moda antiga' (Dos de Flacius e Amsdorf) ou num jansenista do que num apostólico romano. Posto que a antropologia apostólica romana ou tridentina quanto ao homem 'pós pecado' - I é reconciliado com Deus - é bem mais amena e otimista, a ponto de dar suporte a vida democrática na sua expressão mais ampla, ou seja, mesmo quanto a Democracia direta ou policracia grega. Donde se vê que seres ou criaturas que tão mal presumem dos homens ou dos batizados - Como Norris, Cortês ou Maurras - são criaturas de Agostinho... Daí medrarem como cogumelos na Espanha e proximidades... 

E mergulham de tal modo tais mestres na lama maniqueísta (Como já diziam S Juliano de Aeclanum e S Teodoro de Mopsuestia.) que chegam a questionar até mesmo o caráter racional dos seres humanos, o que eu mesmo tive ocasião de perceber ao dialogar com um de seus líderes há alguns anos atrás. Curiosamente o mesmo 'concílio' ou sínodo ocidental que canonizou a falsa doutrina da Infalibilidade papal em 1870 - O Vaticano I - foi que lançou a última pá de cal no que chamavam de tradicionalismo epistemológico. Outro legado agostiniano sustentado pela seita e que se opunha a teodiceia expressa por Aristóteles, assumida por Paulo e defendida pela escolástica. Pretendendo os últimos campeões de Agostinho que o homem sequer poderia aduzir a existência de Deus e a Imortalidade da alma por via racional, ficando patenteado seu pessimismo epistemológico derivado do maniqueísmo. 

Resta esclarecer que tanto eles - Agostinianos, 'tradicionalistas' do século XIX, Luteranos e Neo Calvinistas - quanto parte de nossos Tortodoxos desorientados, por via do intuicionismo e da subjetividade chegaram ao que chamam noética, pagando tributo a essas sinistras seitas pentecostais que massacram a Mãe Igreja... E deste modo feita foi a volta do parafuso. A todos estes, a uns e a outros, com Clemente, Irineu, Orígenes, Eusébio e outros Mestres, afirmamos em alto e bom som o caráter propedêutico da Filosofia Grega ou melhor da Filosofia clássica inspirada em Sócrates, face a instituição Cristã, a capacidade do homem natural para pensar, a capacidade do homem reconciliado para atuar livremente e a capacidade de uns e outros para gerenciar suas vidas e a vida da Polis segundo princípios policráticos. 

Não deve o homem ser arbitrariamente coagido a praticar o bem e evitar o mal, mas participar da elaboração das Leis destinadas a regular a cidade. O que está de acordo com sua dignidade de Filho de Deus, no caso dos Cristãos. Ele não só pode como deve dar seu contributo a administração, servindo a República, já legislando com seus pares já tomando parte ativa no governo, ao invés de curvar-se ao capricho de um tirano. Sendo função precípua do Estado Cristão educar os cidadãos para tal fim, ministrando-lhes todos os subsídios necessários ao desempenho de tal encargo. E estado algum pode furtar-se a essa missão formativa, que é educar o povo para o exercício da Democracia.

Outro o caso do déspota ou tirano, o qual precisa criar ou consolidar o que chamamos de 'massas' para manter-se no poder como tutor. Sendo o quanto basta para qualificar esse modelo de governo como anti humano, por recusar-se a oferecer todas as oportunidades educativas aos cidadãos, impedindo-os de terem acesso a uma educação integral e de desenvolverem todas as suas potencialidades convertendo-as em habilidades ou virtudes. Temos aqui portanto um modelo ímpio e sacrílego, o qual não apenas contém mas mutila os seres humanos.

Toda essa estrutura despótica, tirânica e totalitária supõem a criação de capachos ou vermes não de homens na plena acepção da palavra. Pois a tirania receia da existência de autênticos seres humanos, racionais, cônscios de sua autonomia e hábeis. Outra coisa não pode querer a verdadeira religião ou o Cristianismo, pois onde está o Espírito ai está a liberdade e não a servidão abjeta. Ora a criatura racional, imagem e semelhança da divindade, não foi feita para a escravidão ou para a servidão.

Continua -

Ps Na segunda parte deste ensaio sobre o veneno anti democrático analisaremos o ceticismo religioso embutido no pensamento integralista e anti democrático, considerando inclusivo porque um intelecto tão brilhante como o de Maurras mereceu ser fulminado com a excomunhão pela igreja romana, o que muita falta faz a todo integralista ou totalitário: Ser excomungado! Assim se quanto a Teologia da Libertação algumas heresias periféricas são manifestas é o integralismo uma heresia ou veneno essencial, algo não menos sacrílego que o arianismo ou o islamismo, em que pese sua piedade dissimulada e falsa devoção. 

Palavra de quem já foi classificado como 'monge louco e perigoso' por ter comparado o integralismo com as demais culturas de morte como o comunismo, o capitalismo, o anarquismo, o fascismo, o nazismo, etc assim o integralismo - Fruto do mesmo saco podre, inimigo da verdade revelada, da piedade e da religião.