sábado, 17 de julho de 2021

Alguns autores irracionalistas

# Agostinho de Hipona - Critério ou padrão substitutivo: Revelação ou fé (Fideísmo intelectual ou tradicionalismo). Seguidores: Ockham, Lutero, Calvino, Montaigne, Kant, Bautain, Bonnechose, Regny, Goshcler, Laval, Mértian, A Reinach, De Maistre, De Bonald, Lamennais, Rohrbacher, F Gebert, V de Raulica, Bautain, Ubaghs, etc - Todos os kantianos e neo kantianos via Lutero. Achari e Ghazali no islamismo.

Nota - Agostinho no livro do Mestre interior ou De magistro parece ter sido o primeiro a postular as transformações sofridas pela linguagem como um obstáculo ao conhecimento, antecipando os modernistas.

# Jacobi e Rousseau - Sentimentalismo ou sentimentos.

# Goethe, Lessing, Wieland, Herder, etc - Vitalismo ou o curso da vida. O sentido da vida é a própria vida.

# Fichte, Schopenhauer, Nietzsche, etc - Vontade, voluntarismo. 

Não é o caso de Duns Scott, o qual limita-se a corrigir o intelectualismo formal e exagerado de Aristóteles e outros escolásticos.

# Schelling - Esteticismo.

# Comte e seus seguidores - A experiência pura...

Tal o mito da experiência pura a qual inexiste a parte do intelecto, ao menos no processo de construção do saber.

# Hartmann - O inconsciente.

# Freud e escola - O instinto primordial ou a líbido (Reformulou mais tarde adicionando a agressividade ou a violência.)

# Marx e escola - Modo de produção, economia, materialismo.

# Henri Bergson - A intuição.

Embora possa ela ser compreendida como uma forma mais rápida de raciocínio executada pelo inconsciente ou simplesmente exercitada pelo hábito.

# Sorel - Odinismo (A violência)

# McDougall - O instinto.

# Camus - O absurdo.

O absurdo é a realidade, uma realidade em que não há sentido ou verdade.

# Foucault, Gattari, Deleuze, Derrida, etc - O discurso.

E tudo quanto existe é interpretação do discurso. Reporta a Nietzsche.



sexta-feira, 16 de julho de 2021

Nos domínios tenebrosos do 'Evangelistão'

Para aqueles que vivem em S Paulo ou vivenciaram, nos tristes anos 90, a expansão do Tucanistão a nível nacional, era difícil ou mesmo impossível conceber algo pior, embora eu mesmo, como ex protestante, sempre tivesse em mira, quiçá intuitivamente, essa possibilidade.

Mesmo porque o Brasil é exemplo universal quanto a possibilidade do ruim tornar-se ainda pior, e do pior agravar-se.

De modo que ao tucanistão e a lulopetismo (Cujas virtudes e defeitos não ignoramos.), de carona num vergonhoso golpe, chegamos ao evangelistão bolsonarico em que uma cáfila de pastores oportunistas, não apenas tomam de assalto o Estado e a administração pública como tem o desplante de querer controlar as vidas dos cidadãos, de restringir suas liberdades, de domina-los e de querer impor-lhes a moda bíblia - Não o Evangelho de Cristo é claro, mas o antigo testamento, com seu padrão voluntarista e odinista.

Hoje por sinal, tendo meu irmão ido ao médico e encontrado um amigo comum (Alias ex protestante como eu.), este enojado teria dito a meu irmão, algo que costumo repetir frequentemente: Este governo mesmo sendo formalmente democrático, consegue ser pior, repito consegue ser pior, do que a ditadura militar.

Pois se a ditadura torturou apenas alguns milhares de cidadãos este governo apoiado pelos falsos cristãos fundamentalistas, tem torturado indiretamente dezenas e dezena de milhões por meio da inabilidade, da miséria, violência, da ignorância, da negação de direitos, etc É todo um povo ou melhor uma nação sendo indiretamente torturada, inclusive em sua alma.

E se o FHC ocupava o primeiro lugar entre nossos piores presidentes é isto coisa do passado. Impensável a cerca de cinco anos, porém, atualmente inequívoco. 

Jamais enfrentou nosso país algo ou alguma coisa semelhante a Bolsonaro ou ao Bolsonarismo. Coisa muito próxima não de um Mussolini - Sinto desapontar a esquerda desmiolada! - mas de um Hitler (Temos de ser precisos, exatos e taxativos!), de um Calvino, de Bush, de um Trump... Pois o modelo de Bolsonaro, se é que modelo tem, não esta na Itália ou nas obras de um Mussolini, mas nos EUA, nas obras dos pastores e remotamente dos economistas liberais de Chicago. Não Roma, mas Chicago. Não Europa ou Itália mas América do Norte.

Daí o empenho de crentes e fanáticos, os quais, novidade não é, há muito que acalentavam conquistar antes de tudo culturalmente esta infeliz república para em seguida converte-la numa nova Genebra, ou conquista-la politicamente e valer-se da força com objetivo de estabelecer leis bíblicas ou melhor vetero testamentárias sacadas a Torá.

É plano antigo que os calvinistas, comunicado de geração após geração e transplantado de espaço em espaço desde Genebra, implantar um reino sectário e judaizante sobre a face da terra. E já traçamos com detalhes o roteiro desse plano, de Genebra ao Brasil passando pela Inglaterra e pelos EUA, lugares onde sucessivamente abortou. Fato é no entanto que não são somente os sunitas lá do Oriente médio que com sua sharia se opõem as instituições politicamente liberais, democráticas e laicistas, quiçá estimulados ainda mais pela opressão e pela miséria. Não - Pois há também nos EUA, a mais prospera e poderosa nação do planeta, e mais precisamente no Sul, há milhões de sectários bíblicos, fundamentalistas e fanáticos que odeiam tais instituições e quiçá com maior intensidade.

Afinal a cepa dos calvinistas, deterministas e adversários da liberdade, muito agradaria usar todo esse poder temporal e político com o objetivo de impor o biblismo a ferro e fogo, quiçá as nações romanistas e Ortodoxas. O que já se empenharam em fazer durante todo século XVI e parte do século XVII. A bem da verdade mesmo os não calvinistas Muntzer e Zwinglio, partindo do antigo testamento, aduziram a legitimidade de levar o novo evangelho a ferro e fogo, lavando a terra com sangue. Forjando assim uma jihad 'cristã' semelhante a de Maomé, e um dos homens mais sábios que caminhou sobre a terra Guilherme Postel - Avançando no terreno futuro da Sociologia Religiosa - julgava que os reformadores teriam lido o Corão em lugar do Evangelho... No entanto o que eles leram foi mesmo a Torá ou antigo testamento, em parte por descuido e parte da Igreja Antiga.

Claro que nas atuais condições uma tal ação seria impossível. Mesmo considerando que os fanáticos sejam irracionalistas. Damos no entanto uma tal manobra política calvinista como altamente improvável. Já outra coisa seria escorar-se sutilmente no poder do Estado Yankee, auferindo recursos e regalias diplomáticas em favor da fé, tal e qual sucede hoje no Brasil, quando aos pastores parasitas se concede passaporte diplomático ou o uso de aviões presidenciais, ou quando uma seita convoca o governo a defender seus direitos noutro pais, donde seus representantes foram defenestrados sob a pecha de avareza... 

Lá no entanto, onde o espírito democrático é bem mais forte, o máximo que esses vampiros lograram obter foi essa sutil mancebia sob os governos Bush e Trump, os mais lesivos e sinistros do ponto de vista da política internacional e autênticas calamidades. Com o Trump, o mais imbecil entre eles, concebeu-se lá o inconcebível i é uma tentativa de sedição, certamente apoiada por tais grupos, a qual felizmente foi esmagada sem piedade ou contemplação pelos militares. Inda quando o golpista do Norte, conta-se com a solidariedade de alguns zumbis no próprio parlamento, uma vez que nem todos os teocráticos por lá são abstenceístas, e parte deles também cogita destruir a democracia e construir uma democracia por dentro i é com a ajuda de demagogos fundamentalistas eleitos por eles. 

Tanto lá como aqui a democracia precisa criar mecanismos com que proteger-se da infiltração dos militares e dos pastores seus principais adversários. Quanto aos militares porque não devem em hipótese alguma transmitir ideologias partidárias ou sectárias na caserna, a qual cabe defender o país como um todo e suas instituições. Quanto aos pastores porque não devem tirar proveito do poder espiritual para, a partir dele conquistar o poder temporal ou político. Uma vez que não sabem ou se recusam a raciocinar em fora da bíblia ou em termos comuns, e buscam impor suas crenças, tomadas a bíblia, a todo corpo social, compreendendo séria ameaça ao laicismo e evidentemente ao liberalismo religioso que é um dos pilares da ordem democrática.

Importa dizer que as aspirações desse grupo é tanto mais humilde e realista embora não menos perigosa, consistindo em apossar-se do Estado com o objetivo de impor leis bíblicas ou judaizantes, i é moralidades 'reveladas' ou 'cristãs' ou de impedir o avanço de leis e pautas que consideram anti bíblicas, tendo em vista manter invulneráveis determinados preconceitos presentes em nossa cultura. Tal o objetivo da política protestante ou bíblica aqui representada pela perversa bancada evangélica e como vemos é anti naturalista e consequentemente anti democrática. Por menos nossos ancestrais causaram grande danos ao papado no século XIX, embora o papado honestamente revindicasse para si um padrão de autoridade, que o protestantismo, pautado no exame individual e livre, não pode revindicar sem que lhe caiba a pecha de hipócrita.

Foi desse empenho teocrático que surgiu a dita bancada evanjéguica no final do passado século, não com o junto objetivo de defender igrejas porventura perseguidas e sim com premeditado objetivo de tomar posse do poder em benefício próprio i é com o propósito de manter ou se possível de aumentar seus privilégios, até suportar essa política puritana e firmar leis bíblicas inspiradas na fé. 

Claro que tudo isto vai muito mal com as instituições liberais e democráticas assentes em nossa Magna Lei que é a Constituição.

Por isso esses homens ambiciosos e arrogantes não tardaram em editar um lema essencialmente virulento: Bíblia sim, Constituição não.

Posto que o Velho testamento individualmente interpretado sanciona os mais deploráveis crimes condenados pela Constituição como o assassinato em nome de Deus acompanhado pela tortura e pelo estupro inclusive. Admitida tal aberração as wiccanistas teriam de arder em nossos jardins, uma vez que a Torá determina que as bruxas sejam queimadas... a partir daí iriamos de abismo em abismo, até os cientistas e as pessoas civilizadas, adeptas do evolucionismo biológico serem decapitadas ou enforcadas por heresia no tribunal dos fanáticos. Basta lembrar que lá no EUA houve um processo Scopes em pleno século XX. Já me referi a oposição suscitada contra Copérnico por Lutero, a questão da circulação do sangue na condenação de Servet, a condenação de Celsius pelos luteranos no século XVII, a condenação da vacina pelos pastores, a oposição por parte dos mesmos ao para raios de Franklin,  a destruição do laboratório de J Prestley pelos sectários no final do século XVIII, etc tudo tudo feito em nome da bíblia ou da leitura da bíblia. Apegue-mo-nos pois a Constituição, coração da vida democrática, a qual felizmente conhece limites, pois a bíblia não o conhece e tampouco seus leitores exaltados.

Com o dizer bíblia designam a bem da verdade seu leitor, i é o pastor que lhe dá sentido e santifica ou diviniza suas opiniões colocando-se acima da lei e exercendo autoridade arbitrária. O Resultado de toda essa treva de bíblia e livre exame sim, sem a existência de uma lei constitucional, temos no horrendo julgamento das 'bruxas' de Salém... 

Caso queiramos evitar que tais cenas se repitam no tempo futuro temos de afastar ou melhor de preservar o poder político de quaisquer injunções advindas da bíblia, do corão, do avesta ou de quaisquer livros religiosos. É o elemento comum da razão que deve gerir o Estado ou o poder político com exclusividade. Como ex protestante direi que  maior parte dos protestantes, fixados não no Evangelho mas no antigo testamento, não assimilaram este padrão de pensamento ou introjetaram o espírito democrático, do que tiram proveito os pastores inescrupulosos. 

Agora essa manobra ou conjuração teocrática cerra fileiras com Bolsonaro e chega a ameaçar o STF, o qual apesar de seus erros e senões (Pois não pretende ser tribunal infalível que infalivelmente queima inocentes em nome de Deus.) é custodiário de nossa Lei maior, a Constituição, suprema garantia de nossas liberdades e direitos essenciais. Por isso dar combate ao STF, face as ações arbitrárias desse governo desumano e cruel, equivale a gritar: Bíblia sim, Constituição não.

E como não pode a Hidra bolsonarista atingir o STF por fora i é por meio da sedição, devido ao amor que alguns dos cidadãos ainda tributam a vida democrática e suas instituições, optou o déspota atacar o STF por dentro lá lançado um cavalo de Tróia ou comprometendo-se com seus apoiantes fundamentalistas a indicar a próxima vaga que porventura surgisse no STF um cidadão 'Terrivelmente evangélico' ou melhor dizendo um cidadão terrivelmente bíblico, fundamentalista, fanático, sectário, protestante...  Agora veja o leitor amigo onde chegamos com essa política bolsonarista, que concede a todo instante algum benefício aos fanáticos. Em que pese também terem votado nele certo número de ateus, irreligiosos, papistas, ortodoxos, espíritas... Incoerentes, desorientados e alienados, que agora se limitam a fazer discreto 'Mea culpa' enquanto que o poder é entregue aos pastores e seus lacaios.

São diversos ministros pastores como o Milton, a famigerada Damares, etc E agora é um pastor, cuja visão de mundo está fixada na bíblia ou no antigo testamento, o sr André Gonçalves, indicado para aquela vaga... Pelo simples fato de ser protestante ou terrivelmente 'evangélico', sendo sua indicação impulsionada por um elemento credal, o que é inadmissível na perspectiva da laicidade. Não se indica ou se deve indicar alguém para tornar-se titular de qualquer cargo público com base em suas convicções pessoais ou crenças religiosas. Tal postura é inconcebível por parte de um agente democrático. 

É, fazer distinção religiosa colocar um cidadão acima dos demais por ser afiliado a determinada crença. É exercer discriminação e rebaixar todos os outros cidadãos da república. É violar o princípio da isonomia assente na Constituição e humilhar os demais serventuários da lei. Pior, muito pior, é privilegiar um credo ou uma fé com objetivos demagógicos ou eleitoreiros. É usar cargos e dignidades públicas destinadas a servir a democracia como vil moeda com que comprar o apoio de fanáticos sediciosos. 

Isto no mesmo momento em que outro pastor amancebado com esse governo, um certo pastor Hamilton, envolve-se - Como para nos era de se esperar haja visto que outro pastor politiqueiro, o Everaldo, já se encontra atrás das grades, fazendo companhia ao pastor Cunha, outro corrupto! - em grave escândalo relacionado com a vacina! E enquanto diversos pastores fanáticos pelejam em favor do coronavírus, fazendo com que os índios não se vacinem... Desde a conspiração da vacina, contra Jenner, no século XVIII,  a coisa não evoluiu muito, tornando esses diletantes a afirmar que brotarão chifres nas cabeças dos imunizados, ou que receberão um chip ou ainda que serão transformados em gays - No passado eram lobisomens rsrsrsrs

Lamento a rude franqueza mas é coisa que não se vê no papismo e na Ortodoxia 'idólatras', no espiritismo, no judaísmo, do budismo, do ateísmo, do materialismo, etc mas somente na excelente religião bíblica dos salvos, eleitos e predestinados.

Tristemente havíamos já deparado com tais situações nocivas durante o inicio da pandemia com pastores e fanáticos cuspindo em enfermeiras, espalhando o vírus em seus cultos, recusando-se a usar máscaras ou a ficar em suas casas, etc alguns inclusive participando ativamente de marchas bolsonáricas e chegando a agredir profissionais da saúde... Tudo isto esse bando de fanáticos fez e continua a fazer neste pais, sendo agora brindados a guiza de recompensa com um provável ministro no STF, destinado a sabotar ou a tentar sabotar nossas liberdades, garantias e direitos, e o cúmulo dessa comédia pastelão será ve-lo querer introduzir orações, cultos ou mesmo pregações no recinto do STF durante as sessões!!! A menos que aspire o homem de deus exorcizar seus pares fiéis ao espírito democrático.

Lamento ali não estar, como ministro, no recinto do STF para, no espírito de um Rui Barbosa, de um Teixeira de Freitas, de um Pontes de Miranda, de um Evaristo de Moraes... mandar o pastor calar a boca caso ousa-se recitar orações durante as plenárias da casa. Pa e Pum eu o mandaria tartamudear suas orações em Meca ou em Riad...

No entanto é isto que cogita o Emir ou o Ulemá do Planalto, atingir ou humilhar, de algum modo os honoráveis paladinos da democracia.

Tais as condições da nossa República nas garras desses ciclopes insaciáveis a que chamam pastores. Finado Tucanistão que transformou-se em Evangelistão, realizando um único milagre: Conseguir ser pior... e fazer-nos ter saudades do FHC. Tristes tempos em que o Hitler dos trópicos converte nossos piores vilões - Como o Dória, o Alexandre de Morais, o Gilmar Mendes, o Renan, etc - em heróis...  Resta-nos apenas dizer: "Oh tempora, oh mores!" e pugnar heroicamente por esta ordem democrática que é o supremo bem da nação.



As conquistas sociais do Bolsonarismo.


Enganam-se redondamente os que julgam que o Bolsonarismo nada fez crescer em nosso país.

Pois fez crescer:

# O índice do desmatamento e da degradação ambiental.

# O avanço da poluição e dos transtornos climáticos.

# O número de animais ameaçados de extinção.

# O grau de pobreza ou miserabilidade.

# As taxas de água e luz.

# O nível do desemprego.

# A inflação ou subida de preços, inclusive dos gêneros de primeira necessidade.

# O número de mendigos e sem teto.

# O grau de inabilidade quanto ao aparelho público de saúde - Demonstrado inclusive pelo manejo da epidemia do coronavírus. 

# O número de mortos por Covid.

# O índice da repressão a imprensa.

# A produção de fake news.

# O índice de violência policial.

# O índice dos crimes passionais.

# O índice de violência contra a criança.

# O índice de violência contra a mulher.

# O índice de violência contra os homossexuais. 

# O índice de violência e intolerância religiosa contra as minorias.

# O grau do negacionismo científico.

# O conteúdo ideológico da administração pública brasileira.

# A ignorância, já crônica entre as massas.

# O nível da corrupção que hipocritamente costuma denunciar e atribuir aos outros.

# A má reputação de nosso país em todo mundo civilizado.

# O número de militares na administração pública brasileira.

# Os lucros e consequentemente a fortuna dos pastores parasitas. 

# O número de ministros crentelhos.

# Os privilégios dos grandes empresários e multimilionários.

# Conjurações  e marchas anti democráticas.

# Crises institucionais.

# Ataques ao STF.

# Os insultos e baixarias advindos do Palácio do Planalto.

# Passeios de motocicleta.


"Contra fatos não há argumentos."



quinta-feira, 15 de julho de 2021

A metafisicalização das verdades e a deturpação da realidade.

Nobre é a busca pela verdade e preciosa sua aquisição.

Há mais de milênio e meio disse alguém que toda e qualquer verdade procede, ao menos remotamente, do Espírito divino.

De fato qualquer verdade, por ínfima e humilde que possa parecer é como que uma cor ou tom no caleidoscópio do infinito.

Da combinação química presente no molho béarnaise e da formula da água as complexas fórmulas matemáticas que exprimem a realidade da física, assim a Teoria da Relatividade.

Agora por belas e majestosas que sejam certas verdades matemáticas expressas por gênios como Tales ou Pitágoras, Euclides ou Arquimedes, Euler ou Gauss, tem elas seu próprio lugar ou espaço no plano da realidade. 

E mal fica que um Pareto as queira transplantar a fina força para o plano da economia com a esfarrapada desculpada de que é a economia uma ciência exata e assim tão matemática como a física.

Como mal fica a matematicização total iniciada por Descartes e completada por aqueles (Dentre todos por Comte.) que, a modos de novos Pitágoras, aspiraram levar as fórmulas newtoneanas a Filosofia, a Biologia, a Geografia, e assim por diante. E daí surgiram sistemas ideológicos aberrantes.

Não que deseje increpar as matemáticas apenas. Que os matemáticos, face os religiosos, os biólogos, o sociólogos e outros foram humildes. 

Comecei pelos matemáticos e ideólogos matematicizantes, geralmente de inspiração positivista, apenas para obter exemplos.

A partir dos quais a escamoteação da realidade ficasse suficientemente clara, e se pudesse perceber o processo de metafisicalização urdido pelos ideólogos inconsequentes.

O qual consiste em detectar uma verdade qualquer situada em determinado campo da realidade e estende-la a todos os outros campos, qual fosse, um princípio universal capaz de tudo explicar quando na verdade mística e obscurece a contemplação da realidade.

E é esta manobra tão aberrante a ponto de que, quando certo fato nela não se encaixa, destoando do esquema, bastar para que o dito fato - E outros mais - seja negado. E negam-se fatos que são verdades em nome da teoria ou do esquema querido. 

Partindo da fé religiosa por exemplo, que é, do ponto de vista Cristão Ortodoxo e Católico, imutável e autoritativa, concluiu certo grupo, representado de modo geral pelos integralistas, que também a organização política e social deva ser imutável e autoritativa ou autoritária, isto a ponto de apresentarem seu monarquismo ou despotismo e seu conservadorismo tosco como espécie de dogmas de fé (O que de fato converte-os em heréticos.). Quanto ao papismo já disse que o insuspeito Joaquim Pecci ou Leão XIII, desferiu rude golpe sobre tais homens desorientados ao declarar, como era esperado e justo, que a organização democrática é perfeitamente compatível com a fé, o que é igualmente válido quanto a fé Ortodoxa ou qualquer Igreja apostólica. 

Já quanto o conservadorismo tosco, que é um pensamento rasteiro e falsa apreensão da dinâmica social escusado seria que um papa romano, patriarca, Bispo, presbítero ou clérigo qualquer o refutasse.

Afinal quem autorizou tais pessoas a ultrapassarem os limites do sagrado e aplicar as notas que pertencem exclusivamente a revelação divina, a realidade sublunar e as instituições humanas. Agora porque a Revelação divina é autoritativa e divina desde quanto as instituições políticas e sociais devem ser autoritativas e divinas? Nada mais ímpio do que divinizar o humano, pois é aproximar-se da idolatria. 

É o quanto basta sobre nossos irmãos desorientados. 

Passo agora os agostianianos e heréticos da mesma cepa, representados por Calvino e por diversas seitas protestantes, os quais estendem sua crença ímpia sobre a corrupção total da natureza humana e a inexistência do livre arbítrio ou o determinismo sagrado a realidade vivida como um todo. 

E tocando a questão da epistemologia advogam que o homem nada pode saber fora da Revelação, posto que os sentidos e a razão enganam-no. Pronto temos o ceticismo...

Agora como é o homem um ser sempre depravado, apesar da graça e do batismo, é necessário que seja objeto de uma educação repressora. Pronto temos o moralismo ou puritanismo.

E como mesmo essa educação não basta para redimi-lo precisamos de uma estrutura eclesial ou secular com que fiscaliza-lo e disciplina-lo, mantendo-o sob controle. Pronto temos o autoritarismo.

E como todo esse ordenamento procede da fé imutável temos o conservadorismo.

E como a experiência e a reflexão nada são, a ciência - Especialmente se oposta aos mitos judaicos do antigo testamento. -  tampouco vale alguma coisa - Pronto temos o negacionismo, do qual procedem criacionismo, geocentrismo, terraplanismo, etc 

Agora veja como temos aqui um perfil ideológico bem definido procedente do agostianismo/calvinismo com sua antropologia e psicologia estendidas a diversas outras áreas da existência.

E não é para admirar que a mesma criatura que se recusa a reformar a Sociedade ou a moralidade, após ter reformado muito mal o Cristianismo ora pretenda reformar a História, a Geografia, a Física, a Química, a Biologia, a Psicologia e todos os conhecimentos sólidos e seguros aduzidos pelo gênero humano.

É toda uma escolástica de matriz religioso parte parte de um dado equivocado.

Pois aqui não se trata de verdade alguma. No entanto mencionamos a tragédia, por ser correlata ao fenômeno que relatamos quanto a profanação da verdade.

Ainda no plano religioso dos erros temos o princípio individualismo canonizado pelo protestantismo já em seus primórdios, o qual foi sendo sucessivamente secularizado e aplicado a outros campos da realidade pelos protestantes. De que resultou uma economia individualista a que chamamos liberalismo econômico ou capitalismo. Uma negação da política, a que chamamos anarquismo, especialmente a partir de Stirner. E uma proposta 'ética' que conservou o termo individualismo com Ayn Rand, havendo quem por força de coerência sejam protestante, capitalista, a anarquista e individualista - Assim um ANCAP. E temos pessoas com esse perfil nas Igrejas Ortodoxa e romana nas quais as normas e regras são totalmente opostas a esta visão, por partirem de um princípio diametralmente oposto ao individualismo, como o solidarismo ou fraternalismo.

No entanto essa infecção ideológica saiu de controle, deixou seu campo - que era o protestantismo, um campo religioso - e contaminou diversos outros, produzindo alias um sistema de cultura, tanto mais firma nos EUA e tanto mais preciso sob a forma ANCAP, que é produto final de tudo isso.

A partir do anarquismo, surgiu esse negacionismo iconoclástico radical, adversário de todas as instituições e não apenas da política, o qual estendeu-se ou alastrou-se a quase todas as áreas da realidade como uma espécie de rival do conservadorismo. E se o conservadorismo, sem fazer mínima distinção entre bem e mal ou entre o que merece e não merece ser conservado segue seu caminho, o anarquismo, assumindo um progressivismo virulento de origem metafísica, vai pelo extremo oposto. 

No plano institucional esse anarquismo (A que Sorel credita o mérito de o te-lo em conta de incoerente. Rappoport) negou-se a inserir-se onde quer que fosse: Parlamento, sindicato (Sorel, Kropotkin e os seus o fizeram por conta e risco e enfrentaram o repuxo da 'Ortodoxia'.), escola, igreja, etc apregoando a deserção do mundo e a destruição completa do mundo burguês por meio de uma Revolução não poucas vezes sangrenta. Pouco mais tarde completou o anarquismo seu trajeto e coroou sua visão totalizante com a negação da cultura teórica: Da Filosofia, assim da gnoseologia; da ciência, assim da epistemologia e enfim da estética, negando o passado em sua totalidade. Aqui encontrou-se ele com o ceticismo, em parte já secularizado e com o relativismo/subjetivismo kantiano tributário de Lutero e assim de Agostinho. Sem averiguar as possíveis fontes de suas crenças carregou e trouxe consigo o anarquismo, um travo pessimista quanto o passado do homem, no qual viu apenas opressão.

De modo que o partindo da negação do parlamento ou do politico e passando pela negação das instituições atuais, chegou o anarquismo a manifestar-se e impor-se como modelo ideológico completo, aqui sustentando posições céticas e relativistas, ali posições anarquistas (Vide a posição de Feyerabend quanto a pesquisa científica.), e por fim quanto as artes, posições psicologistas que ajudaram a criar essa arte sinistra que é a arte moderna, alias com grande dose que pragmatismo burguês advindo da cultura capitalista. 

Podemos dizer assim que o espírito anarquista alastrou-se pelo universo e consolidou-se em diversas áreas que sequer faziam parte da proposta primitiva. E produziu-se como dissemos uma visão anarquista totalizante, um óculos ou uma lente a partir da qual se busca ver o mundo através da mesma perspectiva e manter certa dose de coerência.

O que queremos dizer ao fim deste artigo é que elementos das matemáticas cartesiana e newtoneana, da Revelação Cristã ou da heresia agostiniana e enfim da postura anarquista - E são apenas alguns exemplos - foram recortados ou descolados e inseridos artificialmente noutras tantas áreas da existência ou do conhecimento de modo a tudo explicarem ou darem origem a visões de mundo que obscurecem a própria realidade. Daí resultaram diversas ideologias ora reinantes como o positivismo, integralismo, o puritanismo, o conservadorismo, o autoritarismo, o determinismo, o negacionismo científico, o irracionalismo, o ceticismo, o negacionismo social, o psicologismo, o modernismo estético, etc todo esse cipoal que não poucas vezes se enlaça e encontra, complicando ainda mais a compreensão e consequentemente a exposição das ideias.






Problemas naturais em torno do emprego social da violência.

Admitir o emprego circunstancial da violência no âmbito social não pode equivaler a repousar em berço esplêndido. 

Pois para o intelectual como para o Cristão autêntico neste mundo não há nem pode haver repouso. É mundo de fenômenos e transformações o mundo em que vivemos e assim fonte de incômodos.

O milionário cuida ser imune a essa loteria sinistra. Desenvolve ELA ou Kreutzfeld Jacob, recorre ao suicídio... Que se há de fazer? Não há quem seja imune aos tentáculos do azar e por isso já foi a vida comparada e um jogo ou a uma roleta.

Evoluímos ou nos adaptamos impulsionados pela dor, daí o rifão: Quem não se emenda pelo amor se emendará pela dor.

Temos uma psicologia sinistra, a ponto de só valorizar o que perdemos. E com grande dificuldade alteramos as estruturas sociais.

Ilusão imaginar como fácil ou trivial o manejo social e circunstancial da violência. Ao sujeito crítico e reflexivo planteia ele problemas que devem ser analisados com toda atenção.

Para começo de conversa devemos acentuar o quanto nossa apreciação sobre a violência defere da apreciação feita pelos revolucionários, os quais por meio do entusiasmo chegam a construir uma mística em torno da violência. O voluntarismo e o irracionalismo conduzem ao odinismo ou melhor são suas fontes. Nós no entanto não aprovamos recurso a violência cega, mas aspiramos a um emprego planejado, calculado, sóbrio, limitado e racional da violência. 

Por isso noutros ensaios comparamos o emprego da violência a manipulação dos venenos ou das drogas assim da radioatividade. 

É algo cujas doses devem ser medidas e muito bem medidas.

Algo que se faz, devo dizer, a contragosto. Pois comporta sérios riscos.

De fato o primeiro problema que se coloca aqui é de ordem psicológica. 

Materialistas e contaminados em maior ou menor grau pela baboseira positivista é de presumir o quanto nossos revolucionários sejam ignorantes em termos de psicologia. Outro bordão nosso: Nos domínios da psicologia é o positivismo uma aberração.

Aqui ou ignorasse ou mistificasse.

Importa saber que devido a fatores de ordem psicológica, alias elementares, o uso da violência corre o risco de sofrer os mais terríveis abusos ou de degenerar.

Advirto que o próprio Sorel reconheceu como nada recomendável o uso da violência na esfera das relações pessoais. Deve a violência permanecer restrita a esfera do social para ser lícita ou digna. 

É a advertência soreliana preciosa.

Afinal o quanto podemos observar quanto as Revoluções no curso da História são abusos. 

Nem é preciso ser gênio ou intelectual de grande calado para deduzir e constatar que equivalendo as Revoluções, sedições, guerras, conflitos e batalhas socialmente a situações de anomia, propiciam facilmente a passagem da violência do âmbito social para o âmbito pessoal, abrindo um leque de possibilidades criminosas, assim assassinatos, tortura, estupro, etc impulsionados pelo rancor, pelo ódio ou pelo desejo de vingança, as quais dificilmente seriam exequíveis numa situação de normalidade.

Vou além por declarar ainda que o emprego indiscriminado, descontrolado e irracional da força ou da violência podem inclusive favorecer a ação de neuróticos e psicopatas afetados pela própria atmosfera de violência. Possibilitando que calculem e cometam seus crimes com mais facilidade do que em condições habituais. 

Ocorre-me uma narrativa clássica ou ao menos bastante conhecida registrada nos escritos religiosos dos antigos judeus. Quase todos haverão de recordar a estória de Urias, oficial do rei Davi, o qual vindo a cobiçar sua esposa determinou que, durante uma situação de violência ou guerra, fosse ele colocado na linha de frente de modo a morrer e... Podendo então o 'querido' rei fornicar com Betseba, sua viúva. Não digo ser isto factual, mas bem poderia ter sido.

Do mesmo modo e maneira os escritos clássicos estão repletos de narrativas sobre vinganças pessoais ou desforras entre inimigos sucedidas nas guerras - É quase como um lugar comum.

Por isso dizemos e repetimos: Manejo racional da violência e não explosões irracionalistas de violência. Pois o subconsciente apresenta-se sinistro mesmo através da arte moderna, irracional e psicologista. 

Ocioso mencionar os abusos a que ficaram sujeitas as populações antigas por ocasião das guerras.

Refiro-me aos ataques a população civil presentes na narrativa da Guerra de Tróia com os habituais estupros, assassinatos, torturas, etc 

A bem da verdade se considerar-mos que a coisa começou com os assírios é fato que persas, gregos e romanos, foram depurando a prática. Embora durante a antiguidade tudo dependesse do carater dos reis ou generais, e se houve um Ciro entre os Persas houve igualmente um L Mumio entre os romanos e, sabido é o que fez a Corinto e sua população. Já o 'afável' Alexandre fez o mesmo a Tebas e a Tiro, e quanto a primeira salvou-se apenas a casa do Poeta Píndaro.

Com a chegada dos povos teutônicos houve, na Europa ocidental, como que um retorno ao padrão assírio e um reforço a violência. O título de 'flagelo de Deus' conferido a Átila já nos revela algo sobre ele e seus Hunos. As coisas só principiaram a melhorar devido a Trégua de Deus estatuída pelo monge Gerardo a luz do Santo Evangelho e desde então, embora muito lentamente, a situação foi melhorando. Até que em algum momento da Idade moderna, foram os civis colocados fora da guerra, a qual converteu-se em ofício de soldados a ser resolvido num campo de batalha. De fato chegamos aqui a um progresso imenso. No entanto desde o século XIX devido aos novos armamentos, assim bombas e metralhadoras, cunhou-se o conceito de Guerra total, tornando a ser a população civil ameaçada. E tivemos aqui um retrocesso.

Por isso aqueles que se referem aos excessos como coisa do passado, do tempo dos reis ou do antigo regime estão totalmente equivocados. Pois temos aqui uma questão humana que toca a nossa condição psicológica que toca as fontes mais obscuras da personalidade humana e ao que chamamos de atavismo. Enfim de algo que sendo feito sob pressão e com grande risco afeta drasticamente o comportamento.

Fato é que sendo o conflito ou a sedição apoiado pela maior parte dos cidadãos de uma dada república, a guerra civil, diferira essencialmente da guerra propriamente dita. Pois o inimigo pertencerá não a outra cidade mas a outra facção, partido ou classe, quando não de outra cepa em termos de Ética. E para fazer petição a violência devemos ter certeza de que tal elemento é sempre minoritário. 

Todavia nem por isso a retaliação afetiva, ligada a ideologias e rancores pessoais, deve ser excluída. Podendo sempre atingir familiares e apoiantes dos que controlam o poder. 

Sorel, embora não esteja totalmente equivocado, tento racionalizar (Ele que era irracionalista) o fenômeno. Atribuindo os excessos cometidos pelos revolucionários a um otimismo idealista e romântico em torno da condição humana. Todavia os marxistas e fascistas, que passam por realistas ou pessimistas nesse plano não foram mais comedidos do que os jacobinos. Por isso digo e repito que o problema da violência, de seu manejo e excessos ou abusos é mais complexo do que se supõem sendo suas raízes psicológicas e afetivas.

Importante para aqueles que aspiram manejar a violência pensarem em mecanismos de controle tendo em vista tais abusos, impedindo assim que a violência se generalize no sentido de ultrapassar as fronteiras do social. 

Mesmo quanto armados e preparados para lutar pela melhoria da República devem os cidadãos ser exortados, no sentido de não cometerem tais abusos, sabendo que serão punidos com o máximo rigor da Lei, bem cabendo a tais excessos, a pena capital. Não se pode usar a guerra ou manejar a violência, destinada a promover a justiça, contra civis indefesos ou mesmo prisioneiros imobilizados. Pois seria desnaturar o emprego da violência além de torna-lo sempre questionável por parte dos pacifistas radicais.

Outra questão importante diz respeito a como recorrer a violência social em caso de necessidade se a legislação, limitando o porte de arma, dificulta que a população como um todo possa armar-se ou estar armada?

É tema ou problema que comumente se coloca. Especialmente quando somos governados por um odinista teocrático como Bolsonaro. O qual aspira armar até os dentes sua milícia de crentes fanáticos e lança-los contra as instituições democráticas. No entanto, do outro lado, nazistas, fascistas, comunistas e mesmo alguns grupos anarquistas esperam armar-se também, valendo-se da mesma 'lei' que facultaria aos civis livre acesso a armas e munições. Destarte poderiam eles formar suas milicias ou organizações paramilitares e deflagrar a tão sonhada revolução ou contra revolução. Posto está, e de modo bem claro, que esses diversos 'exércitos' armados levariam a república ao caos, criando mais um inferno sobre a terra, e desta vez sobre a terra de Santa Cruz. De fato seria uma tragédia ou calamidade assistir fundamentalistas, capitalistas, comunistas, fascistas e anarquistas enfrentando-se uns aos outros a bala em cada praça ou esquina, e denunciando os cidadãos como comparsas de um ou outro dos grupos rivais com o objetivo de justiça-los.

Mas é o que digo, do outro lado há ideólogos radicais ou expoentes revolucionários que concordam em gênero, número e grau com a política odinista do Bolsonaro.

Partidários da violência social, racional e circunstancial junta-mo-nos aqui aos pacifistas de toda casta para dizer um categórico não ao armamento dos civis. 

E por que?

Simples - Porque enquanto não se eclode a tal da Revolução e as armas permanecem nos lares tendem a ser usadas na esfera pessoal sempre que  estoura algum conflito, seja no recôndito da família ou entre vizinhos, facilitando a execução de crimes ou potencializando a gravidade dos mesmos. Ocorre-me ter discorrido largamente sobre a menor letalidade das armas brancas e maior chances de escape e defesa quanto aqueles que por elas são atacados em comparação com as armas de fogo e de fato não se compara nem de longe o potencial mortífero de um rifle ou de uma metralhadora com o de uma faca. Já pensou atacar alguém que maneja uma metralhadora com um porrete ou taco de beisebol? Outro o caso de alguém empunhando uma tesoura ou facão. 

Além disso da existência de armas em casa tem resultado alguns acidentes muito tristes envolvendo crianças, quando não tem resultado em autênticas carnificinas. Vira e mexe lá nos EUA um cinema, uma escola ou mesmo um edifício religioso é invadido por um psicopata que acaba metralhando algumas dúzias de inocentes. O que da mesma maneira tem ocorrido por ocasião as guerras e conflitos, ou mesmo após seu término, por parte de ex combatentes afetados.

Neste caso, quanto o emprego social da violência, devemos concordar com certo grupo de comunistas que preconizam a 'conversão' ou formação ética, diria eu, dos militares e policiais, no sentido de alinharem-se com as aspirações populares. Aqui uma postura maniqueísta como a que demoniza os militares e policiais não ajuda em nada. Pois nas situações de crise caberia a eles treinar os civis, entregar-lhes as armas e combater com eles. 

Quanto aqueles que me classificarem como utópico enquanto postulam a tal abolição do "Estado" ou das "Classes" só lhes posso rogar para que tirem as traves de seus olhos antes de virem soprar meu cisco. 

Pois embora pertençam as organizações problemáticas militares e policiais também são seres humanos, com habilidades e competências humanas, ao menos em potência.

Outro seria o caso de facilitar a posse de armas para todos: Psicopatas, pentecostais, sunitas, nazistas, fascistas, comunistas, anarquistas, capitalistas, nazistas, etc e nossa sociedade está já tão fragmentada e cristalizada em torno de grupos ou setores beligerantes, que admitida esta solução só poderíamos esperar não um manejo racional da força e sim um estado de guerra generalizado, bem no estilo ou nos termos de um Hobbes. Um tipo de conflito como esse, generalizado, não desejo.

Exaradas tais considerações devo por fim a este artigo, pois já me estendi em demasia e consegui registrar minhas razões, sempre na perspectiva equilibrada do realismo. 

Enfim uma coisa é admitir o manejo ocasional da violência na esfera social. Outra coisa, e bem, distinta é vibrar com as explosões da violência cega e descontrolada. Quanto a esta mística da violência não comungamos dela. A violência pela violência ou a simples percepção de que a violência é a chave ou gatilho com que acionar as mudanças porque aspiramos em termos estruturais equivale ao mais venenoso dos enganos. 

Quando manejada por pessoas éticas poderá a violência conseguir algo, retardar o avanço do mal ou mesmo servir como paliativo. Já manejada por espíritos turbulentos e inescrupulosos converter-se-a na pior das maldições ou na nêmesis da civilização. 













quarta-feira, 14 de julho de 2021

Revolução, violência, razão e Cristianismo.

Poucos temas há, tão polêmicos quanto o tema da violência.

Tema em que se vai da rejeição absoluta ou do pacifismo crasso a aceitação absoluta assim ao odinismo, entre os quais há toda uma série de gradações.

No Evangelho damos ora com Jesus Cristo mandando Pedro embainhar sua espada ora com o próprio Jesus expulsando os fariseus do tempo com um chicote. 

Textos que tem dado o que falar e sido empregados por pacifistas como Tolstoi e por odinistas como Sorel.

De modo geral a Igreja Antiga ou dos padres, ao menos no plano da fé, repudiou decididamente o apoio da força ou da violência. Outro o caso das relações pessoais, onde predominou igualmente o pacifismo, alias crasso. E por fim outro o caso das relações sociais, havendo cristãos pacifistas, cristãos revolucionários e cristãos equilibrados ou partidários do emprego a violência circunstancial ou contida.

Agora por que o mesmo Jesus que empunha o chicote aqui repreende Pedro acolá, mormente quando ele Pedro exercita a defesa enquanto que ele Jesus ataca?

Há quem diga, equivocadamente, que Jesus aqui procede como Deus enquanto que Pedro ali procede como mero homem. Não aprecio todavia esse tipo de interpretação, a qual me sabe a monofisita. Evidentemente que quando perdoa Jesus os pecadores sabemos que tal ação tem seu motor primário na natureza eterna e divina. Agora quando exerce certa violência ou força contra os mercadores sacrílegos não temos como saber com exatidão qual seja o motor primário ou mais remoto de tal atitude. 

Direi então que o motor mais provável dessa ação Cristológica executada pela natureza humana seja a natureza divina, embora não possamos demonstra-la. 

Todavia meu ponto de vista e bem outro e consiste em distinguir que faz Jesus do que faz Pedro. Pois Pedro empunha uma espada que fere e mata. Enquanto Jesus emprega um feixe de cordas (Ev de João 2,15).

Insistirei resolutamente quanto a esta distinção, a ponto de apresenta-la como fundamental: Pedro não empunha um feixe de cordas e Jesus não utiliza uma espada. Pois os partidários de que a violência é sancionada por Deus quanto as coisas profanas costumam alegar que dá no mesmo Jesus ter empregado uma feixe de cordas ou chicote, uma espada, uma lança, uma metralhadora ou uma bomba. Advirto porém que o texto em questão não diz respeito ao emprego da violência no plano social, e sim ao suposto emprego da violência no plano religioso ou da fé, o que acaba por chocar-se contra o conjunto dos ensinamentos de Jesus. O qual a um tempo condenou radicalmente o emprego da violência no plano do ideal e a outro jamais imiscuiu-se em questões formais de sociologia ou política, as quais são indiferentes ao Evangelho.

Ora, justamente por tal narrativa estar vinculada a piedade religiosa não cabe recurso a violência ou mesmo a força. 

Segundo a narrativa sumária de S Mateus Jesus expulsou ou teria expulsado os vendedores, derrubando suas mesas e cadeiras. Agora como fez isto? Onde Mateus silencia S João completa: Valeu-se dum feixe de cordas a guiza de chicote. Donde concluem alguns que teria batido nos cambistas. A narrativa todavia indica que com o chicote espantou os animais que ali se achavam. De que resultou terem as mesas, cadeiras e moedas caído pelo chão (Outras foram derrubadas pelo próprio Jesus) e a fuga de ao menos alguns mercadores devido a surpresa e ao pavor, afinal aquele tipo de ataque era algo atípico e inesperado. 

Teria o Senhor ao menos batido nos animais que ali se achavam com o objetivo de espanta-los?

Também isto tenho por demasiado improvável.

É coisa a respeito de que a letra do Evangelho igualmente silencia e o Redentor sempre poderia ter feito girar e zunir aquele chicote com cordas, bem como bater com ele no chão e nas mesas e cadeiras para assustar os animais po-los em fuga e causar todo aquele tumulto assombroso.

Nada no Evangelho impõem a crença ou ensinamento de que chicoteou Jesus os pobres animais e menos ainda que tenha surrado a sacerdotes e cambistas, e isto sempre será ultrapassar a letra, profanar a divina Revelação e simplificar as coisas.

Nem pode aquilo que sequer se equipara a um chicote ser equiparado a lanças, espadas, machados, revólveres, metralhas e bombas... E apenas alguns cérebros doentios poderiam concebe-lo. Ademais o quanto teríamos aqui seria a aprovação quanto ao emprego da violência no âmbito da fé ou da religião. Sendo assim por que os primeiros Cristãos não partiram para o ataque e conquistaram o império romano recorrendo a guerra e a espada? Deixando-se inclusive condenar injustamente sem esboçar resistência? Acaso não compreenderam o sentido 'oculto' do Evangelho?

Admitia essa versão nada teríamos em Jesus além de um outro Moisés ou Maomé, alias, neste caso Zwinglio e Calvino o teriam compreendido melhor do que quaisquer outros. Tal a versão odinista do Jesus fascista e do Jesus fascista uma vez que os Comunistas ao menos não se importam com ele a ponto de distorcer seu caráter e ensinamentos.

Implica essa constatação admitir que o emprego da violência quanto as relações sociais e políticas não é norteado pela Lei religiosa e ética de Jesus Cristo - A qual obviamente remove-o das relações ou do convívio pessoal. - mas pela experiencialidade e sobretudo pela reflexão. 

Apesar disso há algo desse espírito evangélico que se estande remotamente as relações sociais, como que a guiza de inspiração. Trata-se aqui da condenação do primeiro motor do odinismo ou daqueles que estimulam a agressividade e a conquista associadas a violência. Então a violência para ser lícita deve romper com o paradigma anti Cristão da belicosidade ou da conquista. E circunscrever-se a esfera da defesa. O uso político e social da violência na perspectiva Cristã estará sempre a serviço da defesa, jamais da agressão ou da conquista.

Não pode portanto a violência, no sentido Cristão, servir ao assim chamado imperialismo seja qual for ele.

Tal a única baliza ou exigência ética.

Para além disto temos de conceder que é a violência um fenômeno tão instrumental quanto a estrutura política formal de nossa democracia. O qual por isso mesmo deve servir a algum propósito ideal ou ético. Quero dizer que a violência não pode ser avaliada em si mesma como algo bom (Como fazem os odinistas) ou mau (Como faz o pacifismo crasso.) mas sim quanto a seu fim ou objetivo. Então a pergunta a ser feita é se esse fenômeno pode estar a serviço de algo digno como o bem, a justiça ou a virtude, ainda que circunstancialmente.

Pois não pensamos como os revolucionários i é em acionar qualquer gatilho social por meio dela e assim criar novo homem ou nova humanidade. Eis o que não se pode ou deve esperar da violência, engendrando veleidades místicas. Podemos dizer sim a violência, mas não a sua mística. Não posso ver como a violência em si mesma ou mesmo enquanto meio possa entusiasmar o homem reflexivo.

Nem entusiasmar nem demonizar mas apenas avaliar até que medida podemos usa-la vinculando-a a uma boa causa.

Claro que ao utilizarmos a violência em benefício das crianças, dos idosos, das mulheres, dos deficientes, dos injustiçados, da natureza, etc estaremos fazendo um bom uso dela. 

Importa saber que a violência precisa ser administrada pela razão e assim sempre planejada, contida, limitada, etc 

Nem podemos conceber (Ao modo dos odinistas) a violência ou a força física como as diversas culturas de morte afirmam o mercado, a fé, a política, a ciência, etc i é como algo fora do controle da ética ou acima dela. Simples assim: A estância da Ética deve predominar em todos os setores da existência humana. Daí não estarmos de acordo com um uso irracionalista, cego ou voluntarista da violência.

Ao contrário dos Revolucionários, que imaginam a violência como gatilho ou motor primário da mudança, o quanto pretendemos é usa-la em algumas situações sociais circunstanciais, apenas com o objetivo de substituir umas pessoas por outras, assim as más, egoístas e injustas por outras que sejam éticas e tanto mais dignas. Não pretendemos tocar as estruturas, crendo que tenham elas seu fluxo, e que virão a ser alteradas pelas pessoas dignas e conscientes através dos meios educativos, políticos e sociais. Nós acreditamos na evolução orgânica das estruturas ou em sua transformação interna através do acúmulo de reformas acionadas pela formação ética dos cidadãos. É coisa de cultura não de murros, pontapés e bombas.

É por isso mesmo que não atribuímos as situações de violências, guerras, batalhas e conflitos a solução de todos os nossos problemas. Pois de fato nada resolverão. Limitando-se a criar novas possibilidades de ação, conforme delas resulte a troca dos quadros. É recurso destinado a arejar as estruturas e não passe de mágica que as altere radicalmente e a partir delas a sociedade como um todo. Toda essa mecânica social imaginada pelos metafísicos anarquistas, comunistas, nazistas, fascistas, etc é furada e assim as idéias de revolução e contra revolução.

Continua











Revolução, violência e Contra Revolução.

Admitido que a Revolução ou o revolucionismo - Em oposição a Reforma ou ao Evolucionismo - seja erro crasso, não é a contra Revolução erro menos fatal e metafisicamente podre.

Destarte se o homem refletido, em especial o Cristão Ortodoxo - Mesmo quando como nós admita recurso instrumental a violência - jamais assimilará esse espírito turbulento que é o espírito da Revolução, por razões ainda mais altas e fortes tampouco aderirá a essa outra petição a força chamada contra Revolução e jamais será contra Revolucionário. 

E para ser suficientemente claro, de modo geral ou teórico (Pois exceções há em que poderá apoiar ou combater certos tipo de Revolução - e já o veremos porque.) será o homem sóbrio e refletido sempre neutro face as manobras revolucionárias, mantendo-se a distância ou a parte delas. Pois é certo que não comunga desse furor metafísico em torno qualquer fator que possa transformar o homem ou a Sociedade rapidamente ou excluindo o processo ordinário, e lento, de formação da cultura. E menos ainda crerá ele que um tal fator esteja no acesso de conflitos físicos... que possam fugir a dinâmica corrente da História como que fosse saltando. Aqui temos de ser enfáticos, não se adianta a História por meio da violência e toda e qualquer tentativa será emenda que sairá pior do que o soneto - Tal o caso das Revoluções Francesa, Russa, Mexicana e Chinesa, as quais desandaram uma após a outra, em que pesem terem imposto imenso sacrifícios ao povo e feito correr rios de sangue.

Bem a única delas, que ao menos até o tempo presente, parece ter oferecido resultados minimamente positivos. Tal constatação no entanto só será definitiva quando a civilização democrática e nossa política liberal for posta a prova em algum momento decisivo do futuro, só então saberemos se do jacobinismo cego surgiu algum espírito. Talvez 'a posteriori' e graças a um empenho formativo/educacional, tal espírito, sentido ou consciência tenha surgido. Seja como for a manobra jacobinista, enquanto expressão revolucionária, não passou de uma inversão.

As demais, como as ondas do mar, foram e voltaram, avançaram e recuaram, apenas prolongando a própria agonia. Foi o próprio Lênin que avaliou a NEP de Bukharin como um recuo, outro não foi o veredito da Esquerda comunista de Trotsky e Preobrajenski e enfim do próprio Stalin. Em seguida tivemos a guinada democrática intra partidária e a retomada da perseguição religiosa pelo líder Khrushchov e por fim a glasnost e a perestroika de Gorbatchov, sucessão interminável de idas e vindas permeadas por expurgos. Situação muito parecida com a da Reforma inglesa de Eduardo a Elizabeth...

Outro não foi o curso da interminável Revolução Mexicana e por fim da Revolução Chinesa com sua Revolução cultural e enfim com sua adaptação ao modelo de mercado...

Neste caso por que não conter as Revoluções apoiando as forças anti Revolucionárias?

Sim, concordamos, necessário é conter a Revolução.

Não no entanto imitando, como macacos, os revolucionários, rebentos do erro jacobinista e do erro protestante. 

Embora a Revolução não passe de devaneio metafísico concebido por alguns intelectuais, só pode vir a luz e afirmar-se num quadro social muito bem definido e num quadro social de crise. É a crise que dá oportunidade a Revolução. O que jamais se sucede numa sociedade estável. Portanto antes da Revolução há o problema social, já definido pelos Sociólogos como uma patologia, doença ou enfermidade.

É a Revolução um sintoma. Sintoma de que a organização social não vai bem ou de que a Sociedade está enferma.

Para os Revolucionários é necessário que a infecção se desenvolva até matar o enfermo. 

Já os contra Revolucionários creem que para salvar o corpo social é necessário decapita-lo ou ao menos mutila-lo, cauteriza-lo, etc Vertendo tanto sangue e impondo tantos sofrimentos quanto os revolucionários. Entre revolucionários e contra revolucionários adeptos do padrão da violência ou da força o pobre povo é posto entre a cruz e a espada e me ocorrem diversos filmes sobre a Revolução Espanhola em que o dois lados acusavam a gente do campo de traidora e passava-lhes a metralha, enquanto as vítimas sequer sabiam porque estavam a morrer, ignorando supinamente os ideários anarquista e fascista e toda essa dicotomia estúpida. É esta situação comum pois mesmo quando o espírito ou a metafísica da Revolução e da Contra Revolução sejam distintos a técnica ou o método truculento é igual. 

Buscar manter uma realidade social problemática ou conter mudanças estruturais indesejáveis por meio da força é algo equivalente a superstição revolucionária. Estes querem ativar forças mágicas ou alimenta-las. Estes aspiram conter pela força a dinâmica social. Se a História não pode ser levada adiante na proporção imaginada pelos revolucionários tampouco pode ser o seu fluxo contido pela força física.

Antes do cautério, da mutilação e da eutanásia e antes antes que a Revolução se afirme cabem dietas, vitaminas, vacinas, antídotos, remédios e tratamento. 

Para que a Sociedade não se desintegre ou adoeça necessário é implementar continuas reformas sociais e econômicas.

É por força da adaptação que se afasta o espírito revolucionário. 

A tarefa do médico competente é impedir que o cliente adoeça (Portanto antes de tudo profilática.) ou que o doente piore. 

Um médico que espera seu cliente adoecer ou piorar até tornar-se moribundo não faz jus a seu título e sim a pecha de charlatão.

Permitir que a doença ser desenvolva sem intervir equivale aqui a um crime.

Tal a missão do legislador sábio e prudente.

Impedir que a patologia social evolua e avance é o seu dever.

Daí seu aspecto de reformista. Pois reforma para não perder.

Desde seus primórdios, graças a falsa doutrina da auto regulação, tem o liberalismo econômico causado distúrbios e tumultos sociais onde quer quer se afirme, e por isso em sua rabeira, seguem, inevitavelmente o Comunismo, o Nazismo ou o Fascismo. Pois o liberalismo econômico, recusando aceitar o primado da Ética, tende a opor-se a toda e qualquer reforma que por força da ingerência politica, queira manter o convívio e evitar a crise.

E, da recusa face as ditas reformas vai, dia após dia, aumentando aquele estado de oposição vigente entre as classes como pode observar Henri George  a mais de século em 'Progresso e pobreza' - até resultar em luta aberta.

Diante disto não é para estranhar que muitos revolucionários, sejam anarquistas ou comunistas, apostem no máximo desenvolvimento do liberalismo econômico, para, a partir de suas oposições ou da crise social engendrada por ele entrarem em cena.

Beneficiam-se os revolucionários das condições sociais indesejáveis produzidas pelo sistema capitalista, o qual funciona como gatilho mais remoto de todas as Revoluções. 

Portanto antes das Revoluções ou antes que surjam elas, com seus discursos mais ou menos demagógicos, temos um problema causado pelo liberalismo e seu espírito conservador até o irracionalismo. É esse problema que deveria ter sido evitado pelo legislador sábio e prudente, por meio de reformas muito bem calculadas. Num plano ideal o poder político - Policrático - deveria funcionar como instância que alivia as tensões, atenua o conflito e impede o choque assegurando a paz e a concórdia. 

O poder econômico no entanto, encara tal atividade como vil usurpação, recusa-se a toda e qualquer reforma inspirada em padrões éticos e muito se assemelha as passageiros de um avião que em meio a forte turbulência recusam-se a lançar fora suas bagagens... 

A bem da verdade os economicistas conservadores ou capitalistas tem imenso receio de toda e qualquer reforma ou limitação imposta pelo poder político por saberem que cumulativamente tais reformas produziriam um sistema não capitalista ou em certa medida socialista. Os comunistas e anarquistas recusam-se a admitir tal realidade muito bem exposta por M Deat, não os liberais economicistas, os quais desconfiam de toda e qualquer reforma e resistem ferozmente. 

O que eles não percebem ou fingem não perceber é a atmosfera de ódio e rancor que se vai acumulando e que servirá de motor para as revoluções e conflitos.

É portanto o liberalismo econômico a grande sementeira de culturas de morte, tumultos e confusões que se sucedem e acumulam. 

Inútil tolerar seus caprichos e depois querer afogar a tal Revolução num mar de sangue. Se antes nada se fez no sentido de atenuar o conflito e de evita-la não há que se reclamar depois.

Por isso tinha razão Berdiaeff ao declarar que o Cristão Católico Ortodoxo ou mesmo apostólico jamais formará fileira com os contra revolucionários, especialmente se forem eles economicistas conservadores como aqueles que nos lançaram no abismo, mas permanecerá aparte, assumindo uma neutralidade consciente e a toda prova. A tal Revolução, seus distúrbios, sofrimentos, angústias e dores terá em contra de PENITÊNCIA por seus pecados sociais ou pela omissão dos Cristãos, e tudo sofrerá como mártir. Jamais fará o jogo leviano e irresponsável dos contra revolucionários.

Exceção se fará caso os sofrimentos impostos ao povo pelo modelo liberal forem demasiado cruéis e intoleráveis. Neste caso apoiará o emprego da violência e poderá juntar-se aos Revolucionários com a nobre intenção de aliviar o povo, tal decisão, no entanto, ficará sempre na esfera da consciência pessoal. Cada qual deverá avaliar a situação a partir dos Evangelhos, da Tradição e da Doutrinal social Cristã e tomar sua decisão. Quiçá a providência favoreça os Cristãos no sentido de impedirem que o emprego da violência chegue a esfera do convívio, de evitarem possíveis abusos e de pugnarem pela justiça.

Já face a contra Revolução só poderão endossa-la caso os Revolucionários animados por algum tipo de religiosidade sectária tenham em vista qualquer modelo teocrático que ponha em risco o exercício da liberdade Religiosa. Neste caso é necessário abraçar a contra Revolução. 

Advirto no entanto que o parágrafo acima não se refira aos ateus, materialistas e irreligiosos que nós odeiam e perseguem por constatarem como os liberais hipócritas instrumentalizam nossa fé, ou por confundir nossa postura com a dos protestantes ou ainda com a venenosa cultura americanista, pois como já foi dito certo número de neo cristãos sem consciência tem assimilado essa xaropada. Triste mas compreensível que parte dos miseráveis e perseguidos detestem nossa religião uma vez que alguns daqueles que estão entre nós ousem afirmar que tal situação corresponda a vontade de Cristo e seja normal. Se eles afirmam que o pecado da injustiça é aceitável como admirar-se de que sejamos combatidos pelos injustiçados?

Por isso quanto me refiro aos inimigos da Religião me refiro explicitamente aos calvinistas e pentecostais, aqueles por terem deflagrado as primeiras Revoluções modernas e Teocráticas no século XVI e estes por adotarem os mesmos princípios (Truculentos e anti democráticos.) no tempo presente. A estes fanáticos é dever dar combate por meio da força pois equivale sempre a defender-se. A eles se deve resistir em nome da Constituição e das leis. Não re refiro aqui aos muçulmanos sunitas - Igualmente perigosos. - pois embora santifiquem a força e a agressão por meio de sua jihad não empregam o conceito de Revolução, o qual está muito distante deles. O conceito de Revolução é conceito reflexivo que se movimenta no domínio da metafísica. O islã contenta-se com petições ao Corão ou no máximo a uma tradição autoritativa em termos de fé.

Continua.