domingo, 11 de dezembro de 2016

O que vi em São Paulo





Coisa de três meses sofri um acidente atípico e até patético.

Cerca de um mês antes, havia adquirido um tecido de chamalote numa feira de antiguidades.

No fim de Agosto percebi que alguns de meus livros de uso ordinário estavam com as capinhas bastante mortificadas e decidi dar um trato neles. A ideia era cobri-los com o tecido de chamalote e depois passar uma espessa camada de cola ou verniz.

Para tanto a noite de vinte e oito de Agosto, após ter me acomodado ao leito, principiei a cortar os pedaços do chamalote até o sono vir. A verdade é que eu e Morfeu não nos damos lá muito bem e que só consigo pegar no sono pelas altas madrugadas... e como a briga com a insônia é sempre inglória e perdida optei por adiantar o trabalho de restauração das capas dos livros. E não sei como adormeci cortando-os em meio aos retalhinhos, e pelas altas da madrugadas suguei ou melhor engoli um dos pedacinhos, que me veio ter a garganta.

O tanto quanto posso declarar é que acordei com aquele maldito fragmento de papel preso a garganta e que aquilo foi um drama... Pelo menos acordei, o que não teria se dado caso o aspirasse e fosse ter aos pulmões, do que resultaria, muito provavelmente a morte certa.

No entanto tendo cinquenta contra cinquenta porcento de chances, tive sorte e cá estou... Pelo simples fato do chamalote ter ido pela garganta e não pelas vias respiratórias.

No entanto o maldito fragmento de pano lá ficou preso, e eu, a um tempo sentindo-me bastante incomodado e a outro com receio dos procedimentos a serem adotados pelos médicos no P Socorro optei por ficar em casa ingerindo tudo quanto recomendado era pela experiencialidade popular: Pão, farinha, batata, bolacha, vinagre, suco de limão, etc

Até que transcorreram uns três dias e fui, apesar da irritação, sentindo que o dito cujo ou havia decido ou se achava muito bem preso a gargante e certamente desfazendo-se. Ao cabo desses três dias fui ao médico da família que concluiu ter o pano decido sem maiores problemas embora a garganta estivesse bastante irritada.

No entanto como tinha de 'pagar meus pecados' devo ter cruzado, lá no consultório, com alguém bastante resfriado e como não houvesse tomado a vacina neste ano o resultado foi catastrófico: Contraí uma baita gripe, um verdadeiro gripão após ao qual sucederam-se amigdalite, otite, bronquite, etc tudo quanto tinha direito, pelo espaço de mês e pouco. Tive de pendurar as chuteiras até meados de Outubro quando comecei a recuperar-me... Entrementes o excesso de medicamentos havia acabado com meu estomago (tinha já histórico de gastrite moderada e refluxo) passando a enfrentar refluxos e pirogastralgia contínuos... Fiquei nervoso, estressado, aflito e disto resultou ligeiro aumento da pressão arterial até então controlada... E por fim, qual golpe de misericórdia desferido pelo organismo em colapso, manifestou-se terrivelmente a insônia elevando - por primeira vez na vida - minha taxa de glicose...

Cerca de 15 de Outubro estava a passar por momentos bastante delicados tendo de controlar a pressão e a diabetes (que jamais tivera) e, portanto de controlar a crime de insônia, deflagrada, muito provavelmente, pelas toneladas de medicamentos que havia tomado... Sendo assim não tive outra chance além de marcar consulta com o psiquiatra, o qual só veio a atender-me a 03 de Novembro. Apesar de ter sido atendido pelo convênio médico - como funcionário público de duas instâncias tenho dois convênios - o atendimento foi relativamente breve devido ao colapso do SUS em minha cidade. Do que resultou um aumento da clientela particular e conveniada e digamos, ligeira queda de qualidade no atendimento, que tornou-se mais rápido...

Para resumir receitou-me o dito clínico um hipnótico bastante severo cujos efeitos colaterais resultavam visão dupla, chiado, tonturas, dor de cabeça, lentidão, etc Durante uns quinze dias mais ou menos, senti tudo e até sofri alguns acidentes...

Verti sobre mim mesmo uma caneca com chá fervendo ficando com o abdomem parcialmente queimado, quase cai e rolei de uma escadaria, por pouco não fui atropelado, fiquei com a coluna alterada e enfim, coisa de cinco dias, tropecei - sonolento - e fraturei o dedinho mindinho do pé, que hora acha-se imobilizado... Foi uma verdadeira saga.

Pior é que este fármaco mexia com as vias respiratórias, que haviam sido massacradas após a ingestão do pano...

Até o clínico geral descobri-lo já havia caído na Aminofilina e no Berotec... E a pressão piorado ainda mais. Em meados de Novembro fui obrigado a retomar o uso dos diuréticos para controlar a pressão e portanto a ir ao sanitário mais frequentemente e a não poucas vezes subir e descer escadas com prejuízo da coluna que como disse já estava moída...

Durante todo este tempo, como funcionário público que sou, estive licenciado e sujeito a periciamento médico nos termos da lei.

E como já estivesse afastado do serviço estadual por mais de dois meses lá fui convocado, há coisa de uma semana, para apresentar-me ao DPME (Departamento de Perícias Médicas do Estado) no Glicério ou Várzea do Carmo, ali junto a Avenida do Estado a R Prefeito Passos. A perícia estava marcada para as sete horas da manhã. Cheguei pelas sete e quinze e, ao contrário do que imaginava, fui muito bem atendido pelo perito de plantão e não tenho mesmo do que me queixar. Aproveitei a oportunidade para apresentar algumas súplicas ou reconsiderações e quando deixei o local ainda eram 8:30 da manhã.

Como estava medicado, havia saído demasiado cedo da Baixada e pago vinte e cindo reais de passagem, achei que devia aproveitar um pouco a 'viajem' para conhecer melhor os monumentos históricos de nossa metrópole, em especial as antigas igrejas maravilhosamente descritas na obra de Leonardo Arroyo. Sendo assim dirigi-me até a Capela da providência, sujas torres havia visto da passarela, mas estava fechada...

Foi quando avistei o belo edifício da Igreja Nossa Senhora da Paz e determinei atravessar o viaduto.

E atravessando-o topei com uma simpática feirinha organizada pelos catadores de papelão e pessoas de rua. Cada qual negociando suas coisas na mais perfeita paz e harmonia.

Como sou apaixonado por livros, em especial por livros antigos e antiguidades, lá fui eu bisbilhotar de 'barraquinha' em barraquinha onde garimpei algumas preciosidades e aproveitei para ouvir os negociantes e jogar conversa fora.

Após ter arrematado o que queria - um livrinho de 1817 inclusive - e pagar uma bagatela, despedi dos carrinheiros promentendo voltar antes do Natal pra comprar mais alguma coisinha. Foi quando eles esboçaram um sorriso e disseram: Provavelmente quando o amigo voltar o João Dolar já nos terá removido daqui, ele considera que somos todos ladrões e malfeitores e odeia-nos a não pode mais...

Até então não me havia lembrado dessa coisa. Refiro-me do joão dolár... Uma espécie de amnésia havia bloqueado minha memória e em já nem me recordava das últimas eleições e da vitória desses sujeito.

Passo após passo fui subindo a ladeira e aproximando-se daquela igreja belíssima chamada Nossa Senhora da Paz. Lamentavelmente ainda era muito cheio quando lá cheguei e a igreja estava fechada. O adro no entanto estava literalmente tomado por pessoas de origem africana das quais aproximei-me com o objetivo de perguntar sobre o horário em que as portas da igreja seriam abertas. Foi quando tive mais uma surpresa, a maior parte ou totalidade daquelas pessoas falavam francês. Eram os emigrados haitianos... Troquei com eles algumas poucas palavras em francês perguntando-lhes sobre o horário em que a igreja abriria e fui-me embora. Ao perceber que eram haitianos minha vontade foi observar melhor seus modos, interroga-los, etc mas não quis constrange-los ou quiçá parecer hostil ou suspeitoso, afinal sabemos que os imigrantes devido as situações de discriminação a que estão expostos acham-se inseguros.


http://www.a12.com/noticias/detalhes/paroquia-nossa-senhora-da-paz-acolhe-haitianos-em-sp-editando-falta-entrevista






Ao menos pude observar que a pastoral daquela igreja empenha-se em facilitar ao máximo as coisas para eles, inclusive em termos de assistência social, alimentação, ocupação, etc Pelo que foi bastante gratificante para mim constata-lo.

No entanto não era só isso...


Pois após haver dado um pulinho na capelinha de S Luzia





onde acha-se o painel votivo de Nossa Senhora da Cabeça




e chegado ao Largo de Nossa Senhora do Carmo, no termo da tradicional R do Carmo






topei com os Carmelitas fornecendo lanches e refrescos a população pobre. Passei por ele dirigi-me ao interior daquele que reputo ser um dos antigos templos mais belos da capital, o Convento do Carmo, onde vim a conhecer a servente da igreja, uma senhora muito simpática e acolhedora chamada Isabel. Ao fim da conversa, que versou sobre as pinturas de Fr Jesuíno - uma das coisas mais belas que há para se ver em S Paulo - e a assistência prestada aos mais necessitados, fui presenteado com uma bela publicação intitulada 'Carmo, patrimônio da História, arte e fé'.






Dali segui em demanda da igreja de Nossa Senhora da Boa morte 




com seus característicos degraus de pedra... Tornei a subir a R do Carmo passando pelo antigo prédio do Diário de S Paulo - ora sede de uma organização protestante - cuja metade esquerda fora lamentavelmente demolida e segui até a praça da Sé onde surpreendentemente deparei com os franciscanos e a Toca de Assis prestando assistência a outras tantas hostes de sem teto e carrinheiros, tudo observado de longe pela polícia militar. 

Foi neste momento mesmo, estando diante da majestosa catedral da Sé, que refleti e disse para mim mesmo: Apesar de seu estado calamitoso ainda há vida espiritual na Igreja romana e uma vida rica e bela. Enquanto o protestantismo jaz eternamente paralisado nos domínios da teoria, engessado pelo fetichismo, adormecido nos braços débeis da fé, entorpecido por uma mórbida contemplação de si mesmo, etc a igreja romana, em que pesem seus vícios e defeitos, não só atua como mostrasse solidária. 

Após passar por tantas igrejas onde o povo simples rezava em atitude de recolhimento enquanto do lado de fora, os mais devotos serviam os pobres e ministravam o amor concreto de Deus aos menos favorecidos de nossos irmãos, fui levado a concluir: Aqui há Cristianismo e Cristianismo vivo porquanto Deus é amor e não qualquer outra coisa.

Apesar de não pertencer mais a comunhão romana (todo sabem que sou Católico Ortodoxo) aquela visão em termos de serviço fraterno foi como uma brise leve a refrigerar-me o coração angustiado por testemunhar tanta indiferença e mesmo crueldade por parte dos cristãos nominais...

Passei por um 'Cristão' predestinado ou remido que diante da Sé distribuía seus folhetos e gritava a respeito do Diabo, do inferno, da perdição, etc Desviei meus olhos dele e pousei-os sobre os filhos de S Francisco que ali estavam serenamente distribuindo alimentos, cortando cabelos, limpando feridas e enquanto o sucessor remoto de Lutero estendia-me um folheto (o qual evidentemente sequer toquei) as palavras do Evangelho soaram-me aos ouvidos: Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estive nu e me cobristes... O QUE FIZESTES A MEUS IRMÃOS MAIS PEQUENINOS FOI A MIM MESMO QUE O FIZESTE... Haviam ali na praça da Sé dois Evangelhos rivalizando, mas eu sabia qual era o Evangelho verdadeiro - Este povo me honra com as palavras e a boca mas seus corações estão apartados de mim, considerei ainda; e por fim: Não é aquele que diz Senhor Senhor que entrará no Reino do Céu, mas quem executa a vontade...

Enquanto cogitava a respeito de tudo isto havia já cortado a praça João Mendes e entrado na Igreja de S Gonçalo da qual, após ter feito ligeira prece, parti em demanda do Largo de S Francisco, termo final de minha peregrinação, pois já eram cerca de 11 horas e devia chegar a casa em S Vicente pelas 13. Ali pude contemplar outras tantas pinturas maravilhosas, colírio para os olhos e sobretudo para a alma e adquirir, a porta da igreja, um delicioso pão recheado com frutas passas...

Como estava com pressa limitei-me a atravessa a colunata externa da Faculdade de Direto e a trocar umas poucas palavras com o porteiro... Caso tivesse a tarde livre iria certamente ao Museu do Fórum, ao Líceu de artes e ofícios, a Casa da marquesa se Santos, etc, etc, etc Bem como as Igrejas de S Bento, S Benedito, Rosário, S Efigênia, etc O fato é que minha veneranda e preocupada mãe esperava-me para o almoço e então tive de despedir-me de minha querida S Paulo e de regressar a este triste exílio ou vale de lágrimas que é para mim este abafado litoral...

Senti no entanto ter encontrado uma S Paulo muito mais humana e acolhedora para com seus filhos mais necessitados. Uma S Paulo mais sensível e fraterna. Uma S Paulo em que parte do 'Catolicismo' ou da igreja romana reencontrou o caminho do Cristianismo que é o amor ou o serviço concreto tendo em vista minorar os sofrimentos alheios. 

Igrejas Cristãs, mas do que locais de culto devem ser exatamente isto: locais ou santuários de atividade e serviço social. É o que podemos chamar de prece ou missa contínua, pela qual servindo oramos sem cessar e mantemos nossa comunicação com o Pai das Luzes. Já o Dr Alexis Carrel costumava dizer: Não adianta rezar devotamente pela manhã e viver ao cabo do dia como um bárbaro.

Não existe essa coisa de 'Missa est' A verdadeira Missa, a Missa eterna jamais termina, permanece sempre dentro de nós levando-nos a fazer o bem sem olhar a quem.

Resta acrescentar que não creio nem em visões, nem em revelações individuais, nem em místicos ou misticismos. Mesmo quando ainda era membro atuante da igreja romana, não acreditava nessas bobagens (no dizer do piedoso Arthur Weigall) Meu catolicismo, ainda romano, havia descartado há muito tempo as tolices de Fátima ou mesmo Lourdes e se concentrado na Tradição patrística e na doutrina social e também na escolástica... Pelo que Tereza D Avilla não faz sentido algum para mim, exceto quando corajosamente (face aos inquisidores) que Deus deve ser amado e servido pelo que é - ou seja enquanto Deus mesmo - e não pelo temor de supostos castigos... 

Tereza D Avilla me parece ter sido uma mulher inteligente e até fascinante, mas não creio de modo algum em suas supostas experiências místicas ou comunicações ou em qualquer outra. Tudo isto permanece nos domínios da subjetividade e mesmo se houvesse algo de verdade, estaria no acesso do individuo apenas. A comunidade Cristã deve viver daquilo que é comum: A palavra de Cristo registrada nos Evangelhos e a tradição primitiva e apostólica.

No entanto, e penso que é aqui que o Cristão se distingue do sectário e do fanático, o fato de não crer em Tereza D Avilla ou na mística espanhola, ou na mística carmelitana (com seu culto supersticioso ao escapulário - Arthur Weigall, intelectual Católico) não me impede de modo algum de apreciar a beleza das pinturas do Convento do Carmo ou de atribuir-lhes um sentido espiritual bastante rico. Não preciso crer na veracidade de uma cena pintada para comungar de sua perfeição estética e cuido que o sentido da beleza tenha valor em si mesmo exprimindo um dos múltiplos aspectos do Uno.

Não posso compreender como alguém se exaspere face a beleza e menos ainda que postule sua destruição.

O fato de não crer na temática da pintura não me torna insensível a seus traços delicados, a suas cores, a harmonia dos tons, etc

Por isso sempre disse e digo-o mesmo que um dia viesse a romper com a Ortodoxia jamais deixaria de apreciar a beleza das ícones, do ritual, da música sacra, da arquitetura religiosa, etc Não preciso crer para sensibilizar-me diante da arte ou da beleza, aqui basta sentir. É outra categoria, distinta, de sentimento e de vivência...

Daqui há uma semana lá estarei de novo para ser periciado... 

Uma vez que meu dedinho mindinho esta quebrado e imobilizado rsrsrsrs

Mas nem por isso, após a perícia, deixarei de ir me arrastando e com todo cuidado visitar mais algumas igrejas e monumentos da grande S Paulo. Espaços em que entrarei em contado com o que há de mais nobre em nossa humana condição: o exercício da fraternidade e a presença da Beleza, pois como dizia o literato russo: "A beleza, a beleza, ela salvará o mundo."


sábado, 10 de dezembro de 2016

BRASIL - As motivações ideológicas de um golpe

Se você acredita mesmo que o 'impitima' da presidente Dilma teve em mira acabar com a corrupção deveria começar perguntando-se sobre o 'pôrque' dela jamais ter sido citada na operação 'lava a jato'....
Tudo quanto se falava naquele tempo a respeito dela girava em termos de 'suspeita' ou 'omissão' o que por sinal jamais foi averiguado ou demonstrado...
Lula também era 'suspeito' e continuadamente acusado pela TV Globo, o quanto bastou para que sua indicação ao ministério fosse obstruída...
Os fatos são singelos: Dilma não cometeu um ato sequer de improbidade e todo seu processo seguiu pelos meandros da administração financeira...
Segundo se dizia a presidente era inepta para gerenciar a economia ou havia pecado por responsabilidade, tendo gastado muito com o SOCIAL é claro....
Claro que toda esta análise pode ser classificada como ideológica por implicar o que pode ser considerado prioridade para um governo, o Bem comum ou Bem estar dos cidadãos ou as necessidades do mercado financeiro. Um julgamento como este parte de princípios, valores e pressupostos ideológicos.
Retomaremos este enfoque mais adiante...
Importa saber que Dilma não prevaricou, jamais prevaricou. Não tomou dinheiro público para si, não encheu os bolsos com o produto de doações, não ocultou seus bens e rendimentos, etc, etc, etc
Se pecou, e é questão ideológica ou de interpretação, seu pecado foi venial ou leve em comparação com os pecados de seus denunciantes, digo da maior parte dos congressistas e inclusive dos líderes que a substituíram.
No entanto, apesar da mulher não ter roubado, era um orquestra de panelas ou sinfonia de talheres que não acabava mais, e sob a batuta da imprensa paga...
A Globo orquestrava denunciando o Lula ou repetindo tudo quanto já se sabia sobre o Dirceu e o Palocci e as massas saiam as ruas acompanhadas pelas ovelhas do pr Malafaia....
E era um tal de discursar sobre ética, virtude, moralidade, decência, etc que não acabava mais. Parecia uma sangria desatada....
Claro que todos os males e pecados eram artificiosamente atribuídos ao PT sem quaisquer considerações históricas em torno do passado recente.
Entrementes a horda do PSDB roubava merenda em S Paulo sem que disto resultasse maiores e mais graves problemas, afinal, segundo a praxe corrente eles roubam, julgam e absolvem uns aos outros com a mesma leviandade e a responsabilidade de apurar foi posta nas mãos dos compadres do DEM rsrsrsrsrsrsrsrsrs
Dos trens a merenda assaltavam o erário como ainda fazem mas a mídia paga olhos pra PT...
Ludibriadas pela telinha as ovelhas baliam e declaravam que removido o PT acabar-se-ia a corrupção e floresceria a virtude. E que corrupto algum permaneceria incólume!!!
E profetizavam a continuidade dos expurgos e a total purificação de um Congresso corrupto cuja impugnação aconselhávamos.
Se era necessário punir e castigar a Dilma por pecados tão brandos por que raios absolver e deixar incólume este Congresso cujos pecados eram infinitamente mais graves.
Assim se cabia julgar a presidente era ao povo que cabia julga-la, bem como ao Parlamento...
E isto pelo simples fato de que segundo nossas leis uma presidente jamais poderia ser julgada por sua política econômica senão pelos eleitores através de eleições livres.
Agora se insistiam em julga-la é pelo povo que a elegeu e por meio de consulta popular que deveria ter sido julgada mas não só ela, também o Congresso nacional,
Do contrário nos limitaríamos a substituir um governo supostamente corrupto ou mesmo inocente por um governo notoriamente corrupto e viciado.
O Histórico demagógico desta oposição era já bastante conhecido.
E conhecidas são as manobras imorais levadas a cabo pelo vice presidente e seu partido com o objetivo de obter apoio para a manobra do 'impitima' acenando com cargos e consequentemente proventos... Afinal a oferta de cargos entre nós representa o mesmo que a oferta de pro consulados representava para a estrutura política do Império romano.
Critica alguma neste sentido foi considerada seriamente e tudo foi entregue nas mãos de um Parlamento essencialmente venal e conhecidamente poluído pela corrupção.
Mas a promessa era de que a purificação não teria fim e de que o Congresso tornar-se-ia, oh Sancta simplicitas, auto limpante.
Malgrado esta crença supersticiosas não tardou para que o virtuoso Parlamento que derrubou a presidente honesta forceja-se por postergar os castigos a que a lei dispunha aqueles todos que haviam até que principiassem a sabotar as reformas destinadas a combater a corrupção, e a ameaçar a autonomia dos magistrados inclusive!!!
E caiu do teto do Parlamento uma chuva ou uma torrente de emendas imorais duma tolerância safada para com a corrupção e destinada a mantê-la não apenas viva mas imperante naquele recinto.
Diante disto éramos e somos levados a cogitar sobre a honestidade e idoneidade destes homens e mulheres que após terem deposto uma presidente com base em boatos e suspeitas jamais averiguados consagraram-se logo a tarefa de 'amaciar' justamente as medidas destinadas a extinguir a corrupção política.
Se são honestos por que empenharam-se em tornar as normas e regras mais laças e flexíveis eliminando o necessário vigor com que se deve combater tais crimes????
Caso não devam por que aparentaram tais temores em face da dureza das leis???
Caso suas fichas sejam ilibadas por que demonstraram tanto desconforto face aquilo que estava planejado???
´
Aplique-se aqui o 'Quem não deve não teme' extraía-se o temor e consequentemente a dívida moral dos Congressistas!
Era o que já se sabia por dedução pura e simples.
Agora quantos dos cidadãos que saíram as ruas para gritar contra o PT saíram para gritar contrar estes congressistas safados????
Quantas passeatas, protestos e procissões foram realizados exigindo a deposição deste Congresso venal????
Quantos bateram panelas e talheres face as iniciativas grotescas dos parlamentares???
Pra onde foi a mobilização contra a corrupção após a deposição da Dilma????
Quais as iniciativas tomadas por tais cidadãos diante da ousadia com que nossos demagogos tem buscado diluir e suavizar as medidas anti corrupção????
Quem não percebe que com o apoio de um presidente corrupto e disposto a sancionar em benefício comum laboram apenas em causa própria buscando fugir as malhas da lei, desmobilizar a lava jato (por eles usada matreiramente apenas contra o PT) e restabelecer o status quo do antigo regime (FHC) quando deitavam e rolavam com os recursos do erário????
E no entanto não se ouviu um grito de indignação e fez-se completo silêncio e mutismo.
Agora por que se como alegavam estavam tomados por um santo zelo direcionado a corrupção inventada pelo maldito PT????
Vou responder de modo bem simples e categórico:
Por que o tema da corrupção não passou de desculpa ou pretexto com que desmoralizar o PT e derrubar a presidente legitimamente eleita.
Mas por que careciam de derruba-la???
Porque devido a uma questão de princípios ou de orientação ideológica ela tendia a ser mais resistente face as reformas sociais e econômicas esperadas pelos setores neo liberais ou liberais da Sociedade brasileira. Refiro-me evidentemente aos milionários, banqueiros, patrões, etc Enfim a fina flor da burguesia nacional representada pela FIESP e cujas aspirações ideológicas haviam sido atalhadas há mais de quinze anos pelo governo Lula. Tais setores jamais se conformaram com o abandono da cartilha ou projeto neo liberal até então orquestrado pelo governo FHC.
A situação tornou-se ainda mais grave ou pior para tais setores no momento em que após longa demanda assumida pelo corruptíssimo Cunha prevaleceu em termos legais que os empresários já não poderiam financias candidaturas ou melhor contratar representantes entre os futuros políticos. Destarte a situação tornou-se preocupante e o papel deste congresso eleito com os recursos subministrados por eles tornou-se historicamente relevante da noite para o dia.
Cogitaram e cogitam ainda sob que Parlamento poderia ser eleito em 2018 ou sobre as decorrências de um Parlamento menos dependente deles financeiramente falando. Um Congresso mais autônomo ou livre do Mercado jamais é interessante para eles na medida em que se mostraria menos empenhado em votar e aprovar docilmente tudo quando desejassem... Tanto pior se o Lula retornasse a presidência. Neste caso teriam de postergar a imposição do modelo neo liberal até pelo menos 2028.
De fato este Congresso servil financiado pelas elites econômicas muito prometia e renovava as esperanças dos liberais. Havia porém um seríssimo entrave! A eleição vitoriosa de uma presidente trabalhista e infensa senão a reformas ao menos as reformas mais drásticas ou danosas ao interesse dos mais humildes, alias sua plataforma eleitoral.
Então como a presença da mulher com poder de veto punha em risco as tão ansiadas reformas econômicas a solução foi servir-se dos préstimos oferecidos pela imprensa (a peso de ouro é claro) e clamar por sua deposição.
O apelo em torno da corrupção, ainda que suposta (nela), da moralidade e da virtude foi tomado a pregação fascista neste caso fortalecido pelo puritanismo religioso e seus preconceitos.
Disto decorrendo uma sinistra coalisão entre liberais, teocráticos, fascistas, nazistas e até mesmo alguns monarquistas desorientados. Todos repetindo conhecidos chavões ou palavras de ordem contra a corrupção e jurando de pés juntos que antes de 2000 este país jamais a conhecera... Apesar de um certo FHC ter vendido nossos recursos a preço de banana, embolsado parte deles e empregado com o objetivo de comprar uma emenda destinada a perpetua-lo no poder!!! Refiro-me a escandalosa compra da reeleição...
Por fim, coisa de dois ou três dias chegou a imprensa o que já se sabia por outras tantas denuncias anteriores: Que a antiga oposição ou o novo governo, o presidente golpista, o presidente do Senado, o governador de Sampa, os caciques do PSDB, etc estavam todos envolvidos em esquemas milionários de propina e desvios de verba.
A situação todavia não mudou em nada e ainda estamos aguardando pelo ribombar das panelas...
Até agora silêncio absoluto e total mutismo face a corrupção dos outros, digo do PMDB/PSDB...
Governam o presidente corrupto denunciado dezenas e dezenas de vezes, o Calheiros corrupto alias detonado por ministro M A de Mello, o famigerado ladrão de merenda de Sampa, o ministro serrador e toda malta de canalhas execráveis que inda teem o desplante de vir a público para apregoar as funestas reformas do ensino e da previdência, além é claro da PEC da morte...
E governam....
E fazem bem pouco caso do povo a que alegam representar...
E estão dispostos a burlar todos os mecanismos democráticos com o objetivo de impor tais reformas...
Enquanto o tema da corrupção sai de pauta...
E a virtuosa milícia de paneleiros sai de cena...
E a imprensa presta-lhes os mesmo serviços de sempre editando músicas, jogos, novelas, etc
Neste momento não parece interessante insistir sobre corrupção ou conclamar os telespectadores as ruas para protestar contra o governo Temer.
Resta-nos perguntar por que???
Simples, porque este governo sujo, imundo, corrupto, demagógico e farisaico corresponde perfeitamente aos propósitos do poder econômico porque foi financiado ou contratado i é a imposição de um modelo político inspirado na ideologia econômica liberal ou neo liberal de que decorre:
  • O corte de gastos
  • A eliminação dos programas sociais destinados a contemplar a população mais humilde.
  • A queda de qualidade dos serviços públicos, e enfim
  • As privatizações, com o fortalecimento do setor privado e o aquecimento do mercado.


    Devemos acrescentar ainda os lucros auferidos pelos políticos corruptos durante a festa da privataria, com que contam para perpetuarem-se no poder, a exemplo do famigerado FHC e outros tantos...


    Importa que esses homens sem consciência decretem e imponham a PEC da miséria. Pois na medida em que os miseráveis aumentarem aumentará o mercado de reserva ou a oferta de mão de obra super barata. Segundo sabem e creem os patrões o auxílio oferecido pelo governo aos mais pobres possibilita que estes no gozo da liberdade, recusem-se a trabalhar a preço de banana ou melhor a pão e água e lhes propicia a possiblidade de negociar com o contratante, diminuindo os lucros obtidos pela mais valia e exasperando-os, digo aos patrões.

    Por isso os patrões contam com o corte dos recursos sociais e com o recrudescimento da miséria para lucrar mais intensamente, pois quem não quiser trabalhar como escravo morrerá de fome na sarjeta....

    Já a demolição da previdência social por meio das reformas implicará na consolidação da previdência privada e num enriquecimento substancioso dos banqueiros....

    Por fim através da reforma do Ensino esperam reduzir ainda mais sua qualidade já duvidosa e privatiza-lo por completo... Sempre com agravo dos mais pobres e humildes.

    Tudo isto faz parte de um programa mais amplo de inspiração liberal ou neo liberal bem a gosto de nossos coronéis e caciques e como o novo governo golpista esta decidido a fazer-lhes as vontades e a impô-lo a fina força sua corrupção, ao contrário da do PT, é supinamente desconsiderada. Resta-nos concluir que o tema da corrupção não passou de desculpa com o objetivo de derrubar um governo menos corrupto, mais livre e portanto mais resistente.

    Assim trocamos ou substituímos um governo que não era santo, puro, imaculado ou impecável por um que é sem sombra de dúvidas bem mais sujo e corrupto e que além disto é contrário ao bem comum ou aos interesses populares de modo geral, uma tragédia....

    Não o golpe não foi contra o PT mas contra o povo brasileiro, agora estão prestes a romper todas as cordas do lado mais fraco e os mais pobres estão prestes a serem sacrificados para pagar as dívidas de uma crise enquanto os mais ricos estão prestes a lucrar ainda mais e a colher os frutos!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Humanidade, tempos de auto contenção ou de extinção

Tempos houve em que não passávamos de algumas dúzias de seres simiescos a vagar pelas savanas da mãe África.

Pouco depois as primeiras levas de Sapiens atravessaram Península do Sinai e iniciaram sua grande aventura pelos dois grandes grandes continentes do mundo antigo.

Bem podemos comparar essa travessia como a ruptura de um dique e a uma inundação, melhor dizendo a um dilúvio em que marés de sapiens espalharam-se pela mãe terra varrendo tudo, inclusive os demais ramos da espécie, como os Neandertais e o H das flores, senão outros cuja existência ainda ignoramos enquanto não redescobrimos nossa História.

O fato é que os bem preparados Neandertais desapareceram como dizem aniquilados pela explosão de um grande vulcão localizado nas proximidades de Napoles. No entanto a explosão por grande que fosse não aniquilou todos os neandertais, embora tenha reduzido bastante seu número. Sempre poderiam ter se reproduzido, multiplicado e recuperado, no entanto não o fizeram. Certamente porque nossos belicosos ancestrais souberam das um empurrãozinho.

O catástrofe natural fez sua parte, não o negamos. Noutra conjuntura porém, em que não entrasse o Homo Sapiens cá estaria o Neandertal, talvez erguendo cidades e arranha céus... O que o cataclismo vulcânico iniciou foram nossos 'meigos' ancestrais que concluíram e disto resultou a eliminação de mais uma forma de vida.

No decorres desta expansão a princípio lenta tiveram os animais da Eurásia, já habituados a presença - nada amistosa por sinal - dos neandertais, tempo suficiente para aprender a desconfiar do novo tipo de homem e a fugir dele ocultando-se nas selvas e fendas da terra. Pois os que não se ocultavam e escondiam eram logo abatidos pelas lanças atiradas com o auxílio do propulsor e enfim das certeiras flechas.

Desde que os propulsores e arcos foram inventados os pobres animais, por colossais que fossem já não tiveram paz e sossego exceto nos ínvios sertões ou nos recônditos dos ermos. E lá fossem mamutes especialmente, ia o homem busca-los. Pois precisava de gordura para o lume, de pele para as roupas, de ossos para os implementos e especialmente de carne para o estomago.

Assim sendo a que correspondiam os mamutes, rinocerontes lanudos, a rena, o grande alce, o auroque, etc senão a dispensa cheia de nossos dias ou a fartura???

Eram tempos difíceis aqueles. O homem precisava lutar para garantir a sobrevivência da espécie. Precisava matar sem contemplações. E matou, e quanto mais sua população crescia mais matava. E continuou matando, até que diversas espécies não mais resistiram e deixaram de existir. Porque seu ritmo reprodutivo era mais lento do que a atividade carniceira de nossos ancestrais.

Assim a cerca de quatro mil anos, na longuiqua Ilha de Wrangel, nos confins da Sibéria chegaram os primeiros homo sapiens e supliciaram os últimos mamutes, tombando o derradeiro membro da espécie sem que fosse derramada uma única lágrima. E como não vivemos num mundo de poesia, muito provavelmente o céu não ficou turvo por aquela espécie que chegava a seu fim...

Muito antes disto porém, haviam já nossos perspicazes ancestrais inventando canoas de boa qualidade com que pudessem rasgar o denso véu cristalino dos mares e chegar a outros mundos inexplorados. Assim sendo dia houve em que este ser inquieto tocou ao paraíso dos marsupiais, a Austrália. Isto sem que a terra nossa mãe desse um único gemido...

É suposto que tal evento tenha se dado há cerca de 40 ou 45 mil anos passados.

A bem da verdade o clima local passava por algumas transformações. A despeito das quais a natureza sempre havia sabido recuperar-se.

Desde então, com a chegada dos 'trogloditas', tudo seria bastante diferente. Pois não traziam consigo apenas o fogo mas a fatídica queimada por meio da qual acabavam com as florestas, ilhavam e perseguiam os animais. Animais que por não estarem habituados com aquela presença estranha sequer cogitaram em fugir. Alias fugir para onde???

Assim tombaram sem saber porque levados por aquele vendaval humano.

E extinguiram-se o leão marsupial, o wombate, o coala gigante, o canguru gigante, etc, etc, etc

Uma a uma cada uma dessas espécies foi sendo literalmente aniquilada por nossos ancestrais.

Os quais não pararam por ai mais ao que parece correram pelas ilhas e ilhotas ainda não totalmente cobertas pelas águas e acompanhando o curso do litoral da Antártida chegaram a Patagônia e a América Sulina, enquanto ao mesmo tempo ou pouco depois outra leva de sapiens penetrava o mesmo continente pelo Norte ou seja por Behring.

Quando isto se deu não sabemos ao certo. Seria a 30, 20 ou mesmo 15 mil anos??? Responder com precisão não o podemos.

Sabemos no entanto que ao cabo de dez ou cinco mil anos espalharam-se por todas as partes deste novo mundo produzindo um efeito não menos devastador que os colonizadores espanhóis trazidos por Colombo.

E 9000 anos antes de Colombo já haviam dado cabo do tatu gigante, do soberbo Megatério, dos camelídeos, das manadas de cavalos, etc, etc Em nome da auto suficiência nossos antepassados acabaram com tudo. Supostamente não caçavam nem devoravam dentes de sabre, mas concorriam com eles e subtraiam-lhes o até então farto alimento. Pelo que devem ter sido abatido pelo mais negro de todos os flagelos e morrido de fome!!! Afinal de contas nem mesmo seus dentes ameaçadores eram capazes de rivalizar com o aparato técnico do homo sapiens... E o mais valente e astuto dos smilodontes não seria capaz de concorrer com nossas lanças e frechas...

Importa saber que o mesmo desastre ecológico repetiu-se infinitamente todas as vezes que alguma sociedade humana embarcada em suas canoas topou com uma Ilha até então desocupada e deserta fosse ela Madagascar, Nova Zelândia, Marquesas, Salomão, Samoa, etc Para onde se instalavam levavam por assim dizer a guerra... Assim sendo outro não podia ser o destino da Moa ou do Lêmure gingante senão a aniquilação.

Ao cabo desta peregrinação ou viajem iniciada a uns 60 mil anos, lá na África ou melhor ao cabo de vinte mil anos estava a existência de nossa espécie praticamente consolidada na medida em que ocupava todos os continentes.

A contrapartida no entanto era assombrosa, pois em cinquenta ou sessenta mil anos havíamos exterminado centenas de preciosas e admiráveis formas de vida - e me refiro apenas aos grandes mamíferos - com que a dinâmica evolutiva brindara a mãe natureza ao cabo de cinquenta milhões de anos... E quando a cruz foi arvorada no cume do calvário o calvário de tais espécies já havia sido consumado a muito tempo. Não sendo mais dado a nossos olhos contemplar os modos de tantos e tantos seres fascinantes.

Apesar disto há cerca de 2.700 anos, alguém, lá nos confins ou desertos da antiga Judeia fez questão de escrever: Crescei e multiplicai-vos, colocando tais palavras na boca de seu deus étnico Jao.

Para tal povinho isolado equivaliam tais palavras a um mandamento divino.

Ademais ainda havia muito espaço no mundo, muita selva, muita floresta, muitos animais não abatidos, etc

Porquanto o Homo Sapiens continuou a multiplicar-se e a crescer.

Cerca de dois mil anos foi este conselho adotado por outros povos e culturas, também a guiza de mandamento divino e chegou a ser anexado ao ritual do Matrimônio.

E a espécie continuou a multiplicar-se, a crescer e a espalhar-se ainda mais.

Embora a sujidade, as guerras, a fome e a peste fizessem seu trabalho, ceifando outras tantas vidas.

E ficava a balança equilibrada.

Acontece no entanto que aquele mesmo ser inteligente ou melhor esperto que inventara os machados de pedra, lanças, propulsores e frechas concebeu também as vacinas, os soros, a esterilização, os medicamentos, a cirurgia, a higienização, etc, etc, etc... Ficando desde então garantida a sobrevivência da maior parte dos nascituros e alargada a existência dos adultos... pelo que nos últimos dois séculos chegaram a aparecer casais com vinte ou mais filhos!!!

Os homens multiplicaram-se por demais e cresceram ao infinito. Orçando a casa dos milhões e enfim dos bilhões.

Foi quando um clérigo inglês de rara inteligência, achou por bem advertir os zelosos observantes do mandamento hebraico a respeito de que o espaço ou a terra não aumentava de tamanho, nem as terras, nem os campos... Disse, falou, escreveu e discorreu com impeto a respeito do óbvio: A limitação de nossos recursos e o descompasso existente entre o ritmo da fauna, da flora e daquilo que orgulhosamente cognominamos progresso.

Afinal, amigo leitor, apenas ao cabo destes últimos dois séculos nossa vaidosa espécie ou ao menos diminuta parte dela pode compreender que equivalemos a parte da natureza e não ao todo. Afinal não somos seres autótrofos i é que sintetizam clorofila e fabricam seu próprio alimento... Ao que parece dependemos de outros seres, os quais imolamos tendo em vista a obtenção de suprimentos (proteínas) e a conservação da vida. Esses outros seres por fim, sendo animais, são igualmente heterótrofos e tal qual nossos vegetarianos obtém seu alimento a partir das únicas formas autótrofas de vida representadas pela flora.

Senso assim: aniquilados todos os representantes da flora, destruídas todas as florestas, devastada toda mataria 'inútil' dão-se por perdidos todos os animais inclusive nós! Deem por certo que quando murchar a derradeira folha de arvoredo estamos condenados a morte por inanição e extintos a exemplo daqueles que nós mesmo extinguimos no passado.

Coexistiremos harmoniosamente com os representantes da fauna e da flora ou caminharemos para o suicídio coletivo.

Isoladamente, como senhores orgulhosos da devastação, não podemos existir.

Todavia para respeitar o fluxo da natureza há uma única saída.

Nossa espécie precisa diminuir o número de estômagos e bocas. Pois a natureza já não pode fornecer o montante que lhe é exigido por bilhões de bilhões. E seu ritmo já não acompanha nossas necessidades, impostas por este mandamento, ora estúpido e contraproducente do 'Crescei e multiplicai-vos'. Ao menos que anjos desçam dos céus trazendo pão ou que chova arroz, feijão e carne este mandamento converteu-se num mandamento suicida e numa ameaça a civilização.

Do que precisamos atualmente é de restrição, de planejamento, de controle racional da população.

Atualmente importa não crescer e não multiplicar mas reduzir ao máximo nosso ritmo de crescimento.

Do contrário seremos levados a contaminar água, terra, ares... a exterminar as poucas formas de vida animal que ainda restam e cortar a última árvore por fim. Talvez até consigamos prolongar nossa existência por um ou dois séculos convertendo todo espaço existente em plantações e pastagens gerenciadas pena mais alta tecnologia, mas será uma sobrevivência triste. Pois a exceção dos cães, gatos, ratos, coelhos e talvez alguns cavalos (além do gado bovino de corte é claro) todas as demais formas de vida só poderão ser contempladas em álbuns de fotografias ou em livros, a guiza de recordação. Quiçá alguns de nossos descendentes contemple choroso a imagem de uma zebra ou de uma girafa, ou de um leão tal e qual nós mesmos contemplamos a de um mamute ou megatério...

Então ao cabo de dois ou três séculos, por não termos sido capazes de reeducar-nos, de mudar nosso modo de vida, de conter nosso ritmo virá o colapso, a fome, a miséria, a convulsão social e o fim ou quiçá alguma nova Idade da Pedra muito primitiva e precária. A partir da qual teremos de reiniciar nossa marcha...

A outra possibilidade com que acenam os tecnocratas é colonizar outros planetas, para lá transplantando o excedente populacional bem como nossos insumos agrícolas. Talvez seja o caso de esgotar por completo os recursos naturais desta terra até abandonar sua carcaça imunda... Acaso não procedem assim os vermes???

O ideal no entanto, e este ideal nem sempre fica bem escondido, é dar com um novo 'continente' ou melhor com outro planeta cheiinho de formas de vida capazes de nos sustentar. Caso este dia infeliz venha a raiar nossos mestres e lideres proclamarão alegremente que aquelas criaturas ou formas de vida não sendo humanas ou sendo inferiores não tem o direito de existir ( a menos que existam para servir-nos) seguindo-se a mesma triste história de sessenta mil anos atrás. Faremos deste novo e infeliz planeta nossa vaca ou melhor nosso mamute cevado... exterminaremos uma a uma suas espécies e esgotaremos seus recursos naturais...

Caso semelhante possibilidade se concretiza estaremos evidenciando que não passamos de um vírus ou duma bactéria nociva espalhada no corpo do Universo...

Já fomos comparados com o câncer, mas ainda temos a possibilidade de olhar para o passado, de contemplar nosso saldo de destruição, de encarar a sujeira moral por nós produzida e enfim de limpar nossa ficha. Talvez seja a derradeira chance que nós é concedida. Aproveite-mo-la tendo em vista restringir as loucas pretensões que nos são ditadas pelos preconceitos religiosos e pelo fanatismo. Aproveite-mo-la para criar uma vida de respeito, amor e comunhão com a fauna e a flora. Aproveite-mo-la para desenvolver a fraternidade e mostrar gratidão para com a mãe natureza.

Mostremos que somos verdadeiramente Sapiens integrando-nos a mãe natureza numa perspectiva solidária, porque aquilo que o homem semear isto haverá de colher.

Portanto cessemos agora de semear a dor.

Ou colheremos lágrimas amargas.

Crise de civilização: O momento crucial porque passamos!

Imagine que um grande navio atravessando as vastidões do Oceano enfrenta ora momentos de calma e bonança, ora momentos de tormenta em que corre risco iminente de sossobrar e ficar eternamente sepultado sob espuma marulhante...

Nos momentos de calma e bonança o capitão não tem que preocupar-se em demasia com a qualidade daqueles que ocupam os postos no navio... Nos momentos de perigo todavia ele certamente escolhe os mais aptos e preparados para que juntos possam superar os desafios da tormenta e salvarem-se uns aos outros!

Não sei se a História deste planetoide obscuro possuí capitão. Digo capitão que desperdice seu tempo escolhendo os oficiais que haverão de resistir a tormenta. Afinal o capitão supremo e infinito não habita entre nós...

No entanto caso tenhamos sido lançados e existência com algum tipo de propósito ou cálculo, nós que vivemos no momento presente - refiro-me aos Ocidentais do século XXI - devemos ser especiais e feitos de rija tempera, pois tal os tempos, tal o homem e passamos por tempos incomuns, daqueles que marcam a História e a memória.

Sendo assim não devemos invejar aqueles que viveram do século III ao V ou mesmo VIII desta nossa Era e que assistiram não a queda do Império Romano, mas ao sossobrar fragoso de todo mundo antigo e duma herança ancestral acumulada por mais de três mil anos!

Refletindo na esteira do brilhante V Gordon Childe não mais aprecio a batida expressão: Queda do império romano, por inexata, insuficiente ou mesmo falaciosa. Império romano foi repositório da cultura grega ou helênica, esta das culturas egípcia, fenícia e babilônica; estas das culturas sumeriana e indiana, dentre outras. É todo uma caudal ou corrente compósita de civilizações que vem ter em Roma e a queda de Roma perante os teutônicos ou de Bizâncio perante os muçulmanos é a o ponto final de um mundo ou universo específico.

É todo um mundo que entra em colapso e declina com o Império romano.

E não afundou de um dia para o outro mas em decorrência de uma crise de identidade ou de um lento processo que arrastou-se por diversos séculos.

Claro que há elementos de natureza econômica e são preponderantes. Mas talvez não sejam os únicos...

Não me estenderei agora por esta direção.

O que desejo salientar aqui é que a queda de Roma é momento em que a civilização de desintegra, decompõem, dissolve e evolve ao 'nada' ou ao quase nada. É momento de crise e Roma só cai e deixa de existir em decorrência desta crise, econômica certamente, mas também de consciência e cultura.

A econômica foi brilhantemente deslindada por Childe, Huberman e outros mestres brilhantes. A da cultura por uma plêiade de analistas vigorosos, assim Th Momsen, W Oncken, etc 

Mas a que propósito vem isto pergunta o amigo leitor.

Quando o Império romano ou melhor dizendo a cultura ancestral entrou em colapso uma organização recém aparecida mas que comportava uma força colossal: A Igreja antiga, Católica, Cristã Ortodoxa, Episcopal ou como queiram chama-la tomou os elementos mais significativos daquela civilização desorganizada, caótica e decadente que estava a ser materialmente aniquilada por bárbaros germânicos e árabes, agregou-os, deu-lhes novo sentido e plasmou uma nova civilização capaz de subsistir por cerca de mil anos, talvez menos, pouco menos.

Não, não foi uma civilização perfeita, ideal, pura, sem pecado, isenta de contradições que isto não existe. Não existiu no auge da civilização antiga e não existe, jamais existiu. Mas logrou essa força, o Cristianismo antigo, salvar e conservar alguns fragmentos preciosos de cultura antiga, assim algumas partes de Filosofia - assim Platão, assim Aristóteles, assim Cícero, Vírgilio, Horácio - e alguns vestígios de arte que do contrário - não fosse essa força muitas vezes menosprezada - teriam perecido para sempre.

É verdade que durante o prolongamento ou continuação imaterial da crise (séculos VIII ao XII) tais fragmentos permaneceram encerrados nos mosteiros e no acesso de pouquíssimas pessoas. Todavia o fato da semente permanecer repousando sob a terra antes de vir a germinar e a dar fruto não tira o mérito daquele que a lançou... Pelo que rendemos os créditos dos futuros renascimentos literário, filosófico e artístico ( cujas condições foram produzidas por um Renascimento econômico cuja gênese é específica) tanto aos monges e bispos copistas assírios ou nestorianos do Oriente quanto aos monges copistas da antiga Irlanda. Quase tudo quanto pode ser futuramente explorado pelos Ocidentais após o Renascimento econômico dos séculos XIII e XIV foi transmitido por eles. Sem este elo da cadeia seriamos muito mais pobres...

seja como for a estabilidade e a produção ordinária de cultura vão sendo paulatinamente restabelecidas e obedecendo a um ritmo e significado próprios a partir de 1200. Tanto este ritmo quanto este sentido plasmam como já dissemos uma nova civilização e uma nova Idade - a Idade média ou baixa Idade Média (porque a alta Idade Média é por assim dizer a Idade Média em termos de estabilidade e cultura, especialmente os séculos XIII e XIV)  - a qual no entanto conhece um declínio bastante rápido e pronunciado (em meados do século XV) até desaparecer ao cabo de meio século de transformações materiais, técnicas e enfim CULTURAIS OU INTELECTUAIS.

A crise suprema, de cultura imaterial ou intelectual surge mais uma vez ao cabo da crise econômica ou as mudanças econômicas, materiais e técnicas; e prolonga-se para muito além desta até que nova síntese cultural ou modelo de civilização seja elaborado e a estabilidade restaurada.

A Idade primitiva conheceu esta estabilidade cultural. A Idade Antiga conheceu esta estabilidade ida que por um menor período de tempo e enfim conheceu-a a Idade Média por brevíssimo espaço de tempo. Pois em que pesem as crises e rupturas todas estas Fases e Idades conheceram a transmissão da cultura ou a Permanência. Assim a religião ancestral introduziu os elementos da cultura primitiva na Idade Antiga após as mudanças de produção e técnica porque passou e podemos dizer que naquela fase áurea não ouve uma crise de identidade ou consciência mas avanço tecnológico apenas. O qual prolongou-se após algumas 'crises' episódicas e de menos grau até a queda do Império romano, quando a humanidade letrada conheceu sua primeira e grande crise global ou se querem Ocidental.

No entanto ali estava como já dissemos a instituição Cristã, muito bem organizada e disciplinada com seus Bispos e Monges letrados disposta a salvar todo quanto lhe fosse significativo. Por isso lemos a Antígona de Sófocles e a República de Platão ou a Amizade de Cícero...

E mil anos depois ali estava ainda o mesmo Cristianismo ja sob a forma de um papado monárquico contagiado até a medula pena Renascença humanista e capaz de mais uma vez identificar-se com os ideais da cultura clássica afirmando-os face a nova crise emergente.

Importa dizer que após o término da crise 1530 (???) e o fim da Idade média não produzimos uma cultura estável, mais ou menos coesa ou uniforme em torno de um núcleo ideológico comum. O que a religião ancestral fora para os primitivos, o que a paidéia grega fora para os antigos, o que o Catolicismo e os restos de Paideia haviam sido para os medievos e Renascentistas da primeira leva NÃO TEMOS. NÃO TEMOS, NÃO TEMOS...

Porque desde Lutero e sua reforma temos apenas materialismo, técnica, econômica. Em termos de cultura propriamente imaterial, em termos de epistemologia ou de crenças religiosas tudo quanto temos hoje é epifenômeno da dúvida ou do ceticismo. Não temos verdades, não temos nada de intelectualmente positivo, não temos nada de metafisicamente relevante nestes tempos de continuidade e agravamento da Crise.

Passamos por uma fase ou por um tempo de ceticismo crasso ou crônico, a qual como já se disse é incapaz de produzir elementos intelectuais ou imateriais revelantes a ponto de conferirem estabilidade e certa unidade a cultura. E temos uma cultura fragmentada em inúmeros elementos contraditórios ou caóticos, um turbilhão de partículas separadas e de homens que são como mundos que nunca se encontram e jamais dialogam.

A princípio, como todos os seus erros (alguns bastante graves por sinal) o Cristianismo ocidental, papismo ou romanismo - AO MENOS PARTE DELE - buscou em maior ou menor medida reintroduzir estes elementos de unidade e reorganização em termos de epistemologia aristotélica, direito natural (hoje direitos humanos) e até mesmo de justiça social. Busca esta que prolongou-se até o colapso da Igreja romana nos anos 60 por ocasião do Vaticano II. Desde então embora ela tenha mantido de forma muito sumária e restrita tais valores foi invadida pelos elementos ou pelo conteúdo que até então denunciava (relativismo, subjetivismo, etc) e perdeu grande parte de seu prestígio e influência.

O papel que a religião ancestral desempenhou no mundo antigo, que a paideia grega e a igreja antiga desempenhou no mundo medieval (cf Jaeger 'Paideia grega e paideia Cristã'), que o papismo representou no fim da Idade Média e até meio século atrás não há instituição que possa representa-lo hoje em 2016 e já Toynbee e outros que acompanharam a agonia e o fim da igreja romana enquanto elemento social unificador e dinâmico, avaliaram esta situação como única e dramática. Cientes - com Coulanges, Mauss, Dawson - de que a religião e a Filosofia, a Filosofia e a religião sempre desempenharam papel de máxima importância quanto a produção, transmissão, afirmação, estabilização e unificação da cultura (necessária a existência de uma Civilização) parte dos intelectuais deixou-se contagiar pelo pessimismo e com Huizinga, Spengler, etc proclamaram o fim do ciclo ou da civilização Ocidental embalada pelo divino Sócrates e patrocinada por Alexandre há quase vinte e cinco séculos.

Após os círculos do ceticismo e do materialismo terem se fechado parece não haver mais qualquer possibilidade religiosa para o Ocidente após o Cristianismo (Nós restringimos tal afirmativa aos padrões Católicos: ortodoxo, anglicano e romano.) que parece ser a menos problemática e a mais evoluída das crenças religiosas mesmo sob o ponto de vista natural (aqui Bertrand Russel). Krisnamurti já apontou com propriedade o vão esforço de produzirmos um civilização sobre bases céticas ou materialistas. Pelo que o já citado filósofo da História, Toynbee, para escapar a maré ascendente de pessimismo imiscuiu-se (quase que como K Marx) pelos meandros sutis da profecia postulando o surgimento de uma nova síntese religiosa no Oriente médio, isto pela última quadra do século XX. Conciliando o humanismo, a ciência e a metafísica, elementos filosóficos, positivistas e hindus este novo padrão religioso superaria definitivamente a rivalidade islâmico/Cristã trazendo paz ao mundo, Unidade a cultura e suporta a civilização do futuro.

Nem preciso dizer que semelhante oráculo não se concretizou.

Assim temos hoje: O SALAFISMO, o ISIS, o TALIBAN, etc fazendo peripécias no Oriente. O sectarismo fetichista e bíblico dominando o Cristianismo Ocidental. Uma ciência cada vez mais cientificista e não só ateística e materialista como anti ética. Um humanismo ameaçado pelas culturas de morte com seus venenos totalitários, Nossa herança grega em termos de epistemologia objetiva ou realista cada vez mais negada ou esquecida. Um total entorpecimento em termos estéticos ou artísticos; enfim mundos em colisão, sociedades em conflito, culturas em choque e nada de Civilização.

Dentre este cenário caótico e negativo apenas os herdeiros do protestantismo, legatários de um ceticismo e de materialismo tímidos e paladinos de um individualismo economicista ou seja capitalistas ousam falar numa nova civilização pós medieval elaborada por eles lá nos Estados Unidos. Tal a única proposta de Civilização que em certa medida estendeu-se pelo Ocidente pulverizando os elementos humanistas da cultura antiga.

Temos aqui o ideal de civilização protestante, liberal economicista ou yankee (porque forma uma solidariedade cultural ou modelo mais ou menos uniforme construído naquela República) e já foi cognominado Americanismo ou câncer americano (Aron e Vailant). É o único modelo mais ou menos consistente que nos é apresentado num cenário geral de ceticismo, materialismo, totalitarismos e islamização. Ao ceticismo epistemológico e ao materialismo crasso opõem os yankees uma espécie de metafísica que desenvolveram em torno do lucro e do dinheiro numa perspectiva individualista. Uma espécie de religião ou culto do ego voltada para necessidades econômicas ou como dizem para o Mercado.

O Mercado este existe e dele não duvidam nem podem duvidar os apóstolos deste novo culto. E até se auto regula, em que pesem as crises, que eles sempre atribuem ao controle exercido pela Sociedade ou pelo Poder político, em que de fato não creem...

Como se vê e sabe ali tudo começou pela Bíblia, a luz do livre exame e naturalmente, depois, vieram, as seitas, as disputas e a total ou quase que total falta de fé. No capital porém encontraram os Yankees digno substituto para seu javé e nos livros de Smith, Ricardo, Molinari, Bastiat e mais ainda nos de Mises, Hayek e Fridmann a nova Bíblia com os dois testamentos: velho liberalismo e neo liberalismo... Há ali templos que são bolsas de valores. Sacerdotes que são acionistas e empresários. Culto que é o trabalho alheio e evidentemente hóstias ou sacrifícios que são os trabalhadores ou a gente humilde esmagada pelo peso da miséria.

Seria um ideal de civilização a ser seriamente analisado se como declarou o Filosofo estivesse destinado a fazer sumamente felizes o maior número possível de pessoas.

O liberalismo econômico no entanto não faz consideração em termos de pessoas ou de Sociedade. Para ele tudo quanto existe é a iniciativa privada e necessidades individuais que cada qual satisfaz segundo suas capacidades. Aqui quem não satisfaz, quem não se adapta ou se acomoda, quem não deixa comandar ou explotar pelo 'mais forte' é vencido, quando não vagabundo e esta é a lei da vida, a lei eterna que rege o universo e que foi ultimamente descoberta pelo vidente Mises.

Tudo quanto existem são unidades individuais (sic) empreendedoras num cenário natural de disputação ou concorrência e tudo quanto o Poder público deve fazer é velar para que a concorrência seja livre. Fazer algo pelos derrotados, miseráveis ou humildes seria anti natural!

É o Mercado impessoal e soberano e não o patrão que por puro capricho seleciona arbitrariamente os afortunados. Que é afortunado o é por qualidade e competência e questionar isto é simplesmente absurdo.

Mas é ou foi o protestantismo e não o liberalismo que separou as pessoas ou a comunidade em individuos no momentos mesmo em que ousou apresentar a Instituição do Cristianismo como uma relação individual com Deus na qual o homem bem pode salvar-se sozinho, isolado em seu egoísmo e sem se preocupar com seus irmãos os demais homens.

O liberalismo econômico veio depois e aproveitou-se certamente da situação, tirando partido da nova realidade cultural ou ideológica.

O terreno, repito em alto e bom som fora preparado pelo Dr Lutero ou pelo protestantismo no momento mesmo em que excluiu da econômica Cristã - inda que provisoriamente - os conceitos sociais ou gregários de igreja visível, mediação sacerdotal e obras éticas propondo um novo modelo religioso e espiritual centrado apenas no ego. A busca de uma salvação individual ou pessoal desvinculada da dimensão comum, eclesiástica ou social tinha mesmo de dar onde deu, numa economia individual, numa política individual ou negação da política (Estado mínimo/ Stirner), numa moral individual ou individualista (Rand) e até mesmo numa arte individualista. Pela porta da religião o individualismo apoderou-se de toda cultura ou de todas as esferas da cultura até formar uma anti civilização ou uma civilização anti humanista em tudo oposta a nossa herança clássica e a nossa herança Cristã as quais pensavam antes de tudo em termos de Pólis e de Igreja, jamais em termos de individuos.

Havia decerto o espaço da pessoa. O qual todavia jamais conflitava com a dimensão social da fé ou com a dimensão social da política.

Aqui o individualismo e suas necessidades egoístas ou psicopáticas por assim dizer tudo dominaram e produziram uma cultura para a qual o homem nada é ou para qual as exigências do Mercado, o capital ou o lucro foram postos acima da pessoa. Relação de já foi definida em termos de TER X SER.

Todas as civilizações antigas foram todas pelo SER. A nova civilização surgida no Norte das Américas ao tempo em que a Europa alienava-se de seus valores e se desagregava como civilização (seculos XVI e XVII) é decididamente pelo TER.

A reorganização e o sentido dados ali sob o influxo do protestantismo tendiam a um liberalismo exacerbado em todas as instâncias do ser. Por isso na terra do protestantismo o capitalismo evoluí cada vez mais num sentido ANACAP e não creio que seja por coincidência ou que as coisas possam se dar doutra forma. A um tempo político por seu conteúdo anti político e social e a um tempo econômico por sua insistência mórbida em torno da excelência do Mercado julgo que este modelo de pensamento corresponda a forma mais desenvolvida do individualismo.

Agora por que raios o protestantismo não produziu o mesmo efeito cultural na Europa???

Simples gênio, porque ali de par com ele haviam elementos - as vezes até inconscientes - da cultura ancestral e gregária mantidos pela velha igreja romana ou pelos catolicismos. Mesmo nos locais onde a nova fé suplantou a antiga haviam Catedrais, torres, sinos, cruzes, calvários, instituições culturais, etc Havia cultura Católica e nela cultura pagã ou cultura helênica e esta não pode ser destruída de imediato pela nova fé.

O desconforto dos reformadores mais dedicados tinha sua razão de ser justamente nisto, em que o povo mudava de fé mas não mudava facilmente de costumes e as instituições sociais perpetuavam-se e perduravam mesmo quando eram rotuladas como anti bíblicas. O ideal iconoclástico e fanático acalentado por alguns implicava erradicar todos os monumentos e vestígios da fé ancestral e por produzir um novo modelo de sociedade, uma sociedade que partisse dos moldes bíblicos do antigo israel numa perspectiva protestante e houve quem pensasse em termos tão radicais quanto menonitas e amishes inclusive em termos de técnica.

Sonhavam com um mundo totalmente novo sem cruzes, torres, sinos, bispos, pinturas, enfim tudo quanto lembra-se o Catolicismo e seus elementos pagãos e politeístas ou idolátricos como diziam. Era toda uma febre ou delírio que levou os puritanos ingleses do século XVII a destruir até mesmo os antigos padrões reais.

Poder destruir símbolos e emblemas até podiam mas a cultura é que não podiam destruir pelo que encaravam-na como poluída. A Apostasia da igreja romana e sua paganização havia contaminado a infeliz Europa durante toda Idade Média e deseducado a Cristandade. Mesmo após o surgimento da luz, como diziam os pregadores protestantes, alguns dos cidadãos ao contemplar os antigos emblemas sentiam renascer a fé antiga e regressavam ao papismo inda que tivessem de enfrentar as sansões do poder secular.

Era uma situação desconfortável porque não dava para produzir de imediato uma cultura protestante pura e consequentemente uma nova civilização isenta de elementos 'católicos'.

Neste sentido o surgimento de um novo continente, Virgem em termos de cultura européia - a cultura indígena sequer era considerada), passou a ser encarado providencialmente ou como uma benção divina e os sectários - que se sentiam oprimidos pelo simples fato de terem de conviver com os Bispos anglicanos paramentados, as cruzes, as catedrais, os sinos, os órgãos, etc - puderam concretizar seu sonho no sentido de criar uma civilização protestante pura. Essa cultura de fundo protestante ou civilização protestante é a cultura Norte americana ora marcada não mais pela religiosidade bíblica ancestral mas pelo capitalismo ou pela religião de mercado. O elemento comum que representa a continuidade é o ideal individualista presente em todos os setores da existência da religião a economia passando pela política.

A partir da religiosidade ancestral os primeiros povoadores da América do Norte puderam imprimir um sentido individualista a todas as esferas da vida humana e este pode desenvolver-se bastante rapidamente pela simples falta de uma cultura oposta capaz de conte-lo. Consciência social ou gregária não estava presente ali. O individualismo religioso medrou e desenvolveu-se até secularizar-se sob a forma de capitalismo e assumir ultimamente sua forma acabada: o projeto ANACAP. Em certo sentido este projeto é o último herdeiro direto do protestantismo...

Compreendem agora porque estamos lançados num conjuntura tão grave quanto aquele que teve lugar após o fim do Império romano, e sem instituição que nos possa valer.

Como somos levados falaciosamente a optar pelos extremos da ausência de civilização (representada pelas culturas de morte surgidas na Europa - comunismo, fascismo e nazismo) e a proposta duma anti civilização ou dua civilização anti humanista...

A encruzilhada da existência conduziu-nos a este terrível dilema.

O que a ética se é que assim nos podemos exprimir, espera de nós é a negação desta falsa cultura Americanista e sobretudo esperança de dar com uma solução cultural eficaz no sentido de forjar uma nova civilização humanista, que resgate o elementos do passado e nos reconcilie com a herança ancestral.

Faremos nós jus a esta tarefa?

Estaremos a altura de semelhante desafio?

Seremos nós os homens certos?

Estaremos nós no lugar e no momento certos?

Fomos escalados por algum capitão?

Corresponderemos a tão prementes necessidades?

Ou assistiremos o fim da civilização e quiçá da humanidade, enfeitiçada por um modelo que nada tem de ético???

Tais as minhas cogitações e perguntas ao querido leitor.

Porque eu mesmo me sentiria bem melhor no século V a sombra da igreja antiga e ao lado de um Boécio... ou no século XVI ao lado de um Morus ou de um Campanella e mesmo algum tempo depois ao lado de um mably, um Morelli ou um Lammenais. 

Diante de tudo quanto presencio em termos de cultura sinto-me um tanto desanimado, partilhando os mesmos temores de um Huizinga e de um Spengler sem as ilusões de um Toynbee. 



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ABORTO - Um ponto de vista

Aborto é o assunto ou questão do momento e por isso preferiríamos passar a largo dele...

No entanto após dar-mos em nossa 'time line' com algumas considerações expressas pelo amigo Maykon e as quais correspondiam exatamente com nosso ponto de vista, optamos por meter a colher e soltar o verbo...

Lançando farpas contra gregos e troianos...

Afinal, como o porco espinho, já se sabe que somos ásperos por todos os lados rsrsrsrs

Tornemos porém ao Maykon, o qual registrou estar impressionado com a miséria dos argumentos oferecidos pelos extremistas e fanáticos de ambos os lados.

Referi-mo-nos tanto aos apóstolos do abortismo quanto a seus críticos idealistas e hipócritas.

A uma lado damos com uma verdadeira mística capaz de encarar o aborto ou melhor sua legalização como uma espécie de alavanca destinada a guindar a espécie humana as alturas da evolução e do desenvolvimento, o que nos remete ao modo como os liberais economicistas encaram o Mercado e como os anarquistas encaram a extinção dos impostos!

Da cornucópia dourada do aborto saíra justiça social, espirito científico, emancipação, esclarecimento a apoteose da civilização enfim e todo um novo mundo fantástico e maravilhoso...

Do outro uma insensibilidade desumana e abstrata completamente incapaz de considerar as circunstâncias da vida alheia e de identificar-se com ela.

Uma superficialidade abissal a ponto de desconsiderar por completo os insumos materiais necessários a conservação da vida e a afirmação de sua dignidade.

Uma boçalidade tão ampla que jamais chega a refletir sobre as situações dramática que levam uma mulher e mãe humilde de periferia a optar pelo aborto e a suprimir seu próprio rebento tendo em vista a impossibilidade de cria-lo oferecendo-lhe uma vida decente e afortunada.

Pelos primeiros somos brindados por pérolas como do tipo: O feto é uma espécie de órgão do corpo da mulher ou mesmo uma espécie de parasita a semelhança de uma lombriga, de uma solitária ou de um ancilóstomo!!!

Quando a ciência biológica depõem e declarara que se trata duma nova forma de vida, distinta do corpo que a abriga inda que dependente dele.

Afinal dependência ou união não significa mistura...

Há os que declaram que o feto não é um ser vivo mas quiçá um cadáver ou um mineral...

Tendo dificuldade para compreender que é uma forma de vida.

Há os que cantam e descantam sua insensibilidade neuronal...

Nem por isso matamos aqueles que sobrem de analgesia crônica...

Há quem apele ao fato de não ser o feto consciente.

Como aqueles que encontram-se em coma ou algumas categorias de alienados mentais...

E por ai vai...

No entanto ali deixada entregue as leis da natureza mãe de todos, o feto desenvolve-se e adquire todas estas qualidades, pois todas já estão presentes potencialmente dele e ele só não virá a ser consciente, sensível, autônomo caso seus genitores não o queiram e interfiram positivamente decidindo que não terá a chance de tornar-se criança, jovem, adulto, idoso...

Interromper a gravidez é simplesmente interromper, negar curso a natureza e negar uma chance ou possibilidade de evolução ao feto.

É suprimir algo que haverá de vir a ser caso não seja impedido de ser por decisão de outrem.

Então a pergunta aqui é bastante simples: Tem uma outra pessoa o direito ou o poder de decidir sobre a vida alheia ou seu futuro???

Enquanto esta forma de vida implica decisão ou opção livre de duas ou ao menos de uma pessoa é evidente que sim.

Daí a razão do planejamento familiar racional e responsável.

É defeso ao homem escolher se deseja, como deseja e quando deseja ser pai... É defeso a mulher e faz parte efetiva de sua dignidade escolher se deseja, como deseja e quando deseja ser mãe; e ninguém tem o direito de meter o bedelho, nem mesmo a Sociedade, pois trata-se duma questão pessoal e livre.

Tendo em vista contemplar o exercício desta liberdade é que foram inventados os anti concepcionais e formuladas diversas formas e modos de evitar a gravidez.

Reforço que é característico e próprio do ser racional agir a priori ou antecipadamente evitando determinadas situações, projetando e planejando sua vida ou seu futuro.

Opinamos portanto que toda mulher instruída e economicamente bem posicionada, digamos de classe média (nem falamos na classe burguesa!) ou se quiserem todo casal ou família deva recorrer ao planejamento ou ao uso de contraceptivos tendo em vista evitar a gravidez ao invés de iniciar a geração de uma vida e interrompe-la bruscamente sem que nada signifique ou como se assemelha-se a um membro amputado.

A ideia de que casais bem informados e confortavelmente bem situados economicamente possam recorrer aos préstimos de um médio para interromper uma gravidez e extirpar um feto como se fosse um dente cariado pelo simples fato de não terem querido usar de contraceptivos e evitar o inicio do processo se nos parece de fato bizarro e monstruoso.

Portanto não comungamos da mística propalada por alguns machos canalhas e safados e por algumas patricinhas fúteis que defendem a legalização ou a descriminalização IRRESTRITA, o que para nós repete e reproduz a banalidade com que a burguesia e os liberais sempre encararam a vida.

Nem aleguem essas mocinhas que nosso ponto de vista, restritivo - não absolutamente negativo - seja essencialmente machista, opressor, etc Pois nós mesmos discutimos e dialogamos com machos 'revolucionários' ciosos quanto ao direito de transar sem maiores preocupações, fecundar suas parceiras e em seguida assassinar seus futuros filhos!!! Sim há bastante homem assim entre os jovens individualistas ou psicopatas... Os quais são capazes de discorrer serenamente a respeito de como seus filhos devem ser mortos!!! O que por sinal encaram como uma afirmação da liberdade!

Sendo assim tomemos uma arma e matemos o primeiro com que cruzamos na rua... Eis um belo exemplo de afirmação da liberdade individual. Pois se não posso matar a coisa que gerei não sou verdadeiramente livre mas oprimido pela Sociedade ou pelo Estado!!!

E vai por este caminho...

Nada feminista ao que me parece mas bastante cômodo para o macho procriador ou garanhão. Nada mais cômodo para o mito do 'pegador'... Isento de toda e qualquer responsabilidade por obra e graça do aborto...

Sendo assim já deixei bem claro que tudo depende das condições sociais, reais e concretas da mulher ou da mãe.

E que a questão do aborto é relativa a situação da mãe e mulher: se é instruída, se é desinstruída, se é  próspera ou humilde, se é saudável ou enferma, se é ajuizada ou alienada mental, se foi ou não estuprada, etc Assim não podemos ignorar supina e cruelmente as circunstâncias e exigir que uma mulher simples, paupérrima, demente, enferma ou estuprada leve a frente sua gravidez. Pede isto reflexão, dialogo e apoio segunda a decisão da mulher quem merece sempre ser compreendida.

Por isso as mulheres que já tem muitos filhos, as meninas grávidas, etc não podem nem devem ser condenadas caso recorram ao aborto caso não haja uma contrapartida concreta por parte da Sociedade. A Sociedade assume e partilha com elas a responsabilidade e assiste-as ou não terá o direito de condena-las. Neste sentido aprovar o aborto em tais casos pode significar optar pelo mais barato e conveniente para um governo liberal...

Aos críticos do aborto cumpre considerar a necessidade de auxiliar tais mães e mulheres por meio de pensões e bolsas PAGAS PELO GOVERNO caso os parceiros não tenham condições ou não desejam colaborar. Não basta 'pregar' contra o aborto sem cogitar o futuro da criança e sua dignidade.

Então é necessário fazer alguma coisa ao invés de pura e simplesmente falar e condenar.

Caso os críticos aspire evitar a aprovação irrestrita do aborto comecem a pensar numa maneira de ajudar as mães e mulheres pobre de periferia a criar seus filhos sem que precisem se tornar escravas ou mão de obra vil!!!

Afinal se defendem que tais mulheres devam sacrificar-se e trabalhar como máquinas vocês não passam se hipócritas e fingidos que defendem não a sacralidade e dignidade da vida humana mas o mercado de reserva e interesse dos patrões.

A vida só vale a pena ser vivida quando dignamente vivida.

Especialmente a dos bebês ou criancinhas lançadas involuntariamente neste mundo.

Para que a condição de fetos abortados ou a inexistência não lhes seja preferível a uma vida de padecimentos e dores.

Assim a vida da crianças desnutrida, da criança enferma, da criança trabalhadoras, do jovem que não pode estudar, do jovem sem perspectiva, do adulto que não tem acesso a uma ocupação decente, etc

São vidas que avaliadas por seus protagonistas podem ser indesejáveis.

Trancafiar tais mulheres após terem sido levadas pelo homem safado, pelo desamparo, pela angústia, pela miséria extrema, etc a destruir seus sonhos e esperanças mais preciosas não resolve absolutamente nada. Afinal esta mulher já esta ferida e castigada pelas circunstâncias. Então se vocês são inaptos para auxilia-la preventivamente, se vocês não souberam ser solidários quando ela precisava, se vocês nada fizeram de efetivo para evitar semelhante calamidade cessem de critica-la ou de persegui-la, esta mulher é vítima que precisa de proteção e apoio.

Mais, esta mulher precisa de assistência médica e psicológica!

Esta mulher precisa ser acolhida e quem precisa de perdão é a Sociedade indiferente, egoísta, idealista e hipócrita que não lhe estendeu as mãos. Esta Sociedade que não sabe partilhar as responsabilidades é que precisa ser condenada. Esta Sociedade acomodada, hábil em falar e inoperante para ajudar é que pecou e é pecadora! ABORTO É PECADO SOCIAL PRODUZIDO POR SITUAÇÕES DE MISÉRIA, IGNORÂNCIA E INDIGNIDADE porque todos, todos somos culpados e não adiante isolar-se ou esconder-se no gabinete ou na sacristia porque lá esta a voz da consciência a indagar: QUE FIZESTE DE TEU IRMÃO???

Nada fizeste por aquela mulher pobre! Então tome vergonha e cesse de condena-la.

Perdoe-me o bom Papa Francisco e seus cardeais mas já venderam todo ouro e prata (e não me refiro a obras de arte) entesouradas no Vaticano ou negociaram o 'banco do espírito santo' (!!!) e repassaram dinheiro as jovens grávidas de origem humilde???

E esses demagogos religiosos e parasitas que vivem de dízimos, em que medida tem socorrido tais mulheres com dinheiro ou gênero.

Uma Sociedade que não esta disposta a auxiliar não pode cobrar e muito menos condenar e punir!!!

Então esta mulher não pode ficar sangrando num canto sem assistência e tampouco ficar sujeita a situações de vergonha... E isto precisa ser pensado.

É portanto mal menor e menos insidioso que as mulheres pobres - DIGO COMPROVADAMENTE POBRES E DE BAIXA RENDA - e desamparadas (sem companheiro ou pensão) e pouco instruídas sejam atendidas humanitariamente na rede pública de saúde após passar por aconselhamento e orientação psicológica. É o mínimo que se pode fazer nas circunstâncias atuais em que impera e prevalece a indiferença e a doutrina liberal do baixo custo, advogada inclusive por católicos sem consciência.

Crianças tem custos srs anti abortistas, vivem de leite, arroz, feijão, fraldas, etc e depois de sapatos, roupas, livros, cadernos, medicamentos, etc

Eis porque a condenação metafísica do aborto encarado como uma ato abstrato e isolado da vida social é sempre inútil e contra producente. Apenas a eliminação da miséria, a instrução, a justiça social, a elevação da qualidade de vida constituem preservativo eficiente contra o infanticídio.

A mulher estuprada pode ser proposta a geração para a doação. É nobre a iniciativa de buscar convence-la sobre a inocência do bebê, todavia em tais condições a gestação nem sempre pode ser encarada apenas e tão somente do ponto de vista racional entrando forte conteúdo emocional ou afetivo, pelo que a decisão final deve sempre ser reservada a mulher após aconselhamento.

Ademais a condição de fruto de um estupro não deve ser lá muito agradável para a própria pessoa, exceto em condições singulares.

Diga-se o mesmo da gravidez de risco em que a mulher tem fortes chances de vir a óbito.

Portanto são distintas condições que devem nortear a consideração de cada caso. E não dá prá juntar tudo num 'bolo' e apreciar do mesmo modo ou como querem liberar tudo ou liberar geral promovendo a irresponsabilidade dos jovens burgueses...

Aqui a única solução - e isto vale para diversos temas do direito - é considerar a situação social de cada mulher e indagar se tinha condição ou não de exercer sua liberdade porque o exercício da liberdade depende do nível de consciência e este de certas circunstâncias quais sejam a educação e os recursos materiais.

Por isso digo que um é o problema quando consideramos a clientela feminina pobre que aborta e açougues e morre de infecção e outro quando consideramos as patricinhas que desejam extrair fetos como quem extrai dentes e que já abortam em clínicas ou hospitais de luxo sem que sejam penalizadas como deveriam. Se o aborto já existe para essas mulheres e homens fúteis que podem pagar, que exista igualmente para a mulher pobre e para ela somente.

Que a mulher rica, mas também seu comparsa pegador sejam responsabilizados e chamados a barra dos tribunais. E tais clínicas e hospitais de luxo fechados e lacrados!!!

Arremato este parecer já demasiado longo censurando mais uma vez a leviandade e hipocrisia daqueles que condenam o aborto duma perspectiva idealista e deturpara, sem levar em conta os aspectos da vida real ou prontificar-se a ajudar concretamente.

Se vocês se preocupam com o ser humano ou com a vida apenas enquanto esta no ventre, vocês não passam de hipócritas e fingidos porque a vida é sagrada em todas as suas fazes.

EM QUE MEDIDA VOCÊS SE ESFORÇAM POR PRODUZIR UM MUNDO MAIS DIGNO, JUSTO, FRATERNO E ACOLHEDOR PARA ESSAS CRIANÇAS???

Pensem nisto ou nada farão além de sentenciar pessoas ao único e verdadeiro inferno na terra que é a miséria.

Pensamentos exparsos sobre a religiosidade, o fetichismo e o Cristianismo




### A CÓLERA DE DEUS...

Se seu deus precisa castigar um ser tão diminuto quanto eu, quão diminuto ele é...


### DEUS CASTIGA???

Recado pros que dizem que serei castigado por deus:

Chegou atraso na fila uma vez que seus 'irmãos' vivem repetindo tais ameaças a vinte e cinco anos (desde que abandonei o protestantismo para fazer-me papista) e aqui estou - firme e forte - esperando pelos tais castigos que devem estar vindo montados em lombo de lesma!

### A BLASFÊMIA,,,

As vezes é necessário ser blasfemo, sacrílego e irreverente para mostrar ao homem vulgar que o Sagrado não se deixa afetar pelas ações e considerações humanas.


### AMOR E ÓDIO


Se Deus é amor mesmo como esta escrito por que seus 'filhos' odeiam tanto?


### PENA CAPITAL

Se o Deus dos Cristãos foi vítima de erro judiciário por que alguns deles são favoráveis a pena capital???


### FÉ NÃO FETICHISTA

Ao que me pergunta: Por que tens religião ou fé se não acreditas em milagres?

Respondo com outra pergunta: Se o objeto da tua religiosidade são milagres ou coisas materiais supostamente dadas por Deus por que precisas de Deus? PARA TE DAR COISAS.

Portanto para ti Deus não é o fim da religião mas um meio ou instrumento para obter coisas materiais e elas são os teus deuses ou ídolos.

Ora eu não preciso de um deus que me de coisas mas reverencio aquele que é fonte suprema e eterna do Bem, da Verdade e da Beleza e apenas a isto busco: O BEM, O BELO E A BELEZA que subsistem na divindade, com essas dádivas enobreço minha alma.


### HIPOCRISIA CRISTÃ...

Quando observo esses cristãos fetichistas ou melhor feiticeiros com suas orações 'miraculosas' escarnecendo e zombando dos animistas, africanos, wiccanistas, etc Não posso deixar de rir e pensar: O roto falando do mal vestido!

No entanto estes são honestos e sinceros enquanto aqueles são hipócritas uma vez que condenam os outros e procedem do mesma maneira.

Por isso não creio que palavras humanas possam mover o Espírito Supremo, é a mais pretensiosa, arrogante e tola de todas as ideias.


### INFORMANDO DEUS???

Imaginar que  possamos ou devamos informar aquele que tudo sabe e conhece desde toda eternidade a respeito de nossas necessidades é a suprema tolice.


### A MÍSTICA DO NADA...


O materialista ingênuo declara que sobreviverá em seus livros, em seus filhos, em seus descendentes, em seus exemplos, em suas ideias, em tantas e tantas coisas enfim.
 
No entanto tal sobrevivência será efêmera ou melhor ilusória.
 
Pois passados alguns míseros milhões de anos nada, nada, nada restará no que tange as estruturas materiais com que estamos familiarizados.



Tudo será completamente dissolvido e passaremos em absoluto, sem deixar lembranças ou saudades.

Então é bom assimilar desde já a destruição a que estamos reservados sem cogitar a respeito de qualquer tipo de sobrevivência...

Quantos estão dispostos a declarar que sentem-se felizes, contentes e realizados por saber que seus pais, filhos, cônjuges e demais entes queridos haverão de desaparecer sem deixar vestígios???

Quantos de nós aguardam ansiosamente pelo nada???

Quantos sonham encantados com a dissolução???

Quisera topar com um verdadeiro materialista que aspirasse por isto e se sentisse realizado diante da possibilidade de ser plenamente desintegrado mas ainda não topei...


### REPETINDO

Qualquer um pode dizer: Esta escrito. Poucos são capazes de refletir. Aqueles são vulgares e estes extraordinários.


### REFLETINDO

O homem inteligente declara: afirmo, sei, penso, julgo, creio... O homem medíocre: Esta escrito...


### REPRODUZINDO

Cê pergunta qualquer coisa pro cabroco, ele tem um cérebro, ai vai e abre um livro pra te responder... Ela tem o pensamento ali em si, dentro de si... e estende as mãos pra tomar um 'oráculo'...

Triste, triste, triste.


### GENTE SEM CABEÇA...

Não preciso de vampiro, bruxa, lobisomem, duende, mula sem cabeça - GENTE SEM CABEÇA ou melhor sem pensamento crítico me assusta!


### CONTINUANDO LUTERO

Antes de censurar-me e condenar-me porque ouso criticar sua Bíblia, lembre-se de que Martinho Lutero, fundador de sua religião, foi o que primeiro propôs um exame LIVRE ou sem compromissos (ou dogmas) da Bíblia, o que implica a possibilidade de DISCORDAR DELA.

Compreende ou preciso soletrar???

Afinal por que e para que examinar se devo sempre concordar???

Exame sempre supõem certa dose de dúvida...

Se Lutero essencialmente supersticioso não quis ou não foi capaz de tirar as consequências, tiranos nós.


### MISTURA EXÓTICA

Agora se não posso discordar da Bíblia o exame não é verdadeiramente livre...

Mas se os amigos disserem que Lutero não acreditava que era possível ou permitido discordar da Bíblia vou lançar o veneno de vocês contra vocês mesmos e como bom sectário protestante rsrsrs declarar que aqui Lutero ainda era muito Católico e conservador.

Portanto se a igreja papa é tão má como vocês pintam a primeira coisa de que temos que duvidar é da própria Bíblia em que ela manda confiar. Se é ...bom duvidar de tudo que o papismo crê como vocês ensinam, da Virgem, da Eucaristia, etc então deve ser bom e maravilhoso duvidar da Bíblia, porque a igreja papa não duvida dela e Lutero manteve este preconceito que precisa ser superado para que o exame seja verdadeiramente livre.

Compus este raciocínio para demonstrar que o liberalismo teológico, com seu materialismo, ceticismo, naturalismo e até ateísmo é filho legítimo do livre exame proposto pelo Dr Lutero e do protestantismo.

Por isso não posso compreender a revolta e indignação dos protestantes 'ortodoxos' ou fundamentalistas e calvinistas contra o desenvolvimento de um princípio arvorado por sua própria religião

Quando duvidamos imitamos Lutero, leva-mo-lo a frente, desenvolvemos seu princípio, herdamos seu ceticismo mas na hora de crer aderiremos ao CATOLICISMO, se é pra crer urge crer em tudo e não crer pela metade.

LUTERO FALHOU REDONDAMENTE AO PRETENDER CONCILIAR A CRENÇA COM A DESCRENÇA.


### ALIENAÇÃO

Ai, ai, ai, ai quando digo que o efeito de CERTAS religiões é pior do que o produzido pelo alcool, pela cocaína, pela maconha, pelo ópio ou qualquer outro tóxico ainda tem gente que ainda reclama!!!
 
Acabo de publicar um pequeno post explanando sobre a origem dos sacríficos de animais, do sangue, vida, ocre, etc
 
Ai cidadão aparece e escreve esta pérola: Vai ver que os animais eram sacrificados para representar o sacrifício de Jesus !!!
 
NESSE CASO, SUA BESTA, OS MELHORES SACRIFÍCIOS POR EXCELÊNCIA SERIAM OS SACRIFÍCIOS HUMANOS (!!!) QUE REPRESENTAVAM MAIS FIELMENTE O DE JESUS (!!!???)

Dignos representantes tem o nobre Filho de Maria em cavalos, vacas, ovelhas,  cabritos etc

Até onde vai a idiotice dessa gente???


### FANATISMO

Qualquer coisa que apague a luz da razão não pode ser luz. A treva apenas opõem-se a luz.


### INFINITOS

Duas coisas me parecem infinitas: A ciência divina e a estupidez humana... Agora como esta pode subsistir dentro daquela... IGNORABIMUS!


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A malignidade essencial da PEC 241 - Continuação

Encerramos o artigo precedente concluindo que o governo golpista empossado e patrocinado pela FIESP e inspirado por uma visão ideológica sobre o heroísmo do empresariado simplesmente não cogita em aumentar a arrecadação e consequentemente, o erário sobretaxando as grandes fortunas.

Desde que o PT foi criminosamente alijado do poder expressar semelhante opinião é pura e simplesmente tabu.

Os ricos, banqueiros e empresários são trabalhadores tão esforçados e honestos quanto aqueles que lavam seus banheiros ou varrem seus quintais em troca se salário e receptáculos de todas as virtudes. Sobretaxa-los constituiria verdadeiro crime, ao menos de lesa economia ou de lesa capitalismo.... E, sendo assim... é algo impensável ou ao menos inviável.

Sendo assim só resta sacrificar o boi magro as piranhas do Mercado ou seja, cortar os gastos públicos.

Mas que gastos???

Imaginemos agora que a família considerada no início do antigo anterior não tenha de fato como aumentar sua renda. A mãe já costuma e cozinha a exaustão, os meninos cortam a grama dos vizinhos, engraxam sapatos, passeiam com os cães da vizinhança, etc O pai, pobre pai, já faz serão no trabalho ficando até as oito... E de fato, exploradas todas as possibilidades já não há de onde tirar mais dinheiro. Os recursos minguaram e ponto.

Então é necessário cortar, reduzir, planificar.

No entanto a família certamente não cogita poupar em termos de alimentos básicos, roupa, medicamentos, material escolar, etc

Antes cogita em cortar aquilo que de fato seja supérfluo.

Assim: roupas de MARCA, chocolates finos, licores, salmão defumado, espetáculos teatrais, passeios de automóvel, etc Coisas que de fato não são fundamentais a dignidade de seus membros.

Então é isto que uma família séria, inteligente e responsável faz: corta aqueles gastos que são por assim dizer ociosos e de forma alguma do que seja essencial, e este é um corte inteligente, responsável, aceitável enfim...

Diante disto cumpre perguntar:

SERÁ ESTE O TIPO DE CORTE VISADO PELO GOVERNO GOLPISTA???

De modo algum...

A tônica aqui é tirar o arroz, o feijão, o sapato, o casaco, o medicamento, o livro, o caderno, a escola e as oportunidades de uns para garantir o caviar, o salmão, o vinho do porto, as joias, as sedas e os perfumes de outros.

É eliminar o essencial de muitos ou das multidões proletárias para manter ou aumentar o supérfluo de poucos. É trocar as esperanças dos humildes pelo luxo impudente dos poderosos!

Dir-se-ia que estou poetando ou distorcendo as coisas!

No entanto quem é que lembrou-se de propor por exemplo o corte nos salários desses políticos ou melhor demagogos que representam muito pessimamente a vontade de nosso bom povo???

Acaso alguma voz retumbou no Planalto cogitando reduzir as vergonhosas regalias e privilégios multimilionários de que gozam esses parlamentares espertos?????

Qual projeto de lei, qual emenda, qual proposta contempla a eliminação dessas passagens de avião, carros, motoristas, combustível, material gráfico, barbeiro, acessória, etc CUJO MONTANTE CHEGA A MILHÕES DE MILHÕES sem consideração das dezenas de câmaras estaduais, das milhares de câmaras municipais e das milhares de comarcas que a maneira de corte imperial ou monárquica e com mais e maior voracidade consomem no mínimo um quarto, senão um terço de nossos proventos????


NENHUM PROJETO, NENHUMA EMENDA, NENHUMA VOZ, INICIATIVA ALGUMA!!!

Assim o lobo saciado e gordo a por seus olhos na magreza do cordeiro!!!

Terá o cordeiro que deixar de consumir suas ervinhas enquanto o lobo voraz e insaciável empanturra-se fartamente com carnes gordas e viandas!!!!

Tal o caso do pastor que guarda seu rebanho cevado e lança os olhos cobiçosos sobre a única rês magérrima do vizinho!!!

"Guarda o seu e como o do outro." como dizia meu bom e velho pai.

Sim porque os cortes propostos pelo governo golpista ao invés de incidirem sobre o supérfluo, o desnecessário e até vergonhoso que são as regalias desfrutadas por nossos senhores e governadores os políticos profissionais incidirão certamente, e como sempre, sobre os programas sociais destinados a ampliar as oportunidades, a minorar as necessidades dos mais humildes, a eliminar parte das injustiças, etc

Refiro-me a cortes na Educação, na Saúde, na Habitação, no Lazer, na Segurança e outras tantas áreas por assim dizer públicas porquanto mantidas pelo poder público.

É no terreno de tais áreas, essenciais a dignidade da pessoa humana, e destinadas a contemplar a parcela mais humilde da população trabalhadora que o governo cruel, malevolente e desumano pretende fazer a 'drenagem' e cortar ou reduzir os gastos.

Portanto compreendam tais cortes como:

Cortes de material escolar destinado a seus filhos, corte de merenda (o que alias já é feito há muito tempo no estado de Sampa...) escolar, corte de salários de professores e médicos, corte de medicamentos oferecidos com descontos, corte de moradias populares, possível corte do bolsa família, etc

Tais os objetivos sórdidos, cruéis e desumanos propostos pelo governo títere comandado pela FIESP.

Quem desejar obter tais bens terá de trabalhar mais e de compra-los a iniciativa privada, a qual da noite pro dia com este corte de insumos oferecidos gratuitamente pelo governo haverá de aumentar seus lucros ao infinito.

A situação é bastante fácil de se compreender:

Na medida em que o Poder público diminui os gastos com os serviços básicos destinados a contemplar a parcela mais humilde da população é evidente que a qualidade mesma dos serviços é atingida, o que socialmente falando propicia duas situações:

Parte das pessoas são levadas a buscar mais renda e portanto a trabalhar mais para pagar pelos serviços oferecidos pela iniciativa privada; assim mais oferta de mão de obra barata, especialmente se terceirizada e mais dinheiro injetado no senhor e deus mercado...

Aparentemente todo este ciclo de horrores e terrores criado por meia dúzia de milionários e patrões deveria terminar aqui...

Só que não termina, vai além e toca a questão da ideologia.

Sim, pois na medida em que a qualidade do serviço público piora e decai - e este é um dos objetivos primaciais desta PEC e dos cortes! - alguns intelectuais vendidos, alguns jovens ignorantes e a quase totalidade dos meios de comunicação pagos i é da mídia principiam a editar um discurso liberal segundo o qual tais serviços não funcionam e não são viáveis não porque falte investimento por parte do governo (a explicação mais simples não lhes ocorre!) mas por um fator de caráter essencial: porque são públicos ou dirigidos pelo estado com recursos públicos e não privados ou fornecidos pelos heroicos e dedicados empresários!!!

O que nos remete a solução final e meta suprema do liberalismo: A privatização de todos os serviços ordinariamente oferecidos pelo Estado!!!

Na medida em que os bondosos empresários, especialmente os esforçados Norte americanos filhos 'daquela raça ou nação superior' (sic), vão amealhando todas as nossas empresas e recursos ou riquezas naturais a preço de banana e contanto com isenções tributárias 'ad aeternum' as coisas se regularizam e a qualidade dos serviços ascende como um foguete... O que alias é verdade mas apenas meia verdade! Na medida em que se esquece de dizer que tais serviços - escolares, hospitalares, policiais, etc passam a ser pagos e não poucas vezes muito bem pagos!

Neste caso como poderia o trabalhador assalariado pagar por eles???

Como poderia o cidadão médio manter-se confortavelmente num mundo completamente dominado pela iniciativa privada?

Poderia o homem comum, o homem do povo, o homem honesto e simples que trabalha oito horas por dia arcar com os custos deste sistema???

Suspeito que não e que tenha de sacrificar-se ainda mais, de endividar-se ou mesmo de tornar-se escravo de hipotecas e até de perder o lar adquirido e quitado com tanta dificuldade.

Mas, dizem eles, o operário haverá de ganhar bem!!!

Galhofa pois o mesmo discurso que alenta as privatizações opõem-se - por principio de coerência - a regularização social do trabalho por meio da lei ou a legislação trabalhista destinada a proteger o elo mais fraco da corrente i é o operário.

Implicaria contar com a generosidade e a boa vontade dos honestos e esforçados patrões para obter salário família, licença maternidade, férias, décimo terceiro, etc

ACREDITA VOCÊ NISTO???

Que revogada a lei os empresários haverão de pagar por todas estas garantias e benefícios em dinheiro até o último centavo????

Mas se eles pretendem desobrigar legalmente até do salário mínimo estabelecido por lei???

CRÊ que haverão de pagar livremente e de boa vontade por tudo isto???

Neste caso por que temem a fixação de um padrão salarial familiar e totalizante regulado por lei e sentem-se incomodados por ele???

Será mesmo que tudo se limita a uma questão abstrata, metafísica e desinteressada em torno da liberdade???

Quem acreditar em tudo isto que creia igualmente no unicórnio, no bicho papão, no lobisomem, etc

Declaram por fim que a causa de tudo isto será a redução ou a eliminação dos impostos e taxas pagos ao governo tanto pelos heroicos empresários quanto pelo próprio cidadão. O que em tese reduziria os preços dos produtos!

No entanto que impede os empresários desobrigados por lei e no goso de suas liberdades a baixar os preços dos produtos ao invés de lucrar mais e acumular mais segundo o preceito supremo da mística ou religião capitalista???? O que implica encampar igualmente o excedente do não pagamento dos direitos trabalhistas!!! Coisa que amiúde fazem já sob o peso da lei!!!

Bem se vê que em tais conjunturas o empresário, caso desejasse, poderia ficar com tudo deixando de diminuir os preços dos produtos e de aumentar os proventos dos trabalhadores; ficando com a parte do leão!

COMPREENDEU porque a quase totalidade dos bondosos empresários porfia em suster e patrocinar a ideologia neo liberal, da qual é o principal senão o único beneficiado????

Verdade seja dita: Esta a defender o seu...

Triste mesmo é ver pobre, trabalhador, homem humilde e intelectual endossando tal solução.

Quando terá de arcar sozinho com a excelente qualidade dos produtos e serviços...

E se não puder pagar???

Pesada como chumbo e dura como diamante é a lei do deus mercado!

Pois como não resta serviço público ou assistencialismo estatal e nem os cidadãos em sua maior parte são capazes de exerce-lo privadamente, ficam os oprimidos e necessitados literalmente sem ter para onde correr.

Tendo de revirar o lixo para comer restos apodrecidos... de morrer gritando ou esvaindo em sangue as portas dos Hospitais empresas... de viver ao relento com os filhos pequeninos, etc

Cenas de romance barato???

Cenas do quotidiano de qualquer centro urbano norte americano inda que ocultadas ou escondidas pelas grande produções cinematográficas de Holywood... Afinal miséria em termos de multidões maltrapilhas e fedorentas é o que ninguém deseja ou espera ver.

Cosia de Calcutá ou da odiada Havana???

Não, não, não!!! Vá a Detroit ou mande sua empregada ir até lá!!!

Quando não há espaço no deus mercado as erínias ou parcas dominam milhões de vidas humanas! São os miseráveis saídos direto da obra prima de Hugo para a american life.

Ademais a simples sugestão de que algum dia os brasileiros viessem a ficar emancipados e livres dos impostos é absolutamente falaciosa senão hilária.

Após tudo ser privatizado e as leis trabalhistas todas serem eliminadas apelariam ao mesmo papo ou argumento que apelam agora quando propomos os cortes e reduções de suas multimilionárias regalias: DEMOCRACIA TEM PREÇO!

Mas se tem preço não tem espírito ou dignidade não é mesmo???

Se tem preço não passa de negócio!

Se tem preço tende necessariamente a corrupção!

Democracia tem espírito de cidadania ou alma, que é o amor desinteressado da liberdade no mais alto grau.

Como na antiga Grécia onde os detentores dos cargos públicos nada recebiam se prósperos ou recebiam módico estipêndio (suficiente apenas para viverem com dignidade) se humildes.

Como os países mais avançados e desenvolvidos da face da terra, assim Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Suíça, Bélgica, Holanda, etc Repúblicas em que os parlamentares e demais administradores do poder público nada recebem ou recebem algo próximo do que recebe a maior parte dos cidadãos.

Lá democracia não tem custo exorbitante e parlamentar não tira seu peso em ouro.

Lá democracia não tem preço destinado a despertar o interesse e a emulação.

Lá os custos de uma democracia fiel e eficiente - que se traduz em termos de bem estar social - são baratos enquanto aqui os custos de uma democracia ineficiente, infiel e não poucas vezes autoritária é abusivo, saindo-nos bem mais caro que uma monarquia europeia.

Pagamos mais por uma democracia de fachada controlada por instituições econômicas e plutocráticas como a FIESP do que os súditos das coroas espanhola e inglesa, alias, ao que parece, tanto mais democráticas até.

Não, não é nossa democracia que tem custos e sim a cobiça insaciável de nossos políticos profissionais ou demagogos os quais aspiram enriquecer mais do que um proconsul do Império romano!

Democracia aqui é meio de amealhar riquezas muito facilmente e sem trabalhar.

Democracia aqui é meio de vida parasitária!

A culpa no entanto é da Lei ou do estatuto vergonhoso que alimenta e sustenta tão vergonhoso estado de coisas sem que o cidadão honrado se rebele!!!

Lei que chega inclusive a acenar com imunidades aos parlamentares que comentam crimes.

Evidentemente que um estado de coisas que acena com tantos privilégios desperta a cobiça dos avarentos e que uma legislação que concede imunidades estimula o crime!

Como esperar que nossos parlamentares não sejam os mais vis de todos os homens???

Como esperar que não sejam os mais avarentos, cobiçosos, venais e corruptos se são estimulados a prevaricar pela própria lei????

Como esperar que não sejam arrogantes, violentos, levianos... se contam com imunidades destinadas a acoberta-los????

E enfim como esperar que eles mesmos reformem a política, o parlamento, a câmara, o senado e ponham eles mesmos, os interessados, fim a semelhante estado de coisas???

Como esperar de bom grado que revoguem esses vergonhosos e milionários, e custosos privilégios de que são objeto???

Como esperar que considerem cortar ou reduzir as próprias despesas ao invés de onerar o trabalhador em favor do patrão???

Como esperar que abram voluntariamente mão de todas estas regalias e extingam os impostos???

Estabelecido o reinado da privataria terá o trabalhador de suster a si, ao patrão e também a nossos senhores os políticos com agravo de sua dignidade e condição.

Após engolir o anzol e isca do liberalismo econômico terá de trabalhar por três, como um escravo na antiga Roma ou um proletário inglês do décimo nono século.

Por fim o político espertalhão tomará posse do valor porque nossas empresas e riquezas públicas foram leiloadas e cindi-lo-á em duas partes:
Uma delas carreará a algum dos inúmeros paraísos fiscais, de que temos exemplo nas tais ilhas Caimãs, onde ficará rendendo e servirá para financiar suas futuras campanhas e orgias... Com a outra criarão uma espécie de fundo público com que haverão se socorrer os banqueiros e empresários falidos (juntando sempre um pouquinho de impostos)... Destarte os Cacciola, Calmons de Sá, Canhedos.... continuarão mamando eternamente nas mãos do estado, enquanto este for comandado pelos Caiados, Maias, Nunes, Neves, Alckmins, Maltas, Fortes, Cunhas, C Limas, Azeredos, Felicianos, Garotinhos e outros zelosos funcionários da FIESP.
Assim:
  • Eles CORTAM
  • Eles ESCULACHAM
  • Eles ENGANAM
  • Eles PRIVATIZAM
  • Eles SUBTRAEM
  • Eles SOCORREM os amiguinhos empresários...

    E FERRAM COM VOCÊ homem do povo.

    Tal o sentido de ideologia liberal que inspirou esta PEC 241, PEC  da miséria e da morte.


    E JÁ DIGO E DECLARO QUE A ÚNICA CHANCE E ESPERANÇA DE NOS VERMOS LIVRES DESTA CATERVA É ELEGER LULA EM 2018!!!
          LULA neles em 2018.

          Ruim com o PT???

          MUITO MAS MUITO PIOR SEM ELE.