terça-feira, 3 de agosto de 2021

Terça do pânico - "A crônica do futuro." (Conto de horror) I

Não sei se alguém lerá isto.

Não sei se alguém traduzirá isto.

Não sei se alguém encontrará isto.

Nem sei porque registrei isto...

Tudo quanto sei é que acabo de depositar todas estas memórias, não apenas as minhas, mas as memórias coletivas de Boivrax neste cubo plasmatrônico...

Pois em questão de alguns maviris (dias) talvez Boivraz cesse de existir... E, obviamente, eu com ele.

E tudo quanto posso registrar é que sequer passou um mísero Batoun ou cem Kalinis... 

Pressinto, no entanto, que nossa civilização - Apesar de seus milhões de Batouns - chegou ao fim. 

A própria espécie encontrasse ameaçada pela extinção. Embora fossemos orgulhosos até a arrogância. Sem que se completasse um mísero Batoun.

O que me parece evidente é que nós Boivracianos desprezamos nossa História e fizemos vistas grossas ao passado. Desde que Tnak expôs seu modelo de pensamento ao tempo de Tinéias, o emir; acreditamos ter começado a pensar... 

O que não passou de um triste engano: Desprezar as tradições ancestrais como coisa inútil e vã...

Os antigos já nos haviam advertido sobre o que pudesse estar oculto por trás das portas e sobre os rituais necessários para mante-las seladas. 

No entanto passadas dezenas de Batoun surgiram dois grupos entre os nossos: Os que concordavam com as advertências e que julgavam que as portas jamais deveriam ser abertas, sob quaisquer alegações e os que acreditavam que podiam ser abertas, caso houvesse necessidade e com o uso de emblemas. Nossa família sempre pertencera a esta última corrente...

Ao menos algumas situações justificavam a prática de entrar em contato com os ancestrais ou para evocar os que haviam partido, desde que os emblemas de poder fossem usados. Afinal, juntamente com aqueles poderes benfazejos, haviam outras forças, outros seres, outras entidades; que precisavam ser afastadas, e mantidas distantes deste mundo. 

Portanto o controle exigia que toda e qualquer iniciativa nesse sentido fosse aprovada pelo grande Conselho e, somente após termos ouvido os anciãos era permitido deliberar. 

Em seguida os sacerdotes deviam ser purificados e portas do tempo precisavam seladas e santificadas conforme o ritual. Desde que as coisas assim fossem feito não haveria quaisquer riscos.

Meu pai Anéstor filho de Pinakes ensinou-me a empregar os emblemas, como havia aprendido com seu pai e este com o pai dele, e assim sucessivamente por milhares e milhares de Batouns, desde quando Órion e as Pleíades eram jovens! De modo que tudo se sucederá regularmente.

Como líder do colégio sacerdotal aprendi bastante cedo a usar o Triangulo de Unias, o Círculo, as relíquias, a prece de Krizanias, o justo; e a oficiar as cerimônias. Mesmo sabendo que não havia sido autorizadas desde Ziousudras, o piedoso. 

Foi quando sob a influência do perverso Tnak, ao tempo do fraco Tinéias II, surgiu um novo modo de pensar, em tudo oposto da tradição. Tal a seita dos científicos.

Desde então os jovens passaram a ignorar todas as cerimônias, a desprezar os emblemas e a clamar por investigações livres. Até revindicarem livre acesso ao poço do espelho...

A princípio os sucessores do estúpido Tinéias tentaram conter os jovens por meio da violência, determinando que fossem suspensos no muro. Apesar de meu bisavô, Perakis, e alguns outros terem recomendado meios pacíficos com que, se possível, convence-los. Os reis no entanto se foram tornando cada vez mais violentos, graças ao apoio dos radicais, que condenavam todo e qualquer acesso ao poço do espelho, declarando que deveria ser entulhado.

Desde então, graças a perseguição, um número cada vez maior de cidadãos passou a questionar não apenas as tradições mas a própria Akité, coisas que jamais havia sido vista em Boivrax.

Sentido-se fortes os adeptos de Tnak, já na terceira geração, passaram a revindicar o controle do poço do espelho, até então controlado pelos sacerdotes. E como fosse aquela situação insustentável estourou a guerra entre modernos e os sectários, cabendo a derrota a estes últimos ao cabo de oitenta kalinis. 

Desde então foi instaurado o grande laboratório em torno do poço e os sacerdotes todos despojados de sua dignidade. Pois segundo os Tnakianos esta nova Era pertencia a ciência e a liberdade, não a superstição. 

Segundo pude ler no Cubo plasmatrônico legado por meu avô, os modernos ou científicos, mesmo contra a lei, principiaram a manipular as vidas da terra e submete-las a dor - Embora Tibor - Seja Tibor devotamente louvado! - o tivesse expressamente proibido no Varta! Ao recomendar que o sangue do pequeno povo jamais fosse derramado e que exercitássemos a compaixão para com eles. 

A gente de Tnak no entanto afirmou que Tibor jamais havia existido, que o Varta não passava duma coleção de preconceitos toscos, que a Akité era duvidosa e que eles mesmos eram a lei suprema e tudo podiam fazer, tendo em vista o bem dos boivracianos. 

De fato em poucos anos anunciaram a cura de diversas enfermidades, o acesso a Betelgeize, a fabricação de carne, a criação das cúpulas atmosféricas, o transporte imediato... Passando a contar com a simpatia de quase toda gente. 

No entanto jamais cessaram de verter sangue, de submeter a dor as vidas da terra e é claro de manipular o poço sem a devida precaução...


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Continua na próxima quarta feira.  


domingo, 1 de agosto de 2021

Entre Cila e Caríbdis ou entre as duas Inquisições...




Décadas após ter-me deliciado, durante a mocidade, com os desenhos do Conan e do Thundarr e com os filmes da série Mad max, considero a possibilidade de que o passado venha a ser, em certa parte ou medida, nosso futuro. Na medida em que o clima deste tempo é terrivelmente sombrio... Impossível disfarçar que vivemos tempos tão calamitosos quanto aqueles que sucederam a queda do então colossal Império romano.

Certamente cogito em algo semelhante.

Não nos termos de qualquer calamidade ou catástrofe natural como a queda de um meteorito redentor... -Pois para a fauna e a flora, a destruição ou a diminuição de nossa espécie (Enquanto recusa-se ela aprender a viver.) equivaleria a uma espécie de redenção cósmica. - e sim em termos de sociedade e cultura. Algo de muito ruim se vai suceder em menos de cem anos. Colapsaremos em termos ecológicos. Ou nos haveremos com os fundamentalismos protestante e islâmico num conflito que porá fim a esta civilização decadente. O que começa errado, errado termina, exceto se nos concertemos...

Posto o islã - Que significa a decadência do Oriente. - de lado restam-nos no Ocidente a um lado não o comunismo, nem o anarquismo, nem o fascismo e quiçá nem mesmo o capitalismo, senhor de si e sustentado sobre si mesmo, mas esse fundamentalismo bíblico, protestante e sectário (Sempre de inspiração calvinista!) que vindo dos EUA mais uma vez assoma furibundo - Capitalismo crasso e conservadorismo não passam de epifenômeno deste padrão ignóbil. Eis o monstro que temos a um lado... E a outro?

A outro temos uma espécie de bloco ou de Federação cultural constituída por alguns comunistas, anarquistas e sobretudo por socialistas cirandeiros em torno do pós modernismo seja antropológico, epistemológico, ético ou estético. Via de regra essa estruturação se dá em torno das assim chamado identitarismo, embora deva eu reconhecer e afirmar que as pautas identitárias não correspondam a um mal mas a um bem em si mesmo, posto que o problema aqui - Como quase sempre. - se dá em termos excessos ou abusos quem conduzem as tais pautas ao dito sectarismo identitário, alias com intencional propósito de fragmentar o socialismo.

Lamentavelmente, pela via da diversidade podemos chegar ao relativismo absoluto ou ao sectarismo crasso. Pois como já dizia Sócrates no Cármides mesmo no campo da medicina fácil é ao especialista perder a noção do todo e difícil é manter uma visão holística. 

Parece que essa Federação pós modernista perde cada vez mais suas conexões ou aquele sentido holístico tão necessário aos socialismos. Curioso é que se torne tanto mais prepotente, arrogante, dominadora e grosseira quanto mais se torna relativista e sectária. E isto a ponto de abrigar em si os mesmos vícios próprios do fundamentalismo ou do sectarismo religioso quanto a impor seus pontos de vista. O que nos levaria a um relativismo impositivo.

Não é de hoje que esse relativismo ideológico busca afirmar-se como autoritativo.

Principiando por condenar, excomungar e anatematizar tantos quantos discordam de seus pressupostos em torno da relatividade da cultura, por meio da qual todas as culturas ficam sendo absolutamente iguais. Leitores de Asheley Montagu, longe de nós ignorar que tudo quanto o homem produz seja cultura. Outra coisa é o valor da cultura, de seus elementos, construções e constelações face a verdade da qual não abdicamos curvando-nos servilmente face as objurgatórias de um Levy Bruhl. 

Longe de nós negar a excelência cultural daquela Grécia que nos deu a um tempo a Filosofia e a outro os Primórdios da ciência, em oposição as culturas israelita e árabe que legaram a humanidade dois ou três modelos religiosos (Refiro-me ao judaísmo ANTIGO, ao islamismo sunita e ao protestantismo; não ao Cristianismo antigo, o qual tenho em conta de revelado ou transcendente!) asfixiante e opressor. Tampouco posso equiparar a cultura grega a assíria ou a hitita, pelo simples fato daquela nos ter dado o Teatro. 

Temos Suméria, Egito, Pérsia, Grécia, Roma e deste lado do Mar as culturas andinas, em especial a Incaica, cada uma delas depondo contra o dogma relativista.

Após isto só podia mesmo vir a tona a arte moderna... Com as mesmas pretensões a um lado relativistas, a outro igualitárias e sempre execráveis. 

De fato querem os modernistas e relativistas que afirmemos tudo como absolutamente igual e bom.

Não podendo suportar que ousemos discordar deles.

Choco-os portanto - E digo: Danem-se - quando digo em alto e bom som: O funk não passa de ruído ou poluição sonora. Numa palavra: Uma bosta... 

Lamentável que uma atleta brasileira se tenha apresentando ao mundo a toque de funk, apenas evidenciando a miséria que é nossa realidade musical, fruto de décadas de omissão por parte do poder público. Pois música - Só posso lamentar pelos acomodados. - como a poesia, a escultura, a pintura e tudo mais; é sim, ao menos em parte técnica. Não é apenas 'som' - Já dissemos som ou ruído não é música - mas composição ou harmonia entre notas. 

Brasil jamais foi samba de escola ou funk, coisa de cariocas, mas um agregado de ritmos, alguns de fato musicais ou melodiosos. 

O Brasil, repito, comporta diversas tendências musicais, algumas esteticamente belas e dignas, mas não o funk. Sinto mas não sou obrigado a gostar de funk porque garotas de produzem para ele... Lamento mas sequer sou obrigado a concordar que seja música. Ouso portanto levantar a voz para discordar, fugir a regra e protestar... Tenho funk e conta de feio, não aprecio tais ruídos e menos ainda tal repertório. Fujo ao dogma da moda... E repudio a imposição pós modernista. 

Não gosto de funk como não gosto do Rock pauleira e do gospel pelos mesmos motivos ontológicos. 

Composição é uma coisa e som outra.

E para mim fica o funk sendo sinônimo de vulgaridade e mau gosto.

Ponto e basta. 

Então pode discordar de mim que continuarei discordando de você. E não adianta gritar, bater o pé, xingar...

Outro o caso da perversa rede Globo promover o funk em sua famigerada dança dos famosos, promotora como é da cultura de massas e da alienação.

A Globo sempre buscou lisonjear as massas com o objetivo de aumentar ou garantir sua audiência, seus anunciantes e seu lucro. 

E por combater o Bolsonaro não se torna boazinha.

Tampouco o funk, algo tão deseducador quanto o gospel e o crentismo da Record, torna-se bom na telinha da Globo. 

Por isso a Globo pintando de funkeira me faz lembrar o tonel das Danaides. 

Pois se a um lado, combatendo o crentismo e o bolsonarismo, deita água na bilha, por outro - Apadrinhando o funk e o pós modernismo - permite que a água escorra pelo fundo...

E de em extremo em extremo ficamos estacionados no mesmíssimo lugar.

Agora pondo o funk de lado continuamos a topar com umas outras coisas por assim dizer atrozes.

Pois se por um lado certo deputado manhoso busca restabelecer a censura, sob a alegação de que a exibição de desenhos animados com mensagens esquerdistas (O problema aqui é avaliar que sejam mensagens esquerdistas, pois para os maníacos bíblicos, toda e qualquer crítica liberal ao fundamentalismo - Mesmo Darwin ou Freud rsrsrsrs - correspondem a mensagens esquerdistas!) deva ser proibida, os cirandeiros da esquerda desejam impor uma linguagem sexualmente neutra aos cidadãos por meio de decretos... O que é tão asqueroso quanto.

Fora de dúvida que nos documentos oficiais e cerimônias públicas deva constar: "Senhoras e senhores." ou ainda "Todos e todas". Ponto pacífico aqui.

Todavia por mais que odeie o homofobismo ou quaisquer preconceitos em torno de gêneros não posso concordar com a adoção de qualquer tipo de linguagem imposta pelo poder público ou pelo governo, posto que linguagem não se cria por decreto, pelo simples fato de possuir ela uma dinâmica própria.

Imaginar ou conceber impor qualquer tipo de fala ou linguagem comum num pais de analfabetos e semi analfabetos é simplesmente monstruoso. Pois mesmo numa sociedade letrada ficaria tal iniciativa fadada ao insucesso, além de dar suporte a opressão... Imaginem só criar uma inquisição literária - Em pleno século XXI.

No plano das relações humanas devem os atores sociais combinar a linguagem ou estabelecer acordos privados sem jamais apelar a legislação, exceto em caso de injúria comprovadamente intencional. Como parte da cultura a linguagem não acompanhará os decretos 'progressivas', ficando as pessoas mais velhas expressando-se como habitualmente sempre fizeram. 

Aqui ainda a dinâmica cultural fica na dependência da formação/educação. 

A tendência inquisitorial ai está no entanto - Sobretudo na tal 'cultura do cancelamento'- e não é saudável. 

Cancelar é apenas imitar o outro lado i é as seitas religiosas bíblicas fechadas ao diálogo. As quais a seu tempo haviam imitado a velha igreja romana. E tudo isto há de chegar em index e autos de fé... Exatamente como sucedeu ao protestantismo calvinista, mais sectário e fechado que a igreja romana.

Por tal caminho vão os cirandeiros e pós modernistas rotulando e boicotando pessoas ao invés de exorta-las e tentar educa-las, como faziam Sócrates ou um Paulo Freire... 

Reservemos os boicotes a estruturas com que não se pode negociar, seja ao Estado de Israel ou as Lojas Havan e Riachuelo... Boicotar pessoas é negar o livre arbítrio, desesperar da educação e furtar-se ao diálogo. Não consigo encarar as coisas por este lado exceto quanto a algumas situações pessoais e mesmo assim após detida reflexão.

O quanto observo é que não poucas vezes os cancelacionistas (Vou cognomina-los assim.) agem por capricho ou arbitrariamente, e sob quaisquer pretextos quebram pontes. O que sempre pode conduzir-nos a ações equivocadas e contra producentes e isolar-nos uns dos outros quando precisamos tolerar certas diferenças acidentais e dar as mãos uns aos outros contentando-nos com o que seja essencial e imprescindível. Antes que nos atomizemos e que nos convertamos em ilhas humanas. Mesmo porque o inimigo comum está a parde que o melhor caminho para manter-se no comando é dividir o oponente.

Eis porque não posso apoiar algo tão mal articulado e arbitrário ou mesmo caprichoso como essa tal cultura do cancelamento.

Alias nem deveria eu dar pitaco quanto a isto, exceto pelo costume de opinar sobre absolutamente tudo. Já porque mesmo apoiando - Por questão de justiça essencial! - a política das pautas identitárias, não faço parte dessa esquerda ou mesmo da direita, do centro ou de qualquer coisa que seja pós moderna. A parte de meu posicionamento social ou político o que se modo algum sou é modernista. Ideológica e ontologicamente meu campo é o extremo oposto, o do essencialismo e da afirmação quanto a existência da verdade e da objetividade. Sequer chegamos a política pois o que nos separa aqui é antropologia, a epistemologia, a gnoseologia e o quanto torna a profundidade do ser.

Opino no entanto e sobretudo porque essa aproximação entre os métodos coercitivos da teocracia e da esquerda cirandeira, face aos sábios postulados do liberalismo, assusta-me. Horroroso olhar para um lado e dar com a invasão bíblico protestante inspirada no modelo norte americano, olhar para o lado oposto e dar com a invasão pós modernista importada de uma Europa, sim de uma Europa removida de seus eixos sob os auspícios do kantismo. 

Neste plano ganhe quem ganhar perderá a cultura.

Engolida pela bíblia ou pelo relativismo crasso.

Como Ulisses e seus companheiros estamos acuados entre dois terríveis monstros: Cila e Caríbdis. Vença quem vencer quem perderá é a civilização ou a cultura.




O toque de Midas ou onde está o melhor de nós mesmos? (Uma reflexão sobre as Olimpíadas de Tóquio.)



Busco e quero ter uma compreensão equilibrada sobre a condição humana. Assim uma visão que fuja a pisada dicotomia materialista/imaterialista, fisicista/espiritualista, corporal/idealista... Julgo que o dionisíaco - Se compreendido como corpóreo ou esportivo - e o apolíneo devam caminhar juntos ou lado a lado.

E não creio fugir ao verdadeiro Sócrates. O qual se face a Cármides sobrepôs a mente ou a alma ao corpo foi justamente porque uma exacerbação do dionisíaco concentrava-se mais na aparência, na beleza, no preparo físico e no esporte do que na mente, colocando o espírito em segundo plano e quebrando um ideal de harmonia. Foi Platão, não Sócrates, que passando a outro extremo, rompeu mais uma vez com o equilíbrio puxando as coisas para o apolíneo.

Sócrates, se bem compreendido, foi um profeta que fugindo a tais extremos reconheceu a dignidade tanto do corpo quanto a mente. Ele jamais depreciou o corpo físico dirigindo suas críticas, sempre sóbrias, apenas aos que super valorizando o corpo ignoravam supinamente os domínios da vida interior ou como costumava dizer ele, da mente.

Jamais opôs o corpo a mente ou a mente ao corpo, dando asas a esse funesto conflito de extremistas.

Assim os mesmos gregos que nos deram as Olimpíadas nos deram igualmente a Filosofia, havendo entre eles, quem adotando o paradigma de Sócrates, dedicou-se a ambas as coisas: Ao Esporte ou aos cuidados corporais e a Filosofia ou ao cultivo da mente; do que resultaram personalidades equilibradas e admiráveis.

De fato aquele que dedicasse apenas ao esporte ou ao corpo descuidando de alimentar a mente merece, mesmo quando campeão ou vitorioso, ser tido em conta de tolo ou imbecil. Quanto a isso nossos futebolistas e alguns outros esportistas assemelham-se muito mais aos gladiadores romanos. Os quais amiúde descuidavam de suas almas, sendo notáveis pela estupidez. A maior parte deles no entanto contava com o atenuante ou o álibi da escravidão, enquanto que nossos futebolistas estúpidos não somente são livres mas imensamente ricos... Outro aspecto comum a cultura romana tardia ou da decadência e a nossa é que as massas encaravam os gladiadores como deuses ou heróis, tomando-os por modelos... Nada de novo debaixo do sol.

Tampouco é sábio o que sobrepõem a alma ao corpo ou o pensador que deprecia o complemento físico da mente. Posto que deixando de cuidar do corpo, de exercer a higiene, de praticar algum esporte suicida-se lentamente, diminuindo o curso da própria vida por fazer-se vulnerável a diversas enfermidades. Enquanto fácil seria para ele concluir que permanecer no corpo ou prolongar sua vida amplia a possibilidade de aprender. 

Posto está que devemos cuidar tanto do corpo quanto da mente. Pois conservando a saúde aumentaremos nossa longevidade e aumentando nossa longevidade poderemos aprender ainda mais, e por fim nos tornar melhores. 

Dentro deste quadro as olimpíadas, servindo de contrapeso a certas filosofias desequilibradas, maniqueístas ou espiritualistas correspondia a um grande bem. Pois ensinava aquelas pessoas a preocuparem-se com seus corpos mantendo-se limpas e saudáveis.

Bem. Não tenho absolutamente nada contra o esporte ou as olimpíadas e menos ainda contra o corpo quando enquadrado nessa perspectiva equilibrada. Reconhecendo que o esporte e as competições esportivas correspondam a um precioso bem. 

Tal o caso das artes. Entre os mesmos gregos.

Pois ignoravam eles as pressões exercidas pelo Mercado. Pressões que tanto angustiavam um Paul Valéry, um H. Hesse ou ainda um Tom Wolfe. De fato a escrita atual, (Não darei a ela o nome de literatura.) destinada a satisfazer os impulsos acalentados pelas massas consumidoras, implica a morte da arte. E não há mais espaço para obras de arte no mercado editorial. Não nos enganemos, cada um de nossos clássicos: Sófocles, Eurípedes, Dante, Camões, Cervantes, Shakespeare, Moliére, La Fontaine, Defoe, Swift, etc seriam recusados, por não serem vendáveis. 

A pressão econômica estabelecida pelo Mercado esta matando a verdadeira arte - Daí o apelo a essa arte degenerada a que chamam de moderna, a qual vende! Pois não pensamos mais em qualidade e não mais buscamos a beleza mas apenas o ganho ou o lucro. A arte no entanto é arte justamente por ser inútil e por esgotar-se em si mesma ou na beleza que exprime. Se é lucrativo ou vendável há muito poucas chances de que tenha conteúdo ou qualidade, ao menos numa conjuntura como a nossa. 

Repito e insisto, o Mercado não é uma ameaça (E os comunistas e anarquistas estão cagando para nossa reflexão!) ao patrimônio ecológico, histórico e cultural, mas também a produção artística. Por serem modernistas comunistas e anarquistas vem ao auxílio de seus 'inimigos' capitalistas com o propósito de ocultar a situação que é dramática. Não assistimos apenas a extinção dos rinocerontes ou a morte das baleias, mas também a extinção das mais sublimes expressões artísticas e a morte da qualidade.

Evidentemente que isto também toca a arte ou se não toca a arte em sua expressão pessoal, certamente toca as competições e, em especial as Olimpíadas modernas, onde talvez esteja oculto o pior de nós... Na medida em que por trás de todo esse frêmito esportivo jaz a sede insaciável do lucro. Claro que não me refiro eu a totalidade dos artistas posto que nem todos cogitam em viver da arte ou em lucrar com ela e não poucos são movidos por um ideal tão comovente como os atletas da antiga Grécia. Outro o caso dessa estrutura a que chamamos Olimpíadas, o que como disse já manifesta em competições menores. Parece no entanto que abordar tal tema é espécie de tabu.

Bem, como de praxe vou aborda-lo e colocar o dedo no fundo da chaga purulenta...

Antes porém vou narrar sucintamente um apólogo, o do rei Midas.

Midas, rei da Lídia, aspirava ser o homem mais rico de toda terra. Por isso quando o deus se lhe manifestou e concedeu-lhe um desejo (Como na narrativa árabe do gênio da lâmpada.) o rei sem pensar rogou que tudo quanto viesse a tocar se transforma-se em ouro reluzente e precioso, graça que não tardou em converter-se em maldição para ele... Paro por aqui e quem tiver curiosidade dirija-se ao velho Pe Chompré.

Fato é que tudo quanto o desventurado Midas tocava convertia-se em outro: A maça, a alface, a corça, o tapete, as sandálias, etc absolutamente tudo, sem exceção.

Qualquer semelhança entre o desditoso rei da Lídia e nosso sistema capitalista é mais do que pura e simples coincidência. Pois tudo quanto é tocado por ele, pois mais belo que seja, é transtornado, como que tendo alterada sua condição natural. Midas dourava a tudo quanto tocava. O economicismo contamina, poluí ou envenena tudo quanto toca removendo-lhe a qualidade ou destruindo-lhe a beleza. Fez assim com a arte... criando essa coisa chamada arte moderna. Faz assim com o patrimônio histórico, imolando-o a especulação imobiliária. Faz assim com o patrimônio ecológico exterminando-o sem dó ou piedade. Faz assim a ciência que afeta neutralidade transformando-a em investimento. E o faz também com o esporte, em sua dimensão social ou competitiva explotando-o.

As consequências do economicismo, já desveladas pelo douto K Polanyi, em todos estes campos: Arte, patrimônio histórico, patrimônio ecológico, pesquisa científica, atividade política, etc agora vamos desvenda-la no campo do esporte, porém em sua dimensão social, na dimensão social das competições, particularmente nesse arremedo das olimpíadas gregas que são as nossas olimpíadas. O que como disse começa pelas competições menores.

Via de regra gostamos de imaginar o resultado das competições esportivas como resultado de um esforço honesto. Pois não sendo assim perdem elas sua razão de ser.

Deve portanto ser algo imprevisível e livre.

E jamais algo adrede calculado ou decidido.

Vão as pessoas ao estádio assistir as tais partidas de futebol crendo que seu Time tem chances iguais e que a partida até que ocorra é indecisa. 

Todavia há muito mais do que esporte em jogo.

Lamento querido sectário futebolista, ora convertido em 'idealista' ingênuo... Pois nem sempre as coisas se sucedem assim e nem sempre a vitória de seu time é resultado do esforço honesto ou da perícia. Não, nem sempre se trata da tal superação.

Pois os grandes Clubes em especial converteram-se em empresas. Instituições religiosas ou seitas converteram-se em empresas. Hospitais converteram-se em empresas e pasme, até a administração pública, para o PSDB ou o DEM por exemplo, adotou o sistema empresarial, definido não em termos de eficiência máxima, mas em termos de lucro máximo... Nada de novo debaixo dos céus...

Por isso seu Time demanda por patrocínio ou financiamento empresarial. Em termos de milhões de milhões... E por isso empresários, políticos e celebridades disputam ferozmente a presidência do Clube e as razões são óbvias. 

Há toda uma rede de relações econômicas que se estende das empresas patrocinadoras - Que aspiram tornar-se visíveis aos torcedores quando os Clubes que subvencionam conquistam algum título. - as diretorias dos Clubes, arbitragem, campeonatos, etc 

Não saltam as manobras a vista dos torcedores fanáticos e irracionalistas - Que só pensam em termos da 'Garra' de seus times. - porque jamais foram objetos de algo como uma C P I... Do contrário, a começar pelo Futebol, parte de nossos esportes desabariam um após o outro e mergulhariam num abismo de lodo. Por vezes no entanto, como a ponta de um Iceberg, vem tais informações a tona - Inda que a grande imprensa busque proteger as empresas esportivas, tudo ocultando. Vez por outro no entanto surge o boato ou a denúncia de que tal árbitro tenha sido comprado, de que tal atleta tenha sido comprado ou (Pasme!) que tais Times tenham acertado o resultado de uma partida com o objetivo de garantir tal campeonato, visando os interesses das grandes patrocinadores! Isto deve ser mais comum do que pensamos: O acordo prévio entre dois ou mais times tendo em vista o resultado não apenas de uma tal disputa mas da competição como um todo... 

Admitida tal invasão por parte do poder econômico que resta, não do esporte - O qual bem posso praticar em meu prédio, numa praça ou várzea. - mas dessas competições colossais divulgadas a peso de ouro pela grande mídia? Se é a fábrica de cerveja ou de tênis que decide os resultados de uma partida ou competição que é desse heroísmo místico instilado pela Globo ou pelo SBT??? Se há uso de estimulantes, corrupção entre os árbitros, venalidade por parte dos atletas, acordos entre os clubes, pressão por parte dos patrocinadores tudo isso não passa de farsa destinada a garantir lucros e nada mais, nada além.

Diante disto me pergunto e questiono: Estarão as Olimpíadas modernas, situadas em tal quadro, expurgadas do sentido do lucro?

Naturalmente que não.

Quiçá haja menos corrupção e venalidade em comparação com o Futebol brasileiro. Todavia não há como ter certeza.

Para mim o esforço leviano no sentido de realizar as tais Olimpíadas no ano passado, durante o auge da epidemia é comprometedor e diz muita coisa. Não creio que seja da natureza do esporte em si essa urgência descabida... Ou de fato estaria sendo ofensivo para com o espírito esportivo. Julgo que as Olimpíadas sequer devessem ser realizadas esse ano e por razões óbvias... Então por que tanta pressa??? O leitor sagaz adivinhe o que realmente está em jogo, a ponto de comprometer políticas sanitárias??? Necessidades esportivas ou artificiais? Advindas do heroísmo ou de pressões externas a ele? 

Temos diante de nós um quadro geral ou mundial tão assustador quanto ao do Brasil bolsonarista com empresários e pastores clamando por trabalho e normalidade em meio a uma praga semelhante a velha peste negra... Algo impensável para os medievos que encaramos como 'atrasados'. Afinal que há de mais bronco do que clamar por uma vida normal enquanto uma epidemia ceifa vidas preciosas? Que há de mais canalha e desalmado do que pensar apenas em si e em seus interesses financeiros face a uma calamidade geral ou mortandade? Bem, parece que esse egoísmo insuflado pelo economicismo, tocou as Olimpíadas... 

E concluo que a urgência não é de esportividade mas de lucros, especialmente por parte das grandes marcas que se promovem através do patrocínio, da mídia e - Ao menos no Japão. (E bem poderia ser no Canadá, na Austrália, nos EUA ou no Brasil.) - do setor dos transportes e do turismo... É de tais setores econômicos que parte esta ansiedade artificiosa e irracional. Claro que contam tais setores com a solidariedade de atletas de tem no esporte um meio de vida e de políticos sem consciência. Quanto aqueles esportistas conscientes e éticos, que valorizam o esporte pelo esporte, estes certamente estariam dispostos a esperar pelo tempo que necessário fosse, posto que priorizam a vida humana.

Diante de tantas obviedades só posso concluir que por trás dessas Olimpíadas precoces está o toque de Midas ou o "Pior de nós mesmos.".

Então onde está "O melhor de nós mesmos."? Acaso existirá mesmo?

Não tenho dúvida de que exista de fato.

Não nos esportistas acríticos ou ambiciosos (Por dinheiro ou mesmo por medalhas!), tampouco nos futebolistas estúpidos, menos ainda nos artistas superficiais e sequer nos revolucionários ferozes...

Então onde estará esse espírito heroico e elevado, que desperta de fato o melhor de no mesmo?

Nos Hospitais e enfermarias. Entre os médicos, enfermeiros e voluntários que cuidaram ou cuidam dos que foram infectados pelo vírus da Covid. Entre os obscuros e humildes 'atletas' da saúde se encontra o melhor de nós e da humanidade. Eles são os campeões, eles são os imortais, eles fazem jus a aclamações, aplausos e medalhas...


Enfermeiros, médicos,
Vítimas do desdouro,
Medalhas merecem:
De prata e de ouro!


Alguns avisos aos leitores desta 'Folha' digital - Tentativa de estabelecer uma programação fixa.


Diante do aumento substancial de leitores e apoiantes decidimos mais uma vez - Quanto a primeira iniciativa não fomos muito bem sucedidos. - ampliar o leque deste Blog, assumir uma dimensão estética mais ampla e dar maior espaço as artes. Isto é claro sem prejuízo de nosso conteúdo ordinário. Pois é esta 'Folha' dedicada antes de tudo ao "Ensaio" ou aquilo que chamamos comumente de artigos. E tentaremos publicar ao menos um artigo diário voltado para algum tema atual ou dedicado as Humanidades em geral.

Continuamos contando com o apoio de todos e pedindo a cada um de vocês amigos leitores que se possível compartilhem nossas publicações, indiquem aos amigos e sobretudo que consigam subscritores ou como dizem hoje seguidores. 

Desde já assumimos o compromisso de, ao atingir a média de 1.000 leitores, iniciar o sorteio de Livros, assim de clássicos como os Diálogos Platônicos, Cícero, Virgílio, Ovídeo, Descartes, Weber, Freud, Dante, Camões, Cervantes, Shakespeare, Moliére, etc A pretensão é sortear um livro por semana entre os que comentarem algum artigo ou aos que apresentarem algum novo apoiante. 

Por ora buscaremos - Como dito foi acima. - ampliar nossas publicações e estabelecer um roteiro semanal.

Na segunda poética publicaremos semanalmente uma poesia acadêmica - Preferencialmente um Soneto - seja de algum autor clássico ou de nossa autoria, se possível acompanhada por uma ilustração igualmente clássica. 

Na terça do medo tentaremos divulgar semanalmente o fragmento de alguma narrativa de terror sobrenatural, seja de algum autor reconhecido como S King, H P Lowecraft, Le Fannu, etc ou de nossa lavra. 

Na quarta abriremos espaço a alguma obra prima do Cinema ou do Teatro, editando sempre alguma obra clássica disponível, seguida por uma breve reflexão.

Na quinta erudita buscaremos editar algum Documentário dedicado a História, a Filosofia, a Sociologia, a Psicologia, etc o qual poderá ser em espanhol, italiano, francês ou mesmo inglês. Via de regra a origem dessa produção será alguma Associação cultural européia ou latino americana seja Universidade, Museu, Acadêmia, etc

Na sexta musical promoveremos algum tipo de tradição musical como o Jazz, o Bolero, o Fado, a Guarânia, o Rasqueado, o Sertanejo de raiz ou Caipira, o Samba Bahiano, etc 

No Sábado buscaremos publicar a resenha de algum livro e por fim no Domingo teremos o clássico ensaio geral dedicado a algum tema 'Humano' e, preferencialmente Ético.

Durante toda semana continuaremos a editar os costumeiros artigos, se possível diariamente.

Tais as alterações que pretendemos, se possível, iniciar a partir de Agosto deste ano - Ampliando assim o nosso cardápio cultural.

De modo que além de degustar artigos de qualidade possa degustar também de algum prazer estético seja literário, sonoro ou plástico.

Todavia para que a iniciativa dê certo contamos com seu decidido apoio. Há mais de uma década assumimos um projeto educativo gratuito voltado para meia dúzia de leitores. Até, num determinado momento, adquirir mais de quinhentos leitores diários... No entanto, devido a inevitáveis perdidos ou sumiços provocados por problemas de saúde, acabamos sempre por perder alguns deles. Agora, com a saúde normalizada retomamos nossa rotina e assumimos o desafio de conquistar novos leitores e apoiantes.

Apoiante aqui não é quem paga dízimo ou financia. Funcionário público honrado folgamos viver de nossos proventos e não fazer da educação uma fonte de lucro. Aqui não pedimos sua bolsa ou seu dinheiro mas apenas sua atenção. Aqui não estamos a serviço do Mercado ou do Poder político mas da Ética ou da virtude e nossa perspectiva é a socrática - Queremos formar consciências, queremos formar cidadãos, queremos beneficiar o corpo social como um todo... Nossa única pretensão é ensinar, educar e formar; fornecendo a quem quiser subsídios éticos relevantes.

Aqui não cedemos a pressões ou a intimidações, não nos submetemos, não nos curvamos, não servimos, mas resistimos. Não nos alinhamos. Não nos associamos. Não nos adaptamos a sistemas. Não colocamos nossas mentes em caixinhas. Temos a pretensão de ser livres, autônomos e originais. Não somos revolucionários, comunistas, anarquistas ou qualquer outra coisa... Não somos liberais economicistas, conservadores, cientificistas, positivistas, etc... Não somos pós modernistas, céticos, relativistas, subjetivistas, etc - E tampouco sectários cristãos, fundamentalistas ou fanáticos. E nos opomos a tudo isto...

Conhecem todos nosso compromisso antes de tudo com o Evangelho (Não Cristianismo formal e menos ainda bíblia.) de Cristo e em seguida com os valores humanistas que nos foram legados pela antiga Grécia, sobretudo pelas correntes socrático/platônica e aristotélica, até certa medida nós os assumimos. Assumimos e não dissimulamos ou afetamos neutralidade. Somos norteados por determinados princípios e valores - O primeiro de todos um zelo amoroso pela justiça, seja pessoal ou social! - os quais temos em conta de essenciais, verdadeiros e objetivos.

A única coisa que talvez uma dia ousaremos dispor ou vender aqui é o fruto de nosso engenho ou nossa produção artístico literária, assim nossos contos de ficção, além de algumas traduções de Clássicos, manuais e compêndios feitas por nós. A outra parcela de nossa produção literária também disponibilizaremos graciosamente a todos, como quem paga um tributo social. E quanto a possíveis ganhos obtidos com a venda de tais obras serão integralmente empregados com o objetivo de adquirir outros tantos livros e se possível de scanea-los, criando assim uma Biblioteca digital. Sempre tive a intensão de tornar publica minha Biblioteca pessoal com seus dez mil livros, muitos dos quais raros e esgotados. 

Claro que também pretendemos criar um Canal no Youtube. Com o objetivo de editar aulas e cursos gratuitos. Aqui todavia entramos num terreno mais difícil num momento em que o puritanismo de afiliação religiosa luta por restringir as liberdades e estabelecer uma verdadeira inquisição digital. Haja visto que o Arnaldo Taveira sequer pode pronunciar seus palavrões, enquanto Lutero, pai do protestantismo, podia registra-los livremente em seus escritos há menos de cinco séculos. 

Também queremos retomar nossa atividade como autor Teatral e musical. Isto todavia demanda certo tempo e esforço... O que após os quarenta... Isto com o objetivo de apoiar o Taveira e fazer tornar da tumba o estro ou a verve do nosso Gregório de Matos Guerra, outro clássico que jamais poderia circular pelo Facebook ou mesmo pelo Youtube nesses nossos tristes tempos de moralidade beócia...

Isto no entanto demandará algum tempo. Pois temos de dar um passo após o outro. O passo que pretendemos dar agora é aumentar o leque de nossas atividades e adquirir mais leitores e apoiantes, não dispostos a pagar mas certamente a divulgar. Quanto maior for o número dos cidadãos livres que nos apoiem tanto maior será nossa ousadia face aos liberticidas e adversários da liberdade.


"Seja propósito fiel de nossa parte,
Favorecer do nobre engenho a arte!"



sábado, 31 de julho de 2021

Porque não sou um estorvo ao sistema ou porque sobrevivo.






Viver em semelhante conjuntura é deprimente ou até comprometedor por ser, em certa medida e até certo ponto, sinal de criminosa cumplicidade ou ao menos de impotência. 

Se vivo ou sobrevivo em meio a um sistema tão podre é porque até certo ponto devo ser conivente ou ao menos inócuo. Se sou conivente não sei, tenho no entanto a consciência de ser inócuo.

Nem em sonho vivemos num sistema respeitoso face aqueles que o ameaçam. Certamente não vivemos mais os tempos das inquisições papais ou bíblicas (Esta última mais virulenta que a primeira!), romana ou protestante... E tampouco nos achamos no período vitoriano em que os 'dissidentes' culturais eram diagnosticados como loucos e internados em sanatórios ou hospícios. 

Em tempos de direitos humanos e democracia, quando por hora não se pode mais torturar ou matar abertamente só resta mesmo recorrer ao assassinato, e portanto a eliminação categórica dos inimigos. Do que temos inúmeros exemplos: Garcia Moreno, Delmiro Gouveia, Oscar Romero, Chico Mendes, Dorothy Stang, etc A mensagem é de prístina simplicidade: Caso você ameace algum grupo hegemônico prepare-se para morrer. Pois se representa uma ameaça real ao sistema não sobreviverá.

Se passar do discurso as obras e ao exemplo, postando-se intransigentemente ao lado da justiça e denunciado corajosamente as injustiças - Na medida em que representar uma ameaça real ao sistema econômico vigente você terá poucas chances de sobreviver. 

Claro está que um sistema que deseja ser considerado manso ou liberal recorrerá a todos os modos e maneiras possíveis com que neutralizar seus críticos sem derramar sangue. Tal será quase sempre possível, porém nem sempre...

Aos teóricos ou que apreciam sobretudo palavras e discursos vazios bastará ao sistema opor denunciantes contratados. Ficando desmoralizada assim a imensa maioria dos revolucionários - Sejam comunistas ou anarquistas - que pouco se preocupam com a virtude e que tão rapidamente assimilam os métodos maquiavélicos de seus oponentes.

Logo em seguida vem os Cristãos que tem algum conhecimento do Evangelho e que sem ser perfeitos buscam opor-se a iniquidade. Quanto a estes é suficiente que a imprensa ameace denunciar alguns de seus pecados episódicos ou ocasionais, revelando algum caso, algum amante ou ex amante, etc o que equivale a desmoralização... Com isso se cala 99% do clero apostólico, seja romano ou ortodoxo, o qual fica amordaçado, mudo, silencioso e calado, limitando-se a tartamudear indiretas...

Já quanto aos leigos Cristãos de diversas orientações, anglicanos, espíritas, etc, judeus, budistas, teístas humanistas, etc de modo geral é suficiente lançar contra eles a 'mão invisível' i é fechar-lhes todas as portas ou possibilidades honestas, retirar-lhes o emprego e sobretudo ameaçar-lhes a estabilidade econômica, convertendo-os em párias ou mendigos. Isto sem que - Ao menos antes da Internet - pudessem vir a público espernear. O que a esquerda cirandeira reproduz sob o termo 'Cancelamento' ou boicote, já é feito há muito pelo poder econômico estabelecido contra seus críticos ou dissidentes de vária lavra. 

Que a mídia sendo privada ou paga negue a palavra aos Cristãos apostólicos e aos socráticos e mesmo aos socialistas mais intrépidos é fato. Não temos uma imprensa democrática a serviço do bem comum - Já pensou nisso? Temos uma imprensa paga ou privada a serviço de valores econômicos ou do lucro. Como pode haver liberdade de fato ou democracia sem real liberdade de expressão? No entanto a liberdade de expressão continua sendo atribuída apenas aos 'economistas' científicos de Chicago, a certas Xuxas da filosofia e no máximo a padres bailarinos... Quando foi que a Globo ou o SBT deram espaço a qualquer sacerdote papista para divulgar a doutrina social da igreja romana? Quando foi que os grandes canais de Televisão promoveram simpósios ou cursos sobre Sócrates, Aristóteles, Platão, Confúcio, etc??? Jamais...

Os próprios partidos políticos não deixam de funcionar como filtros políticos, como dizia M Nordau, e assim os sindicatos... Bastando para o sistema subornar os dirigentes políticos e sindicais sem Ética ou humanismo. 

Suponhamos no entanto que alguém consiga furar filtro após filtro... Empenhando-se em favor da virtude como um Teori Zavascki. Haverá defeito na turbina e o avião cairá. Para que se evite derramamento de sangue... O sistema está perfeitamente a par do tertulianesco dístico: Sangue de mártir é semente de Cristãos... Sangue de mártir é semente ideológico. Pois não poucos são os que despertam por darem crédito aos que se deixam morrer por suas crenças. Sendo melhor não criar mártires em demasia. 

Todavia se preciso for...

Antes o mártir que o sistema.

Mas professor, por que faz o senhor declarações tão amargas?

Sinto-me impelido após ter lido e relido as vidas de um Buda, de um Confúcio, de um Jesus e sobretudo de um Sócrates, os principais críticos ou reformadores sociais sobre os quais muito sabemos.

Antes de tudo eram tais personagens rigorosamente atidos ao princípio da justiça e refratários a toda sorte de injustiças, partissem elas donde partissem.

Dos dois últimos temos que foram mártires, embora o primeiro tenha morrido com certa de quarenta anos e o segundo com certa de setenta. Quanto aos outros dois, posto que tendo vivido em sociedades não tão corruptas, não chegaram a ser imolados, o que não quer dizer que tiveram uma existência agradável. De fato tanto Confúcio quanto Buda, em certos períodos de suas vidas foram atrozmente perseguidos.

Quanto ao divino Jesus não possuímos reflexões suas sobre o assunto. Temos porém algumas declarações enfáticas:

Se me odiaram odiarão a vós.

Haverão vocês de ser perseguidos.

Bem aventurados quando forem vocês perseguidos por conta da justiça.

...

Há porém no tempo presente milhões ou bilhões de Cristãos formais espalhados pelo mundo que não sofrem qualquer tipo de perseguição, vivendo até muito bem...

De fato, afinal por que perseguiria este mundo do dinheiro os calvinistas que lhe deram a vida ou as emprejas que lhe tomaram o método?

De fato não creio que os poderes deste mundo haveria de perseguir aqueles cristãos nominais que servem ao dinheiro ou ao Estado mas sim aqueles que se recusam servir a Mamon i é ao dinheiro, ao lucro, ao capital... Conforme está escrito: A Deus e ao dinheiro não podeis servir.

De fato não me parece que o Redentor esteja se referindo a essa Cristandade de Liturgia, Missa ou Culto, que se satisfaz com a adoração e sim aos que ultrapassando a adoração (Sem jamais repudia-la.) buscam imitar o Cristo, assimilando seu comportando e regulando a vida pelo Evangelho. A estes que acumulam bens no Reino dos céus e não neste mundo e que odeiam a injustiça, e que não toleram qualquer forma de maldade, e somente a estes persegue o mundo e extermina o sistema sem piedade.

Por isso os mártires foram levados ao suplicio antes de tudo por terem repudiado - Em grande parte ao menos e em que pese Paulo. - a abominação escravista e ao ataque a outros povos. 

Outro o caso de Sócrates porquanto este refletindo sobre sua morte, deu-se conta da situação que envolveu sua existência. Perguntando a si mesmo por que não havia sido morto ha muito tempo atras i e quando mais moco... 

Tenho tal reflexão por atual e crucial.

Sem postular o que hora chamam de revolução, furtou-se Sócrates inclusive ao insercionismo ou seja a participar ativamente da vida politica (Como politico profissional.) no auge da democracia grega. Justificando tal opção e priorizando uma ação politica indireta ou não estrutural por meio de uma formação. Claro está que Sócrates exerceu uma ação politica indireta pelo simples fato de ser educador, não sendo alias pela abstenção dogmática e sectária mas pelo preparo. De fato Sócrates acreditava ser mais importante preparar cidadãos para a democracia do que exerce-la ele mesmo.

E contemplando aquele despreparo categórico, atribuía-o ao fato dos cidadãos dirigentes priorizarem o lucro, dos negócios ou do dinheiro que o auto conhecimento, da formação ética ou a virtude, descuidando inclusive (cf Laquetes) a educação dos filhos... Parece que era já aquela Atenas no seculo V a C proto economicista, como que adiantando-se a seu tempo e antecipando o nosso.

Agora que resultava disto?

Infiltrada a sórdida avareza ou a paixão pelo lucro na estrutura do poder ou na politica uma apenas pode ser a consequência> O florescimento da Injustiça no mais alto grau! Portanto era a monarquia, e era a ditadura, e era a oligarquia, e era a democracia, e era a oclocracia - enfim, cada uma delas - usada com o proposito de cometer crimes e exações... Perdido o conceito de bem comum, modelo politico algum podia salva aquela sociedade, pois o problema não era politico estrutural mas ético. Aquelas pessoas amavam o ouro e odiavam a justiça. Diante disto milagre algum podia ser feito...

A uma maquina diabólica sucedida outra.

E nosso Sócrates ficava sempre alheio, a parte, de fora... E por que?

Vos responderei exatamente como ele -

Por que seu Daimon, seu inconsciente, sua intuição, sua mente, seu guia, seu tutor providencial ou seja la o que fosse advertia-o para que jamais se dedicasse a atividade politica, pois caso contrario, assumindo com intransigência o paradigma da justiça e afrontando os poderosos, os avarentos e os injustos seria logo morto, sequer chegando aos quarenta ou cinquenta anos. Entrando pela senda politica e opondo-se as ilegalidades, crimes, arbitrariedades e injustiças não tardaria a tombar o filho de Fenarete! Todavia era necessário que vivesse ou ao menos que prolongasse sua nobre existência ate os setenta anos de idade, de modo a educar uma multidão de homens, formar uma constelação de cidadãos e garantir uma hoste inumerável de discípulos. Tal sua missão ou vocação atribuída pela Providencia celestial.

Destarte o socratismo prepararia o elemento humano e daria vida a democracia ainda em nossos dias i e vinte e cindo seculos depois. Porquanto a vida esta no ideal e não na estrutura.

Decorre do discurso de Sócrates que aquele tempo o sistema, cooptado por gente vil, ja matava, assassinava e suprimia a vida dos reformadores movidos pelo ideal.

E não havia espaço para críticos capazes de ameaçar a normalidade. 

Sócrates, amigo leitor, e quem pinta este cenário aterrador.

Observem agora como em nossos dias as coisas não fogem a esse padrão. Tendo um bom numero de vereadores, deputados e políticos virtuosos tombado sob cortante aço ou atingidos pela bala por se terem postado contra essa maquina de injustiça, denunciado seus pares e devassado seus crimes. Pois não e hoje este sistema menos feroz do que aquele.

Importa saber que a simples atividade educativa quando bem executada jamais se torna improfícua. Assim se nosso homem, evitando exercer cargos públicos, ultrapassou os sessenta não pode ultrapassar os setenta anos de idade. Pois enfim sua atividade tornou-se ameaçadora e tal foi sua gloria. Foi Sócrates bem sucedido como educador ético porque enfim incomodou o Estado ou a estrutura e tudo quanto ela representa, sendo enfim supliciado. Foi justamente a morte que coroou sua atividade educadora. Pois caso a não representar qualquer risco para o sistema não teria suscitado qualquer forma de repressão.

Por isso para o educador ético, humanista e consciente e dos mais luminosos.

Devendo saber ele que enquanto estiver vivo e seguro não cumpriu com seu dever e nada fez de duradouro. Devendo saber que enquanto não for ameaçado ou sentir-se incomodado não representa perigo algum - Por isso pode o homem falar ou discursas livremente. Pode no entanto ameaçar ou representar qualquer medida de risco livremente? Julgue e responda você mesmo amigo leitor. Pois estamos numa época em que muitos vangloriam-se quanto a audácia de seus discursos ou palavras enquanto comodamente vivem... sem serem molestados pelo poder estabelecido. Por isso me pergunto> Que fazem eles para não serem molestados? Pois vejo que Sócrates e Jesus não morreram confortavelmente em seus leitos.

De modo geral acredito que a vivencia, a vida e o exemplo de algumas pessoas rigorosas e intransigentes face as injustiças e mais ameaçador - Para o poder do dinheiro! - do que certos discursos revolucionários iconoclásticos dos quais muito desconfio. Confio mais no testemunho dado por certos homens e mulheres quando confrontados pelo sistema, assim como quando alguém que exerce autoridade toma coragem e se posta ousadamente em favor da fauna, da flora ou de alguma pessoa injustiçada ou ainda de qualquer grupo humano oprimido, pois estes, sabem que correm risco de morrer.

E uma situação concreta da vida que nos poem em risco quando fazemos a opção correta. 

Sempre podemos fugir e estar durante certo tempo a margem do sistema. Todavia quando estando nele - Em maior ou menor medida - oferecer-mos qualquer risco seremos exterminados ou ameaçados por algum matador profissional, capanga ou justiceiro - Sempre formalmente desvinculado, mas, moralmente vinculado... 

Ha quase trinta anos fui convidado para ser politico profissional ou para exercer ativamente a vida politica, e como sou policrata e não abstenceísta sempre tenho sido inquirido por meus alunos (Ao cabo de quinze anos.) sobre o porque de ainda não me ter candidatado ou disputado eleições quando tenho imensa possibilidade de vir a ganha-las tornando-me vereador e implementando uma pauta verdade ou social... Hoje, por meio desta reflexão dou publica resposta e fundada razão ao interrogantes.

Meio constrangidamente confesso que mesmo não temendo a própria morte temo pela segurança de meus entes queridos, de minha mãe idosa, irmão, animais de estimação... Tal a minha covardia e fonte da restrição. Por isso mesmo quando me excedo, grito, denuncio, etc e sempre como articulista ou escritor, jamais como politico atrelado ao poder. Pois não sei por quanto tempo seria tolerado ou viveria. E certamente encontraria um trágico fim.

Por isso me sinto envergonhado quando me dizem que faco parte dessa coisa chamada opinião publica ou que influencio pessoas. Talvez por meio dessas páginas influencie um ou outro, todavia não um número suficiente de pessoas com que ameaçar a 'desordem estabelecida' ou este sistema iníquo de coisas a que chamam estrutura. Pois caso ameaçasse de fato não seria minha sorte melhor que a de Jesus ou que a de Sócrates. Tendo eles recebido a cruz e a cicuta, escaparia eu - Aluno de ambos! - a bala ou a ponta do gládio? Certamente que não - Pois não pode o aluno estar acima de seus instrutores.

Portanto se vivo estou e porque sou inofensivo, inerte e inútil - E sofro por ter plena consciência disso...

Espero que chegando aos setenta ou oitenta tenha já incomodado suficiente o sistema a ponto de obter o que chamam de martírio - Prêmio com que se coroa uma vida honesta! E que a Providência divina e celestial me predisponha a tanto.





 

Tempo de assistir 'O tempo' ou porque Shyamalan não será indicado para o Oscar...



Tirei hoje um tempo para assistir 'O tempo', o novo clássico - Isso mesmo, um clássico, pois toda 'obra prima' nasce já sendo um clássico. - dirigido M Nigth Shyamalan.

A bem da verdade, absorvido por minha leitura das obras de Platão, ignorava que estivesse ele dirigindo um novo filme. No entanto, ao passar pelo Cinema existente no Shopping center de minha cidade, deparamos com o cartaz.

Diante disso, revi meus planos para o Sábado e decidi assistir ao Novo filme, descrito pela vendedora de bilhetes com um filme de 'Suspense' - E de fato ai temos um filme do mais puro suspense, compreendido como mistério. Nem por isso deixa de ser ele de terror. Não porém daquele terror estereotipado e banhado a sangue como 'O massacre da serra elétrica'. Tampouco de um terror sobrenatural e manjado a semelhança de 'O exorcista'. Não. Nada disto, aqui o contexto é outro e, pasme, há narrativa ou concatenação. Aqui temos uma trama, no sentido de que faz oposição a uma urdidura. 

Aqueles leitores nossos que acompanharam-nos até aqui temos de advertir que talvez haja Spoiler. 

Portanto se ainda não assistiu 'O tempo' para de ler este artigo e corra ao Cinema. E não, não estamos recebendo qualquer comissão pelo convite. O quanto aqui fazemos é em benefício da cultura geral, do raciocínio, da Ética, da formação pessoal, etc de não a custo de 'vil metal'.

Não perca portanto a oportunidade de deliciar-se com o tempo, filme feito não para pessoas medíocres mas para gente que pensa ou para seres pensantes. Pois é obra que estimula o pensamento no mais alto grau.

Eu assisti e posso dizer desde já que foi, ao menos para mim, uma experiência tão marcante quanto a que tive ao assistir "Elysium", "O preço do amanhã" ou "V de Vingança". Os quais até hoje são presença obrigatória em meus artigos, aulas, palestras, etc Especialmente quando versam sobre Ética, virtude, moralidade, dilema, ciência, etc

Antes de tudo não creia que o diretor se atrapalha ou embaralha com qualquer coisa. 

Não são 'O Tempo' ou seu diretor que se embaralham. Não - O quanto fazem eles é decodificar para nós uma realidade atrapalhada ou um mundo embaralhado.

Pelo contrário, é 'O tempo' filme de rara acuidade Psicológica e Social, capaz de captar perfeitamente a mentalidade de um psicopata ou canalha que pensa a si mesmo como mocinho, herói ou redentor da humanidade. Em 'O tempo' esta presente o espírito venenoso e sorrateiro de Maquiavel com suas terríficas consequências. Como também esta nele, e é precisamente o que faz dele um marco ou uma obra exponencial, vigorosa resposta a premissa positivista segundo a qual a Ciência nos dará uma Ética, o que alias vem já prometendo há quase dois séculos...

Será que de fato dos laboratórios e tubos de ensaios saíra uma Ética superior a que nos foi dada por Sócrates ou pelo Evangelho (Disse Evangelho não Cristianismo e menos ainda bíblia.)???

Não, não me impressionei com a capacidade de certas pessoas fazerem o mal (Embora quase sempre socrático não creio que a maldade humana seja sempre expressão da ignorância do bem. Todavia conduzido por um otimismo ingênuo e tosco, cheguei a crer que os homens tivessem consciência de seus crimes ou algum vestígio de culpa. "O Tempo" no entanto reconduz-nos a realidade da vida vivida na qual os criminosos não apenas vangloriam-se do que fazem como apresentam-se como beneméritos. 

Assim o é... Fazer o que? Pois enquanto uns possuem sentimentos inconscientes de culpas infundadas outros são simplesmente debochados, insensíveis e cruéis no mais alto grau... 

Talvez se observar com atenção a morte do segundo personagem e de seu cão alguém consiga intuir o desenrolar da trama... O que leva um idoso a morrer antes dos outros? Que leva um cãozinho a perecer primeiro?
 
A partir de 'O tempo' você começará a entender porque os ateus e materialistas apreciam tanto a doutrina no ideologia do Caos, e qual o sentido dessa ideologia. 

Em seguida se lembrará talvez do misterioso 'Triângulo das Bermudas', agradecendo aos céus ou a Providência porque ele não e outros locais do gênero não possuem existência real. Afinal nossa existência, mesmo sendo bizarra, poderia ser ainda mais bizarra e monstruosa. Amorosos céus...

Nada mais reconfortante saber nosso mundo natural e uniforme. 

Para além disto há também material para uma boa reflexão existencial em torno de um casal de jovens, de seu bebê e da morte acidental. 

E como se não bastasse há ainda uma lição de amor em termos de vínculos, cumplicidade e resgate, com direito a heroísmo e quem diria, a um final feliz. Como a ensinar-nos que em meio a mais densa treva pode haver alguma luz...

Há enfermidades - Esquizofrenia, Alzheimer, cegueira, tumor, epilepsia, etc Num quadro de temporalidades, mortes, aparências, engano, amizade, afeto, educação, etc elementos muito bem relacionados uns com os outros e que fazem deste filme, como registrei a princípio, um clássico.

Após terminar de assistir a 'O Tempo' talvez nos tornemos pessoas mais prudentes, quem sabe prudentes como as serpentes e aptos para saber que 'Quando a esmola é demais o santo desconfia' ou se ferra... Pois o preço de um paraíso oferecido de mãos beijadas bem poderá ser um inferno de dor...

Opino no entanto que 'O tempo', devido a seu sentido Revolucionário - Não para comunistas e anarquistas ou no sentido usado por eles! - passará batido. Não contará o apoio das galinhas que não botam ovos, i é, dos críticos e quiçá sequer seja indicado para o Oscar. Pois sem querer ele destapa um cloaca ou boeiro demasiado fétido.

De fato temos uma produção que nas entrelinhas questiona o espectro, ainda vivo e presente, do cientificismo ou do positivismo. 

Claro que uma produção que questiona tais valores não poderá ser bem acolhida por uma mídia movida a grana ou por uma cultura econômica 'evolutiva' ou progressivista. 

"O tempo" como já disse não é uma produção ingênua, mas crítica, e que crítica uma parte ainda essencial - e mitológica - de nossa cultura. 

E como o genial ateniense dizia que antes de buscar conquistar o universo devemos conhecer e dominar a nós mesmos há humanismo na nova produção de Shyamalan. Sendo essa obra mais um testemunho artístico a respeito dessa inversão a que chamamos civilização. 

No entanto não se preocupe se após ter assistido 'O tempo' você não conseguir perceber tudo isso de uma vez. Caso perceba alguns dos elementos apontados já saíra mais rico e melhor... E por fim, sempre poderá reassistir o filme, uma, duas, três ou até mais vezes, que bem merece.

Eis o quanto queríamos registrar sobre "O tempo", seu diretor e seu significado.

Bora partir para o Cine mais próximo e assistir Shyamalan???

 




terça-feira, 27 de julho de 2021

O papa romano e a missa protestante...





Meu S Sócrates, desde quando pode o homem proibir aquilo que é bom?

Nem o Bendito Cristo que Deus é Verdadeiro pode proibir o que bom é.

Pois é Deus nosso 'Sumo bem' o qual não pode repudiar o bem, e querer ou ordenar o mal.

Acaso o que não pode Deus fazer por não poder quere-lo, poderá fazer um apóstolo, um mártir, um doutor ou um patriarca?

Não. A homem algum é lícito ordenar o mal e condenar o bem.

Pois é o bem Lei geral que governa todas as coisas por disposição divina.

Assim ordena o Bom Deus que amemos o bem e odiemos o mal, não o oposto: Amar o mal e odiar o bem é sinal de perversidade.

O papa Francisco no entanto bem parece ter cortado parte do cérebro, a menos que pense com os intestinos, cujas partes no caso fariam grande falta. 

Dirá no entanto o leitor: A que propósito vem esse grego Ortodoxo, ou 'cismático' meter o bedelho nas coisas de Roma?

Boa pergunta e tratarei já de responde-la.

Não é de hoje que existe no seio do Cristianismo um movimento de alienação ou de dessacralização que tem suas fontes no protestantismo radical, o qual fluindo pelo anglicanismo, chegou - Com esse sínodo chamado Vaticano II - a igreja romana, e influencia a Igreja Ortodoxa. Portanto não ser romano ou anglicano não é desculpa para ignorar o quanto de mau o de bom acontece em tais comunhões. Pelo contrário, por sermos ortodoxos devemos prestar máxima atenção ao que ocorre em tais setores, sem dúvida alguma os que se acham mais próximos de nós. É justamente por sermos Ortodoxos que nos ocupamos com tudo quanto se sucede na igreja apostólica de Roma e no alto anglicanismo.

Querendo ou não, gostando ou não, aceitando ou não mais cedo ou mais tarde a Ortodoxia ou os Ortodoxos sentirão o repuxo. Portanto é melhor ficar de atalaia e cerrar fileiras desde já.

Tanto pior quanto sabemos que há cerca de setecentos anos nossos Bispos canalhas, cedendo a pressões advindas do poder político, assentiu em precipitar-se nos braços recém gerados do papado, esse mesmo papado que há meio século, tritura e extermina, sem minimo respeito, suas próprias tradições.

E há uniatas rondando-nos ainda hoje e anunciando as ímpias doutrinas da monarquia e da infalibilidade papal.

E romanistas há, aos milhões, que acompanham e seguem a esse papa protestante... agente do protestantismo, apóstolo da heresia e núncio da apostasia. 

Não chameis a Francisco de novo Lutero. Seria calunioso, pois Lutero jamais adotou esse novo modelo de culto voltado para a assembléia. Nem mesmo de Calvino - O monstro de Genebra! - podeis chamar o Papa romano atual... pois até onde sei, sequer foi Calvino quem adotou esse novo padrão de culto!

Chameis a vosso infalível para de Karlstadt ou de Muntzer, assim de papa anabatista, posto que o nosso padrão de culto, i é, a missa nova, parece ser de origem anabatista.

Graças a divina monarquia papal cessaram os romanos de oficiar o culto fixado pelo Apóstolo S Pedro e codificado, cinco séculos depois, por S Gregório Diálogos, para oficiar um culto anabatista. Graças a Paulo VI, João Paulo II e Francisco rezam os romanos como anabatistas, i é como os mais fanáticos dentre os heréticos. Graças ao Vaticano II imitam os papistas aos sectários mais radicais e assimilam sua maneira de orar, completamente esquecidos quando o dístico: "Lex orandi, lex credendi." 

Assombra-me o fato duma instituição religiosa pugnar contra sua própria forma de culto tradicional.

Nada mais indigno do que condenar a adoração oficiada pelos ancestrais.

No entanto é exatamente isto que o déspota romano acaba de fazer, alias hipocritamente i é atribuindo tal juízos ao episcopado, ao mesmo episcopado ao qual envia instruções recomendando a supressão do velho culto. De modo a preservar sua própria imagem.

Não nos enganemos a propósito de tão indigna, desonesta e covarde manobra 'franciscana' digo francisquiana.

Por que cargas d'água gasta o papa portenho suas energias dando combate a um padrão proclamado imutável por um de seus predecessores (Pio V), ao invés de condenar duma vez por todas os inúmeros crimes  ou como dizem, abusos, litúrgicos de que é objeto a nova missa por parte dos carismáticos ou da RCC, a qual aqui no Brasil, converteu já a nova missa num culto sacrílego de talhe pentecostal???

Tal a pergunta que não quer calar, suscitada pela minha indignação.

Sim, pois apesar de ser Católico Ortodoxo tenho a infelicidade de viver cercado por apostólicos romanos, numa sociedade apostólica romana... Não podendo ser indiferente ao que ocorre ao meu redor. Vez por outra somos convidados a um batizado, a uma crisma, a uma cerimônia fúnebre... e, quase sempre, a contragosto, obrigados a declinar... Pelo simples fato de serem quase sempre cerimônias debochadas de talhe pentecostal. Nada mais avesso, não apenas a Tradição Ortodoxa, mas também a tradição romana!

Nada de mais escandaloso, contraditório, venenoso, ímpio, sacrílego e revoltante do que entrar num templo romano para rezar e ouvir os sons ou melhor os ruídos daquelas baterias e contemplar toda aquela multidão de povo rebolando, pulando e girando junto aos altares, num recinto até pouco tempo encarado como sagrado! Pois crê o homem conforme reza, ora, cultua ou adora. Portanto como admirar-se de que nosso pobre povo esteja a passar numa proporção cada vez maior as seitas pentecostais??? Se permitis oh papa Francisco que imitem aos pentecostais??? Que rezem, cultuem e adorem como sectários protestantes? Que afetem modos de anabatistas??? Em oposição ao padrão apostólico, fixado pela tradição...

Que apostolicismo é esse papa Francisco? 

Que apostolicismo é esse que substitui os paramentos, as alfaias, o incenso, os círios, a água, as cruzes, os estandartes, os sinos, enfim tudo quanto é legitimamente apostólico e Católico, e Ortodoxo, e Cristão por acrobacias protestantes???

Nem romanismo isso é sr Francisco, quando menos Catolicismo!

Pois Cristãos Católicos, Cristãos Apostólicos, Cristãos Ortodoxos, costumam levar adiante a adoração assumida por seus avoengos e não tripudiar dela, proibi-la, dificulta-la, suprimi-la, sob quaisquer alegações! O que se torna ainda mais sinistro quando observemos uma tolerância desbragada face a todos os abusos litúrgicos cometidos por esses padres ambiciosos e avarentos que folgam proceder como pastores pentecostais! Como acreditar em sua boa fé papa Francisco se enquanto o Marcelo Rossi e o Fernando de S Amaro abusam da nova missa vossa alteza lança raios contra a Missa perpetuamente fixada por seu predecessor Pio V???

A descrer na natureza divina de seu cargo e sobretudo em sua infalibilidade, a qual me parece pífia... poderia ou quiçá deveria, enquanto Cristão, supor tua boa fé, honestidade, sinceridade, etc papa Francisco, todavia "Non possumus"... Não posso crer na honestidade, sinceridade e boa fé de alguém que não tem pingo de respeito pela memórias de seus predecessores e ancestrais.

Embora não seja latino ou romano sinto-me imensamente triste diante de tais fatos. Pois acredito na beleza e na função didática do belo... E a liturgia romana, seja a tridentina ou a Gregoriano/petrina é imensamente bela quando dignamente oficiada. 

Por ser Ortodoxo não sou Oriental mas de tradição Ocidental ou latina. Minha cultura é está e nada tenho contra tal padrão de culto, por ser tradicionalmente apostólico e assim Ortodoxo - Claro que me refiro ao Rito Petrino/Gregoriano. Outro o caso do rito Tridentino ou de Pio V, o qual por ser mais recente não deixa de ser belo. 

Lamentavelmente a impressa sempre superficial e as massas desinformadas preferem dizer Missa em Latim. Lamentavelmente algum tradicionalistas se apegam mais a lingua ou ao idioma do que a estrutura do ritual. Concedo que as pessoas devam compreender o que é lido ou cantado. Concordo que a beleza não baste. Devendo esta associado ao conhecimento. Bem o que se tem hoje no novo padrão de culto seja carismático ou libertino - Pois são no mínimo dois. - é o conhecimento de algo feio, banal e vulgar, que em nada edifica ou alimenta o espírito Cristão.

A questão não é de lingua ou sobre latim e jamais deveria ser posta em tais termos. Como a nossa liturgia não pode ser posta em termos de grego ou árabe e sim de ritual, de estrutura ou de beleza; em torno dos elementos já citados: Altar, paramentos, ícones, cruzes, incenso, velas, alfaias, ritmo, etc É isto que se deve preservar como essencial a adoração. Erram os que porventura fixam-se no latim e não no canto gregoriano... Na lingua e não na Kibla i é no Sagrado Altar. 

É questão de estrutura, padrão, modelo, espírito, ritmo, etc Pois é adoração histórica e legitimamente Cristã feita com tais elementos, e não se eles.

É a adoração modernista, inspirada na heresia protestante e na manobra pentecostal, emocionalista. Já a adoração Cristã Católica Ortodoxa ou ainda apostólica é sobretudo simbólica, e enquanto tal destinada a promover sentimentos nobres. 

Quero dizer que bem se poderia diminuir a presença do Latim e decretar o uso de traduções literais no serviço religioso, desde que fossem preservadas as mesmas orações solenes e sobretudo o canto gregoriano. Pois o que se deve preservar antes de tudo, além da direção do Ministro e da congregação para o altar é o canto gregoriano, o qual do ponto de vista meramente humano é uma obra de arte e mais, uma terapia. Supondo que fosse oriental (Sou ortodoxo mas não Oriental!) nem por isso negaria - Por ódio ou birra - a beleza do canto gregoriano e sua capacidade para elevar as mentes ao Sagrado.

Outro o caso do barulho, do som ou do ruído que dispersa o ser humano ao invés de interioriza-lo. Outro o caso do movimento acelerado de membros e corpos, que torna as pessoas ainda mais agitadas. Outro o caso de mensagens puramente emocionais que nada contém ou ensinam em termos de doutrina.

Por isso é chocante que esses cultos pentecostais, que muitos chamam atrevidamente de missas, passem batidos ao defensor da fé enquanto que o rito de seus ancestrais exaspera-os. Eis algo que não posso entender. Esse amor ao novo associado pelo ódio ao antigo - Que há nisso de Católico ou mesmo de apostólico romano? Posto que fomos ensinados a amar o que é antigo ou tradicional enquanto oriundo dos apóstolos e a odiar as novidades profanas concebidas pelo homem.

Independentemente a fé ou da crença percebo que o papa Francisco combate por um mundo mais feio, banal e vulgar, segundo a receita moderna ou modernista. E não posso portanto louva-lo ou mesmo deixar de censura-lo e sobretudo de acautelar nossos ortodoxos encantados com as 'luzes' de Roma...

Que pode haver de divino num hierarca que pugna ferozmente contra a tradição autenticamente Cristã e que insinua estarem equivocados os nossos ancestrais? Acaso não eram os apóstolos, mártires e padres bem orientados? Então porque adotar um padrão de culto recente de origem anabatista ou protestante? Qual o sentido disto? Mormente quando sabemos que as pessoas creem como rezam ou o que rezam...

Que pode haver de infalível num ser leviano que atraiçoa as tradições legadas por seus predecessores e assume valores procedentes de uma outra fé, da fé inimiga?

Para que precisam os nossos Ortodoxos de papa ou mestre supostamente infalível? Para guia-los ao protestantismo e faze-los apostatar? Para faze-los berrar como loucos, saltar sobre os altares, rebolar, tremer, babar, virar os olhinhos... numa só palavra: Para ensandece-los??? Para dispersa-los, para desorienta-los e desliga-los da cultura de seus ancestrais? 

De fato há na ortodoxia, e lamentamos por isso, muita gente ritualista e superficial... Não o negamos, antes esperamos, meio do ritual, conecta-los ao sentido da fé. Fazer com que passem da casca a polpa, e venham a degustar o Evangelho de Cristo ou enfim a saborear as coisas divinas. Nossos defeitos devemos honestamente assumir e buscar corrigi-los.

Agora nem por isso, devido a possíveis excessos, sacrificaremos nosso ritual simbólico ou a conotação histórica do culto. Nem por isso haveremos de fomentar delírios insanos em pessoas instáveis. Nem por isso haveremos de chegar ao transe ou a pajelança... A exemplo do papa Francisco, o qual ao invés de tentar tornar a adoração modernista tanto menos grotesca cuida fulminar aqueles que fiéis ao espírito da religião limitam-se a fazer o que deve ser feito, assim a manter viva a adoração posta em prática por seus ancestrais. Apesar de seus defeitos e vícios (Como o moralismo/puritanismo) sob tal aspecto ao menos eu as admiro.

Que saibam os papistas reconhecer quem são seus verdadeiros inimigos... e portanto a dizer Sim a tradição e ao padrão de culto adotado por seus ancestrais, e a dizer Não, e um sonoro Não ao papa Francisco... 

Afinal nem mesmo Deus pode proibir o que é bom e belo ou abençoar o quanto seja mau ou feio. A missa antiga é sem dúvida boa e bela, enquanto de esse novo culto carismático é ímpio, feio e portanto sacrílego.