quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O Tabu do totem - Uma resposta a S Freud II (O significado de Totem e tabu)

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 a análise de Kroeber (opus cit) é a obra de Freud uma obra piramidal uma vez que após discorrer sobre as premissas durante nove décimos dela, saca as conclusões nas últimas vinte páginas.

E com Kroeber até podemos dizer que há ali premissas muito mais interessantes do que a conclusão, tal e qual a relação ambivalência/tabu analisada no capítulo II e de capital importância para compreendermos a personalidade do homem primitivo e a gênese de sua cultura.

Quanto as exóticas conclusões, demos a palavra ao próprio Freud, o qual, por sinal, expressa-se bastante bem.

"A psicanálise nos mostra que o animal totêmico, é, na realidade, uma representação do pai, fato com que harmoniza-se a contradição de que estando proibida sua morte numa época normal qualquer, se celebre com uma festa seu sacrifício, e que depois de mata-lo se lamente e chore sua morte. A atitude afetiva ambivalente, que ainda hoje caracteriza a relação com o pai em nossos meninos, e perdura, não poucas vezes na vida adulta, se estenderia portanto ao animal totêmico, considerado aqui como um substituto do pai." p 185

"Todo supõem a existência de um pai violento e ciumento, o qual reservaria pata si mesmo todas as fêmeas e expulsa os filhos conforme vão crescendo. Semelhante estado social jamais foi observado em parte alguma. A organização mais primitiva que conhecemos e que ainda subsiste em algumas tribos reporta as associações de homens...  Os irmãos expulsos reuniram-se certo dia, MATARAM O PAI E DEVORARAM SEU CADÁVER, pondo fim a existência da horda paterna. Unidos levaram a cabo o que individualmente lhes teria sido impossível. Pode supor-se que o que inspirou-lhes tal sentimento de superioridade FOI O PROGRESSO DA CIVILIZAÇÃO, COMO O DISPOR DE UMA ARMA NOVA. Tratando-se de selvagens canibais era natural que devorassem seu cadáver. Ademais, o violento e tirânico pai constituía seguramente um modelo odiado e temido por cada um dos membros da associação fraternal, os quais devorando-os passam a identificar-se com ele e a apropriar-se de parte de sua força. O banquete totêmico, talvez quem sabe a primeira festa da humanidade, seria a reprodução comemorativa deste ato criminoso e memorável PONTO DE PARTIDA DE TODAS AS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS, DA MORALIDADE E DA RELIGIÃO." 185 sgs


"Assim a proibição do incesto apresenta uma grande importância prática. A necessidade sexual, ao invés de unir os homens, divide-os. Os irmãos unidos com o objetivo de assassinar o pai, haveriam de converter-se em rivais ao tratar-se da posse das fêmeas. Cada um deles haveria de querer todas apenas para si mesmo a exemplo do pai, e a luta geral daí resultante haveria de trazer consigo o naufrágio da nova organização social. Afinal não havia nela individuo algum superior aos demais por seu poder, ao qual tivesse sido possível assumir com êxito o lugar o pai. Portanto, se os irmãos quisessem viver juntos, não havia outra solução senão instituir... a proibição do incesto, por meio da qual renunciavam todos a posse das mulheres cobiçadas, alias móvel do parricídio. Destarte salvavam a organização que os havia feito fortes a qual talvez repousasse sobre sentimentos e práticas homossexuais." 187

"A horda fraterna rebelde abrigava com relação ao pai os mesmos desejos contraditórios que formam o conteúdo ambivalente do COMPLEXO PATERNO EM NOSSOS MENINOS E EM NOSSOS DOENTES NEURÓTICOS. Odiavam aquele pai que tão violentamente se opunha a sua necessidade de poderio bem como a suas exigências sexuais, e ao mesmo tempo amavam-no e admiravam-no. Assim depois de o terem chacinado e consumado seu ódio tinham de sobrepor-se neles sentimentos carinhosos, até então dominados pelos hostis. Como consequência deste processo afetivo surgiu o remorso  e por fim a consciência de culpa com ele confundida, desde então o pai morto adquiriu prestígio ainda maior do que gozava em vida... Aquilo que o pai havia tornado impossível enquanto vivia por seu próprio poder, proibiram-se a si mesmos os filhos em virtude de uma obediência retrospectiva... desautorizaram assim seu ato, proibindo a morte do totem que substituía o pai e renunciaram colher os frutos de seu crime, recusando o contato sexual com as fêmeas do grupo, então acessíveis para eles. Deste modo a culpabilidade do filho... COINCIDE COM OS DESEJOS REPRIMIDOS DO COMPLEXO DE ÉDIPO." 187

"Podemos assim concluir que no COMPLEXO DE ÉDIPO coincidem os começos da religião, da moral, da sociedade e da arte, coincidência que se nos mostra perfeitamente de acordo com as descobertas da psicanalise, quando sabemos alias que este complexo constitui o fundamento de todas as neuroses." 203




Freud acreditava no modelo do gorila e portanto que nossos ancestrais mais remotos viviam em pequenas comunidades familiares de caráter poligâmico - o primeiro grupo hipotético recebeu o nome de horda - organizadas em torno de um macho dominante ou alfa, de duas a quatro fêmeas, e os filhos mais jovens do 'patriarca'.

Na medida em que os jovens do sexo masculino atingiam a puberdade eram expulsos do grupo, muitas vezes a força, de modo a não se tornarem rivais sexuais seus.

No entanto, a provável invenção dos implementos líticos ou das ferramentas/armas de pedra, possibilitou que os filhos expulsos da horda, juntassem forças matassem e devorassem o 'patriarca', afinal o canibalismo estava em moda.

O resultado ou efeito natural da morte do pai teria sido a posse das fêmeas por parte dos filhos/irmãos vencedores, estes no entanto, acabaram renunciando a tal posse por dois motivos:

           a) O remorso ou a consciência culposa quanto a morte do pai, fruto da ambivalência.
           b) A situação de conflito generalizado resultante da disputa das fêmeas pelos irmãos.

Desta renúncia as fêmeas i é as mães e irmãs teria resultado o tabu do incesto.

Ainda segundo Freud os animais com que os clans passaram a identificar-se - segundo um esquema bastante comum a mentalidade infantil - também representavam igualmente a figura do pai assassinado. Daí a consciência culposa levar tais clans a proclamar a vida deste animal um tabu. A exceção de um dia ao 'ano' ficavam os indivíduos proibidos de caçar, matar ou maltratar este animal. Num determinado dia porém, o clã inteiro não dó podia como devia mata-lo e devora-lo. Segundo Freud esta festa ou comemoração periódica perpetuaria a memória do parricídio ancestral ponto de partida de nossa civilização.

Como o fundamento da co fraternidade posterior a extinção da horda primordial seria a proibição do incesto ou do contato sexual com a própria mãe, objeto de um desejo inconsciente universal, temos no complexo de Édipo - nome dado por Freud a esse desejo - ou em sua renúncia o protótipo de todas as renúncias posteriores que deram origem a cultura.

Concluindo: Todas as nossas instituições culturais, morais e religiosas resultariam de um parricídio ancestral. As religiões de modo geral prestaram-se perfeitamente a perpetuar essa dinâmica da substituição do 'deus pai' pelo deus filho, assim na mitologia grega quando Cronos assassina Urano e quando Zeus depõem Cronos; assim no Cristianismo quando o Deus Filho encarnado suplanta a Deus, o Pai. Elas também dariam ressignificação a culpa original explorando de diversas formas a ideia de sacrifício expiatório e alimentando-se dessa consciência mítica de culpa.

O tabu do totem - Uma resposta a S Freud

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Preliminares



Em que pese 'Totem e tabu' ter sido escrito há mais de um século são poucos os críticos - desde Alfred Kroeber (1920) - dispostos a lê-lo com independência de espírito, apontando os desacertos e fazendo as devidas ressalvas.

No entanto, após termos lido o pequeno ensaio de Kroeber, fomos como que constrangidos a assumir este 'encargo'.

O próprio Freud nas últimas linhas do trabalho recusou-se a tirar conclusões definitivas (Madrid 1988 - p 209). Poucas páginas antes havia registrado: "Nós não desejamos ocultar, de modo algum, as incertezas inerentes a nossas premissas e as dificuldades com que tropeça a aceitação de nossas conclusões." p 203. Somos portanto, autorizados a descrever sua obra como uma 'tentativa' Psicológica.

Mas a que vem ao caso aqui uma 'tentativa Psicológica'?

Para compreendermos devidamente o 'porquê' de semelhante tentativa temos de compreender a situação da Antropologia e da Etnologia pelos idos de 1900... Bastando-nos para tanto acompanhar o próprio Freud. 142 Isto a propósito do Totemismo, isto é, de sua origem.

Tentemos colocar a questão do modo mais claro possível.

É o totemismo fenômeno social presente em determinado número de culturas primitivas, como os Arunta da Austrália além de diversas tribos Americanas e africanas. Tal instituição foi simplesmente detectada nas citadas culturas sem que elas mesmas fossem capazes de esclarecer qualquer coisa a respeito de seu surgimento. Para complicar ainda mais a questão desde Mac Lennan (1869) mais e mais evidências tem sido aduzidas a respeito de um passado totêmico para além das grandes civilizações mediterrânicas ou europeias. Sem que no entanto topemos com qualquer esclarecimento a respeito das fontes do totemismo.

Consideremos agora que as culturas da Idade da pedra eram iletradas, ou seja, que não possuíam códigos escritos, tal e qual as culturas primitivas a que nos referimos. Em tal conjuntura é absolutamente natural que tenham surgido lacunas a respeito de diversos aspectos da Idade da pedra e lacunas que decorrem do próprio método arqueológico. Neste caso como completa-las?
Em Louis Figuier 1883 damos com a tese, ventilada por Lord Avebury (Sir John Lubbok), segundo a qual devemos buscar tais informações suplementares - a respeito da Idade Primitiva - no regime de vida e instituições dos povos primitivos e portanto da Etnologia ou da Antropologia cultural. Muito do que topamos nas Origens da civilização, no Homem antes da História e no Homem pré histórico procede desta fonte.

Passado menos de meio século, já Andrew Lang (em 'O segredo do Totem' p 27) aditava as seguintes ressalvas, alias reproduzidas por Freud - "Tampouco os povos primitivos tem conservado as formas originais das instituições existentes entre eles ou as condições de sua formação." 143 Querendo dizer com isto que mesmo as culturas que ora encaramos como primitivas passaram certamente por algumas transformações ao cabo de tantos e tantos milênios, e que a condição delas não é estática ou idêntica a das culturas que floresceram na Idade da Pedra. Logo explicar a Idade de pedra a partir das culturas primitivas sempre poderá conduzir-nos ao anacronismo.

Diante disto que fazer?

Em termos de Etnologia e de Antropologia cultural, diz Lang "Nós nos vemos obrigados a completar as lacunas advindas da observação direta por meio das CONJECTURAS." P 143

Disto decorre a situação de 'divisão' teóricas alardeada e explorada por Freud: "Sendo assim soará estranho a nossos leitores que tendo em vista responder a tantas questões os investigadores assumiram diferentes pontos de vista e que seus resultados mostram grandes divergências." p 143 Em seguida, apelando a autoridade de Goldenweiser, certifica que um número cada vez maior de pesquisadores tem dado tal questão - da origem do Totem - por insolúvel. p 144

A partir daí passa Freud a elencar as principais matrizes explicativas do fenômeno - A nominal ou funcional de H Spencer, Max Muller, Lang e Avebury, A Sociológica de S Reinach, Durkheim, Haddon e Frazer e a Psicológica de Wilcken, Fr Boas e finalmente Wundt, um dos pais da psicologia e autor da Psicologia dos povos (1912). Buscando editar as críticas de cada um ou lança-los uns contra os outros, declarando - "E como sucede amiúde cada um destes autores mostra mais acerto quanto as críticas que dirigem aos demais, do que na parte positiva de seus trabalhos." 144

Curiosamente o próprio Kroeber (cf Totem e tabu na psicanalise etnológica) havia chamado a atenção para a demasiada liberdade com que os diversos etnólogos, antropólogos e sociólogos, haviam formulado suas conjecturas.

Seja como for Freud não apenas concluí pela impossibilidade de tais disciplinas  - Assim a etnologia, a antropologia e a sociologia - chegarem a qualquer conclusão mais consistente sem o auxílio da Psicologia (o que é perfeitamente admissível), como dispara: "Somente a psicanálise projeta alguma luz em meio a tantas trevas." p 166

Assim de sua Psicanálise 'Fiat lux'...









segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Quinhentos anos de reforma protestante - Uma perspectica crítica

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Embora para nós os quinhentos anos da Reforma protestante completem-se apenas em 2021, pelo simples fato de estarmos sendo cobrados, não nos podemos deixar de manifestar, ainda que com três anos de antecedência.

Afinal ao contrário do Catolicismo, do islamismo ou mesmo do espiritismo não é ou foi o protestantismo uma Revelação transcendente cujo conteúdo tenha sido imediatamente comunicado pelos céus. Daí a composição problemática da Reforma com o Cristianismo Histórico, afinal o Livro é Resultado da Revelação e não a Revelação em si mesma. A Revelação divina na perspectiva puramente Cristã é fruto ou produto da Encarnação e não de um livro. Cristianismo é Deus que se faz homem e não livro. É A RELIGIÃO DA ENCARNAÇÃO e não uma religião do livro como o judaismo ou o islamismo. A oposição entre o Catolicismo, estribado no anúncio oral do Mestre, e o Biblismo principia aqui.

Do mistério da Encarnação procedem antes de tudo a pregação, a igreja e a tradição; as quais antecedem ou precedem o Evangelho Escrito. E já digo e adianto que as escrituras dos judeus ou antigo testamento não vem ao caso, pelo simples fato de não constituir a Lei dos Cristãos. Daremos ouvidos aos protestantes ou bíblicos quando toparem com o Sermão do Monte ou com as Bem aventuranças na Mikra. Até lá nos firmaremos no Evangelho como algo Novo, específico e diferente ou como vinho novo que não cabe em odres velhos.

Ulteriormente, após inúmeras hesitações, adotou ou assumiu o protestantismo uma via mística ou sobrenatural, mas de teor puramente subjetivo, segundo a teoria individualista da inspiração interna, invisível, intransferível e inverificável; tanto que poderia ser alegada por qualquer credo religioso, como algo caprichoso e arbitrário, que foge a evidência objetiva ou a demonstração.

E no entanto este Lutero de 1517 ainda é perfeitamente papista ou Católico bem como o Lutero de 1521. Durante todo este tempo não cogitou o homem romper com a igreja e protestou submissão filial ao papa romano até o derradeiro instante da excomunhão. Foi ao calor das disputas com Eckius - o qual buscava reduzir seu oponente ao absurdo - e ao sabor do improviso que o protestantismo foi sendo muito naturalmente fabricado sem que Lutero sequer cogitasse ser dirigido, guiado ou iluminado pela divindade. Era agostiniano e como tal não temia o absurdo, consequentemente canonizou o irracionalismo e o absurdo chegando a apresentar a razão como um puta. Para ele o Cristianismo não precisava fazer sentido e nossa esperança era certamente louca...

Começa a criar o protestantismo em 1521... principiando pelo Biblismo e pelo livre exame. Sem cogitar que estava enveredando pelos domínios naturais da técnica exegética ou da especulação interpretativa, e desviando-se por completo das já citadas fontes do Cristianismo histórico, o qual certamente não surge como uma técnica exegética naturalista ou como interpretação de qualquer coisa, mas com a manifestação visível de Deus na carne ou na natureza humana.

Sucede no entanto que o papismo para firmar-se havia contaminado a tradição ancestral. A tradição latina, desde o ano 1080, era uma tradição papista ou papal. S Fócio e S Miguel Cerulário, já haviam denunciado esta manobra. Os ocidentais no entanto separaram-se das antigas igrejas apostólicas de lingua grega, e resolveram seguir seu próprio caminho. Destarte quando Lutero veio ao mundo já não havia na igreja ocidental quem fizesse caso das críticas levantadas pelos gregos 'cismáticos' meio milênio antes, ou quem conhecesse as legítimas tradições.

Em semelhante conjuntura, a admissão dos concílios latinos e portanto da tradição, implicava admissão da monarquia papal e ninguém estava disposto a concordar com os 'odiados' gregos. Lutero foi posto contra a parede e numa posição desconfortável, a qual impedia-o de apelar a tradição ou de usa-la em seu favor. Ao contrário dos bizantinos refinados ele jamais chegou a cogitar numa crítica histórica das tradições e como típico alemão, achou por bem cortar o mal pela raiz e eliminar o critério externo e objetivo da tradição. Creio que foi uma solução ditada pelas circunstâncias e não algo refletido.

Seja como for devia ele substituir a monarquia papal, os concílios e a tradição dos padres por alguma outra coisa.

Tal o problema.

A imprensa acabava de ser inventada meio século antes, e considerável número de Bíblias, já em latim, já em vernáculo circulavam por toda a Europa, sem que no entanto a mágica do Livro tivesse sido quebrada numa Sociedade majoritariamente analfabeta.

Como qualquer um de nós, que imaginamos nossos ancestrais com celulares, aviões ou automóveis, cogitou Lutero, que o livro impresso sempre estivesse em posse dos cristãos ou em suas mãos, e por isso tomou a 'Bíblia', no mínimo com sessenta e seis livros, i é, uma verdadeira Biblioteca, como padrão de verdade. Em momento algum ele, Lutero, cogitou na universalidade da mensagem Cristã e em culturas iletradas. Em momento algum imaginou as condições das sociedades letradas antes da invenção da imprensa. E o anacronismo converteu-se em pecado original da nova fé.

Desde então a mitologia protestante tem imaginado qualquer versão ou tradução da 'Bíblia' palestinense, baixando prontinha, de capa a capa dos céus. Eis como encaram a JFA aqui no Brasil... Outros imaginam como tendo toda ela sido escrita por Jesus ou por algum apóstolo de Gênesis a Apocalipse. Havendo inclusive quem, levado pela fantasia, imagine Jesus ou os apóstolos com um livro debaixo dos braços ou folheando Bíblias!!! Ademais, eles sequer fazem caso da distinção existente entre Antigo e Novo Testamento, imaginando o dito livro como uma espécie de Corão.

O problema no entanto não se restringe a origem, conteúdo ou a acessibilidade da Bíblia, mas sobretudo a sua capacidade enquanto veículo suficiente da divina Revelação. Ao que parece Lutero desconsiderou supinamente a incapacidade de um livro para dar sentido ou interpretar-se a si mesmo. Por isso que o sola do Biblismo ou da suficiência da Bíblia é falacioso... Na medida em que precisa de um intérprete humano ou do livre exame. A Bíblia não lê a si mesma, não se examina, não se interpreta, não dá sentido a si mesma; mas recebe seu sentido dos homens ou do leitor.

Tal o problema fundamental do protestantismo, o qual é uma interpretação e uma I. subjetiva. Já o Cristianismo surge como Revelação sobrenatural, objetivamente estabelecida nos domínios da História pelo mistério da Encarnação. Jesus não vem com livro ou em livro mas com a carne a palavra; e ao invés de ter escrito um livro ou manual de religião comissiona doze homens e lhes confere autoridade para ensinar em seu nome, tais os apóstolos que enviou como vigários ou embaixadores a todas as nações da terra. E a este grupo de apóstolos autorizados deu o nome de Igreja e prometendo-lhe certos auxílios espirituais de modo a que cumprisse fielmente sua missão de conservar imaculadamente o depósito da Verdade que lhe fora comunicado.

Mesmo quando hoje lemos o Evangelho Escrito, percebemos a constatamos que a instituição divina do apostolado e a existência da Igreja, precedem a existência do Evangelho escrito. Pelo simples fato de que foram os nossos Evangelhos escritos por apóstolos e discípulos, logo escritos na Igreja e para a Igreja. De modo que antes do primeiro a ser escrito, no ano 47, não faltará autoridade a Igreja por doze anos! Sendo regida pela tradição oral ou pela pregação mantida pela autoridade apostólica.

Consciente ou inconscientemente ao antepor a palavra escrita a Igreja, a autoridade apostólica, ao anúncio oral ou a tradição Lutero cometeu um terrível equívoco do qual os protestante só podem sair por meio da judaização ou seja alegando - na perspectiva mitológica de um Corão Cristão - que o antigo testamento é um compêndio ou manual de fé Cristã. Inda que não haja ali sinal do Pai Nosso ou da Eucaristia... Historicamente, por ódio a tradição legitimamente Cristã, o protestantismo fez volta ao parafuso, e canonizou as tradições mortas dos rabinos e fariseus, as quais haviam sido condenadas pelo Verbo Jesus, e judaizou, sabatizou e foi do iconoclasmo ao unitarismo.

Tragicamente a crônica do Biblismo ou do protestantismo é crônica de sectarismo judaizante - de predestinacionismo, de iconoclasmo, de zwinglianismo, de sabatismo, de unitarismo, etc até a negação total do Cristianismo ou de sua especifidade, até os confins de um teísmo natural ou do islamismo, nos quais desembocou, ao menos culturalmente.

Tornando agora a questão da Bíblia e do livre exame ou do elemento humano, em termos de interpretação, duas possibilidades extremas ou antagônicas e radicais apresentaram-se ao protestantismo nascente. Primeiramente a adoção de uma técnica puramente naturalista e a princípio objetiva, via que conduziu a nova fé diretamente ao liberalismo ou seja a negação do sagrado, inclusive no que tange ao Novo Testamento e ao Evangelho. Desde Reymarus, Semler, De Wette e outros foi a versão que prevaleceu na Alemanha luterana e posteriormente em toda a Europa protestante. Começaram assim por deificar a Bíblia até que a especulação veio a demolir o próprio Evangelho e abater a Encarnação do Verbo. E se é certo que os liberais protestantes, dando continuidade ao movimento iniciado pelos judeus e papistas, merecem o aplauso de todos por terem ousado repudiar os mitos e fábulas do antigo testamento não é menos certo que ultrapassaram os limites da fé nicena ou atanasiana mostrando-se permeáveis a diversos preconceitos materialistas ou deístas.

Por obra e graça desta liberdade estranha ou do livre exame com toda sua carga subjetiva este mesmo protestantismo que principiou erguendo-se contra a igreja antiga, tornou-se, em seus próprio berço, valhacouto do naturalismo, do agnosticismo, do materialismo, do deísmo, e pasmem, até mesmo do ateísmo, haja visto os pastores que formularam a teologia da morte de deus, segundo a qual, esta deus morto, tal e qual fora proposto por F Nietzsche , o qual por sinal, tendo sido filho e neto de pastores luteranos, concluiu que existiam apenas interpretações subjetivas e de modo algum o que convencionamos chamar verdade.

A partir daí o protestantismo europeu ou envelhecido a cabo dos séculos ou ao cabo de sua trajetória evolutiva, foi perdendo todo seu vigor e credibilidade em termos sociais e sido paulatinamente abandonado pelas classes mais instruídas, as quais foram tornando-se abertamente incrédulas ou irreligiosas, até o ateísmo, e sem necessidade de máscaras ou disfarces. Ao cabo de todo século XX as principais nações protestantes da Europa foram tombando, uma a uma, no abismo da negação religiosa e absorvidas até meados dos anos cinquenta pelo papismo, e, após o Vaticano II, pelo comunismo e mais e mais pelo islamismo.

A outra via ou segunda via posta ao protestantismo já no referimos. É a do misticismo subjetivo ou da inspiração profética. Segundo a qual o leitor, comentarista ou intérprete da Bíblia, inda que semi analfabeto, despreparado e iletrado revindica 'humildemente' para si mesmo as luzes do espírito santo, apresentando-se como guiado ou dirigido por deus, as vezes no sentido mais vulgar alegando ter sido visitado por ele, te-lo visto e ouvido. Todavia, de modo geral, os partidários desta solução, limitam-se a apelar a uma certeza interna ou intuição, insistindo que estão convencidos de que foram escolhidos por deus para restabelecer a verdade eterna, dando continuidade a obra iniciada por Lutero, o qual tem dezenas de pretendidos continuadores, escolhidos por deus... É evidente que esta solução vai pelos caminhos demência ou da imbecilidade, sem que no entanto deixe de contar com vultoso número de adeptos entre nossas massas incultas, mormente quando fazem-se passar por taumaturgos ou milagreiros.

O próprio Lutero num determinado momento de sua carreira, e tendo em vista combater os profetas de Zickwau, que eram anabatistas delirantes, parece ter sutilmente enveredado por este caminho, e isto até o ponto de ser apresentado como profeta dos alemães e declarar que seus dogmas haviam sido comunicados pelo céu, quando na verdade haviam sido elaborados naturalmente no auge da polêmica com os representantes do papa ou fabricados por Andraeas Bodstein, o Dr Karlstadt, a princípio seu colaborador mais entusiasta braço direito, e em seguida seu supremo desafeto. Já antes de Lutero, Karlstadt havia revindicado para si mesmo a qualidade de profeta. Lutero no entanto encarava-o como profeta do diabo suscitado pelo inferno na medida em que Bodstein, sacando consequência após consequência, a partir duma lógica cerrada e inflexível, ia demolindo cada artigo ou dogma da antiga fé.

Curiosa a semelhança existente entre Lutero e S Freud, na medida em que, num primeiro momento, 'excomungavam' seus críticos para posteriormente adotar seus pontos de vista e negar que o tivessem feito. O quanto Freud fez com Adler e Jung havia Lutero feito quatro séculos antes com Karlstadt, sob diversos aspectos legítimo pai da doutrina protestante. Basta dizer que foi este ex Dominicano que concluiu pelo anabatismo, pelo simbolismo eucarístico, pelo cânon palestinense do A T, pelo casamento dos clérigos, dentre outras coisas... Tendo sido as duas últimas assimiladas por Lutero, não sem certa resistência.

O fato é que os dois comentaristas, interpretes, examinadores ou leitores da Bíblia, apesar das alegadas audiências com o espírito santo, jamais puderam entender-se ou mesmo deixar de encarar um ao outro como apóstolo do Diabo. O que prenuncia uma divergência ainda maior a ser travada entre Lutero, Zwinglio e Calvino os quais tampouco puderam entender-se apesar da alegada clareza da Escritura (imagina se não fosse clara!) e dos adjutórios sobrenaturais...

O fato é que com ou sem espírito santo, os reformadores e protestantes, ao cabo de meio milênio, jamais foram capazes de entender-se a respeito de crenças tão importantes quanto o batismo infantil, a presença do Senhor no Sacramento, a Liberdade humana ou mesmo a divindade de Cristo, cindindo-se em centenas ou milhares de seitas, e vindo essa calamitosa situação a agravar-se cada vez mais, até o escândalo. Afinal os mesmos protestantes vivem jurando que as escrituras podem ser compreendidas até mesmo por uma criança ou por um analfabeto... E no entanto acham-se em oposição uns aos outros a propósito de cada passagem ou versículo. E não há nem sombra de Unidade ou uniformidade entre eles. Sinal de que, com ou sem inspiração, o método não funciona. Digo o método do livre exame.

Ademais quanto a inspiração é fácil compreender como os protestantes fazem uso dela, palmilhando a mesma trilha que Lutero. Cada individuo limita-se a declarar que sua seita é a verdadeira, que deus mesmo disse isto para ele ou que sente em seu coração e que todas as demais seitas de inspirados são inspiradas pelo capeta. Incrível aqui é que sendo fanático ele sequer cogite estar equivocado ou que sua seita seja inspirada pelo capeta... Cada sectário pensa invariavelmente assim. A postura arrogante é sempre a mesma - ninguém aqui considera a simples possibilidade de estar equivocado - mudando apenas o nome da seita. Tampouco os tristemunhos mugidos variam: Aqui um tremedor, dançarino ou malabarista uivando e saltitando declara que o dia do Senhor é o Domingo e mais além, na Adventista da promessa, o mesmo 'espírito' com os mesmos trejeitos, alega que o dia do Senhor é o sábado... Na presbiteriana reformada o 'espírito' entre gritos e cambalhotas referenda o 'dogma horrendo' da predestinação, o qual é negado em profecia na metodista... Na Brasil para Cristo o celibato é apresentado no 'espírito' como instituição divina e na Batista como selo da Besta inventado pelo papa... Tantas profecias quanto cabeças, as quais não bastam para salvar o protestantismo da pulverização doutrinária...

Destarte com ou sem fetichismo ou misticismo, permanece a obra iniciada por Lutero, fragmentada e em situação de conflito. Uma seita denunciando e combatendo a outra como herético em que pese a 'liberdade' outorgada... Cada seita perdida nos rincões do universo alegando ter encontrado mais um fragmento perdido da revelação... Cada pastor ou profeta arvorando levar adiante a sempre inacabada reforma de 1521, 1530 ou 1546... Cada inspirado jurando ter dado com mais uma invenção do Papa ou de Constantino... Cada pregador dizendo ter recebido 'uma nova luz'... Cada fundador de seita crendo ser o único a ter encontrado a 'pérola de grande valor' oculta na Bíblia... E a multidão de interpretações, opiniões, hipóteses, teorias, comentários, ponto de vista, crenças, dogmas aumentando cada vez mais, e a confusão avolumando-se ao cabo destes quinhentos anos.

Em que pese este Lutero e cada um de seus sucessores e rivais, como Zwinglio e Calvino terem considerado suas respectivas reformas como definitivas e acabadas. Os neo protestantes todavia chegaram a concepção de uma reforma em gotas homeopáticas segundo a qual deus revela-se parcimoniosamente aos mortais, introduzindo sua verdade no erro e associando a luz as trevas. Havendo inclusive que, partindo da doutrina da corrupção total da natureza, tenha concluído que a própria verdade ou revelação divina corrompe-se novamente na mesma proporção em que é reformada ou restaurada, daí não ser a igreja reformada, mas reformanda ou em perpétua estado de reforma, a qual jamais acaba!!! Destarte após quatro ou cinco século ao invés de introduzir-nos no reino da verdade eterna, a reforma protestante introduz-nos é no Reino de Heráclito, com seu 'Panta rei' agora sob a forma de um devenir doutrinário... Por uma mágica subjetivista converteu-se nosso Cristianismo no rio do pensador efesino, e quando julgamos estar em posse de um artigo de fé comunicado por Nosso Senhor nos achamos diante do erro... e quando julgamos ter identificado o erro ei-lo convertido em verdade...

Diante disto como crer???

sábado, 21 de outubro de 2017

O controle e a administração da líbido (especialmente da sexual) ou da fuga pelo sistema.


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Podemos negar que o sistema capitalista seja racional ou ético mas não podemos negar que seja sagaz ou esperto tendo em vista os objetivos a que se pretende. Haja visto que administra tanto diversas formas de alienação - Comercializando-as, vendendo-as e auferindo estrondosos lucros na mesma medida em que engana e escraviza aqueles que as consomem - como o acesso dos cidadãos a líbido e portanto os próprios meios através dos quais cogitamos fugir a realidade, também apossa-se deles e os convertem em fontes de lucro.

Diversas religiões e Sociedades antigas foram suficientemente perspicazes a ponto de perceberem que ao dominarem a sexualidade do homem chegam a dominar o próprio homem. Perceberam igualmente que a repressão sexual produz uma quantidade equivalente de agressividade, a qual sempre pode ser usada contra seus adversários. O capitalismo foi mais além tomando consciência de que a agressividade nem sempre pode ser manipulada ou controlada, mormente quando falta o apoio da religião.

Dai ter investido, ao cabo do século XX, em diversas pesquisas relacionadas com a sexualidade humana e seu fluxo, assim os famosos relatórios Hite sobre a sexualidade feminina e masculina. Afinal era necessário por a coisa em termos mais ou menos matemáticos no sentido de averiguar quanto em termos de repressão ou privação pode ser imposto ao trabalhador sem produzir uma agressividade excessivamente perigosa. A coisa ficou definida mais ou menos em termos de um jornada semanal, sendo o fim de semana reservado ao descanso e por ext ao lazer i é a fruição de diversos prazeres.

Calculou-se certamente que após os cinco dias efetivos de trabalho, o operário precisava 'descarregar' as energias acumuladas durante a semana dando largas aos apetites sexuais. Assim o Sábado e o Domingo seriam dias dedicados a recuperar o tempo perdido ou a fruição do prazer. Dias em que a vida noturna, a prostituição e todo tipo de evento classificado como erótico ou pornográficos tornam-se mais intensos e assumem a ponta do Mercado. Destarte os dias de descanso do proletário equivalem aos de maior trabalho no setor da indústria sexual e vice versa.

O Mercado acabou absorvendo a demanda de sexualidade acumulada produzida por ele mesmo ao criar uma indústria sexual aos feriados e fins de semana. Criou uma demanda e absorveu-a tornando-a lucrativa. Tornando-se consumidor de sexo, bebida, cigarro e dança nos fins de semana o proletário faz reverter ao Mercado parte do montante que recebeu, quebrando o paradigma da economia como fundamento da ascensão econômica. Aos olhos dos puritanos e dos darwinistas sociais os poucos trabalhadores que se tornam milionários são justamente aqueles que ao invés de consumirem tais produtos, reprimem-se ainda mais, guardando e juntando parte do salário. E no entanto esta fruição de prazer negado constitui uma demanda gerada pela própria condição humana. Em tais condições as 'pessoas de bem' que se negam ao prazer, que se controlam ou recalcam tornam-se amiúde neuróticas, mesmo quanto excepcionalmente tornam-se prósperas. Pagam o ascetismo forçado ou o sacrifício com a sanidade... Isto quando não se tornam agressivas, amargas, violentas e cruéis até o sadismo. Tal o tipo do rico sádico e insensível...

Até certo ponto o sistema conseguiu conciliar o ideal calvinista do trabalhador morigerado a austero, dos cinco dias de trabalho por semana, com o consumidor de 'vícios' ou prazeres dos fins de semana descrito por Bernard de Mandeville. O capitalismo logrou converter os vícios da semana na fonte de lucro dos feriados e fins de semana, dias destinados a fruição do prazer ou a compensação, tendo em vista a situação de recalque precedente. Passou assim a intercalar períodos de repressão e trabalho e períodos de fruição e consumo, retomando o Mercado por meio do consumo dos prazeres o pouco que os trabalhadores haviam ganho com o trabalho no período anterior.

Conciliou o trabalho e a repressão com a fruição e o consumo, mas sempre em seu benefício. Lucrando sobretudo quando o homem angustiado, buscando fugir a realidade do mundo externo, abraça furiosamente o princípio do prazer, tornando-se consumidor compulsivo. Paradoxal que este homem tenha muitas vezes plena consciência a respeito das mazelas do Mercado, e que as denuncie, critique e se oponha a elas... No entanto quando perde as esperanças de prostrar o deus Mercado por terra e entra em crise, é justamente ai que passa alimenta-lo, pelo simples fato de precisar consumir altas doses de narcótico para sobreviver. Evidentemente que tais narcóticos ou sedativos não lhe serão dados. Tem um custo e como tudo que tem custo prestam-se ainda e mais uma vez as aspirações do Mercado.

Na cultura ou sociedade de mercado inexiste realidade que não se relacione com ele. A prostituição, a pornografia, a indústria do cigarro e das bebidas, a própria indústria de preservativos e antes de tudo e acima de tudo o negócio da droga nada tem de Revolucionários ou contestatórios em si mesmos. Correspondem todos a necessidades reais existentes em quaisquer Sociedades, as quais no entanto foram ampliadas, assumidas, incorporadas e absorvidas pelo Mercado. A Sociedade de Mercado produz dependentes do prazer - justamente as pessoas que buscam fugir a ele - e transforma-os em consumidores inconscientes. Os quais por força de hábito até são capazes de imaginar tais nichos econômicos como Revolucionários, não são... O prazer é explorado pelos mesmos senhores que exploram o grande capital e esta conectado com eles formando uma só rede.

O que estou querendo dizer com isto é que o sistema é imensamente esperto, capaz de assimilar suas próprias demandas, de converter seus pontos fracos em fontes de força, de transformar-se, de criar novas relações e de assumir novas formas cada vez mais arrojadas. O que me faz lembrar Anteu, o gingante da fábula, que recuperava suas forças ao tocar na terra sua mãe...

É um sistema que produz situações complexas.

Explorando a um lado necessidades compulsivas a que classifica como vícios e vendendo-os a certa parcela da população e ao mesmo tempo explorando o trabalho morigerado produzido durante a semana e a moderada fruição do prazer pelo operário nos fins de semana... Tudo isto, limitação e fruição, é mais ou menos gerenciado por ele.

Resta-nos dizer ainda que a própria alienação, converte-se em negócio bastante lucrativo, particularmente para o nicho midiático ou para a indústria de comunicação de massas. Afinal o sistema como um todo e cada uma de suas partes precisam recorrer a alienação para manter-se. Daí ela mesma assumir a forma de produto oferecido pela imprensa. De modo que a seleção e a distorção dos fatos apresentados é certamente paga pelos interessados. Outro aspecto da indústria midiática consiste em vender propaganda, especialmente quanto a fruição de certos prazeres moderados ou fugas autorizadas, cujo consumo cabe a ela incentivar ao máximo apelando a todos os recursos propiciados pela imaginação ou pela fantasia.

Tais as propagandas relacionadas com as bebidas alcoólicas, o cigarro ou mesmo algumas iguarias como o chocolate ou a coca cola.

Aqui a propaganda clássica criada pelo psicólogo lacaio consiste mormente na associação de ideias. Daí mostrarem ao trabalhador miserável e mal cuidado pessoas belas, ricas e elegantes em situações de poder consumindo determinados produtos. A tais cenas paradisíacas adicionam alguns jargões do tipo - Gente bonita consome chocolates Sonksen ou Beber giny cola te torna poderoso...

Neste sentido - quanto a propaganda, a prostituição parece ser bem mais recatada rsrsrsrsrsrs De qualquer modo há todo um ar de apelação sexual na mídia, quiçá tendo em vista a permanência de algumas situações de recalque e repressão, quiçá tendo em vista apenas aquecer a indústria ponográfica ou sexual que vai já se formando. Parece inevitável que a libertação sexual deixe de produzir uma demanda em termos de mercado e uma indústria sexual pelo simples fato de dar-se numa sociedade capitalista. De fato a necessidade de uma Revolução sexual foi e é inquestionável, deplorável é que ocorra num contesto capitalista. Destarte o sexo nunca tende a tornar-se simplesmente normal na medida em que o nicho do mercado que lhe é consagrado tende a estimula-lo ao máximo, a classifica-lo como o valor supremo da vida e a ignorar sua dimensão pessoal em termos de sentimento.

Nem podemos nós deixar iludir-nos quanto ao tema da liberação das drogas julgando que algo de Revolucionário virá deste balaio. Pois tudo quanto veremos será a criação de outro nicho em termos de mercado com a respectiva demanda por propaganda a menos a longo prazo. A menos que tal liberação se desse noutro tipo de sociedade até poderíamos nos deixar tomar pela ilusão de que o consumo das drogas se daria noutros termos, alias impensáveis para nós. Ocorrendo como a Revolução sexual num contexto de mercado é óbvio que sua demanda será absorvida e mercadizada como tudo. Como a religião alias, cada vez mais simoníaca...

Se após ter lido todos estes parágrafos chegou a imaginar o mercado como um polvo colossal cujos tentáculos se apossam de qualquer coisa, devo dizer que a imagem formulada por você é bem mais do que pura e simples coincidência.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O tema da fuga...

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Como registrado foi em artigo precedente em posse do conhecimento da realidade assume o homem duas posturas características e antagônicas; a do afrontamento, que coaduna-se com o progressismo ou a da fuga, que corresponde a uma espécie de desespero invencível ou a um conservadorismo negativo nas palavras de meu grande amigo Douglas Eduardo Vaz.

Não se trata como bem poderia parecer de alternativas lineares. Não poucos progressistas, esquerdistas, trabalhistas, socialistas de modo geral após terem se dedicado por um longo tempo ao afrontamento e a militância (Tendo em vista a colossal dificuldade - já apontada com  peculiar lucidez por Freud - com que se transforma a realidade social) costumam costumam a passar por crises periódicas de angústia e desesperança até a ambivalência, alternando, em determinadas circunstância da vida, atitudes de afrontamento e de conservadorismo negativo ou desistência. Mauro Iasi caso não me falhe a memória, analisou detidamente esse problema numa de suas obras.

Temos de compreender estas pessoas ou melhor, temos de compreender a situação existencial experimentada por elas, as limitações do aparelho psíquico e a condição de cada um ao invés de sem mais classifica-las como vis traidoras ou inconsequentes. Do contrário nosso socialismo não terá valor algum. Ser humanista pressupõem no mínimo sincero esforço para compreender o outro, ao invés de te-lo em conta de conspirador malévolo.

Implica saber que a angústia não é em si mesma tolerável ou suportável, mas que corresponde mais ou menos a uma dor que se sente na alma...

Tanto mais intensa a dor, tanto mais a necessidade de ser estabilizada por meio de algum narcótico ou sedativo. No passado o ópio ou o clorofórmio... antes disto a Datura Stramonium, a Canabis Sativa, o Peyote, o Whisky... Homens e culturas sempre buscaram fugir a dor lancinante. Crendo-a radicada quase sempre no corpo. O homem moderno no entanto, objeto de tantos conflitos e frustrações, veio, mais do que qualquer um de seus remotos ancestrais a conhecer um outro tipo de dor não menos forte, a dor da alma ou a angústia.

Daí o já citado (apud artigo anterior 'Um pouco de arte) dramaturgo - Quem tem problemas tem conhaque... vodka, whisky, morfina... Afinal em situações de dor sedativo não é luxo, é necessidade.

E como a causa da angústia da-se inevitavelmente em termos de choque entre as instâncias mentais ou entre o Ego e o mundo externo, ao menos neste último caso, a única saída que se impõem é fugir deste mundo externo, cortar os vínculos com ele, separar-se...

Vindo a propósito a perda de consciência, por meio da qual temos acesso a outros estados de espírito, totalmente diversos da realidade.

No passado as multidões chegaram a crer que tais estados equivaliam a uma via de acesso aos seres divinos. Hoje multidões de homens irreligiosos continuam buscando-os não mais como forma de unirem-se ao sagrado ou ao numinoso, mas como forma pura e simples de romper com a realidade indesejável desde mundo ou enquanto fuga.

Apesar disto não é situação nem um pouco simples.

Fugitivos que recorrem a perda de consciência e a tão extravagantes fruições de prazeres costumam não poucas vezes a assemelharem-se aos marinheiros que bebem água do mar. E todos sabem muito bem o que se sucede com o infeliz naufrago que cede a esta forma de tentação...

Fugas bem planejadas e bem sucedidas podem se tornar recorrentes e incontroláveis; até que se perde por completo o nexo com a realidade vivida e se passa de vez para o outro lado, o lado da insanidade.

Pode sempre a fuga tornar-se compulsiva ou imperativa; e assim se perde o homem, não devido a angústia mas a fuga. Sempre bom após algumas fugas toleráveis buscar auxílio psicológico com que enfrentar a angústia em suas fontes e dribla-la. Fuga até pode acontecer como improviso, é compreensível. Urge no entanto, ir o quanto antes a raiz do mal e tentar estrai-la. Claro que num pais em que o custo do serviço psicológico é tão alto, as fugas podem se tornar ainda mais atrativas por serem menos onerosas, ao menos para o bolso...

Mas e se a substância empregada for nociva? E causar danos neuronais irreversíveis. E se os demais tipos de fuga ou compulsão tornarem-se incomodativos na medida em que se chocam com nossas necessidades vitais em termos de emprego, família, etc???

Não o tema da fuga não é nem um pouco simples. Na medida em que corresponde, não poucas vezes a um suicídio lento e inconsciente...

Assim se não se pode censurar o homem que sucumbiu ao peso tremendo da dor tampouco se pode deixar de orienta-lo no sentido de buscar por ajuda. Orientar é diferente de julgar e condenar. Como diria o Dr Frankl caso este homem não encontre um sentido mais profundo que o leve a apegar-se a vida mesmo com todas as suas dificuldades, quem poderá obriga-lo a viver? Se ele encara esta existência como um fardo doloroso, que podemos fazer? Como obrigar alguém a permanecer num navio que não o agrada ou a fazer uma viagem que não quer?

Como as dores da alma tendem a ser mais frequentes e continuas do que as dores do físicas, a intoxicação por meio excesso de sedativos ou por meio da fuga constitui uma ameaça real. Melhor tratar essa angústia já no começo... Após as primeiras fugas.

Bem, já enrolamos demais o amigo leitor. Urge finalizar este artigo. Arrolemos as possibilidades de fuga -

  • O fundamentalismo religioso, sempre associado a uma mentalidade magico fetichista ou seja crença em intervenções sobrenaturais e divinas. Tal a situação da gente simples ou ingênua sempre a espera de um milagre. Aqui sequer pressupomos qualquer explicação em termos de ocultação de causas ou de alienação, da qual o crente sempre pode prescindir. Descrevemos apenas a atitude vital daquele que abandonando mais e mais a vida refugia-se em templos e igrejas passando cada vez mais tempo assistindo a cultos religiosos, orando, consumindo literatura religiosa, etc Naturalmente que nos encontramos com um tipo de fuga plenamente justificado - O mundo é mal ou diabólico. Esta forma de fuga, que costuma ser total ou definitiva, tem seu principal risco quando a pessoa em questão acredita ser capaz de comunicar-se diretamente com a divindade, sendo estimulada neste sentido pelos líderes religiosos irresponsáveis. Assim por meio da via mística chegasse bastante facilmente a demência ou a esquizofrenia e não poucas vezes ao crime. Afinal não há pior opção do acreditar que tudo quanto pensamos, falamos, vemos ou ouvimos procede do próprio Deus.
  • Formas de hedonismo não substanciais ou químicas.
    Assim a compulsão sexual compreendida no sentido em que a busca pela fruição do orgasmo ou do prazer sexual converte-se em objetivo primário da atividade humana conflitando com as demais esferas da existência, assim com o trabalho por exemplo. Na medida em que essa busca vai trazendo mais e mais problemas, cumulativamente, caracteriza-se o problema. Trata-se aqui de um tipo de fuga bastante estimulado pema cultura e pela mídia tendo em vista certo nicho existente no mercado e evidentemente o lucro, situação que analisaremos em nosso próximo artigo sobre "A administração da alienação e da fuga ou do prazer pelo pode econômico."
    Outro tipo de compulsão diz respeito aos jogos de azar, estando nitidamente relacionada com a aspiração inconsciente pela emulação, pela auto afirmação ou pela realização pessoal, objeto de frustração. Aqui a relação com as finanças é ainda mais clara e perigosa, na medida em que uma pessoas viciada em jogos ou compulsiva pode vir a perder todos os seus bens muito rapidamente.
    Como variante deste temos a compulsão por jogos eletrônicos.
    Outra variante muito comum é a fuga por meio de uma realidade digital ou virtual paralela, inclusive produzida e comercializada. Tenho notícia de pessoas que por esta via chegaram rapidamente a alienação mental e irreversível por se terem hipostasiado com personagens e situações fictícias, cujo comportamento passaram a reproduzir socialmente. A derradeira variante é o esportivismo, no Brasil sob a forma do futebolismo e do clubismo, o qual não poucas vezes tem resultado em conflito armado e assassinatos. 
  • Chegamos por fim a menos crítica de todas as formas de fuga, se é que podemos dize-lo ou a que é mais apreciada pelo Sistema. Estamos nos referindo ao consumismo, em virtude do qual acreditamos poder saciar nosso vazio interior ou vazio de sentido e de perspectivas, adquirindo objetos, coisas ou mercadorias ou seja comprando, consumindo e aquecendo o Mercado. Aqui ainda a questão da auto estima, da realização pessoal, da auto afirmação... Pois não poucas pessoas sentem uma sensação indefinível de prazer, bem estar ou mesmo poder comprando coisas, o que em não poucas vezes reflete um estado psíquico análogo ao do misticismo, da auto sugestão ou mesmo do consumo de substâncias narcotizantes. Em tais circunstâncias além das dívidas o consume deve produzir certas substâncias glandulares ou endócrinas relacionadas com a sensação de prazer.
  • As formas de hedonismo químico resultante da introdução de certas substâncias no organismo seja por via bocal, nasal, venal, etc
    Temos aqui -
    A embriagues, definida como consumo de alcool na medida em que chega a alterar os níveis de consciências ou como consumo excessivo, o qual nada tem a ver com o consumo parcimonioso ou moderado (aqui C S Lewis). O problema imediato aqui são as situações em que o excesso conduz a perda total de consciência, assim o famoso caso do 'bêbado no banco da praça' ou o que é bem mais dramático, atirado inconscientemente sobre os trilhos de uma Ferrovia ou as margens de uma Rodovia, claro que todas estas situações traduzem certo grau de vulnerabilidade e comportando, riscos reais para a vida e a integridade física da pessoa. Afinal vivemos num pais em que índios e moradores de rua já foram incendiados pelo fato de estarem a dormir em alguma praça ou rua. A longo prazo todos sabemos que a embriagues implica sérios danos a saúde física, podendo resultar em cirrose ou câncer no fígado, para não falarmos noutras tantas moléstias 'comuns' como o AVC.
    Temos ainda aqui uma droga sintética extremamente forte e danosa, o Ecstasy, o qual é comercializado sob a forma de cápsulas ou pílulas. Associado a bebidas alcoólicas o Ecstasy tem seus efeitos potencializados podendo produzir facilmente uma parada cardio respiratória. O Ecstasy também pode conduzir os viciados a imbecilidade completa em curso prazo pelo esgotamento dos neurônios cerebrais.
    Chegados a via nasal temos toda uma gama de drogas inaláveis - Da cola e dos perfumes até o cigarro - que a bem da verdade não passa de uma droga legalizada - e o insidioso crack, i é as pedras de fumar feitas com cristais de cocaína (A qual também pode ser cheirada em pó). Ocioso dissertar a respeito dos riscos implicados no consumo continuo do tabaco descobertos há quase cem anos pelos médicos alemães do fuhrer. Igualmente ocioso mencionar os efeitos danosos do consumo de cocaína ou mesmo da inalação da maconha.
    Quanto a via venal temos a introdução de cocaína das veias. Aqui além de outros tantos riscos há o de contrair-se doenças transmissíveis devido ao uso comum da agulha e o de envenenar-se, haja visto que aqueles que manipulam tais implementos nem sempre estão conscientes do que fazem...
    O LSD pode ser consumido oralmente, inalado ou injetado, a vontade do freguês. É a dietilamida do ácido lisérgico produzida pela cravagem de um fungo do centeio desde 1943 por Albert Hofmann. A História do LSD constitui uma página a parte quanto ao consumo de entorpecentes pelo simples fato de ter produzido uma cultura, a cultura psicodélica (nos anos 60) relacionada com um grande número de artistas e intelectuais dentre os quais Aldous Huxley. É uma das drogas mais poderosas em termos de efeito, e relativamente segura. Sem consumo no entanto pode levar a psicose, inclusive crônica.
    Cumpre registrar a imensa popularidade da droga entre artistas e intelectuais, os quais tendo tomado consciência quanto a dura realidade da existência humana, e sua resistência a quaisquer tentativas de transformação deixaram-se dominar pela angústia e pelo desespero, resultando disto, obviamente a necessidade da fuga e consequentemente a droga. O trágico epílogo deste tipo de experiência todos conhecemos muito bem - A overdose e a morte... ou seja o suicídio, algumas vezes consciente, outras vezes não...

    FUGAS SAUDÁVEIS?

    Algumas fugas saudáveis tem sido relacionadas com a sensação estética produzida pela arte. Assim a fuga da realidade por meio dos livros de romance, ficção e fantasia. A fuga pela contemplação visual de um quadro ou duma exposição. A fuga pela poesia ou pela musica. A fuga pelo teatro. A fuga pela apreciação de cerimônias religiosas de caráter simbólico. A fuga moderada pela prática saudável de algum esporte. A fuga moderada pela apreciação sóbria do licor ou do narguilé. A fuga por um tipo de esforço pessoal agradável; como o artesanato. A fuga moderada pela arte culinária ou pela degustação de um bom prato. A fuga moderada pelo exercício da sexualidade, etc Em não poucas situações somos levados a perceber que a distinção entre o tolerável e o danoso esta apenas na intensidade da fruição a que chamamos fuga.


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Um pouco de arte...


Quem tem problemas - e quem não os tem na Sociedade do lucro máximo? - diz o dramaturgo, tem conhaque ou cachaça (rsrsrsrsrsrs perdoem-me pela cachaça). Sem querer excluir o conhaque ou licor - os quais me agradam em demasia - os que estão na fossa ou estressados, ou angustiados, ou deprimidos... acrescente ao aperitivo uma boa dose de música porque é a música narcótico de primeira ordem e um dos principais sedativos da alma. E pode abusar dele que é saudável!

E quanto a nós que cremos que a Beleza - em comunhão com o Bem e a Verdade (a Kalokagatia) - haverá de redimir o mundo tanto mais devemos usar e abusar ao máximo da afinação e da melodia:












As formas de alienação periférica

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A pedido elaborarei um breve artigo sobre as formas de alienação periférica, principiando pela distinção entre as formas de alienação:

  • Alienação periférica é a que busca ocultar, manipular ou distorcer a realidade
  • Alienação ideal ou essencial é a que busca ocultar as verdadeiras causas dos problemas encontrados na realidade.

Quanto as principais formas de alienação periférica podemos citar:

  1. O isolamento espacial. Tal a forma de alienação escolhida pelo poder com o objetivo de cooptar os oficiais do exército, criando vilas militares ou mantendo-os aquartelados em condições totalmente diferentes daqueles que vigoram no âmbito da Sociedade civil ou oferecendo-lhes um modelo que funciona e fazendo com que acreditem que este modelo é comum a todo pais e portanto que todos os civis vivem maravilhosamente bem e que os descontentes certamente não passam de criminosos ou desajustados. Caso tenhamos em vista que autênticas dinastias de oficiais são criados e educados neste realidade artificial intencionalmente criada fica fácil perceber porque costumam ser essencialmente conservadores, afinal não pode aspirar mudar aquilo que funciona tão bem e tendem a conceber e julgar o mundo a partir da realidade em que vivem. Por isso os militares de até meio século atrás antes de serem 'vilões' constituiam um bando de alienados produzidos pelo Estado segundo suas necessidade de controle formando um eficiente aparelho repressor.
  2. A realidade artificial. Referi-mo-nos aqui não apenas a realidade mas a própria cultura produzida e imposta pelos meios de comunicação de massa diretamente controlados, no caso do Brasil, pela alma burguesia. Nada diferente do 'pão e circo' ou pão e espetáculo dos antigos romanos. Entre nós particularmente, a seleção e manipulação de informações associada a produção de necessidades artificiais atingiu um tal nível de refinamento que sequer precisamos distribuir gêneros - pão, carne, vinho e mudas de roupas - como entre os antigos romanos. Nossos cidadãos deixam-se hipnotizar por simples ideias ou teorias como uma galinha diante de um risco. Queremos que haja inimizade ou ódio entre nós e os argentinos, introduzimos este ódio cego no futebol e os Norte americanos agradecem... Queremos afastar as massas dos Cristianismos Católicos devido a sua consciência social mais acurada e aproxima-los do protestantismo com seu conteúdo individualista, apresentamos uma versão unilateral de Inquisição e ninguém se dará ao trabalho de questionar, passando o protestantismo por santo, apesar de todas as suas atrocidades... Queremos paralisar a reflexão política e social ou qualquer outra movimentação que nos esteja incomodando ai vem o carnaval com moças negras de periferia arreganhadas e a goles de muita cerveja... Queremos promover a visão ingênua de que o trabalho honesto a base de salário enriquece, colocamos este conteúdo da novela da Globo... Queremos fazer o povo idiota acreditar que a falta dágua no estado de S Paulo corresponde a um castigo enviado por um deus irritado devido aos nuances da vida sexual contemporânea colocamos o Malafaia ou o Feliciano sob os holofotes. Queremos evitar que o povo questione o sistema pela crise econômica colocamos na telinha um filme qualquer contra os russos (URSS) ou com mensagens subliminares... Ao invés de ensinar a juventude a encarar a sexualidade de modo natural permitimos que mídia dela se aproprie e a venda como único objetivo da vida... Quando estamos dispostos a nos inserir, a militar e e exercer a cidadania a mídia nos bombardeia com o tema da corrupção até produzir a mais intensa angústia... Preciso continuar insistindo para demonstrar que a mídia esta sempre a postos no sentido de selecionar seus conteúdos tendo em vista determinada necessidade calculada em termos de intencionalidade. Noutras palavras esta sempre buscando produzir reações favoráveis ao sistema, blinda-lo, protege-lo, etc A ideia aqui é que apenas um conteúdo especifico concentre a atenção das massas fazendo com que esqueçam-se de todo o resto.


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