sábado, 27 de junho de 2009

O Caso dos Exploradores da Caverna

Semana passada li um pequeno livro de grande riqueza filosófica, "O Caso dos Exploradores da Caverna". Um senhor livro. O livro foi escrito para estudantes novatos de direito. O livro foi escrito pelo jurista norte-americano Lon Fuller. É uma obra que dá para se ler em duas ou três horas. Linguagem acessível e cativante.

O livro trata de um caso de exploradores que ficaram presos numa caverna, pelos anos de quatro mil e lá vai pedrada. Esses exploradores para não morrerem de fome, decidiram tirar a sorte para que um deles fosse executado até que fossem regatados dali. Assim fizeram.

Os juízes encarregados do julgamento discorreram uns contra, outros a favor dos exploradores, todos com argumentos interessantes. Não há por assim dizer uma imposição do autor a favor deste ou daquele pensamento jurídico, a decisão fica por conta do leitor.

Para quem quiser ler o livro aqui tem o e-book O Caso dos Exploradores da Caverna.

A Relatividade do Erro

A matemática é conhecida como uma ciência exata, mas não é assim tão exata quando você se depara com esta soma e seu resultado: 9+5=2. É evidente que o(a) amigo(a) dirá que isso é um absurdo, mas quem propôs tal foi o grande cientista e escritor de ficção científica e de divulgação científica Isaac Asimov.

E por incrível que pareça o erro é relativo, porque existe uma circunstância na vida em que 9+5=2. Suponha que tenham se passado 5 horas depois das 9 horas da manhã, você não tem 14 horas? e 14 horas não são duas da tarde?

Nem sempre as coisas são o que aparentam ser.

In: A Relatividade do Erro

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Contra a Cristandade hipócrita

Recebi um e-mail "cristão" que protestava contra o filme 'Corpus Christis' (O Corpo de Cristo), que vai sair em breve na América do Norte, mostra Jesus mantendo relações homossexuais com os seus discípulos. A versão teatral já se apresentou. É uma paródia repugnante de Jesus.

O e-mail é um abaixo-assinado de cristãos indignados com as "blasfêmias" e contra a dignidade do mestre Jesus. Antes de mais faz-se mister dizer que sou cristão, ou melhor, eu tento ser cristão, porque em minha cosmovisão, cristianismo é, antes de mais nada, práxis.
Eu não subscrevi o abaixo-assinado, não porque eu pense que Jesus era um devasso, uma miniatura de Calígula. Pelo contrário, a meu ver, é a figura mais bela da história humana, e eu o venero como a um Deus.

Mas vejo que os cristãos se preocupam muito com a reputação de seu Deus, salvador e mestre. Ficam indignadíssimos contra as "blasfêmias sussurradas pelos diabos", mas param por aí. Acham que a pessoa de Cristo precisa ser protegida, preservada, mas eles mesmos que adoram defender a reputação de Jesus Cristo, nada fazem daquilo que ele fez e ensinou.

Jesus disse: "Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus", e os cristãos nominais são cheios de maldades e ódio;
Jesus disse: "Fazei os outros aquilo que desejais que os outros vos façam", e o que fazem os cristãos? Mentem, roubam, adulteram, exploram o homem pelo homem;
Jesus ensinou que não deve haver distinção entre as pessoas, pois o sol nasce para bons e maus e a chuva cai sobre justos e injustos.

Jesus disse:

"Não julgueis, e não sereis julgados.
Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos".
(Mt 7,1-2) E os cristãos vivem a julgar os seus semelhantes, seja pela aparência, seja pela cor da pele ou pela posição social.

Quem conhece os Evangelhos bem sabe que Jesus sempre se preocupou com os excluídos da sociedade, com os marginalizados, Jesus se preocupava de tal modo com essa classe de pessoas que ele se identificou com elas. Pois ele disse:

" ...tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes, nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. (Mt 25, 35-36)

E de igual modo disse:

"todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes". (Mt 25,40)

Da mesma forma se dirigiu aos egoístas para adverti-los. (Certamente esses egoístas são os cristãos, homens de bem, que rezam, oram, vão à missa, ao culto, comungam, confessam, pagam o dízimo, pregam, jejuam e lêem a Bíblia.) Disse Jesus:

"Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes".
(Mt 25,42-43)

"Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer". (Mt 25,45)

Lendo essas palavras de Jesus, não entendo como ninguém se escandaliza com crianças que morrem de fome. E são os ditos cristãos que as deixam morrer de fome. Não é Jesus que morre de fome nelas?

Quantos doentes de aids e câncer e "cristãos" como George W Bush, gastaram milhões e mais milhões dólares com guerras, ao invés de destinar esse dinheiro para pesquisas na busca de uma cura ou para uma vida mais digna e com menos sofrimentos, não, George Bush e outros com ele gastaram dinheiro com guerras, ferindo os sadios e matando os imbeles.

Os cristãos se escandalizam quando alguém diz que Jesus era gay, mas não se escandalizam quando vêem presos em más condições, não se escandalizam ao saber que bolivianos trabalham como escravos ou coisa parecida, nas indústrias de tecidos em São Paulo, e no entanto Jesus disse que é cada um desses estrangeiros - "Todas as vezes que fizestes um bem a um desses pequeninos foi a mim que o fizestes"; "Todas as vezes que deixastes de fazer um bem a um desses pequeninos foi a mim que o deixastes de fazer".

Por que ninguém faz abaixo-assinado para diminuir a fome no mundo? Por que ninguém se prontifica em cuidar de doentes desassistidos nos inúmeros hospitais? Não são o mesmo Cristo que foi blasfemado pelo tal diretor de cinema?

Não é uma desonra deixar o Cristo morrer de fome nos pobres? Não é uma infâmia deixar o Cristo passar frio nos miseráveis? Mas os cristãos nominais importam-se tão somente com a reputação de Cristo e não com suas dores vivenciadas pelos marginalizados. Amam um Cristo idealizado e odeiam o outro Cristo que está presente nos excluídos.

Falar que Cristo era gay não pode, mas deixar pessoas na miséria isso pode.

Sinceramente não sei porque se incomodar com essas ninharias, se nem Jesus se preocupou no que dissessem ou não dele.

Ele não disse: "Fui chamado de promíscuo e não me defendestes!". Tampouco disse: "Zelai por minha reputação, porque está é a vontade de vosso Pai que está no céu". Os cristãos vivem pelo que ele não disse e pensou, ao passo que poucos ajudam os explorados inspirados por suas palavras: "Tive fome, sede, estive nu, doente, preso, eu era estrangeiro...".

Grande cristianismo esse que defende a reputação de Jesus Cristo e deixa os explorados como os famintos morrrerem de fome; que deixa os presos numa condição subumana, enquanto os colarinhos brancos, que desviam rios de dinheiro estão livres e não só isso, frequentando missas ou cultos; que deixa os imigrantes como os bolivianos serem escravizados, que deixam os pobres morrerem de frio, etc...

Marx escreveu a Engels as seguintes palavras: O certo é que eu Marx não sou marxista. Creio que Cristo parafrasearia Marx: O certo é que eu Jesus Cristo não sou cristão.

Não aderi ao tal abaixo-assinado e nem hei de aderir, enquanto eu ver Jesus Cristo desprezado nas ruas, nos enfermos, nos mendigos, nos indígenas e em todos os oprimidos. A verdadeira blasfêmia é se dizer cristão e ridicularizar a palavra de Cristo, não as cumprindo. Assim os descrentes com razão terão motivos de sobejo para ridicularizar a eminente figura de Jesus Cristo. Esses cristãos fazem a merda e Jesus é quem paga o pato.





quinta-feira, 25 de junho de 2009

O professor bonzinho

O professor ou professora que é bonzinho ou boazinha acaba por se tornar vítima de seus alunos por vários motivos. Falo por experiência.
O(a) professor(a) não pode sorrir muito nem ser íntimo(a) de seus alunos, claro que pode e deve ser amigo(a).

Percebi que os alunos baderneiros gostam de professores autoritários, pois são os únicos que respeitam. O(a) professor(a) que perdoa os deslizes de seus alunos, na verdade alimenta sua rebeldia. A compaixão é no(a) professor(a) o calcanhar de Aquiles, e os alunos sabem muito bem disso e tentam manipular esse sentimento do(a) professor(a). O(a) docente não pode desculpar os alunos, deve puni-los para que aprendam a se tornar pessoas responsáveis.

De pouco adianta a um professor ser um gênio e ensinar tudo o que sabe aos mesmos, se não ensinar o mais importante que é a ética, a cidadania. Finalizo meu artigo com uma frase do filósofo estóico Sêneca que disse: "De que adianta saber o que é uma linha reta se não se sabe o que é a retidão".

terça-feira, 23 de junho de 2009

Escrever é um santo remédio

Acabei de ler o artigo "Quando o remédio é escrever" da revista Mente e Cérebro. Neurocientistas e pesquisadores da mente descobriram que escrever faz bem para saúde, a escrita pode aprimorar a memória e o sono estimular a atividade dos leucócitos e reduzir a carga viral de pacientes com aids e até mesmo acelerar a cicatrização após uma cirurgia.

Pessoas com câncer relataram que se sentiram muito melhor mental e fisicamente após ter se utilizado da escrita do que aqueles pacientes também com câncer que não se utilizaram desse recurso. E por quê? Porque o blog serve como uma válvula de escape, onde nós podemos partilhar nossos sentimentos e nossas experiências.

Não está bem? Escreva! Crie um blog! O blog pode não curá-lo(a) mas certamente aliviará suas dores e frustrações.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quando a emenda sai pior que o soneto

Outro dia enquanto eu lecionava assomou à porta da sala de aula onde eu lecionava, a vice-diretora acompanhada do pai de um aluno problemático. Foram momentos constrangedores!

A vice-diretora me chamou para eu conversar com o pai do aluno. O sujeito estava ébrio. Não tinha noção do que falava, perguntava uma coisa atrás da outra e não deixava que a vice-diretora ou eu respondesse.

A vice-diretora visivelmente constrangida disse: "professor pode continuar sua aula". Encostou a porta e tentou conversar com o pai do aluno. Pediu a vice-diretora que pudesse dar uma palavra ao "mestre", invadiu a sala naquele estado lamentável se dirigiu aos alunos e disse: "E aí seus cuecas frouxas, tão ligados tem que respeitar o mestre, senão vão pagar mico como o otário do meu filho. E vocês suas calcinhas borradas, eu tô ligado que vocês são tudo calcinhas borradas mesmo, então vocês prestem atenção aí" (sic).

Depois o sujeito desceu as escadas com a vice-diretora, os alunos na sala gargalhando, o filho constrangido e eu tentando conter o riso. Como pode um aluno ter educação, se o pai e a mãe são piores que o filho? Há um ditado latino que diz: "Nemo dat quo non habet" (Ninguém dá aquilo que não tem). Provavelmente o aluno do qual falei, irá reproduzir as atitudes de seu pai e as coisas não vão melhorar.

Hoje em dia chamam os professores de educadores, eu discordo disso, não sou educador, não fui formado para educar quem quer que seja. Se o sujeito não recebeu educação de berço, não sou eu quem lhe vai dar educação. A influência dos pais é muito mais forte do que as influências benignas dos bons professores. Triste, mas é a realidade.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ser professor

Ser professor hoje em dia não é fácil. Ganha-se pouco e os alunos não respeitam os professores. Sinto isso na pele. Sou professor eventual de uma escola pública. Para um professor efetivo e contratado a situação já é difícil, imagina então para eventual que nada mais é, do que um tapa-buracos.

Os alunos não querem aprender, bagunçam o tempo todo, xingam, colocam apelidos e tudo isso acaba desestimulando os professores. Outro dia assisti uma cena deplorável. Os alunos de um primeiro colegial noturno, fizeram uma bola enorme de papel e jogaram perto de mim. Imaginem só de onde tiraram os papéis, de um livro didático de geografia enviado pelo governo, Sociedade e Espaço - Geografia Geral e do Brasil - José William Vesentini. Tive que chamar a inspetora que por sua vez chamou a vice-diretora para tomar as providências cabíveis.

Fico pensando o que é que leva alunos a rasgarem um livro inteiro de geografia para fazer uma enorme bola de papel? O livro é dinheiro de nossos impostos. É patrimônio da escola! Será que se os seus pais tivessem que desembolsar R$ 40, 00 ou R$ 50,00 eles rasgariam os seus próprios livros? Creio que não. Isso só demonstra o grau de barbaridade em que vivemos. Que os alunos não só querem aprender mais odeiam o estudo e por odiarem se tornarão medíocres, marionetes nas mãos dos políticos.

Ainda há pouco entre num segundo colegial e os alunos me disseram que geografia não serve para nada, que saber ou não o que são latitudes e longitudes em nada vai mudar suas vidas. E da história disseram que é algo inútil e quem vive de passado é museu.

Se a juventude é o futuro do Brasil, bem vejo que o futuro de minha cidade e de meu estado não é promissor, espero que em outros lugares do Brasil a situação não seja assim tão caótica.