sábado, 26 de junho de 2021
terça-feira, 22 de junho de 2021
A função ético existencial da morte.
Em memória de meu amado filho canino ou 'bebê velho', Neguinho - 2008 a 22/06 de 2021, o qual hoje fez sua passagem e recuperou sua visão.
Isto pelo simples fato de trazer separação, saudade e sofrimento.
Mesmo aqueles que admitem a imortalidade da alma ou a sobrevivência do espírito não deixam de sofrer por ocasião da morte e a derramar lágrimas, não por julgarem que tudo acabou inexoravelmente, mas, como disse, devido a essa ruptura a que chamamos separação.
Ver-se e estar repentinamente privado da companhia de algo ou alguém que amamos é sempre doloroso e muitas vezes sabe a um golpe.
Sofremos, suspiramos e choramos pelo simples fato de não termos mais aquele ser em nossa vida. Porque aquela criatura já não está mais conosco na dimensão do tempo e o espaço. Porque não mais poderemos partilhar os momentos de felicidade ou de tristeza com ela. Porque o espaço da experiência comum é fugaz.
Desde então teremos de viver sem aquela pessoa que fez parte da nossa História e da nossa vida. Que compartilhou de nossas memórias. Que caminhava junto, que nos consolava, que nos enchia de contentamento e alegria.
Certo é que morremos aos poucos nos outros, naqueles que carregam nossas memórias ou um pouco de nós.
Caso coloquemos amor num gato ou num cão nos sentimos morrer com eles.Tal e qual morremos em nossos pais e com nossos filhos.
Cada experiência de morte ou de separação é uma espécie de morte, uma antecipação, um preparo.
Sim, um preparo.
Quando somos pequeninos ou demasiado jovens, nós que fomos amados e cuidados por nossos pais, não cogitamos viver sem eles ou sobreviver a eles, o que no entanto corresponde a Lei da natureza.
Os mais velhos partem antes dos mais jovens.
Recordo ter ouvido nas aulas de Religião que certo passo do Antigo Testamento continha a seguinte observação: "E veio a falecer ele estando seu pai ainda vivo."
Devo dizer que não creio na inspiração plenária do Antigo testamento, tampouco gosto muito dele e penso que contenha muita besteira - Não o caso da frase acima, a qual os fanáticos certamente dão pouco valor. Eu no entanto acho preciosa.
Se perder alguém que amamos é sempre causa de dor ou sofrimento e, neste sentido trágico, perder um filho é além disto anti natural. De modo que não poucos sucumbem a semelhante carga de dor.
É porém coisa que de pequenos não entendemos, crendo que quando perdermos nossos pais haveremos de morrer juntos.
Qual criança ou adolescente que não teve esse tipo de sensação.
De fato filhos há que não suportam tal golpe... A imensa maioria no entanto sobrevive.
Mais trágico seria se nossos velhinhos ou filhos do coração (Nossos pets) morressem depois de nós.
Afinal nossos 'bebês velhos' sejam humanos ou caninos, precisam de cuidados.
Egoísta seria deixa-los em situação de desamparo.
Ocorre-me a grande atriz Zezé Macedo, uma cuidadora amorosa ou mãe de alguns anjos de quatro patas. A qual estando doente e internada não pode morrer em paz pelo simples fato de pensar no futuro de seus 'bebês'.
A tarefa dos mais jovens, não nos enganemos, é também, depois de ter cuidado, sepultar e sofrer. Assim a tarefa do tutor.
Doloroso seria partir confortavelmente daqui deixando um cão ou gato idoso e vulnerável.
Vamos aprendendo isto com o tempo, esse grande mestre.
E por isso a imensa maioria de nós sobrevive a morte do papai e da mamãe, por mais doloroso que seja, especialmente se já passou da adolescência.
Portanto, caso sejamos tutores, estejamos conscientes de que muito provavelmente teremos, mais cedo ou mais tarde, de nos haver com a morte.
E todavia não desistimos... Acolhendo filhote após filhote. Porque o carinho que nos dão sempre parece compensador.
Nem por isso desejo romantizar. A morte e sempre dura... posto que é privação, ao menos privação física. E nós vimemos em corpos físicos.
Percebo todavia que exista um processo de adaptação, morte após morte nos habituamos.
Sabemos que é inevitável, que é natural e que ocorrerá, e então, nos preparamos, juntando forças. Ao menos quando o processo é natural parece que a tempo para que nos preparemos e resistamos.
Outro o caso das mortes acidentais ou repentinas - Cuja situação é bem mais dificil.
No caso do meu cão, o Neguinho, embora não tenha ele sofrido muito (Pois faleceu de patologia cardíaca devido a idade avançada.), podíamos perceber certos sinais - Se bem que discretos - de desgaste. Há um ou dois meses estava fragilizado, diante disto pensei que poderia perde-lo a qualquer momento, e redobrei os carinhos e cuidados, como tentei abastecer-me. Disse para mim mesmo: Quando você o adotou - E foi a contragosto pois foi ganho por minha mãe! - conhecia perfeitamente as possibilidades...
Outro aspecto interessante, e fiz questão de antecipa-lo nas entrelinhas: Cada morte ou elo dessa corrente deve ser para nós - E é - como um ensaio. Destinado a preparar-nos para nossa própria morte...
Imensa é nossa carga de vitalidade. Somos apegados a existência, especialmente quando relativamente boa. Cada morte que se nós apresenta é como um beliscão, um choque ou o toque de um despertador.
Morreremos todos. Também morreremos.
Quando somos mais jovens, não poucos de nós tem aquela gana de viver oitenta, noventa ou mesmo cem anos. Havendo quem sequer cogite morrer... padecendo de auto tanato fobia.
Diante disto os que nos precedem na grande viajem possuem como que a missão de nos fazer desapegar. Não quero dizer que a saudade deva instilar em nós a vontade de morrer. Uma coisa é o amor a vida, outro o horror insuperável da morte. Uma coisa não querer morrer agora e outra exigir viver cem anos ou mais e inclusive tentar planeja-lo.
Não posso saber como atua e mente de um materialista ou mortalista. Quanto aos que professam a imortalidade no entanto, é como se cada perda desse lado formasse uma reservatório do outro lado. A família se vai recompondo, até que apenas nós faltemos. Então após ter bem vivido e cumprido o dever, aceitamos partir com serenidade, caso não haja outra alternativa.
Quiçá graças a essa sucessão de mortes, avaliada a luz da sobrevivência do ser, muitos de nós não esperneiem ou se apavorem. Sendo até possível que nos últimos momentos estejamos já contentes, graças a perspectiva do reencontro.
Penso que o ponto de vista, um ou outro, faça toda diferença.
Quando perdi meu cachorro Biscuí, há coisa de uns dezoito anos, muito me desesperei e sofri. Foi um transe intensamente doloroso porquanto, eivado de preconceitos toscos, não admita a sobrevivência animal. Já quando perdi o Et I, a dor foi pungente, porém a crença na sobrevivência daquele ser tão querido atuou como um bálsamo sobre meu coração. O mesmo se sucede hoje, dia em que me despeço de meu filho e companheiro, sinto e sentirei sua falta (Era um animal muito doce!), sem no entanto desesperar-me.
Tendo convivido com os cães desde que nasci, há quase meio século, e com gatos há cerca de quinze anos, sequer precisaria ter lido o quanto lí sobre a espiritualidade ou a parapsicologia para aduzir a sobrevivência de personalidades tão nobres, tão ricas, tão encantadoras - E admito sim, que em vista do aparato orgânico alguns humanos possam construir personalidades ainda mais ricas! Caso a personalidade de um cão ou de um gato se viesse a perder por completo após a morte do corpo estaríamos diante não apenas de um desastre mas de uma aberração.
Penso que caso a vida se perpetuasse para sempre neste mundo em que vivemos se tornaria banal.
Em que pese a dor da separação tenho que a vida deva ser assim, limitada pelo tempo para ser valorizada.
Temos que pensar na existência de homens e animais como uma oportunidade. Como uma oportunidade para amar, cuidar, beneficiar, curtir...
Temos de viver sabendo que hoje estão ali, disponíveis ao amor, e no instante seguinte não mais lá estão.
Temos de entende-lo como um estímulo.
Amemos intensamente nossos filhotes e cuidemos deles porquanto é esta vida curta como um suspiro e as deles mais do que as nossas.
Se é curta vamos aproveita-la para fazer o bem em máximo grau, para beneficiar, dar carinho, amar e cuidar.
Hoje, quando por um tempo perdi o Neguinho - Espero pelo dia feliz do reencontro e tenho-o por certo - fico a pensar sobre como poderia ter sido um tutor melhor ou um pai melhor. Sempre pensamos assim, nada mais humano... Poderia ter abraçado mais, beijado mais, acolhido mais e, ralhado menos, brigado menos, ignorado menos... Faz parte do processo. E fará de mim um tutor ainda melhor.
Dirão alguns que talvez fosse interessante clona-lo.
De fato era ele lindo - Um colírio para os olhos que se renovaria.
E no entanto a clonagem não passaria de insulto aquela personalidade única com que tive a ventura de conviver por quase quatorze anos.
Meu cão era mais do que seu corpo, era uma personalidade, produto de relações complexas e irrepetíveis. Jamais haverá outro igual e o contrário disto não passa de simplismo abjeto.
Uma personalidade não é um corpo e um corpo não é uma personalidade.
Por isso afirmo a sobrevivência de meu cão enquanto pessoa, e partindo desta percepção esperarei serenamente pelo dia do reencontro.
Bora cuidar dos que ficam, do Marley, do Et, do Jasão...
Também a morte é uma mestra, oxalá possa eu aprender suas lições.
Até breve Neguinho, até logo meu amor.
domingo, 20 de junho de 2021
O roteiro novelístico da TV Globo e o Teatro clássico.
É a Globo uma emissora ou empresa paradoxal.
Paradoxal. Não encontro melhor palavra com que defini-la.
Basta ver que após ter sabotado o governo Dilma e apoiado decididamente um golpe de Estado, a emissora anti petista ou anti socialista por excelência, hora se opõem - Com unhas e dentes - ao projeto teocrático e totalitário do genocida Jair Bolsonaro. Buscando esconjurar o gênio maléfico que ela mesma trouxe do mais profundo dos abismos.
Também sua programação é paradoxal.
Afinal é a Globo uma clássica indústria de entretenimento para as massas, cuja vocação histórica é alienar as massas tal e qual Scheherazade alienava de si o sultão - Noite após noite. Assim a missão da Globo tem sido alienar as massas face a realidade social em que vivem.
Não está a Globo interessada na Verdade e menos ainda na Bondade e na Beleza ou na Kalokagathia. Empresa está interessada em lucrar ou em aumentar seus capitais colocando-se portanto a serviço do sistema ou melhor a serviço da caterva, dos milionários, dos poderosos, demagogos, opressores, iníquos... Tal a casta que contrata os serviços que ela pode oferecer.
Eis porque empenha-se ela em divulgar algo como o funk - Com sua mensagem ultra erótica ou pornográfica, machista, sexista, consumista... e abjeta. Jamais algo que interiorize ou eduque como a música instrumental (Nem estou falando em música clássica) de um Pedrinho Mattar ou a obra de um Sivuca, de um Hermeto Pascoal, de um Taiguara... Os quais não existem para ela.
A Globo não aspira ou pode aspirar formar seres humanos integrais, homens, mulheres, cidadãos, pessoas... mas consumidores, marionetes e sombras. Ela tem clientes e executa seu próprio papel.
Daí o BBB ou o Domingão do Faustão. O primeiro com suas futilidades ociosas e o segundo com seu cortejo de bizarrices.
Globo é isso 90% de alienação, tolice, inutilidade e baboseiras - O Reino ou Império da mediocridade.
Algo destinado a evitar que o telespectador peque um bom livro - Seja um Homero, um Dante, um Camões, um Cervantes, um Shakespeare, um Moliére, um Goethe, um Valéry... ou ainda Freud, Darwin, Weber, Sorel, Alain... - e emancipe a si mesmo ou se liberte.
Verdade seja dita o SBT não aliena menos, pelo contrário, aliena ainda mais, especialmente devido ao apoio que presta ao tirano genocida. Haja visto suas novelas mexicanas, espaço em que a alienação junta-se ao mau gosto...
Outro o caso das novelas da Globo. As quais com o Globo Repórter formam aquele resíduo de 10% que parece fugir a regra geral.
De fato as novelas da Globo não podem ser analisadas como um todo uniforme ou como uma coisa só. Por mais que parte considerável dos espectadores jamais passe dos personagens caricatos e dos slogans imbecis há ali certo conteúdo realista ou no mínimo certo material instrutivo e interessante.
Todavia não é escopo deste artigo discorrer sobre o conteúdo realista ou até sugestivo dessas produções mas apenas e tão somente apontar para um elemento específico que parece ter fugido a crítica.
O drama, o 'drama' satírico e a comédia.
De modo geral temos aí o roteiro do Teatro clássico em suas apresentações.
Pois bem, a Globo, em sua programação novelística, costuma seguir a risca este roteiro que é clássico.
Pois três são suas apresentações diárias dentro desse gênero: As novelas das seis, das sete e das nove, porque as oito há o Jornal Nacional. E nada ali segue a esmo ou ao acaso, sendo tudo muito bem planejado.
A ordem apenas foi invertida.
Pois para os gregos o filé, isto é drama (Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.) vinha em primeiro lugar - Quiçá por corresponder a fonte dos demais ou por pura e simples tradição. Seguindo-o as demais categorias: O drama satírico, o qual costumava fechar a programação; e a Comédia (Aristófanes...), no ultimo dia dos festivais.
Mais conforme a representação da nossa cultura. Segundo a qual devemos passar em escala (Como os degraus de uma escada) do bom ao melhor e do melhor ao mais excelente. Alterou a Globo a disposição do espetáculo. Abrindo sua programação novelística com o drama satírico ou o romance, típico da novela das seis e passando a comédia ou ao pastelão, típico da novela das sete. Até chegar ao drama, que corresponde a novela das nove.
Equivalendo cada uma delas a um éthos específico.
No tempo presente o drama satírico identificou-se com a produção idealista, em parte polarizada e maniqueísta, de que resultará sempre a vitória do bem ou um final feliz. - A qual a TV Globo adicionou um conteúdo histórico precioso. Assim enquanto o enredo das novelas das seis é quase sempre prosaico ou mesmo tosco, como a produção romântica costuma ser, sua forma corresponde, não poucas vezes a uma reconstituição histórica, a uma aula ou mesmo a um curso. Intencionalmente ou não a Globo amiúde, produz excelentes ferramentas pedagógicas para a disciplina de História. O que é inegável.
Já o disse e com grande escândalo: Novelas globais há (Das seis e das sete) que dão de dez a zero em certas aulas ou cursos de História. Triste porém inegável.
Por vezes a programação das seis abre espaço para o mitológico ou para o fabuloso, sem cair porém no pastelão e os limites são sempre respeitados - Ocorrem-me 'Cordel encantado', 'Chocolate com pimenta', 'Eterna magia', etc
Há novelas das sete que são, por assim dizer 'de época', e igualmente aproveitáveis quanto as aulas de História. A tônica porém é a comédia a que chamamos pastelão. Posto que, seja qual for o quadro espacial ou temporal, os personagens são caricatos. E o propósito da novela das sete outro não é que descontrair, distrair, alegrar ou fazer rir. Sendo não poucas vezes voltada para o público infanto juvenil.
Por fim após certo choque de realidade (Não poucas vezes manipulada ou distorcida.) instilada pelo Jornal Nacional passamos ao terreno do Drama, que corresponde a novela das Nove.
A novela das nove é sempre uma produção realista, a qual não poucas vezes, nos anos 80 e 90, chegou aos confins de um naturalismo forçado. De modo geral, a partir do ano 2.000 foram tais produções se tornando mais equilibradas a ponto de incorporarem certo conteúdo humanista ou mesmo 'polêmico'. O próprio enredo tornou-se mais complexo em comparação com os que foram produzidos no século anterior e criaram-se autênticos dramas humanos cheios de intensidade, um desses tipos criados foi a 'Alana', o último a 'Dna Lurdes'; lembro-me também da Maria da Paz. Contexto em que a banalidade sexual cedeu espaço a profundida psicológica de diversos tipos. Não é que a dimensão sexual tenha sido ou deva ser eliminada. Foi no entanto, como deveria ser, reduzida as dimensões da normalidade.
Apesar disto a Novela das nove jamais assumiu qualquer compromisso com o idealismo Ético. É como dissemos produção que se limita quase sempre a reproduzir a realidade social, jamais se atrevendo a julga-la ou a contesta-la sugerindo algum tipo de modelo.
No entanto a realidade ali contida e oferecida sempre poderá ser problematizada nas aulas de Sociologia, Psicologia ou mesmo Filosofia. Convertendo-se tais produções em precioso material de apoio. Isto no entanto é já outro tema...
O que pretendíamos demonstrar já demonstramos.
A Globo mesmo quando é canalha e isenta de princípios Éticos não é ou melhor dizendo, jamais é superficial. Não foi portanto a toa que adotou a mesma disposição que a produção teatral clássica, apenas invertendo a sequência. E tudo isto é prenhe de significados.
sábado, 19 de junho de 2021
A tarefa de um diretor habilidoso.
Qual a tarefa de um bom Diretor de Teatro ou Cinema?
A tarefa, missão ou vocação de um Diretor eficaz consiste em explorar ao máximo as potencialidades de seus atores e a partir delas utilizar-se de todos os meios possíveis para torna-las visíveis.
Logo a atribuição dos papéis sempre deverá levar em conta três tipos de expressão:
A expressão postural.
A expressão plástica ou gestual. E-
A expressão facial, E -
A expressão e sonora.
Eis o que faz um ator. Eis o que faz o ator.
Cria e recria ele o personagem imprimindo-lhe tais expressões.
De modo a oferecer um todo harmonioso, sempre conforme o perfil do personagem em questão.
Define a postura o personagem.
Pois uma é a postura do Rei e outra a do súdito. Como será outra a postura de um rei débil, e outra a postura de um súdito arrogante...
Postura é aquilo que faz o ator identificar-se com o personagem ou incorpora-lo.
E já foi dito mil e uma vezes que se trata de algo intuitivo. Como se o intuitivo ou natural não pudesse ser aprimorado pela técnica ou pelo treino.
Cabendo aqui uma direção e um Diretor.
Outro caso se houver falta de discernimento ou de intuição. Não sabendo o ator assumir porte - Ou 'ares' como se dizia outrora - de rei ou de mendigo.
Pois foi o porte, intuitivo por sinal, que fez um Olivier, um Gielgud, um Autran, um Abujamra, uma Robson, uma Staunton, Flanagan, Ferrati, Carrillo, Rachel...
Melhor dizendo: Um Hamlet, um Chang, um Baldaracci, um Ravengar, uma Valentine... - Tipos consumados de príncipe, criado, padrasto, mago e rainha.
Tipos de fato existem. Coisa diversa é encarna-los com facilidade e suma raridade encarna-los muitos ou todos como um Chico Anysio.
Ao porte segue a modulação dos gestos, outro aspecto importante da linguagem corporal que se torna vital para aquele que interpreta.
A modulação dos gestos é que produzirá as variantes impostas pela trama.
Assim um padrasto abnegado - Posto que a padrastos e madrastas abnegados, em que pesem os estereótipos - ou um padrasto cruel. Uma rainha séria ou cônscia de sua dignidade com Flora Robson (1937), Ferratti, Carrillo... Ou uma rainha caricata como Valentine, a qual Tereza Rachel, emprestando o timbre da voz, tornou clássica. Um homem efeminado ou possuído por um espírito feminino como Steve Martin ou Tony Ramos ou um machão como os que fazem a fama de Fagundes. Mesmo um avarento como Nonô Correia tem seus gestos característicos. Todo o personagem os tem. Sendo papel do Diretor fazer com que o ator desenvolva essa percepção.
Observe como Antonio Abujamra sabia modular os gestos para compor o personagem Ravengar, como sabe o momento exato de cruzar os braços, ergue-los, erguer apenas o dedo, curvar-se, etc Observar este personagem é uma autêntica aula de linguagem gestual e vale por muitas aulas de interpretação.
Segue a expressão facial. Tão importante nos cômicos ou comediantes, a exemplo de um Rogério Cardoso, dum Walter D'Avilla, dum Brandão Filho, quanto nos trágicos, como uma Nathalia Timberg, a qual sempre explorou esse tipo de expressão ou recurso e ocorre-me a inesquecível vilã D Idalina.
Postura e expressão plástica sem expressão facial seria como uma casa sem teto ou telhado.
Pois a expressão facial é que completa e dá vida a postura e a expressão plástica, aproximando da perfeição.
Agora o arremate da perfeição é a entonação da voz.
Pois a voz do ator precisa ser modulada.
Afinal há falar de rei, falar de mago, falar de líder sindical, falar de político, falar de operário, etc diversos falares e tons, os quais precisam ser manejados pelo bom ator.
Ouso, ainda mais uma vez, aludir ao personagem Ravengar, cujo manejo da voz em sintonia com o discurso é para mim proverbial.
Outro ator notável pelo toque e a modulação de voz foi o falecido Jorge Dória. Escusado descreve-lo.
Assim o Paulo Autran, Ary Fontoura, Walmor Chagas, Paulo Gracindo, Lima Duarte...
Os quais é sempre útil e proveitoso ouvir.
Relacionados os quatro tipos de expressão com o tipo ideal do personagem que se quer cabe ao diretor escolher o ator que melhor corresponda a esse tipo e ajuda-lo a desenvolver, em máximo grau, cada expressão.
O que se consegue através do treino.
O segundo passo na arte da direção é deixar o dirigido brilhar.
domingo, 6 de junho de 2021
Uma opinião sensata - O Neo Cristianismo agostino/luterânico como causa de declínio da Filosofia Grega e Humanidades em geral.
Sempre bom lembrar que o conteúdo deste vídeo é endossado por Doellinger e Janssen. Consulte-se ainda 'Os três reformadores' de Maritain:
