domingo, 22 de março de 2009

Como tornar seu filho estúpido em poucas lições pelo missionário R.R. Soares


Acabei de ler o hilariante livro do telepastor R.R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça (acaso existe graça de satanás?) de Deus. Vamos ao livro.
Escreve o missionário: "Há um propósito divino em cada criança que vem ao mundo. Apesar de termos em nós as condições de produzir novos seres, sem dúvida a mão do Senhor se faz presente em cada concepção".
Se eu tenho condições para gerar novos seres por que cargas d'água preciso da mão de Deus? Será que é para sair esperma ungido? A mão do Senhor se faz presente em cada concepção, vê como a obra de Deus é perfeita missionário, vê como ele formou os anencéfalos, siameses, bebês com malformação congênita?
"O diabo sempre lutou contra a concepção, Ele tentou barrar a vinda de Jesus com os filhos de Judá, Er e Onã, os quais foram mortos pelo Senhor".
Missionário onde é que está isso na Bíblia? Onde se afirma explicitamente que o diabo é inimigo da concepção? Evidente, que o senhor não tem resposta, pois isso é coisa de sua fértil imaginação. Vocês que dizem que tudo está na Bíblia inventam um monte de coisas que nem de longe está na Bíblia e dizem que está. Missionário, não seria melhor para o diabo apoiar a concepção? Eu ao menos se fosse o diabo, apoiaria a concepção irrestritamente, quanto mais pessoas melhor, para que Deus possa enviá-las ao inferno para me fazer companhia naquele lugar tenebroso!
Onã foi morto só porque fez coito interrompido, um método de contracepção natural. Ele não matou um ser humano, e o seu deusinho complexado, o castigou com a morte. Por que Deus não mata os abortistas hoje, do mesmo modo que fez com Onã? Será que ele não tem mais poder ou será que mudou de parecer?
"Há uma regra na Palavra sobre o modo certo de criá-los.
A Vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe (Pv 29,15)... Vale observar aqui que a vara da correção mencionada é a Palavra do Senhor, conforme veremos um pouco adiante. Se bem que às vezes torna-se necessário uma pequena dose de disciplina física, que não fará mal algum".
A pedagogia da Bíblia é fantástica: descer a vara! Até o pastor discorda da Palavra "inspirada por Deus", e tenta desmentir a Bíblia, dando-lhe uma interpretação, isto é, maquiando sua selvageria. Segundo o pastor a vara de castigo é a própria Bíblia. Nisso eu concordo, quer castigar alguém, obrigue-o a ler o Velho Testamento, creio que não há nada mais enjoativo. Depois o missionário diz que a Bíblia não está assim tão errada, é que dar umas surras "disciplinas físicas" de vez em quando não faz mal a ninguém.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Estado laico, escola laica

Antes de mais nada precisamos definir o que é laicismo. Laicismo é a doutrina filosófica que prega a separação entre a(s) Igreja(s) e o Estado. O Estado não interfere no mundo religioso, mas a religião não pode interferir no Estado. Ela está fora de tudo quanto pertença ao Estado.

As escolas públicas pertencem ao Estado, se pertencem ao Estado segue-se que são laicas, sendo laicas não pode haver vestígio de religião alguma. Não se deve rezar nem padre-nossos, nem Ave-marias, Confiteor ou orações espontâneas.

Na escola laica temos crianças e adolescentes de todas as religiões e de religião nenhuma. Quando um responsável pela escola reza o pai-nosso por exemplo, ele está a confundir, a misturar Estado com religião. O pai-nosso é uma oração cristã e os alunos são obrigados a rezar mesmo que não sejam cristãos: judeus, mulçumanos, budistas, agnósticos e ateus. Isso fere suas consciências e suas dignidades.

O pai-nosso tem que ser rezado apenas nas Igrejas Cristãs, quem quiser rezar que vá a alguma igreja cristã. Pois lá se rezará espontaneamente o pai-nosso e não por meio da coação. Jesus, o autor do Pai-nosso jamais aceitaria que pessoas fossem obrigadas a dizer o pai-nosso por obrigação.

É vergonhoso saber que um jovem foi discriminado por ter se recusado a rezar e a tirar o boné na hora do pai-nosso numa escola pública, leiga! Hoje o pai-nosso, amanhã catecismo ou escola extra-dominical.

É por essas e outras que o cristianismo é odiado pelos ateus e por seus outros inimigos, eu sou cristão, mas sei que cada coisa tem o seu lugar e que as coisas não devem ser misturadas. Se querem dizer o pai-nosso nas escolas, então que substituam a leitura do gênesis pelos livros de Carl Sagan ou de Stephen Jay Gould.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Nacionalismo, uma grande idiotice

Em minha adolescência fui patriota, hoje já não sou mais. Patriotismo é uma grande idiotice. Não gosto do hino nacional (apesar de ser um belo hino) porque o fim deste hino e de todos os países é alienar as pessoas. Os conservadores querem incutir o amor à pátria, os deveres de cada brasileiro. E exaltam a pátria como se fosse uma divindade. O discurso dos nacionalistas nada tem de objetivo, é uma apelação barata aos sentimentos patrióticos. Infelizmente a maioria se deixar levar por esse sentimentalismo barato.

Eu não canto o hino nacional, nem o da bandeira e tampouco o da Independência. O hino nacional exalta grandes mentiras, romanceia nossa independência. O hino nacional, assim como os outros alienam as pessoas. Os hinos querem incutir mensagem de amor ao Brasil, de um amor extremado como diz esta parte do hino: "Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte". Por que eu tenho que amar o Brasil? Por que nasci aqui? Por que eu tenho que dar minha vida pela pátria? O que a pátria fez por mim? Por que devo amar uma pátria onde não há justa distribuição de renda? Por que devotar-me a uma pátria onde a desigualdade é gritante?

Todo esse discurso nauseabundo de amor à pátria, é um discurso da burguesia para alienar as classes mais baixas da sociedade. Quem tem amor à pátria não conspira, fica resignado, e tem uma sensação de igualdade quando vê pessoas de todas as raças, cores e classes cantando o hino.

O nacionalismo interessa muito aos políticos e militares porque através dele podem manipular as massas. Caso houvesse uma guerra, muita gente iria de boa vontade para o front e assim matar em nome da pátria ou morrer por ela. Mas será que os filhos de nossos governantes, de nossos legisladores, os deputados, iriam para a guerra?

Os Estados Unidos são um país nacionalista e por isso mesmo a maioria de seus cidadãos são completamente alienados, amam a guerra, ou antes amam levar "a liberdade e a democracia" para o resto do mundo. E os políticos se valem desses sentimentos patrióticos para enviar os jovens, jovens pobres em sua quase totalidade. Esses jovens e seus familiares pensam estar servindo à sua pátria, mas na verdade servem os interesses econômicos de poderosas instituições privadas, instituições estas que dão um "agrado" aos políticos. George Bush sempre quis a guerra no Iraque, mas não quis que suas filhas pra lá fossem, por que será? Não é ele patriota? Por que não sacrificou suas filhas por amor à pátria? Por que os filhos do pobres? Não é engraçado como dos 535 parlamentares dos EUA, só um teve filho no Iraque? Mas esses congressistas não apoiaram a guerra no Iraque? Sim, apoiaram, mas o patriotismo acaba quuando se fala em enviar seus filhos para a guerra. Michael Moore produtor do excelente documentário Fareinheit 9/11 tentou persuadir alguns parlamentares para que estes enviassem seus filhos para o Iraque, mas não conseguiu, como você pode ver aqui.

O meu patriotismo se resume neste lema: "Em caso de guerra ou mato ou morro. Ou corro para o mato ou fujo para o morro".

sábado, 14 de março de 2009

Soletrando ou papagueando?

O apresentador Luciano Huck em seu programa criou um quadro chamado Soletrando, quadro esse que reúne ou tenta reunir estudantes de todo o Brasil para uma disputa de soletrar, que segundo ele e um certo professor, o quadro tem como objetivo ampliar os conhecimentos da língua portuguesa. A Rede Globo está preocupada com a educação, sinais dos tempos!!!!

Mas ensinar um jovem a soletrar é a mesma coisa que fazer com que entenda o que lê? Soletrar é algo assim tão importante, ainda mais para o ensino fundamental II? (ginásio). Não seria melhor ensinar a gramática aos nossos adolescentes, concordância verbal e nominal? Tudo bem, Luciano Huck, tem boas intenções, se bem que de boas intenções o inferno está cheio. Não teremos pessoas que saibam se expressar corretamente, mas teremos novas espécies de papagaios, papagaios sem asas e penas. Teremos jovens que saberão soletrar a maior palavra da língua portuguesa que é Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, mas nada saberão de Machado de Assis e de suas obras; Teremos jovens que saberão soletrar Hipopotomonstrosesquipedaliofobia mas não saberão uma vírgula sequer sobre o Arcadismo ou o Parnasianismo. Luciano Huck e o professor que o acompanha estão pouco interessados em divulgar a nossa língua ou mesmo a educação. Pois se quisessem divulgar a língua portuguesa fariam um quadro de literatura no programa Caldeirão do Huck, assim divulgariam as obras de nossos escritores e os telespectadores se interessariam pela leitura das referidas obras. Mesmo um programa de conhecimentos gerais seria bem-vindo, pois não se aprenderia algo alienador como soletrar palavras, mas conhecimentos úteis. Soletrar palavras é fragmentar o ensino da língua portuguesa, não se deve desvincular uma palavra de uma frase, ao invés de ensinar a soletrar, eles deveriam ensinar a construir frases coerentes. De que adianta o estudante soletrar a palavra Anticonstitucionalissimamente se ele diz: "pra mim fazer?". Soletrar é para crianças da primeira série do ensino fundamental I e não para adolescentes de quinta, sexta, sétima e oitava séries.

Soletrando é apenas mais um quadro alienador do programa Caldeirão do Huck, aliás é o mais alienador de todos, porque se traveste de educação. A língua portuguesa não se resume a uma brincadeira de soletrar, porque a ortografia é coisa de somenos importância, visto que a ortografia é mera convenção, haja visto o Acordo Ortográfico entre os países de língua portuguesa. A Rede Globo quer pessoas robotizadas com um ensino mecânico e não cidadãos críticos que sabem o que pensam, que falam e escrevem. Para a Rede Globo e toda a mídia conservadora o ensino deve ser assim, mecânico, decorado, fragmentado e desligado da realidade. Com esse quadro Soletrando, a Globo e o Luciano Huck querem demonstrar que esse é o bom ensino, ensino que não contesta e que não liberta.

Aproveito a oportunidade e deixo um vídeo do Soletrando que mostra um erro do ganhador do concurso Éder, a distração do professor Sérgio Nogueira que aceitou o erro do garoto e o erro três vezes repetidos por Luciano Huck.
Será que o Luciano Huck saberia soletrar essas palavras? O vídeo mostrou que ele nem sabe pronunciar a palavra infra-hepático... Coisas da Globo.

Comprarei um papagaio e o ensinarei a soletrar as palavras mais difíceis da língua portuguesa e no ano que vem quem sabe não aceitam sua inscrição para participar do Soletrando 2o10? Aposto que ele ganha o prêmio!!!!! Currupaco!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Graças a Deus, uma pinóia!

Sempre que converso ou passo pelas ruas ouço o famigerado: "graças a Deus". É um tal de graças a Deus pra cá, graças a Deus pra lá, que fico enojado. Sou teísta, mas sei que Deus não interfere em absolutamente nada em minha vida ou na vida de quem quer que seja.

Outro dia conversando com uma professora de biologia, pessoa agradável, sensível, inteligente mesmo. Disse que dava aulas particulares e nunca cobrava. Certa vez uma moça pediu para que ela lhe desse aulas particulares e disse que pagava o quanto era preciso, pois disso dependia para passar num concurso. Perguntei a amável professora:
- A moça passou?
- Graças a Deus!
- Graças a senhora professora - retruquei.
-Não, graças a Deus, pois foi ele quem me deu saúde, e se eu ficasse doente aquele dia?
Sorri com um sorriso sem graça e demos a conversa por encerrada.

Tempos depois conversei com outra professora cuja mãe teve um derrame. Perguntei se a mãe estava melhor.
- Sim, nós pensávamos que ela ia ficar internada, mas o médico a liberou e disse que o AVC foi fraco e que com a fisioterapia, não tarda que melhore. Graças a Deus que está melhor.
...

Como o(a) leitor(a) percebeu fiquei reticente, o que eu iria falar para ela? Fazer uma exposição filosófica de como Deus não intervêm no mundo? Claro, minha vontade era dizer uns chistes, mas controlei-me para não ferir seus sentimentos. Mas veja só a falta de lógica das pessoas. Elas acreditam piamente no grande vigilante do universo, no deus policial, vingador e recompensador. Deus, fez com que a mãe da professora tivesse um AVC que não foi muito grave, poderia ter sido pior, então: "graças a Deus". Se esse deus estereotipado existisse eu não agradeceria por ter dado um AVC mais fraco em minha mãe, pelo contrário lançaria muitas blasfêmias ao modo de Lutero.

Outras expressões abomináveis são: "Vai com Deus" e "Se Deus quiser". A primeira transforma Deus numa dama de companhia, e cá entre nós quantas pessoas "vão com Deus" para trabalhar e/ou estudar e não voltam porque simplesmente morreram, parece que a companhia do Onipotente e nada é a mesmíssima coisa. Vez por outra respondo: "Não convidei ninguém para me acompanhar". Quanto a última expressão: "Se Deus quiser", há muito que abandonei esse fatalismo, esse maktub - estava escrito. Esse se Deus quiser nos sujeita inteiramente aos caprichos de Deus. E se Deus não quiser, aí fulano não se recupera, se Deus não quiser eu não arrumo emprego, não concluo o meu curso superior? Lembro-me de quando estava cursando geografia, uma amiga dentro do ônibus me disse:
- Se Deus quiser eu termino este curso.
- Deus querendo ou não querendo hei de terminar - retruquei e todos os que me ouviam ficaram escandalizados pela "horrível blasfêmia".

Concluindo, eu não vou nem com Deus nem com o diabo, e para quem acredita que todas as coisas são da vontade de Deus, saiba que este texto foi Deus quem quis, se não quisesse não deixaria eu ter escrito e publicado tal. E você leitor(a) amigo(a) terminou de ler este texto graças a si mesmo(a).

sábado, 7 de março de 2009

Marcelo Crivella ataca a Teoria da Evolução

Nesta semana o bispo da IURD e também senador discursou no senado contra a Teoria da Evolução. Como o ilustre senador não tem nada mais importante para fazer, ele inventa. O seu discurso foi antes um sermão do que um discurso.

"Todas essas teorias, no mundo científico, foram debatidas nos últimos 150 anos. Não passam de teoria".

Como se percebe o senador nem sabe o que é uma teoria. Vejamos o que diz o falecido biólogo Samuel Murgel Branco sobre o que vem a ser uma teoria. De acordo Branco: "A palavra teoria, segundo sua origem grega, significa apenas "estudo", ou mais genericamente "contemplação". Na verdade, é através da contemplação prolongada de um objeto ou de um fenômeno (contemplação esta que inclui o manuseio e a experimentação, quando possível) que se chega a seu perfeito conhecimento. O cientista, após reunir uma grande quantidade de informações a respeito do objeto de sua pesquisa, ordena-as segundo uma seqüência lógica ou histórica e cria uma teoria explicativa do fenômeno em questão. Para que essa teoria seja válida e aceita pela exigente comunidade científica, é necessário que ela explique o maior número possível de fatos e que não apresente incoerências em si mesma.
A teoria científica representa, pois, aquilo que se conhece em dado momento, sobre um assunto determinado. Mas, se surgir uma outra teoria que explique melhor, ou com maior abrangência, essa mesma questão, a teoria anterior tem que ser abandonada, em favor da segunda" (BRANCO: 1995). Bem se vê que o senador confunde hipótese científica com teoria ou propositalmente ou maliciosamente.

"Falo isso da tribuna do Senado como engenheiro. A primeira lei da termodinâmica, cientificamente provada, não como teoria, não como tese, mas aceita por todo o meio científico, consagrada no mundo intelectual, é clara, dizendo que a energia não se cria e não se destrói. Portanto, Sr. Presidente, não há provas conclusivas de que haja qualquer indício na natureza de que uma espécie possa gerar outra espécie".

Esse sujeito é engenheiro? Eu jamais o contrataria, um homem que nega a ciência não pode ser um bom profissional, até o momento presente eu pensava que ele era um engraxate. Acaso a evolução cria ou destrói alguma coisa? Evolução não é criação mas transformação lenta e gradual de uma espécie em outra. Será que o bispo senador não sabe a diferença entre transformação e criação?

"Se a teoria de Darwin fosse uma realidade, teria o consenso da comunidade científica como têm as leis de Newton ou as leis de Einstein, mais recentemente".

O senador bem sabe que há "cientistas" com pouco ou nenhum caráter e que misturam religião com ciência, distorcem a ciência a seu bel prazer para que esta possa dar crédito a Bíblia. Isso se chama a Estratégia Cunha, o meu amigo Ravick desenvolveu o tema no blog Os Amorais.

"Mas há um site, muito popular no meio científico, chamado www.dissentfromdarwin.com, com mais de 700 cientistas, muitos deles Prêmio Nobel da Paz, que discordam das teorias de que a lei do evolucionismo possa explicar a criação da humanidade. Ela também é uma lei que depende de as pessoas acreditarem no milagre, porque o surgimento da vida a partir de uma ameba traz o primeiro questionamento: E a ameba, surgiu de onde?"


O senador cita cientistas ganhadores do Nobel da Paz, que maravilha!!!! Por que não cita ganhadores do nobel de física e química que são os prêmios que reconhecem o trabalho científico? Daqui a pouco vai citar os ganhadores do Nobel de literatura. De onde surgiu a ameba eu não sei, o que sei é que esse senador nunca deveria ter surgido.

"Ora, e se a doutrina do evolucionismo está correta, se um gênero se transforma em outro e a natureza assim evolui, por que não se encontrou até hoje um fóssil sequer em que seja metade anfíbio e metade ave, ou peixe? Ou um fóssil sequer que traga características de metade homem, metade macaco? Onde está esse elo perdido, eu pergunto ao Senador Paim?"

Se o senador fosse honesto não teria dito tal aberração que fere os ouvidos das pessoas inteligentes. Existem no Brasil museus de fósseis por que o senador não procura um para visitar, ele até pode viajar para o exterior e ver museus maiores e melhores. Se não quiser visitar tais museus que acesse a Internet ao invés de falar sem conhecimento de causa.

"Há 150 anos se procuram provas definitivas e cabais para uma teoria que até os dias de hoje permanece como teoria. Aliás, Senador Paim, se os seres evoluíssem como previsto pela teoria de Darwin, era para os seres humanos estarem alcançando níveis melhores na solidariedade, no amor ao próximo, na fraternidade, na solidariedade, na construção democrática, nas políticas. O que vemos é um aumento meteórico na tecnologia, o que contradiz o princípio evolucionista, em que a evolução se dá ao longo..."

O senador da igreja universal confunde alhos com bugalhos e Jesus com Genézio ao confundir evolução biológica com evolução moral. Darwin não tratou de moral, nem de metafísica. A biologia, a paleontologia e a geologia não tratam de moral e de solidariedade apenas apresentam fatos. Pois é, a Igreja Universal com sua pregação criacionista nunca apresentou solidariedade nem amor ao próximo, prova disso é o bispo Edir Macedo que ensinou seus pastores a roubar.

"O que ocorre é que temos cerca de cinco mil anos desde o surgimento da escrita na Terra. Nós evoluímos nos últimos 50 anos, em termos tecnológicos e científicos, mais do que evoluímos nos últimos quatro mil anos, o que mostra que a evolução foi rápida, não foi ao longo de décadas. E também o princípio de seleção natural das espécies e que daria uma garantia de uma evolução contraria os fatos, porque a ambição humana – como, aliás, prevê a Bíblia –, a ambição humana, os pecados e o amor se esfriaria de quase todos. As tragédias aumentariam, as guerras, a fome. Está aí uma crise financeira mundial que contradiz a tal evolução".

Mais uma vez o bispo Crivella confunde biologia com o comportamento, a ciência que estuda o comportamento é a psicologia. Agora sim está bem explicado porque o senador criticou a evolução como mera "teoria" por causa da Bíblia.

"Pelo contrário, ela corrobora uma involução.Mas, Sr. Presidente, eu não estou aqui para discutir aspectos religiosos, mas apenas para dizer que uma revista de alcance nacional deveria ser menos arrogante quando trata de teses que são contestadas no mundo científico e não são citadas na reportagem, por exemplo, o site www.dissentfromdarwin.com."

Ou seja na mente do senador a evolução biológica ou seja física tem tudo a ver com a moralidade e como o homem continua fazendo guerras e matando não teve evolução, mas involução. E o que dizer dos fósseis e da genética e da evolução dos vírus, da AIDS, por exemplo? Ele não estava lá no senado para discutir aspectos religiosos, se ele não adverte eu iria pensar que ele estava a fazer pregação. A revista Veja não pode abordar a evolução, mas aquela porcaria de Folha Universal da IURD pode falar em milagres que foram fabricados tais e quais as histórias fantásticas de Aladim e sua lâmpada mágica.

"Quero aqui parabenizar as escolas plesbiterianas, as escolas metodistas e as escolas adventistas que colocam para os seus alunos tanto a teoria criacionista científica, como também a teoria evolucionista nas suas teses. E cabe a cada um, dentro da liberdade que deve haver no mundo científico, a decisão de crer naquilo que achar mais provável".

Eu por minha vez repudio essas escolas que deformam as crianças e os adolescentes, essas escolas que fabricam fanáticos para estarem a seu serviço. A ciência já se tornou algo do coração, cada um crê naquilo que achar melhor. Essas escolas é que vão fornecer as massas ignorantes para que se tornem futuros eleitores da bancada protestante neo-pentecostal, vulgarmente conhecida como "bancada evangélica".

O fundamentalismo precisa ser destruído!


Fonte: BRANCO, Samuel. Evolução das Espécies - O pensamento científico, religioso e filosófico. Editora Moderna, São Paulo, 1995.
Discurso de Marcelo Crivella no senado.



quarta-feira, 4 de março de 2009

A arte de conversar

Saber conversar é antes de mais nada uma arte. Conversa quem pode e não quem quer. Creio que neste ponto o dileto(a) leitor(a) vai concordar comigo. Toda conversa depende do modo como se porta o interlocutor, como fala e do que fala. Pessoas há com quem se conversa uns míseros 5 minutos e parece que esse tempo se estende até quase à eternidade. E pessoas há que conversando duas horas ininterruptas parece que se conversou por dois minutos, tal é o prazer que nos dão suas agradáveis companhias.

Todos nós procuramos boas conversas e bons conversadores, posto que somos seres gregários, políticos, isto é, da pólis (cidade). Pois queremos ouvir e compartilhar conhecimentos e sentimentos, queremos descobrir no interlocutor um alter ego, um outro eu.

Ninguém gosta de conversar com pessoas com quem não tem nenhuma afinidade. Um doutor em letras não vai querer conversar sobre literatura com um analfabeto tampouco um jogador de futebol exprimirá o desejo de conversar com astrônomos.

Há tantas conversas como há conversadores. Nem toda conversa é boa nem todo conversador é bom ainda que saiba se expressar de um modo elegante. Quais são os tipos de conversadores?
Temos o dogmático, o que fala somente de si, o tesoura e o "monologador".

O dogmático é aquele que deseja impor sua opinião ao outro, seja ela religiosa ou não. O dogmático acredita que o interlocutor está enganado e que ele está infalivelmente certo e por isso se acha no dever de convencer o outro. Exemplo disso abundam no site de relacionamentos Orkut, em comunidades de ultra-direita, do Olavo de Carvalho, de criacionistas (que são todos de direita) e também de stalinistas e de esquerdistas sem causa. O dogmático até pode deixar você falar, mas não porque esteja interessado em trocar idéias, mas para ouvir seu argumento e desmontá-lo assim que você acabe de falar. Sempre que você fala com o dogmático ele põe em seu pescoço o colar do desdém. Na vida real também topamos vez por outra com os conversadores dogmáticos, são as Testemunhas de Jeová que nos "visitam" de vez em quando para anunciar as "boas-novas do reino". E com Testemunha de Jeová não se discute, elas crêem piamente estar certas e seus interlocutores errados. Não adianta contra-argumentar pois elas dizem que você não entendeu a mensagem e se você fala que já tem religião, elas dizem na maior cara de pau que não pregam religião. Quem conhece sabe.

O conversador que fala de si é uma verdadeira "mala sem alça", tudo gira ao redor de si, toma-se como medida de todas as coisas, acha que é o centro do universo, se vitimiza, reclama do salário e faz apologia de como é inteligente, bonito(a), etc... Esse até pode lhe ouvir, mas tudo o que você falar para ele(a) não tem a mínima importância a não ser que você o(a) cubra de elogios. Um ser totalmente asqueroso!

O conversador tesoura é aquele que não deixa você terminar uma frase, que lhe corta o raciocínio, que lhe interrompe pra completar suas frases e raciocínios. Se algo na conversa o incomoda, ele não espera você terminar o que tem a dizer e corta lhe contradizendo e lhe enchendo de perguntas. O conversador tesoura não sabe ouvir.

O "monologador" é aquele que fala o tempo todo, que acha que conversa é monólogo e pega o interlocutor pra Cristo. Ele também se põe como centro do universo, creio que o leitor(a) conhece ao menos um exemplar desse.

Falamos até aqui dos maus conversadores, aproveitemos o ensejo e falemos de igual modo dos bons conversadores, melhor, falemos de como ser um bom conversador.

Como conversar bem? Como se tornar um bom conversador? Um bom conversador deve ser um bom ouvinte, deve saber o que falar e pensar antes de falar. Não deve falar só de si, mas mostrar verdadeiro interesse pelo outro. Deve ser agradável e divertido, mas sem excessos, evitar gírias e palavrões de modo a não se tornar vulgar. O bom conversador precisa ter uma bagagem cultural, não precisa ser um erudito mas saber um pouco de tudo para se entabular uma boa conversação. Não deve ter a voz monótona mas mostrar a emoção na voz quando for preciso, uma voz monótona faz com que o interlocutor boceje. O bom conversador deve saber conversar com o corpo também. Saber gesticular, assentar-se, não cruzar os braços enquanto se conversa, deixar o corpo todo em direção do nosso interlocutor. Recomendo para os que tem interesse em reconhecer os sinais de interesse/desinteresse que o corpo dá numa conversa o Livro O Corpo Fala de Pierre Weil.

Aprendamos a cada momento de nossas existências a sermos cada vez melhores conversadores caro leitor, você e eu.