segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Entrevista com o professor Domingos no SeeTv



O professor Domingos Pardal Braz, colaborador de "O Diário de Um Bobo da Corte", foi entrevistado no dia 24/08/09 no SeeTv uma web tevê. Eu estive presente no dia, foi muito bom. Quer conhecer um pouco da história de São Vicente? Assista a entrevista, não se arrependerá.

P.S.: O vídeo demora um pouquinho para abrir.

domingo, 30 de agosto de 2009

Documentário Sicko

























Outro conversando via MSN com meu amigo Ravick, ele disse que gostou muito do vídeo que postei sobre a saúde em Cuba e disse que iria procurar numa locadora o documentário Sicko do cineasta Michael Moore. Está aí o documentário completo caro Ravick, espero que goste, esta postagem documentário é em sua homenagem, então sinta-se homenageado e abraçado.

O maior perigo para a "democracia" ianque








O Bobo da Corte (que sou eu) entrevistou o ex-presidente George W. Bush:

- DC: Mr. president qual é a maior ameaça à "democracia" americana?

- Bush: ... Caro Bobo da corte o que você sugerir?

- DC: A guerrilha zapatista de Chiapas?

- Bush: No, no, no.

- DC: Os sandinistas?

- Bush: No, no a Patagônia fica muito longe.

- DC: Mas Mr president os sandinistas são da Nicarágua.

- Bush: Nicarágua, Patagônia, Letônia, Estônia não fica tudo na América?

- DC: Hein? Deixa pra lá. Mas o que me diz das FARCS?

- Bush: Fock Paraguai.

- DC: Mas as FARCS não são do Paraguai, mas da Colômbia.

- Bush: Oh, Yeah! Nada que nosso embaixador em Santiago não possa resolver.

- DC: Hum... E o Sendero Luminoso?

- Bush: No, no no ser muito perigoso?

- DC: Então diga, o que é muito perigoso para a democracia americana?

- Bush: Quer realmente saber?

- DC: Claro.

- Bush: O sistema socialista de saúde do Canadá é uma ameça a liberdade.

- DC: Liberdade de quê, Mr. president?

- Bush: ... ora, er... liberdade de comprar remédios, de escolher seguros de saúde pelo qual você quer ser tratado.

- DC: A situação é muito complexa.

- Bush: Se o Canadá continuar assim teremos que tomar medidas.

- DC: ????

- Bush: Lançaremos uma bomba hidráulica em Sidney.


Em parceria com o Domingos.

A História da quarta Internacional







Um ótimo documentário sobre a História da Quarta Internacional, história essa que mostra que Leon Trotsky é um legítimo herdeiro do marxismo-leninismo. O documentário mostra que Stálin acabou com o comunismo que é o governo do proletariado e substituiu-o pela burocracia, ou seja Stálin nem era marxista nem comunista, mas uma forma de socialismo fascista.

Faz-se mister lembrar que foi graças à Stálin que o mundo se viu livre do nazismo alemão.
Infelizmente partidos como o PCO e PSTU são sectaristas e altamente dogmáticos posto que criticam o regime cubano e o governo venezuelano que seguem o paradigma do governo stalinista.

Apesar de eu ser comunista e querer que a revolução surja de baixo para cima, da base para o topo, do povo para todos, não posso fazer beicinho e chorar como uma criança mimada e não reconhecer os benefícios que a Revolução de Cuba trouxe para o povo cubano.

O operário em construção




E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.


VINÍCIUS DE MORAIS

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio



Segundo Heráclito de Éfeso: "Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio".


Heráclito pensava que as coisas mudam o tempo todo, constantemente, sem parar. Por isso ele disse que "Tudo flui". Não concordo ipsis literis com Heráclito que tudo se transforma o tempo todo.


Conhecemos o que Heráclito disse, mas o que Heráclito realmente pensava, sabemos apenas via discípulos e comentadores. Se as coisas se transformam o tempo todo, então não há estabilidade, permanência em nada.


Mas se há uma transformação relativa e não absoluta como queria Heráclito, então concordo com o seu aforismo. Porque fisicamente mudamos e mudamos psiquicamente também, mas simultaneamente temos consciência de que aquela pessoa que foi criança e hoje já não é, é a mesma pessoa; que aquela pessoa que pensava de um tal jeito ontem e hoje pensa de outra forma mudou, se transformou de certa forma, mas não a ponto de ser irreconhecível para si mesma, para o seu self, seu eu.


Se Heráclito pensou assim, então concordo plenamente com ele. Mas se pensava que a mudança era tão radical a ponto da transformação não deixar vestígio do antigo ser, então discordo. Pois se tudo muda o tempo todo nem ciência poderíamos fazer. Só podemos fazer ciência porque há estabilidade e leis no universo. A ciência se dá por repetição de experiências, e em todas as experiências os resultados devem ser idênticos ou não há ciência.

Ilha das Flores





Creio ser desnecessário comentar esse documentário. Só afirmo que vale a pena ser assistido.