domingo, 21 de outubro de 2012

Redução nas contas de energia


Vou imitar aqui o Otário: Óóóó que legal a presidente Dilma vai reduzir o preço das contas de luz. Como ela é generosa! Puta que pariu presidente, não me fode! Vocês do PT fizeram com que essas empresas cobrassem a mais e agora só vão ter que restituir, o que é uma obrigação de vocês, não tem mérito nenhum. Porra, por que não falam que cometeram um erro durante 8 anos? Fazem a merda e ainda aproveitam para enganar o povo como se vocês estivessem nos fazendo um favor.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Um mundo ácrata é possível?




Muitas pessoas tem me perguntado se um mundo anarquista é possível. Elas duvidam, é um direito que lhes assiste. Argumentam que um mundo anarquista é um mundo sem hierarquia, portanto não funciona, e, apresentam suas razões para isso. Uma delas é assaz interessante, fundamentada na biologia, mais especificamente, no evolucionismo. Essa tese afirma que o homem como ser biológico precisa de hierarquia e que mesmo no mundo dos primatas (e nós somos primatas) existe noção de hierarquia.

Piotr Kropotkin, anarquista russo e geógrafo, pesquisou a vida animal na Ásia e afirmou sim, que a evoluçãose dá pela seleção natural, mas não só pela seleção natural, também se dá pela cooperação, apoio mútuo, que é título de sua obra que versa sobre a reciprocidade.

Mas ainda que não existisse a evolução por meio da cooperação deveríamos aceitar o determinismo biológico? Não. Porque todo determinismo é reducionista, isto é, dogmático, se apresenta como a única ciência perfeita e verdadeira, as outras ciências não passam de charlatanismo, no caso dos cientificistas; de ideologia burguesa no caso dos marxistas ortodoxos. De modo que devemos rejeitar todo e qualquer reducionismo, seja biológico (darwinista), seja econômico (marxista), seja psicológico (freudista), uma vez que nenhuma ciência pode explicar o todo, e as ciências são especificidades, portanto fragmentação da realidade.

Ainda que o ser humano tenha uma forte inclinação biológica, ele não é determinado, tanto é verdade, que o ser humano pode criar e recriar culturas e valores. Dizem os biólogos que o estupro era comum na época das cavernas e que esses homens agiam por puro instinto. Ora, não era porque isso é normal e porque seja algo instintivo que devemos permitir que o estupro seja algo legal. Só o fato da maioria condenar o estupro mostra como a natureza humana, não é determinada, que tem plasticidade para se adaptar a novas situações. Explicados os porquês dos perigos do reducionismo, tentarei responder a pergunta:

                      É possível existir um mundo ácrata? 

A anarquia por ser um sistema sem governo só funciona se transformarmos a sociedade como explica Bakunin:

"Abolição de qualquer relação e de qualquer igreja do Estado ou mantida pelo Estado...
Necessidade absoluta de cada país que quiser fazer parte desta federação livre de povos de substituir a organização centralista, burocrática e militar por uma organização federal, baseada na liberdade absoluta e na autonomia das regiões, das províncias, dos municípios, das associações e dos indivíduos com funcionários eletivos e responsáveis diante do povo, e como o armamento nacional, organização que se formará, como atualmente, de cima para baixo, mas de baixo para cima e da circunferência para o centro, pelo princípio de federação livre, partindo dos indivíduos livres que formarão as associações, as comunas autônomas que formarão as províncias autônomas que formarão as regiões e das regiões que, federalizando-se livremente entre si, formarão os países que, por sua vez, formarão cedo ou tarde a federação universal e mundial". in A sociedade ou Fraternidade Internacional Revolucionária (1865)


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quem não cola não sai da escola


Quem não cola não sai da escola, acredito nisso! O(a) leitor(a) deve estar espantado(a) e se perguntando: Meu Deus como um professor pode dizer isso? Será que ele pirou? Não, não pirei, estou em plena posse de minhas faculdades mentais. E vou dizer mais: eu incentivo meus alunos a colarem em algumas de minhas provas. Daqui deste lado já ouço protestos, deixe-me explicar. A cola nas provas é um ótimo método pedagógico para trabalhar. Como assim? - você me pergunta. Veja só, se o aluno prepara a cola dele em casa, ele tem que ler e não só ler, mas tem que escrever também e muitas vezes tem que se esforçar em fazer tirinhas. Ora, tudo isso demanda um grande esforço que sem perceber o aluno acaba gravando na memória a matéria a ser estudada. Você nunca parou para pensar nisso?

É evidente que meus alunos estranham meus métodos,  (a cola pedagógica não fui eu que inventei, mas um outro professor que deu uma palestra para os professores da rede municipal de São Vicente) pois a cola é vista sempre como algo feio, desaprovada por todos os professores e se um professor se distancia desse discurso é porque deve estar maluco.

Quando marco uma prova com cola, aviso com uma semana de antecedência, peço para os alunos fazerem suas colinhas (individuais) porque no dia da prova não permito que se usem livros e cadernos, apenas a cola que foi preparada em casa ou mesmo em sala de aula. Sem que os alunos percebam acabam estudando e memorizando e não como uma obrigação, mas com prazer. Esta semana um de meus alunos perguntou: professor, para que serve a cola, se eu nem usei a cola na prova, se eu já sabia de tudo? Justamente - respondi - a cola serve para você estudar e sem perceber você memoriza, grava e aprende. É para isso que serve a cola.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Viva a teocracia!






Na política vale tudo para se ganhar as eleições ainda mais se tratando do Brasil, um país com uma porcentagem enorme de analfabetos e de outros tantos analfabetos funcionais e toda sorte de gente supersticiosa e fanática. Esse é o ambiente perfeito para oportunistas, já que não conseguem se promover por si mesmos pegam carona no carro da fé. 

Os fanáticos por exemplo votam em certos candidatos porque esses se apresentam como homens e mulheres de deus, isso é o quanto basta para votarem, não importa quais projetos de leis apresentarão à câmara, quantos projetos votarão ou se vigiarão o executivo. Para esse tipo de gente não importa quais projetos de leis apresentará à câmara, nem em quais projetos votará ou se vigiará o executivo. O que importa é que ele é o irmão na fé, que serve o mesmo deus, que é homofóbico, que odeia as outras religiões, etc... Agora, quando figuras desse naipe são eleitas, toda a sociedade paga, paga porque imbecis tem o direito de votar e foder prejudicar a sociedade. 

Aqui em São Vicente cidade onde nasci e onde moro a política está cada fez mais feia, cada eleição surgem mais e mais homens e mulheres de deus, já que ninguém se garante. Não confio em pessoas que se posam de servos de deus, pois estão manipulando as pessoas e as pessoas que deveriam votar no candidato,  votam em deus, no pastor, na congregação, exceto no candidato. E se os "eleitos do Senhor" ganham as eleições não é mérito deles, mas da idiotice de seus irmãos na fé. 

O que mais me deixou indignado foi quando peguei um panfleto do candidato Emmanuel Menezes Pimentel que desrespeitando o Estado laico criou a lei: Lei da semana gospel (evento musical, inserido no calendário oficial da cidade, realizado na praia do Itararé, gratuitamente), o leitor pode ver o verso do panfleto do candidato na foto acima, antes da postagem. É triste, mas como se pode destinar verba pública para particulares e mais ainda para fanáticos que com o dinheiro de não cristãos querem construir uma teocracia!!!

Já o homem guiado por deus, falo do sr. Marcelo Correia, foi acusado de estar ligado ao tráfico de entorpecentes,  é, tinha que ser um homem de Deus! Tudo bem que ele só é acusado, mas algumas coisas não se explicam como a compra do imóvel do seu assessor ou ex-assessor Rinaldo Bispo do Santos, três dias depois da denúncia... Mas deixa prá lá talvez sejam mistérios insondáveis de Deus!

Quando os fanáticos e oportunistas se candidatam não querem representar o povo mas apenas a parcela do povo que os interessa, só que se esquecem que os cargos políticos não são confessionais e sim laicos, portanto agem desonestamente se dirigindo aquela parte da população que os elege, e, os elege porque é boçal e é boçal porque não tem estudo e isso tudo é muito bom para continuar nesse círculo vicioso e manter o status quo. Além do mais é uma falta de caráter se apresentar como homem ou mulher de deus, pois se eu me apresento assim estou dizendo que o(a) outro(a) não é de deus, logo é mau/má.

Por uma política verdadeiramente laica, sem Deus e sem religião envolvidos, cada um no seu quadrado!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A escola pública é laica mas os talebãs tupiniquins não entendem isso!

Outro dia depois das aulas numa conversa descontraída com amigas professoras, elas me disseram como é difícil lecionar história, educação física e artes, por causa de alunos filhos de pais protestantes fundamentalistas (vulgarmente como conhecidos como evangélicos). Elas me disseram que sentem mal estar quando tem que abordar assuntos como carnaval, folclore, cultura africana no caso de história e artes, mas a  situação da educação física não é lá muito diferente. Soube da história que uma aluna se recusou a participar  das aulas de educação física porque não poderia sair correndo e ficar exposta a mostrar partes de seu corpo, é evidente que também a figurinha não iria querer usar calças pois argumentaria que é roupa de homem e blá blá blá blá.

É engraçado como essa gente põem seus filhos nas escolas públicas e querem determinar o que deve e o que não deve ser ensinado, eles que muitas vezes são semi-alfabetizados ou que são analfabetos funcionais, o problema, o grande problema é que os professores tem receio de lidar com eles e isso acaba fortalecendo suas superstições.

Então os pais proíbem que seus filhos façam trabalhos que envolvam os seguintes assuntos: carnaval, folclore, história e cultura dos afro-brasileiros,  etc..., isso porque esses assuntos são do diabo, claro que eles nunca pararam para refletir, infelizmente eles reproduzem o espírito do colonizador e não do colonizado.  A religião do oprimido é má e a do opressor é boa, ora, se os negros tivessem vencido a história religiosa seria outra.

Eles privam seus filhos de uma educação artística, de aprender, de produzir de criar e desenvolver competências porque carnaval e folclore são coisas do demo! Privam seus filhos de aprenderem a história africana e indígena, privam de conhecer culturas e de conhecer a história desses povos sofridos e a só vão conhecer a visão oficial da história que é a do colonizador bom e cristão, não tão bom cristão, já que era católico e não protestante. Privam seus filhos de fazer ginásticas! São inimigos do corpo logo inimigos da saúde e tudo isso por causa da infame leitura que fazem da Bíblia numa tentativa de transformar a sociedade secular numa teocracia neopentecostal. São tão cegos que se escandalizam com o que não provoca escândalo e aquilo que provoca escândalo encaram como perfeitamente normal: apedrejamento de bruxas, de adúlteras, e de sodomitas. (muitos querem ressuscitar essas prática) Isso não escandaliza! Todavia os professores  não devem contemporizar com fanáticos ou tolerar os intolerantes, uma vez que com eles não existe diálogo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dos manuais de filosofia




Li vários manuais de filosofia mas não vi nenhum imparcial, (isso não quer dizer que não existam autores imparciais, até porque não li todos os manuais de filosofia do mundo) quase todos os manuais e histórias da  filosofia carregam as tendências de seus respectivos autores.

Quando se lê uma história da filosofia o leitor espera encontrar imparcialidade mas infelizmente não encontra até porque tudo o que somos e o que fazemos leva o cunho partidário, ideológico de modo que não existe neutralidade. 

Leio manuais de filosofia desde minha adolescência (faz tempo!) e com o tempo tenho aprendido que os manuais diferem não pela matéria mas pela tendência, exemplo: Se o leitor ler o livro Vivendo a filosofia de Gabriel Chalita e ler os Fundamentos de filosofia de Afanasiev vai perceber que no primeiro livro a tendência do autor é acentuar a importância de autores católicos e dedicar mais páginas à Santo Agostinho e a Santo Tomás de Aquino assim como toda a Idade Média em detrimento dos filósofos acatólicos teístas ou não; já no segundo livro o autor trilha toda a história de filosofia, mostrando duas correntes: a idealista e a materialista que permeiam toda a história da filosofia. O autor do segundo livro é marxista-leninista então ele se propõe a mostrar todos os defeitos do idealismo e engrandecer o materialismo até chegar ao ápice que é o materialismo histórico/dialético, pois mesmo os materialismos anteriores carregavam vícios, o único bom é o da então URSS. 

Agora quando se trata de levar livros didáticos de filosofia (o do Chalita é didático) os professores devem ser bem criteriosos e escolher aqueles livros que sejam os menos parciais possível, de modo que seus alunos  possam conhecer todas as correntes da filosofia por si mesmos e possam ter autonomia para escolher a corrente que mais lhes agradar ou nenhuma. Num livro didático tendencioso o aluno praticamente é levado a escolher tal ou tal tendência filosófica. 

Agora quando se trata de livros específicos como Filosofia na Idade Média de Etienne Gilson é evidente que se trata de filosofia católica, além é claro de não se tratar de um manual de filosofia, mas uma exposição da filosofia medieval e da Igreja Católica Romana. Nesse caso o leitor não tem do que reclamar porque o autor está delimitando o tema. O mesmo se diga dos livros de Michel Onfray Contra-história da filosofia trata de pensadores materialistas, então o leitor está advertido sobre os temas de um e outro livro. 

Nada tenho contra os manuais de filosofia mas não pense que são imparciais porque não são e nem infalíveis, daí que é bom ter vários manuais para confrontar um com o outro, para eventuais esclarecimentos. Os manuais de filosofia muito auxiliam na ajuda de certas leituras difíceis de serem assimiladas, mas o melhor mesmo depois das leituras dos manuais é iniciar a leitura dos filósofos por si mesmo pois aí você não encontrará interpretações, verá os filósofos tais como são e a interpretação do que ele disse de fato ou do que se cogita fica por sua conta leitor. Os manuais servem apenas para uma orientação, são como bússolas que apontam para o norte, mas se você não sabe os pontos cardeais as bússolas para nada servem. 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Da falsa modéstia




Em nossa sociedade as pessoas não estão acostumadas com pessoas sinceras, nem com verdades, confundem o ter personalidade com arrogância e fraqueza de espírito com humildade. O engraçado é que essas pessoas (falo das redes sociais) que se dizem humildes xingam, destratam os outros, fazem alarde dos conhecimentos de tal e tal assunto, mas quando alguém fala contra a cultura de massa se revoltam tomam as dores, censuram, te acusam de arrogância, olvidando que o ato de acusar alguém disso já é um ato de arrogância, porque acha que a sua opinião é verdadeira e não pode ser questionada, interessante não?

Essas pessoas se acham modernas, livres de preconceitos, homens e mulheres póstumos mas na verdade não passam de imitação barata e mal feita do homem superior de Nietzsche. Muitas dessas pessoas adoram citar frases buriladas de Nelson Rodrigues, de Nietzsche, de Oscar Wilde, de Freud dizendo que concordam com essas celebridades, mas esse concordar é um falso concordar, pois quando alguém (e esse foi o meu caso) escreve:

"Eu gosto do povo/massa pois graças à ele(a) eu posso saber o que é um bom filme, uma boa música, um bom livro. Explico-me se a massa ouve uma música eu não a ouço; se lê um livro (exemplos: agapinho, bíblia, a cabana) eu rechaço; se assiste a um filme (os vingadores) é um bom sinal para não assistir".   


Essas pessoas caem em cima criticando, afirmando que o autor da frase é arrogante, preconceituoso, etc... Que não tinha o direito de exarar essa opinião, aí quando você cita um autor que pessoas "humildes" gostam como Nelson Rodrigues: "A unanimidade é burra", elas tem a coragem de perguntar ao interlocutor se este está se nivelando ao dramaturgo.  Engraçado, essas pessoas apóiam tudo o que ele escreveu, inclusive coisas ofensivas as massas e ficam chocadas quando alguém coerente, isto é, que tenta seguir pensadores como Diógenes o cínico, Nietzsche entre outros são criticados pela autenticidade. Porque autenticidade para essa gente é ser hipócrita, é esconder o que pensa. Essas pessoas que se dizem tão avançadas somente o são para fazer citações a fim de parecerem interessantes/intelectuais mas não passam disso, pois na hora de colocar em prática o que dizem acreditar se mostram tão ou mais reacionárias que as pessoas assumidamente conservadoras, pregando a "moral e os bons costumes". 


Mas pimenta nos olhos dos outros é refresco não? Essas pessoas que estão aí no mundo virtual adoram mostrar sua sabença, humilhar os que discordam delas e depois quando encontram alguém autêntico posam de São Geraldo Majela, a humildade personificada. Mas para censurar um ser declaradamente orgulhoso é preciso ser ainda mais orgulhoso que ele, é o caso de Diógenes que disse:


- Piso no orgulho de Platão.
- Logo com um orgulho maior, respondeu Platão. 


Eu não posso fazer nada se já descartei há tempos a falsa modéstia e essa humildade forjada em oficinas de teatro de 5ª categoria. Por que hei de negar uma coisa assim:

- você é inteligente.
- não, não bondade sua.

Acaso isso não é hipocrisia e querer se passar por humilde não é querer que o outro continue elogiando e admirando ainda mais por causa da falsa humildade?  Esse tipo de gente admira pensadores ousados mas quando encontram pessoas ousadas caem em contradição, pois elogiam aquilo que falaram e fizeram e quando alguém se põe a imitá-los, censuram. É, hipocrisia é FODA!!!