quarta-feira, 26 de julho de 2017

Desconstruindo o discurso elaborado em torno da pretensa sexualidade 'Cristã' - Pederastia, homoafetividade, sexo oral, masturbação, etc 01







Por incrível que possa parecer ao menos para algumas pessoas ainda é tabu falar livremente sobre sexo. Sim, e estamos no século XXI.

No entanto para certas pessoas abordar o tema da sexualidade sem trazer uma receita de 'bolo' ou roteiro 'sagrado' mas mãos é um desafio.

Há inclusive quem deseje proibir a discussão caso ela não siga o roteiro previamente traçado pelos 'guardiães'...

E que fique exasperado face a audácia alheia...

Falar livremente a respeito da sexualidade humana e sustentar a liberdade sexual é, ainda hoje, para não poucos brasileiros, um sacrilégio ou um pecado.

Não nos querem sequer ouvir e, caso detivessem o poder, amordaçar-nos-iam.

Toleram-nos porque são obrigados pelo formalismo democrático.

A má vontade no entanto é manifesta.

No entanto - e este questionamento parte de S Clemente de Alexandria, um doutro Cristão no século II  (por ai se vê o quanto temos piorado!) - como poderíamos ter vergonha de falar a respeito do que Deus não teve vergonha de criar???

Como condenar o que é natural se o próprio Deus é o autor da natureza ou das leis que regem este universo.

É o orgasmo ou prazer sexual algo sujo ou maléfico?

Atribuam-no ao Diabo ou culpem a Deus.

Afinal como algo poderia ser natural e indecente ao mesmo tempo sem que Deus se convertesse no grande indecente do universo e pai de toda a indecência.

Lamento fanáticos mas a sexualidade humana foi concebida, desejada, querida e criada por Deus.

Nem por isso existe qualquer coisa parecida, mesmo de longe, com 'sexualidade cristã'.

Existe sexualidade judaica, farisaica ou talmúdica pelo simples fato de que a Torá de Moisés, não menos que o Kama Sutra, esta repleta de mandamentos, normas e regras de teor sexual.

Mas em que toca isto, a Torá de Moisés, aos Cristãos???

Em absolutamente nada.

Afinal de contas caso a Lei, a respeito da qual disse nosso Mestre Jesus, que não passaria mínimo traço, fosse a Lei de Moisés ou a Torá, estaríamos obrigados a viver conforme o regime dos judeus e a observar todos os seus preceitos nos abstendo de raspar a barba, de vestir linho e lã, de semear trigo e cevada, de comer strogonoff, etc, etc, etc...

Coisa que os bons 'Cristãos' não fazem...

Por saberem que a Lei divina, eterna, e imutável, a que se refere Jesus - Declarando que não seria alterada em um ponto sequer - outra não é senão ou Decálogo ou os Dez mandamentos gravados tanto nas tábuas de pedra quanto nas consciências de todos os homens. Tal a lei moral ou ética que condena irremissivelmente o assassinato, o roubo, a traição, a mentira, etc

O resto, isto é todo o resto da Torá, ao invés de corresponder as páginas de um Corão cristão, corresponde apenas a elementos da cultura semita, israelita, judaica e nada mais que isto. Não são leis de origem divina, mas leis étnicas de origem puramente humana e, marcadamente maniqueístas ou puritanas sob sua derradeira forma.

Tal o sentido das sucessivas maldições com que os israelitas fulminavam a exposição do corpo ou a nudez. Os povos do deserto, até mesmo por questões de natureza climática, jamais souberam lidar normalmente com o próprio corpo ou aceita-lo. E de tanto oculta-lo acabaram por encara-lo como maligno e assim a sexualidade como um todo.

Não ocultavam o corpo ou a sexualidade porque fosse sagrada mas porque a consideravam altamente profana.

Era algo a ser feito as escondidas como tudo quanto é vergonhoso.

A naturalidade era encarada como algo vexatório para a mentalidade dos povos semitas.

Daí seus livros - como a Torá - incluírem um grande número de mandamentos destinados a regular escrupulosamente o exercício da sexualidade, subtraindo-o a decisão humana.

O domínio do pênis, do ânus ou da buceta é atribuído formalmente a deus, o qual se sente atingido ou injuriado caso o sexo fuja as regras ou não seja feito da maneira correta ('Ortodoxa').

É a deus que pertence o controle do corpo do homem ou melhor as sacerdotes, que a partir do sexo tornam-se controladores, manipuladores e senhores do homem todo, ora convertido numa marionete religiosa.

Evidentemente que Deus não se preocupava com nada disto. Do contrário não teria vinculado prazer algum a tais órgãos ou ações. Os sacerdotes no entanto preocupavam-se muito com tudo isto, pois sabiam que constituía o meio de dominação por excelência.

Uma vez que o homem aceite ser controlado sexualmente por outro nada restará de propriamente seu. Invadido o domínio da sexualidade, nosso homem se converterá num boneco ou num robô dirigido pelo líder...

Extremamente ambicioso e dominador o clero judaico não poupou esforços no sentido de implementar uma autêntica 'ortodoxia' sexual a partir da qual ficava bastante fácil conduzir todo aquele gado humano ou rebanho de bestas. Tais as raízes e fontes mais remotas do totalitarismo maniqueu ou puritano que ainda nos assombra...

Tudo muito semita, israelita, judaico, mosaísta, etc Mas Cristão???

A parte fundamentalista da cristandade firmada na concepção de um Corão Cristão ou de uma inspiração plenário/linear, esforça-se para demonstrar que sim e para manter o mais rigoroso controle sexual.

O patético aqui é que atribuem essa orientação maniqueísta e puritana ao próprio Jesus Cristo.

A sugestão aqui é que ele seja o próprio autor da Torá (!!!) ou que a tenha sancionado em sua totalidade (Devido a uma compreensão equivocada sobre o sentido da palavra Lei, relativo a Lei que jamais seria revogada)... O problema é que como vimos os protestantes, pentecostais e fundamentalistas selecionam da Lei mosaica ou da Torá o que bem querem, deixando de praticar ou de cumprir uma porção de coisas...

No entanto caso a Torá ou lei de Moisés não tenha sido revogada em sua totalidade, como eles fingem crer, com que direito selecionam ao invés de cumprir tudo, tudinho e viver a moda dos judeus ortodoxos???

Os bíblicos selecionam oportunamente da Torá apenas o que lhes convém ou agrada, ignorando supinamente todo resto... Certamente Jesus não é o critério, pelo simples fato de jamais ter revogado explicitamente o dispositivo atinente a barba, proibindo seu corte... A depender de uma revogação explicita por parte de Cristo, a maior parte das leis Mosaicas estaria em vigor, e se não esta é pura e simplesmente porque ela jamais foi válida em sua totalidade (para os não judeus) ou divina, mas étnica ou cultural.

Ora a dar por suporta a total inoperância da Torá e dos escritos judaicos só nos resta ir buscar os tais mandamentos, normas, regras e preceitos de natureza sexual (o Kama sutra 'Cristão) na lei dos Cristãos que é o Santo Evangelho e verificar quais tenham sido as leis de natureza sexual baixadas por Jesus Cristo.

Aqui a suprema miséria do fundamentalismo, do biblismo ou do Cristianismo judaizante pelo simples fato de Jesus jamais ter legislado exaustiva e minuciosamente a respeito da sexualidade.

A conclusão a que chegamos aqui torna-se revolucionária e insuportável para muitos: Se as leis sexuais, civis e penais dos antigos judeus não tocam ao Povo de Jesus Cristo e se ele, Jesus Cristo, a seu tempo não ocupou-se da matéria, i é da sexualidade, só podemos concluir que sob a perspectiva Cristã a sexualidade humana é livre, cabendo a cada um refletir e decidir a respeito.

A sexualidade libertária esta fundamentada no Evangelho, partindo do que podemos chamar de lacuna ou omissão por parte do mesmo.

Então temos de adotar a sexualidade maniqueísta dos antigos judeus...

Por este raciocínio tosco teríamos de adotar todo regime de vida dos judeus uma vez que Jesus Cristo jamais cogitou em legislar a respeito das roupas ou da dieta de seus seguidores, ao contrário dos escribas e fariseus...

Evidentemente que a questão não se coloca para os unitários ou arianos. E isto pelo fato de Jesus não passar de simples profeta a ser completado por outros profetas...

No entanto do ponto de vista atanasiano ou niceno, a questão assume proporções totalmente diversas. Pois aqui Jesus é o Verbo eterno encarnado ou seja Deus Revelador...

E não podemos presumir que o Deus perfeito feito carne tenha deixado de enunciar qualquer orientação doutrinal ou ética importante para seus seguidores, ou que tenha sido incompleto. Dar Jesus Cristo, enquanto Deus encarnado, por insuficiente ou por Instrutor imperfeito se nos parece absurdo.

Certamente ele comunicou aos seres humanos tudo quando era necessário saber e fazer sem nada omitir. Fornecendo-nos uma instrução completa e perfeita.

Supor lacunas, omissões ou deficiências na pregação do Senhor, implica opor-se a seu caráter divino.

Se Jesus é Deus verdadeiro, seu Evangelho é lei perfeita e completa.

Resta-nos concluir que tudo quanto não tenha sido ensinado ou decretado por ele é irrelevante para seus seguidores.

E no entanto esse Verbo Encarnado passa a largo quanto o tema da sexualidade humana. Limitando-se a condenar o engano ou a ocultação (traição) introduzida nas relações justamente pelo regime proprietarista vigente entre os antigos judeus, os quais naquele momento não podia Jesus alterar.

Justamente por não estar em sua mão alterar radicalmente o regime social dos antigos judeus, foi que ele limitou-se ao fazer o que podia no sentido de torna-lo menos danoso. Daí ter vinculado o repúdio ao adultério para que as mulheres não fossem arbitrariamente postas no olho da rua por seus consortes e determinado que fossem rigorosamente fiéis aos compromissos que haviam assumido e que julgavam ser de origem divina. Ele jamais ensinou que a monogamia heterossexual fosse divina e normativa. Os judeus, escribas e fariseus é que pensavam assim, tal a situação dada com que ele devia trabalhar e dentro de certos limites.

Por isso pronunciou-se pela indissolubilidade das relações matrimoniais e pela sinceridade tendo em vista amenizar os excessos e sanear os abusos. No entanto ele jamais disse que aquele estado de coisas ou que aquelas relações pessoais fossem divinas e jamais fixou uma forma quanto a organização familiar. Ao encarnar-se Jesus já encontrou aquela forma pronta e era produto da sociedade judaica. O ideal de família heterossexual, monogâmica, indissolúvel e patriarcal não partiu de Jesus mas da cultura judaica, cultura em que eles estava inserido e com a qual devia dialogar, polindo as arestas.

As soluções que ele formulou foram divinas no sentido de serem adequadas as condições dadas ou a cultura judaica. Isto não significa porém que as condições não devessem ser alteradas, adotando-se outras formas de organização sexual fundamentadas na mútua compreensão, no respeito e no amor.

Alias quanto a realidade social das relações monogâmicas tudo quanto ele quis determinar, ao condenar o adultério, é que quando ambas as partes tem um acordo, o engano ou a ocultação equivale a um crime. Parte algum do Evangelho vincula o pecado do adultério a fruição do prazer sexual. O que esta em jogo ali é a tentativa desonesta de se burlar uma relação fechada, recorrendo-se a mentira. A essência do pecado que envolve o adultério envolve não o prazer da carne, mas um prazer bem mais sutil e doloso - ainda que muito pouco considerado - o prazer do engano, no sentido de passar a perna no outro e de ser mais esperto do que ele. Além é claro do prazer da injustiça, pois enquanto a parte fiel contenta-se com o prazer fruído numa relação monogâmica, a parte infiel frui diversas modalidades de prazeres...

O prazer em si mesmo não esta em jogo mas a fruição do prazer numa determinada conjuntura a respeito da qual Jesus jamais pronunciou-se canonizando-a.

A parte destas duas alusões ou 'leis' alusivas as relações matrimoniais vigentes entre os judeus não nos deparamos com qualquer outra coisa no Evangelho.

Nada de relativo ao corpo, a nudez, aos órgãos ou as relações sexuais em si mesmas. Aqui como já dissemos, é Jesus reticente ou lacunoso; omisso, incompleto... Diz muito pouco ou melhor, nada diz.

Refere-se sim ao ânus mas apenas para dizer que os alimentos materiais após serem processados pelo aparelho digestivo, são expelidos por ele terminando na fossa. Nada além disto. Nem uma palavra sobre pênis, vagina, etc

O sexo é uma realidade que não é abordada por Jesus.

Pelo simples fato de não dizer respeito ao Reino celestial.

Foi, do ponto de vista do Evangelho, um setor deixado ao sabor da natureza na perspectiva da liberdade e não policiado, segundo a receita dos escribas e fariseus. Até nisto Jesus distinguiu-se deles...

Mas se é assim como foi que o Cristianismo converteu-se nisto ou seja numa instituição visceralmente maniqueísta ou puritana?

Devemos compreender que o Cristianismo surge numa sociedade judaica e que até mesmo o Criador ao fazer-se carne teve de levar em conta semelhante limitação. Desde que o vinho novo foi derramado num contexto judaico é bastante natural que os judeus cristãos tenham tentando enfia-lo nos odres velhos da lei, iniciando-se um movimento dialético de idas e vindas, etc

Absolutamente natural que a cultura judaica tenha invadido a instituição Cristã dando origem a diversos padrões de Cristianismos judaizantes; da grande e antiga igreja a seitas como o ebionismo. Esta situação agravou-se ainda mais no Ocidente após a formação do que chamam Bíblia, o predomínio da doutrina linear de inspiração e a canonização do biblismo pela reforma protestante; todos estes fatores contribuiram para um refluir da judaização no contexto do Cristianismo ocidental e para a afirmação de uma moralidade maniqueísta e puritana, especialmente após o advento da reforma protestante.

A simples ideia de uma sexualidade cristã diferenciada num contexto calvinista segundo o qual tudo deve ser regulado positivamente pela Bíblia sugeria que a única forma sexual ortodoxa equivalia a posição papai e mamãe, desde então batizada como 'posição missionária'. A partir de fundamentos mais ou menos bíblicos o prazer lícito ou o sexo cristão foi definido como fricção frontal pênis/vagina, e como veremos o fundamentalismo - racionalmente falando - não pode fugir disto... Todas as outras formas de sexo, legadas pelo paganismo e postas em prática pelos Católicos ortodoxos e papistas ao cabo da idade média foram de imediato classificadas como pecaminosas e diabólicas.

Dentre elas a pederastia, o sexo oral, a bolinação e a masturbação.

Vale a pena conhecer a origem de cada uma destas práticas, bem como a respectiva definição, antes de examinarmos a tentativa dos Bíblicos, no sentido de argumentar natural e racionalmente, e fulminar a homoafetividade compreendida sempre como pederastia.


Cont

Nenhum comentário: