segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A glória da masturbação... apologia em torno de um ato libertador

Recém chegado a era dos quarenta - A vida passa: Panta rei! - tive a oportunidade de ter feito já três casamentos vantajosos, financeiramente falando.

Uma de minhas pretendentes ou ex pretendentes é professora e proprietária. Nem é feia nem deselegante, mas a parentela deixa a desejar... A outra também é professora e herdeira de bens 'vultosos' além de corresponder ao padrão de desejo ou consumo da maioria dos homens (Branca, loira e de olhos claros - a outra também é branca mas não loira). A terceira enfim empresária...

Há não muito tempo se me apresentou uma quarta possibilidade: professora, financeiramente estável, bela, elegante e dotada de fina inteligência; enfim, ao que parece uma espécie de soma ou adição, tendo em vista as outras...

Não o registro para minha glória ou por vaidade.

A bem da verdade só tirei 'proveito' de uma delas e mesmo assim por pouco tempo.

Se nutro algum orgulho ou vaidade foi justamente por não ter aceitado prender-me a qualquer uma delas, ou casar-me.

Dizer desta água não beberei não posso.

A vida é feira de possibilidades.

No entanto sei que casar, mesmo com todas as ressalvas, é prender-se...

Claro que eu ficaria livre de maiores dificuldades econômicas e poderia viver muito facilmente ou ser sustentado.

Um amigo meu, já falecido, costumava pavonear-se por ser sustentado pela esposa, alias professora.

No entanto quem nos mantem ou financia deseja atenção, e; sejamos honestos, justos e francos: a ela faz jus.

De minha parte não poderia negar gratidão, afeto ou atenção a quem se desse ao trabalho de manter-me. Seria a maior das ingratidões imagináveis.

Assim quem me comprasse de fato compraria, ficando eu mais limitado e menos livre.

Optei assim por viver aos trancos e barrancos...

Não que seja assalariado ou ganhe mal, não, não é isso.

Como funcionário público de duas esferas até ganho satisfatoriamente bem para alguém de minha condição, ou seja, que é proprietário e ainda tem parte das despesas pagas pela mãe idosa.

O fato é que gasto mesmo muito mais do que ganho, acumulando dividas e passando apertos rsrsrsrs

Mas com que gasto tanto dinheiro se não sou casado?

Antes de tudo é caro com livros, alguns dos quais bastante raros e caros...

Sou 'viciado' em livros ou melhor em ler, especialmente obra clássicas...

No entanto também costumo a torrar alguma grana com antiguidades> selos, moedas, cédulas, miniaturas...

Gasto por fim alguma coisa com licores finos, com os cães e gatos...

Resta esclarecer que optei por este tipo de vida para poder ter mais tempo livre e consequentemente ler.

Eventualmente recebo alguns poucos convivas em casa para filosofar a moda de Sócrates. Outras vezes, tanto mais raras, nos reunimos num barzinho; eles bebendo cerveja, eu licor; eles fumando cigarros vulgares, eu algo mais forte; e degustando alguns acepipes... observando a vida... e discutindo sobre Sócrates, Platão, Aristóteles, Cícero, Sêneca, Vírgilio, Epicteto, Quintiliano... sem olvidar Darwin, Marx, Freud, Weber, Arendt, etc

No entanto como fiz observar acima tais momentos de boêmia são excepcionais. Minha vida é pacata e sou um homem caseiro.

O qual quando não esta trabalhando ou privando com Morfeu, esta lendo em refletindo sobre o que leu.

Eventualmente troco algumas palavras ou impressões com meu irmão mais velho.

Na maior parte das vezes fico martelando até tomar coragem e escrever algo.

Acabo de ler o Eutífron e a auto biografia de Freud. Na semana passada lera a Memorabilia e a Apologia de Xenofonte. Amanhã termino o XVIII Brumário de Marx. No mês anterior li a 'Nova idade Média' de Berdiaeff... no próximo mês, se vivo, haverei de ler 'As leis' de Platão, a 'Origem das espécies' de Darwin, a derradeira Era de Hobsbaw e 'Moisés e o monoteísmo' de Freud.

Por isso não quis casar...

Poderia eu ler tanto, refletir, ponderar, discutir e mesmo assim dar a devida atenção a um cônjuge?

Poderia ser tão livre quanto sou para filosofar caso fosse casado?

Não, eu não me sentiria livre tendo que retribuir gentilezas e obedecer a certas convenções.

Não me sentiria livre tendo de pagar carícias com carícias, abraços com abraços, beijos com beijos em determinado momento.

Com que angústia costumo largar um livro ou abandonar uma leitura.

É sacrifício que me encoleriza e esforço que me entristece...

Sou dos que dormem com um livro a mão...

E a questão do sexo?

Pois há a questão do sexo...

Vivemos num mundo pós freudiano em que o sexo existe!

O prazer existe e a ele temos direito.

Há no entanto diversos modos e maneiras de satisfazer a líbido..

Digo para além do casamento, é claro.

Alistarei alguma destas maneiras:

  • O sexo gratuito e sem compromisso, hoje bastante em voga. Duas pessoas em busca do prazer..
  • O sexo sem compromisso, mas pago...
  • O sexo solitário também conhecido por masturbação, quiromania ou onanismo.

Quanto a busca do prazer pelo prazer por parte de duas pessoas adultas é algo que cada um pode julgar por si só.

Considero válida a tese segundo a qual o amor e o sexo devam ser separados.

Trata-se no entanto de uma meta ou objetivo muito difícil. 

Pelo simples fato de que a personalidade humana não é composta de setores estanques ou completamente separados uns dos outros.

Na cultura em que vivemos sexo e afetividade costumam estar associados.

Mesmo as pessoas que dizem buscar sexo por sexo ou prazer por prazer em sua maior parte, ainda que inconscientemente buscam algo mais; buscam afeto, conforto, segurança e, consequentemente algum vínculo.

Então, mesmo quando você não aspira por qualquer vínculo, a outra parte...

Quero dizer que à aventura sexual e ao prazer podem suceder revezes desagradáveis, surpresas, dissabores; enfim problemas que não compensem ao prazer adquirido...

É sempre arriscado e complicado envolver-se com seres humanos e sempre difícil, ao menos para mim, menosprezar um ser humano.

Não quero que minha busca pelo prazer cause dano ou prejuízo a outra parte.

Por outro lado o flerte implica certo preparo, certa habilidade e certamente uma procura ou seleção mesmo nos tempos atuais. O que implica certo gasto de tempo.

Em sendo raro este gasto ou episódico não vejo maiores problemas.

Agora paquerar ou sair a caça todos os dias seria tão contraproducente quanto casar.

E lá ia a Filosofia pelo ralo abaixo. E com ela meu caro Bacon ou meu querido Benda...

Seria trocar doze por meia dúzia ou comprar gato por lebre...


Quanto a segunda opção, a do sexo pago ou da prostituição, tem também seus inconvenientes.

Antes de tudo porque sendo atividade remunerada implica gastos e gastos consideráveis se se almeja a companhia de uma dama ou prostituta de luxo, aos quais devemos adicionar os gastos do motel...

E tornamos mais uma vez ao raro ou episódico...

Aqui no entanto, mais do que na questão do sexo não pago, emergem questões pertinentes a condição humana.

A respeito da liberdade daquela mulher por exemplo ou das relações econômicas de produção.

Será ela prostituta por que quer?

Duvido e faço pouco pois nem todos os milionários são jovens e belos, mas pelo contrário...

Independentemente de sua condição são os homens mais feios ou avançados em idade que costumam procurar habitualmente tais mulheres...

Isto vale tanto para a prostituta de luxo quanto para a prostituta da beira do cais.

Vez por outra terá de atender a um cliente indesejável.

E não posso crer que o faça de boa vontade.

Não, eu não creio que a prostituição seja uma profissão agradável ou maravilhosa.

Não sou idiota o suficiente para crer que tais mulheres ganhem dinheiro gozando.

Pois nem sempre o pagante é belo, jovem, gostoso ou ao menos limpo e educado.

Por mais que se cobre em termos de dinheiro não deve deixar de ser uma espécie de suplício abrir as pernas para certos homens sujos e mal educados.

Gozar de alguma maneira envolve a pessoa como um todo, inclusive a inteligência...

Neste sentido a prostituta tá na roça...

No frigir dos ovos é estuprada diversas vezes por dia.

Neste caso por ser belo, limpo e educado estaria eu prestando um serviço a pobre mulher?

De modo algum se considerar que serei precedido e substituído por homens sujos, mal educados, etc

Um momento de lucro e de prazer não ira compensar pelos outros tantos momentos de sofrimento e humilhação.

Há para além disto a questão do gigolô, que recebe parte do dinheiro auferido por aquelas mulheres.

Eis porque o sexo pago também se me apresenta como uma solução problemática ou precária.


Resta-me tecer a apologia da masturbação.

Já Diógenes o grande após ter se masturbado publicamente teria exclamado: Ah se com o afagar o estomago pudesse eu saciar a fome da mesma maneira.

Pelo visto não serei o primeiro a engrandece-la.

Do ponto de vista do puro prazer quantos homens e mulheres não precisam valer-se das próprias mãos para chegar ao orgasmo durante ou após a transa???

E já se disse no passado que o masturbar tornava as pessoas insensíveis ao 'verdadeiro' sexo...

Direi que elimina duma só vez os problemas do controle de natalidade e do aborto.

Masturbar é ato estéril i é não fecunda, não engravida...

Pelo que pode ser realizado com absoluta segurança.

Tampouco envolve o risco de contrair qualquer tipo de moléstia venérea.

É ato plenamente compatível com a liberdade tendo em vista sua relativa rapidez.

Não envolve qualquer risco em torno de vínculos afetivos indesejáveis ou relações humanas.

É algo que se faz a sós (depende é claro) e a portas fechadas.

Tampouco envolve maiores gastos.

Nem por masturbar-nos nos fazemos solidários com qualquer tipo de exploração econômica.

É algo eminentemente prático que pode ser realizado em quaisquer circunstâncias, especialmente em paragens solitárias na penumbra da noite...

Não te obriga a oprimir outra pessoa.

Não te constrange a buscar outra pessoa, expondo-se e expondo-a.

E sobretudo não impõem ao homem ou a mulher o encargo de constituir uma família e, consequentemente de tornar-se um escravo do Mercado de trabalho.

Neste sentido podemos encarar a masturbação como uma prática libertadora.

Por emancipar-te da necessidade de assumir compromissos indesejáveis e por permitir que permanecendo só gastes menos, trabalhes menos, e leias, e penses, e reflitas, e filosofes mais...

Talvez masturbar-se seja a melhor solução, a mais simples, a mais facil e a mais natural para o problema da sexualidade humana.

Aqui, em oposição aos mãos de matam ou mesmo as que trazem outra 'peça humana' para ser inserida no mercado de reserva, as mãos são capazes de realizar ato mais nobre e elevado. 

Afinal de contas a masturbação é dos melhores remédios indicados para a insônia, verdadeira terapia.

Ela te trará algum sono e o sono te fará bem.

Cônjuge, emprego, responsabilidades convencionais, etc são fatores capazes de privar-te do sono.

A masturbação te fará dormir como um bebê.

E ainda quando este fosse o único bem concedido por ela, já a faria digna dos maiores encômios.











Nenhum comentário: