domingo, 2 de junho de 2013

Que dizer da prostituição?




A prostituição nasceu como algo sagrado e religioso, sim, sagrado e religioso, era praticada nos templos dedicados às deusas da fertilidade, porque a fertilidade feminina era associada ao cultivo da terra, isto é, da agricultura. Enfim a prostituição era um ofício religioso, um sacerdócio. Infelizmente com o advento do judaísmo e depois com a chegada do cristianismo que adotou posturas judaizantes e maniqueístas sexo se tornou tabu, principalmente estes temas: onanismo, prostituição e homossexualismo.

Li ainda há pouco o artigo do Tejo, que tem por título: O tabu da prostituição, excelente texto e muito esclarecedor, acerca dos problemas que envolvem a prostituição desde preconceitos até a exploração econômica das profissionais do sexo.


O tema da prostituição é um tema deveras complexo que não se resolve com frases feitas ou com uma análise superficial. Há prostitutas que o são por falta de oportunidades e foram forçadas a isso e há outras que o são por opção, porque gostam do que fazem que é o caso da Lola Benvenutti.

A discussão da prostituição no Brasil está na ordem do dia por causa da PL 4211/12, projeto de lei de autoria do deputado Jean Wyllys do PSOL. É evidente que esse projeto de lei vai gerar muita discussão, o que é bom para a sociedade. A prostituição deve ser regulamentada?

Quem são os homens que procuram as prostitutas ou melhor qual o perfil dos homens que procuram o sexo pago?
Não existe um perfil propriamente dito, isso depende de vários fatores, pois como disse acima a prostituição é um tema deveras complexo. A revista Mente & Cérebro de maio nº 244 escreve na página 53: 'Desde que desmanchou o namoro, há quase duas décadas, o cartunista canadense Chester Brown, de 53 anos, faz sexo somente com prostitutas. Para ele, negociar o próprio corpo é tão digno quanto trocar tempo e recursos intelectuais por salário. (os negritos são meus) Ele contrata as mulheres através de sites da internet, onde avalia fotos, lê comentários deixados por outros clientes e combina com antecedência o preço e os limites do programa. "Tenho dois desejos contraditórios: o de transar e o de não ter um relacionamento", reflete em Pagando por sexo (WMF Martins Fontes, 2012), um franco relato em quadrinhos de suas experiências com prostitutas. Cartunista reconhecido, amável ,e considerado pelos amigos um "bom marido em potencial", Brown chocou muita gente quando tornou pública sua opção'.
As opiniões de Chester Brown são interessantes, a primeira porque vê a prostituição como qualquer outro trabalho, ou melhor, porque compara uma atividade intelectual que se vende por um salário como coisas similares. Já a última opinião revela uma ambivalência, ele quer simultaneamente transar mas não quer ter um relacionamento, mas pergunto porque o sexo tem que estar necessariamente ligado ao relacionamento?  Daí H.L. Mencken ter escrito com razão: "Casamento é uma instituição maravilhosa, mas quem gosta de viver numa instituição?" Com isto não estou dizendo que os que procuram prostitutas não querem relacionamentos, percebe leitor(a) amigo(a) como é espinhoso e difícil dissertar sobre este assunto?

A revista Mente e Cérebro anteriormente citada escreve: 'Um trabalho cooordenado em 2011pela psicóloga Melissa Farle, diretora da organização não governamental (ONG) Prostitution Research Education, entrevistou 200 homens para traçar o perfil de "homens que aceitam pagar por sexo", comparando crenças e opiniões de "compradores" às de "não compradores". Uma das conclusões foi que os primeiros são oito vezes mais propensos a estuprar uma mulher se tivessem certeza de que não podem ser descobertos e também a cometer crimes em geral, como roubo e vandalismo. É interessante, porém, atentar para os critérios usados para diferenciar os dois grupos. Ao recrutar voluntários, a psicóloga deparou com a dificuldade em encontrar homens não compradores, pois a maioria pagava por sexo, mesmo que indiretamente - por exemplo, adquirindo material pornográfico ou visitando clube de strip-tease com amigos.  Tanto que Melissa afrouxou os requisitos: foram considerados não compradores os voluntários que não usaram sites ou revistas com material pornográfico no mês anterior à pesquisa ou que não foram a bares com shows de strip-tease mais de duas vezes pelo menos um ano antes. Além disso, a pesquisa foi feita nos Estados Unidos, onde a prostituição é ilegal na maioria dos estados. Logo, o mais provável é que o grupo dos "compradores de sexo" da pesquisa seja mais propenso a desobedecer as leis de forma geral". Se esta pesquisa fosse usada em todos os Estados Unidos seria uma falácia porque há estados onde a prostituição é permitida e isso gera outros comportamentos, mas se essa pesquisa fosse utilizada como padrão internacional cairíamos na falácia da estatística tendenciosa.

A mesma revista diz que "É difícil traçar um perfil de quem paga por sexo sem considerar o contexto social", ou seja, não é tão simples quanto parece, mas a revista continua: "Estudos realizados em países onde a prostituição é legal, aliás, sugerem que o "perfil" médio desses homens se aproxima mais ao de Chester Brown, citado no início do texto, que ao do homem propenso à violência e ao crime". Ante esses dados não podemos deixar de concordar com Marx que são as condições de vida que produzem a consciência e não o contrário, então parece provável que se a prostituição fosse legalizada o perfil dos usuários violentos e com tendência a estuprar diminuiria muito e quem ganharia com isso seriam as prostitutas que seriam amparadas por lei.

De acordo com Dieter Kleiber, psicólogo e professor da universidade livre de Berlim, ele descobriu por outro lado que o tipo de cliente mais frequente é o romântico que acredita nas relações de amor tradicional e também na intimidade, e descobriu ainda mais, que esses homens se envolvem afetivamente com as prostitutas e há deles que afirmam: "Eu não teria problemas em imaginar a prostituta com quem saio como minha mulher". (Mente e Cérebro página 55 nº 244)

Como bem se vê o problema da prostituição é econômico mas não só econômico, engloba outros setores da vida social, e, como a prostituição não é só da ordem econômica, mesmo numa sociedade onde as mulheres tenham seus lugares, que não sejam exploradas, mesmo numa sociedade justa e fraterna ainda assim haverá quem venda e quem compre sexo, simplesmente porque tanto o que compra como o que vendem gostam do produto.


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