quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu não vou me mover

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Nem pátria nem patrão




Nem pátria nem patrão este é o lema dos anarquistas e o que significa? Significa que para anarquistas a palavra  pátria é uma abstração desprovida de sentido. O que é a pátria? A terra onde nasceste, o teu povo? Se é a terra onde nasceste não diz lá muita coisa, pois se nasceste ali foi por mero acidente. E o teu povo? É o povo que fala tua língua? Que assiste aos jogos da seleção brasileira?

A escola e a sociedade através dos militares querem inculcar nos jovens o valor da pátria. Mas vejamos o que é a pátria. Pátria é uma coisa abstrata sem fundamentos no mundo real. Como posso amar uma pátria na qual crianças morrem de fome, idosos morrem nos corredores dos hospitais. Onde o povo continua sofrendo e comendo as migalhas da burguesia.

A pátria é um conceito criado com a finalidade de ludibriar os inocentes e fazer com que um homem do povo se solidarize com um rico, que um trabalhador se solidarize com seu patrão e assim por diante.

Pátria evoca a ideia de nacionalismo, ufanismo. E essas ideias podem ser úteis as classes dominantes da sociedade para culpar os estrangeiros pelas crises econômicas, e pelas necessidades do povo.O nacionalismo pode gerar o ódio e o ódio pode servir de arma para a classe dominante fazer com que o povo deseje a guerra contra um suposto inimigo. O nacionalismo cega as pessoas de forma tal que elas não conseguem ver em outros povos senão inimigos: alemães, italianos, franceses, iraquianos, etc... Os povos de outros países são tão sofredores quanto meu povo, mas os povos todos estão alienados. O operário não consegue ver o operário do outro país, o camponês não se identifica com o camponês de país tal e assim por diante. Mas esses homens de línguas diferentes, de tradições e culturas diferentes tem muito mais em comum entre si  do que um trabalhador e seu patrão brasileiros, por exemplo. Mas o conceito de pátria foi inventado para que o pobre norte-americano não enxergasse no pobre iraquiano o seu semelhante, mas o seu inimigo, quando na verdade o inimigo de quaisquer soldados são seus patrões, seus generais, seus governos que os mandam defender uma coisa que eles nem sabem ao certo o que é.

Por que defender a pátria? A pátria que não dá ao pobre a mesma oportunidade que dá ao rico? A pátria que dá péssimas escolas para o proletariado, enquanto a burguesia tem escolas de ponta? A pátria que não permite que sem-terras não possam sequer utilizar terras improdutivas? A pátria que manda a polícia bater em professores que fazem greves? Que pátria é essa?

Se os homens do povo percebessem que pátria é uma abstração, certamente que não fariam guerras, pelo menos não contra seus iguais. mas contra a burguesia que os explora 24 por dia sem cessar.

Patrão é o sujeito que se acha amo e que pode fazer o que bem tende se acha acima do bem e do mal. Patrões gostam de humilhar seus empregados. Mas não é preciso ser patrão para explorar seus subordinados, ser gerente ou coisa que o valha, ser um funcionário público que tenha cargo de chefia é quanto basta para que uma pessoa se mostre arrogante com seus subordinados. E se mostram assim porque  são desiguais, porque são superiores, não por mérito ou pela natureza, mas pela cobiça. Ora, não pode haver igualdade onde há patrões e empregados, chefes e subordinados. Onde há quem mande e quem obedeça, necessariamente há autoridade e supressão da liberdade. E é por isso que nós anarquistas temos por lema "nem pátria nem patrão".

domingo, 23 de outubro de 2011

Em torno do ateísmo, ainda...







Simpatizo demasiadamente com os agnósticos e deístas, especialmente com estes últimos.

O deísmo ou teísmo naturalista (antes se dizia religião natural) é tão ameno, tão suave, tão diáfano... 

Que a religiosidade esclarecida e emancipada mal pode conflitar com ele.

Fosse o ateísmo assim tão ameno...

Mas não é.

Ao contrário da religiosidade esclarecida ou do deísmo o ateísmo parece reproduzir aquele mesmo fanatismo grosseiro e despudorado com que nos deparamos no abuso religioso ou na superstição fundamentalista.

Francamente, esta mania de converter as pessoas a qualquer custo incomoda-me. Esse apostolado febril e delirante.

Essa eterna obsessão por Deus... que faz lembrar a obsessão dos fundamentalistas por questões e assuntos religiosos, parece-me mais uma doença dos nervos.

Minha experiência pessoal, fundamentada no convívio de minha pessoa com pentecostais e ateus, tem sido bastante enriquecedora (do ponto de vista psicológico).

O pentecostal mal entra em contato conosco vai logo perguntando, quase que a queima roupa: -- Qual é a sua religião??? Ou crê em Jesus??? Já o ateu, vai logo disparando: O amigo acredita na existência de Deus?

É como se não soubessem outro assunto.

Detesto esta abordagem improvisada a respeito de questões tão complexas como Deus ou a religiosidade humana.

A superficialidade característica dos pentecostais e ateus, espanta-me... recorrem quase sempre os mesmos e batidos argumentos, coisa muito primitiva e sem originalidade.

Digo isto porque toda temática dos pentecostais gira em torno dos fantasiosos milagres realizados por seus profetas enquanto que o discursos dos ateus gira, habitualmente, em torno dos crimes cometidos pela religião ou por líderes religiosos.

Como se o Estado/autoridade, a organização Econômica, a própria ciência e outros fenômenos, grupos ou elementos sociais não tivessem cometido os mesmíssimos crimes.

Mais uma vez os anarquistas apenas parecem-me coerentes e honestos com  seu iconoclasmo furioso, uma vez que sustentam a necessidade de implodir a autoridade, o sistema econômico e até mesmo o modelo científico vigente.

Hitler cometeu seus crimes em nome da autoridade política como os reis haviam oprimido e seviciado em nome das 'razões de Estado'... O liberalismo - a pupila dos olhos dos ateíssimos Bentham, Stirner, Mill, Spencer, Haiek e Friedmann - econômico deu cabo de mais gente do que qualquer outro fenômeno social ou histórico em nome das necessidades do mercado. Stalin e pot deram cabo de outros tantos infelizes por considerações de ordem política ou econômica... Os africanos matam-se uns aos outros em nome de suas etnias e culturas... Hiroshima e Nagazaki foram resultados da dócil cooperação manifestada pelos cientistas ocidentais... 

É nem sempre a política, a economia, a cultura ou a ciência tem produzido bons frutos.

Penso que os ateus deveriam ampliar os horizontes de sua crítica. Porque parece-me muito estreita...

Caso optemos por dar cabo de tudo quanto tem sofrido abuso a nível institucional, muito pouca coisa sobraria... adeus fóruns onde por vezes a justiça é vendida ou melhor leiloada... adeus hospitais onde as vezes há tráfico de órgãos e de caixões... adeus escola que produz pessoas reprimidas e complexadas. Pelo jeito não seriam apenas os templos e igrejas que deveriam ser postos abaixo...

Políticos, economistas, filósofos, juízes e mesmo professores tem cometido quase tantos crimes quanto os líderes religiosos, embora os pastores pentecostais e padres carismáticos estejam mesmo dispostos a virar o jogo e a vencer o torneio da maldade e campeonato da patifaria. Mas vão precisar se esforçar muito ainda porque Bentham, Stirner, Nietszche, Hitler, Stalin, Pot, et caterva não eram padres... emboram tenham deixado o Calvino e o Torquemada no chinelo...

Citar os nomes dos ateus ou dos pseudo ateus (o que é bem mais comum uma vez que nem Da Vinci, nem Galileu, nem Diderot, nem Voltaire, nem Darwin foram adeptos da crença ateística) não resolve a questão... os teófobos poderiam revindicar um Marx, um Freud, um Foulcault.... (não creio que revindicassem o Stirner, o Nietszsche, o Mill, o Spencer, o Haiek e o Friedmann, mas não levo semelhante refugo em consideração, exceto como excelente contraprova) ... os agnósticos revindicariam Hawking... os teístas/deístas Eistein... os religiosos Fermi, Fleming, Ampere, Newton, Galileu... Copérnico, Mendel e Lemaitre por sinal eram padres...

Isto nos levaria as "Anallecta" de Poggendorf com os 20% de sacerdotes (papistas, ortodoxos e anglicanos)  elencados entre os cientistas... sem falarmos nos religiosos leigos, nos protestantes, nos adeptos doutras crenças, nos deístas, nos agnósticos, até chegarmos nos 5% de ateus... o que não fica lá muito distante da porcentagem de ateus concernente ao vulgo, digo, a massa ignara. Pois não é preciso ser um gênio como Marx ou Freud para ser ateu... é o ateísmo perfeitamente compatível com a boçalidade mais crassa. A religião também o é e numa proporção ainda maior, do contrário não existiria fetichismo, pentecostalismo, fundamentalismo e outras baboseiras semelhantes.

Se há um fenômeno que aumenta dia após dia face a religiosidade estabelecida ou formal é sincretismo, bem como o deísmo e o agnosticismo numa escala menor. O ateísmo não parece aumentar na mesma proporção...

Exceto quando é confundido com as expressões acima citadas, as quais no entanto são epistemologicamente bem distintas dele.

Os ateus em sua maior parte parecem amar toda essa confusão primária de escolares, entre agnosticismo, deísmo, ceticismo, relativismo e ateísmo... as massas incultas efetivamente misturam tudo e tudo classificam sob a alcunha de ateísmo (eu mesmo sou frequentemente acusado de ateísmo por meus alunos)...

Que pessoas instruídas procedam da mesma maneira tirando proveito da 'propaganda' parece-me inadequado para não dizer desonesto.

Quando ouço um ateu apresentar-se como "Ateu e cético" ou "ateu e agnóstico" mal posso conter o sorriso de desprezo ou melhor de escárnio, afinal, como pode ter certeza de algo se não há certeza ou saber o que não é possível saber por estar para além de toda experiência sensível???

Então somos ateus porque traímos o querido Hume e porque apunhalamos pelas costas o Kantinho amado... somos ateus porque executamos uma metafísica ateística. Metafísica sim pois se os teístas tentam demonstrar que o indemonstrável existe os ateus julgam poder demonstrar que o indemonstrável não existe... mas se é indemonstrável não pode ser afirmado ou negado...

Escapar pela porta dos fundos do materialismo é fazer segunda petição a odiada metafísica dando por certo o que não pode ser dado, a saber que nossos sentidos são capazes de captar toda realidade existente. Quem garante? Kant... Comte... Marx... Heiddeger??? Como podem estar certos de algo que não puderam verificar??? Entre fé e fé, prefiro a que se assume como tal...

Patético o discurso de Camus com seu dever de viver o absurdo... Mas que dever??? Quem é que pode impor qualquer dever ao indivíduo??? Todo esse discursinho em torno do dever é herança legada pela religiosidade ou por qualquer filosofia teísta...

Bela a tentativa do Dr Dawkins, que busca convencer o homem de que há algo de especial nele embora o universo não possua qualquer sentido e dando conselhos a respeito da necessidade de ser bom... Mas bom para que Dr Dawkins??? Porque o sr assim o quer??? Para a Inglaterra?? Para o partido?

O homem sempre poderá optar por estar consigo contra o mundo e contra todos.

Uma vez que lei alguma obriga-o a ser solidário... uma vez que elemento algum é capaz de liga-lo aos demais seres que foram este universo.

Querem saber mesmo?

Prefiro Ravachol com suas bombas em nome de sua individualidade reprimida... palmas para Emily Henri... para Meguele, outro ateu bastante famoso.

Prefiro o hinduísmo com seus milhões de deuses fabulosos, porque apesar de tudo não perdeu por completo a noção do Uno.

Fundamentalismo e ateísmo parecem-me ligados pela ponte do fanatismo.





sábado, 22 de outubro de 2011

Reflexões em torno da ética, do ateísmo e do humanismo







Ao amigo Ravik

Hoje tentaremos, na medida de nossas possibilidades, solucionar algumas questões em torno do ateísmo, da ética e do humanismo, propostas pelo amigo Ravik em seu por que.

Afinal, como reza o ditado: 'Perguntas exigem respostas."

Iniciemos esta breve reflexão definindo o que consideramos como 'princípios saudáveis' em oposição aos princípios que, consideramos como inadequados.

Por princípios saudáveis tomamos aqueles que são expressos pelos seguintes conceitos: consciência social, bem comum, solidariedade orgânica, alteridade, empatia, abnegação, heroísmo, benemerência, etc

Grosso modo podemos simplificar a questão adotando o seguinte esquema: Socialismo X individualismo.

Creio que fica bem assim.

Historicamente podemos relacionar as ideologias individualistas com o flagelo da guerra.

Apreciam os ateus relacionar a religiosidade ou a fé com a guerra. Mas a crítica seja positivista ou marxista, aprofundando a temática constatou já que por trás do fator religioso esta quase sempre o fator educacional e por trás dele, enquanto causa primordial, o fator econômico...

Então temos a consagrada equação: MISÉRIA > IGNORÂNCIA > FANATISMO > GUERRAS...

Tal a situação do mundo islâmico em que o fanatismo religioso não passa, em última analise, duma resposta inconsciente das massas alienadas a exploração econômica imposta pelo imperialismo e a situação de miséria causada por ela.

A religião portanto é apenas uma peça do maquinário.

Pensaram já os ateus em dar cabo da economia ou ao menos do liberalismo econômico? Aqui só os marxistas podem dar suas caras a tapa...

Porque o Haiek e o Friedmann eram ateus... e como veremos não podiam deixar de se-lo.

Quanto aos marxistas paladinos do ateísmo deploro sua ignorância crassa e recomendo a leitura da alentada obra "Socialismo utopia Cristã", obra suficientemente esclarecedora no que diz respeito as verdadeiras raízes éticas e valorativas do pensamento socialista.

Mas vamos ao que importa.

Karl Sagan, na série Cosmos, referente a grande biblioteca de Alexandria, refere que a noção de 'Cosmos' - que por sinal nem ele nem Hawking descartaram - implica na admissão duma conexão entre os fenômenos e seres que compõe este nosso mundo material ou fenomenal. Do contrário, inexistindo a conexão, estaríamos diante do Caos, ou seja dum turbilhão de seres em conflito uns com os outros...

Esta temática do Caos não é indiferente ao tema do ateísmo, mas intimamente relacionada.

Implica o Cosmos na existência de uma lei natural que coordene as forças existentes no sistema. Do contrário a força cega se dispersaria engendrando a convulsão dos elementos.

Para conceituar lei servimo-nos da clássica definição de Montesquieau, adotada pelos positivistas e pelos cientistas em geral até o momento presente: "Relação constante que parte da natureza mesma das coisas."

Durante mais de século os positivistas, que adotando a opinião do sr Kant a guiza de dogma, afetavam agnosticismo, sustentaram ser o Cosmo caracterizado por tais leis de causa e efeito, sem no entanto refletir sobre o assunto ou aprofunda-lo...

A autoridade do Hume, do Kant e de outros pontífices, impedia-os de Metafisicar. Hume havia opinado que o conhecimento metafisico era ilusório, Kant decretou que era impossível... e os acadêmicos repetiram e ainda repetem tais sentenças...

Como fica belo o 'magister dixit' nos lábios dos ateus...

Que apesar de tudo metafisicam...

Pois do contrário seriam apenas agnóstas como o Hume e o Kant...

É a velha salada: Ateismo + ceticismo + relativismo... aborto da lógica e híbrido monstruoso pelo qual se sabe que não se sabe que se sabe...

Schoepenhauer foi muito mais honesto e realista quando afirmou que o homem é um ser metafisico.

Já o velho Comenius fizera notar que o homem é um ser curioso que deseja conhecer, saber, deslindar...

De minha parte recuso-me a aceitar os dogmas do Hume e do Kant... cuja aceitação conduzir-me-ia as fileiras do Dr Huxley e não as do sr La Mettrie...

Porque deveria malquistar com Aristóteles pintando-o como rude falastrão se foi ele que lanço as bases do modelo experimental que caracteriza o conhecimento científico? Poderia ter sido o ateu Teodoro de Cirene... mas foi o teísta Aristóteles, que pretendeu demonstrar racionalmente a existência do Ser Supremo, sem apelar as frioleiras propaladas pela maior parte das religiões...

O mesmo Aristóteles que antes de qualquer outro distinguiu a baleia dos peixes e o morcego das aves, apresentando-os como mamíferos...

Naturalmente que há cientistas ateus como o Dr Dawkins, S Freud e alguns outros não tão afamados, mas também há cientistas religiosos como Copérnico, Galileu, Newton, Fermi, etc e teistas como Einstein e Hawking... houve até dois grandes padres cientistas: Mendel (pai da genética) e Lemaitre (o primeiro a postular o Big Bang).

Por ai se vê que a equação ateísmo = inteligência não passa de sofisma torpe e sujo... como as memoráveis listas de ateus compostas em sua maior parte por agnósticos, deístas e até religiosos!!!

Perdoe-nos a digressão... tornemos ao conceito de lei natural propagado pelos positivistas e a metafisica condenada pelos nórdicos.

Acontece que a maior parte dos positivistas não resistiu a tentação e deu lá sua metafisicadazinha... resultado: um número cada vez maior deles acabou chegando a um pensamento deísta ou mesmo aproximando-se de algum sistema religioso, notadamente do espiritismo que nada possui de tosco e que é o mais avançado deles. Nem preciso mencionar Croockes, Lodge, Richet, todos prêmios 'nobéis'... mais recentemente Anthony Flew enveredou-se pelo mesmo caminho, merecendo as mais duras críticas por parte dos defensores da fé ateística...

"A idéia de Deus renasce em tais cérebros." denunciava já Simone de Beauvoir

A questão é tão simples, como assinalou K Jaspers, que mesmo uma criancinha pode resolve-la concluindo que não pode haver uma lei por assim dizer sem um legislador.

A primeira vista pode parecer um desatino mas não é...

Parece ser porque o cientista materialista e/ou ateu por simples desconhecimento em matéria de epistemologia, filosofia, etc ignora a complexidade envolvida no termo LEI.

A qual implica teoricamente numa relação que produz efeitos em cadeia aumentando o gráu de complexidade, este parece ter sido o caminho seguido pela evolução dos seres vivos e a manifestação da vida psíquica, caminho que sugeriu - a um bom número de pensadores - uma intencionalidade ou propósito cuja peremptória negação parece ser imprudente. Seriam os elementos implicados na relação chamada lei suficientemente conscientes e esclarecidos a ponto de estabelecerem os resultados?

Opino que o resultado tenha sido disposto por um agente externo a eles...

O mais interessante no entanto é a constância dos resultados produzidos pela relação... Hume disse que a referida constância era uma 'ilusão' mas não demonstrou que fosse assim.

O que nossos sentidos verificam é que duas partículas de Hidrogênio associadas a uma de água produzem sempre aquilo que chamamos de água e não cloreto de sódio... é justamente esta constância que empresta ao conhecimento científico sua nota de previsibilidade.

Todos os epistemólogos do universo sabem muito bem que a crítica do idolatrado Hume a metafísica, atinge igualmente, e de cheio, a própria ciência e todo conhecimento humano, lançando novos fundamentos ao pirronismo. Daí a necessidade de um Kant com seu quimérico 'eu transcendental'... as desilusões dos positivistas, as aventuras de Popper...

Porque após a apreensão da realidade pelos sentidos entram em ação os princípios e esquemas de lógica pura com o intuito de formular as leis naturais... atingida a razão, infirmada a ciência.

Fica de pé a ciência porque a relação expressa pela lei formulada é de fato constante...

Acontece que nosso positivista não pode atinar com o fator ou melhor com a força que controlando as forças aparentemente dispersas garante o resultado implicado na relação com uma constância a toda prova.

Porque podemos ter certeza que a união de tal e tal partícula produzirá tal substância e não outra?

Que poder ou força garante por exemplo a vigência da lei da gravidade ou da lei da conservação da matéria... porque duma hora para outra a relação não produz qualquer outro efeito desarticulando a natureza???

Positivista algum jamais poder responder a tais indagações frequentemente propostas pelos jovens em nossas salas de aula!!! No entanto perguntas querem respostas...

O Cosmos não nos dá as respostas que desejamos ou que nos agradam... reformamos nosso discurso e recorremos ao Caos ou a 'teoria' do 'caos', que entre os verdadeiros titãs da ciência - como Hawking - só tem produzido risos...

Querem os patetas promotores do ateísmo estender a quântica ao macrocosmo... rejeitando o testemunho dos nossos sentidos e a vigência duma lei natural caracterizada pela constância. Santo reducionismo...

Mas eles não temem que a Coca cola que sorvem converta-se em fenol duma hora para outra, como o cético não hesita em crer que rótulo da aspirina está correto...

São as belas teorias que não são postas em prática, experimentadas, constatadas, verificadas...

Onde está Deus gritam eles?

Onde está vosso turbilhão caótico que ainda não dissolveu vossas senhorias? Rebatemos nós...

No fim das contas a questão - de Deus - não toca diretamente a ciência ou a natureza, ao menos de forma tão profunda...

O mesmo não se pode dizer no entanto a respeito do campo da ética.

"Embora não possamos recorrer a Deus como fator explicativo, talvez devessemos aproximar-nos dele ao menos no plano da ética." reconheceu o cético Jacques Monod 'Acaso e necessidade' 192 (de memória)

Permitem os homens que haja uma lei natural nos domínios da matéria ou dos fenômenos, apenas porque a dita lei não conflita com suas vontades, desejos e aspirações.

E no entanto segundo Sócrates esta lei moral é mais importante que a lei natural... todos já tiveram ocasião de ouvir o rifão humanista "Ciência sem consciência para nada serve".

Rifão que eu acredito ter sido demonstrado em 1945 por ocasião do genocídio perpetrado em Hiroshima e Nagazaki.

Se podemos afirmar que o 'Inocente jamais pode pagar pelo culpado' é certo que não estamos fundamentados na experiência ou mesmo em 'razões de estado ' mas em princípios de outra ordem que são basilares.

Então já posso responder a indagação: Que princípios inadequados decorrem da crença ateística no plano da ética ou seja do ateísmo raciocinado?

Porque as pessoas raciocinam sobre os postulados que aderem, como Calvino aderindo aos postulados sobre os quais Lutero jamais raciocinara e até proibira de raciocinar, construiu o edifício tenebroso do calvinismo sob os fundamentos da predestinação.

Certos postulados, teorias, crenças, idéias e princípios podem até parecer inofensivos até o instante em que alguém decide 'tirar as conclusões' seguindo um padrão de coerência até o fim... E nós devemos fazer isto demonstrando que nossos princípios são de fato saudáveis quando aplicados.

Sem a existência de uma Mente Suprema não existe qualquer tipo de conexão entre as entidades que compõem o universo ético ou material.

Quero dizer que se não existe uma Divindade cuja vontade funciona como padrão externo, objetivo, universal e absoluto de bem e mal, as entidades humanas estão já fragmentadas em indivíduos que são por assim dizer 'todo poderosos'.

Conclusão: O individuo é padrão interno e subjetivo de ética pata si mesmo construindo seus valores independentemente dos demais.

Aqui atalha o ateu com a democracia ou a sociedade...

A objeção é pueril porque a coerção social é meramente externa. Em situações de anomia em que não haja controle policial o individuo agira como padrão de si mesmo ou como bem entender.

Pois nada pode obriga-lo a aceitar as decisões do grupo, caso ele considere a si mesmo e a sua vontade como uma instância superior.

Quem a de pensar deste modo, perguntam os ateus???

Os principais teóricos do liberalismo econômico como Haiek que era ateu.

Os principais teóricos do anarquismo individualista como Max Stirner, que era igualmente ateu...

Os principais teóricos do anarco capitalismo como Friedmann que também era ateusíssimo...

E o grande pontífice do voluntarismo Nietszche que por acaso era ateu...

Concedamos no entanto a autoridade suprema e absoluta ao partido ou ao Estado enquanto definidores do bem e do mal e padrões válidos de ética, que teremos:

NAZISMO E COMUNISMO ou melhor Hitlerismo e Stalinismo...

E o pior é que os Estados e partidos cometem erros até a atrocidade e a infâmia...

Agora suponhamos que o Estado ou o grupo social tenha adotado um padrão correto.

Neste caso qualquer anarquista, poderia adotar a senha de Ravachol, rejeitando sem exame tudo quanto é proposto pela coletividade e lançando bombas nas outras pessoas...

Majault não errou quando disse: "Eliminado Deus, o homem se instala em seu lugar e se arroga, sobre seus semelhantes, direito de vida e morte."

Novidade aqui???

Nenhuma.

Teodoro de Cirene, patriarca dos ateus, já havia deduzido as funestas consequências duma ética ateística.

Se não há deuses cada qual é padrão absoluto de bem e mal para si.

Todo homem que não é influenciado pelo discurso religioso toma em consideração, antes de tudo, seus interesses ou as vantagens que pode auferir de determinada ação.

Hegesias de Cirene no entanto, constatou que a medida dos sofrimentos e dores é quase sempre superior a medida de prazeres a que cada homem tem acesso, e concluiu pela necessidade do suicídio e pela extinção da espécie humana, uma vez que nossa existência não tem propósito ou sentido.

"Posta para o nada, esta minha consciência é um verme." confidenciara já Roger Martin Du gard

Outra não foi a opinião de Camus expressa no "Mito de Sísifo": estamos envolvidos pelo absurdo... Camus o entanto julga-se no direito de impor a seus leitores o dever de enfrentar o absurdo e viver.. cheirinho de ética teísta ou credal vagando no oceano do absurdo...

"O universo ateístico ignora que seja sentido." assevera Raymond Aron

O já referido La Mettrie reeditou as idéias de Teodoro de Cirene e aplicando o ateísmo a suas ações veio a morrer de indigestão, proporcionando gostosas risadinhas ao deísta Voltaire. Outro não foi o parecer de Cloothes e de Holbach, suja ética era igualmente individualista e ulltra hedonista.

O figurão do partido no entanto foi o Marquês de Sade, outro ateu que converteu, como ele mesmo declara em diversos passos de suas obras, os genitais e o orgasmo em objeto de religiosa adoração.

Jeremy Bentham que também era ateu, tentou polir as arestas identificando os interesses do indivíduo com os do grupo social, o que atinge os limites do ridículo... Sidwik não foi mais feliz...

Tanto Bentham, quanto Mill e Spencer, são ícones do liberalismo econômico, do hedonismo e do darwinismo social, ou seja do egoismo com tinturas filosóficas ou econômicas. Eis a bela ética dos ateus, não é sr Onfray???

Pois quem, mais do que o sr Onfray tece loas ao gênio imortal de Nietszche, desce a madeira em Sócrates e cia e advoga a 'moral do interese individual' senão o ateu Onfray???

Ateísmo raciocinado...

"Morto deus, bem e mal, vício e virtude, vida e morte, tornam-se conceitos relativos ao sujeito." Cau 1961

Devo crer que o homem, julgando sua próprias causas haverá de julgar, uma única vez, contra si?

Devo crer que enquanto padrão de bem e mal o indivíduo optará espontaneamente e sempre pelo que trás vantagem para o grupo social?

Devo crer que os interesses do homem e da coletividade jamais conflitarão?

Digo isto porque a vontade do maníaco do parque era uma enquanto a de suas vítimas era outra...

Eis porque Ravachol indagava: se sou padrão absoluto de bem e mal com que direito sou julgado por outros?

Sartre imaginava que eliminado Deus tornaria o homem livre: "Tudo é permitido, grita ele, se Deus não existe. ACONTECE QUE NÓS MORREMOS."

No entanto o anarquista liberal jamais encarará a si mesmo como livre enquanto houver Estado ou polícia.

Porque em última analise o ateu liberal deseja se ver livre do outro.

Molesta-o Deus enquanto elemento unificador ou conector cuja lei impõem-lhe a odiada alteridade.

Deus é eliminado porque garante de algum modo o direito dos outros ou dos outros face as exigências ilimitadas e destrutivas da vontade.

É 'A morte de Deus acarreta a morte do homem.' ou seja do outro...

Não é por acaso que Simone du Beauvoir, vendo-se a borda do abismo reza: Por favor deus, finja que você existe.

Voltaire já havia dito que caso Deus não existisse seria necessário inventa-lo.

Porque somente a existência de Deus é capaz de fornecer a vida ética um padrão externo capaz de conter o instinto destrutivo da vontade imperiosa.

Penso que converter o indivíduo em deus seja muito mais perigoso do que servir aos falsos deuses e idolos da gentilidade. Porque o homem pode converter-se facilmente em divindade iracunda e infernal...

Transformando esta nossa terra no único e verdadeiro inferno existente. Isto se dá quando acreditamos estar separados uns dos outros, porque Deus é o vínculo mais forte e os outros todos podem ser quebrados tanto mais facilmente como sabem os teóricos do nazismo.

Que honestidade há em escrever bobagens como Hitler era Cristão, quando sabe-se muito bem que mandou retirar os crucifixos de todas as escolas e substituir os exemplares do Evangelho (disse Evangelho não Bíblia) - que mandou queimar - por exemplares do 'Mein Kampf'? E que Julius Streicher - o maior divulgador da ideologia nazista na Alemanha - apresentava-se como o mais destacado inimigo do catolicismo???

Basta dizer que Bentham, Haiek, Stalin e Pot eram ateus declarados e militantes...

Certamente há muita gente boa entre as fileiras do ateísmo.

Gente que não teve virilidade suficiente para refletir sobre seu ateísmo numa linha de coerência tirando as conclusões.

Gente que não raciocinou a fé ateística de forma escolástica.

Gente que não deduziu...

Gente que conservou e manteve os princípios e valores legados pela educação teísta ou religiosa e que associados ao ateísmo formam uma coisa amorfa ou informe...

Essa gente não recebeu seus princípios humanistas e sociais do ateísmo e/ou de seus defensores.

Nietszche escarneceria delas a não poder mais. Porque Nietszche, que é tido em conta de louco, foi coerente ao extrair do ateísmo sua lei de ferro pautada na força bruta.

Resta-nos solucionar o problema da ética em termos de teísmo/deísmo puro e simples.

Parece que já foi solucionado a muito tempo em termos de LEI NATURAL, DIREITO NATURAL OU DIREITOS INERENTES A PESSOA HUMANA.

Não nos iludamos, porque todo discurso em torno de direitos humanos esta estritamente relacionado com o teísmo, sem o qual não se sustenta. No fim das contas não é Deus, mas a condição humana que está em jogo.

No plano da fé ou da religião não pecaríamos caso apontassemos o universo ético do espiritismo como prístino reflexo da moral evangélica enunciada há dois mil anos atrás por Jesus Cristo.

Eu fico com o teísmo e com a religiosidade porque socialmente falando produzem resultados muito superiores ao ateísmo. Parecem-me mais funcionais, na medida em que garantem a solidariedade orgânica e o bem comum.

Fico com o Cristianismo porque produziu Asilos, hospitais, orfanatos, escolas, leprosários, em larga escala, coisa que o ateísmo ainda não fez. Ainda que não houvesse prova ou demonstração alguma eu preferirira ficar ao lado do Padre Restrepo, de D Romero, de Dorothy Day, Mounier, Weil, Berdiaeff, Madre Skobtzoff, Madre Tereza, Irmã Dulce, Chico Xavier... a meu ver as obras sociais sempre falam mais alto.

O ateísmo tem obras tão más ou piores do que a Cristandade. Falta-lhe obras tão boas e elevadas na mesma proporção, tem um Haiek e um Stalin mas não tem um Damian de Veuster ou um Ibiapina, uma pena.

No entanto uns fazem opção pela comunidade e pela espécie, outros por seus interesses e desejos; e cada qual vive segundo sua opção.

Isto é o que temos a responder ínclito, nobre e bom amigo, submetendo a tua crítica sempre justa e ponderada.



Ps.: Não cremos na necessidade da fábula do inferno produzida pela Cristandade ocidental.

Ao homem basta a consciência de que em oposição a lei universal, permanecerá moral e espiritualmente paralisado - até que deseje conformar-se com a lei universal - enquanto que seus irmãos, cumprindo a lei universal da justiça e do amor, ascenderão mais e mais na senda da evolução.

Não existe pior castigo do que ver-se suplantado ou passado para trás.








sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Meio ambiente


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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Definição de anarquismo

‎"Os primeiros que foram chamados anarquistas, o foram como insulto no curso das revoluções inglesa e francesa dos séculos 17 e 18, para dar a entender que queriam a anarquia, quer dizer, o caos ou a confusão. Mas desde os anos 1840, foram anarquistas os que aceitaram este nome como símbolo para mostrar que queriam anarquia, quer dizer, a ausência de governo. Tanto em grego como em inglês e português, a palavra tem os dois sentidos; os que não são anarquistas, sustentam que ambos vêm a dar no mesmo, mas os anarquistas fazem questão de assinalar a diferença. Há mais de um século, são anarquistas os que creem não apenas que a ausência de governo não significa forçosamente caos e confusão, senão que uma sociedade sem governo será realmente melhor que a atual".

Nicolas Walter

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Educação: A importância de conhecermos Piaget, Vygotsky e Wallon




É constrangedor registrar que em determinada reunião de professores ouvimos alguém dizer que não precisava estudar e conhecer as teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon, porque nenhum deles havia exercido o magistério ou atuado em sala de aula.

Do fato de que nenhum destes cientistas tenha exercido o ofício de professor, alguns professores inferem, precipitadamente, a inutilidade ou mesmo a falsidade de suas teorias.

Esquecem-se tais professores - se é que não o ignoram supinamente - que Piaget, Vygotsky e Wallon estudaram o objeto mesmo da educação, isto é o aluno, a criança, o adolescente, o homem em formação; especialmente do ponto de vista cognitivo.

Uma vez que devemos conhecer com absoluta exatidão o objeto de nossos esforços e investimentos educativos, isto é, o educando, sobretudo no que diz respeito a suas aptidões/capacidades cognitivas, penso que o conhecimento das teorias construidas por eles seja de importância crucial tendo em vista um bom desempenho de nossa função.

De todo inutil seria tentar ministrar ao aluno um tipo de conhecimento para o qual sua estrutura intelectiva não esta preparada ou amadurecida. A educação só será eficiente na medida em que acompanhar a formação e a evolução da estrutura psiquica do elemento receptor.

Estabelecido o fato segundo o qual as funções sensoriais e motoras precedem as operações intelectuais concretas e que estas precedem as operações intelectuais abstratas numa ordem invariavel, seria total absurdo a tentativa de ministrar conteúdos marcadamente abstratos a educandos que em razão de sua faixa etária não estão dispostos para eles... seria laborar inutilmente... clamorosa idiotice.

Uns e outros tem demonstrado que só podemos e devemos ensinar o que a criança é capaz de aprender, respeitando o estádio em que se encontra. Somos nós que temos de nos adequar ao ritmo do educando ou melhor da natureza - que não dá saltos - e não o contrário.

Saber como a criança aprende, possibilita ao educador o ofício de elaborar estratégias, meios e recursos com o obejtivo de facilitar o aprendizado. Jamais poderiamos estimular uma capacidade cuja natureza intima ignoramos.

Dizemos isto porque a criança é a mesma estando dentro ou fora da Escola.

Não sendo um reino mágico, paralelo a natureza, a Escola possui seus límites e tais límites identificam-nse com as limitações naturais do educando segundo o estádio biopsiquico em que se encontra.

As estratégias empregadas pelo educador profissional na Escola é que serão mais refinadas e por isso mais eficientes. Dentro dos objetivos impostos pela realidade biopsiquica do educando...

Pode a Escola fazer tudo e executar o melhor, dentro de cada estádio imposto pela ordem natural das coisas ou melhor do desenvolvimento humano.

Do contrário estariamos encarando a criança como um ser abstrato e desenvolvendo nossos esforços numa esfera ingênua ou romântica... e malbaratando nossos investimentos educativos.

Mesmo que nenhum dos três tenha exercido o magistério ou desempenhado o ofício de professor, suas pesquisas no ambito da cognitividade da criança e do adolescente fornecem subsídios indispensáveis ao bom andamento de nossa profissão.

Despreza-los pelo simples fato de não terem sido professores implica boçalidade e grosseria no mais alto gráu.

Tanto mais conhecimento das teorias epistemológicas, tanto mais eficiência e produtividade no exercício de nossa professoral tarefa.

Importa saber que fatos cognitivos verificados fora da escola, aplicam-se igualmente a escola enquando recorte ou setor duma realidade mais ampla: o mundo.

Outro confusionismo que merece ser desfeito e pulverizado diz respeito ao suposto menosprezo por parte de Piaget no que diz respeito a parte que toca ao grupo social no processo de formação da personalidade humana.

Piaget jamais negou a importância dos fatores de ordem social na formação ou na construção dos saberes.

Muito pelo contrário, como sábio consumado e pesquisador honesto que era, reconheceu-a explicitamente em diversas oportunidades e passagens de seus escritos, sem no entanto aprofundar a questão por absoluta falta de tempo.

Vygotsky partiu da teoria piagetiana, completou-a e até ultrapassou-a de certo modo investigando o papel do grupo social no processo.

Já Wallon explorou o papel da afetividade humana que Piaget e Vygotsky não haviam podido investigar tanto mais a fundo.

Tratam-se pois de teorias que ao invés de excluirem-se ou repelirem-se, completam-se perfeitamente.

Piaget investigou especificamente a parte que cabe a estrutura intelectual ou cognitiva do homem. Vygotsky o influxo do corpo social enquanto fornecedor dos elementos culturais e Wallon o papel da afetividade.

São interacionistas os três porque repudiaram tanto o individualismo, subjetivista e idealista quanto o determinismo social reconhecendo que a pessoa humana se constrói em relação com a sociedade em que vive, dialogando com ela e reelaborando os conteúdos culturais que lhe são postos. A um tempo e em certa medida o homem é como que plasmado pelo meio cultural e a outro ultrapassa-o, remodela-o, reforma-o e faz com que a História caminhe...

Conclusão: O conhecimento das teorias cognitivas apresentadas por Piaget, Vygotsky e Wallon por parte dos educadores é fundamental por dois motivos: primeiro para que conheçam e saibam que são os responsáveis pela formação de consciências críticas e reflexivas que repensem a sociedade e operem enquanto agentes da História que vivem e segundo para que conheçam tanto os limites reais de sua atuação profissional quanto as condições e os instrumentais necessários para desempenha-la do melhor modo possível.

O saber-se mediador do saber e instrumento de mudanças na construção duma sociedade mais justa e fraterna, trás esperança e o conhecer os limites impostos pelo processo histórico preserva da frustração.

Façamos pois tudo quanto é possível fazer para que futuramente outros possam fazer ainda mais do que nós.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Biblismo, a auto demolição do Cristianismo




Dia após dia temos assistido a descristianização do Ocidente.

E não podemos deixar de reconhecer os aspectos positivos do fenômeno.

A prática de um Cristianismo falso e adulterado tem produzido muito mais males do que o paganismo, o ateísmo, o materialismo e a descrença.

Afirmam alguns - precipitadamente, creio eu - que o adversário responsável por semelhante declínio esta do lado de fora identificando-o ora com o comunismo, ora com o ateismo, ora com o paganismo oriental, ora com o laicismo, com o sexismo, etc, etc, etc

Penso que todos os analistas cujos vereditos foram acima elencados laborem em erro.

Durante séculos os historiadores, filosofos, sábios e pensadores discutiram febrilmente a respeito dos fatores externos responsáveis pela queda do Império romano, atribuindo-a quase sempre as invasões teutônicas. Gibbon marcou era demonstrando que a queda do Império foi provocada por motivos de ordem endógena, ocorrendo de dentro para fora. Os teutônicos obtiveram sucesso porque deram com uma organização viciada e periclitante.

O mesmo se sucede com nossos corpos, os quais são infectados devido a baixa imunidade... foram as defesas naturais e interna do organismo que falharam primeiro e são os motivos desta falha quer devem ser buscados e examinados.

O mesmo se sucede com o corpo de Cristo e com a república Cristã. Perece por motivos de ordem interna ou estrutural. São os princípios, os valores, as crenças e os valores de parte da Cristandade hodierna que estão errados.

Possui o Cristianismo em seu corpo, incubado, um vírus mortal.

Possui o Cristianismo em seu organismo divino um tûmor de origem mundana que precisa ser extirpado, antes que seja tarde.

Agoniza e estertora o Cristianismo porque esta canceroso!

Há quinhentos anos padece o Cristianismo desta enfermidade maligna tombando dia após dia.

Contaminado pelas teorias dos senhores Lutero e Calvino adoeceu o Cristianismo e caminha a passos largos para a morte e o sepulcro, para o qual levara juntamente consigo a civilização e quiçá a humanidade inteira.

O diagnóstico é Biblismo, Bíblia ou bibliolatria aguda. O nome popular é fundamentalismo...

Entrou já em metastase e atingiu tanto a Igreja Ortodoxa quanto a igreja romana, empesteando todo organismo apostólico e divino.

Todo corpo se acha tomado pela lepra da superstição da planta dos pés ao último fio de cabelo.

A própria noção de Bíblia peca cabalmente contra a natureza da revelação divina obscurecendo o sentido das expressões Novo Testamento e EVANGELHO, que deveriam ser reconsideradas, reavaliadas e restabelecidad pela Cristandade cega.

Pois na noção Bíblia multidões de homens inferem que o Velho testamento é tão divino quanto as palavras sagradas de Cristo Jesus e outras multidões que as palavras sagradas de Jesus são tão desvairadas quanto as fábulas do Velho Testamento. E temos já dois grupos de extremistas na liça da ideologia: os fundamentalistas/conservadores e os incrédulos/liberais.

A responsabilidade de tudo no entanto cabe aos falsos mestres escolhidos pela Cristandade cega os quais ensinaram-na a reverênciar as palavras dos homens mortais a par da palavra divina de Jesus Cristo e a glorificar as fábulas recebidas pelos antigos hebreus juntamente com a Lei do Evangelho. Fatal desgraça ou como diz o poeta 'Engano d'alma ledo e cego'...

Querendo passar tudo por palavra de Deus e divinizando os erros grotescos dos homens faliveis que compuzeram a Torá, comprometeram nossos fanáticos o testemunho do Evangelho e a credibilidade do Mestre amado.

Ao invés de terem coletado as profecias referentes ao Cristo e a sua missão para apresentar a elas somente como coisa divina e sagrada, nossos pais acolheram tudo de braços abertos. Pois nos dias dos pais não havia ciência profana.

Eis porém que a razão cedeu passo a experiência e esta a verdade, no que concerne ao mundo material dos fenômenos. Foi então que a ciência desmarcarou os mitos e as fábulas... mas não os ensinamentos transcendentes de Cristo Jesus a respeito do mundo espiritual e invisivel.

Os reformadores, endeusando o livro ultrapassaram os pais e caracterizaram a instituição Cristão como uma 'religião do livro' ou livresca.

O livro passou a ser considerando divino de capa a capa, quase sempre literalmente e nos termos de um dogma inquestionável, com o passar do tempo a igreja romana e a ortodoxia também foram infectadas por esta mentalidade absurda. A ortodoxia também sofreu forte influência do islãm, a religião do livro por excelência.

Da caturrice dos teolograstros europeus surgiu o antagonismo de morte face a ciência nascente.

É precido mesmo ser muito idiota, cretino e tolo para acreditar que a maior parte dos seres humanos regeitara o testemunho dos sentidos, da experiência e da razão para ficar com o testemunho de um livro escrito por lá se sabe quem centenas de anos antes do advento de Jesus Cristo ao menos no que diz respeito a origem e a estrutura do mundo material.

A imanência, o mundo dos fenômenos, a natureza, é irredutível as explicações dos antigos hebreus e sumérios.

A terra é esférica e não quadrada. No céu há nuvens e não águas superiores. É a terra que faz volta ao Sol e não o contrário. Os seres vivos são frutos dum lento processo evolutivo e não duma caprichosa manifestação de poder. A estrutura da terra depõe por bilhões e não por milhares de anos. Jamais houve qualquer inundação universal. A baleia jamais foi peixe ou o morcego ave. Jamais existiu qualquer Behemot ou Leviatan. Babilônia jamais foi conquistada por um tal de Dário 'o medo'... são centenas de erros, falhas e inexatidões, desmentidos pela História, pela geografia, pela biologia, pela física, pela química, pela astronômia, etc, etc, etc Todos os conhecimentos obtidos pelo homem nos últimos séculos depõem contra a credibilidade do Velho Testamento nos domínios da imanência.

Mesmo porque o escopo da divina revelação não foi dogmatizar qualquer coisa a respeito da imanência... mas proporcionar aos seres humanos um testemunho irrecusável a respeito da transcendência de Jesus, o Filho da Virgem Maria.

Nem os erros do registro nos domínios da imanência provam que esteja equivocado nos domínios do sagrado, nem os acertos do registro no que concerne a Jesus Cristo, sua vinda e sua missão devem conduzir-nos a funesta idéia de que tudo ali é exato, inclusive o que consta a respeito da imanência.

Supor que Velho Testamento e ciência estejam de acordo é falsear desonestamente a questão. Não há mais espaço para qualquer tentativa de concordismo... o concordismo esta morto e sepultado há mais de cento e trinta anos...

Dar por certo que a ciência endossa as frioleiras da Torá é trair sordidamente os princípios éticos propostos por Jesus Cristo na boa nova, dentre os quais, a fidelidade irrestrita a verdade. Desonestidade e fé Cristã são termos excludentes, incompatíveis, antagônicos...

É todo um mundo de conhecimentos facilmente demonstraveis que depõe contra a mentalidade estreita e primitiva dos redatores israelitas.

Toda esta insistência a respeito da credibilidade do Velho testamento em matéria de ciências profanas, conduzirá as almas uma após outra ao abismo do relativismo, do ceticismo e do Kantianismo, destarte as bases da fé verdadeira serão aluidas e o Cristianismo será apenas uma fé entre as fés, mesmo o teísmo ou o deísmo serão reduzidos a outras tantas 'fés' no computo do probabilismo. No fim das contas todo este ceticismo, toda esta falência da razão e da experiência deporá fatalmente contra a mente que concebeu nossa natureza 'precária'...

Mergulharão de cabeça no maniqueismo, como de fato tem mergulhado, imaginando que os efeitos do pecado ancestral foram tão fortes a ponto de subverter a estrutura do mundo criado e a estabilidade das leis que rejem.

Efetivamente os palermas ousam falar em estado de Natureza (aqui tomada por universo ou mundo) ante pecado e pós pecado, asseverando que vivemos num mundo diferente daquele que existia antes do pecado ancestral!!!

Deste ensinamento abominavelmente monstruoso, podemos inferir que o mal é mais forte que o bem, que a desgraça é mais forte que a graça e que o tal 'diabo' de que tanto gostam é mais forte do que Deus; pois o que Deus teria fixado, o tal diabo soube desfazer muito bem. Prestem atenção, Deus dá leis sapiíssimas a natureza e o capeta transtorna-as a seu bel prazer. A ponto de estabelecer uma nova ordem no mundo, uma ordem satânica e não divina!!! Maniqueismo puro!!!

É o protestantismo maniqueu no mais alto gráu e isto se reflete na obcessão que seus adeptos nutrem por tudo quanto seja negativo: diabo, mal, pecado, castigo, punição, inferno, maldição, catástrofe... essa gente infeliz e revoltada só conhece palavras amargas para aqueles que não creem como eles...

Tudo para vindicar a soberânia do livro.

Até ultrajar a perfeição da glória divina pintando Deus como um Supremo idiota ou como um sádico celerado.

Assim sacrificam a natureza e o cárater de Deus em nome da santidade do livro.

Eis a livrolatria, o grande escândalo do Cristianismo.

Não se trata da condição do livro em si mesmo para o que foi disposto por Deus, mas da idéia errônea acalentada pelos protestantes.

Porque o livro não foi disposto para enganar ou ludibriar os seres humanos, travando as conquistas e descobertas da ciência. Quem poz o livro nesta perspectiva linear, plenária, verbal e literal, foram os reformadores protestantes...

Logo a responsabilidade por tanta desgraça e por tanto perigo cabe ao protestantismo e seus fundadores, não a Nosso Senhor Jesus Cristo. Cristo jamais ensinou a doutrina na infalibilidade linear, plenária ou verbal do livro, diz que a Escritura não pode errar para o que foi posta: a fé, o mundo invisivel, as coisas santas e divinas e não que fosse uma espécie de enciclopédia ou de almanaque dos escoteiros. Do contrário Jesus teria gasto boa parte do seu tempo dissertando a respeito do mundo natural... nós sabemos que nem Jesus, nem seus apóstolos abordaram a imanência, ocupando-se apenas da transcendência.

Foram os Cristãos, que levados pelos preconceitos judaicos, recrudeceram a ponto de negar a validade do testemunho da ciência, o que foi agravado imensamente pelas invasões dos povos teutônico, no Ocidente e árabe, no Oriente, povos cuja mentalidade era pré científica correspondendo prefeitamente a mentalidade dos antigos hebreus assente nos registros vetero testamentários. No século XVI, conhecia-se já o antagonismo nascente, Lutero no entanto poz-se decididamente ao lado do livro contra Copérnico. Calvino também postou-se ao lado do idolo de papel contra Servet...

Contra o papa romano o livro foi erguido ao infinito e erguido ao infinito conflitou com a razão, a experiência e a ciência. Desde então a luta contra o papa estendeu-se aos cientístas mormente acusados de ateismo, quando foram na verdade, arrastados até ele pelas pretensões descabidas das seitas...

Querem as seitas todas que o homem engula Cristo de par com Moisés, Davi, etc Resultado: Cristo torna-se vómito e é expelido com eles! O erro não é dos sábios mas da sacrílega e vã associação imposta pelos reformadores e teologastros...

Quem renega o testemunho da razão e da experiência - em seu plano que é fenomenal, material ou natural - para abraçar o testemunho de um livro, atinge em cheio o testemunho de Deus que esta em sí, a saber sua imagem e semelhança, porque a imagem de Deus no homem mortal é a capacidade de experimentar e de refletir e se o homem abrir mão disto no plano que lhe é próprio, o da imanência, abre mão de sua dignidade... perde o respeito por sí e torna-se como uma espécie de capacho. E acaba perdendo o respeito por aquele que concebeu-o de modo tão precário e defeituoso, exceto se admitir que o diabo é mais forte e poderoso do que deus...

Toda essa vã e desesperada tentativa de vindicar a glória de Moisés, todos esses fardos inuteis postos sobre a consciência dos fiéis, toda essa manobra desonesta a favor dos mitos é que esta a alimentar o ateísmo e a aumentar a incredulidade ao infinito. Diariamente um grande número de homens prudentes e esclarecidos, rompe abertamente com a boa nova e blasfema contra Jesus Cristo devido ao confusinismo promovido pelos fundamentalistas.

É este esforço inutil e disperssão fútil que tem drenado as forças da instituição cristã até a prostração. Preocupa-se excessivamente com o que não importa, ficando a merce dos ataques o que realmente importa: apenas o que concerne a pessoa e a missão de Jesus Cristo.

O Cristianismo tornando-se bibliocentrico deixou de ser Cristocentrico ou Evangélico, ele nada tem de evangélico ou de cristão, é antes farisaíco e judaizante.

Não é o ateismo que esta a substituir o Cristianismo, o Cristianismo já foi substituido a muito tempo por tinturas de judaismo, mosaismo, calvinismo, fundamentalismo e obscurantismo... Cristo não esta em nada disto, não tem parte nisto, mas paga por isto...

Perdoem-me bons cristãos mas são precisamente voces que estão matando a mensagem divina, voces são os coveiros do Cristianismo...

Voces nivelaram os emissários com o Supremo Criador e Senhor que nasceu da Virgem, voces tudo confundiram e misturaram... voces criaram associações falsas... voces empregaram o dôlo e a mentira... voces recorreram a força e a violência... voces puzeram um livro todo inquinado de erros grosseiros no lugar que cabia exclusivamente aos quatro Evangelhos que constituem a única palavra de Cristo.

Então não culpem os que estão fora, os que voces escadalizaram, expulsaram e arrojaram para fora com suas teorias vãs e caprichosas, temam não o ficção do inferno, mas a penitência rigorosa que vos será dada por Jesus Cristo. Pois o julgamento principiará pela própria casa... e Jesus Cristo muito terá de dizer e de purificar devido a ação dos falsos profetas e pregoeiros da mentira.

Pereça o espantalho fabricado por Martinho Lutero, pereça o biblismo, abaixo a Bibliolatria, Viva sempre Jesus, seu Evangelho e sua lei de paz, amor e misericórdia.





LEI DE DEUS É O CARALHO, VIVA A CONSTITUIÇÃO, ABAIXO A TEOCRACIA!!!






Parece inacreditável que estejamos a escrever e a discutir a secularidade do Estado .

Na verdade estamos a rediscutir um assunto assaz batido desde 1891, quando nossos nobres e excelentes antepassados, apartaram-se da lei canônica da Igreja papista com o intuito de estabelecer e fixar em termos bastante largos a liberdade de consciência no fóro religioso.

Além dos ateus, materialistas, espiritas... os protestantes compunham uma minoria amplamente beneficiada pelo advento do novo regime.

Criam nossos pais que o protestantismo fosse compátivel com a liberdade ou mesmo protetor seu pelo simples fato de ignorarem supinamente os princípios, as crenças e a História do protestantismo. Nossos avoengos eram ateus, materialistas, espiritas e/ou papistas e como tais uns toleirões ingênuos face a um fenômeno tão complexo e ao mesmo tampo tão perigoso quanto o fundamentalismo e o sectarismo protestante.

Mesmo hoje as coisas não mudaram muito.

Nossos professores idiotas continuam a denunciar com pautada insistência a inquisição papista, algo de fato terrível, sem no entanto fazerem a menor alusão a não menos terrível e fatídica inquisição protestante. Como potencial aliado do sistema econômico e forma de alienação das mas eficientes o protestantismo continua gozando de proteção nos bastidores do poder constituido.

Foi assim em 1891, quando nossos pais usaram-se dele ou aliaram-se a seus representantes e líderes com o intuito de puxar o tapete da então poderosa igreja papista... nossos antepassados ignoravam como um livro pode ser imensamente mais forte e perigoso do que um homem. Pois um homem podemos ameaçar e convencer, um livro jamais poderá ser ameaçado, convencido ou morto, especialmente quando posto nas mãos das massas incultas com o rótulo de 'palavra de deus' ou simplesmente de 'palavra'...

Nada de mais patético, mas, ainda assim de bombástico, de explosivo e de contra evolucionário.

Como sempre nossos políticos sem consciência encaram levianamente o assunto, pois auferem grande vantagem com os votos de cabresto que lhes são oferecidos pelos pastores e líderes protestantes em troca de dinheiro e poder. Assim na 'terra de deus' ou seja nos EUAN, assim no Brasil protestante, assim na Europa há duzentos anos... poucas religiões converteram-se num tão excelente meio de dominação como o protestantismo, grosso modo, é tudo jogo de poder em que os ficticios tormentos do inferno ou a miséria produzida pelo sistema, converteram-se em algemas mentais responsáveis pelo escravizamento de milhões e milhões de pessoas ignorantes e analfabéticas.

Deixe-mos os políticos para lá, pois eles ofereceriam a cabeça do Estado leigo, ao Calvino ou ao Bush numa salva de prata... a excessão dos socialistas, todos lucram fabulosamente com a fábula de Lutero e Pharran...

Os cofres enchem-se de dízimos, os dízimos financiam a propaganda enganosa dos políticos e os fanáticos vão se tornando mais ousados a cada dia.

Nossa ignorância e leviandade serão nosso passaporte para a velha idade média. Que digo... para a incrivelmente atrasada e primitiva palestina (judéia) do século XI a C, dominada pelos bandoleiros de Davi e caracterizada pelas inumeras atrocidades e crimes cometidos em nome do jupiter hebreu, jeova; primo distante do Nusku assírio e igualmente sedento de sangue, especialmente de sangue real como o do infeliz Agag...

Após ter se embreagado com o sangue da filha de Jéfte, a infeliz criatura parece ter gostado da coisa... eis porque fez baixar, por meio dos sacerdotes bárbaros e selvagens, uma lei hitlerista ou hitleriana cujo escopo era o exterminio da população cananéia. Mulheres, velhos, crianças, enfermos e animais, tudo deveria ser sacrificado ao terrível vampiro israelita; os protestantes fanáticos sustem até hoje que a descrição minuciosa de semelhantes atrocidades constitui a pura 'palavra de deus' exprimindo portanto sua divina vontade, caso Stalin tivesse escrito tais bizarrices, seria execrado até o fim dos tempos, e com razão... eles atribuem a deus o que teriamos vergonha de atribuir a Hitler, Stalin, Bush e outros dépostas e tirânos da modernidade; depois ainda reclamam quando dizemos que blasfemam impudentemente, pois suas mentes carnais estão obscurecidas pela idolatria do livro.

Pintam deus como um batedor de carteiras ou como uma espécie de maníaco do parque e ainda desejam ser aplaudidos por sua suposta piedade. Desde Lutero e Calvino o mundo jamais ouviu tanta blasfemação!!! O ateismo é muito mais ameno e o Corão muito mais suave...

Tudo no biblismo vetero testamentário, que é a musa inspiradora do fundamentalismo, cheira a sangue fresco e visceras partidas... é uma religião sem amor e toda plena de crueldade. Lei de terror que queram tornar a impor em detrimento de nossas liberdades e de nossa dignidade.

Nossos juristas perceberam já o cheiro nauseabundo e o teor das leis que eles mesmos desejam implantar em benefício próprio com o premeditado intuito de agrilhoar as consciências levianas, convertendo-as em massa de manobra.

Esperam e cuidam implantar leis de excessão ou leis de cárater religioso, particularista e excludente, crendo que os cidadãos mais ilustres se curvarão passuvamente diante de semelhantes leis e nome da legalidade. Acontece que não há qualquer legalidade, mas patente violação dos direitos humanos e naturais, num estado religioso ou teocrático, em semelhante estado há apenas opressão, violação, crime, etc como houve em 1964. Face a uma situação em que o direito natural é negado pelo legislador cada cidadão é agente constuido para pegar em armas e suster a glória da democracia, da liberdade, da dignidade humana e da justiça. Sabem dominar os fanáticos obssecados pelo livro? Sabem morrer os fanaticos pela liberdade e morrer de pé em posse do dom da liberdade!

Juristas há no entanto que encontram-se vinculados a tal sistema de crenças, crendo ingenuamente que é compátivel com a liberdade... demonstra-nos já a tais amigos, e com os registros históricos em mão, que o protestantismo, com sua teoria da inspiração linear e plenário tende fatalmente ao fanatismo e a teocracia quanto uma esfera de chumbo tende para baixo quando posta sobre um plano inclinado. Tem meus bons amigos motivos de ordem afetiva ou subjetiva para permanecer jugidos ao carro triunfal de Lutero, sabem no entanto que principios podres e carunchosos conduziram a práticas de natureza duvidosa como a ascenssão do puritanismo farisaíco e o triunfo da força e do poder inquisitorial.

De nosso parte - como profundo conhecedor do protestantismo sob todos os aspectos e ex partidário seu, educado e formado em suas fileiras - há quase vinte anos que estamos alertando a comunidade cívil a respeito de sua potencialidade obscurantista e de seus propósitos excusos.

Lamento por vós, homens fracos e cegos, o fato de não termos sido seriamente ouvidos senão por poucas pessoas da mais seleta cultura.

Nós falamos do que conhecemos por experiência, os srs do que veem ou seja segundo as aparências.

Os srs acreditam que o protestantismo seja bom e que o fundamentalismo seja tolerável porque tomam o nome sagrado do Evangelho apresentando-se como evangélicos. Nos primeiros séculos os cristãos eram classificados como ateus e semelhante nome, sem qualquer conteúdo real, bastava para que fossem presos e executados...

Entre nós basta empregar os termos fé e religião para poder fazer o que se quer cometendo até mesmo ilegalidades ou crimes. Quero matar meu filho impedindo que faça uma transfusão de sangue, ali esta o livro; quero invadir a propriedade alheia com o intuito de quebrar as estátuas do culto rival, eis o livro; não desejo aprender literatura ou evolução dos seres vivos, põem-te livro... segundo o livro há quem se recuse a acender uma lâmpada no sábado, quem se recuse a comer doces feitos para as festas juninas, quem aspire pela lei seca, quem queira enfiar nossos homossexuais em reformatórios, quem deseje - como minha falecida avó - secretamente o restabelecimento dos autos de fé contra a feitiçaria, quem combata o uso de preservativos, quem sustente a escravidão e o machismo (como o pastor protestante Jerry Folwes), quem - como Lutero - recomende a obediência passiva a autoridade secular, quem - como Knnox -  recomende sua supressão a força...

Compreenda amigo leitor que terrivel perigo constitui este fetiche/livro nas mãos de qualquer psicopata, tarado, anormal, doido, oportunista... com uma interpretação capiciosa. É o suficiente para que cada homem produza sua palavra de deus, sua lei, seu regime de vida, crendo ser lícito impo-lo a todos os outros, pois é como diz a 'palavra pura e soberana de deus'.

Observem o poder que há por trás de semelhante estratégia que é passar a própria palavra humana, falivel e as vezes mentirosas ou a própria interpretação errônea, POR PALAVRA DO DEUS ETERNO E TODO PODEROSO!!! E exijir total submissão e reverência!!! É fazer-se Deus... Foi assim que o espertalhão Lutero pode enfrentar e vencer o tribunal do papa romano.

Acontece que Lutero acreditava apenas em si mesmo e em sua missão pretensamente divina face a qual os demais livre examinadores seus rivais não passavam de um bando de endemoninhados. Acontece que desde a morte do demagogo alemão, o número de livre examinadores, profetas, visionários, interpretes e fundadores de seitas tem aumentado ano após ano... chegando a produzir conflitos, guerras e mortes. Lembrem-se sempre do sr Jim Jones...

O livro tudo justifica, tudo permite, tudo embasa... e tudo apresenta como palavra de deus ou fruto do Evangelho.

Jamais imaginaram melhor expediente do que colocar tanta treva sob o nome de Cristo e do Evangelho de Cristo. Como o povo sabe por experiência que nada há de mais sublime e elevado sobre a face da terra do que a verdadeira palavra de Jesus Cristo, contida nos quatro Evangelho, basta passar qualquer tranqueira por evangélica para que seja considerada como boa. Tal a estratégia urdida por Lutero e pelos principes alemães do século XIX.

Ao invés de dizerem: luterano, protestante, reformado, mosaico, hebraico, etc dizem sempre Evangelho, Evangélico, cristão. etc e assim santificam o sangue, o crime e a crueldade, apresentando tais monstruosidades como coisa bela e louvável e enganando a plebe inculta que aprendeu a estimar e a respeitar a palavra de Jesus Cristo.

Dizem Bíblia, livro, escritura, palavra, quase nunca Evangelho porque suas leis de morte e violência não procedem do Evangelho ou de Jesus Cristo mas dos sacerdotes oportunistas que floresceram muitos séculos antes do Senhor Jesus Cristo ou dos apóstolos que sendo homens e judeus, tornaram ao vómito e puzeram o vinho novo em odres velhos e contaminados.

Bem, todas essas leis que eles atribuem a Deus e a Cristo são leis puramente humanas, leis israelitas, judicas, semitas e tribais, oriundas da antiga Suméria, eis para onde o protestantismo com sua servilismo bibliolatra pretende conduzir a fina força as sociedades humanas, seja a yankee, a brasileira, a inglesa, etc

No século XVI, XVII e XVIII os principes protestantes ou oportunistas lograram impedir o caos e a destruição totais, controlando, como antes era feito pelo papa romano, a interpretação do livro e impedindo a multiplicação das seitas e cultos exóticos. Sob a ameaça do baraço o sectarismo passou ao novo mundo - a terra feliz sem Bispos, catedrais e principes - ou teve de conter-se. Hoje no entanto, plenamente solto, o sectarismo torna a proliferar sob os auspícios da exploração, da miséria, da ignorância e do fanatismo.

Novamente livre e fora de controle, arroja-se o sectarismo infrene sobre nossas sagradas liberdades com o intuito de calcar aos pés a dignidade humana, com seus index - os luteranos foram os primeiros a criar algo semelhante ao index antes dos jesuitas - fogueiras e campos de reeducação para 'libertinos'...

Gostam os fanáticos, como fariseus hipócritas que são, de aparentar docilidade face ao estado que consideram ateu.

Efetivamente os primeiros lideres das seitas que floresceram entre nós desejaram a construção de um estado leigo, não porque amassem a liberdade do homem, mas porque odiavam o Papa romano. Não queriam o osso na boca do papa, não podiam po-lo em suas próprias bocas então o osso ficou livre, em que pesem seus sonhos de dominação teocratica legados pelo ditador João Calvino.

Felizmente eles não puderam transformar nossa pátria numa nova Jerusalem como a Santa Genebra...

O protestante fiel a norme e regra do Biblismo não pode amar a liberdade e jamais poderá compreender o que seja estado leigo pelo simples fato de que sua mente carnal orbita em torno da primitiva organização social da judéia, que era religiosa até o fanatismo.

Para tais fanáticos um Estado cujas leis não reproduzam as leis de ferro e fogo do antigo Israel, sera sempre ateu, infiel, pecador e rebelado, numa palavra: sacrílego.

A mentalidade arcaíca das ovelhas de Lutero e Calvino jamais pode assimilar a neutralidade do Estado em assuntos religiosos...

Querem leis de 'deus' ou melhor de moisés, num pais que é laicista por constituição e estrutura política.

Mas leis de que deus? Do deus maometano??? do deus budista??? do deus zoroastriano???

No que vosso deus é superior aos demais???

Porque é verdadeiro? Verdadeiro apenas para vós porque os demais deuses também são verdadeiros para seus adoradores como salientou J Locke... e todos igualmente falsos para os ateus.

Porque em que pese minha antipatia pela teoria ou crença ateística, devo reconhecer que os ateus também pagam impostos, são cidadãos, contribuem para a grandeza da comunidade, merecendo igual respeito!!!

Ousareis falar em nome de Cristo???

Mas nós Ortodoxos, os romanistas e os espíritas também pretendem falar em nome de Cristo?

Poderá o estado decidir qual Cristo seja verdadeiro e fulminar os 'falsos' Cristos? Sei que o protestantismo cresceu a sombra dos parlamentos, decretos e exércitos (século XVI) acontece que os tais parlamentos não são menos falíveis do que um só homem... Locke de novo... adoro Locke, é tão brilhante.

Devo salientar ainda que vosso discurso sobre Cristo sequer é uniforme pois cada seita apresenta um Cristo diferente... que modelo de lei protestante o país deveria adotar? O da CCB? O da Assembléia? O da IURD? O da IASD? O da WT?

São tantos Cristos como cabeças como dizia Lutero...

Entre vós fanaticos não há um Batismo, uma ceia, uma fé ou um Cristo, mas a completa divisão e anarquia, como ousam pois falar em Lei de deus se não estão de acordo a respeito dessa lei???

Gente fraudulenta e enganadora..

Apelar ao número seria perigoso para vós, porque até onde sei o papismo ainda conta com o maior número de adeptos neste pais que gostem ou não é por assim dizer papista. Recente pesquisa publicada pela FGV, salientou a primeira recuperação do papismo nestes ultimos cem anos e uma estagnação na marcha do fundamentalismo nestas auspiciosas terras.

Noutro pais em que fosseis minoria ainda mais fraca as maiorias ou até mesmo o legislador poderia punir-vos por sedição, caso percebesse os transtornos produzidos por vós nos demais países como EUAN e Brasil. Os transtornos produzidos por vós na Alemanha, Suiça, Holanda e Inglaterra nos séculos XVI e XVII são matéria que deveria ser tanto mais explorada pelos historiadores em seus cursos, nada mais proveitoso e elucidativo

Gosto de imaginar o que os fanáticos fariam no momento em que o protestantismo se tornar-se hegemônico no país... se enquanto o protestantismo engatinha desejam fixar suas leis para todos os cidadãos convertendo-nos em hebreus, imagina quando dominarem o parlamento por obra e graça do deus milhão, digo de Mamon?

Se os fundamentalistas enquanto minoria mostram-se já tão pretenciosos e arrogantes, imagina quando conquistarem a adesão das massas???

É necessário barrar civil, legal e educativamente esta manobra desonesta protegendo os flancos do Estado Leigo e impedindo que se converta numa cópia da fatídica Genebra em que pereceu Servet.

É necessário resistir, labutar, trabalhar, combater, lutar, pelejar pela liberdade de nossos filhos e netos!

Importa pois deixar bem claro que o Estado brasileiro não é, não pode ser e jamais virá a ser um Estado Cristão, ou melhor, mosaista, calvinista, malafaiano, etc O Brasil trilha e sempre trilhara a senda da liberdade e não a do confesionalismo bizonho a semelhança da Arábia Saudita ou do Paquistão.

Para os fanáticos nossa Constituição é palavra do homem enquanto a de Moisés e dos antigos sacerdotes hebreus, com todos os preconceitos idiotas ali contidos, é a pura palavra de deus que desejam impor gentilmente a todos os mortais... até eliminarem o vinho, a carne de porco e cobrirem as mulheres com um véu... os srs duvidam? Eu mesmo observei, aqui em minha terra (SP), os membros duma seita protestante chilena que trajavam-se melhor do que os nômades da árabia e da África com coffies, burcas e tudo, tudo em nome da Torá, de Moisés, do cortador de cabeças Josué, do empalador de gente Finéias, etc Desejei que Lutero cá estivesse para mandar semelhante ralé a sinagoga donde seriam remetidos ao hospício pelo rabino.

Afinal homem algum leva a lei dos judeus tão a sério como um protestante fanático... os judeus deviam vir ao Brasil ou ao Chile com o intuito de restabelecer todas as leis defeituosas que seus avós e pais puzeram de lado para viver tanto mais normalmente. A verdade no entanto é bem mais amena, porque os judeus vivem rindo dessa gentinha que pretender ser mais fiel do que eles aos preceitos da Torá...

Os muçulmanos são felizes porque jamais ocorreu a mente doentia de Lutero canonizar o Corão, do contrário estariam já a receber lições de fidelidade por parte de nossos denodados profetas tupiniquins.

Torne-mos a Constituição do pais e a suas leis...

Observem agora como toda a questão da moral e dos tais bons costumes não passam de questões de poder e dominação.

Afinal de contas a lei não pretende impor matrimônios homoafetivos aos pastores hipocritas que desejem legalizar sua situação ou obrigar os protestantes a abortar, fumar, beber, trajar roupas curtas. A sociedade civil não esta nem um pouco preocupada a respeito do modo como os fanaticos transam, comem, bebem, trajam-se, etc Se os tais costumes são bons para eles, que continuem a observa-los tranquilamente.

A questão é que parte dos cidadãos não admite que tais costumes sejam bons e não deseja observa-los. Tais cidadãos pagam impostos e por isso merecem ser ouvidos pela comunidade, a qual discutindo tais assuntos do ponto de vista puramente natural ou racional, cabe decidir livremente a questão ao invés de recorrer a qualquer livro sagrado sejam os vedas, a tripitaca, o avesta, o corão, a Torá dos protestantes ou o Evangelho de Cristo.

Como Cristãos desejamos de todo coração que todos os cidadãos, em especial os cristãos professos, vivem e apliquem com seriedade os princípios e valores propostos pelo Evangelho, como o amor, a bondade, a fraternidade, a paz, a clemência, a justiça, a solidariedade, etc Desejamos que todas as ações e operações humanas partam daquela ética e lei divina fixada por Jesus Cristo.

Rechaçamos no entanto toda e qualquer fixação de padrões comportamentais por parte do governo em conluio com organizações judaizantes que confundem os principios e valores ministrados por Jesus Cristo com a lei de Moisés ou os sermãos do apóstolo Paulo, fariseu filho de fariseu... não eu não desejo a adoção de falsos padrões cristãos, de padrões anti cristãos, de padrões culturais judaizantes, em nome de Jesus Cristo, o profeta da liberdade.

Recuso pois a colaborar com tal caterva de hipócritas, para colaborar com todos os homens de boa vontade que mesmo sem crer no Senhor Jesus Cristo, aderem aos valores sagrados propostos por ele numa perspetiva ética. Prefiro estar com o incrédulo tolerante, ameno e solidário do que com o Ortodoxo ou o protestante fanático, intolerante e violento.

De fato eu me orgulho de, como cristão fiel - Católico Ortodoxo, não protestante - denunciar a perigosa manobra da 'lei de deus'... tudo não passa de desculpa para impor as próprias idéias e crenças aos demais.

Ora uma sociedade que não crê em Cristo não pode ser obrigada a observar sequer os preceitos emitidos por Cristo no sermão da montanha, quanto mais as leis ultrapassadas de Moisés...

Nossa sociedade não é Cristã, protestante, pentecostal ou luterana mas leiga.

Guardem a lei de voces e o deus de voces para si mesmos...

Pretender impor suas idéias, crenças e teorias aos demais é violar a consciência alheia.

Antes a Constituição era sagrada porque concordava com o livro e discriminava os cidadãos restringindo suas liberdades. Hoje a Constituição é humana e amanhã será diabólica na medida em que se aparta dos modelos arcaícos e dos preconceitos arraigados.

Então o que impede esses oportunistas, loucos e fanaticos de invadir, depredar e profanar os locais de culto das outras religiões?

Não nos enganemos, pois a única coisa capaz de conter os fanáticos são as baionetas ou seja a polícia e o exército. Eles não atacam aqueles que creem ser possessos e réprobos porque teriam de responder diante de nossos tribunais segundo as leis cívis que garantem a liberdade e asseguram a igualdade.

Não é a sociedade que esta a constrange-los ou a alterar seus costumes, são eles que querem impor a tirânia do livro deles. São eles que desejam tolher a liberdades alheias como liberticidas, autocraticos e intolerantes que são.

Eles não sabem nem querem saber conviver com as diferenças, desejam uma padronização em moldes vetero testamentários até o traje e a dieta alimentar, aspiram pela opressão e pelo mando e por isso satanizam as diferenças. Como são fracassados, derrotados, neuróticos e infelizes não podem suportar que os demais vivam livre e alegramente, sem aceitar o jugo pesado que carregam...

A liberdade e a alegria alheias incomodam os escravos e toda essa gente triste por servir a deus...

O crime dos demais é buscar a felicidade ao invés de rojar aos pés de Moisés, Maomé ou Calvino.

É verdade srs fanáticos que a Constituição é humana porque deve ser observada por todos os homens que formam o corpo social da nação sem consideração de crenças uma vez que as crenças variam de seita para seita, de reformador para reformador, de pastor para pastor e mesmo de fiel para fiel. É humana para humanos porque elabora um discurso para humanos que querem viver juntos apesar da diversidade particular, sempre lícita, desde que não atinja, danifique ou prejudique os demais, como a guerra e a pena capital por exemplo... verdadeiros crimes que a humanidade ainda não quiz suprimir...

E no entanto todos os cidadãos do pais devem aceita-la porque é a lei maior.

Imaginem se cada doido puder fazer sua lei e sair por ai queimando bruxas ou explodindo templos em nome de deus... numa tal conjuntura os assassinatos e roubos multiplicar-se-iam ao infinito.

Bendita Constituição que nos preserva dessa febre e délírio bíblicos com que os fanáticos se entredevoram vertendo rios de sangue.

É enquanto houver gente com o livro em punho clamando contra a Constituição, os anarquistas e marxistas que me perdoem, mas precisaremos da polícia e do exército. Ou contemos os fanáticos ou darão cabo de tudo quanto logramos construir e edificar nos últimos mil anos de civilização.

Convertendo aristotelismo, anarquismo e marxismo em simples nomes ou sombras do passado.

Não nos iludamos é uma batalha de princípios eles combatem pela autoridade absoluta e inquestionável de um livro em matéria de política e de organização social tal e qual combateram no século XVI.

Nós combatemos pela liberdade de cada pessoa viver segundo sua consciência e ideiais, desde que não cause dano ao outro.

Aos fanáticos que se sentem incomodados pela liberdade e felicidade alheias recomendamos que vão para os EUAN fortalecer as fileiras do sr Folwes et caterva, porque será talvez o único lugar do planeta em que os protestantes conseguirão concretizar os planos do déspota de Genebra e produzir uma civilização tão teocrática, selvagem e rasteira quanto a da Arabia Saudita. Alias a suprema frustração dos lideres protestantes é não terem conseguido achar um cantinho da terra em que possam imitar ou superar o Islam... protestantes fanáticos, que tal a lua, aqui ninguém sentira falta de voces. Vão curtir sua fossa em alguma cratera venusiana enquanto seus templos aqui na terra ficam as moscas...

ATITUDE PRÁTICA - Ao se deparar com qualquer adesivo 'Lei de deus sim Constituição não' boicote o estabelecimento, se for automovel ou camisa grite: LEI DE DEUS AO CARALHO, VIVA A CONSTITUIÇÃO!!! Se for out dor, ovo e tomate nele!!!


VIVA A LIBERDADE!!!

Domingos P Braz, educador


A meus filhos e netos para que sejam livres não escravos!





sábado, 1 de outubro de 2011

Anarquia

Escrevi um post sobre anarquia no início do ano, onde eu criticava o anarquismo sem dó nem piedade, até o dia em que comecei a ler a literatura anarquista de Bakunin, Proudhom e Kropótkin entre outros. E minha ideia sobre o anarquismo mudou muito, não sei todavia dizer se eu sou ou não um anarquista, até porque saí do PCB e me filiei ao PSOL, não porque eu acredite nalgum partido mas porque um amigo me insistiu muito, mas isso não vem ao caso.

Desde que comecei a ler a literatura anarquista tenho me identificados com alguns pontos e rejeitado outros. Mas afinal o que é o anarquismo? Anarquismo - segundo os próprios anarquistas - é a doutrina que prega a liberdade contra todo e qualquer tipo de autoridade, visando dar autonomia a todos os seres humanos, ou seja, é a doutrina que ensina a igualdade, a liberdade e ajuda mútua. O anarquismo não se considera nem de direita nem de esquerda, porque não é um partido político, mas uma forma organizada e também uma forma de vida. O anarquismo é totalmente contra o capitalismo e contra toda e qualquer forma de autoridade que descambará na tirania.

O anarquismo por assim dizer não é a filosofia do operário, do proletariado, de uma classe, mas de toda a humanidade e sua luta está no campo das ideias, os anarquistas não lutam contra a exploração econômica como os marxistas, mas contra toda e quaisquer formas de exploração sejam econômicas, sociais, raciais, políticas e religiosas. Os anarquistas tem por objetivo destruir toda autoridade e construir uma sociedade onde não haja líderes, chefes e todos possam se associar livremente a um grupo de pessoas e também sair livremente desse grupo de pessoas, os anarquistas querem uma sociedade de ajuda mútua, onde todos podem falar e ser ouvidos. Como bem se vê, os anarquistas vão ainda mais longe do que o marxismo e não prescindem do Estado. Viva a anarquia! Por uma sociedade livre!