Antes havia muita fé, pouca razão e quase nenhuma experiência.
Isto não era bom nem saudável, porque a fé degenerava frequentemente em superstição...
Quando a fé tornou-se madura e buscou compreender-se, aflorou mais uma vez a razão...
Mas não havia perfeição, porque a razão flutuava nas asas da imaginação desbragada...
Quando a razão averiguou seus fundamentos, aflorou a experiência.
Havia esperança de que as três esferas formassem uma unidade orgânica, cada qual ocupando um espaço.
A experiência investigando o mundo material dos fenômenos, que é seu.
A razão deslumbrando o que está para além do tempo e do espaço, até onde fosse possível...
E a revelação manifestando o sentir da alma universal...
Ciência, metafísica e revelação completando-se uma a outra, sem atropelamentos e formando uma unidade ascendente...
Belo ideal.
Houve no entanto um Lutero e este Lutero ousou erguer suas mãos impuras e sacrílegas contra este magnífico edíficio a ponto de converte-lo num monte de escombros fumegantes.
Fez guerra ao Filósofo e mestre 'De todos os que sabem' e lançou seus raios contra os padres e teologos mais esclarecidos do passado.
Impudente, escarneceu da razão e da experiência, fez gala do fideismo crasso, deificou o livro e fez reverter a religião a superstição mais grosseira.
Deste caldeirão biblista forjado por Lutero transbordou o fundamentalismo...
E face a este apresentou-se Lord Herbet de Cherbury.
Lord Cherbury cheio de indignação e zelo, vindicou a causa da razão face as pretensões dos impostores e fanáticos...
Ele foi o primeiro dentre os modernos a repudiar a revelação.
Desde então, para muitos, a fé tornou-se um conhecimento supérfluo senão pernicioso.
Restava no entanto a razão, a metafísica, a reflexão e certeza sobre a existência de um Ser Supremo Infinitamente perfeito.
De certo modo parte dos homens havia abandonado os pés do Nazareno para tomar assento já na acadêmia de Platão, já no Líceu de Aristóteles, sob os auspícios da bela tradição Socrática.
Florescia o teísmo e sua majestosa simplicidade. Um teismo semi-agnósta, deista e com certos tons de panteismo e como disse Renan, havia beleza nisto.
Kant no entanto, transplantando os preconceitos de Lutero para o campo da Filosofia, impugnou a capacidade da razão para captar tudo quanto esteja para além dos fenômenos, pondo seus seguidores entre o fideismo e o ateismo.
Ou seja entre Lutero a um lado e La Mettrie, D holbach e Cloots do outro...
Restou no entanto a percepção, a experiência e o conhecimento do mundo material sob a alcunha de positivismo.
Tal e qual a revelação sucedera a metafísíca naturalista, a metafísica naturalista sucedera o cientismo, a religiosidade no entanto permaneceu subjacente.
Surgiu a religião agnósta ou mesmo atéia 'da humanidade' chefiada por Comte e seus companheiros.
Destruidas a fé e a racionalidade, a religião e a metafisica, a revelação e a especulação reflexiva, permanecia a experiência como ideal para milhares de seres humanos.
Foi quando apareceram Nietszche, Heiddeger, Popper... e denunciaram a validade da experiência comum, enquanto base segura de nossos conhecimentos.
Sucessivamente Religião, Filosofia e Ciência foram lançadas ao limbo pela Nemesis do pensamento moderno... restando apenas...
Camus, Sartre e Cau parecem ter sido os únicos a terem audácia suficiente para declarar o que restou ao homem contemporâneo: O NADA...
Isto mesmo, o Nada, o vácuo, o vazio...
Pois não há nem revelação, nem Deus, nem conhecimento possivel a respeito do mundo em que vivemos.
A espiritualidade não passa duma enfermidade, a metafísica duma sindrome e o cientismo dum delírio...
Viraste tuas costas a Sócrates, a Platão e a Aristóteles - os três gregos idiotas, venerados hipocritamente por toda humanidade - e erguestes aras a Pirro e a Protagoras teus verdadeiros mestres e guias que te conduzem a borda do abismo.
Misturaram mel ao veneno e não permitiram que comtemples o fundo da taça em que bebes.
Porque teus mestres e guias, Hume, Kant, La Mettrie, D Holbach, Cloots, Sade, Stirner, Nietszche, Heiddeger... não te contaram tudo.
Não eles não te disseram toda verdade.
Porque temem falar em NIHILISMO.
Terrivel para o homem é admitir que seu cárater racional é na verdade sua suprema enfermidade ou desgraça.
Trágico saber que o homem adquiriu ou é uma consciência para o nada.
Conheces ou sabes apenas uma coisa, que existe apenas o nada... nenhum futuro, nenhum Deus, nenhuma esperança para o mundo... apenas o nada a perseguir-te como tua sombra e a atormentar-te como espector monstruoso.
Em vão o ateu se esforça para vindicar a percepção... sabendo que esta pode abrir caminho a razão e a metafisica e esta, talvez, a velha fé...
Então eles devem fechar a porta e anunciar este novo deus terrivel que é o nada, o acaso, o caos...
Aspiras por alguma ordem, por alguma harmônia, por alguma estabilidade, por alguma beleza... és um ingênuo, um tôlo, um perfeito idiota...
Tudo não passa dum turbilhão fervilhante de particulas... não a sentido algum, exceto na tua mente enfermiça...
Que esperança resta para tí que te deixas guiar por essa caterva de cegos que injuriam suas próprias naturezas?
Não te resta nem espirito, nem Deus, nem mesmo este mundo...
Não podes evitar que este mundo venha a perecer consumido pelos elementos...
Não podes podes garantir a imortalidade da glória face a bilhões de homens que se agitam no formigueiro deste mundo.
Não podes assegurar uma cota maior de alegrias e prazeres face a dor e a desgraça...
Não podes absolutamente nada homem sem ciência, sem percepção, sem filosofia, sem metafísica, sem Deus, sem imortalidade, sem religião...
Por isso só te resta a face abominável do nada.
Resta-me o humanismo. Ousarás afirma-lo???
Não temes que Nietszche e Sartre se riam de tuas frioleiras???
Já ouço teu Stirner, teu Hayek, teu Friedman ou mesmo teu Lênin, remetendo-te ao beatério de Cristo ou de Platão...
Mas que humanismo???
Sendo como és o único arbitro e juiz de ti mesmo, quem pode obrigar-te a qualquer coisa???
Quem poder afirmar o amor como uma lei para tí?
Que pode te impor o jugo da justiça?
Que será capaz de por sobre ti a canga do dever até o heroismo, a imolação e o sacrificio.
Quantos Damiões de Veusters, Maximinianos Kolbes, Irmãs Dulces, Madres Terezas, Zildas Arns, Chicos Xavieres ou Paulos Freires formastes na tua escola do nada???
Quanta gente util e abnegada foram formados sob os auspícios de teus guias.
Tu não solicitaste minha opinião, ousarei no entanto exprimi-la a teu contragosto.
Pois sendo um homem forte como és ou um espírito emancipado e superior, fácil será para ti abandonar esta leitura...
Direi que para mim uma obscura freira a cortar as unhas e lavar os cabelos dos moradores de rua, vale muito mais do que todos os sofistas deste mundo... e que a unha dessa freira que porta amuletos (como o tal escapulario) vale mais do que todos esses compêndios de ateismo dos quais jamais saiu um único orfanato ou um único asilo...
Humanismo ateu, que piada...
Atavismo legado por um teismo ameno que foi buscar suas inspirações velho Cristianismo (católico é claro porque o protestantismo solifideista também é um anti humanismo).
Que elo há entre os homens se não estão no único Ser ou meio divino e infinito?
Que unidade pode haver entre as criaturas caso não estejam ligadas pelo Ser em que subsistem?
Sem o elan do Espírito infinito que tudo envolve, penetra e transforma, as criaturas não passam de seres dispersos e fragmentários.
Que solidariedade pode haver num mosaico de seres dispersos?
A tendência dos homens será sempre acentuar tudo quanto separa-os de modo a constituirem-se em individualidades compartimentadas e alheias as outras raças, grupos e individuos caso não estejam unidos por uma laço verdadeiramente forte e significativo, a saber, o Ser.
É verdade que a mensagem de Cristo sofreu abusos sob a ação de forças externas como o judaismo, o biblismo, o papado, o protestantismo, etc resultando disto uma série de revezes até a crueldade e o escandalo.
Direis que tais revezes poram determinados por Cristo ou que estão de acordo com sua vontade e com sua lei?
Leiam o sermão da montanha! leiam as bemaventuranças!
Não insistirei a respeito deste humanismo cuja via é transcendente.
Contentar-me-ei a mencionar a cidadela do humanismo naturalista edificada pelos imortais Sócrates, Platão e Aristoteles. Cidadela em que não havia lugar para os ateus...
Excluidos igualmente da bela cidade edificada por Baden Powell...
É verdade que existem ateus extremamente honestos e verdadeiramente fraternos, perderam a faculdade de raciocinar correta ou logicamente, mas não perderam os princípios e valores que receberam no berço juntamente com o teismo ou a fé que vieram a repudiar.
Vive e sobrevive a idelogia atéia de par com os principios e valores legados pela religião ou pela metafísica formando edificios híbridos e disformes.
Principios saudáveis por inferência lógica o ateismo não pode construir ou legar a seus partidários sem mostrar-se incoerente traindo seus próprios postulados.
Vive o ateismo de ética alheia...
Para saber qual seja a ética coerente - ou seja a ética do individualismo agolatra - proposta pelos expoentes do ateismo militante faz-se mister ler as torpezas escritas por Stirner, a apologia do super homem escrita pelo bufão de Silz Marie, as obcenidades escritas pelos anarco terroristas, as cavilosidades propostas por Lênin e Stalin, as nauseabundas perorações de Hayek e Friedmann... Todo esse lixo anti humanista, toda esta cultura de morte, todas essas abominações monstruosas são pristino fruto da idologia ateistica levada as últimas consequências.
Aqui não há abuso ou incoerência como no caso das inquisições, autos de fé, guerras, etc apoiada pela cristandade nominal. Aqui, há apenas coerência...
Nós no entanto permanecemos fiéis a utopia.
A utopia de conciliar Sócrates e Aristóteles com a boa nova enunciada pelo Meigo Rabi da Galiléia.
Assim pretendemos valorizar nossa herança greco romana, sem nos apartar-mos da lei de Jesus Cristo Nosso Senhor.
A exemplo de Justino, Clemente, Origenes, Eusébio nossos mestres em Jesus Cristo.
Em que pesem nossos adversários continuamos a postular uma harmôniosa convivência entre a fé, a filosofia e a ciência, cada qual em sua esfera de atuação.
A ciência analisando objetivamente o mundo imanente dos fenômenos ou da natureza com suas leis invariáveis de causa e efeito.
A Filosofia analisando os problemas que envolvem o Ser e a origem deste nosso mundo.
A Revelação informando-nos sobre a lei divina que reje o universo moral das liberdades pessoais e sobre a continuação da vida na esfera da invisibilidade.
Pandorta abriu sua fatídica caixa e dela sairam todos os males e desgraças que pesam sobre os homens mortais...
Lutero abriu a caixa da bibliotria e da superstição e dela sairam o agnosticismo, o ateismo, o relativismo, o ceticismo, o anti humanismo...
Glória aos espíritos imortais de Spinosa e Hegel!!!