domingo, 28 de agosto de 2011

Considerações sobre o filme O planeta dos macacos: a origem


Não, não sou crítico de cinema todavia gosto de assistir aos filmes com um olhar filosófico e o filme "Planeta dos macacos" é um filme que me permite tecer algumas considerações filosóficas.
O filme fala de um cientista obececado por descobrir um remédio contra o mal de alzheimer, uma vez que seu pai é vítima dessa doença. Ele cria um remédio que supostamente cura o cérebro e aumenta a inteligência e essas drogas são testadas em chimpanzés, chimpanzés que são caçados nalgum lugar do continente africano e que servem apenas como cobaias.

O Planeta dos Macacos mostra-nos os chimpanzés servindo de cobaia e aí a gente pergunta: Por que eles servem de cobaia? Eles - disse um dos personagens - não são gente, sabia? Que direito tem os homens de fazer de outras espécies de ponte para uma vida melhor?

Outro fator importante no filme é que este mostra  que o interesse dos capitalistas não é ajudar a quem quer seja mas lucrar em cima de novas drogas, seria isso uma forma de cutucar as indústrias farmacêuticas?

Já no começo do filme a droga é testada em chimpanzés e uma das chimpanzés tem sua inteligência aumentada, o cientista tenta convencer os empresários a investir em sua ideia  e fazer com que a droga possa ser testada em humanos. ele quer demonstrar como a droga funcionou no cérebro da "macaca olhos brilhantes", mãe de César. Quando a chimpanzé foi retirada da cela a mesma reagiu de forma muito agressiva, destruindo tudo o que via pela frente até chegar no auditório onde estavam os empresários, até que um segurança a mata com tiros.

Depois disso o projeto do cientista é descartado, o sr, Jacobs deseja que todos os animais sejam sacrificados. Um dos ajudantes do cientista, encontra um bebê chimpanzé na cela da macaca de "olhos brilhantes" e aí ele descobriu que o remédio não tinha alterado o cérebro da macaca mas que ela estava protegendo o seu filhote. Seu ajudante o convence a salvar a vida de César. Com o tempo ele notou que César recebeu as mutações genéticas de sua mãe, por isso tinha uma inteligência avançada.

O pai do cientista sofria do mal de alzheimer e o cientista sofria com isso, por isso ele queria que a droga fosse testada em humanos, não por humanitarismo, mas porque seu pai sofria dessa terrível doença. Depois de ver os progressos de César, ele decide roubar a droga da empresa e aplicar-lhe em seu pai que tem uma melhora repentina. Após algum tempo a doença volta muito mais agressiva e ele deseja criar um vírus mais potente e conversa com Jacobs o megaempresário e o persuade a ajudá-lo com equipamentos, capital e tudo o que for necessário para continuar as pesquisas.

Certo dia, o pai do cientista já num estádio avançado do mal de alzheimer, vê o carro do vizinho aberto e pensa que é seu carro e bate o carro na parte dianteira e traseira e inicia-se uma discussão, césar vê tudo pela janela de seu quarto e fica revoltado e ataca o vizinho com grande ferocidade, depois disso o serviço de controle animal o recolhe e vai para um abrigo de primatas que sofrem muitos maus-tratos. A princípio César gostaria de voltar para sua casa, mas o cientista que o criou não consegue com o passar do tempo, César se sente traído e fica solidário aos outros macacos e se torna um líder. consegue fugir e vai até sua antiga casa e rouba uma variação da droga mais forte que deixa os macacos ainda mais inteligentes e aplica essa droga primeiro em si mesmo e depois em seus colegas.Após isso, ele lidera uma rebelião até conseguir voltar para a floresta.

O que nos ensina o filme? Que nós seres humanos usamos e abusamos dos animais para fazer nossas experiências como se eles fossem objetos e não animais que sofrem e tem sentimentos; Que muitos cientistas não tem ética, para conseguir seus objetivos persuadem seus patrocinadores a investir, suscitando-lhes o desejo de um lucro sem precedentes; Que os capitalistas não tem escrúpulos, pois se é para ganhar ainda mais dinheiro eles permitem pesquisas até não controladas, pois ficam cegos pelos lucros; Que os homens podem ser responsáveis por sua própria extinção, mas não necessariamente por fabricação de novos remédios, mas pela destruição do meio ambiente, por meio das guerras, etc... E que se o ser humano sumir da face da Terra como sugere o filme por causa da nova droga que funciona bem em macacos, mas péssimo em humanos, que não será o fim da Terra e que outra espécie poderá nos substituir, no filme quem substitui os humanos são os chimpanzés.

Enfim é um filme para fazer pensar, rico em reflexões, feliz de quem souber aproveitá-lo.



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ama e faze o que queres

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Hoje à tarde tive um desentendimento no facebook com uma madame que não aceita ser questionada, ela estava fazendo campanha contra uma comunidade supostamente pedófila, em primeiro lugar a parabenizei, a iniciativa da madame que posa de filósofa, depois eu perguntei como ela sabia daquilo e foi o quanto bastou para pesquisar meu perfil e fazer um ataque ad hominem, supondo de modo velado que eu sou pedófilo, pois a dondoca disse: "Sei porque acabo de ser informada. E você, 32 anos, solteiro, parece que trabalha com crianças. Tem filhos? A propósito, àquela máxima de Sto. Agostinho (Ama e fazes o que queres) que postaste em teu face, está bem furada, não? Desde quando "fazer o que quer?" O amor não justifica tudo. Há Amor e amor, sabemos".

Eu perguntei se aquela comunidade era mesmo pedófila, se foi provada ser de autoria de grupos pedófilos. Aí ela ficou irritada e descontou sua raiva em mim, e insinuou que sou pedófilo como se depreende do texto acima. Mas não é de sua leviandade que pretendo falar mas de sua ignorância no que tange à filosofia.

Acerca da frase de Santo Agostinho ela disse: "A propósito, àquela máxima de Sto. Agostinho (Ama e fazes o que queres) que postaste em teu face, está bem furada, não? Desde quando "fazer o que quer?" O amor não justifica tudo. Há Amor e amor, sabemos".
Bem percebe-se que essa senhora não entende nada de filosofia, nem de retórica e muito menos de cristianismo e por não entender fala besteira, e essa é a desgraça dos ignorantes falar com ares doutorais de coisas que doutoralmente ignoram.
A "iluminada" pensa que Agostinho de Hipona disse que quem ama pode fazer o que bem entender e que o amor não justifica tudo. E quem disse que Santo Agostinho disse que o amor justifica tudo?

Ora, o que Santo Agostinho quer dizer com "Ama e faze o que queres", foi apenas que  as pessoas que amam não prejudicam quem quer que seja, pois quem prejudica quem quer que seja não ama, pois quem ama faz somente o bem, posto que amar é o querer bem dou outro.

Mas a "filósofa" continuou com sua logorréia: "Há amor e amor. Há quem de um tiro e diga que foi "por amor".
Quem ama não faz o mal, mas tão somente o bem, pois o amor é o bem querer do outro, se a pessoa diz amar e faz o mal, então é porque não ama. Se a pessoa só faz o bem porque ama, então a pessoa pode viver sem limites, posto que ama, logo, inevitavelmente fará o bem. Acreditar que alguém possa matar por amor é o mesmo que acreditar que alguém presta socorro a alguém por puro ódio. Exemplo: "Eu o não deixei morrer no incêndio porque eu o odeio", ou "presto ajuda humanitária porque odeio essa gente, odeio e por isso lhes faço o bem".

Infelizmente, as pessoas não param para pensar naquilo que foi falado e ainda tem a coragem de fazer política. Triste, não?

sábado, 20 de agosto de 2011

Os marxismos e o socialismo.








Que falar sobre o marxismo?

Ab ovo, convém salientar que o marxismo não existe.

Como não existe?

Não existe porque um grande número de instituições, partidos e intelectual revindicam para sí - e as vezes com exclusividade - o ilustre padrinho alemão...

E sem embargo, cada grupo apresenta sua forma, subjetiva, de marxismo.

Podemos falar pois em marxismos conflitantes ou num cipoal de marxismos ao invés de falar em marxismo.

Pois até onde nos é dado saber e perceber, ao contrário de Jesus, Marx jamais apresentou-se como infalível ou pretendeu fundar uma cleresia ou igreja infalível. Marx apresentou-se como homem entre os homens tentando decifrar o novo mundo que o rodeava.

Desde muito cedo teve pretensos seguidores, discípulos e sucessores, os quais, por assim dizer, engendraram tantos marxismos quanto cabeças. 

Dietzgen, por exemplo, compreendeu o marxismo como um determinismo materialista de cárater absoluto, grangeando uma multidão de seguidores que prolonga-se até nossos dias... são os ultra marxistas ou ultra ortodoxos. Engels poliu algumas arestas... Plekanov e Kautsky mantendo-se rigorosamente fiéis a Engels moveram guerra a Lênin, apresentando-o como um inovador... Lênin apresentou Kautsky como fascinora... os marxistas ortodoxos excomungaram os marxistas ocidentais ou revisionistas... antes que tais batalhas fossem travadas dissera Marx 'Se apresentam desta forma o marxismo, eu, Marx, não sou marxista.'

A questão pode ser posta nos seguintes termos: caso a doutrina de Marx deva ser conservada inalteradamente, Lênin pecou ao fazer adições; por outro lado, caso possa ser alterada ou modificada numa perspectiva dialética por que devemos adotar as adições feitas por Lênin e não as de qualquer outro??? Por que não podemos ficar com Plenanov, com Kautsky, com os de Frankfurt ou com quaisquer outros??? Por que deveriamos crer que Lênin pensa melhor??? Porque deveriamos aceitar Lênin como sucessor e interprete autorizado de Marx?? Porque deveriamos ser leninistas e não plekanovistas, Kauskystas, rosistas,  gramscistas, adornistas, marcusistas, etc, etc, etc

Não temos nada contra os leninistas além do fato dos leninistas considerarem-se como seguidores do único interprete autorizado de Marx e como guardiães duma suposta ortodoxia marxista que para nós simplesmente não existe. Este zelo por uma ortodoxia inexistente não foi criado pelo PCB ou pelo cômite central, cujos membros pouco ou nada sabem sobre dialética, tampouco foi criado pelo estatocrata Stalin, foi legado por Lênin, o qual, desde o principio arvorou-se em interprete autorizado movendo guerra a tantos quantos discordavam dele - como Kautsky, Plekanov, Bazarov, Dietzgen, etc - apresentando-os como defectores, heréticos, traidores, etc

Concedemos que a 'classe trabalhadora' tomasse o poder na Rússia.

O que não quer dizer que o 'povo russo' tomasse o poder. O povo como um todo era majoritariamente composto por mujiques... 

Os trabalhadores situados no entorno das grandes cidades e centros industriais formavam insignificante minoria. 

Os trabalhadores comprometidos com o ideal socialista minoria de minoria. Os trabalhadores filiados ao PC minoria de minoria de minoria... ou seja uma elite...

E no entanto esta minoria das minorias, logrou forjar diversas 'alianças estratégicas' com as outras minorias tornando-se o elemento coordenador da reação socialista. Acenaram os comunistas aos operários com o controle das fábricas e aos campônios com a posse da terra... com isto a revolução ganhou o apoio das massas e triunfou. Na Ucrânia Trotsky prometeu autonomia aos anarquistas liderados por Makhno com a condição de que auxiliariam os vermelhos contra os brancos; posteriormente os núcleos anarquistas foram declarados ilegais e seus líderes, deportados ou fuzilados.

Efetivamente os campônios foram contemplados com terras e sossegaram por assim dizer desde o momento em que a religião deixou de ser perseguida.

Outro foi o caso dos operários cujo interesse ia para muito além da religião, convergindo com teorias humanistas, anarquistas, etc 

Ganha a revolução que fez Lênin?

Despojou os operários do controle das fábricas e desmantelou a então incipiente democracia lançando fundamentos a estatolatria. Não foi Stalin quem o fez mas o sr Ulianov cerca de um ano após a revolução, pelos fins de 1918. Temos em mãos a denúncia da reputada sra Alexandra Kollontai, uma das lideranças femininas responsáveis pela vitória de 17.

Formando cooperativas autônomas com representatividade política, os operários obteriam participação nas decisões e construiriam um regime verdadeiramente livre, democrático, popular e socialista. Seria a morte do liberalismo econômico... Lênin no entanto optou por subordinar os cômites ao Estado e este a cúpula do PC... e assim construiu o capitalismo de Estado e não o socialismo como já havia previsto Bakunin. Posteriormente a tirania partidocrata chegou a oprimir o operariado tanto quanto a tirania do capital, a suprimir os direitos do trabalhador e a proibir as greves... desaparecendo destarte qualquer diferença entre o estado do trabalhador submisso a nomenklatura e o estado do trabalhador sob o jugo do liberalismo.

Quando Stalin subiu encontrou preparada já a máquina opressora da burocracia. O zelo pela pureza ideológica recebera-o de Lênin para o azar de Bukharin e cia... Foi assim, devido a um zelo semelhante ao dos papas e reformadores, que a inquisição comunista foi engendrada... com suas milhões de vítimas...

Fosse vivo Tolstoi diria que faltava amor, alteridade ou empatia nos corações dos revolucionários. Como faltara amor nos corações dos papas e dos reformadores, promotores das cruzadas e dos autos de fé... Não mataram porque amavam seus semelhantes ou porque amavam a paz, mataram porque odiavam e odiando trairam sordidamente os ensinamentos de Jesus Cristo consignados no Evangelho.

Tais os fundamentalistas, que matam, não em nome de Cristo mas em nome de Moisés e de outros personagens judaicos... o certo é que fanático algum - seja religioso ou não, seja teísta ou não, exerça fé ou não - ama seu semelhante e que sem o amor nada vale.

Efetivamente, nós, socialistas humanistas não toleramos a injustiça e a exploração do humilde pelo nababo pelo simples fato de devemos amar sobretudo a justiça. E amando a justiça condenados o ódio que os ricos e poderosos nutrem pelos pobres, e tomamos a defesa dos mais pobres e apoiamos as justas reações que partem expontaneamente dos pobres e oprimidos que buscam romper os grilhões que os escravizam.

Não é que odiemos os ricos e poderosos. Amamos antes a justiça e por isso nos fraternizamos com tantos quantos desejam ve-la concretizada aqui mesmo na terra como no céu. Consideramos no entanto que a justiça se dará na liberdade e com a liberdade na medida em que as massas tomarem consciência a respeito de seus problemas e tentarem resolve-los enquanto povo cidadão.

Rechaçamos pois, com Lizandro de La Torre, a receita infálivel colhida por Lênin em Sorel e reeditada por Zizek segundo a qual devemos pegar em armas, criar guerrilhas, massacrar os capitalistas, implementar golpe contra as instituições, tomar o poder e estabelecer uma ditadura partidocrata. Diante de um Hitler, de um Stalin ou de um Pol Pot, não somos capazes de exercer fé em individuos ou em grupos de individuos, nossa fé esta posta na coletividade ou seja no povo. Ser oprimido por um grupo de banqueiros ou por um grupo de estadistas é tudo a mesma coisa...

Não precisamos de elite, alguma, exceto se o papel da elite for converter as massas em povo por meio da instrução. Foi o que fez Paulo Freire...

Não podemos pois negociar com a liberdade mesmo sabendo que ela sofre abusos. Pois o abuso não destrói nem pode destruir o uso. Não podemos negociar com direitos inerentes a pessoa humana...

Isto é ser ético. Não negociar com princípios e valores como se pudessem servir ou não servir a determinados objetivos.

Não cremos pois em necessidade de Estado ou de partido e não admitimos que os fins justifiquem os meios. Não precisamos que Jesus Cristo venha ensinar-nos sobre isto, temos Sócrates que é um bom mestre...

Então somos socialistas - como diz La Torre - e não comunistas. Unidos pelo fim estamos separados pelo método.

Por fim compreendemos a produção e distribuição de riquezas pelos trabalhadores agregados em cooperativas e a fruição da terra nos mesmos termos. E não a determinação ou o controle da economia por um Estado centralizado. Aspiramos de fato pelo apoio de um Estado popular ou que o povo controle tanto as fábricas quanto o Estado... que o povo seja controlado por quem seja rechaçamos...

Não somos pois nem queremos ser stalinistas, trotsquistas ou leninistas.

Contenta-mo-nos com ser - e em certa medida todo homem de bem deve se-lo - marxistas.

Marxistas sim, mas marxistas ocidentais, revisionistas ou heterodoxos.

Formamos com Kautsky, Plekanov, Bernstein, Gramsci, Althusser, Harnecker, Adorno, Marcuse, Fromm, e... com Engels.

Pois sabemos muito bem que Engels recomendou insistentemente aos comunistas a tomada do poder pelos meios ordinários ou políticos, ou seja, tomando parte nas eleições e formando bancada no parlamento. Acrescentou ainda que a rebelião - leia-se revolução a justificável em caso de golpe implementado pela burguesia ou seja como reação a supressão das liberdades políticas e não como principio abstrato, metafísico e geral... Gramsci e Mészarós não foram doutro parecer; nem nós...

Sabemos no entanto, que desde 1917, os comunistas tem apresentado a tal revolução armada como uma verdadeira panacéia.

Voltando ao marxismo podemos dizer que pensamos exatamente como Michael Lowy.

Há no marxismo um conteúdo estritamente científico, uma desejo ou anseio e uma fé.

O que faz do marxismo uma visão de mundo. Com epistemologia, política, estética, ética, etc que lhe são próprias...

O marxista ortodoxo assume esta visão marxista como um todo com sacrífico da dialética e de toda crítica. para ele o PC é uma espécie de religião ou de Vaticano que possui a graça de conservar a nova revelação em sua integralidade.

Por isso não somos ortodoxos em sociologia, filosofia, psicologia ou política, terrenos em que as coisas fluem... aqui - no plano natural da natureza - somos e queremos ser heterodoxos, sujo pensamento evolui em demanda dum salto de qualidade compreendido como um entendimento cada vez mais próximo da realidade.

Realidade que segundo cremos não pode caber nas estreitas faixas com que os marxistas ortodoxos anseiam prende-la.

O conteúdo científico e irretorquível do marxismo, seu coração e seu supremo mérito é a analise crítica empreendida por Marx no plano da economia liberal ou seja a desconstrução da igrejoca capitalista, com sua fé materialista depositada sobre o lucro.

Aqui estamos com Marx, embora acreditemos que sua analise puramente materialista possa ser aprofundada numa perspectiva tanto mais realista.

Seja como for Marx é e deve ser encarado como o coveiro das ilusões liberais no plano da economia. Eis porque é tão odiado, detestado e combatido pelos sectários da religião smithiana.

Quanto a seus desejos ou anseios por justiça, a respeito dos quais comungamos plenamente, devemos concordar com Weber e com os positivistas que é muito pouco científico. Pois a ciência limita-se a dizer como as coisas são abstendo-se de declarar como deveriam ser...

Quem costuma a dizer como as coisas deveriam ser é a religião bem como a ética. 

Querendo ou não, com seu ideal de justiça, igualdade, fraternidade, etc, o comunista coloca-se fora do plano puramente material, positivo ou científico e apresenta-se como tributário de fontes religiosas ou metafísicas como o Cristianismo - a propósito leiam 'Socialismo uma utopia Cristã' - e o humanismo grego ante cristão. (Sócrates, Platão, Aristóteles et aliae)

Coerente com seu materialismo oculto o liberalismo rechaça de pronto toda e qualquer petição a justiça ou a alteridade classificando tais conceitos como frioleiras dignas de um beatério...

Toda e qualquer tentativa cujo fim seja libertar ou emancipar o homem não pode ser compreendida em termos puramente materiais ou mesmo naturais. Compreenderam-no perfeitamente Nietszche, Stirner e Camus, dentre outros.

Há inconsequência entre os princípios e os fins do marxismo como humanismo ateu que pretende ser.

Quanto a fé implica em saber como será a sociedade pós capitalista ou comunista, isenta de qualquer tipo de diferenciação social.

Os marxistas no entanto descrevem minuciosamente a sociedade futura...

"Certeza a respeito das coisas que não são vistas." ou seja, fé...

Estranha-nos pois que os comunistas ousem criticar a fé alheia... equivale a tirar trave da vista alheia tendo cisco a ser tirado nas próprias vistas.

Afinal quem foi que informou os marxistas a respeito do futuro?

As ciências humanas - como a História e a sociologia - certamente não podem ter sido uma vez que o objeto da mesmas são entidades concretas, existentes e reais. Tais ramos do conhecimento não trabalham com qualquer descrição exata do futuro ou do vir a ser devido as múltiplas possibilidades em jogo...

Portanto o querer e o descrever dos marxistas nada tem de científico.

Quanto aos métodos - preconizados por Lênin - então... nem se fala.

Lênin julgava que o melhor método era a insurreição armada. 

Nós nos julgamos no direito de discordar dele.

Afinal tudo quanto seja gratuitamente afirmado pode ser sem qualquer tipo de demonstração repudiado.

Preferimos o juízo de um Thoreau sobre a resistência civil por sabermos com quantos sofrimentos, dores e misérias as tais insurreições tem brindado a gente mais humilde e simples. Os deflagradores da conjura fogem enquanto os filhos do povo são entregues ao carrasco não antes de serem torturados perante suas famílias. Tal sacrifício não esperamos do bom povo nem podemos exigir dele...

Quanto a falência da Revolução comunista na Rússia devemos compreender que semelhante revolução já havia sido criticada e condenada por Marx sob o apodítico de Revolução Jacobinista.

Sem ser determinista absoluto como Dietzgen, Marx acreditava - e nisto tinha embasamento - que as ações humanas são capazes de modificar as estruturas mas apenas até certa medida e dentro de certos límites para além dos quais toda e qualquer ação seria impotente.

Destarte, cria ele, que nos Estados que haviam atingido a fase capitalista, que passavam já por ela e cujo capitalismo evoluía em direção dos monopólios, trustes, cartéis, etc era possível, de algum modo, preparar e adiantar o advento da futura sociedade socialista por meio da educação e conscientização do proletariado.

Portanto atingida uma determinada fase e chegada esta a um determinado estádio, era possível adiantar o estado subsequente primeiro através da propaganda e depois por meio da coerção física ou seja da revolução.

O condicionamento porém, ou seja as circunstâncias reais e concretas impedia que as fases fossem eliminadas ou que houvesse por assim dizer um salto nos domínios do processo histórico social. Sem ser determinista absoluto Marx, como realista, sempre levava em conta as impossibilidades impostas pela condição mesma da sociedade...

Dando combate ao determinismo absoluto os marxistas ortodoxos, especialmente dos da Rússia, acreditaram ser possível estabelecer o comunismo numa sociedade pré capitalista... o furor revolucionário falou mais alto, as etapas foram desprezadas e o processo histórico obstruído... Lênin e os seus acreditaram ser possível o que Marx achara ser impossível e introduziram suas teorias no santuário da feudalidade...

Destarte, a exemplo de Robespierre e dos seus, tiveram de constituir-se em diminuta elite, em criar uma burocracia sujeita a corrupção e a venalidade e de recorrer aos fuzis, engendrando novo terror... depois vieram os expurgos, o index, etc

Jesus fora mais realista ao dizer que não se pode deitar vinho novo em odres velhos...

Marx não se deixara enganar e o que começara mal deveria terminar ainda pior.

Segundo a ótica marxista somente os povos e nações que atingiram já a plenitude do capitalismo, aproveitando-se das contradições e crises podem assenhorar-se do poder. E sem hecatombes ou dilúvios de sangue se levarmos em conta o cárater proletarizado de tais sociedades em que os nababos compõem uma parcela insignificante da população. A teoria de Marx implica admitir que a revolução será levada a cabo nos termos finais do sistema por um povo esclarecido, ativo e cidadão e não por meia duzia de revolucionários ou por uma elite partidária.

Os proletários como um todo consciente estarão engajados na revolução. Tal o pensamento de Marx e só podemos concluir que a tarefa precípua do partido operário seja antes de tudo informar ou esclarecer o operariado proletarizado e não planejar golpes numa sociedade feudal ou apenas timidamente capitalista. Admitir a viabilidade de tais golpes implica em admitir que a revolução terá contra sí significativa parcela não esclarecida ou manipulada da população, a qual seria sacrificada numa luta fatricida e carniceira.

Por conhecer muito bem as crônicas de 89 e 92 Marx não simpatizava nem um pouco com semelhante quadro. Esperava antes que a revolução ocorresse mais ou menos pacificamente na Inglaterra, pois não contava com o reformismo a que foi sujeito o liberalismo furioso e tampouco com o fator do imperialismo.

Uma vez instalado o marxismo num país como a Rússia, os caudilhos e a repressão tornaram-se por assim dizer necessários...

Resta saber se posta em prática a doutrina da revolução total e contínua de Trotsky. Efetivamente a implementação de qualquer tipo, forma ou modelo de socialismo num determinado pais não pode deixar de ser problemática... de certo modo a educação para o socialismo prescinde de uma organização universal que atinja todos os países capitalistas, mesmo quando consideramos sua implementação por via natural como a ação política e a militância social... mesmo num plano de reformas econômicas e de reelaboração da estrutura política não se pode deixar de levar em conta a reação dos demais países, em especial dos mais poderosos e daqueles que mais tiram proveito do imperialismo.

Ao anarquismo atomizante nos moldes da antiga Grécia e ao pacifismo anti militar de teor cristão apresentam-se os mesmos problemas. 

Num plano tanto mais realista devemos reconhecer a inconveniência de se fragmentar os grandes estados, de se acabar com as forças armadas ou de se implementar a ordem socialista num único país. Neste plano a  tensão entre o ideal e o concreto manifesta-se em toda sua plenitude e não podemos oferecer respostas prontas. Talvez seja possível ou necessário a criação de uma comunidade ou liga de povos e países socialistas com o propósito de resistir aos adversários...

Isto se admitirmos que tais países chegarão tranquilamente ao socialismo, por meios ordinários sejam políticos ou sociais. No caso duma revolução ou dum golpe contrário as instituições da democracia formal, não há como fugir a ideia duma revolução total e continua, a qual, no entanto, será sempre arriscada ao extremo implicando numa reação ainda mais furiosa e na erradicação do ideal socialista até o pensamento.

Postulando uma cruzada contra as democracias burguesas o comunismo daria vezo a que a simples idéia de socialismo - sob qualquer forma - ou sua divulgação - por quaisquer meios - fosse criminalizada em tais sociedades. Portanto, caso tal revolução falhasse o recuo da causa seria drástico... nem podemos deixar de concluir que a situação dos operários e suas famílias se torna-se imensamente pior. Talvez seja este o pretexto aguardado pela tropa de choque do liberalismo clássico com o intuito de revogar todas as conquistas sociais obtidas pelo povo, em especial pelos trabalhadores, convertendo-os mais uma vez em párias como no décimo nono século.

É incrível como por vezes os ideais do liberalismo farisaico e do bolchevismo se cruzem na esquina do totalitarismo.

Como socialistas que somos execramos todos os totalitarismos, ditaduras e despotismo sejam eles de direita ou de esquerda.

Aspiramos certamente pelo socialismo ou seja pela igualdade, mas em conexão com a liberdade. Pois sem a fruição da liberdade a construção consciente duma sociedade livre é impossivel.

Não duvidamos de que Lênin desejasse sinceramente dar a igualdade a seus patrícios. Acontece que a liberdade não é algo que se receba ou que possa ser ofertado como uma esmola. Liberdade é algo que se conquista e que se merece e igualdade algo que se faz na liberdade, ultrapassando-a e coroando-a. Estabelecer a igualdade a partir da revogação da liberdade pode parecer rápido e fácil como de fato o é... será no entanto real? Ou não passará acaso da mais funesta das ilusões acalentada pelo homem.

Respeitamos e estimamos nossos irmãos que lutam pela libertação do homem face a máquina, o capital, o lucro... de nossa parte no entanto não negociamos nem com a liberdade nem com os direitos da pessoa humana.

Militamos de fato no PCB enquanto acreditamos sinceramente que se tratava duma organização basista, em que tudo era decidido pelas bases de forma comum. Grande foi a nossa decepção ao perceber que o PCB tal e qual o DEM ou o PT é dominado por um líder carismático e por seus asseclas que formam em cabala com ele e tudo decidem ao talante.

Como não somos ovelhas, declinamos de nossa filiação...

Para encerrar dou a palavra a Lênin:

"A história de todos os países atesta que entregue apenas a suas forças, A CLASSE OPERÁRIA SÓ É CAPAZ DE ALCANÇAR A CONSCIÊNCIA TRADE UNIONISTA, ou seja a convicção de que é preciso unir-se em sindicatos com o intuito de lutar contra os patrões ou de reclamar face ao governo a aprovação desta ou daquela lei necessária a proteção de seus interesses, etc... QUANTO A DOUTRINA COMUNISTA, ela surgiu elaborada a partir de teorias filosóficas, históricas, econômicas. elaboradas POR REPRESENTANTES INSTRUÍDOS DAS CLASSES DOMINANTES. POR SUA SITUAÇÃO SOCIAL, OS FUNDADORES DO SOCIALISMO CIENTÍFICO: MARX E ENGELS ERAM INTELECTUAIS BURGUESES (!!!), na Rússia, também o processo de formação surgiu independentemente DO MOVIMENTO OPERÁRIO enquanto resultado natural do desenvolvimento do pensamento dos intelectuais... O DESENVOLVIMENTO ESPONTÂNEO DO MOVIMENTO OPERÁRIO TERMINA SEMPRE SUBORDINANDO-O A IDEOLOGIA BURGUESA PELA SIMPLES RAZÃO SEGUNDO A QUAL A IDEOLOGIA BURGUESA É BEM MAIS ANTIGA QUE O MOVIMENTO OPERÁRIO, TANTO MAIS COESA E ACABADA. EIS PORQUE A CONSCIÊNCIA SOCIAL NÃO PODE SER LEVADA AO OPERÁRIO SENÃO POR UM ORGÃO EXTERIOR A SÍ... O DETENTOR DA CIÊNCIA NÃO É O OPERARIADO, MAS A CATEGORIA DOS INTELECTUAIS BURGUESES, FOI JUSTAMENTE DO CÉREBRO DE CERTOS INDIVÍDUOS PERTENCENTES A ESSA CLASSE QUE SAIU O NOSSO COMUNISMO..." apud Boris Souvarine 'Staline, aperçu historique du bolchevisme. Plon 1935

Dentre os vestígios do pensamento burguês presentes no leninismo, a autocracia da organização partidária, inventada pelo pensador liberal Benjamim Constant... e o menosprezo para com os trabalhadores e suas organizações, menosprezou que levou o líder soviético a acabar com os cômites das fábricas...

Quanto ao socialismo (não comunista) devemos salientar sua conexão com o pensamento Cristão legado pela mais remota antiguidade. Pensamento que foi ao tempo motor das uniões trabalhistas e que segundo o marxista Hobsbaw teve papel marcante na conquista de direitos por parte dos trabalhadores, na contenção do liberalismo furioso e na realização da justiça social em diversos países. Sem que para isso fosse necessário o derramamento de rios de sangue e a destruição de incontáveis vidas. 

Este é o nosso ideal de cooperação, de modificação, de operação na esfera da liberdade. Crendo que ao fim de nossos esforços conjugados emergira uma sociedade muito mais justa e fraterna.




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Gangue da Matriz

Rapper critica deputados que aumentaram seus próprios salários e agora pode ser processado por ter falado cantado a verdade.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Comunismo, uma defesa


Gosto quando Marx fala, na "Introdução à Crítica do Direito de Hegel", que a teorias se convertem numa força material quando se apoderam das massas. Também Trotsky diz que não podemos ignorar o poder das ideias, mesmo que não possuam um “aparato” por trás (o que verificou na prática, haja vista a disseminação das posições da Oposição de Esquerda apesar da perseguição da colossal máquina de calúnia e extermínio da burocracia stalinista). Seja como for, para sair do mundo dos devaneios e adentrar a vida concreta, as ideias são operadas por indivíduos, em dada época histórica e sob dadas circunstâncias materiais.

Assim, é idealismo, hegelianamente falando, imaginar que a ideia se concretizará perfeitamente no mundo dos homens, isto é, que não haverá mediações entre o projetado e o aplicado. Isso não é dizer que as ideias (quaisquer que sejam) são utópicas, delirantes, e que na realidade nada sai como planejado; e sim entender que a ideia se concretiza num amplo processo dialético, portanto contraditório e, podemos mesmo dizer, sequer se concretiza, e sim está-se-concretizando. A vida, que é o campo de aplicação das ideias, é um eterno devir.

É muito belo dizer, por exemplo, que ao ser agredidos devemos oferecer a outra face e que devemos nos amar uns aos outros, dado que somos provenientes do mesmo Pai Eterno; mas disso vieram os massacres dos cruzados, a Inquisição e o fundamentalismo cristão. É belo dizer, como fez Adam Smith, que a busca individual por lucro leva ao bem-estar coletivo; mas disso vieram a exploração capitalista, a acumulação e a opressão. É belo bradar por “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, mas não se pode esquecer que isso descambou na guilhotina e, posteriormente, na ditadura de Napoleão.

O inferno está cheio de boas intenções, como diz o ditado.

Desde que o socialismo, enquanto instrumento organizado e científico da luta de classes, começou a ganhar corpo, enfrentou forte resistência dos grupos dominantes. Falamos "luta de classes", afinal, não por mero simbolismo. Essa luta tem vários instrumentos: da aniquilação física à calúnia, passando pela censura e todas as demais ferramentas postas à disposição da classe de exploradores. Nada obstante, isso não impediu o formidável ascenso da classe trabalhadora que, após a Comuna de Paris, "tomou o céu de assalto" na Rússia.

A Rússia, todavia, era um país semifeudal recém-saído do czarismo. A tomada de poder era a parte fácil; a tarefa que se desenhava no horizonte era o desenvolvimento material do país, o que seria impossível sem o socorro do proletariado dos países desenvolvidos. A revolução russa, pois, era, como a consideravam os bolcheviques, o estopim da revolução mundial, não um fim em si.

Mas tal ajuda não veio. E mais de uma dezena de nações capitalistas invadiu o País dos Sovietes para fazer soçobrar a revolução, reforçando a contrarrevolução interna. Não conseguiram, mas se pode imaginar a devastação física, humana, econômica e moral do país.

Mesmo devastada e isolada, a Rússia precisava tentar se erguer. Mas qual seria a consequência desse atraso para o socialismo nascente?

Quem responde é Leon Trotsky:

"É possível que, em virtude de um determinado alinhamento de forças nacionais e internacionais, o proletariado conquiste o poder em um país atrasado como a Rússia. Porém, o mesmo alinhamento de forças demonstra de antemão que, sem uma vitória mais ou menos rápida do proletariado nos países adiantados, o governo russo não sobreviverá. O regime soviético abandonado a sua própria sorte degenerará ou cairá. Mais precisamente, degenerará e depois cairá".

O país isolado, atrasado, fechado em si mesmo, optando teratologicamente pelo "socialismo em um só país" (sic) inevitavelmente falharia na missão de construir o socialismo. Permitiu o nascimento de uma casta burocrática que usurpou o poder dos sovietes. E transformou a ditadura do proletariado na ditadura do partido e, em verdade, na ditadura do secretário-geral.

Em tal cenário, Trotsky nos dá duas variantes hipotéticas: ou a classe trabalhadora faz novo levante para derrubar a burocracia e salvar o socialismo, ou a burocracia, ela própria, restaurará o capitalismo. Afinal, não se contentará, cedo ou tarde, em ser a mera detentora dos meios de produção; vai querer ser proprietária. Infelizmente, foi essa última opção a vitoriosa e pode-se verificar o acerto do prognóstico facilmente: os "novos-ricos" russos de hoje são todos oriundos da "nomenklatura"...

Feita essa breve digressão histórica, há que se perguntar se a causa da falência da URSS, se os crimes do stalinismo, se a degeneração do partido bolchevique, podem ser atribuídos a um defeito intrínseco ao marxismo ou ao leninismo.

Uma das maiores defesas jamais feitas ao marxismo e ao leninismo está no opúsculo de Trotsky, "Stalinismo e bolchevismo". Primeiro, vem uma verdadeira profissão de fé:

"O marxismo encontrou sua expressão histórica mais elevada no bolchevismo. Sob a bandeira bolchevique se realizou a primeira vitória do proletariado e se instaurou o primeiro estado operário".

Como negar o acerto dessas palavras? É possível que venha a surgir um método melhor. Seria antidialético pensar o leninismo (ou bolchevismo) como uma forma "perfeita", "acabada". Também o leninismo deve ser superado. Mas não há ainda, penso eu, ferramenta melhor de práxis revolucionária.

Teria a URSS degenerado por causa do leninismo? Trotsky prossegue:

"Apresentar o processo de degeneração do estado soviético como a evolução do bolchevismo puro é ignorar a realidade social (...)"

Há que se considerar, na degeneração do Partido e do Estado (que inclusive em dado momento passaram a se confundir) todas as variáveis levantadas na digressão histórica acima. A melhor ferramenta pode, em dadas condições, se estragar, e isso não é decorrência da ferramenta senão das condições. Ainda Trotsky:

"O partido que se apodera do estado pode, por certo, exercer sua influência sobre o desenvolvimento da sociedade com um poder que antes lhe era inacessível, porém, em troca, se decuplica a influência que os demais elementos da sociedade exercem sobre ele. "

O partido não está acima nem além da sociedade na qual se insere. As ideias, eu disse acima, precisam de meios materiais, inseridos em um contexto histórico. O atraso, a guerra, a fome: é evidente que o Partido não ficaria imune a isso. A existência determina a consciência, nos ensinou Marx.

Deduzir o stalinismo do bolchevismo é o mesmo que deduzir a contrarrevolução da revolução. O stalinismo é, conclui Trotsky, a "negação termidoriana" do bolchevismo. Não são iguais.

Vejo os companheiros Domingos e Fernando, de forma legítima, eis que sincera, expondo as críticas que lhes fizeram abandonar os quadros do Partido Comunista Brasileiro. Não posso palpitar, por se tratar de opiniões pessoais, nem posso, em respeito ao leninismo (já que sou membro do Partido), dizer aqui se concordo ou não com o teor dessas críticas. Mas penso -e já não me refiro ao PCB em especial, e sim a qualquer agrupamento humano que tenha por escopo a transformação revolucionária da sociedade- que não há partido, coletivo ou organização "prontos" ou "acabados", como o próprio leninismo, conforme falei acima, não é "pronto" ou "acabado". Antes é uma construção diária, dialética, coletiva. Árdua, sem dúvida. Enfrentar tais contradições é o preço que se paga por se engajar, efetivamente, na luta revolucionária.

Naturalmente, há outras formas de militância. Mas penso -como Trotsky- não serem superiores ao leninismo e, em todo caso, nenhuma outra forma de atuação está isenta de obstáculos. Idiossincrasias de toda sorte pululam ao nosso redor e temos, como bons psicológos, que lidar com esses egos.

Pode-se acrescentar ferramentas ao leninismo, naturalmente. Por exemplo, vejo como importante considerarmos o aspecto moral; não a moral burguesa, conservadora e calcada em séculos de obscurantismo religioso, mas a moral humana, a postura ética que os homens devemos ter uns com os outros. É nesse sentido que considero o comunismo também uma filosofia de vida: é preciso que nos despojemos de toda a "carga" acumulada, do egoísmo, do individualismo, do pessismismo, da angústia. O comunista é vibrante e apaixonado pela vida e, mesmo que pareça ridículo, é guiado por sentimentos de amor (como disse Che Guevara, essa outra figura complexa).

Devemos fomentar ao máximo, também, o espírito crítico que é próprio do marxismo. Joguemos fora os manuais; à lata de lixo da História para com os "guias geniais" e "grandes timoneiros" do stalinismo. O comunista, além de ético e vibrante pela vida, é desafiador, inquieto, ousado, rebelde, lírico. Caso contrário, não se é revolucionário, e de comunista só terá o nome.

(E deter meramente um "nome" não é grande coisa; o PCdoB não é de hoje é um partido institucional burguês; o PCCh explora a classe trabalhadora chinesa; o PT, então, de "dos trabalhadores" não tem nada).

Não é o rótulo que importa, e sim a ação. "Imagem não é nada", não diz o comercial de refrigerantes?

Seria uma grande honra militar no mesmo Partido com os companheiros Domingos e Fernando. Mas respeito sua decisão, assim como eles, sabendo que pertenço a esse mesmo Partido do qual saíram, me respeitam convidando-me para integrar a equipe do blog.

Não precisamos, contudo, estar na mesma organização para que militemos juntos. Quem quer que lute contra a opressão, a exploração, o obscurantismo, o pensamento binário, quem quer, enfim, que lute pela emancipação do homem- é meu companheiro de barricadas, esteja onde estiver.

Com saudações comunistas do,

Joycemar Tejo

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Desconstrução de um discurso demagógico



O vereador Dario Bueno conhecido como Burro iniciou uma polêmica desrespeitosa à categoria dos professores. O que vou fazer aqui é a desconstrução do discurso demagógico desse senhor. 

Dario Burro começa falando que os municípios tem que investir 25% de sua receita na educação e segundo o vereador diz que em Jacareí isso representa R$ 75.000.000. Dario Burro fala ainda que educação "não é só município, é estado na esfera pública, federal". Burro ainda fala que vai discursar sobre o público porque foi escolhido como representante para zelar pelo patrimônio, como se fez entender. 

"Se você tem uma noção básica de economia, você entende que todo investimento espera um retorno e esse retorno na educação eu não vejo, porque há mais de vinte anos, a Constituição obriga a destinar 25% da receita própria e a prioridade da educação pela Constituição, é erradicar o analfabetismo e ainda não foi erradicado por mais de vinte anos com todo esse investimento, isso é preocupante. E quando você vai  conversar isso com os professores e isso ficou bem claro com o uso da tribuna  do professor Roberto Mendes que professor só fala em salário, isso me incomoda".

O Burro começa sua fala pela economia que todo investimento tem que ter retorno e ele não vê retorno no dinheiro investido na educação. Mas aí  surge a pergunta: Esses 25% chegam às escolas? Esses 25% da receita chegam às mãos dos professores? Por acaso não vemos denúncias e mais denúncias  de desvios de verbas públicas? Por que há mais de vinte anos o analfabetismo não foi erradicado do Brasil se o investimento é assim tão bom, segundo Dario Bueno? Simples, porque a verba não chega nem às escolas nem às mãos dos professores, se chegasse muita coisa mudaria. Professor só fala em salário diz o vereador polêmico de Jacareí. Professor só fala em salário, vereador não fala em salário, vereador aumenta o próprio salário. Se nós pudéssemos aumentar nossos próprios salários, evidentemente que não falaríamos em salários. Dario Burro é favorável ao aumento de salário dos vereadores, mas não da forma como foi feita e aí acabou por votar contra. Ele é favorável ao aumento de salário dos vereadores, mas não é favorável que professores discutam salário e plano de carreira, pois é, dois pesos e duas medidas. Dario Burro que diz ter noções de economia fica incomodado ao saber que "professores só falam em salário", ele não sabe que segundo Marx - O modo de produção da vida material determina o caráter geral do processo social, político e intelectual da vida. E que Não é a consciência dos homens que determina a sua existência mas, ao contrário, sua existência social determina sua consciência. Ora, os professores que tem sua vida determinada, digo, condicionada pelo econômico, são obrigados a trabalhar em duas ou três escolas e isso se reflete em suas vidas porque suas aulas perdem muita qualidade, quando não perdem toda a qualidade. Quando os professores ganharem bem e forem devidamente capacitados, então os professores darão melhores aulas porque terão tempo de preparar suas aulas, mas o vereador não sabe nada disso.


"O problema está no comprometimento no projeto de nação do professor e isso não percebo, porque se isso fosse legítimo não teríamos mais analfabetos no Brasil". 

É muito fácil culpar os professores pelo analfabetismo quando os legisladores nada fazem em prol da educação. Ora, pode existir o maior comprometimento do mundo com a educação, mas se não existem condições de trabalho, ambiente saudável, salário digno, não vai haver mudança nenhuma.


Agora o que mais acho engraçado na fala do vereador do DEM é o fato do mesmo citar Paulo Freire para justificar suas críticas aos professores. 

O vereador fala que Paulo Freire conseguiu alfabetizar num projeto experimental em 1962 trezentos adultos em quarenta e cinco dias sem cartilha, num método super-eficiente, partindo de seus conhecimentos prévios.

Ok, mas em que contexto Paulo Freire fez isso? Quem eram seus alunos? Como fez isso? Primeiro, o método Paulo Freire é para adultos e não para crianças. 

O Dario Burro após isso desfia terços de indignação afirmando que as pessoas entram analfabetas e saem analfabetas da escola, e toca de novo no econômico. Ele não entende como podem haver analfabetos com tantos investimentos. Primeiro, nem todo professor é alfabetizador, logo são os alfabetizadores é que devem alfabetizar as crianças. Mas como as crianças podem ser alfabetizadas com salas superlotadas, crianças que desrespeitam o professor, crianças com inclusão e falta de material didático? E não é só, os professores são cobrados pelas seducs da vida, por seus superiores imediatos, e há professores que são obrigados até a falsear dados. Eu mesmo gostaria de saber se esse vereador que já foi professor conseguiria  alfabetizar não trezentas, mas quarenta crianças em quarenta e cinco dias, com as atuais condições da escola. 

O vereador diz que os professores que se colocam no mesmo nível de Paulo Freire. Qual é o problema dessa afirmação do vereador? É que ele generaliza. Há professores maus, sim e não são poucos, mas não ser poucos não é o mesmo que dizer os professores, como se toda a categoria fosse culpada pelo que faz um certo número de professores. 

Em seguida ele diz que os professores não alfabetizam nem politicamente nem por meio da leitura e da escrita. Mais uma vez acusação sem solução. Será que esse vereador ignora que professor tem prazos para entregar notas, trabalhos, projetos e relatórios, que muitos professores fazem cursos de especialização e trabalham em mais de uma unidade escolar?

Burro em sua fala diz que os professores dizem que os políticos querem um povo estúpido e ele disse que esse é um discurso desbotado. Mas se é assim por que os os vereadores não elaboram projetos de leis que beneficiem os professores e a escola? Por que os prefeitos não constroem mais e melhores escolas? É evidente que os políticos querem um povo burro porque somente assim vão perpetuar seu poder indefinidamente.

Mais uma vez Burro compara Paulo Freire aos professores, como se todos os professores fossem alfabetizadores. Fico me perguntando se Paulo Freire tivesse diários de classe, semanários, relatórios, conselho de classe, deliberação 11, HTPC entre outras coisas do ramo, se ele conseguiria alfabetizar esses adultos. Realmente, não sei, mas imagino que não.

Nós estamos atrasados como nação, não é por culpa só dos professores, mas dos políticos que se promovem em cima das misérias do povo.

Todo professor diz: "vote nulo?" Todo? Bem se vê o vereador confunde o singular com o plural, e aí não sei se confunde propositadamente ou se por ignorância; se por ignorância precisa de aulas de gramática e lógica. Uma coisa é um professor e outra coisa, todos.

Mas quando um vereador não quer trabalhar, ele vai para o Twitter, facebook e falar a primeira idiotice que se lhe assoma à cabeça. E para não ser cobrado pelo povo se faz necessário se achar um bode expiatório, nesse caso, os professores fazem esse papel;



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Professor dá coice em Burro, o Dario.

Pelo professor Domingos Pardal Braz



A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã
alguma coisa que não é possível de ser feita hoje,
é fazer hoje aquilo que  hoje pode ser feito.
Mas se eu não fizer hoje o que hoje  pode ser feito e tentar fazer o
que hoje não pode ser feito, dificilmente
eu farei amanhã o que hoje também não pude fazer.
(Paulo Freire)
Numa abordagem bastante breve sobre a sociedade nipônica minha professora de Didática aplicada, salientou a profunda reverência - Saikeirei - com que os japoneses tratam seus mestres e professores, tributando-lhes as mesmas vênias que dirigem ao Imperador, filho da deusa Amaterasu.
Os chineses, cuja cultura plasmou a civilização nipônica, não são menos reverentes para com seus mestres e educadores. Destarte a única maneira que o sacerdote ocidental e 'impuro' ou 'bárbaro' Mateo Ricci, pode encontrar para obter acesso ao Imperador dos seres com o intuito de converte-lo ao Cristianismo, foi apresentar-se como 'professor'...
Enquanto transmissores do patrimônio cultural da nação os professores são amplamente valorizados em ambas as culturas, sucedendo-se o mesmo com o idoso.
Outro é o caso do Ocidente. Hemisfério em que devido ao acelerado dinamismo socio-cultural, o idoso é depreciado e o professor publicamente injuriado, justamente por aqueles aos quais caberia a tarefa de honorifica-lo, dando exemplo as massas incultas.
Maus profissionais existem em todas as categorias.
Impressionante o número de pastores pilantras que vivem as custas da ignorância generalizada vendendo milagres, bençãos, exorcismos e curas, as indulgências do século XXI. Não ousaremos afirmar porém, que todos os pastores sejam igualmente larápios. Pois há certamente alguns que vivem honestamente, ganhando o pão com o suor de seus rostos... até mesmo entre os ministros protestantes há gente de boa fé, gente honesta, sincera e digna de respeito.
Sobre os padres de roma, vez por outra depara-mo-nos com casos de pedofilia. Concluiremos pois que todos os padres de roma ou seja que o clero como um todo é pedófilo? Longe de nós semelhante generalização... Certamente que há entre as fileiras do clero romano muita gente honesta, boa e de comprovado valor.
Mesmo após termos assistido 'tropa de elite', mesmo após termos assistido inumeras ações de extermínio praticadas por grupos de policiais, como o massacre dos três jovens em São Vicente na Quarta-Feira de Cinzas de 1999, o assassinato do menino João Roberto Amorim em 2008, o assasinado do menino Juan Moraes, a execução da Dra Patrícia Acioli, etc e a construção dum Estado polícial estribado na violação sistemática dos direitos da pessoa humana não nos sentimos autorizados a encarar todos os policiais como igualmente responsáveis e criminosos.
Diante de tantas e tantas reclamações no que diz respeito a qualidade do serviço público de saúde e do atendimento dispensado a camada mais humilde da população, deveriamos concluir que não há médico bom e competente no SUS?
Mesmo sabendo que a maior parte dos advogados cuida apenas e tão somente de conseguir que seus clientes sejam absolvidos sem sequer cogitar no cumprimento da justiça não podemos duvidar de que tão nobre sentimento floresça ao menos nos corações de alguns deles. Deve haver certamente advogado que ame o direito e que busque exaltar a justiça a cima de suas necessidades de ordem financeira.
Como, apesar que tantas e tantas denúncias de corrupção - COMO O MENSALÃO DO DEM por exemplo - de desvio de verba pública, de assaltos ao erário, de venalidade, de crimes e torpezas inomináveis, deve haver político que seja virtuoso, honesto, descente e bom. Nega-lo seria insultar os manes de um Jânio, de um Montoro, de um Brizola, de Florestan Fernandes, de um Darcy Ribeiro...
Não desesperemos da política pois nem tudo é Fiuza, nem tudo é João Alves, nem tudo é Arruda nesta nossa terra de Santa Cruz...
Que hajam professores maus ou maus professores - tal e qual há péssimos líderes religiosos, péssimos policiais, péssimos médicos, péssimos advogados e sobretudo péssimos políticos - é fato irretorquível.
Os maus professores existem. Sabe-mo-lo por experiência pelo simples fato de trabalharmos com eles e porque a presença dos mesmos mortifica-nos quase tanto quanto as generalizações infundadas e disparatadas de certos políticos. Afinal ensinar as massas a generalizar ou generealizar com elas é uma ato cem por cento deseducativo, deseducador e deseducante...
Afinal uma coisa é agir segundo os ditames da consciência e da justiça, criticando certo número de membros de uma determinada categoria ou corporação. Outra, totalmente distinta é violar os fundamentos mesmos da justiça e acusar a um só tempo inocentes e culpados lançando todos a mesma fogueira. Neste caso os bons sofrem injustiça, agravo e insulto.
Há cerca de vinte cinco séculos exclamava já o vate hebreu: "O inocente não deve pagar pelo culpado nem o justo pelo iniquo."
Eis a norma suprema que há séculos tem guiado o direito natural em todos os cantos civilizados deste planeta.
O povo no entanto ou melhor as massas incultas generalizam.
Para a gente simples e mal informada todos os padres são pedófilos, todos os policiais são assassinos, todos os médicos são incompetentes e todos os políticos corruptos. Que há pois de extraordinário na gente simples encarar todos os representantes do magistério como acomodados e preguiçosos???
Não há pois o que discutir com aqueles que opinam sem conhecer o assunto em toda sua profunda complexidade. Irritar-se com aqueles que pontificam sem conhecimento de causa é irritar-se inutilmente.
Portanto, quando o povo generaliza e exara afirmações que de forma alguma correspondem a realidade e a justiça cabe apenas dar de ombros e sorrir.
Outro no entanto é o caso quando nos deparamos com um político que apresentando-se a sí mesmo como um educador consumado faz gala de imitar os desvarios da plebe, endossando suas generalizações enquanto pessoa pública.
Aqui a questão atinge dimenssões muito mais amplas.
Afinal seria para esperar-se que nossos políticos apresentassem um cárater diferenciado e superior ao cárater típico das massas mal informadas. Seria exigir demais de nossos políticos, exigir que seus juizos e opiniões estivessem qualitativamente situados bastante acima dos juizos e opiniões de seu eleitorado???
Penso que o representante do povo deva caracterizar-se por certa superioridade face ao vulgo. É o mínimo que podemos exigir dos tais representantes tendo em vista suas pretenssões de representar.
Eu não gosto de ser representando por uma caterva de medíocres cujos juizos e opiniões raramente encontram-se acima do que é crido e desejado pelas massas incultas.
Eis porque fico assustado quando deparo-me com um vereador proferindo generalizações infundadas e meias verdades em torno dum problema tão complexo quanto o problema da educação e dum problema cuja importância é vital para todos nós.
Afinal se nossos políticos não compreendem o que seja a educação e qual sejam suas condições, exigência, funcionamento, etc tudo esta perdido...
Pois todos devem estar perfeitamente cientes que o ato educativo - especialmente nas Escolas públicas - esta em franca conexão com a vontade política. Queremos dizer com isto que o educador só é capaz de agir na dependência do legislador e do mantenedor da educação que é o Estado.
É a legislação que estabelece os fins e as diretrizes gerais da educação nacional. É o legislador que disponibiliza os recursos para implementar o tipo de educação desejada.
Podemos pois afirmar que a ação dos professores é limitada pelo poder e pela vontade do Estado. O professor só pode agir e deve agir sempre segundo a ordenação fixada pelo Estado e dispondo dos recursos auferidos por ele.
Caso as ordenações sejam inadequadas ou caso os recursos sejam insuficientes a responsabilidade o fracasso deve ser atribuida ao político e não aos esforços do magistério.
O político mesmo quando tem razões - e estas quase nunca faltam - para desejar que a educação não funcione, não pode trabalhar direta e oficialmente contra ela. Neste caso deve procurar disfarçar suas operações deseducativas ou sua irresponssabilidade, lançando-a sobre outrem...
Já ouviram dizer que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco?
Na educação existem dois lados bastante fracos: os professores e os pais e estes dois lados costumam acusar-se reciprocamente um ao outro pelos insucessos educativos de nossos jovens e crianças... enquanto os políticos saem pela tangente... Caso os pais e professores conhecessem a fundo o problema da educação, uns e outros saberiam a quem cabe a maior porção da culpa e buscariam as soluções o que não seria nem um pouco interesante para certa categoria de pessoas.
É bom que os principais interesados no sucesso dos esforços educativos - pais e professores - estejam em conflito.... neste caso o verdadeiro responsável pelo fracasso permanece sempre oculto e imune.
Para tanto basta explorar com certa habilidade o imaginário fértil das massas...
Partindo infalivelmente daquele vezo idealista e romântico segundo o qual basta o homem desejar fazer alguma coisa bem feita para que seja feita da melhor maneira possivel. Tal o discurso do edil jacareense:  a educação depende unicamente da boa vontade dos professores, em havendo boa vontade é possivel fazer qualquer coisa... inclusive erradicar o analfabetismo, a fome, as endemias... quiçá sem livros, canetas, cadernos, alimentos, vacinas, medicamentos... Porque a boa vontade faz milagres...
Acontece, nobre vereador, que nem toda a boa vontade do mundo seria suficiente para implementar a construção dos canais de Suez e do Panamá sem máquinas, combustivel, etc Ou para escavar as minas de Potosí... ou para construir as grandes pirâmides do Egito...
Boa vontade como a própria expressão da a entender é bom, é necessário, é importante... mas não é suficiente. Onde sobeja a boa vontade mas falta autonômia e sobretudo recursos, muito pouco pode ser feito egrégio vereador.
Ora educação não é coisa com relação a qual possa-se desprezar os elementos condicionantes como a afetividade, a saúde, a boa alimentação, o vestuário, as instalações, o material, o convívio, etc todos estes fatores estão implicados no processo.
Quanto a importância da afetividade convem salientar as pesquisas de Wallon e de Rogers. Quanto a saúde, alimentação, vestuário, etc recomendo a velha 'Biologia educacional' de Almeida Junior. A respeito das instalações consulte-se "Higiene e cultura" de Waldemar Oliveira. Por fim quanto aos materiais recomendarei as 'Práticas escolares' de Antonio Davila (Saraiva 1955, três volumes). Nem seria possivel oferecer uma bibliografia completa sobre tais pontos... penso que isto seja suficiente para encarar-mos a educação com mais realismo e serenidade e não como o Reino encantado do 'Põe-te mesa'...
Educação não é fenômeno abstrato, mas fato concreto em cujo bojo encontram-se fatores biológicos, sociais, econômicos, políticos, técnicos, psicologicos, etc Simplificar as coisas com o intuito de indigitar possiveis responsáveis ou culpados é laborar em erro.
Efetivamente Paulo Freire conseguiu alfabetizar certo número de pessoas com bastante sucesso.
Convem lembrar no entanto o papel do político na carreira deste que foi considerado um dos maiores educadores do planeta.
Antes de tudo convem evidenciar que Paulo Freire jamais fora comunista. Cristão, humanista e como tal socialista, Freire jamais contou com a simpátia dos comunistas.
A menos de um ano chegou a ser atacado e denunciado num curso de formação do PCB. Enquanto pouco conhecedores que são das doutrinas de Marx e Engels os comunistas julgam que a ênfase de Paulo Freire sobre a necessidade de conscientizar as massas comporte idealismo... chafurdando no pântano do determinismo materialista os comunas jamais puderam engolir o egrério mestre. Tampouco a ralé conservadora e liberal pôde engoli-la, eis porque, de ministro de Jango, Freire passou logo a exilado político e teve sua obra regeneradora desarticulada pelos golpistas de 64.
Cabe salientar aqui a importância do elemento político. Se Freire era assim tão competente, tão util, tão bom, tão compromissado... como reconhece o douto edil jacareense, porque cargas dágua nossos bons militares correram com ele???
Por ai se vê, nobre vereador, que a cruzada promovida por certos elementos do poder político contra a educação não é quimérica.
Pois nossos militares e seus compadrinhados (ou seja a Arena, avó do DEM) também puzeram suas mãos infectas sobre o currículo eliminando uma série de disciplinas essenciais ao real exercício da cidadânia. Via de regra, nossos militares, policiais e até mesmo magistrados e políticos não morrem de amores pela psicologia e pela sociologia, para não falarmos na filosofia...
Caso o amigo leitor tenha acompanhado com a devida atenção o discurso do vereador jacareense, deve ter notado as petições que faz a Platão e a Aristóteles, os principais expoentes do pensamento antigo, formulado pelos gregos. Pensamento a respeito dos quais nossos educandos são informados nas aulas de filosofia, bem como, em certa medida, nas aulas de sociologia e psicologia, uma vez que a História - outra mal amada mos militares, conservadores, liberais, etc - deve concentrar-se sobre os fatos em função de sua carga curricular bastante exigua.
Todos devemos saber que a reintegração das matérias acima citadas no curriculo do Ensino Médio, mereceu o repúdio de TREZE (13) senadores pertencentes ao então PFL, hoje DEM, dentre os quais ACM Jr, Lobão, Tuma e Bornhausen.  Os demais impugnadores pertenciam ao PSDB. Nem é preciso dizer que a proposta foi vetada pelo presidente da República, Sr FHC...
Dirá o egrégio vereador que isto é ter gosto pela educação?
Mas é como dissemos, num mundo economicista, qualquer alarve diplomado em economia julga-se habilitado para ser ministro e para pontificar sobre educação. Suspeitamos pois de todo discurso que aborde o fenômeno educativo em termos duma empresa capitalista, com seus capitais humanos, investimentos, retornos e lucros em termos de mão de obra servil...
Não podemos discordar do ilustre vereador quando afirma que o ato político é um ato educativo. Toda e qualquer ação eticamente concebida e levada a cabo no plano da religiosidade, da militância social, da política, etc é pautadamente educativa. No entanto, como o ilustre vereador direcionou suas críticas a um setor específico da educação que é a educação escolar ministrada e em estabelecimentos especificos, somos levados a questiona-lo sobre o pôrque de sua deserção? Sendo ele um bom professor, sério e comprometido, como não encarar sua saida como um prejuizo para o sistema escolar? Não teria sido melhor para todos que Dario tivesse optado por insistir mais, por lutar, por combater, por resistir, por afrontar e destarte por transformar a educação? Cada um julgue o que é mais honesto, se é criticar do lado de fora ou se é criticar do lado de dentro? Se é criticar com discursos ou com ações e exemplos o ambiente escolar?
Educador ou não o sr Dario não se encontra inserido no setor a que dirige suas tão acrimoniosas críticas...
Como professor comprometido e consciente dou minha cara a mostra e tapa...
Minhas obras e trabalhos na unidade escolar a que pertenço falam por mim.
Devo no entanto vindicar a honrar e a reputação de algumas pessoas maravilhosas com que tenho tido o prazer de trabalhar e cujo contato enriqueceu tanto minha dimensão profissional quanto minha dimensão humana. Não posso permitir que de seu gabinete venha este ou aquele demagogo lançar sua babá suja, fétida e nauseabunda contra meis colegas de categoria. Seria compactuar com tais generalizações de talhe insultuoso! Não compactuo!! Fiel aos princípíos e valores em que creio, ergo a luva!!!
Importantíssimo o papel desempenhado pelos políticos deste país...
São os guardiães de nossa democracia e de seus próprios bolsos... quanto a democrácia souberam guarda-la tão bem que em 64 formaram uma tal de Arena ao lado dos militares, como antes haviam formado a UDN contra os justos e legítimos intereses do povo brasileiro cristalizados na figura de Getúlio Vargas... não sujarei este artigo com a crônica dos sucessivos escandalos que obscureceram a história do Brasil repúblicano. Perguntem a nossos monarquistas, conhecem-nos melhor do que eu...
Quando os professores fazem greves com o intuito de obterem melhores salários e melhores condições de trabalho a sociedade fica consternada. Pois quem haverá de servir de babá para tantos e tantos pais trabalhadores? Os políticos???
Experimentem os deputados e senadores deste pais entrar em greve... Quem haverá de reclamar? Talvez haja até foguetório...
Político aqui só atraí a atenção do grande público quando desvia verba ou quanto aumenta desmedidamente seus próprios proventos...
Professor deve mesmo fazer greve caso não queira transformar-se em mendigo e depender da caridade pública... vereador não precisa fazer qualquer greve: legisla em seu próprio beneficio aumentando o próprio salário segundo ambiciona...  Depois, quando o trabalhador sofrido reclama, faz chantagem sentimental, e ousa dizer que a democracia esta ameaçada e solapada até os fundamentos.
Mas desde quando aumentar o próprio salário é democracia?
Segundo o Aristóteles do professor Dario, legislar em beneficio próprio é tirânia, despotismo, demagogia ou coisa parecida...
No plano da ética aumentar os próprios salários deve ser classificado como ato vergonhoso.
Impudor, penso eu.
Resta aos políticos inexcrupulosos recorrer aos tribunais e processar tantos quantos denunciam semelhante capricho! Quanto a processar os honoraveis políticos não nos é dado, pois gozam daquele favor divino chamado imunidade parlamentar...
Nem é preciso dizer que a tal imunidade é incompativel com os fundamentos mesmos do Estado democrático. Em havendo imunidade não pode haver igualdade...
Sem democracia não podemos passar.
Sem prepresentantes podemos e muito bem.
Afinal não passaram sem eles os gregos ilustres que exerciam eles mesmos a cidadânia sem recorrer a intermediários? Não passam sem eles certas comunidades suiças? E não principiam a dispensa-los a Suécia, com o Demoex?
Efetivamente passariamos muito bem sem essa malta de gente imune que aumenta seus salários ao infinito onerando os cofres publicos.
Primeiro os políticos oneram nossos cofres públicos na medida em que mostram-se incapazes de custear seus próprios automoveis, que digo seu próprio combustivel, suas viagens a Disney World, etc em seguida ousam vir a público anunciar cortes no orçamento...e em que setor do orçamento???
Segundo seus conselheiros, os economistas liberais, convem cortar gastos no 'social' ou seja na educação, na saúde, da habitação, etc afinal investimos muito - querem dizer desperdiçamos - no ser humano, e pouco no mercado, gerando riquezas e ocupações de cárater sevil, ou seja, mão de obra barata... O economista liberal jamais se lembra de aconselhar cortes no âmbito das despesas supérfluas feitas por nossos respeitáveis políticos...
Eu não posso ter lá muito respeito por homens e mulheres que não são suficientemente capazes para encher os tanques de seus próprios automovéis... por piores que sejam nossos professores - e alguns mesmo bastante ruins - ao menos são capazes de custear seus próprios automoveis e combustivel...
Cumpre por fim a esta breve confutação.
Dar-me-ei por contente com o registrar que a mais de mil anos os redatores do Talmud constataram ser ineficaz qualquer tentativa para educar um grupo composto por mais de vinte pessoas. Tanto maior o grupo tanto mais ineficazes os esforços educativos até chegarmos a improdutividade crassa... Piaget, Freinet e outros constataram a exatidão da sabedoria rabíníca.
O legislador no entanto atulha nossas salas de aula com meia centena de alunos, convertendo-as em depósito de gente... em tais circunstância como falar numa educação científica ou realista? Como culpar os professores?
Face a realidade professor não faz milagre! Mesmo o melhor professor do mundo, o mais comprometido, o mais dedicado, pouco poderia fazer diante de semelhante multidão! É o estado que tranforma nossas salas de aula em feiras ou praças públicas, tendo em vista o mau funcionamento do ensino.
Do contrário, tendo conhecimento do quanto foi constatado pelos grandes pedagogos - cujas obras são referencias em nossos concursos públicos - é dever do legislador responsável e comprometido dar-lhe efetivo cumprimento por meio de disposições legais. Queremos dizer com isto que caberia aos parlamentares municipais, estaduais e  federais fixar em vinte ou menos o número de alunos por turma!!! Ignoramos no entanto, político que tenha elaborado ou sancionado semelhante lei...
Posso garantir ao sr Burro, que aprovada, sancionada e posta em prática semelhante lei, experimentaria um salto de qualidade na esfera do ensino.
Também há que se mencionar, ao menos de passagem, a canonização da progressão continuada, por parte do governo. Implica ela em promover automaticamente todos os alunos, em bloco, ao menos dentro de um determinado ciclo. Correspondendo a uma falta de estimulo para o aprendizado dentro da seriação anual... 
E por uma razão bastante simples. Grande parte dos alunos vai a escola por obrigação e não por motivação interna... neste caso a meta é passar de ano para obter alguma recompensa ou escapar a alguma punição por parte dos pais. Eis porque querendo ou não parte deles assimilava o conteúdo apresentado, produzia, mostrava algum resultado e obtinha a promoção. No momento em que a aprovação ou o diploma é dado de bandeja para quem aprende e para quem não aprende, o aprendizado torna-se uma questão de motivação pessoal, dependendo em última analise do contexto familiar em que os principios e valores são fixados... disto tudo resulta que apenas uma infima minoria acompanhará os contéudos dispostos pela legislação, quanto a turma haverá um deficit cada vez maior face aos conteúdos e uma educação meramente pró forma...
Eis porque, como diz Dario, a educação é e tende a ser cada vez mais uma farça...
Mesmo os educadores sentem-se desistimulados a dar o máximo de sí mesmos diante duma turma acomodada e aparica por obra e graça da aprovação automática.
Automática sim porque tanto na esfera municipal como na estadual os educadores são pressionados e intimidados com o objetivo de aprovar automaticamente aqueles que nada aprenderam, mesmo ao final dos ciclos em que seria  possivel aprova-los. Porque há intereses políticos e financeiros por trás de tudo... porque o vereador não põe o dedo nesta chaga purulenta? Porque não investiga como secretários, delegados, diretores, coordenadores, etc aplicam a maravilhosa progressão continuada???
Ameaçam os professores mais sérios e responsáveis, constrangem-nos, punem-nos, etc E depois de tudo temos de ouvir um vereador muito mal informado expelir suas injúrias contra nós... e a alteração de notas sr vereador? E as falsificações de assinaturas?? E as manipulações de testes e provas???
Ponha o dedo na chaga o sr ou quem mais quizer faze-lo... Porque tudo isto ou parte do governo ou conta com a conivência dele.
Certamente que não se deve utilizar a reprovação como mecanismo de vingança e desesperar do educando. Por outro lado não podemos deixar de falar em reprovação ou em punições medicinais e corretivas na medida em que conhecemos realmente a natureza humana e o papel estimulante das tarefas, trabalhos, esforços, metas, desafios, e obstáculos, face a auto superação e o aperfeiçoamento. Oferecer as coisas pura e simplesmente sem nada exigir e sem estabelecer límites, jamais será educar para a vida, mas formar uma geração de acomodados e ineptos. Dentro das oportunidades iguais e tendo por norma e regra a mai estrita aplicação da justiça a emulção não só será justa como educativa.
Também há a questão da disciplina em sala de aula, uma ver que sem boa ordem não se ensina absolutamente nada... sabe no entanto o egrégio edil jacareense que uma interpretação servil do ECA tem causado mais prejuizos a educação do que todos os professores de fancaria.
Permitir que determinado aluno permaneça em sala de aula, independemente de sua atitude face as necessidades educativas do grupo é lesar o direito que o grupo tem de aprender. É autorizar este ou aquele aluno a interroper o processo educativo, é impedir o professor de ensinar e os colegas de aprender,  a suprema glorificação do individualismo irresponsável. Saibam pois os pais e mães que semelhante interpretação e aplicação da lei, amarra por assim dizer as mãos do professor e tornam tanto a sí quanto a classe verdadeiros reféns nas mãos de certos alunos isentos de consciência social.
Com tais alunos jogando papel e giz, gritando, andando pela sala, agredindo verbalmente e as vezes até mesmo fisicamente seus colegas e professores o ato aducativo torna-se problemático senão impossivel.
Não peco ao dizer que a mesma sensação de impunidade experimentada pela sociedade face aos desmandos do crime organizado e da polícia, paira sob nossas salas de aula. Para muitos alunos há a nitida sensação de que não há mais limites a serem ultrapassados e que podem fazer absolutamente tudo...diante disto não poucos professores desistem, enquanto os mais corajosos arriscam sofrer qualquer  tipo de dano moral ou físico, de que temos exemplos nos inumeros atos de agressão ultimamente noticiados. Uma coisa é trabalhar num gabinete, bem instalado numa poltrona, refrescado pelo ar condicionado, ingerindo um cafezinho e cercado por seguranças especializados em afastar professores reclamões... Outra é trabalhar em ambientes insalubres e sob a pressão de circunstâncias e eventos que não lhe é dado evitar ou contornar.
Quanto as exigências dos professores no que tangem ao material a ser empregado em suas aulas direi apenas que tudo quanto é disponibilizado pelas instituições privadas de ensino tendo em vista a implementação de aulas tanto mais dinâmicas, participativas e interesantes, deveria ser disponibilizado igualmente pelo Estado aos professores das escolas públicas tendo em vista a igualdade da educação oferecida e das condições. A LDBEN refere-se explicitamente tais insumos e a qualidade do ato educativo.
Na prática porém os recursos não são aplicados nem onde nem como deveriam. Eis porque a situação das escolas acaba variando segundo as condições da APM, logo das condições materiais da clientela e do bairro em que esta inserida... Eis porque, geralmente, as escolas da periferia, apresentam condições de inferioridade face as escolas situadas em bairros da classe média... daí escolas com péssimas instalações e condições de trabalho que não podem deixar de influenciar o ato educativo, limitando-o ainda mais o seu potencial.
Giz colorido não é luxo sr Burro, é necessidade. Pergunte ao professor de geografia que pretende desenhar um mapa, a professora de artes que pretende desenhar uma cena qualquer, ao professor de matemática que copia um gráfico ou uma tabela ou a um professor de literatura ou de História que deseja tornar sua exposição tanto mais bela quanto atrativa aos olhos do educando. Sustento ainda que o giz deveria ser anti toxico tendo em vista os pulmões dos professores e dos alunos... pois caso os professores fossem políticos não duvido que os gizes fossem de ouro ou prata...
Mapas, globos, estampas, figuras, massa, diversos tipos de papel, regua, tinta, etc não são artigos de luxo. nobre vereador, mas objetos ou insumos indispensáveis ao bom andamento do ato educativo. Leia o velho Antonio Davila e pare de vir a público falando bobagem! Para seu governo vou dizer o que considero artigo de luxo ou coisa supérflua: automoveis e combustivel fornecido gratuitamente a políticos, passagens aéreas e hospedagem fornecida graciosamente a deputados e senadores, apartamentos fornecidos sem qualquer ônus aos parlamentares estaduais e federais... isto sim comporta gasto inutil que já deveria ter sido cortado a muito tempo, embora nossos economistas liberais ainda não o tenham percebido.
Devo falar enfim sobre os maus professores, porque é necessário tentar descobrir se são maus professores porque são más pessoas ou se são maus professores devido a ação de circunstâncias externas. Devemos pois investigar pois porque existem maus professores...
Há professores cujo desempenho deixa a desejar por falta de domínio no que diz respeito aos conteúdos a serem ministrados. Não estão na posse dos conteúdos e portanto não são capazes de ensina-los com suficiência...
Conheço alguns que correspondem a este tipo.
Trata-se muitas vezes de gente jovem, que tendo constituido família precocemente, trabalham em dois ou até três empregos - logo em três turnos > manhã, tarde e noite - com o intuito de manter um padrão de vida confortável, segundo é defeso a todo e qualquer homem ou mulher, mesmo não sendo político... tal categoria de pessoas reserva o fim de semana para repousar e para curtir a família (a qual praticamente não ve durante a semana). Supor que tais pessoas devessem abdicar de seu padrão em prol da excelência educacional seria exigir delas abnegação semelhante a de nosso seráfico Pai. Temo que venham a faltar vagas na ordem terceira da penitência...
Aconselhar que os outros tomem sobre si mesmo fardos que nós mesmos, nem mesmo com o dedo, ousariamos tocar, não me parece honesto. Dizer a certa categoria de pessoas que se contentem com isto ou aquilo não me parece viável... Seria o caso de dizer aos vereadores, deputados, senadores e políticos: contentem-se com dois ou três salários mínimos, uma vez que, a nosso ver, trabalham tão pouco! Não creio que o nobre vereador levasse a sério nossa recomendação; tampouco espere que levemos a sua...
O fato é que parte de nossos confrades mal tem tempo para repousar ou para privar com a família. Como pois haverão de ter tempo para estudar ou para reciclar-se??? A má remuneração do professorado constrange a maior parte de seus membros a trabalhar em mais de um emprego e horário, reduzindo o tempo disponivel para uma possivel reciclagem e consequente aprimoramento profissional. A força das circunstâncias externas, materiais e economicas ou seja as necessidades concretas da vida, impedem o profissional da educação de continuar estudando e aprendendo mais...
O político a seu tempo, tira amplo proveito de semelhante estado de coisas. Pois na medida em que o professor estuda menos, aprende menos, compreende menos, informa menos, mobiliza menos, milita menos... cristalizam-se as mazelas sócio, politico economicas que caracterizam nossa sociedade economicamente liberal e apenas formalmente democratica.
Faz-se mister no entanto que o objetivo educacional seja frustrado de maneira bastante sutil. Nada melhor do que sobrecarregar os professores e impedir que disponham de qualquer tempo livre ou ocioso tendo em vista sua reciclagem, aprimoramento profissional e consequente melhoria no que diz respeito a prática educativa. Caso parte de nossos educadores trabalhasse menos ou seja num só emprego, trabalharia produziria mais na medida em que disporia de tempo e de recursos para estudar e aprender mais... Eis porque a LDBN dispõe que o professor goze de tempo para seu aprimoramento profissional, o que, todavia não passa de letra morta...
Outra categoria de docentes domina os conteúdos a serem ministrados com relativa suficiência. Do ponto de vista meramente formal são competentes. Quanto a saber ensinar ou ministrar os conteúdos deixam muito a desejar...
O motivo porque são tecnicamente incapacitados é a patente inabilidade de parte de nossos professores de didática aplicada, psicologia educacional, etc que pouco ou nada sabem sobre Decroly, Claparede, Piaget, Wallon, Vigotsky, etc  Professores há, nos niveis superiores da educação que não conhecem com a devida suficiência as obras dos nossos Freire, Saviani, Gadotti, Libaneo, Cortella, Hoffmann, Rios, etc
Via de regra os cursos mistos de bacharelado e licenciatura investem mais no programa de bacharelado acenando com a imaginação dos alunos. Uma questão de finanças e de vaidade que não deixa de refletir negativamente sobre o aprendizado no que diz respeito a licenciatura...
Eis porque somos plenamente a favor de uma ampla reforma universitária.
A terceira categoria de professores diz respeito aqueles que dominam os conteúdos, que sabem ministrar boas aulas, mas que, devido a uma série de problemas de ordem física ou psiquica encontram-se inabilitados.
Efetivamente convivemos, em nosso dia a dia, com um bom número de colegas afetados pos algum distúrbio físico, psiquico ou psicosomático, neuroses, sindromes, fobias, angústias, hipocondria, etc
Partindo do princípio segundo o qual apenas funcionários plenamente saudáveis produzem com suficiência necessária para corresponder ao investimento educativo, caberia ao estado aposentar tais funcionários. Ocorre no entanto que o Estado esta muito mais preocupado com questões de ordem meramente financeria do que com a educação em si mesma ou seja com sua qualidade. Eis porque reluta em dispensar tais pessoas com as honras que lhes cabem...
Com parte do professorado física ou psicamente incapacitado jamais teremos um educação de qualidade... a quem cabe a culpa?
Ao Estado. Aos políticos sem consciência. As necessidades economicas...
Afinal ninguém pode ser responsalizado por ficar doente...
O derradeiro grupo de docentes - e talvez o mais exiguo - é formado por aqueles que apesar da formação deficitária, das péssimas instalações, da falta de recursos, da pressão burocratica, dos abusos de poder, da intromissão dos 'sabichões', da precariedade dos vencimentos, da indisciplica reinante, da periculosidade da situação, do desinterese dos educandos, da cobrança das famílias, da incompreenção dos colegas, ainda são obrigados a engolir os insultos e generalizações absurdas e infundadas da politicalha...
Refiro-me ao grupo dos bons professores, que apesar de tantos obstáculos e adversidades, exercem fé no homem, na vida e sobretudo na possibilidade de mudar, de evoluir, de melhorar...
Não são biólogos, museólogos, químicos, etc por falta de competência ou de oportunidade, mas porque, gostam de gente, porque gostam de ensinar, porque acreditam e confiam no ser humano, porque apostaram na educação...
Talvez devessemos procurar a maioria dos frustrados no corpo político, ou seja, em meio aqueles que abandonaram o trabalho honesto e fecundo com o pérfido intuito de viver folgada e parasitariamente, quiçá atirados sobre uma poltrona de couro em ambiente climatizado; faina em troca da qual ganham alguns milhares de cobre sem fazer lá muito esforço, exceto aquele que é metabolicamente necessário para manter a vida.
Efetivamente parte de nossos políticos - como o ex presidente FHC, que com tantos insultos enxovalhou o povo brasileiro - faria uma grande coisa caso se contenta-se em respirar, evitando que certos juizos ineptos ultrapassassem a barreira dos dentes...
Para mim a questão já esta decidida.
Importante é aquele que educa nossos filhos proporcionando-lhes, na medida do possivel, acesso a realização pessoal e a cidadânia, além do conteudo necessário para refletir sobre as relações de produção e de trabalho, ao invés de inserir-se mecanica e passivamente em seu mundo, como querem certos políticos subservientes e educadores sem consciência.
Legislar pessimamente, ou seja, sem o devido conhecimento das causas que presidem os fenômenos, é a pior das desgraças que pode acometer um povo livre. Exigir uma postura científica dos professores é fácil numa terra em que economista exerce amiude as funções de ministro ou de secretário da educação...
No entanto que sabe o melhor dos economistas a respeito do fenômeno educativo ou da saúde pública??? Tanto quanto nossos avoengos sabiam sobre a lua...
Especialistas habeis em processar rapers pelo crime de ridiculariza-los por terem aumentado ao máximo seus próprios salários, nossos políticos aproveitariam melhor o tempo ocioso de que dispõem, caso se informassem melhor sobre os fundamentos da educação, do direito, da economia, etc Destarte seria possivel a elaboração de leis verdadeiramente sábias e uteis que fossem de encontro as demandas sociais do pais, minorando os inumeros disturbios e problemas que afetam nossas escolas, presidios, tribunais, hospitais, hospicios, etc
No mais, orientamos tantos quantos sentiram-se atingidos e injuriados pelas generalizações apressadamente construidas pelo vereador jacareense, a seguirem o conselho do Dr Ihering, vindicando suas reputações feridas a barra da lei. Juntem-se em grupos, procurem um advogado e procurem mover ações conjuntas contra o político tendo em vista possiveis ressarcimentos. Permitir que a própria dignidade seja publicamente ultrajada é fazer muito pouco caso da própria dignidade.
Mudar um pais implica em ter consciência da própria dignidade.
Somente um povo que valoriza a si mesmo será capaz de construir sua História ao invés de ve-la construida por outros.
Ademais, vindicar legalmente a dignidade conspurcada é um a ato assaz educativo, mormente quando parte de professores. Implica em dar exemplo de cidadânia a nossos alunos.
Naturalmente que uma nação em que homossexuais são linchados, indios incendiados, mendigos lapidados, sindicalistas, lideres comunitários e juizes eliminados precisa muito ser educado.
Um pais em que ruralistas destroem impunemente os recursos naturais enquanto mafiosos e policiais corruptos disputam para ver quem mais oprime o povo ainda esta longe de ser civilizado.

Profo Domingos P Braz sempre indignado e em linha de afrontamento.


"Seja feita a vossa vontade AQUI NA TERRA, como no céu."