Pelo professor Domingos Pardal Braz
A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã
alguma coisa que não é possível de ser feita hoje,
é fazer hoje aquilo que hoje pode ser feito.
Mas se eu não fizer hoje o que hoje pode ser feito e tentar fazer o
que hoje não pode ser feito, dificilmente
eu farei amanhã o que hoje também não pude fazer.
(Paulo Freire)
Numa abordagem bastante breve sobre a sociedade nipônica minha professora de Didática aplicada, salientou a profunda reverência - Saikeirei - com que os japoneses tratam seus mestres e professores, tributando-lhes as mesmas vênias que dirigem ao Imperador, filho da deusa Amaterasu.
Os chineses, cuja cultura plasmou a civilização nipônica, não são menos reverentes para com seus mestres e educadores. Destarte a única maneira que o sacerdote ocidental e 'impuro' ou 'bárbaro' Mateo Ricci, pode encontrar para obter acesso ao Imperador dos seres com o intuito de converte-lo ao Cristianismo, foi apresentar-se como 'professor'...
Enquanto transmissores do patrimônio cultural da nação os professores são amplamente valorizados em ambas as culturas, sucedendo-se o mesmo com o idoso.
Outro é o caso do Ocidente. Hemisfério em que devido ao acelerado dinamismo socio-cultural, o idoso é depreciado e o professor publicamente injuriado, justamente por aqueles aos quais caberia a tarefa de honorifica-lo, dando exemplo as massas incultas.
Maus profissionais existem em todas as categorias.
Impressionante o número de pastores pilantras que vivem as custas da ignorância generalizada vendendo milagres, bençãos, exorcismos e curas, as indulgências do século XXI. Não ousaremos afirmar porém, que todos os pastores sejam igualmente larápios. Pois há certamente alguns que vivem honestamente, ganhando o pão com o suor de seus rostos... até mesmo entre os ministros protestantes há gente de boa fé, gente honesta, sincera e digna de respeito.
Sobre os padres de roma, vez por outra depara-mo-nos com casos de pedofilia. Concluiremos pois que todos os padres de roma ou seja que o clero como um todo é pedófilo? Longe de nós semelhante generalização... Certamente que há entre as fileiras do clero romano muita gente honesta, boa e de comprovado valor.
Mesmo após termos assistido 'tropa de elite', mesmo após termos assistido inumeras ações de extermínio praticadas por grupos de policiais, como o massacre dos três jovens em São Vicente na Quarta-Feira de Cinzas de 1999, o assassinato do menino João Roberto Amorim em 2008, o assasinado do menino Juan Moraes, a execução da Dra Patrícia Acioli, etc e a construção dum Estado polícial estribado na violação sistemática dos direitos da pessoa humana não nos sentimos autorizados a encarar todos os policiais como igualmente responsáveis e criminosos.
Diante de tantas e tantas reclamações no que diz respeito a qualidade do serviço público de saúde e do atendimento dispensado a camada mais humilde da população, deveriamos concluir que não há médico bom e competente no SUS?
Mesmo sabendo que a maior parte dos advogados cuida apenas e tão somente de conseguir que seus clientes sejam absolvidos sem sequer cogitar no cumprimento da justiça não podemos duvidar de que tão nobre sentimento floresça ao menos nos corações de alguns deles. Deve haver certamente advogado que ame o direito e que busque exaltar a justiça a cima de suas necessidades de ordem financeira.
Como, apesar que tantas e tantas denúncias de corrupção - COMO O MENSALÃO DO DEM por exemplo - de desvio de verba pública, de assaltos ao erário, de venalidade, de crimes e torpezas inomináveis, deve haver político que seja virtuoso, honesto, descente e bom. Nega-lo seria insultar os manes de um Jânio, de um Montoro, de um Brizola, de Florestan Fernandes, de um Darcy Ribeiro...
Não desesperemos da política pois nem tudo é Fiuza, nem tudo é João Alves, nem tudo é Arruda nesta nossa terra de Santa Cruz...
Que hajam professores maus ou maus professores - tal e qual há péssimos líderes religiosos, péssimos policiais, péssimos médicos, péssimos advogados e sobretudo péssimos políticos - é fato irretorquível.
Os maus professores existem. Sabe-mo-lo por experiência pelo simples fato de trabalharmos com eles e porque a presença dos mesmos mortifica-nos quase tanto quanto as generalizações infundadas e disparatadas de certos políticos. Afinal ensinar as massas a generalizar ou generealizar com elas é uma ato cem por cento deseducativo, deseducador e deseducante...
Afinal uma coisa é agir segundo os ditames da consciência e da justiça, criticando certo número de membros de uma determinada categoria ou corporação. Outra, totalmente distinta é violar os fundamentos mesmos da justiça e acusar a um só tempo inocentes e culpados lançando todos a mesma fogueira. Neste caso os bons sofrem injustiça, agravo e insulto.
Há cerca de vinte cinco séculos exclamava já o vate hebreu: "O inocente não deve pagar pelo culpado nem o justo pelo iniquo."
Eis a norma suprema que há séculos tem guiado o direito natural em todos os cantos civilizados deste planeta.
O povo no entanto ou melhor as massas incultas generalizam.
Para a gente simples e mal informada todos os padres são pedófilos, todos os policiais são assassinos, todos os médicos são incompetentes e todos os políticos corruptos. Que há pois de extraordinário na gente simples encarar todos os representantes do magistério como acomodados e preguiçosos???
Não há pois o que discutir com aqueles que opinam sem conhecer o assunto em toda sua profunda complexidade. Irritar-se com aqueles que pontificam sem conhecimento de causa é irritar-se inutilmente.
Portanto, quando o povo generaliza e exara afirmações que de forma alguma correspondem a realidade e a justiça cabe apenas dar de ombros e sorrir.
Outro no entanto é o caso quando nos deparamos com um político que apresentando-se a sí mesmo como um educador consumado faz gala de imitar os desvarios da plebe, endossando suas generalizações enquanto pessoa pública.
Aqui a questão atinge dimenssões muito mais amplas.
Afinal seria para esperar-se que nossos políticos apresentassem um cárater diferenciado e superior ao cárater típico das massas mal informadas. Seria exigir demais de nossos políticos, exigir que seus juizos e opiniões estivessem qualitativamente situados bastante acima dos juizos e opiniões de seu eleitorado???
Penso que o representante do povo deva caracterizar-se por certa superioridade face ao vulgo. É o mínimo que podemos exigir dos tais representantes tendo em vista suas pretenssões de representar.
Eu não gosto de ser representando por uma caterva de medíocres cujos juizos e opiniões raramente encontram-se acima do que é crido e desejado pelas massas incultas.
Eis porque fico assustado quando deparo-me com um vereador proferindo generalizações infundadas e meias verdades em torno dum problema tão complexo quanto o problema da educação e dum problema cuja importância é vital para todos nós.
Afinal se nossos políticos não compreendem o que seja a educação e qual sejam suas condições, exigência, funcionamento, etc tudo esta perdido...
Pois todos devem estar perfeitamente cientes que o ato educativo - especialmente nas Escolas públicas - esta em franca conexão com a vontade política. Queremos dizer com isto que o educador só é capaz de agir na dependência do legislador e do mantenedor da educação que é o Estado.
É a legislação que estabelece os fins e as diretrizes gerais da educação nacional. É o legislador que disponibiliza os recursos para implementar o tipo de educação desejada.
Podemos pois afirmar que a ação dos professores é limitada pelo poder e pela vontade do Estado. O professor só pode agir e deve agir sempre segundo a ordenação fixada pelo Estado e dispondo dos recursos auferidos por ele.
Caso as ordenações sejam inadequadas ou caso os recursos sejam insuficientes a responsabilidade o fracasso deve ser atribuida ao político e não aos esforços do magistério.
O político mesmo quando tem razões - e estas quase nunca faltam - para desejar que a educação não funcione, não pode trabalhar direta e oficialmente contra ela. Neste caso deve procurar disfarçar suas operações deseducativas ou sua irresponssabilidade, lançando-a sobre outrem...
Já ouviram dizer que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco?
Na educação existem dois lados bastante fracos: os professores e os pais e estes dois lados costumam acusar-se reciprocamente um ao outro pelos insucessos educativos de nossos jovens e crianças... enquanto os políticos saem pela tangente... Caso os pais e professores conhecessem a fundo o problema da educação, uns e outros saberiam a quem cabe a maior porção da culpa e buscariam as soluções o que não seria nem um pouco interesante para certa categoria de pessoas.
É bom que os principais interesados no sucesso dos esforços educativos - pais e professores - estejam em conflito.... neste caso o verdadeiro responsável pelo fracasso permanece sempre oculto e imune.
Para tanto basta explorar com certa habilidade o imaginário fértil das massas...
Partindo infalivelmente daquele vezo idealista e romântico segundo o qual basta o homem desejar fazer alguma coisa bem feita para que seja feita da melhor maneira possivel. Tal o discurso do edil jacareense: a educação depende unicamente da boa vontade dos professores, em havendo boa vontade é possivel fazer qualquer coisa... inclusive erradicar o analfabetismo, a fome, as endemias... quiçá sem livros, canetas, cadernos, alimentos, vacinas, medicamentos... Porque a boa vontade faz milagres...
Acontece, nobre vereador, que nem toda a boa vontade do mundo seria suficiente para implementar a construção dos canais de Suez e do Panamá sem máquinas, combustivel, etc Ou para escavar as minas de Potosí... ou para construir as grandes pirâmides do Egito...
Boa vontade como a própria expressão da a entender é bom, é necessário, é importante... mas não é suficiente. Onde sobeja a boa vontade mas falta autonômia e sobretudo recursos, muito pouco pode ser feito egrégio vereador.
Ora educação não é coisa com relação a qual possa-se desprezar os elementos condicionantes como a afetividade, a saúde, a boa alimentação, o vestuário, as instalações, o material, o convívio, etc todos estes fatores estão implicados no processo.
Quanto a importância da afetividade convem salientar as pesquisas de Wallon e de Rogers. Quanto a saúde, alimentação, vestuário, etc recomendo a velha 'Biologia educacional' de Almeida Junior. A respeito das instalações consulte-se "Higiene e cultura" de Waldemar Oliveira. Por fim quanto aos materiais recomendarei as 'Práticas escolares' de Antonio Davila (Saraiva 1955, três volumes). Nem seria possivel oferecer uma bibliografia completa sobre tais pontos... penso que isto seja suficiente para encarar-mos a educação com mais realismo e serenidade e não como o Reino encantado do 'Põe-te mesa'...
Educação não é fenômeno abstrato, mas fato concreto em cujo bojo encontram-se fatores biológicos, sociais, econômicos, políticos, técnicos, psicologicos, etc Simplificar as coisas com o intuito de indigitar possiveis responsáveis ou culpados é laborar em erro.
Efetivamente Paulo Freire conseguiu alfabetizar certo número de pessoas com bastante sucesso.
Convem lembrar no entanto o papel do político na carreira deste que foi considerado um dos maiores educadores do planeta.
Antes de tudo convem evidenciar que Paulo Freire jamais fora comunista. Cristão, humanista e como tal socialista, Freire jamais contou com a simpátia dos comunistas.
A menos de um ano chegou a ser atacado e denunciado num curso de formação do PCB. Enquanto pouco conhecedores que são das doutrinas de Marx e Engels os comunistas julgam que a ênfase de Paulo Freire sobre a necessidade de conscientizar as massas comporte idealismo... chafurdando no pântano do determinismo materialista os comunas jamais puderam engolir o egrério mestre. Tampouco a ralé conservadora e liberal pôde engoli-la, eis porque, de ministro de Jango, Freire passou logo a exilado político e teve sua obra regeneradora desarticulada pelos golpistas de 64.
Cabe salientar aqui a importância do elemento político. Se Freire era assim tão competente, tão util, tão bom, tão compromissado... como reconhece o douto edil jacareense, porque cargas dágua nossos bons militares correram com ele???
Por ai se vê, nobre vereador, que a cruzada promovida por certos elementos do poder político contra a educação não é quimérica.
Pois nossos militares e seus compadrinhados (ou seja a Arena, avó do DEM) também puzeram suas mãos infectas sobre o currículo eliminando uma série de disciplinas essenciais ao real exercício da cidadânia. Via de regra, nossos militares, policiais e até mesmo magistrados e políticos não morrem de amores pela psicologia e pela sociologia, para não falarmos na filosofia...
Caso o amigo leitor tenha acompanhado com a devida atenção o discurso do vereador jacareense, deve ter notado as petições que faz a Platão e a Aristóteles, os principais expoentes do pensamento antigo, formulado pelos gregos. Pensamento a respeito dos quais nossos educandos são informados nas aulas de filosofia, bem como, em certa medida, nas aulas de sociologia e psicologia, uma vez que a História - outra mal amada mos militares, conservadores, liberais, etc - deve concentrar-se sobre os fatos em função de sua carga curricular bastante exigua.
Todos devemos saber que a reintegração das matérias acima citadas no curriculo do Ensino Médio, mereceu o repúdio de TREZE (13) senadores pertencentes ao então PFL, hoje DEM, dentre os quais ACM Jr, Lobão, Tuma e Bornhausen. Os demais impugnadores pertenciam ao PSDB. Nem é preciso dizer que a proposta foi vetada pelo presidente da República, Sr FHC...
Dirá o egrégio vereador que isto é ter gosto pela educação?
Mas é como dissemos, num mundo economicista, qualquer alarve diplomado em economia julga-se habilitado para ser ministro e para pontificar sobre educação. Suspeitamos pois de todo discurso que aborde o fenômeno educativo em termos duma empresa capitalista, com seus capitais humanos, investimentos, retornos e lucros em termos de mão de obra servil...
Não podemos discordar do ilustre vereador quando afirma que o ato político é um ato educativo. Toda e qualquer ação eticamente concebida e levada a cabo no plano da religiosidade, da militância social, da política, etc é pautadamente educativa. No entanto, como o ilustre vereador direcionou suas críticas a um setor específico da educação que é a educação escolar ministrada e em estabelecimentos especificos, somos levados a questiona-lo sobre o pôrque de sua deserção? Sendo ele um bom professor, sério e comprometido, como não encarar sua saida como um prejuizo para o sistema escolar? Não teria sido melhor para todos que Dario tivesse optado por insistir mais, por lutar, por combater, por resistir, por afrontar e destarte por transformar a educação? Cada um julgue o que é mais honesto, se é criticar do lado de fora ou se é criticar do lado de dentro? Se é criticar com discursos ou com ações e exemplos o ambiente escolar?
Educador ou não o sr Dario não se encontra inserido no setor a que dirige suas tão acrimoniosas críticas...
Como professor comprometido e consciente dou minha cara a mostra e tapa...
Minhas obras e trabalhos na unidade escolar a que pertenço falam por mim.
Devo no entanto vindicar a honrar e a reputação de algumas pessoas maravilhosas com que tenho tido o prazer de trabalhar e cujo contato enriqueceu tanto minha dimensão profissional quanto minha dimensão humana. Não posso permitir que de seu gabinete venha este ou aquele demagogo lançar sua babá suja, fétida e nauseabunda contra meis colegas de categoria. Seria compactuar com tais generalizações de talhe insultuoso! Não compactuo!! Fiel aos princípíos e valores em que creio, ergo a luva!!!
Importantíssimo o papel desempenhado pelos políticos deste país...
São os guardiães de nossa democracia e de seus próprios bolsos... quanto a democrácia souberam guarda-la tão bem que em 64 formaram uma tal de Arena ao lado dos militares, como antes haviam formado a UDN contra os justos e legítimos intereses do povo brasileiro cristalizados na figura de Getúlio Vargas... não sujarei este artigo com a crônica dos sucessivos escandalos que obscureceram a história do Brasil repúblicano. Perguntem a nossos monarquistas, conhecem-nos melhor do que eu...
Quando os professores fazem greves com o intuito de obterem melhores salários e melhores condições de trabalho a sociedade fica consternada. Pois quem haverá de servir de babá para tantos e tantos pais trabalhadores? Os políticos???
Experimentem os deputados e senadores deste pais entrar em greve... Quem haverá de reclamar? Talvez haja até foguetório...
Político aqui só atraí a atenção do grande público quando desvia verba ou quanto aumenta desmedidamente seus próprios proventos...
Professor deve mesmo fazer greve caso não queira transformar-se em mendigo e depender da caridade pública... vereador não precisa fazer qualquer greve: legisla em seu próprio beneficio aumentando o próprio salário segundo ambiciona... Depois, quando o trabalhador sofrido reclama, faz chantagem sentimental, e ousa dizer que a democracia esta ameaçada e solapada até os fundamentos.
Mas desde quando aumentar o próprio salário é democracia?
Segundo o Aristóteles do professor Dario, legislar em beneficio próprio é tirânia, despotismo, demagogia ou coisa parecida...
No plano da ética aumentar os próprios salários deve ser classificado como ato vergonhoso.
Impudor, penso eu.
Resta aos políticos inexcrupulosos recorrer aos tribunais e processar tantos quantos denunciam semelhante capricho! Quanto a processar os honoraveis políticos não nos é dado, pois gozam daquele favor divino chamado imunidade parlamentar...
Nem é preciso dizer que a tal imunidade é incompativel com os fundamentos mesmos do Estado democrático. Em havendo imunidade não pode haver igualdade...
Sem democracia não podemos passar.
Sem prepresentantes podemos e muito bem.
Afinal não passaram sem eles os gregos ilustres que exerciam eles mesmos a cidadânia sem recorrer a intermediários? Não passam sem eles certas comunidades suiças? E não principiam a dispensa-los a Suécia, com o Demoex?
Efetivamente passariamos muito bem sem essa malta de gente imune que aumenta seus salários ao infinito onerando os cofres publicos.
Primeiro os políticos oneram nossos cofres públicos na medida em que mostram-se incapazes de custear seus próprios automoveis, que digo seu próprio combustivel, suas viagens a Disney World, etc em seguida ousam vir a público anunciar cortes no orçamento...e em que setor do orçamento???
Segundo seus conselheiros, os economistas liberais, convem cortar gastos no 'social' ou seja na educação, na saúde, da habitação, etc afinal investimos muito - querem dizer desperdiçamos - no ser humano, e pouco no mercado, gerando riquezas e ocupações de cárater sevil, ou seja, mão de obra barata... O economista liberal jamais se lembra de aconselhar cortes no âmbito das despesas supérfluas feitas por nossos respeitáveis políticos...
Eu não posso ter lá muito respeito por homens e mulheres que não são suficientemente capazes para encher os tanques de seus próprios automovéis... por piores que sejam nossos professores - e alguns mesmo bastante ruins - ao menos são capazes de custear seus próprios automoveis e combustivel...
Cumpre por fim a esta breve confutação.
Dar-me-ei por contente com o registrar que a mais de mil anos os redatores do Talmud constataram ser ineficaz qualquer tentativa para educar um grupo composto por mais de vinte pessoas. Tanto maior o grupo tanto mais ineficazes os esforços educativos até chegarmos a improdutividade crassa... Piaget, Freinet e outros constataram a exatidão da sabedoria rabíníca.
O legislador no entanto atulha nossas salas de aula com meia centena de alunos, convertendo-as em depósito de gente... em tais circunstância como falar numa educação científica ou realista? Como culpar os professores?
Face a realidade professor não faz milagre! Mesmo o melhor professor do mundo, o mais comprometido, o mais dedicado, pouco poderia fazer diante de semelhante multidão! É o estado que tranforma nossas salas de aula em feiras ou praças públicas, tendo em vista o mau funcionamento do ensino.
Do contrário, tendo conhecimento do quanto foi constatado pelos grandes pedagogos - cujas obras são referencias em nossos concursos públicos - é dever do legislador responsável e comprometido dar-lhe efetivo cumprimento por meio de disposições legais. Queremos dizer com isto que caberia aos parlamentares municipais, estaduais e federais fixar em vinte ou menos o número de alunos por turma!!! Ignoramos no entanto, político que tenha elaborado ou sancionado semelhante lei...
Posso garantir ao sr Burro, que aprovada, sancionada e posta em prática semelhante lei, experimentaria um salto de qualidade na esfera do ensino.
Também há que se mencionar, ao menos de passagem, a canonização da progressão continuada, por parte do governo. Implica ela em promover automaticamente todos os alunos, em bloco, ao menos dentro de um determinado ciclo. Correspondendo a uma falta de estimulo para o aprendizado dentro da seriação anual...
E por uma razão bastante simples. Grande parte dos alunos vai a escola por obrigação e não por motivação interna... neste caso a meta é passar de ano para obter alguma recompensa ou escapar a alguma punição por parte dos pais. Eis porque querendo ou não parte deles assimilava o conteúdo apresentado, produzia, mostrava algum resultado e obtinha a promoção. No momento em que a aprovação ou o diploma é dado de bandeja para quem aprende e para quem não aprende, o aprendizado torna-se uma questão de motivação pessoal, dependendo em última analise do contexto familiar em que os principios e valores são fixados... disto tudo resulta que apenas uma infima minoria acompanhará os contéudos dispostos pela legislação, quanto a turma haverá um deficit cada vez maior face aos conteúdos e uma educação meramente pró forma...
Eis porque, como diz Dario, a educação é e tende a ser cada vez mais uma farça...
Mesmo os educadores sentem-se desistimulados a dar o máximo de sí mesmos diante duma turma acomodada e aparica por obra e graça da aprovação automática.
Automática sim porque tanto na esfera municipal como na estadual os educadores são pressionados e intimidados com o objetivo de aprovar automaticamente aqueles que nada aprenderam, mesmo ao final dos ciclos em que seria possivel aprova-los. Porque há intereses políticos e financeiros por trás de tudo... porque o vereador não põe o dedo nesta chaga purulenta? Porque não investiga como secretários, delegados, diretores, coordenadores, etc aplicam a maravilhosa progressão continuada???
Ameaçam os professores mais sérios e responsáveis, constrangem-nos, punem-nos, etc E depois de tudo temos de ouvir um vereador muito mal informado expelir suas injúrias contra nós... e a alteração de notas sr vereador? E as falsificações de assinaturas?? E as manipulações de testes e provas???
Ponha o dedo na chaga o sr ou quem mais quizer faze-lo... Porque tudo isto ou parte do governo ou conta com a conivência dele.
Certamente que não se deve utilizar a reprovação como mecanismo de vingança e desesperar do educando. Por outro lado não podemos deixar de falar em reprovação ou em punições medicinais e corretivas na medida em que conhecemos realmente a natureza humana e o papel estimulante das tarefas, trabalhos, esforços, metas, desafios, e obstáculos, face a auto superação e o aperfeiçoamento. Oferecer as coisas pura e simplesmente sem nada exigir e sem estabelecer límites, jamais será educar para a vida, mas formar uma geração de acomodados e ineptos. Dentro das oportunidades iguais e tendo por norma e regra a mai estrita aplicação da justiça a emulção não só será justa como educativa.
Também há a questão da disciplina em sala de aula, uma ver que sem boa ordem não se ensina absolutamente nada... sabe no entanto o egrégio edil jacareense que uma interpretação servil do ECA tem causado mais prejuizos a educação do que todos os professores de fancaria.
Permitir que determinado aluno permaneça em sala de aula, independemente de sua atitude face as necessidades educativas do grupo é lesar o direito que o grupo tem de aprender. É autorizar este ou aquele aluno a interroper o processo educativo, é impedir o professor de ensinar e os colegas de aprender, a suprema glorificação do individualismo irresponsável. Saibam pois os pais e mães que semelhante interpretação e aplicação da lei, amarra por assim dizer as mãos do professor e tornam tanto a sí quanto a classe verdadeiros reféns nas mãos de certos alunos isentos de consciência social.
Com tais alunos jogando papel e giz, gritando, andando pela sala, agredindo verbalmente e as vezes até mesmo fisicamente seus colegas e professores o ato aducativo torna-se problemático senão impossivel.
Não peco ao dizer que a mesma sensação de impunidade experimentada pela sociedade face aos desmandos do crime organizado e da polícia, paira sob nossas salas de aula. Para muitos alunos há a nitida sensação de que não há mais limites a serem ultrapassados e que podem fazer absolutamente tudo...diante disto não poucos professores desistem, enquanto os mais corajosos arriscam sofrer qualquer tipo de dano moral ou físico, de que temos exemplos nos inumeros atos de agressão ultimamente noticiados. Uma coisa é trabalhar num gabinete, bem instalado numa poltrona, refrescado pelo ar condicionado, ingerindo um cafezinho e cercado por seguranças especializados em afastar professores reclamões... Outra é trabalhar em ambientes insalubres e sob a pressão de circunstâncias e eventos que não lhe é dado evitar ou contornar.
Quanto as exigências dos professores no que tangem ao material a ser empregado em suas aulas direi apenas que tudo quanto é disponibilizado pelas instituições privadas de ensino tendo em vista a implementação de aulas tanto mais dinâmicas, participativas e interesantes, deveria ser disponibilizado igualmente pelo Estado aos professores das escolas públicas tendo em vista a igualdade da educação oferecida e das condições. A LDBEN refere-se explicitamente tais insumos e a qualidade do ato educativo.
Na prática porém os recursos não são aplicados nem onde nem como deveriam. Eis porque a situação das escolas acaba variando segundo as condições da APM, logo das condições materiais da clientela e do bairro em que esta inserida... Eis porque, geralmente, as escolas da periferia, apresentam condições de inferioridade face as escolas situadas em bairros da classe média... daí escolas com péssimas instalações e condições de trabalho que não podem deixar de influenciar o ato educativo, limitando-o ainda mais o seu potencial.
Giz colorido não é luxo sr Burro, é necessidade. Pergunte ao professor de geografia que pretende desenhar um mapa, a professora de artes que pretende desenhar uma cena qualquer, ao professor de matemática que copia um gráfico ou uma tabela ou a um professor de literatura ou de História que deseja tornar sua exposição tanto mais bela quanto atrativa aos olhos do educando. Sustento ainda que o giz deveria ser anti toxico tendo em vista os pulmões dos professores e dos alunos... pois caso os professores fossem políticos não duvido que os gizes fossem de ouro ou prata...
Mapas, globos, estampas, figuras, massa, diversos tipos de papel, regua, tinta, etc não são artigos de luxo. nobre vereador, mas objetos ou insumos indispensáveis ao bom andamento do ato educativo. Leia o velho Antonio Davila e pare de vir a público falando bobagem! Para seu governo vou dizer o que considero artigo de luxo ou coisa supérflua: automoveis e combustivel fornecido gratuitamente a políticos, passagens aéreas e hospedagem fornecida graciosamente a deputados e senadores, apartamentos fornecidos sem qualquer ônus aos parlamentares estaduais e federais... isto sim comporta gasto inutil que já deveria ter sido cortado a muito tempo, embora nossos economistas liberais ainda não o tenham percebido.
Devo falar enfim sobre os maus professores, porque é necessário tentar descobrir se são maus professores porque são más pessoas ou se são maus professores devido a ação de circunstâncias externas. Devemos pois investigar pois porque existem maus professores...
Há professores cujo desempenho deixa a desejar por falta de domínio no que diz respeito aos conteúdos a serem ministrados. Não estão na posse dos conteúdos e portanto não são capazes de ensina-los com suficiência...
Conheço alguns que correspondem a este tipo.
Trata-se muitas vezes de gente jovem, que tendo constituido família precocemente, trabalham em dois ou até três empregos - logo em três turnos > manhã, tarde e noite - com o intuito de manter um padrão de vida confortável, segundo é defeso a todo e qualquer homem ou mulher, mesmo não sendo político... tal categoria de pessoas reserva o fim de semana para repousar e para curtir a família (a qual praticamente não ve durante a semana). Supor que tais pessoas devessem abdicar de seu padrão em prol da excelência educacional seria exigir delas abnegação semelhante a de nosso seráfico Pai. Temo que venham a faltar vagas na ordem terceira da penitência...
Aconselhar que os outros tomem sobre si mesmo fardos que nós mesmos, nem mesmo com o dedo, ousariamos tocar, não me parece honesto. Dizer a certa categoria de pessoas que se contentem com isto ou aquilo não me parece viável... Seria o caso de dizer aos vereadores, deputados, senadores e políticos: contentem-se com dois ou três salários mínimos, uma vez que, a nosso ver, trabalham tão pouco! Não creio que o nobre vereador levasse a sério nossa recomendação; tampouco espere que levemos a sua...
O fato é que parte de nossos confrades mal tem tempo para repousar ou para privar com a família. Como pois haverão de ter tempo para estudar ou para reciclar-se??? A má remuneração do professorado constrange a maior parte de seus membros a trabalhar em mais de um emprego e horário, reduzindo o tempo disponivel para uma possivel reciclagem e consequente aprimoramento profissional. A força das circunstâncias externas, materiais e economicas ou seja as necessidades concretas da vida, impedem o profissional da educação de continuar estudando e aprendendo mais...
O político a seu tempo, tira amplo proveito de semelhante estado de coisas. Pois na medida em que o professor estuda menos, aprende menos, compreende menos, informa menos, mobiliza menos, milita menos... cristalizam-se as mazelas sócio, politico economicas que caracterizam nossa sociedade economicamente liberal e apenas formalmente democratica.
Faz-se mister no entanto que o objetivo educacional seja frustrado de maneira bastante sutil. Nada melhor do que sobrecarregar os professores e impedir que disponham de qualquer tempo livre ou ocioso tendo em vista sua reciclagem, aprimoramento profissional e consequente melhoria no que diz respeito a prática educativa. Caso parte de nossos educadores trabalhasse menos ou seja num só emprego, trabalharia produziria mais na medida em que disporia de tempo e de recursos para estudar e aprender mais... Eis porque a LDBN dispõe que o professor goze de tempo para seu aprimoramento profissional, o que, todavia não passa de letra morta...
Outra categoria de docentes domina os conteúdos a serem ministrados com relativa suficiência. Do ponto de vista meramente formal são competentes. Quanto a saber ensinar ou ministrar os conteúdos deixam muito a desejar...
O motivo porque são tecnicamente incapacitados é a patente inabilidade de parte de nossos professores de didática aplicada, psicologia educacional, etc que pouco ou nada sabem sobre Decroly, Claparede, Piaget, Wallon, Vigotsky, etc Professores há, nos niveis superiores da educação que não conhecem com a devida suficiência as obras dos nossos Freire, Saviani, Gadotti, Libaneo, Cortella, Hoffmann, Rios, etc
Via de regra os cursos mistos de bacharelado e licenciatura investem mais no programa de bacharelado acenando com a imaginação dos alunos. Uma questão de finanças e de vaidade que não deixa de refletir negativamente sobre o aprendizado no que diz respeito a licenciatura...
Eis porque somos plenamente a favor de uma ampla reforma universitária.
A terceira categoria de professores diz respeito aqueles que dominam os conteúdos, que sabem ministrar boas aulas, mas que, devido a uma série de problemas de ordem física ou psiquica encontram-se inabilitados.
Efetivamente convivemos, em nosso dia a dia, com um bom número de colegas afetados pos algum distúrbio físico, psiquico ou psicosomático, neuroses, sindromes, fobias, angústias, hipocondria, etc
Partindo do princípio segundo o qual apenas funcionários plenamente saudáveis produzem com suficiência necessária para corresponder ao investimento educativo, caberia ao estado aposentar tais funcionários. Ocorre no entanto que o Estado esta muito mais preocupado com questões de ordem meramente financeria do que com a educação em si mesma ou seja com sua qualidade. Eis porque reluta em dispensar tais pessoas com as honras que lhes cabem...
Com parte do professorado física ou psicamente incapacitado jamais teremos um educação de qualidade... a quem cabe a culpa?
Ao Estado. Aos políticos sem consciência. As necessidades economicas...
Afinal ninguém pode ser responsalizado por ficar doente...
O derradeiro grupo de docentes - e talvez o mais exiguo - é formado por aqueles que apesar da formação deficitária, das péssimas instalações, da falta de recursos, da pressão burocratica, dos abusos de poder, da intromissão dos 'sabichões', da precariedade dos vencimentos, da indisciplica reinante, da periculosidade da situação, do desinterese dos educandos, da cobrança das famílias, da incompreenção dos colegas, ainda são obrigados a engolir os insultos e generalizações absurdas e infundadas da politicalha...
Refiro-me ao grupo dos bons professores, que apesar de tantos obstáculos e adversidades, exercem fé no homem, na vida e sobretudo na possibilidade de mudar, de evoluir, de melhorar...
Não são biólogos, museólogos, químicos, etc por falta de competência ou de oportunidade, mas porque, gostam de gente, porque gostam de ensinar, porque acreditam e confiam no ser humano, porque apostaram na educação...
Talvez devessemos procurar a maioria dos frustrados no corpo político, ou seja, em meio aqueles que abandonaram o trabalho honesto e fecundo com o pérfido intuito de viver folgada e parasitariamente, quiçá atirados sobre uma poltrona de couro em ambiente climatizado; faina em troca da qual ganham alguns milhares de cobre sem fazer lá muito esforço, exceto aquele que é metabolicamente necessário para manter a vida.
Efetivamente parte de nossos políticos - como o ex presidente FHC, que com tantos insultos enxovalhou o povo brasileiro - faria uma grande coisa caso se contenta-se em respirar, evitando que certos juizos ineptos ultrapassassem a barreira dos dentes...
Para mim a questão já esta decidida.
Importante é aquele que educa nossos filhos proporcionando-lhes, na medida do possivel, acesso a realização pessoal e a cidadânia, além do conteudo necessário para refletir sobre as relações de produção e de trabalho, ao invés de inserir-se mecanica e passivamente em seu mundo, como querem certos políticos subservientes e educadores sem consciência.
Legislar pessimamente, ou seja, sem o devido conhecimento das causas que presidem os fenômenos, é a pior das desgraças que pode acometer um povo livre. Exigir uma postura científica dos professores é fácil numa terra em que economista exerce amiude as funções de ministro ou de secretário da educação...
No entanto que sabe o melhor dos economistas a respeito do fenômeno educativo ou da saúde pública??? Tanto quanto nossos avoengos sabiam sobre a lua...
Especialistas habeis em processar rapers pelo crime de ridiculariza-los por terem aumentado ao máximo seus próprios salários, nossos políticos aproveitariam melhor o tempo ocioso de que dispõem, caso se informassem melhor sobre os fundamentos da educação, do direito, da economia, etc Destarte seria possivel a elaboração de leis verdadeiramente sábias e uteis que fossem de encontro as demandas sociais do pais, minorando os inumeros disturbios e problemas que afetam nossas escolas, presidios, tribunais, hospitais, hospicios, etc
No mais, orientamos tantos quantos sentiram-se atingidos e injuriados pelas generalizações apressadamente construidas pelo vereador jacareense, a seguirem o conselho do Dr Ihering, vindicando suas reputações feridas a barra da lei. Juntem-se em grupos, procurem um advogado e procurem mover ações conjuntas contra o político tendo em vista possiveis ressarcimentos. Permitir que a própria dignidade seja publicamente ultrajada é fazer muito pouco caso da própria dignidade.
Mudar um pais implica em ter consciência da própria dignidade.
Somente um povo que valoriza a si mesmo será capaz de construir sua História ao invés de ve-la construida por outros.
Ademais, vindicar legalmente a dignidade conspurcada é um a ato assaz educativo, mormente quando parte de professores. Implica em dar exemplo de cidadânia a nossos alunos.
Naturalmente que uma nação em que homossexuais são linchados, indios incendiados, mendigos lapidados, sindicalistas, lideres comunitários e juizes eliminados precisa muito ser educado.
Um pais em que ruralistas destroem impunemente os recursos naturais enquanto mafiosos e policiais corruptos disputam para ver quem mais oprime o povo ainda esta longe de ser civilizado.
Profo Domingos P Braz sempre indignado e em linha de afrontamento.
"Seja feita a vossa vontade AQUI NA TERRA, como no céu."