O amor a legalidade, a igualdade, a justiça, a tolerância... princípios e valores que constituem, por assim dizer, o fundamento de todas as sociedades livres, constrange-me a abandonar minhas pesquisas e trabalhos para tornar a liça e vindicar o cárater leigo ou secular do Estado Brasileiro, ameaçado, mais uma vez, pela hidra do fanatismo obscurantista e obscurecedor.
Escrevo tendo diante das vistas um livro escrito há exatos setenta anos pelo Pastor protestante Guaracy Silveira e intitulado 'Lutero, Loyola e o totalitarismo' (ed metodista, 1943).
Tendo antes estudado em seminário romano e se desencantado com a monarquia papal ao folhear a 'História eclesiástica' do Abbe Millot, Guaracy acabou tornando-se um dos principais expoentes da cultura teologica protestante em nosso país.
Afinal, trata-se dum escritor agrádavel, correto, erudito, inteligente, justo, etc
Mas vamos a obra... a tese ventilada em "Lutero, Loyola..." que é bastante simples: Lutero ou o protestantismo nascente foi a matriz de todas as nossas liberdades modernas e por assim dizer o principal promotor do espírito democrático.
Colheu-a o pastor tupiniquim em diversos manuais compostos por advogados e panigiristas da dita reforma como o nosso Rui, Laveleye, etc
Basta dizer que a referida tese não se sustenta a luz dos fatos quer de ontem ou de hoje.
Quem quizer ter uma visão tanto mais justa e realista, examine a alentada obra de Van Lonn intitulada 'Tolerance' cap 'Reformation'.
Basta dizer que se no bojo do processo histórico a Reforma protestante INTERANGINDO COM A IGREJA ROMANA, teve parte na construção das liberdades que ora fruimos; os reformadores, a começar por Lutero, foram tão tacanhos quanto os papas e de certo modo mais fanáticos e intolerantes do que a maior parte dos teólogos papistas.
A historiografia contemporânea não pode deixar de reconhecer que destruindo o poder dos Bispos e autorgando-o aos principes e senhores feudais Lutero tornou-se um dos principais arquitetos da estatolatria alemã. Mesmo porque Lutero, fundamentando-se na opinião do Apóstolo Paulo, arvorou em dogma a obediência passiva dos súditos aos senhores, condenando toda e qualquer forma de resistência a vontade do princípe, apresentado por ele como uma espécie de lugar tenente de Deus sobre a terra.
Como paladino dos reacionários e inimigo jurado das liberdades, Lutero condenou irremissivelmente os camponeses alemães - protestantes por sinal - aos fogos perpétuos de seu inferno, determinando que fossem executados pelos senhores sem consideração de sexo ou idade. Segundo as crônicas do tempo pereceram dezenas de milhares.
Lutero no entanto eximiu-se da culpa por semelhante hecatombe lançando-a sob os ombros do Senhor Jesus Cristo, por quem dizia ser dirigido e guiado nas ações mais insignificantes da vida diária.
A justiça no entanto obriga-nos a registrar que Melanchton havia previsto os resultados deste acumulo de autoridade (secular e religiosa) nas mãos do principado cívil e rogado a Lutero que mantivesse ou que restabelecesse o episcopado, a independência da hierarquia sagrada e a medição social da Igreja. Lutero porém não deu a mínima atenção aos rogos de seu secretário e lançou as bases do erastianismo convertendo a organização protestante num instrumento político destinado a fortalecer ainda mais o despotismo e a tirânia.
Eis porque Calvino apossou-se da República de Genebra, convertendo-a numa cidadela do fanalismo, estabelecendo a teocracia, reproduzindo a inquisição papista e fazendo justiçar tantos quantos dissidentes tiveram o azar de cair sem suas mãos sanguinárias como Gruet, Comparet e Servet (este queimado a lenha verde) e persseguir implacavelmente aqueles que não havia conseguido condenar como Castallion, Bolsec, etc
A igreja romana tornou-se assassina e criminosa cerca do século XI, quando seus Santos fundadores haviam adormecido há mais de mil anos. A sêde de sangue infiltrou-se nela como um principio alienigena tomado já aos bárbaros, já aos mouros e não do Evangelho de Cristo.
O protestantismo principiou matando, desde os alvores de sua geração, e seus fundadores tem as mãos machadas de sangue embora o livro sagrado (que não é o velho mas o Novo Testamento) decrete que assassino algum herdará a vida futura.
Os mesmos processos sucederam-se em todas as regiões da Europa, em que o protestantismo veio a triunfar.
Os magistrados - como descreve Erasmo em diversas de suas cartas - (representates da burguesia) ou o principe é que decidiam-se pelo papa ou por Lutero, restando ao povo a tarefa de curvar as cabeças e obedecer. O protestantismo, tal e qual o islamismo é filho da espada, da imposição externa, da coerção e não da liberdade, a qual tampouco foi deliberadamente criada por ele ou por seus inventores.
'Cuius regio, cuius relegio' foi o refrão legado a humanidade pelos reformadores protestantes... ou seja segundo a região, o pais, o REI, a AUTORIDADE SECULAR tal a fé dos súditos. Nada muito lizongeiro face a liberdade...
A história da reforma e de seus promotores é uma história de sangue e opressão em que as consciências humanas foram sacrilegamente profanadas tal e qual eram profanadas na Espanha pelos esbirros do Vaticano.
Que o espírito democrático pairasse já sobre a Europa ou melhor sobre a suiça mais de cem anos antes que Calvino viesse a luz deste mundo, testificam os decretos publicados na última quadra do décimo quarto século pelo Bispo Genebrino Adhemar Fabri.
Quanto a liberdade religiosa e o Estado secular - embora tenha surgido como uma espécie de Fenix das ruinas e cinzas produzidas pelo embate ocorrido entre a Europa romana e a Europa protestante, tendo em vista a dominação espiritual da Europa - o passo decisivo para sua implantação foi (segundo o professor Harold J Lasky in 'Liberalismo europeu') a tomada do poder pelos representantes da teoria econômica liberal, para os quais as tensões e disputas de natureza religiosa eram um obstaculo a expansão do comércio europeu.
Destarte a secularização e a tolerância não foram implantadas com o objetivo de valorizar o Ser humano... a verdadeira motivação que veio a produzir o mundo livre e laicizado a que pertencemos foi de natureza financeira e não de natureza religiosa ou ética.
Quanto ao Brasil já fazem mais de duzentos anos que as vizitações da inquisição foram canceladas e que o Index librorum proibitorum deixou de ser observado como uma espécie de lei cujo objetivo era determinar o que não deveria ser lido pelos súditos da magestade católica...
Cerca de cem anos depois nossos antepassados, introduziram entre nós o regime repúblicano nos moldes da ideologia liberal. Seja como for os republicanos tiveram o mérito imortal de separar oficialmente o Estado e a religião, lançando os fundamentos duma política laicista, secular e pluralista sem a qual não há igualdade...
Nem é preciso dizer que os primeiros apóstolos da religião fundada por Lutero, fizeram sua entrada neste nosso pais apelando as liberdades republicanas, aos principios democráticos, as luzes da civilização, etc
Heresiarca houve neste nosso pais - o Dr Miguel Vieira Ferreira identificado por um grupo de fanaticos com o arcanjo Miguel - que não descançou até que os crucifixos fossem removidos dos tribunais, em obediência a Constituição republicana e ao cárater leigo do estado brasileiro.
Ainda hoje os demagogos protestantes que logram alçar-se a qualquer cargo público, não tendo mais o que fazer, cuidam logo de elaborar leis com o intuito de destruir ou de remover os símbolos religiosos do papismo que se encontram em certos prédios, DOADOS AO ESTADO POR PESSOAS PERTENCENTES A COMUNHÃO ROMANA COM A CONDIÇÃO DE QUE TAIS SÍMBOLOS JAMAIS FOSSEM REMOVIDOS...
Aqui na Baixada Santista certos fanáticos politiqueiros fizeram grande estardalhaço objetivando a remoção de certas figuras postas em alguns prédios públicos há mais de meio século... sem que incomodassem a qualquer ateu, espírita, ortodoxo, etc Algumas por sinal até fazendo as vezes de objeto decorativo com nuances artísticos.
Compreendo perfeitamente a oposição de qualquer cidadão a introdução de qualquer símbolo, representação ou figura religiosa num prédio ou repartição pública por iniciativa do governo secular no momento presente.
Compreendo e apoio a proibição de que crucifixos E BÍBLIAS sejam postos em qualquer prédio ou repartição pública como sinal de desrespeito pelos cidadãos brasileiros ou contribuintes que não creem sejam eles muçulmanos, budistas, judeus, ateus, etc
Afinal até onde me é dado saber os muçulmanos e judeus jamais revindicaram a construção de praças do talmud ou do corão... ignoro da mesma forma que qualquer ateu tenha cogitado em converter o dia do ateu em feriado municipal, estadual ou nacional.
Os protestantes no entanto parecem nutrir os mesmos intereses demagógicos acalentados por seus reformadores visando apenas substituir a igreja papólica e tomar o lugar dela.
Eis porque, como verdadeiros fariseus hipócritas, introduzem a Bíblia em nossas repartições, solicitam a construção de praças da Bíblia e pleiteiam a introdução do dia da Bíblia em nossos calendários.
Na verdade o que eles pretendem é a substituição dos símbolos religiosos e não sua erradicação. Querem substituir as imagens do Senhor Jesus e da Sagrada Cruz pelo livro ou a imagem do livro.
E assim exaltar o ídolo podre de papel - refiro-me exclusivamente aos mitos e fábulas do Velho Testamento e não ao Evangelho de Cristo Jesus - pessimamente traduzido pelo ex padre papista João Ferreira de Almeida.
Demagogia religiosa e manobra política com objetivos puramente eleitoreiros: cooptar os votos dos fanáticos e alienados.
O que significa desviar a ação política de seu fim que é a imanência, ou seja as condições de vida dos cidadãos, como saúde, educação, habitação, etc para po-la a serviço da fé, da discriminação, do preconceito, etc
Há anos que vinhamos já alertando nossos alunos e colaboradores a respeito da manobra protestantes porque como ex protestante sabemos como funciona a mentalidade protestante, sempre orbitando em torno do ideal teocratico do antigo testamento, ideal tão arcaico e obscurantista quanto os ideais esboçados pelo Corão.
Hoje vemos nossos vatícinios corroborados pelos meios de comunicação, segundo os quais no último dia 4, o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, do PMDB, sancionou lei de autoria do deputado evangélico Edson Albertassi, também do PMDB, de 42 anos, que prevê multa para as bibliotecas do Estado que não disponibilizarem exemplares da Bíblia. A biblioteca que descumprir a lei será multada em R$ 2.130,00 e, no caso de reincidência, em R$ 4.260,00.
Julgo que o governador do Rio deva ser processado e deposto pos crime de atentado contra a Constituição brasileira, pois a lei sancionada por ele é incompátivel com o cárater leigo ou secular proclamado pela Lei suprema deste país. Trata-se pois duma lei discriminatória, ilegal e, numa palavra, anti-constitucional.
Pois autoridade alguma tem o direito ou por assim dizer goza de liberdade para sancionar leis contrárias a qualquer clausula constituitiva de nossa carta magna.
É crime de lesa Constituição perpetrado contra toda nação brasileira.
É o reconhecimento duma lei de excessão cujo objeto é a promoção de um livro cujo conteúdo é considerado sagrado para determinado grupo pertencente a população carioca e não pela população como um todo.
Independente de seu significado é necessário deixar bem claro que a aprovação desta lei criminosa, abre precedente para a aprovação de outras tantas leis de teor religiosa destinadas a exaltar certos grupos acima dos demais cidadãos promovendo a discórdia e fomentando lutas fatricidas. Afinal não há sentimento que mexa mais com o ser humano do que o sentimento religioso; mexer com ele é mexer com fogo, enquanto a função de um Estado responsável é apagar os possiveis incêndios provocados pela compulssão religiosa ou seja por abuso de sentimento religioso.
Determinar quais livros façam parte de nossas bibliotecas não é e nem pode ser tarefa do legislador ou do Estado num país democrático.
Do contrário o mesmo Estado poderia determinar que as tolices publicadas pelo Malafaia, o RR Soares, o Macedo e outros tantos charlatães inimigos da ciência e do esclarecimento, fizessem parte de todas as bibliotecas públicas sob pena de responsabilidade.
E segundo a estrutura mesma de nossa jurisprudência os deputados e governadores estariam autorizados a proibir que tais e tais livros fizessem parte dos acervos de nossas bibliotecas públicas, mormente aqueles que os padres, filósofos e ciêntistas escreveram contra a ideologia protestante, o charlatanismo, o criacionismo, os mitos, as fábulas, as superstições, etc
Hoje determinam que a Bíblia - mas que Bíblia: a ortodoxa, a romana ou a protestante, cujos Velhos testamentos são diferentes??? A João Ferreira de Almeida?? A TNM? - faça parte de nossas bibliotecas públicas, amanhã determinam que as 'Institutas' de Calvino também façam parte de nossas bibliotecas, até que determinem a destruição de todas as obras 'heréticas' ou 'blasfemas' que opõem-se ao ponto de vista deles...
Respondam-nos o governador do Rio e o escudeiro do Malafaia porque o governo de um pais que se apresenta ao mundo como democrático e secularizado deveria priorizar a Bíblia protestante face as demais bíblias cristãs ou aos demais livros religiosos? Ou porque deveria priorizar as publicações religiosas face as de cárater científico, tanto mais necessárias a educação das massas?
Se a questão é honrar a ideologia religiosa porque excluir o Alcorão, o Talmud, a Tripitaca, o Tao Te King, os Vedas, o Avesta???
Imagine caro leitor se os espíritas fizessem aprovar uma lei destinada dispondo que o 'Nosso lar' de Xico Xavier, devesse fazer parte de todas as bibliotecas públicas de Minas Gerais, já estariam os protestantes proclamando uma cruzada santa contra a intolerância e a opressão!!!
Imaginem se os papistas fizessem sancionar pela Dilma uma lei com o objetivo de determinar as enciclicas do papa romano ou os sermões do Vieira fossem disponibilizados em todas as Bibliotecas públicas deste país, já estariamos nós a ouvir os berros dos pastores fanáticos, denunciando o novo Index!!!
E no entanto esses mesmos protestantes, esses mesmos fanáticos e obscurantistas ousam forjar leis de natureza criminosa destinadas a glorificar um livro que pertence apenas a eles.
Embora constituam apenas dezesseis (16) % de cidadãos, numa República composta majoritariamente por papistas.
Agora imagine só amigo leitor se essa gente boa constituisse - como aspiram já há conquenta anos - a maioria dos cidadãos...
Ouso dizer e afirmar em alto em bom som que os livros que compõem nossas bibliotecas públicas seriam queimados em sua maior parte e que tal e qual nos países islâmicos os livros de ciência seriam substituidos por Bíblia mal traduzidas e sermões idiotas publicados por esses palradores!!!
Os antepassados deste povo já o fizeram no século XVI em Munster quando chefiados pelo fanático João de Leide, publicaram um édito determinando que os crentes deviam ler apenas a Bíblia e que todos os demais livros fossem queimados. Tal e qual em Alexandria, mil anos antes, centenas de incunabulos preciosos foram destruidos e suas cinzas lançadas ao vento.
O espírito que move nossos fanáticos não é diverso daquele que moveu e ainda move os fanáticos do Iran, Iraque, etc
Lutero, inventor dessa religião, iniciou sua vida de crimes, principiando por queimar não só a Bula do papa romano, mas também alguns exemplares da Suma do 'Aquino' e de outros teólogos cujo pensamento elecado e diverso do seu não era capaz de compreender... e seus filhos, anabatistas e abecedários, reproduziram seus metodos em Mulhaussen, Saint Gall e até mesmo em Roma, fazendo queimar ou lançar aos rios tudo quanto não cheirasse a Bíblia.
Quando eu era menino os pastores e profetas tentaram inutilmente fazer com que eu odiasse toda literatura que não cheirasse a Bíblia, mas tudo quanto lograram obter foi que eu abominasse esse sistema obscurantista chamado protestantismo. Graças a Igreja romana não me tornei ateu e graças ao Catolicismo ortodoxo não me tornei agnósta... como Erasmo no entanto só posso nutrir e acalentar ódio por essa doutrina putrefata que mistura a mensagem de Jesus Cristo com as fábulas e mitos do Antigo Testamento e opõem a instituição cristã a ciência e a todas as formas secularizadas de organização social.
Devo acrescentar que, caso o legistador, se desse por satisfeito com determinar a presença dos quatro Evangelhos em nossas bibliotecas públicas, eu mesmo não abriria a boca devido a elevação moral de seus principios. Como no entanto, toca a Bíblia toda, como dizem, inclusive ao antigo testamento, que é a fonte da pregação fundamentalista, vejo-me obrigado a denunciar semelhante lei por trazer em seu bojo a doutrina protestante, da inspiração verbal, plenária ou linear, que sequer é aceita pelos cristãos mais esclarecidos, dentre os quais eu mesmo tenho a honra de incluir-me...
Mas tornemos a minha experiência pessoal sobre a relação sectarismo e livros...
Mais tarde quando adolescente, ví e testemunhei o recolhimento de livros não religiosos por parte dos obreiros da IURD com o intuito de seresm queimados em auto de fé. Naquele tempo eu ainda era moço e ingênuo, hoje no entanto teria ido a polícia denunciar semelhante ato como vilipêndio a cultura científica. Se a quiema de Bíblias não pode ser tolerada, enquanto ato de vilipêndio religioso porque devemos tolerar a queima das obras de Darwin ou de Jay Gould ao invés de denuncia-las como crime de vilipêndio a produção científica da humanidade???
Penso que toda e qualquer ação desse tipo, que comporte destruição de livros ou de quaisquer objetos de arte deva ser comunicada as autoridades, apurada e rigorosamente punida.
Para que os fanáticos venham a saber e muito bem que não se encontram na Líbia, no Marrocos ou no Afeganistão, mas no Brasil que apesar de seus esforços desesperados é e continuara a ser um pais leigo e pacifico.
Tal o caso da lei biblicista aprovada pelo governador carioca. É necessário que nós, membros conscientes da sociedade secular, juristas, educadores, militantes políticos, etc, mobilize-mo-nos com o intuito de vindicar nossa lei maior e de exigir sua revogação e sobretudo de manifestar nosso descontentamento e repúdio diante da manobra da bancada legislativa protestante suja unica razão de ser é alcançar privilégios para seus membros e seitas, ou seja, legislar em proveito e benefício próprio e não em proveito do bem comum.
Mas - talvez pergunte alguém - porque não é lícito fazer leis para os pentecostais ou para os protestantes se também eles fazem parte da população brasileira?
Não disse que não se deve fazer lei alguma tendo em vista esta categoria ou parcela da população.
Disse que não se pode legislar em favor dela enquanto segmento religioso, uma vez que o pais compoem-se de inumeros segmentos religiosos ou não.
Os devotos e religiosos devem ser contemplados por nossas leis não enquanto devotos ou religiosos, mas enquanto parte da população ou seja no que teem de comum com os demais cidadãos e não no que teem de específico ou de diferente porque isto diz respeito apenas e tão somente a suas consciências e não a coisa pública ou ao espaço político que pertence a todos - inclusive a eles - no que teem de comum ou seja quanto a demandas sociais nas áreas da saúde, da educação, da habitação, etc
Quanto a beneficiar lideres, organizações ou publicações de natureza sectária jamais é lícito ao legislador numa perspectiva democrática. Na medida em que os membros de outras confisões ou ideologias, não contempladas pelo auxilio do braço secular, sentir-se-iam inferiorizados ou como cidadãos de segunda classe.
Eis porque o envolvimento direto dos lideres religiosos na esfera do político é sempre perigoso. Neste sentido a proibição - por parte da igreja romana - dos sacerdotes disputarem cargos publicos é sinal duma mentalidade bem mais evoluida e sã na medida em que o próprio Jesus antecipou a separação das esferas ao dizer: Dai a Deus o que é de Deus e a Cesar o que é de Cesar. Os pastores protestantes tal e qual os rabinos e ulemas envolvem-se diretamente com a política - disputando cargos públicos - devido ao influxo teocrático do Corão e do Velho Testamento, influxo que leva-os a tentar tirar proveito da máquina do poder em detrimento da coisa pública e da neutralidade religiosa.
Esta associação incestuosa é e sempre será explosiva.
No oriente fez retroagir o Irã, no Ocidente tem produzido graves tumultos nos EUA e no Brasil tem produzido já amargos frutos como o exemplo do juiz/pastor que - inspirado pelas leis judaicas - se opoz ao reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo, abusando das prerrogativas de que esta revestido por lei... sem falarmos na oposição dos fanáticos a aprovação da lei que visa puniro espancamento dos filhos menores por parte de seus pais, pois segundo afirma o velho e caduco testamento deles, a educação vem justamente pela vara ou seja pelo espancamento, pela coerção fisica, pela tortura e não pelo dialogo... eis outro dogma esquisito da religião deles.
Para compreender porque essa gente luta contra tudo e contra todos - apresentando-se a si mesma como oprimida quando não consegue oprimir e impor suas modas e vontades aos demais membros do corpo social - é necessário saber que seus antepassados, por ódio aos bispos, catedrais e cruzes da Igreja Anglicana, determinaram atravessar o Oceano e fundar uma República teocratica e totalitaria nos moldes do Velho Testamento ou seja 'o pais de deus'... para eles a América do Norte significava a Nova Canaã, os indigenas os novos cananeus e eles mesmos o novo israel não menos fanatico e cruel.
No entanto os planos dos pioneiros não obtiveram exito porque com o tempo, como todos os livre examinadores desde Lutero, cindiram-se em inumeras seitas beligerantes... as divisões e seitas engendraram a incredulidade e esta a secularização do pais, proclamada logo após a declaração de independência, ainda no décimo oitavo século.
O reconhecimento publico da liberdade de consciência por parte pelo governo Yankee nem correspondeu nem corresponde ao pensamento e a vontade das minorias fundamentalistas radicadas no pais e que ainda hoje - a exemplo dos peregrinos - ainda sonham com uma república teocrática ou com a construção política do pais de deus. A sorte dos norte americanos mais civilizados é que eles jamais chegaram a constituir uma maioria unificada...
Seja como for tais minorias jamais deixaram de influenciar ou de tentar influenciar a política da grande república do Norte, mormente no que diz respeito aos padrões puritanos e maniqueus de comportamento, a inviolabilidade do credo liberal (ou seja individualista e anti social) e sobretudo quanto ao desprezo ou a desconfiança face a ciência, em especial quanto a teoria evolucionista a qual opõem a superstição judaizante do criacionismo. Na década de vinte do passado século um nobre e honrado professor de nome Scopes, foi inquisitorialmente brindado pelos fanaticos por recusar-se a admitir a validade literal do mito descrito nos primeiros capítulos do livro judaico do Genesis e destarte a autoridade irrestrita do Corão protestante em matéria de profanidades ou seja no campo da ciência.
Passados quase cem anos - nas últimas eleições - o tema veio a tona mais uma vez, obscurecendo o cenário político e servindo a propósitos excusos de natureza conservadora. Um dos típicos representantes desta mentalidade grosseira foi o falecido Jerry Falwes, líder protestante que além de lutar pela introdução do criacionismo nos curriculos das escolas públicas, sustentava o restabelecimento da escravidão e do apedrejamento das mulheres apanhadas em adultério, tudo perfeitamente de acordo com o livro que o sr Albertasi deseja introduzir a força, hoje em nossas bibliotecas, amanhã, quem sabe, em nossos lares, dando inicio a novas dragonadas, dragonadas tupiniquins...
Por falarmos em pastores enquanto os do Brasil pretedem exaltar seu livro sagrado ou seja a Bíblia, os de lá dos EUA, como Terry Jones, SUSTENTAM PUBLICAMENTE A QUEIMA DO CORÃO QUE É O LIVRO SAGRADO DOS MUÇULMANOS. Hipocrisia ou o que?
Dos EUA essa gente grosseira - por não conseguir converter a parcela mais culta de seus compatriotas - lembrou-se de enviar missionários ao Brasil, aproveitando-se, como ja foi, dito do cárater laicista, fixado pela Constituição de 1891. A intenção aqui foi e talvez ainda seja converter a maior parte dos cidadãos e implantar uma teocracia nos moldes do Velho Testamento, como sói nos países islamicos... no entanto tal em qual na terra do tio Sam também aqui o livre examinismo produziu inumeras divisões e seitas, de modo que passados já século e meio os protestantes ainda não concretizaram seu sonho tão acalentado...
Lutero em vida profetizará a breve ruina e desaparecimento da monarquia papal, a qual passados quase meio milênio após a morte do reformador alemão ainda conta com mais de um bilhão de seguidores espalhados por toda redondeza da terra.
Quando eu não passava de um meninote há cerca de trintra anos também ouvi oráculos e profecias que garantiam o triunfo do Evangelho - leia-se protestantismo ou pentecostalismo - no Brasil em menos de vinte e cinco anos, pois na ocasião o papismo declinava e o pentecostalismo avançava dia após dia como uma maré.
Tal a situação enquanto perduraram os fastos de '64' miséria, ignorância, injustiça social, violência, etc Mais uma vez o credo liberal abria espaço ao protestantismo do mais baixo calão, seu fiel escudeiro de sempre... Sob o governo liberal dos psdebistas, o pentecostalismo continuou a avançar e a seduzir as classes mais baixas e desfavorecidas as únicas capazes de corresponderem a cantilena fetichista e imortal da teologia da prosperidade, sistema sacrilego e oportunista que se alimenta apenas de miséria, ignorância, violência, desespero, etc acenando com soluções até certo ponto comodas e espetaculosas...
No preciso momento em que política deu uma guinada rompendo com o credo de tradição liberal em que chafurdava desde 64 e tomando a peito satisfazer uma demanda social por justiça acumulada ao cabo de séculos e mais séculos de exploração, mas coisas mudaram de figura como patenteia pesquisa empreendida a cerca de quatro anos pela FGV. Pois desde então o sonho dos fundamentalistas converteu-se em pesadelo na medida em que o pentecostalismo perdendo força reduziu seu ritmo de crescimento possibilidtando mesmo uma recuperação por parte do papismo, credo que não experimentava qualquer crescimento há cerca de cem anos!!!
A conclusão salta a vista: na medida em que o político, assumindo sua responsabilidade social, passou a corresponder a espectativa dos cidadãos, satisfazendo a demanda por educação, saúde, habitação, lazer... de modo concreto e real, o pregação pentecostal deixou de produzir os esperados frutos... ou seja a melhoria de qualidade de vida experimentada pela maioria das pessoas devido a atuação de um governo socialmente engajado no plano da imanência, reduziu naturalmente a necessidade de se apelar a soluções drásticas e irreais, e por consequencia o impacto da mensagem fundamentalista/fetichista, a qual, infere-se, só é capaz de crescer na medida em que os governos, inspirados pelo credo liberal, não cumprem com a função que lhes compete, a saber, a implementação do bem comum e da justiça social.
Desde então nosso país conheceu uma significativa melhoria já no plano educacional - devido a introdução de disciplinas como a sociologia e a filosofia no curriculo - já no plano científico, com a democratização do Ensino Superior. Tal melhoria deve se classificada como um salto intelectual e encarada como um dos freios responsáveis pela contenção do fundamentalismo, sistema que teme a educação de qualidade como as trevas temem a luz do dia...
Um povo culto e civilizado jamais engolirá os mitos e fábulas do antigo testamento num só gole como deseja o Malafaia.
Eis porque a política do governo Lula descontentou de sobremodo os pentecostais exacerbando seus lideres e fazendo com que iniciassem uma verdadeira cruzada em beneficio do PSDB/ DEM e do credo liberal com o qual contam necessariamente tendo em vista a produção de miséria, ignorância, violência, alienação, desespero, etc e o sucesso da pregação mágico/fetichista segundo a qual todos se tornarão ricos, saudáveis e felizes na medida em que pagarem dízimos a seus líderes parasitas e sempre dispostos a bajular os poderosos - a exemplo de Lutero - sobretudo quando representantes do credo liberal...
Nada mais vergonhoso do que a mancebia sacramentada em torno da candidatura do tucano José Serra e objetivando já a implementação de leis religiosas e discriminatorias - como a que foi sancionada dia 04 pelo governador Cabral - já a obtenção de cargos e de poder, já a produção e a perpetuação da miséria e da ignorância, já a evolução das estruturas sociais que distanciam-se cada vez mais não dos principios e valores exarados pelo Sagrado Evangelho mas do puritanismo, do maniqueismo e das estruturas arcaicas e ultrapassadas descritas no Velho Testamento.
Felizmente os obscurantistas daqui e de lá (dos EUA) foram derrotados. A ameaça no entanto permanece porquanto os apóstolos da intolerância e paladinos da exclusão permanecem de atalaia, aguardando qualquer oportunidade para mostrar que deteem algum poder... refiro-me a questão recentemente ventilada e posta a sociedade sobre a questão do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, questão que mesmo dizendo respeito apenas a esfera do pessoal e não do social ou do político, exaspera nossos fanaticos na medida em que opoem -se - como o feminismo, o evolucionismo, etc - ao ideal teocratico fundamentado numa analise literal do antigo testamento.
Para os adeptos da teocracia é vital opor-se a tudo quanto não corresponda a lei mosaicas ou as instituições hebraicas descritas no antigo testamento, até que possam ser restabelecidas em sua totalidade. Eis porque eles aprovam todas as guerras e defendem publicamente a adoção da pena capital em franca oposição a palavra de Jesus Cristo consignada no Livro Sagrado.
Devemos compreender pois que a lei do Edson e do Sérgio constitui mais uma tentativa de afirmação por parte de um poder fragilizado e frustrado cujo objetivo sempre foi tomar posse da estrutura política em seu próprio benefício. Ao menos perante seus apaniguados tal poder pretende mostra-se ativo e operante face a uma organização social que jamais aceitou sinceramente.
O desespero provocado por esta dupla e repetida derrota face a candidata Dilma e a questão da homofobia foi que provocou esta resposta por parte da bancada Taliban cujjas aspirações correpondem a usurpação do estado construido por nossos ancestrais sobre os fundamentos sagrados da liberdade e da igualdade.
Cuidarão os pastores que todos os brasileiros não passam de uns patetas sem brios?
Agradeçam eles aos papistas, espiritas e agnosticos - sobretudo aos que não tendo saido do protestantismo como nós, ignoram suas verdadeiras entenções de dominação, ignoradas igualmente por muito protestante de boa vontade - pelos excessos de tolerância com que teem encarado semelhantes espetaculos e insinuações. Nós também somos partidários da tolerância, mas duma tolerância racional, madura e esclarecida e não duma tolerância cega que possa vir a engendrar e a favorecer a intolerância e o sectarismo.
Denunciamos pois publicamente a manobra do parlmentar e do governador do Rio de Janeiro rogando instantemente as autoridades constituidas e esclarecidas deste pais: educadores, políticos e sobretudo juristas e magistrados, que revoguem e anulem semelhante lei, enquanto obscurantista e inconciliavel com o cárater leigo do estado nacional. Levantai-vos padres conscritos e vindicai já a soberania de nossas leis e a santidade de nossas instituições democraticas face a hidra do sectárismo fanático... oxalá saibamos ser tão fanáticos pela liberdade como recomendaram Alfieri e Bakunin, destarte jamais eremos escravos ou lacaios dos oportunistas e demagogos.
Suplicamos ao amigo leitor que propague e divulgue este ensiaio na medida de suas possibilidades.
Abaixo o fanatismo, a intolerância, a injustiça, a exclusão, a excessão, o privilégio. Viva a Igualdade, a liberdade, a fraternidade e a justiça!!!
Profo Domingos P Braz