domingo, 27 de fevereiro de 2011

A luta pela liberdade - DOS POÇOS DE PETRÓLEO - na Líbia

A DIGNIDADE DAS CRIANÇAS PALESTINAS QUEM VINDICARÁ?










Tendo a 'primavera dos povos' chegado aos confins da antiga Cirenaica, ou seja, da Líbia; poz-se a imprensa ocidental e clamar contra o 'execrável tirano' Khadafi.



Como havia clamado já contra os 'execráveis ditadores' Fidel, Chavez, etc



Sob a velha e manjada alegação de que é necessário vindicar a nobre causa da democracia...



No entanto nossos 'democratas' não tem cogitado em implementar a democracia na Arábia Saúdita, país em que sequer existe liberdade de consciência... nos Emirados arábes unidos...



Grosso modo podemos dizer que os súditos de ambas as nações não gozam de qualquer tipo de liberdade no terreno religioso e que esta situação é francamente tolerada pelos governos ocidentais...



Fácil é saber porque as mesmas potências ocidentais que condenam Khadafi, permitem que os súditos da Arábia e dos Emirados tenham suas dignidades e direitos humanos violados pelo regime político vigente.



Isto se dá porque os tiranos da Arábia e dos Emirados permitem que as ditas potências, em especial os EUA, sirvam-se liberalmente de suas reservas de petróleo.



Como podem retirar petróleo a vontade da península arábia, os EUA estão pouco ligando para a condição humana de seus habitantes.



A questão portanto não diz respeito nem a democracia, nem a liberdade; que são palavras praticamente ignoradas na terra do profeta Maomé, mas ao petróleo ou seja ao riqueza e ao poder.



Diante de fato tão capicioso, excusam-se os teóricos vendidos ao sistema, alegando que a 'Democracia é antes de tudo uma questão cultural que devendo partir do amago mesmo dos povos em questão, não lhes pode ser imposta a força por qualquer agente externo.'



Todo este palavreado quer dizer que os EUA não estão dispostos a intervir militarmente na península arábica - com o intuito de impor a força seu regime de governo - partindo do princípio de que cabe aos próprios súditos dos emires e xeques, implementar a democracia em seus países... segundo afirmam a democracia deveria surgir ali mesmo nas areais do deserto ao invés de ser levada pelos soldados estadunidenses...



Deixemos os habitantes da península seram oprimidos por seus ditadores, fuzilados e mortos inclusive... até que a democracia saia de Riad ou Dubai como Atenas saiu da cabeça de Zeus...



Serão honestas e sinceras tais alegações e desculpas urdidas por parte dos teóricos do sistema?



Fossem honestas os EUA não teriam invadido o Iraque com o intuito de implantar princípios e valores democráticos no país...



Porque não empregaram o mesmo expediente e os mesma solução na Arábia Saúdita e nos Emirados arabes, países em que milhões e milhões de seres humanos estão privada da mais fundamental de todas as liberdades, a liberdade de consciência?



A questão é demasido simples: O Iraque não permitia que suas reservas de petróleo fossem liberalmente exploradas, como Khadafi não permite que as reservas de seu país o sejam...



Assim sendo o problema não diz respeito a dignidade ou a liberdade do homem, mas a fruição de petróleo por parte das nações ocidentais lideradas pelos EUA...



O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao Iran...



O Xá, apesar de não ser democraticamente eleito, segundo a forma prevalescente nos EUA, era bom, pois franqueava as reservas de pretróleo do país, as potências ocidentais... já o presidente Ahmadinejad, mesmo contando como conta com o apoio da maioria dos cidadãos, é mau, porque não permite que as riquezas de seu país sejam facilmente surrupiadas...



-- O Sr esqueceu-se de que Ahmadinejad, como Sadan, é um ditador execrável e sujo... um inimigo da liberdade.



No entanto o sr Ahmadinejad, como o sr Sadan, reconheciam a liberdade de consciência de seus súditos tradicionalmente cristãos, tratando-os inclusive com grande liberalidade...



Sabemos no entanto que na Arábia Saúdita É PURA E SIMPLESMENTE VEDADA A EXISTÊNCIA DE QUALQUER OUTRA FORMA RELIGIOSA ALÉM DO ISLAMISMO E QUE NOS EMIRADOS JAMAIS PODE SER IMPLANTADA UMA CRISTANDADE AUTOTÓCNE... traduzindo para o português: os execráveis ditadores condenados pelo juízo dos EUA, faziam ou fazem respeitar a liberdade de consciência, enquanto seus aliados da península Arábica são os mais detacados paladinos da teocracia ou seja da tirânia política e religiosa...



Tal o caso da Líbia...



É necessário enfraquecer o regime político, sem dúvida totalitário, com o objetivo de franquear livre acesso aos poços de petróleo.



Não é liberdade das massas que está em jogo, mas a liberdade das reservas de petróleo...



Neste sentido a existência de regimes totalitários é justificável pela própria política internacional dirigida pelos EUA.



Esta política capiciosa que é responsável pelo grande sucesso das ditaduras entre as nações mais fracas enquanto garantias de que não virão a ser presas do imperialismo vigente.



Pois ao invés de ser construida livremente enquanto instrumento de emancipação dos povos, a Democracia tem sido profanada e sordidamente usada como forma de se fragilizar politicamente as nações que se deseja oprimir.



Ao invés de ser implementada como fim, a democracia formal tem sido implementada como instrumental tendo em vista a dominação econômia e política por parte dos EUA e seus apaniguados, cujo sistema econômico esta na dependência do imperialismo ou seja da exploração da energia, matérias-primas e recursos alheios.



Numa tal conjutura, para lá de maquiavélica, em que a democracia converteu-se num instrumento a serviço da desordem econômica vigente, é natural que os povos e nações encarem os governos tanto mais fortes - como de Chavez e de Fidel - ou mesmo ditatoriais, como o de Khadafi, como uma garantia de autonômia interna, face ao inimigo externo.



O emprego ou uso da democracia pelo jogo do poder é que torna as formas totalitárias cada vez mais atraentes. De certo modo elas dão alguma segurança - ao menos cultural - para os povos em questão, segurança que uma democracia - especialmente quando imposta pelos corifeus da exploração econômica - não dá.



Portanto o que se tem em vista não é a emancipação do povo líbio face ao sr Khadafi... mas a fragilização da política interna do país, fragilização que permita a longo prazo 'livre acesso' as fontes de petróleo.



Os gregos pareciam encarar o surgimento do espaço político, representado pelo surgimento da verdadeira democracia (direta), como uma espécie de fim ou se instrumento voltado para o exercício da virtude e o aperfeiçoamento moral do homem convertido em cidadão.



Os Yankees tornaram-se ardorosos apóstolos do liberalismo político mas não pelo político mesmo ou pelo homem; mas pelo econômico ou seja com motivos de ordem puramente material relacionado a produção e distribuição de bens.



Eles esperam que implementado o liberalismo político nos moldes burgueses ou puramente formais representados pelos parlamentos, siga-se a adoção de seu xipófago: o liberalismo econônico, cujo coração se encontra justamente lá nos estados unidos da américa do norte.

Esperam que a Líbia, o Iran, a Coréia do Norte, a Venezuela, Cuba, etc, aderindo as formas políticas liberais passem a integrar o sistema econômico representado por Wall street, mas como meros satélites ou elementos periféricos dos quais o centro pode servir-se e beneficiar-se a vontade...



No fim das contas a luta pela Líbia é mais uma cena da velha farça da luta por recursos a serviço do mercado e pela ampliação do próprio mercado.



Isto nos explica perfeitamente porque a ONU, colocando-se mais uma vez a serviço dos intereses dos EUA, acaba de aprovar uma série de sansões contra a Líbia, sob a alegação de que o sr Khadafi cometeu 'crimes contra a humanidade' violando os direitos humanos de seus súditos...



Acaso Israel não cometeu muito mais crimes contra a humanidade, atrocidades, vilanias, etc fuzilando inumeros civis palestinos - inclusive mulheres, idosos e crianças - em diversas ocasiões sucessivas?



Cumpre perguntar-nos o porque da veneranda instituição não ter decretado quaisquer sansões contra o Estado de Israel e seus condutores, afinal se os líbios são gente os palestinos também o são... onde fica a dignidade e os direitos do povo palestino face as agressões israelenses perpetradas nos últimos trinta anos?



Agressões que culminaram na invasão de um navio carregado com suprimentos e na morte de vinte ativistas, nas proximidades de Gaza. Repeteco de 08 de julho de 1967 quando soldados israelenses deram cabo de 34 pessoas e feriram outras 171 dentre os tripulantes do USS liberty...



Em 2003, uma escavadeira militar nazisraelense matou Rachel Corrie uma Norte americana membro do Movimento de Solidariedade Internacional. Em 11 de abril de 2003, Tom Hurndall, uma voluntária britânica para o Movimento de Solidariedade Internacional, foi morta com um tiro na cabeça por um sniper da Força de Defesa Israelense na Faixa de Gaza... nem mesmo os homens de boa vontade e filhos da paz, solidarios para com a causa do povo palestino estão a salvo...



Quando se fala em Khadafi ou Ahmadinejad, é bom nos recordar o ataque terrorista do Irgun ao Hotel rei David, sede do protetorado britânico em Jerusalem, e no qual perderam a vida

91 pessoas (28 britânicos, 41 árabes, 17 judeus e 5 outros mortos)....



Cumpre lembrar ainda a anexação de Jerusalem como expólio de guerra, em pleno século XX e sob as barbas de nações que ousam afirmar-se como civilizadas...



Diante de tantos crimes abomináveis e monstruosos que faz a ONU com relação a Israel? Nada absolutamente nada... silêncio sepulcral...



Seres humanos são submetidos a tortura, no palácio da inquisição Yankee de Guantanamo e a ONU nada...



Parece que a ONU só se lembra da China, da Venezuela, de Cuba, da Coréia, do Iran, da Líbia... e que suas normas só existem para os países socialistas ou islâmicos...



EUA e Israel tem as costas quentes...



A hipocrisia nas veias...



E o desplante de se apresentarem como promotores de acusação frente as demais nações...



Ocorre-me uma bela palavra do Evangelho de Cristo: "Homem retira primeiro o cisco do teu olho, para só então retirar a trave do olho alheio."



Nada mais nauseabundo e asqueroso do que essa politicagem safada de fariseus na qual a democracia, a liberdade e a dignidade dos seres humanos são usadas e manipuladas com fins excusos pelo poder econômico.



No entanto como Platão, não desesperamos da justiça mas folgamos de por ela lutar, sem peias, sem receios, sem timidez...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Aumento abusivo no preço dos ônibus intermunicipais da baixada santista


A baixada santista teve uma surpresa típica da caixa de Pandora que foi o aumento da passagem do ônibus intermunicipal em quase 7%. A passagem que custava R$ 2,90 entre Santos e São Vicente custa agora R$ 3,10 e quem pagava o salgado preço de R$ 3,35 para transistar de Santos à Praia Grande paga agora R$ 3,60.

O leitor que não mora na baixada santista e portanto desconhece nossa realidade pode dar-se ao luxo de especular: "se o transposrte coletivo é caro então deve ser de primeiríssima qualidade". Se pensou assim enganou-se redondamente. O serviço prestado pela Piracicabana é precário: os ônibus demoram para passar, as pessoas vão espremidas dentro dos ônibus, o motorista não pode ser mais rápido porque acumula função que não é de sua competência que é cobrar. Ora, com esse preço absurdo nós usuários deveríamos ter um transporte de qualidade: mais linhas de ônibus, mais conforto, cobradores, etc...

Mas a Piracicabana age como se fosse dona da concessão e não uma permissionária. Gostaria de saber o porquê dessa dominação da referida empresa, gostaria de saber porque nossos digníssimos prefeitos e nossas respeitáveis câmaras não lutam contra os abusos da Piracicabana.

Nossas competentes autoridades não deveriam permitir o aumento abusivo das tarifas do transporte coletivo, deveriam sim lutar por melhores condições de transporte e poderiam fazer isso tirando a concessão da empresa e colocando outra no lugar.

Quantos trabalhadores diariamente acordam cedo e já pegam os ônibus lotados e na volta de suas lidas, já extenuados são obrigados a esperar seus meios de transportes por 30 ou 40 minutos e ainda ficar em pé e espremidos durante todo o trajeto.

Realmente o burguês não tem coração, ele tortura o proletariado de todas as formas possíveis e não satisfeito cobra caro por essa tortura. Deixo aqui um apelo aos prefeitos da baixada santista e também aos vereadores da região para que façam a experiência de pegar um ônibus na hora do "rush" e fazer uma "agradável" viagem se possível de pé. Pois para se entender o oprimido é preciso antes de mais nada colocar-se em seu lugar.

Não deixe de assinar o abaixo-assinado contra o aumento abusivo da Piracicabana.

Em tempo uma região muito menor que a cidade de São Paulo tem a tarifa mais que cara que a cidade de São Paulo e aqui nem teve manifestação... Que vergonha...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Levante popular em Cuba

Os cubanos patriotas de uma figa que estão à serviço do capitalismo e dos EUA a exemplo do Egito foram fazer um levante para derrubar a "horrível ditadura" comunista dos irmãos Castro. Veja só o resultado.

cubainformacion.tv

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Brincar de polícia e ladrão?

Homenagem aos manifestantes que sofreram maus-tratos por parte da polícia em especial ao jovem servidor municipal e militante comunista Vinícius Boim





Pedrinho foi chamar seus amigos para brincar.
- E aí galera vamos brincar de polícia e manifestantes?
- Você quer dizer polícia e ladrão - corrigiu Dudu.
- Polícia e ladrão???!!! Pedrinho replicou num misto de admiração e curiosidade.
- Claro, sempre foi assim.
- Ah tá. Só se for para você brincar com teu pai. Você não assiste televisão, não acessa a internet? A moda agora é repressão.
- Explica que troço é esse de repressão - pediu o Carlinho.
- Repressão é quando a polícia vai bater em manifestantes que estão descontentes com o governo, com o aumento do preço dos ônibus, etc...
- Pô legal, disse o Dudu. Vamos brincar.
- Eu vou ser da polícia - disse o Pedrinho - e quero comigo o João, o Murilo, o Rafael e o Everton que são os mais fortes.  Dudu, Carlinho, Rodrigo, Paulinho, Tiaguinho eo Júnior vão ser manifestantes, ok?
Ok! gritaram em coro.
Mas o que faz um manifestante? - Perguntou Dudu.
Protesta, oras! De forma pacífica, com cartazes e com gritos contra a ordem. Entenderam? Perguntou Pedrinho.
Os manifestantes disseram em uníssono: Sim.
O meu grupo e eu vamos fazer cartazes - disse Dudu - e você prepare seus soldados daqui a 15 minutos a gente volta aqui, beleza?
- Beleza.

Os meninos que faziam as vezes dos manifestantes, desfilavam com seus cartazes protestando contra o preço abusivo dos ônibus. Do outro lado vinham os meninos fortes armados de paus que representam os cassetetes e estingues com pedras que representam as balas de borrachas.

Os pequenos e imbeles manifestantes gritavam contra o preço abusivo, faziam discursos contra o absurdo do aumento das passagens. Logo chegaram os pequenos repressores fazendo as vezes da polícia militar, dando pauladas num, socos e chutes noutros e estinlingadas em todos os que não fossem da polícia. Os manifestantes como era de se esperar fugiram e no dia seguinte encontraram-se com seus "amigos" e disseram que não queriam mais brincar daquilo. Dudu falou por todos: "Ao menos quando a gente brincava de polícia e ladrão todo mundo tinha vantagem, agora só um lado tem vantagens, da próxima vez queremos ser policiais".
- Fraquinhos como são terão que ser mesmo manifestantes - respondeu Pedrinho e ajuntou: galera vamos embora não aguento ver um bando de chorões. E os pequenos policiais foram embora e os manifestantes aprenderam sua primeira lição sobre cidadania: Todos tem liberdade para ficar calados e obedecer a ordem reinante, caso contrário a porrada vai descer e braba.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Professor de matemática dá aula de criminalidade

Saiu hoje no jornal A Tribuna que um professor de matemática da Escola Estadual João Octávio dos Santos, no Morro do São Bento em Santos lecionou matemática usando como exemplo o tráfico de drogas, prostituição e porte ilegal de armas.

Fico me perguntando o que leva um professor que é funcionário público, pago pelo estado (tudo bem que o salário não é lá grandes coisas) com o dinheiro dos impostos do povo a incitar a criminalidade em filhos de trabalhadores. Por que fez isso? Por se tratar de uma área carente? Por ser uma escola estadual? Por não acreditar no potencial de seus alunos? Será que lecionaria do mesmo modo numa escola particular de elite?

Esse caso só vem mostrar como está baixa a qualidade do ensino público em São Paulo e por conseguinte em todo o Brasil. Mas isso é culpa tão somente desse mau caráter que foi colocado em sala de aula? Evidente que não. Com baixos salários, com violência por parte de certos alunos, com burocracia, sem plano de carreira, sem cursos de reciclagem e massacrados por seus superiores, os melhores professores tendem a sair da rede pública e migrar para as escolas particulares ou procuram fazer mestrado e doutorado para que possam lecionar em faculdades ou prestam concursos públicos para outras áreas que ganham mais e se estressam menos.

Se o governador desse aumento de salário digno para os professores, se proporcionasse cursos de capacitação reciclagem os bons professores não precisariam migrar para redes privadas ou para outros empregos do funcionalismo público. Os maiores prejudicados são os pais dos alunos que não podem pagar por um ensino de qualidade.

Pergunta que fica no ar: Esse é um caso isolado ou é apenas a ponta do iceberg? Jamais saberíamos desse caso se uma das alunas desse educador professor não mostrasse o caderno aos pais denunciando esse péssimo profissional.

Não menos culpados por essa situação são os pais que não sabem votar, pois caso soubessem votar não deixariam o estado de São Paulo na mesmice do PSDB que já está há dezesseis anos no poder sem dar a merecida valorização ao profissional da educação.

Com a valorização do educador, os maus profissionais não terão chances de exercer tão nobre profissão que é o ato de lecionar. Todas as desgraças que ocorrem no ensino público são apenas o efeito da política desastrosa do governo e da assembleia legislativa. Enquanto o povo não se conscientizar que educação é um ato político, o ensino continuará a ser o que é: lixo! Não quero dizer que não haja bons professores nas redes públicas de ensino, sim há, mas são poucos e cada vez menos por causa das condições humilhantes a que são submetidos.

Se os professores fossem valorizados teríamos um sujeito desses pervertendo nossos jovens?

Em tempo:
Assista a reportagem clicando aqui.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Idosa impede assalto à joalheria



Os telejornais da tevê aberta divulgaram o vídeo de uma velhinha idosa que impediu o assalto à uma joalheria na Inglaterra. Uma notícia comovente para uns, exótica para outros e ideológica para mim. Quando eu assisto aos telejornais eu não sou telespectador passivo, um mero receptor daquilo que a mídia burguesa quer incutir, não. Eu sou crítico, não aceito dogmas, questiono. Caso contrário, apenas estarei reproduzindo a forma de pensar das grandes mídias.

O que a mídia burguesa deseja com esse fato? Mostrar essa idosa como exemplo de coragem ao defender a propriedade privada. (Seria a sua?) Que se uma septuagenária enfrentou bandidos qualquer pessoa de bem pode e deve fazer o mesmo.

Mas por que defender uma joalheria? A joalheria não tem seguro? Por que arriscar a vida por ouro e jóias que não seus? (Suponho que os tesouros que iam ser roubados não eram dela).

Fico a pensar será que essa velhinha defenderia uma greve de trabalhadores explorados por seus patrões? Será que lutaria por operários injustamente demitidos para que voltassem às suas funções? Será que luta contra aqueles que a todo custo querem desmantelar o welfare state? Pois essas são as causa é que precisam de pessoas corajosas que as defendam.

Será que a senhorinha surraria patrões que pagam salários de fome a seus empregados? Será que essa senhora daria bolsadas nos neonazistas que crescem por toda a Europa? Não quero respostas, quero que as pessoas pensem ,reflitam e que vejam as notícias através de um outro prisma. As perguntas nem sempre são feitas para se obterem respostas, muitas vezes são feitas para provocar um incômodo, para despertar as pessoas que estão encantadas com o mundo midiático.

Não me surpreendeu a atitude da velhinha e tampouco considero uma heroína uma vez que foi defender a burguesia e não quem de fato precisa de apoio. Sei que muitas pessoas vão discordar de mim, outras ficarão melindradas, mas não posso deixar de escrever acerca das manipulações midiáticas.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Darwin era ateu?


No site MS notícias foi noticiado que um procurador ateu protestou contra colega de Mato Grosso do Sul. Até aí tudo bem. Depois de responder o colega passa a atacar o cristianismo em especial o catolicismo romano dizendo que este não tem contribuído para a vida... O que é questionável. Que a Igreja romana fez muita merda coisa ruim não nego, mas dizer que só fez coisas ruins e não contribuiu em nada, isso eu nego. Mas deixemos isso de lado, pois o propósito deste texto não são os papas nem os cardeais ou quaisquer dignatários da Igreja Romana. Este texto versa sobre Darwin e seu suposto ateísmo.

O senhor Inajá Guedes Barros comete um erro crasso quando indica leituras ao promotor: "Sugiro a leitura fácil de SAM HARRIS e RICHARD DAWKINS,além de DARWIN, é claro, dentre outros ilustres ateus".


Ele sugere a leitura de ilustres ateus e Darwin está no meio. Mas será que Darwin era ateu?
Para tanto nada melhor do que seguir o conselho do procurador de justiça, o senhor Inajá Guedes Barros: "Prenda-se aos fatos e não aos mitos".

Mito: Darwin era ateu.
Fato: Darwin era agnóstico.

Vamos aos fatos que parecem não ser do conhecimento do senhor Inajá.

A evolução do pensamento de Darwin:

"Autores da mais alta autoridade parecem plenamente satisfeitos com a hipótese de que cada espécie foi criada independentemente. No meu parecer, pelo que sabemos das leis impostas pelo CRIADOR, ajusta-se melhor à hipótese de que se a produção e extinção dos habitantes passados e presentes do globo sejam devidas a causas secundárias, como as que determinam o nascimento e a morte do indivíduo.
... Existe algo de grandioso nesta concepção da vida, com seus diferentes poderes, originariamente impressos pelo CRIADOR e em poucas formas, em uma forma só; e no fato de que, enquanto o nosso planeta continuou a girar conforme a imutável lei da gravidade, de tão simples início evoluíram e continuam evoluindo inumeráveis formas, belíssimas e maravilhosas". (A Origem das Espécies)

Darwin foi descrendo aos poucos do cristianismo mas nunca chegou a ser ateu. Reproduzo o texto no qual Darwin se afirma como agnóstico, o texto foi publicado pelo blog De rerum natura:

"Outra fonte de convicção quanto à existência de Deus, ligada com a razão e não com os sentimentos, influencia-me como tendo muito mais peso. É uma questão da extrema dificuldade, ou melhor, impossibilidade, de conceber este imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem com a sua capacidade de olhar para o passado distante e para o futuro longínquo, como sendo o resultado do acaso cego ou da necessidade. Quando começo a reflectir assim, sinto-me obrigado a recorrer a uma Causa Inicial que possua uma mente inteligente, até certo ponto análoga à mente do homem; e mereço ser chamado Teísta.







Esta conclusão estava fortemente implantada na minha mente, tanto quanto me posso recordar, pela altura em que escrevi "A Origem das Espécies"; e foi depois disso que se tornou gradualmente mais fraca, com muitas flutuações.






Mas então surge a dúvida - será que a mente do homem, que se desenvolveu, como creio sem reservas, a partir de uma mente tão primitiva como aquela que o animal mais primitivo possui, é de confiança relativamente à sua capacidade de inferir conclusões tão grandiosas? Será que não são simplesmente o resultado da ligação entre causa e efeito que nos impressiona como sendo necessária, mas provavelmente depende apenas da experiência herdada? Nem devemos deixar de considerar a probabilidade de que a constante inculcação da crença em Deus na mente das crianças possa produzir um efeito tão intenso, e talvez herdável, nos seus cérebros ainda não completamente desenvolvidos, que depois é tão difícil para elas abandonarem a sua crença como é para um macaco abandonar o seu medo intenso e instintivo de cobras. Não posso pretender lançar luz dobre problemas tão abstrusas. O mistério do início de todas as coisas é insolúvel para nós; e por isso contento-me em permanecer Agnóstico"






- Charles Darwin, "Autobiografia", Relógio d' Água, Lisboa, 2004, tradução, introdução e notas de Teresa Avelar (original de 1887, publicado postumamente pelo seu filho Francis, que cortou partes do texto, satisfazendo pedidos da sua mãe Emma e sua irmã Henrietta, que eram crentes).

O senhor Inajá talvez tenha confundido agnosticismo com ateísmo, mas isso seria um erro imperdoável, já que ambos os termos são claros para quem é ilustrado. Ou talvez ele tenha recebido alguma revelação celestial, mas como, se ele é ateu? Teria Darwin descido nalgum centro espírita para avisá-lo que ele (Darwin) era ateu? Mas como se o senhor Inajá é ateu? Teria o senhor Inajá encontrado documentos ulta-secretos na qual Darwin postulava seu ateísmo? Não sei, são hipóteses muito estranhas confesso. Usemos então a navalha de Ockham que diz: "A hipótese a ser escolhida dentre as que explicam um determinado fenômeno deve ser a mais simples dentre todas as hipóteses". Pela navalha de Ockham só temos duas hipóteses plausíveis: ou o procurador de justiça errou por malícia ou por ignorância.  Se errou por malícia não tinha que dar lições de moral em seu colega; Se errou por ignorância também não deveria corrigir uma vez que fala sem conhecimento de causa.
 
O que é o agnosticismo? Agnosticismo é uma suspensão de juízo, isto é, nem se afirma nem se nega a existência de Deus.
 
O que é o ateísmo?  Negação da existência de Deus.
 
Portanto agnosticismo está tão perto do ateísmo quanto eu estou longe de ser dono do banco Santander.

Os ateus, Hitler, Stalin, 'romanismo', comunismo e Cristianismo

Frequentemente nos deparamos com as objurgatórias lançadas pelos ateus face ao Cristianismo.



Que o Cristandade nominal, seja romana ou o protestante tenha atraiçoado o meigo Rabi da Galiléia e cometido inumeras perversidades em seu nome, sabe-mo-lo... Que os Papas e os reformadores tenham calcado aos pés o mandamento do amor e lançado criaturas vivas a fogueira, sabido é... Que os pretensos representantes de Cristo tenham sido os primeiros a descumprir seus ensinamentos, quem haverá de negar?



Quando aplicadas aqueles que merecem as objurgatórias são merecidas. No entanto quando aplicadas cegamente ou seja, sem discernimento, tornam-se injustas...



Afinal a Cristandade Ortodoxa, muito mais antiga que a romana e a protestante jamais lanço pessoas a fogueira. Penso que o espiritismo, se bem que tenha surgido há pouco, jamais teria perpetrado tais crimes... julgo portanto que os Cristãos Ortodoxos e os espíritas sejam verdadeiramente inocentes perante tais acusações.



Por outro lado, que credencial possuem os ateus para julgar aos Cristãos se surgiram há menos de três séculos e jamais constituiram grupo dominante no desfrute do poder?



Estou farto de saber que os ateus, como os Batistas e outros sectários, tem muita dificuldade em admitir que a ideologia ateística é de fato algo recente e peculiar a idade contemporânea. Afinal se a Idade Média foi crente e fanática, a idade moderna - quem o diz é Lucien Febvre - foi preponderantemente teista e metafisica, embora assistisse e cada vez com mais intensidade, o assomar do agnosticismo e não do ateismo. Karen Armstrong é laconica: "Nos séculos XVI e XVII ninguém teria sequer sonhado em profesar o ateismo."; o próprio termo na sua acepção mais pura - negação de toda e qualquer idéia ou noção de Deus - inexistia antes desta época.



Talvez aqui esteja a raiz desta outra convergência existente entre liberais e ateus, refiro-me a aversão que uns e outros costumam nutrir pela História e pelo Historicismo - exceto os ateus marxistas que são Historicistas - enquanto testemunho contrário a suas alegações de continuidade.



Não posso deixar de comparar mais uma vez os ateus com os protestantes, estes procurando noutro lugar - ou seja nos escritores heréticos - uma sucessão apostólica e solução de continuidade que não possuem e aqueles tentando garimpar, alucinadamente alguns representantes na barra de Sócrates, Platão e Aristóteles... Assim vão cavocando e cavaqueando algum nome obscuro para que lhes sirva de avoengo.



Muitos apontaram e escolheram, o pensador materialista Demócrito e há até hoje quem sustente corajosamente a veia ateistica do ilustre abderita...



Infelizmente para os panfletarios ateus, subsistem ainda alguns fragmentos de suas noventa obras, dentre os quais este: "Os deuses dão aos homens todos os bens." in Stobaeu II, 09,04



Por ai se vê que o primeiro padrinho ou patrono dos ateus, em que pese sua imensa cultura - quem negará que o sr Dawkins sejá imensamente culto e a autoridade em seu campo de atuação (a genética) - sofria de indigestão teística admitindo a existência de inumeros deuses...



Tudo isto - Demócrito e Dawkins - me fazem lembrar o velho xiste: sapateiro não passe dos sapatos...



Foi por imperícia no campo Filosofia que os cientistas de hoje e de ontem tem produzido metafisicas politeisticas e ateisticas...



O fato é que os ateus tiveram de procurar outros padrinhos, já Diagoras de Melos; cognominado 'o ateu' (eis que temos um padrinho de verdade, exclama a turba multa) já, Evemeros, o grande Evemeros...



Evemeros no entanto parece ter negado apenas a existência dos 'deuses' da cidade e tanto mais firmemente a interferência deles ou de qualquer outro poder na ordem do mundo.



Grosso modo ele foi antes de tudo um crítico do politeismo e um deista convicto, que talvez jamais tenha colocado para si mesmo a existência de uma consciência universal e menos ainda postulado sua inexistência...



Os termos de sua condenação não diferem substancialmente da condenação que pesou sobre o filho de Fenarete, o qual como sabemos era teista ou monoteista confeso.



Talvez seja chocante para um ateu saber que os primeiros Cristãos receberam, por parte dos pagãos, o mesmo título que Diagoras. "Morte aos ateus" gritavam os pagãos na arena de Smirna quando da execução do Bispo Policarpo...



Quanto a acepção do termo na Grécia antiga não significava mais do que a negação da visibilidade dos deuses em suas estátuas. Qualquer petição a um poder de natureza invisivel era encarado como ateismo pelo simples fato de que os deuses cultuados pela plebe eram materiais e visiveis...



Para os antigos, postular a existência de um principio imaterial e invisivel era ser ateu. Daí serem os Cristãos cognominados ateus...



Outro pensador apontado pelos ateus como predecessor deles é Protágoras.



Protágoras no entanto seria classificado pelo Dr Dawkins não como ateu, mas como agnósta.



"Quanto aos deuses, não tenho meios de saber se existem ou não existem. Porque muitos são os obstáculos que impedem o conhecimento, tanto a obscuridade da questão e a brevidade da vida humana."



Portanto ele não estava absolutamente certo e convencido de que não existisse um Supremo Ser.



Diogenes de Sinope e Aristófanes também costumam ser citados como adeptos da teofobia pelo simples fato de terem denunciado as patranhas religiosas...



Para o confusionismo reinante criticar os abusos perpetrados pelas diversas religiões ou não ter religião equivale a negar a existência de um principio supremo, quanta pobreza intelectual ou improbidade...



Parece até que consultaram a saborosa obra do Sylvain Marechal, que em seu Dicionário ateistico elencou até Jesus Cristo...



Epicuro, como Buda - outro comumente citado como ateu - sempre admitiram a possibilidade de Deus ou deuses existirem, regeitando no entanto qualquer interferência da parte dele ou deles no plano natural...



Buda por sinal foi explicito em regeitar todas as espécies de metafisica, a atéia, a teista, a panteista e a politeista; afirmando - e logo antecipando Hume, Kant, Comte e Huxley - que tais cogitações estavam acima da capacidade humana... isto se chama agnosticismo ou deismo...

Straton de Lampsaco não negou a existência do Ser, mas o antropomorfismo. Para ele Deus era um força difusa ou alma do mundo e não um ser pessoal...

É bastante possivel que o único ateu da antiguidade tenha sido Teodoro de Cirene. Se os ateus aspiram por sua companhia nós a concedemos de bom grado.

Afinal Teodoro de Cirene causou escândalo entre os gregos de seu tempo por ter antecipado Nietzsche e afirmado que "Não há nada de condenável no assassinato ou no roubo, a condenação de um e outro não passa de mero preconceito."...

Taí outro ateu desbocado, impudente e sincero...

Fina flor do humanismo...

Ocorrem-me as locubrações de certos antropólogos, etnologos, sociologos... de cunho positivista e tendências ateísticas (se bem que confusionistas) para os quais matar, roubar, torturar, trair, mentir, etc SÃO FENÔMENOS PURAMENTE CULTURAIS QUE PODEM SER ACEITOS SEM MAIORES PROBLEMAS POR DETERMINADAS SOCIEDADES...

Preciso comentar ou traduzir a afirmação acima...

Eis para onde o materialismo, o cientificismo e a negação do Ser conduzem a humanidade, para um mundo sem ética, sem princípios e sem valores, o mundo do Nietzsche, do Stirner, do Sartre... para um mundo em que Hitler e Stalin não podem ser condenados e execrados porque tal condenação é isenta de bases empiricas...

Demasiado fácil é exclamar: 'Hitler era 'católico', digo, romanista; (como todos sabem não morro de amores pela igreja papólica e detesto francamente ao papado contra o qual redigi algumas memórias de cárater histórico) no entanto esta explicação genial não explica nada pelo simples fato de que nem Jesus, nem os líderes da igreja romana, ensinaram ou referendaram a Xenofobia. Objetivamente falando não foi no Evangelho ou nas enciclicas dos papas romanas que Hitler se inspirou para criar algo mil vezes pior do que a execranda inquisição...

Hitler baseou-se antes de tudo no reformador protestante Martinho Lutero, referindo-se explicitamente a ele, como um de seus mestres no 'Mein Kampf'.

Jules Streicher um dos braços direitos de Hitler afirmou diante do tribunal de Nuremberg que: "Hitler nada havia ensinado a respeito dos judeus que Lutero não tivesse ensinado antes."

O Pr luterano Rehm de Reutligen declarou que "Não teria existido um Hitler sem Lutero."...

Diversos historiadores (entre os quais se destacam William L. Shirer e Michael H. Hart sugerem que a influência de Lutero tenha auxiliado a aceitação do nazismo na Alemanha pelos por parte dos protestantes do século XX.

Afinal além de mandar que os Talmudes fossem queimados e as sinagogas arrasadas, Lutero - no Livro os Judeus e suas mentiras - afirmou que os cristãos eram culpados por não terem dado cabo de todos os judeus, e como o Rabino Josel de Rosheim tivesse respondido à dita obra, o pastor de Hochfelden subiu ao púlpito para suplicar aos devotos luteranos que exterminassem logo com os judeus, o que foi feito em 1580, quando os judeus foram efetivamente expulsos a sopapos de diversos principados luteranos alemães. Michener - na fonte de Israel - refere que quando Lutero levantou-se contra a igreja romana, os rabinos alemães aconselharam suas ovelhas a não lhe prestar apoio algum, uma vez que a Igreja romana conheciam, mas a Lutero e suas intenções não...

Sabiam pois os judeus que o local em que gozavam de maior segurança eram os Estados pontificios, governados pelo Papa romano...

Portanto - sr Dawkins que me perdoe a impertinência - Hitler, inda que nominalmente papista, não se baseou na palavras ou no exemplo dos papas de roma para cometer seus abominávis crimes, mas no exemplo e nas palavras do Dr Martinho Lutero, fundador do protestantismo.

A segunda base de Hitler foi o ATEU NIETZSCHE, idealizador do macunaima alemão ou seja do super homem, implacável e sem quaisquer princípios...

Eis ai as verdadeiras musas inspiradoras do Nazismo...

Não levem a mal os ateus que vivem alistando Hitler entre os servos do papa (quando foi muito mais servo de Lutero e do ateu Nietzsche) se dissermos que Stalin e Paul Poth eram ateus...

Stalin e Poth cometeram seus crimes porque eram marxistas e não porque eram ateus.

Excelente. Mas em que parte de suas obras Karl Marx mandou chacinar tanta gente?

Eu francamente não atino de que modo Stalin e Poth ficam desateificados por terem sido marxistas...

Vai ver que foi em Jesus ou no papa romano que eles se inspiraram...

Por outro lado se os ateus puderam cometer lá seus genocidios sem que tenham se inspirado no ateismo que professavam, porque o papólico Hitler teria se inspirado no papismo para cometer seus crimes???

Seja como for se Stalin e Poth puderam matar tanta gente inspirando-se em si próprios - porque em Marx não se inspiraram - e não no ateismo, Hitler pode matar muito mais gente inspirado não no papismo e muito menos no Evangelho, mas no patriarca Lutero e no ATEU Nietszche...

Teriam pensado diferentemente de Nietszche e de Teodoro de Cirene os primeiros ateus desta Era?

Refiro-me aos primeiros ateus de fato: La Metrie, De Holbachs, Naigeon e seus púpilos Herbert, Chaumette e Anacharsis Clothes, os quais Robespierre teve de madar a gilhotina por estarem comprometendo a Revolução... Comprometendo a Revolução de que maneira?

Simples tentando descristianizar a força o povo francês, subentenda-se mandando fuzilar sumariamente todos os padres, devotos e tantos quantos exprimissem algum sentimento religioso, sem mencionar as depredações e selvagerias do gênero...

Mas eles não eram umas flores...

A fina flor do humanismo, afinal ateus nunca cometeram crimes, nunca mataram, nunca torturaram...

Ah srs panigeiristas tomai um bom livro de História e procurai saber quem foram os herbertistas e o que fizeram. Garanto-lhes que não eram nem papólicos, nem espiritas, nem deistas, nem mesmo agnóstas, mas ateus, ateissimos e começaram bem o apostolado da nova religião fuzilando seus contrários...

Permitam-me aplicar a ideologia atéia o mesmo xiste com que os padres de roma costumam desmoralizar o protestantismo: Ao menos a Igreja de Roma esperou mil anos para começar a matar, o protestantismo nasceu matando e o ateismo também.

Matam e assassinam desde o berço...

Também pudera afinal os protestantes aderindo as parvoices inventadas por lutero acreditavam que o sangue de Jesus os purifica de todo e qualquer pecado, enquanto que os verdadeiros ateus - os Herbertistas, Nietzsche, Stirner, Hayek, Friedman - que seguem uma linha de coerência por meio de deduções lógicas, fazem côro com Mestre Teodoro de Cirene, asseverando que a afirmação segundo a qual assassinar e roubar são verdadeiros males, não passa de preconceito...

Sendo assim como condenar Hitler, Stalin, Poth, os Papas, os reformadores... cada qual com suas opiniões...

Isto é o ateismo objetivamente descrito, um humanismo...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A verdadeira face do ateismo

Alguns ex teistas ou ex cristãos procuram apresentar o humanismo como sendo a verdadeira face do ateismo, nada mais falso e enganoso.

Se hoje assistimos discursos a respeito da morte do homem, do homo absurdus, do ignominioso fim da civilização, da falência dos valores e não poucos estão torcendo para que o Apophis ponha fim a esta agônia inutil, é antes de tudo porque alguém proclamou a morte do Ser e a deificação do EU...

De modo que os EUs deificados lançam-se uns sobre os outros como lôbos ferozes...

No frigir dos ovos postular a morte de Deus é rematada parvoice. Pois existindo ele jamais poderia morrer e tampouco seria capaz de morrer inexistindo...

O que morre ou obscurece na verdade é a idéia de Deus na mente do homem enquanto padrão externo de vontade...

E falecendo a idéia de um absoluto transcendente o EU passa a afirmar-se como absoluto ou seja como derrareiro referência de vício e virtude, de certo e de errado, de bem e de mal...

É o triunfo do EU ABSOLUTO e de sua vontade de poder face ao Ser absoluto, ao todo e a Consciência Suprema...

Assim já não é o homem que deve acomodar-se a Lei universal, mas o universo que deve acomodar-se a sua vontade, a seus caprichos, a seus interesses...

Sartre afirmou que somente a inexistência de Deus torna o homem verdadeiramente livre e que a liberdade é incompativel com a existência de Deus...

É possível que o deus a que Sartre se refere seja apenas o rótulo com que seus antepassados protestantes, envolveram a essência divina... fosse assim não lhe faltariam razões...

Alias, Lutero no 'Arbitro escravo' havia deixado bem claro que a liberdade é um apanágio exclusivo de deus e que se o homem é livre não há espaço para deus...

Os gregos no entanto jamais perceberam qualquer contradição entre a existência do Ser e a liberdade pois o Deus - alma e motor imovel do universo - afirmado por eles são era o deus de Lutero, de Calvino ou de nossos sectários, autêntica caricatura de 'Deus' e verdadeiramente desprovida de existência.

O deus antropomórfico, policial e repressor, imaginado pelos tarados religiosos de fato inexiste...

A supressão do Ser por parte do sr Sartre no entanto não resolve em nada o problema da liberdade pelo simples fato de subsistirem concomitantemente uma multidão inumerável de EUs supostamente livres...

E se existem milhões de EUs exercendo simultaneamente suas prerrogativas libertárias posto era que nenhum deles é ou pode ser absoluto...

Na medida em que cada um dos inumeros EUs, limita ou condiciona a ação dos demais... os diversos EUs estão postos uns para os outros em termos de relação, donde se segue, muito naturalmente que a Liberdade de que dispomos é sempre relativa e não absoluta.

Não podemos fazer tudo quanto queremos porque não somos os unicos a desfrutar da existência...

Existir é coexistir, é existir com, é acomodar e cooperar... e cooperar é limitar nossa própria liberdade na mesma medida em que os demais limitam as suas e assim todos chegam a um termo médio e se sentem constrangidos a respeitar esse termo enquanto manifestação de uma lei universal e não enquanto dado empiricamente coletado por nossos sentidos.

"Minha liberdade termina onde começa a liberdade alheia." é expressão desta lei basilar que rege o mundo moral e podemos traduzi-la em termos de isonômia e solidariedade face aos demais membros da espécie humana.

E sem embargo nada há de científico ou de empírico nisto...

Pois o homem pode muito bem afirmar a supremacia do seu EU e da sua vontade diante de todos os outros homens...

Em qualquer momento ele pode apresentar-se como um super homem perante a mediocridade reinante...

Caso não exista consciência ou lei fora dele ele pode afirmar em alto e bom som que o mundo é dos mais fortes, dos que se sobressaem, dos que vencem, dos espertos e que os derrotados, os oprimidos os escravos sequer são dignos de compaixão...

Caso inexista qualquer tipo de mentalidade universal para além da sua, o homem só será obrigado a respeitar seu próximo coagido pela força de lei...

A negação do Ser segue invariavelmente a negação do outro, do irmão, do semelhante, do próximo... palavras que no fim das contas carecem de qualquer sentido ontológico...

A ciência é de todo impotente para fazer-me enchergar e valorizar o outro.

Portanto o humanismo carece de bases tanto mais sólidas, carece ser afirmado como manifestação de uma lei universal que transcende a finitude de todas as criaturas e perante a qual todas as criaturas devem se curvar sob pena de não se aperfeiçoarem moralmente...

A petição ao Ser enquanto padrão exterior e universal de vontade implica em crescer como pessoa... a petição ao nada, convertida em petição ao EU e no cárater absoluto deste eu enquanto última estância no terreno dos valores, implica em que os homens se degladiem e devoram como lôbos ou feras.

Portanto a verdadeira face do ateismo é a face anti-humana ou inumana da Nêmesis... apropriadamente descrita, como já salientamos, pelos teóricos do darwinismo social, do stirnerianimo e do Nietzscheanismo... Não há como fugirmos a esta conclusão...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Humanismo e anti-humanismo: qual o Padrão de nossos valores?

"Se existe Deus, nem tudo é permitido." B H Lévy




Ao contrário do que afirmou Martinho Lutero, sobre a impossibilidade de se construir um sistema de princípios e valores puramente natural, tomando por base a razão e não a fé; admito sem maiores problemas não a simples possibilidade mas a necessidade de se construir uma ética naturalista que transcenda não só as fronteiras religiosas e credais mais também as fronteiras e limites impostos pelos diversas culturas.



Num mundo pluralista temos que aceitar o desafio de edificar um novo modelo de ética, que contemple já o teismo naturalista, já o deismo, já o panteismo e até mesmo o agnosticismo...



Neste sentido podemos e devemos falar num humanismo naturalista, deista, panteista e até mesmo agnósta, mas em hipótese alguma num humanismo ateu.



Não me refiro aqui a imagem deturpada de um Pai psicótico, dum policial ou dum juiz infinitizado...



Não acredito na necessidade de ameaças e recompensas no que diz respeito a prática do bem. Sei que as almas verdadeiramente nobres - inclusive fora das grandes religiões - a única recompensa quanto a prática do bem é a felicidade ou o prazer de te-lo praticado.



E sem embargo veja quanta confusão feita em torno do que seja bem...



Não posso deixar de encarar com simpatia aqueles que desejam destruir a idéia de Deus para substitui-la pela idéia de homem ou de humanidade, do outro ou da grande fraternidade humana, do próximo ou da espécie. Caso isto de fato se sucedesse seria maravilhoso...



No entanto que impediria alguém de no lugar de Deus, do próximo ou da sociedade colocar o EU???



O que me impediria de assumir o lugar de Deus e de afimar-me a mim mesmo como árbitro da humanidade em oposição a ela?



Quem me obrigaria a ceder ante as exigências da coletividade, do grupo social, do bem comum???



Quem me constrangeria a ser fraterno, solidário, generoso, etc e a encarar a alteridade como um valor absoluto.



Se no fim das contas os princípios e valores emanam de mim mesmo possuindo uma existência meramente convencional e não essencial. Se existem apenas como criados ou formulados por mim e não como manifestações de uma lei universal. Se são meras construções de cárater subjetivo e não emanações duma consciência transcendente. Se são relativos e não absolutos; que me impede de identificar o bem como aquilo que me agrada ou me causa prazer mesmo em detruimento de todos os outros seres humanos?



Se sou a lei de mim mesmo e se valor algum transcende minha existência, porque não posso legislar apenas e tão somente em meu favor? Porque sou obrigado a olhar para o outro e a valorizá-lo?



Se não sou obrigado a curvar-me diante de uma lei universal segundo a qual todos os seres estão ligados enquanto portadores de capacidades e potencialidades psiquicas e afetivas, que me impede de viver apenas para mim mesmo, centrado no eu e preocupado apenas com minhas necessidades, desejos, agrados?



Se não há alma úniversal acima de mim enquanto assomo consciente em perpétuo devir e perpétua ascenssão, que me impede de legislar unicamente em beneficio próprio, mesmo que isto signifique prejudicar ao outro ou o que é pior a espécie?


Se não tomo como expressão de uma mente universal, aquela norma e regra segundo a qual devo fazer ao outro tudo quanto desejo que ele me faça, porque cargas dagua não haveria de sacrificá-la e de entronizar minha vontade de Ter em seu lugar?


Afinal, se ou o único padrão existente de virtude o que me constrageria a escolher o Ser face ao ter?


Se sou o único critério de bem e mal como deixar de indentificar com o bem minha vontade de ter e de fruir sensações agradaveis e o mal com tudo quanto se oponha a dita vontade e fruição?



Se não existe uma absoluto consciente ou uma transcendência motora como poderíamos falar em princípios e valores absolutos???



Sem um Ser Supremo tudo seria relativo e o homem enquanto legislador e lei para si mesmo, sancionaria como fossem virtudes os mais monstruosos crimes...



Se sou legislador e lei para mim que me obriga a respeitar a vida do outro e a viver em paz com ele se em posse duma arma qualquer posso elimina-lo?



"Eu não concebo como um ateu, sabendo que Deus não existe poderia não me matar imediatamente."



A primeira vista a frase acima - de Dostoievski - parece apriorística, preconceituosa e até grosseira...



Toca no entanto a raiz do problema quanto a natureza dos princípios e valores...



Certamente que a comunidade possui um poder muito grande. Na sociedade democrática em que vivemos ou que pretendemos construir, os homens devem decidir todas as coisas em comum...



E no entanto como convencer alguém de que deve subordinar-se a vontade da maioria?



Não há como convencer alguém de que a vontade de maioria é sempre melhor e mais sábia do que sua própria vontade...



Não há como persuadir PERFEITAMENTE A alguém de que deva obedecer a qualquer tipo de contraro social, exceto se tal persuasão vir de dentro enquanto manifestação ou emanação de uma vontade ou lei universal...



E mesmo assim o poder da comunidade, que via de regra todos devemos encarar como um reflexo da transcendencia, é limitado por valores que transcendem a comunidade enquanto manifestações tanto mais poderosas da transcendência. Como por exemplo, a vida...



É o respeito a vida fruto de um contrato social que possa ser alterado?


Russeau declara que há gêneros e tipos de bens que não tendo sido produzidos pela sociedade não podem ser dispostos por ela. Tal a vida e a dignidade dos homens...



Tais bens estariam em relação direta com o sagrado num grau tanto mais eminente



Afinal de contas a sociedade tem poder absoluto de vida e morte sobre seus membros???

"Ao guilhotinarem Deus (especialmente Herbet, Chaumette e Clothes) eles interditaram por assim dizer a proscrição do crime e a censura dos instintos destrutivos." Camus A.


Para aqueles que optaram pelo relativo face ao absoluto, cada homem possui poder de vida e de morte sobre seu semelhante e só não faz uso dele porque os poderes constituidos o impedem.



Se a vida dos animais superiores não é sagrada enquanto manifestação de uma vida psíquica tanto mais profunda, podemos matar e ter a consciência tranquila caso escapemos ao braço temporal da justiça.



Por outro lado se a liberdade, a racionalidade ou seja a vida em suas manifestações mais elaboradas não é sagrada, digo manifestação de um pensamento superior e incognoscível... epifenômeno duma consciência que preenche todo cosmos até transcendê-lo... reflexo duma lei eterna e infinita... posso suprimi-la.



Por outro lado caso a sociedade tenha o poder de matar, porque não teria igualmente o poder de torturar?

Afinal se não é necessário que o homem conforme sua vontade com uma vontade externa e superior (padrão absoluto de bem e mal); se não é necessário que (sob pena de não evoluir psiquicamente) se curve diante de uma lei universal; se não é necessário que busque valores numa fonte para além de sí e do plano em que vive, É LÍCITO CONCLUIR QUE O HOMEM PODE QUALQUER COISA, QUE PODE AQUILO QUE DESEJA E QUER, QUE PODE TUDO!!!

Não basta que os ateus digam: nós não vivemos sem pricipios ou sem valores.

IMPORTA PERGUNTAR: qual o padrão ou critério de tais valores?

Quem determina e decreta tais valores... quem define... quem sanciona???

A Sociedade???

Sim, mas quem me obriga a concordar com ela???

Stirner para quem não sabe proclamou a soberania absoluta do eu face a sociedade.

Somente quando mediada pelo marxismo em cujo bojo se encontra embutida toda uma ética de origem já teista, já cristã, a negação de Deus cede lugar ao outro ou a sociedade, produzindo um novo tipo de religiosidade voltada para o homem. O marxismo, apesar do ateísmo, é e sempre será um humanismo...

Quando em seu estado puro e plenamente consciente de si o ateísmo é Nietzscheano... é avalorativo... é impermeável a empatia... e anti humano enquanto afirmação do eu face ao outro.

Numa rígida linha de coerência o ateu não pode falar em alteridade, solidariedade, empatia... porque tais entidades são imateriais e como tais inacessíveis a percepção e a experiência... Numa palavra (Comte, Weber, etc) TAIS ENTIDADES NÃO SÃO CIENTÍFICAS E NÃO SENDO CIENTÍFICAS NÃO SE IMPÕEM A CONSCIÊNCIA COMO ALGO QUE DEVA SER ADMITIDO SEM CONTEXTAÇÃO...

Para alguns ateus fica até díficil falar em ética sem torcer o nariz... sentem intuitivamente um traço de Cristianismo, embora seja mero travo de teísmo Socrático ou de agnosticismo aristotélico (o qual não põe em dúvida a existência do Ser Supremo, limitando-se a postular sua incompreenssibilidade)....

Nada há no ateismo que barre ou que ponha freio aquela funesta tendência chamada individualismo...

O ateísmo é incapaz, é impotente, é inepto para impedir que o EU assumindo o lugar que cabe ao Todo ou a Lei Universal, enlouqueça...

Eis porque Sartre, referendando Dostoievski, escreveu: "Tudo é permitido, é forçoso confesar, já que Deus não existe e nós estamos mortos."

Face a necessidade e a dor que ateu se sentiria constrangido a curvar-se perante essas entidades imateriais e invisíveis que se chamam princípios e valores?

Livre de toda e qualquer coerção disposta pelo poder político, que lei da física, da química ou da natureza seria capaz de obrigar o ateu a ser honesto e Justo???

Ignoro que evidência material seria capaz de levar um ateu a sacrificar-se por seu semelhante e irmão como aquele Padre Kolbe que se sacrificou por um adversário de sua religião.

Porque teorema ou equação deveríamos amar nossos semelhantes e fazer bem a todos os seres vivos que nos rodeiam?

Cientificamente falando todas estas palavras não passam de basófia...

"Se Deus não existe, eu não acho graça em você, meu amigo, meu irmão, meu semelhante e meu próximo. Se Deus não existe, meu amigo, meu irmão, meu semelhante e meu próximo, você não existe... você me enche o saco. HOMEM, VOCÊ NÃO PASSA DE UM PEDAÇO DE MERDA, UMA MERDA FALANTE." Cau, Jean

Que o digam os teóricos do Darwinismo social para os quais o outro é um concorrente a ser superado, suplantado e vencido... Belo humanismo...

Assim meu caro amigo se antes a existência de Deus nos levava a crer no homem, hoje a dignidade do homem nos leva a postular firmemente a existência de Deus.

Vendo a presente condição do homem cada vez mais assacada pelo nihilismo e cada vez mais abjeta, só nos resta concluir que a necessidade de Deus é uma existência ao menos sob o ponto de vista da ética.

De mais a mais contínuo pensando como Stekei: "O ateísmo fervoroso geralmente esconde uma religião reprimida."

Cordial e afetuosamente...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Novamente o ateismo, a epistemologia e o humanismo

Ao caro amigo professor Felix




Na última carta salientamos a atitude contraditória de certos ateus contemporâneos que num primeiro momento atraiçoaram o agnosticismo clássimo - embora alguns até ousem apresentar-se como agnóstas - tecendo um metafísica ao contrário, ou seja uma metafisica do não ser, que tal e qual a metafísica do Ser, encontra-se para além de toda experiência e para além das fronteiras demarcadas por Hume, Kant, Comte, Huxley e Popper.

Pois bem os mesmos ateus, diante da metafisica do Ser, tanto mais consistente do que a deles, deram volta ao parafuso e juntamente com Nietzsche e Heidegger puxaram para trás as fronteiras do agnosticismo - que é um meio ceticismo ou ceticismo metafisico - professando o ceticismo absoluto, de par com o relativismo e o substivismo...

Tudo é relativo, tudo é interpretação, tudo é construção do sujeito, dizem eles... INCLUSIVE O ATEISMO...

O ateismo enquanto metafisica é epistemologicamente incompativel não apenas com o agnosticismo/positivismo (que é uma negação da metafisica, inclusive a ateística) mas também com o ceticismo, afinal o ateu pretende ter certeza de que Deus não existe ou seja pretende estar em posse de um conhecimento válido e verdadeiro, coisa que não existe para o cético... afinal o cético, duvida de tudo: do teismo, do ateismo, da religião, DA CIÊNCIA, DA POLÍTICA... enfim de tudo...

É caro Félix, como nossos queridos ateus não podem e não querem admitir que são o que são: isto é metafísicos, chafurdam num verdadeiro pântano epistemológico. Pântano em que todos os conceitos, idéias, definições, etc são descaradamente violados, alterados, transformados, ao talante de cada um... Assim o cidadão apresenta-se ora como ateu, ora como agnósta (!!!), ora como cético (!!!), ora como positivista e campeão da ciência, ora como relativista, ora como relativista... SEM PERCEBER QUE CADA UMA DESTAS IDÉIAS EXCLUI FORMALMENTE A OUTRA...

Afinal não posso ser um cético completo e ao mesmo tempo sustentar a validade do conhecimento científico, isto foi suficientemente demonstrado por Kant. Do contrário ele não teria formulado sua tése sobre o EU transcendental por julgar que o ceticismo Humeano era incapaz de vindicar a validade do conhecimento científico. O certo é que o pai do positivismo, sacrificando as operações puramente racionais ou abstratas, não logrou garantir a validade dos conhecimentos científicos, tendo de ser emendado pelos idealistas Mach e Avenarius, os quais - como esclarece Lênin no 'Empirocriticismo' - temperaram ainda mais essa louca mistura de relativismo, ceticismo, idealismo, subjetivismo e positivismo...

Assim a negação do Ser conduziu o homem a negação de sua razão, de sua percepção e de seu universo valorativo ou seja a negação do homem e nada no homem foi poupado.

Como a razão era empregada com o intuito de vindicar a existência de um primeiro motor e alma do mundo, fez-se uma crítica da razão e a apologia da irracionalidade ou da experiência imediata.

Como a crítica demonstrou que entre a experiência imediata e a elaboração ou conceituação do fenômeno sob a forma de lei havia uma grande distância a ser preenchida pela tal da razão nossas próprias experiências foram postas em dúvida e o homem em busca de conhecimentos válidos e verdadeiros pintado com os traços de um doido varrido...

Por fim com Max Stirner, Nietszche e Sartre o universo valorativo do homem foi desconstruido e a possibilidade de construir novos principios e valores centrados no homem formalmente negada.

E pensar que Kant ao elaborar seu sistema naturalista de moralidade pagava tributo justamente aquele Lutero que denunciou a Razão humana como uma 'prostituta louca' justamente porque Aristóteles, muito antes de Kant, havia iniciado a construção de um sistema naturalista - semi-agnósta e semi-deista - de valores.

Hoje alguns ateus de boa vontade desejam construir um sistema ateístico de valores e alguns até postulam um humanismo ateu.

Sobre aqueles que se apresentam como Marxistas - refiro-me aos marxistas ateus - são poucos os que aceitam a afirmação segundo a qual o marxismo seja um humanismo (a maior parte daqueles que aceitam tal afirmação são no mínimo agnóstas, não ateus).

Sem embargo o marxismo possui um forte conteúdo humanista.

É justamente este conteúdo que levou Weber e Popper a classifica-lo como não científico.

Faço minhas as palavras de Weber (e de todos os positivistas): O marxismo não é científico porque sua categoria é ideal> o que deve ser e como deve ser. Logo o marxismo comporta valores, os quais não são científicos.

O positivismo - que sequer é um ateismo mas um agnosticismo pleno (diferente do clássico que era um semi agnosticismo com relação a fé/religião e não com relação ao Ser) - já ao nascer lançou as urtigas, justamente com a metafisica, a moral... ou seja aquele universo de principios e valores que denominamos como ética e que pouquíssimos - basicamente os Nietzscheanos e stirnerianos - hoje ousariam repudiar.

Bem, o positivismo - face ao marxismo por exemplo - negou formalmente este universo, tomando a peito construir uma sociedade pautada apenas na verdade experimental, ou seja uma sociedade cientificista em que a ciência substituiria a consciência...

Os marxistas jamais aceitaram a carapuça.

Carapuça que no entanto cabe perfeitamente ao marxismo, enquanto sistema de principios e valores que não são pesaveis, mensuraveis ou passiveis de seres decompostos e isolados em suas mínimas parcelas constituintes, digo VALORES QUE NÃO POSSUEM EXISTÊNCIA MATERIAL...

A par de sua crítica - negativa - a estrutura econômica liberal (que pode ser classificada como positiva e científica) possui o marxismo um certo éthos redentor, pautado no conceito de justiça, que dificilmente poderia ser traduzido em termos materialistas. Do ponto de vista materialista oderiamos dizer que o capitalismo não é funcional... mas em hipotese alguma que é injusto (Weber).

De fato o marxismo possue uma dupla linhagem: uma materialista e científica tributaria de Marx> a crítica ao mecanismo econômico liberal em termos de concentração e circulação de bens... E UMA RELIGIOSA OU METAFISICA (TEISTA)> relacionada com principios de natureza abstrata como o bem e a justiça e dependente de SÓCRATES - cf Jaeger 'Paidea' Top Sócrates educador - PLATÃO - cf Popper 'A sociedade aberta e seus inimigos' - Aristóteles - id - JESUS - cf J J Revel 'Nem Marx nem Jesus' - e os PADRES DA IGREJA E ESCOLÁSTICOS - cf Sedar Senghor 'Um caminho do socialismo' & Tawney 'A religião e o surgimento do Capitalismo'... O QUE GROSSO MODO JÁ HAVIA SIDO PERCEBIDO PELA GENIALIDADE DE NIETZSCHE...

Eis donde procede a veia humanista do Marxismo...

Falemos agora do liberalismo não marxista ou se quizermos liberal.

É possivel que algum ateu liberal muito mal informado - que nunca tenha lido Stirner, Nietszche, Sartre, Hayek e Friedmann - poste-se a serviço do humanismo...

A maioria dos ateus não marxistas ou socialistas - que sem saber bebem valores doutras fontes - no entanto, reconhece a força e a coerência dos argumentos empenhados por Nietzsche e seus pares e por consequência que ateismo é e deve ser um anti-humanismo.

Como professor, pesquisador, funcionário público e ativista social e político sei - e por larga experiência - que via de regra os ateus humanistas são ex cristãos ou ex religiosos, cujas mentes foram impregnadas pelos principios e valores que continuam a defender. Não foi a partir do ateismo, por dedução e via de coerência, que construiram seu humanismo... Geralmente aqueles que foram educados no ateismo e cujas gerações professam esta ideologia, estão de acordo com o Rodrigo Constantino e com o Nietszche: nada de sonhos e devaneios metafisicos, nada de humanismo... Sim, são humanistas, mas não em decorrência do ateismo, mas apesar dele e em contradição com ele.

Penso que o grande trunfo do Teismo e do Cristianismo seja a possibilidade de se construir um edificio valorativo harmonioso e empenhado em dignificar e honorificar o fenômeno humano, enquanto epifenômeno de uma lei universal - isto se chama teleologia - e não enquanto manifestação bizarra do acaso ou aborto da natureza...

Afinal um acidente inexpressivo na imensidão do espaço que busca o absoluto e a transcendência só pode ser um aborto.

É muito complicado postular-mos simultaneamente uma evolução enquanto salto de consciência e manifestação de falcudades psiquicas tanto mais complexas e simultaneamente o absurdo do universo porque estamos envolvidos ou seja a razão enquistada no absurdo...

Neste caso a faculdade cognitiva do homem estaria posta para a percepção de que sua existência, enquanto mero fruto do acaso e sem qualquer outra finalidade tanto mais elevada, é um absurdo e face a dor que nos acomete com tanta frequência uma desgraça.

Partindo do absurdo, do desespero, da angústia, da frustração... como poderiamos construir valores???

É o que tentaremos descobrir em nossa próxima carta.

Aqui me despeço caro companheiro em Sócrates, em Confúcio e em Jesus.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Professor é um educador sim!

Ontem numa conversa amena pelo Twitter o amigo @guifernandoo perguntou se o professor é um educador respondi que sim. Todo professor é um educador mas nem todo educador é um professor. Hoje ao acessar o meu Twitter (@Fernando_Felix_ caso alguém queira seguir) vi nas menções que ele deixou um link de seu blog com a postagem: Professor ≠ Educador, que foi escrito por sua mãe a pedagoga Luci Cândida Depetris.

A professora Luci antes de entrar no assunto define os conceitos de professor, educador e educação. Também eu trarei algumas definições.

A palavra professor tem vários significados: o que faz profissão de, o que se dedica a, o que cultiva. Ainda temos a seguinte definição de professor: professor tem uma atividade que deriva do Latim professus, “aquele que declarou em público”, do verbo profitare, “declarar publicamente, afirmar perante todos”, formado por pro-, “à frente”, mais fateri, “reconhecer, confessar”. Trata-se de uma pessoa que se declara apta a fazer determinada coisa – no caso, ensinar.


Educador: «latim educātor,ōris, "o que cria, nutre; diretor, educador, pedagogo".»

Educação é a forma nominalizada do verbo educar. Aproveitando a contribuição de Romanelli (1960), diremos que educação veio do verbo latim educare. Nele, temos o prevérbio e- e o verbo – ducare, dúcere. No itálico, donde proveio o latim, dúcere se prende à raiz indo-européia DUK-, grau zero da raiz DEUK-cuja acepção primitiva era levar, conduzir, guiar. Educare, no latim, era um verbo que tinha o sentido de “criar (uma criança), nutrir, fazer crescer. Etimologicamente, poderíamos afirmar que educação, do verbo educar, significa “trazer à luz a idéia” ou filosoficamente fazer a criança passar da potência ao ato, da virtualidade à realidade. Possivelmente, este vocábulo deu entrada na língua no século XVII.

Definidas as palavras vejamos se o professor é ou não um educador.

As disciplinas que as crianças e adolescentes aprendem na escola chama-se educação, ora se essas disciplinas são chamadas de educação como não podem ser educadores os professores?

Não discordo da professora Luci quando diz que "a educação vem do berço", pois esta educação é a educação informal, e a educação informal não é perfeita, não é acabada em si mesma, não é completa. Esta prepara para a educação escolar no convívio com a sociedade (colegas, professores, serventes e demais funcionários da escola).

Há alunos que chegam à escola sem terem recebido a educação necessária para um convívio pacífico onde saibam respeitar a liberdade alheia. Certamente que por ter havido falha na primeira educação, o aluno problema não conseguirá aprender as disciplinas necessárias para seu progresso físico e intelectual.

Todavia discordo da professora Luci quando esta afirma que professor não é educador, um professor que não é educador sequer merece ser chamado de professor. Em minha prática docente já lidei com alunos problemas e lidei com eles com afeto, respeito e carinho de modo que esses alunos que tinham notas ruins, que bagunçavam, que eram respondões começaram a me respeitar e demonstraram interesse em aprender o que eu ensinva. Evidentemente que o professor que não cria vínculos afetivos com seus alunos não se torna um educador, mas apenas um profissional da educação.

A palavra pedagogo por exemplo significa aio que era um escravo que conduzia uma criança. O professor é esse aio, é esse condutor de crianças e adolescentes. A pedagoga Luci diz que educação é dever é função social de todos e que não é preciso ter um curso superior. Concordo em parte com essa afirmação. Todos tem o dever de educar, mas nem todos podem ou sabem educar. Há quem pense ainda hoje por esse mundo afora, que educar é reprimir, disciplinar, adestrar. Não poucos indivíduos justificam castigar fisicamente seus filhos com o versículo bíblico: "Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo o castiga". (Pv 13,24) Educar é uma coisa e saber educar é outra. Por isso, o professor é o educador por excelência.

Sêneca que foi mestre de Nero disse: "De que adianta ensinar o que é uma linha reta se antes não se ensina o que é retidão?".

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Surge mais um partido de extrema direita

Foi noticiado com magno gáudio pelo jornal reacionário O Estado de São Paulo que "Surge o Partido Militar Brasileiro, 100% democrático". Se é democrático então não precisa ser militar. Agora se é um partido só para militares, então trata-se de um clubinho.

Quem quiser saber da história do novo partido pode clicar no link (em letras marrom). Um partido novo com uma ideologia velha, velha e batida.


Ideologia. Questionado sobre a orientação do PMB, capitão Augusto não vacila: centro-direita. E a principal bandeira é, naturalmente, a segurança. A soberania da Amazônia e a garantia do ‘cidadão de bem’ – “aquele que não comete crimes, respeita o outro e o patrimônio alheio”- são os temas em que o PMB pretende concentrar esforços. “Essas progressões de pena, os indultos sem critério nos presídios, isso é um absurdo!”,diz o militar. “Os direitos humanos tem que ser garantidos principalmente pras pessoas de bem”. (todas as citações que serão feitas são do site ao lado) Estadão.com.br

Por que o capitão não assumiu como direita? Centro-direita é direita. A principal bandeira do partido é a segurança! O capitão Augusto não é um político é um policial, isso fica bem revelado ao falar de segurança. Quem estuda as ciências sociais: história, geografia e sociologia sabe muito bem que a violência é fruto das imensas desigualdades sociais. E o que a polícia entende por segurança é uma coisa bem diversa do que entendem as massas sofridas. Porque em questão de "segurança" negro é sempre um suspeito, pobre e favelado tem que ser reprimido e grevistas acuados com tiros de bala de borracha, gás lacrimogênio, cassestetes e com mordidas de cães, tudo isso com o próprio dinheiro dos grevistas que pagam impostos, irônico não?

A soberania da Amazônia. Essas palavras soam aos meus ouvidos muito abstratas, o que seria essa tal de soberania? Proteção das tribos indígenas? Duvido muito. Os militares pouco se interessaram por nossos índios na época da ditadura. A proteção das florestas? A destruição dos latifúndios? Ou seria apenas palavras pomposas para impressionar o público?

A garantia do cidadão de bem. Cidadão de bem, é uma expressão das correntes fascistas e reacionárias do Brasil. Cidadão de bem é em primeiro lugar o dono de latifúndio, o dono de indústrias, que pertence à alta burguesia; depois o cidadão de bem é o homem branco de classe média A e classe média B que são católicos, que leem a revista Veja, o Estadão, a Folha de São Paulo e assistem a rede Globo e que amam "o trabalho honesto", a "paz" e a "ordem". Negros, favelados, gays, travestis, nordestinos não fazem parte dos cidadãos de bem porque para ser cidadão de bem faz-se mister ser cidadão de bens. Cidadão de bem "é aquele que não comete crimes, respeita o patrimônio alheio". Crimes, no discurso do policial é assalto à mão armada, furtos por necessidade e coisas do gênero. Quando crimes deveriam ser extorsão dos cofres públicos, desvio de verbas que são os geradores desses crimes de segunda classe.

O político defende também a propriedade privada quando fala do patrimônio alheio. E quem comete crimes contra o patrimônio alheio? (terras improdutivas, sedes governamentais abandonadas) MST, o movimento dos sem-tetos, etc...

“Essas progressões de pena, os indultos sem critério nos presídios, isso é um absurdo!”,diz o militar. “Os direitos humanos tem que ser garantidos principalmente pras pessoas de bem”.

Absurdo são cadeias com cela para dez pessoas trancafiarem cinquenta. Absurdo é misturar presos de baixa periculosidade com presos de alta periculosidade, isso sim são absurdos! Evidente que não poderia faltar o cacoete: "Os direitos humanos tem que ser garantidos principalmente pras pessoas de bem".

Mas o capitão Augusto lembra também que os presos têm seus direitos. “Se cometeuo crime, tem que cumprir a pena, sim. E a pena tem que ser vista não só como ressocialização do preso, mas como castigo. Mas o preso, que perdeu seu maior direito, a liberdade, não pode perder também a dignidade.” A situação dos presídios abarrotados, em que os detentos “são tratados como animais”, é uma das questões a ser atacada pelo PMB.

Pena como castigo, é bem mesmo da índole dos policiais. A ressocialização não é tão importante, mas o castigo... Nietzsche disse que "o castigo foi feito para melhorar aquele que o aplica". Logo após esse discurso do castigo, o capitão Augusto fica mais "flexível" ao afirmar que o preso que perdeu sua liberdade não pode perder sua dignidade, etc... Sinceramente, eu não acredito nem um pouco nesse discurso. Se eu acreditar nisso terei que acreditar em Papai Noel, coelhinho da páscoa e até mesmo no Jornal Nacional, principalmente quando casal Bonner fala do "ditador" Hugo Chavez.

E o que o PMB pensa sobre o período marcante da ditadura militar? “Somos contra. Abominamos o período. Seria covardia vincular a ditadura conosco.Se você for ver, são 500 anos de serviços prestados ao Brasil. A ditadura foi só 20 anos.”

O capitão Augusto diz que seria covardia vincular o período da ditadura com eles. Mas como não vincular se o discurso do partido é o mesmo que vigorava nos tempos da ditadura?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bispo recusa comenda do senado



Discurso de Dom Manuel Edmilson da Cruz, Bispo Emérito da Diocese de Limoeiro do Norte – CE, durante a outorga da Comenda de Direitos Humanos Dom Helder Camara, conferida pelo Senado Federal, no dia 21 de dezembro de 2010




"A surpresa chegou aos meus ouvidos à noitinha, quinta-feira 16 de dezembro. Como o alvorecer da aurora e a vibração cantante de um bom-dia. Mais que surpresa: era como se alguém de extraordinária generosidade tivesse enfocado uma libélula projetando a sua leveza e levando-a a atingir as proporções de um águia ou de um condor.



Passa por esse crivo o meu cordial agradecimento ao senhor Senador Inácio Arruda, aos seus ilustres Pares que o apoiaram e a todo Congresso Nacional.



Pensei, em vista dos meus oitenta e seis anos, em receber essa honraria por meio de um representante. Mas Congresso Nacional merece respeito. Verdadeiro Congresso Nacional é sinal de verdadeira democracia.



A honrosa condecoração, porém, dos Pais da “Pátria”, (como diriam os Romanos “Patres Conscripti”), me faz refletir. Precatórios que se arrastam por décadas; aposentados, idosos com suas aposentadorias reduzidas; salários mínimos que crescem em ritmo de lesmas... depois de três meses de reivindicações e de greves, os condutores de ônibus do transporte coletivo urbano de Fortaleza, dos cerca de 26% de aumento pretendido, mal conseguiram e a duras penas, pouco mais de 6%, quer para a categoria, quer para o povo, principalmente os pobres da quinta maior cidade do nosso Brasil.



Pois é exatamente neste momento que o Congresso Nacional aprova o aumento de 61% dos honorários de seus Parlamentares que em poucos minutos chegam a essa decisão e ao efeito cascata resultante e o impõe ao povo brasileiro, o seu, o nosso povo. O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera Parlamentares? Graças ao bom Deus há exceções decerto em tudo isso. Mas excetuadas estas, a justiça, a verdade, o pundonor, a dignidade e a altivez do povo brasileiro já tem formado o seu conceito. Quem assim procedeu não é Parlamentar. É para lamentar. Prova disto? Colha na Internet.



Bem verdade é que a realidade não é assim tão simples e a desproporção numérica, um dado inarredável. Já existe – e é de uma grandeza bem aventurada! – o SUS; o bolsa família. Aí estão trinta milhões de brasileiros, que da linha de pobreza, às vezes até da indigência, alcançaram a classe média. É verdade a atuação do Ministério da Saúde. Existe o Ministério da Integração Nacional. É verdade! Mas não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta. Maldita realidade desumana, desalmada! Ela já é em si uma maldição. E me faz proclamar em pleno Congresso Nacional, como já o fiz em Assembléia Estadual e em Câmara Municipal: Quem vota em político corrupto está votando na morte! Mesmo que ele paradoxalmente seja também uma pessoa muito boa, um grande homem. Ainda não do porte de um Nelson Mandela que, ao ser empossado Presidente da República do seu país, reduziu em 50% o valor dos seus honorários.

Considerações finais



Senhores e Senhoras,



Sinto-me primeiro, perplexo; depois, decidido. A condecoração hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Camara. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os Senhores a Senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la! Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, a cidadã contribuintes para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade do seu trabalho. É seu direito exigir justiça e eqüidade em se tratando de honorários e de salários. Se é seu direito e eu aceitar, estou procedendo contra os Direitos Humanos. Perderia todo o sentido este momento histórico. O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isto não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os Direitos Humanos do nosso povo.



A atitude que acabo de assumir, assumo-a com humildade. A todos suplico compreensão e a todos desejo a paz com os meus sinceros votos e uma oração por um abençoado e Feliz Natal e um próspero e Feliz Ano Novo!

DEUS SEJA BENDITO PARA SEMPRE!"

Show com as mãos

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7x13=28 Você duvida? Então assista ao vídeo.

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