Tendo a 'primavera dos povos' chegado aos confins da antiga Cirenaica, ou seja, da Líbia; poz-se a imprensa ocidental e clamar contra o 'execrável tirano' Khadafi.
Como havia clamado já contra os 'execráveis ditadores' Fidel, Chavez, etc
Sob a velha e manjada alegação de que é necessário vindicar a nobre causa da democracia...
No entanto nossos 'democratas' não tem cogitado em implementar a democracia na Arábia Saúdita, país em que sequer existe liberdade de consciência... nos Emirados arábes unidos...
Grosso modo podemos dizer que os súditos de ambas as nações não gozam de qualquer tipo de liberdade no terreno religioso e que esta situação é francamente tolerada pelos governos ocidentais...
Fácil é saber porque as mesmas potências ocidentais que condenam Khadafi, permitem que os súditos da Arábia e dos Emirados tenham suas dignidades e direitos humanos violados pelo regime político vigente.
Isto se dá porque os tiranos da Arábia e dos Emirados permitem que as ditas potências, em especial os EUA, sirvam-se liberalmente de suas reservas de petróleo.
Como podem retirar petróleo a vontade da península arábia, os EUA estão pouco ligando para a condição humana de seus habitantes.
A questão portanto não diz respeito nem a democracia, nem a liberdade; que são palavras praticamente ignoradas na terra do profeta Maomé, mas ao petróleo ou seja ao riqueza e ao poder.
Diante de fato tão capicioso, excusam-se os teóricos vendidos ao sistema, alegando que a 'Democracia é antes de tudo uma questão cultural que devendo partir do amago mesmo dos povos em questão, não lhes pode ser imposta a força por qualquer agente externo.'
Todo este palavreado quer dizer que os EUA não estão dispostos a intervir militarmente na península arábica - com o intuito de impor a força seu regime de governo - partindo do princípio de que cabe aos próprios súditos dos emires e xeques, implementar a democracia em seus países... segundo afirmam a democracia deveria surgir ali mesmo nas areais do deserto ao invés de ser levada pelos soldados estadunidenses...
Deixemos os habitantes da península seram oprimidos por seus ditadores, fuzilados e mortos inclusive... até que a democracia saia de Riad ou Dubai como Atenas saiu da cabeça de Zeus...
Serão honestas e sinceras tais alegações e desculpas urdidas por parte dos teóricos do sistema?
Fossem honestas os EUA não teriam invadido o Iraque com o intuito de implantar princípios e valores democráticos no país...
Porque não empregaram o mesmo expediente e os mesma solução na Arábia Saúdita e nos Emirados arabes, países em que milhões e milhões de seres humanos estão privada da mais fundamental de todas as liberdades, a liberdade de consciência?
A questão é demasido simples: O Iraque não permitia que suas reservas de petróleo fossem liberalmente exploradas, como Khadafi não permite que as reservas de seu país o sejam...
Assim sendo o problema não diz respeito a dignidade ou a liberdade do homem, mas a fruição de petróleo por parte das nações ocidentais lideradas pelos EUA...
O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao Iran...
O Xá, apesar de não ser democraticamente eleito, segundo a forma prevalescente nos EUA, era bom, pois franqueava as reservas de pretróleo do país, as potências ocidentais... já o presidente Ahmadinejad, mesmo contando como conta com o apoio da maioria dos cidadãos, é mau, porque não permite que as riquezas de seu país sejam facilmente surrupiadas...
-- O Sr esqueceu-se de que Ahmadinejad, como Sadan, é um ditador execrável e sujo... um inimigo da liberdade.
No entanto o sr Ahmadinejad, como o sr Sadan, reconheciam a liberdade de consciência de seus súditos tradicionalmente cristãos, tratando-os inclusive com grande liberalidade...
Sabemos no entanto que na Arábia Saúdita É PURA E SIMPLESMENTE VEDADA A EXISTÊNCIA DE QUALQUER OUTRA FORMA RELIGIOSA ALÉM DO ISLAMISMO E QUE NOS EMIRADOS JAMAIS PODE SER IMPLANTADA UMA CRISTANDADE AUTOTÓCNE... traduzindo para o português: os execráveis ditadores condenados pelo juízo dos EUA, faziam ou fazem respeitar a liberdade de consciência, enquanto seus aliados da península Arábica são os mais detacados paladinos da teocracia ou seja da tirânia política e religiosa...
Tal o caso da Líbia...
É necessário enfraquecer o regime político, sem dúvida totalitário, com o objetivo de franquear livre acesso aos poços de petróleo.
Não é liberdade das massas que está em jogo, mas a liberdade das reservas de petróleo...
Neste sentido a existência de regimes totalitários é justificável pela própria política internacional dirigida pelos EUA.
Esta política capiciosa que é responsável pelo grande sucesso das ditaduras entre as nações mais fracas enquanto garantias de que não virão a ser presas do imperialismo vigente.
Pois ao invés de ser construida livremente enquanto instrumento de emancipação dos povos, a Democracia tem sido profanada e sordidamente usada como forma de se fragilizar politicamente as nações que se deseja oprimir.
Ao invés de ser implementada como fim, a democracia formal tem sido implementada como instrumental tendo em vista a dominação econômia e política por parte dos EUA e seus apaniguados, cujo sistema econômico esta na dependência do imperialismo ou seja da exploração da energia, matérias-primas e recursos alheios.
Numa tal conjutura, para lá de maquiavélica, em que a democracia converteu-se num instrumento a serviço da desordem econômica vigente, é natural que os povos e nações encarem os governos tanto mais fortes - como de Chavez e de Fidel - ou mesmo ditatoriais, como o de Khadafi, como uma garantia de autonômia interna, face ao inimigo externo.
O emprego ou uso da democracia pelo jogo do poder é que torna as formas totalitárias cada vez mais atraentes. De certo modo elas dão alguma segurança - ao menos cultural - para os povos em questão, segurança que uma democracia - especialmente quando imposta pelos corifeus da exploração econômica - não dá.
Portanto o que se tem em vista não é a emancipação do povo líbio face ao sr Khadafi... mas a fragilização da política interna do país, fragilização que permita a longo prazo 'livre acesso' as fontes de petróleo.
Os gregos pareciam encarar o surgimento do espaço político, representado pelo surgimento da verdadeira democracia (direta), como uma espécie de fim ou se instrumento voltado para o exercício da virtude e o aperfeiçoamento moral do homem convertido em cidadão.
Os Yankees tornaram-se ardorosos apóstolos do liberalismo político mas não pelo político mesmo ou pelo homem; mas pelo econômico ou seja com motivos de ordem puramente material relacionado a produção e distribuição de bens.
Eles esperam que implementado o liberalismo político nos moldes burgueses ou puramente formais representados pelos parlamentos, siga-se a adoção de seu xipófago: o liberalismo econônico, cujo coração se encontra justamente lá nos estados unidos da américa do norte.
Esperam que a Líbia, o Iran, a Coréia do Norte, a Venezuela, Cuba, etc, aderindo as formas políticas liberais passem a integrar o sistema econômico representado por Wall street, mas como meros satélites ou elementos periféricos dos quais o centro pode servir-se e beneficiar-se a vontade...
No fim das contas a luta pela Líbia é mais uma cena da velha farça da luta por recursos a serviço do mercado e pela ampliação do próprio mercado.
Isto nos explica perfeitamente porque a ONU, colocando-se mais uma vez a serviço dos intereses dos EUA, acaba de aprovar uma série de sansões contra a Líbia, sob a alegação de que o sr Khadafi cometeu 'crimes contra a humanidade' violando os direitos humanos de seus súditos...
Acaso Israel não cometeu muito mais crimes contra a humanidade, atrocidades, vilanias, etc fuzilando inumeros civis palestinos - inclusive mulheres, idosos e crianças - em diversas ocasiões sucessivas?
Cumpre perguntar-nos o porque da veneranda instituição não ter decretado quaisquer sansões contra o Estado de Israel e seus condutores, afinal se os líbios são gente os palestinos também o são... onde fica a dignidade e os direitos do povo palestino face as agressões israelenses perpetradas nos últimos trinta anos?
Agressões que culminaram na invasão de um navio carregado com suprimentos e na morte de vinte ativistas, nas proximidades de Gaza. Repeteco de 08 de julho de 1967 quando soldados israelenses deram cabo de 34 pessoas e feriram outras 171 dentre os tripulantes do USS liberty...
Em 2003, uma escavadeira militar nazisraelense matou Rachel Corrie uma Norte americana membro do Movimento de Solidariedade Internacional. Em 11 de abril de 2003, Tom Hurndall, uma voluntária britânica para o Movimento de Solidariedade Internacional, foi morta com um tiro na cabeça por um sniper da Força de Defesa Israelense na Faixa de Gaza... nem mesmo os homens de boa vontade e filhos da paz, solidarios para com a causa do povo palestino estão a salvo...
Quando se fala em Khadafi ou Ahmadinejad, é bom nos recordar o ataque terrorista do Irgun ao Hotel rei David, sede do protetorado britânico em Jerusalem, e no qual perderam a vida
91 pessoas (28 britânicos, 41 árabes, 17 judeus e 5 outros mortos)....
Cumpre lembrar ainda a anexação de Jerusalem como expólio de guerra, em pleno século XX e sob as barbas de nações que ousam afirmar-se como civilizadas...
Diante de tantos crimes abomináveis e monstruosos que faz a ONU com relação a Israel? Nada absolutamente nada... silêncio sepulcral...
Seres humanos são submetidos a tortura, no palácio da inquisição Yankee de Guantanamo e a ONU nada...
Parece que a ONU só se lembra da China, da Venezuela, de Cuba, da Coréia, do Iran, da Líbia... e que suas normas só existem para os países socialistas ou islâmicos...
EUA e Israel tem as costas quentes...
A hipocrisia nas veias...
E o desplante de se apresentarem como promotores de acusação frente as demais nações...
Ocorre-me uma bela palavra do Evangelho de Cristo: "Homem retira primeiro o cisco do teu olho, para só então retirar a trave do olho alheio."
Nada mais nauseabundo e asqueroso do que essa politicagem safada de fariseus na qual a democracia, a liberdade e a dignidade dos seres humanos são usadas e manipuladas com fins excusos pelo poder econômico.
No entanto como Platão, não desesperamos da justiça mas folgamos de por ela lutar, sem peias, sem receios, sem timidez...









