Ao amigo Ravik
Hoje tentaremos, na medida de nossas possibilidades, solucionar algumas questões em torno do ateísmo, da ética e do humanismo, propostas pelo amigo Ravik em seu por que.
Afinal, como reza o ditado: 'Perguntas exigem respostas."
Iniciemos esta breve reflexão definindo o que consideramos como 'princípios saudáveis' em oposição aos princípios que, consideramos como inadequados.
Por princípios saudáveis tomamos aqueles que são expressos pelos seguintes conceitos: consciência social, bem comum, solidariedade orgânica, alteridade, empatia, abnegação, heroísmo, benemerência, etc
Grosso modo podemos simplificar a questão adotando o seguinte esquema: Socialismo X individualismo.
Creio que fica bem assim.
Historicamente podemos relacionar as ideologias individualistas com o flagelo da guerra.
Apreciam os ateus relacionar a religiosidade ou a fé com a guerra. Mas a crítica seja positivista ou marxista, aprofundando a temática constatou já que por trás do fator religioso esta quase sempre o fator educacional e por trás dele, enquanto causa primordial, o fator econômico...
Então temos a consagrada equação: MISÉRIA > IGNORÂNCIA > FANATISMO > GUERRAS...
Tal a situação do mundo islâmico em que o fanatismo religioso não passa, em última analise, duma resposta inconsciente das massas alienadas a exploração econômica imposta pelo imperialismo e a situação de miséria causada por ela.
A religião portanto é apenas uma peça do maquinário.
Pensaram já os ateus em dar cabo da economia ou ao menos do liberalismo econômico? Aqui só os marxistas podem dar suas caras a tapa...
Porque o Haiek e o Friedmann eram ateus... e como veremos não podiam deixar de se-lo.
Quanto aos marxistas paladinos do ateísmo deploro sua ignorância crassa e recomendo a leitura da alentada obra "Socialismo utopia Cristã", obra suficientemente esclarecedora no que diz respeito as verdadeiras raízes éticas e valorativas do pensamento socialista.
Mas vamos ao que importa.
Karl Sagan, na série Cosmos, referente a grande biblioteca de Alexandria, refere que a noção de 'Cosmos' - que por sinal nem ele nem Hawking descartaram - implica na admissão duma conexão entre os fenômenos e seres que compõe este nosso mundo material ou fenomenal. Do contrário, inexistindo a conexão, estaríamos diante do Caos, ou seja dum turbilhão de seres em conflito uns com os outros...
Esta temática do Caos não é indiferente ao tema do ateísmo, mas intimamente relacionada.
Implica o Cosmos na existência de uma lei natural que coordene as forças existentes no sistema. Do contrário a força cega se dispersaria engendrando a convulsão dos elementos.
Para conceituar lei servimo-nos da clássica definição de Montesquieau, adotada pelos positivistas e pelos cientistas em geral até o momento presente: "Relação constante que parte da natureza mesma das coisas."
Durante mais de século os positivistas, que adotando a opinião do sr Kant a guiza de dogma, afetavam agnosticismo, sustentaram ser o Cosmo caracterizado por tais leis de causa e efeito, sem no entanto refletir sobre o assunto ou aprofunda-lo...
A autoridade do Hume, do Kant e de outros pontífices, impedia-os de Metafisicar. Hume havia opinado que o conhecimento metafisico era ilusório, Kant decretou que era impossível... e os acadêmicos repetiram e ainda repetem tais sentenças...
Como fica belo o 'magister dixit' nos lábios dos ateus...
Que apesar de tudo metafisicam...
Pois do contrário seriam apenas agnóstas como o Hume e o Kant...
É a velha salada: Ateismo + ceticismo + relativismo... aborto da lógica e híbrido monstruoso pelo qual se sabe que não se sabe que se sabe...
Schoepenhauer foi muito mais honesto e realista quando afirmou que o homem é um ser metafisico.
Já o velho Comenius fizera notar que o homem é um ser curioso que deseja conhecer, saber, deslindar...
De minha parte recuso-me a aceitar os dogmas do Hume e do Kant... cuja aceitação conduzir-me-ia as fileiras do Dr Huxley e não as do sr La Mettrie...
Porque deveria malquistar com Aristóteles pintando-o como rude falastrão se foi ele que lanço as bases do modelo experimental que caracteriza o conhecimento científico? Poderia ter sido o ateu Teodoro de Cirene... mas foi o teísta Aristóteles, que pretendeu demonstrar racionalmente a existência do Ser Supremo, sem apelar as frioleiras propaladas pela maior parte das religiões...
O mesmo Aristóteles que antes de qualquer outro distinguiu a baleia dos peixes e o morcego das aves, apresentando-os como mamíferos...
Naturalmente que há cientistas ateus como o Dr Dawkins, S Freud e alguns outros não tão afamados, mas também há cientistas religiosos como Copérnico, Galileu, Newton, Fermi, etc e teistas como Einstein e Hawking... houve até dois grandes padres cientistas: Mendel (pai da genética) e Lemaitre (o primeiro a postular o Big Bang).
Por ai se vê que a equação ateísmo = inteligência não passa de sofisma torpe e sujo... como as memoráveis listas de ateus compostas em sua maior parte por agnósticos, deístas e até religiosos!!!
Perdoe-nos a digressão... tornemos ao conceito de lei natural propagado pelos positivistas e a metafisica condenada pelos nórdicos.
Acontece que a maior parte dos positivistas não resistiu a tentação e deu lá sua metafisicadazinha... resultado: um número cada vez maior deles acabou chegando a um pensamento deísta ou mesmo aproximando-se de algum sistema religioso, notadamente do espiritismo que nada possui de tosco e que é o mais avançado deles. Nem preciso mencionar Croockes, Lodge, Richet, todos prêmios 'nobéis'... mais recentemente Anthony Flew enveredou-se pelo mesmo caminho, merecendo as mais duras críticas por parte dos defensores da fé ateística...
"A idéia de Deus renasce em tais cérebros." denunciava já Simone de Beauvoir
A questão é tão simples, como assinalou K Jaspers, que mesmo uma criancinha pode resolve-la concluindo que não pode haver uma lei por assim dizer sem um legislador.
A primeira vista pode parecer um desatino mas não é...
Parece ser porque o cientista materialista e/ou ateu por simples desconhecimento em matéria de epistemologia, filosofia, etc ignora a complexidade envolvida no termo LEI.
A qual implica teoricamente numa relação que produz efeitos em cadeia aumentando o gráu de complexidade, este parece ter sido o caminho seguido pela evolução dos seres vivos e a manifestação da vida psíquica, caminho que sugeriu - a um bom número de pensadores - uma intencionalidade ou propósito cuja peremptória negação parece ser imprudente. Seriam os elementos implicados na relação chamada lei suficientemente conscientes e esclarecidos a ponto de estabelecerem os resultados?
Opino que o resultado tenha sido disposto por um agente externo a eles...
O mais interessante no entanto é a constância dos resultados produzidos pela relação... Hume disse que a referida constância era uma 'ilusão' mas não demonstrou que fosse assim.
O que nossos sentidos verificam é que duas partículas de Hidrogênio associadas a uma de água produzem sempre aquilo que chamamos de água e não cloreto de sódio... é justamente esta constância que empresta ao conhecimento científico sua nota de previsibilidade.
Todos os epistemólogos do universo sabem muito bem que a crítica do idolatrado Hume a metafísica, atinge igualmente, e de cheio, a própria ciência e todo conhecimento humano, lançando novos fundamentos ao pirronismo. Daí a necessidade de um Kant com seu quimérico 'eu transcendental'... as desilusões dos positivistas, as aventuras de Popper...
Porque após a apreensão da realidade pelos sentidos entram em ação os princípios e esquemas de lógica pura com o intuito de formular as leis naturais... atingida a razão, infirmada a ciência.
Fica de pé a ciência porque a relação expressa pela lei formulada é de fato constante...
Acontece que nosso positivista não pode atinar com o fator ou melhor com a força que controlando as forças aparentemente dispersas garante o resultado implicado na relação com uma constância a toda prova.
Porque podemos ter certeza que a união de tal e tal partícula produzirá tal substância e não outra?
Que poder ou força garante por exemplo a vigência da lei da gravidade ou da lei da conservação da matéria... porque duma hora para outra a relação não produz qualquer outro efeito desarticulando a natureza???
Positivista algum jamais poder responder a tais indagações frequentemente propostas pelos jovens em nossas salas de aula!!! No entanto perguntas querem respostas...
O Cosmos não nos dá as respostas que desejamos ou que nos agradam... reformamos nosso discurso e recorremos ao Caos ou a 'teoria' do 'caos', que entre os verdadeiros titãs da ciência - como Hawking - só tem produzido risos...
Querem os patetas promotores do ateísmo estender a quântica ao macrocosmo... rejeitando o testemunho dos nossos sentidos e a vigência duma lei natural caracterizada pela constância. Santo reducionismo...
Mas eles não temem que a Coca cola que sorvem converta-se em fenol duma hora para outra, como o cético não hesita em crer que rótulo da aspirina está correto...
São as belas teorias que não são postas em prática, experimentadas, constatadas, verificadas...
Onde está Deus gritam eles?
Onde está vosso turbilhão caótico que ainda não dissolveu vossas senhorias? Rebatemos nós...
No fim das contas a questão - de Deus - não toca diretamente a ciência ou a natureza, ao menos de forma tão profunda...
O mesmo não se pode dizer no entanto a respeito do campo da ética.
"Embora não possamos recorrer a Deus como fator explicativo, talvez devessemos aproximar-nos dele ao menos no plano da ética." reconheceu o cético Jacques Monod 'Acaso e necessidade' 192 (de memória)
Permitem os homens que haja uma lei natural nos domínios da matéria ou dos fenômenos, apenas porque a dita lei não conflita com suas vontades, desejos e aspirações.
E no entanto segundo Sócrates esta lei moral é mais importante que a lei natural... todos já tiveram ocasião de ouvir o rifão humanista "Ciência sem consciência para nada serve".
Rifão que eu acredito ter sido demonstrado em 1945 por ocasião do genocídio perpetrado em Hiroshima e Nagazaki.
Se podemos afirmar que o 'Inocente jamais pode pagar pelo culpado' é certo que não estamos fundamentados na experiência ou mesmo em 'razões de estado ' mas em princípios de outra ordem que são basilares.
Então já posso responder a indagação: Que princípios inadequados decorrem da crença ateística no plano da ética ou seja do ateísmo raciocinado?
Porque as pessoas raciocinam sobre os postulados que aderem, como Calvino aderindo aos postulados sobre os quais Lutero jamais raciocinara e até proibira de raciocinar, construiu o edifício tenebroso do calvinismo sob os fundamentos da predestinação.
Certos postulados, teorias, crenças, idéias e princípios podem até parecer inofensivos até o instante em que alguém decide 'tirar as conclusões' seguindo um padrão de coerência até o fim... E nós devemos fazer isto demonstrando que nossos princípios são de fato saudáveis quando aplicados.
Sem a existência de uma Mente Suprema não existe qualquer tipo de conexão entre as entidades que compõem o universo ético ou material.
Quero dizer que se não existe uma Divindade cuja vontade funciona como padrão externo, objetivo, universal e absoluto de bem e mal, as entidades humanas estão já fragmentadas em indivíduos que são por assim dizer 'todo poderosos'.
Conclusão: O individuo é padrão interno e subjetivo de ética pata si mesmo construindo seus valores independentemente dos demais.
Aqui atalha o ateu com a democracia ou a sociedade...
A objeção é pueril porque a coerção social é meramente externa. Em situações de anomia em que não haja controle policial o individuo agira como padrão de si mesmo ou como bem entender.
Pois nada pode obriga-lo a aceitar as decisões do grupo, caso ele considere a si mesmo e a sua vontade como uma instância superior.
Quem a de pensar deste modo, perguntam os ateus???
Os principais teóricos do liberalismo econômico como Haiek que era ateu.
Os principais teóricos do anarquismo individualista como Max Stirner, que era igualmente ateu...
Os principais teóricos do anarco capitalismo como Friedmann que também era ateusíssimo...
E o grande pontífice do voluntarismo Nietszche que por acaso era ateu...
Concedamos no entanto a autoridade suprema e absoluta ao partido ou ao Estado enquanto definidores do bem e do mal e padrões válidos de ética, que teremos:
NAZISMO E COMUNISMO ou melhor Hitlerismo e Stalinismo...
E o pior é que os Estados e partidos cometem erros até a atrocidade e a infâmia...
Agora suponhamos que o Estado ou o grupo social tenha adotado um padrão correto.
Neste caso qualquer anarquista, poderia adotar a senha de Ravachol, rejeitando sem exame tudo quanto é proposto pela coletividade e lançando bombas nas outras pessoas...
Majault não errou quando disse: "Eliminado Deus, o homem se instala em seu lugar e se arroga, sobre seus semelhantes, direito de vida e morte."
Novidade aqui???
Nenhuma.
Teodoro de Cirene, patriarca dos ateus, já havia deduzido as funestas consequências duma ética ateística.
Se não há deuses cada qual é padrão absoluto de bem e mal para si.
Todo homem que não é influenciado pelo discurso religioso toma em consideração, antes de tudo, seus interesses ou as vantagens que pode auferir de determinada ação.
Hegesias de Cirene no entanto, constatou que a medida dos sofrimentos e dores é quase sempre superior a medida de prazeres a que cada homem tem acesso, e concluiu pela necessidade do suicídio e pela extinção da espécie humana, uma vez que nossa existência não tem propósito ou sentido.
"Posta para o nada, esta minha consciência é um verme." confidenciara já Roger Martin Du gard
Outra não foi a opinião de Camus expressa no "Mito de Sísifo": estamos envolvidos pelo absurdo... Camus o entanto julga-se no direito de impor a seus leitores o dever de enfrentar o absurdo e viver.. cheirinho de ética teísta ou credal vagando no oceano do absurdo...
"O universo ateístico ignora que seja sentido." assevera Raymond Aron
O já referido La Mettrie reeditou as idéias de Teodoro de Cirene e aplicando o ateísmo a suas ações veio a morrer de indigestão, proporcionando gostosas risadinhas ao deísta Voltaire. Outro não foi o parecer de Cloothes e de Holbach, suja ética era igualmente individualista e ulltra hedonista.
O figurão do partido no entanto foi o Marquês de Sade, outro ateu que converteu, como ele mesmo declara em diversos passos de suas obras, os genitais e o orgasmo em objeto de religiosa adoração.
Jeremy Bentham que também era ateu, tentou polir as arestas identificando os interesses do indivíduo com os do grupo social, o que atinge os limites do ridículo... Sidwik não foi mais feliz...
Tanto Bentham, quanto Mill e Spencer, são ícones do liberalismo econômico, do hedonismo e do darwinismo social, ou seja do egoismo com tinturas filosóficas ou econômicas. Eis a bela ética dos ateus, não é sr Onfray???
Pois quem, mais do que o sr Onfray tece loas ao gênio imortal de Nietszche, desce a madeira em Sócrates e cia e advoga a 'moral do interese individual' senão o ateu Onfray???
Ateísmo raciocinado...
"Morto deus, bem e mal, vício e virtude, vida e morte, tornam-se conceitos relativos ao sujeito." Cau 1961
Devo crer que o homem, julgando sua próprias causas haverá de julgar, uma única vez, contra si?
Devo crer que enquanto padrão de bem e mal o indivíduo optará espontaneamente e sempre pelo que trás vantagem para o grupo social?
Devo crer que os interesses do homem e da coletividade jamais conflitarão?
Digo isto porque a vontade do maníaco do parque era uma enquanto a de suas vítimas era outra...
Eis porque Ravachol indagava: se sou padrão absoluto de bem e mal com que direito sou julgado por outros?
Sartre imaginava que eliminado Deus tornaria o homem livre: "Tudo é permitido, grita ele, se Deus não existe. ACONTECE QUE NÓS MORREMOS."
No entanto o anarquista liberal jamais encarará a si mesmo como livre enquanto houver Estado ou polícia.
Porque em última analise o ateu liberal deseja se ver livre do outro.
Molesta-o Deus enquanto elemento unificador ou conector cuja lei impõem-lhe a odiada alteridade.
Deus é eliminado porque garante de algum modo o direito dos outros ou dos outros face as exigências ilimitadas e destrutivas da vontade.
É 'A morte de Deus acarreta a morte do homem.' ou seja do outro...
Não é por acaso que Simone du Beauvoir, vendo-se a borda do abismo reza: Por favor deus, finja que você existe.
Voltaire já havia dito que caso Deus não existisse seria necessário inventa-lo.
Porque somente a existência de Deus é capaz de fornecer a vida ética um padrão externo capaz de conter o instinto destrutivo da vontade imperiosa.
Penso que converter o indivíduo em deus seja muito mais perigoso do que servir aos falsos deuses e idolos da gentilidade. Porque o homem pode converter-se facilmente em divindade iracunda e infernal...
Transformando esta nossa terra no único e verdadeiro inferno existente. Isto se dá quando acreditamos estar separados uns dos outros, porque Deus é o vínculo mais forte e os outros todos podem ser quebrados tanto mais facilmente como sabem os teóricos do nazismo.
Que honestidade há em escrever bobagens como Hitler era Cristão, quando sabe-se muito bem que mandou retirar os crucifixos de todas as escolas e substituir os exemplares do Evangelho (disse Evangelho não Bíblia) - que mandou queimar - por exemplares do 'Mein Kampf'? E que Julius Streicher - o maior divulgador da ideologia nazista na Alemanha - apresentava-se como o mais destacado inimigo do catolicismo???
Basta dizer que Bentham, Haiek, Stalin e Pot eram ateus declarados e militantes...
Certamente há muita gente boa entre as fileiras do ateísmo.
Gente que não teve virilidade suficiente para refletir sobre seu ateísmo numa linha de coerência tirando as conclusões.
Gente que não raciocinou a fé ateística de forma escolástica.
Gente que não deduziu...
Gente que conservou e manteve os princípios e valores legados pela educação teísta ou religiosa e que associados ao ateísmo formam uma coisa amorfa ou informe...
Essa gente não recebeu seus princípios humanistas e sociais do ateísmo e/ou de seus defensores.
Nietszche escarneceria delas a não poder mais. Porque Nietszche, que é tido em conta de louco, foi coerente ao extrair do ateísmo sua lei de ferro pautada na força bruta.
Resta-nos solucionar o problema da ética em termos de teísmo/deísmo puro e simples.
Parece que já foi solucionado a muito tempo em termos de LEI NATURAL, DIREITO NATURAL OU DIREITOS INERENTES A PESSOA HUMANA.
Não nos iludamos, porque todo discurso em torno de direitos humanos esta estritamente relacionado com o teísmo, sem o qual não se sustenta. No fim das contas não é Deus, mas a condição humana que está em jogo.
No plano da fé ou da religião não pecaríamos caso apontassemos o universo ético do espiritismo como prístino reflexo da moral evangélica enunciada há dois mil anos atrás por Jesus Cristo.
Eu fico com o teísmo e com a religiosidade porque socialmente falando produzem resultados muito superiores ao ateísmo. Parecem-me mais funcionais, na medida em que garantem a solidariedade orgânica e o bem comum.
Fico com o Cristianismo porque produziu Asilos, hospitais, orfanatos, escolas, leprosários, em larga escala, coisa que o ateísmo ainda não fez. Ainda que não houvesse prova ou demonstração alguma eu preferirira ficar ao lado do Padre Restrepo, de D Romero, de Dorothy Day, Mounier, Weil, Berdiaeff, Madre Skobtzoff, Madre Tereza, Irmã Dulce, Chico Xavier... a meu ver as obras sociais sempre falam mais alto.
O ateísmo tem obras tão más ou piores do que a Cristandade. Falta-lhe obras tão boas e elevadas na mesma proporção, tem um Haiek e um Stalin mas não tem um Damian de Veuster ou um Ibiapina, uma pena.
No entanto uns fazem opção pela comunidade e pela espécie, outros por seus interesses e desejos; e cada qual vive segundo sua opção.
Isto é o que temos a responder ínclito, nobre e bom amigo, submetendo a tua crítica sempre justa e ponderada.
Ps.: Não cremos na necessidade da fábula do inferno produzida pela Cristandade ocidental.
Ao homem basta a consciência de que em oposição a lei universal, permanecerá moral e espiritualmente paralisado - até que deseje conformar-se com a lei universal - enquanto que seus irmãos, cumprindo a lei universal da justiça e do amor, ascenderão mais e mais na senda da evolução.
Não existe pior castigo do que ver-se suplantado ou passado para trás.
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