segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro, sua arquitetura, seus pobres, suas guerras...

A metrópole de São Sebastião do Rio de Janeiro, surgiu num contexto colonial como vila e depois cidade tipicamente colonial. Segundo consta teria sido fundada a 01 de março de 1565 por Estácio de Sá, sobrinho do governador geral Men de Sá.

Duzentos anos depois em 1763 a cidade do Rio conquistou o status oficial de capital da colônia, tornando-se sucessivamente capital do Brasil português, do Brasil imperial e do Brasil republicano até 1960, quando Brasilia - transcorridos dois séculos de glória - despojou-a de sua dignidade primacial. Desde então tornou-se capital do Estado homônimo.


Para compreendermos o que era o Rio de Janeiro até meados de 1900, precisamos saber como eram as cidades coloniais do Brasil.


De certo modo nossas cidades coloniais prolongavam a tradição urbana da idade média. E de uma Idade média adaptada as peculiaridades da peninsula ibérica, com a caracteristica presença árabe ou mozarabe...


Nossos primeiros nucleos populacionais eram labirinticos, ou seja, formados por casas de paredões maciços com poucas portas e janelas entrecortadas por becos bastante estreitos, mal iluminados e sem calçamento.


Os medievos como os antigos em geral só eram pródigos com relação ao interior - e as vezes ao exterior - de seus templos, enquanto casas de deus ou dos deuses. As habitações dos homens pouca atenção mereciam, exceto a do Rei ou do principe ou seja o palácio... não havia nada de interesante em tais vilas e cidades além da igreja matriz e da casa da câmara.


De alguma maneira a tradição arquitetônica portugueza/colonial inspirada na idade média prolongou-se até o fim do Império, já porque o imperador reinante, D Pedro II, enquanto sucessor dos reis de Portugal, representava a continuidade das tradições e instituições tradicionais legadas pela colônia. Até o fim do império nossa cultura foi de certa forma plasmada na cultura lusitana e colonial, ou seja, infensa a estrangeirismos...


Com o fim do império no entanto e o advento de um sistema pautado no ethos cientificista e francofilo do positivismo, a coisa muda de figura.


Duma hora para outra tudo quanto era sagrado para o império adquire o status de satânico para os adeptos do novo regime. Como prolongamento da execrável idade média e trazendo em seu bojo inspirações que iam do teocentrismo a um tímido humanismo religioso, a arquitetuta colonial passou a ser encarada como sinônimo de atraso ou de reprodução cultural sem um pingo de criatividade...


Dentre todas as cidades acima descritas primava o Rio de Janeiro com sua multidão de casarões monoliticos e becos estreitos formando um inintrincavel labirinto. Algo nada animador se levarmos em conta o surgimento do automovel...


Os casarões por sinal estavam em parte abandonados e sublocados, aprensentando sinais de decadência e ruina... implica dizer que serviam de abrigo a centenas de cortiços e que abrigavam milhares de pobres...


Desde o final do império cogitava-se em que o Rio viesse a sediar alguma "Exposição Internacional"... cogitação que se tornou ainda mais forte após a ascenssão do novo regime.


No entanto como o Rio poderia vir a abrigar uma Esposição Universal, se não passava duma imensa cloaca mal cheirosa habitada por uma multidão de miseráveis? De um labirinto em que apenas com dificuldade e lentidão os automoveis podiam circular? De uma amontoado do igrejas e chafarizes inuteis? De uma sucessão de casarões decadentes e ruinosos?


Graças as inumeras guerras e conflagrações, os burgos medievais foram cedendo espaço a 'verdadeiras' cidades em toda Europa... somente na Alemanha e na Austria algumas cidadezinhas conservam intacta a primitiva forma...


Sob a égide do iluminismo e do positivismo o neo classico despontou e triunfou nas principais capitais e nas grandes cidades do velho continente dando cabo das reliquias medievais que ainda não haviam sido destruidas...


Quarteirões quadrangulares ou retangulares intercalados por praças, ruas espaçosas margeadas por calçadas igualmente espaçosas e arborizadas, palacetes cercados por imensos jardins...


Na mesma medida em que o verde ou seja as florestas começavam a ser sistematicamente destruidas, o verde, como que paradoxalmente, invadia as cidades e se instalava nos quintais, calçadas e praças... as praças eram para as cidades o que as floreiras e vasos eram para as residências.


Residências que com o despontar da econômia burguesa converteram-se em autênticos palácios passando a rivalizar com os palácios de verdade. Era um festival de linhas e de cores, de pedrarias, de vidros e metais, um espetáculo para os olhos em oposição a patética simplicidade do vilarejo colonial com sua arquitetura pesada e pobre...


Como capital de um dos maiores países do mundo, o Rio de Janeiro não podia ficar para trás.


Do contrário como haveria de vir a sediar uma 'Exposição internacional' e a receber tanta gente civilizada e ilustre? Como apresentar aos olhos dos refinados vizitantes procedentes da Europa aquele casario tosco e sem graça? Como aparentar progresso e afetar modernidade?


Simples: pondo abaixo todo aquele monte de igrejas, chafarizes e casarões e deslocando a população pobre para os morros, onde por sinal não seriam vistos pelos gringos...


Assim sendo sob o lema positivista da ordem e do progresso, iniciou-se uma verdadeira revolução arquitetônica e paisagistica na cidade do Rio de janeiro, revolução destinada a transforma-la numa capital de verdade nos moldes de qualquer capital européia. O Rio estava destinado a ser o cartão de vizitas de um Brasil em franca expansão, do Brasil, do país do futuro...


Havia no entanto um pequeno detalhe, os cortiços...


Campos Salles, Afonso Penna e Rodrigues Alves não recearam e fazer valer a autoridade presidencial. Conclusão: milhares de pobres foram despejados e os cortiços demolidos... foi a consolidação definitiva das favelas... O preço do embelezamento do centro da cidade foi a favelização dos morros...


Curiosamente as favelas reproduziram mais uma vez o velho esquema arquitetônico herdado a colônia e a Idade média: construções sobrepostas entrecortadas por becos bastante estreitos formando um enorme labirinto...


A primeira operação de faxina ou limpeza social no Rio durou cerca de dez ou vinte anos, ao cabo dos quais - por ocasião do centenário da independência (1922) a cidade, ja preparada para maravilhar os europeus civilizados, tornou-se digna de sediar a Exposição Universal...


No entanto, entregues a sua própria sorte, as favelas - hoje são cerca de 1000 (verdadeira favelopolis) floresceram, se expandiram e se alargaram nos últimos oitenta anos, dominando, mais uma vez o cenário de uma cidade já não tão maravilhosa...


Grosso modo as favelas principiaram como verdadeiros guetos com o intuito de segregar os mais pobres e de po-los a margem da sociedade. Esta tática de se esconder ou ocultar a pobreza ao invés de sana-la só poderia ter chegado onde chegou...


No entanto cerca de cem anos após a remoção dos miseráveis do centro para os morros (dos cortiços para as favelas) a sociedade brasileira, que pouco ou nada conhece sobre sua própria história, parece não ter compreendido nada, a ponto de renovar e de reforçar os erros fatais do passado.


Afinal porque somente agora, as vésperas de uma Copa e duma Olimpiada o governador Sérgio Cabral lembrou-se de debelar o tráfico e de ocupar os morros da cidade. Tanta gente morreu neste meio século, porque o governador só se lembrou de fazer alguma coisa justamente agora?


Em quem será que o governador esta pensando?


Nos habitantes das favelas?


Mas como se estão sendo todos tratados compulsóriamente como suspeitos e revistados, sem que haja aplicação do principio juridico de presunção de inocência. Por trás desta ação imediatista o que há é violação de direitos com trinta mil residências revistadas sem que qualquer jurista apareça para falar em anticonstitucionalidade...


No entanto quando de trata de invadir o palacete ou a manssão de qualquer político ou empresário corrupto, ninguém se preocupa em invadir a menos que haja algum papel ou ordem...


Mas enfim são barracos...


Pensou o governador no restante da população?


Então deveria ter pensado antes de tudo nas filas do SUS, pois lá no Rio tem gente morrendo por falta de atendimento médico a um tempão...


Devia ter pensado em investir a fortuna que investiu em armamentos e munições em Escolas, esporte, livros, merenda...


Então em quem pensou o sr governador, as autoridades respeitáveis, a imprensa canalha???


Em quem pesaram eles?


Ora bolas, nos gringos que virão assistir a Copa ou as Olimpiadas...


Pobre morre todos os dias...


Idiotas da classe mérdia também...


Agora imagina só se algum Yankee morre baleado durante os espetaculos???


Não nos iludamos porque a atual operação é mera cópia ou plágio da de 1900... cujo objetivo foi oferecer um Rio menos feio e menos inseguro aos gringos durante a exposição internacional de 1922...


Agora mais uma vez reiniciam a limpeza, com a desculpa cinica e esfarrapada de beneficiar uma população que já enfrenta o problema a quase cem anos...


Quando na verdade tudo esta sendo feito mais uma vez em beneficio os visitantes estrangeiros, com o intuito de brinda-los com uma aparência de civilidade...


Mais uma vez a miséria esta sendo varrida para devaixo do tapete...


Tenho dito!!!




domingo, 28 de novembro de 2010

Considerações dialéticas em torno da formação da economia de Mercado

No inicio do décimo sexto século a sociedade inglesa encontrava já cindida em dois grupos:

O povo, a Igreja e o Rei de um lado e os senhores feudais em processo de aburguesamento do outro.



Os senhores desejando ampliar a criação de carneiros cobiçavam tanto as terras da comunidade quanto as da igreja empreendendo cercamentos.



A Igreja e o povo, associaram-se a um trono cada vez mais forte em busca de proteção.



Dentro desta luta a primeira vítima foi a igreja.



Os protestantes em proveito próprio teceram a fábula de que os mosteiros comportavam apenas propriedades improdutivas e incultas.



A alegação é de todo falsa. Haviam certamente propriedades incultas...



No entanto a maioria delas era industriosamente trabalhada pelos monges, revertendo geralmente em proveito dos deficientes, orfãos, idosos, enfermos, etc amiude assistidos amiude nas dependências dos mosteiros - que funcionava como dispensário, hospicio, hospital, orfanato, asilo, hospedaria... - numa época em que o Estado nada sabia de assistência social.



Recomendo a todos a leitura crítica da "Les moines d'Occident depuis saint Benoît jusqu'à saint Bernard" de C F R de Montalembert.

Em 1536 no entanto o barba azul determinou o fechamento de 552 casas religiosas... em benefício justamente dos grandes senhores feudais em processo de aburguesamento. Henrique VIII a longo prazo acabou armando o punho que cem anos depois fez rolar a cabeça de Carlos I; ele mesmo preparou o ruina da autoridade do trono na medida em que poz tantas riquezas nas mãos da nobiliarquia...

O impacto de tal ação foi dramático no dizer de William Cobett. Da noite para o dia a assistência social foi suprimida... a ponto de nesse mesmo ano seres lavradas as primeiras leis de assistência aos pobres. No entanto até que o sistema secular passasse a funcionar com certa eficácia, grande número de desasistidos e desafortunados sucumbiu...

Marx não e doutro parecer quando afirma que: "A supressão dos conventos, etc., enxotou os habitantes de suas terras, os quais passaram a engrossar o proletariado. Os bens eclesiásticos foram amplamente doados a vorazes favoritos da Corte ou vendidos a preço ridículo a especuladores, agricultores ou burgueses, que expulsaram em massa os velhos moradores hereditários e fundiram seus sítios. O direito legalmente explícito dos lavradores empobrecidos a uma parte dos dízimos da Igreja foi confiscado tacitamente."(O Capital, Livro II, cap. XXIV – A chamada acumulação primitiva, p.836-7)

Isto significa que a revolução protestante desconstruiu o mecanismo vigente de solidariedade social, reforçou o acumulo primitivo de capital e fortaleceu uma nobiliarquia em processo de aburguesamento, tudo a uma só vez. Capitalismo e protestantismo são solidários desde o principio e terão de ser enterrados juntos...

No entanto, quando os Bispos a febre protestante baixou e os Bispos tornaram ao poder, a Igreja Anglicana, como a Romana, formou mais uma vez fileiras ao lado do povo e do trono contra a nobiliarquia aburguesada e via de regra reunida sob a bandeira do calvinismo ou do puritanismo.
Em posse das terras que antes haviam pertencido a igreja romana, esta nobiliarquia aburguesada ou gentry voltou logo suas vistas para as terras comunais, implementando cada vez mais cercamentos...

O trono e a Igreja mais uma vez tomaram o partido do povo contra a gentry, dando inicio a uma longa queda de braços que só foi decidida em Naseby. Após a cabeça do rei, rolou a cabeça do grande arcebispo Laud, o qual como latimer, sempre defendera corajosamente o direito dos mais pobres...

Com a revolução inglesa surge uma nova Ingleterra, puritana, aristocrática e comercial. Durante algum tempo o anglicanismo e o absolutismo foram sinônimos de antigualhas... Mais tarde o puritanismo cedeu, mais uma vez, espaço ao episcopalismo ascendente e a nobreza recuperou parte de seu antigo prestigio. O comércio porém veio para ficar e para estender seus braços aos quatro cantos do mundo...

Foi estabelecido o parlamentarismo ou seja o controle do parlamento e reconhecido formalmente o predominio de uma nobreza, simultaneamente burguesa. Com o passar do tempo essa mesma nobreza aburguesaza foi se apossando de todos os cargos e funções da igreja anglicana e do Estado como um todo - o que engloba as forças armadas - a ponto de servir-se dele contra a Holanda como um instrumento de poder. Durante todo esse tempo o povo permaneceu sem fé, nem lei, nem rei, a margem da pobreza...

Todos deviam trabalhar - não importa sob quais condições - sob pena de serem enquadrados por vadiagem e executados em caso de reincidência. Felizmente os salários eram determinados pela coroa com base no mínimo necessário a subsistência do individuo. Aqueles que não conseguiam obter qualquer tipo de emprego era defeso buscar refúgio num hospício mantido pelo governo onde recebiam uma determinada cota de pão... A vida do povo era bastante dura, mas já ninguém morria de fome...

O advento da máquina no entanto determinou a aparição de uma nova categoria em cena: O grande industrial... Isto ocorreu pelos idos de 1785.

O novo setor separou-se quase que de imediato do antigo setor comercial dominado pela gentry dando inicio a uma nova queda de braço.

De uma lado estavam a coroa, os clérigos e o povo; como que renovando uma antiga aliança, desta vez reforçada pelo adversário comum, destarte igualmente ameaçado: a gentry.

A maior parte dos grandes senhores, associou-se a igreja, a coroa e ao povo em sua luta contra o pequeno número de empreendedores que acenavam mais ou menos falaciosamente com a idéia da liberdade.

Afinal desde 1662 cada inglês estava obrigado a permanecer adito a sua paróquia de origem.

Os industrias no entanto precisavam de mão de obra barata, o que implicava em favorecer o deslocamento livre de pessoas. Eis porque acenaram a gente simples com a promessa da liberdade.

Como quase sempre a liberdade estava sendo usada por seus falsos amigos e defensores - os demagogos - e empenhada a serviço duma escravidão ainda mais dura e desumana. Pois a intenção era emancipar os servos para agrilhoa-los junto as máquinas...

Mais uma vez a concessão da liberdade formal estava a serviço da instauração de uma ordem em que seu exercício real seria tolhido. Ainda hoje a mídia venal acena com falsas promessas de liberdade tendo em vista escravizar cada vez mais o povo...

Assim sendo em 1795, sob pressão dos grandes financistas e industriais a lei de 1662 foi revogada. Os frutos no entanto só haveria de ser colhidos após 1849 ou seja quase meio século depois...

Este período de meio século significa um período de contenção quanto a tentativa de se estabelecer um regime de mercado ou uma tentativa desesperada de toda uma sociedade de resistir ao golpe final do economicismo. Era uma aluvião de instituições que conjugavam seus esforços tendo em vista proteger-se contra o mito da auto regulação.

A maior parte das pessoas, em que pesem as cantilenas do Dr Adam Smith, não exercia fé no mercado e repudiava conscientemente o dogma da auto-regulação. Era toda uma sociedade que não desejava adequar-se ao sistema emergente...

Por isso no mesmo ano de 1795 foi 'sancionada' a lei do abono de alimentos ou lei da fome, que objetivava a manutenção vital das pessoas travando mais uma vez a formação de um mercado de trabalho com mão de obra farta e disponivel. Vinte anos depois, em 1814, é sancionada a lei do milho, visando a trachação do milho importado...

Ambas as leis foram planejadas pela gentry ou seja pelos landlords e exaustivamente aclamadas por um campesinato em vias de proletarização.

Desde que o governo complementava o salario daqueles que ganhavam menos do que o necessário para viver, as pessoas não eram constrangidas a aceitar qualquer serviço por qualquer preço... donde a falta de mão de obra disponivel acarretava o aumento dos salarios e a redução dos lucros.... beneficiando de certo modo os operariado citadino.

A tachação do milho estrangeiro por sua vez impedia simultaneamente que o preço do milho abaixasse - obrigando os patrões a pagar um salário que garantisse a alimentação dos operários -
e que o campesinato produtor de milho ficasse arruinado, o que implicaria em sua transferência para a as grandes cidades aumentando a mão de obra disponivel e reduzindo o preço dos salários.

No entanto as duas leis beneficiavam igualmente a gentry na medida em que seu status quo dependia dos arrendatários e da produção agricola.

Atingidos e arrebatados os agricultores a situação da gentry ficaria igualmente comprometida.

Os financistas e industriais no entanto contavam com um excelente argumento a seu favor: o dinheiro... Assim do mesmo modo como a gentry séculos antes havia alegado que as camadas mais baixas da população inglesa haviam se acomodado graças a assistência oferecida pelos mosterios, os industriais alegavam que a gentry mesma havia se acomodada e que eles, os industriais é que representavam o elemento dinâmico e progressista. Poucos foram os que se deixaram comover por uma argumentação assim tão insipida, o dinheiro no entanto fez sorrir a todos...

Assim após inumeraveis debates e recuos, a lei do abono foi suprimida em 1834 e as leis do milho em 1846 -49.

Assim sendo em 1850 a Inglaterra contava com um verdadeiro exército de miseráveis e esfomeados prontos para encher as fileiras do mercado e garantir a reserva. Estava assegurada a mão de obra e formado o proletariado...

Somos pois autorizados a afirmar que de 1850 a 1870/75 - quando os sindicatos obtiveram reconhecimento legal, vigorou a assim chamada auto regulação, postulada por Smith e Ricardo a qual prolongou-se de certo modo até 1909 quando foram efetivamente aprovadas as primeiras leis fabris ou trabalhistas.

E qual o resultado de tudo isto?

Um espantoso quadro de miséria como jamais havia sido visto na Inglaterra desde 1536 quando os mosteiros haviam sido suprimidos. Não vou entrar em maiores detalhes sobre os assunto, até mesmo os romances de Ch Dickens são pródigos de informações a respeito...

Outro magnífico resultado foi a grande crise econômica de 1873 a 1880, que abalou o sistema, desmentiu solenemente a falsa crença da auto regulação e semeou um rosário de dores, sofrimentos e lágrimas por toda Europa. Nem bem as cinzas de Marx esfriaram e já o sistema do sr Smith entrava em pane, falhando miseravelmente como sói as superstições do gênero...

No entanto desde 1863, durante a primeira internacional, constitui-se já o adversário do novo grupo hegemônico - os financistas e industriais ou capitalistas - o proletariado. Desde então o mundo tem se cindido em duas forças que se degladiam... e os tronos, parlamentos, igrejas, camponeses, etc formado novas alianças, ora favorecendo um lado, ora outro...

O grande desafio do socialismo será conciliar o antigo ideal comunitário de justiça e bem estar herdado a idade média - cujas raizes no entanto chegam a Platão e Aristóteles - e o novo ideal de liberdade apenas hipocrita ou formalmente acenado pelos liberais a cerca de trezentos anos. Construir a igualdade na liberdade ou seja sem negar ou sacrificar a liberdade é a nossa tarefa e a das futuras gerações.

Nenhum dos dois ideais pode ou deve ser perdido de vista ou posto de lado. Da superação desta tensão surgirá um novo mundo.

sábado, 27 de novembro de 2010

Desconstruindo mitos sobre o bang bang no Rio

QUE CRIME COMETERAM ELES? O CRIME DE SEREM POBRES E MORAR NA FAVELA









Não estou acompanhando muito de perto a situação 'anômica' porque passa o Rio de Janeiro. Via de regra tenho sido informado por meus alunos...



Os próprios alunos trouxeram a baila os sinistros eventos ali ocorridos com o intuito de enriquecer nossas aulas de Filosofia, Sociologia e Psicologia e entabolar fecunda discussão em torno deles. Mesmo porque 90% de minhas aulas são interativas ou melhor dizendo dialéticas.



Sou um plagiador barato e Sócrates a vítima inocente...



Afinal situações como estas trazem a baila Durkeim, Le Play, Marx, Adler, Foucault, Berdiaeff, etc, etc, etc Efim uma imensa gama de analistas posicionados em diversos campos do saber.



E a possibilidade animadora de excursionarmos pelos terrenos da História e da Ciência Política abrindo ainda mais o leque de nossas reflexões...



Costumo a dizer que minhas aulas na verdade são aulas de 'Humanidades', afinal começamos por um determinado campo das ciências humanas, no entanto jamais sabemos onde haveremos de parar... a organicidade existente entre as diversas áreas das ciências humanas nos obriga a passar de campo a campo...



O que a meu ver é assaz excitante...



Hoje todavia enquanto almoçava as carreiras na própria cozinha para fugir ao som da TV situada na Sala de visitas, contigua a sala de jantar não pude deixar de ouvir que todos os habitantes de um determinado morro carioca estavam sendo revistados...



Destarte fui atraido a sala de visitas e pude apreciar cena em que os moradores tinham seus trens bisbilhotados pelos homens da lei.



Diante disto não poderia deixar de vir a público exarar minha opionião, vomitar minha bílis e como dizem os contrários: destilar meu veneno...



"Buenas e me espalho: nos pequenos dou de prancha e nos grande dou de talho." já dizia certo capitão muito famoso...



Esmagados os inimigos do povo brasileiro por vexatória derrota nas urnas e escurraçados pelo pleito, empenham-se agora na construção de um ESTADO POLICIAL E TOTALITÁRIO apelando ao classico recurso de manipular a violência.



Foi justamente para não perderem a ARMA DA VIOLÊNCIA que certos setores deste país se opuzeram veementemente ao SIM durante o plebiscito de 2005, opção que representava e representa o único paliativo seguro, praticavel e efetivo no que diz respeito a superação da violência.



Descartado o controle da venda de armas e de munições não há como evitar que as armas venham a parar nas mãos de traficantes por trás dos quais se encontram - como mostra o filme Tropa de Elite 02 - os grandes pilares do crime: políticos e empresários inexcrupulosos, crapulosos e sem consciência.



Aos quais é possivel, caso queiram e desejam auferir vantagens, deflagarar situações de violência e anômia com o intuito de produzir crises políticas e institucionais que enfraqueçam um governo que não corresponda a suas expectativas. Em outras palavras nós acreditamos piamente que tais explosões de violência possam ser acionadas e controladas por políticos e empresários com fins de natureza política.



Nós acreditamos na manipulação, controle e uso da violência pelas elites que se perpetuam no poder. As mesmas elites que por sinal controlam a mídia.



O escopo visado por tais grupos é a produção de um 'imaginário popular' de total descontrole e falta de proteção por parte do Estado, e a apresentação do estado de direito como um estado fragil, inseguro e incapaz de garantir a segurança das pessoas.



AS PESSOAS DEVEM SER LEVADAS A REGEITAR O ESTADO DE DIREITO E A ASPIRAR POR UM ESTADO TOTALITÁRIO EM QUE POLICIAIS E SOLDADOS FARIAM AS VEZES DE GUARDIÃES OU PROTETORES.



Todavia o que esta no bojo mesmo do jogo - jogo do poder - é que policiais e massas desesperadas cumpram com o oficio político de dar cabo dos segmentos políticos de esquerda, associando-os ao crime (quando na verdade são as elites que por trás da cortina comandam e manipulam o crime) e exterminando-os. O fim último de toda esta situação outro não que desmoralizar e se possivel criminalizar a esquerda...



No momento em que o Estado de direito que nos foi legado pelos liberais for derrubado a ação polícial se tornara politica e o aparelho policial sera utilizado pelas elites com o intuito de eliminar seus opositores. Situações de anomia e de revolução são sempre propicias no que diz respeito a implementação de morticinios e execuções sumárias...









O QUE ESTA POR TRÁS DA REVISTA COMPULSÓRIA DOS MORADORES DAS FAVELAS.







A legislação brasileira - uma das mais avançadas do mundo por sinal - disciplina com bastante clareza a 'busca pessoal' ou revista, dando origem a todo um corpo de doutrina, cuja inspiração liberal viza resguardar a liberdade e a dignidade do cidadão.



Os militares e policiais no entanto sempre forcejaram por obscurecer este corpo doutrinário tendo em viza o abuso do poder e o estabelecimento de um poder arbitrário.



Segundo o artigo 5º, inciso LVII, da CF/88, todo cidadão brasileiro goza e deve gozar duma prerrogativa conhecida por presunção de inocência. Grosso modo presunção de inocência quer dizer que todo cidadão deve ser considerado inocente até que o contrário seja demonstrado em última instância ou melhor que cidadão algum pode ser considerado como suspeito sem que hajam evidências objetivas e palpaveis.



Assim entramos já no campo da fundada suspeita, decorrência lógica da presunção de inocência. Se todo cidadão deve ser considerado inocente até que o processo seja julgado e a sentença publicada segue-se que a 'busca pessoal,' ou revista só possa ser empregada quando haja fundada suspeita ou seja fortes indicios - sempre de natureza objetiva - de que a pessoa esteja envolvida com qualquer tipo de crime e/ou ilegalidade.



Face a tal doutrina todas as blitz, bloqueios, etc que implementem buscas pessoais indiscriminadas, expondo todos os cidadãos sem qualquer tipo de critério, a situações vexatórias é e deve ser considerada como ilegal, anti constitucional e criminosa.



O que esta se fazendo no Rio de Janeiro constitui verdadeiro abuso de poder e discriminação, se bem que disfarçado por um cipoal de sofismas. Com o intuito de grangear os aplausos e ovações de uma população alienada e aterrorizada...



Parece-me até ouvir "FAVELADOS AD LEONES" como em Roma se ouvia "CRISTÃOS AD LEONES" das bocas dos cidadãos aterrorizados por Nero...



A justificativa mais séria e em parte verídica dada por aqueles que advogam tais ações, é que devido as condições geograficas dos morros e das favelas nele situadas com seus inintrincados labirintos, é bastante natural que os bandidos se ocultem e refugiem nelas e que elas se convertam em coutos de bandidos...



Esta correto...



É assaz compreenssivel que qualquer bandido após cometer ato delituoso vá buscar refúgio em tais lugares devido a sua condição mais ou menos inascessivel.



E sem embargo a maior parte das pessoas que moram em tais 'lugares inacessiveis' é formada por gente honesta cabendo-nos perguntar porque tanta gente honesta foi residir em tais lugares inascessiveis e não no Leblon onde jamais os habitantes passam pelo vexame de serem compulsoriamente revistados e tratados como suspeitos...



Porque todos os moradores do morro do alemão podem e devem ser tratados como suspeitos enquanto os moradores do Leblon jamais o são?



AFINAL NÃO SÃO TODOS BRASILEIROS E IGUAIS PERANTE A LEI???


Se são iguais perante a lei porque os moradores de Copacabana e Ipanema não são igualmente revistados???



A bem da verdade não acredito que os berços da maioria dos criminosos que reside nos morros do rio estejam localizados em Ipanema, Copacabana e Leblon (a maioria dos que nasceram nestas áreas deve ter logrado acesso a uma boa faculdade ). Os criminosos em sua maior parte são oriundos da própria favela...



A situação de favela e favelado face a corrupção reinante na estrutura política e o éthos dominante do capitalismo, do ter e do lucro, conduz o jovem ao crime a menos que seja dominado pelo fanatismo religiosos - o que ocorre cada vez menos - ou tenha acesso a uma educação de qualidade que lhe aponte as mazelas do sistema e lhe indique os meios politicos e sociais capazes de desconstrui-lo... Como a maioria dos jovens embora já não seja dominada pela religiosidade mórbida tampouco adquiriu a consciência política e social a que acima aludimos é bastante natural que - face a submissão passiva e a mobilização social - acabem optando pelo recurso do crime.



Situações de extrema miséria, indignidade, ignorância generalizada, falta de perspectiva, baixa estima, etc conduzem quase que fatalmente a droga que é a porta de entrada do mundo do crime. Assim aquele que não buscam fugir da realidade por meio da alienação religiosa, futebolistica ou sambistica... haverão de fugir por meio do sexo, do alcool ou das drogas... Afinal ninguém pode suportar por muito tempo situações tão drásticas caso não espere qualquer tipo de superação possivel...



Face ao desespero e a descrença na possibilidade de uma vida melhor o homem é levado a negação da vida em vida por meio da alienação...



É pois natural que a condição vigente nos morros do Rio lance parte de seus habitantes mais jovens no submundo do crime. AFINAL QUEM OPTOU POR MORAR NUMA FAVELA? QUEM DESEJA VIVER LÁ? QUEM APRENDEI A GOSTAR DE LÁ? QUEM DESEJA QUE SEUS FILHOS E NETOS PERMANEÇAM LÁ?



Já publicamos neste Blog uma pequena História sobre a origem das comunidades do Rio de Janeiro. A compreenção do que esta acontecendo hoje em tais comunidades só é possivel caso deitemos nossos olhos até as raizes históricas de toda uma população formada por mestiços, negros e nordestinos que foi literalmente empurrada para os morros e ali aprisonada, confinada e abandonada pelo poder político.



Não receamos dizer que a formação das comunidades do Rio assemelhou-se de certo modo a dos guetos e campos de concentração da Europa, nos quais multidões de seres humanos foram amontoadas... Que são as favelas do Rio senão imensos armazens de miseráveis e enormes bolsões de pobreza???



E que são tais armazens e bolsões senão caldeirões de violência a ferver até explodir?



Que a sociedade responsavel pela criação da favelas ouse vir a baila com o intuito de aplaudir a criminalização geral de todos os seus habitantes a ponto de submete-los a tratamentos vexatórios por natureza e justificar a formação de um Estado policial, totalitário e para além do estado normal de direito é o cumulo da pilantragem!!!



O que esta sociedade amedrontada e hipócrita deveria ter feito mas não fez até hoje foi levar educação, lazer e sobretudo dignidade as ditas favelas ou seja desfavela-las... O que esta sociedade das passeatas patéticas não fez foi aprovar o estatuto do desarmamento, a maneira mais inteligente e eficaz de aliviar a situação... O que esta sociedade ainda não fez nem que fazer é implementar soluções realistas como o controle de natalidade e a reforma agrária...



Portanto esta sociedade colhe os frutos amargos que plantou e continua plantando até os dias de hoje.



Qualquer homem honesto e trabalhador ao ser tratado como suspeito poderá em sua indignação tornar-se, não criminoso, mas solidário para com o crime organizado.



Esta portanto mais do que na hora de solucionar o problema das favelas ao invés de continuar marginalizando-o e agravando-o.



Nossas leis precisam ser obedecidas a risca em quaisquer circunstâncias e não burladas justamente por aqueles que deviam ser os primeiros a respeita-las sob quaisquer alegações.



Do contrário o Estado do direito será substituido pelo Estado da força.



E o estado da força por meio do abuso implementará o terror.



Registro pois aqui meu protesto e indignação perante o triste fato de cidadãos brasileiros estarem sendo revistados devido a condição geográfica dos locais em que habitam e sem que a fundada suspeita pese de fato sobre eles, não triupudio afirmar que se trata de mais uma violência face aos dignidade e direitos do homem e do cidadão.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quem planta ventos... (pequena crônica sobre a violência no Rio de Janeiro e suas causas)







Posso parecer sádico.


Pouco se me dá...


Digam o que disserem não me compadeço da população do Rio de Janeiro, não tenho uma réstia de pena, um pingo que seja de dó.


Lamento que inocentes estejam a morrer... mas não tenho dó.


O que o homem planta isto ceifará.


Quem semeia ventos colherá tempestades.


Relação de causa e efeito. Inexorável...


No entanto foi a população brasileira que assim o quiz, que optou, que escolheu, que decidiu.


Agora deve arcar com as consequências de seus atos e refletir.


Em 2005, no dia 23 de Outubro para ser mais preciso, nós paulistanos, cariocas, santistas; brasileiros em fim, tivemos a chance de impedir que tais fatos viessem a acontecer. Tivemos a oportunidade de evitar a hecatombe que agora se inicia.


Milhares de pessoas esclarecidas sairam as ruas solicitando aprovação para o artigo 35 da lei 10826 - mais conhecida como Estatuto do Desarmamento - cujo teor era este: "É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei."


O povo no entanto deu preferiu dar ouvidos as vozes mais reacionárias, vetar o dito artigo e assimilar o péssimo exemplo dado pelos Estados Unidos da América no Norte, país em que qualquer cidadão é livre para comprar um arma de fogo em qualquer esquina e com ela sair fuzilando tantos quantos desejar, ciente de que matando cinco a mais ou a menos sua pena será a mesma, a saber, a morte...


A associação entre o livre e desimpedido comércio de armas e a pena capital faz com que a dita nação do Norte seja um dos países mais violentos do mundo, uma verdadeira praça de guerra em que vez por outra algum jovem frustrado resolve sair pelas ruas exterminando seus desafetos...


Dentre todos os países civilizados do planeta os EUAN - se é que podemos considerar o centro mundial do capitalismo como civilizado - lideram o ranking da violência, ultrapassando a China, o Brasil e a malfadada Cuba...


Nós no entanto nos aproximamos de nossos vizinhos a passos largos já porque optamos por reproduzir o môdelo deles, permitindo a livre negociação de armas e munições parte das quais todos sabemos é desviada para o narcotráfico e outros tantos gêneros de crimes.


Naquela conjuntura 63 % dos brasileiros optaram por uma vida com armas por acreditarem ingenuamente que a posse de armas não tem qualquer relação com a violência...


63% dos brasileiros deram a entender que a posse de armas e o crime não possuem qualquer tipo de afinidade.


A maior parte dos brasileiros expressou sua crença em que é possivel apagar um incêndio lançando mais combustivel as chamas...


Já naquela conjuntura de cinco anos passados o tão criticado Nordeste nos deu uma grande lição de cidadânia, pois foi a região do país em que o Sim mais se aproximou do Não e quase venceu. O Sul no entanto deu provas inequivocas de que se trata da região mais alienada e capenga deste país, posto que naquelas bandas tenebrosas o Não obteve quase 80% de aprovação.


No Rio de Janeiro mais de 60% dos cidadãos escolheram as armas e a violência, selando o triste destino que ora os aflige, tortura e esmaga... naquele momento histórico os cariocas em sua maioria não pensaram em seus filhos, em seus netos, em suas crianças... e nada fizeram pela paz.


A direitalha - justamente a direitalha golpista que apoiou o levante de 64 - acenou com a estrombolica estória de que Lula planejava desarmar o povo com o intuito de estabelecer um regime ditatorial nos moldes socialistas...


Argumentos tão imbecis como estes foram utilizados por tantos quantos obteem fabulosos lucros vendendo armas livremente...


Na ocasião as empresas fabricantes de armamentos investiram 5 milhões de reais na propaganda contrária a aprovação do artigo... o que é assaz sugestivo.


Já a campanha a favor da paz e da civilidade ou seja do Sim, fechou em vermelho...


O mesmo vermelho que hoje cobre o solo da cidade do Rio de Janeiro e de outras tantas cidades deste imenso pais flageladas pela violência e a beira de uma guerra civil! O mesmo vermelho que hoje borbota das veias e artérias abertas de nossos filhos e de nossas crianças.


No entanto o povo brasileiro, em sua maioria (tantos quantos votaram pelo Não e pela liberação das armas) tem grande parte de culpa quanto a tais crimes barbaros e selvagens merecendo a justa pecha de comparsa na medida em que recusou-se a retirar as armas e munições das mãos dos traficantes e criminosos. Cada brasileiro, cada carioca que votou pelo Não é co responsavel pelo sangue desses inocentes.


Lamento sinceramente que tantas pessoas inocentes - muitas das quais votaram no Sim - estejam a ser trucidadas em nossas ruas pelos traficantes por trás dos quais se encontram certamente um bom número de políticos profissionais e de respeitáveis empresários pertencentes ao seleto grupo do colarinho branco... Lamento por eles mas não tenho dó.


Não tenho dó porque cumpri com meu dever e tenho a consciência limpa e tranquila. Não só votei como participei ativamente da campanha do Sim...


A vida é feita de opções.


O homem sempre tem a oportunidade de planejar seu futuro refletindo sobre suas opções.


Do contrário deve fazer seu 'mea culpa' e arcar honestamente com as consequências de sua estupidez.


ACORDA POVO BRASILEIRO.


NÃO É COM PASSEATAS, ROUPAS BRANCAS, FLORES OU PASSEATAS QUE SE RESOLVE O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA, MAS COM QUALIDADE DE VIDA, EDUCAÇÃO, JUSTIÇA SOCIAL E SOBRETUDO COM ATOS DE INTELIGÊNCIA COMO A PROIBIÇÃO DA VENDA E CIRCULAÇÃO DE ARMAS DE FOGO ENTRE A POPULAÇÃO CIVIL.


REALISMO É O QUE NOS FALTA...

Profo Domingos P Braz

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Reflexões em torno dos famosos... da mediocridade e da futilidade

Consacravit et dedicavit et publicavit ad J Tejo, anima nobili.







Cerca de três anos assisti a um belíssimo documentário sobre as diversas igrejas ortodoxas, seus santuários, ritos, memórias, etc espalhados pelo mundo antigo. No fim do documentário porém seguia uma lista de cineastas, atores, atrizes, cantores (as) e atletas pertencentes a Igreja Ortodoxa...


Para minha maior felicidade não me recordo de qualquer dos nomes que ali estavam escritos, exceto o do sr Tom Hanks...


Já vou adiantando que não tenho nada, absolutamente nada contra o sr Tom Hanks ou contra qualquer uma das personalidades citadas no referido documentário, mas tampouco tenho algo a favor... para mim não representam nem significam nada.


Acompanhando de passagem alguns textos protestantes de cárater proselitista tenho me deparado frequentemente com listas bastante extensas contendo nomes de inumeros artistas, cantores e especialmente de jogadores de futebol.


Há poucos dias recebi uma lista contendo inumeros nomes de ateus famosos. Mais da metade (quase dois terços) da lista era composta pelos nomes de cineastas, artistas, cantores, atores e atletas...


No lista de 'Ortodoxos ilustres' não encontrei os nomes de: Dimitri Mendeleiev, Nestor o Croniata, Karanzim, Leontiev, Shestov, Rozanov, Fedorov, Berdiaeff, Dostoyevsky, Dobzhansky, etc enquanto na lista de ateus, faltavam: La Mettrie, D Holbach, Anacarzis Clothes, Voigth, Molleschott, Bruchner, etc


O conteúdo de tais panfletos me fez lembrar a teoria do Sr Gardner (1985) sobre as tais inteligências multiplas...


Afinal segundo ele não existe qualquer tipo de superioridade por parte do intelectual, do cientista ou do filosofo com relação aos artistas, atores, cantores e atletas...


Caso quizesse fazer mais sucesso e converter-se num icone do sistema Gardner poderia ter insinuado que as diversas formas de inteligência são inatas ou melhor dizendo genéticas.


Isto implicaria em dizer que o jogador nasceu para ser jogador enquanto o sociologo nasceu para ser sociologo...


Assim sendo qualquer figurão poderia dizer a seu cozinheiro ou pedreiro: 'Quem nasceu para vintem jamais chegará a ser tostão.'


E no entanto Gardner preferiu ser honesto admitindo que as inteligências multiplas ou melhor as diversas aptidões são plasmadas pela cultura atravez da educação. Portanto é o meio social e não os genes que determinam a condição do pintor, do cantor, do jogador, do arquiteto, do professor, etc


Portanto nos meios mais pobres, rústicos e afastados, em que o poder público não cumpre com sua função social, oferecendo a todos uma educação de qualidade, a qual de fato excite e desenvolva harmoniosamente todas as potencialidades dos educandos, a maior parte deles acaba se desenvolvendo apenas num sentido ou direção...


É o que chamamos de falta de oportunidade.


Uma sociedade que não oferece a todos as mesmas condições e oportunidade de desenvolvimento não é nem pode ser considerada justa. Sociedades que selecionam por via da exclusão, marginalizando por assim dizer parte de seus componentes e perpetuando ou reproduzindo as mesmas diferenças e hierarquias de sempre são visceralmente iniquas...


É um problema que não se resolve a posteriori, afirmando-se que todos são iguais, porque não são, porque a sociedade faz com que as pessoas sejam desiguais, a sociedade provoca isso e depois romantiza, disfarça e oculta. A teoria do Dr Gardner é idealismo puro, boa para romance e folhetim, mas não corresponde a realidade vivida.


Pois no mundo em que vivemos e morremos não são cantores, atletas ou artistas, em geral privados de consciência social e política, que empurram a sociedade para frente, buscando reduzir suas mazelas e transforma-las. Não me interesa quantas dessas pessoas são ortodoxas, budistas, agnóstas ou atéias, mas se algum dia criticaram dialeticamente com sua ortodoxia, seu budismo, seu ateismo ou seu materialismo...


Até que ponto tais pessoas, geralmente reproduzidas e reprodutoras, dialogaram consigo mesmas em busca de superação?


Para mim não importa o que elas sejam ou qual seja a opinião delas, mas se suas opiniões procedem da analise da realidade, do conhecimento e da informação ou seja se são fundamentadas... porque o mundo em que vivemos é cheio de opinões, sejam opinões com Deus ou sem Deus, agnóstas ou materialistas...


Não o sono dogmático não é privilégio dos teistas ou mesmo das almas religiosas e ingênuas... quantos e quantos ateus e materialistas nutrem a vã pretenssão de tudo saberem e de terem esgotado as fontes mesmas do conhecimento?


Poucos são aqueles dentre nós que teem a coragem de ler, analisar e estudar a fundo o que lhes desagrada e/ou contrária. Isto é tão pouco dialético... a dialética exige a consideração do contrário ou não é dialética.


O grande mal dos brasileiros - e temo que não seja apanagio exclusivo dos brasileiros - é a hipertrofia da crítica ou o criticismo compulsivo. Refiro-me ao vezo de emitir toda casta possivel de juizos e predicamentos sem conhecimento de causa ou emitir opinião sem conhecer bastante bem o assunto em questão e seus diversos aspectos.


Eis porque todos os domingos certo apresentador de TV costuma a referir-se a cada ator, cantor ou atleta que vai a seu programa aclamando-os como "A FILÓSOFA fulana de tal" ou "O SOCIÓLOGO beltrano de tal"...


Neste paraiso tupiniquim e reino da boçalidade todo aquele que aparece na telinha do Plim Plim acredita ser uma verdadeira panacéia e põe-se logo a 'posar' de filosofo (sem jamais ter lido uma mísera linha de Platão) de Psicologo (sem jamais ter lido uma página de Freud), de sociologo (se sequer saber pronunciar o nome de Durkhein), se cientista político (...) etc


Não temos apenas reis e rainhas de araque criados pela mídia como Pelé, Xuxa e Roberto Carlos. Por aqui há duzias ou melhor centos de filosofos, psicologos, sociologos e cientistas politicos artificiais emitindo opiniões ridículas e disparatadas.


No entanto (sejamos honestos) um bom cantor pode ser definido corretamente como uma VOZ, ou seja como um som produzido por cordas vocais bem exercitadas ou treinadas o que de modo algum pode ser tomado como indice de inteligência. Inteligência absolutamente necessária para que se investigue e compreenda os mistérios do Ser, da matéria, da vida, da psique, da sociedade...


Não é com cordas vocais ou com vozes potentes que fazemos um filósofo, um físico, um biólogo, um psicologo ou um sociologo. Ainda que mudos ou aleijados isto em nada altera a competência de tais homens ou mulheres... pois seu trabalho prescinde da voz ou da força física.


Posso dizer o mesmo sobre um bom escultor ou pintor - não me refiro certamente aos representantes da pseudo arte moderna mas aos artistas de verdade - com relação a seus braços. Basta-lhe uma compreenção elementar de certos principios aritméticos (referentes a perspectiva), geométricos; bem como a apreenssão das tonalidades e linhas, associada ao treino para que se torne eficiente. Não é algo que exija operações mentais tanto mais abrangentes e fecundas ou que lhe confira algum tipo de ciência infusa.


Quanto aos atletas a questão do físico é ainda mais pronunciada e evidente. Naturalmente que os jogos em grupo ou equipe exigem noções de estratégia que as vezes são bastante complexas. No entanto quem costuma a determinar tais estratégias distribuindo as funções é o técnico. Ele é o cérebro da equipe como os estrategistas são os cerebros dos exércitos...


Respeito muito o cargo de tecnico esportivo, reconheço que implica operações intelectuais, reconheço que não seria capaz de desempenha-las com eficiência... MAS NEM POR ISSO ATRIBUO-LHE QUALQUER TIPO DE RELEVÂNCIA NO TERRENO DO PENSAMENTO FILOSOFICO OU DA TEORIA CIENTÍFICA...


Como não ultrapasso os meus sapatos (minha área são as ciências humanas), não admito que outros ultrapassem os seus. Cada sapateiro em sua sapataria...


Exceto quanto algum artista ou esportista - o que é bastante raro - adquire reconhecimento público e notório, por conhecer de fato um determinado campo do saber, como a filosofia ou a sociologia; tomo suas opiniões em conta de relevantes...


A meu ver toda essa propaganda religiosa ou ateistica em torno de tais figuras é a mais pura e lídima expressão da banalidade corrente. É tosca, é pueril, é andrajosa...


Afinal que sabe o sr Tom Hanks e seus pares sobre patristica? Acaso leram Origenes, Eusébio, Anastacio, Teophilacto ou Eutimio?


E a atéia Angelina Joly ou o ateu Celulari, será que algum dos dois ja folheou Aristoteles, Spinoza, Descartes, Hegel???


Logo em que a opinião desta casta de pessoas é superior a de qualquer leigo ou capiau???


Em matéria de teologia, religiosidade, metafisica, física ou biologia são verdadeiros entrões ou arrivistas. A menos que seu conhecimento em tais campos seja publicamente demonstrado.


Em matéria de teologia fico com Charboneau, Florowsky, Bulgacov, etc


Em matéria de religiosidade com Mircea Eliade, Wittgenstein, Gadamer, Horkheimer, Marcuse, Fromm, Adorno, Lacan, Burdieu, etc


Em matéria de metafisicação com Aristóteles, Aquino, Descartes, Spinoza, Hegel, Brentano, Boutroux...


Eis minha nuvem de testemunhas...


Abaixo a mediocridade!










terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ateus não ateus; desconstrução de um discurso desonesto






Não sou ateu.



Também não sou teista no sentido convencional



Tdos sabem que meu Deus é o Deus de Aristóteles, Erigena, Amauric de Bene, David de Dinant, Vanini, SPINOZA, Bruno e sobretudo de Hegel...



Como Levinas penso que teismo ou ateismo teem muito pouco valor em si mesmos ou seja entrisecamente.



Sigo o conselho de Rosa Luxemburgo, não me importo com a opinião do outro sobre Deus, mas com sua atitude com relação ao outro ou seja ao próximo.



Tal e qual os Cristãos (Von Mises por exemplo) existiram Ateus comprometidos com o sistema de exploração do homem pelo homem (Hayek e Friedmann)...



Mas também existiram ateus que como Lenin, Bukharin, etc que empenharam todas as suas forças tendo em vista a construção de uma sociedade mais humana e solidária.



Fraternizo-me mais com estes ateus do que com o sr Von Mises...



Houveram alguns ateus que foram verdadeiramente geniais como Freud e Foucault e em certa medida Nietzsche e Bakunin. Caso queiram acrescentar Marx a este seleto grupo não me oponho embora na internacional de 1863 ele tenha discordado de Bakunin justamente no que dizia respeito a importância do ateismo. Capital para o segundo e irrelevante para o primeiro...



Já publiquei uma carta em que Marx se declara explicitamente como sendo 'um bom Cristão' (in Marx Engels Werks, Dietz Verlag, Berlin, Vol XXX, pp 611).



Qualquer marxista de relevo como meu grande amigo Douglas que conhece verdadeiramente o alemão pode conferir... quanto a quem não conhece alemão ou ao menos inglês rsrsrsrsrsrs



Concedo no entanto que Marx fosse um agnósta, incrédulo ou indiferente em matéria de religião/fé. O que por sinal é bem distinto de ser ateu...



Mas deixemos o sociologo barbudinho de lado...



Todos sabem que sempre fustiguei os fanáticos, os fundamentalistas e supersticiosos; especialmente quando falseiam a realidade.



Sou historiador e historicista e se há algo que prezo tanto quanto o homem são os fatos ou seja a verdade histórica em sua objetividade nua e crua.



Fico indignado portanto quando me deparo com certas falsificações comumente empregadas pelos religiosos fanáticos, especialmente pelos fundamentalistas, sectários e conspiracionistas...



Dia destes deparei-me na Internet com uma lista de ateus famosos, que por sinal já foi transformada em documentário...


Ao le-la não pude deixar de lembrar-me da patética figura de M Sylvain Marechal (+ 1803) "Dictionnaire des athées anciens et modernes" e de rir a não poder mais...

Marechal fazia parte de um seleto grupo de ateus professos, por sinal o primeiro da História moderna e composto por Anacarsis Clothes, D'Holbach e La Mettrie...

Com o intuito de divulgar a ideologia ateistica nosso homem compoz um imenso Dicionário com os nomes de todos os ateus de todos os tempos...

No entanto Marechal - COMO QUASE TODOS OS DIVULGADORES DA DOUTRINA ATEISTICA - caiu num erro bastante vulgar, elencando um imenso número de, deistas, incrédulos, indiferentes, agnóstas e críticos da religião popular PARTE DOS QUAIS RECONHECEU EXPLICITA E PUBLICAMENTE A EXISTÊNCIA DE UM SER SUPREMO...

Dentre os 'ateus' indigitados por ele encontram-se: Sócrates, Platão, Aristoteles, Jesus, S Agostinho, Abelardo, Amuric de Bene, Descartes, Roberto Belarmino, Pascal, dentre outros...

Desde então - o Dictionnaire é de 1800 - passaram-se mais de duzentos anos e eu imaginava sinceramente que posto para funcionar, o mecanismo de auto correção houvesse eliminado tais excrescências por assim dizer monstruosas e que os expositores e advogados da ideologia ateistica aplicassem efetivamente aquele cientificismo objetivista tão apregoado por eles...

Mas que...

Eis que o tal documentário e a tal listinha chegam-me as mãos e eu que examino absolutamente tudo, passo a examina-los atentamente a procura de nomes verdadeiramente significativos em meio a tantos nomes de artistas, digo cantores, cineastas e outras nulidades nos campos da Filosofia e da ciência...

Ocorreu-me que os fundamentalistas, fanáticos e sectáriois recorrem ao mesmo espediente apresentando listagens bastante amplas de artistas, cantores, cineastas, futebolistas e outras nulidades que se deixaram levar pela cantilena dos pastores...

Extrema se tagunt...

Eis que após ter lido o 'Dictionnaire' de Marechal deparo-me novamente com os nomes de:
Sócrates e Diderot... acompanhados pelos nomes de:

Erich Fromm, Stephen Hawking, Jean Rostand, Auguste Comte, Leonardo da Vinci, Monteiro Lobato, Paulo Freire, Thomas Edison e Machado de Assis, dentre outros.

Outro panfletário teve o desplante de alistar: Galileu, Bruno, Spinoza, Hegel e Darwin...

Vai ver que copiou sua listazinha de algum catecismo de escola dominical...

Nós no entanto que em nossa Biblioteca possuimos as palavras registradas por esses grandes homens, demonstraremos que o pensamento deles tem sido desonestamente falseado por tais panfletários.

Sobre Sócrates recomendo o Capítulo que lhe é consagrado por Werner Jaeguer na clássica Paideia...

Sócrates postulava a existência de um Ser Supremo ordenador do elemento material, regeitando as divindades e simulacros adorados pela plebe.

Diderot: "Lastimo os verdadeiros ateus." diz ele em suas 'Obras Filosoficas" Pte II caput 01 iten 22 e a partir daí sustem de maneira insofismavel o deismo face ao ateismo e a religiosidade em mais de cinco páginas.

Leiam ao invés de falar tanta bobagem atribuindo a um determinado autor teorias de que jamais comungou.

Fromm era neto e filho de rabinos. Ele regeitou de fato a idéia de um deus transcendente e antropomórfico nos moldes do judaismo, reconheceu no entanto a existência de uma consciência difusa no universo material e a possibilidade de uma religiosidade natural voltada para ela. Leiam 'Religião e psicanalise'.

No prólogo de sua 'Breve História do tempo" Hawking admite sem maiores problemas a possibilidade de que o Big bang tenha sido provocado/produzido por uma mente ou consciência suprema a q por sinal chama Deus e afirma que a ciência nada pode dizer de certo sobre o q havia antes da grande explosão. Sua postura é calculadamente agnósta e não atéia.

Também possuimos os livros de Rostand e parece-me ter lido na "Aventura humana" que o que esta para além da experiência sensorial é um mistério impenetravel.

Se é mistério impenetrável, como criam Hume, Kant, Comte e Huxley; o ateismo não pode ser dado concreto pois ultrapassa o límite dos sentidos e pretende saber, como o teismo, o que esta para além deles ou como dizem outros da demarcação...

Daí Comte, que segue Hume e Kant, pari passu, afirmar que tanto a afirmação quanto a negação de Deus pertencem aos domínios de uma metafisica que ele condena inexoravelmente como fatua e vã. O assunto da existência ou da inexistência de Deus não se coloca para o positivista afirma o Major Gomes de Castro em sua polêmica contra o Pe Julio Maria.

O positivismo não é ateu, concedem os padres Julio Maria e Senna Freitas, mas infenso a toda e qualquer metafísica ou seja agnósta. Wittegenstein não o encara doutra forma...

Leonardo Da Vinci era papista devoto e como tal morreu assistido pelos últimos sacramentos da igreja romana. Podem consultar qualquer uma de suas inumeras biografias

Monteiro Lobato morreu espíritae como tal teista. Leiam o prefácio de 'Afinal quem somos' de Pedro Granja, intimo de Lobato.

Alias o número de cientistas e intelectuais espiritas - para não falarmos nos papistas, panteistas, deistas e agnóstas - ultrapassa dezenas de vezes mais o número de cientistas e intelectuais ateus...

familiarizados como a literatura doutrinaria espirita poderiamos citar Croockes, Logde, Hare, Gibier, Richet, Lombroso, Tamburini, Ermacora, Driesch, De Rochas, etc, etc, etc

Passemos no entanto a nosso mestre Paulo Freire: "Caminho com Marx na mundanidade EM BUSCA DE CRISTO NA TRANSCENDENTALIDADE." disse ele numa de suas últimas entrevistas. Leiam sua obra "Teologia de la liberacion"

Edison escreveu no livro de visitantes ilustres da Torre Eiffel: "Ao sr Eiffel imitador do Grande arquiteto do universo."

Machado de Assis regeitava a religião e quiça a imortalidade pessoal, no entanto jamais professou abertamente o ateismo.

Galileu era papista devoto e morreu assistido pelos últimos sacramentos, alias jamais foi queimado pela Inquisição e tampouco torturado. Leiam a correspondência que trocou com a filha freira para conhecerem melhor seu ponto de vista sobre o assunto.

Darwin no final da "Evolução das espécies" reconhece explicitamente "Ser mais honroso para o criador deste universo" não ter intervido tantas vezes no mundo mas conferido potencialidades evolutivas aos seres criados, o que de certo modo havia sido admitido pelos teologos Agostinho de Hipona e Tomas de Aquino.

Quanto a Erigena, Vanini, Bruno e Hegel jamais professaram o panteismo vulgar que lhes é atribuido pela MESMA IGREJA que falseou Aristóteles e sua concepção de motor imovel (como alma do mundo) antes ensinaram - leiam a Ética de Spínoza - que toda substancia é forma de Deus porque esta situada em Deus que é infinito...

No fim das contas caso os ateus façam questão de Citar Camus, Dawkins ou Onfray; os teistas bem poderiam citar: Vesalius, Galileu, Bacon, Descartes - que compoz diversas meditações teistas - Newton, Linacre, Claude Bernard, Pasteur, Fermi, Einstein, etc

Enfim o ateismo entrisecamente falando em nada ultrapassa ao teismo; o valor de ambos deve ser aquilatado em conexão com o fenômeno humano.

sábado, 20 de novembro de 2010

Dia da consciência negra

Hoje é dia da consciência negra, mas por ironia acabou por passar em branco. Não vi as mídias falando dessa importante data, não vi manisfestações culturais. E hoje seria mais importante que nunca já que a sociedade vivencia episódios de ódio contra negros, nordestinos e homossexuais.

Na quinta-feira última, enquanto eu aguardava o HTP (horário de trabalho pedagógico) na escola onde estou este ano, eu conversava animadamente com os colegas de trabalho e conversa vai e conversa vem e o assunto caiu em racismo. Infelizmente, para meu desgosto meus colegas de trabalho que possuem nível superior argumentam de forma igual ao "povão", isto é, ao senso-comum.

Meus colegas diziam que hoje os negros tem as mesmas chances que os brancos, que os negros são mais racistas que os brancos, porque muitos deles se casam com brancas ou porque tiram sarro de outros negros, que tem a pele mais escura ou traços mais fortes de negro. Disse por meu turno que os negros se tornaram preconceituosos, porque a sociedade introjetou neles o racismo, de modo que ter pele escura, cabelo carapinha, não são características de um povo, de um povo igual a qualquer outro povo, não, isso é um estigma. Talvez por isso homens negras prefiram mulheres brancas, de preferência loiras de olhos azuis, para que possam desse modo "purficar" a "raça". Talvez muitos negros façam isso de modo inconsciente, talvez conscientemente, todavia não querem que seus filhos sejam vítimas de preconceitos como eles o são.

Uma professora soltou esta pérola: "Negro pode andar com camisa ou colocar adesivo no carro 100% negro ou orgulho de ser negro. Mas vai um branco, colocar um adesivo 100% branco, ou orgulho de ser branco pra ver o que acontece. Negro pode, branco não".
Respondi ao "gênio da lâmpada elétrica queimada" que os negros tem que mostrar mesmo orgulho de sua cor, de suas características físicas, de sua cultura. Porque o Brasil é um país racista e nem é preciso ir longe. Demonstrei à professora e aos demais colegas que o racismo está explícito em frases como estas: "negro quando não faz na entrada, faz na saída", "é negro mas tem alma de branco", "é negro mas é honesto" e outras coisas tão bizarras como estas. Perguntei então ao grupo que me rodeava, se já ouviram expressões assim: "branco quando não faz na entrada faz na saída", "tinha que ser branco", "é branco, mas é honesto", "é branco mas tem alma de preto", etc... Eles nunca ouviram e foram forçados a concordar comigo por causa do peso de meus argumentos didáticos.

Só esqueci de perguntar aos professores que acham que negros são racistas, se eles já viram grupos de negros que matam brancos, que odeiam os brancos, se já encontraram uma versão de skinheads para negros. Tudo bem, fica para a próxima.

sábado, 13 de novembro de 2010

Ditadura do proletariado, o que é isso?


É muito provável que você já tenha ouvido falar ou lido sobre a ditadura do proletariado. A ditadura do proletariado é no entanto uma ilustre desconhecida. Comunistas de partidos ou sem partidos falam da ditadura do proletariado sem no entanto definirem o que ela seja. Estalinistas por exemplo, crêem que a ditadura do proletariado é a ditadura de uma pessoa ou de um grupelho de "iluminados". Crêem que a ditadura do proletariado se dá por meio do autoritarismo.

Para saber o que é esse termo e porque foi usado por Marx faz-se mister saber como Marx concebia o termo.

Para Marx o Estado burguês é uma ditadura, porque é dividido praticamente em duas classes: a dos explorados e a dos exploradores. O Estado para Marx é uma ditadura independente do governo que adote: monárquico absolutista, monárquico constitucional, parlamentarista, etc...

A ditadura da burguesia tem duas características: a política que é a dominação de uma classe por outra e a jurídica que elabora as leis a favor da burguesia contra os trabalhadores.

Agora que o leitor e eu sabemos o que é a ditadura da burguesia, podemos avançar para o verdadeiro significado da ditadura do proletariado.

A ditadura do proletariado nada mais é que o Estado assumido pelos proletariados, isto é, operários e camponeses. Eles administram o Estado, mas isso não quer dizer que isso seja uma ditadura no sentido em que entendemos o termo ditadura, pois para Marx qualquer forma de Estado é uma ditadura, pois o Estado cria as divisões de classes. A ditadura do proletariado é o Estado socialista que na visão de Marx é apenas uma rápida transição para o comunismo que é a extinção do Estado porque já não existem mais classes.

A ditadura do proletariado não significa a tomada do poder pelas armas, pelas forças, pela violência, ela pode dar-se de maneira pacífica, pois Marx acreditava que a revolução se daria pacificamente na Inglaterra, porque tinha todas as condições para a revolução.

A revolução na Rússia não foi uma revolução dentro dos moldes marxistas, queimaram etapas necessárias à revolução e aquilo que começa errado não pode vir a dar certo no fim, é como uma equação matemática se você erra no começo não espere que o resultado dê certo no fim. No entanto, reconheço que muitos benefícios foram dados ao povo soviético, mas algo que começa errado...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O delírio do comunista

Outro dia no twitter estava um comunista a debater com o professor Domingos sobre o aborto, o comunista defendia o aborto de modo irrestrito com o velho e mais que batido argumento que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo, o que o defensor da causa, não sabe é que o embrião ou feto, não faz parte do corpo da mulher, está no corpo dela, mas não faz parte de seu corpo, é uma outra vida.

O defensor do abortismo disse que os comunistas sempre defenderam o aborto. Foi então que eu entrei na briga e disse-lhe de forma irônica que o comunismo é defender o aborto. Então ele se saiu com essa: "que não conversa nunca mais com um cristão ou um burguês acerca do aborto" (sic).

Expliquei para o sectário que o comunismo aceita cristãos, ao que replicou o cidadão que o comunismo é necessariamente ateu. Pensei - respondi ironicamente - que o comunismo fosse o estágio superior do socialismo, e que a luta dos comunistas é o ato de socializar os meios de produção. Mas ele o iluminado, mais iluminador que São Gregório o iluminador, iluminou também a Marx que "estava sentado nas trevas nas sombras da morte".

O comunista idiota ainda tentou justificar o porquê o comunismo só pode ter ateus. Então fui obrigado a lhe dar uma aula de história sobre o marxismo-leninismo. E demonstrei-lhe que não há nenhuma contradição entre ser comunista e cristão, até porque a essência do cristianismo é o comunismo.

Infelizmente há muitos marxistas que pouco ou nada entendem de Marx e reduzem Marx a famigerada sentença: "A religião é o ópio do povo". Mas o marxismo fundamentalista é o ópio dos pseudointelectuais. Engraçado que Marx nunca disse ser o comunismo ateísmo ou coisa parecida. Quanto ao aborto esta não é a questão principal do comunismo, a questão principal é a luta contra a exploração do homem pelo homem.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vídeo engraçado para alegrar a semana

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Esse é o tipo de "gente" que votou no José Serra, gente xenófoba!



Não poucos eleitores de Serra, descontentes com a vitória da petista Dilma Roussef, descambaram para a xenofobia e racismo, menosprezando os nordestinos, negros e índios. Uma análise sociológica não cabe aqui neste momento, mastodo reacionário é fascista, não tem como separar uma coisa da outra.

Eles não se tornaram racistas pelo fato do Serra ter perdido as eleições, eles já eram racistas, apenas aproveitaram a ocasião para manifestar seu ódio contra o nordeste. A derrota do tucano foi apenas uma desculpa. Essas pessoas, se acham superioras porque nasceram no sul e no sudeste, mas esquecem que muitos intelectuais vieram do nordeste. Ei-los: Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Gonçalves Dias, José de Alencar, Rui Barbosa, José Lins do Rego, Ariano Suassuna Luiz Gonzaga, Antônio Conselheiro, Vagner Moura, Graciliano Ramos, Arnon de Mello, Aurélio Buarque de Holanda, Jurista Pontes de Miranda, Marechal Floriano Peixoto, Marechal Deodoro da Fonseca, Senador Teotônio Vilela, Nise da Silveira, Zumbi dos Palmares, Castro Alves, Gilberto Freire, Câmara Cascudo, Paulo Freire etc...

Um povo que nos dá pessoas de tal qualidade, não pode ser um povo burro.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010