
Antes de iniciarmos a analise do integrismo convem assinalar em que as duas formas de autoritarismo - o monarquismo e o integrismo - se distiguem uma da outra.
Para os monarquistas em geral a autoridade foi entregue - direta ou indiretamente - por Deus a um clã ou família de origem nobre <> devendo por isso mesmo ser reconhecida ou melhor santificada pela autoridade religiosa. Daí seu cárater mais ou menos sagrado e intocável...
O integrismo é tanto mais pragmático contentando-se com uma autoridade firme e capaz de manter o Estado, afirmando-o contra as forças dissolventes que se lançam contra eles. (uma das quais é o capital) Esta autoridade poderá ser nobiliarquica, civil, militar ou mesmo religiosa desde que cumprar com seu fim que é suster o Estado de pé... ela se justifica pois por sua força e competência na medida em que cumpre com seus objetivos e garante a paz e a proteção de todos dos governados.
Estabelecida a distinção convem assinalar que tal e qual o monarquismo, o integralismo - sob uma infinidade de variações e formas: do militarismo civilista ao nazismo, passando pelo fascismo - também costuma ser, pura e simplesmente desconsiderado ou mesmo ridicularizado por nossos analistas liberais. Mesmo quando quando podemos observar sua tênue mas não menos real ascenssão...
(Pois apesar de ser contrabalançada pela ascenssão do comunismo e dos socialismos, a ascenssão das formas autoritarias é um fato liquído e certo.)
Como sabem muito bem que examinar a gênese do fascismo equivale a por as mãos em toca de marimbondo, nossos liberais em geral, contentam-se em empregar jargões como estes: "Apesar de todos os seus defeitos a Democracia (LIBERAL /FORMAL E NÃO CONCRETA/ POPULAR) é o melhor sistema que possuimos.".
Todo liberal vive repetindo esta frazesinha inepta como os turcos repetem a sua Shahada...
No entanto a sociedade não se constrói por meio de ladainhas e bordões.
Daí o riso com que todos os monarquistas, fascistas, socialistas e comunistas mofam do credo liberal...
E mofando continuam se expandindo as custas das mazelas inerentes ao sistema.
Que segundo os monarquistas e fascistas não tendo conserto ou salvação deve ser 'demolido', mas, que segundo nosso julgamento, deve ser superado ou seja aperfeiçoado.
Para o liberal no entanto, o sistema concebido por Locke e reformado por seus sucessores, é intocável. Falar em qualquer alteração no que diz respeito as relações políticas é tabu para os liberais... desde que o muro de Berlim foi abaixo, dizem eles, a História chegou ao fim...
A História chegou ao fim...
Só mesmo um perfeito idiota em matéria de conhecimento histórico poderia ter concebido algo semelhante ao 'fim da história'; crença tão patética quanto a do 'fim do mundo'...
O mundo no entanto permanece e a História avança quase sempre em termos de dialética, ao menos enquanto evolui pela transformação das estruturas sociais e a ascenssão da qualidade de vida dos seres humanos que compoem tais sociedades.
Assim, superada uma etapa no decurso se sua tragetória arquimilenar, inicia-se logo outra...
Como os degráus de uma gigantesca escada ou uma escalada do homem no dizer do Dr Bronowski.
No entanto não é menos certo que o dínamo desta escalada, como diriam Chardin e Paulo Freire, esta no conhecimento que o homem possui sobre si mesmo ( em termos de possibilidades e limites) e da realidade que o cerca (em termos de condicionamento). Pois é este conhecimento que o leva e interagir eficasmente com o meio e a aprimora-lo, aprimorando a si mesmo enquanto parte do meio.
Na medida mesma em que o homem observa, percebe, experiementa, raciocina, divulga, pondera, conhece... modifica, transforma e avança.
Assim na mesma medida em que altera sua existência o homem, enquanto prisioneiro dela é condicionado por ela, exercendo sempre uma ação limitada por mais abrangente que seja.
O homem não pode ultrapassar certos límites, atinentes ao tempo e ao espaço em que veio a ser ou foi ejetado. Pode no entanto agir e avançar dentro deste limite preparando para os posteros avanços ainda maiores.
Isto é alçar-se a si mesmo sobre ombros de gigantes...
E compreender que o progresso é sempre social, gregário, cumulativo enquanto somatória de um gigantesco número de esforços pessoais, os quais, isoladamente, não teriam auferido proveito algum ao gênero humano. Tal o significado da expressão criada por Emanuel Mounier: crescer juntos.
A humanidade só cresce junto, em harmônia, colaboração e comunhão.
O individualismo e o egotismo são os caminhos mais curtos e rápidos em demanda da extinção da civilização da espécie como veremos mais além.
Importa saber, que por enquanto, enquanto há esperança e esperança enquanto mudança de paradigmas, a História ainda não chegou ao fim. Talvez estejamos escrevendo suas derradeiras páginas...
Talvez superemos os modelos sociais que nos foram impostos pelo dogma liberal e continuemos nossa expanssão enquanto espécie/família.
Tudo dependerá de nosso posicionamento perante o môdelo social que nos foi legado enquanto tabu intocável...
Tal o liberalismo.
E suas ilusões.
Ilusões que só podem ser mantidas vivas na mente do povo na medida em que a alienação histórica oculta e esconde AS VERDADEIRAS CAUSAS E REAIS MOTIVOS DOS SUCESSOS COLHIDOS NO PASSADO PELA MONARQUIA E PELOS FASCISMOS, apelando a sofismas e esplicações de cunho romântico e artificial.
Em certos meios chegasse a insinuar - e os meios de comunicação patrocinam tudo isto - que Hitler conquistou a adesão do povo alemão porque era feiticeiro, ocultista, bruxo, etc que havia conseguido localizar o santo graal ou a arca da aliança... que por meio das reliquias da paixão de Cristo e de outros santos ou por meio de missas negras enfeitiçou toda nação...
O pior é que milhões de pessoas acreditam nessas frioleiras...
Outra quejanda bastante vulgar entre o populacho é que o povo alemão era ou é um povo de natureza má...
Assim como a aranha tece sua teia com o intuito de apanhar moscas, os liberais tecem seus sofismas com o intuito de apanhar os alienados, ignorantes, idiotas e incaútos que se recusam a tomar a História como mestra da vida...
A verdade porém é bem outra...
Pois ao estuda-la nos apercebemos de que tanto Hitler, quanto Mussolini, Franco, Salazar, De Gaulle, Peron, Vargas... foram todos apoiados por um número maior ou menos de intelectuais, além de contar com a franca simpátia do povo, com excessão de um certo número de radicais comunistas e um diminuto grupo de sectários liberais cujos olhos e esperanças estavam voltados para um presidente Yankee, que ao menos durante doze anos (1933 - 1045 Franklin Delano Roosevelt ) não inspirava a mínima confiança aos cidadãos liberais do império devido a sua política econômica socializante (Keynesiana).
Diante deste 'enigma' penso que a analise de certos pensadores, a principio integristas, como: Dandieu, R. Aron, Doriot, Vailant, etc enquanto críticos da democracia liberal pré fascista ora reinante entre nós, forneça um instrumental precioso e quiçá insubstituivel para aqueles que desejam ir até o fundo da questão e tentar esgota-la superando o cretinismo da analise liberal, enquanto analise que deseja permanecer na surpeficie dos fatos...
Afinal, mesmo no terreno virgem do liberalismo - os EUAN - não nos deparamos com a figura do inteletual fascista representada por Ezra Pound.
Certamente que não estou de acordo com o autoritarismo de Pound. Mas nem por isso posso encara-lo como um perfeito idiota.
O poeta deve ter tido lá suas razões, seus motivos, suas inquietações, e não é nem um pouco ocioso se nos perguntarmos sobre quais teriam sido eles?
Quero dizer que a causa socialista lucraria imensamento se ao invés de satanizar o fascismo ou de encara-lo através de lentes maniqueistas, resgatasse seu aspecto indubitavelmente positivo que é a crítica incisiva e mordaz, direcionada por ele a DEMOCRACIA PURAMENTE FORMAL OU LIBERAL E A EXPOSIÇÃO DE SEUS PONTOS FRACOS E MAZELAS. Afinal porque deveriamos abrir mão de todo esse caudal ou pura e simplesmente ignora-lo como se não existisse? Ao menos sob este aspecto negativo não hesitaria em por lado a lado e em somar as críticas dos nossos as críticas provenientes dos campos fascista e monarquico com o intuito de abalar a crença dos liberais até os fundamentos...
Naturalmente que o vezo patriótico dos fascistas induziu-os ao erro em diversas ocasiões. Mas nem sempre, pois por vezes foram capazes de encarar face a face o abyssus econômico e os que decifraram a esfinge, como Vaillant, fizeram-se logo socialistas.
Não podemos olvidar no entanto que se os EUAN são por assim dizer uma cultura plasmada pelo dinheiro ou seja a terra virgem do ethos capitalista e por isso mesmo seu centro e fortaleza, a Europa e o Velho mundo constituem um berço e caudal de diversas culturas que não foram plasmadas e produzidas apenas pelo econômico, e que conteem elementos formativos de natureza diversa, elementos que até hoje cuidam em não ser absorvidos e reduzidos.
Excluida talvez a Inglaterra, a questão cultural não é - como imaginam nossos socialistas em suas quase totalidade - totalmente redutivel a questão econômica, embora as duas questões estejam intimamente relacionadas sem que os fascistas sejam capazes de percebe-lo. Quero dizer que tanto os nossos socialistas quanto os fascistas generalizam ou simplificam a questão que é assaz complexa em seus diversos matizes...
Há porém certa percepção a respeito ou certa intuição na medida em que tanto os Europeus tem se sentido postos entre Silla e Caribdes ou seja entre a pseudo cultura Yankee e a cultura reacionária dos povos islâmicos. Estas pois a Europa posta num pilão cultural, esmagada por dois lados nem sempre perceptiveis e tendo que defender-se... Pois de um lado esta a legítima cultura do capital, do lucro ou do dinheiro, que ela mesma, Europa, semeou; e do outro a cultura implacavel do livro e da fé; ambas pugnando contra a razão, a ética e os valores humanos que durante algum tempo emergiram e de certo modo dirigiram esta mesma Europa confusa e amedrontada.
Portanto nem sempre a resistência cultural da Europa deve ser encarada superficialmente como uma manifestação de nazismo ou xenofobia, ideologia putrida e digna do mais profundo desprezo.
Por outro lado, na medida em que a Europa, após a primeira grande guerra, conferiu a nação Yankee o status de árbitro cultural do Ocidente, passando a imitar suas modas e costumes ñão deixou de confirmar a analise de Marx a respeito da cultura moderna e segundo a qual o poder econômico produz e determina os gostos e costumes. Acaso o triunfo e o enriquecimento dos EUAN não inverteram os pratos da balança na medida em que a jovem república do novo mundo passou a influenciar cada vez mais a tradicional cultura européia e a destrui-la em seu próprio chão?
É de fato para ressentir que a velha Europa não tenha se mantido adita e até mesmo desenvolvido os ideais de resistência a pseudo cultura Yankee, preconizados por Ch De Gaulee na mesma medida e proporção em que desenvolveu - e não sem certo temor e razão - ideais de resistência a cultura islâmica. Seja como for a Europa só logrará manter sua indentidade na medida em que formar uma dupla frente: anti Yankee e anti islâmica valorizando as tradições, costumes e instituições que lhe são próprias.
Continua











