terça-feira, 31 de agosto de 2010

Catecismo de cidadania V - A razão de ser do Integrismo.





Antes de iniciarmos a analise do integrismo convem assinalar em que as duas formas de autoritarismo - o monarquismo e o integrismo - se distiguem uma da outra.


Para os monarquistas em geral a autoridade foi entregue - direta ou indiretamente - por Deus a um clã ou família de origem nobre <> devendo por isso mesmo ser reconhecida ou melhor santificada pela autoridade religiosa. Daí seu cárater mais ou menos sagrado e intocável...


O integrismo é tanto mais pragmático contentando-se com uma autoridade firme e capaz de manter o Estado, afirmando-o contra as forças dissolventes que se lançam contra eles. (uma das quais é o capital) Esta autoridade poderá ser nobiliarquica, civil, militar ou mesmo religiosa desde que cumprar com seu fim que é suster o Estado de pé... ela se justifica pois por sua força e competência na medida em que cumpre com seus objetivos e garante a paz e a proteção de todos dos governados.


Estabelecida a distinção convem assinalar que tal e qual o monarquismo, o integralismo - sob uma infinidade de variações e formas: do militarismo civilista ao nazismo, passando pelo fascismo - também costuma ser, pura e simplesmente desconsiderado ou mesmo ridicularizado por nossos analistas liberais. Mesmo quando quando podemos observar sua tênue mas não menos real ascenssão...


(Pois apesar de ser contrabalançada pela ascenssão do comunismo e dos socialismos, a ascenssão das formas autoritarias é um fato liquído e certo.)


Como sabem muito bem que examinar a gênese do fascismo equivale a por as mãos em toca de marimbondo, nossos liberais em geral, contentam-se em empregar jargões como estes: "Apesar de todos os seus defeitos a Democracia (LIBERAL /FORMAL E NÃO CONCRETA/ POPULAR) é o melhor sistema que possuimos.".


Todo liberal vive repetindo esta frazesinha inepta como os turcos repetem a sua Shahada...


No entanto a sociedade não se constrói por meio de ladainhas e bordões.


Daí o riso com que todos os monarquistas, fascistas, socialistas e comunistas mofam do credo liberal...


E mofando continuam se expandindo as custas das mazelas inerentes ao sistema.


Que segundo os monarquistas e fascistas não tendo conserto ou salvação deve ser 'demolido', mas, que segundo nosso julgamento, deve ser superado ou seja aperfeiçoado.


Para o liberal no entanto, o sistema concebido por Locke e reformado por seus sucessores, é intocável. Falar em qualquer alteração no que diz respeito as relações políticas é tabu para os liberais... desde que o muro de Berlim foi abaixo, dizem eles, a História chegou ao fim...


A História chegou ao fim...


Só mesmo um perfeito idiota em matéria de conhecimento histórico poderia ter concebido algo semelhante ao 'fim da história'; crença tão patética quanto a do 'fim do mundo'...


O mundo no entanto permanece e a História avança quase sempre em termos de dialética, ao menos enquanto evolui pela transformação das estruturas sociais e a ascenssão da qualidade de vida dos seres humanos que compoem tais sociedades.


Assim, superada uma etapa no decurso se sua tragetória arquimilenar, inicia-se logo outra...


Como os degráus de uma gigantesca escada ou uma escalada do homem no dizer do Dr Bronowski.


No entanto não é menos certo que o dínamo desta escalada, como diriam Chardin e Paulo Freire, esta no conhecimento que o homem possui sobre si mesmo ( em termos de possibilidades e limites) e da realidade que o cerca (em termos de condicionamento). Pois é este conhecimento que o leva e interagir eficasmente com o meio e a aprimora-lo, aprimorando a si mesmo enquanto parte do meio.


Na medida mesma em que o homem observa, percebe, experiementa, raciocina, divulga, pondera, conhece... modifica, transforma e avança.


Assim na mesma medida em que altera sua existência o homem, enquanto prisioneiro dela é condicionado por ela, exercendo sempre uma ação limitada por mais abrangente que seja.


O homem não pode ultrapassar certos límites, atinentes ao tempo e ao espaço em que veio a ser ou foi ejetado. Pode no entanto agir e avançar dentro deste limite preparando para os posteros avanços ainda maiores.


Isto é alçar-se a si mesmo sobre ombros de gigantes...


E compreender que o progresso é sempre social, gregário, cumulativo enquanto somatória de um gigantesco número de esforços pessoais, os quais, isoladamente, não teriam auferido proveito algum ao gênero humano. Tal o significado da expressão criada por Emanuel Mounier: crescer juntos.


A humanidade só cresce junto, em harmônia, colaboração e comunhão.


O individualismo e o egotismo são os caminhos mais curtos e rápidos em demanda da extinção da civilização da espécie como veremos mais além.


Importa saber, que por enquanto, enquanto há esperança e esperança enquanto mudança de paradigmas, a História ainda não chegou ao fim. Talvez estejamos escrevendo suas derradeiras páginas...


Talvez superemos os modelos sociais que nos foram impostos pelo dogma liberal e continuemos nossa expanssão enquanto espécie/família.


Tudo dependerá de nosso posicionamento perante o môdelo social que nos foi legado enquanto tabu intocável...


Tal o liberalismo.


E suas ilusões.


Ilusões que só podem ser mantidas vivas na mente do povo na medida em que a alienação histórica oculta e esconde AS VERDADEIRAS CAUSAS E REAIS MOTIVOS DOS SUCESSOS COLHIDOS NO PASSADO PELA MONARQUIA E PELOS FASCISMOS, apelando a sofismas e esplicações de cunho romântico e artificial.


Em certos meios chegasse a insinuar - e os meios de comunicação patrocinam tudo isto - que Hitler conquistou a adesão do povo alemão porque era feiticeiro, ocultista, bruxo, etc que havia conseguido localizar o santo graal ou a arca da aliança... que por meio das reliquias da paixão de Cristo e de outros santos ou por meio de missas negras enfeitiçou toda nação...


O pior é que milhões de pessoas acreditam nessas frioleiras...


Outra quejanda bastante vulgar entre o populacho é que o povo alemão era ou é um povo de natureza má...


Assim como a aranha tece sua teia com o intuito de apanhar moscas, os liberais tecem seus sofismas com o intuito de apanhar os alienados, ignorantes, idiotas e incaútos que se recusam a tomar a História como mestra da vida...


A verdade porém é bem outra...


Pois ao estuda-la nos apercebemos de que tanto Hitler, quanto Mussolini, Franco, Salazar, De Gaulle, Peron, Vargas... foram todos apoiados por um número maior ou menos de intelectuais, além de contar com a franca simpátia do povo, com excessão de um certo número de radicais comunistas e um diminuto grupo de sectários liberais cujos olhos e esperanças estavam voltados para um presidente Yankee, que ao menos durante doze anos (1933 - 1045 Franklin Delano Roosevelt ) não inspirava a mínima confiança aos cidadãos liberais do império devido a sua política econômica socializante (Keynesiana).


Diante deste 'enigma' penso que a analise de certos pensadores, a principio integristas, como: Dandieu, R. Aron, Doriot, Vailant, etc enquanto críticos da democracia liberal pré fascista ora reinante entre nós, forneça um instrumental precioso e quiçá insubstituivel para aqueles que desejam ir até o fundo da questão e tentar esgota-la superando o cretinismo da analise liberal, enquanto analise que deseja permanecer na surpeficie dos fatos...


Afinal, mesmo no terreno virgem do liberalismo - os EUAN - não nos deparamos com a figura do inteletual fascista representada por Ezra Pound.


Certamente que não estou de acordo com o autoritarismo de Pound. Mas nem por isso posso encara-lo como um perfeito idiota.


O poeta deve ter tido lá suas razões, seus motivos, suas inquietações, e não é nem um pouco ocioso se nos perguntarmos sobre quais teriam sido eles?

Quero dizer que a causa socialista lucraria imensamento se ao invés de satanizar o fascismo ou de encara-lo através de lentes maniqueistas, resgatasse seu aspecto indubitavelmente positivo que é a crítica incisiva e mordaz, direcionada por ele a DEMOCRACIA PURAMENTE FORMAL OU LIBERAL E A EXPOSIÇÃO DE SEUS PONTOS FRACOS E MAZELAS. Afinal porque deveriamos abrir mão de todo esse caudal ou pura e simplesmente ignora-lo como se não existisse? Ao menos sob este aspecto negativo não hesitaria em por lado a lado e em somar as críticas dos nossos as críticas provenientes dos campos fascista e monarquico com o intuito de abalar a crença dos liberais até os fundamentos...


Naturalmente que o vezo patriótico dos fascistas induziu-os ao erro em diversas ocasiões. Mas nem sempre, pois por vezes foram capazes de encarar face a face o abyssus econômico e os que decifraram a esfinge, como Vaillant, fizeram-se logo socialistas.


Não podemos olvidar no entanto que se os EUAN são por assim dizer uma cultura plasmada pelo dinheiro ou seja a terra virgem do ethos capitalista e por isso mesmo seu centro e fortaleza, a Europa e o Velho mundo constituem um berço e caudal de diversas culturas que não foram plasmadas e produzidas apenas pelo econômico, e que conteem elementos formativos de natureza diversa, elementos que até hoje cuidam em não ser absorvidos e reduzidos.


Excluida talvez a Inglaterra, a questão cultural não é - como imaginam nossos socialistas em suas quase totalidade - totalmente redutivel a questão econômica, embora as duas questões estejam intimamente relacionadas sem que os fascistas sejam capazes de percebe-lo. Quero dizer que tanto os nossos socialistas quanto os fascistas generalizam ou simplificam a questão que é assaz complexa em seus diversos matizes...


Há porém certa percepção a respeito ou certa intuição na medida em que tanto os Europeus tem se sentido postos entre Silla e Caribdes ou seja entre a pseudo cultura Yankee e a cultura reacionária dos povos islâmicos. Estas pois a Europa posta num pilão cultural, esmagada por dois lados nem sempre perceptiveis e tendo que defender-se... Pois de um lado esta a legítima cultura do capital, do lucro ou do dinheiro, que ela mesma, Europa, semeou; e do outro a cultura implacavel do livro e da fé; ambas pugnando contra a razão, a ética e os valores humanos que durante algum tempo emergiram e de certo modo dirigiram esta mesma Europa confusa e amedrontada.


Portanto nem sempre a resistência cultural da Europa deve ser encarada superficialmente como uma manifestação de nazismo ou xenofobia, ideologia putrida e digna do mais profundo desprezo.


Por outro lado, na medida em que a Europa, após a primeira grande guerra, conferiu a nação Yankee o status de árbitro cultural do Ocidente, passando a imitar suas modas e costumes ñão deixou de confirmar a analise de Marx a respeito da cultura moderna e segundo a qual o poder econômico produz e determina os gostos e costumes. Acaso o triunfo e o enriquecimento dos EUAN não inverteram os pratos da balança na medida em que a jovem república do novo mundo passou a influenciar cada vez mais a tradicional cultura européia e a destrui-la em seu próprio chão?


É de fato para ressentir que a velha Europa não tenha se mantido adita e até mesmo desenvolvido os ideais de resistência a pseudo cultura Yankee, preconizados por Ch De Gaulee na mesma medida e proporção em que desenvolveu - e não sem certo temor e razão - ideais de resistência a cultura islâmica. Seja como for a Europa só logrará manter sua indentidade na medida em que formar uma dupla frente: anti Yankee e anti islâmica valorizando as tradições, costumes e instituições que lhe são próprias.




Continua





sábado, 28 de agosto de 2010

Catecismo de cidadania IV - as falsas bases do absolutismo 'Cristão'






Segundo a argumentação de Bossuet em seu 'Curso de política segundo as sagradas escrituras' a vontade de Deus mesmo quiz que o poder e a autoridade do Soberano fossem ilimitadas, ou seja, absolutas, SEGUNDO CONSTA NA HISTÓRIA SAGRADA.


Dito isto o ilustre prelado francês põe-se a elencar textos e mais textos extraidos do Velho Testamento e das memórias e registros dos judeus a guiza de testemunho irrecusável. Outra não foi a argumentação do Dr Hobbes em seu 'Leviatã' com sua aluvião de citações bíblicas extraidas da mesma fonte.


Nada mais deplorável do que esta cegueira da parte de homens tão esclarecidos, a ponto de tomarem por sacra a História dos bárbaros hapiru e por profana a História da Hélade.


E no entanto é perfeitamente possivel argumentar e contrapor QUE NEM MESMO A MONARQUIA HEBRÉIA FORA ABSOLUTISTA, como querem os paladinos deste sistema, MAS CONSTITUCIONAL.


Já os Padres da Igreja e Escolásticos assinalavam que o poder auferido ao rei dos antigos hebreus não era absoluto mas restrito e limitado por uma espécie de documento ou carta magna lavrada pelo profeta Samuel.


Estariam eles quivocados?


De modo algum.


Efetivamente no primeiro livro de Samuel (10,5) nos deparamos com seguinte afirmação:

"SAMUEL INSTRUIU O POVO NO DIREITO DO REI E REGISTROU-O NUM LIVRO, O QUAL FOI POSTO DIANTE DE YAHO."


Fosse o poder do Rei absoluto não bastaria a Samuel ter escrito apenas quatro palavras: O REI TUDO PODE?


Portanto se precisou compor um livro inteiro foi certamente para limitar o poder do Rei, estabelecendo o que ele podia e o que ele não podia fazer.


Logo, quando os sucessores de Saul procederam como senhores absolutos, violando a lei e ignorando os direitos de seus súditos, procederam como criminosos e não como verdadeiros reis, como déspotas e tiranos e não como legítimos soberanos. Eis porque quase todos eles tiveram um fim desastroso, porque nenhum deles conformou-se com a lei lavrada pelo sacerdote Samuel, e dando exemplo de desobediência e de revolta para com Deus, engendraram a anarquia...


Daí o Filósofo e em sua esteira o Históriador Políbio, que o excesso de poder ou seja o despotismo, produz quase sempre o seu oposto, a anarquia. Pois nem o senhor absoluto nem o revolucionário anarquista estão dispostos a aceitar o jugo das leis...


O anarquismo porém é quase sempre produto ou efeito engendrado pela péssima 'política' do absolutismo. Cuidam os absolutistas que o regime proposto por eles é uma garantia de estabilidade e de paz para o grupo social, a História no entanto nos mostra que o absolutismo sempre foi seguindo de perto por rebeliões, sedições, traições, conflitos e derramamentos de sangue, do que da testemunho Maquiavel em seus escritos sobre Tito Lívio.


Por outro lado os registros dos hebreus certificam que eles recorreram a mediação dos romanos, que na era de Manilio, Sérgio e Mênio (170 a C) estavam ainda aditos ao sistema repúblicano. Fosse tal sistema oposto a vontade de Deus, sacrílego, blasfemo ou pecaminoso os sacerdotes dos judeus e os principes Macabeus jamais teriam feito contato com a República Romana solicitando sua proteção.


Não há pois razão alguma para que os biblicistas e judaizantes construam dogmas em torno do absolutismo.


Tampouco os ortodoxos devem erigir tais dogmas na medida em que a eclesiologia ortodoxa NÃO É NEM MONARQUICA, NEM ABSOLUTISTA, mas Aristocratica/Democratica (baseada na autoridade dos Bispos e na adesão do povo) e constitucional. (pois na ortodoxia todos, inclusive os Bispos, estão subordinados a regra objetiva da tradição apostólica).


Aos lefrebvistas por sinal, embora seja defeso sustentar a monarquia temporal, são, por assim dizer, péssimos defensores do ABSOLUTISMO, NA MEDIDA em que no plano eclesiástico SOBREPOEM A TRADIÇÃO AO PAPA, regeitando um CONCILIO APROVADO PELO PAPA em nome da TRADIÇÃO. Isto basta para provar que no plano da FÉ são tão constitucionalistas QUANTO NÓS ORTODOXOS, portanto péssimos defensores do absolutismo no plano temporal... (na medida em que lho regeitam no plano espiritual e religioso).


Quanto as relações entre o papismo e a monarquia, o absolutismo papal e o temporal; pouco tempos a acrescentar...


Tantos quantos acreditam que o apóstolo Pedro foi sagrado por Cristo como Rei da Igreja e que a Igreja é uma monarquia sediada no Vaticano, deveriam ser monarquistas SOB PENA DE ADMITIR - caso sejam democratas ou aristocratas - QUE CRISTO DOTOU SUA IGREJA DUM SISTEMA ADMINISTRATIVO INFERIOR OU IMPERFEITO (no caso a monarquia). Este sempre foi o grande dilema dos pensadores papistas que buscaram uma linha de coerência para suas crenças e atitudes... (parte dos quais acabou por optar entre a crença na monarquia infalivel do Vaticano ou nos valores democráticos)

Esta linha de raciocínio foi que obrigou os infaliveis Gregório XVI - o mesmo que fulminou Lammenais com a excomunhão - e Pio IX a condenarem o sistema democrático, o poder popular e todas as instituições modernar como incompativeis com a fé romana, pautada numa monarquia espiritual. Afinal como alguém poderia ser monarquista e absolutista no plano da fé e da religiosidade e democrata ou constitucionalista no plano da política temporal?


Durante todo século décimo nono a monarquia espiritual do Vaticano identificou-se com a reação e a resistência do antigo regime no plano temporal servindo de sustentáculo as monarquias. Eis porque as Repúblicas recém estabelecidas optaram e não poderiam deixar de ter optado, por despojar a igreja de todos os seus privilégios com o intuito de reduzir sua influência... Tratava-se para elas duma questão de vida ou morte enquanto as palavras democrácia e heresia eram encaradas como sinônimos pela cúria romana.


Este impasse por parte da Igreja manteve-se até ascenção do 'mal querido' Leão XIII, cujo pontificado pode ser considerado revolucionário sob diversos aspectos. Pode-se dizer que no plano temporal Leão XIII concedeu sinal verde a Democrácia - "Cada uma delas - das formas de governo - é boa, desde que saiba caminhar retamente para seu fim, a saber, o bem comum, para o qual a autoridade social é constituída" - e adotou uma postura de silêncio e de conivência quanto aos inumeros privilégios até então revindicados pela igreja e regeitados pela sociedade moderna... mesmo com relação ao poder temporal da Igreja e a união entre a Igreja e o Estado, sem deixar de ser firme, o novo Papa soube ser prudente e circunspecto na mesma medida em que seus antecessores e sucessores haviam sido e continuariam a ser arrogantes.


Durante o quase quarto de século em que a igreja papista fora governada por Joaquim Pecci, iniciou seu flerte com o socialismo, insinuou outro flerte - não menos escandaloso para os integristas - com o evolucionismo e a ciência, acenou favoravelmente a Democracia e ao mundo secular e engendrou o movimento Católico Modernista, tão violentamente sufocado por seu sucessor obscurantista Pio X (que em 1910 condenou a proposição segundo a qual: "Só a democracia inaugurará o reino da perfeita justiça"; SUSTENTANDO A MAIS PERFEITA IGUALDADE ENTRE AS TRÊS FORMAS.)


Desde então a questão MONARQUIA ESPIRITUAL E DEMOCRACIA TEMPORAL foi como que posta de lado pelos teologos e pensadores romanistas, ficando por resolver... No entanto eles continuam nos devendo uma boa explicação no que diz respeito a esta cisão política e administrativa... Pois se a igreja funciona melhor como monarquia porque raios o Estado secular não funcionaria melhor do mesmo modo ou seja como uma monarquia? Por outro lado se a Democracia constitui a melhor forma de governo temporal, porque raios não constituiria a melhor forma para o governo espiritual da sociedade dos filhos de Deus?


Tal a argumentação que os romanistas/ integralistas empregam contra seus irmãos modernistas ou republicanos e julgo que esteja prenhe de razão.


Como posso ser monarquista num plano e democrata ou aristocrata noutro.


Estabebecida e admitida a divindade do Papismo todo papista deveria por força de coerência formar fileira com os monarquistas e admitido que o poder do Papa não possui qualquer límite (o que é negado pelos lefrevistas) deveriam seus suditos formar fileira com os absolutistas...


Por outro lado os INUMEROS ENSAIOS, SOCIOLOGICOS E HISTÓRICOS, QUE CERTIFICAM DE MODO INEQUIVOCO A SUPERIORIDADE DA DEMOCRACIA E/OU DA ARISTOCRACIA COM RELAÇÃO AS MONARQUIAS E DA PRÓPRIA MONARQUIA CONSTITUCIONAL COM RELAÇÃO AS MONARQUIAS ABSOLUTAS deveriam ser suficientes para por todos os homens de boa vontade em situação de prudente desconfiança antes de tudo com relação ao absolutismo e em seguida com relação a monarquia; para em seguida po-los em situação de dúvida quanto as pretenssões alegadas pelo Papa romano no plano religioso ou espiritual.


Do contrário resta-nos apena e tão somente apresentar o papismo como uma fé cega ou como ou superstição, filha da ignorância.


Objetivamente falando, isto é sem peias religiosas, o papado nada tem de divino ou de Cristão.


Ele não passa duma instituição profana formada por diversos por diversos fatores de ordem puramente temporal no decorrer da alta Idade Média, Históricamente sua afirmação se dá no século XI desta era (Gregório VII) embora suas pretensões de infalibilidade tenham aparecido apenas no século XIV e ela tenha sido convertida em dogma de fé apenas no século XIX.


Tudo na história do papado cheira a novidade e não há sinal dele em toda a antiguidade Cristã, exceto talvez se considerar-mos as pretenssões do ímpio Nicolau I - datadas de 850 - como a primeira aparição do papolicismo ou do espírito papólico.


Antes de 850 porém tudo não passa de escamoteação, adulteração, falsificação, lenda, farça, mitologia e LIVRE EXAMINISMO. Neste campo não há sinal de um único EX CATEDRA ou de qualquer autoridade universal exercida por quem quer que fosse na Igreja de Cristo.


Grosso modo podemos definir a eclesiologia descrita já nos registros do Novo Testamento, já nas obras dos padres e doutores da Igreja como um mixto de ARISTOCRACIA - representada pelo Episcopado - e DEMOCRACIA - representada pelos sufragios do povo e sua participação efetiva na vida da Igreja - sob a égide duma TRADIÇÃO/CONSTITUIÇÃO a principio oral e posteriormente escrita.


Frequentemente os Bispos e parte do povo de Cristo congregavam-se em sínodos e concilios com o intuito de solucionar tanto os problemas de ordem prática quanto os de ordem espiritual ou doutrinal. Havia certamente uma hierarquia eleita pelo povo e representada, a principio pelos Bispos, cuja natureza é de direito divino e posteriormente por arcebispos e patriarcas, cuja natureza é de direito eclesiástico.


De monarca universal, absoluto e infalivel não há notícia alguma nestes primeiros séculos de Catolicismo.


Portanto quando nossos ortodoxos pontificam a respeito da Monarquia ou do absolutismo, partem do exemplo histórico e temporal das principais civilizações 'ortodoxas': O Império Bizântino e o Império Russo.


Quanto ao primeiro embora reconheçamos nele os méritos de uma civilização incompáravel sob diversos aspectos, especialmente no que diz respeito ao assistência social e ao humanitarismo reinante, NEM POR ISSO SOMOS AUTORIZADOS A SONHAR COM SUA RESTAURAÇÃO. Já porque tendo cumprido seu papel histórico acabou - como tudo que é humano, imperfeito e passageiro - sendo destruido pelo Império Turco.


Tão imperfeito que dois de seus titulares: Arcádio e Eudoxia fizeram exilar e - por consequência - matar o maior de todos os doutores da Igreja e Pai dos Pobres e oprimidos: S João Crisóstomo, porque este ousara denunciar em alto e bom som o luxo e a dissipação cometidos pela Imperatriz com 0 assentimento de seu imperial consorte.


Se há algo que as atuais democracias ou Repúblicas deveriam imitar com relação a este cristianíssimo Império é seu elevado nivel de socialização, representado pelas instituições públicas destinadas a instruir os ignorantes, alimentar os famintos, vestir os nus, acolher os peregrinos, aliviar os enfermos, servir os pobres e deficientes, etc Empregar a renda auferida pelo Estado com o intuito de erradicar por completo a miséria e promover a dignidade humana, eis o que as nações modernar deveriam aprender com os exemplos legados pelo Império Bizantino.


Outra porém foi a forma e a condição do Império dos russos e seja por quais motivos foram, ele jamais logrou alcançar o status das demais monarquias européias. Somente a ascensão do liberalismo e a construção das republicas burguesas e democracias formais, fez com que a situação dos servos ou mujiques se aproxima-se da situação dos campônios e citadinos europeus proletarizados. O triste de tudo isto é que tal proximidade não se deveu a uma elevação da qualidade de vida por parte dos mujiques russos - que continuaram a padescer tanto quanto seua antepassados - e sim a um rebaixamento da qualidade de vida por parte dos trabalhadores europeus... a respeito dos quais já foi dito que - sob a égide do liberalismo - experimentaram uma condição pior do que a de seus avoengos (os servos da gleba) ou a dos escravos africanos na América...


Alias, enquanto o homem iniciava a construção de sua liberdade na Europa, o Czar Pedro, o grande converteu a maior parte de seus súditos em servos e vibrou na Igreja Russa o mais terrivel golpe, suprimindo seu patriarcado e assumindo suas rédeas com o intuito de subordina-la a sí. Para tanto ele baseou-se no exemplo dos países luteranos, que há cerca de dois séculos haviam aderido a heresia erastianista e convertido a igreja em repartição de Estado.


Foi somente após a revolução de 1917, que os odiados bolcheviques, restabeleceram a dignidade da Igreja Russa permitindo que ela elegesse para sí um patriarca. INICIATIVA EM QUE OS CZARES JAMAIS HAVIAM CONSENTIDO, pois temiam ser avertidos pelos patriarcas no que diz respeito a péssima administração com que geriam seus estados, sem cogitar em quaisquer cuidados com os membros de Jesus Cristo.


Aos Bispos fiéis a seu encargo sempre foi muito fácil aos déspotas de todo tempo e lugar fazer suprimir. No caso dos Bispos russos que ousavam denunciar os excessos de seus senhores ou eram mandados decapitar ou convidados a se retirar para as saudaveis regiões da Sibéria. Os mais felizes entre eles contentavem-se por perder a dignidade episcopal e remetidos a um mosteiro qualquer onde haveriam de passar o resto de suas vidas em jejuns e orações, sempre sob a vigilância da 'pólicia' imperial.


Casos como estes abundam nas crônicas do Império russo até o assassinato do padre George Gapon, precedido do fuzilamento daqueles que lho acompanhavam portanto icones da Mãe de Deus, no Domingo intitulado sangrento.


Donde não há motivo algum para considerar um tal Império como santo e seus derradeiros titulares - por sinal enrredados pelo abominavel Rasputin - como mártires. A conduta autocrática dos Czares foi que preparou o terreno para o triunfo da Democracia leninista, posteriormente substituida pelo Czarismo Stanilista no qual nada há de socialismo ou comunismo mas de puro e simples opostunismo.


Penso que as garantias modernas oferecidas pela democracia burguesa teriam sido tanto mais proveitosas já ao glorioso Patriarca S João Crisóstomo - que jamais teria sido arrastado para fora do santuário e morto - já ao digno Padre Gapon.



Em suma a pretenssa sacralidade ou divindade do sistema monarquico não se sustenta:


- Nem pela escritura

- Nem pela eclesiologia

&

Nem mesmo pela História da Igreja.


De modo que sua natureza política não pertence a essência da revelação Cristã e que Cristão algum, especialmente se ortodoxo, esta obrigado a abraçar a monarquia.


É a luz da razão e da história que os homens devem julgar quais são de fato as melhores formas e os melhores sistemas de governo.


Tal não é o propósito da fé ou da religião.





Episódio 2 - Uma Voz na Sinfonia Cósmica - Parte 1 de 7

Já postei o episódio nº 1 de Cosmos, este é o nº 2.













sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Cota

Um assunto muito polêmico é o que trata das cotas para negros em universidades ou em concursos.

Devemos nos inquirir qual é o fim das cotas, para que servem, caso queiramos ser coerentes.
Por isso a postagem abaixo segue os padrões de diálogo feitas por Platão.


- Mas dar cotas aos negros não é chamá-lo de burros?
- Quem diz isso é a burguesia. Os negros não são burros e precisam das cotas.

- Por que precisam das cotas?
- Para corrigir uma injustiça histórica. Pois os negros foram tirados à força de suas terras pela sifilização civilização cristã. Trabalharam como escravos até quase o fim do século XIX. Quando foram "libertos" pela "generosa" princesa Isabel. E quando os negros foram libertos graças à "benevolência" da princesa, eles não foram indenizados nem foram contratados por aqueles que foram seus senhores. Saíram das fazendas apenas com a roupa do corpo. E foram para onde? Para os lugares onde se encontram as grandes favelas, este assunto já foi tratado aqui com maestria pelo professor Domingos, aqui.
Toda injustiça tem que ser desfeita, isso chama-se satisfação. Os negros foram espoliados, roubados, enfim explorados, logo o sistema de cotas não é acepção de pessoas, como querem os idiotas. Não, o sistema de cotas não é um privilégio, mas justiça. Se essa injustiça tivesse sido corrigida ainda no império (que durou pouco mais de um ano após a abolição) ou nas primeiras décadas da república os negros não precisariam das cotas.

- Ah, mas os negros hoje tem as mesmas chances que os brancos, e além do mais tem brancos pobres.
- É mesmo? Não é isso o que diz o estudo da Dieese, pelo contrário afirma que os negros mesmo tendo a mesma escolaridade que brancos ganham menos. Então lhe pergunto: Que bosta de igualdade é essa? Se o salário é desigual entre negros e brancos, quanto mais o acesso à educação.

- O negro se estudar pode competir de igual para igual com o branco.
- Sei, com o branco que estuda no Objetivo, que estudou nas melhores escolasb e teve os melhores professores.
- Mas há brancos pobres, então por que cotas?
- Se fosse me provar que alguma vez na história do Brasil tivemos oficialmente escravidão branca, então eu mesmo serei contra o sistema de cotas. O que eu sei é que os negros não foram indenizados, não foram contratados com o fim da escravidão, pelo contrário os grandes fazendeiros contrataram italianos, e por mais que sofressem não eram escravos e não sofriam os preconceitos que os negros sofrem até o presente dia.
- Eu tenho olhos azuis e tenho ascendência negra, então eu tenho direito ao sistema de cotas?
- De modo algum.
- Por que?
- Você já foi chamado de crioulo, de macaco e de outros nomes ofensivos ao povo negro?
- Não. Então você não é negro. Além do mais diga-me, você seria escravo no século XIX no Brasil escravocrata?
- Não.

- Mas o sistema de cotas acirra ainda mais o racismo.
- Por que diz isso, acaso antes das cotas os brancos eram mais tolerantes com os negros?
- Não. Mas acho que vai piorar.
- Ah, vai piorar se corrigir uma injustiça e se ajudar que os negros realmente tenham direitos iguais.

- Mas isso é passado. Águas passadas não voltam atrás.
- Engano seu, a justiça não é baseada no presente mas no passado. Os tribunais não jugam o que acontecerá, ou o que acontece, mas o que aconteceu. Seguindo sua lógica, o casal Nardoni não deveria ser punido, uma vez que a morte da Isabela é passado, como se o crime tivesse deixado de existir. Essa sua lógica destruiria a justiça por inteira.
- E os judeus que sofreram na Alemana nazista não deveriam ser indenizados?
- E quem disse que não foram ou estão em vias de serem?
- Mas passado é passado.
- Quer dizer se alguém lhe assaltar você não vai prestar queixa, porque quando for fazer a queixa o assalto já será coisa do passado, certo?
- Não. Mas isso traz sérias complicações.
- E por trazer "sérias complicações" devemos deixar as coisas no pé em que estão e deixar a desigualdade reinar?
- Não, mas existem outros meios?
- Quais?
- ........

- Mas dar vagas para negros nas universidades não é chamá-los de incapazes, de incompetentes?
- Como disse acima os negros ganham menos que brancos, então significa que devem trabalhar mais que os brancos, sendo assim tem menos tempo de estudar, deve ser isso o que você chama de incompetência.
- Estou confuso e não sei o que pensar.
- Pense no que é certo, no que é justo e nada mais.

Catecismo de cidadania III - O pais do carnaval, do futebol e da TFP





Como dizia o velho De Gaulle, o Brasil 'não é um pais sério'...

Alias, como poderia se-lo se cá foi fundada uma sociedade com o objetivo de restaurar um feudalismo por qual nosso país jamais passou?

Refiro-me a mais que patética TFP, fundada pelo sr Plínio Correa de Oliveira...

Classificada como uma seita brasileira na França a dita sociedade foi erigida em nosso país há quase meio século com o intuito de defender a posse das propriedades tradicionalmente pertencentes as famílias ricas...

Nem é preciso dizer que o sr Correa de Oliveira traiu vergonhosamente o ideário do Bispo de Tulle na medida em que este jamais foi conivente com o liberalismo econômico e jamais poupou o capitalismo... Alias a opinião do Bispo de Tulle no campo da econômia não poderia ser outra além do Mercantilismo, uma espécie de Capitalismo de Estado muito semelhante ao que vigora atualmente na China comunista...

De liberalismo o velho Lefebvre nada sabia, exceto para condena-lo inexoravelmente juntamente com o Comunismo e enquanto causa do mesmo. Para o patriarca dos tradicionalistas o Comunismo não passava de um apifenomeno provocado pelo capitalismo... Daí cita-los e condena-los repetidamente...

Plínio Correa de Oliveira no entanto jamais atacou ou condenou o liberalismo econômico no mesmo tom que Lefebvre...

Como espertalhão que era ele forjou um 'meio' medievalismo de cárater tupiniquim que fazendo vistas grossas ao 'culto do dinheiro' voltava suas críticas apenas ao comunismo, apresentando-o como uma ideologia materialista.

COMO SE O CULTO AO DINHEIRO, A ADORAÇÃO AO LUCRO E A RELIGIÃO DO CAPITAL POSSUISSEM UMA PALHINHA SEQUER DE ESPIRITUALIDADE.

A Lefebvre enquanto homem honesto e sincero, respeitamos em sua ingenuidade e pureza de intenções... pois como feudalizante condenava todas as instituições modernas sem distinção.

Já quanto ao fascínora Plínio Correa de Oliveira; só podemos sentir desprezo por um homem de natureza tão baixa. A ponto de distorcer as teorias reacionárias correntes na Europa e de transforma-las numa espécie de cruzada anti-comunista, empregando todo um conjunto de símbolos medievais importados da Europa e qua jamais fizeram parte da cultura, da História ou da tradição do nosso país...

Que os franceses, belgas, austriacos e ingleses, oprimidos pelo liberalismo econômico sintam saudades dum sistema monarquico - feudal porque de fato passaram e que faz parte do legado histórico recebido por seus países é perfeitamente compreenssivel... aqui no entanto só poderiamos restaurar o domínio colonial e a escravidão...

Oficialmente a TFP associou-se a propaganda monarquista em torno da família Orléans e Bragança, cujos membros nela foram recebidos. Na prática porém agregou um bom número de ruralistas e empresários cujos negócios andavam de par em par com o liberalismo econômico...

Enquanto na França aos lefrevianos sustentavam em alto e bom som a restauração do antigo regime, Correa de Oliveira direcionou o esdruxulo sodalício por ele fundado no sentido de dar combate a reforma agrária...

Enquanto as preocupações do Bispo frances pareciam ser de fato espirituais as do sofista brasileiro eram tanto mais materialistas...

Os discursos de Lefebvre até apresentam certa coerência na medida em que ele rechaça e condena todos os elementos do ideário moderno, sem poupar o fator que lhos trouxe a existência: o Capitalismo. Plínio porem ora calando sobre o liberalismo econômico ora ousando vindica-lo mostrou-se incoerente e desonesto.

Dir-se-ia que o brasileiro, acoberta ou protege o grande inimigo do Cristianismo...

Assim sendo poderiamos dizer que esta sociedade grotesca nada possui de religiosa (nela a religião serve apenas e tão somente como pretexto para ocultar pretenssões verdadeiramente materialistas e nada dialéticas), pouco possui de monarquico-feudal e muito possui de capitalista, estando verdadeiramente a serviço desta ideologia miserável e anti-cristã. Quanto a isto a inspiração da TFP nada tem em comum com a econômia feudal ou mercantilista, mas sim com a econômia capitalista alimentada senão engendrada mesmo pela seita infame dos calvinistas.

Catecismo de cidadania II - A Monarquia absoluta













- Países absolutistas e 2010


Ao iniciar-mos um curso de teoria política e cidadania não podemos passar a largo pela questão da monarquia absoluta.

Já porque existem regiões do planeta dominadas por este sistema como a Arabia Saúdita - aliada dos EUA, por sinal - a Suazilândia e o Brunei. O Butão deixou de fazer parte deste seleto grupo em 2008 enquanto no Vaticano a monarquia absoluta apresenta-se sob a forma teocrática. Os EUA e outros países Ocidentais, por razões de ordem econômica e política tem se mostrado simpáticos ou favoráveis a restauração da Teocrácia tibetana sob a égide do Dalai Lama...


- O tema no Brasil

Por outro lado, caso acompanhemos as discussões virtuais ocorridas no Orkut, no Twiter, nos fóruns, etc notaremos logo a existência de representantes desta ideologia aqui mesmo no Brasil. Alguns por sinal bastante ativos e argumentativos. E não devemos nos admirar se semelhante tendência vir a crencer no Brasil e em outros países ocidentais graças as falácias da pseudo democracia liberal.




- A expansão das idéias monárquicas entre nós e o vezo liberal...


Efetivamente a monarquia (absolutista ou constitucional), a ditadura, a tirânia, o militarismo, o totalitarismo são ideias ou teorias em franca expansão.

Diante disto não adianta sataniza-las mas explicar sua razão de ser, pois se elas não só existem como proliferam isto só pode ser devido a alguma tipo de causa, a qual precisa ser detectada e compreendida. Ao contrário dos liberais que se contentam em sorrir ou em enfiar suas cabeças - como avestruzes - debaixo da terra, fingindo ignorar ou minimizando o avanço das ideologias autoritarias, nós aceitamos o desafio de examina-las tanto mais de perto e de tentar compreende-las...



- O pamaroma social dos países absolutistas



E já num primeiro momento de aproximação percebemos que todas as monarquias do tipo absoluto floresceram ou florescem em países de econômia primitiva e que estão sempre ligadas a alguma crença religiosa.

No caso da Árabia Saúdita a monarquia logrou manter-se incólume, apesar das alterações sucedidas no século passado, devido a seu 'status ' de protetora dos lugares Santos e da religião maometana.

A Suazilândia é um país predominantemente agrícola e tribal em que predominam as formas religiosas: fetichista e protestante a cifra de 90%.

O Brunei é um minúsculo sultanato - no qual o sultão se apresenta como protetor do Islan - cuja econômia primitiva só foi alterada no último século graças ao turismo.

Ja o Butão pode ser descrito como um país de econômia primitiva em que o absolutismo esta intimamente associado a religião Budista.

No que diz respeito a alfabetização mais da metade da população do Butão ainda é completamente analbabeta, enquanto que na Suazilândia e na Arabia Saúdita este indice chega a 20% compreendendo cerca de um quinto dos habitantes. Dentre os países absolutistas somente o Brunei - que é minúsculo - pertence ao grupo dos 100 países melhor alfabetizados do planeta.

Portanto a intolerância religiosa, a pobreza e o analfabetismo, enquanto elementos constituitivos predominantes no contexto agrário, fazem parte da gênese e da sustentabilidade de todas as monarquias absolutistas que lograram atravessar os umbrais do terceiro milênio...

Em situações especifícas o fundamentalismo Cristão (na Suazilândia), o budismo e o islan, foram capazes de manter o antigo regime de pé.



- A incompatibilidade do absolutismo com a natureza da sociedade contemporânea.


Diante disto somos autorizados a afirmar que a implantação da monarquia absoluta em sociedades tanto mais conplexas é por assim dizer impossível. Estes três ou quatro exemplos de monarquias apenas poderão resistir durante algum tempo na medida em que consigam evitar que quaisquer transformações de ordem religiosa, econômica ou social ocorram em suas respectivas esferas de atuação...

Nossas sociedades contemporâneas no entanto destacam-se pela variedade ou pelo pluralismo religioso, pela industrialização das atividades econômicas e por um alto nível de alfabetização... terreno totalmente diverso aquele em que teem medrado nossas monarquias absolutas e por assim dizer infenso a elas. Portanto a implantação da monarquia absoluta numa sociedade moderna exigiria uma grande transformação estrutural num sentido oposto em que caminha a história (em demanda na uniformidade religiosa, da econômia primária e do analfabetismo). A História porém não volta atrás.


- As fontes dos absolutismos


Há no entanto absolutismos e absolutismos...

Quero dizer com isto que em alguns casos o suporte dado ao absolutismo parece ser puramente religioso.

Os protestantes fundamentalistas que são monarquistas e absolutistas apelam via de regra ao Antigo Testamento e a realeza do povo de Israel, pois consideram este povo como 'eleito', isto é, especial e sua História como sagrada (daí a tendência a reproduzi-la). Trata-se pois de um fundo judaizante, bastante simplório por sinal...

Os muçulmanos absolutistas em geral admitem a teoria do fatalismo, segundo a qual, Deus teria querido que as coisas sejam como de fato são... portanto se a monarquia absoluta existe, devemos nos submeter a ela enquanto expressão da vontade de Deus. Os campônios da Suazilândia e do Butão não devem pensar doutro modo...



- Relação entre o Papismo e o absolutismo


No entanto um dos maiores e sem dúvida o mais coeso, dentre todos os grupos de absolutistas presentes no contexto ocidental não é formado nem por budistas nem por muçulmanos ou hebreus, mas por papistas... os quais ainda fornecem o maior contingente de militantes a monarquia constitucional e a ditadura...

Dir-se-ia que o romanista devoto tende naturalmente ao absolutismo ou ao menos ao autoritarismo sob as formas monarquico-constitucionalista ou ditatorial.

Esta tedência parte necessariamente na estrutura mesma da religião romanista, que em seus catecismos apresenta-se a si mesma como sendo UMA MONARQUIA DE NATUREZA DIVINA.

Para os papistas a Igreja Cristã é uma MONARQUIA ABSOLUTA, INFALIVEL E DIVINA.

A consequência é simples e salta a vista: Se Cristo - que além de homem é Deus - estabeleceu sua igreja como uma MONARQUIA ABSOLUTA é porque a MONARQUIA ABSOLUTA é a melhor forma de governo possivel. Do contrário, caso Cristo não provesse sua igreja da melhor forma possivel de governo, estaria criando um organismo ou sistema imperfeito... o que se opõe a natureza perfeita de sua pessoa.

Não há como fugir a esta conclusão, segundo a qual a forma de governo da sociedade profana deve de algum modo reproduzir a forma de governo na Igreja de Cristo...

O simples fato de que os papistas possuem uma espécie de Rei ou Senhor espiritual, que é o Papa romano, leva-os consciente ou inconscientemente a desejar um rei ou senhor temporal para a sociedade profana em que se encontram inseridos.

Uma forma religiosa extremamente autoritaria e caprichosa entende-se melhor como formar igualmente autoritárias e caprichosas de governo. Daí as contínuas alianças e pactos entre a cúria romana e os regimes autoritários de toda casta.

Claro que nem todos os papistas obedecem a tais raciocínios. Os menos fanáticos, os que procuram limitar o poder do Papa por meio da tradição (espécie de Constituição da Igreja) e os mais cultos dentre eles abominam o absolutismo tanto quanto nós.


- O absolutismo Francês de D Marcel


Bossuet no entanto, sustentou-o em diversas ocasiões, partindo - como os fundamentalistas protestantes de hoje - das escrituras judaicas e após ele muitos outros reacionários. Ultimamente ergueu-se o Bispo Marcel Lefebvre, o qual aproveitando-se do Caos inaugurado pelo Vaticano II reuniu um grande número de reacionários, monarquistas e absolutistas em torno de sí.

A posição de M Lefebvre é tanto mais interesante para nós, já por seu desconhecimento das escrituras hebraicas (as quais quase nunca apela em seus escritos), já por sua postura contrária a civilização contemporânea de inspiração liberal. Lefebvre não se contenta como tantos e tantos pensadores superficiais em condenar o comunismo, o socialismo, o anarquismo...

Seguindo a linha de raciocínio traçada já há quase dois séculos por De Maistre, De Bonald, Donoso Cortes, Jaime Balmes, Augusto Nicolas, etc e amplamente divulgada no começo do século passado por Mons Henri Delassus; o socialismo, o comunismo, o anarquismo e outras patologias sociais contemporâneas são frutos do liberalismo e só poderão ser destruidos juntamente com eles no dia em que a ordem monarquico feudal - o antigo regime - for restabelecido e todas as conquistas sociais provenientes da revolução francesa forem revogadas.

Somente uma contra revolução monarquico-feudal, suprimindo o liberalismo seria capaz de 'cortar o mal pela raiz' e de destruir pela base mesma o socialismo, o comunismo e o anarquismo, ideologias das quais o liberalismo é o Pai ou o ponto de partida.

Delassus e outros esforçaram-se por estabelecer uma linha que partindo da Reforma protestante, chega a Revolução bolchevique passando por 1789. Com isto, os padres queriam significar que o liberalismo era filho da reforma e que a Revolução Russa era filha da Revolução francesa...

Era como se dissessem: se vôces protestantes se converteram a Igreja papólica estarão a enfraquecer o liberalismo e sobretudo o comunismo preparando a derrota de ambos e a restauração na ordem divina, natural e imutável das coisas: a Monarquia feudal...

Não foram poucos os intelectuais protestantes que se deixaram levar pelas cantilenas de Delassus e seus sequazes guiados por um ódio feroz ao socialismo. Em face a ameaça comunista era melhor adotar a tática da terra queimada e tudo destruir, até a Revolução francesa...

Naturalmente que há uma certa ligação entre a reforma protestante e o liberalismo enunciado por Locke... e que 1917 não pode ser compreendido sem 1789... Disto não se segue no entanto que a Reforma protestante tenha sido a principal causa e por sinal consciente da Revolução francesa...

Seja como for as relações protestantismo - liberalismo jamais deverão ser confundidas com as relações protestantismo - revolução francesa, na medida em que a revolução francesa não bebeu exclusivamente do liberalismo inglês, reformulando-o e reconstruindo-o a partir de outros elementos que não a reforma protestante. Qualquer comparação entre as relações: reforma - 1789 & 1789 - 1917 chega ao absurdo na medida em que pretenda aponta-las como equivalentes.

Por outro lado a relação 1789 -1917 tem sido assinalada por uma miríade de historiadores e sociologos das mais diversas correntes e escolas. Efetivamente o Comunismo é filho do Liberalismo e 1917 representa a tentativa de se realizar o que fora de certa forma prometido desde 1789 e de se corrigir os maliciosos desvios sucedidos desde então...

Caso o liberalismo não falhasse miseravelmente em suas promessas de 'igualdade', ficando apenas na liberdade e reproduzindo - ou até mesmo ampliando e agravando - as mesmas diferenças apresentadas pela monarquia feudal, a partir de um novo padrão: o dinheiro; o Socialismo não teria qualquer razão de ser ou seja não existiria.

Se existe Socialismo, comunismo ou anarquismo, isto significa a falência ou melhor a inépcia do sistema Capitalisma baseado já na exploração imoral do homem pelo homem, já na exploração irracional e ilimitada de recursos que são limitados por natureza...




- A Farça da Sociedade Ocidental 'Cristã'



Somente os Cristãos hipócritas ou idiotas são capazes de fazer menção a qualquer sociedade ocidentas NOS MOLDES CAPITALISTAS QUE SEJA CRISTÃ (não nego que em se tratando de uma sociedade predominantemente agrária e/ou de econômia primária, seja de fato Cristã). Pois enquanto o Cristianismo busca pelo Reino de Deus e sua justiça, o fim do capitalismo é a busca pelo lucro ou pelo dinheiro ou seja O ACUMULO DE BENS MATERIAIS NESTE MUNDO.

Não foram o socialismo ou o comunismo e nem mesmo o liberalismo que produziram UMA SOCIEDADE MATERIALISTA. Foram as formas cristãs predominantes no Ocidente - romanismo e protestantismo - que engendraram UMA SOCIEDADE MATERIALISTA VOLTADA PARA O DINHEIRO, A QUAL VEIO POSTERIORMENTE A SER CHAMADA LIBERAL OU CAPITALISTA...

Sociedade em que ao mesmo tempo que concede a seus membros a LIBERDADE religiosa, AFASTA OS MESMOS HOMENS DA RELIGIÃO E DAS COISAS SANTAS, PARA PO-LOS SOB O JUGO ESMAGADOR DA PRODUÇÃO, DO MERCADO E DO DINHEIRO... Assim, mesmo com toda sua liberdade para adorar a Deus, este homem não tem tempo para cogitar da alma ou para cuidar das coisas do espírito, precisa granhar dinheiro para viver e para ganhar dinheiro tornar-se materialista. Certamente que um tal homem não se apresenta como materialista, ele simplemente foi alienado quanto aos valores imateriais pelo ritmo imposto pela produção de bens materiais.

Posteriormente veremos que não existe maior e pior inimigo da religião, da política e das artes que o sistema capitalista de produção, e que ele é o grande responsável pelo surgimento da falsa religiosidade, da pseudo política e da arte anti estética na mesma medida em que absorvendo todos os espaços faz com que todas as esferas da ação humana percam a nivel de qualidade. Nesta sociedade todas as energias são absorvidas pelo econômico de modo que o espiritual, o político, o artistico, o bom, o belo e o verdadeiro contentan-se com migalhas... ou seja com restos, com o que sobra.

Já não erguemos catedrais cujas torres tocam as nuvens, nem soberbos museus ou pinacotecas como no passado, mas apenas BOLSAS DE VALORES E SHOPINGS CENTERS, que são as novas catedrais e galerias do neoliberalismo reinante...

Não há pois maior ilusão do que apresentar esta sociedade apóstata como Cristã e em defende-la... ou em opo-la do 'materialismo comunista'. O MATERIALISMO RECEBEU-0 O COMUNISMO DO LIBERALISMO... NUMA ÉPOCA EM QUE JÁ NÃO HAVIA PALHA DE CRISTIANISMO.

Caso o Cristianismo tivesse inspirado a formação da sociedade contemporânea, teriamos no mínimo uma sociedade PERSONALISTA EM QUE A PESSOA - e não o dinheiro - OCUPA-SE O PRIMEIRO PLANO OU LUGAR. No mesmo instante em que nossa sociedade optou pelo TER em detrimento do SER, renunciou ao espírito do Cristianismo para ficar apenas e tão somente com o discurso vazio daqueles escribas e fariseus que crucificaram a Jesus...

O mais revoltante diante desse quadro é que o Ocidente sem o mínimo respeito, ainda ousa SE UTILIZAR da religião com o intuito de OCULTAR SUA ORIENTAÇÃO MATERIALISTA OU MESMO DE SACRALIZAR UM CAPITALISMO HIPÓCRITA QUE NEM MESMO OUSA ASSUMIR-SE COMO FENÔMENO PURAMENTE MATERIALISTA QUE É.

Enquanto simples manifestação individualista no terreno da econômia o LIBERALISMO é tão filho de MAQUIAVEL, quanto o protestantismo livre examinista ou a teoria política de Max Stirner, compondo os três alias uma tríade perfeita. O anarco capitalismo coroa, a teoria aconômica de Smith e Ricardo, como estas coroaram a teoria salvacionista (da salvação individual) de Lutero e o ponto de partida de tudo isto é a teoria maquiavélica segundo a qual a política e outras atividades humanas não estão todas sob o primado da ética. A econômia Smithiana pretende ser tão autonôma com relação a ética, quanto a salvação luterana, o principe Maquiavélico ou o ideal de vida stirneriano... diante de tais teorias - xipofagas - toda noção de sociedade, solidariedade, alteridade desaparece e com elas todo e qualquer vestígio de Cristianismo...

Portanto nós temos de saber e muito bem que antes de termos sido traidos pelo liberalismo... já o Cristianismo ocidental havia falhado vergonhosamente na medida em que permitiu ou apoiou a manifestação do liberalismo...




- Duas posições perante o liberalismo: superação ou saudosismo



Portanto, diante disto só nos restariam duas posições: ou tomamos o liberalismo como está e injetando-lhe novas forças espirituais, advindas de outras formas religiosas (a ortodoxia oriental ou o espiritismo) ou irreligiosas (a educação, a arte, a mobilização política), fazendo com que MORRA e dele surja outro tipo superior de sociedade (daí a expressão superação do capitalismo); O QUE IMPLICA EM OLHAR PARA FRENTE, PARA O FUTURO, PARA UMA LINHA DE CONTINUIDADE E DE EVOLUÇÃO HISTÓRICA OU OLHAMOS PARA TRÁS, PARA O PASSADO ANTE LIBERAL...

Tal o olhar daqueles que não desejando a construção de uma sociedade já liberal (quanto a forma política e a religião), já socialista (QUANTO A ECONÔMIA) e cada vez mais igualitária, desejariam antes entrar numa máquina do tempo e regressar ao século XVII ou mesmo a Idade Média, enquanto ideal de sociedade equilibrada, cooperativa, estável - em oposição a sociedade neo liberal - MAS NÃO IGUALITÁRIA ou plenamente socialista (embora seu nivel de socialização supere sempre o do liberalismo).




- As raízes do atavismo absolutista



Para compreender este 'saudosismo' monarquico expresso por parte dos Lefrebvistas faz-se mister recorrer a Hobsbawm cujos estudos na área são sempre lúcidos e esclarecedores.

De fato em inumeros passos de sua obra, mormente na que vai de 1780 a 1830, este autor - insuspeito pelo simples fato de ser comunista - corroborou o que já haviamos lido nas apologéticas monarquistas e papistas, admitindo que após a revolução francesa ou mesmo antes dela parte dos reis e nobres haviam assegurado a dedicação de seus súditos pelo simples fato de cuidarem para que nada lhes faltasse no que diz respeito a suas necessidades básicas. Providos de comida, roupas e habitação, quando tais servos ou súditos tinham a oportunidade de visitar alguma grande metrópole liberal ou republicana, como suas fábricas, seus cortiços, seus esfaimados, etc regressavam a seus cantões de origem tanto mais aferrados ao antigo regime e tanto mais dispostos a morrer por seu rei e por seus Bispos...

Eles não foram tão tontos a ponto de deixar de perceber o verdadeiro sentido da emancipação defendida pelos liberais, a qual se lhes apresentava como uma escravidão ainda mais aviltante... afinal seus senhores lhes forneciam um assado nos fins de semana, roupas limpas para as crianças e uma casinha branca rodeada por um jardim. Não invejavam pois o direito de votar, não desejavam abandonar suas terras, não queriam ter um patrão e receber semanalmente apenas o necessário para comprar pão ou batatas e algumas chicotadas... não cobiçavam a sorte dos proletários que habitavam os cortiços nas periferias das cidades... numa palavra não queriam ser libertos nem do rei nem da Igreja; não desejavam nem cidadania, nem sufrágio, nem liberdade alguma... queriam morrer como haviam morrido seus avós, com muito pouco, mas com um muito pouco absolutamente seguro.

Onde a monarquia e o feudalismo satisfaziam as necessidades básicas da comunidade e asseguravam sua estabilidade foi cimentada uma longa aliança entre o baixo clero, os senhores e os campônios, com a finalidade de sustentar o Rei.

Tal e qual o 'cão' da fábula eles aceitavam docilmente a corrente desde que a alimentação, a vestimenta e a habitação; a 'proteção' fosse garantida... pois sabiam que ao 'cão' livre estava reservada uma coleira ainda mais forte, e sem assistência alguma...

Foi pois a dureza apresentada pelo liberalismo que operou contra ele, na medida em que estimulou a resistência das populações agrárias e prolongou a existência das relações monarquicas e feudais.

Somente onde tais relações era cruéis e desfavoráveis foram imediatamente substituidas pelo Novo regime e as novas relações de produção.

Portanto de boa ou má vontade, tratar bem aos súditos e servos suprindo suas necessidades acabou sendo um bom negócio para os feudais. Apenas por meio da força e das alianças políticas os liberais foram implantando novas Repúblicas e 'emancipando' os súditos e servos mesmo contra a vontade dos mesmos.

Para muitos a desmoralização do Bispo e a expulsão do senhor ou do rei equivaleu certamente a perda de um Pai... imagem que se prolonga até o dia de hoje no imaginário dos monarquistas.

Afinal o rei tinha poder e tendo poder intervinha sempre que desejava nas relações econômicas de produção.

Com isto o povo era explorado mas não necessariamente esmagado como passou a ser no século XIX. Daí o mesmo povo carecer duma forma ainda mais virulenta de proteção com relação aos poderes econômicos vigentes: o comunismo. Pode-se assim dizer que de certo modo ele substituiu o absolutismo e o feudalismo...



- O dilema socialismo X absolutismo


A mentalidade do absolutista ou do feudal é justamente a de alguém que aspira por uma estabilidade a qualquer preço e que se contenta, desde que lhe seja concedido o mínimo possivel para manter sua dignidade. Na verdade ele aspira por um Pai, que o alimente, vista, auxilie, proteja e cuide de sí, mesmo sabendo que 'quem dá o pão dá o castigo'...

Acontece que do outro lado está a liberdade, as vezes assaz abstrata, e sem pão... e deste as lentilhas de Jacó...

Diante da instabilidade e da miséria produzidas pelo sistema liberal, o absolutista opta conscientemente pelas lentilhas, ou melhor, pelo pão e o senhor com sacrificio de sua liberdade.

Em face a uma liberdade insegura e precaria ele escolhe uma servidão mais ou menos honrosa.

Diante das promessas de um futuro 'brilhante' ele opta por manter sua qualidade de vida, inda que prosaica.

Trata-se de alguém que não deseja lutar ou arriscar, mas apenas viver placidamente, viver a vida.

Mesmo a luta do socialista com o objetivo de transformar o mundo do trabalho lhe parece sem sentido, pois o passado apresentando-nos soluções reais 'é muito mais seguro do que quaisquer teorias futurescas'. O futuro com sua imprecisão irrita o homem feudal...

Ao contrário do socialista ele prefere receber ou ganhar com detrimento de sua dignidade mesma, do que lutar ou combater...

Nem um nem outro se conforma com o que temos ou seja com as mazelas e incertezas do capitalismo, ambos se rebelam e condenam-no... no entanto os olhos de um e outro estão voltados para extremos opostos: pois enquanto o socialista 'utopico' olha sempre para frente ou para o futuro, por uma nova e imprecisa sociedade a ser construida o absolutista e de certo modo o monarquista olham para trás ou seja para o passado em busca de soluções 'históricas', ou seja, do antigo regime, da velha sociedade, do modelo descartado...

Nós portanto aspiramos por evolução, querendo destruir parte do que há, e assim mudar para melhor.

Eles porém aspiram por restauração, desejando destruir tudo quanto seja moderno e enfaixar a sociedade em faixas de aço, como que para impedi-la de crescer...

Daí recorrerem amiude a religião e a sua teologia abstrata pertinente as imagens IMUTÁVEIS, com o intuito de reproduzi-las na sociedade mutável, o que é impossivel...

Eles não podem ou não querem compreender que a sociedade e a cultura pertencem a uma categoria mutável de coisas. Daí sua fuga para o terreno do sagrado com o intuito de sacralizar a cultura seja a bizantina ou a russa (no caso dos absolutistas ortodoxos) ou a feudal ( no caso dos absolutistas latinos).

Eles desejam um Pai que os alimente na mesma medida em que os controla.

Nós assumimos o risco da autonômia, buscando como já foi dito a destruição de um sistema que desfruta do auge de seu poderio, sem o sacrificio de nossas liberdades na medida em que aceitamos também o desafio de conciliar autonômia e qualidade de vida.

No fundo no fundo todo monarquista é um acomodado ou um fraco que espera salvo por um Pai ou por um senhor ao invés de combater por sua salvação.

Seja como for ninguém pode negar que os feudais, como os fascistas e integristas após eles peceberam tanto quanto nós as contradições e mazelas da pseudo democracia formal (liberal).










quinta-feira, 26 de agosto de 2010

I - Catecismo de cidadania.


Praeclarus Magister Mihi















I a - Da palavra política.








O vernáculo política, procede, ao que tudo indica do grego POLITIKA, plural neutro de POLITIKÓS: as coisas políticas e de POLITÉIA enquanto regime. Outros porém afiram que procede de POLITIKÈ (polis+ technè, a arte política.).





Aristoteles em sua 'Política' define o homem como um 'animal político' e a política como a arte de participar da administração ou do governo da Polís. (cidade grega)





Participar ativamente da vida pública, dos negócios, da governança da cidade; tal a noção de Política para o Filósofo.





Disto decorre que onde não há participação, cidadania ou democracia não há verdadeira política.





Há certamente governança ou autoridade entre os bárbaros que obedecem cegamente as ordens de seus soberanos divinizados, mas não política.





Donde se segue necessariamente que a política, como a Filosofia, é criação dos gregos.











I b - Da palavra cidadania






O substantivo derivado cidadania - cunhado por Caron de Beaumarchais em 1774 - procede do substantivo primitivo Cidade, designando a condição daqueles que daqueles que residem na cidade, o cidadão.





Juridicamente falando cidadão é todo aquele que exerce seus direitos políticos e a cidadania o ato de exerce-los.





Não há pois qualquer diferença entre os termos POLÍTICA e CIDADANIA.





Podemos pois afirmar que são correlatos e que procuram designar a participação da pessoa nas coisas ou negócios da cidade.








I c - Da palavra Democracia.





A palavra Democracia também foi cunhada pelos antigos gregos e significa: Poder (Kratós) do povo (Demos).





Grosso modo ela foi implantada primeiramente em Atenas, no ano 507 a C, por Clístenes, após a derrubada do tirano Hípias, filho de Psistrato. Através de um decreto promulgado neste ano Clístenes estendeu o direito de tomar parte nas decisões políticas a todos os homens livres da cidade, os quais destarte foram convertidos em cidadãos, admitidos a ekklesia - os maiores de dezoito anos - e ao exercício de quaisquer magistraturas, caso fossem eleitos.





Posteriormente o exemplo da grande metropole da Atica foi adotado por uma número cada vez maior de cidades-estado.








I d - Da palavra República





A palavra República procede do latim e significa 'Res' = Coisa 'pública', o que nos remete ao que há de comum em qualquer agrupamento ou sociedade: as autoridades, as leis, etc





Encarada desta forma - que é sua forma original e própria - a palavra República pode ser empregada para designar tanto uma monarquia, quanto uma aristocracia ou uma democracia; os antigos e os medievos não pensavam nem escreviam doutro modo. Os modernos porém misturaram os sentidos e confundiram o povo; pois segundo dizem República deve designar sempre a forma democrática, especialmente a presidencialista.





Entre os brasileiros por exemplo, poucos duvidam de que República seja sinônimo de Presidencialismo...





A Etimologia e a História no entanto nos constrangem a confesar que República é uma coisa, democrácia outra, presidencialismo outra e que estas três coisas não devem ser confundidas.














Com base nas definições acima poderiamos definir o Regime político vigente no Brasil como:





- Uma República, ou sociedade organizada e provida de instituições comuns.


&


- Uma Democracia ao menos formal. Pois teorica ou literalmente o poder é atribuido ao povo.





- Um sistema presidencialista de governo.











Vejamos agora o que o Brasil não é.











I e - Da Monarquia








Sendo como pretende ser uma democracia ou seja uma forma de governo em que o poder procede do povo e por ele é exercido, o Brasil não é nem pode ser uma Monarquia.





A palavra Monarquia também procede do grego e significa: Mono = Um + Arché = Poder, sendo idêntica a Monocracia e designando, grosso modo, todo poder e governo exercido por um só homem.





No caso de dois governantes como em Esparta terianos uma Diarquia e não uma monarquia.





No caso de três governante teriamos uma Tríarquia, no caso de quatro (como no tempo de Diocleciano César) uma tetrarquia e assim por diante.





No caso nem a hederitariedade nem a nobiliarquia são essenciais ao regime monarquico exceto na medida em que o vulgo cofunde-o com a realeza hereditária que é apenas uma das formas existentes de monarquia.





Pois há a ditadura (no caso exercida por um plebeu), a tirânia ou despotismo (que ignora todo e qualquer direito), a realeza eletiva (na qual após a morte do Rei outro rei é escolhido pelo povo ou pelo senado), etc que também são formas monárquicas, tal e qual a realeza hereditária.





O Brasil fou uma nação monárquica por sessenta e sete anos, de 1822 a 1889.





Posto esta que sendo uma nação dirigida por todos não podera ser dirigida por apenas um. Logo Democracia exclui necessariamente monarquia e podemos dizer que são regimes incompativeis.





A monarquia como a Dem. e a Arist. pode apresentar diversas variantes tais como:





Teocracia (Theo = Deus + Kratós = Poder) : quando o lider é um sacerdote ou lider religioso. Ex o Papa enquando Senhor absoluto do Vaticano.


Império : Quando se trata de um Imperador (Imperator) que pretende exercer seu domínio sobre diversos reis de diversas nações ou sobre diversos estados (provincias/povos). Ex Impérios - acadeano, egipcio, babilônico, romano, inglês e brasileiro.








I f - Da Aristocracia.








O mesmo pode ser dito quanto a Aristocracia, palavra cuja origem significa: Aristós: Melhores + Kratós: poder, querendo designar qualquer grupo de pessoas.





Os principais modelos de Aristocracia são:





- A plutocracia (Ploutos = riqueza + Kratós = poder) que designa o governo exercido por um grupo de ricos.


- A timocracia (Timé = honra/nobreza + Kratós = poder) que designa o governo exercido por um grupo de nobres. (como durante a Idade Média e o feudalismo)


- A burocracia (do fr. Bureau = gabinete + Kratós = poder) que designa o governo exercido por uma casta de funcionarios e/ou por um partido político. (como durante o estalinismo na Rússia)


- A oligarquia, designa o governo exercido pelos grandes proprietários de terras.

















PORTANTO SÃO TRÊS AS FORMAS DE GOVERNO:





+ MONARQUIA





+ ARISTOCRACIA





&





+ DEMOCRACIA





TOMANDO POR CRITÉRIO O NÚMERO DAQUELES QUE EXERCEM O PODER. (um, alguns ou vários ou todos)

















I g - Do parlamentarismo.








Adotando o sistema presidencialista de governo a Democracia brasileira não pode ser, como não é, parlamentarista.





A palavra Parlamentarismo é um substantivo derivado do primitivo Parlamento, oriundo do francês Parlement o qual por sua vez procede de 'parler' ou seja falar. Trata-se pois dum falatório ou lugar próprio para se falar ou discutir.





Os ingleses teem seu parlamento dividido em duas câmaras - sistema Bi cameral - a câmara alta ou dos land Lords (senhores das terras ou grandes proprietários) que corresponde a Boulle grega, ao Senatus romano e ao nosso Senado & a câmara baixa ou dos comuns que corresponde a nossa câmara de Deputados federais.





(No Brasil - Senado + Câmara Federal = parlamento nacional)





Como se depreende da palavra mesma, o parlamentarismo, concede ainda mais poderes ao parlamento (em se comsiderando que tais poderes já são excessivos no regime presidencialista).





Segundo tal sistema:





# O chefe de Estado (rei ou presidente) não é o chefe do governo ou seja não governa (proverbial: o rei reina, mas não governa), não exerce qualquer senhorio político e tem uma autoridade bastante restrita (não passa dum enfeite).


# O CHEFE DE GOVERNO É O PRIMEIRO MINISTRO, indicado pelo chefe de estado (rei ou presidente) E ESCOLHIDO PELO PARLAMENTO. Ele só permanece no cargo enquanto detem a confiança ou aprovação do parlamento.


# O poder Executivo é exercido pelo Primeiro ministro e seu gabinete. Os ministros de Estado são indicados pelo primeiro ministro e ESCOLHIDOS PELO PARLAMENTO.


# Quando o primeiro ministro cai, o gabinete cai juntamente com ele.





A primeira vista parece um sistema bastante sólido.





A realidade no entanto tem demonstrado que se trata dum sistema assaz sujeito a crises e portanto inferior ao presidencialismo.





Só pode dar certo EM CULTURAS NAS QUAIS AS PESSOAS APRENDERAM A VOTAR POR PARTIDO OU CLASSE.








PORTANTO SÃO DOIS OS SISTEMAS DE GOVERNO:





+ PRESIDENCIALISMO





&





+ PARLAMENTARISMO





SEGUNDO O PODER INCLINASSE MAIS PARA O PARLAMENTO OU PAPA O EXECUTIVO, CONCEDENDO A ESTE ÚLTIMO UMA MAIOR AUTONÔMIA OU MESMO UM PODER MODERADOR.














I h - Da tríplice divisão de poderes:





No frigir dos ovos os poderes ou munus governatício disperso pelo corpo da nação apresenta-se sob três formas:





I - Poder Legislativo - É de longe o mais importante, pois lhe compete





* Elaborar


* Discutir


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* Votar, aprovando ou não as leis que norteiam a comunidade.





Nós países Democratico-liberais CABE INVERIAVELMENTE AO PARLAMENTO ou seja aos ditos representantes do povo, eleitos geralmente de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos.





Personificado pelo Parlamento ou seja pelo Senado e a Câmara Federal.





II - Poder executivo -





O poder executivo sanciona (ou não) e executa (isto é aplica, dá cumprimento) as leis aprovadas pelo parlamento:





Exercido pelo rei ou pelo presidente sob o sistema presidencialista, ou pelo Primeiro Ministro (sempre sob a tutela do parlamento) sob o sistema parlamentarista, que acaba destarte reforçando duplamente a autoridade do parlamento e dando vezo a uma autêntica ditadura parlamentar.





Entre nós a apanágio exclusivo do Ilmo sr presidente da República, ou seja do palácio do planalto.





III - Poder judiciário -





Fiscaliza aos demais poderes (mormente o executivo para verificar se esta de fato empenhado em fazer executar as leis aprovadas pelo parlamento) e a sociedade como um todo, aplicando punições e penas aos que se recusam a obedecer as leis.





Entre nós sua instância máxima é o Supremo Tribunal Federal.





Esta teoria foi desenvolvida pelos pensadores franceses Jean Bodin (na sua "República") e Ch Monstesquieau, este último no "Espírito das leis"











Estas são as noções básicas ou elementares que todo e qualquer cidadão, membro de uma República democratica e parte vital de uma comunidade verdadeiramente política, deve conhecer.









Consacravit et dedicavit Aristoteles, princeps filosoforum.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Marx não morreu!

Navegando pela internet e pesquisando ora sobre o grandioso Marx ora sobre o capitalismo encontrei alguns vídeos maravilhosos, sobre Marx e o marxismo.

O ator Fenton Wilkinson interpreta Karl Marx da obra do historiador Howard Zinn.

Vídeos para todos os que desejam entender a Marx e sua obra, para os que acham que entendem de marxismo e também para os fanáticos que acham que Marx é um profeta e sua obra uma espécie de revelação.





"Capitalismo Uma História de Amor" - Documentário de Michael Moore

Capitalismo Uma História de amor é um documentário fascinante de se assistir. É um vídeo obrigatório para quem é educador, para quem se preocupa com os destinos de sua nação e do mundo, um vídeo obrigatório para cientistas, religiosos e ateus. Enfim um vídeo para quem gosta de filosofia, para quem gosta de questionar porque as coisas são como são.

Já assisti ao vídeo e realmente a sagacidade de Michael Moore suscita cada vez mais minha admiração por sua pessoa e obra. Quem assistiu Farenheit 9/11 e Sicko sabe do que estou falando.

No que documentário que o leitor irá assistir poderá ver como Moore desmascar o capitalismo e mostra que o verdadeiro terrorismo é aquele que é produzido pela burguesia reinante. Mesmo não sendo marxista ele dá uma lição sobre economia, creio eu, que se Marx fosse vivo, recomendaria este filme para quem quisesse entender o que é o capitalismo e como funciona.

Um tema tratado por Moore é o cristianismo, ele mostra que a burguesia adulterou a mensagem de Cristo, Moore procura alguns padres e estes lhe mostram como o capitalismo é avesso ao cristianismo. Moore ainda faz uma sátira a caricatura de Cristo inventada pelos fariseus hipócritas que são os burgueses.
Não vou dissertar mais sobre o filme, assista o leitor e conclua de per si, como disse Jesus: "Quem tem ouvidos, ouça".
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Disclose.tv - Capitalismo - Uma História de Amor_1-2 Video




Disclose.tv - Capitalismo - Uma Historia de Amor_2-2 Video

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Vote Tiririca pior do que tá não fica.



Eu não acreditaria se não visse o vídeo. De Gaulle tinha razão quando disse que "O Brasil não é um país sério". É por isso que muita gente não gosta de política, porque transformaram a política em politicalha. E o horário político que deveria ser sério se torna um show ora religioso ora leviano com humoristas falidos.

Um partido que aceita Tiririca como candidato é um partido de merda 5ª categoria, que já disse nas entrelinhas a que veio. O partido que o aceitou é o Partido da República que é uma fusão do antigo PL e do PRONA, mas a ideologia do partido continua sendo a do Partido Liberal. Tinha que ser da direitalha!!!

Claro que um partido que aceita um candidato inepto como o sr. Tiririca, não tem compromisso nenhum com a nação. O candidato a deputado federal confessou a sua ignorância ao dizer: ""O que faz um deputado? Eu não sei! Mas se você votar em mim, eu descubro!".

Se o Tiririca for eleito, então tenho que dar razão a frase atribuída a De Gaulle.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Diágoras de Melos

Diágoras de Melos é um vulto da história da filosofia que me fascina, era ateu, mas sabia como combater o fanatismo. Não é como muitos desses ateus que tem faniquitos fazendo do ateísmo a religião dos sem deus. Quem escreve esta postagem é um cristão ortodoxo copta mas que é marxista e evolucionista, que aceita a ciência e que não vê no que a fé cristã possa ser incompatível com a ciência, até porque se assim fosse, Dobzhanski teria abandonado a Igreja Ortodoxa, uma vez que era cristão ortodoxo russo. E Ernst Mayr disse sobre Dobzhansky: Vocês sabiam que Dobzhansky, que eu considero o maior evolucionista do século passado, se ajoelhava e rezava para Deus à noite, antes de dormir? Mas não é dele que eu quero tratar, mas de Diágoras de Melos.

O filósofo de quem eu vou falar viveu no século V a.C, era um verdadeiro pedagogo. Certa vez levaram-no a um templo e um homem lhe disse: "Veja Diágoras essas imagens são os ex-votos daqueles que escaparam dos naufrágios, aqui eles cumprem o que prometeram aos deuses. Replicou o pensador: Gostaria de ver os ex-votos dos que morreram afogados, pois no auge do desespero acredito que fizeram votos para salvar-se".

De outra feita fez lenha com uma imagem de Héracles (Hércules) e disse: "Eis o décimo terceiro trabalho de Héracles, cozinhar nabos para Diágoras".

Diágoras não negou abertamente a existência de Deus ou de deuses, mas deu a entender que se existem não se preocupam conosco. E ainda mostrou que os que morrem em desespero fizeram a mesma coisa que os sobreviventes.

Quando ele fez lenha com a estátua de Hércules, foi apenas para mostrar que não existem imagens milagrosas, pois se assim fosse, ele deveria ter sido fulminado pelo pai dos deuses: Zeus. Bom como cristão, eu venero ícones, mas não acredito em ícones milagrosas, elas são como quaisquer objetos e estão sujeitas as leis naturais, mas venero ícones pelo que representam para mim, assim como uma fotografia de minha falecida mãe, representa a que amei (e que ainda amo), mas como objeto não tem valor e nem é portador de milagres. Eu mesmo acho que os ícones ditos "milagrosos" deveriam ser destruídos para que assim sejam destruídas as superstições das pessoas.

Não sei se Diágoras tinha a intenção de levar o povo ao ateísmo ou se queria que a religião fosse mais próxima da realidade possível, todavia creio que o seu ateísmo é uma ajuda para todas as religiões, ajuda para que se tornem moderadas. Creio que algumas críticas dos ateus são válidas e mesmo que as suas intenções sejam outras, as religiões podem fazer o seu mea-culpa e seguir pelo caminho do equilíbrio.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Entrevista de Plinio de Arruda Sampaio no Jornal Nacional

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Católico não vota em Dilma




Católico não vota em Dilma é o que se vê nas redes sociais como o Orkut Mas por que católico não vota em Dilma? Por que ela vai instaurar a perseguição religiosa? Não, não vai. Por que ela vai oprimir os pobres com os quais Jesus Cristo se identificou? Não, necessariamente. Então por que cargas d'água católico não vota em Dilma? Porque ela é favorável ao aborto.

Então para os católicos basta o candidato ser contra o aborto que ele é bom candidato, mesmo que desvie verbas públicas, mesmo que tenha uma política excludente, mesmo que deixe a maioria da população na miséria. Tudo isso pode o político, o que não pode é ser pró aborto.

Eu sou contra o aborto, exceto em caso de anomalias ou em caso de perigo de morte para a mãe. Mas eu não posso me espelhar em mim, pois não sou "a medida de todas as coisas", é o povo quem deve decidir a esse respeito.

É um pensamento tacanho não votar em Dilma porque ela é pró aborto, como se isso mudasse os rumos da nação. Os catoliquitos se posicionam contra o aborto não porque entendam que isso é um crime, mas porque a instituição (igreja) condena e excomunga os pró-aborto. Esses antiabortistas nem tem argumento para defender sua posição. São contra pelo simples fato de que o papa é contra, os cardeais e bispos são contra, logo são contra também.

Os catoliquitos preferem votar no José Serra que não se posicionou a favor do aborto, entretanto tem uma política excludente, neoliberal, que manda bater em professores, que reprime greves, que foi contra os direitos do trabalhador na constituinte de 1988, etc..

Ora, não veem esses alienados que se um não abortista se elege, não significa que deixará de existir o aborto? Pelo contrário, sendo Serra um neoliberal, os abortos clandestinos aumentarão, por causa do desemprego e da miséria ao qual ficará exposto grande parcela da população brasileira.

Esquecem-se esses fanáticos não passam de meia dúzia de gatos pingados que a nação brasileira ainda é majoritariamente católica, e que será a maioria dos católicos quem mui provavelmente elegerá a Dilma. então, como explicam esses senhores que católicos não votam em Dilma? Insatisfeitos com o Brasil? Catoliquitos tradicionalistas, o Vaticano os espera!

Do tempo no horário eleitoral gratuito

Dizem que vivemos num país democrático, mas não acredito nisso. Vivemos sim, num país plutocrático, plutocrático pois quem manda e desmanda nesse país são os donos do capital. A democracia no Brasil é uma farsa, e essa farsa se mostra a pior ditadura ao fazer o povo crer que vive numa democracia. Não temos nem liberdade, nem igualdade e muito menos fraternidade, que eram os ideais da Revolução Francesa.

Diz-se que aqui no Brasil todos são livres e que há igualdade. Então vejamos se isso é verdade mesmo.
Um exemplo fácil de ser demonstrado e que desmonta a falácia da democracia é o horário eleitoral gratuito. Os presidenciáveis terão tempos diferentes para expor seus projetos. Não são todos presidenciáveis? Não são todos iguais? Sim, são todos iguais, "mas alguns animais são mais iguais que os outros". Os que candidatos com maior tempo poderão seduzir de forma mais eficaz os seus telespectadores, poderão persuadir seu público. Essa oportunidade (tempo maior) não foi dada aos candidatos "nanicos", como bem demonstra o artigo do Congresso em Foco.

É evidente que o tempo influencia, pois o telespectador será bombardeado por muito mais tempo pela Dilma e pelo Serra do que pelos outros candidatos que tem um tempo irrelevante. E que pode fazer um candidato à presidência da república com 55 segundos de tempo na televisão? Como se vê é uma luta covarde e desigual. Com menos de um 1 minutos os candidatos não tem como apresentar seus projetos. Cadê a democracia da justiça eleitoral?

São 9 candidatos à presidência e o eleitor teria liberdade de escolha se o tempo fosse dividido igualmente entre eles, mas na verdade o eleitor não tem a liberdade de escolher, ou melhor, sua liberdade foi reduzida a escolher entre o pior (José Serra) e o ruim (Dilma).

A igualdade entre os candidatos se resume a um mero blá blá bla e a liberdade do eleitor é uma ficção.  Aí depois veem os demagogos e falam que Cuba é uma ditadura e que lá não há liberdade. Não! Liberdade temos aqui no Brasil!!!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lição como castigo

A escola é vista pelos alunos como um lugar de torturas mentais, a impressão que se tem lá, é o que o tempo para. São 4 horas de estudos que parecem ser 8 ou 12. Mas se a escola é vista desse jeito é porque a escola é de fato assim. Fila para entrar, fila para ir ao recreio, fila para voltar, ficar sentado durante quase 4 horas, não conversar, responder a chamada, e o mais importante fazer as lições.

Os professores via de regra veem as cópias e as lições intermináveis como uma forma de castigo, e isso é triste. As lições deveriam ser motivo de prazer. Quando uma certa turma é bagunceira o professor põe-se a encher a lousa de exercícios ou manda que seus alunos copiem várias páginas do livro didático, para que possa desse jeito conseguir o silêncio de seus alunos.

Tenho visto, vários deseducadores professores, orientadores e diretores fazer esse discurso, que se a classe é bagunceira tem que "meter lição na lousa" e que se "vier aluno em véspera de feriado vai escrever até a mão inchar, assim da próxima vez ele não aparece na escola". Com isso os professores demonstram que a escola é um lugar de tortura, que alunos são bem-vindos e que os professores não gostam ou não sabem ensinar.

É por isso que os alunos não gostam de aprender, porque os professores lhes mostram a lição não como prêmio, mas como castigo. O discurso dos professores em geral é este: "Baguncem, pois aí vou encher a lousa de lição".

Como queremos ter alunos motivados se nós mesmos os desmotivamos? Se nós lhes mostramos que estudar é chato e ruim, e só merece fazer lição quem bagunça muito? Triste, não?