segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Uma ameaça chamada Marina Silva

A ex-ministra e hoje senadora Marina Silva é criacionista confessa e seguidora da igreja Assembleia de Deus. A ex-ministra já fez do ministério uma espécie de célula da Assembléia de Deus, convidando um pastor para orar. Mas orar para quê? Por que e para quem? O fanatismo dessa gente é tão grande que eles mesmo sabendo que o estado é laico, ferem a constituição para usar o Ministério do Meio Ambiente como uma célula da Assembleia de Deus.

O pastor funcionava no gabinete da então ministra como uma espécie de capelão e sua função era orar, talvez para converter os pagãos, idólatras e ateus do ministério. Tudo bem, pode ser que a senadora tenha sido movida por boas intenções, não duvido disso, até porque como já diz a sabedoria popular: De boas intenções o inferno está cheio.

O homem de Deus foi contratado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Desenvolvimento do quê? Só se for da Assembléia de Deus. De acordo com a revista Época foi responsável por quatro eventos.Ganhou R$ 70.000 pelo último deles.

Ainda de acordo com a revista ele se aproveitava de sua posição no ministério para divulgar o criacionismo, com o dinheiro de seus impostos, com o dinheiro dos meus impostos, como o dinheiro de nossos impostos. Como pode ser isso num país que é leigo?

“Como organizador de eventos ambientais, ele é um ótimo pastor”, diz Anaelise Schüller, que foi assessora de Vieira nos últimos três anos. A falta de separação entre Igreja e Estado também está estampada em um panfleto para o encontro “O Cristão e Criação”. O telefone de contato é o da sala de Roberto Vieira no ministério. (Revista Época)

Isso é uma falta de respeito total contra a Carta Magna do país, é pisotear a Constituição e zombar do povo, pois a nação laica que é não pode privilegiar religião nenhuma, inda menos quando se trata de uma facção do protestantismo neopentecostal.

Claro que o pastor funcionário do ministério do Meio Ambiente da Assembleia de Deus foi amplamente defendido e foi transformado numa vítima da perseguição religiosa. Essa gente é muito cara de pau, fazem as suas merdas suas trapalhadas e depois posam como mártires da intolerância religiosa. É muita desfaçatez!!! Agora criticar quem comete erros propositadamente é perseguição religiosa, esses pastores fanáticos querem dominar o Estado leigo, querem se valer do Estado, repito, que é leigo, para fazer cultos e promover suas superstições e ainda por cima querem que fiquemos calados! É muita petulância!

Ainda tem gente que acha que essa mulher tem um pé no socialismo e/ou que tem um pé no materialismo histórico. Ela (Marina Silva) é o avesso da dialética materialista, assim como Marx foi o avesso de Hegel. Um protestante pentecostal jamais será socialista, ora a Marina Silva é uma protestante pentecostal, logo não é nem será socialista, não enquanto pertencer a essa organização alienadora. O protestantismo pentecostal só pode ser reacionário, capitalista, e não é preciso ser nenhum Max Weber da vida para constatar isso, pois o discurso dos pastores é o discurso da teologia da propsperidade. Em sua cosmovisão a pobreza é uma desgraça, e se a pessoa não ficou rica é porque não teve fé, ou porque quebrou um pacto com Deus. Esse protestantismo é individualista ao extremo, não está interessado em ajudar aos pobres, simplesmente porque o pobre é culpado por sua pobreza. Esse é, amigos, o mundo da "evangélica" Marina Silva. Não sei como o PT pôde tolerar uma pessoa assim em seu meio, sinal de que o PT há muito tempo já não é o mesmo. Desde que se tornou assembleiana Marina já tinha saído do PT ideologicamente falando, mas precisava da legenda para se eleger, assim como da amizade com o Lula para obter um ministério.

A revista Época ainda na mesma edição fala de outra petista Benedita da Silva, também "evangélica" que se valeu das finanças do Estado para promover sua fé. Segundo a Época: Em 2003, a ministra de Assistência e Promoção Social, e também evangélica Benedita da Silva, foi criticada por ter usado uma passagem do ministério para participar de um culto evangélico em Buenos Aires. Foi obrigada a devolver o dinheiro. “

Se essa senhora ama tanto a sua religião por que não tirou do seu bolso? O que ela fez foi um roubo um desvio, e por isso teve que devolver o dinheiro aos cofres públicos. Também Benedita da Silva de esquerda só tem a legenda porque na prática a teoria é outra.

Agora o que me deixa mais indignado é que a dona do PSOL, que tanto criticou o PT com seu discurso moralista, quer apoiar uma candidata da burguesia. Se a Heloísa Helena fizer isso, vai mostrar para que veio, vai mostrar que é carreirista, hipócrita, enfim maquiavélica. E se fizer isso, ela que não me venha dizer que é socialista, marxista, etc...

Fico verdadeiramente assustado com a remota possibilidade de que Marina Silva consiga se eleger en que transforme nosso Estado laico num Estado teocrático da pior espécie. Se apenas sendo ministra teve a ousadia de colocar um pastor como funcionário do ministério, o que não há de fazer caso seja eleita? Colocará o Silas Malafaia como ministro da educação? Colocará o Marcelo Crivella como ministro da fazenda?

O único modo de evitar que essas minhas especulações e pesadelos se tornem realidade é não votar nessa senhora em 2010.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ganhamos mais um selo


Logo o Diário de um Bobo da Corte vai se tornar um blog filatelista, brincadeirinha. Pessoal ganhamos mais um selo de qualidade do blogueiro Carlos H. Barth, dono do blog Leite com Manga Faz Mal.


Ele elogiou a equipe deste blog, e este selo não é só meu, mas também pertence ao Domingos, Ravick e ao Chris.


Caros amigos e colaboradores, muito obrigado, sem a ajuda de vocês este blog não teria a riqueza e a diversidade cultural que tem.
E o muito obrigado ao Carlos pela apreciação e pelo belo presente.

Minha resposta ao amigo Chris acerca do Batman

Li com vivo interesse seu artigo sobre o homem morcego, intitulado O mito da criatividade -70 anos de Batman. Creio que o Batman é um herói que rema contra a maré, um herói contracultural, um herói que vai contra o senso comum. Talvez seja por esse aspecto que seja tão admirado e lido.

Eu mesmo fui leitor de Batman em minha adolescência e já na idade adulta, e vou lhe dizer uma coisa Chris, aprendi muito lendo os Hqs do Batman. Mas o que me prendia a leitura do Batman não era propriamente o protagonista, mas os vilões como você pode ler o meu artigo que escrevi aqui no Diário de um Bobo da Corte.

Batman é um sujeito fictício mas teve grande influência no mundo real, e foi perseguido por um psiquiatra obcecado, como se fosse uma pessoal real. É interessante notar como Batman exerceu uma influência no mundo real mesmo sendo fictício. E mesmo sendo fictício foi obrigado a se adaptar graças aos caprichos de uma pessoa real que o odiava. Todo mundo pensa que o maior e o mais perigoso inimigo do homem morcego é o Coringa, mas não é verdade, o inimigo mais poderoso do Batman não se encontra nos quadrinhos, mas na história dos EUA. O maior inimigo do Batman foi o Dr. Wertham, caso lhe interesse, você pode ler mais sobre esse caso aqui.

Então caro Chris, como você pôde notar o Bobo também é fã do Batman e do seu mundo e você não precisa ter receios de abordar este ou quaisquer outros assuntos que lhe interessem, pois sei que é uma pessoa inteligente, culta e uma das poucas pessoas donas dos melhores insights.

Morreu depois que saiu do culto

Uma menina de 14 anos foi baleada ao sair do culto da igreja evangélica Assembleia de Deus. Lamento pela morte da adolescente que estava começando a vida. Mas acho interessante o fato ter acontecido com um membro da Assembeia de Deus, uma facção religiosa adepta da teologia da prosperidade, como se pode ver no vídeo abaixo.


"Milagres" ocorrem o tempo todo na Assembleia de Deus, seus fiéis falam o tempo em todo em "milagres". O estranho é que os milagres só acontecem dentro das igrejas, onde os incrédulos não podem presenciar e por não presenciar não podem se converter. Mas quando o milagre deveria acontecer de fato, o milagre não aconteceu e seria uma ótima oportunidade para os crentes provarem que milagres existem e que Deus está com eles. Uma família voltava para casa depois do culto e a filha de pais evangélicos, pessoas de muita fé, morreu atingida por uma bala perdida. Cadê o deus dos milagres? Onde está o deus dos impossíveis? Onde está o anjo do Senhor "que lhe protegerá para que teu pé não tropece em pedra alguma?" (Cf. Sl 91).

Por que deus não operou o milagre? Eles não tinham servido a Jeová dos Exércitos? É assim que o deus dos milagres paga a seus servos? Eles lhe fazem o bem e o Jeová lhes paga com a omissão. Ele que poderia ter enviado um anjo para proteger a menina, que poderia ter feito a bala ricochetear, ou ter feito a bala ter saído pela culatra. Nem ao menos Jeová ajudou os médicos a salvarem a menina.

Se essa família não tivesse ido ao culto para ouvir a lenga-lenga do pastor sobre milagres, a menina não teria morrido; Se tivessem ficado em casa, a menina estaria aí, sem milagre algum. E com tantos milagres e tantos testemunhos que essa família ouviu, não foi contemplada com o milagre nem de proteção, nem de cura e muito menos com o milagre da ressurreição. Por ter crido em milagres a menina morreu, se não cresse em milagres, a menina estaria hoje com a família.

Paga-se dízimos, dá-se dinheiro para as campanhas, fazem-se ofertas e deus não faz descer o maná do céu, não dá emprego, não dá namorada bonita, não cura ninguém, nem dá segurança. Porque é isso que os crentes vão buscar nessas instituições religiosas. O pentecostalismo surge como um quarto poder, (temos três poderes: legislativo, executivo e judiciário)ou como um Estado paralelo e os dízimos e o dinheiro arrecadado fazem as vezes de um imposto celestial que é "revertido" em saúde, (leia-se cura) segurança, (leia-se proteção) emprego (sindicato, bem-estar social).

Nós pagamos muitos impostos está certo que os impostos não são revertidos da maneira correta, mas nós ainda temos uma polícia, (ineficiente eu sei) saúde, (SUS que está precarizado), os crentes com o seu Estado paralelo nem isso tem, por isso como os outros mortais dependem do Estado oficial.

Quem disse que milagres não ocorrem na Assembleia de Deus? O milagre é transformar coisas inexistentes como bênçãos, orações em dinheiro. Como disse Albert Einstein: "Há duas coisas infinitas, o universo e a estupidez. Estou em dúvida quanto ao universo".

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O mito da Criatividade - 70 anos de Batman


Tag Comemorativa

Neste ano Batman faz 70 anos, ou melhor, há este tempo o personagem foi criado por Bob Kane. Quero aqui render-lhe um pequeno tributo, a meu modo. Caramba! O que este cara está pensando? Falar de Batman no intelectualíssimo Bobo da Corte? Sim, eu responderia sim aos puristas e ao fim do artigo espero ter convencido de que valeu a "lauda digital" desperdiçada. Espero que Felix não deseje me matar por escrever aqui sobre isso...


Batman é um herói que marca uma mudança conceitual do tipo herói na DC Comics, uma mudança conceitual também para a cultura ocidental. É perfeitamente o oposto de Superman.


Superman tem seus poderes dada a condição especial sobre que nasceu, assim como outros heróis a um acidente especial que mudou suas vidas, a experiência científica a que foi submetido. Se pensarmos sobre uma análise das idéias que estão envolvidas na composição destes personagens veremos que eles nos falam de nossas próprias noções do herói, do homem de talento, do gênio.


Encurtando, para voltarmos ao Batman, o Superman e heróis com poderes especiais representam a nossa crença antiga em filhos dos deuses como Hércules, a pessoas previlegiadas por inspirações únicas, ao nosso mito cultural sobre a inspiração e a condição de sucesso como uma eleição dirigida por algo superior. Estes heróis são tipos alienantes uma vez que sua mensagem última é que "nós normais devemos deixar de buscar demais sonhos grandiosos, devemos deixar isso para os gênios da ciência, ao Superman, ao Bill Gates, pois isso de herói é para predestinados, para pessoas especiais."


Batman por outro lado, é humano, e aos oitos anos de idade, após uma sessão do filme do Zorro viu seus pais serem brutalmente assassinados. Mas ainda sim, Bruce Wayne é super rico, herdou um império de seu pai. Nada lhe custava abandonar tudo e viver uma boa vida de burguês. 


Wayne, no entanto, criou seu próprio caminho, não quis se calar diante de seu passado, ou contornar a violência sofrida por seus pais. Treinou dias e noites em sua mansão, recluso, foi para as ruas e começou a se preparar. Aprendeu sobre investigação e em alguns anos se tornou o combatente do crime. 


Batman representa a verdade sobre o sucesso, sobre a inspiração, de que Einstein e Darwin não foram previlegiados, (para citar alguns exemplos) mas apaixonados e obstinados por seus ideais. Darwin  colecionou besouros a infância toda, viajou durante cinco anos em pesquisa, publicou mais de uma centena de artigos menores ao retornar a seu país de origem para ganhar espaço e então depois de uma vida de dedicação escreveu "A Origem das espécie".


Batman ensina que basta acordar de seu real estado, sonhar com seu projeto de vida, investir em seu objetivo como seu principal projeto, ser obstinado e resistente as falhas e podemos ser herois.


Bruce Wayne abre o mundo do herói a todos. Celebremos os 70 anos deste grande herói!


Obs: O Mito da Criatividade é o nome do livro de Fábio Zugman, eu recomendo. Este post foi elaborado a partir da leitura do livro.

domingo, 22 de novembro de 2009

MAIS UMA GOTA NO OCEANO...


Boa Noite ao Leitores do Diário de um Bobo da Corte! Estou de volta! espero que não tenha pensado: Nossa, já??
Segue um texto escrito em 2004. Seu tema: Uma análise de Tempos Modernos, do audacioso Chaplin. Caso tenha pensado: Ixi, mais uma interpretação deste filme! Saiba que sim, pois se boas mensagens fosse fáceis de se disseminar, as pessoas saberiam mais frases célebres do que trechos de funk. Por isso sigo martelando...
TEMPOS MODERNOS


O filme Tempos Modernos de Chaplin, possue força sobrecomum no gênero. A possibilidade de significados para os signos utilizados para retratar a crise de 1936 , período entre guerras, se prolonga quase a exaustão; e é com esta força criativa e expressiva que o mesmo atravessa o "salão da casa do tempo", sem se deter, para fixar-se na constelação dos Clássicos.


Clássico é considerado todo produto da atividade artística que por si só estabelece-se como paradigma de seu tempo e para além deste plano se mostra atemporal, sempre atual e necessário. A grandiosidade começa desde a produção do filme, que trás como diretor e no papel de protagonista o insuperável Chaplin, que não satisfeito compunha as músicas de seus Filmes, como Smile (1) (2), que comprovam também a aptidão do mesmo para esta arte.


Obrigado a inserir sons no Filme, Chaplin que considerava o som no cinema como a massificação do mesmo, acaba distorcendo todos os sons existentes, excetuando sua primeira fala no cinema. A distorção além de protesto, contribui de forma notável para contextualizar sua obra, os sons de compreensão confusa são também uma forma perfeita e inovadora de afirmar que a comunicação e por conseqüência a própria razão naquele momento eram na verdade incompreensíveis, ou seja irracionais e não comunicativa, a coroação da razão instrumental.


Nos primeiros instantes surge a cena de um bando de animais, que é sobreposta pela dos operários saindo da fábrica. Esta montagem se mostra rica quando pensamos não somente no imediato, ou seja, que ali se vê a comparação do proletariado, do povo a condição de animais em bando, mas se lembramos que a primeira cena exibida no cinema foi também a da multidão , podemos pensar numa crítica mais ácida, que não se mostra impossível para o brilhantismo de Chaplin.


Ao sobrepor a manada com a cena da multidão é resgatado e criticado o próprio intuito com o qual o cinema principiou. Chaplin estaria a dizer de forma intertextual ao cinema , "olhe o cinema prometeu ser um espelho de seus anseios, mas o que a "indústria cultural, a indústria de massa" vêm desde então fazendo através dele com você é massifica-lo, torna-lo  uma regra, um animal, desrespeitando sua dimensão humano, a favor de uma situação "maquinal".
Outro aspecto interessante refere-se aos três ambientes onde a história se desenrola: A rua, lugar de manifestação, a cadeia, para onde o Estado mandava todo que representasse abertamente perigo a forma imposta e por último A fábrica, espaço de alienação e exploração, esgotam por completo a crítica a sociedade e os problemas da época. Chaplin assim enreda todas as possibilidades possível e relevantes, conseguindo tratar das três classes da época, e seu comportamento: à saber, o Estado e os poderosos, os militares e o proletário.


Momentos antológicos também não faltam. O protagonista na linha de produção apertando parafusos, não consegue nem mesmo no descanso, ou como será  mostrado mais a frente, nem mesmo fora da fábrica, abandonar os movimentos repetitivos, que demostram-se não só um desrespeito a criatividade humana, mas também algo que é capaz de arruiná-la. O homem nesta condição perde sua própria dimensão humana, sua liberdade, e sua forma de lidar com o mundo, com sua vida em sociedade, suas escolhas passam a ser determinadas pela sua forma de produzir, em uníssono com a noção marxista do processo de trabalho (1) (2).


A imagem do homem destruído pelo Sistema chega ao absurdo quando aparece a máquina de automatização de alimentação. Neste ponto a alimentação que é não só uma atividade fisiológica, mas de sociabilidade, entendendo-se aqui almoçar com os amigos e família,  deve ser automatizada para fins de produtividade. Não basta mais o homem chegar a empresa e trabalhar maquinalmente, para o sucesso da máquina, o ser deve se tornar máquina, e a máquina deve se tornar sua forma de pensar, de agir, de se alimentar.


Ocorrido mais alguns eventos novamente a imagem construída por Chaplin, se enche de significado. O protagonista que é engolido pela máquina da linha de produção, é também representado no Judas, o obscuro, de Thomas Hard,  o homem diante do nietzschiano  dragão de milhares de escamas, onde se vê escrito "tú deves", contextualizado para a época como máquina, mas universalmente inserido na problemática humana. Uma alusão ao processo de reificação do homem, a redução do ser diante da linha de produção a condição de coisa, também de engrenagem para os fins do processo.


Se não fosse a sutileza de Chaplin, a incapacidade do protagonista em lhe dar com as personagens femininas, fariam saltar lágrimas aos olhos. A mulher, representando a dimensão social, a afetividade, o mundo dos sentimentos reforçam a incapacidade do homem-máquina da época em lhe dar com sua própria natureza. A anulação de si mesmo que o processo causou, esta mesma anulação que torna tal sistema sustentável apesar de seu absurdo.


Por fim preso ao ser confundido como líder de uma manifestação, o protagonista se vê desrespeitado e tratado como nada ao ser regurgitado pela máquina. Mais a frente, o contra-senso, a mais triste realidade. Tratado como máquina, sugado pela fábrica e enfim descartado, o ser não encontra perspectiva possível, senão voltar ao seu lugar na linha de produção, ou em qualquer outro canto do mesmo Sistema que o descartou e tornou doente. A sua lógica é a da fábrica e do trabalho e para eles voltará, não é uma vida agradável em absoluto, mas já não pode enxergar para além do que viveu. O Sistema quer a miséria do maior número de indivíduos possíveis, pois a miséria é quem gera a ignorância e oprime. A ignorância é quem cega e a opressão, quem cala.


Seriam ainda inúmeras as imagens e as abordagens possíveis, tantas que perdem o propósito para um texto breve. Em fim Chaplin deixa-nos contudo uma visão de esperança. A cena final, onde o protagonista caminha de mãos dadas com a orfã, deixa em nossas mentes a possibilidade, a impressão de que em algum ponto do caminho, que percorrem em direção ao sol, serão felizes. Uma mensagem de esperança para seu tempo e o nosso.


Escrito originalmente em:12/05/2004. O texto não foi devidamente revisado.

Plantão Médico Homeopático

Vi esse vídeo na minha página de orkut, entre as atualizações de meu amigo Eli Vieira.

O serviço irracional da saúde por Richard Dawkins

Richard Dawkins faz uma abordagem acerca das medicinas alternativas e demonstra como são falsas e as "curas" realizadas por elas são apenas placebo.










quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Apresentação


Boa Noite ao Leitores do Diário de um Bobo da Corte!


Meu nome é Chris Robers e fui convidado para escrever no presente blog por meu amigo Fernando Rodrigues, ou Felix. Este é meu primeiro post grande novidade no blog!! e irei me limitar a falar um pouco de mim e qual minhas expectativas para os textos no blog.


Primeiro: Eu não sou comunista, socialista... nem sou anti...
Sou autor e proprietário dos blogs:
Olha o merchandising!!

A minha abordagem nos escritos para o blog serão, como indica a tag no topo do artigo, contracultural. Ah, fiz a tag para que facilite a identificação dos meus artigos assim fica mais fácil pularem o artigo tão logo vejam a figura.


Não gosto de senso comum e menos ainda de common sense. Assim como não gosto de verdade, por isso o que pretendo em meus escritos é apenas recolocar interrogações onde os demais já enxergam um dos sensos.


Pretendo postar uma vez por semana ao menos. Para meus posts irei usar sempre a tag contracultural.


Sou viciado em leitura e mulher, estudo livremente filosofia desde muito novo, me identifico com as idéias (ou boa parte delas) de Nietzsche, Sartre, Adorno, Horkheimer, entre outros. Mas também especialmente influenciado por minha formação Cristã, sem que isso me faça um religioso, mas sim um espiritualista. Religião é uma instituição, espiritualidade (definição grosso modo em psicologia) é o sentimento de que somos parte de um todo.


Um souvenir, já que falamos de religião e espiritualidade:
Costumo dizer que: religião é como culinária. Enquanto ser vivente temos uma necessidade essencial que é a fome - precisamos de nos alimentar-, mas o que defini se iremos devorar ovas, carne, frutas apenas, e se prepararemos o alimento cozido, frito, á moda indiana, ou se simplesmente iremos degustar crua, é a culinária. A forma de preparo do alimento é um fenômeno cultural, que não necessariamente tem por objetivo a necessidade essencial.
O mesmo se passa com a religião, esta é apenas uma manifestação cultural (que responde a outros anseios que não o natural) assim como a culinária. A necessidade essencial é a de integração, de encontrar-se no mundo, isto é espiritualidade.
Quem chegou até esta linha, muito obrigado pela paciência e até a próxima postagem!

Evolucionismo X fetichismo criacionista: resposta ao arrivista Malafaia. Parte 01












Meu velho pai, homem judicioso e sábio, costumava a dizer: Quem tem um olho, em terra de cegos vira rei.

E assim o é.

Em terra de analfabetos, qualquer sabichão que saiba falar díficil, afetar a voz e gesticular profusamente, acaba atraindo multidões e fazendo escola...

Tal o caso do Brasil.

Afinal quantos dentre nós gostam verdadeiramente de ler e se esforçam por compreender tudo quanto é lido?

Leitores até temos.

Leitores de hosróscopos, de revistinhas, de Paulo Coelho, do código Da Vinci, etc

Potenciais soletradores de traduções bíblicas por sinal...

Entretanto quão poucos são, entre nós, os leitores críticos e reflexivos ou seja aqueles que sabem dialogar com a obra que estão a ler.

E no entanto qualquer um desses soletradores de traduções bíblicas pode muito bem apresentar-se como iluminado por Deus e arvorar-se em pastor de almas...

Com o direito de pronunciar-se e de dar a palavra final sobre todos os assuntos possíveis.

De modo que tornou-se uma moda entre nós os pastores semi-analfabetos dogmatizarem sobre praticamente tudo: história, geográfia, biologia, física, química, direito, política...

Ora afirmam que seu sistema remonta ao tempo de Cristo (quando sabemos que foi inventado pelo fanfarrão Martinho Lutero no século XVI ou seja mil e quinhentos anos após a ascenssão de Cristo), ou que a terra não tem mais de seis mil anos, ou que as formas de vida sejam fixas, ou que é impossivel mensurar o carbono ou a radioatividade, ou que a lei de Moisés é superior a todas as legislações modernas, ou que aqueles que se recusam a votar no 'homem de deus' arderá eternamente no inferno...

De fato as pretenssões dos pastores protestantes parecem ilimitadas... é o frenesi teocrático...

Acreditando ouvir vozes celestiais o pastor acredita ser ensinado diretamente por deus sobre todas as coias. Por isso não teme abrir a boca para falar as maiores besteiras e disparates sem um pingo de constrangimento.

Vez por outra os pastores protestantes se lembram de que existe ciência ou Filosofia e tais lembranças bastam para suscitar um ódio mais do que feroz em seus corações mesquinhos.

Pois graças a Ciência e a Filosofia um número cada vez maior de pessoas tem aprendido a pensar, a raciocinar, a refletir, ao invés de se deixarem dominar, controlar, escravizar e estorquir pelos líderes religiosos sem consciência.

Graças a ciência e a filosofia o mundo deixou de ser teocrático para ser secular e livre. Com isto os pastores perderam grande parte de seus poderes e influência, mas milhares e milhares de vidas foram salvas...

Refiro-me aqueles que eram queimados como heréticos ou como bruxas em seus autos de fé.

Graças a ciência e a Filosofia um número cada vez maior de pessoas tem logrado emancipar-se da credulidade, da superstição e dos terrores inspirados pela falsa religiosidade.

Isto significa que quanto mais a Filosofia e a ciência se expandem pelo mundo afora, declina o número de dizimistas e contribuintes a custa dos quais vivem pastor, pastora e pastorzinhos vida fácil e folgada.

Daí a necessidade dos pastores sairem a liça em defesa de seu ganha pão, ou seja dos idiotas que lhes oferecem no mínimo um décimo de rendimentos já por receio de arder nas chamas do inferno, já com a intenção de obter graças e milagres de mancheia...

Afinal das contas Malafaia e seus comparsas apresentam-se como sendo os intermediários em tais negociatas nas quais os fiéis adquirem os favores da divindade através de contribuições financeiras. São eles os corretores espirituais responsáveis pelos investimentos invisiveis da congregação... novos vendedores de indulgências e outras mercadorias que não somos capazes de ver.

Como a ciência e filosofia põe em dúvida e existência de tais mercadorias invisiveis, os pastores voltam-se necessariamente contra elas e lançam mão de todos os expedientes possiveis com o pérfido intuíto de achincalha-las e de manter submisso o alavão que roja a seus pés.

E como os pastores afirmam em alto e bom som que são perfeitamente capazes de intervir magicamente no meio natural, fazendo com que brotem novos membros aos aleijados ou que mortos em estado de putrefação tornem a vida, não há doutrina mais apropriada, com o intuito de fundamentar suas alegações seão aquela segundo a qual o Supremo feiticeiro, numa manifestação vulgar de poder, produziu todas as coisas prontas, perfeitas, acabadas e imutáveis no decorrer de seis dias de vinte e quatro horas, após os quais exausto, teve de descansar...

Foi quando os pastores assumiram seu lugar e passaram a reformar a natureza seja produzindo novos membros, casando solteirões e solteironas encalhados, conseguindo emprego para os membros do mercado de reserva, etc

Por outro lado, caso a sabedoria divina, tudo esteja criando através daquele processo a que chamamos evolução, não há porque falar em intervenções ou em quebras daquelas leis naturais firmadas pelo próprio Legislador Supremo como expressão de sua vontade.

Pois não há necessidade de mudanças ou de alterações bruscas e artificiais onde elas já se sucedem, lenta, gradativa e naturalmente tendendo a perfeição.

Diante da beleza do processo evolutivo uma conclusão se impõe: a existência de milagres no decurso de toda a História humana ou seja no tempo presente não é somente desnecessária mas certamente oposta aquela sabedoria divina patenteada pelo curso natural das coisas.

Milagres não existem e se milagres não existem não precisamos de vendedores de milagres ou de traficantes de indulgências. Se milagres não existem a figura do pastor é de todo dispensável, pois o pastor só existe para iludir e alienar aos tontos com vãs promessas de milagres em troca de grana ou como dizem de dízimos.

Tal o fundamento de toda essa falsa e vã religiosidade: o pagamento de dízimos com o intuito de 'subornar' ao Deus de Jesus Cristo. Tal o fruto da falsa, vil e deletéria crença em milagres, não nos de Cristo certamente, mas nos de Malafaia e seus sequazes...

E tal a razão do ódio, do rancor e da colera que os pastores abrigam em seus corações com relação a Filosofia e a ciência a ponto de apresenta-las inclusive como manifestações diabólicas. E depois eles ainda reclamam e se fingem de vítimas quando lhos acusamos de obscurantismo!

Nós porém, que já fomos o que eles são, conhecemos muito bem seus truques, táticas, estratégias e por isso não fugiremos ao grave dever que se nos impõe: desmascara-los e mostrar ao povo que não passam de mentirosos, desonestos, intrujões, charlatães e trambiqueiros.

Afinal a própria escritura que vivem a citar lhos descreve perfeitamente como pastores de si mesmos que tosquiam as ovelhas e lhes chupam o sangue!

De um lado estão os pastores que oprimem e debilitam as ovelhas e do outro lado estamos nós...

De um lado estão aqueles que ganham rios de dinheiro graças a fábula criacionista e a boçalidade daqueles que lhos seguem em busca de bençãos, graças e mercadorias invisiveis e do outro nós que não ganhamos um mísero centavo furado assumindo a defesa do evolucionismo, mas que o fazemos por amor já ao próximo, já a verdade, já a nós mesmos enquanto seres pensantes.

Pois nem da ciência, nem do evolucionismo fazemos nosso ganha pão. Nosso pão ganhamos com o suor do próprio rosto, trabalhando duramente ao invés de estorquir e fraudar nossos semelhantes.

Não é nosso redimento ou nosso ofício que defendemos, mas a causa do Evangelho puro e verdadeiro, isento de fábulas e doutrinas estravagantes, a causa da ética e a causa da razão.





- Diz Malafaia: "Antes de tudo cumpre definir o que é Ciência e quais são seus métodos."

Comm.: Até aqui estamos de acordo.


- Diz Malafaia: "Não há definição única sobre o que é Ciência. Até mesmo entre os cientistas existem controvérsia, então vôce não tem uma definição única do que seja ciência."


Comm.: Já aqui o ministro protestante começa a destilar sutilmente sua peçonha, insinuando que a noção de ciência flutua ao sabor do relativismo pelo simples fato de que existem algumas variantes no que diz respeito a definição da mesma.

Ressente o pastor assembleiano de que não haja unidade no que diz respeito a definição do conceito de ciência.

E no entanto podemos dizer ao atilado líder religioso, que há muito mais unidade entre os cientistas a respeito do que seja ciência do que entre todos os pastores da face da terra a respeito do significado de um único texto bíblico ou melhor dizendo de um único versículo.

Partisse tal insinuação malévola de um Bispo ortodoxo ou de um sacerdote papista e não soaria assim tão mal, como soa de fato ao partir de quem parte: o seja de um ministro protestante... pois todas as pessoas medianamente bem informadas sobre assuntos de natureza religiosa sabem muito bem que se há uma coisa que não existe no protestantismo é unidade religiosa.

Afinal trata-se duma forma religiosa que só nos EUA comporta onze mil seitas diferentes, cada qual com a mesma tradução da Bíblia mas com uma doutrina ou um credo totalmente diferente dos demais...

Por ai se vê que entre os protestantes sequer há uma definição única de protestantismo (!!!), igreja, Cristo, alma, etc

Há cinco séculos que as seitas beligerantes estão em pé de controvérsia, sem que hajam chegado a um acordo sobre um único artigo de fé!!! Os sectarios protestantes já se queimaram uns aos outros, já se apedrejaram, ja se afogaram, já se agrediram a pauladas, etc mas tais ações não produziram resultado algum...

O Luterano lê a Bíblia de um modo, o calvinista de outro, o anabatista de outro, o wesleyano de outro, o congregacionalista de outro, o cristadelfo de outro, o glassita de outro, o adventista de outro, o jeovista de outro, e cada uma das centenas ou milhares de seitas pentecostais de outro...

Já os romanistas diziam e com plena razão que circulavam centenas de interpretações entre os protestantes a respeito da passagem: este é o meu corpo! Cinco termos e centenas de interpretações diferentes, imagina então quantos milhões e milhões de interpretações não devem grassar entre os protestantes com relação a totalidade das escrituras...

Se um pequeno texto basta para cindi-los assim, imagina o calhamaço todo...

Basta dizer que entre as duas maiores seitas pentecostais do Brasil: a Assembléia e a CCB - ambas guiadas pelo espírito santo - não há acordo sobre o véu, sobre o dízimo, sobre o modo de orar, sobre a maneira de se evangelizar, etc Para não falarmos das demais seitas...

Dir-se-ia que entre dos protestantes sequer pode haver acordo sobre o que é Cristianismo...

Não os protestantes não possuem definição alguma em comum e já foi dito que tomadas as suas seitas biblicistas em conjunto temos diante de nós a regeição de todos os artigos de fé pertinentes ao Cristianismo Histórico, para não falarmos nos novos artigos de fé, caracteristicos de cada seita...

Unitários, Cristadelfos, Jeovistas e judeus messiânicos regeitam a divindade do Verbo... jeovistas, adventistas, anabatistas e diversas seitas pentecostais regeitam a imortalidade consciente da alma humana... adventistas, jeovistas e diversas seitas pentecostais regeitam a doutrina do solifideismo... todos menos os calvinistas regeitam a teoria da presdestinação... etc, etc, etc

Dir-se-ia que estamos numa nova Babel na qual ninguém se compreende... e leem todos a mesma tradução do mesmo livro!!!

Como pois ousa o Malafaia insinuar que não há unidade no que diz respeito a definição de ciência proposta pelos filósofos?

Unidade não há no que diz respeito a fé protestante... segundo já Lutero dizia: Há tantas crenças quanto cabeças...

E o pastor ainda ousa atirar pedras ao telhado da ciência!!! Quanto cinismo, quanta cara-de-pau, quanta safadeza!

Caso Malafaia respeitasse de fato a doutrina do Evangelho teria primeiro tirado o argueiro de seu próprio olho, tratando de conciliar as disparatadas opiniões de todos os biblicistas, livre exaministas e protestantes do universo, para somente depois ter o direito de vir soprar o cisco do olho alheio!





Malafaia procura definir a ciência nestes termos:

"Ramo de estudos ligados a um corpo de verdades apresentada como fatos e organizadas sistematicamente."

Gostaria de saber de onde o egrégio ministro religioso tirou esta afirmação capenga, mas, como era de se esperar ele não fornece bibliografia alguma a seus ouvintes.

Afinal conhecendo-os como conhece-os sabe que não se trata de pessoas sérias, capazes de exigirem fontes e referências, mas de gente humilde e simples disposta a engolir tudo quanto saia de sua boca como oráculos baixados do céu. Do contrário, caso nosso conferencista tributasse ao menos um pingo de respeito para com sua assistência, haveria de indicar a publicação da qual extraiu a definição em questão.

De minha parte sustento que a definição de ciência fornecida pelo pastor saiu de sua cabeça ôca como Atena saiu da cabeça de Zeus seu pai...

Afinal a ciência não é um ramo de estudos, mas um "Conjunto de fatos,fenômenos e/ou saberes constatados por via de experimentação, racionalmente expressos em termos de de leis e teorias e sistematicamente organizados num só corpo."

A ciência não é um estudo mas objeto de estudo e basicamente pesquisa.

Seu método - Malafaia descreve-o pouco mais a frente - consiste na observação, da experimentação, na formulação da hipótese, lei ou teoria e na aplicação, geralmente sob a forma de previsibilidade e controle de situações.



Malafaia - "É importantíssimo salientar que a observação e a experimentação são os pontos chaves do método científico ou seja o paradigma ou môdelo de pesquisa a ser seguido... Sem observação e experimentação não pode haver ciência."


Embora tais palavas expressem a verdade no que diz respeito ao método científico, nem por isso expressa toda a verdade.

Afinal todo charlatão que se preze deve fazer uso da velha tática das meias verdades.

Na maioria das vezes é até mais produtivo dizer meias verdades do que propalar mentiras, pois as mentiras acabam vindo a luz enquanto que as meias verdades teem o condão de fazer com que os incautos repousem tranquilos sobre elas.

Daí a definição incompleta do sr Malafaia sobre os métodos científicos da observação e da experimentação. Certamente que o ministro protestante leu o livro por inteiro, limitou-se porém a recortar o que era de seu interese com o intuito de confundir, misturar, embaralhar e enganar aos mais ingênuos... leu tudo, mas só revelou a metade ao auditório, calando sobre o resto.

Afinal em qualquer livro de epistemologia científica que se preze nos deparamos com a menção aos dois tipos de observação: a observação direta ou imediata dos fenômenos ou seres a nós concomitantes e a observação indireta ou mediata dos fênomenos que ocorreram antes de nós em qualquer parte do tempo passado.

O primeiro tipo de observação é realizado no próprio ser ou fenômeno, daí o termo: observação direta, enquanto que o segundo é realizado nos vestígios deixados pelo ser ou pelo fenômeno ou em sua descrição.

Pouco mais a frente retomaremos esta demonstração e a desenvolveremos.



Malafaia - "Os evolucionistas dizem que a matéria é sempre eterna e que dela se originam todas as coisas."


Penso que neste passo o Malafaia esteja delirando.

De qualquer forma delirando ou não o Pastor esta mentindo e violando descaradamente a lei do Evangelho.

Mentindo e mentindo descaradamente pois são os materialistas e não os evolucionistas que afirmam a eternidade da matéria.

Alias Malafaia esta cansado de saber que apesar de suas maldições e pragas há um número gigantesco de Cristãos, religiosos, teistas, agnóstas, aditos a teoria evolucionista e que nenhum deles afirma a eternidade da matéria, bem como os cientistas.

Pois a maioria esmagadora e quase que total dos cientistas - como o mestre Hawking -admite não saber nada sobre o periodo anterior ao Big Bang e a origem da matéria, abstendo-se de especular sobre a questão.

Afinal a grande maioria dos cientistas é positivista ou agnósta, enquanto que o materialismo não passa de especulação metafísica, a qual a grande maioria dos cientistas é infensa e com a qual jamais nos deparamos em seus livros.

Portanto ao atribuir a especulação metafisica da eternidade da matéria aos evolucionistas e cientistas, Malafaia falseia por completo a verdade e atribui desonestamente ao adversário as idéias e teorias que prentende 'refutar'.

Pura desonestidade e patifaria, condenável sobretudo quando parte de alguém que tem o displante de apresentar-se como ministro ou discípulo daquele que condenou a mentira e que classificou aos mentirosos todos como Malafaia, como filhos do Diabo.



Malafaia - "Que o processo da evolução é tão lento que não pode ser observado... mas o que não pode ser observado não é ciência. Como é que se chega a conclusão segundo os evolucionistas que a bilhões e bilhões de anos houve uma explosão que deu origem a tudo isto se não havia ninguém lá para ver? Pela revelação da imaginação dos cientistas, portanto revelação não é como já falei um método científico. PORTANTO O EVOLUCIONISMO COMO JÁ FALEI NÃO PODE SER CONSIDERADO CIÊNCIA."


Ninguém pode negar que tais palavras e espressões são belas e que até haja verve nelas. Julgo inclusive que se tivessem permanecido confinadas ao estreito círculo de analfabetos e boçais a que foram direcionadas acabariam sendo entusiasticamente aclamadas como soberbas e geniais...

Afinal qual crente fanático não haveria de gritar amém e de se deliciar até mesmo com os erros de português e os barbarismos proferidos por seu guia espiritual?

Desgraçadamente - para o Silas - e felizmente - para nós - uma boa alma achou por bem dar tais palavras ao público, e como dar palavras a público é submete-las a crítica só nos resta a nós cumprir o triste ofício de urubus e de mergulhar em toda essa imundície fétida e pestilencial...

Afinal o que é manjar para uns não passa certamente de lavagem para outros.

Quando Malafaia afirma que o processo de evolução é tão lento que não pode ser imediatamente observado, mente mais uma vez.

É vezo dos criacionistas empregar uma linguagem toda artificiosa com o objetivo de insinuar que a evolução é algo finalizado, algo do passado ou algo que se encerrou há milhares ou milhões de anos, de modo a fazer-nos crer que não podemos observa-la de forma alguma.

Afinal recuado o termo da evolução para antes do surgimento da ciência ou da escrita, torna-se impossivel de observa-la de qualquer forma.

Já os padres da igreja, e após eles todos os escolásticos e teólogos até o século XIX, sustentavam que as fontes históricas legadas pelos antigos hebreus eram anteriores a todas as outras fontes legadas pelas antigas civilizações já porque se supunha que Moisés - que viveu no século XV a C (segundo os antigos bem antes) - o suposto e tradicional autor do pentateuco, fosse anterior aos escritores gregos mais antigos, como Homero. Foi deste modo que durante quase dois mil anos as fábulas compostas pelos hebreus a partir do décimo século a C, foram tidas em conta não só de História, mas de História sagrada...

Todavia quando no século XVIII os primeiros orientalistas puzeram-se a traduzir para as linguas ocidentais os monumentos dos indianos e chineses, a situação dos judaizantes ficou bastante díficil, a ponto de Voltaire e dos demais iluministas tripudiarem das ditas fábulas, tendo em vista a semelhança existente entre algumas delas e as recentemente coletadas no extremo Oriente de cuja vetusta idade se começava a suspeitar, em detrimento da dita 'história sagrada'.

No entanto não foi possivel chegar a qualquer conclusão definitiva, senão no decimo nono século quando os hieroglifos do antigo Egito e a escrita cuneiforme da antiga suméria foram decrifrados e exumados uma pleiade de registros milhares de anos mais antigos do que os registros hebraicos e dos quais os mesmos registros eram culturalmente dependentes e tributários. Neste momento toda essa balela de 'História sagrada' referente a origem do homem e do mundo caiu por terra...


Historicamente os registros hebraicos são mais recentes do que os registros babilônicos, assirios, egipcios e sumerianos, merecendo portanto menos credibilidade na medida em que se referem ao passado tanto mais longuinquo, não observado e tampouco conhecido pelos bárbaros hebreus.

Atualmente os criacionistas adotaram a mesma estratégia de apresentar a evolução ou qualquer fenômeno referente a terra como anterior ao surgimento da ciência ou da escrita e logo como impossivel de ser observado, apreendido e descrito.

Partem alias de crença segundo a qual tudo está definitivamente pronto e acabado, estando o mundo imutavelmente em estado de repouso.

Sabemos no entanto que não é assim, pois ainda que de modo constante ou segundo os mesmos processos, 'tudo flui' - ja o dizia Heráclito - tudo se transforma, tudo se modifica... é pois o universo dinâmico e não estático como desejam os criacionistas que não lho conhecem.

É pois absolutamente falsa a afirmação segundo as revoluções que deram origem a forma atual de nossa terra, cessaram... como é absurda, cretina e sobretudo falsa e desonesta a alegação de que o processo da evolução dos seres vivos encerrou-se a milhares ou a milhões e milhões de anos.

Queremis dizer com isto que todas as transformações porque tem passado a terra, a vida e o homem, são continuas e que estão a ocorrer ainda hoje, exatamente agora.

Neste axato momento não há fixidez alguma em sentido absoluto, nem com relação a terra nem com relação a vida. Tanto a terra esta se fazendo e refazendo, quanto a vida esta assumindo novas formas, se alterando e evoluindo... não há pois nada de 'pronto, acabado ou imutável' como pretendem os criacionistas.

O fixismo é uma ideologia falaciosa que só existe nas mentes fanatizadas de seus adeptos e não na realidade sensivel que nos cerca.

Portanto se não posso observar tais fenômenos 'in totum' ou seja em toda a sua abrangência e amplitude multisecular, que como afirmou o sofista Malafaia, pode chegar a bilhões e bilhõe de anos, posso observar a parte do processo que perdura até o dia de hoje ou melhor dizento uma parcela ou um fragmento dele.

Da pura e simples expansão do nosso universo, concluimos que não ocupava a totalidade do espaço que ocupa neste instante... Logo quanto mais recuamos no tempo recuamos necessariamente no espaço, até chegarmos a origem do tempo e do espaço que é o Big Bang. Assim pela mensuração do espaço e se sua expansão podemos calcular matematicamente o tempo em que a dita expansão se originou...

Certamente que ninguém pôde contemplar o primeiro impulso da grande explosão ou seu impulso inicial. Podemos no entanto observar e constatar os límites de nosso universo finito e dinâmico em franca expansão.

Logo sr Malafaia, a grande explosão, é em parte observável, logo ciência, enquanto o sr é um falastrão!

O mesmo se dá por exemplo com a formação das grandes planícies aluvionais do Indo, do Tigre e Eufrates, do Nilo ou mesmo do Amazonas... certamente que não podemos observar o inicio da formação das mesmas, podemos observar no entanto como continuam a ser formadas e ampliadas ainda hoje por meio de depósitos trazidos pelos rios e depositados nas fozes! Logo partindo do volume de lôdo depositado no terreno durante uma determinada parcela de tempo podemos calcular matematicamente e com cem porcento de certeza, a época em que tais planícies começaram a ser formadas recuando a milhares e milhares de anos.

É este dinamismo constante que ainda hoje determina a redução de carbono nos vestígios orgânicos ou de radioatividade em certos minérios e elementos ou ainda o acrescimo paulatino de sal nos leitos dos oceanos... Ora esse dinamismo constante é perfeitamente observável em nossos dias e pela mensuração de seu ritmo ou fluxo podemos calcular matematicamente a idade dos seres e das coisas com plena certeza.

Portanto o fluxo das transformações que ainda hoje ocorrem na terra - como depósitos de sal, erupções, formação de planicies aluvionais, radioatividade de certos minérios, diminuição de carbono em vestígios orgânicos, etc - depõe unanimemente contra a cronologia mais larga dos registros hebraicos segundo os quais a terra em que vivemos não teria mais do que sete ou oito mil anos na melhor da hipóteses.

Logo a História criacionista só pode ser a estórinha do Pitéco, na qual dinossauros e animais viveram juntos até que veio o dilúvio e afogou os primeiros seja porque Noé não se lembrou deles ou porque não coubessem na divina arca...

Do mesmo modo podemos observar transformações nos animais ou seres vivos e de fato os criacionistas desde os tempos de Linneu - Cuvier e Agassiz (o último criacionista de vulto nos pódromos da ciência) - tem admitido que as atuais formas de vida estão sujeitas a transformações e que portanto não são fixas.

Linneu que era um homem sábio e honesto mandou riscar da derradeira edição de seu "Systema Naturae" a afirmação segundo a qual nenhuma nova espécie poderia surgir e não o fez sem razão pois todos sabem que cavalos e zebras teem cruzado e produzido híbridos férteis...

Há séculos que os seres humanos tem 'transformado' artificialmente diversos tipos de plantas alimentícias a ponto de alterar sensivelmente suas caracteristicas originais, tornando-as inclusive mais resistentes em detrimento de matrizes originais que acabaram por extinguir-se quase que totalmente.

Os zoologos a seu tempo teem observado e descrito um sem número de transformações porque diversas espécies e animais teem passado no decorrer das últimas centenas de anos...

Portanto somente uma diminuta fração dos criacionistas mais fanáticos, agindo desonestamente, tem ousado negar os fatos e afirmar o fixismo. Creio que nenhum cientista metido a criacinista ouse afirmar o fixismo.

E no entanto o criacionismo deve ser fixista por coerência, como percebeu intuitivamente o arrivista Malafaia. Portanto todo o criacionista que se preza deveria afirmar com ele que as espécies foram produzidas prontas e acabadas... ou seja imutavelmente fixas.

Afinal porque Deus haveria de produzir algo de inacabado ou de criar algo de imperfeito?

Pois tudo que se transforma tende a perfeição, logo não é perfeito.

Por outro lado se os seres criados podem atingir a perfeição por meio de transformações e alterações em suas estrutura porque todos eles não podem ser fruto de transformações sucessivas ocorridas numa única célula original?

Se deus criou seres que são imperfeitos e logo capazes de se transformarem e de evoluir em demanda da perfeição, porque se deu ao trabalho de criar tais seres ao invés de produzir uma única matriz da qual todas partissem por transformação evolutiva?

Ou o criacionismo se tornará fixista nos termos em que foi concebido pelos bárbaros hebreus, ou morrerá no instante em que for condescendente com os fatos.

Pois os fatos testificam insofismavelmente que as formas de vida não são fixas, nem acabadas, nem imutáveis como afirma cinicamente o sr Malafaia, estando ainda hoje sujeitas a diversos modos de alteração.

Foi justamente este conjunto de transformações acumuladas durante milhões e milhões de anos que produziu novas espécies. Hipótese que foi corroborada já pelo estudo da embriologia, já pelo estudo dos orgãos vestigiais, já pelo estudo comparativo dos fósseis... assim os vestigios observados pelos cientistas corroboraram este fragmento ou parcela do processo que nos é dado verificar ainda hoje. Afinal o que se altera e transforma hoje bem pode ter se alterado e transformado ontem e sempre.

É totalmente falsa portanto a afirmação de Malafaia segundo a qual a evolução dos seres vivos não é observável. É duplamente observável sim já pelas transformações que ainda hoje se processam nos seres, já pelos vestígios das transformações que ocorreram no passado.

Observável, logo científico.

É pois científico, real e absolutamente verdadeiro o processo evolutivo e falsa a teoria magico/fetichista do criacionismo, a qual por sinal jamais foi ensinada por Jesus Cristo.

O Diário de um Bobo da Corte não é stalinista.

Quero comunicar aos leitores do Diário de um Bobo da Corte que aqui neste blog temos alguns colaboradores:

Domingos (que vocês já conhecem)
Ravick (igualmente conhecido porque já falei dele algumas vezes)
Kléber (que escreveu apenas um artigo)
Alex Altofer (pessoa que admiro muito pela erudição e fé cristã)
Chris Robers (o mais novo membro que me ajudou muito, foi ele que mudou o visual do blog, com um fundo vermelho com a foice e o martelo)

Eu sou comunista, Domingos também é, Ravick não é comunista, o Kléber também não e tampouco o Alex e o Chris Robers o são.
Esses meus amigos tem plena liberdade para escrever o que quiserem, podem discordar de mim, mesmo porque não sou dono da verdade e se um dia quiserem sair do blog como colaboradores se assim o desejarem, e não vou ficar magoado.

Aqui temos cristãos e agnósticos, todas essas pessoas acima citadas lutam por um mundo melhor, por um mundo mais humano, por isso lhes deixo aberto o acesso para escrever o que bem entenderem, pois sei que não são adeptos da doutrina capitalista "da exploração do homem pelo homem" e nem são adeptos de crendices. Era isso o que eu queria falar, o recado está dado.

O Rap deveria ser proibido!

Acho que uma de minhas facetas que meus alguns de meus amigos não conhecem é que além de gostar de ópera, música clássica, cantos sacros, etc... também gosto muito de rap, rap, é isso mesmo que você leu.

Passei toda a minha adolescência ouvindo rap, bons tempos que não voltam mais. O rap semeou em minha alma a consciência das injustiças, e essa semente cresceu e se tornou a árvore da indignação.

Posso dizer que em muitas das redações que fiz na escola foram baseadas nos raps que eu ouvia. Desde que me conheço por gente sempre tive uma veia socialista, e creio que o rap ajudou essa minha veia socialista a aumentar.

Deixo aqui alguns vídeos de rap conscientizadores. Não espero que gostem, espero sim que reflitam nas letras e que possam sentir a mesma indignação que sinto diante das injustiças.

Em tempo: O Rap não é música de marginal, mas de marginalizados, i.é, pela sociedade burguesa que jogou e joga multidões na miséria.











quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A égua de Tróia do socialismo brasileiro.













De Gaule dizia que nosso país não era um país sério e há quem até hoje fique indignado ao ouvir tais palavras.

E no entanto é assim mesmo.

Bastar ir a praça da Sé ou ao viaduto do chá e gritar bem alto: Doutor, para que noventa e nove porcento dos passantes voltem suas cabeças na direção daquele que está chamando, certamente porque todas elas consideram-se doutores não apenas numa mas numa infinidade de matérias cujos conteúdos supinamente ignoram...

Sofre o nosso povo duma enfermidade terrível: doutorismo crônico e tal enfermidade tem levado boa parte de nossos patrícios a discorrer longamente sobre questões a respeito das quais não possuem um pingo de conhecimento.

Talvez por isso, as siglas ou nomes não sejam respeitados aqui e tudo que é neoliberal ou sei lá mais o que ouse afirmar-se como socialista...

Não sei se tais pessoas ousariam faze-lo em Londres ou Paris, aqui entretanto até mesmo Von Mises, Hayek e Friedman, poderiam posar muito comodamente como socialistas adquirindo uma carteirinha do PSDB ou do PSL...

E o pior de tudo é que o povo simples crê piamente nesses jargões e acaba comprando gato por lebre, ou seja, elegendo um 'socialista' que se opõe, por exemplo, a redução da jornada de trabalho de quarenta e quatro para quarenta horas semanais...

Afinal já tivemos um 'socialista' que vendeu a Vale do rio doce a preço de banana e que desejava abolir duma só vez todos os direitos e garantias legados pelo velho Vargas ao trabalhador brasileiro...

Durante a constituinte de 88 o 'socialista' José Serra - atual governador do Estado de São Paulo - votou praticamente contra todas as propostas que beneficiavam de algum modo aos trabalhadores brasileiros...

E por ai vai...

É a farra do socialismo.

E no entanto valores há que são comuns tanto a socialistas quanto a liberais, na medida em que nós socialistas, também somos tributários da primeira fase da Revolução Francesa, desejando não revoga-la ou arrenega-la, mas ultrapassa-la...

Entre os valores comuns entre os liberais de boa cepa e os socialistas esta o 'caráter secular' do governo e de suas instituições.

Isto significa que tanto no regime liberal - implantado em nosso paìs a 15 de novembro de 1889 - quanto no socialista, o Estado e a religião ou a igreja caminham separadamente, cada qual seguindo seu caminho... Sendo de todos o Estado só poderia professar uma determinada crença caso vigorasse a unanimidade absoluta no plano religioso.

É exatamente o que não ocorre, pois nossos cidadãos e/ou contribuintes que exercem fé, exercem fé em diferentes credos e instituições, vigorando total desacordo entre eles...

Tal desacordo é o que faz da fé ou da crença uma questão particular ou pessoal a ser resolvida no recondito dos lares e a ser professada em templos e não afirmada pelo Estado. Pois o Estado pertence a todos e não a este ou aquele com exclusão dos demais.

Mantendo-se a perfeita igualdade entre todas as formas de fé, sem que qualquer uma delas seja privilegiada pelo governo e salvaguardando o cárater laicista de nossas instituições públicas o Estado mantem o vínculo da paz entre todos os cidadãos e contribuintes, os quais doutra forma se sentiriam excluidos e menosprezados...

E tal menosprezo se traduziria em distúrbios, violências e conflitos; renovando entre nós as idiosincrasias medievais.

Portanto, mesmo nós que professamos uma determinada crença, devemos ser gratos aqueles cidadãos que no ano de 1889 separaram a Igreja do Estado, estabelecendo a igualdade religiosa e a plena liberdade de cultos.

Desgraçadamente nem todas as pessoas religiosas - por falta de conhecimento de causa - subscreveriam nossa afirmação. Pois parte dos líderes e súditos religiosos ainda sonham com um Estado teocrático, dominado pela religião.

Naturalmente que elas não planejam uma conjuração ou intifada com o intuito de tomar posse do Estado, pois sabem que não tem força suficiente para tanto e temem sobretudo uma reação das forças seculares...

É por isso que certas formas religiosas tem se esforçado por apropriar-se sutilmente do aparelho educacional público e por burlar seu cárater laicista ou secular.

Durante mais de dois séculos a igreja romana susteve uma luta titânica contra as nações, com o objetivo de permanecer em posse do aparelho educacional - até então mantido pelas ordens religiosas - e garantir o domínio sobre as consciências. Felizmente esta luta terminou com a tomada do aparelho educacional pelo Estado, pelo fortalecimento da consciência secular e pela separação entre as duas instituições, a política e a religiosa...

Hoje é o protestantismo que deseja apropriar-se do aparelho educacional público com o objetivo de descaracteriza-lo e sua estratégia chama-se CRIACIONISMO.

A primeira vista e num primeiro momento as pessoas mal informadas tendem a imaginar que se trata duma questão meramente biológica e no entanto a questão em fóco transcende, e muito, aos acanhados límites da biologia, embrenhando-se pelos terrenos da filosofia, da epistemologia, da sociologia e da política.

Tal a magnitude do debate que envolve criacionismo e evolucionismo, debate que como a Coca Cola, o Mc Donalds, a Nike e o protestantismo foi importado dos Estados Unidos.

Penso que todos os leitores saibam de cor a História do profo Scopes, levado aos tribunais pelos fanáticos pelo puro e simples fato de ter ensinado e Evolução em sala de aula!

Por ai se vê o maravilhoso acolhimento dado a fé pela ciência...

Nem é preciso lembrar Copérnico sendo chamado de doido varrido por Martinho Lutero, Galileu condenado pela rota romana, Nils Celsius anatematizado pela universidade luterana de Upsala, Priestley tendo seu laboratório destruido por uma malta de fanáticos enfurecidos, etc

Maravilhoso acolhimento este da ciência pela fé!!!

Pena que Ed. Jenner não viveu para ouvir isto...

A estas horas os ossos de Darwin devem estar saltitando na sepultura... pois quem ignora as injúrias com que os clérigos como wilbeforce lho mimosearam? As caricaturas repugantes? As ameaças?

Maravilhoso acolhimento...

Diante de tais fatos ouso afirmar que - para tantos quantos, sejam liberais ou socialistas, sustem o cárater leigo do Estado - não há debate mais importante do que este travado em torno do ensino do criacionismo nas escolas públicas.

Quem levar a melhor neste terreno é que lançará as bases da sociedade do futuro...

Pois o criacionismo, como veremos, implica numa negação dos límites e dos domínios concernentes a ciência e a religião e numa tentativa, por parte da religião, de invadir um domínio que não lhe pertence.

Implica portanto numa ideologia ou numa visão de mundo mágico/fetichista.

Muito me estranha portanto que uma provável candidata a presidência do Brasil, se apresente simultaneamente como socialista e criacionista...

Em que pese a boa fé alheia e o ditame segundo o qual "A caridade tudo crê..." sequer posso compreender como alguém possa ser protestante e socialista.

Afinal uma analise pormenorizada dos fundamentos históricos, geográficos e sociologicos do protestantismo remete-nos sempre e invariavelmente ao individualismo, que é a antitese do socialismo.

Analise corroborada no fim das contas pelos fatos extraidos da própria História, seja por Max Weber, em sua monumental obra "A ética protestante e o espírito do capitalismo", por Tawney, Fanfani, Huxley... e tantos outros.

Como conciliar a monstruosa e abominável 'teologia da prosperidade' - autêntica venda de indulgências em pleno século XXI - enunciada pelo líder assembleiano Silas Malafaia, e o pretenso 'socialismo' da candidata do PV?

Como ser capitalista selvagem no plano espiritual - a ponto de injuriar ao próprio Deus, apresentando-o como um grande capitalista ou chefe de empresa - e socialista no plano temporal?

Como esconder o fato que que a maior nação protestante do universo é o grande centro e bastião universal do capitalismo?

Com o negar que essa multidão de evangelistas e missionários enviados a Porto Rico, ao México ou ao Iraque com fins proselitistas não obedece igualmente a um plano político traçado por Whasington?

Como negar que no Peru, no Brasil e em todos os países vizinhos as bancadas protestantes sempre combateram ativamente o socialismo e as reformas por ele inspiradas afirmando, inclusive a posse da propriedade privada como dogma de fé revelado por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por estas e muitas outras razões não compreendo como seja possivel ser socialista de verdade e protestante ao mesmo tempo...

Desconfio pois do discurso da pré candidata Marina Silva e lho encaro como uma possivel estratégia empregada com o objetivo de cindir as forças socialistas diante do adversário mais perigoso: José Serra.

Trata-se penso eu duma tática destinada a evitar que Dilma esmague o tucano já no primeiro turno...

Seja como for, caso Dilma não vá para o segundo turno, um bom número de socialistas (dentre os quais me incluo eu), anulará seu voto... afinal não vemos diferença alguma entre a ex ministra criacionista e o atual governador de São Paulo. A nosso ver tanto um quanto outro estão a serviço de poderes e de ideologias estranhas ao nosso meio.

Tanto o capitalismo quanto o protestantismo são elementos pertencentes a anti-civilização Yankee e não a cultura brasileira...

Presidentes neoliberais já lhos tivemos para a nossa desgraça, entretanto jamais tivemos presidente que fosse simultaneamente neoliberal e protestante como o Bush.

Afinal, o livro de cabeceira de Bush também era a Bíblia, incluindo aqueles livros do Velho Testamento nos quais as guerras são apresentadas como ordenanças divinas (daí as guerras no Iraque e Afeganistão)...

Como amigo da paz que sou - Pois Jesus disse: bemaventurados os pacíficos - tenho medo da ex ministra... (Regina Duarte por muito menos não dizia ter medo do Lula!)

Por isso convem analisar o discurso da mesma, salientando os erros de que esta inquinado com relação a epistemologia e o ensino.




Ministra - "O Livro do Gênesis enfatiza o cuidado com que o homem deve tratar a natureza... nos mínimos detalhes a Bíblia se preocupa com a natureza."


Resposta - Absolutamente falso.

Pois foi justamente o vigésimo oitavo versículo do primeiro capítulo do Gênesis - enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. - que serviu de estimulo para que os capitalistas, exploradores, comerciantes e industriais "Cristãos" depredassem o meio ambiente durante os últimos quatrocentos anos, inspirando inclusive diversos sermões publicados por pastores entusiastas do progresso econômico nos EEUU.

De modo que o Submeter e o Dominar acabaram sendo compreendidos como Tiranizar e Extinguir...

Afinal após a humanidade ter se desviado, rezam os livros dos judeus, que o deus arrependido, enviou uma tremenda enchurrada, que submergiu até mesmo os Andes e Himalaias e de cabo de todos os animais e de boa parte das plantas existentes, embora eles não tenham cometido delito algum...

Tal a dominação divina!!! (O homem peca e os animais e plantas é que pagam o pato)

Em Êxodo 9,6 o deus dos judeus lançou uma praga sobre os animais do Egito fazendo com que perecessem todos, embora não lho tivessem ofendido...

Ou crê a ex ministra que os animais também pecaram?

Ou que o deus dos judeus foi justo punindo-os sem que tivessem pecado?

Não contente com isto - em Êx 9,9 - o 'deus que domina com amor' cobriu os animais remanescentes do egito com bubões e úlceras!!! E ele faz isto com aqueles que ama... imagina o que não faria com aqueles que odeia (???)

Também os animais que não tiveram inteligência suficiente para fugir a saraiva enviada pelo deus iracundo a terra do Egito, vieram a perecer esmagados. Êx 9,25

Além disto o deus ecológico da sra ministra também fez quebrar as árvores dos campos...

Teriam as árvores pecado e ofendido ao supremo Criador Dna Marina?

Também este deus sanguinário e vampiresco - tal e qual as divindades pagãs - exigia a imolação de duas ovelhas sem mancha por dia, a de um cordeiro por pessoa durante a páscoa e a de hecatombes durante as neonêmias, fora os demais sacrificios - ordinários - com sujo odor nauseabundo se deleitava.

Sendo que até hoje os animistas imolam animaizinhos inocentes fundamentados nas fanfarronices do pentateuco. Pois segundo Lutero cada quel pode examinar ou interpretar a sua moda... de modo que se alguns compreendem que tais sacrificios foram abolidos por Nosso Senhor Jesus Cristo, outros compreendem que não e vão dando seguimento ao morticínio, fundamentados no livro...

Além disto a lei dos hebreus separava os animais em puros e impuros sem qualquer base científica, biologica ou nutricional; levando em conta os totens e tabus das antigas tribos.

É assaz fácil para nós ridicularizar os inquisidores medievais porque mandavam queimar gatos pretos... no entanto nos tão idolatrados livros de Moisés, nos quais se espelha a ex ministra Marina Silva, esta determinado que o boi responsável pela morte de um ser humano, seja apedrejado!!! Como se o boi tivesse juízo ou fosse responsável... e ainda há quem se atreva a dizer que tais livros são palavra de deus.

A meu ver não são sequer palavra de homem sensato e ajuizado!!!

Em Juizes 20,48 nos deparamos com o seguinte registro: "(Entrementes), os israelitas tinham-se voltado contra os filhos de Benjamim e passaram ao fio da espada tudo o que lhes caía nas mãos nas cidades, desde os homens até os animais."

Tenho pois medo de quem quer que espelhe suas ações nos livros bárbaros e selvagens legados a humanidade pelos antigos hebreus.

Os quais diga-se em alto e bom som jamais possuiam qualquer gráu de consciência ecológica.

Nos mínimos detalhes o Velho Testamento se ocupa de como dominar, submeter e exterminar a natureza, apresentando deus inclusive como um torturador e matador de animais.




Ministra - "É impossível crer em deus se não crer que ele criou todas as coisas."


Resposta - Impossivel creio eu é alguém se socialista e protestante, ou socialista e filiada a teologia da prosperidade ou socialista e criacionista, isto sim creio eu é impossivel...

Para ser suscinto perguntaria a sra ministra: sim mas COMO ele criou todas as coisas, porque se criou através da evolução ou evolutivamente como propoz Teilhard Chardin, não tenho nada a objetar, exceto que tal afirmação não pertence ao campo da ciência empírica ou da biologia (não podendo ser ensinada em tais aulas) mas sim ao campo da filosofia ou da metafísica, ao qual cabe refletir sobre as constatações físicas, químicas, biologicas, etc sacando as corretas deduções.

Portanto a questão não se Deus dirigiu ou não a evolução - discussão que não pertencem nem a ciência empirica nem a religião, mas a filosofia - mas sim como Deus criou o mundo: se por processo evolutivo ou imediatamente...

Evidentemente que - a excessão de 1% de romanistas educados ( os quais a meu ver não são criacionistas ) - os criacionistas protestantes em sua quase que totalidade respoderão a questão nos termos de GÊNESIS - POIS SEU LÍDER SILAS MALAFAIA DIZ "CRIOU TODAS AS COISAS COMPLETAS E ACABADAS" - deus fez um espantalho de barro e soprou-lhe as ventas... depois tomou a costela do homem e moldou a mulher.

Agora veja ministra, se nas aulas de biologia não deve haver espaço sequer para locubrações metafísicas sobre o propósito ou não da evolução (pois tais locubrações pró ou contra - neste caso o ateismo - ultrapassam aos fatos) o que dizer então de 'Gênesis'???

Pois trata-se de um livro religioso quem nem todos os nossos alunos consideram enquanto tal e que pode ser interpretado diferentemente por cada aluno! Trata-se pois de um documento pertinente a fé e que por ser pertinente a fé não pode nem deve ser introduzido na escola pública. Pois a escola pública não pode nem deve reconhecer ou promover símbolos ou livros de natureza religiosa.

Introduzir o gênesis ou a narrativa hebraica da criação ou a teoria da criacão mágica na escolas pública é anti-constitucional e deveria ser qualificado como crime.

Pois a escola só pode dar espaço ao que é válido para todos, como as observações, experimentações, constatações e sistematizações científicas baseadas em nossas percepções sensiveis e, logo, demonstráveis.




Ministra - "Se nós não sabemos explicar algo, não podemos ter a pretenssão de dizer que não existe... pois a fé é exatamente isto: crer sem entender."

Resposta: É exatamente este o problema Dna Marina, pois não é tarefa da religião explicar os fenômenos de ordem material ou natural como o universo, a vida, o homem ou a sociedade. Enquanto fenômenos perceptíveis e captáveis tais fenômenos devem ser explicados pela ciência e não pela religião, a qual possui uma esferam que lhe é própria e que a ciência - SEMPRE RESPEITOSA - jamais revindicou para si: o imaterial, o espiritual, o transcendente e o divino e tanto mais é nobre uma religião - como a do novo testamento - quanto mais se conforma e se contenta com tais principios.

Explicar o origem do universo pertence a física, explicar a forma do universo pertencem a química e a geologia, explicar a origem e desenvolvimento da vida pertence a biologia, explicar a origem do homem pertence a História, explicar a natureza do homem pertence a Filosofia e a psicologia e explicar a origem e a evolução das sociedades pertencem a sociologia...

E no entanto formas religiosas há que pretendem substituir todas estas ciências por um livro escrito cerca de mil anos antes de Cristo e baseado em tradições sumerianas que remontam a quantro mil anos antes de Cristo ou seja a toda uma literatura composta antes do surgimento da ciência...

E o cúmulo de tudo isto é que o próprio livro se apresenta - cada vez mais (o NOvo Testamento totalmente) - como um livro espiritual ou religioso, cuja temática é Deus e o futuro do homem após a morte. São os interpretes portanto, ou seja, os homens, que fazem ou pretendem fazer dele uma panacéia universal.

Não tenho portanto nada, aboslutamente nada, contra o Testamento Velho, se recebido numa perspectiva religiosa, Cristã e espiritual, o problema é que Malafaia, Marina Silva e seus confrades recebem-no em sentido puramente literal pretendendo imiscur-se dogmaticamente nos terreno da ciência e negar suas constatações.

Pois a ciência, em que pese suas limitações, possuir metódos e instrumentais aptos para elucidar todos os femômenos materiais, naturais, e perceptiveis que pertencem a sua alçada. Sabe explicar perfeitamente é é capaz de demonstra-lo enquanto construção coletiva ou social, edificada graças aos esforços e sacrifícios de uma pleiade de homens sérios, capazes e abnegados.

Dizer que a ciência é incapaz de explicar o que se propõe, partindo do fato de que suas constatações são passiveis de correção e aperfeiçoamento, é a maior injúria que se pode lançar sobre a memória de seus construtores, pois é justamente este padrão corretivo, que leva-a a desconfiar e a repetir as experiências, que constitui sua maior garantia e sua excelência. Ela só seria desonesta caso revindicasse para si uma infalibilidade que não possui, pois não é necessário que os cientistas sejam infaliveis como os santos apóstolos e matéria de fé, para que as constatações científicas sejam verdadeiras...

No frigir dos ovos 2 + 2 = 4 ou os três lados do triangulos são afirmações tão divinas e infaliveis quanto a santa Trindade. A evolução dos seres vivos também o é.

Podemos ignorar os detalhes sobre como ela veio a ocorrer, mas não nega-la enquanto processo. As téses que lha pretendem explicar podem comportar falibilidade e erro mas não o fenômeno em sí da evolução.

Em suma se como a própria Marina confesa trata-se duma questão de fé, está ai um bom motivo para não leva-la as escolas, porque as outras pessoas, adeptas de outras religiões não partilham dessa fé...



Ministra - "A ciência esta presente na Bíblia como um dos dons de nosso Criador."

Resposta: Falso. O Testamento Velho foi quase que totalmente composto antes do alvorecer da Ciência grega ou baseado em tradições muito mais antigas.

Já o Novo Testamento em parte alguma aborda questões de ordem material, natural ou científica, sendo um documento plenamente religioso ou espiritual pertinente aos mistérios divinos.

Assim sendo o Testamento antigo esta inquinado de afirmações falsas no que diz respeito ao mundo e aos seres vivos.

Basta dizer que a dita 'ciência bíblica' classifica o morcego - que é um mamifero - entre as aves e a baleia - que também é um mamifero - entre os peixes.

Sem falarmos na origem recente da terra - 4004 ac - na luz e nas plantas surgindo antes do Sol e da Lua, nas comportas do céu, no dilúvio universal e noutras monstruosidades clamorosas...




Ministra: "No espaço da fé a ciência é acolhida."


Resposta: Só se for a falsa ciência fabricada na UNASP.

Nobre sra como educador eu mesmo posso testemunhar publicamente a respeito o verdadeiro ódio acalentado pelos alunos fundamentalistas e fanatizados pelos seitas no que diz respeito ao conhecimento científico.

Ex ministra, tenha a bondade de assistir a defesa do "Criacionismo" feita pelo sr Malafaia e posta a circular no Youtube e veja que acolhimento maravilhoso os líderes de sua seita dão a ciência:

"Evolução não é ciência." proclama o arrivista...

Como poderia ter dito e de fato diz: "psicanalise não é ciência."

"Uniformitarismo não é ciência."

"Socialismo não é ciência."

Afinal o que é ciência para o Malafaia e seus pares?

O que lhes agrada e convem...

E no entanto sua interpretação da Bíblia não passa de interpretação ou de uma interpretação entre milhares de milhares...

Pois no momento em que os fundamentalistas atribuem a divina revelação um conteúdo, material, natural ou científico partem necessariamente duma crença a priori, enquanto o método da ciência é a posteriori...

Portanto a defesa do uniformitarismo e/ou do criacionismo parte de tabus ou de preconceitos teocraticos infensos a ideologia científica. Pois onde há idéias fixas, tabus e preconceitos não pode haver isenção, observação ou experimentação...

É impossivel demonstrar a evolução a um criacionista porque sua vontade, dominada pelo fanatismo, sempre baterá o pé e se negará a admitir a demonstração.

Portanto não e nem poderia haver qualquer acolhimento ou qualquer simpatia pela ciência da parte da mente fundamentalista, teocratica ou fetichista.

Antes há uma total inimizade e conflito entre ambas e tal conflito não pode ser disfarçado. Por isto somos autorizados a afirmar em alto e bom som que o protestantismo nos termos biblicistas, conservadores e tradicionais é incompátivel com o pensamento científico e infenso a marcha da civilização.




Ministra: "Gostariamos muito que no espaço científico houvesse espaço para a fé, como ela dá a ciência."


Resposta: Falácia...

Nenhum pastor protestante como o Silas jamais fraqueou ou franqueará seu púlpito a um biologo evolucionista.

E no entanto tais pastores, que sequer são graduados em Biologia, intrometem-se em geologia e em biologia do alto de seus púlpitos, embora os professores de bilogia geralmente não se intrometam em questões religiosas durante suas aulas... (o que é muito mais honesto mas desvantajoso para os professores)

Mas vá lá...

Mas a que fé daremos espaço em nossos laboratórios e escolas se como já dizia Lutero há tantas fés quanto cabeças?

A dos espiritas, a dos romanos, a dos ortodoxos, a dos anabatistas, a dos budistas, a dos maometanos, etc, etc, etc

Deste modo a ciência se converterá numa feira e a escola num campo de batalha Dna Marina...

No espaço científico não há e nem pode haver espaço para fé, religião ou credo, porque são áreas ou campos distintos do saber.

A Fé trata do que não se vê, ou seja do invisivel (e não do mundo que se vê) Dna Marina.

Enquanto a ciência trata apenas e tão somente do que se percebe, observa, experimenta, constata e demonstra ou seja do que é material, substancial e visivel.

A religião trata do noumeno ou do numinoso, do transcendente, do imperceptivel...

Enquanto a ciência trata dos fenômenos captados pela sensibilidade ou seja por nossos sentidos.

Logo não pode haver espaço algum para a fé na ciência, pois a fé não é material, visivel, perceptivel e esperimentalmente demonstrável...

Querer introduzir a fé na ciência é querer por peixe fora dágua...




Ministra: "A Ciência se faz pela multiplicidade de olhares."

Resposta: A ex ministra parece ignorar supinamente o que quer que seja epistemologia.

Pois a ciência não é algo relativo, que comporte multiplicidade de olhares. O único olhar que a ciência comporta é o olhar científico que é o seu.

Tampouco é a ciência um produto da cultura se maiores cominações objetivas.

Ciência não se faz com opinião, gosto, crença, boa vontade, etc mas com um método próprio, que lhe é característico.

Consiste este método em observar o que se deseja investigar.

Em estabelecer uma hipótese.

Em iniciar experiências e em formular leis e teorias sistematizando nossos conhecimentos.

Este é o único olhar da ciência, olhar que devassa e deslinda seus objetos, apreendendo algo sobre suas estrutura ou algo que esta neles e que pertence a eles.

É isto que faz com que a ciência não seja uma mero olhar ou uma opinião subjetiva, mas um conhecimento objetivo, que predica sobre uma qualidade ou caracteristica constatada experimentalmente no ser e que nos auxilia a conhecer o este ser enquanto tal ou como é.

A ciência não é subjetiva ou relativista.

Subjetivas e relativistas são as leituras e interpretações que os diversos sectários fazem da única e mesma Bíblia. Aqui sim há uma multiplicidade infinita de olhares e ninguém se entende, pois ninguém sabe do que está falando.



Ministra: "Se vôce tem uma visão criacionista e vôce coloca claramente a outra visão que é o evolucionismo faz com que as pessoas tenham liberdade para escolher o que querem... o errado é se não fosse ensinado essa visão plural capaz de mostrar os diferentes pontos de vista para que as pessoas saibam escolher."

Resposta: Errado Dna Marina.

Não há como ter duas visões sobre o mundo material e natural, pois é aos sentidos e a razão que cabe deslindar o mundo material e natural e não a fé que tem seu objeto próprio: as coisas divinas e celestiais ou espirituais.

O campo do universo, da vida, do homem e da sociedade pertence a ciência e não a religião, a qual imiscuindo-se neste terreno só faz mostrar suas pretenssões teocráticas as quais comportam em última analise o domínio da sociedade.

Alias não há duas visões mais dois tipos de conhecimentos bem distintos cujas áreas são totalmente distintas: A crença e a Ciência.

E se há uma desrespeitosa invasão não é da ciência que ela procede...

A ciência não pretende julga a Trindade, a Encarnação, a Redenção, a imortalidade, o juizo final, etc

A seitas fundamentalistas e judaizantes é que pretendem julgar a geologia, a física, a química, a biologia, a geografia, a história, e todos os nossos conhecimentos científicos partindo dos vetustos escritos legados pelos hebreus...

Há uma nítida separação entre os dois campos ou terrenos. Certas organizações religiosas no entanto não se satisfazem com isto pois desejam controlar por completo e tiranizar as vidas de seus adeptos predendo-os numa gaiola de ferro...

Portanto nas aulas de biologia ou de qualquer outra ciência é de todo injustificada a introdução de qualquer conteúdo religioso.

Só poderia haver liberdade se houvessem duas teorias ou correntes igualmente científicas e rivais...

E não uma crença religiosa...

Pois uma tal crença nada tem de demonstrável ou de científica.

Optar entre criacionismo e evolucionismo não é usar de liberdade, mas mergulhar de cabeça na ignorância e no fanatismo. Mesmo porque o criacionismo é afirmado como dogma religioso...

Pois os sectários ousam vincular essa frioleira judaica aos ensinos de Cristo, como se fosse parte efetiva deles, quando não o é...

Isto é ludibriar duas vezes, no plano religioso: pois o Criacionismo jamais foi afirmado por Nosso Senhor Jesus Cristo ou por seus apostolos; e no plano científico, pois como já vimos ele não pertence a categoria científica...

É muito díficil para nós compreendermos a palavra 'plural' na boca de uma fundamentalista religiosa.

Pois quando foi que um Pastor da Assembléia de deus - org a que pertence a ex ministra - ousou convidar uma padre papista, um médium espírita ou um ancião Testemunha de Jeová, para sermoar a sua congregação?

Porque a ex ministra não começa ensinando seus confrades a exercitarem esta visão plural de que fala convidando líderes budistas e maometanos para que apresentem suas crenças aos adeptos da Assembléia?

Nada teria sido mais plural do que o Malafaia ter cedido sua catedra para que o sr Dawkins vindicasse o evolucionismo...

Alias Dna Marina a visão plural é tão ampla nos meios protestantes brasileiros que no comecinho deste ano um grupo de jovens fanáticos invadiu a um centro umbandista no Rio de janeiro e depredou-o ao invés de convidar o pai de Santo para que fosse até ao templo deles apresentar suas crenças...

É justamente por isto que não votarei na sra e tentarei convencer todos os meus amigos para que façam o mesmo.

Pois não desejo ceder um centímetro de nossas escolas públicas e leigas a ideologia religiosa, afinal esta ja ocupa bastante espaço nos templos e não esta nem um pouquinho disposta a dividi-los conosco, cultivando multiplicidades de olhares ou visões plurais.

Urge manter o Estado leigo, secular e desvinculado de toda e qualquer ideologia religiosa, como garantia máxima de nossas liberdades e de que tudo quando foi construido até aqui, em termos de civilização, não venha a ser destruido por novas conflagrações e disputas religiosas como a guerra dos trinta anos.




Conclusão: O discurso criacionista de Marina Silva é incompátivel já com o ideário liberal, secular, laicista, científico e positivista, já com o ideial socialista, igualmente secular, laicista, cientifico e coletivista.