sábado, 31 de outubro de 2009

Porque o deus dos semitas bota ovos...





"Abriga-me debaixo de tuas asas oh deus perpétuo e então encontrarei refúgio." diz um dos Salmos dos hebreus...

Por ter asas ou ser alado, um bom número de incrédulos tem postuladoque fosse um pássaro ou talvez uma galo, quiçá parente do Nesroc ou Nusku assírio.

A honestidade porém nos obriga a resgistrar um outro Salmo: "Montou num querubim - um dos anjos mais fortes (sic) - e voou dentre as brasas de fogo."

Como um pássaro ou um galo dificilmente seria capaz de montar em qualquer outra coisa - quanto mais no tal querubim (sic) - e de cavalgar somos levados a concluir que o deus dos antigos hebreus era ele mesmo uma espécie de super querubim ou anjo maior, que vivia a usar os anjos menores ou mais fracos como montaduras.

Adoravam pois os antigos hebreus um anjo gigantesco com milhares de palmos de alturas como afirmou Elkasai e por vezes sugere o Talmud, quando diz que fabricava maná numa cornucópia... exceto aos sábados é claro.

Já os antigos árabes adoravam dentre outros deuses - Al usa, Manat, etc - a Allat, a lua, daí a - redondo como ela - possibilidade da ou do Alla ser representado (a) por um ovo. Tem tudo a ver...




Felizmente o Deus revelado por Jesus Cristo é "Espírito" ou seja ausência total de matéria e forma e do ponto de vista da matéria, pura e simplismente nada...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O homem sapo e a cadela racional...










Passei vários dias explicando a meus púpilos do primeiro colegial o significado do termo 'homo sapiens sapiens'

Repeti como de costume umas cinco ou seis vezes que 'homo sapiens' quer dizer home que sabe ou que é capaz de aprender, salientando inclusive a capacidade do ser humano para adquirir novos conhecimentos ou seja para aprender.

Somente depois de trabalharmos bastante a questão da sapiensidade humana, é que me senti animado a discutir com eles a clássica definição antropológica de Aristóteles segundo a qual o homem é um animal racional.

Primeiro tomei o cuidado de especificar que dentre as formas vivas o homem não é nem um fungo, nem uma monera, nem uma alga, nem uma planta e menos ainda um mineral...

Por diversas vezes afirmei que não estava a lecionar para pepitas de ouro ou pés de couve, mas para animais como eu...

Que chamar outro ser humano de animal não é xinga-lo mas classifica-lo adequadamente.

Afinal somos formas de vida bastante avantajadas e dotadas de movimento, logo animais.

Em seguida caracterizei o raciocínio como uma forma mais elaborada ou sutil de inteligência, caracteristica apenas e tão somente do 'homo sapiens', daí o termo 'animal racional' que empregamos com o objetivo de distinguir o homem dos outros animais, dotados de esquemas intelectuais tanto mais simples e primitivos.

No fim das contas gastei quase duas semanas e quatro aulas de quarenta e cinco minutos com o objetivo de explicar-lhes minuciosamente o significado das dois termos que por assim dizer, expressam nossa condição...

Esperando que todos ou ao menos a maior parte deles, consegui-se deter alguma informação ou idéia a respeito.

E julgando ter cumprido com minha função de educador ousei marcar uma prova, individual e sem consulta, para a aula seguinte.

Prova que como de costume foi rigorosamente aplicada, depois recolhida, trazida para casa e corrigida, e foi precisamente aqui - na correção - que o caldo entornou.

Penso que no fim das contas não tenho do que me queixar, pois quase que noventa porcento da sala conseguiu nota superior a sete e eu saltaria de alegria, caso não fosse por duas, apelas por duas provinhas...

Afinal logo de chofre fui perguntando:

Explique o significado da expressão 'homo sapiens' em pregada com o objetivo de caracterizar a espécie humana.

Diante de minha pergunta a aluninha X não se fez de rogada e respondeu com toda naturalidade do mundo:

"Professor, confeso que não estudei para esta prova, logo não posso ter certeza, mas acho que tem algo a ver com a evolução dos seres vivos pois lembro que a professora de biologia falou alguma coisa sobre o primeiro homem ter vindo do macaco ou do sapo, dai sapiens ou seja do sapo, depois esse homo primitivo acabou desaparecendo e sobrou apenas o 'homo sexual' porque nós fazemos muito sexo..."

Mandei chamar a menina a minha mesa, apontei para a resposta e lhe perguntei que palhaçada era aquela, e para minha desventura cheguei a conclusão de que ao menos para ela, não era piada alguma...

Quanto a terceira pergunta: "Fale-me algo sobre o 'animal racional' de Aristóteles."
recebi doutro jovem a petética resposta:

"Não me lembro dessa matéria sobre a vida do aristóteles, como poderia saber qual era o animal de estimação dele? Na minha casa temos a Lyka como animal de estimação, ela é uma poodle, portanto um animal racional ou seja de raça."

Desta vez nem sequer mandei chamar o moleque, preferindo concluir de 'motu proprio' que se trata duma piada, pois não sendo assim só me restaria rolar pelas escadas da escola...

Entendem porque quando ouço alguém ler as pérolas do ENEM não posso achar graça alguma?

Pois como professor conheço 'pepitas' de quilate muito maior...

O vaticínio do Profo Jorge Boaventura sobre o colapso do sistema...











Poucos dentre nós estão familiarizados com a obra do recém falecido profo Jorge Boaventura, militar e intelectual nem um pouco bem visto por nossas esquerdas, mas, cuja visão, com o passar do tempo e o aprofundamento das investigações foi evoluindo cada vez mais em direção do socialismo, inda que sob as vestes neotomistas...

E no entanto as obras de Jorge Boaventura contem muita coisa interesante e boa.

A um tempo monarquista, a outro nacionalista, a outro cristão e neotomista, o velho professor jamais chegou a professar abertamente o socialismo, limitando-se a fletar de longe com ele...

Converteu-se todavia, com o passar do tempo e o andar da carruagem num dos mais ácidos críticos da democrácia liberal e do neoliberalismo.

Chegando a inclusive a tachar de "crença supersticiosa" a idéia reinante em nosso meio segundo a qual a democracia liberal é uma forma acabada e perfeita em matéria de organização social. Boaventura 2002

E a tecer duras críticas ao atual sistema econômico.

O mais interesante porém foi que o idoso professor anunciou com grande escândalo a atual crise econômica porque estamos passando, merecendo por sinal a pecha de 'gorgota'



Vale a pena acompanharmos os raciocínios 'revolucionários' e amalucados de alguém que sempre defendeu - e honestamente inclusive - o golpe de 64:



"Falecido recentemente, o Professor Jorge Boaventura, Conselheiro da ESG-Escola Superior de Guerra, nos últimos anos de sua vida não era tido como uma pessoa equilibrada . Suas advertências sobre o fim do capitalismo Anglo-Americano eram tidas como loucura, principalmente pela grande mídia, pois fizera uma tenebrosa revelação sobre o FED, o Banco Central dos EUA.



A grande mídia, recebedora de grandes patrocínios dos especuladores internacionais, sempre defendeu o Consenso de Washington, com sua verborragia de equilíbrio fiscal e superavit nas contas públicas para o pagamento dos juros. Essa mesma grande mídia, fechou-se inteiramente para Jorge Boaventura e suas análises,verdadeiras profecias. Lembro-me que em uma palestra,o Professor Boaventura disse que o Banco Central estadunidense só tem de Federal o nome, porque é um consórcio de bancos privados, aos quais uma lei de 1913 conferiu o poder de emitir o Dólar, yes, a moeda que rege as transações econômicas no mundo é emitida por bancos privados.

Boaventura dizia que a bolha especulativa dos derivativos iria explodir levando a humanidade a uma crise sem precedentes, isso eu ouvi no início do século, sendo que só nesta semana, Alan Greenspan, ex-presidente do FED, foi afirmar que a crise atual é um "Tsunami creditício que só ocorre uma vez a cada século". Greenspan, que ficou à frente do FED por cerca de 20 anos, sob presidentes Democratas e Republicanos, o que demonstra que esse consórcio bancário é mais poderoso que o próprio presidente dos EUA, afirmou também que não tinha qualquer culpa pela crise financeira atual. Talvez o culpado seja o mordomo!



A grande verdade é que estamos vivendo o fim do capitalismo Anglo-americano, provocado pelos excessos especulativos de três décadas de desregulamentação e abusos, patrocinado pelo FED. A grande imprensa vem alardeando as medidas emergencias que vêm sendo tomadas pelos governos dos países ricos para assegurar a liquidez aos grandes bancos, só que na verdade esses países estão agindo para tentar evitar o pior, o estouro da bolha de derivativos, muito pior do que a bolha imobiliária estadunidense,primeira fase da crise.



O governo brasileiro precisa se adiantar e romper com a servidão aos interesses Anglo-americanos. Como teremos que enfrentar uma situação de falências sistêmicas de bancos e empresas, o Brasil precisa fazer urgente distinção entre as instituições bancárias que estão em crise devido à especulação e os poupadores e investidores da economia real. Os bancos contaminados que estão sendo ajudados pelos Governos do mundo, certamente usarão esses recursos do contribuinte para tentar tapar os buracos, verdadeiro buracos negros, portanto a preocupação do Presidente Lula, de que aqui também no Brasil, esses bancos não irão emprestar os recursos liberados pelo governo, é totalmente procedente, porém não adianta o governo saber o que os bancos estão fazendo e não agir.



É necessário distinguir entre as atividades produtivas e as meramentes especulativas. As primeiras devem ser apoiadas e as segundas paralisadas. O governo brasileiro precisa disponibilizar créditos para os pequenos empresários, muito crédito, para que a nossa economia não entre em colapso. Precisa mudar as leis que atrapalham o Brasil de ser um país de microempresários, por exemplo, o Código Penal Militar estabelece que é crime um oficial possuir uma empresa, um total absurdo. Basta um decreto do Presidente revogando esse dispositivo Penal-Militar, somados aos créditos consignados, que milhares de militares pelo Brasil afora estarão gerando empregos e contribuindo para o engrandecimento do Brasil.A prioridade é a promoção do desenvolvimento econômico e social com uma política de créditos produtivos e não o salvamento dos especuladores.



O perigo representado pela bolha de derivativos financeiros é tão grande que segundo estudos mais independentes, esses derivativos estariam na ordem de 700 trilhões de dólares, enquanto que o PIB mundial é de apenas 5,5 trilhões de dólares.Nos EUA os bancos e financeiras falidas têm sido comprados por três grandes bancos: JP Morgan Chase, Bank of America e Citigroup. Analistas estão dizendo que essas incorporações são tentativas de cobrir a exposições desses três "gigantes", os quais estariam dividindo entre si nada menos que 150 trilhões de dólares em derivativos.



Aos poucos as pessoas estão começando a perceber que é o seu dinheiro que está sendo usado para salvar essa turma de especuladores que patrocinaram a grande mídia para apoiarem suas ações funestas. Os governos, para continuarem salvando esses bancos, promoverão cortes nos orçamentos, suprimindo recursos da saúde, educação e segurança.Ademais, se hoje esses governos pelo mundo inteiro, inclusive o Brasil, disponibilizaram Trilhões de dólares para os bancos, por que não os disponibilizaram antes para aumentar os salários e as pensões." extraido do blog militar legal.



Percebemos assim que de fato, tudo muda, até 'surda' muda...

Descanse em paz o profo Boaventura depois de do alto de seus oitenta e sete anos ter contemplado a face do 'monstro'...

Se vôce pesquisar caro leitor, também será capaz de ve-la e de voltar, só que não será mais o mesmo.

Pois quem viu a caratonha do monstro e logrou retornar, retorna sempre revoltado...

Redução da jornada de trabalho... um compromisso assumido por este blog.







Como sempre este blog e seus colaboradores tomam posição a favor daquele que verdadeiramente produz, daquele que com seu esforço gera bens e dissemina riquezas, daquele que tem as mãos calejadas, daquele a quem sempre falta tempo para estar com a família, distrair-se ou estudar, ou seja do trabalhador brasileiro e não daquele que fica sentado atrás da mesa...

Por isso assumimos desde já o compromisso de acompanhar todos os trâmites pertinentes a redução da jornada de trabalho de 44 para quarenta horas, com o atraso de vinte e um anos...

Vigiaremos, observaremos, fiscalizaremos e pressionaremos os srs parlamentares vinte e quatro horas, e, quando tivermos em mãos o saldo da votação forneceremos ao amigo leitor os nomes de tantos quantos, dentre eles votarem contra vôce ou contra seus entes queridos...

Não nos limitaremos porém, a anotar os nomes dos 'traidores' da causa popular e defensores da causa burguesa, pois também ofereceremos a vôce o saldo de cada bancada para que perceba quais as organizações partidárias que de fato representam-nos e quais representam aos intereses do capital.

E como é de praxe, o sermos 'chatos' e incomodarmos, publicaremos também o perfil da cada um desses parlamentares com uma breve sinopse sobre suas respectiva atuações na câmara ou no senado.

Isto as vésperas das futuras eleições para que vôce possa dar o troco e mandar os inimigos do povo para onde bem merecem...

Este é o compromisso que assumimos com vôce amigo trabalhador, com suas garantias, com seus direitos, com sua dignidade...

Pois não desejamos ve-lo convertido em escravo.

José Serra e a questão ambiental

O governador tem um discurso muito bonito quando fala do meio ambiente, infelizmente na prática a teoria é outra. Você pode ouvir o belo discurso do governador clicando aqui.
Agora veja o descasso dentro de uma Unidade de Conservação, conhecida como Horto Florestal.



Isso aí é São Paulo (leia-se Serra) trabalhando por você. Se o governo faz isso com animais indefesos, imagina o que não vai fazer com os trabalhadores se for eleito presidente...

Relações entre ciência e cultura.









Como educador que sou acabei me metendo numa grave discussão há cerca de dois ou três dias em torno da frioleira criacionista.

Sem o saber estava eu conversando com uma professora reformada, sectária, judaizante e naturalmente criacionista... quando imaginava estar diante de uma verdadeira professora de biologia.

Entretanto não me fiz de rogado e afirmei em alto e bom som que numa escola pública, logo leiga ou secular não pode haver espaço para o livro do gênesis... pois tal livro faz parte da dimensão do sagrado e - ao que me lembre desde 1889 - a escola pública não comporta tal dimensão.

Geralmente os fundamentalistas acabam se calando quando afirmamos o cárater secular e não confesional da escola pública...

Excepcionalmente estava diante duma fanátiva relativamente bem informada e esperta, formada na escola dos criacionistas Yankees.

Surpreendi-me portanto diante da afirmação segundo a qual, a 'teoria' criacionista também poderia ser abordada pelo educador em sala de aula, sob a alegação de que se trata de um 'elemento cultural'.

Recordei-me subitamente duma reportagem na qual havia lido que os criacionistas dos EEUU estavam tentanto introduzir a tonteira criacionista na grade curricular das escolas públicas dos EEUU sob a alegação de que a 'teoria' criacionista faz parte da cultura semita (seja judaica ou muçulmana) e que no fim das contas todo edifício científico moderno não passa de cultura.

Encerrei a conversa atalhando: 'E no entanto o tema da 'cultura' pertence ao tema da antropologia, da sociologia, da filosofia e da História e não da Biologia... parece-me que a sra saiu do seu campo professora.'

E retirei-me enquanto ela balbuciava algumas palavras sobre a nova proposta curricular do estado de S Paulo...

Afinal como não sou docente de Biologia, mas apenas e tão somente um professor e cidadão estudioso e bem informado, não sei até onde a nova proposta adotada pelo governo do PSDB vai de encontro as esperanças e anseios dos criacionistas...

Duvidar de que o atual do governo do Estado tenha dado um 'jeitinho' ou melhor um 'empurrãozinho' na xaropada fundamentalista, não duvido.

Mesmo porque foi este mesmo governo de merda, que violando descaradamente a Constituiição federal, franqueou a possibilidade de que as escolas públicas introduzam o 'ensino religioso' em suas respectivas grades!

Cumpre perguntar que religião será ensinada...

Pois se se trata de História das religiões, já existe, há séculos uma certa disciplina chamada História... na qual estudamos dentre outros fatores, mas em relação orgânica com eles o fator religioso.

Creio que estudar a História da religião fora do nicho ocupado por ela dentro da História humana, seja um desproposito, pois equivale a supervalorização do fenômeno.

Se é assim gostaria de saber porque não estudamos separadamente a História da econômia ou da produção e distribuição de riquezas?

Pois no fim das contas o fator econômico é tão ou até mais importante que o fator religioso... e no entanto, parece-me menosprezado pelo atual curriculo dando vezo a clamorosas distorções no campo da História.

Por outro lado se o dito ensino religioso não equilave a 'História das religiões' imparcialmente abordada segunda a mentalidade positivista, trata-se do que então?

De escola dominical ou de catecismo?

Neste caso a liberdade de consciência dos ateus, agnóstas, infiéis e pagãos está sendo criminosamente violada pela política educacional do Estado de S Paulo, pois todas estas pessoas pagam impostos e são contadas entre os cidadãos da república...

É absolutamente errado que um prédio público qualquer, mantido por recursos públicos, sirva de coito para a afirmação de disseminação de qualquer confisão religiosa. Do contrário não há verdadeira igualdade religiosa e tampouco estado leigo...

A tão decantada educação integral numa perspectiva religiosa e vinculada a escola pública não passa de falácia, já porque as escolas públicas são mantidas pelo erário e o erário tem por base as tachas e impostos pagos por adeptos de todas as confisões religiosas ou de confisão religiosa alguma, merecendo todos estes cidadãos e suas idéias o mesmo respeito por parte do aparelho estatal.

Quem deseja pois uma educação totalizante ou integral, fica com plena liberdade para dirgir-se a um templo ou a uma escola confesional mantida a suas expensas ou as expensas daqueles que professal tal sistema de crenças. Afinal o governo, pertencendo a todos, não professa crença alguma...

Mesmo porque nem mesmo as grandes religiões estão na posse da unidade plena, mas cindidas e retalhadas em diversos grupos e inumeras seitas...

No caso do Cristianismo por exemplo que forma haveriamos de escolher para ensinar em nossas escolas: o papismo que ainda conta com a adesão formal de 70% de nossa população, mas cujas cerimônias são frequentadas apenas por 10% de seus adeptos? O protestantismo? A ortodoxia? O espiritismo?

Por outro lado caso elegessemos o protestantismo, qual de suas onze mil seitas e credos haveriamos de privilegiar?

Tornemos porém ao criacionismo e a ciência, desfazendo os clamorosos absurdos propalados por alguns antropologos e sociologos em torno da questão.

Se se diz que criacionismo e ciência são cultura enquanto produtos da atividade consciente do homem concordo.

Agora se se diz que comportam o mesmo tipo de cultura, sem maiores distinções, nego.

E assim desenvolvo a negação:

O Criacionismo é um elemento cultural puramente subjetivo referente a antiga cultura semítica, exprimida pelos mais antigos monumentos da literatura hebraica...

Não nego portanto que o criacionismo possa ser criticamente abordado em nossas aulas de história, filosofia, sociologia ou antropologia, esforçando-se o educador por problematizar a questão e por conduzir seus alunos a uma superação dos preconceitos que recebeu passivamente durante a infância sob o influxo de certos credos religiosos.

Agora que o criacionismo seja ensinado ou apresentado em aulas de biologia como uma outra 'teoria' a par da teoria evolucionista, sob a alegação de que no fim das contas tudo é cultura e de que tudo é igual, é um verdadeiro crime de lesa educação!

Já porque o criacionismo não é uma 'teoria' na acepção epistemologica da palavra - via de regra supinamente ignorada pelos fundamentalistas religiosos - mas uma explicação religiosa ou sobrenatural dada a um problema de ordem natural, por povos antiquíssimos situados numa idade pré científica. Evidentemente que tal explicação era perfeitamente válida para eles enquanto correspondia a seu estádio intelectual...

A evolução biologica porém - em que pesem as divergências acidentais que orbitam em torno de como ela teria se sucedido - não é uma simples 'teoria' na ecepção vulgar do termo ou uma hipótese que porventura possa vir a ser derrubada de hoje para amanhã, mas no frigir dos ovos - pois com os fundamentalistas temos de soletrar - um fato estabelecido e irrevogavel.

Certamente as hipóteses sobre como a evolução ocorreu, serão corrigidas e aperfeiçoadas segundo aquele mecanismo de auto-correção que é típico da ciência, e evolução em si mesma, todavia, jamais virá a ser descartada pela ciência e muito menos a favor de explicações mágico/fetichistas elaboradas no segundo milênio a C...

Afinal o pensamento científico não é um elemento cultural ou mesmo tipo ou forma que a crença criacionista. Pois o pensamento científico merece ser afirmando como um tipo de cultura muito mais elaborada, enquanto firmada sobre um conhecimento experimental e objetivo da realidade em si mesma... enquanto que o criacionismo não passa duma crença ingênua e subjetiva, hoje absolutamente fora do campo ou do terreno religioso (que é o espírito ou o invisivel).

Trata-se indubitavelmente de duas produções culturais, e no entanto a primeira expressão parte apenas do sujeito enquanto que a última implica num devassamento ou numa exploração do objeto, no caso a terra e as formas de vida que nela se desenvolveram... a primeira produção é apenas e tão somente cultural enquanto meramente mental, imaginária ou credal, a segunda porém ultrapassa os límites da cultura meramente mental na medida em que através dos sentidos consegue penetrar o objeto estudado, no caso a matéria, extraindo dela suas qualidades ou características concretas/reais sustentadas por sua substância e estrutura.

Portanto a cultura científica esta apta para nos por em contato com o real ou com o existente, enquanto que a cultura pré científica não logra deslindar a realidade, contentando-se com o especular e com um especular alheio as normas da boa lógica...

Dirá por fim o antropólogo ou o criacionista que o criacionismo faz parte efetiva do ideário Cristão...

Neste caso contentar-me-ei com afirmar que Jesus de Nazaré em seus Evangelhos jamais pretendeu dissertar sobre a origem do mundo, do homem ou da sociedade preocupando-se exclusivamente com a natureza e o cárater da divindade, o futuro do homem após a morte e suas obrigações morais, merecendo a instituição Cristã o glorioso título de instituição meramente espiritual e religiosa em que pesem as ulteriores infiltrações oriundas da cultura judaica...

E por recordar a uns e outros que um bom número de ortodoxos, romanistas, anglicanos e espíritas não veem contradição alguma em ser Cristãos e evolucionistas, já porque respeitam os límites ou a demarcação existente entre o terreno da religião (transcendente) e o terreno da ciência (imanente).

Ademais sempre houveram pensadores evolucionistas ou simpáticos ao pensamento evolucionista - tributários dos Filosofos Anaximandro, Aristóteles e Lucrécio - no contexto Cristão, sendo tanto Buffon, quanto Lamarck e Darwin homens religiosos e profundamente Cristãos (os dois primeiros papistas e o último anglicano - recebeu sepultura anglicana - e menos religioso, tendendo quiçá ao agnosticismo, mas de forma alguma ao ateismo).

Portanto a cultura criacionista não pertence de modo alguma a cultura Cristã, constituindo um elemento alienigêna, completamente estranho ao Evangelho e procedente da cultura judaica. Merece outrossim ser classificado como elemento judaizante pertinente ao calvinismo, ao fundamentalismo protestante e, quiçá a sociedade, Yankee, mas não ao Cristianismo.

Merece pois ser contado como elemento expúrio e totalmente alheio já ao Cristianismo histórico já ao progresso do pensamento e da teologia cristã.

Não cabe pois ceder espaço algum a fé criacionista ou ao 'livro' nas aulas de biologia, na medida em que devem ser norteadas de cabo a rabo por um pensamento científico, natural e completamente a parte de conjecturas e locubrações religiosas.

A ciência parte da investigação, da observação, da experiência tendo por padrão a objetividade e por fim o conhecimento da realidade... o conhecimento religioso é de outro tipo e seu terreno igualmente distinto não devendo haver qualquer tipo de mistura ou confusão entre ambos.

O criacionismo, mesmo quando afirmado no lugar que lhe convem: os templos protestantes, não passa duma assalto acometido contra a ciência, de uma manobra insultuosa com relação ao pensamento crítico e duma sórdida conjuração cujo fim é a destruição do Estado leito e secular e a construção de um estado teocrático nos molde do Taliban.

Cumpre dar-lhe combate ser quartel e se necessário levar seus defensores a barra dos tribunais, vindicando o cárater leigo, secular e irreligioso de nossas insituições públicas e do Estado brasileiro como um todo, tal e qual lho recebemos de nossos antepassados a 15 de novembro de 1889.

Por isso como educador e formador de opinião, digo não a intromissão da fé no campo das coisas terrenas e a sua vã tentativa de desacreditar a ciência, afinal foi a ciência - inspirada pelo Cristianismo liberal e progressista, pelo agnosticismo e pelo socialismo - que presenteou o homem moderno com o pouco conforto e a mínima dignidade de que tem fruido atualmente e não o fundamentalismo crentês... este só soube e quiz brindar a probre humanidade com disputas, richas, intrigas e violências, puro obscurantismo mais tenebroso que o medieval...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O ovo de Deus

Aposto que você pensou besteira ao ler o título desta postagem. O mente suja!!! Sim, dizem os palestinos que Deus tem um ovo. Como é que é? Então ele é uma galinha celestial? Do jeito que as coisas vão, não duvido de nada.

Acabei de ler no blog do Bourdokan que foi encontrado na faixa de Gaza um ovo com o nome de Deus em árabe. Além de gostar de ovos, Deus parece falar árabe. Se eu fosse Deus eu falaria apenas na língua de Homero e quem não entendesse grego que estudasse.

Bom, cada lugar para Deus desenhar seu nome, e escolheu logo um ovo, ainda bem que não foi um dos meus ovos...

Deus é poderoso para gravar seu nome em árabe num ovo, mas proteger os palestinos que é bom, nada. Não manda nem um reles anjo para defendê-los.

Qual será a próxima proeza de Deus? Esperemos leitor(a) amigo(a).

Pentecostais querem proibir que professora fale da cultura africana

O texto que você vai ler a seguir não é meu, foi extraído na íntegra do site O Dia Online.





Rio - As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica.


A professora Maria Cristina mostra desenhos feitos por alunos após a leitura: mães evangélicas se rebelaram. Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
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A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que “a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição”.

A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina.

Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “Há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”.

Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista.

ATÉ CINCO ANOS DE PRISÃO

“Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac.

Alunos do 7º ano leram a obra: referências ao folclore

Em 180 páginas, o livro ‘Lendas de Exu’, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu.

Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro.

Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer.

O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “As ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”.

Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “Objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”.

VIVA VOZ
Até mães de alunos me proibiram de falar sobre a África

“Acusam-me de dar aula de religião. Não é verdade. No livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, há histórias interessantes, são ótimas para trabalhar com os alunos. Li os contos, como se fosse uma contadora de histórias, dramatizando cada uma delas. Praticamos Gramática, e os alunos ilustraram as histórias de acordo com a imaginação deles. Não dá para entender por que fui tão humilhada. Até mães de alunos, evangélicas, me proibiram de falar sobre a África”.

MARIA CRISTINA MARQUES, professora, 48 anos

Problemas em torno da eutanásia...










Há cerca de uma hora, em não havendo pão em nossa dispensa, fui gentimente convidado pela matriarca da família a dirigir-me a padaria mais próxima com o intuito de adquirir algumas médias, como dizemos aqui em São Paulo, e mortadela.

Como estava chovendo puz-me a pensar sobre uma série de questões e problemas de ordem metafísica dos quais sequer me lembro agora, e assim, especulando cheguei a esquina de casa e me detive diante de um altívo solar, ou como diziam meus avós, diante de um magestoso palacete, em que habita uma pobre senhora, imobilizada sobre uma cama a já sumida se carnes há cerca de dois anos...

Foi quando me puz a cogitar sobre as questões que giram em torno da vida, da morte, da doença e do sofrimento...

Afinal a senhora que se encontra a vegetar na augusta mansarda da esquina, e que era amiga de meus pais, sempre primou pela viva inteligência, pela mais refinada elegância e pela cortezia do trato... hoje no entanto não passa dum esqueleto vivo, a respirar... Pois até mesmo a alimentação que recebe é introduzida por meio duam sonda.

E assim ia cogitando sobre tais questões quando aproximei-me da terceira quadra, já próxima a padaria, e recordei-me de que o proprietário do belo sobrado desta esquina, encontra-se nas mesmas condições que nossa vizinha e já a cerca de sete longos anos... já a mais de um lustro vem definhando, definhando... o coração porém, que é forte, não sessa de bater. Maldito coração que teima em não dar paz ao corpo já ralado pela enfermidade.

Então fui repassando metalmente o grande número de acamados de que me recordo, a começar por minha avós materna, a qual padesceu atrozmente, presa a um leito por mais de seis anos, até mergulhar no coma final... causado pela fatal pneumonia, a qual entretanto, graças aos esforços de minha mãe, foi protelada ao máximo.

Mas com que saldo... com que lucro...

Assim lembrei-me de tantos quantos ví presos sofrendo, atados e paralizados sobre um leito de dores... a finalizar por uma parente nossa, já idosa, de nome Argentina, a qual, cercada pelos amorosos cuidados duma filha mais do que dedicada, resistiu heroicamente por quase três anos, lutando contra a dura enfermidade que lha consumia, até render-se há cerca de um mês...

Ocorreu-me ainda a triste sina do escritor espírita Martins Peralva, o qual após toda uma vida de trabalhos em prol da messe evangélica, também teve de pagar seu tríbuto as fúrias, que isentas de compaixão lho prenderam ao leito em que veio a finar-se... e de tantos outros escritores e sábios que trilharam a mesma senda escura e tormentosa, a senda da dor...

Tal estado é muito raramente provocado por um câncer, pois este, devido a sua gravidade, acabada dando cabo de sua infeliz presa em menos de um ano, não porém sem acomete-la de sofrimentos as vezes muito mais intensos do que aqueles que são provocados por uma simples apoplexia, e os quais só podem ser suportados graças a dozes cada vez maiores de morfina ou induzindo-se o infeliz paciência ao estado comatoso até que venha a...

Nada direi a respeito da AIDS, a qual até certo ponto pode ser evitada e tratada ou sobre o alzheimer, que faz sofrer mais ao cuidador do que ao enfermo, exercitando de qualquer modo sua paciência e estimulando sua tolerância, compreenssão e generosidade...

No fim das contas gostaria de saber o que leva os parentes e amigos de um paralizado ou de um canceroso, a desejar que seu parente sobreviva o máximo de tempo possivel, sob as condições mais deploráveis se não há esperança de salvação para ele e está irremediavelmente condenado?

É possivel que nos corações das pessoas menos instruidas e fanatizadas pela religião, floresça a esperança sempre falsa de um milagre...

E diante de tal esperança só nos resta sorrir e dar de ombros.

Todavia nem todos os cuidadores acalentam tal utopia em seus corações, e no entanto lutam demodadamente contra o advesário inexorável...

Algumas certamente levadas por uma compreenssão errada sobre o que seja o amor e persuadidas de que amar é necessariamente manter a vida a todo custo e cuidar com carinho.

Trata-se certamente de um sentimento nobre e heróico, este que anima tais almas - mormente cristãs - julgo no entanto que seja de todo ineficaz se se trata de suprimir a maior parte das dores físicas que acometem ao enfermo, sem falarmos nas dores morais ou espírituais que se abatem sobre sua alma, ao ver-se dependendo para absolutamente tudo dos atos alheios...

Certamente que alguns encaram tal purgação sob a perspectiva da teologia cristã e lha recebem como algo benéfico para suas almas. Trata-se sem dúvida da concepção mais elevada que já foi entretecida sobre a dor e os sofrimentos humanos, na medida em que lhos divinizamos e lhos aproximamos do sublime...

Somente almas bárbaras e grosseiras poderiam deixar de admirar a constância e o heroismo cultivado por tais almas sofredoras e fiéis sob a inspiração do Calvário... e no entanto mesmo uma tal inspiração e uma teologia tão bela podem ser convertidas numa ideologia monstruosa na medida em que papas, cardeais e teólogos, pretendem impo-las a todos os fiéis, ignorando que todo e qualquer sacrifício só é recebido por Deus quando oferecido livre e expontâneamente sob influxo do amor e não sob coerção...

Isto me faz lembrar certas situações que teria sido cômicas caso não tivessem sido verdadeiramente trágicas.

Refiro-me por exemplo a atitude do clero anglicano, que em meados do décimo nono século condenou como 'heresia' e pecado o emprego na anestesia nos partos, sob a alegação de que genesis 3,16 lho vedava. E efetivamente, tal anátema prevaleceu, até o dia em que a rainha Vitória - líder dessa igreja - teve de dar a luz... neste mesmo dia o emprego da anestesia nos partos foi aprovado pelo clero anglicano.

O mesmo se sucedeu no seio da igreja romana, pois durante todo o século XIX e parte do século XX, os teologos debateram sobre a licitude de se empregar a morfina em casos de câncer e de outras patologias extremamente dolorosas, e um grande número deles exarou parecer negativo sob a alegação de que a dor purifica o cristão de seus pecados devendo ele recebe-la como uma dádiva dos céus... e no entanto o Papa João XXIII acometido de câncer no estomago fez largo uso da droga que parte de sua igreja vedava ao uso dos simples fiéis, ficando desde então decidido o assunto e regularizado o emprego da morfina entre os papistas.

Tais as desventuras da religião quando sai de seu campo e envolve-se em assuntos que não pertencem a sua alçada, como a medicina...

Mas tornemos novamente aos sentimentos que impelem o ser humano a desejar que um ente querido seu sobreviva indefinidamente num leito de dores, sendo devorado aos poucos pela enfermidade...

Fora os referidos casos pertinentes a esperança de obter um milagres ou a idéia de que amar é preservar a qualquer custo a vida do enfermo e cuidar dele até que o fim se suceda naturalmente, penso que em geral desejamos manter nossos ente queridos indefinidamente vivos e independentemente de suas condições de saúde porque enquanto eles vivem no sentimos duplamente vivos: em nós e neles, especialmente quando são nossos pais ou avós...

Afinal todos nós nos sentimos mais próximos da morte na medida em que nossos pais e as pessoas mais idosas se vão indo... Daí nossa tendência a prolongar ao máximo suas existências e de tentar impedir a todo custo que elas partam.

Lembro que enquanto minha avó estava presa ao leito, já ao cabo de cinco anos, minha mãe dizia:

-- Ao menos esta ali, ao menos está viva e posso ve-la...

Afinal a morte é uma despedida e um 'não tornar a ver', ao menos enquanto nós mesmos vivemos.

E nós a tememos justamente por isso, porque nos separa e afasta daqueles que amamos.

Então, frente a frente com espectro tão pavoroso, nos consolamos pelo simples fato de podermos contemplar nossos entes queridos em seus leitos de dor.

Pois ainda nos é dado contempla-los.

E no entanto o ser humano não foi feito para isso: para que o contemplemos e nos sintamos aliviados...

Mas para que viva dignamente, para que seja feliz... ou para que parta tranquila e serenamente...

Afinal o partir faz parte de nossa condição finita e transitória...

Anaxagoras ao ser iformado sobre a morte de seus filhos, assim se exprimiu em meio a sua dor: Sempre tive a consciência de haver engendrado a mortais...

E no então é anti-natural que os filhos partam antes dos pais, além de ser extremamente doloroso para eles...

Afinal todo pai amando acendradamente seus filhos espera partir antes deles e não sobreviver-lhes.

Natural é que nossos pais e avós partam antes de nós.

E melhor para eles...

Nós entretanto somos possessivos e egoístas a ponto de manter vivo um ser em franca desagregação, um ser frágil e debilitado que não tem mais esperanças de recuperação, um ser que esta a ser lentamente devorado por uma dolorosa enfermidade, um ser que se debate dia e noite num leito de aflições, um ser que sofre no corpo e na alma e que tem plena consciência de que sofre... ao invés de permitir que tal ser se vá em paz, serenamente... caso tivesse exprimido tal vontade antes de perder sua consciência.

Há coisas que não gostamos muito de ouvir - ou de ler - mas que devem ser ditas e a eutanásia é uma delas.

Penso que só sabemos ser verdadeiramente generosos e desprendidos para com nossos cães e gatos, aos quais geralmente sacrificamos de modo a que partam suavemente.

Não é o meu caso.

Jamais tive a coragem de sacrificar meus cães ou gatos cuidando deles até o fim e tomando parte em seus sofrimentos...

E de 'motu proprio' tampouco ousaria sacrificar minha mãe ou meu irmão, mesmo que manifestassem tal desejo antes de virem a adoeçer...

Talvez seja o egoísmo a operar na esfera do subconsciente...

Quem sabe?

Ou talvez seja pura e simples covardia ou fraqueza.

Julgo porém que após contemplar os sofrimentos de uma pessoa por mais de dezessete anos - como o sr Englaro contemplou o sofrimento de sua filha Eluana - qualquer um de nós se sentiria obrigado a ajuda-la... Ao menos que não tivesse entranhas ou coração.

Afinal no primeiro ano é possivel que ainda nos iludamos, esperando por um novo tratamento ou por uma recuperação expontânea... e no segundo, e talvez até no terceiro. No quinto porém... ou no décimo ou no décimo quinto, chegamos a conclusão de que algo deve ser feito e que nos cabe fazer esse algo.

De minha parte sou contrário a prática da eutanásia, em pessoas que não optaram oficial e publicamente por ela... pois admitida a opinião segundo a qual todas as pessoas que padescem de enfermidade crônica, degenerativa e incurável devem ser 'relachadas', multiplicar-se-iam certos 'crimes' que devemos coibir...

Caso a iniciativa não tenha partido do enfermo julgo que ele deve ser tratado ou cuidado com todo carinho até o fim...

De minha parte, como Cristão professo e consciente de que uma dolorosa enfermidade suportada em união com o divino crucificado, não desejo ser 'aliviado', mas suportar até o fim todos os sofrimentos relativos a velhice e a morte.

Ao contrário do papa romano todavia, respeito e com respeito religioso a liberdade daqueles que desejam ser eutanasiados e os sentimentos de seus entes queridos, crendo no fim das contas que se trata da melhor decisão da parte daqueles que não creem na sobrevivência da alma ou daqueles que se desesperariam em face ao mistério da dor...

Afinal é sempre melhor fugir em face a um inimigo que sabemos não nos ser possível vencer...

Tais foram os pensamentos que me passaram pela cabeça enquanto caminhava em demanda da padaria para buscar o pão.

E como ficasse parado na esquina a meditar - as vezes fico parado a meditar pelos caminhos (coisa de filósofo maluco) - o pão acabou esfriando e eu levando uma boa bronca ao chegar em casa...

Será que no fim das contas não detestamos a eutanásia por puro e simples egoísmo?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Saramago, o teófobo... e o teista inepto.









Há poucos dias tive ocasião de ler a uma curiosa troca de sofismas entre o teófobo lusitano Saramago e certo jornalista, teista, mas totalmente Virgem quanto aos arcanos da metafisica...

Merda de cá, merda de lá, quase estourei de tanto rir...

Principiou o literato de além mar com a velha cantilena segundo a qual Deus não existe porque não pode ser visto ou porque jamais aceitou o convite de qualquer ateu, como ele Saramago, para o chá das cinco...

Afinal quem pode saber se Deus - como eu - aprecia Twings... Vai ver que desejando ser popular prefere Tender Leaf ou Ribeira???

Saramago não aceita a existência de Deus porque não lho pode ver...

E no entanto o mesmo Saramago sabe que nossos sentidos não são capazes de perceber a todos os tipos de sons ou cores... afinal ele mesmo é incapaz de fitar a radiação e os raios ultravioleta ou de captar o infra vermelho...

Reconheço no entanto que a petição não é saudável, já porque tais bombardeamentos e cores foram devidamente captados por nossas máquinas e aparelhos, enquanto Deus jamais o será...

Todavia, mesmo que a radiação não tivesse sido detectada por nossas máquinas e aparelhos, seus efeitos continuariam sendo reais...

Em 23 de Setembro de 1846, Urbano de Le Verrier, publicou um estudo no qual, tomando por ponto de partida certas mudanças na órbita de Úrano, o astronomo francês deduziu matematicamente que sua órbita estava sujeita a perturbação gravitacional devido a ação de um planeta desconhecido. Neptuno acabou sendo empiricamente detectado a um gráu da posição prevista... mas fora descoberto por pura e simples dedução.

Por dedução Le Verrier sabia da existência de Neptuno sem te-lo visto. Pois a existência de Neptuno era necessária para explicar as mudanças ocorridas na órbita de Urano...

Traduzindo a questão em termos filosóficos: Le Verrier detectou os efeitos produzidos da órbita de Urano e como nenhum efeito prescinde de causas, postulou a existência de uma causa: um outro planeta, absolutamente necessário tendo em vista os efeitos produzidos da órbita de Urano, mas que não era capaz de detectar por falta de um instrumental adequado.

E é assim mesmo que as coisas se passam ordinariamente...

Pois tendo todas elas sem excessão uma causa, nem sempre percebemos ao mesmo tempo a causa e o efeito, mas, muitas vezes apenas e tão somente os efeitos, inclusive após as causas terem deixado de existir... E mesmo assim somos perfeitamente capazes de predicar as causas.

Ao ver um velhote de noventa e tantos anos, cujos pais faleceram antes que eu houvesse nascido e sem que ele me disse-se ter tido pais, deduzo infalivelmente a existência de seus pais... Eles não mais existem, não lhos vejo, não lhos percebo, não recebi informação alguma sobre eles e no entanto sei que existiram...

Quantas vezes a janela de minha classe não foi atingida por uma pedra vinda de fora e o vidro quebrado sem que eu visse ou perbecesse quem a lançou... nem por isso ousaria dizer que a pedra ergueu-se sozinha do chão e que por vontade própria lançou-se contra a vidraça estilhaçando-a.

Vejo o vidro estilhaçado e a pedra ou seja os efeitos e infiro a causa: o alguém que lançou a pedra. Posso não saber quem seja esse alguém, posso ser incapaz de indentifica-lo, posso ignorar suas caracteristicas e seu nome e no entanto sei que ele existe e que enquanto causa necessária é impossivel que não exista...

Assim se sucede com Deus: não somos capazes de ve-lo em si mesmo, enquanto causa primeira e necessária do todo, mas podemos ve-lo em seus efeitos ou consequências>
as leis que regem a matéria, a vida, o pensamento e a história...

Reflitamos por um momento sobre o que seja lei.

"Lei é uma relação constante que parte da natureza mesma dos seres." Ch. de Montesquieau.

E no entanto os seres ou melhor dizendo as partículas que formam os seres - os atomos - são isentas de racionalidade e determinação própria. Logo incapazes de constrangerem a si mesmas, exigindo uma contenção interna para que os impulsos que delas procedem e formam as relações, formem relações constantes ou estáveis.

Não sendo assim os impulsos que partem da estrutura de cada partícula deveriam ser aleatórios e as relações inconstantes, ou seja, não haveria lei alguma...

Só nos resta admitir com Anaxagoras, que as relações entre as partículas sofrem constrangimento externo, o qual parte necessariamente de um outor Ser, de um Ser totalmente distinto delas.

Referi-mo-nos ao Supremo Legislador, pois não pode haver lei sem que haja um legislador e tampouco poderia a lei vigorar sem oficial que lhe desse cumprimento...

Um tal Ser, que tenha concebido as leis e que lhas aplique a matéria bruta ou irracional é absolutamente necessário.

E pouco importa que não lho vejamos como as radiações ou os astros mais distantes...

Os efeitos por ele produzidos são mais do que suficientes para atestar sua existência, posto que não há nem pode haver efeito ou consequência sem precedente causa que lha tenha engendrado...

Por outro lado, em admitida a hipótese segundo a qual a matéria é temporal e não eterna e que antes da grande explosão ou do Big Bang, nada havia, somos obrigados a concordar com o velho e bom Parmênides: O Ser não pode proceder do Não Ser ou seja a substância ou a matéria não pode prodecer do nada...

Pois 'Nemo datis quo nom habet'...

O nada jamais poderia comunicar existência a um Ser sendo ele mesmo privação de existência...

O nada não pode produzir causação, pois é algo que pura e simplemente não existe, não é...

Admitida pois a hipótese segundo a qual a matéria 'apareceu' e que sua aparição corresponde a aparição do tempo e do espaço, somos obrigados a convir que uma Mente imaterial, incausada e eterna lha fez aparecer.

Afinal todo movimento depende de um impulso, só nos restando duas saidas para o problema: ou a relação movimento/impulso é eterna ou há necessariamente um primeiro impulso ou um primeiro motor...

Devemos considerar ainda que todos os seres que existem poderiam não existir sem que a ordem do universo ficasse comprometida, pois nenhum deles é necessário... O primeiro motor porém é absolutamente necessário enquanto causação do todo.

Pois o todo não poderia ter 'aparecido' sem ele...

Evidentemente que tais provas são suplementares, pois partem do suposto que o todo não é eterno ou que teve principio e causação.

E no entanto como há cinquenta por cento de chance que o universo seja perpétuo e cinquenta por cento de chance de que seja temporal, nosso teófobo lusitano, caso fosse um tantinho prudente como Huxley o foi, não teria assumido um discurso tão exato como fosse capaz de demonstrar a inexistência de Deus...

Coisa que ateu algum jamais logrou fazer embora convenhamos que caiba aos teistas, na qualidade de afirmantes, o ônus da prova.

Tal a sabedoria ou ao menos a prudência manifestada pelos seguidores de Huxley...

Seria de se esperar que nosso bom teista, crítico de Saramago, tomasse tal caminho.

Entretanto não foi o que se sucedeu.

Pois já há duzentos anos os tontos teem engolido todas as frioleiras com que o bufão de Konisberg brindou a metafísica tradicional, fundamentada nas sábias e portentosas locubrações de Parmênides, Anaxagoras, Platão e Aristóteles, cujas pegadas nós humildemente seguimos, honrando a essa augusta filha de Deus e emanação sua que é a razão.

Tais prevenções saídas da floresta ancestral impediram o 'advogado' de Deus a cumprir decentemente com seu oficio, vindicando a causa nauseabunda do idealismo ao invés de vindicar o teismo, como talvez pretendesse...

E assim vendeu gato de rua por lebre.

Pois ao invés de demonstrações racionais, de evidência e de argumentos referentes ao Ser Supermo, o colunista brasileiro brindou-nos com os velhos e decantados sofismas de Mach e Avenarius, mil e uma vezes esmiuçados por Lênin...

Tendo Saramago pilheirado e dito que 'deus só existe na mente dos que nele creem.' - alias, como Aristóteles, não creio em Deus, deduzo racionalmente sua existência, como Le Verrier deduziu Neptuno - rebateu o nosso homem com esta pérola que faria Deus corar de vergonha, caso isto fosse possível:

"Saramago não sabe que tudo quanto existe, existe em nossas mentes."

E por tais veredas embrenhou-se o defensor do teismo, proferindo mais asnerias e idiosincrasias que milhares de Saramagos...

É evidente que a verdade é uma relação estabelecida pela mente, dependendo dela para subsistir.

E no entanto a verdade não é a coisa em sí, mas um dado ou informação coletado pela mente sobre a coisa em si ou melhor sobre algo que existe de fato na coisa.

Não se trata pois duma 'relação unilateral' ou criação da mente...

Mas duma apropriação feita pelos sentidos e pela mente, a partir da coisa em si que subsiste fora da mente ou do ser cognoscente.

A realidade material portanto, precede necessariamente as operações sensoriais e mentais, as quais para corresponderem a verdade, devem conformar-se com ele e exprimi-las.

Existe pois a coisa em si mesma com seus predicados próprios independentemente independente de nossas operações cognitivas. Ser algum precisa ser conhecido pelo homem para que exista...

Cada ser existe em sí mesmo segundo a estrutura que lhe pertence.

Jupiter e saturno já existiam verdadeiramente milhares e milhares de anos antes que o homem soubesse algo sobre eles ou mesmo antes que exitissem homens sobre a terra.

E de fato antes que o bicho homem fizesse sua estrondosa aparição neste obscuro planetóide, e ousasse afirmar que nada possui existência a menos que seja conhecido por si, muita água rolou por debaixo da ponte...

Evidentemente que quando tomamos conhecimento sobre um determinado Ser ele começa a existir, para nós ou seja para nossa consciência, mas não para si mesmo, pois enquanto tal já existia independente de nossas opiniões ou teorias disparatadas...

Todavia foi assim que o genial colunista iniciou sua defesa de Deus...

Sinceramente...

Após ler tal defesa desejei de todo meu coração que Deus jamais tivesse existido.

Pois nem ele merece defensores e advogados tão ineptos.

No fim das contas quem lho defende melhor é Saramago, pois na medida em que nega sua existência, exime-o de ter conhecimento de tais fanfarronices.

Penso enfim que nenhum dos dois leu Aristóteles ou Platão, melhor para Saramago.

Toque de recolher, diga Não!!!








Há poucos dias ouvi alguns de meus alunos dizerem que a patrulha da Polícia, havia proibido as pessoas de circularem pelas ruas da periferia de minha cidade, após as onze horas da noite.

Evidentemente que não prestei fé as primeiras informações que me foram fornecidas em minha primeira classe...

No entanto após ter lecionado em cinco classes e ouvir de diversos alunos, em todas elas, a mesma narrativa de que a polícia, ou a rota, vinda de S Paulo, decretara um 'toque de recolher', suspeitei seriamente de que houvesse alguma verdade em torno desta 'estória'...

Então fiquei perplexo...

Pois decretar 'toque de recolher' sempre foi e é uma atitude de criminosos e foras de lei...

E no entanto parte de meus alunos asseveravam que a polícia havia emitido um decreto semelhante...

Algo bem ao estilo do sr Paulo Maluf...

Tenho por costume ir para minha casa de automóvel, naquele dia entretanto, mudei de ideia e decidi ir a pé embora more do outro lado da cidade, próximo ao centro.

Pois quis a um tempo investigar e a outro desafiar a prepotência destes senhores.

Em minha hora de caminhada pude constatar que de fato a periferia estava repleta de gente fardada em seus carros luzentes...

Notei ainda que por parte do trajeto, todas as lanchonetes e barzinhos estavam fechados.

As ruas inclusive estavam completamente mortas...

Geralmente a estas horas - 11 e tantas da noite - encontram-se apinhadas de jovens drogados ou alcoólatras...

Naquela noite porem estavam vazias...

O que infundia nos transeuntes como eu - uns poucos alunos ou professores que retornavam das escolas - uma falsa sensação de traquilidade.

Falsa por que em tais contingência, qualquer trabalhador honesto poderia ser apressado pela rota, torturado e executado em surdina...

Pelo simples fato de estar exercendo seu direito de ir e vir ou de estar circulando apesar da proibição baixada por parte deles, policiais...

Proibição que é já arbitrária, já abusiva, já ilegal.

Pois nenhum cidadão pode ou deve ser impedido de circular por qualquer logradouro público seja a hora que for...

Imagine o leitor diversas situações possíveis: o operário que regressa fatigado a sua residência após mais um dia de trabalho, o estudante que retorna da escola, o pai ou a mãe que vão ao encontro do filho estudante espera-lo junto ao ponto de ônibus, o esposo que brigou com a esposa (e vice versa), o enfermo que se dirige ao pronto socorro, aqueles que prestam serviços durante a noite, doentes mentais, mendigos, etc, etc, etc todos impedidos de circular durante a noite sob a alegação estúpida de que tantos quantos circulam de madrugada por nossas ruas são suspeitos ou culpados...

Tenha Santa paciência!!!

Eis que pagamos impostos para vivermos encurralados ou enjaulados e por ordem da polícia!!!

Mas é assim mesmo que as coisas acontecem: primeiro proíbem os jovens de circular de madrugada pelas ruas... e quando nos acostumamos com isto, pronto...

Lá vem o golpe e os adultos também passam a ser proibidos de circular pelas ruas como aqueles que Hitler confinará nos seus campos de concentração...

Nos quais por sinal não havia violência alguma, alias sequer haviam problemas de ordem econômica ou desigualdades a serem resolvidas... ali todos eram rigorosamente iguais: prisioneiros...

E assim será quando for implantado o estado policial e nossas liberdades, conquistadas no decurso de séculos e mais séculos de lutas, forem cada vez mais limitadas com a desculpa de se conter ou controlar a violência...

É a um tal Estado totalitário e controlador que o discursos desses liberais demagogos nos conduzirá, e assim os liberais serão os coveiros de todas as nossas liberdades, lançando os fundamentos do novo despotismo...

A primeira vista, a proibição de que os jovens circulem pelas ruas após tantas horas, é bastante sedutora na medida em que o Estado ou o aparelho repressor assumem uma missão da qual os pais, desgraçadamente abdicaram que a fixação de limites e a imposição de deveres a sua prole.

Infectados por um liberalismo verdadeiramente nocivo, os pais acham muito mais fácil que a polícia ou o exército retirem seus filhos das ruas, o que até lhes permite pousar como vítimas...

-- A culpa é da polícia e não minha meu filho... de minha parte você voltaria para casa quando lhe parecesse melhor.

E no entanto a questão dos horários de se sair ou de se chegar a casa, é uma questão familiar...

Que os país não são capazes de resolver porque lhes falta autoridade moral... ou porque não são estomados e respeitados por seus filhos.

Diante de uma tal situação de anomia por parte dos pais ou responsáveis é natural que eles encarem com franca simpátia a ação supletiva da polícia ou do Estado, na medida em que estabelecem e fixam o período durante o qual o jovem pode circular livremente pelas ruas...

O que certamente acabará por preservar nosso jovem de uma série de perigos, acidentes e desgraças... diminuindo inclusive a violência noturna em nossas ruas.

Mas a que preço...

Pois estaremos - como dizia um saudoso amigo meu - vendendo o almoço para comprar a janta.

Afinal em qualquer tempo futuro será demasiado fácil ao Estado ou a polícia estender o tal 'toque de recolher' - restrito a princípio ao elemento jovem - a toda população adulta...

Soluções fáceis e mirabolantes sempre foram perigosas.

Por isso todo este discurso que gira em torno de policiais, armamentos, horário, penalidades draconianas, etc não é apenas superficial e aparente, mas acima de tudo perigoso.

Pois implementado servirá de base a formação de novos Estados totalitários e policiais em detrimento de nossas liberdades e direitos.

Por isso eu digo sim ao ato de educar e de se impor limites dentro da família e não a qualquer tipo de toque de recolher ou de estado de sítio...

Mesmo porque há uma diferença vital entre uma população livre e educada e uma população treinada ou domesticada.




Assine o abaixo assinado contra o toque de recolher:



http://www.petitiononline.com/q45s87d/petition.html

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

No Brasil até lixeiro é doutor




Um carioca estava ciceroniando um inglês que estava contando vantagens. Dizia o inglês:

- Em minha terra há muitos eruditos.
- Aqui no Brasil também - respondeu o carioca.
- Lá na Inglaterra temos: Dawkins, Hobsbawn entre outros.
-Aqui no Brasil temos: Marilena Chauí, Antônio Cândido e outros mais.
- Temos uma das melhores universidades do mundo - diz o inglês - que é a universidade de Oxford.
- Aqui temos a USP, a UFRJ...
- Nós ingleses temos educação de qualidade.
- É mesmo?
-Yes, my friend!
- Diga-me cá uma coisa: o que é preciso para ser lixeiro lá na Inglaterra?
- Não é preciso ter muito estudo não.
- Pois aqui no Brasil não é qualquer um que pode ser lixeiro. Caro amigo inglês, você é formado em quê?
- Eu sou formado em história.
- Tem doutorado?
- Não.
- Ao menos tem mestrado?
- Não.
- Você por exemplo por não ser devidamente preparado não pode prestar concurso para ser lixeiro. Aqui queremos pessoas qualificadas, graduados aqui no Brasil é visto como um semi-analfabeto.
- Mas isso não pode ser.
- Não pode ser lá na Inglaterra que é um paizinho atrasado, aqui é o primeiro mundo. Cara, acho melhor você voltar para Inglaterra, porque aqui você não vai arrumar nada com esse teu diplominha de bacharel. O Brasil é "foda", aqui até lixeiro precisa ser doutor ou ao menos mestre!!! Pois é um trabalho que requer muita intelectualidade.


Brincadeiras à parte é triste ver pessoas que estudaram a vida toda, desempregadas. E o desespero é tão grande que se sujeitam a fazer concursos para lixeiros. Mas procuram esses concursos fáceis e baratos por que são burros ou por que não tem dinheiro para um concurso mais caro? Qual será o segredo de Tostines? Eu não vou dizer que esses mestres e doutores são burros, até porque eu não sei se poderei ser um futuro lixeiro.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u641621.shtml

Ó tempora, ó mores!

sábado, 24 de outubro de 2009

As "sábias" palavras de Lula

"Se Jesus Cristo viesse para cá e Judas tivesse a votação que teve um partido qualquer, Jesus Cristo teria que chamá-lo para fazer coalizão, porque essa é a composição de forças que tem no Congresso". Presidente Lula

Bom quando não se tem nada inteligente para se dizer o melhor a fazer é ficar de boca fechada, mas não é o que aconteceu com o presidente.

Independente de se crer ou não em Jesus Cristo como Deus ou profeta, o que não se pode negar é que ele foi uma grande figura histórica, e isso nenhum historiador honesto nega. Pessoas de muitas religiões e pessoas sem religião alguma admiram a figura de Jesus Cristo. E admiram a Jesus por sua honestidade, por nunca ter compactuado com os hipócritas e/ou fariseus.

Então quando Lula fala que Jesus faria conchavo com Judas Iscariotes, ele está chamando Jesus de corrupto, de um homem que nada tem admirável, um qualquer. Claro que isso ofende os sentimentos religiosos de cristãos ortodoxos, católicos e protestantes. Mas isso não vem ao caso, o que vem ao caso é querer transformar figuras eminentes em homens interesseiros e carreiristas.

Lula poderia ter citado Sócrates, dizendo que este poderia fazer acordos com seus inimigos ou que Tibério Graco poderia trair seus ideais por um cargo de senador. O presidente poderia ainda citar qualquer outro personagem histórico de grandes virtudes, mas quis transformar Jesus em seu bode expiatório.

Na verdade isso é uma projeção de Lula, como ele se vende e faz acordo, ele acredita que todos os homens são como ele, ou seja, projeta nos grandes homens o pequeno homem que ele é. De qualquer forma por pequeno que seja perto do FHC Lula é um gigante.

Caso queira ler mais a esse respeito, leia os artigos: A CPI do Judas e Jesus Cristo é convocado para depor em CPI.

Fim de papo.

Sindicato dos pequenos blogs, abrace essa causa





O Chris Robers do blog Bigode de Gato e também o Ravick dos amorais se associaram no sindicato dos Pequenos Blogs, cujo objetivo é reunir pequenos blogs para que sejam divulgados.

Leia o texto abaixo:


Este é o segundo post, e temos novidades. O controle de acesso como estava sendo realizada estava atrasando as inscrições. Por este motivo o Blog agora é aberto a visita de todos. Reforçando: corre e associe-se cara!

Para este primeiro momento somente 100 pequenos blogueiros (corre e associe-se cara) poderão participar da Campanha que será lançada brevemente.



Como todo sindicato, temos nossas diretrizes e nossa missão. Aquela, será informada depois, esta é simples: defender os interesses e ajudar os pequenos blogs a crescer.




Nosso lema é: os pequenos blogs tornam o pequeno um grande blog.




Certamente sua primeira e mais importante dúvida é: o que afinal é este blog e qual o objetivo enfim deste sindicato?



Tudo será melhor explicado a seu tempo, mas, grosso modo, o sindicato será uma agremiação de pequenos blogs que realizarão ações conjuntas (entenda-se campanhas, selos especiais, blogagem coletiva, publicidade entre outras ações) para o crescimento dos associados.




Aguarde!



Caso tenha ou conheça um pequeno blog de bom conteúdo, convide-o.

Neste novo modelo, basta acessar o blog da campanha e tornar-se um Seguidor do Blog.

O futuro do Estado burguês...









Tudo quanto os meios de comunicação nos tem revelado sobre a situação anômica porque tem passado a antiga capital do nosso pais, esta diretamente relacionado com as origens de nossa sociedade, com a sociedade que estamos a construir no presente e com a sociedade que viremos a ter no futuro.

Pois apesar de que alguns aventaram já o 'dogma' do fim da História, vimos que a História segue seu rumo se considerar tais dogmas, sendo o conflito por sinal indício desta vitalidade, inda que não seja, e não o é, uma vitalidade sã.

Quando penso na realidade do conflito, penso sempre em superação e creio que um dia viveremos numa situação de compreenção mútua e unidade.

Acaso numa passará tal anseio de um sonho?

Talvez. Porém, desgraçado o mortal que parou de sonhar e conformou-se apenas com o existir adaptando-se com o que há.

Por isso aqueles que pensam que o Estado atingiu sua forma definitiva sob a égide do liberalismo e que não deve ser alterado ou modificado em absolutamente nada, estão redondamente enganados.

Não muda o passado porque pertencendo à História fixou-se no tempo... Não muda pois pertence aos mortos.

O presente porém pertecem aos vivos que habitam cidades e não cemitérios. Pertence o presente aos vivos sendo o movimentar-se indicio de sua vitalidade interna... vive e por isso move-se, e por mover altera-se e por alterar-se recompõe-se... tal o dinamismo da vida.

A semelhança das formas que lha precederam também a forma atual de organização - ou desorganozação? - social, haverá de passar, de ser superada, recomposta e aperfeiçoada, fatalmente...

E no entanto o fluxo da História é algo de tão complexo que não podemos sequer cogitar a respeito de como tais mudanças se processarão...

Pois nem sempre os progressos se dão calmamente, havendo um bom número de exemplos segundo os quais, a um fluxo de progresso precedeu uma assombrosa crise...

No processo histórico as crises não são um estado insuperável e constante, mas são, evidentemente, períodos ou fases reais porque diversas sociedades tiveram de passar antes de se reencontrarem moral ou espiritualmente redefinindo seus valores ou sua posição diante de valores tradicionais que até então ainda não eram levados a sério (seria talvez o caso do nosso Cristianismo?).

Temos pois diante de nós, penso eu três possibilidades com relação ao futuro da sociedade brasileira, uma comportando superação e as outras duas comportando um agravamento da crise porque ora passamos e que por ora se limita ao Rio de janeiro.

Analise-mo-las:

- Sobre a primeira possibilidade pouco tenho de falar.

Julgo que chegou já o tempo de dar-mos ouvidos a J F Revel, lançando Jesus Cristo as favas ou vivendo conforme ele determinou, ou seja, pautando nossas relações sociais nos principios e valores que dinamam de seu Evangelho: a Justiça, a fraternidade, a compreenção, a benignidade, a paz, a caridade, a tolerância, a alteridade, etc

Manter o velho fetichismo ou o velho fideísmo não é mais possivel...

Ou passamos a levar o Cristianismo a sério e a vive-lo ou assuma-mos ao nosso paganismo... paganismo que por sinal não é o paganismo humanista de um Sócrates, de um Platão ou de um Aristóteles.

Isto implica necessariamente em reconhecer que nossas estruturas sociais são inadequadas na medida em que não são Cristãs, estimulando desejos, sentimentos, ações e operações que segundo o éthos Cristão são maus e pecaminosos como a rivalidade, o egoismo, a desonestidade, a intemperança, o materialismo, etc e sobretudo a firme vontade de destruir tais estruturas, de po-las abaixo, de arruina-las, de faze-las arder e de sobre suas ruinas fumegantes reconstruir uma sociedade mais Cristã e fraterna em moldes gregários, solidários, cooperativos e coletivos.

Buscando não apenas e tão somente a realização pessoal, mas sobretudo a justiça social, o bem comum e a felicidade geral da grande família humana, condenando irremissivelmente a todas as condições extremistas: de extrema riqueza ou de extrema miséria como patologias sociais (cf Henry George - Progresso e pobreza).

Refiro-me pois a implantação de um Estado social seja ele cooperativo, solidarista, fraternalista, socialista, comunitário ou comunista.

Quando penso em evolução social penso em tal môdelo de Estado em oposição aos nossos formigueiros de individuos...



As duas outras perspectivas que tenho em mira quanto ao Estado burguês, perspectivas de crise alias, são:




- Sua completa dissolução, por formas tanto mais consequentes e/ou coerentes como o anarquismo individualista preconizado por M. Stirner ou o anarco capitalismo nos termos propostos por David Friedmann.

Pois como forma individualista que é, o liberalismo econômico sempre comportará em sí a potencialidade (inda que remota) de dissolver totalmente o político (que tem satanizado desde o principio por sinal) e o social, marcando todos os seus principios, valores, ações e operações segundo a dinâmica das relações econômicas ou financeiras... refiro-me a uma moral pautada apenas e tão somente na aquisição de lucros, numa religião voltada apenas e tão somente para o lucro, numa arte dedicada ao lucro, etc

Cada qual vivendo como melhor lhe perecer, isolado em sua ilha burgueza e pautando suas relações com os demais apenas pelo vender e comprar...

Como se vê também os capitalistas estão a lutar para que seus postulados sejam encarados com mais seriedade e levados as últimas consequências pelos adeptos do sistema enquanto os Cristão permenecem entregues a habitual bonômia...


- A outra possibilidade - e esta me parece real ou ao menos possivel aqui no Brasil -
é a transformação gradativa e sutil do atual Estado: liberal, numa sociedade totalitária, militarizada, e institucionalmente violenta.

É um erro crasso vincular-se a ascenssão dos antigos facismos a situações de anômia ou de acrácia. Não foi semelhante conjuntura que lhe forneceu suporte mas as condições degradantes em que até então viviam os trabalhadores e operários...

Todos os ditadores - Mussolini, Franco, Salazar, Peron, etc - lograram subir e se manter no poder (Aristótetes já o dizia com relação aos da antiga Grécia) autorgando direito aos trabalhadores que até então viviam sob o jugo aviltante da escravidão, privados de toda e qualquer garantia quanto a suas pessoas e dignidades.

Durante cerca de cem anos as democracias burguezas ou liberais - após terem sucedido as monarquias - não fizeram absolutamente nada com o intuito de minorar as condições abjetas em que vivia o proletariado, mas antes - controladas por empresários e banqueiros - resistiram a todas as pressões sociais cujo objetivo era superar tal condição... Foi quando entraram em cena os ditadores - alguns dos quais certamente formados na velha escola de Maquiavel - e tiraram o devido proveito, concedendo direitos a essa grande massa até então privada de todo direito... em troca o imaginário popular divinizou-os a ponto de contarem até hoje com um núcleo fiel de admiradores.

Hoje no entanto parece-me que tais direitos estejam relativamente consolidados. Ao menos em países que - como o Brasil e a maioria das repúblicas vizinhas - encontram-se nas mãos dos trabalhistas...

Portanto o caminho para a formação de um novo Estado facista e totalitário - que talvez prescinda de um ditador em termos pessoais - será necessariamente outro, talvez o medo causado as classes médias ou mesmo as câmadas mais simples e alienada da população, pela violência, pelo crime ou pela marginalidade.

Pois a cada situação de anômia ou acracia provocada pelas organizações criminosas que dominam os morros do Rio, sucedem-se na TV alguns rostos bastante conhecidos como o do Sr Paulo Maluf, postulando soluções mágicas, draconianas e superficiais para o problema tais como: a adoção da pena capital, a reformação de nosso código penal numa perspectiva tanto mais rigorosa, a contratação de mais policiais (por a rota na rua), a compra de mais viaturas, armamentos e munições (o que é excepcionalmente proveitoso para os fabricantes de material bélico, aquescendo o mercado) e até MESMO A REDUÇÃO OU A SUSPENSÃO DE NOSSOS DIREITOS E GARANTIAS PESSOAIS, ASSEGURADOS PELA CARTA MAGNA E CONSOANTES A CLÁSSICA TRADIÇÃO LIBERAL.

Não sou lulista embora prefira decididamente o governo Lula ao governo precedente - PSDB - do sr FHC. Apesar disto, conhecendo como conheco - pois sou Historiador - os meandros da velha política reacionária brasileira - UDN, ARENA, PDS/PP, PFL/DEM, PSDB, etc - fico aqui a cogitar com meus botões em que medida as ações desses mafiosos não corresponde a necessidade de afirmação por parte de tais partidos, mesmo porque eles não possuem qualquer proposta verdadeiramente social...

Chego mesmo a desconfiar de que tais criminosos recebam estipêndios dos políticos da direita com o intuíto de promoverem tais situações de anômia, as únicas que, apavorando a população, poderiam dar algum suporte a um projeto político, fracamente inepto como o deles: mantenhamos o sistema como sempre foi, tudo esta bem, compraremos mais armas e munições e protegeremos vôces. (mesmo que os tiroteios e duelos aumentem e vôces venham a ser metralhados no meio da rua seja por criminosos ou por políciais)

Não sei se há algum colóquio ou alguma relação financeira entre tais situações de violência e o discurso anti-cientifico e charlatanesco assumido por certos políticos e partidos de direita, os quais pretendem fazer crer aos tolos que a circulação da rota pelas ruas haverá de diminuir o fluxo da violência... fluxo que é provocado pelas condições vigentes na sociedade contemporânea e que só poderá ser superado na medida em que alterar-mos tais condições promovendo amplas reformas sociais.

Não é o código penal que nos cumpre reformar e menos ainda o código civil.

Pois adotando penalidades cada vez mais rigorosas e draconianas até a tortura e diminuindo nossos direitos e garantias, estamos apenas e tão somente construindo um Estado totalitário próximo do môdelo facista, o que certamente dará a alguns um falsa sensação de segurança...

Todavia no momento em que nossos filhos e/ou pais ralados pelo estudo ou pelo trabalho foram cruamente abordados, insultados, surrados, presos ou até mesmo torturados e mortos pelos membros duma instituição que sendo pública e paga com os recursos deduzidos de nossos impostos, deveria respeitar-nos e proteger-nos, tal ilusão cairá ruidosamente por terra.

Por mais que detestemos aos direitos humanos consideremos o simples fato de que alguém muito querido por nós - um pai, um irmão, um filho, um amigo, etc - pode ser confundido pela rota com um meliante e...

Mesmo porque na medida em que violência aumenta a tendência natural e que todo o cidadão passe a ser encarado como um suspeito...

Portanto aumentar o número de policiais, de armamento e de munição, implica em atear mais fogo ao incêndio que consome a sociedade ou seja em aumentar a violência e o conflito até que todos sejam enquadrados como suspeitos, sendo privados de suas garantias e inumidades como cidadãos! Eis o cerne da questão...

Estará V Ilma, enquanto trabalhador honesto e contribuinte, disposto a assumir a condição de suspeito numa sociedade totalitária e militarizada, como todas as decorrências de tal condição...

Há dez anos atrás as decorrências desta condição de suspeito foram as seguintes aqui na minha terra: Santos.

Três jovens de classe média, joviais e brincalhões como os demais jovens pertencentes a sua condição, foram apressados por uma viatura, conduzidos a um fétido manguezal, humilhados, surrados, torturados e por fim brutalmente executados por traficantes? Não meus srs! Por policiais militares, cujos soldos eram pagos com os recursos deduzidos aos impostos pagos pelos familiares dos executados.

Tratar-se-ão de casos isolados?

Certamente que não!

Em geral a maior parte das ações policiais são abusivas na medida em que violam nossas leis e caracterizam abuso de poder.

De minha parte julgo que as ações criminosas na medida em que partem justamente daqueles que deveriam combater ao crime, proteger o cidadão comum - e não sevir como guarda particular de empresários, comerciantes e políticos - e respeitar a soberânia das leis, são tanto mais culpáveis e graves devendo por cosequência ser punidas com mais rigor e severidade. Sou pois a favor de uma única mudança no que diz respeito ao Código penal: que sejam adotadas punições tanto mais severas e rigorosas sempre que um crime for cometido por um policial, membro do judiciário ou político... assim estipulavam as sábias leis do império persa.

Pois se os escessos acorrem amiude mesmo quando nós cidadãos temos as leis a nosso favor, o que não haveria de ocorrer caso ampliassemos os poderes da polícia?

Se tendo as leis contra sí delas abusam 'os homens da lei' surrando publicamente criminosos imobilizados após a rendição e antes de terem ido a juizo (o que constitui pavoroso crime) que não fariam caso seus poderes fossem aumentados como desejava o faledido Erasmo Dias companheiro do sr Maluf?

Seguindo as orientações de tais demagogos, estariamos a destruir até mesmo o pouco que ainda há de nobre e venerável na insituição liberal, nossos direitos e garantias pessoais e a cimentar uma nova forma de ditadura, muito mais selvagem do que as ditaduras antigas controladas por civis ou militares, a ditadura da polícia!

Ditadura que não logrará reduzir os índices de violência ou proteger-nos mas que antes calcará aos pés todos os direitos sagrados da pessoa humana, insturando um regime de pânico e terror.

Saibamos portanto dizer um sonoro não as sofísticas e aleivosas propostas acenadas pelo PP e seus aliados e um sonoro sim as reformas sociais que haverão de transformar nossa democracia formal numa democracia real e popular.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Socorro, chamem os universitários...








Sempre que o programa 'show do milhão' é ou volta a ser editado pelo SBT e os universitários - cujo ofício é auxiliar aos participantes indecisos - soltam suas pérolas de inépcia, a mídia e a sociedade brasileira tomam por 'prato do dia' as condições precárias de nossas instituições de ensino superior, sejam elas públicas ou privadas.

De minha parte fico a pensar com meus botões o que se sucederia caso o 'patrão' tivesse a coragem de substituir seus universitários pelos professores catedráticos de nossas faculdades, quero dizer os alunos pelos professores com todos os seus títulos de mestrado, doutorado, pós doutorado, etc ???

Afinal será que alguma de nossas sumidades professorais toparia o desafio do sr Silvio Santos?

De minha parte tenho seríssimas razões para duvidar de que nossos intelectuais de gabinete ascederiam ao gentil convite para brilhar no SBT...

Pois eu mesmo - logo que engressei no primeiro dos cursos universitários que vim a concluir quatro anos depois - envolvi-me numa discussão para lá de patética com um destes magníficos catedráticos...

Tudo passou-se durante a aula de arqueologia.

Cujo tema era: "As sociedades indígenas".

Entrementes a arqueóloga formada pela CUSP (o C é meu mesmo) começou a dissertar sobre como cada tribo indígena era intimamente unida e como cada morador preocupava-se com os demais...

Encerrado o discurso e iniciado o debate, levantei a mão e manifestei-me nos seguintes termos:

-- Gostei muito de saber que nossos índios eram gregários, e...

Nisto fui bruscamente interrompido pela sumidade, a qual com os olhos arregalados e quase saltando, interpelou-me:

-- Mas quem é que lhe disse que nossos índios VIERAM DA GRÉCIA? Afinal todos sabem que nossos índios eram tupis e não gregários, gregário era Homero...

Meu companheiro de carteira - que conhecia perfeitamente bem o sentido da palavra gregário - abaixou a cabeça e poz-se a rir discretamente e com ele mais três ou quatro aluno - enquanto eu fiquei preso a minha cadeira e sem poder falar...

Posteriormente quando a classe toda inteirou-se a respeito do significado da palavra gregário e do que de fato havia se passado, a dita professora veio a perder todo o respeito que até então soubera infundir nas almas de meus companheiros...

A grande aventura de ser professor...










A grande maioria dos meus companheiros de trabalho só sabe reclamar quanto a exiguidade de nossos honorários...

Naturalmente que todo profissional deve lutar por melhorias quanto a seus vencimentos e quanto a seu ambiente de trabalho.

Reclamar pois não basta...

Confeso de minha parte que não tenho lutado muito... e reclamado muito menos.

Alias, não reclamo.

Pois a reclamar prefiria lutar.

Reclamar é sinal de impotência e as vezes de comodismo até, enquanto que lutar é sinal de coragem...

Solidarizo-me com a luta empreendida pela maior parte de meus companheiros de trabalho, inda que seja inglória, devido ao alto gráu de desunião que caracteriza nossa categoria professoral.

Participo das mobilizações pacíficas na medida em que minhas atribuições e compromissos lho permitem.

Revoltado e amargo porém não o sou.

Talvez até porque minha situação econômica seja um tanto diversa da situação porque passa a grande maioria dos educadores deste país.

Afinal sendo solteiro e morando em habitação própria em companhia de minha mãe e não tendo dívida alguma, sou constrangido a confesar que os rendimentos que ganho são mais do que suficientes... ao menos para mim (!!!), permitindo-me enclusive algumas excentricidades e benemerencias ocasionais.

Por outro lado não posso me queixar do trabalho já porque tendo passado vinte anos estudando creio dominar perfeitamente bem o conteúdo das matérias que ministro, tendo todos os módulos de aulas, avaliações e gabaritos adrede preparados... Meu horário de trabalho portanto resume-se praticamente ao tempo que passo em sala de aula, ou seja, a cerca de quatro horas diárias, haja visto, que trabalho a noite.

Portanto tomando a mim mesmo como padrão posso dizer que não ganho lá tão mal...

Problemas de indisciplina ordinariamente não lhos enfrento pois sei empregar muito bem os mecanismos de disciplina que me são franqueados pela organização escolar.

É pois relativamente tranquila minha vida professoral e não tenho motivo algum para troca-la por outra qualquer.

Realizei-me em minha profissão é tudo quanto posso dizer.

Sou honrado por minha direção, respeitado por minha coordenação, estimado por meis alunos e até querido por alguns de meus companheiros de profissão...

Não tenho do que me queixar, exceto de alguns problemas estruturais... entretanto, o que não tem remédio...

Afinal o campo existêncial que é posto diante de mim pela atividade educativa, é fascinante...

Quanta riqueza, quanta vitalidade, quanta variedade que são franqueadas a minha experiência pela atividade professoral?

Como estudioso e pesquisador nas esferas da sociologia, da psicologia, da parapsicologia, da História e do folclore foi verdadeiramente imensa a gama de fatos, de dados e de informações que pude adquirir e registrar em sala de aula.

Mesmo porque sempre fui adepto do questionário social e dos sociogramas...

O que não me impede de efetuar outras tantas pesquisas de campo com minhas turmas.

Especialmente os 'alunos problemas' se analisados em seu 'locus' social ou em sua estrutura psiquica, nos auxiliam a compreender melhos as causas das situações de anômia ou de acracia porque passamos em nossas salas e a planejar estratégias que possibilitem sua superação.

Como seria mais fácil para todos nós educadores construir estratégias tendo em vista a extinção da indisciplina e a promoção do saber em nossas salas, caso estivessemos dispostos a observar nossos alunos com um tantinho mais de atenção... quantas coisas, quantos sinais, quantos segredos, quantos dramas do quotidiano seriamos capazes de descobrir e de na medida do possivel reverter...

E no entanto poucos são os mestres que prestam ou que desejam prestar atenção nos 'alunos problemas' com o intuito de tentar compreende-los e de descobrir o pôrque de suas atitudes... No mais das vezes contenta-mo-nos com o rotular ingênua, romântica e inadequadamente nossos alunos como bons e maus... puro maniqueismo.

Recentemente havia em uma de minhas classes uma jovem bastante conversadeira, andeja e irriquieta...

Segundo a disciplina que adoto em minhas classes os educandos geralmente não gritam, nem tagarelam animadamente, nem circulam livremente pela sala... falam normalmente e na medida em que é necessário e circulam do mesmo modo... E no entanto algo naquela jovem fez com que eu procedesse com cerca flexibilidade com relação a ela e disto resultaram duas atitudes de sua parte:

- Passou a esforçar-se para falar e circular cada vez menos durante as minhas aulas.

- Aproximou-se cada vez mais de mim, tencionando entabolar uma possível amizade.

E no entanto a cada reunião do conselho eu ouvia os seguintes comentários sobre a dita aluna:

-- Ralhei com X, mas ela não deu a mínima atenção...

-- Por mais que grite e ameaçe a X, ela não colabora...

-- Ontem foi obrigado a por X fora de aula, afinal ela não parava de falar e de circular pela sala.

................................................................

Só de observar a dita aluna pelo espaço de uma semana, havia chegado a conclusão de que a jovenzita não falava ou punha-se a circular pela sala por 'pura maldade' ou birra, mas como que por um impulso mecânico, ao qual tentava inclusive resistir. Estava pois diante de mais um caso de hiperatividade e sabia muito bem que ralhar com a jovem, ameaça-la, puni-la, etc não produziria efeito algum...

A única forma de contornar o problema da hiperatividade é ganhando e não perdendo a estima do educando. Pois na medida em que o educando passar a encara-lo com afeto e respeito e na medida em que considerar interesantes suas aulas, esforçar-se-a por conter-se...

Fazer-se detestar por um hiperativo ou por um TDA é perde-lo e converte-lo num caso perdido...

Felismente eu havia estudado bastante o assunto e estava preparado para enfrenta-lo.

E assim ao invés de bater de frente com X, apostei na tolerância, tentanto fazer com que ela percebesse que eu a compreendia e não que a condenava sem antes ouvi-la...

Também é necessário preparar atividades suplementares para o hiperativo e o TDA, levando em conta seu ritmo de trabalho mais acelerado e a necessidade de impedir que tal aluno fique 'livre' ou seja sem ter o que fazer. Do contrário, por mais bem intencionado que seja o hiperativo ou o TDA, acabará por por fogo na sala de aula.

É pois dever do professor inteligente, ocupa-lo!!!

E no entanto manda-lo para a diretoria da menos trabalho do que produzir ou trazer de casa atividades suplementares...

É possivel que um salário tanto mais digno e justo, motivasse os profissionais da educação para que se preocupassem mais com tais problemas, todavia julgo que tal questão seja antes de tudo uma questão de humanidade...

Enfrentar o governo através de greves é ato de virilidada... sabotar as aulas com a desculpa de que se ganha muito pouco é a mais supina das canalhices! Pois o verdadeiro culpado pela situação é o governador e não o educando, este é tão vítima quanto nós e caso venha a ser prejudicado por alguma falha em nossa atuação tornar-se-a duas vezes vítima do sistema...

Posteriormente a aluna X acabou procurando-me e desabafando:

Por mais que tentasse jamais conseguia parar de andar ou de falar o tempo todo, o que fazia-a sofrer muito.
Segundo a orientação médica que haviam recebido seus pais matricularam-na em diversos cursos: dança, inglês, informática, etc...
Também tomava calmantes todos os dias...
E no entanto seu ritmo continuava acelerado e sua ansiedade intensa.
Segundo informou-me havia tentado falar com alguns dos professores, mas sempre que tencionava faze-lo, sentia-se intimidade pela frieza ou pelas aspereza dos mesmos sendo eu o primeiro e o único que se dispuze-la a ouvi-la.
Disse ainda que gostava muito de minhas aulas porque eram bem mais dinâmicas que as dos outros professores e que faria o máximo de sí para não atrapalha-las como alias já estava fazendo...

Enfim minha tática surtira efeito só me restando dar-lhe um forte abraço, dizer que lha compreendia e que admirava-a muito por seus esforços...

Jamais tive problemas com aquela aluna, a qual por sinal melhorou extraordinariamente seus redimentos escolares.

Penso no entanto que quem mais aprendeu e se tornou mais humano com tal experiência fui eu.

Durante mais de um ano empreendi pesquisas com meus alunos no campo da paranormalidade, da precognição e da telepatia podendo constatar que as experiências empreendidas por De Rochas, Richet, Warcollier, Rizill e Rhine, correspondiam a veracidade dos fatos e numa proporção ainda maior que a verificada por eles.

Isto para ser suscinto...

No fim das contas meu ofício pode ser descrito como uma troca. Pois sequer é necessário que haja intenção de ensinar da parte de meus alunos para que eu possa aprender com eles, basta, de minha parte, que observe e observe atentamente o ambiente para que aprenda todos os dias...

Ah se esses aluninhos pudessem calcular o quanto lhes devo... estaria falido!

Embora também haja certo aprendizado tanto mais efetivo de minha parte com relação eles.

Gostei muito de aprender com um de meus alunos que Thomas Alva Edinson patenteou 1300 invenções. Eis uma informação que dificilmente esquecerei... Como o amigo leitor pode ver eles também são capazes de nos ensinar...

Afinal devemos banir para sempre de nossas mentes a falsa idéia de que o professor sempre sabe tudo ou de que ele é infálivel...

Pois uma coisa é ser bem informado, competente, capaz e perfeccionista e outra totalmente distinta ser onisciente ou inerrante.

E nenhum ser humano é onisciente ou inerrante. Todos somos límitados e passiveis de erro.

Nada mais patético do que aquele tipo de professor supinamente ignorante que afeta tudo saber e que pretendendo tudo responder com absoluta certeza, engana seus alunos fornecendo-lhe informações falsas tiradas de sua própria cabeça.

Já por diversas vezes tive de responder a um ou outro de meus alunos: 'francamente não detenho tal informação' ou 'lamentavelmente não sou capaz de responder a sua pergunta', ou ainda 'Isto não sei, mas hei de pesquisar e assim que dispor da resposta lha fornecerei, isto caso vôce não lha encontre antes. Neste caso tenha a bondade de informar a mim e a seus companheiros de classe.'...

Pois trata-se de pura e simples honestidade intelectual!!!

Noutras circunstâncias fui obrigado a dizer: 'Não estou totalmente certo, creio porém que as coisas tenha se passado deste modo (...)'

Se o Mestre teve a ombridade de reconhecer sua condição ao dizer "Só sei que nada sei.", que haverei de dizer eu?

Fora deste aspecto formativo de nossa profissão há ainda o aspecto lúdico da mesma na medida em que nos deparamos continuamente com o grotesco já na sala dos professores, já nas salas de aula... e aprendemos dia após dia sobre o pedantesco, o patético, o ridículo e morremos de rir interiormente...

Um amigo meu chegou a dizer que:

-- Digam o que disserem, que ganhamos mal, que nosso ambiente de trabalho é precário, que enfrentamos situações perigosas, etc o que ninguém pode dizer em sã consciência é que não nos divertimos todos os dias...

Concordo em gênero, número e gráu...

Pois não passo um dia sem me divertir... as vezes mal chego em casa, fatigado, e quase estouro de tanto rir...

A guiza de exemplo narrarei apenas um fato, absolutamente verídico, testemunhado por mim numa de nossas escolas aqui da região:

Certa vez peguei algumas aulas livres numa escola, na qual um dos professores era esposo da diretora, julgando-se por isso invulnerável.

O dito professor lecionava em todas as oitavas séries e não tinha papas na lingua, sendo bastante conhecido de todos por sua fala livre e desbragada...

Certo dia houve porém que estourou pavorosa briga durante o intervalo da tarde, rolando um aluno e uma aluna, ambos da oitava série pelo chão do pátio e saindo o garoto todo arranhado e mordido.

Como era de praxe foram ambos conduzidos ao gabinete da Sra Diretora - a esposa do profo X - com o objetivo de prestarem os devidos esclarecimentos.

-- Porque a Srta. fez isto com o rapaz? Perguntou a diretora encolerizada.

-- Porque esse moleque retirou do bolso uma nota de cinco reais e me disse: fica comigo por cinco, já que as putas do cais cobra dez...

Ao ouvir tais palavras a Diretora - que por pouco não infartou ali mesmo - deu um giro e exclamou (quase pondo o dedo no nariz do menino):

-- Então é isso que o sem vergonha do seu pai te ensina em casa seu porqueira!

-- Não meu pai, jamais disse uma coisa destas, revidou o menino muito calmamente...

-- Então quem foi o cachorro e salafrario que te disse uma barbaridade dessas seu encapetado? Retrucou a administradora escolar.

-- Foi seu marido, o profo X, que disse para todo mundo na minha sala: quando minha mulher não quer nada comigo, não brigo com ela como vôces, todo uma notinha dessas aqui - tirou a nota da carteira e mostrou aos alunos - de dez e vou para o cais pegar uma puta qualquer...
& arrematou apontando para a coleguinha:
Então calculei que essa putinha ai custa mais barato...

Segundo ouvi dizer mais tarde a menina recebeu uma caixa de doces finos e o menino um comovido pedido de perdão da parte da Diretora... isto é claro depois que ela se recuperou do desmaio...

Quanto ao profo X, jamais pude saber o que aconteceu com ele...

Isto ouvi - entre risos e gargalhadas - das vices diretoras e coordenadoras da referida unidade escolar, que testemunharam tudinho. Depois, como não sou bobo, fui perguntar aos aluninhos, que confirmaram tudo tim tim por tim tim...

Além deste conheço uma infinidade de causos da vida real sucedidos com diretores, professores e alunos em nossas escolas...

Assim quando for velho poderei escrever um livro de piadas e ganhar mais dinheiro que o Costinha e o Ari Toledo...

Nóis trabaia qui nem escravo, mais qui nóis ri, nóis ri...